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Vermelho, 14 de agosto de
2009
Veja a programação
da Jornada Nacional Unificada de Lutas
Trabalhadores de todo o Brasil
sairão às ruas nesta sexta-feira (14) para defender a redução
da jornada de trabalho, mais empregos e direitos, reforma agrária
e urbana, ratificação das Convenções 151
e 158 da OIT, fim do superávit primário e mais investimentos
em saúde, educação e moradia. É a Jornada
Nacional Unificada de Lutas 2009, promovida pelas centrais sindicais
e por entidades dos movimentos sociais.
Em pelo menos 12 estados, haverá manifestações
como atos públicos, passeatas, assembleias, greves e diversas
mobilizações. A Jornada em São Paulo vai percorrer
a Avenida Paulista, com concentração na Praça Osvaldo
Cruz, a partir das 10 horas. Os manifestantes seguirão até o
Masp, onde ocorrerá o ato político. No trajeto, serão
realizados dois miniatos — um em frente à Fiesp, outro diante
da Petrobras.
Em coletiva à imprensa
nesta quinta-feira, Força Sindical, CUT, CTB, CGTB, UGT, Intersindical
e MST falaram sobre a mobilização na capital paulista,
onde estão localizadas as direções nacionais das
entidades. Praticamente todas as lideranças enalteceram a unidade
das centrais e dos movimentos.
“Essa mobilização
unitária tem um caráter pedagógico de massas, levando
as pessoas a discutir e refletir sobre o momento de grave crise do modo
capitalista de organização e produção”,
declarou João Pedro Stédile, da direção nacional
do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra).
O secretário geral da
Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna,
lembrou que a unidade de ação das centrais sindicais proporcionou
experiências vitoriosas, como as Marchas a Brasília pela
valorização do salário mínimo. Essa visão,
seguindo ele, “contribui para a unificação do movimento
popular e estudantil, pressionando em favor de uma pauta social e por
mudanças na legislação e na política econômica".
Para o vice-presidente da Central
dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Nivaldo Santana, a
coesão construída na luta "é fundamental para
a superação da crise atual do capitalismo, combatendo seus
impactos sobre os trabalhadores e o povo". Segundo Nivaldo, os sindicalistas
defendem “um projeto nacional de desenvolvimento com valorização
do trabalho e da renda, uma plataforma única de enfrentamento
com o capital”.
Confira abaixo a programação
da Jornada Nacional Unificada de Lutas
Bahia
Ato Público em Frente à Federação dos Bancos (Febraban)
Local: Avenida do Comércio
Horário: 9 horas
Ceará
Passeata pelas ruas da cidade (com quatro paradas estratégicas)
1ª parada - Loja Otoche - Contra a Criminalização aos Movimentos
Sociais;
2ª parada - Correio - Dia Nacional de Luta contra a quebra do monopólio;
3ª parada - Bradesco - Contra as privatizações;
4ª parada - Finalizando na Coelce - Contra os altos preços da energia
e pela reestatização da Coelce - Entrega das autodeclarações
e negociação do Conjunto Dom Hélder Câmara e fornecimento
de energia para ocupação Vila Nova.
Local: Concentração na Praça Ferreira
Horário: A partir da 8 horas
Distrito Federal
Passeata pela Esplanada dos Ministérios com Paradas no Ministério
do Planejamento, Fazenda e Comunicação
Local: Concentração na Torre da TV
Horário: 9 horas
Espírito Santo
Passeata no centro de Vitória (Praça de Jucutuquara até o
Palácio da Fonte Grande)
Local: Praça Jucutuquara
Horário: 8 horas
Maranhão
Protesto em Frente ao Tribunal de Justiça e Ato Político na Praça
Deodoro
Local: Concentração na Praça Pedro II em frente ao TJ
Horário: 10 horas
Minas Gerais
Ato Político em Frente à Prefeitura de Belo Horizonte
Local: Concentração na Praça 7
Horário: a partir das 14 horas
Paraná
Ato Político-Cultural e Paralisações de Diversas Categorias
Local: Boca Maldita
Horário: a partir das 8 horas
Rio de Janeiro
Passeata até a passarela entre a Petrobrás e o BNDES e ato político
Local: Candelária
Horário: a partir das 10 horas
Rio Grande do Sul
Grande Ato Público pelo Impeachment de Yeda Crusius
Local: em frente ao Palácio Piratini
Horário: a partir das 10h30
São Paulo
Caminhada (com duas paradas estratégicas) e ato político em frente
ao Masp
Local: Concentração na Praça Osvaldo Cruz (Av. Paulista)
Horário: 10 horas
Paradas estratégicas:
1ª Parada: Prédio da Petrobrás
2ª Parada: Fiesp/Banco Santander/ABN
Encerramento: Ato político no Masp
Horário: 13 horas
Pernambuco
Grande Oasseata pelas Ruas e Avenidas do Centro de Recife
Local: Concentração em frente à Celpe (Boa Vista)
Horário: 9 horas
Piauí
Ato Público e Caminhada pelas Ruas de Teresina
Local: Concentração na Praça do Liceu
Horário: 9 horas
Da Redação, com agências
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Gazeta do Povo, 14 de agosto
de 2009
Trabalho
Debate sobre a redução da
jornada esquenta
Sindicatos de trabalhadores e confederações
patronais testam forças em torno do assunto. Uns vão às
ruas enquanto outros articulam lobby
Trabalhadores ligados às
principais centrais sindicais do país sairão às
ruas hoje, em doze capitais, para uma “jornada de lutas”.
A principal bandeira das manifestações será a defesa
da proposta de emenda constitucional (PEC) que prevê a redução
da carga semanal de trabalho de 44 para 40 horas, sem corte nos salários.
Por outro lado, confederações e associações
patronais pretendem contra-atacar, exercendo pressão sobre os
deputados federais e líderes partidários, para alertá-los
do risco de “aumento no desemprego” e “desestruturação
da economia” em caso de aprovação da medida.
O embate em torno do assunto
já dura 14 anos, mas começa a tomar contornos decisivos.
A PEC 231, que trata do tema, está tecnicamente pronta para entrar
em votação no plenário da Câmara dos Deputados.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) diz que
a redução da jornada pode aumentar em 15% o custo de produção.
Por outro lado, o Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos (Dieese) estima que, com a
mudança, poderão ser criados até 2,2 milhões
de empregos – 120 mil só no Paraná.

Em Curitiba, as centrais sindicais
programaram um ato que deve ter início às 8 horas na Praça
Santos Andrade e terminar na Boca Maldita. Já a ofensiva do empresariado
paranaense deve ter início na próxima segunda-feira, quando
o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), virá à capital
paranaense para abrir o Congresso da Indústria, promovido pela
Federação das Indústrias do Paraná (Fiep).
Na ocasião, está previsto um encontro entre Temer e o presidente
da Fiep, Rodrigo da Rocha Loures, para discutir a questão.
“Nosso propósito
não é defender exclusivamente o interesse da indústria,
mas sim da economia brasileira, que as normas sejam adotadas levando-se
em conta aquilo que é necessário para viabilizar a economia,
e não para criar engessamentos”, defende Loures, que define
como “forte” a mobilização do empresariado
local contra a proposta.
Outra demonstração
de força do grupo contrário à medida deve ocorrer
no próximo dia 19, quando a Comissão Geral da Câmara
dos Deputados pretende promover uma audiência pública para
discutir o tema. Na ocasião, as confederações nacionais
da agricultura, indústria, e comércio devem firmar posicionamento
contrário à medida, usando como argumento a possibilidade
do aumento do desemprego.
“Nossa arma é a
conversa, o diálogo e o entendimento. Nesta audiência vamos
mostrar que a redução da jornada não traz benefício
algum, pois o empresariado vai repassar o aumento de custos nos preços”,
argumenta a presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP),
Avani Slomp Rodrigues. “Posso dizer com plena convicção
que [a aprovação da PEC] vai causar mais demissões”,
defende Avani, que classifica a proposta como “absurda e sem cabimento”.
Para ela, a alternativa para a geração de empregos está na
flexibilização das leis trabalhistas.
Já para o doutor em economia
aplicada e professor da PUC-RS Cássio da Silva Calvete, a proposta
de redução da jornada é “absolutamente viável”. “Com
a Constituição de 1988, a jornada foi reduzida de 48 pra
44 e essa medida não gerou quebra de empresas. Ao contrário,
gerou postos de trabalho”, defende. Ele diz que o aumento no custo
de produção existe, mas é menor do que o alardeado
pelas entidades patronais. “Um aumento de 2% no custo pode ser
absorvido em cerca de 6 meses”, argumenta.
Histórico
Catorze anos de tramitação
A PEC 231, que prevê a
redução da jornada de trabalho semanal de 44 para 40 horas
e um acréscimo da hora extra de 50% para 75% sobre o valor da
hora normal, tramita no congresso desde 1995. Apresentada pelo então
deputado federal Inácio Arruda (PCdoB-CE) em outubro daquele ano,
a PEC foi aprovada pela Comissão de Constituição
e Justiça e encaminhada para a diretoria da Câmara em 1996.
No ano seguinte, foi designada
a Comissão Especial (Cesp) para análise da proposta. Nenhuma
emenda foi apresentada, mas o projeto foi arquivado em 1999. Uma nova
comissão foi constituída para dar continuidade à tramitação.
Entre 2003 e 2004, outras PECs, com temas relacionados, foram
somadas à PEC 231.
A partir de 2008, uma terceira
comissão foi designada para acompanhar o processo e também
não fez mudanças. Por outro lado, o presidente da Cesp,
deputado Luiz Carlos Busato (PDT-RS), promoveu debates e audiências
públicas com representantes de diferentes setores no primeiro
semestre de 2009. Tecnicamente pronto, o projeto aguarda
a votação.
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O ESTADO DO PARANÁ,
14 de agosto de 2009 | Economia
Dieese: negociações
salariais têm resultados melhores
Agência Estado
As negociações dos reajustes salariais das 245 categorias profissionais
com data-base no primeiro semestre de 2009 apresentaram resultados levemente
melhores aos do mesmo período do ano passado. Segundo pesquisa realizada
a partir de dados reunidos pelo Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos (Dieese), 76,7% das negociações
salariais registraram aumento dos vencimentos acima da inflação
medida em 12 meses pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor
(INPC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na
primeira metade de 2008, as negociações registraram resultados
menores, já que 72,2% haviam conseguido reajustes superiores ao INPC.
Entre as categorias que registraram
reajuste inferior ao INPC, o porcentual foi de 7,3% durante as negociações
conduzidas no primeiro semestre de 2009, um índice inferior aos
13,1% que não conseguiram repor a inflação nos acordos
de reajustes formalizados na primeira metade do ano passado.
Segundo o coordenador de relações
sindicais do Dieese, José Silvestre Prado de Oliveira, a indústria
não apresentou o mesmo desempenho de reajustes do obtido no primeiro
semestre do ano passado porque, de janeiro a julho de 2009, 82,7% das
categorias do setor manufatureiro conseguiram reajuste superior ao INPC,
marca abaixo dos 84,7% do primeiro semestre de 2008. "Alguns fatores
podem explicar essa redução. Um deles é que a indústria
registrou forte rotatividade de janeiro a julho, especialmente em função
dos efeitos da crise no País", disse Oliveira.
De acordo com o secretário
de imprensa e comunicação da Central dos Trabalhadores
e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Carlos Rogério Nunes, boa parte
dos dirigentes do setor cometeu excessos nas demissões realizadas
no início deste ano, pois temiam uma retração muito
forte da economia brasileira em 2009. "No fundo, ocorreu um terrorismo
empresarial", disse Nunes.
Na avaliação
de Oliveira, embora o número total de categorias que conseguiu
reajustes acima do INPC no primeiro semestre deste ano, em relação
ao mesmo período de 2008, tenha subido um pouco, houve um aumento
expressivo de demissões. Isso permitiu que as empresas concedessem
aumentos ao setores profissionais sem necessariamente aumentar seus
gastos com a folha de pagamento. "Não ocorreu aumento da
massa salarial dos trabalhadores que atuam no setor formal", afirmou
Oliveira. "Além disso, os ganhos reais obtidos foram muito
inferiores, no geral, à produtividade que as empresas conquistaram
com seus funcionários."
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Folha de S.Paulo, 14 de agosto
de 2009
EMPREGO
Setor de serviços lidera em melhora
de salários no ano
VERENA FORNETTI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Os trabalhadores do setor de
serviços foram os que tiveram maior crescimento no número
de categorias com reajustes acima da inflação no primeiro
semestre. Pesquisa do Dieese mostra que o percentual de negociações
que obtiveram ganhos reais para esses empregados passou de 59,5% no primeiro
semestre de 2008 para 71,6% em igual período deste ano.
O setor de serviços foi um dos menos afetados pela crise. A recessão
prejudicou, principalmente, a indústria.
A política de valorização do salário mínimo
também favoreceu esses trabalhadores. Os acordos do segmento abarcaram
empregados de empresas de limpeza e outras categorias cujo rendimento está atrelado
ao salário mínimo, que teve ganho real de 5,8% em fevereiro.
Na indústria, o balanço não foi tão positivo. Os
acordos que não repuseram a inflação subiram de 6,2% de
janeiro a junho de 2008 para 9,3% neste ano. Também houve queda no ganho
real: só 2% das negociações conseguiram reajustes de mais
de 2% acima da inflação.
Em todos os setores, os reajustes se concentraram em níveis próximos à inflação.
O Dieese avalia que o resultado é positivo -93% dos acordos tiveram
reajustes iguais ou superiores à inflação. Em 2008, eram
87%.
Indústria
paulista
Mesmo com o início da recuperação no nível de atividade,
a indústria de São Paulo ainda elimina empregos, embora em ritmo
menor. Segundo a Fiesp, em julho, o saldo de contratações recuou
0,32% -décima queda na série ajustada sazonalmente. Houve corte
de 3.500 vagas.
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O ESTADO DO PARANÁ,
14 de agosto de 2009 | Economia
Lula volta a prometer a construção
de 1 milhão de casas
Agência Estado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a prometer hoje a construção
de um milhão de casas no País. Durante cerimônia de lançamento
de programa habitacional em Goiânia, Lula disse que, "se o número
de cadastrados (no programa Minha Casa, Minha Vida) ultrapassar esse milhão,
nós vamos arrumar dinheiro para fazer mais casas".
"Aprendi uma lição:
que a coisa mais barata e mais fácil é governar para os
pobres. O Alcides (governador Alcides Rodrigues), o Íris (prefeito
de Goiânia, Íris Rezende) e o Meirelles (presidente do Banco
Central) sabem disso. Cada vez que entra um grande empresário
no gabinete, o mínimo que ele quer é milhão. E se
a gente não pode dar, ainda sai falando mal da gente. As pessoas
pobres não querem milhão. Querem viver dignamente, querem
ter o direito elementar de comer três vezes ao dia, querem casa.
E a pergunta que faço é por que não foi feito durante
tanto tempo tudo isso? Eram todos diplomados, todos letrados", completou
Lula, ironizando governantes anteriores.
O presidente disse que, em 2003,
quando assumiu o governo, o País não tinha credibilidade,
dinheiro para pagar suas importações e havia sido desmontada
a máquina administrativa. "A inflação estava
na casa dos 12% indo para os 17%. Era preciso dar um jeito, consertar
o País. Passados sete anos, devolvemos tudo ao FMI (Fundo Monetário
Internacional) e agora emprestamos US$ 10 bilhões. Agora é ele
que deve ao Brasil", disse.
Lula lembrou ainda que a construção
civil esteve paralisada por 20 anos e disse que, com ajuda do Congresso,
a legislação foi modificada para facilitar a vida da construção
civil, setor que, segundo ele, "vai crescer como nunca, gerando
emprego".
Durante seu discurso, Lula comentou
que, quando ganhou as eleições, deitava-se na cama do Palácio
da Alvorada e ficava pensando se seria capaz de governar e resolver os
problemas do País. "Hoje, posso olhar na cara de cada um
de vocês e repetir uma frase do Obama (Barack Obama, presidente
dos EUA): sim, nós podemos governar esse país e fazer muito
mais", disse Lula, acrescentando que qualquer um pode se preparar,
se tiver vontade, para governar o País. "O governante não
tem que governar só com o cérebro, mas com o sentimento
do coração", disse.
Lula defendeu ainda que as mulheres
tenham seu próprio emprego e renda, aprendam uma profissão
para saírem de casa e serem valorizadas. "O trabalho de casa é o
pior trabalho, porque a pessoa trabalha até morrer e não é reconhecida.
Não tem trabalho mais cretino, mais cansativo. A mulher tem que
viver com o homem porque gosta dele e não porque depende dele",
acrescentou.
O presidente afirmou também
que vai entregar ao próximo governante, em 2011, um País
diferente, em que o pobre nunca foi tão respeitado. Segundo
ele, na eleição passada, alguém lhe dizia que
os formadores de opinião não o deixariam vencer. "Acabou
a era dos formadores de opinião. Quem informa agora é o
povo. O povo não acredita mais em mentira", disse, completando: "Os
governantes que se habituaram a mentir para vocês, acabou".
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O ESTADO DO PARANÁ,
14 de agosto de 2009 | Economia
Fiesp vê 'efeito devastador'
em decisão do STF sobre IPI
Agência Estado
A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) terá um "efeito
devastador" sobre a economia, disse hoje o diretor de Relações
Internacionais da Federação das Indústrias do Estado de
São Paulo (Fiesp), Roberto Giannetti da Fonseca. "Empresas vão
fechar, haverá desemprego e os ministros não levaram isso em
consideração", desabafou. "Estou decepcionado com a
forma rasa como o nosso Supremo tratou o tema."
O STF decidiu hoje que o crédito-prêmio
do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), um benefício
fiscal criado em 1969 para estimular o comércio exterior, deixou
de vigorar em outubro de 1990. Era uma disputa judicial antiga entre
o governo, para quem o benefício acabou em 1983, e os exportadores,
para quem o crédito-prêmio continuaria em vigor até hoje.
A estimativa das empresas exportadoras é que
elas terão de recolher até R$ 200 bilhões aos cofres
federais. Esse valor corresponde aos créditos tributários
compensados com base em decisões judiciais de 1990 para cá,
que somam cerca de R$ 80 bilhões, acrescidos de multas de 150%
e juros.
A Procuradoria Geral da Fazenda
Nacional (PGFN), área jurídica do Ministério da
Fazenda, não tem uma estimativa sobre a dívida que terá a
cobrar dos exportadores, mas acredita que o valor seja mais baixo. Primeiro,
porque muitas empresas que usaram o crédito-prêmio com base
em liminares têm 30 dias para recolher o devido sem multas e juros.
Muitas companhias nessa situação fizeram provisão,
de forma que não terão dificuldade em quitar seus débitos,
diz a Procuradoria. Além disso, as empresas contam com um programa
de refinanciamento de dívidas tributárias, chamado informalmente
de "Refis da Crise", que permite parcelamento em até 180
meses com encargos reduzidos.
A esperança dos exportadores,
agora, é a lei aprovada pelo Congresso na semana passada, que
regula um acordo das empresas com o governo em torno do crédito-prêmio.
Por ele, a União permitiria o uso do crédito-prêmio
até 31 de dezembro de 2002. Nesse caso, em vez de uma dívida
a pagar, as empresas teriam a receber algo em torno de R$ 20 bilhões
da União. Essa lei ainda está na Presidência da República,
aguardando sanção. O prazo para análise vai até o
fim deste mês.
O mais provável,
porém, é que o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva vete os artigos que regulam o acordo. A decisão do STF
só reforça essa tendência. Até mesmo os
advogados da Fiesp davam hoje como certo o veto presidencial. Eles
acham, porém, que é possível reverter o veto no
Congresso Nacional. A forte pressão de parlamentares que representam
Estados exportadores e a proximidade das eleições colaborariam
para essa estratégia. Outra forma de tentar reduzir o prejuízo
dos exportadores é buscar um acordo com o Ministério
da Fazenda. Há duas semanas, o ministro da Fazenda, Guido Mantega,
foi orientado por Lula a estabelecer um diálogo com as empresas.
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Vermelho com The Economist,
14 de agosto de 2009
The Economist chia em editorial: "De
que lado está o Brasil?"
A revista britânica The Economist,
Bíblia Sagrada do capitalismo sem freios nem retoques, homenageou
o governo Lula com um editorial de venenosa crítica na edição
desta semana. O título é De que lado está o
Brasil?; e o subtítulo: "Está na hora de Lula
defender a democracia em vez de abraçar autocratas".
O ataque é uma lição para os brasileiros, que
têm todos os motivos para não ficar do lado da Economist.
Veja por que.
Por Bernardo Joffily

A ilustração do editorial: farisaísmo e fel
The Economist foi fundada 1843.
Proclamou então como objetivo "a defesa do livre-comércio,
do internacionalismo [burguês] e da mínima interferência
do governo, especialmente nos negócios de mercado". Mantém
até hoje esses princípios. Apoiou Ronald Reagan nos Estados
Unidos e Margaret Thatcher no Reino Unido, assim como a agressão
americana nos EUA e as ditaduras militares latino-americanas, da brasileira à chilena.
Isto fala muito da coerência
de classe da revista, que se dirige para o topo da elite econômico-social,
dos dois lados do Atlântico Norte. E fala mais ainda de sua obtusa
negativa em enxergar um mundo em transição, e uma crise
capitalista que levou à lona a sua Santíssima Trindade
editorial – privatização, desregulamentação
e liberalização.
A velha senhora indigna
Porém a velha senhora
indigna prefere perder os vínculos com o mundo real a abdicar
do pedantismo supostamente onisciente. No editorial contra o Brasil,
dita conselhos a Lula como se sua ideologia não estivesse em farrapos
desde o crack de outubro passado.
Por vários motivos, opostos à intenção
do editorialista, o texto da revista merece ser conhecido do internauta
brasileiro. Ele ajuda a entender o novo lugar e o novo papel do Brasil
no mundo. E evidencia as virtudes da política externa de Lula,
que concentra 100% dos ataques do editorial.
O primeiro ataque é pedagógico
inclusive por destacar um tema pouco discutido no Patropi – a política
nuclear. Porém nem um só dos elementos da diplomacia brasileira
fica incólume: dos votos na ONU às relações
com a China e Cuba, da próxima visita de Ahmadinejad a Brasília.
As críticas à integração
sul e latino-americana merecem destaque num capítulo à parte.
The Economist vê nelas "uma marca tácita de antiamericanismo",
o que para ela, embora britânica, é a suprema infâmia.
Reclama das boas relações do Brasil com a Venezuela de
Hugo Chávez, a quem chama de "velhaco". Justifica, com
cândida hipocrisia, o golpe em Honduras. Acha que é coisa
de "paranóico" considerar as anunciadas bases militares
americanas na Colômbia como uma ameaça à Amazônia – emboa
a mais próxima delas fique a apenas 50 km da fronteira com o Brasil.
"Nova Guerra Fria" latino-americana?
Como contribuição
original ao pensamento estratégico da extrema direita latino-americana,
The Economist trabalha com o conceito de uma potencial "nova Guerra
Fria" na região. O termo inicialmente aparece entre aspas,
mas a seguir é repetido sem elas, e diz tudo sobre como a Bíblia
ultracapitalista encara esta parte do mundo.
Não resistiremos a reproduzir
abaixo, com fins pedagógicos, a íntegra do editorial. Nele,
o internauta atento há de identificar a matriz dos discursos dos
Eduardo Azeredo, os Fernando Henrique Cardoso e os Cesar Maia daqui (o
Brasil já foi conhecido como a "Terra dos papagaios").
Porém não menos
interessante é a longa e laudatória introdução
do editorial, antes de começar a ensinar "de que lado" devemos
ficar. Além dos compreensíveis elogios à política
econômica tucana, e à parte dela que Lula não ousou
desmontar, há nessa primeira parte toda uma confissão de
que a política externa brasileira está dando certo.
É evidentemente uma confissão
a contragosto. O editorialista distila fel antibrasileiro até quando
elogia. Exemplo: "Parece que nenhum fórum internacional,
seja ele para discutir a reforma financeira ou a mudança climática,
está completo sem Lula"...
Esta é a parte que os
papagaios do Patropi costumam não repetir. Mas não é menos
eloquente, por pelo menos dois motivos. Primeiro, por evidenciar até que
ponto uma velha revista de um velho império do capitalismo não
se conforma, por trás dos farisaísmos, com a emergência
de novos protagonistas internacionais, como o Brasil (sobra também
para os outros do Bric). Segundo, porque é este o verdadeiro motivo
do editorial; ele só foi escrito porque a diplomacia brasileira
faz diferença.
Não deixe de ler, abaixo,
a íntegra do editorial. Ele é um convincente demonstrativo
de que a política externa é um dos pontos altos se não
a culminância do governo Lula. Confira:
"De que lado está o Brasil?"
"Está na
hora de Lula defender a democracia em vez de abraçar autocratas"
"Este é um grande
momento para se ser um brasileiro, e especialmente para ser Luiz Inácio
Lula da Silva, o inspirador presidente do país. Por muito tempo
o gigante cronicamente desapontador da América Latina, o Brasil
está agora em todas as listas da meia dúzia de lugares
que vão fazer a diferença no século 21. Parece que
nenhum fórum internacional, seja ele para discutir a reforma financeira
ou a mudança climática, está completo sem Lula,
um ex-operário metalúrgico e líder sindical, cuja
bonomia e instinto de conciliação entre opostos políticos
conquistou amigos em toda parte. "Ele é o cara", entusiasmou-se
Barack Obama na cúpula do G20 em Londres; Fidel Castro chama-o "nosso
irmão Lula".
A nova proeminância brasileira é merecida.
Ela deriva em grande parte do sucesso de Lula, e de seu antecessor, Fernando
Henrique Cardoso, em estabilizar uma economia antes desarranjada, abrindo
caminho para um crescimento econômico mais rápido.
Hoje uma das dez maiores economias,
ela foi uma das últimas a entrar em recessão e agora dá a
impressão de ser uma das primeiras a sair dela. Quando o [banco]
Goldman Sachs equiparou o país à China, Índia e
Rússia, como as economias Bric, e disse que dominariam o mundo
em 2050, houve muitos narizes torcidos dizendo que o Brasil não
mereceria tão musculada companhia. Porém agora é a
Rússia, com sua economia deprimida, dependente do petróleo,
que parece fora de lugar.
Lula, também, merece grande
parte dos louvores com que o cobrem. Ao tomar posse em 2003, mostrou
coragem política ao se agarrar a políticas econômicas
responsáveis, ignorando os apelos de seu PT, de esquerda, pela
moratória da dívida. Seu instinto de economia racional
transformou-o de um protecionista num campeão do livre comércio.
Sua ambiciosa política social ajudou-o a tirar 13 milhões
de brasileiros da pobreza; as renitentes desigualdades de renda estão
se reduzindo sustentadamente. Apesar de índices de popularidade
quase sobrenaturais, ele lucidamente recusou-se a falar em mudar a Constituição
para concorrer a um terceiro mandato.
O êxito em casa deu oxigênio à confiante
ambição da política externa de Lula. Seu Brasil
deseja ser visto como uma grande potência colocando-se como líder
de uma América Latina unida, enquanto também busca novas
alianças com outras potências emergentes do "Sul Global".
Graças à habilidade
de Lula para ser todas as coisas para todas as pessoas, até agora
o Brasil tem conseguido influenciar sem ser sobrecarregado por responsabilidades.
Porém, visto mais de perto, ele se arrisca a deixa um legado desanimadoramente
ambivalente.
Acima de tudo, o Brasil precisa
decidir do lado de quem ele está e quem são seus verdadeiros
amigos. Ou corre o risco de que outros façam essa escolha para
ele.
Sucessos e desconfortos sulistas
Embora a história também
tenha lhe dado um parentesco com a África, de onde milhões
foram trazidos como escravos, o Brasil é, à primeira vista
o mais "ocidental" dos Bric. Ao contrário da China ou
da Rússia, é uma democracia em uma região predominantemente
democrática.
Mas os líderes brasileiros
muitas vezes têm preferido ver o seu país como uma potência "do
sul", um líder do mundo em desenvolvimento. Sob Lula, esse
viés se acentuou.
De certa forma isso é saudável.
Lula tem direito de exigir que as instituições mundiais
sejam redefinidas para refletir uma correlação de forças
cambiante. As exportações brasileiras encontraram novos
mercados na Ásia, África e Oriente Médio.
Mas o que realmente une esses
países? Para desgosto do Brasil, a China ajudou a bloquear o seu
pleito por um assento permanente no Conselho de Segurança das
Nações Unidas, enquanto a Índia contribuiu em muito
para impedir um tratado mundial de comércio. E o viés sulista
tem andado de mãos dadas com mais traços negativos.
Admiravelmente, para um aspirante
a grande potência, o Brasil renunciou a ter armas nucleares. Menos
admiravelmente, para um país que defende o Tratado de Não-Proliferação
Nuclear, recusou-se a assinar o protocolo adicional de salvaguardas,
negando aos inspetores internacionais pleno acesso às suas instalações
nucleares civis.
O governo Lula também
mostra um intrigante desdém pela democracia e os direitos humanos
para além das fronteiras do Brasil. Celso Amorim, seu ministro
de Relações Exteriores, argumenta que as condenações
de países pobres pelos ricos são tendenciosas e ineficazes.
Grupos de direitos humanos denunciam que na ONU o Brasil se alinha com
países como a China e Cuba para proteger regimes abusivos.
Lula felicitou Mahmoud Ahmadinejad
por sua vitória nas eleições do Irã, profundamente
irregulares, comparando os massivos protestos oposicionistas às
reclamações de uma torcida de futebol cujo time perdeu.
A primeira viagem internacional de Ahmadinejad após sua nova posse
será a Brasília. Obama pediu a Lula que "use sua influência" para
convencer o hóspede de deter sua suspeita atividade nuclear. Se
o Brasil ocupar um assento rotativo no Conselho de Segurança da
ONU, em janeiro próximo, poderá ter de deliberar sobre
sanões mais duras contra o Irã.
Não à triangulação
entre democratas e autocratas
Em muitas destas questões
há uma marca tácita de antiamericanismo. Este custa mais
caro ao Brasil na América Latina. A influência ianque na
região sofre relativo declínio, enquanto a ascendência
da China cresce. Se hoje há receios de uma "nova Guerra Fria" na
região, que preocupa certas pessoas no Brasil, o homem que ameaça,
para começar, não é Obama, mas um dos mais velhacos
amigos de Lula, o venezuelano Hugo Chávez.
Sim, Chávez foi eleito,
mas ele mostra cada vez menos sinais de se dispor a renunciar ao poder
pelas urnas e constantemente atiça tensões na região.
Foi o medo de que o presidente do Honduras fizesse de seu país
o último dominó chavista que levou ao desencaminhado golpe
de junho.
Agora, Chávez ameaça
com uma guerra contra a Colômbia por estar incrementando um acordo
nos termos do qual concede facilidades em bases militares aos Estados
Unidos, que ajudam a combater as guerrilhas das Farc e outros narcotraficantes.
Só um paranoico pode interpretar isso como uma ameaça à Venezuela
ou à Amazônia. Entretanto, o Brasil optou por manifestar
preocupação com as bases, enquanto permaneceu silencioso
sobre os arroubos de Chávez e a clara evidência de que a
Venezuela vendeu armas às Farc.
Ninguém deve esperar que
o Brasil atue como xerife da América. Mas é no seu próprio
interesse que ele evite uma nova Guerra Fria na região. A maneira
de fazê-lo é não confundir democratas com autocratas,
como Lula parece pensar. É envergonhar Chávez fazendo uma
defesa pública da democracia – o sistema que permitiu que
um pobre torneiro mecânico subisse ao poder e mudasse o Brasil.
Por que os outros países mereceriam menos que isso?
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Monitor Mercantil, 14 de agosto
de 2009
Programas sociais: mais de 50% dos
brasileiros recebem renda do Estado
A população brasileira
está cada dia mais ligada ao Estado para movimentar a economia,
o que explica em parte o crescimento do consumo nos últimos meses,
segundo revelou a economista-chefe do banco Fibra, Maristella Ansanelli.
De acordo com suas contas, são
11,6 milhões de brasileiros cadastrados no programa Bolsa Família,
mais 26,6 milhões de aposentados e pensionistas e cerca de 10
milhões de funcionários públicos nos três
níveis de Governo.
Ela supõe que uma família
média é composta por quatro pessoas, no caso do Bolsa Família;
o funcionalismo público atende em média duas pessoas e
os aposentados e pensionistas contam por uma pessoa apenas, num cálculo
conservador.
Numa estimativa grosso modo,
isso dá em torno de 93 milhões de pessoas, ou mais de 50%
da população brasileira, que recebem renda diretamente
do Estado.
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O ESTADO DO PARANÁ,
14 de agosto de 2009 | Política
Prefeita eleita quatro vezes vai ao
TSE para seguir no cargo
Agência Estado
A prefeita reeleita no município de Luzilândia (PI), a 264 quilômetros
de Teresina, Jannaina Pinto Marques (PTB), recorreu na noite de ontem ao Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) para se manter no cargo. A petebista teve o diploma
cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral no Piauí (TRE-PI) em maio deste
ano sob a alegação de que já exerce um quarto mandato
consecutivo como prefeita. A ação contra Jannaina foi impetrada
pelo tio, José Aguiar Marques (PSDB), ex-prefeito de Luzilândia
e candidato da coligação derrotada nas eleições
municipais de 2008.
De acordo com a denúncia
acatada pelo TRE-PI, a petebista foi eleita prefeita pela primeira vez
no município de Joca Marques (PI), vizinho a Luzilândia,
em 1996. Quatro anos depois, ela foi reeleita para o cargo. O tio de
Jannaina reclama na ação de que ela foi eleita e diplomada
prefeita de Luzilândia após o término do mandato
em Joca Marques, o que poderia configurar um terceiro mandato. Além
disso, ela concorreu à reeleição ao cargo em 2008,
assumindo uma quarta administração. A Constituição
Federal prevê que postulantes a cargos Executivos podem ser reeleitos
apenas para um único período subsequente, mesmo que concorram
a função pública em outro município ou Estado.
Em recurso ajuizado no TSE, a
defesa da petebista argumenta que Jannaina foi diplomada ao cargo de
prefeita de Luzilândia pelo TRE-PI, o que torna a sua reeleição "legal" e,
portanto, "coisa julgada". Os advogados ainda alegam não
ser "mais passível de discussão os efeitos processuais
na mesma ação ou em outra". O relator do caso é o
ministro Arnaldo Versiani, que abriu vista do recurso à Procuradoria
Geral Eleitoral (PGE) para análise.
A cassação da prefeita
pelo TRE-PI teve o apoio do Ministério Público Eleitoral
no Piauí (MPE-PI), que em maio emitiu parecer favorável à decisão.
Na análise do procurador regional Marco Túlio Lustosa Caminha,
a reeleição de Jannaina foi ilegal e a sua gestão é a "perpetuação
de uma oligarquia familiar no poder das cidades de Luzilândia e
Joca Marques", criticou o procurador, referindo-se ao poder da família
Marques nos municípios. "Tanto Janaína Marques como
o seu tio José Aguiar Marques (PSDB) são o que tem de mais
retrógrado", completou.
Os integrantes da família
Marques se revezam há 16 anos na Prefeitura de Luzilândia.
O controle de Joca Marques, contudo, é mais recente. A cidade
era município matriz de Luzilândia até 1994, quando
foi emancipada. Seu nome é em homenagem ao ex-prefeito João
de Assis Marques, pai do tucano José Aguiar Marques.
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O Outro Lado da Notícia,
14 de agosto de 2009
Governo leva proposta de reajuste
de aposentados a centrais sindicais
O Governo se reuniu, nesta
quarta-feira (12), com representantes das centrais sindicais para fechar
um minipacote previdenciário, que inclua um reajuste real para
aposentadorias com valores acima do salário mínimo e
uma alternativa ao fator previdenciário como mecanismo de cálculo
das aposentadorias.
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva se encontrou nesta terça com sua equipe para analisar
o assunto.
Segundo interlocutores, o limite
do Governo nas negociações será um reajuste de
6% a 7% para benefícios acima do piso previdenciário
- o que daria um ganho real entre 2% e 3%.
Mas a equipe econômica
defende que as negociações comecem por um patamar menor.
Na quarta-feira, antes da reunião
com os representantes dos trabalhadores, o Governo acerta a estratégia
com o relator do projeto sobre o fator previdenciário, deputado
Pepe Vargas (PT/RS), e com os líderes do Governo na Câmara,
Henrique Fontana (PT/RS), e no Congresso, Ideli Salvati (PT/SC).
Os aliados foram chamados ao
Planalto para um encontro prévio.
Lula discutiu o assunto nesta
terça com os ministros José Pimentel (Previdência),
Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência) e Guido Mantega
(Fazenda).
O Governo deverá concentrar
a discussão num índice e deixar para o futuro a adoção
de uma regra progressiva de reajuste desses benefícios.
Segundo integrantes do Governo,
os técnicos fizeram várias simulações,
com diferentes percentuais de reajuste, desde um ganho real de 1%.
O problema é que cada
ponto percentual acima da inflação significa um gasto
adicional de R$ 1,2 bilhão.
"A ideia é promover
um acordo em relação ao reajuste e ao fator previdenciário.
Mas defendo que se crie para o futuro um índice do custo de
vida do idoso", disse o deputado Pepe Vargas (PT/RS), relator
do projeto de autoria do senador Paulo Paim (PT/RS) que acaba com o
fator previdenciário.
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O ESTADO DO PARANÁ,
14 de agosto de 2009 | Economia
Metalúrgicos fazem paralisação
em SP, diz sindicato
Agência Estado
Cerca de oito mil metalúrgicos, de aproximadamente 40 empresas de São
Paulo, estão paralisados na manhã de hoje, segundo informações
do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi
das Cruzes, Miguel Torres. As paralisações fazem parte das assembleias
de mobilização pela redução da jornada de trabalho
para 40 horas semanais, sem redução salarial, além da
defesa dos direitos sociais, contra as demissões, em 26 fábricas
da capital.
Por volta das 7h30, a mobilização
reunia cerca de mil funcionários no Parque da Mooca, zona leste
de São Paulo, segundo o sindicato. As assembleias fazem parte
do calendário de mobilização convocado pelas centrais
Força Sindical, Central Única dos Trabalhadores (CUT),
União Geral dos Trabalhadores (UGT), Central dos Trabalhadores
e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Central Geral dos Trabalhadores do
Brasil (CGTB) e Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST), em
todo o País, de acordo com o sindicato. Segundo Torres, após
as assembleias, que devem durar cerca de duas horas, os trabalhadores
devem seguir em passeata até a Praça Oswaldo Cruz, seguindo
pela Avenida Paulista, onde devem se concentrar no vão livre
do Museu de Arte de São Paulo (Masp).
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Tribuna Popular, 14 de agosto
de 2009
Crescem denúncias de assédio
moral, segundo advogada especialista
O número de casos de assédio
moral no Brasil está crescendo e impulsionando importantes mudanças
na legislação. Segundo a advogada especialista na área,
Eryka Farias de Negri, os casos de denúncias de assédio
moral se tornaram bastante freqüentes nos últimos cinco anos.
Apesar do Brasil não possuir
legislação própria sobre o tema, existem atualmente
cerca de 80 projetos de lei para serem votados no sentido de prevenir
e coibir o assédio moral.
"Em outros países,
a Justiça entende que esse tipo de situação prejudica
muito as empresas, inviabilizando atividades econômicas. Com isso,
as indenizações se fazem tão altas", conta
Eryka.
A advogada ainda lembra que vítimas
do amianto, mineral cancerígeno utilizado em telhas e caixas d'água,
são exemplos de grandes causas de danos morais.
No Brasil, cerca de 42% dos trabalhadores
já foram vítimas de assédio moral.
É o que demonstra uma
pesquisa pioneira realizada pela médica do trabalho Margarida
Barreto, em sua tese de mestrado.
De acordo com a especialista,
o assédio moral caracteriza-se pela exposição do
trabalhador a situações humilhantes e constrangedoras,
de forma repetitiva e prolongada durante a jornada de trabalho, e com
o objetivo de desestabilizar a relação dele com o ambiente
de trabalho e com a própria empresa.
Eryka de Negri explica que, por
falta de uma legislação específica envolvendo assédio
moral, os advogados que defendem essas ações costumam se
fundamentar em dispositivos genéricos como os artigos 1º,
5º (inciso V e X) e 927 (artigos 186 e 187) da Constituição
Federal.
"Às vezes pode-se
fundamentar o assédio moral também no artigo 483 da Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT), quando o empregado sente sua honra lesada",
complementa Eryka.
A Convenção 111
da Organização Internacional do Trabalho (OIT) também
trata da importância de se coibir o assédio moral no ambiente
de trabalho.
"Falta um mecanismo para
arbitrar melhor a indenização. Pois quem está arbitrando
na verdade são os tribunais superiores. Quando o processo chega
ao Tribunal Superior, ele chega muito longe da realidade da vida das
pessoas. Tende-se a fazer uma fixação de pagamento sempre
muito baixa, sempre muito pouco próxima do que nós consideramos
o ideal. Quanto vale o atentado a honra, a imagem, ou ao sofrimento?
A Justiça tem limitado em percentuais sobre o salário mínimo",
lamenta Eryka de Negri.
Um trabalhador que esteja sofrendo
assédio moral em seu ambiente de trabalho deve procurar relatar
o acontecido a um médico, ao sindicato de sua categoria e também
a um advogado.
A vítima de assédio
moral possui o amparo de diversos órgãos que prestam assistência
nesses casos como o Ministério Público, a Justiça
do Trabalho, a Comissão de Direitos Humanos e o Conselho Regional
de Medicina.
"O Ministério Público
atua muito em ações de dano moral coletivo", diz Eryka.
A advogada ainda explica que é importante
para o empregado que esteja sendo assediado portar laudo de um profissional
da saúde que ateste danos da saúde física e/ou mental
da vítima de assédio moral, possuir testemunhas que possam
relatar o sofrimento dessa pessoa, assim como todo tipo de documento
que possa atestar os males sofridos para demonstrar que foi assediado
moralmente.
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
14/08/2009
Empregador deve pagar 31% ao INSS em acordo
sem reconhecimento de vínculo
O empregador é responsável
pelo pagamento dos 11% de contribuição previdenciária
do trabalhador, sobre o valor total, nos casos de acordo judicial sem
reconhecimento de vínculo empregatício. Assim entendeu
a Seção Especializada em Dissídios Individuais 1
(SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho ao julgar recurso de embargos
do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A instituição
previdenciária conseguiu demonstrar a divergência jurisprudencial
em relação ao tema e modificar decisão da Quarta
Turma do TST em sentido contrário.
Os embargos referem-se à reclamação
trabalhista de um garçom que prestou serviços para a Scania
Latin America Ltda. de março de 2004 a julho de 2005, sem carteira
assinada. Após ser dispensado, ele acionou a Justiça do
Trabalho para obter o reconhecimento do vínculo empregatício
e o pagamento de horas extras, aviso prévio férias e outras
parcelas. Em outubro de 2006, a Vara do Trabalho de Carazinho (RS) homologou
o acordo firmado entre as partes envolvidas, em que a Scania se comprometeu
a pagar R$ 6.000 ao garçom, mas não houve reconhecimento
do vínculo. O juízo de origem estipulou o recolhimento
de 20% do valor total como contribuição previdenciária.
A sentença homologatória
provocou recurso do INSS, através da União Federal, ao
Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS), pretendendo
a incidência de contribuição no percentual de 31% – 20%
pela empresa e 11% pelo prestador de serviços, como segurado individual.
Com o apelo negado pelo TRT/RS, que entendeu ser devido somente o percentual
da empresa, o órgão previdenciário recorreu, então,
ao TST, argumentando serem devidos também os 11% de contribuinte
individual, porque se trata de pagamento por serviços prestados
por trabalhador autônomo. A Quarta Turma, no entanto, manteve a
decisão regional.
Ao apreciar os embargos, o ministro
Vantuil Abdala, relator, considerou a divergência de teses existente
e a predominância de julgamentos recentes na SDI-1 no sentido de
ser devida a contribuição de 31% reclamada pela autarquia.
Segundo o relator, a Lei nº 10.666/2003 dispõe que a empresa é obrigada
a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual
a seu serviço, descontando-a da remuneração.
A SDI-1, então,
seguindo o voto do relator e precedentes dos ministros Lelio Bentes
Corrêa e Maria Cristina Peduzzi, determinou que a Scania efetue
o recolhimento tanto da contribuição previdenciária
de 20%, devida pela própria empresa, quanto da alíquota
de 11% a cargo do prestador de serviços, incidentes ambas sobre
o montante do acordo. ( E-RR-467/2006-561-04-00.2)
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14/08/2009
TST rejeita apreciação de
contenda entre advogados pela Justiça do Trabalho
Os dois advogados atuaram juntos na mesma ação trabalhista. O
advogado do trabalhador, residente em São Leopoldo (RS), substabeleceu
poderes a um colega de Carazinho (RS) para atuar na defesa da causa, em tramitação
na Vara do Trabalho daquela cidade. O advogado substabelecido recebeu os honorários,
mas não repassou ao colega a importância que havia sido contratada.
O profissional que ficou com
o prejuízo ajuizou então ação de prestação
de contas na Justiça do Trabalho postulando o recebimento de valores
relativos aos seus honorários. Para ele, trata-se de relação
de trabalho que se insere no artigo 114 da Constituição.
Mas a Segunda Turma do Tribunal Superior do Trabalho, em voto relatado
pelo ministro Renato de Lacerda Paiva, reafirmou a incompetência
da Justiça do Trabalho para analisar e julgar a ação,
como já o tinha feito o Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região
(RS).
No agravo ao TST, o advogado
manifestou seu inconformismo quanto à declinação
da competência para a Justiça Estadual e insistiu que a
relação decorre de “relação de trabalho”,
inserindo-se na nova competência da Justiça do Trabalho
introduzida pela reforma do Judiciário (Emenda Constitucional
nº 45/2004). O TRT/RS verificou que os autos apresentam “contenda
entre advogados, onde equivocadamente o autor pretende executar verba
referente a honorários devidos em ação judicial
pelo patrocínio de causa em que substabeleceu poderes ao ora réu”.
O Regional apontou que o objeto da pretensão é produto
de avença entre as partes, e que o advogado substabelecido o recebeu
sem, no entanto, lhe repassar a importância ajustada.
Para o TRT/RS, a questão é de
natureza civil e não encerra relação de trabalho:
originou-se em desempenho de mandato judicial ao que se aplicam normas
de ordem civil e não está sujeita ao exame e decisão
da Justiça do Trabalho. Como reforço de tese, o TRT/RS
afirmou que sequer foi alegada a prestação de trabalho
do autor ao réu, a dar indícios de uma relação
de trabalho. Pelo contrário, o autor da ação manteve
poderes e figurou na ação noticiada nas mesmas condições
do advogado ora réu. Ele figurou como mandatário principal
e originário, enquanto o recorrido, como mandatário substabelecido.
Ao verificar que o autor da ação atuou como procurador
da parte que o constituiu para aquele fim e o segundo advogado atuou
nas mesmas condições, o TRT/RS concluiu que o que ocorreu
foi uma “sociedade de fato”, e não uma relação
de trabalho.
Em seu voto, o ministro Renato
Paiva reconheceu que o tema é controverso. “Contudo, a hipótese
em análise não se trata de autêntica relação
de trabalho, ante a ausência de pessoalidade”, explicou. “Note-se
que o acórdão regional caracterizou o caso como contenda
entre advogados. Tal circunstância definitivamente afasta a competência
da Justiça do Trabalho para apreciação da ação,
visto que, havendo sociedade de fato, ausente estará o requisito
da pessoalidade caracterizador da relação de emprego”,
afirmou o relator. ( AIRR 241/2007-561-04-40.7)
(Virginia Pardal)
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14/08/2009
Furto de uso não justifica rescisão
contratual por culpa do empregador
Além de não ser
tipificada como crime pelo Código Penal brasileiro, a prática
do chamado “furto de uso” também não enseja
a dissolução do contrato por culpa do empregador. O “furto
de uso” ocorre quando alguém subtrai furtivamente coisa
alheia para dela tirar proveito temporário, com a intenção
de devolvê-la ao dono. O caso submetido à Primeira Turma
do Tribunal Superior do Trabalho envolveu uma balconista que trabalhou
numa padaria de Campinas (SP). A moça alegou que outra empregada
retirou de seu escaninho um creme hidratante, usou-o e depois o colocou
no mesmo lugar. Ela requereu os efeitos da rescisão indireta de
seu contrato de trabalho alegando culpa do empregador, por não
zelar pela segurança dos objetos que seus empregados guardavam
nos armários por ele fornecidos.
O Tribunal Regional do Trabalho
da 15ª Região (Campinas/SP) trancou a subida do recurso da
balconista ao TST. Sua defesa apresentou então agravo de instrumento
a fim de ver o mérito da questão analisada pela Corte superior,
mas não obteve sucesso. De acordo com o relator do agravo, ministro
Lelio Bentes Corrêa, foi correta a decisão regional de que
o empregador não deu causa ao rompimento do contrato, visto não
ter ocorrido qualquer uma das hipóteses do artigo 483 da CLT,
dispositivo que elenca as situações que permitem ao empregado
considerar rescindido o contrato e pleitear a devida indenização.
Uma dessas situações ocorre quando o empregado “corre
perigo manifesto de mal considerável”.
“Interpretando-se o dispositivo
da CLT de forma mais ampla, de modo a entender que no conceito de mal
considerável poderia ser enquadrada a hipótese de o empregado
ser submetido a furtos resultantes da insegurança no ambiente
do trabalho, ainda assim estaria desprovida de razão a trabalhadora,
afirmou Lelio Bentes. O TRT verificou que os armários cedidos
pela padaria (Boulangerie de France Comércio de Alimentos Ltda.)
constituem um benefício aos seus empregados, e todos eram fechados
com cadeados, inclusive o da balconista autora da ação.
Foi provado ainda que o empregador empenhou-se em averiguar as acusações,
sem, contudo, chegar a qualquer conclusão acerca da existência
do furto de uso.
O ministro Lelio Bentes
afirmou em seu voto que a prova produzida no âmbito da instrução
processual apenas permitiu a conclusão de que ocorreu utilização
de um creme que estava guardado no armário da reclamante, o
que configura mero furto de uso, hipótese não tipificada
como crime pela legislação penal brasileira. “Além
da inexistência de prática criminosa, o ‘furto de
uso’ não pode ser enquadrado como fator de insegurança
que acarrete mal considerável ao empregado, motivo pelo qual
não há como reconhecer ofensa ao artigo 483, alínea
c, da CLT”, explicou. “Saliente-se ainda que o empregador
buscou investigar o ocorrido, garantindo a segurança dos objetos
guardados pela empregada nas dependências da empresa”,
concluiu o ministro relator. ( AIRR 1794/1998-001-15-00.6)
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14/08/2009
Subordinação caracteriza
vínculo de emprego entre Bradesco e securitária
A Bradesco Vida e Previdência
S.A. perdeu mais uma etapa na Justiça para provar que uma trabalhadora
lhe prestou serviços como corretora de seguros autônoma.
A Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho manteve decisão
da Justiça do Trabalho da 10ª Região (DF/TO) que reconheceu
o vínculo empregatício da autora com a empresa, na função
de securitária. O fator determinante para isso foi o depoimento
de testemunha que relatou a subordinação e a pessoalidade
na atividade da trabalhadora.
Apesar de se caracterizar como
bancária na reclamação, a trabalhadora obteve o
vínculo como securitária, após comprovar que fora
obrigada a abrir uma empresa para poder continuar prestando serviços
ao Banco Bradesco S.A. e à Bradesco Vida e Previdência.
Ela foi admitida pelos empregadores em janeiro de 2003 e, após
alguns meses de contrato, foi-lhe feita a determinação
irregular.
Dispensada em janeiro de 2007,
ela ajuizou a ação três meses depois. Colegas de
trabalho e os próprios representantes patronais, em seus depoimentos,
além de prova documental, confirmaram controle de jornada, exclusividade
na prestação de serviços, cobrança de metas,
uso de logotipo nos formulários utilizados pela trabalhadora.
Tudo isso levou o juízo de primeiro grau a considerar presentes
os elementos que, de acordo com a CLT, caracterizam a relação
de emprego, como subordinação, pessoalidade e exclusividade.
O Tribunal Regional do Trabalho
da 10ª Região (DF/TO) confirmou a sentença e ressaltou
que a trabalhadora não desempenhava atividades autônomas
típicas de corretora de seguros, e não havia, assim, a
possibilidade de enquadrá-la nessa modalidade profissional, como
tencionavam os empregadores. Mais ainda, o Regional destacou que “a
subordinação é considerada o principal elemento
a diferenciar a relação de emprego das demais formas de
prestação de serviços, sobretudo aqueles realizados
de maneira autônoma”.
Com a negativa do recurso pelo
TRT da 10ª Região, o banco e a Bradesco Vida e Previdência
buscaram mais uma vez alterar o resultado do processo, desta vez no TST,
também sem sucesso. Argumentaram que a Lei nº 4.594/1964
e os Decretos nºs 56.903/1965 e 81.402/1978 vedam a possibilidade
de vínculo de emprego entre o corretor e a empresa seguradora
e que, como a trabalhadora vendia planos de previdência privada,
seguros de vida e consórcios, deveria ser enquadrada na categoria
de corretora de seguros.
O ministro Aloysio Corrêa
da Veiga, relator, concluiu que não foram violados os dispositivos
de lei apontados pelas empresas, por ter sido reconhecida a relação
de emprego entre as partes por meio da prova de existência de
subordinação e pela conclusão de que a criação
da empresa em nome da corretora teve o objetivo de fraudar a legislação
trabalhista. Segundo o relator, o Tribunal Regional demonstrou, ainda,
que eram os empregadores quem forneciam toda a infra-estrutura necessária à prestação
dos serviços pela trabalhadora. ( RR-350/2007-001-10-00.2)
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14/08/2009
Tempo para troca de uniforme só gera
hora extra se for acima de dez minutos
A Quarta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho decidiu que o tempo gasto com troca de uniforme somente é considerado
hora extra se ultrapassar dez minutos. Com este entendimento, a Turma
acolheu recurso da Companhia Minuano de Alimentos contra decisão
que havia concedido a industriária o recebimento do período
como tempo de serviço extraordinário.
A relatora do recurso, ministra
Maria de Assis Calsing, aplicou analogicamente ao caso a Súmula
366 do TST, que estabelece como hora extra somente o excedente do limite
de dez minutos diários de variações de horário
registradas em cartão de ponto. Ela destacou que a súmula
foi criada a partir da Orientação Jurisprudencial nº 326,
que definia o tempo gasto com a troca de uniforme como período à disposição
do empregador. Considerou-se, contudo, o período de dez minutos
como limite para a concessão de horas extras à industriaria,
conforme registrado em seu voto. “Registrado que o tempo gasto
pela trabalhadora para a troca de uniforme não ultrapassou dez
minutos, não cabe o deferimento das horas extras em questão”,
afirmou a relatora.
A industriária foi contratada
em maio de 2002 para a função de serviços gerais,
no setor de abatedouro de aves. Ela informou que era obrigada a chegar
ao local de trabalho trinta minutos antes do início da jornada,
para a colocação de uniforme e higienização.
Somente depois de devidamente trajada é que podia registrar o
início do horário em cartão de ponto. Ao final do
expediente, primeiro devia registrar a saída para depois trocar
o uniforme, o que criava filas em frente ao vestiário e ao relógio
de ponto. Segundo ela, essas tarefas consumiam uma hora por dia, sem
a retribuição devida como hora extra.
Diante da situação,
ela ingressou com ação trabalhista na Vara do Trabalho
de Lajeado (RS), pedindo verbas de horas extras no período de
troca de uniforme e reflexos em repousos semanais remunerados, férias
e 13º salário. Embora na audiência de conciliação
as partes tenham definido que a troca de uniforme seria de dez minutos
e que este tempo não seria contabilizado nos cartões de
ponto, a sentença concedeu à trabalhadora o período
como tempo de trabalho efetivo.
O juiz considerou que a
empregada já estava à disposição do empregador,
inclusive cumprindo ordens deste (troca de uniforme). Ele salientou
que os minutos de tolerância para marcação do ponto
não se confundem com o tempo de troca de uniforme. A empresa
recorreu da sentença ao Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região
(RS), que manteve a decisão. O acórdão entendeu
que o uso do traje é uma imposição da empresa,
em decorrência, sobretudo, do tipo de atividade por ela desenvolvida,
e não uma opção da trabalhadora, cabendo ao empregador
arcar com o pagamento referente ao tempo despendido com a troca de
roupa. ( RR-1095/2007-771-04-00.6)
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