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Vermelho, 15 de agosto de 2009
Oposição encurralada
dá como certa a permanência de Sarney
Entre os caciques dos partidos de oposição no Senado não
há mais quem aposte na possibilidade de afastamento do presidente
da Casa, José Sarney (PMDB). Na próxima quinta (20), o
presidente do Conselho de Ética, Paulo Duque (PMDB-RJ), anunciou
que vai submeter ao plenário do colegiado os dez recursos do PSDB
e um do PSOL sobre o arquivamento das 11 denúncias contra o senador
do Amapá, entre elas, o suposto envolvimento dele nos chamados
atos secretos.
Ocorre que na contabilidade dos oposicionistas é dado como certo
que eles não terão os oito votos necessários para
o desarquivamento das ações entre os 15 parlamentares do
conselho. O PSDB e o DEM, que possuem cinco votos no colegiado, precisam
do apoio dos três senadores petistas para desarquivar as ações
contra Sarney.
Antes de viajar em missão oficial ao Haiti, o senador
João Pedro (PT-AM), membro do conselho, deixou claro
que não votará contra o presidente da Casa
e contribuir para por fim a aliança com PMDB em 2010.
Ele é voz divergente do líder do partido Aloizio
Mercadante (SP) que defende ao menos o desarquivamento de
uma das ações. Os outros petistas Ideli Salvatti
(SC) e Delcídio Amaral (MS) querem ficar fora do processo
e voltar para a suplência.
Jogada contra líder tucano
Para completar o tabuleiro político, o PMDB recorreu
na noite desta quinta (13) do arquivamento da representação
contra o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM),
acusado de manter no exterior um funcionário do seu
gabinete recebendo salário da Casa. O documento foi
assinado por Almeida Lima (PMDB-ES), Wellington Salgado (PMDB-MG),
Gilvam Borges (PMDB-AP), Gim Argelo (PTB-DF) e Inácio
Arruda (PCdoB-CE). Na hipótese do desarquivamento
de uma das ações contra Sarney o tucano também
terá que ser julgado no colegiado.
Segundo articulistas políticos em Brasília,
o PMDB também trabalha como plano B a dissidência
dentro do DEM que foi o principal aliado de Sarney nas eleições
para a Mesa. O líder do partido Agripino Maia (RN)
teria visitado nesta semana a residência do líder
peemedebista Renan Calheiros (AL) para discutir o assunto.
Ele distribuiu nota nesta sexta (14) negando que estivesse
acontecendo um acordo.
O fato é que o DEM nas últimas três
legislatura assumiu a Primeira-Secrataria da Casa de onde
partiram os atos secretos. O maior número deles, inclusive,
foi baixado quando Antonio Carlos Magalhães, o ACM,
era presidente. Nos bastidores, comenta-se que os peemedebistas
têm conversado com ACM Júnior que é suplente
no colegiado.
As articulações são constantes e o
imbróglio pode não ter fim na próxima
semana. À Agência Senado, Paulo Duque disse
que pretende colocar todos os 12 recursos para apreciação
do plenário do Conselho, mas lembrou que tem regimentalmente
30 dias para isso. Ainda afirmou que não mudará "nenhuma
vírgula" de suas decisões. "Não
vou mudar nada, mesmo porque já está tudo publicado",
afirmou.
De Brasília,
Iram Alfaia
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Valor Econômico,
15 de agosto de 2009
Zona do euro: desemprego e
fim de estímulo ameaçam retomada
A zona do euro poderá voltar a crescer neste trimestre, mas com
que rapidez e sustentabilidade? A mensagem trazida por dados divulgados
na quinta-feira parece ser: o crescimento puxado por exportações
parece estar voltando, mas será contido, por algum tempo, pelo
desemprego em alta, pelos bancos ainda reticentes em emprestar e pelo
fim dos pacotes de estímulo fiscal, enquanto governos buscam conter
déficits orçamentários.
O crescimento na Alemanha e na França — que,
reunidas, são responsáveis por quase 48% do
Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro — por pouco
não levaram a região como um todo para o território
positivo. A recuperação deixou os economistas
mais confiantes do que nunca em que a forte recessão
na zona do euro esteja chegando ao fim quase exatamente dois
anos depois de o aperto de crédito ter deflagrado
a crise financeira mundial.
Mas, apesar da quase eufórica reação às
inesperadas boas notícias, a maioria dos economistas
mantém uma perspectiva cautelosa. O consenso é de
que o crescimento na eurozona poderá se aproximar
de taxas média históricas no fim do ano que
vem. Aurelia Maccario, economista do Unicredit em Milão,
disse que o forte desempenho da zona do euro sugere um retorno
a taxas de crescimento positivas no terceiro trimestre, com “provavelmente
uma leve aceleração no fim do ano”.
Interrogações
O crescimento poderá atingir uma taxa anualizada
de 1% no segundo semestre de 2009 devido ao efeito combinado
do ressurgimento da demanda mundial e de crescimento dos
gastos públicos e privados, como resultado de diversos
esquemas de estímulo. Economistas disseram que as
medidas de curto prazo provavelmente desempenharam um grande
papel na evidente guinada rumo ao crescimento. “Com
base no que sabemos hoje, revisamos para cima nossas previsões
para o terceiro trimestre — de situação
praticamente inalterada para 0,5% positivo”, disse
Erik Nielsen do Goldman Sachs em Londres.
Para ele, outros fatores, além do estímulo,
poderão começar a mostrar seu efeito. A melhoria
nas expectativas levou diversos bancos a revisarem para melhor
suas previsões anuais para o PIB na zona do euro,
embora a região tem um longo caminho a percorrer até retornar
a níveis anteriores à crise. O alemão
Commerzbank disse que o PIB da zona do euro deverá encolher “apenas” 3,5%
neste ano, em comparação com uma previsão
anterior de queda de 3,8%.
O Unicredit agora prevê que a economia encolherá 4%,
em vez dos 4,6% projetados anteriormente. Segundo a Eurostat,
birô estatístico da União Europeia (UE),
a taxa à qual a economia da zona do euro encolheu
baixou para 0,1% no segundo trimestre, de calamitosos - 2,5%
no primeiro. Nielsen falou de “grande interrogações” pairando
sobre o sistema bancário europeu.
Perigo
Temores de que os bancos europeus sejam forçados
a depreciar ativos relacionados com inadimplência devida à crise
econômica e, em consequência, reduzir novas concessões
de empréstimos têm preocupado políticos
e o Banco Central Europeu (BCE) nas últimas semanas.
Jean-Claude Trichet, o presidente do BCE, implorou aos banco,
na semana passada, que repassem as “medidas extraordinárias” que
o BCE tomou para incrementar sua liquidez.
Outra razão para tratar os dados divulgados ontem
com alguma cautela é o desemprego, para o qual a expectativa
generalizada é de um salto de crescimento — que
deprimiria o consumo — enquanto as companhias continuam
a apertar os cintos. Trichet advertiu na semana passada que “mesmo
quando a economia reaquecer, o desemprego poderá continuar
crescendo”. Ele ressaltou esse risco como “um
dos pontos importantes que nos impõem sermos prudentes
e cautelosos” durante algum tempo.
O perigo de que as verbas de estímulo - que parecem
estar dando sustentação aos gastos públicos
e privados — acabem antes que a zona do euro tenha
superado os prenúncios de apertos de crédito
e no mercado de trabalho é a razão pela qual
os economistas continuam preocupados com o crescimento. “O
problema, para a zona do euro”, disse Nielsen, “é que
os fatores positivos são, no momento, em larga medida
de curto prazo, ao passo que os fatores negativos poderão
se constituir em problemas de mais longo prazo”.
A informação é do
Financial Times, citada pelo Valor Econômico
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Vermelho, 15 de agosto
de 2009
Empresários querem adiar
votação da jornada de trabalho
Preocupados com a movimentação das centrais sindicais que
avançam na busca de apoios dos parlamentares ao projeto de redução
da jornada de trabalho, os dirigentes empresariais de vários setores
estiveram esta semana com o presidente da Câmara, deputados, Michel
Temer (PMDB-SP), para dizer que o debate sobre o assunto neste momento “é inoportuno”.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria
(CNI), Armando Monteiro Neto, que também é deputado pelo
PTB de Pernambuco, alegou que a crise econômica atual seria um
impeditivo para o debate sobre a redução da jornada de
trabalho.
As centrais sindicais, que promoveram, esta semana, uma
vigília pela aprovação da proposta,
usam o mesmo argumento para que o debate seja feito. Segundo
os líderes sindicais, a redução da carga
de trabalho de 44 para 40 horas semanais vai permitir abertura
de milhares de postos de trabalho, o que representaria uma
importante medida de combate aos efeitos da crise econômica.
A Proposta de Emenda à Constituição,
de autoria do então deputado e hoje senador Inácio
Arruda (PCdoB-CE), já aprovada pela comissão
especial da Câmara, reduz a jornada de 44 para 40 horas
semanais sem redução nos salários, e
aumenta o adicional da hora extra de 50% para 75% sobre o
valor da hora trabalhada.
Comissão geral
Monteiro Neto quer mais debate porque, segundo ele, a medida
vai gerar forte impacto nos custos, tanto para o comércio
como para a indústria. Ele insiste com a proposta
da CNI que quer a livre negociação como o caminho
para que os trabalhadores consigam reduzir a sua jornada
de trabalho.
Os empresários estão pressionando Temer para
que ele adie a discussão da matéria em plenário.
E sugerem a convocação de uma comissão
geral para debater o assunto e priorizar outras matérias
na pauta.
As centrais sindicais já haviam conseguido a marcação
da comissão geral, que deve ocorrer na próxima
quarta-feira (19). E querem a garantir de que a matéria
seja votada.
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Gazeta do Povo, 15 de agosto
de 2009
Eleição 2010
PV já procura vice para
Marina Silva
Líderes do PV articulam um leque de apoio que dê envergadura
eleitoral à eventual candidatura da ex-ministra
do Meio Ambiente Marina Silva ao Planalto em 2010. O primeiro
passo do partido será a escolha de um nome que componha
uma chapa mista com a eventual candidata do PV.
Entre lideranças da sigla consultadas pela reportagem, o nome
do senador Cristovam Buarque (PDT-DF) é unanimidade. Desde a
reunião que selou o convite do PV para que Marina Silva dispute
a Presidência da República em 2010, em 29 de julho, Cristovam
Buarque já estava cotado pela Executiva Nacional da legenda
para ser o vice da ex-ministra em uma eventual candidatura.
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Gazeta do Povo, 15 de agosto
de 2009
Mobilização
Protesto contra a crise reúne
mil
Manifestação em Curitiba
fez parte de jornada promovida em doze capitais do país.
Sindicatos querem redução da jornada de trabalho
Cerca de mil manifestantes, ligados a dezenas de sindicatos
e movimentos sociais, participaram ontem, em Curitiba,
da “Jornada Nacional Unificada de Lutas”, evento
promovido simultaneamente em doze capitais do país
para protestar contra os efeitos da crise econômica
internacional sobre a classe trabalhadora.
Na capital paranaense a concentração ocorreu
no início da manhã, nas escadarias do prédio
histórico da UFPR na Praça Santos Andrade,
e percorreu a Avenida Marechal Floriano até a Boca
Maldita, onde terminou por volta do meio-dia com um ato
marcado por discursos e críticas ao atual modelo
econômico.
Sob o mote “Os trabalhadores não vão
pagar pela crise”, os manifestantes defenderam o
fim das demissões, a redução da jornada
de trabalho sem redução de salários
e a manutenção dos direitos sociais e trabalhistas.
A secretária-geral da Central Única dos
Trabalhadores no Paraná (CUT-PR), Marisa Stédile,
pediu a aprovação da proposta de emenda constitucional
(PEC) que propõe a redução de 44 para
40 horas da jornada máxima de trabalho semanal. “O
governo deve tomar medidas para fortalecer a economia e
essa proposta pode reverter as demissões nos setores
mais afetados pela crise”, disse.
O representante da Coordenação dos
Movimentos Sociais do Paraná, Gustavo Erwin, explicou
que a pressão é para que o Congresso vote
a PEC ainda no mês de agosto. Também defendendo
a redução da jornada, a Federação
dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção
do Paraná (Fetraconspar) distribuiu um panfleto
contendo os nomes, fotos, telefones e e-mails de todos
os deputados e senadores do Paraná, para que os
eleitores acompanhem o posicionamento de cada um deles
sobre a proposta.
Mistura
Na manifestação, também houve espaço
para outras bandeiras sociais, reunidas sob o amplo espectro
da esquerda brasileira. O Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra
(MST), por exemplo, trouxe oito ônibus com cerca
de 400 militantes de diversas regiões do interior
do estado, que exigiram urgência na reforma agrária
e o fim do latifúndio.
Já os sindicalistas fizeram apelos pela reestatização
da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Vale, Embraer
e Petrobras, e a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil
(CGTB) reivindicou que os recursos obtidos com o petróleo
da camada pré-sal sejam “geridos pelo povo”.
Houve também quem defendesse a liberalização
do uso da maconha, o direito à moradia, o fim da
homofobia e a igualdade de raças e gêneros.
No plano internacional, as manifestações
foram em solidariedade aos povos de Honduras, da Palestina,
do Afeganistão e do Iraque, além de pronunciamentos
contrários a instalação de bases militares
norte-americanas na Colômbia.
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Folha de S.Paulo, 15 de
agosto de 2009
Mais de 20 grupos param Paulista
com pauta que vai de gripe suína a juros
Danilo Verpa/Folha Imagem
Membros de movimentos sindicais e
sociais em protesto na av. Paulista que durou 4 horas
PAULO SAMPAIO
DA REPORTAGEM LOCAL
Mais de 20 grupos de movimentos sindicais e sociais pararam
parcialmente o trânsito da avenida Paulista, ontem,
durante cerca de quatro horas, para uma manifestação
chamada Jornada Nacional Unificada de Lutas.
Apesar do nome, os próprios manifestantes tinham dificuldade
em apontar uma ordem do dia comum. Entre os temas abordados estavam
redução da jornada de trabalho, reforma agrária,
gripe suína, revolução em Honduras, expulsão
de Sarney e redução da taxa de juros.
" Aqui tem de tudo, as concepções de luta são diferentes,
mas isso é um salto de qualidade no movimento. É um exercício
muito interessante, não é fácil chegar a uma pauta de consenso.
Mas pode colocar aí: o foco é a redução da jornada
de trabalho, sem redução dos salários", afirmou Helifax
Souza, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).
A historiadora Maria Fernanda Marcelino, 33, da Marcha Mundial das
Mulheres, explicava que seu grupo é composto por "feministas
anticapitalistas que atuam tanto em bandeiras como aborto e violência
como em ações contra o agronegócio". Três
mil pessoas participaram do evento, segundo os organizadores; 600,
de acordo com a PM. Parecia pouca gente para tanta luta.
A estudante Caroline Arruda, 17, diretora da União Nacional
dos Estudantes Secundaristas, pregava "o monopólio estatal
do pré-sal". "Estamos aqui pela volta da lei 2.004.
A gente não pode perder o controle das nossas reservas para
multinacionais como a Esso, a Schell."
"É difícil bater a pauta, cada grupo um tem uma luta",
disse Eduardo Carmo, assessor do MST. "Queremos um projeto para o campo.
Cortaram 42% do orçamento para nós", disse Soraia Soriano,
diretora estadual do movimento.
Hospedados no ginásio do Pacaembu, os integrantes do MST deixaram
a cidade a bordo de 12 ônibus fretados que tinham autorização
especial para circular na zona de máxima restrição,
segundo a CET, porque integram a categoria "serviços não
rotineiros/eventos, da portaria 58".
O secretário Municipal dos Esportes, Walter Feldman, explica
que cedeu o ginásio para os sem-terra com a intenção
de adotar "uma política adequada de redução
de conflitos". "Você se lembra quando eles invadiram
o Ibirapuera, em 84? Foi dramático para São Paulo."
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Folha de S.Paulo, 15 de
agosto de 2009
Produção industrial
dos EUA tem 1ª alta em 9 meses
Montadoras puxam alta após estímulo
do governo para troca de carros velhos por novos
Ânimo dos consumidores americanos
recua em agosto pelo segundo mês seguido, com os cortes
de vagas ainda se expandindo
DA REDAÇÃO
A produção da indústria norte-americana
teve a primeira alta em nove meses, ajudada pela retomada
das montadoras, em mais um sinal de que a crise na maior
economia mundial está se estabilizando.
Com o fim do processo de concordata de GM e Chrysler e o aumento das
vendas pelo programa do governo para trocas de carros antigos por outros
mais novos, a indústria automotiva aumentou a fabricação
de veículos e ajudou para que a produção industrial
crescesse 0,5% em julho na comparação com o mês
anterior.
Foi o primeiro aumento da produção desde outubro do ano
passado e o segundo a partir do início da recessão americana,
em dezembro de 2007. As montadoras tiveram em julho o melhor resultado
de vendas neste ano. Isso se deveu em grande parte ao programa do governo
de Barack Obama para troca de veículos antigos por outros novos
e que consumam menos combustível.
A retomada da indústria é mais um dos sinais que mostram
que a recessão pode estar chegando ao fim: o setor imobiliário
mostra recuperação e os cortes de postos de trabalho
estão se desacelerando, por exemplo. O Fed (o BC dos EUA) disse
anteontem que a economia "está se levantando".
Outro sinal considerado positivo é que a inflação
ficou estagnada em julho ante o mês anterior, em um sinal de
que os gastos trilionários do governo ainda não estão
ameaçando os preços, o que possibilita ao Fed manter
a sua política de juros baixos (hoje entre zero e 0,25% ao ano,
os menores da história).
A recuperação, no entanto, deverá ser um processo
longo, já que vários índices estão muito
distantes dos níveis pré-crise. A produção
industrial em julho, por exemplo, caiu 13% em relação à do
mesmo mês do ano passado e está em um patamar que não é visto
desde 1998. A taxa de desemprego caiu em julho, mas 6,5 milhões
de postos foram eliminados desde que a recessão começou.
As preocupações com o desemprego foram um dos principais
motivos para que a confiança dos consumidores americanos recuasse
em agosto pelo segundo mês seguido. O indicador é importante
porque é um sinalizador do ânimo dos consumidores americanos,
cujos gastos representam cerca de 70% do PIB dos EUA.
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Consultor Jurídico,
15 de agosto de 2009
Usou e devolveu
Uso de hidratante por colega
não justifica rescisão
Além de não ser tipificada como crime pelo Código
Penal brasileiro, a prática do chamado furto de uso também
não resulta na dissolução do contrato por culpa
do empregador. O furto de uso ocorre quando alguém subtrai furtivamente
coisa alheia para dela tirar proveito temporário, com a intenção
de devolvê-la ao dono. Com esse entendimento, a 1ª Turma do
Tribunal Superior do Trabalho trancou ação em que uma balconista
culpava a empresa por colega que usou seu creme hidratante.
A balconista, que trabalhou numa padaria de Campinas (SP),
alegou que outra empregada retirou de seu escaninho um creme
hidratante, usou-o e depois o colocou no mesmo lugar. Ela
requereu os efeitos da rescisão indireta de seu contrato
de trabalho alegando culpa do empregador, por não
zelar pela segurança dos objetos que seus empregados
guardavam nos armários por ele fornecidos.
O Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região
(Campinas-SP) trancou a subida do recurso da balconista ao
TST. Sua defesa apresentou então Agravo de Instrumento
a fim de ver o mérito da questão analisada
pela Corte superior, mas não obteve sucesso. De acordo
com o relator do Agravo, ministro Lelio Bentes Corrêa,
foi correta a decisão de segunda instância de
que o empregador não deu causa ao rompimento do contrato,
visto não ter ocorrido qualquer uma das hipóteses
do artigo 483 da CLT, dispositivo que elenca as situações
que permitem ao empregado considerar rescindido o contrato
e pleitear a devida indenização. Uma dessas
situações ocorre quando o empregado “corre
perigo manifesto de mal considerável”.
O TRT verificou que os armários cedidos pela padaria
constituem um benefício aos seus empregados e que
todos eram fechados com cadeados, inclusive o da balconista
autora da ação. Foi provado ainda que o empregador
empenhou-se em averiguar as acusações, sem,
contudo, chegar a qualquer conclusão acerca da existência
do furto de uso.
O ministro Lelio Bentes afirmou em seu voto que a prova
produzida no âmbito da instrução processual
apenas permitiu a conclusão de que ocorreu utilização
de um creme que estava guardado no armário da reclamante,
o que configura mero furto de uso, hipótese não
tipificada como crime pela legislação penal
brasileira. Com informações da Assessoria de
Imprensa do Tribunal Superior do Trabalho.
AIRR 1794/1998-001-15-00.6
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Consultor Jurídico,
15 de agosto de 2009
Acidente de trabalho
Acordo não afasta dever de empresa
indenizar
Acordo entre empregador e empregado não substitui o direito à indenização
no caso de acidente de trabalho. O entendimento é da 4ª Turma
do Superior Tribunal de Justiça, que condenou uma empresa a pagar
indenização ao empregado.
O relator, ministro Aldir Passarinho Junior, entendeu que o acordo não
afasta a indenização civil baseada em culpa da empregadora
no acidente de trabalho. O acórdão do Tribunal de Justiça
do Rio de Janeiro mostra que o autor da ação sofreu acidente
de trabalho quando era dinamitada uma pedreira. Segundo testemunhas,
no momento do acidente, ele trajava roupas normais. Após o fato,
a empresa empregadora firmou acordo com o empregado, pagando a soma de
12,96 salários mínimos da época.
De acordo com TJ do Rio, ficou demonstrado que o empregado
não estava protegido com equipamentos necessários,
o que caracterizaria culpa do empregador. Ao se dinamitar
uma pedreira, é indispensável que a ação
seja cercada de cautelas, as quais são de responsabilidade
do empregador, decidiu a segunda instância.
O TJ do Rio considerou viciada a vontade do empregado pelo
fato de a proposta ter sido feita quando ele ainda trabalhava
na empresa e que, mutilado como estava, acabou por submeter-se
aos interesses do empregador. Entendeu, ainda, que a transação,
baseada em valor ínfimo, não poderia isentar
o empregador do dever de pagar a justa indenização
resultante do acidente. “O autor esteve durante 16
meses totalmente incapacitado para o trabalho, o que representaria
uma indenização, no mínimo, de 16 salários”,
estabeleceu o acórdão.
A empresa foi condenada a pagar pensões vencidas
e por vencer, além de dano moral e estético
no valor de R$ 10 mil. Por isso, recorreu ao STJ. Uma das
alegações rejeitadas pelo relator foi que,
embora tenha o empregado já recebido pensões
vencidas, o acórdão contemplou de novo essa
responsabilidade. Acrescentou que caracterizaria enriquecimento
ilícito do empregado.
Sobre a alegação de duplo pagamento da pensão,
o ministro Aldir Passarinho Junior verificou a pretensão
da empresa em considerar que a pensão previdenciária
supriria a indenização civil. Para ele, isso
não pode acontecer por possuírem origens diversas.
Segundo o relator, a conclusão do TJ fluminense não
carece de fundamentação, nem é omissa,
como alega a empresa. Com informações da Assessoria
de Imprensa do STJ
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