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Vermelho, 16 de agosto
de 2009
Economia
Venezuela quer ter a maior
reserva de petróleo do mundo
A Venezuela espera se tornar até o fim do ano a campeã mundial
em reservas petrolíferas comprovadas de petróleo, contabilizando
314 bilhões de barris de petróleo na bacia do Rio Orinoco.
A Arábia Saudita, atual primeira colocada no ranking mundial,
possui reservas de 264 bilhões de barris.
A pretensão é reforçada pelo anúncio
foi feito nesta quinta-feira (13) pela estatal petroleira
venezuelana, a PDVSA, de que a conclusão da quantificação
do Bloco Junin 7 localizou 30,4 bilhões de barris.
O Junin 7 é um de 27 blocos dos quatro campos petrolíferos
da bacia do Rio Orinoco – o segundo mais caudaloso
das Américas, depois do Amazonas.
A bacia do Orinoco já é considerada a maior
reserva de petróleo do planeta, conforme as prospecções
quantificadas através do projeto Orinoco Magna Reserva.
Com elas, o total das reservas venezuelanas deve se elevar
para 314 bilhões de barris até o fim do ano.
A estatal petroleira informou que em 1998 (ano em que Hugo
Chávez elegeu-se presidente) as reservas comprovadas
do país somavam 76 bilhões de barris e em 2005
haviam chegado a 80 bilhões. Com a implementação
do Projeto Orinoco Magna Reserva, outros 20 bilhões
foram prospectados em 2006 e 2007, um crescimento de 25%
relativamente a 2005. Atualmente o total comprovado já se
eleva a 173 bilhões de barris, mais que o dobro de
2007.
Os campos petrolíferos do Orinoco estão distribuidos
por Boyacá (seis blocos), Junín (10 blocos),
Ayacucho (sete blocos) e Carabobo (quatro blocos). Além
da PDVSA, participam da exploração empresas
petroleiras de Portugal, África do Sul, Paraguai,
Cuba, Chile, Argentina, Irã, Malásia, Vietnã,
China, Espanha, Noruega, Belarus, Rússia, Itália.
A brasileira Petrobras opera no campo de Carabobo.
Da redação, com agências
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Vermelho, 16 de agosto
de 2009
México, amarrado aos
EUA, quer mais comércio com Brasil
O presidente do México, Felipe Calderón, chegou ao Brasil
neste sábado (15) para uma visita de três dias, que se encerrará em
Brasília na segunda-feira, onde ele se encontra com o presidente
Lula. Falando a empresários em São Paulo, ele pregou "mais
comércio, mais investimento e mais negócios" com o
Brasil. A excessiva dependência dos Estados Unidos deve levar o
México a perder 5% do seu PIB em 2009.
"Queremos mais comércio, mais investimento e
mais negócios entre México e Brasil. Queremos
mais presença do México no Brasil e mais presença
do Brasil no México", disse Calderón hoje
em discurso na Federação das Indústrias
de São Paulo (Fiesp), onde se reuniu esta tarde com
empresários brasileiros.
O visitante admitiu ainda que o intercâmbio econômico,
de cerca de US$ 7,3 bilhões no último ano, é menor
do que o desejado. "Brasil e México são
duas nações irmãs de laços muito
estreitos e de caráter cultural e histórico,
não tanto econômico, não tanto quando
queremos", enfatizou. Além disso, a balança
do comércio bilateral apresenta um um superávit
do Brasil de US$ 1,156 bilhão
Atualmente as exportações mexicanas são
quase totalmente (mais de 80%) voltadas para os Estados Unidos.
Essa "dependência quase que exclusiva” (nas
palavras do presidente brasileiro do Conselho Empresarial
da América Latina, Marcus Vinicius Pratini de Moraes),
custou caro ao país. Com a crise econômica global,
que tem seu centro nos EUA, a economia mexicana deve recuar
5% este ano, segundo a previsão do FMI.
Calderón disse que recebeu com “muito interesse” a
proposta de livre comércio bilateral apresentada pela
brasileira Confederação Nacional da Indústria
(CNI) e pelo Conselho Empresarial Mexicano de Comércio
Exterior (Comce). Admitiu porém que o assunto é "um
tabu", que atribuiu a “resistências recíprocas”.
México e Brasil, as duas maiores economias latino-americanas,
têm seguido caminhos diferentes de inserção
internacional. O México se amarrou aos EUA, através
do Nafta (sigla inglesa do Tratado de Livre Comércio
da América do Norte, que inclui também o Canadá).
Ao passo que o Brasil apostou na integração
Sul-Sul, via Mercosul e parcerias com outros países
emergentes, o que o deixou menos vulnerável aos efeitos
da crise global.
Depois do encontro na Fiesp, o presidente mexicano se reuniu
com o governador do estado de São Paulo, José Serra,
e ainda com empresários brasileiros do setor de biocombustíveis.
Neste domingo ele vai ao Rio, onde visita o escritório
de pesquisas de biocombustíveis da Petrobras. A visita
ao Brasil faz parte de uma turnê pela América
do Sul, que se iniciou pela Colômbia e Uruguai.
Da redação, com agências
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Gazeta do Povo, 16 de agosto
de 2009
Medicina
Gasto com gripe suína
pode elevar preço de planos de saúde
Operadoras dizem que seus custos aumentaram
com o crescimento no número de consultas e internamentos
neste ano
As operadoras de planos de saúde já preveem
reajustes mais salgados na renovação dos contratos
com clientes por conta da pandemia de gripe A, também
conhecida como gripe suína. De acordo com as empresas,
o aumento do número de atendimentos de emergência
e de internações elevaram os custos dos planos
e cresce a tendência de repasse no próximo reajuste.
A gripe deve pressionar principalmente o segmento empresarial,
cuja negociação é livre entre a operadora
e as companhias e o reajuste é realizado no aniversário
do contrato. No caso dos contratos individuais, o aumento é estipulado
pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS),
mas as operadoras querem que a entidade também compute
os efeitos da doença nos repasses para o próximo
ano.
Segundo a Associação Brasileira de Medicina
de Grupo (Abramge), o número de consultas e exames
por causa da suspeita da nova gripe subiu até 30%
em julho. “Os hospitais tiveram que reforçar
o atendimento em ambulatórios, nos plantões
e nos prontos-socorros. Esse custo terá que ser repassado”,
diz Arlindo de Almeida, presidente da entidade. Antes do
boom da nova gripe, os reajustes dos planos empresariais
tinham ficado, em média, entre 7% e 10%. Algumas operadoras
calculam que a gripe poderá elevar esse índice
entre três e quatro pontos porcentuais.
Com 434 mil clientes, a Unimed Curitiba registrou um aumento
de 25% no volume de consultas em relação à média
mensal, que é de 225 mil. Somente esse aumento significa
um custo adicional de R$ 2 milhões, segundo o diretor
geral, Sérgio Ossamu Ioshii. De acordo com ele, a
intenção é tentar negociar um reajuste
maior para compensar o aumento dos custos, mas Ioshii admite
que espera uma discussão difícil devido ao
atual cenário econômico, em que a redução
de gastos virou a palavra de ordem das empresas.
A Amil, por sua vez, espera concluir dentro de 45 dias um
levantamento dos impactos da gripe nos custos da operação.
Segundo André Madureira, superintendente da Amil no
Paraná – onde a empresa tem cerca de 220 mil
clientes – houve um aumento de 35% no número
de internamentos, de exames e consultas no pronto-atendimento. “Está claro
que há uma pressão nos custos que deverá ser
repassada. Mas o porcentual vai depender de cada contrato
e do número de casos da doença em cada empresa”,
afirma.
A Amil investiu R$ 100 mil em ações ligadas à prevenção
da gripe, como a impressão de folders, cartazes e
informativos, além da criação de um
serviço de 0800 para tirar dúvidas. De acordo
com Cristiane Prado, diretora médica da Amil no Paraná,
três unidades passaram a concentrar os atendimentos
nessa área. “Optamos por cancelar algumas cirurgias
eletivas para concentrar o atendimento nos casos de gripe”,
diz.
Volume
Muitos hospitais tiveram de improvisar mais ambulatórios
para atender à procura de pessoas e a expectativa é que
os volumes de internação se mantenham em patamares
elevados até o fim e setembro. Na Amil, entre os casos
de maior gravidade, 8% foram encaminhados à Unidade
de Terapia Intensiva (UTI). A operadora estima que cada internação
com assistência respiratória 24 horas custa
entre R$ 10 mil e R$ 12 mil por dia.
De acordo com o diretor da regional Sul do grupo Vita, José Octávio
Leme, houve uma “explosão” de atendimentos
nos prontos-socorros dos dois hospitais da empresa em Curitiba.
No Vita Curitiba foram 1,2 mil atendimentos a mais – alta
de 12% – e no Vita Batel cerca de mil novos atendimentos,
crescimento de 24%. A situação obrigou a instalação
de três ambulatórios móveis, montados
em contêineres, e a contratação de mais
oito técnicos e enfermeiros. “A gripe elevou
o nosso custo mensal em R$ 50 mil”, conta.
Margens
Para o presidente da Abramge, o setor opera com margens
apertadas e o equilíbrio econômico-financeiro
dos hospitais e operadoras precisa ser preservado. Ele admite,
no entanto, que não será fácil negociar
repasses dos custos em um ambiente econômico complicado.
O setor de saúde privada, que movimenta R$ 59 bilhões
por ano e reúne 52 milhões de beneficiários
no país, já enfrenta forte resistência
das empresas na hora de negociar reajustes. Esse embate ganha
força agora, já que a maior parte dos contratos
empresariais tem aniversário no segundo semestre.
A crise econômica vinha pressionando os volumes de
atendimentos porque muitos trabalhadores, por receio de perder
emprego, anteciparam procedimentos. Quem foi demitido de
empresas que mantiveram o plano de saúde válido
por alguns meses também aproveitou para fazer exames,
consultas e cirurgias. “Antes da gripe já estávamos
com um aumento de 10% acima da média”, afirma
Ioshii, da Unimed Curitiba.
Guilherme Lorenzi, diretor do plano Saúde Ideal,
diz que o volume de consultas no pronto-atendimento cresceu
10%, para 2.277, na comparação com o mesmo
período do ano passado. Apesar do aumento, ele garante
que ainda não há intenção de
repassar esses custos para os próximos reajustes. “Mas
ainda teremos que fazer os cálculos desse impacto,
que só devem ficar prontos dentro de 30 dias”,
acrescenta.
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Folha de S.Paulo, 16 de
agosto de 2009
DATAFOLHA
Serra mantém
dianteira sobre Dilma e Ciro; Marina tem 3%
Tucano oscila um ponto para baixo
e tem 37% das intenções de voto para presidente
Pesquisa Datafolha mostra que a ministra
da Casa Civil mantém os 16% da pesquisa de maio
e está em empate técnico com Ciro Gomes
JOSÉ ALBERTO BOMBIG
DA REPORTAGEM LOCAL
O governador de São Paulo, José Serra (PSDB),
mantém a dianteira na corrida pela sucessão
do presidente Lula, em 2010, e, pela primeira vez, vê a
pré-candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma
Rousseff (PT), permanecer estável entre um e outro
levantamento, revela a nova pesquisa Datafolha.
O tucano tem 37% das intenções de voto, um ponto percentual
a menos do que no levantamento anterior, em maio. Dilma se mantém
nos mesmos 16% e tecnicamente empatada na segunda posição
com o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) -15%, o mesmo índice de maio.
A pesquisa, realizada entre os dias 11 e 13, mostra ainda que a entrada
da senadora e ex-ministra Marina Silva (PT-AC) na corrida praticamente
não provocou, pelo menos até agora, alteração
nos índices dos líderes. Cobiçada pelo PV para
encabeçar uma chapa ao Planalto, ela só atinge 3% das
intenções.
A diferença entre Dilma e Serra, que já esteve em 35
pontos percentuais em março de 2008, quando a ministra largava
com 3%, caiu de 22 para 21 pontos. Desde o final do ano passado, a
petista, que luta contra um câncer linfático, é presença
constante em eventos e solenidades pelo país, quase sempre ao
lado de Lula.
" Marina, neste momento de largada, não ameaça os líderes.
Mas o resultado de Dilma pode ser um indício da estabilização
da sua pré-candidatura, temos de esperar para saber", afirma diretor-geral
do instituto Datafolha, Mauro Paulino. A margem de erro da pesquisa, feita a
14 meses das eleições, é de dois pontos percentuais para
mais ou para menos.
O presidente do PT, Ricardo Berzoini, fez um apelo público para
que Marina não deixe o partido. Os petistas temem um estrago
na pré-candidatura de Dilma se a senadora aceitar o convite
do PV, pois ambas trafegariam na mesma faixa do eleitorado, avaliam
governistas e até a oposição a Lula.
Em ambos os cenários em que é testada, Marina, porém,
só atinge 3% dos votos. Dilma tem 17%, com Serra na disputa,
e 19%, sem a presença do tucano e governador paulista. "A
senadora ainda não é reconhecida como candidata. Ciro
tem muito mais potencial do que ela no momento", diz Paulino.
Dividido entre concorrer ao governo de São Paulo a convite de
Lula e tentar de novo o Planalto (como em 1998 e 2002), Ciro assume
a ponta nos dois cenários em que Serra não é testado,
com 23% e 21%. Sem Ciro, Dilma atinge seu melhor desempenho e ganha
oito pontos percentuais em comparação com o principal
cenário, chegando a 19%, mas Serra também sobe a 44%.
Quando Serra não é citado como candidato, o governador
de Minas e também tucano, Aécio Neves, chega a 20% no
cenário sem Ciro, seu melhor resultado e quatro pontos atrás
de Dilma e Heloísa Helena (PSOL), ambas com 24%. Os dois tucanos
travam disputa ainda silenciosa no PSDB pela candidatura em 2010.
Mesmo afirmando que só se preocupa em governar São Paulo,
Serra tem viajado para o Nordeste, onde é grande a popularidade
de Lula.
O presidente é mais lembrado pelos eleitores, segundo o Datafolha,
quando não são apresentados os pré-candidatos.
O apoio de Lula a um candidato poderia levar 42% dos brasileiros a
votar nesse político.
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Folha de S.Paulo, 16 de
agosto de 2009
DATAFOLHA
Lula passa por crise
sem perder alta aprovação
Governo petista é avaliado
como ótimo/bom por 67%
DA REPORTAGEM LOCAL
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva consegue,
até o momento, atravessar a mais nova crise política
nacional e manter sua popularidade entre os brasileiros
no mesmo patamar. Para 67%, seu governo é ótimo
ou bom, variação dentro da margem de erro
na comparação com a última pesquisa,
feita em maio, quando Lula atingiu 69% de aprovação.
Segundo o instituto, 25% dos brasileiros acham o governo regular, ante
24% na última pesquisa. Para 8%, a administração
do petista é ruim ou péssima; eram 6% no levantamento
anterior. "O Lula conseguiu passar incólume pela crise,
o Congresso, não", diz Mauro Paulino, diretor-geral do
Datafolha.
Com os 67% de ótimo ou bom que registra agora, Lula está a
apenas três pontos de seu recorde pessoal (70%), atingido em
novembro de 2008 e que foi o melhor resultado obtido por um presidente
desde que o Datafolha começou a fazer esse tipo de pesquisa,
em 1990.
O presidente foi o principal fiador da permanência de José Sarney
(PMDB-AP) na Presidência do Senado. Em 17 de junho, chegou a
declarar que o senador não poderia ser tratado como "uma
pessoa comum". Depois, amenizou o apoio público, mas manteve
a sustentação ao aliado nos bastidores.
A pesquisa mostra a dissociação entre a popularidade
de Lula e a crise no Senado. Mesmo entre os que consideram o governo ótimo
ou bom, a maioria (73%) defende a saída ou afastamento temporário
de Sarney. Também entre os que aprovam o governo, 65% acreditam
que Sarney está envolvido nas denúncias feitas contra
ele.
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Folha de S.Paulo, 16 de
agosto de 2009
Corte de IPI ajuda matriz de
montadoras
Redução de tributo
eleva receita de fabricantes, e remessa de lucros chega a
US$ 3,6 bi desde o agravamento da crise, em setembro
Expectativa é que envio de recursos
se intensifique no segundo semestre, pois valorização
do real torna prática mais vantajosa
JULIO WIZIACK
TONI SCIARRETTA
DA REPORTAGEM LOCAL
As remessas de lucros das montadoras no Brasil explodiram
desde o agravamento da crise global, a partir de setembro.
Enquanto as vendas no hemisfério Norte despencaram,
no Brasil o setor manteve desempenho vigoroso, ajudado
pela redução do IPI (Imposto sobre Produtos
Industrializados). Assim, parte do estímulo fiscal
do governo ao setor acabou sendo repassada ao caixa das
matrizes das montadoras.
Líderes no envio de remessa de lucros e dividendos, segundo
dados do Banco Central, as montadoras instaladas no Brasil destinaram
US$ 2,850 bilhões às suas matrizes de setembro até o
fim de 2008, mesmo com o câmbio desfavorável para essa
operação.
Com a redução do IPI, iniciada em dezembro do ano passado
e prorrogada até setembro, o governo estima já ter deixado
de arrecadar entre R$ 1,3 bilhão e R$ 2,5 bilhões. Para
André Sacconato, analista da Tendências, independentemente
do valor da renúncia, boa parte desses recursos já virou
dividendo remetido ao exterior.
"É o que chamamos de exportação de política
fiscal", diz Sacconato. "O governo acabou ajudando as matrizes dessas
montadoras a fazer caixa. A teoria econômica condena totalmente esse tipo
de prática porque isso significa transferência de renda."
Essa ajuda no fim do ano passado, momento mais agudo da crise no exterior,
apertou o caixa das montadoras brasileiras -obrigadas por isso a mandarem
menos divisas no primeiro semestre deste ano. Entre janeiro e junho,
foram US$ 793 milhões, valor que só perde para o do setor
financeiro, que também esteve no epicentro da crise e que mandou
US$ 1,487 bilhão. Procurada pela Folha, a Anfavea, a associação
que representa as montadoras, não quis comentar o assunto.
A hora certa
O envio de divisas é feito pela área de câmbio
de bancos estrangeiros no Brasil. Essas instituições
gerenciam o caixa das empresas, no Brasil e na matriz. Também
levam em conta o momento ideal para converter reais em dólares.
No início de dezembro, o dólar chegou a R$ 2,536, cotação
desfavorável às remessas porque reduziria o lucro auferido
em reais. A volta do dólar para R$ 1,80 favorece novamente os
envios. A expectativa é que o dólar baixe para R$ 1,75
até o fim deste ano, incentivando as remessas no segundo semestre.
Maria Eugenia Lopez, responsável por multinacionais pelo Santander,
diz que o mercado de remessas está 40% acima de seu ritmo normal. "A
crise foi muito mais forte em outros mercados e isso deu mais importância
ao resultado das subsidiárias no Brasil", diz. "Cada
vez mais a contribuição da subsidiária [envio
de remessas] ganha destaque."
Pedro Lorenzini, diretor de tesouraria do Citibank, diz que a maioria
das filiais de grande porte de multinacionais costuma fazer hedge [proteção]
para ficarem imunes à variação cambial. Assim,
elas conseguem cumprir o cronograma de remessas da matriz.
Boa parte dos envios ocorre no primeiro trimestre. Com a crise, porém,
diversas empresas adiantaram a remessa para o final de 2008, mesmo
com o câmbio desfavorável.
Isso ocorreu em diversos setores: petróleo e gás, telecomunicações,
indústria química, comércio, papel e celulose,
entre outros. No setor alimentício, as remessas cresceram 700%,
saindo de US$ 125 milhões, em junho de 2008, para US$ 1 bilhão,
em dezembro.
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Folha de S.Paulo, 16 de
agosto de 2009
BNDES "libera" recursos
para remessas
DA REPORTAGEM LOCAL
Empresas do setor automobilístico têm buscado
dinheiro no BNDES para reforçar o caixa e liberar
mais recursos para remeter às matrizes. Com taxas
na casa de 4,5% ao ano, algumas linhas de financiamento
para exportação do BNDES estão entre
as menores do mundo. As linhas com as menores taxas são
para exportação de produtos industrializados,
com mínimo de 60% de componente nacional.
Os bancos fazem um gerenciamento da necessidade de capital de giro
das empresas e respectivos custos de capital no Brasil e na matriz.
Quando a taxa de financiamento é menor do que o custo de capital
do acionista, gerado a partir do caixa da empresa, o conselho é emprestar
e remeter lucro para a matriz ou para o acionista.
Normalmente, quando a subsidiária de uma multinacional faz a
captação no BNDES, fecha simultaneamente uma operação
de "swap" [troca de índices], em que substitui a taxa
pela Libor (juro interbancário internacional) ou o CDI brasileiro.
As taxas têm ficado em 46% do CDI, que está em 8,96%.
Algumas taxas são tão convidativas que os bancos têm
orientado subsidiárias de multinacionais a pedirem autorização
das matrizes para se tornarem elegíveis a esses empréstimos.
Essas taxas geraram também questionamento da OMC (Organização
Mundial do Comércio) sobre concorrência desleal.
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Conjur, 16 de agosto de
2009
Benefícios ao consumidor
Lei sobre comprovantes deve
diminuir processos
Por Cleoberto Benaion
No mundo jurídico, sempre se ouve a velha máxima de que
quem paga mal paga duas vezes. Afinal, quem não conhece alguém
que tenha pago uma conta duas vezes por não guardar o recibo?
Por isso, aqueles indivíduos precavidos e organizados se vangloriam
de agrupar todas suas contas em pastas, com divisões de meses
ou por tipo de conta, tudo para fugir do fantasma de ter de pagar de
novo a mesma conta.
Durante cinco longos anos, o consumidor deve guardar os
recibos para eventual comprovação junto às
respectivas prestadoras de serviço. Parece pouco,
mas não é. Se pensarmos em contas de telefonia
móvel e fixa, luz e gás, já teremos
cinco recibos por mês, 60 por anos e 300 guardados
permanentemente pelos cinco anos exigidos. Isso sem contar
recibos escolares e financiamentos bancários que podem
aumentar a lista em idêntica proporção.
Isso porque o texto da lei, embora não seja absolutamente
claro inclui no mesmo rol, as pessoas jurídicas prestadoras
de serviços públicos ou privados, entendendo-se
assim, quaisquer relações jurídicas
periódicas e de caráter sucessivo, como por
exemplo, as contraídas junto a instituições
de ensino e bancárias.
Essa praxe de guardar recibos, que não é apenas
praxe, decorre da expressa previsão contida no artigo
206, parágrafo 5º, I, do Código Civil
que confere o referido prazo a todas as pretensões
de cobrança de dívidas líquidas constantes
de instrumentos públicos ou particulares. É o
prazo para operar-se a famosa prescrição, pois
a partir daí qualquer dívida nessas condições
não é mais exigível judicialmente.
No entanto, parece que a situação vai mudar,
e para melhor. A notícia boa, e vinda em mais que
na hora certa, é que, no último dia 29 de julho,
o presidente da República sancionou a Lei 12.007 que
obriga prestadoras de serviços públicos ou
privados a enviar aos consumidores uma declaração
de quitação anual de débitos. A lei
entrou em vigor na data de sua publicação,
dispensando-se quaisquer prazos para as mencionadas pessoas
jurídicas se adaptarem a nova regra.
Assim, conforme disciplina o novo texto legal, a partir
de 2010 os consumidores receberão no mês de
maio suas declarações de quitação
anual, que podem vir juntamente com a fatura daquele período,
o que demanda certa atenção do consumidor.
Isso sem dúvida é um notável avanço
e traz benefícios concretos ao consumidor, que verá reduzido
sensivelmente o número de documentos que terá que
guardar, pois cada declaração permitirá ao
consumidor se desfazer de doze faturas a ela relacionadas,
e melhor, libera a dos anos anteriores. O consumidor só precisará guardar
a última declaração de quitação
de cada concessionária ou instituição
de ensino.
A extensão da obrigação de fornecer
a declaração às pessoas jurídicas
prestadoras de serviços privados será um grande
calcanhar-de-aquiles às instituições
bancárias, porque nesta seara residem as maiores inseguranças
do consumidor, e os maiores conflitos levados ao Judiciário
por contas de abusos de direito e faltas quanto às
informações. Isso, sem dúvidas, diminuirá esses
litígios e trará qualidade às informações
que necessitam serem passadas ao Judiciário na hipótese
de um inevitável processo.
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Última Instância,
16 de agosto de 2009
HUMILHAÇÕES
Denúncias de
assédio moral aumentam 588,2% em quatro anos no Rio
de Janeiro
As denúncias de assédio moral são um fenômeno
que vem crescendo, ano após ano, nas empresas do estado do Rio
de Janeiro. O total de casos investigados pelo Ministério Público
do Trabalho deu um salto nos últimos quatro anos: passou de 17,
em 2004, para 117, em 2008, uma alta de 588,2%. Neste ano, o número
de queixas chega a 90 só até julho.
Normalmente, a queixa é única: humilhações
e constrangimentos, de forma repetitiva, durante a jornada
de trabalho. Porém são muitos os fatores
que atualmente potencializam esse tipo de conduta: demissões,
terceirizações, funcionários sobrecarregados
e gestores autoritários e com metas cada vez mais
ambiciosas em busca do lucro para as empresas.
“A causa principal do assédio moral ocorre
com o trabalho organizado de forma autoritária.
Os operários não podem opinar sobre as
condições de trabalho, o que demonstra
a falta completa de democracia nas relações
de trabalho”, observa Terezinha Souza Martins,
doutora em psicologia social pela PUC-SP, professora
da UFRB (Universidade Federal do Recôncavo Baiana)
e pesquisadora convidada da UFRJ (Universidade Federal
do Rio de Janeiro).
A crise financeira internacional, que reduziu no Brasil
o nível de emprego, também contribuiu para
o aumento do assédio moral, na medida em que o
empregado, temendo ser demitido, se submete mais facilmente à ação
de gestores autoritários. Terezinha observa que
o discurso do patrão é ideológico,
fala em democratização, mas esconde um
grau elevado de autoritarismo nas relações
de trabalho.
“Quem trabalha não está sendo ouvido.
O aumento do assédio moral se deve à lógica
do capital, que cada vez mais precisa de resultados imediatos,
pressiona para obter mais lucro. E, ao reduzir o número
de trabalhadores na ativa, aumenta o serviço para
os empregados que permaneceram na empresa, que acabam
sendo presas mais fáceis de ações
de assédio moral por parte de gestores autoritários”,
disse Terezinha.
Ela ressalta que um fenômeno recente é o
aumento de casos de assédio coletivo, em que toda
uma equipe é pressionada. “O que é novíssimo é o
assédio coletivo, em que todos são pressionados.
O assédio individual continua, mas o coletivo
passou a se apresentar com mais força há um
ano”, afirmou.
Terezinha levanta mais uma questão: o número
de adoecidos, com dor de cabeça, depressão,
devido ao assédio moral. “É inexorável
que o trabalho, mantida a doutrina autoritária,
se torne grave como a gripe suína. Aí vamos
olhar para a vida sem esperança”. Ela, porém,
acredita que a visibilidade que o tema vem ganhando na
mídia, levará a uma saída mais coletiva
e democrática.
“Se o assédio não é barrado,
o trabalhador pode sofrer até de transtorno mental,
como de síndrome de pânico. A pessoa sente
uma tristeza profunda, um caminho para a depressão.
Infelizmente temos casos até de tentativa de suicídio”,
disse.
Segundo levantamento do MPT, entre os estados em que
há o maior número de queixas estão
o de São Paulo, Minas Gerais, do Espírito
Santo e Rio de Janeiro. No Rio, o Ministério Público
do Trabalho tem em curso um total de 394 investigações
sobre assédio moral e duas ações
civis públicas em andamento. Mais 21 termos de
ajustamento de conduta (acordos com a empresa) foram
firmados.
O assédio moral é tipicamente uma perseguição
ao empregado feita com atos legais. Ninguém pode
impedir o empregador, por exemplo, de pedir a um funcionário
que refaça seu trabalho. Quando isso ocorre repetidamente,
todos os dias, pode haver indício de assédio
moral. É esse caráter de perseguição
que vai caracterizar o assédio moral, mas provar é extremamente
difícil.
Segundo o procurador do MPF Wilson Prudente, o que tem
sido feito é propor a aplicação
do Código de Defesa do Consumidor, que permite
a inversão do ônus da prova, em que o empregador
passaria a ter que provar que não está cometendo
o assédio.
“Quando as testemunhas ainda estão trabalhando
na empresa geralmente não depõem em favor
do colega. Assédio coletivo é mais fácil
porque você tem vários empregados com a
mesma queixa”, disse Prudente. Como são
poucos os trabalhadores com estabilidade no emprego,
as eventuais testemunhas também são dispensadas.
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Última Instância,
16 de agosto de 2009
AUTORITARISMO
Trabalhador pode ir à Justiça
por assédio moral
O trabalhador, hoje, pode denunciar o assédio moral que eventualmente
venha sofrer de gestores autoritários. Para fazer a denúncia,
ele deve procurar o espaço que tenha confiança, como o
seu sindicato. O Ministério Público atua somente nos casos
em que há interesse coletivo. De um modo geral, busca-se um acordo
antes de se ingressar com uma ação na Justiça.
De acordo com os especialistas, se o assédio
for individual, o trabalhador deve procurar um advogado.
Colegas de trabalho podem ser usados como testemunha,
o que representa uma dificuldade, pois muitos não
testemunham contra a empresa por receio de perder o emprego.
O e-mail pode ser aceito como prova, destacam os especialistas.
Uma agravação, em princípio ilícita,
pode ser aceita como prova lícita se for a única
forma de o trabalhador confirmar o assédio, diz
o procurador Wilson Prudente. O trabalhador deve ainda
registrar em um caderno, dia após dia, tudo o
que ocorre no trabalho, em detalhes.
Laudos de tratamentos médicos e uso de medicamentos
também podem ser usados como prova. O mesmo vale
para o caso em que o trabalhador tenha se submetido à terapia
por causa da perseguição de assédio
moral.
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