Informativo Eletrônico n.º 1.392   -   Ano 06   -   Curitiba (PR), 22 de agosto de 2009.




Agência Diap, 22 de agosto de 2009

Projeto da taxa assistencial é aprovado em comissões; vai ao plenário
Crise no Senado solapa bancada do PT; dois deixam o partido

Crises à parte, esta semana foi muito produtiva para o movimento sindical no Senado.

Por pressão das entidades que compõem o Fórum Sindical dos Trabalhadores (FST), a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado rejeitou as emendas apresentadas ao PLS 248/06, que regulamenta a cobrança da taxa assistencial em favor dos sindicatos em razão da assinatura da convenção coletiva de trabalho.

Agora, o projeto vai ao exame do plenário. A batalha do movimento sindical é pautar o projeto no plenário e votá-lo, pois a Casa vive em estado de inação no plenário, em razão da crise que prejudica a produção legislativa desde que José Sarney (PMDB/AP) assumiu a Presidência da Casa.

Esta crise afeta sobremodo a bancada do PT, dividida entre o apoio a Sarney e contra sua permanência na principal cadeira do Senado.

As primeiras baixas são de Marina Silva (AC), que sai do partido para se filiar ao PV e concorrer à Presidência da República sob a bandeira dos "verdes", em defesa do meio ambiente. A outra baixa é do senador Flávio Arns (PR), que desembarca da legenda sob a argumentação que o partido não segue seus preceitos éticos.

Hoje, depois de conversar com Lula, o senador Aloizio Mercadante (SP) fica na liderança do PT, que ele ameaçava deixar em razão de o partido ter votado pelo arquivamento dos processos contra Sarney no Conselho de Ética.

Merece destaque ainda a disputa na Câmara pela redução da jornada de trabalho. Esta semana os empresários resolveram se movimentar contra a proposta. Esta semana foi divulgada pesquisa que mostra confiança do brasileiro no Governo para superar a crise.

Caged mostra que emprego formal na indústria aumentou em julho; e desemprego se estabiliza, segundo IBGE. Na Câmara, proposta que desconstitucionaliza direitos recebe parecer favorável na Comissão de Constituição e Justiça, onde aguarda votação.

Jornada de trabalho
Toda vez que surge no cenário nacional proposta que pode melhorar a vida dos assalariados e do povo de modo geral, imediatamente patrões e empresários partem para o ataque dizendo que tal medida trará crise, desemprego e quebradeira geral.

Confiança do brasileiro
A confiança do brasileiro no Governo para lidar com os efeitos da crise financeira internacional está alta, superando a média mundial, segundo revela pesquisa divulgada na última quinta-feira (20) pelo WiN (Worldwide Independent Network of Market Research). De acordo com o estudo, em uma escala que varia de 1-10, onde 10 representa maior satisfação, o Brasil atingiu 6,1 pontos, número 1,3 ponto a mais do que média global, de 4,8.

Emprego formal na indústria
A indústria contratou 17.354 trabalhadores em julho, mês que registrou o melhor desempenho do ano na criação de empregos, mas nem todos os segmentos tiveram saldo positivo entre demissões e contratações. O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), mostrou que ainda houve redução do emprego no mês passado nas indústrias produtoras de borracha, fumo e couros (-3.906), nas metalúrgicas (-1.077) e nas de materiais de transporte (-468).

Desemprego estabiliza
A taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do País ficou em 8% no sétimo mês do ano de 2009, o que mostra certa estabilidade em relação a junho e julho de 2008, quando a taxa era de 8,1%. De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que divulgou a "Pesquisa Mensal de Emprego", na quinta-feira (20), essa é a menor taxa para meses de julho desde o início da série da pesquisa, que começou em 2002.

Desconstitucionalização de direitos
Escondida atrás de uma discussão doutrinária a respeito do tamanho da Constituição brasileira, as conquistas da Carta Política de 1988 poderão ser anuladas, caso venha a ser aprovada a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 341/09, do deputado Regis de Oliveira (PSC/SP), que desconstitucionaliza todos os direitos e garantias sociais, como os direitos trabalhistas, previdenciários, dos servidores, sindicais, entre outros.




Correio do Brasil, 22 de agosto de 2009
Empresários lançam manifesto pela inovação na economia nacional
Um grupo de industriais brasileiros divulgou um manifesto no qual defendem o aumento dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento.

O evento aconteceu durante o 3º Congresso Brasileiro de Inovação na Indústria, que reúne, em São Paulo, 600 empresários, representantes do governo e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho.

No documento, os empresários assinalam, também, o empenho de todos no esforço de inovar.

No texto, há uma meta de duplicação do número de empresas que apostam em inovação, em quatro anos.

Hoje, haveria cerca de seis mil empresas na área de inovação tecnológica.

Eles reclamam ainda que poucos jovens chegam às universidades com a intenção de fazer cursos voltados para a área tecnológica, diminuindo a oferta de mão de obra na área de Pesquisa e Desenvolvimento.

Com o objetivo de tirar as promessas do plano das intenções, será criada uma equipe para colocar metas e cobrar resultados, no âmbito da CNI.

Entre os empresários que participam do congresso estão Adilson Primo, da Siemens, Pedro Luiz Barreiros Passos, da Natura, Pedro Wongtchowski, do Grupo UItra, José Wilmar de Mello Justo Filho, da Thyssenkrupp, Pedro Suarez, da Dow, Ricardo Pelegrini, da IBM, Rolf-Dieter Acker, da Basf, e Wilson Ferreira Júnior, da CPFL.

Também estarão presentes Jorge Gerdau Johanpetter, do Grupo Gerdau, Cledorvino Belini, da Fiat, Michel Vale, da 3M, e Luiz Fernando Furlan, da Sadia.

Clique aqui veja o documento



Terra Magazine, 22 de agosto de 2009
Ciro quer Presidência mas não descarta chapa com Dilma
O ex-ministro Ciro Gomes admitiu nesta sexta-feira (21), em Teresina (PI), a possibilidade de uma chapa com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência da República. "Tudo é possível", afirmou. O deputado concedeu entrevista coletiva, na qual afirmou que as pesquisas eleitorais favorecem uma dobradinha Ciro e Dilma e que vê com naturalidade essa chapa. Mas reafirmou sua disposição de ser candidato à Presidência da República.

Ciro Gomes disse que esta é a fase das especulações e política é um pouco arte também. "Neste momento o PSB tem muitas clarezas. Somos convergentes ao projeto estratégico de país que o presidente Lula hoje lidera. O partido entende que tem que apresentar sua própria cara, seu próprio rosto, seu próprio projeto, suas próprias ideias ao conjunto da sociedade brasileira, apresentando a minha candidatura a presidente da República", afirmou.

"Mas uma coisa casada com a outra, nos obriga a conversar. Na conversa, como as pessoas fazem, conversam aqui e contam ali, o que é especulação, às vezes parece plano. Tem cogitação do Governo de São Paulo, mas não é o que eu desejo. Eu desejo ser candidato a presidente da República. Tem cogitação de vice e não é o que eu desejo. Mas qualquer pessoa se sentiria honrada em servir ao país nestas circunstâncias. O importante é que chamemos o povo para discutir e revitalizar a política brasileira", destacou.

"O que posso anunciar é que o meu plano é servir o povo brasileiro como presidente", afirmou. "Eu faço política por ideal e não meio de vida. Não vou deixar que o poder volte para os barões, que não se doem com as dores do povo mais pobre."

Ciro Gomes disse que atualmente é um homem "maduro" e que já deu "muitos murros em ponta de faca". "Não é valente quem dá murros em ponta de faca. É temerário", afirmou. "Eu já dei muitos murros em ponta de faca. Todas as vezes, a minha mão furou."

Para Ciro, a miséria não gera violência e citou exemplo da cidade de Salitre, no Ceará, com menor renda percapita e passa dois anos sem registro de um único homicídio. Ele disse que o Brasil tem o 4º maior juro do planeta e afirmou que o “Piauí vai explodir de riqueza” com os investimentos nos Cerrados.

Marina Silva

O deputado cearense disse ainda que Marina Silva é uma "grande amiga" e uma "irmãzinha querida" e que a possibilidade da candidatura da senadora à Presidência muda o cenário.

"Vejo a presença dela como uma coisa boa para o debate no Brasil. Eu não a vejo, em qualquer parada que eu esteja, a gente se atrapalhando", disse Ciro. "Eu vejo a gente se ajudando mutuamente."

Relação PT-PMDB

Durante a coletiva, Ciro disse que existe muita imundíce e sujeira na política brasileira, e que devem ser espanada para revitalizar e renovar a política. Ele afirmou que o PT cometeu um grave erro político ao entregar ao PMDB a hegemonia moral e intelectual ."O PT está em contradição. Sempre cultivou a ética e agora tem que engolir, com casca e tudo, o que há de pior na política brasileira", analisou o deputado.

Louis Vuitton

Ciro Gomes esteve em Teresina participando de um congresso médico e para fazer reuniões políticas com o PSB do Estado, que tem o vice-governador Wilson Martins como candidato a governador em 2010.

Aos médicos, Ciro Gomes anunciou que está fazendo campanha contra a marca francesa Louis Vuitton. Para ele, a bolsa, que é uma das mais caras do mundo, é "cafona" e representa a segregação social.

" A bolsa Louis Vuitton é cafona. Perdão se alguém não saiba da minha campanha contra ela e, eventualmente, esteja carregando uma aqui", disse para mais de 500 médicos. "Mas a bolsa Louis Vuitton é apenas uma bolsa. Só que ela é tão cara, exorbitantemente, que ela tem um sentido: destacar a senhora ou a moça que pode portá-la para fazer uma referência de êxodo social."

O ex-ministro falou ainda sobre os “preconceitos ideológicos” de mercado, polícia, juros, economia e disse que o câmbio rege tudo. Ele disse ainda que ir a Miami é mais barato do que ir ao Delta do Piauí. Segundo ele, é uma pena, pois o Delta é “muito mais bonito” e ainda fez propaganda do Ceará. “Depois do Delta, ele por ir até Jeriguaguara”.

Ciro defendeu uma política de desenvolvimento com “começo, meio e fim” para o Brasil, e que é preciso investimento em tecnologia e capital humano para ter um País mais produtivo.

 


Gazeta do Povo, 22 de agosto de 2009
matérias-primas
Após retração, indústria ensaia alta de preços
Segmentos de plástico, siderurgia e material de construção têm aumento da demanda e preparam reajustes

São Paulo - Depois de meses de retração nas vendas, alguns setores da indústria estão sendo beneficiados pela retomada da economia mundial e pela redução gradual dos estoques, e já ensaiam aumentos nos preços dos seus produtos em busca de recomposição de margens. Os setores de plásticos, produtos siderúrgicos e materiais para construção estão obtendo sucesso nesta estratégia, embora os preços ainda estejam muito abaixo dos níveis anteriores à crise, no primeiro semestre do ano passado.

O aumento de preços das resinas para produção de plásticos chegou a 20% entre julho e agosto deste ano devido ao movimento de volta às compras, após a redução dos estoques. Na siderurgia, a alta ainda é restrita ao segmento de chapas grossas, usadas pela indústria naval e tubos de petróleo e gás, mas os outros tipos de aços planos, utilizados no setor automotivo e na linha branca, também devem seguir esta tendência até o fim do ano, sustentados pela alta dos preços no exterior. Dentre os materiais de construção, o produto que já apresentou altas foi o de louças sanitárias, que deve ser acompanhado por reajustes também em metais sanitários.

No setor de transformados plásticos, a elevação das cotações no exterior e a expansão da demanda doméstica permitiram que as fabricantes de resinas termoplásticas promovessem dois reajustes consecutivos em julho e agosto. Esses resinas são usadas na fabricação de plásticos em geral, inclusive para embalagens. Os mais de 11 mil transformadores de plástico, que compõem a terceira geração da cadeia petroquímica, não têm condições de absorver a alta de quase 20% e, por isso, devem repassar grande parte do aumento para seus clientes.

Petroquímica

O momento para os reajustes da indústria petroquímica não poderia ser mais propício. Diante da ainda escassa oferta de linhas de crédito para empresas de menor porte, os transformadores se viram obrigados a consumir seus estoques. Com isso, ingressaram no segundo semestre com a necessidade de manter um ritmo acelerado de compras. “Registramos recuperação da demanda mês a mês. Julho está melhor do que junho, que havia sido melhor do que maio”, destacou o presidente da Braskem, Bernardo Gradin.

O volume de vendas de resinas do setor no segundo trimestre deste ano foi 18% superior aos três primeiros meses de 2009, segundo estimativas da Braskem, a maior fabricante do setor na América Latina. A previsão para o terceiro trimestre é de nova alta nas vendas, puxada pela recuperação da economia brasileira.

Diante desse cenário, os transformadores devem encontrar menor dificuldade para repassar aos clientes os aumentos das petroquímicas. Essas, por sua vez, prometem manter a política de ajustar os preços internos às cotações praticadas no exterior. Desde março, informou na semana passada a Braskem, a alta nos preços de polietilenos, polipropileno e PVC varia entre 18% e 19%. Essa recuperação, no entanto, não repõe metade da queda dos preços registrada entre setembro de 2008 e março passado. Por isso, sinaliza a companhia, ainda há espaço para novos reajustes.

Outro setor que começou a articular uma recuperação nos preços foi o de siderurgia. Além de reduzir os descontos que eram concedidos, esta indústria já fala na possibilidade de praticar aumentos de preço até o fim do ano. Segundo fontes do mercado e distribuidores de aço, a Usiminas elevou o preço da chapa grossa, material usado pela indústria naval e de tubos para petróleo e gás, em 10% neste mês, depois de reduzir o preço do produto em 35% neste ano, e deve ser seguida por outras empresas.

De acordo com Christiano da Cunha Freire, presidente da Frefer, segunda maior distribuidora independente de aço do Brasil, o mercado espera uma alta de cerca de 10% no preço dos aços planos para os próximos meses. Este tipo de produto é usado pela indústria automotiva e pela linha branca. Desde o início do ano, os preços dos aços planos caíram em média 22,9% no mercado interno.

O setor de materiais para construção também ensaia alguns reajustes no segmento de louças e metais sanitários. O cenário de retomada da atividade econômica e de aumento da demanda de materiais de construção pelas incorporadoras e construtoras em função do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida devem permitir um aumento no uso da capacidade instalada das indústrias do setor no segundo semestre, segundo a consultora da FGV Projetos, Ana Maria Castelo. Ela destacou, no entanto, que justamente porque ainda existe capacidade ociosa, não necessariamente haverá aumentos de preços generalizados de materiais.

Dados da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) apontam que, em agosto, o uso da capacidade instalada do setor era de 83%. Em outubro do ano passado, a utilização da capacidade atingiu o máximo, de 88%. “O uso da capacidade instalada caiu até chegar a 78% em junho, mas agora voltou a subir”, afirma a consultora da FGV Projetos.

Análise

Esse movimento de recomposição de margens das empresas, no entanto, está longe de significar uma ameaça de alta da inflação Segundo economistas, o aumento nos preços destes setores da indústria não é suficiente para gerar pressões inflacionárias porque trata-se apenas de uma pequena recomposição parcial de rentabilidade que não será acompanhada por um expressivo aumento da demanda interna. “Do ponto de vista dos custos também não há pressão porque o câmbio se apreciou”, afirmou o economista da RC Consultores, Fábio Silveira.

O coordenador da Pesquisa de Preços da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Antonio Evaldo Comune, destacou que o aumento dos preços só deve se traduzir em inflação ao consumidor caso ocorra de forma mais acentuada e atinja também outros setores da economia. “Teria de ser um movimento mais generalizado para repercutir nas cadeias produtivas e atingir o consumo das empresas e famílias”, afirmou.


Folha de S.Paulo, 22 de agosto de 2009
Para empresários, corte de gasto público evitaria nova CPMF
Problema na saúde é mais "de gestão do que de dinheiro", diz Paulo Skaf, presidente da entidade

MARIA CLARA CABRAL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Em reação ao empenho do ministro José Gomes Temporão (Saúde) e de alguns partidos da base aliada do governo em criar uma nova CPMF, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Paulo Skaf, disse ontem que o problema do setor "é muito mais de gestão do que de dinheiro".

A entidade diz que, caso a contribuição, batizada agora de CSS (Contribuição Social para a Saúde) com a alíquota de 0,1%, seja aprovada pelo Congresso, as pequenas e médias empresas correm risco de não conseguir se recuperar da crise. A Fiesp afirma ainda que a nova CPMF atingiria toda a cadeia produtiva, trazendo impacto para os produtos finais.

Números da federação mostram que, no primeiro semestre de 2009, somando os gastos com pessoal, previdência e custeio, as despesas do governo federal aumentaram em mais de 10%, cerca de R$ 24 bilhões (descontada a inflação), em relação ao primeiro semestre de 2008. "O governo deveria melhorar a gestão e cortar gastos públicos onde cabe. CSS é, na verdade, "Contra o Seu Salário'", disse Skaf.

Ele lembrou também que a participação da arrecadação federal no PIB saltou de 22%, há 20 anos, para 38%, atualmente. "E a sociedade ainda paga mais, de maneira particular, por saúde, educação, previdência e segurança. Isso é pouco? Por que aumentar os impostos?"

A posição da Fiesp, uma das principais articuladoras pela derrubada da CPMF, recebeu o apoio da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), por exemplo. Em nota, o presidente da Ordem, Cezar Britto, disse que o "país precisa é, na verdade, melhorar, por meio de uma reforma política, a qualidade dos seus representantes para que eles percam de vez a fome de arrecadação e deixem de jejuar no cumprimento de suas missões". "É a lógica de punir o cidadão porque não se consegue conter a compulsão pelos gastos excessivos", afirmou.

Ele não descarta a possibilidade de a OAB ingressar no STF (Supremo Tribunal Federal) com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a medida, caso ela venha a ser aprovada pelo Congresso.

O Ministério da Saúde admitiu, por meio da assessoria de imprensa, que o problema do setor é também de gestão, mas reafirmou que falta dinheiro. Segundo dados do ministério, os investimentos do Brasil em saúde correspondem a cerca de 7% dos gastos de países como Canadá e Reino Unido. O Brasil também fica atrás de países como Costa Rica, Panamá, Argentina e México, diz o ministério.

A recriação da CPMF está sendo rediscutida pelos líderes partidários na Câmara com a regulamentação da emenda nº 29, que destina mais recursos para a saúde.


Conjur, 22 de agosto de 2009
Babel dos tributos
Reforma Tributária será votada em clima de ceticismo
Por Alessandro Cristo

Nem a promessa de votação da Reforma Tributária para o próximo dia 1º de setembro na Câmara dos Deputados tranquiliza os contribuintes. Temendo apenas mais um Frankenstein normativo que aumente a mordida do fisco nos cofres das empresas, advogados tributaristas se reuniram nessa quinta-feira (20/8) em São Paulo para debater o projeto junto com o relator na Câmara dos Deputados, deputado Sandro Mabel (PR-GO). A principal crítica é que a proposta não trata dos tributos municipais.

“É um defeito na espinha dorsal. Não é possível conceber uma reforma que não leve em consideração mais de quatro mil entes tributantes”, disse o advogado Luiz Gustavo Bichara, do escritório Bichara, Barata, Costa & Rocha Advogados. Os municípios são os principais cobradores de instituições financeiras, seguradoras e empresas que terceirizam mão-de-obra — grandes contribuintes do Imposto Sobre Serviços (ISS).

O evento foi organizado pela Aliança de Advocacia Empresarial, em seu II Simpósio de Direito Empresarial. Além do relator da Proposta de Emenda Constitucional na Câmara, deputado Sandro Mabel (PR-GO), também falaram o procurador-geral da Fazenda Nacional, Luis Inácio Adams; o economista Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central; o professor de Direito da Universidade de São Paulo Heleno Tôrres; o ex-ministro da Fazenda do Uruguai Ignacio de Posadas Montero e o tributarista Luiz Gustavo Bichara. A jornalista política Cristiana Lôbo mediou o debate.

Segundo o relator da reforma, deputado Sandro Mabel, a entrada dos tributos municipais no imposto único, o chamado Imposto sobre Valor Agregado (IVA) — carro-chefe da reforma —, não acontecerá imediatamente, mas em uma segunda fase do processo. “A reforma precisa acontecer em partes, senão não sai. Não há como brigar, agora, com mais de cinco mil administrações”, justificou. A implantação do projeto em fases foi apoiada pelo professor de Direito Tributário da Universidade de São Paulo, Heleno Tôrres, para quem matérias em que já há consenso têm que ser destacadas e votadas antes. “Desde 1995 até agora, esse foi o melhor projeto”, opinou. A previsão é de que esta segunda fase ocorra em até seis anos. “O modelo foi criado e vai funcionar para o ICMS. Depois, será mais fácil encaixar o ISS”, explicou o deputado.

Contra o que chamou de incredulidade da opinião pública, Mabel apresentou promessas. As mudanças propostas, segundo ele, garantirão um aumento anual de 1% nos investimentos do governo nos próximos seis anos. Os investimentos em infraestrutura — hoje baseados principalmente nos recolhimentos das contribuições de intervenção no domínio econômico, que variam conforme os preços praticados no mercado — passarão a ser fixos e não variáveis. Com a adoção de apenas um único tributo federal — o IVA —, os fundos de participação de estados e municípios receberão uma porcentagem de toda a arrecadação federal e não apenas do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como é hoje. Para isso, a criação do Fundo de Equalização de Receitas dependerá de uma lei complementar. “A União aumenta o PIS e a Cofins porque são receitas unicamente dela, mas faz promoção no IPI, que é dividido. Isso não será mais possível”, disse o deputado.

A guerra fiscal entre os estados, vilã da concorrência e causadora dos principais entraves para o consenso na arrecadação nacional, será extinta com o fim da tributação na origem, de acordo com a proposta. “Tributar no destino fortalecerá os estados e fará com que o que é produzido fique na região”, disse Mabel.

A tributação será mais pesada sobre a renda e não mais sobre o consumo, mas quem ganha até cinco salários mínimos deixará de contribuir. Com as mudanças, o governo pretende aumentar o PIB em 0,5%. “Ninguém vai perder”, defendeu Mabel, para quem o aquecimento na economia provocado pelas desonerações compensará as perdas fiscais do Estado. “A Previdência terá R$ 11 bilhões a mais, os estados terão outros R$ 30 bilhões e os municípios receberão mais R$ 10 bilhões.”

Já para o economista Gustavo Franco, presidente do Banco Central do Brasil de 1997 a 1999, a ideia não tem lógica. “Não é possível uma reforma em que todo mundo ganhe e ninguém perca.” Para ele, “todos precisam perder um pouco, e ninguém deve ser indenizado por isso”. Segundo o economista, o problema não está só na arrecadação, mas nos gastos do poder público. “Os representantes do povo deveriam deliberar, ao mesmo tempo, a tributação e os gastos”, disse. “Se não houvesse contingenciamento, a carga tributária seria de 70% a 80% do Produto Interno Bruto.”

Ministro da Economia no Uruguai entre 1992 e 1995, Ignacio de Posadas Montero afirmou que a alta carga tributária brasileira dá espaço para o que chamou de perversidades. “Tributos não são pagos por quem a lei determina, mas por quem não pode repassar. Com uma carga de 36% do PIB, a maior da América, não há como não haver perversidades.”

Uma das maiores dificuldades em fazer passar as mudanças no Congresso, segundo o procurador-geral da Fazenda Nacional, Luís Inácio Adams, é a previsão constitucional de alguns temas, que só podem ser mudados com emendas constitucionais — como no caso da Refoma —, o que engessa o assunto. “Algumas garantias foram incluídas na Constituição de 1988 apenas porque havíamos saído de um regime autoritário. A questão tributária precisa ser desconstitucionalizada”, disse.

Mas não são apenas as regras que atrapalham os contribuintes. Segundo o advogado Luiz Gustavo Bichara, a relação entre o fisco e o contribuinte é truncada, o que demanda tempo e trabalho para arrecadar impostos no país. “Alguns procuradores e fiscais tratam os contribuintes como se todos fossem sonegadores contumazes e delinquentes.” O advogado lembrou que o tempo gasto para o tratamento de assuntos fiscais, o chamado compliance, pelas empresas no Brasil é um dos mais altos do mundo.

O problema é conhecido da Fazenda nacional, mas não é exclusivo da relação entre contribuintes e a administração tributária. O procurador-geral Luís Adams afirmou que os próprios órgãos do fisco perdem tempo com a dificuldade em compartilhar informações. “Existe um projeto de uma norma que unificará os procedimentos da Receita e da PGFN. O contribuinte resolverá tudo em uma só sala”, disse.