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Gazeta do Povo, 23 de agosto
de 2009
Crescimento
Estudo mostra queda
na desigualdade entre cidades
O crescimento econômico do país em 2006
reduziu a desigualdade do grau de desenvolvimento entre os
municípios, aponta estudo da Firjan (Federação
das Indústrias do Rio). Em índice calculado
pelo segundo ano consecutivo, a média nacional de
desenvolvimento das cidades subiu 3,47% em 2006 comparado
a 2005. O índice usa dados de emprego, renda, educação
e saúde. A alta no resultado do país foi puxada
por emprego e renda, que subiu 9,8%.
Em 2006, o país registrou alta de 4% no PIB, 13% de aumento
real no salário mínimo e alta de 1,2 milhão na
criação de empregos formais. O alto desenvolvimento está concentrado
no Sul/Sudeste, enquanto Norte/Nordeste apresentam resultado regular.
A cidade mais bem colocada foi São Caetano do Sul (SP), com
0,9524, e a pior, Santa Luzia (BA), com 0,2928 – o indicador
varia de 0 a 1.
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Gazeta do Povo, 23 de agosto
de 2009
impacto econômico
Gripe faz economia balançar
Comércio, turismo,
restaurantes e escolas sentiram queda no volume de negócios
por causa da doença
A economia levou um tombo em agosto e não foi por causa da
crise internacional, deflagrada há quase um ano e que levou
pânico aos mercados. O medo da vez atende pelo nome de gripe
A, também conhecida como gripe suína ou H1N1, e vem sacudindo
a vida de consumidores e empresas. Por receio da contaminação,
muita gente adiou compras, deixou de frequentar shoppings, cinemas,
restaurantes e também de viajar, afetando o comércio,
o setor de serviços e o turismo. Redes de varejo cancelaram
inaugurações de novas lojas para evitar aglomeração
de pessoas. Restaurantes registraram uma queda de 40% a 70% no movimento.
Os produtores de suínos viram o preço da carne despencar.
E em alguns municípios, o medo da doença provocou até mesmo
o fechamento de estabelecimentos comerciais e cinemas, como é o
caso de Cascavel, no Oeste do estado. As empresas, por sua vez, estão
mudando a rotina de seus funcionários e aumentando gastos com
medidas de prevenção da doença. Sem falar nos
gastos públicos pressionados pelos serviços de saúde.
Ainda não há um cálculo geral sobre o tamanho
do estrago, mas analistas estimam que pelo menos 60% da economia paranaense
foi afetada, em maior ou menor grau, pela gripe. Os efeitos de pandemias
costumam ser grandes, embora tenham, em geral, curta duração – por
aqui, estima-se que ela se estenda até fim de setembro. “A
gripe impacta qualquer atividade que reúna um grande número
de pessoas, como o comércio em geral, restaurantes, eventos
esportivos e viagens. Mas a tendência é que, com a chegada
da primavera, estas perdas sejam compensadas. O impacto dela, no fim
das contas, será residual perto dos efeitos da crise econômica”,
diz o economista Gilmar Mendes Lourenço, coordenador do curso
de Economia do Centro Universitário FAE.
O problema, segundo o professor Marcio Cruz, do departamento de Economia
da Universidade Federal do Paraná (UFPR), é que a pandemia
veio em um momento em que a economia já estava fragilizada por
conta da crise internacional. A doença contaminou, curiosamente,
setores que vinham sentindo menos os efeitos da turbulência internacional
por dependerem principalmente do mercado interno – como o comércio
e o setor de serviços.
Em bares e restaurantes, o movimento despencou entre 40% e 70%, afirma
o presidente da regional da Associação Brasileira de
Bares e Restaurantes (Abrasel), Marcelo Woellner Pereira. Segundo ele,
muitas empresas do setor tiveram que antecipar férias para os
funcionários por causa do movimento fraco. “E ainda não
temos sinais de melhora.”
No comércio, há quem diga que o resultado só não
foi pior por causa do Dia dos Pais. Mas ainda não há pesquisas
sobre o desempenho das vendas diante da gripe. O maior impacto se deu
nos shoppings centers, que chegaram a amargar, nos sábados e
domingos, um fluxo de pessoas semelhante ao de segunda-feira, considerado
o dia mais fraco da semana.
Em Cascavel, onde o comércio foi fechado durante um dia por
determinação das autoridades municipais, os prejuízos
são ainda maiores. As perdas, segundo o diretor do Cascavel
JL Shopping, João Luiz Felix, não se limitaram ao dia
em que o empreendimento deixou de funcionar. “O problema é a
insegurança e a boataria. Nos outros dias, o fluxo de pessoas
e as vendas caíram 50%.” Com 80 lojas, o empreendimento
recebe cerca de 15 mil pessoas por dia.
Varejo
As grandes redes varejistas de eletroeletrônicos também
sentiram o efeito. “O movimento do Dia dos Pais foi menor do
que o esperado”, afirma o superintendente da MM Mercado Móveis,
Márcio Pauliki. A gripe também obrigou a MM a adiar,
para entre o fim de setembro e a metade de outubro, a inauguração
de quatro novas lojas no Paraná e em Santa Catarina. As unidades
estão prontas, com funcionários já contratados. “Como
fazemos muitas promoções, os eventos de inauguração
atraem muita gente. Foi uma medida de precaução. Mas
com ela adiamos também o faturamento com as novas lojas.”
Segundo a presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP),
Avani Slomp, no comércio de rua o impacto foi no setor de alimentos,
que sofreu os efeitos da opção do consumidor de fazer
suas refeições em casa. Mas ela reconhece que a gripe
reduziu o chamado consumo por impulso. “As pessoas passaram a
sair somente para comprar coisas específicas. Aquela compra
que ocorre durante o passeio deixou de existir.”
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Folha de S.Paulo, 23 de agosto
de 2009
Apoio de petistas a
Sarney é insustentável, diz Marina
Senadora compara disputa contra
candidatura do PT a luta entre Davi e Golias
Ela diz que nunca defendeu o criacionismo e, ao
falar da descriminalização do aborto, afirma que questões
de fé devem ser respeitadas
MARTA SALOMON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Um dos argumentos que a senadora Marina Silva (AC) ouviu para não
sair do PT foi que o lançamento de sua candidatura à Presidência
poderia inviabilizar o "projeto histórico" do partido
no qual militou por quase 30 anos. Lançou mão de personagens
da Bíblia para comparar a candidatura Dilma Rousseff e uma candidatura
pelo PV à luta entre o gigante Golias e Davi.
Na Bíblia, Davi vence. Marina, 51, insiste em que a decisão
sobre sua eventual candidatura só será anunciada em 2010.
FOLHA - Antes de mudar de partido, a sra.
mudou de religião, de católica para evangélica.
No ano passado, equiparou a teoria da evolução
de Charles Darwin ao criacionismo, que atribui a origem da
vida a Deus. Entre fé e ciência, a sra. fica com
a fé?
MARINA SILVA - Houve um completo mal-entendido.
Fui dar palestra em uma universidade adventista, que é uma
faculdade confessional. A legislação brasileira
permite as escolas e as faculdades confessionais, que têm
o direito de fazer a abordagem do ensino a partir da perspectiva
religiosa.
Um jovem me perguntou o que eu achava de as escolas adventistas ensinarem
o criacionismo. Respondi que, desde que ensine também a teoria
da evolução, não vejo problema.
A partir daí, as pessoas começaram a dizer que eu estava
defendendo o criacionismo. Sou professora, nunca defendi essa tese e
nem me considero criacionista. Porque o criacionismo é uma tentativa
de explicação como se fosse científica para responder
a questão da criação em oposição ao
evolucionismo.
Apenas acredito em Deus, é uma questão de fé. Nunca
tive dificuldade em respeitar e me relacionar com os ateus, com pessoas
que professam outras crenças ou outra forma de pensar diferente
da minha.
FOLHA - E essa fé a impede de discutir questões
como a descriminalização do aborto?
MARINA - Questões de fé e as
convicções de cada um devem ser respeitadas.
Não me envergonho de dizer que sou cristã e jamais
tergiversaria sobre minha fé para ganhar simpatia de
quem quer que seja. Seria capaz de perder todos os votos, de
nunca mais ser eleita, mas nunca faria um discurso fácil.
FOLHA - O PV já prepara festa para a sua filiação
no dia 30. A sra. já disse que todos os partidos têm problemas.
Qual é o maior do PV?
MARINA - O primeiro deles é que o partido
teve de se abrir para evitar perder o registro. Algumas pessoas
se filiaram e até se elegeram sem identidade programática.
FOLHA - O presidente do PV disse ter feito o convite à sra.
para ser candidata ponderando que haveria muitas limitações
de dinheiro e de espaço na televisão. Com quanto dinheiro
se faz uma campanha?
MARINA - Não sou candidata ainda, isso é em
2010. E tenho consciência dessas limitações.
Inclusive, quando alguns companheiros me perguntavam como eu me sentiria
se, porventura, a minha saída inviabilizasse o projeto histórico
do PT, sobretudo na questão da inclusão social, eu dizia:
acho que vocês estão superestimando.
Se comparar o tempo de TV da candidatura do PT -o que significa o Bolsa
Família, o PAC, o Luz para Todos, o que significa (o programa)
Minha Casa, Minha Vida, ter um presidente com 80% de credibilidade, ter
palanques de A a Z em 5.000 municípios, com uma militância
de 1,6 milhão de filiados- com a de um partido pequeno, com menos
de dois minutos na TV, sem palanques, é como se fosse uma luta
de Golias contra Davi.
Como não imagino que a candidatura do PT é Golias e nem
tenho a pretensão de ser o Davi, só posso imaginar que
a minha funda vai se lançar contra o Golias da desesperança,
do pragmatismo. Tenho experiência nisso. Se fosse fazer cálculo
em termos pragmáticos, nunca teria feito nada. O esforço é por
aquilo que significa em termos de semeadura.
FOLHA - O que não é sustentável
hoje no Brasil?
MARINA - O próprio modelo de desenvolvimento,
que tem origem numa visão equivocada de que os recursos naturais
eram infinitos. Temos de aprender a lidar com essa limitação
no sentido de criar novas práticas, novas oportunidades, nova
relação de produção e consumo.
FOLHA - É sustentável o apoio do PT
a José Sarney?
MARINA - Isso já se mostrou insustentável
por tudo o que está acontecendo com o Congresso, com o governo,
com o PT, e com o próprio presidente Sarney. No meu entendimento,
o melhor para a crise era o seu afastamento temporário, inclusive
como forma de preservar a figura histórica de Sarney.
FOLHA - Como entram na agenda da sustentabilidade
os juros altos e a independência do Banco Central?
MARINA - Os juros altos não são
sustentáveis, obviamente, sobretudo em um país
que precisa continuar crescendo. O Banco Central, na realidade
do Brasil, já tem essa independência.
FOLHA - A hidrelétrica de Belo Monte e BR-319
são sustentáveis?
MARINA - Belo Monte está passando por um
processo de licenciamento, que verificará se ela é sustentável.
A BR-319, eu considero economicamente, ambientalmente e socialmente
insustentável.
FOLHA - O programa nuclear brasileiro é sustentável?
MARINA - Nós temos outras fontes de energia.
Alega-se que são caras. E, na verdade, são.
Mas a nuclear também é cara.
Com uma diferença: a energia eólica e da biomassa são
caras mas são seguras, a nuclear é cara e não é segura.
FOLHA - Quão sustentável é o
Bolsa Família?
MARINA - É um programa importante na promoção
da inclusão social. O problema apontado, com razão, é a
questão da porta de saída, para que as pessoas tenham
uma integração produtiva e não dependam da bolsa.
Mas só é possível falar em porta de saída
porque teve porta de entrada.
Uma vez, uma pessoa reclamava que não quiseram fazer uma faxina
pelo valor que ela se dispunha a pagar. "A culpa é dessa
Bolsa Família", dizia. Fiquei feliz, porque, se não
tivesse o Bolsa Família, a pessoa se aviltava a receber qualquer
valor por seu trabalho.
FOLHA - O pré-sal é sustentável?
MARINA - Os combustíveis fósseis são
insustentáveis. O pré-sal tem de ser visto com os cuidados
para que não façamos a apologia do recurso em si. É preciso
que parte dos recursos obtidos sejam drenados para compensar os danos
ambientais das emissões de CO2.
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Folha de S.Paulo, 23 de agosto
de 2009
Banco público
diminui mais os juros
Diferença de taxas
médias de bancos públicos para privados chega
a 14 pontos percentuais, ante 9,8 no início da crise,
diz estudo da Fiesp
Instituições controladas pelo Estado
têm mais crédito consignado e custo menor para a captação
de recursos, o que ajuda a reduzir taxas
VERENA FORNETTI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Com a agressividade dos bancos públicos no crédito durante
a crise, a diferença entre as taxas de juros dos bancos privados
e as das instituições do governo quase triplicou nos
empréstimos a empresas.
Em junho, os juros médios nas instituições públicas
foram sete pontos percentuais mais baixos que os dos bancos privados
nas linhas para pessoas jurídicas. Quando a crise chegou ao Brasil,
em outubro de 2008, a diferença entre as instituições
era de 2,4 pontos.
Considerando o crédito tanto para as pessoas físicas quanto
para as jurídicas, o descompasso foi de 14,1 pontos percentuais
em junho. Em outubro, a diferença estava em 9,8 pontos.
A conclusão integra estudo da Fiesp (Federação das
Indústrias do Estado de São Paulo) baseado em dados do
Banco Central, que compara as taxas do Banco do Brasil e da Caixa Econômica
Federal com as dos cinco principais bancos privados do país, segundo
a participação nas operações de crédito
e no arrendamento mercantil.
Segundo o estudo, entre outubro de 2008 e junho deste ano, os bancos
públicos reduziram seus juros médios anuais para empresas
e pessoas físicas em 8,5 pontos percentuais (de 37,5% para 29%).
Os privados cortaram as taxas em 4,2 pontos (de 47,3% para 43,1%). A
diferença nas taxas de juros em linhas destinadas exclusivamente
a pessoas físicas não foi pesquisada pela entidade nesse
levantamento.
Pressão sem efetividade
Segundo a Fiesp, a pressão do governo para elevar a competitividade
entre os bancos não foi efetiva para reduzir juros e "spreads" nas
instituições privadas. "Spread" é a diferença
entre o que as instituições pagam para captar recursos
e o que cobram dos clientes.
Paulo Skaf, presidente da entidade, afirma que os bancos privados não
acompanharam o movimento de redução de juros iniciado pelas
instituições do governo, mas argumenta que os bancos privados
serão forçados a rever as suas políticas de crédito
em razão da diferença acentuada entre as taxas.
Segundo ele, pequenos e médios empresários ligados à Fiesp
começam a deixar os bancos privados e a migrar para instituições
do governo. "Aumentou, sim, o interesse por bancos oficiais",
afirma.
De acordo com o estudo, se tivessem pedido os recursos só nas
instituições privadas, todas as empresas que tomaram empréstimos
no país de outubro a junho teriam pago, juntas, R$ 7,2 bilhões
a mais em despesas com juros do que se tivessem tomado emprestado só do
Banco do Brasil ou da Caixa Econômica Federal.
Diferença de perfil
O economista João Augusto Salles, da consultoria Lopes Filho,
observa que a carteira de crédito dos bancos públicos e
a dos privados têm características distintas, o que permite
que as instituições do governo tenham taxas mais baixas.
Salles diz que a expressiva participação das linhas de
crédito consignado (em que as parcelas são descontadas
na folha de pagamento do cliente) na carteira dos bancos públicos
diminui o risco dos empréstimos. E isso contribui para que, na
média, as taxas nessas instituições sejam menores.
Luís Miguel Santacreu, da consultoria Austin Rating, acrescenta
que o custo de captação dos bancos públicos é menor,
o que facilita a redução dos juros. "Na prática,
bancos públicos já poderiam ter juros menores há um
bom tempo."
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Folha de S.Paulo, 23 de agosto
de 2009
Canteiro organizado
reduz custos da obra
Sem gestão de resíduos,
gasto com materiais aumenta em até 40%
CRISTIANE CAPUCHINHO
DA REPORTAGEM LOCAL
O monte de areia depositado diretamente na calçada ou no terreno
compõe uma cena comum nos canteiros de obra. E é indicativo
de um problema que aumenta em até 40% os gastos com material
de construção: a falta de gestão de resíduos,
alerta o professor da Poli-USP (Escola Politécnica da Universidade
de São Paulo) Ubiraci Lemes de Souza.
Nem sempre é necessário ter acompanhamento técnico
de um especialista para evitar desperdícios. Algumas precauções
simples, como o correto armazenamento dos materiais -a areia, por exemplo,
deve ficar sobre uma camada de brita (leia dicas nos quadros)-, já ajudam
a minimizar as perdas.
" Não há cuidado na hora de receber, armazenar e carregar
o material. Isso tudo significa perda", concorda Lilian Sarrouf, diretora-executiva
do CBCS (Conselho Brasileiro da Construção Sustentável).
A perda do material no canteiro representa um gasto dobrado: a soma do preço
do item ao custo de transporte e de descarte dos resíduos.
" Os principais [responsáveis por perdas na obra] são os serviços
que envolvem moldagem, como revestimentos de gesso. Toda vez que o material endurece
antes da aplicação, vira resíduo", exemplifica Souza.
No caso de cimentos e argamassas, só deve ser preparada a quantidade a
ser usada em uma hora e meia. Depois disso, o material perde parte de sua capacidade
de aderência, explica o professor Souza.
Gambiarras nas partes elétrica e hidráulica usadas durante
a obra também são comuns e geram perda. Uma mangueira velha
com vazamentos ou uma ligação elétrica com fios
descascados no decorrer da construção custam mais do que
a adequação das instalações.
No caso da eletricidade, o uso de um só ponto "sobrecarrega
a instalação e gera perda de energia com o calor criado,
além de ser perigoso", afirma Sarrouf.
Prevenção
Grande parte do desperdício pode ser evitada no projeto da construção:
ele deve prever os tamanhos das peças utilizadas segundo os produtos à venda
no mercado. Paredes e cômodos requerem um planejamento que leve
em conta os múltiplos tamanhos de blocos e peças de cerâmica.
Tamanhos como um quarto e um oitavo de bloco são opções
existentes. Apesar de mais caros do que a fração a que
se referem, representam economia em relação ao bloco completo
e ganho de tempo na obra.
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AREIA
Para que não haja contaminação da areia com terra,
coloque uma camada de brita antes de despejar o material. Faça
uma baia de madeirite em torno dele para que não se espalhe
SACARIA
Cimentos e argamassa devem ser estocados em local seco e sem contato
com o solo. O ideal é colocá-los sobre uma plataforma
de madeira, protegidos da umidade
POEIRA
Materiais em pó, como cimento, devem ser preparados em local ventilado.
A obra requer limpeza diária, com varrição; umedecer
a poeira já melhora a qualidade do ar
RECICLAR
Embalagens de papel e de plástico devem ser separadas de demais
resíduos. Para incentivar esse cuidado entre operários,
faça uma festa financiada pela venda desse material
REÚSO
Batentes, portas, esquadrias e cerâmicas antigos podem ser reutilizados.
A cerâmica pode servir em outro espaço ou como mosaico,
para manter a memória da edificação
SUJEIRA
Na reforma de um cômodo, para que o uso do resto da casa não
seja muito afetado, é necessário vedar portas e janelas
com plástico e espuma. Além disso, a obra deve ter entrada
separada da casa
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Folha de S.Paulo, 23 de agosto
de 2009
CIDADE DE SERTÃOZINHO
Ministério Público
move ação para construção de
moradias no interior de SP
O MP-SP (Ministério Público de São Paulo) ajuizou
ação civil pública para obrigar Estado e município
a instalar e colocar em funcionamento um programa de construção
de moradias na cidade de Sertãozinho.
O objetivo da ação é atender os integrantes da
associação USTS (União dos Sem Teto e Sem Terra
de Sertãozinho), que atualmente vivem em condições
precárias, em um condomínio chamado de “Wilson
Toni”.
De acordo com o documento, o grupo de sem tetos também é réu
na ação, pois devem desocupar o imóvel assim que
um novo local for providenciado para sua moradia. Entretanto, as lideranças
do movimento têm dificultado o cadastramento das famílias,
instrumento necessário para a realização de programas
públicos de construção de moradia e exigência
do governo federal para liberar verbas para a construção
de conjuntos habitacionais.
Para os promotores Cláudia Maria Licco Habib e Luís
Henrique Paccagnella, a situação em que se encontram
os sem teto no condomínio ensejam uma série de prejuízos
para as crianças, adolescentes, idosos e deficientes ali residentes,
que não têm acesso aos serviços sociais básicos.
Uma das deficiências mais graves está na saúde
pública, em risco iminente, com a possibilidade de proliferação
de graves doenças, tanto entre os sem teto como nas regiões
vizinhas.
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Agência Brasil, 23
de agosto de 2009
Governo retoma debate
sobre criação da Contribuição
Social para a Saúde
Iolando Lourenço
Repórter da Agência Brasil
Brasília - A retomada dos debates para concluir a votação
do Projeto de Lei Complementar 306/08, que regulamenta a Emenda Constitucional
29 – responsável por definir percentuais de recursos a serem
aplicados pela União, estados e municípios na área
de saúde –, ocorre em função da dificuldade
financeira enfrentada pelo setor. O presidente da Frente Parlamentar
da Saúde, deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), alerta que
sem novos recursos o Sistema Único de Saúde (SUS) “não
se sustenta, principalmente agora que o país vive uma série
crise no setor de saúde”.
Para 2010, a correção do orçamento do SUS será de
5 %, “bem abaixo dos 12 % registrados em média nos últimos
anos”, segundo o deputado. De acordo com o parlamentar, o fim
da votação da matéria, com a criação
da Contribuição Social para a Saúde (CSS), deverá injetar
algo em torno de R$ 12,5 bilhões a mais no setor da saúde
pública no Brasil por ano, a partir do no que vem.
Se depender do PMDB, a regulamentação da Emenda 29 vai
ocorrer no início do mês de setembro. Decisão nesse
sentido foi tomada em reunião nesta semana entre a bancada do
maior partido da Câmara e o ministro da Saúde, José Gomes
Temporão. A reunião era para falar das ações
do ministério no enfrentamento da influenza A (H1N1) – gripe
suína – e a necessidade de mais recursos para o SUS.
Mas, a conversa caminhou no sentido da necessidade de viabilizar mais
recursos para a saúde, o que seria possível com a conclusão
da aprovação da CSS, cujos recursos, caso aprovada a
contribuição, serão exclusivos para a saúde.
O ministro Temporão afirmou aos peemedebistas que o Ministério
não tem recursos suficientes para fechar o ano. Segundo ele,
serão necessários, pelo menos mais R$ 2,1 bilhões,
sem contar os recursos exclusivos para combate da doença, cerca
de R$ 1 bilhão.
Só que a regulamentação da Emenda 29 encontra
muita resistência na Casa, primeiro porque cria mais impostos
para o cidadão, segundo porque a criação de impostos
em véspera de eleição é um assunto considerado
delicado até por parlamentares da base governista. A regulamentação
da Emenda 29 já foi aprovada pelo Senado, através do
PLP 306/08, de autoria do senador Tião Viana (PT-AC).
Na Câmara, o projeto original dos senadores foi muito alterado
pelos parlamentares da base governista, que decidiram incluir no texto
a criação de uma contribuição sobre movimentação
financeira destinada exclusivamente para ajudar no financiamento da
saúde. Essa contribuição é uma espécie
de Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira (CPMF), que foi rejeitada no Senado Federal.
Mesmo com toda movimentação dos partidos de oposição
e protestos de vários setores empresariais e dos contribuintes,
os deputados da base governista conseguiram aprovar, de forma apertada,
a criação da CSS. Foram 259 votos favoráveis e
159 contrários e duas abstenções.
A oposição retirou, através de destaque, do texto
o dispositivo que trata da base de cálculo para a cobrança
da CSS. Desde junho do ano passado, os aliados do governo tentam um
bom momento para votar a matéria e reincluir no texto do projeto
o dispositivo. Para rejeitar o destaque da oposição,
o governo precisa de pelos menos 257 votos favoráveis. Do contrário,
fica criada a CSS, mas sem poder ser cobrada, porque não tem
base de cálculo. Outro motivo que dificulta a votação é a
insatisfação de parlamentares da base aliada que não
querem votar mais nada até verem suas emendas orçamentárias
liberadas.
Ainda há um outro problema para a regulamentação
da Emenda 29 com a criação da CSS. Isto porque o projeto
teve origem no Senado e como ele está sendo alterado pelos deputados,
o projeto terá que retornar ao Senado para novas discussões
e votação.
Com a crise no Senado e uma base governista menor do que a da Câmara,
corre-se o risco de os senadores rejeitarem o texto aprovado pelos
deputados e retornarem o texto original, que trata apenas da regulamentação
da Emenda 29. Se isso ocorrer, será encaminhado à sanção
o texto dos senadores, uma vez que a matéria não retornará à Câmara.
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