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Vermelho, 24 de agosto de 2009
Entidades se mobilizam pela aprovação
da jornada de 40 horas
As entidades sindicais estão programando mobilizações
esta semana na Câmara em favor da aprovação da
Proposta de Emenda Constitucional que reduz para 40 horas a jornada
de trabalho semanal.
A PEC está na pauta para votação em plenário
e o assunto já foi discutido em audiências públicas
com empregados e empregadores na comissão-geral criada para
tratar do tema.
De acordo com a Força
Sindical, no ano passado os trabalhadores da área farmacêutica
foram a primeira categoria a reduzir coletivamente a jornada de trabalho,
que caiu para 36 horas semanais, a exemplo do que já ocorre em
alguns setores da indústria, cujas atividades exigem longos intervalos
de folga.
Para o presidente da Força
Sindical, Paulo Pereira da Silva, a redução da jornada
de trabalho semanal de 44 para 40 horas permitirá a geração
de 2 milhões de empregos, com elevação de 1,9%
no custo das folhas de pagamento. Ele destaca que "é um
percentual pequeno, uma vez que os ganhos que elas [categorias] tiveram
nos últimos anos foram muito compensadores. A produtividade no
Brasil, de 2002 para cá aumentou em 27%", argumenta o sindicalista.
No último dia 14, a Força
Sindical promoveu em várias capitais a Jornada Nacional Unificada
de Lutas, com o apoio de outras entidades de representação
dos trabalhadores, movimentos populares e estudantis. A redução
da jornada semanal de trabalho figurou entre as principais reivindicações.
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Gazeta do Povo, 24 de agosto
de 2009
Tecnologia
Vem aí a cobrança sem papel
O Débito Direto Autorizado vai substituir
os boletos de papel por comandos eletrônicos. Opção
estará disponível daqui a dois meses
Dentro de dois meses, uma nova
forma de pagar as contas de pessoas físicas e jurídicas
estará disponível no mercado: o sistema da Câmara
Interbancária de Pagamentos (CIP) começará oficialmente
a emitir Débito Direto Autorizado, ou simplesmente DDA. Esse
está sendo considerado um primeiro passo no caminho para eliminar
o boleto bancário da forma que se conhece hoje – e que,
nos anos 90, representou a primeira “revolução”
no sistema de pagamentos.
Apesar da proximidade do nome,
o novo sistema não tem nada a ver com o serviço de débito
automático de faturas. O DDA prevê que, em vez de receber
as cobranças na porta de casa, o cliente bancário as tenha
disponíveis no sistema eletrônico da CIP, diretamente vinculado
ao seu CPF ou CNPJ, e poderá acessá-las pelos meios bancários
normais – internet banking, auto-atendimento físico,
telefone ou diretamente nas agências.
Com isso, em três anos,
a Federação Brasileira de Bancos (Febraban)
espera automatizar e eliminar a geração em papel de até
50% das mensalidades de planos de saúde, prestações,
faturas de cartão de crédito, financiamentos de casas
e veículos, entre os vários outros tipos que fazem parte
do sistema de pagamento cotidiano. Em 2008, essas cobranças geraram
cerca de 2 bilhões de boletos de papel, número
que pode ser traduzido em 1 bilhão de litros de água,
46 milhões de KW/hora e milhões de quilogramas
de dióxido de carbono.
Primeiro, as empresas
Apesar de ter também
as pessoas físicas como público-alvo, existe a avaliação
de que, em curto prazo, o novo sistema vá beneficiar diretamente
as empresas – até porque relação de serviços
bancários entre pessoas jurídicas é muito grande
em comparação à pessoa física. A diretora
de Produtos Empresariais do Itaú Unibanco, Sandra Boteguim, diz
que no primeiro momento o DDA será um produto voltado principalmente
para grandes empresas pagadoras (consumidoras de serviço), mas
também afeta diretamente a indústria e o comércio
de modo geral pela afinidade que os setores de contabilidade já
detêm com os sistemas bancários eletrônicos.
“Estimamos que praticamente
9 em cada 10 empresas resolvem suas transações bancárias
direto por meio eletrônico. Elas devem sentir primeiro a infinidade
de vantagens do DDA. Nas apresentações que temos feito,
quase todos os empresários aderem logo em seguida – o sistema
não tem muito segredo, é apenas a evolução
natural dos serviços bancários. O sistema financeiro ficará
melhor em qualidade e em velocidade”, diz. Segundo Boteguim, que
integra o comitê gestor de infraestrutura do sistema, hoje o fluxo
de cobrança desde a emissão dos boletos pelo cedente até
a chegada ao sacado dura de 5 a 8 dias, incluindo o período de
postagem. A partir do DDA, esse ciclo comercial pode ser reduzido para
dois dias.
Para o DDA chegar à pessoa
física, o professor de Gestão em Tecnologia da Informação
da Veris IBTA, faculdade do Grupo Ibmec Educacional, Ricardo Castro
diz que o gargalo é parecido com o que se tem hoje no acesso
ao serviço bancário via celular (mobile banking). “Desde
2003 esse serviço está disponível, hoje há
como operar na Bolsa de Valores de Nova Iorque diretamente do telefone.
Mas na verdade poucas pessoas usam esse serviço, ao mesmo tempo
que são poucos (e caros) os aparelhos que permitem a instalação
de aplicativos para isso”, diz.
Por isso, ele enxerga a tendência
de que o novo sistema alcance primeiro as classes A e B, que têm
mais acesso à tecnologia e maior educação para
lidar com ela. Ele admite que é preciso um tempo para a adaptação,
no entanto ressalta que a tal educação tecnológica
está evoluindo bem na sociedade. “O próprio cartão
de crédito sofreu preconceito durante muito tempo”, diz,
lembrando que hoje o dinheiro de plástico já está
mais concentrado nas mãos da classe C. Mesmo entre as pessoas
mais maduras há quem já se desprendeu da necessidade de
um boleto impresso no papel e das filas de banco. “Hoje a geração
que está com 40 anos já têm desenvoltura para usar
internet banking e aceitar as demais facilidades tecnológicas”,
diz.
Exceções
Nem todos os tipos de boleto
ganharão sua versão eletrônica nesta primeira etapa
de implantação do DDA. As cobranças de concessionárias
de serviços públicos e de tributos demandam uma integração
de mais entidades no sistema. “Organizar informações
de prefeituras e governos é complicado. Partimos do princípio
de que ‘o bom é inimigo do ótimo’ para lançar
o sistema sem as concessionárias e os tributos, porque senão
corríamos o risco de inaugurá-lo só em 2012. No
futuro, o leque pode ser ampliado”, diz a diretora do Itaú
Unibanco, Sandra Boteguim.
Também ficarão
de fora neste momento os chamados documentos de “cobrança
sem registro”, que no jargão bancário representa
aqueles boletos feitos pela própria empresa, sem ser encaminhados
aos bancos e distribuídos pelos correios. É o caso de
escolas ou condomínios, por exemplo, que elaboram o próprio
boleto e o distribuem diretamente ao condômino ou ao estudante.
“Esses pequenos clientes devem demorar mais para perceber as funcionalidades
e migrar para o DDA”,

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FOLHA DE LONDRINA, 24 de agosto
de 2009 | Política
Pouco mais da metade dos municípios
do Brasil tem bom IDH
Rio - Pouco mais da metade dos
municípios do Brasil conseguiu ultrapassar a linha do que é
considerado alto e moderado desenvolvimento humano, mas a conquista
está mais ligada ao ritmo do crescimento da economia antes da
crise econômica do que a políticas estruturais em educação
e sa© úde. O Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal
(IFDM) identificou crescimento de quase 3,5% na avaliação
do País entre 2005 e 2006.
O incremento foi puxado pela
expansão de quase 10% no fator que avaliou a geração
de emprego e renda em 2006, ano em que a economia cresceu 4%. Houve
recuo na educação (-0,9%) e avanço modesto em saúde
(1,6%), os outros dois fatores que constituem o indicador.
Elaborada pela Federação
das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) pelo segundo ano consecutivo,
a avaliação mede o desenvolvimento das cidades numa escala
que vai de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, melhor é a
avaliação. O índice foi elaborado para suprir a
falta de um indicador anual nos moldes do Índice de Desenvolvimento
Humano Municipal (IDH-M), da Organização das Nações
Unidas (ONU), que só é publicado a cada dez anos.
O resultado divulgado este ano,
referente a 2006, indica o crescimento da média brasileira de
0,7129 para 0,7376 em um ano, elevando de 48,9% para 50,6% o porcentual
de cidades acima do patamar de 0,6. Em 2000, ano de referência
da pesquisa, esse grupo não chegava a 1/3 dos municípios
e o índice nacional era de 0,5954, na faixa de desenvolvimento
''regular''.
A pesquisa indica que o País
acelera o passo em direção ao alto desenvolvimento (acima
de 0,8), mas o resultado reflete a geração de empregos
formais e o aumento da renda, que dependem de fatores conjunturais.
Já saúde e educação, que refletem de forma
mais consistente o impacto de políticas públicas para
a qualidade de vida, contribuíram menos.
''Esperávamos mais estabilidade
em saúde e educação porque são variáveis
mais estruturais, que levam mais tempo para mostrarem avanços
mais significativos'', diz Luciana de Sá, diretora de Desenvolvimento
Econômico da Firjan.
Na saúde, o resultado
de 0,7699 indica evolução lenta. O crescimento foi mais
expressivo nas regiões mais pobres, resultado que Luciana atribui
à expansão do investimento na atenção básica
de saúde, à influência do Bolsa-Família e
às campanhas de vacinação e pré-natal.
Municípios
São Caetano do Sul (SP)
lidera o seleto grupo de 232 municípios (4,2% dos 5.560 analisados)
que gozam de alto desenvolvimento (acima de 0,8). A cidade alcançou
índice de 0,9524, seguida das paulistas São José
do Rio Preto (0,9812) e Indaiatuba (0,9177). Dos 100 melhores municípios,
81 são paulistas. Na outra ponta, Santa Luzia (BA) ficou em último
(0,2928).
A pesquisa mostra que o vetor
da qualidade de vida se mantém em direção ao interior.
No ranking das 100 melhores do IFDM, apenas quatro são capitais:
Vitória, São Paulo, Curitiba e Belo Horizonte.
Alexandre Rodrigues
Agência Estado
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BEM PARANÁ, 24 de agosto
de 2009 | Política
Senado
Crise “trava” novas regras
para eleições de 2010
Senado tem pouco mais de um mês para votar
mudanças na lei eleitoral aprovada na Câmara
Antônio França
A pouco mais de um mês
para o fim do prazo para criação de regras para as eleições
de 2010, já que a legislação determina que mudanças
devem ocorrer 12 meses antes do pleito, não existe clima para
votação no Senado. Com a crise que envolvendo o presidente
da Casa, José Sarney (PMDB/AP), dificilmente os senadores conseguirão
discutir o projeto já votado na Câmara dos Federal. Neste
clima, pesa ainda desfavoravelmente à votação,
o fato da base governista ter tido baixa de pelo menos dois senadores,
com a saída de Marina Silva, que trocou o PT pelo PV, e a insatisfação
do senador petista e paranaense Flávio Arns, publicamente descontente
com os rumos do PT.
O senador Alvaro Dias (PSDB), pré-candidato ao governo do Estado,
acredita que haverá tempo para as medidas serem votadas em plenário,
caso as comissões analisem com rapidez o projeto votado na Câmara
dos Deputados. Porém, ele critica o teor do projeto aprovado
pelos parlamentares. “É uma proposta literalmente de reforma
eleitoral e não uma reforma política como a sociedade
deseja. Não se discutiu financiamento público de campanha,
propostas para acabar com o caixa dois e a regras para proibir o uso
do pode econômico. Isso desequilibra o processo”, avalia
o tucano. O senador afirma que discorda de todo o conteúdo votado
pela Câmara e prevê muitas alterações no Senado.
“E se mudarmos o texto, o projeto volta para análise dos
deputados. Aí, não haverá tempo para que a lei
seja aplicada já para as eleições de 2010”,
previu.
Alvaro afirma ainda que, além da crise envolvendo o presidente
Sarney, a pauta do Senado ainda está trancada por medidas provisórias
em tramitação. Na pauta, as medidas provisórias
têm prioridade sobre os demais projetos, mesmo sendo de natureza
urgente, como a reforma eleitoral. “Isso me preocupa e deixa os
senadores em uma situação deliciada. Não sabemos
se é melhor que as regras sejam impostas pelo Judiciário,
baseado em leis antigas e atrasadas, ou se aprovamos um texto cheio
de falhas”, diz Alvaro. Para o tucano, o projeto vem “fantasiado”
de reforma política, mas trata apenas de regras, sem se aprofundar
em temas que acabem com a corrupção durante e depois do
processo eleitoral.
Segundo informações oficiais do Senado, a intenção
é votar as novas regras até o final de setembro. Antes,
uma comissão especial deve elaborar um relatório sobre
o tema.
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FOLHA DE LONDRINA, 24 de agosto
de 2009 | Política
Planalto vai liberar emendas para conter
rebelião na base
Brasília - Na tentativa
de conter a rebelião dos partidos da base na Câmara, o
governo deve autorizar a liberação de emendas do Orçamento
de 2009 nesta semana. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
discutiu o assunto com o ministro José Múcio Monteiro
(Relações Institucionais) e pediu a elaboração
de um cronograma para o pagamento de emendas individuais, que somam
R$ 6 bilhões.
O governo, no entanto, não
deve liberar as chamadas emendas de bancada por causa da queda na arrecadação,
que estaria R$ 13 bilhões abaixo do Orçamento.
Articulador político
do governo com o Congresso, Múcio afirmou que a liberação
das emendas teve um desempenho menor do que em 2008 por causa da crise
internacional.
''O desempenho da liberação
em comparação ao ano passado é diferente. Não
podemos comparar economia de 2008 com a de 2009. Ainda sofremos reflexo
da crise. Agora, estamos empenhados para cumprir com o que os deputados
têm de direito'', disse.
A insatisfação
dos governistas - principalmente entre parlamentares do PMDB, PR e PP
- tem refletido nas votações. Desde que voltou do recesso,
os parlamentares votaram uma medida provisória, um projeto de
lei, um projeto de resolução e sete acordos internacionais.
Márcio Falcão
Folhapress
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Gazeta do Povo, 24 de agosto
de 2009
Súmula Vinculante nº 13
Combate ao nepotismo fracassa
Exceção aberta pelo STF para a
contratação de parentes a cargos políticos virou
regra no Paraná
Um ano após o Supremo
Tribunal Federal (STF) editar a súmula vinculante contra o nepotismo
nos três poderes, a exceção aberta pelos ministros
para a contratação de parentes em cargos políticos
está mostrando ser a regra no Paraná. A Gazeta do Povo
fez um levantamento, que apontou 64 municípios em que prefeitos
contrataram familiares para postos de primeiro escalão, o que
é permitido pela Súmula Vinculante n.º 13 (veja tabela
ao lado). Este número representa 16% das cidades paranaenses.
Pela decisão do STF publicada
no dia 20 de agosto do ano passado, a contratação de familiares
de autoridades públicas, sem concurso público, ficou proibida,
exceto para os chamados cargos políticos (ministros, secretários
estaduais e municipais). A partir dessa “brecha”, políticos
começaram a realocar parentes que antes encontravam-se em cargos
de segundo escalão (em diretorias e funções de
assessoramento) para cargos de secretários, entre eles, o governador
Roberto Requião (PMDB).
Após a edição
da Súmula n.º 13, o governador exonerou a esposa, Maristela,
do cargo de assessora especial e a transformou em secretária
especial, para continuar a exercer a mesma função de antes
– dirigir o Museu Oscar Niemeyer. Já o irmão de
Requião, Eduardo, primeiro foi alçado à condição
de secretário de Transportes, para logo em seguida ser designado
para a Secretaria Especial de Representação do Paraná
em Brasília.
Essa estratégia foi usada
por prefeitos do Paraná. Em Prudentópolis, por exemplo,
a súmula acabou permitindo que o prefeito Gilvan Agibert (PPS)
pudesse nomear a esposa, Jeanne Maria Agibert, para a pasta de Promoção
Social. Antes da súmula, a cidade tinha legislação
municipal vetando todas as formas de contratação de parentes.
Mas como a decisão do STF é menos restritiva que a lei
local, a prática de contratação de parentes voltou
a ocorrer.
Já em Curitiba, o prefeito
Beto Richa (PSDB) recontratou o irmão, José Richa Filho,
para o cargo de secretário de Administração e a
esposa, Fernanda, para o cargo de presidente da Fundação
de Ação Social. Ambos haviam sido exonerados no período
eleitoral, no meio do ano passado, para trabalhar na campanha de Richa.
Tanto Fernanda quanto José Richa Filho eram, na época,
réus numa ação movida pelo Ministério Público
contra a prefeitura, a fim de acabar com o nepotismo no âmbito
municipal. Como foram exonerados, os dois deixaram de ser réus.
Porém, com a reeleição
do tucano, os dois voltaram a seus antigos cargos. Embora José
Richa Filho tenha sua situação respaldada na súmula,
o caso de Fernanda é incerto, pois a decisão do STF só
permite parentes contratados para cargos de secretários. A nomeação
da primeira-dama foi feita com base em um parecer da procuradoria da
prefeitura de Curitiba, que considerou que o cargo ocupado por ela tem
o mesmo “status” de secretário municipal. Segundo
o Ministério Público, embora Fernanda Richa não
esteja mais figurando entre os réus da ação movida
contra a prefeitura, o órgão pedirá que a Justiça
se pronuncie sobre o caso, já que a instituição
pede o fim do nepotismo em toda a administração pública.
Vices nepotes
Além de usar a brecha
da Súmula Vinculante n.º 13, em alguns municípios
agentes públicos têm contratado parentes de vice-prefeitos.
Embora não haja proibição expressa na súmula
a esse respeito, alguns especialistas no assunto, como o presidente
da Associação dos Magistrados Brasileiros, juiz Aírton
Mozart Valadares, afirmam que tal prática não é
permitida (leia matéria na página 15).
Em pelo menos quatro municípios
– Cambé, Cantagalo, Guaíra e Itaipulândia
– vice-prefeitos têm parentes empregados na administração
municipal. Em Cambé, a vice-prefeita é Maria Aparecida
Pascueto (PSDB) e a filha dela, Ângela Pascueto Amaral, é
secretária de Ação Social. A mesma situação
ocorre em Itaipulândia, onde a vice-prefeita, Maria Odete Zinn,
tem a filha, Cleci, como secretária de Saúde. Já
em Cantagalo, o vice Elivar Correa tem a sobrinha Ivone empregada como
secretária de Educação, enquanto que, em Guaíra,
a vice Maria da Venâncio da Silva tem o cunhado como secretário
de Administração.
Colaboraram: Daniel Costa, Dirceu
Portugal, Fabiula Wurmeister, Luiz Carlos da Cruz, Maria Gizelle da
Silva, Marco Martins, Marcos Paulo de Maria, Maurício Borges
e Osmar Nunes.

Ação
contra o estado está parada há 10 meses
A ação movida pelo Ministério Público contra
o nepotismo no governo do Paraná está paralisada há
dez meses, desde que a procuradoria do estado retirou o processo da
1.ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba para consulta. A
documentação foi retirada em 15 de outubro do ano passado
e ainda não foi devolvida à Justiça. Por duas vezes
o Ministério Público encaminhou ofício à
1.ª Vara da Fazenda pedindo que o estado devolvesse o processo.
A primeira foi em 2 de dezembro de 2008. A segunda, em 6 de agosto deste
ano.
Na ação contra
o estado, o MP pede que sejam exonerados parentes do governador e de
secretários que estejam em cargos de comissão na administração
pública até terceiro grau. Com a Súmula Vinculante
n.º 13, entretanto, os dois parentes do governador Roberto Requião
(PMDB) que estão em cargos políticos – a esposa,
Maristela, e o irmão Eduardo – podem permanecer nas respectivas
funções de diretora do Museu Oscar Niemeyer e de secretário
do escritório de Representação em Brasília.
Segundo o procurador-geral do
estado, Carlos Frederico Marés, o processo foi retirado depois
que o juiz Marcel Rótoli de Macedo pediu informações
sobre parentes de autoridades públicas que possam estar trabalhando
na administração do governo Roberto Requião. “Não
devolvemos porque precisávamos buscar as informações
pedidas pelo juiz com as secretarias”, afirmou Marés. Ele
disse que solicitou aos procuradores responsáveis que agilizem
a devolução.
Marés disse ainda que
não é uma orientação do governo do estado,
nem da procuradoria-geral, dificultar o andamento da ação.
“Como o pedido não tem prazo para ser cumprido e a ação
não tem grande importância para o estado, os procuradores
deram prioridade a outros processos.” (RD)
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Vermelho,
24 de agosto de 2009
Domésticas querem reconhecimento
da profissão pela OIT
A presidente da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas
(Fenatrad), Maria Creusa Oliveira, ressaltou que a legalização
profissional da categoria, além de garantir direitos sociais, dará
às domésticas maior poder de mobilização.
Trabalhadoras domésticas de todo o país deram neste fim
de semana, em Brasília, o primeiro passo para acelerar o processo
brasileiro de reconhecimento profissional da categoria.
Em um encontro que reuniu representantes de
todo o país, além de trabalhadoras de países das
Américas do Sul e Central, as lideranças estaduais preencheram
um questionário enviado pela Organização Internacional
do Trabalho (OIT) para saber quais suas principais reivindicações.
Entre elas, está o reconhecimento legal da profissão.
Esses relatos e o posicionamento do governo
brasileiro, servirá de base para que lideranças de todo
o mundo discutam o assunto, em junho do ano que vem, na reunião
da OIT, em Genebra. A presidente da Federação Nacional
das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad), Maria Creusa Oliveira,
ressaltou que a legalização profissional da categoria,
além de garantir os direitos sociais usufruídos por todos
os trabalhadores legalizados, dará as domésticas maior
poder de mobilização uma vez que terão direito
de se organizar em sindicatos reconhecidos com a possibilidade de participar,
por exemplo, dos recursos do imposto sindical.
“Se tivéssemos os sindicatos reconhecidos,
a gente estaria direto em Brasília para pressionar esses políticos
a votarem os projetos que estão parados no Congresso por falta
de vontade política”, disse Maria Creusa. Ela acrescentou
que a categoria não tem dinheiro para deslocar-se com frequência
a capital para negociar suas reivindicações com o governo
e o Congresso."
Nesse sentido, o papel das discussões
preliminares sobre as reivindicações que a categoria pretende
levar à OIT é de fundamental importância. As trabalhadoras
domésticas propõem que, na reunião de 2010, a organização
não apenas recomende aos países-membros o cumprimento
dos direitos das domésticas mas, sim, ratificados por meio de
uma convenção.
A representante da organização
no encontro, Márcia Vasconcelos, destacou que, quando um país
ratifica uma convenção internacional, o tratado passa
a ter força de lei. “O conteúdo [da proposta a ser
levada para a reunião de 2010] ainda vai ser definido. A OIT
encaminhou questionários para o governo e confederações
de trabalhadores para avaliar as opiniões.”
Levantamentos feitos pela OIT e o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) afirmam que o Brasil
tem cerca de 8 milhões de trabalhadores domésticos, a
maioria formada por mulheres. Do total, apenas 1,8 milhões tem
Carteira de Trabalho e Previdência Social.
Apesar da mobilização na busca
por seus direitos há mais de 70 anos, as domésticas até
hoje convivem com problemas como o trabalho infantil e a exploração
sexual, indicam os levantamentos.
A estimativa é de que a exploração
de mão de obra infantil na profissão, chegue a 470 mil
meninas em todo o Brasil. Além disso, o não reconhecimento
profissional da categoria retira o acesso das domésticas ao Fundo
de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e a benefícios
previdenciários como o pago em caso de acidente de trabalho.
A coordenadora-geral do Sindicato das Trabalhadoras
Domésticas de Campinas (SP) e diretora da Confederação
Nacional dos Trabalhos de Comércio e Serviços, Regina
Teodoro, afirmou que em seu município, a cada 20 domésticas
atendidas diariamente pelo sindicato, pelo menos duas têm problemas
de acidente de trabalho e de saúde de trabalho que não
são reconhecidos pelo governo.
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FOLHA DE LONDRINA, 24 de agosto de 2009 |
Cidades
Multas pesadas contra trabalho escravo
Proposta é de coordenador de oficina
para juízes; especialista sugere ainda medidas para reinserção
de pessoas resgatadas
Curitiba- O trabalho escravo
não pode ser visto de forma pontual. É preciso perceber
que o problema está interligado com a sociedade inteira. Mostrar
essa visão foi o objetivo da oficina sobre trabalho escravo para
juízes, no Tribunal Regional do Trabalho, da 9 Região,
realizado em Curitiba.
De acordo com um levantamento
feito pela ONG Repórter Brasil, em parceria com o Ministério
do Trabalho, 3% (521) de 17.318 mil trabalhadores libertados, entre
2003 e 2008, nasceram no Paraná, e 1,7% (294) deram o Estado
como local de sua residência. Os números são baseados
nas informações do seguro-desemprego, alicerce da pesquisa
da ONG. Desde 2003, pessoas resgatadas de condições degradantes
passam a receber o benefício.
''Se continuarmos apenas com
a repressão não estaremos dando o estímulo correto
ao mercado'', afirmou o juiz paulista Marcus Berberino, coordenador
da capacitação. A ideia de ''estímulo correto''
apresentada aos juízes é mostrar a eles que punições
mais rigorosas a empregadores flagrados com trabalhadores escravizados
em suas áreas são necessárias, como o aumento no
valor das multas.
''É preciso elevar as
sanções. Bancos públicos se comprometerem a não
financiar empregadores que estão na 'lista suja''', exemplificou
o secretário-executivo da Comissão Nacional de Erradicação
do Trabalho Escravo, órgão ligado ao Governo Federal,
José Guerra.
Há duas fazendas na ''lista
suja'' da fiscalização no Paraná. As regiões
das das áreas não foram divulgadas. Entretanto, segundo
o coordenador da ONG Repórter Brasil, o jornalista Leonardo Sakamoto,
Cerro Azul (97 km ao norte de Curitiba) e Irati (135 km ao norte de
União da Vitória) estão na lista da Comissão
Pastoral da Terra de municípios onde há mais casos de
resgate de trabalhadores em condições análogas
a escravidão. A primeira está em 42 posição
e a segunda está em 54 na lista onde há 439 cidades do
País.
No Paraná, entre 1995
e 2008, de acordo com Sakamoto, 673 pessoas foram libertadas. Em 2007,
foram 129 e, em 2008, 398. ''Não quer dizer que está aumentando
o trabalho escravo. Pode significar que aumentou a fiscalização'',
disse o jornalista. No Brasil inteiro foram libertados 35 mil pessoas
no mesmo período.
As cidades em que há
mais registros do resgate são as paraenses Félix do Xingú,
Marabá e Dom Eliseu. Essa relação não é
um ranking onde há mais incidência de trabalho escravo.
Para acabar com essa exploração,
segundo Guerra, há fiscalizações pelo Brasil inteiro,
realizadas pelo Ministério Público do Trabalho (MPT),
Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Polícia Federal
(PF). Contudo, Guerra e Barberino acreditam que outra ponta da luta
contra a escravidão é a reinserção das pessoas
resgatadas, além de mais rigor nas sanções, fiscalização
e mudança do mercado. ''No Pará, um juiz reverteu a multa
do empregador para a criação de um centro de reintegração
de egresso da escravidão'', contou Guerra.
Escravidão contemporânea
Segundo Guerra e Barberino,
a escravidão hoje não está ligada à perda
da liberdade como a história relata, mas sim com a perda da dignidade.
O perfil do trabalhador explorado é homem, com 18 a 44 anos,
em pleno vigor físico e com educação pequena ou
zero. As características principais da escravidão são
o trabalho forçado, jornada de trabalho muito longas e a degradação.
''Mas há ainda aqueles que trabalham obrigados por dívidas'',
enfatizou.
Diego Ribeiro
Equipe da Folha
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BEM PARANÁ, 24 de
agosto de 2009 | Paraná
Agilidade
Justiça do Trabalho inaugura primeira
vara digital
21ª VT de Curitiba funcionará como
laboratório para a efetiva implantação de outras
duas varas digitais
Redação Bem Paraná
Será inaugurada nesta segunda-feira (24), às 17 horas,
a 21ª Vara do Trabalho de Curitiba - primeira com funcionamento
eletrônico na Justiça do Trabalho do Paraná. A solenidade
ocorrerá na Avenida Vicente Machado, 147, 9º andar.
A 21ª VT de Curitiba funcionará
com o conceito de laboratório e servirá de base para a
efetiva implantação de outras duas varas digitais, também
em Curitiba, em 30 de setembro. "A vara piloto funcionará
inicialmente com a distribuição de poucos processos, para
que consigamos nos adaptar ao novo sistema e desta forma nos preparar
para o ritmo normal de uma unidade judiciária a partir de setembro",
informa o coordenador da implantação das varas digitais
na Justiça do Trabalho do Paraná, juiz Bráulio
Gabriel Gusmão.
Segundo o magistrado, a implantação
das varas digitais trará "melhorias na celeridade, eficiência
e eficácia da prestação dos serviços da
Justiça".
Para as Varas do Trabalho digitais
serão distribuídos somente processos novos ingressados
no Serviço de Distribuição. "As petições
e os documentos que ainda forem recebidos em papel serão digitalizados,
para que o processo tramite apenas em meio eletrônico", explica.
A atuação nos
processos e consulta do seu conteúdo exigirá utilização
da certificação digital, que garante a segurança
e a confiabilidade do sistema. Para isso, o advogado ou qualquer outro
usuário dos serviços judiciários deverá
requerer sua assinatura digital junto a um órgão emissor
do certificado.
O Instituto Nacional de Tecnologia
da Informação (ITI), autarquia federal vinculada à
Casa Civil da Presidência da República, é o responsável
por credenciar esses órgãos para fornecer os certificados.
A lista das autoridades certificadoras pode ser consultada no site www.iti.gov.br.
Sem a certificação,
a consulta ao processo deverá ser feita diretamente na secretaria
da Vara do Trabalho e as petições, protocoladas diretamente
no Fórum. "O advogado que não possui certificação
digital deverá ir até a Vara com a petição
e esta será digitalizada por nossos servidores e incluída
no processo. Ele também continuará tendo acesso às
informações do processo no balcão da vara, mas,
em vez de consultar os autos em papel, o fará em arquivo digital
no formato PDF", explica o presidente da Comissão de Informática
do Tribunal Regional do Trabalho do Paraná (TRT-PR), desembargador
Sérgio Murilo Rodrigues Lemos.
O magistrado lembra que, embora
seja possível ao advogado dar continuidade ao processo eletrônico
levando suas petições para digitalização
na Vara do Trabalho, as vantagens que o processo eletrônico traz,
como a possibilidade de protocolo das petições até
a meia-noite, facilidade de executar o trabalho sem sair de casa ou
escritório, além da contribuição à
agilidade da Justiça, só serão consolidadas com
a utilização do sistema.
Para informar sobre o funcionamento
das varas digitais, o Tribunal Regional do Trabalho está realizando
desde julho encontros com advogados, juízes e servidores, além
de programar palestras informativas, no auditório da Escola Judicial,
que fica no anexo ao prédio do Fórum Trabalhista de Curitiba.
As palestras serão encontros breves que poderão ser assistidas
por advogados e quaisquer interessados.
Desenvolvimento
Para desenvolver o sistema,
técnicos e magistrados do Regional paranaense foram buscar experiências
de outros órgãos que adotaram o novo procedimento, como
os Juizados Especiais - Projudi, do Foro da Justiça Estadual
na cidade de São Paulo e, no âmbito da própria Justiça
do Trabalho, no Foro de Campina Grande, na Paraíba.
Partindo dessas experiências,
foi necessária a adaptação dos sistemas já
existentes na 9ª Região (Paraná) para que o trabalho
por meio eletrônico pudesse ser viabilizado. "O atual sistema
de administração de processos da 9ª Região
foi concebido para atuar a partir da existência dos autos em papel
e seus programas destinados à execução de tarefas
para o processo, com baixo nível de automação no
seu gerenciamento.
Com a presente mudança,
o fato de os documentos que integram os autos do processo dispensarem
a impressão impôs a busca de mecanismos que permitissem
o gerenciamento das diversas atividades do processo judicial, bem como
a fácil recuperação de informações",
explica o juiz Bráulio Gusmão.
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