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Jornal do Brasil, 31 de agosto de 2009
Jornada: entidades patronais
defendem negociações por setores
"Cada caso é um caso. As metalúrgicas são
diferentes das montadoras, das operadoras de telemarketing, dos bancos.
Não tem como unificar a demanda de necessidade de mão
de obra em uma única lei. As diferenças devem ser consideradas"
As entidades que representam
os empresários, como as federações das Indústrias
dos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo (Firjan e Fiesp, respectivamente)
e a Confederação Nacional das Indústrias (CNI)
alegam que não são contra a redução da jornada
de trabalho.
O vice-presidente da Firjan,
Geraldo Coutinho, diz que os órgãos estão dispostos
a negociar de acordo com as necessidades dos setores.
"Cada caso é um
caso. As metalúrgicas são diferentes das montadoras, das
operadoras de telemarketing, dos bancos. Não tem como unificar
a demanda de necessidade de mão de obra em uma única lei.
As diferenças devem ser consideradas", explica Coutinho.
O diretor de Relações
Institucionais da CNI, Marco Antonio Guarita, ressalta que a generalização
é o defeito da PEC.
"A proposta mistura grandes
e pequenas empresas no mesmo saco. E cada segmento tem as suas características",
afirma.
Mas a economista do Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
(Dieese), Ana Cláudia Moreira, explica que é institucional
ter uma legislação trabalhista diferenciada por setores.
"Como um trabalhador vai
ter determinados benefícios e outros não?", indaga
a economista.
"Eles possuem o mesmo direito
tanto na pequena quanto na grande empresa".
Além disso, a economista
diz que dados da CNI mostram que os salários correspondem a 22%
do custo de produção de uma indústria, ou seja,
"é possível reduzir a jornada e contratar mais mão
de obra, já que o que define a produção de uma
empresa, de fato, é a capacidade de investimento e financiamento".
"Não é a
jornada de trabalho que mantém uma empresa viva, mas a capacidade
de atingir metas em um determinado período", destacou Ana
Cláudia.
Mesmo com mais argumentos a
favor, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) está disposta
a negociar com os empresários, porém o presidente da entidade,
Arthur Henrique, diz que os líderes das companhias estão
dificultando um possível acordo.
"O empresário precisa
entender que a redução também é benéfica
para ele, porque a disposição de trabalho vai aumentar
e o número de acidentes tende a diminuir. Mas eles usam o mesmo
argumento de 21 anos atrás de aumento de custo de produção
e informalidade, quando na Constituição de 1988 foi definida
a carga horária legal de trabalho de 44 horas", destacou
o presidente da CUT.
O vice-presidente da Firjan
argumenta que os sindicatos consideram a jornada legal de traballho.
Mas Geraldo Coutinho afirma
que a carga horária média efetiva do trabalhador brasileiro
é de 41,6 horas semanais.
Para comprovar o impacto da
aprovação da PEC na economia, o diretor da CNI usa como
exemplo um estudo da Câmara Brasileira da Indústria da
Construção (Cbic), que prevê aumento de 5% de uma
casa do programa "Minha Casa, Minha Vida", no Mato Grosso
do Sul e de 12% da mão de obra.
"Isso significa que a meta
de 1 milhão de casas corre o risco de não ser atingida,
já que será o mesmo orçamento para custos maiores",
ressaltou.
O relator da PEC acredita que
a primeira votação da proposta na Câmara ocorrerá
em setembro.
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O ESTADO DO PARANÁ,
31 de agosto de 2009 | Política
Deputado é contra a redução
da jornada de trabalho
Redação
O deputado federal Marcelo Almeida (PMDB-PR) anunciou que é contra
a redução da jornada de trabalho no Brasil, como prevê
a Proposta de Emenda Constitucional (PEC), que está na Câmara
dos Deputados. Almeida acha que o corte na jornada não vai gerar
novas vagas de trabalho no País.
"A proposta parte
de pressuposto equivocado! As empresas não vão contratar
mais para manter a produtividade. Ao contrário, a proposta vai
elevar os custos fixos do emprego e onerar a admissão de novos
trabalhadores. O resultado será inverso ao desejado", opinou
Almeida.
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O ESTADO DO PARANÁ,
31 de agosto de 2009 | Economia
Sem crise no mercado de trabalho da construção
civil
Helio Miguel
Arquivo
Redução da informalidade no setor também ajuda
melhorar os números.
Se o setor da construção
civil de Curitiba já vinha dizendo que não passava mais
por nenhuma crise, os números vêm confirmando o discurso.
Pelo menos no que se refere aos dados do emprego formal.
Em julho, o saldo de postos
de trabalho (o número de trabalhadores admitidos menos os demitidos)
na área foi de 311 vagas, crescendo 0,90% em relação
a junho. O estoque de postos, de 34.455, é o maior já
registrado desde janeiro de 2005, superando dois picos seguidos, atingidos
em maio e junho.
Os dados, obtidos com base no
Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério
do Trabalho e Emprego (MTE), foram compilados pelo Observatório
do Trabalho e divulgados ontem pela Secretaria Municipal do Trabalho
e Emprego (SRTE) de Curitiba. O aumento de julho, resultado de 2.943
admissões e 2.632 desligamentos, demonstram, para a SRTE, um
"aumento expressivo" no setor.
Segundo o vice-presidente da
área de Política e Relações de Trabalho
do Sindicato da Indústria da Construção Civil no
Estado do Paraná (Sinduscon-PR), Euclésio Finatti, o setor
tem trabalhado forte para a diminuição da informalidade,
e os resultados estão aparecendo. Ele projeta que o emprego no
segmento, no segundo semestre, deve continuar com números positivos.
"Temos dois pontos a favor
este ano: os investimentos para obras públicas por causa das
eleições do ano que vem, e as linhas de crédito
que estimulam os empreendimentos imobiliários", analisa,
lembrando que a demanda por obras menores, como a construção
de casas ou mesmo pequenas reformas, também vem aumentando.
O otimismo do setor não
para por aí. Finatti aposta que, mesmo em novembro e dezembro,
quando tradicionalmente ocorrem mais demissões do que contratações,
o saldo do emprego deve ser positivo.
Desde 2005, os dois últimos
meses de cada ano apresentaram saldos negativos. "As obras estão
em andamento. Não há nada parando ou terminando. Na pior
das hipóteses, o saldo será zero", prevê.
Os dados do Observatório
do Trabalho mostram que, no acumulado de 2009, o saldo de novas vagas
na construção civil, em Curitiba, ficou em 2.225 postos
de trabalho.
Já no acumulado dos últimos
12 meses, o saldo é menor: 1.005 empregos formais. Nos 12 meses
imediatamente anteriores, o saldo tinha sido de 4.707 vagas.
Em julho, os subsetores
da construção civil que tiveram os melhores resultados
em Curitiba foram a construção de rodovias, ferrovias,
obras urbanas e obras de arte especiais, com 194 novas vagas, e incorporação
de empreendimentos imobiliários, com 82 vagas.
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O ESTADO DO .PARANÁ,
31 de agosto de 2009 | Economia
Produção da indústria
brasileira dá sinais contraditórios
Agência Estado
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará
nesta segunda-feira (dia 31) os dados da produção industrial
de julho. Tudo aponta para uma queda em relação ao mesmo
mês do ano passado. Já na comparação com
junho, os indicadores mostram sinais contraditórios. Há
casos de queda, de alta e até de estabilidade. Os positivos,
porém, predominam.
"Os sinais são contraditórios
porque os setores estão reagindo de forma heterogênea aos
efeitos da crise, mas estamos em recuperação, ainda que
com alguns riscos", disse o ex-secretário de Política
Econômica e sócio da MB Associados, José Roberto
Mendonça de Barros.
A tendência de alta na
produção industrial parece mais forte, até mesmo
pela magnitude das variações. Por um lado, a produção
de veículos caiu 0,9% em julho em relação a junho,
de acordo com a Associação Nacional de Fabricantes de
Veículos Automotores (Anfavea).
Por outro, a produção
de aço bruto cresceu 28,5% ante o mês anterior, segundo
dados do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS). "Não
estávamos esperando a queda na produção de automóveis,
mas o aumento na produção de aço foi muito forte",
disse o coordenador do Indicador Ipea de Produção Industrial
Mensal, Leonardo Mello de Carvalho.
A Associação Brasileira
de Concessionárias de Rodovias (ABCR) registrou que o fluxo de
veículos pesados, basicamente caminhões, caiu 0,1% em
julho em relação a junho, o que pode ser considerado estabilidade.
No mesmo sentido, segundo o
IBGE, a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) detectou 9 mil postos de trabalho
em julho a mais que em junho (0,3%) na indústria no total das
seis principais regiões metropolitanas do País.
Já o Operador Nacional
do Sistema Elétrico (ONS) apurou crescimento de 1,9% na carga
de energia em julho de 2009 ante junho. Segundo o ONS, o aumento "pode
indicar uma evolução positiva com vistas à retomada
do crescimento de carga de energia em alguns setores da indústria".
Outro setor que costuma
ser observado pelos especialistas é o de papelão ondulado,
ligado às embalagens de diversos produtos. As vendas do produto
no mês passado cresceram 3,78% sobre junho em volume, segundo
a Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO).
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Portal da Copa 2014, 31 de
agosto de 2009
Copa do Mundo de 2014 pode criar
3,5 milhões de empregos no Brasil
A preparação para
a Copa do Mundo de Futebol deve transformar o país em um grande
canteiro de obras, o que permite ao setor fazer planos para reiniciar
o ciclo de crescimento interrompido em 2008 pela crise mundial.
As empresas da construção
civil já registram melhoras, e garantem que o segmento passará
por um aumento de contratações para atender à demanda.
Na avaliação dos
representantes e especialistas, a construção civil deverá
ganhar maior participação no PIB a partir do ano que vem
- até 2008, a indústria da construção representava
5,1% das riquezas do País.
"A Copa do Mundo de 2014
vai aumentar os investimentos em infraestrutura pelo menos até
o ano de sua realização, aquecendo a construção
civil em seus diversos segmentos", avalia Carlos Maurício
Lima de Paula Barros, diretor-presidente da Abemi - Associação
Brasileira de Engenharia Industrial.
Jaime Martins, diretor de recursos
humanos para a América Latina da CH2M Hill, ressalta que toda
a infraestrutura física do país será revisitada
com o objetivo de cumprir com as exigências da Fifa.
"O país vai precisar
se preparar para a realização do maior evento esportivo
do mundo e melhorar transportes, aeroportos, acomodações,
saúde, saneamento e telecomunicações, entre outros",
diz.
O otimismo das empresas tem
base no volume de investimentos prometidos para o setor, que variam
de R$ 60 bilhões a R$ 100 bilhões.
Especialistas estimam que, a
cada R$ 1 milhão em investimentos na construção
civil, são criados 58 empregos, sendo 33 empregos diretos e 25
indiretos.
Isso significaria a geração
de pelo menos 3,5 milhões de vagas. Para Barros, o crescimento
do setor deve aumentar o número de empregos principalmente em
empresas de projeto, consultoria, edificações e construção
industrial.
A expectativa dos empresários
do setor aumentou após o anúncio das 12 cidades que vão
receber os jogos da Copa e deverão se adequar às exigências
da Fifa.
"Haverá inúmeros
projetos relacionados à mobilidade urbana, aeroportos, telecomunicações,
geração de energia, saúde e outras áreas",
diz Martins.
E as beneficiadas não
serão apenas as cidades-sede. "Tais melhorias deverão
acontecer também em cerca de 200 municípios vizinhos,
que receberão seleções e, principalmente, turistas",
completa Barros.
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Agência Diap, 31 de
agosto de 2009
Governo envia projeto do Orçamento
de 2010 para exame do Congresso
O ministro do Planejamento,
Paulo Bernardo entrega, nesta segunda-feira (31), às 17h, ao
presidente do Congresso Nacional, senador José Sarney (PMDB/AP),
o projeto de lei do Orçamento Geral da União para 2010.
O deputado Geraldo Magela
(PT/DF) é o relator-geral da proposta.
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BBC-Brasil, 31 de agosto
de 2009
Brasil está apto a ser 1º
grau de investimento pós-crise, diz Moody's
O Brasil reúne as condições
necessárias para se tornar, nos próximos dias, o primeiro
país, entre os 100 países analisados pela agência
de classificação de risco Moody's, a ser avaliado como
"'grau de investimento"' desde o início da crise econômica.
É essa a opinião do analista-chefe para o Brasil da agência,
Mauro Leos. A classificação é dada a países
cujas economias são consideradas seguras para investidores. A
categoria determina se um país oferece ou não risco de
pagar seus títulos. Quanto mais elevada a classificação,
maior a propensão em atrair títulos.
Em entrevista à BBC Brasil,
Leos afirmou que, se a conclusão do comitê de avaliação
da agência for a de que o Brasil merece entrar nessa categoria
isso se dará porque "o País está apto a arcar
com choques externos, está se movendo na direção
certa e os riscos crediários que enfrenta são mais baixos
do que antes".
Outras duas agências de
risco, a Standard & Poor's e a Fitch Ratings, já haviam elevado
a classificação do Brasil para grau de investimento, no
ano passado.
Mas a Moody's, ao contrário
das duas outras, decidiu não elevar a categoria do país
no ano passado, a fim de aguardar para ver o quanto o país seria
afetado pelos efeitos da crise econômica mundial.
"'O Brasil se saiu melhor
do que o esperado. E um dos fatores decisivos para rever a classificação
do país foi a avaliação do mercado. No Brasil,
após um período crítico entre setembro e novembro,
quando houve queda da atividade econômica, o sentimento do mercado
melhorou consideravelmente", afirma Leos.
Emergentes
Segundo ele, a despeito do "declínio
abrupto do quarto trimestre de 2008, o Brasil se diferenciou de outras
economias emergentes em 2009, porque já está crescendo
a uma taxa de 4%, no terceiro trimestre, em termos anuais, um índice
que não temos visto em outros países".
Fatores como sistema bancário
sólido, balanço de pagamentos positivo e retorno do fluxo
de capitais foram determinantes para provocar a revisão da Moody's.
O analista afirma que o Brasil,
assim como outras nações afetadas pela crise, sofreu um
aumento de seu déficit fiscal e, consequentemente, da dívida
pública.
"Mas no caso do Brasil,
isso não é grande o suficiente para causar preocupação.
A posição oficial do governo é a de retomar balanços
primários consistentes com o compromisso de reduzir a dívida
pública."
De acordo com Leos, se vier
a ser de fato considerado grau de investimento pela última agência
que faltava, isso possibilitará ao Brasil contrair empréstimos
mais elevados a taxas de juros mais baixas.
A avaliação também
abrirá caminho para fundos de investimentos e os fundos de pensões
americanos que têm como critério só investir em
países que são avaliados como grau de investimento por
diferentes agências de classificação.
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Vermelho, 31 de agosto de
2009
Planos antidemocráticos de Serra
para o pré-sal?
Segundo afirma o colunista Kennedy Alencar, na Folha de S.Paulo deste
domingo (30), "o governador José Serra tem dito em conversas
reservadas que as regras propostas por Lula [para o petróleo
do pré-sal] poderão ser modificadas pelo próximo
presidente da República". Ou seja, por ele, Serra, que imaginaria
até que as regras "poderiam ser alteradas por medida provisória".
Pergunta: e onde fica a democracia?
Por Bernardo Joffily
Kennedy Alencar parece não
se dar conta – ou pelo menos não passa recibo – da
truculência da hipótese que descreveu. Se não, vejamos.
Lula pretende propor projetos
de lei: três, talvez quatro, sobre o marco regulatório
do petróleo do pré-sal. Eles tramitarão no Congresso.
Serão debatidos na sociedade – que é tudo que o
presidente quer, pois é o tipo de debate conveniente a quem pretende
eleger o(a) sucessor(a).
Já Serra (Kennedy apresenta
o tucano como "líder em todas as pesquisas sobre a sucessão
presidencial de outubro de 2010"), diz, segundo o jornalista, "que,
aprovadas as regras propostas por Lula, elas poderiam ser alteradas
por medida provisória pelo futuro presidente. Não há
decisão tomada, mas Serra cogita mudar as regras, caso seja eleito."
"O governador paulista
– prossegue Kennedy – tem simpatia pelo modelo atual".
Que Serra tenha simpatias, é
um direito. "É legítimo debater", escreve Kennedy.
Mas um debate democraticamente submetido à sociedade, à
cidadania e ao Parlamento, pode, depois de convertido em leis, ser revogado
por uma simples canetada do – autopresumido – "próximo
presidente da República"?
"É um debate legítimo",
repete Kennedy. "O atual governo e o PSDB deveriam expor claramente
quais são suas ideias sobre a forma de explorar o pré-sal.
O debate está apenas começando do ponto de vista público.
Os projetos de Lula vão sair do Palácio do Planalto para
chegar ao Congresso Nacional. É uma riqueza imensa que está
em jogo. É bom que cada ator político de peso revele suas
verdadeiras intenções."
Tudo bem, é sensato esse
raciocínio de Kennedy. Mas não "é bom"
nem democrático que um dos atores cogite de tratorar o resultado
do debate legítimo caso venha a empunhar a caneta capaz de assinar
medidas provisórias.
Compreende-se e desculpa-se
que Serra, como presidenciável da oposição, torça
o nariz para o fato do pré-sal ter sido descoberto e estar tendo
seus parâmetros de exploração no governo Lula. Afinal,
lembra Kennedy, "é uma riqueza imensa".
Mas a hora de Serra expor o
que defende para o pré-sal é agora, a partir desta segunda-feira,
31 de agosto, ou, se tiver pressa, no jantar com Lula esta noite no
Palácio da Alvorada. De qualquer modo, é junto com a sociedade
e o Legislativo. Não depois que o debate tiver se concluído.
E nunca a canetaços de medida provisória – um recurso
que em tese estaria à disposição de Lula, mas que
este descartou por respeito à necessidade de discutir da forma
mais ampla, democrática e exaustiva possível o que a nação
deve fazer com a "riqueza imensa" do pré-sal.
A proposta do governo será
lançada na forma de três projetos – um criando a
nova estatal de petróleo do pré-sal, outro alterando o
sistema de contratos que passará do modelo atual de concessão
para a partilha, e o último sobre o novo Fundo Social para gerir
e distribuir os recursos. As propostas seguirão para o Congresso
hoje mesmo, em regime de urgência constitucional, o que dá
aos parlamentares o prazo máximo de 90 dias para aprovar a matéria.
Aliados e adversários
do presidente Lula avaliam que o governo conduziu mal a negociação
da proposta. Primeiro, por não ter chamado nenhum setor para
opinar sobre o novo modelo e, segundo, por começar pressionando
o Congresso a concluir em três meses a análise e a votação
de projetos que o governo levou mais de um ano para elaborar. Além
de ficar exposto à pressão dos governadores, que exigiram,
e levaram, um tratamento “diferenciado” na partilha dos
royalties, Lula teve de enfrentar críticas até de aliados,
como o governador petista de Sergipe, Marcelo Déda.
Serra, Cabral e Hartung desembarcaram
em Brasília pouco antes das 19 horas. Antes de irem para o jantar
com Lula, no Palácio da Alvorada, fizeram uma breve reunião
no hangar da Líder Táxi Aéreo. “Vim
para ouvir, para conhecer a proposta”, disse o governador José
Serra. “Essencial para mim são os prazos para
o debate dessa proposta. Já se passaram quase dois anos desde
que o pré-sal foi anunciado e ainda existem muitas incógnitas
sobre a proposta.”
Isolamento
Ao optar por isolar-se no debate
sobre o pré-sal, o governo acabou ficando numa situação
incômoda. Nenhum dos 24 governadores que, teoricamente, serão
beneficiados com a possibilidade de mudança na distribuição
dos royalties, saiu em defesa do governo e do presidente Lula
nesse tempo todo.
Aliados e adversários
do Planalto no Congresso também reclamam da pressa do governo
em remeter ao Legislativo uma proposta que não foi debatida com
a sociedade. A 24 horas do lançamento, em plena manhã
de domingo, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e a
ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, ainda tentavam dar os retoques
finais na proposta. Segundo Lobão, o encontro ocorreu para que
fossem fechados “os últimos detalhes” do novo marco
regulatório. Mas ele próprio ainda não tinha certeza
de nada sobre o marco regulatório. “O presidente Lula deve
tomar a decisão sobre o modelo de partilha no final desta tarde”,
disse Lobão.
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Folha de S.Paulo, 31 de
agosto de 2009
Marina quer refundar PV e admite embate
com Dilma
Em ato de filiação ao partido,
senadora rechaça ideia de trégua eleitoral com o PT |
Com discurso de candidata, senadora chora ao lembrar sua saída
do PT e reconhece divergências com ministra em questões
ambientais
Lalo de Almeida/Folha Imagem
Marina, ex-ministra do Meio Ambiente, no ato de filiação
ao PV
CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL
Ao assinar ontem sua ficha de
filiação ao PV, a senadora Marina Silva (AC) condicionou
sua candidatura à Presidência ao que seus aliados chamam
de refundação ética do partido e admitiu a possibilidade
de confronto com a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) numa eventual
disputa eleitoral.
Embora tenha chorado ao lembrar sua saída do PT, Marina reconheceu
divergências com Dilma em matéria ambiental e rechaçou
a ideia de trégua eleitoral.
"Não disse que não haveria um embate", reagiu
ela, ao responder especificamente sobre o PT. "As diferenças
serão explicitadas no processo. Obviamente já tem uma
mais do que explícita, que é a questão da visão
de mundo em relação à crise ambiental", reagiu.
Marina confirmou ter protagonizado queda-de-braço com Dilma no
governo. Mas frisou que a decisão cabia ao presidente Luiz Inácio
Lula da Silva:
"Não vou me colocar aqui no lugar de vítima da ministra
Dilma Rousseff".
Segundo ela, durante a campanha são reafirmados os pontos de
vista. Daí, o confronto.
Recebida por convencionais do PV com um coro de "Brasil urgente,
Marina presidente", a senadora listou ressalvas ao governo Lula,
como a concessão de incentivos à indústria automobilística
e a frigoríficos na Amazônia sem a exigência de contrapartida.
"Já são diferenças que serão tratadas
em uma visão de país."
Ao discursar, a senadora lançou críticas sutis a Lula.
Ainda que jogue a decisão de concorrer para o ano que vem, ela
pregou a renovação política. E justificou: "É
algo que nos chama a fazer esse revezamento, de que ninguém deve
querer ser líder de tudo e querer ser líder do resto.
Isso não dá certo. E no Brasil isso está destruindo
a política... um pouco", disse ela, que ocupou por cinco
anos o Ministério do Meio Ambiente.
Mais tarde, ao ser questionada se era referência a Lula, disse
que se aplicava também a ela.
A ex-petista defendeu ainda um aperfeiçoamento do Bolsa Família.
"Não há mais espaço para a velha política
de se fazer as coisas pelas pessoas. É preciso que se faça
com as pessoas."
Refundação
Marina afirmou que o lançamento de sua candidatura dependerá
da revisão programática e a reestruturação
do PV.
"Não venho mais com a ilusão dos partidos perfeitos
que acalentei durante a juventude. Mas com a certeza de que homens e
mulheres de bem podem aperfeiçoar as instituições",
discursou ela, acolhida pelos verdes históricos como uma chance
de depuração.
Enquanto Marina evitava assumir a candidatura, o presidente nacional
do PV, José Luiz Penna, já apostava numa aliança
capaz de garantir cerca de cinco minutos de propaganda na TV. O partido
já negocia alianças com pequenos partidos, inclusive o
PDT, sendo que a conversa está mais adiantada com PSC, PSOL e
PMN.
Antes mesmo de assinar a ficha de filiação, Marina viu
expostas as divergências internas do PV. A senadora -que recorreu
a Guimarães Rosa para declarar carinho ao PT- convidou o ministro
da Cultura, Juca Ferreira, para o evento. Mas ele não estava
entre os oradores.
Já o secretário municipal Eduardo Jorge sentou-se no chão,
diante da mesa. Escolhida pelo governador José Serra (PSDB) à
revelia do comando do partido, a secretária de Ação
Social, Rita Passos, não teve assento entre as autoridades.
Conduzido à ponta da mesa, o ministro da Cultura ouviu críticas
à equipe de Lula, como a do deputado Fernando Gabeira (PV), para
quem o governo "é moralmente frouxo".
À saída, Ferreira reagiu: "Ele é parcial.
Faço essa crítica política em geral. Minha crítica
política é que o PV se aproximou muito dessa lógica
pragmática", disse Ferreira, afirmando que Marina não
fará oposição ao governo Lula.
"Ela disse melhor do que eu. Vai sair de casa. Mas continua morando
na mesma rua."
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Folha de S.Paulo, 31 de
agosto de 2009
Capitalização ameaça
trabalhador cotista de fundos FGTS-Petrobras
DA SUCURSAL DO RIO
A capitalização
da Petrobras, estudada pelo governo para levantar dinheiro para os investimentos
no pré-sal, representa ameaça aos 55 mil cotistas do fundo
FTGS-Petrobras. O processo deverá reduzir sua fatia na empresa
e, de quebra, diminuirá seus dividendos.
Para preservar seus direitos, o governo teria de criar mecanismos para
que os trabalhadores pudessem investir mais recursos do FGTS e, assim,
acompanhar o investimento que o governo fará -mas nem isso garante
que consigam manter a fatia na empresa.
A capitalização é um processo pelo qual uma empresa
emite ações novas para levantar recursos para investimentos.
Os acionistas da empresa têm prioridade na compra das novas ações
e podem comprar até o limite da participação que
têm no capital da empresa.
Assim, o governo, que tem 32,21% do capital da Petrobras, poderá
comprar tantas ações quantas forem possíveis para
manter a mesma participação. Isso vale para todos os acionistas,
inclusive para o fundo FGTS-Petrobras, que tem 2,11% do capital da empresa.
Ainda em estudo, a capitalização pode chegar a R$ 100
bilhões. O valor de mercado da Petrobras é R$ 312 bilhões.
Quem não participar da oferta mantém as ações
que tinha. Mas, como o número de ações em circulação
aumenta, sua participação acaba diluída.
As ações não compradas pelo acionista são
ofertadas ao mercado. Para o governo, a "sobra" de ações
é a chance de aumentar a participação na Petrobras
-de preferência, sobre os investidores estrangeiros.
"Para que o FGTS-Petrobras acompanhasse a proposta, o governo precisaria
autorizar os trabalhadores a usarem parte de seu saldo para que o fundo
compre mais ações", diz Haroldo Vale Mota, professor
de finanças da Fundação Dom Cabral.
Pelas regras atuais, não é mais possível destinar
dinheiro do FGTS para comprar ações.
Se a capitalização for de R$ 100 bilhões, o FGTS-Petrobras
teria que investir mais R$ 2,1 bilhões para manter sua participação
atual no capital da empresa. Hoje, o patrimônio do fundo é
de R$ 3,65 bilhões, todo aplicado em Petrobras.
"O problema é que alguns cotistas podem não ter mais
recursos porque sacaram seu dinheiro para comprar casa própria,
porque suas contas estão inativas ou porque não querem",
afirma o professor de finanças do Ibmec-RJ Nelson de Souza. "A
participação deles deve cair."
E é a participação de um acionista que determina
sua fatia no bolo dos dividendos (parte do lucro distribuída
aos acionistas). Quem tem a participação diluída
recebe, portanto, menos dividendos.
Maior
produção
"Os investimentos a serem feitos com o dinheiro pela empresa aumentarão
seus lucros no futuro. Quem continuar como cotista verá os dividendos
crescerem. Mas, como o fundo FGTS-Petrobras deverá ser diluído,
no curto prazo receberá menos dividendos", diz Vale.
A previsão é que a produção no pré-sal
comece a crescer em 2013. Em 2020, a atual produção da
Petrobras, de 2 milhões de barris diários, duplicará
com o pré-sal.
Em 2008, a Petrobras distribuiu R$ 10 bilhões em dividendos,
ou 27% de seu lucro de R$ 36,5 bilhões.
Sobre a fatia de ações não compradas pelos cotistas
do FGTS, avançariam o governo e investidores privados -nacionais
ou estrangeiros, quem vier com mais apetite.
Segundo Vale, pelo menos os cotistas do FGTS-Petrobras já embolsaram
ganhos com a valorização das ações depois
da descoberta do pré-sal.
O fundo FGTS-Petrobras foi criado em agosto de 2000, permitindo que
os trabalhadores investissem até 50% do FGTS em ações
da Petrobras.
A oportunidade não se repetiu. Desde a criação,
acumulou ganhos em torno de 1.100%, 42% apenas neste ano.
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
31/08/2009
TST reafirma direito a licença de
120 dias para mãe adotante
A Sexta turma do Tribunal Superior
do Trabalho (TST) reafirmou, em julgamento de recurso da Brasil Telecom
S.A., o posicionamento da Seção Especializada em Dissídios
Individuais (SDI-1) do Tribunal, sobre a concessão de licença-maternidade
de 120 dias para a mãe adotante. A Turma negou provimento a recurso
da empresa contra decisão que concedeu a licença a uma
ex-empregada, com fundamento no artigo 227 da Constituição
Federal, que define os direitos fundamentais de proteção
à criança e ao adolescente e a igualdade entre os filhos
biológicos e adotivos.
O relator do processo, ministro
Aloysio Corrêa da Veiga, lembrou que a SDI-1 já se posicionou
no sentido de reconhecer o papel social da mãe adotiva. “A
criança adotada necessita dos mesmos cuidados especiais em seus
primeiros meses de vida, razão pela qual se deve estender à
mãe adotante o benefício da licença maternidade”,
observou.
A trabalhadora adotou uma criança
em 1986 e, logo após a adoção ser concedida, ingressou
junto à empresa com pedido de licença maternidade. O pedido
foi rejeitado, sob a alegação de previsão, no manual
interno da empresa, de prazos distintos de afastamento para os casos
de adoção, e foram concedidos apenas 60 dias de licença.
Ela ajuizou então ação trabalhista em que pediu
indenização dos 60 dias restantes, não usufruídos.
O Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (PR) acolheu
o pedido e condenou a empresa ao pagamento da indenização
pela diferença de tempo não usufruída. A Brasil
Telecom recorreu então ao TST, insistindo na tese de que havia
norma interna que vedava a igualdade na concessão do benefício.
O relator, citou precedentes
do TST e manteve o entendimento adotado de que a norma constitucional
que garante igualdade entre filhos por adoção e filhos
biológicos não depende de complementação
normativa. O ministro endossou a fundamentação do TRT/PR,
segundo o qual, “se não há distinção
expressa na norma constitucional instituidora do benefício, não
cabe ao particular fazê-lo e, mais grave, pretender a prevalência
de suas próprias normas, a despeito de todo o sistema que, como
se sabe, optou pelo resguardo do interesse social”. ( RR 7060/1999-661-09-00.7)
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31/08/2009
Aracruz indenizará trabalhador
que perdeu dois dedos em acidente
A Aracruz Celulose S/A não
conseguiu reverter no Tribunal Superior do Trabalho a condenação
que lhe foi imposta pelas instâncias ordinárias da Justiça
do Trabalho do Espírito Santo quanto à obrigação
de pagar indenização por danos morais a um ex-empregado
que perdeu dois dedos da mão direita quando fazia a manutenção
do eixo de uma carreta da empresa. O mecânico receberá
R$ 30 mil.
O relator do recurso da Aracruz,
ministro Alberto Bresciani, afirmou que a tese da defesa, de que o direito
de ação do trabalhador estaria prescrito, não se
sustenta, porque a ação de reparação de
danos morais em virtude de acidente do trabalho foi proposta na Justiça
Comum (Estadual) e migrou para a Justiça do Trabalho após
a reforma do Judiciário (EC 45/2004). Com isso, aplica-se o prazo
prescricional de 20 anos, e não a prescrição trabalhista
de dois anos a partir da extinção do contrato. “O
entendimento adotado pelo TRT/ES, no sentido de que a prescrição
aplicável, na espécie, é a do Código Civil,
vigente à época da propositura da ação,
não permite visualizar afronta direta ao dispositivo constitucional”,
afirmou Bresciani.
O acidente ocorreu quando o
trabalhador, contratado como mecânico, fazia a manutenção
no eixo de uma carreta, com a utilização de macaco hidráulico.
A defesa da Aracruz sustentou que o acidente ocorreu por culpa exclusiva
do empregado, por não utilizar o equipamento adequado para a
tarefa (esticador). Entretanto, em depoimentos, os demais mecânicos
disseram desconhecer o tal esticador. Afirmaram que o equipamento mais
adequado para a tarefa é o macaco-jacaré, cujo número
era insuficiente para a demanda de serviço.
O Tribunal Regional do
Trabalho da 17ª Região (ES) considerou que o evento danoso
e a culpa da empresa estão provados nos autos. Embora não
tenha negado o acidente, a empresa buscou afastar a responsabilidade
pelo infortúnio do trabalhador que estava a seu serviço.
O TRT/ES julgou que o empregador assume os riscos da contratação
do empregado, o que implica a responsabilidade objetiva por manter sua
integridade física e psíquica, enquanto obrigação
acessória do contrato de trabalho. O Regional, entretanto, reduziu
à metade a indenização fixada na sentença
(R$ 60 mil). (RR 244/2005-121-17-00.1)
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