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Carta Capital, 6 de setembro
de 2009
O jardim do entreguismo:
a quem interessava a CPI da Petrobras?
O debate em torno do marco
regulatório do pré-sal mostrou toda a irrelevância
da CPI da Petrobras, criada pela oposição para
fugir do enfrentamento com a verdadeira agenda das questões
mais importantes para o país. Questões que
o governo Lula entrega para o debate.
Por Mauricio Dias, na CartaCapital
Mas essa não é a única razão a impedir
a CPI de atingir os objetivos políticos subalternos que nortearam
a sua criação. Não é preciso ser especialista
em águas profundas para descobrir outros motivos, capazes de
anular as investigações sobre todos os patrocínios
solicitados por parlamentares e concedidos pela estatal durante o governo
FHC. Eis alguns exemplos:
• O senador peemedebista Pedro Simon, em 2000, endereçou
documento à presidência da empresa pedindo
a construção de uma usina termoelétrica
em Canoas (RS). E ainda indicou a fonte de energia: “Gás
da Argentina”...
• O hoje governador do Distrito Federal, à época
senador pelo PSDB, pediu patrocínio para a publicação
do Guia do Século XXI e para o filme Veias e Vinhos,
uma História Brasileira, além de interceder
em favor do longa-metragem Sorria, Jesus te Ama!
• Arruda encaminhou um projeto de financiamento
que fez sucesso na Petrobras: Declare Amor à Vida
Correndo. A grana saiu rapidamente.
• Hoje, brigando com a estatal por questão
dos royalties, o governador capixaba, Paulo Hartung, solicitou
ajuda financeira para o Congresso Internacional de Psicanálise,
realizado em agosto de 2000. E Sérgio Cabral, governador
do Rio, também brigando pelos royalties, pediu dinheiro
para a restauração do Convento de Nossa Senhora
do Carmo.
• O petista carioca Carlos Santana, em 2001, em
plena oposição, batalhou pelo projeto Acorda
Zumbi e Renato Viana (SC) pleiteou verba para financiar
a VI Corrida da Fogueira Grená, em Blumenau.
• O então senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT),
chefe da assessoria técnica da oposição
na CPI, bicou a estatal apesar de o tucanato tentar privatizá-la:
a assinatura dele chancela desde um projeto musical intitulado
Isto É o Rasqueado de Mato Grosso para o Brasil
até uma gorda verba para o XXI Festival de Pesca
de Cáceres.
• Lúcio Alcântara (PSDB-CE) foi o padrinho
de um Festival de Jazz e Blues, em 2002, enquanto o paraibano
Ronaldo Cunha Lima insistiu muito num capilé para
o Presépio Vivo do Natal de Campina Grande.
• O deputado federal Josué dos Santos Ferreira
(PL-SP) batalhou a verba de 73 mil reais para um livro
intitulado Os Meandros do Congresso Nacional.
• O projeto teatral Você Tem Que me Dar seu
Coração foi apadrinhado pelo deputado federal
Paulo Baltazar (PSB-RJ), que, não satisfeito, pediu
mais dinheiro para A Outra.
• O deputado monarquista Cunha Bueno (SP) intercedeu
em favor de um adjutório para a Federação
Paulista de Karatê, e o colega dele, Pedro Chaves
(DF), queria dinheiro para os “torneios de pelada
no entorno sul de Brasília”.
• O tucano Luiz Carlos Hauly (PR), um dos maiores
frequentadores do caixa de patrocínio da empresa,
conseguiu levar 200 mil reais para o Festival de Teatro
de Londrina. Ao mandar fax agradecendo, aproveitou e pediu
mais 50 mil reais “pela importância do evento”.
Há pedidos, e são muitos, de senadores e
deputados em favor de empresas de amigos, capazes de provocar
mais um temporal sobre o Congresso.
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BBC Brasil, 6 de setembro
de 2009
Para Guido Mantega,
crise já ficou para trás no Brasil
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse em Londres, na sexta-feira
(4), que "a crise já ficou para trás no Brasil".
Em entrevista à BBC Brasil, Mantega afirmou que a economia brasileira
está crescendo de 4,5% a 5%. “Já estamos num processo
de franca recuperação.”
Segundo o ministro, o sucesso do país contrasta com as dificuldades
enfrentadas pelas economias avançadas que começam a dar
sinais de uma retomada "lenta, difícil e gradual". Para
não tirar a economia global dos trilhos da recuperação,
Mantega afirmou que o Brasil defende que a intervenção
dos governos na economia seja mantida até que a recuperação
global esteja consolidada.
“É necessário manter a ação
anticíclica. Ela não deve parar, enquanto
for necessário", disse Mantega, que não
acredita na tese de possível recaída da economia
mundial. Essa hipótese — em que a economia
poderia sofrer um novo "mergulho" — é considerada
possível por economistas como Nouriel Roubini, que
ganhou projeção ao ser um dos poucos a prever
a atual crise.
Na opinião de Mantega, a retomada vai ocorrer em
ritmos diferentes e "demonstrar que os países
avançados são os mais debilitados e que precisam
dos emergentes puxando o crescimento". Mantega acrescentou: "Quem
vai puxar o crescimento somos nós. Pode haver um
ou outro país europeu que fique melindrado, aborrecido.
Isso não vai impedir que o G20 se torne a instituição
mais importante da economia mundial".
O ministro disse ainda que o Brasil e outros emergentes
vão cobrar uma aceleração do processo
de reformas no Fundo Monetário Internacional (FMI).
Já por pressão do grupo, a data da reforma
foi antecipada de 2013 para 2011 — mas Mantega quer
que já fique claro, na reunião de Pittsburgh,
que o percentual de cotas sairá das mãos
dos países desenvolvidos.
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Vermelho, 6 de setembro
de 2009
Contee rebate artigo
da Folha: verba pública no ensino privada?
A Contee (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos
de Ensino) rebateu o artigo do empresário Eduardo Wurzmann que
foi publicado na última segunda-feira (31), no jornal Folha de
S.Paulo. Wurzmann, presidente do Grupo Ibmec Educacional. defende no
texto o investimento público no setor privado de ensino como forma
de ampliar o acesso dos jovens brasileiros à educação
superior.
Além disso, o empresário critica a atuação
do Ministério da Educação (MEC) em relação à regulamentação
do setor e chega a propor a liberação do uso do FGTS como
colateral para o financiamento do ensino superior privado. Para contestar
tais posições e manifestar repúdio aos argumentos
apresentados no artigo, a professora acadêmica Madalena Guasco
Peixoto, coordenadora geral da Contee, enviou carta ao “Painel
do Leitor” do jornal, que foi publicada na versão online.
Confira abaixo a carta da Contee
Educação
Não nos causou surpresa o artigo “Acesso
a um ensino superior de qualidade”, assinado por
Eduardo Wurzmann, publicado na coluna “Tendências/Debates” desta
Folha em 31 de agosto de 2009. Afinal, há mesmo
muito a ser feito para melhorar as condições
e o acesso ao ensino superior no país. Entretanto,
ao contrário do afirmado, discordamos integralmente
da solução apresentada pelo autor, uma vez
que temos convicção de que o caminho para
a transformação da educação
no Brasil passa pela ampliação do investimento
público na educação pública.
Após a expansão descontrolada do ensino
superior privado nos anos 90, quando proliferaram instituições
sem nenhuma qualidade, que apenas contribuíram para
multiplicar a quantidade de jovens iludidos, com a promessa
de ascensão social graças à obtenção
de um diploma de graduação, e para a precarização
das condições de trabalho de professores
e funcionários desses estabelecimentos, finalmente
o governo brasileiro começou a tomar medidas para
estancar tal processo e exigir garantia de qualidade nos
cursos oferecidos pelas IES privadas.
O que o senhor Eduardo Wurzmann chama de “legislação
punitiva”, adotada pelo Ministério da Educação
(MEC), que constrange o crescimento do setor privado, a
Contee chama de mecanismos mínimos de regulamentação
da exploração privada da educação — um
direito de todos os cidadãos brasileiros e um bem
público. Regulamentação essa que ainda
precisa avançar muito para que de fato seja capaz
de garantir a qualidade esperada de uma boa formação
em nível superior.
A proposta do uso do FGTS como colateral para o financiamento
do ensino superior privado é uma alternativa que
só beneficia aos empresários do setor, que
procuram mais uma vez obter vantagens e financiamento público
para suas instituições - na maioria das vezes
totalmente voltadas para a exploração mercantil
do ensino, sem nenhum compromisso com a qualidade da educação
ou com o desenvolvimento do país.
A Contee acredita que somente através do investimento
e do fortalecimento da educação pública
de qualidade e socialmente referenciada será possível
garantir o acesso dos jovens brasileiros a um ensino superior
de qualidade.
MADALENA GUASCO PEIXOTO, professora,
coordenadora geral da Confederação Nacional
dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino - Contee
(São Paulo, SP)
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Agência Brasil, 6
de setembro de 2009
Pré-sal: petroleiros
e movimentos criticam projetos do governo
Movimentos sociais, sindicatos e a Federação Única
dos Petroleiros (FUP) questionam os termos dos projetos de lei do governo
federal que vão determinar os critérios para a exploração
de petróleo da camada pré-sal. Contrários às
propostas do Executivo, esses segmentos apresentaram à Câmara
dos Deputados um projeto de lei alternativo, o PL 5891/2009, por meio
do qual sugerem que a Petrobras seja 100% estatal.
O projeto alternativo também propõe o monopólio
estatal de todas as etapas da produção do petróleo,
o fim das rodadas de licitações e a retomada dos blocos
petrolíferos que já foram leiloados. “A nossa proposta
ela restabelece o que está previsto na Constituição.
Ou seja, que o monopólio seja exercido pela União por meio
da Petrobras”, explica o coordenador-geral da FUP, João
Antonio de Moraes.
A Federação Única dos Petroleiros
liderou o processo de elaboração do projeto
alternativo e representa 11 dos 17 sindicatos petroleiros
do país. “A Petrobras é que desempenharia
o papel da nova empresa pública [Petro-Sal], prevista
no projeto do Executivo. Não haveria a necessidade
da criação da nova empresa, uma vez que a
Petrobras seria uma empresa 100% estatal e pública
e caberia a ela todo esse papel”, diz Moraes.
O projeto alternativo, encaminhado à Câmara
no último dia 27, apresenta mudanças também
em relação ao funcionamento do Fundo Social
Soberano. “A proposta do Executivo destina recursos
para investimento em infraestrutura e a rentabilidade do
fundo será aplicada na áreas sociais. Na
nossa, a totalidade dos recursos do fundo será aplicada
para questões sociais. Não só o rendimento",
destaca Moraes.
Os movimentos sociais e os petroleiros — que apresentaram
a proposta alternativa por intermédio do deputado
Fernando Morroni (PT-RS) — criticaram o processo
de discussão do projeto do Executivo. “O governo
não chamou os movimentos sociais para discutir.
As 3 mil pessoas que foram chamadas para que ele apresentasse
o projeto não foram chamadas nenhum dia antes para
debater. A não ser os governadores que estão
interessados nos royalties ”, afirma Antonio Carlos
Spis, petroleiro e representante da Central Única
dos Trabalhadores (CUT) na Coordenação dos
Movimentos Sociais.
Apesar das críticas, as entidades apontam aspectos
positivos no projeto do governo. O destino social de parte
da renda da exploração do petróleo
e o modelo de partilha, no lugar da concessão, são
vistos pelos movimentos como avanços. No entanto,
as entidades entendem que contratos mais vantajosos poderiam
ser implementados.
“Esse contrato de partilha é avançado
em relação ao de concessão. Mas os
argumentos utilizados pelo governo para adotá-lo
são os mesmos que sugerem e justificam a adoção
de um contrato mais vantajoso ainda para o Estado. Que
seria o contrato de serviços, utilizado nas maiores
produções no mundo, nos países de
maior reserva”, destaca Ronaldo Pagatto, do movimento
Consulta Popular e da campanha O Petróleo Tem Que
Ser Nosso.
Além do deputado Ferando Morroni — que assina
o projeto de lei alternativo —, outros 23 parlamentares
subscreveram o documento. Entre as entidades que colaboraram
na elaboração do projeto, estão o
Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a
Via Campesina e a CUT.
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Gazeta do Povo, 6 de setembro
de 2009
Energia
Congresso decide se
petróleo é dádiva ou maldição
Definição sobre
os royalties e o fundo social do pré-sal será determinante
para impedir gasto descontrolado e fomentar o desenvolvimento
“Farinha pouca, meu pirão primeiro”,
disse na semana passada o governador do Rio de Janeiro,
Sérgio Cabral, em meio à disputa pela futura
distribuição das riquezas do petróleo
brasileiro. A frase indica que tipo de espírito
vai orientar, na Câmara e no Senado, as discussões
dos quatro projetos de lei referentes à exploração
da camada pré-sal. São esses debates que
definirão se a gigantesca jazida brasileira vai
se converter, como diz o presidente Lula, em “dádiva” ou “maldição”.
De todos os pontos abordados nos quatro projetos, dois
serão determinantes para que o país faça
bom proveito do “bilhete premiado” do pré-sal:
a mudança ou não da divisão dos royalties
e participações especiais e, principalmente,
a criação do chamado fundo social.
Inspirado no exemplo de sucesso da Noruega, o fundo foi
planejado para ser uma espécie de poupança
que, além de evitar a valorização
excessiva do real, servirá de fonte de recursos
para o combate à pobreza e para o desenvolvimento
da educação, cultura, ciência e tecnologia
e sustentabilidade ambiental. Pelo projeto em tramitação
no Congresso, o fundo será abastecido com os royalties
e participações que cabem à União – 39%
do total, o equivalente a quase R$ 9 bilhões em
2008 –, os bônus de assinatura dos contratos
de partilha de produção e, principalmente,
com os recursos da venda do óleo e do gás.
Uma montanha de dinheiro que, bem poupada e aplicada, pode
impedir o gasto descontrolado e fomentar o desenvolvimento.
Por tudo isso, o conceito do fundo social foi um dos
poucos, entre todos os do pré-sal, que não
encontrou opositores. Mas, se, por um lado, há bons
exemplos que podem guiar sua implementação – como
o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e o Fundo de
Manutenção e Desenvolvimento
da Educação Básica (Fundeb) –,
por outro há uma série de experiências
que põem sob suspeita a eficiência do estado
na alocação de recursos. Perto do desafio
de fazer essa poupança funcionar, extrair petróleo
a 300 quilômetros da costa e a 8 mil metros de profundidade
será relativamente simples.
Maus antecedentes
Um caso emblemático de fracasso brasileiro é o
da aplicação dos tributos. De acordo com
o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário
(IBPT), os governos se apropriam de 36% de todas as riquezas
produzidas no país, mas desperdiçam quase
um terço dessa arrecadação em desvios,
obras superfaturadas e programas ineficientes. Em se tratando
de petróleo, o exemplo mais à mão – o
destino dos royalties e participações gerados
pelos campos atualmente em produção – também é pouco
animador. Os recursos são hiperconcentrados e, de
forma geral, mal aplicados.
“O projeto do fundo social é excelente, é a
cereja do bolo. Mas não é nada estimulante
observar como foram aplicados os recursos públicos
nesses 509 anos de Brasil, ou mesmo a forma como se usam
os royalties hoje em dia”, diz o economista Roberto
Piscitelli, da Universidade de Brasília (UnB).
A questão motivou até matéria da
revista britânica The Economist. A publicação
afirmou que, dependendo de como for usada, a riqueza do
pré-sal “pode ajudar o país a superar
a pobreza e o desenvolvimento, ou a exagerar seus hábitos
gastadores”. E lembrou que “qualquer um que
esteja acompanhando os recentes escândalos de corrupção
no Congresso sabe que os legisladores do país são
capazes deste tipo de desastre”.
Para Piscitelli, é desejável que as definições
fiquem a cargo de deputados e senadores. “O eixo
da discussão tem que sair do Executivo e dos interesses
de três governadores que ficam emburrados e batem
o pé. E ser deslocado, sim, para o Congresso. Mas,
infelizmente, por lá está tudo amarrado.
A Câmara não trabalha porque não quer
regime de urgência, e o Senado porque não
quer o Sarney.”
Inspiração
Os economistas José Roberto Rodrigues Afonso e
Sérgio Wulff Gobetti, autores de um estudo sobre
os royalties no Brasil e o fundo soberano da Noruega, defendem
que o fundo social brasileiro tome como exemplo uma experiência
bem-sucedida de formação de poupança
pública e aplicação na indução
de investimentos produtivos e geração de
empregos: o FAT. “O Fundo de Amparo ao Trabalhador
alimenta um banco nacional de desenvolvimento (BNDES) e
tem uma história e uma dimensão raramente
encontrada em outras economias emergentes”, afirmam.
Eles também elogiam o Fundeb, “que beneficia
governos de diferentes esferas (estadual e seus respectivos
municípios) e é bem-sucedido em termos de
operacionalização financeira”.
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Gazeta do Povo, 6 de setembro
de 2009
Telefonia
Contrato de fidelidade
pode ser rompido por má prestação de
serviço
Os consumidores que enfrentam problemas na prestação
de serviço de telefonia e internet, mas que estão “amarrados” em
cláusulas de fidelização, poderão
rescindir o contrato sem o pagamento de multas. A determinação
está em nota técnica divulgada pelo Departamento
de Proteção e Defesa do Consumidor
(DPDC) do Ministério da Justiça na semana passada.
A interpretação do órgão é a
de que, quando o prestador do serviço descumpre
as normas do contrato, o consumidor pode romper
o vínculo sem o pagamento de encargos,
mesmo com a fidelização ainda valendo. “Pouca
gente sabe disso”, avisa o diretor do DPDC, Ricardo
Morishita. Ele lembra que o contrato assinado entre o consumidor
e a operadora ou prestadora vale para regular a relação,
não para aprisionar. “As condições
de qualidade preestabelecidas devem ser seguidas para que
o consumidor faça jus ao acordo até o fim”,
diz
Ônus da prova
De acordo com Morishita, a alegação do consumidor
de que não está recebendo o serviço
adequado serve como motivo para interrupção
do contrato firmado. “Se a empresa rebater os motivos
de seu cliente, cabe a ela o ônus da prova”,
completa. (ACN)
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Gazeta do Povo, 6 de setembro
de 2009
Telefonia
Armadilhas na troca
do número
A portabilidade numérica
completou 1 ano e trouxe avanços, mas usuários
ainda recebem informações incompletas ou erradas
das empresas
Na semana em que completou 1 ano, a portabilidade numérica,
sistema que permite ao consumidor mudar de operadora de
telefonia sem precisar trocar de número, atingiu
a marca de 2,8 milhões de pedidos em todo o país.
Destes, 1,8 milhão (65%) é de solicitações
originadas por usuários do serviço móvel
e 964 mil (35%) de telefones fixos, com pouco mais de 70%
de migrações efetivadas.
Em nota divulgada por ocasião do aniversário,
o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações
(Anatel), Ronaldo Sardenberg, classificou a implementação
da portabilidade como “avanço histórico
do ponto de vista do consumidor” e “verdadeiro
divisor de águas nas relações entre
usuários e prestadoras”.
Uma análise mais detalhada dos resultados, no
entanto, mostra que a adesão ao sistema ainda é pequena,
e representa apenas 1,3% do total de linhas instaladas
no Brasil. Na avaliação do Instituto
Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), alguns fatores
ajudam a explicar o volume relativamente baixo de números
portados, sendo o principal deles a falta de informações.
Em um levantamento feito em São Paulo com os serviços
de atendimento das seis principais operadoras de telefonia
fixa e móvel, o Idec constatou que todas elas forneceram
pelo menos uma informação incorreta sobre
os processos de portabilidade. Não há o que
comprove que os equívocos sejam de má-fé,
mas eles podem fazer com que a esperança do consumidor
de trocar de operadora na busca por mais qualidade se torne
um tormento. Esse foi o caso do advogado Acássio
Frare, que em janeiro deste ano solicitou a migração
de sua linha residencial da operadora GVT para a Oi (ex-Brasil
Telecom).
No momento da instalação, o técnico
da Oi/Brasil Telecom informou ao cliente da necessidade
de outra linha “emergencial” durante os cinco
dias previstos para a conclusão do processo. “Nós
ainda o alertamos, dizendo que isso iria nos causar transtornos
indesejáveis. Dito e feito: causou!”, conta
Frare.
A portabilidade do número não foi concluída
no prazo previsto pela Anatel e o “telefone emergencial” passou
a gerar cobranças, mesmo sem nunca ter sido usado. “Como
jamais requeremos uma linha telefônica adicional,
liguei pedindo o cancelamento e tentei devolver as faturas,
sem sucesso”, diz o consumidor. As contas venceram
e foram encaminhadas ao Serasa, totalizando uma dívida
de R$ 142 contestada pelo usuário.
Por meio de nota, a Oi/Brasil Telecom informa que entrou
em contato com a esposa do cliente para informar que as
contas citadas foram canceladas pela empresa. A companhia
diz ainda que a linha telefônica mencionada foi cancelada,
conforme a solicitação de Frare.
Cuidados
A Anatel informa que nenhuma operadora pode condicionar
o serviço de portabilidade à compra ou adesão
a uma linha adicional. Ao mesmo tempo, não há nada
que impeça as empresas de oferecer seus produtos,
desde que isso conste no contrato e seja aceito pelo consumidor.
Por isso é preciso atenção e cuidado
e, em caso de dúvida, o usuário deve recusar
a instalação da linha – uma vez que
a operação costuma ser interpretada aceitação
do novo contrato.
Se a operadora insistir em instalar uma nova linha para
efetivar a portabilidade, ou condicionar o serviço à contratação
de qualquer outro serviço, o usuário deve
apresentar uma denúncia à Anatel pelo site
www.anatel.gov.br ou através do telefone 133.
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Gazeta do Povo, 6 de setembro
de 2009
Lula chama população
para fiscalizar projetos sobre pré-sal no Congresso
Presidente pede que sociedade “entre
de corpo e alma” no debate e converse com parlamentares.
Lula descarta “interesses menores”
Eduardo Militão
O presidente Lula conclamou a população
a participar do debate, no Congresso Nacional, dos quatro
projetos de lei que regulam a exploração
de petróleo na camada do pré-sal. As propostas
do Palácio do Planalto aumentam a participação
do Estado na divisão das riquezas minerais e reduzem
o poderio econômico das empresas concessionárias.
Em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e
TV, Lula pediu que os brasileiros acompanhem “passo
a passo” os projetos e entrem “de corpo e alma” no
debate. “Por isso se mobilize, converse com seus
amigos, escreva pra seu deputado, seu senador, pra que
eles apoiem o que é melhor para o Brasil”,
disse o presidente, noite deste domingo (6).
Os projetos foram enviados à Câmara na semana
passada, mas a oposição obstrui as votações
porque entende que eles não devem tramitar em regime
de urgência. Lula negou a retirada da urgência.
Lula disse acreditar no apoio “soberano” e “livre” do
Legislativo na discussão dos projetos. “O
embate e a paixão política fazem parte do
universo democrático, mas não podemos deixar
que interesses menores retardem ou desviem a marcha do
futuro.”
O presidente reforçou que o pré-sal é uma
poupança que, se for bem utilizada, pode servir
para garantir a educação e o desenvolvimento
das futuras gerações. Parte dos recursos
do pré-sal serãoa aplicados em educação,
tecnologia, meio ambiente e combate à pobreza.
“A história tem mostrado que a riqueza do
petróleo é uma faca de dois gumes. Quando
bem explorada, traz progresso para o povo. Quando mal explorada,
ela traz conflitos, desperdícios, agressão
ao meio-ambiente, desorganização da economia
e privilégios para uns poucos. Assim, alguns países
pobres, ricos em petróleo, não conseguiram
jamais sair da miséria.”
O presidente Lula disse que o modelo de concessões
do governo tucano de Fernando Henrique, que resultou na
Lei do Petróleo de 1997, não serve mais.
Foi esse modelo que ampliou a participação
do capital privado na exploração petrolífera.
No pré-sal, o modelo é o da partilha, que
garante maior participação do Estado.
“Seria um erro mantê-lo [o modelo] no pré-sal.
Um erro grave. Ele foi implantado quando não sabíamos
da existência de grandes reservas e o País
não tinha recursos para explorar seu petróleo”,
justificou Lula.
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Folha de S.Paulo, 6 de
setembro de 2009
Plano de infraestrutura
exige mais R$ 60 bi
Novos projetos, que incluem
os primeiros investimentos do pré-sal, vão
requerer neste ano 50% a mais de crédito do que em
2008
Empresários reclamam da dificuldade
de obter recursos em banco privado; Febraban afirma que
não há poupança de longo prazo no
Brasil
AGNALDO BRITO
DA REPORTAGEM LOCAL
O Brasil terá de ampliar em R$ 60 bilhões
a oferta de crédito para bancar os investimentos
em infraestrutura projetados para este ano. Segundo a Abdib
(Associação Brasileira da Infraestrutura
e Indústrias de Base), a carteira de investimentos
em infraestrutura previstos para o ano soma R$ 161 bilhões,
o que inclui projetos nas áreas de petróleo
e gás (já agregando os primeiros investimentos
no petróleo do pré-sal), energia, transporte
e logística, saneamento e telecomunicações.
O montante não inclui ainda projetos como o Trem-Bala ou a usina
hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. Procurada, a Casa
Civil não informou como pretende viabilizar ofertas de crédito
para assegurar o financiamento da carteira de empreendimentos anunciados.
Mal ou bem, o país conseguiu cobrir a demanda de crédito
de R$ 106 bilhões criada por empreendimentos contratados ao
longo de 2008, mas a preocupação da Abdib é conseguir
novas fontes, sem as quais muitos projetos não sairão
do papel. Trata-se de uma demanda em expansão no país.
A Abdib calcula que, entre 2003 e 2004, a demanda de crédito
para cobrir operações do mercado de infraestrutura somava
R$ 56 bilhões. Subiu para R$ 75 bilhões ao ano entre
2005 e 2006 e alcançou os R$ 90 bilhões em 2007.
Paulo Godoy, presidente da associação, afirma que a capitalização
do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social)
ajuda, bem como a determinação do governo de envolver
o BB (Banco do Brasil) e a CEF (Caixa Econômica Federal) no mesmo
esforço, mas ele acha que é preciso mais do que isso
para dar conta dos volumes de projetos que estão em andamento.
Os R$ 161 bilhões previstos para este ano, segundo ele, são
o novo patamar de investimentos também para os próximos
anos, o que exigirá o surgimento de novos financiadores, entre
os quais os fundos de pensão e os bancos privados. Godoy explica
que dois terços do patrimônio dos fundos de pensão
repousam sobre operações de renda fixa. "É preciso
que parte desse capital venha financiar os projetos de energia e logística,
entre outros", defende o dirigente, membro do grupo de infraestrutura
do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social).
Limites ao crédito
Na reunião do grupo na quinta-feira, o setor cobrou atitude
mais ativa dos bancos privados na abertura de crédito para operações
direcionadas à infraestrutura. Godoy criticou, por exemplo,
o critério de uso dos limites de crédito impostos às
companhias que participam dos empreendimentos.
A Abdib afirma que os bancos têm descontado do limite de crédito
da empresa os recursos cedidos para esses projetos. "Os recursos
para financiar os projetos têm garantias do próprio empreendimento.
Essa é uma maneira de ampliar a oferta de crédito",
disse Godoy.
Presente na reunião do Conselho, Ronaldo Sardenberg, economista-chefe
da Febraban (Federação Brasileira dos Bancos), disse
que as instituições financeiras têm critérios
próprios e não há qualquer orientação
geral sobre o assunto.
Para ele, a principal explicação para a dificuldade dos
bancos privados de abrir linhas de crédito para infraestrutura
está na falta de poupança de longo prazo. Os depósitos
em poupança ou CDBs, por exemplo, requerem, em geral, liquidez
em meses, ao passo que os financiamentos de projetos de longo prazo
exigem alocação de capital para retorno em longo prazo
-10, 15, 20 anos.
Uma saída apresentada por ele seria o fortalecimento do chamado
mercado secundário de títulos privados, algo incipiente
no país. "Com ele, teríamos aumento da poupança
de longo prazo, o que ajudaria no financiamento dos projetos."
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Conjur, 6 de setembro de
2009
NÃO HAVIA CORRIMÃO
Sesc indeniza idosa
no valor de R$ 6.000 por acidente em escada
A 18ª Câmara Cível do TJ-MG (Tribunal de Justiça
de Minas Gerais) condenou o Sesc (Serviço Social do Comércio)
a indenizar por danos morais uma idosa, devido a um acidente ocorrido
ao descer uma escada, em uma excursão para pessoas idosas na colônia
do Sesc em 2004.
De acordo com os autos, em julho de 2004, a idosa com 71 anos de
idade, participou de uma excursão para pessoas idosas na colônia
do Sesc, em Bom Despacho. Ao descer uma escada, acidentou-se, escorregou
e caiu sobre sua mão esquerda, batendo com a cabeça
no chão.
O Sesc alegou que não há culpa de sua parte pelo acidente
sofrido em suas dependências e sustentou que o fato ocorreu
por culpa exclusiva da autora, inexistindo dano moral. Considerou
o valor fixado na sentença, R$ 6.000, excessivo, e argumentou
que as custas processuais deveriam ser distribuídas proporcionalmente,
compensando-se a verba honorária.
Segundo o relato das testemunhas, houve falha na prestação
do serviço por falta de informação, orientação
e condução dos participantes do evento, destinado a
pessoas idosas. Fato que foi agravado pela insuficiência de
sinalização dos acessos por meio de rampa e pela precária
iluminação das escadas. Além disso, não
havia corrimão, e, após o acidente, não tinha
qualquer pessoa nas imediações para prestar socorro.
O desembargador Fábio Maia Viani, relator do processo, considerou
a relação entre as partes como relação
de consumo, em que a responsabilidade do Sesc advém da lei
nos moldes do artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor.
Segundo o artigo, o fornecedor de serviços responde, independentemente
da existência de culpa, pela reparação dos danos
causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação
do serviço, bem como por informações insuficientes
ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.
Para o magistrado, a indenização tem caráter
punitivo, “o sentimento de dor e desespero decorrente da queda
do hóspede na dependência do hotel em virtude da falha
na prestação do serviço, provocam dano moral
indenizável”, considerou.
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