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Agência Estado, 7
de setembro de 2009
Eleições
2010: como usar a internet na sucessão de Lula
Mesmo sem a certeza da aprovação pelo Congresso do projeto
que regulamenta do uso eleitoral da internet, os partido já começam
a se preparar. O PT vai tirar do papel um de seus principais projetos
nessa área. Em mais um sinal de que está decidida a tirar
proveito da rede mundial de computadores na corrida presidencial de 2010,
a direção nacional do partido decidiu criar uma emissora
online de rádio e televisão.
Apesar de surgir como um canal institucional de comunicação,
o projeto ajudará desde já a melhorar a exposição
da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, na rede. Além disso, reconhecem
dirigentes da sigla, é uma chance de testar o potencial de ferramentas
online que poderão ser replicadas pela campanha petista na eleição
de 2010.
A estratégia ainda está em fase de desenvolvimento,
mas a pretensão do PT é ir além da
simples publicação de vídeos em seu
site na internet, fórmula que já existe nas
páginas de vários partidos políticos.
A ideia é, no longo prazo, cobrir "todo o dia
a dia do PT", por meio da produção de
reportagens, cobertura de eventos, entrevistas e transmissões
ao vivo, de forma a preencher uma grade completa de programação
voltada aos internautas.
O partido já encomendou equipamentos para montar
um estúdio completo dentro do prédio que
abriga a sua sede nacional, em Brasília. Parte da
equipe da emissora será montada por meio da ampliação
do atual quadro de funcionários na área de
comunicação. Mas uma parcela do conteúdo
será produzida por meio de um contrato de terceirização
com uma empresa especializada. O plano é iniciar
as transmissões, ainda num formato mais tímido,
entre novembro e dezembro.
Até o fim deste ano, a expectativa da direção
partidária, é de gastar R$ 150 mil na iniciativa.
O montante, de acordo com petistas, servirá apenas
para "dar a largada" no projeto. A próxima
direção da sigla, que será escolhida
na eleição interna agendada para novembro,
vai definir os valores que serão aplicados no projeto
durante o ano eleitoral e dali em diante.
PSDB: televisão na rede
Decidido a se pôr como alternativa ao governo do
presidente Lula em 2010, o PSDB tende a aproveitar na esfera
nacional parte da experiência desenvolvida por seu
diretório estadual em São Paulo, que lançou
recentemente o portal tucano.org. Focado na interatividade,
o site já prevê um modelo de televisão
pela internet, a TV Tucana. Ainda assim, dirigentes do
partido dizem aguardar a regulamentação do
uso eleitoral da internet para definir ao certo o rumo
que darão a sua estratégia nacional nesse
segmento.
Enquanto decide quem vai lançar para o Palácio
do Planalto no ano que vem — o governador paulista
José Serra ou o mineiro Aécio Neves —,
o PSDB ensaia algumas ações pontuais para
testar seu potencial na rede.Tucanos desenvolveram, por
exemplo, um blog para falar especificamente da atuação
da sigla na CPI da Petrobrás.
Outro endereço tem como foco a ação
da bancada no Congresso. Mais uma iniciativa, de acordo
com o tesoureiro do partido, Eduardo Graeff, pretende fazer
um "trabalho de guerrilha" na rede. Trata-se
do blog "Gente que mente", recheado de críticas
ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo Graeff, o PSDB já trabalha com a previsão
de aumentar seu quadro de funcionários para explorar
a internet na eleição do ano que vem. "Mas,
por enquanto, estamos em um compasso de espera. Não
queremos tomar nenhuma decisão que, depois, seja
frustrada por estar em desacordo com a legislação
eleitoral", afirma o tesoureiro tucano.
Oposição dividida
Já o PV, que se prepara para lançar a senadora
Marina Silva (AC) ao Palácio do Planalto, terá um
grupo específico para desenvolver sua estratégia
online. Com a filiação da senadora no último
dia 30 — numa cerimônia com direito a transmissão
ao vivo pela rede —, o partido montou uma coordenação
nacional composta por 21 membros. Dentro dessa estrutura,
será criada uma coordenadoria de informática
e web.
"Vamos de fato colocar na nossa estrutura organizacional
um conjunto de ações e um espaço de
desenvolvimento voltado a essa área", explica
o cientista político Carlos Novaes, recém-filiado
ao PV e indicado por Marina para compor a nova coordenação
nacional da sigla.
Cobiçado como aliado por seu tempo na propaganda
eleitoral no rádio e na televisão, o PMDB
também já começou a se movimentar.
Num trabalho comandado pelo deputado Eliseu Padilha (RS),
a legenda já contratou novos profissionais de comunicação
para reformular seu site institucional.
O trabalho inclui a modernização do portal
da Fundação Ulysses Guimarães que,
segundo o deputado, inclui uma estrutura de ensino à distância
com aproximadamente 200 mil alunos. O parlamentar afirma
que o plano é usar os portais para renovar o eleitorado
peemedebista e viabilizar a formação de novos
líderes partidários. "Precisamos disso
se quisermos pensar em um projeto nacional."
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InfoMoney, 7 de setembro
de 2009
Dieese: salário
mínimo deveria ser de R$ 2.005, para arcar com básico
No mês de agosto o brasileiro precisava de um salário mínimo
de R$ 2.005,07 para poder arcar com suas despesas básicas, de
acordo com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos).
Diante do valor mínimo de R$ 465, que está vigente
no Brasil desde fevereiro deste ano, aquele que é considerado
o necessário é 4,31 vezes maior. Em agosto
do ano passado, o piso deveria ser de R$ 2.025,99. Naquela época,
o mínimo vigente era de R$ 415.
O salário mínimo necessário é o
que segue o preceito constitucional de atender às
necessidades vitais básicas do cidadão e
de sua família, como moradia, alimentação,
educação, saúde, lazer, vestuário,
higiene, transporte e previdência social, sendo reajustado
periodicamente para preservar o poder de compra.
Queda ao longo do ano
Quando considerado o ano de 2009, é possível identificar
que o salário mínimo necessário registrou queda
em seu valor, já que era de R$ 2.077,15 em janeiro deste ano.
Em abril, chegou ao valor mais baixo (R$ 1.972,64), mas logo se recuperou.
Em agosto, por sua vez, ele retoma a tendência de
alta, segundo a tabela abaixo, que mostra o salário
vigente e o necessário, segundo o Dieese:
Janeiro: R$ 415 (R$ 2.077,15)
Fevereiro: R$ 465 (R$ 2.075,55)
Março: R$ 465 (R$ 2.005,57)
Abril: R$ 465 (R$ 1.972,64)
Maio: R$ 465 (R$ 2.045,06)
Junho: R$ 465 (R$ 2.046,99)
Julho: R$ 465 (R$ 1.994,82)
Agosto: R$ 465 (R$ 2.005,07)
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O Estado de S.Paulo, 7
de setembro de 2009
Eleições
2010: PT vai lançar rádio e TV na web para
alavancar Dilma
Mesmo sem a certeza da aprovação pelo Congresso do projeto
que regulamenta uso eleitoral da internet, o PT já começa
a tirar do papel um de seus principais projetos nessa área.
Em mais um sinal de que está decidida a tirar proveito
da rede mundial de computadores na corrida presidencial
de 2010, a direção nacional do partido decidiu
criar uma emissora online de rádio e televisão.
Apesar de surgir como um canal institucional de comunicação,
o projeto ajudará desde já a melhorar a exposição
da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, na rede.
Além disso, reconhecem dirigentes da sigla, é uma
chance de testar o potencial de ferramentas online que
poderão ser replicadas pela campanha petista na
eleição de 2010.
A estratégia ainda está em fase de desenvolvimento,
mas a pretensão do PT é ir além da
simples publicação de vídeos em seu
site na internet, fórmula que já existe nas
páginas de vários partidos políticos.
A ideia é, no longo prazo, cobrir "todo o
dia a dia do PT", por meio da produção
de reportagens, cobertura de eventos, entrevistas e transmissões
ao vivo, de forma a preencher uma grade completa de programação
voltada aos internautas.
O partido já encomendou equipamentos para montar
um estúdio completo dentro do prédio que
abriga a sua sede nacional, em Brasília.
Parte da equipe da emissora será montada por meio
da ampliação do atual quadro de funcionários
na área de comunicação.
Mas uma parcela do conteúdo será produzida
por meio de um contrato de terceirização
com uma empresa especializada. O plano é iniciar
as transmissões, ainda num formato mais tímido,
entre novembro e dezembro.
Até o fim deste ano, a expectativa da direção
partidária, é de gastar R$ 150 mil na iniciativa.
O montante, de acordo com petistas, servirá apenas
para "dar a largada" no projeto.
A próxima direção da sigla, que será escolhida
na eleição interna agendada para novembro,
vai definir os valores que serão aplicados no projeto
durante o ano eleitoral e dali em diante.
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Folha de S.Paulo, 7 de
setembro de 2009
Câmara perdoa
85% das faltas na legislatura atual
Ausências abonadas pela
Mesa Diretora evitam perdas no contracheque dos deputados
Desde 2007, parlamentares têm
ido menos às sessões no plenário alegando "missão
oficial'; dias esvaziados são próximos a
feriados e festas
RANIER BRAGON
MARIA CLARA CABRAL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Desde fevereiro de 2007, data do início da atual
legislatura, a Câmara perdoou 85% de todas as ausências
dos deputados. O argumento de "missão oficial" fora
do Congresso foi a justificativa mais usada, com picos
de esvaziamento em dias próximos a feriados, fins
de semana ou festas regionais.
É o que mostram dados oficiais da Câmara analisados pela Folha,
que apontam também para a retomada de um lento crescimento do fenômeno
da indústria das faltas, após um recuo ocorrido em 2007. De um
lado, vem caindo o índice de presença dos deputados nos dias de
votação -em geral terças, quartas e quintas-feiras de manhã.
Depois de ter atingido uma média de 86% de presença em 2007 (441
dos 513 deputados, em média), o mais alto dos últimos anos, o índice
nos primeiros sete meses de 2009 caiu para 83% (426).
A presença do maior número de deputados no plenário,
espaço nobre da Câmara, é importante, entre outros
motivos, porque é comum votações serem decididas
por uma estreita margem de votos.
Ao mesmo tempo em que cai a presença média, cresce o índice
das faltas que são abonadas pela Mesa, a cúpula da Câmara
formada por sete deputados. E esse abono não gera efeitos apenas
estatísticos. Em um mês normal de votações,
cada falta sem justificativa resulta em desconto de R$ 850 no contracheque
do deputado, que recebe salário de R$ 16,5 mil.
Em 2007, primeiro ano da gestão de Arlindo Chinaglia (PT-SP)
na Presidência da Câmara, 84% das faltas foram perdoadas.
Em 2008 (segundo ano da gestão Chinaglia), também 84%.
Neste ano, já sob o comando de Michel Temer (PMDB-SP), o índice
de "perdão" está em 87%.
Apesar de crescente, o índice é menor do que foi verificado
na legislatura de 2003 a 2007, quando 94% das faltas foram perdoadas.
Na legislatura anterior a essa (1999-2003), o índice era de
79%.
"Missão oficial"
Diferentemente do que ocorria há alguns anos, não há mais
como saber o que representa abono por motivos de saúde e o que é abono
a título de participação do deputado em "missão
oficial" fora do Congresso. Entretanto, a própria Câmara
reconhece que esse segundo caso representa a grande maioria.
Para a falta ser perdoada, nesta situação, basta ao líder
da bancada enviar à Mesa o pedido de abono sob o argumento de
que o deputado estava em missão, partidária ou legislativa,
fora do Congresso, com a explicação da missão.
Ressalte-se que o trabalho do deputado não se resume às
votações. Além das participações
nas comissões temáticas, faz parte do dia a dia encontros
com eleitores, prefeitos, visitas aos ministérios e atividades
nos Estados de origem.
Mas conforme a Folha mostrou em reportagem de 2006, o maior número
de ausências se concentra em datas próximas a feriados,
festas regionais ou fins de semana. O ranking dos 20 dias de votação
mais esvaziados da atual legislatura mostra, em primeiro lugar, o dia
17 de julho de 2007, o último antes do recesso do meio do ano.
E o fenômeno se repete neste ano. Enquanto a média de
falta dessa legislatura é de cerca de 78 ausências, na
quinta-feira que antecedeu o Carnaval de 2009 houve um pico, com 216
faltas (172 foram abonadas).
A tentativa de Chinaglia de estabelecer votações às
segundas-feiras, que acabou fracassando, também tem a sua resistência
revelada nos números: sete desses dias, para os quais ele convocou
os deputados para votação, estão entre os 20 mais
esvaziados da legislatura.
O dia de votação com o maior número de deputados
presentes na Câmara foi 2 de fevereiro deste ano, data em que
os deputados elegeram Michel Temer presidente da Casa. Só quatro
deputados faltaram.
Esses dados não levam em conta as sessões de discursos,
geralmente nas segundas e sextas, quando é dispensado o registro
de presença.
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Folha de S.Paulo, 7 de
setembro de 2009
Lula vetará o
plantio da cana em 50% do país
Á rea em que serão
vetadas plantações novas inclui a Amazônia
e o Pantanal
Projeto, que será anunciado no
dia 17, busca derrubar barreiras à venda do álcool
no exterior; proibição terá que passar
pelo Congresso
MARTA SALOMON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Com um ano e dois meses de atraso, o presidente Lula vai
anunciar o veto à expansão das plantações
numa área de 4,6 milhões de quilômetros
quadrados -mais da metade do território nacional-
e em regiões que mantenham a vegetação
nativa no restante do país. Essas serão as
principais medidas do "selo verde" que quer imprimir
ao projeto do álcool combustível, escanteado
devido à prioridade ao pré-sal.
Em discurso na sede da União Europeia, em Bruxelas, em julho
de 2007, Lula afirmou que o biocombustível brasileiro não
aumentaria o desmatamento nem avançaria sobre a produção
de alimentos. Desde então, esse compromisso ficou limitado às
palavras.
Com exceção das nove usinas que operam na Amazônia
e na área do entorno do Pantanal mato-grossense, novos empreendimento
serão proibidos nessas regiões, segundo a proposta. O
projeto estimulará novas plantações de cana em áreas
de pastagens degradadas.
A expectativa de governo e produtores é duplicar a área
de cerca de 7 milhões de hectares (ou 70 mil quilômetros
quadrados) de cultivo até 2017. Objeto de longa e acirrada disputa
no governo, as regras do zoneamento da cana correm o risco de serem
alteradas no Congresso antes de entrarem em vigor.
Aos ministros, Lula anunciou que não podia comprometer a estratégia
do álcool "verde" para atender aos interesses de produtores
rurais do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul, aliados do ministro
Reinhold Stephanes (Agricultura). Mas, ao optar por um projeto de lei
-e não por medida provisória-, Lula abriu caminho para
novo "round" entre o agronegócio e os ambientalistas.
O anúncio do zoneamento da cana está confirmado para
o dia 17. O evento terá 300 convidados. Integrantes do governo
reconhecem no ato comandado por Lula uma resposta à movimentação
da pré-candidata ao Planalto Marina Silva (PV). O compromisso
com o biocombustível verde extrapola, porém, o debate
político interno. Tem a ver com a imagem internacional e com
a possibilidade de barreiras não-tarifárias à venda
do álcool no exterior.
Essa preocupação foi exposta em carta a Lula pelo presidente
da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar),
Marcos Jank. A carta registra que "percepções errôneas
sobre a correlação entre biocombustíveis e desmatamento
ainda persistem" e pede a definição breve das regras.
Lobby
O lobby mais forte e principal entrave ao zoneamento da cana até aqui
tem como pivô uma área de 110 mil quilômetros quadrados
no entorno do Pantanal. Ambientalistas alegam que o cultivo de cana
na área, onde já operam cinco usinas, pode contaminar
o Pantanal. O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) ameaçou deixar
o governo caso a área fosse liberada para a cana.
Os produtores locais, que esperavam fazer da borda do Pantanal um novo
polo de produção de açúcar e de álcool,
prometem reagir. "70% da produção do Mato Grosso
se concentra nessa região e três novos projetos estavam
aguardando a liberação. A decisão é um
retrocesso", disse Jorge Santos, diretor do Sindálcool
(Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras do Estado do Mato
Grosso).
A mobilização para tentar mudar a proposta
do governo no Congresso é confirmada pelo presidente
do BioSul (Associação dos Produtores de Bioenergia
de Mato Grosso do Sul), Roberto Hollanda. "Há cerca
de um milhão de hectares que poderiam receber novos
projetos", defende.
A presidente da CNA (Confederação Nacional da Agricultura),
senadora Kátia Abreu (DEM-TO), avalia que o zoneamento da cana
deveria se limitar a medidas de incentivo à produção
em áreas que o governo considerasse mais aptas, sobretudo por
meio de financiamento público. "Proibir é uma coisa
de que não gosto; ferir o direito de propriedade e a livre iniciativa
incomoda", disse.
A proposta do governo prevê o veto à expansão da
cana na Amazônia e no entorno do Pantanal não só via
licenciamento, mas por meio de autorização do Ministério
da Agricultura às novas usinas. Outra medida é proibir
o corte da vegetação nativa para o cultivo de cana. A
desobediência poderá levar ao embargo da produção.
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Folha de S.Paulo, 7 de
setembro de 2009
Semana curta traz ata
do BC e resultado de PIB e IPCA
Mas analistas afirmam que
mercados seguem sem rumo
TONI SCIARRETTA
DA REPORTAGEM LOCAL
Com os feriados da Independência do Brasil e do
Trabalho nos EUA, hoje, os mercados retomam os negócios
só amanhã. O destaque no Brasil será o
resultado do PIB no segundo trimestre, que sai na sexta
e deve carimbar oficialmente o fim da recessão no
país. A expectativa é que a economia tenha
tido crescimento entre 1,6% e 2% no período, em
relação ao trimestre anterior.
Na quinta, o IBGE divulga o IPCA de agosto, que deve ficar em 0,2%.
O evento mais aguardado é a ata do Copom, embora o mercado dê como
certo que os juros serão mantidos em 8,75% até dezembro.
Nos EUA, o destaque fica para a divulgação na quarta
do Livro Bege, que traz a interpretação do Federal Reserve
(BC dos EUA) sobre a recuperação. Para Silvio Campos
Neto, economista do banco Schahin, poucos indicadores terão
capacidade de alterar o ritmo dos negócios nesta semana.
" Falta um pouco de confiança para o mercado ir mais além
desse patamar alcançado. [O mercado] Estava pedindo uma realização
[queda na Bolsa], que chegou a acontecer no início da semana [passada].
Voltou a melhorar, mas é difícil, no curtíssimo prazo, ter
um fôlego para ir muito além disso. Até porque há muita
incerteza sobre o grau de recuperação."
A China deve divulgar na quarta dados sobre o nível de atividade
industrial, um dos poucos índices da semana capaz de surpreender
o mercado. "É bem difícil estimar o que acontece
na China e pode ser que mexa [com a Bolsa]. Mas depende muito do sentimento
do mercado. E o mês de setembro é psicologicamente negativo.
Houve eventos bastante negativos no mês. O mercado ficará gravitando
em torno desses níveis, mas sem direção nenhuma",
disse Elson Teles, da Corretora Concórdia.
Para Campos Neto, é importante destacar que não está no
radar uma situação inversa, capaz de provocar uma preocupação
excessiva e motivar instabilidade nos mercados. "É um ambiente
um pouco mais morno, com oscilações normais no mercado",
disse.
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Folha de S.Paulo, 7 de
setembro de 2009
Fundo FGTS/Petrobras
rende quase 800%
Rentabilidade desde 2000 serve
de estímulo para trabalhador pressionar por nova rodada
de aplicação do FGTS em ações
Ganho isolado do fundo de garantia é de
59,8% desde 2000, quando foi possível aplicar na
estatal; governo reluta em novo uso do FGTS
MARCOS CÉZARI
DA REPORTAGEM LOCAL
A expressiva rentabilidade obtida até agora por
quem usou o FGTS para comprar ações da Petrobras
e da Vale será o principal argumento dos trabalhadores
para que o governo volte a aceitar o uso do fundo pelos
acionistas minoritários da estatal e pelos que ainda
não são.
Por enquanto, o governo tem se manifestado contrário ao uso
desses recursos, sob o argumento de que não pode faltar dinheiro
para financiar a construção de casas populares (do programa "Minha
Casa, Minha Vida"), em saneamento básico e em infraestrutura
urbana.
A rentabilidade de quem usou o FGTS para comprar ações
da Petrobras, em 2000, está em 791% -até a última
sexta-feira. Nesse mesmo período, o FGTS rendeu apenas 59,75%,
segundo cálculos de Mario Avelino, presidente da ONG Instituto
FGTS Fácil. No caso da Vale, a rentabilidade, desde 2002, é de
716% (também até sexta-feira), ante apenas 47,86% do
fundo.
Avelino avalia que, se a proposta da Câmara -que no mês
passado elevou de 10% para 30% o percentual para que os trabalhadores
invistam recursos do FGTS em projetos do PAC- for aprovada e virar
lei, poderá fazer com que a estabilidade financeira do FGTS
fique comprometida.
Ele usa números oficiais para comprovar sua tese. O saldo do
FGTS em 31 de dezembro do ano passado era de R$ 175,3 bilhões
(valor do demonstrativo financeiro divulgado pela Caixa). Partindo
do pressuposto de que o governo permita que os trabalhadores usem no
mínimo R$ 500 (em 2000 e em 2002 foram R$ 300), estarão
aptos a investir no PAC os trabalhadores com ao menos R$ 1.670 no fundo,
calcula Avelino. Os 30% representariam R$ 501.
Como o saldo das contas do FGTS com valores a partir de R$ 1.670 totaliza
cerca de R$ 123 bilhões, os 30% representariam cerca de R$ 37
bilhões. Esse seria o valor potencial a ser usado pelos trabalhadores
-e não apenas os R$ 5 bilhões anunciados pelo governo.
Além disso, a lei permite que possam ser usados até 80%
do patrimônio líquido do FGTS (de cerca de R$ 27 bilhões),
o que daria mais R$ 22 bilhões. Assim, a soma chegaria a R$
59 bilhões que poderiam ser aplicados em obras do PAC. " Esses
R$ 59 bilhões podem desestabilizar a estrutura financeira do
FGTS, prejudicando os investimentos em habitação, saneamento
e infraestrutura", afirma Avelino.
Para que isso não ocorra, ele propõe que seja mantido
o uso de apenas 10% em projetos do PAC, com captação
de R$ 12,3 bilhões, e que os trabalhadores possam aplicar mais
10% do fundo em ações da Petrobras no pré-sal,
somando outros R$ 12,3 bilhões. Assim, de acordo com Avelino,
o percentual máximo de investimento do FGTS seria de 20%, não
comprometendo a estabilidade financeira para aplicação
nos três setores já citados.
Futuro das ações
As novas regras para o pré-sal, anunciadas pelo governo há uma
semana, esquentaram a discussão sobre a possibilidade de os
trabalhadores utilizarem novamente parte de seu FGTS para aplicar na
Petrobras.
A polêmica questão surgiu porque a Petrobras, dentro do
projeto de exploração do pré-sal, planeja fazer
uma capitalização bilionária de recursos. Esse
processo prevê a emissão de ações e a principal
dúvida é sobre se os trabalhadores que já têm
recursos aplicados nos fundos FGTS/Petrobras poderão adquirir
novos papéis.
Se não puderem, acabarão por ver sua participação
na companhia -que irá crescer de tamanho com a capitalização-
diminuir proporcionalmente. Em agosto de 2000, foram 312 mil os trabalhadores
que entraram nesses fundos criados com ações da petrolífera.
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