 |
Agência Diap, 8 de setembro de 2009
Agenda Política: Cobap mobilizada
contra acordo entre Governo e centrais
Movimento a favor do PL 3.299/08,
que extingue fator previdenciário. Oposição
obstrui trabalhos, contra urgência constitucional
para os projetos do marco legal do pré-sal
A Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas
(Cobap) realiza mobilização, nesta terça-feira
(8), com concentração às 9 horas, em frente
ao anexo 2 da Câmara dos Deputados. Foram convidadas todas
as entidades do Brasil. São esperadas caravanas de diversos
estados.
O objetivo da manifestação é pressionar a
Câmara a votar a emenda ao PL 1/07, que trata do salário
mínimo. E emenda do senador Paulo Paim (PT/RS), aprovada no
Senado, que corrige as aposentadorias e pensões acima de um
mínimo segundo a política de atualização
e correção do piso nacional.
O segmento também quer ver aprovado o fim do fator previdenciário
(PL 3.299/08). Desse modo, a Cobap, o FST, a CTB e a Nova Central
se posicionam contrários ao acordo que permitirá votar
as matérias que tratam dos benefícios do INSS.
Pré-sal
Nesta quarta-feira (9), serão instaladas na Câmara, as
comissões especiais que discutirão os projetos que tratam
do marco regulatório do pré-sal. A disputa pela presidência
e relatoria entre os partidos da base é grande.
Na quinta-feira (10), se encerra o prazo de cinco sessões
para que sejam apresentadas emendas aos projetos. Nesse mesmo dia,
o ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, participa de audiência
pública na Comissão de Minas e Energia para discuti-los.
Obstrução
Esta semana promete ser muito agitada no Congresso.
O Governo decidiu não retirar a urgência constitucional
dos projetos do marco regulatório do pré-sal. Em razão
disso, a oposição - PSDB, DEM e PPS - prometem obstruir
os trabalhos legislativos, nas comissões e também no
plenário.
Será uma queda de braço. Se o Governo não quiser
ver os trabalhos no Congresso paralisados terá que mobilizar
sua base para impedir a obstrução.
Livro: mundo do trabalho
A CUT (Central Única dos Trabalhadores) lança, nesta
quinta-feira (10), o livro "O mundo dos trabalhadores e seus arquivos".
O evento acontece na sede da central e contará com a presença
do presidente da entidade, Artur Henrique da Silva Santos; do secretário-geral,
Quintino Marques Severo; e da pesquisadora do Arquivo Nacional, Inez
Stampa.
"Nosso objetivo é fazer com que o movimento sindical
se preocupe com a preservação de seus jornais, boletins,
cartazes e documentos", declarou Quintino.
Ele informa que o livro é formado por 15 artigos de pesquisadores.
Entre eles, Leonilde Sérvolo de Medeiros, sobre movimentos
camponeses no Brasil, e John French, sobre o trabalho de arquivo
em países da América Latina.
O lançamento está programado para ser iniciado às
18 horas, na Rua Caetano Pinto, 575, Brás, São Paulo.
Programa partidário
O Partido Socialista Brasileiro (PSB) exibe, nesta quinta-feira (3),
em cadeia nacional, sua segunda propaganda partidária de 2009.
O programa é apresentado pelo deputado federal Ciro Gomes (CE)
e terá dez minutos de duração, com início às
20h no rádio e 20h30 na televisão.
Além desse programa, serão veiculadas inserções
- com 30 segundos - em todo País, nos dias 5, 8 e 10 de setembro.
Veja, a seguir, a previsão dos principais acontecimentos
políticos desta semana:
Segunda-feira (7)
- Feriado Nacional (Dia da Independência)
- O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), promove
jantar com os deputados federais do estado para discutir o pré-sal.
- O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, participa na
Basileia, Suíça, das reuniões bimestrais do
Banco de Compensações Internacionais (BIS).
Terça-feira (8)
- CNT/Sensus divulga pesquisa sobre avaliação do Governo
Lula e intenção de voto para presidente da República.
- Bancada do PSDB na Câmara se reúne para discutir
regulamentação do pré-sal.
- O deputado Flávio Dino (PCdoB/MA), relator da reforma eleitoral
na Câmara, e os senadores Eduardo Azeredo (PSBD/MG) e Marco
Maciel (DEM/PE), relatores da reforma eleitoral nas Comissões
de Ciência e Tecnologia e de Constituição e Justiça
do Senado, respectivamente, discutem texto para acabar com as restrições
ao uso da internet na campanha eleitoral de 2010.
- O plenário do Senado tenta votar o projeto de lei sobre
reforma eleitoral.
- A Comissão de Assuntos Econômicos promove audiência
pública sobre os quatro projetos que tratam da exploração
de petróleo na camada de pré-sal com João Carlos
de Luca, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás
e Biocombustíveis (IBP); Murilo Marroquim, presidente da Devon
Energy do Brasil e membro do Comitê de Exploração
e Produção do IBP; e Ivan Simões Filho, vice-presidente
da British Petroleum do Brasil e membro do Comitê de Exploração
e Produção do IBP.
- A Comissão Parlamentar de Inquérito da Petrobras
ouve depoimento de dois representantes da Pini Serviços de
Engenharia, empresa indicada pela estatal para atestar a obra da
Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. A CPI apura suposto superfaturamento
na referida obra, apontado em relatório do Tribunal de Contas
da União (TCU).
- A Frente Parlamentar da Agropecuária, a Organização
das Cooperativas do Brasil (OCB) e a Confederação Nacional
da Agricultura (CNA) promovem seminário na Câmara dos
Deputados para discutir o novo Código Ambiental Brasileiro.
- A Comissão de Seguridade Social e Família promove
audiência pública para discutir a situação
dos aposentados, bem como as várias propostas legislativas
em tramitação no Congresso Nacional, que afetam esse
segmento.
- O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, faz palestra
no The Reform Club (Londres).
- Inserções nacionais do PSB, em cadeia de rádio
e TV, totalizando 5 minutos.
Quarta-feira (9)
- Prevista instalação das quatro comissões especiais
que analisarão os projetos que regulamentam o pré-sal.
- O ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel,
e o presidente do Presidente do Instituto Nacional de Colonização
e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbard, falam na Comissão
de Agricultura da Câmara sobre os projetos de assentamento
do Governo e conflitos agrários.
- CNI divulga indicadores industriais de julho.
- FED (Banco Central americano) divulga o Livro Bege, sumário
da situação da economia americana.
- A Organização dos Países Exportadores de
Petróleo (Opep) se reúne para debater, entre outros
assuntos, o nível de produção do cartel.
Quinta-feira (10)
- Último dia para apresentação de emendas aos
projetos que regulamentam o pré-sal.
- O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, participa
de audiência conjunta da Comissão de Infraestrutura
e da Comissão de Assuntos Econômicos para debater os
quatro projetos de lei encaminhados ao Congresso tratando da exploração
do pré-sal.
- O Banco Central divulga a ata da última reunião
do Copom.
- Programa nacional do PV, de 10 minutos, em cadeia de rádio
e TV, terá Marina Silva (AC) como destaque.
- Inserções nacionais do PSB, em cadeia de rádio
e TV, totalizando 5 minutos.
Sexta-feira (11)
- IBGE divulga resultado do PIB relativo ao segundo trimestre de 2009.
|
Agência Diap, 8 de setembro de 2009
PEC dos vereadores é o
destaque da semana no plenário da Câmara
O plenário da Câmara dos Deputados pode votar a PEC 336/09,
que aumenta o número de vereadores no Brasil, esse é o
destaque do plenário na Semana da Pátria. Os deputados
devem votar a matéria em primeiro turno em sessão extraordinária
nesta quarta-feira (9).
Para as sessões ordinárias, estão previstas
as votações dos destaques à MP 465/09, que tranca
a pauta, e três projetos de lei com urgência constitucional
vencida.
Em protesto contra o regime de urgência determinado pelo Governo
para os quatro projetos do marco legal para exploração
do pré-sal, a oposição declarou que vai obstruir
os trabalhos.
|
Radioagência NP, 8 de setembro de
2009
Fundo soberano do pré-sal
pode gerir US$ 5 trilhões ao Brasil
Para movimentos sociais, debate sobre destino dos recursos do pré-sal
não pode ficar limitado ao Congresso, precisa ser discutido
com a população. Este é o tema do quinto programa
da série.
Até pouco tempo, informações oficiais apontavam
que o Brasil possuía uma reserva de 14 bilhões de barris
de petróleo - quantidade suficiente para abastecer o país
durante 18 anos. Mas este cenário mudou.
De acordo com o economista e assessor da Federação Única
dos Petroleiros (FUP), Henrique Jäger, com o anúncio
das descobertas da camada pré-sal, as reservas podem ser duplicadas
em apenas dois anos.
Em valores financeiros isso significa uma injeção
na economia brasileira de aproximadamente US$ 5 trilhões,
tendo como referência apenas dois campos de petróleo
desta imensa reserva.
Os movimentos sociais defendem a criação de um Fundo
Social Soberano para garantir que esses recursos atendam as necessidades
do povo brasileiro.
O Governo Federal sinaliza criar um fundo para gerenciar os lucros
obtidos com a exploração das novas jazidas. Na avaliação
do integrante da coordenação nacional do Movimento
dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stedile,
apenas a pressão popular vai garantir a destinação
social desses recursos.
Segundo ele, os recursos do Fundo Soberano só serão
investidos em educação, saúde, reforma agrária
e geração de empregos se ocorrer uma grande mobilização
popular.
"O petróleo é um recurso natural e de propriedade
do povo brasileiro, como estabelece a Constituição.
Não basta que o governo Lula encaminhe uma lei ou que os deputados
discutam. O fundamental é que a população participe
para que ela tenha de fato opinião sobre qual a melhor forma
de utilizarmos este recurso que é de todos".
De acordo com Stedile, a reivindicação popular deve
ser pela criação de um conselho social, com a representação
dos movimentos sociais e da sociedade, para gerenciar e decidir onde
investir os recursos. Stedile ainda ressalta que os recursos do pré-sal
estão em disputa com as elites do país, que devem propor
os investimentos dessas riquezas visando seus próprios interesses.
"Os empresários também vão se mobilizar.
Eles estão dizendo na imprensa que é ótimo um
fundo soberano, pois vão aplicar esse dinheiro no Plano de
Aceleração do Crescimento (PAC), em infra-estrutura
e na modernização de portos. Isso é problema
do capital. Temos que usar os bens da natureza, que é do povo,
para resolver os problemas do povo. Eles que busquem dinheiro nos
bancos, já que gostam tanto deles".
No caso da agricultura, os investimentos devem ser feitos na transição
para um modelo agrícola que privilegie a produção
de alimentos saudáveis, além de um programa de reflorestamento.
Entre outras dívidas históricas com o povo brasileiro,
está o déficit de moradia que, no Brasil, é de
7,2 milhões de casas. No caso da educação, o
Brasil possui apenas 11% dos estudantes nas universidades.
Os estudantes, por sua vez, foram protagonistas nas lutas que resultaram,
ainda na década de 50, no monopólio da União
sobre o petróleo e na criação da Petrobras.
A União Nacional dos Estudantes (UNE) promete que vai se mobilizar
para que o povo se aproprie dos recursos do pré-sal. Por isso,
a entidade defende o fim dos leilões das áreas do pré-sal
e a mudança do atual marco regulatório.
O Presidente da entidade, Augusto Chagas, comenta que a UNE vê o
tema do pré-sal como uma chance para o debate sobre o investimento
no setor de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
"É constitucional que destine boa parte da riqueza gerada
por essa exploração para as questões sociais,
em especial para a educação. Ainda estamos muito distantes
da bandeira histórica de luta do movimento educacional do
Brasil, que é destinar 10% do PIB brasileiro para o setor
educacional. Só com mais investimento em educação é que
vamos construir um país mais desenvolvido e com mais justiça
social".
Na opinião do Secretário Nacional de Movimentos Populares
do Partido dos Trabalhadores (PT), Renato Simões, é importante
o engajamento da militância petista nesta luta para assegurar
que os recursos sejam destinados ao povo brasileiro. Uma vez que,
de acordo com ele, as bandeiras das forças conservadoras serão
contrárias ao uso social dos recursos do pré-sal.
"Não tenho dúvida que os grandes grupos econômicos,
os setores conservadores e privatistas da sociedade brasileira disputarão
agora no Congresso Nacional; em 2010, nas eleições
presidenciais; e nas ruas se necessário, bandeiras contrárias às
que estão sendo defendidas pelo campo democrático popular.
Por isso, não será a frio que conquistaremos esse elemento
e vários outros da campanha".
|
Terra, 8 de setembro de 2009
Eleição de 2010 terá engajamento
recorde, diz especialista
Graças à internet, o engajamento e o ativismo do eleitor
nas eleições de 2010 vai atingir um grau nunca visto
na história da democracia brasileira. A exemplo do que aconteceu
nas últimas eleições americanas, o candidato manterá a
posição de protagonista, mas vai dividir a cena com o
eleitor, que colaborará com a campanha de forma intensa. A conclusão é do
vice-cordenador do Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação
Getúlio Vargas (FGV) do Rio de Janeiro, advogado Carlos Affonso
de Souza.
" O eleitor vai conseguir dialogar. As leis anteriores eram muito preocupadas
com a exposição do candidato. Agora, tem uma massa de eleitores
que vai produzir material eleitoral e vai gerar um novo panorama."
Redes sociais
O professor aposta em uma campanha mais popular, com ampla utilização
das redes sociais, como Messenger, Orkut e Twitter, o que terá impacto
em todo o processo eleitoral. "O brasileiro faz uso sofisticadíssimo
da internet, um uso avançado, porque não a utiliza
apenas para receber/enviar e-mails ou ler notícias, mas para
uma comunicação diferenciada e em tempo real - em chats
e redes sociais. Não é um uso exclusivo das classe
A e B, mas disseminado", disse Souza.
Porém, segundo o advogado, antes de colocar a internet em
uso em prol das próximas eleições, o Brasil
precisa esclarecer e resolver problemas de direito autoral e de proibições
da legislação eleitoral. No Brasil, a legislação
eleitoral não deixa muito claro o que pode e o que não
pode ser feito, conforme Souza.
A lei autoral americana, que norteou pontos da lei eleitoral, permite
a criação de obras com fotos, imagens e textos de terceiros,
pois usa o conceito fair use (uso razoável, justo). Lá é permitido
produzir vídeos com montagens.
Um dos vídeos mais vistos na campanha de Barack Obama foi
produzido sem o envolvimento do candidato ou sua equipe. O cantor
Will.i.am, da banda Black Eyed Peas, publicou no YouTube um vídeo
com uma colagem de um discurso realizado por Obama em New Hampshire
e de fundo, uma melodia na voz de diversos artistas.
Reforma eleitoral
Em julho, a Câmara dos Deputados aprovou as novas regras para
o processo eleitoral, permitindo a propaganda e o uso eleitoral de
ferramentas da web, como blogs e redes sociais, como o Twitter e
o Orkut. As mudanças ainda precisam ser confirmadas pelo Senado
Federal e devem passar a valer nas eleições de 2010.
Nesta última semana, as comissões de Constituição
e Justiça (CCJ) e de Ciência e Tecnologia (CCT) no Senado
aprovaram proposta que autoriza sites de notícia e de busca
a publicar propaganda paga de candidatos à presidência
da República. A idéia de estender o direito a candidatos
a outros cargos foi derrubada por não ser possível
garantir isonomia a todos. A nova regra, que ainda precisa ser avalizada
pelo Plenário da Casa, não constava da proposta aprovada
pela Câmara.
Conforme o projeto, a web poderá ser instrumento de campanha,
desde que o conteúdo seja produzido pelo próprio candidato,
partido ou coligação. Os eleitores também poderão
apoiar os políticos, desde que façam manifestações
individuais e não se refiram a adversários. Os candidatos
podem pedir votos em suas páginas pessoais, redes de relacionamentos,
Messenger (serviço de mensagens instantâneas) e blogs,
mas estão proibidos de divulgar campanhas em sites oficiais
ou da administração pública e de veicular publicidade
eleitoral em sites de empresas.
Até que o novo projeto seja aprovado no Plenário do
Senado, segue valendo as restrições determinadas pelo
Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que permite campanha apenas por
meio de sites destinados às eleições, sob o
domínio ".can.br". Pela regra, a página deve
ser tirada do ar dois dias antes das eleições.
|
Vermelho, 8 de setembro de 2009
Combate às práticas
antissindicais
Augusto César Petta *
Juntamente com Gilda Almeida, Celina Areas e Renan Arrais, respectivamente
Secretária Nacional de Meio Ambiente da CTB, Secretária
Nacional de Formação, Cultura, Lazer e Esporte da CTB
e Assessor Jurídico da CTB, participei do Seminário organizado
pelo Comando das Centrais de Combate às Práticas Antissindicais,
realizado em São Paulo, no Hotel do Sindicato dos Trabalhadores
em Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de São Paulo
e Grande São Paulo, nos dias 24 e 25 de agosto .
Além da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil
- CTB, participaram do evento representantes da CGTB, CUT ,Força
Sindical, Nova Central e UGT.
O objetivo principal do Seminário foi o de contribuir no
fortalecimento da luta contra as Práticas Antissindicais -
PAS e do respectivo Comando que as Centrais Sindicais organizaram.
Contando com a presença do especialista da OIT, o mexicano
Eduardo Rodriguez Calderon, foram discutidos os seguintes temas:
Os direitos sindicais nas normas internacionais do trabalho; a organização
sindical e seus principais ensinamentos da luta contra as práticas
antissindicais e o programa de trabalho do Comando de Luta contra
as práticas antissindicais.
Segundo consta num documento das Centrais Sindicais, "são
chamadas de Práticas Antissindicais aquelas que, direta ou
indiretamente, cerceiam, disvirtuam ou impedem a legítima
ação sindical em defesa e promoção dos
interesses dos trabalhadores".
As PAS manifestam-se das mais variadas formas: ameaças à integridade
física, inclusive assassinatos de dirigentes e militantes
sindicais(principalmente no campo); demissões de dirigentes
sindicais por parte dos empregadores; decisões da Justiça
que retiram a estabilidade dos dirigentes sindicais, e que impedem
a cobrança de taxas definidas pelas assembléias das
entidades sindicais; restrições às negociações
coletivas; aplicação do interdito proibitório,
que dificulta a greve e que estabele multas absurdas para entidades
sindicais quitarem; discriminações de vários
tipos, inclusive com patrões, dificultando, ao máximo
a filiação dos trabalhadores e trabalhadoras aos sindicatos,
e quando sindicalizados, forçando a que se dessindicalizem;
assédio moral; impedimento legal à organização
por local de trabalho; repressão à imprensa sindical;
impedimeto de acesso do dirigente sindical ao local de trabalho;
implantação da reestruturação produtiva
que desregulamenta , terceiriza, precariza o trabalho dificultando
a organização sindical. Enfim, há uma série
de práticas que dificultam ou até mesmo impedem, que
as entidades sindicais possam atuar com liberdade, para desempenhar
adequadamente seu papel .
No que se refere às convenções da OIT, o Brasil é signitário
de várias delas, inclusive da 98, que diz que "os trabalhadores
deverão gozar de proteção adequada contra quaisquer
atos atentatórios à liberdade sindical em matér
ia de emprego".
Contando com os direitos garantidos pela Constituição
Federal e pela Convenção 98 da OIT que o Brasil é signatário,
o Comando das Centrais de Combate às PAS resolveu tomar, entre
outras medidas, as seguintes:
1. realizar um Ato Público, em Belém, de denúncia
das PAS, principalmente no que se refere aos assassinatos de dirigentes
sindicais.
2. ampliar o Comando de Combate às PAS, incluindo
várias entidades dos movimentos sociais.
3. denunciar ao Executivo, ao Legislativo, ao Judiciário,
a OIT quaisquer PAS cometidas contra as entidades sindicais, seus
dirigentes e militantes.
4. divulgar amplamente, para todas as entidades sindicais
e movimentos sociais, as PAS cometidas e as medidas que estão
sendo tomadas, no sentido de coibi-las.
5. aproveitar todos eventos , as datas de luta do movimento
sindical - como o 1° de maio - para denunciar as PAS e divulgar
o movimento de combate.
6. debater o temas da s PAS nas reuniões das entidades
sindicais.
Houve entre os participantes a convicção de que,
mesmo contando com o amparo legal, a superação das
PAS só ocorrerá se tivermos um movimento forte de combate
a elas, de denúncia constante para inibir as classes dominantes
continuarem a exercer essas práticas nocivas aos trabalhadores
e trabalhadoras.
* Professor, sociólogo, Coordenador
Técnico do Centro de Estudos Sindicais (CES), membro
da Comissão Sindical Nacional do PCdoB, ex- Presidente
do SINPRO-Campinas e região, ex-Presidente da CONTEE.
|
Gazeta do Povo, 8 de setembro de 2009
Medidas anticíclicas
Brasil gastou 5,6% do PIB para conter
os efeitos da crise
Despesas com desonerações,
investimentos públicos e pacotes de estímulo ficaram
acima da média global. Mas países ricos gastaram
muito mais no resgate de bancos
Basileia - O Brasil gastou o equivalente a 5,6% de seu Produto Interno
Bruto (PIB, a soma de todos os bens e serviços produzidos
no país) em incentivos fiscais para tirar a economia da recessão.
Nesta semana, os novos dados do PIB indicarão o fim da recessão.
Ainda assim, em termos porcentuais, o Brasil gastou mais que Estados
Unidos, França, Reino Unido ou Japão em pacotes de
incentivos para o setor produtivo.
De acordo com a ONU, o Brasil sofrerá uma contração
de sua economia de 0,8% em 2009, contra uma queda de 2,5% no mundo.
Esses dados fazem parte de um relatório divulgado pela Conferência
das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento
que fez um levantamento de tudo aquilo que foi gasto ou prometido
por governos como ações anticrise. O documento ainda
aponta que os sinais positivos registrados no mercado internacional
não significam que a crise tenha sido superada no mundo. Segundo
a entidade, os gastos brasileiros também estão acima
da média dos países emergentes, que deixaram 4,7% de
seus PIBs em medidas de resgate das economias. Nos países
ricos, essas despesas chegaram a 3,7% do PIB, o que em valores absolutos
significa muito mais do que o gasto dos países menos desenvolvidos.
G-20
No último fim de semana, o G-20 (grupo das maiores economias
do mundo) deixou claro que não está na hora de retirar
os pacotes de ajuda econômica. Para o presidente do Banco Central,
Henrique Meirelles, o Brasil também não deve atuar
de forma prematura e retirar os incentivos. “A recomendação
(do G-20) também vale para nós”, disse Meirelles.
No total, a estimativa é de que em média cada uma
das principais economias do mundo gastou 4% de seu PIB nessa crise.
Nesse cálculo, a ONU inclui desoneração de impostos,
investimentos públicos, ajuda a empresas que queriam manter
seus empregados trabalhando, eventuais elevações de
seguro desemprego e a distribuição de recursos para
ajudar setores a exportar. Os estímulos fiscais dados pelo
governo brasileiro foram inferiores aos da China e Coreia, com 6,2%
do PIB, e dos 6,4% na Argentina.
Nos Estados Unidos, a taxa chegou a 5,5%, contra 4,7% no Japão
e 3,9% na Espanha. Mas o Reino Unido destinou apenas 1,9% e na França
a taxa foi de 1,5%. Detlef Kotte, autor do estudo, revela que de
fato os pacotes foram e continuam sendo necessários para
compensar as perdas geradas pela crise. “Sem essas medidas,
a pobreza teria aumentado certamente, inclusive no Brasil”,
disse. Kotte alerta que o impacto nas contas do governo surgirá apenas
em 2010, no cálculo do déficit fiscal. “A esperança
de muitos governos é de que esse déficit seja neutralizado
pelo crescimento que os pacotes vão gerar”, disse. O
risco, segundo ele, é de que a renda gerada pelo crescimento
e o maior pagamento de impostos levem um certo tempo ainda para ocorrer.
Bancos
Nos pacotes de socorro aos bancos, a situação é diferente.
O Brasil destinou apenas 1,5% de seu PIB para ajudar as instituições
financeiras. Na Índia, a taxa chegou a 6%. Já nos países
ricos, os volumes chegaram a 263% do PIB da Islândia, 230%
na Irlanda, 81% nos EUA e 22% na Alemanha. Em média, as maiores
economias destinaram o equivalente a 32% de seus PIBs em injeção
de capitais em bancos, compra de ações, empréstimos,
apoio do banco central e garantias.
Para a ONU, tudo isso não resolveu o problema. Muitos bancos
continuaram sem emprestar, ainda que o sistema financeiro tenha sido
salvo do colapso. Para a entidade, enquanto o desemprego aumentar
e o consumo cair, os bancos não vão se sentir cômodos
suficiente para voltar a liberar recursos.
Crescimento
Apesar dos gastos, a economia brasileira sofrerá uma queda
de 0,8% em 2009, de acordo com a ONU. O tombo será mais suave
que a média latino-americana, de 2%. A pior situação
na região é do México, com uma contração
de 7%. Meirelles, no entanto insiste que o Brasil apresentará uma
taxa positiva ao longo deste ano.
China e Índia terão taxas bem altas para o atual cenário,
de 7,8% e 5%, respectivamente. Os dois países puxarão
a média dos emergentes para cima. No geral, os mercados em
desenvolvimento terminarão 2009 com um crescimento de 1,3%.
|
Gazeta do Povo, 8 de setembro de 2009
FGTS
Petrobras já rendeu quase
800%
A expressiva rentabilidade obtida até agora por quem
usou o FGTS para comprar ações da Petrobras e da
Vale será o principal argumento dos trabalhadores para que
o governo volte a aceitar o uso do fundo pelos trabalhadores.
Por enquanto, o governo tem se manifestado contrário ao uso
desses recursos, sob o argumento de que não pode faltar dinheiro
para financiar a construção de casas populares (do programa “Minha
Casa, Minha Vida’’), em saneamento básico e em infraestrutura
urbana – linhas que usam obrigatoriamente os recursos do FGTS.
A rentabilidade de quem usou o FGTS para comprar ações
da Petrobras, em 2000, está em 791% – até a última
sexta-feira. Nesse mesmo período, o FGTS rendeu apenas 59,75%,
segundo cálculos de Mario Avelino, presidente da ONG Instituto
FGTS Fácil.
|
Folha de S.Paulo, 8 de setembro de 2009
Trabalho escravo é flagrado
em obra do PAC
Fiscais resgatam 98 trabalhadores
em construção de usina no interior de Goiás
Em instalações sem cama nem banheiro,
funcionários trabalhavam em troca de comida, acumulavam dívidas
e não recebiam salários
EDUARDO SCOLESE
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Fiscais do governo federal e do Ministério Público
do Trabalho encontraram e resgataram 98 trabalhadores em regime análogo à escravidão
numa obra que integra o PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento), no sul de Goiás. A partir de uma denúncia,
a ação de procuradores e de auditores do Ministério
do Trabalho numa usina hidrelétrica começou no início
da semana passada e somente foi concluída na madrugada de
anteontem, quando os trabalhadores foram indenizados e puderam retornar às
suas casas.
A construção da usina Salto do Rio Verdinho é de
responsabilidade da Votorantim Energia, braço do Grupo Votorantim,
e tem o apoio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social), que no final do ano passado injetou cerca de R$ 250 milhões
na sua implantação.
Planalto e PT apostam no PAC como uma vitrine da candidatura petista
para a sucessão de Lula no ano que vem. Na semana passada, a
ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), pré-candidata petista
a presidente, aproveitou um evento sobre saneamento para, em discurso,
falar das preocupações sociais e ambientais do programa.
Ela chegou a compará-lo ao Bolsa Família.
O PAC, porém, é um motivo de reservas a Dilma por parte
de movimentos sociais e de ambientalistas, caso do MST (Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem Terra) e do MAB (Movimento dos Atingidos por
Barragens). Eles avaliam que o programa prioriza a geração
de emprego e o crescimento da economia sem levar em conta as condições
socioambientais. Procurada ontem, a Casa Civil não se manifestou
sobre o flagrante da fiscalização.
Sem salário e banheiro
O resgate na usina ocorreu nos limites dos municípios de Caçu
e Itarumã (a cerca de 370 km de Goiânia). Sem salários
e instalados em alojamentos precários (sem cama e banheiro),
os trabalhadores atuavam no desmate e na limpeza de uma antiga fazenda
que será usada como reservatório de água, assim
que as comportas da usina forem abertas.
A contratação deles ocorreu por meio de "gatos" (como
são chamados os aliciadores de mão-de-obra degradante)
ligados a uma empresa terceirizada que já atuava na obra quando
o Grupo Votorantim assumiu o projeto, em 2007 -a obra começou
em 2005.
Um desses "gatos" oferecia alimentos aos trabalhadores, mas,
como esses não recebiam salários e estavam sem dinheiro,
eram obrigados a acumular dívidas em troca da comida -uma forma
de mantê-los sob "escravidão", já que
não podiam sair sem quitar as contas.
Contratada para a limpeza do terreno, a empresa (Construtora Lima e
Cerávolo, com sede no sul do Piauí) foi buscar os trabalhadores
no interior de Mato Grosso e de Minas. Desde que chegaram, a partir
de maio, não receberam salários.
Diante do flagrante, o Grupo Votorantim assumiu as dívidas com
os 98 trabalhadores e com outros 30, da região, que souberam
da ação e aproveitaram para cobrar dívidas anteriores.
O grupo desembolsou R$ 420 mil com as rescisões, alugou ônibus
para o transporte deles a MT e MG e decidiu rescindir o contrato com
a empresa.
|
Folha de S.Paulo, 8 de setembro de 2009
OUTRO LADO: VOTORANTIM DIZ QUE JÁ TOMOU
AS MEDIDAS NECESSÁRIAS
A Votorantim Energia diz que "lamenta o ocorrido" e
que "todas as medidas para solucionar definitivamente a questão
e minimizar seus impactos para os trabalhadores foram tomadas".
Ela alega que quando assumiu o projeto "as obras já haviam
sido iniciadas" pela Construtora Lima e Cerávolo e que,
diante da fiscalização, rescindiu o contrato e assumiu
o gerenciamento. A Casa Civil e o Ministério de Minas e Energia
não se manifestaram. A Folha não conseguiu falar com
a Lima e Cerávolo.
|
Folha de S.Paulo, 8 de setembro de 2009
ONU quer moeda global no lugar do
dólar
Unctad avalia que sistema atual de reserva
internacional é um dos culpados pela crise econômica
e pede reforma abrangente
Estudo do órgão também mostra
que, em proporção do PIB, Brasil gastou mais que os
EUA e os demais países ricos em estímulo à economia
DA REDAÇÃO
A ONU defendeu a criação de uma nova moeda global
para proteger os mercados emergentes do "jogo de confiança" da
especulação financeira, em mais um dos golpes recentes
contra o papel do dólar como divisa de reserva internacional.
Para a Unctad (o braço das Nações Unidas para
o comércio e o desenvolvimento), uma das hipóteses é a
criação de uma espécie de banco central global
(que também poderia ser o FMI, reformado), que emitiria uma
moeda de reserva "artificial" -como o bancor, proposto
por John Keynes, em Bretton Woods, em 1944.
O bancor seria uma moeda internacional destinada a ajustar os desequilíbrios
nos balanços de pagamento dos países (que, no entanto,
continuariam com suas próprias divisas). " Uma possibilidade é que
os países concordem em trocar suas próprias moedas por
uma nova, de modo que a moeda global seria lastreada por uma cesta
de divisas de todos os membros", diz relatório da entidade,
que considera o atual sistema de moeda de reserva (em que predomina
o dólar) como um dos culpados da atual crise.
Pela proposta, serão necessárias regras que determinem
que os BCs mundiais intervenham no mercado de câmbio (para que
suas moedas se valorizem ou fiquem mais baratas), dependendo do comportamento
da economia global. A Unctad afirma ainda que, ao contrário
de hoje, tanto países que têm grande deficit (como os
Estados Unidos) como os que possuem enormes superavit (caso da China)
terão que ajustar as suas contas, não ficando mais a
responsabilidade apenas com os primeiros.
Segundo a entidade, o modelo atual tem um viés deflacionário,
já que os países deficitários são obrigados
a reduzir as suas compras no exterior quando não conseguem mais
financiamento, enquanto os superavitários não têm
o dever de aumentar as suas importações. A demanda menor,
portanto, reduz o preço dos produtos.
Críticas ao dólar
As críticas ao dólar como divisa de reserva e a necessidade
da criação de uma moeda global para substituí-lo
não são novidades, com países como China e Rússia
aparecendo na linha de frente dos ataques, mas a posição
do organismo das Nações Unidas é a mais forte
de uma instituição multilateral.
Ao contrário, porém, da maioria dos críticos,
o relatório da Unctad não defende a substituição
do dólar pelo SDR (Direito Especial de Saque, na sigla em inglês,
a moeda do FMI que é composta por quatro divisas: dólar,
iene, libra e franco suíço). Para a Unctad, a valorização
do SDR não é suficiente para ajudar os países
emergentes em busca de liquidez.
Isso porque os países em desenvolvimento, diz, estão
sub-representados no Fundo, o que reduz os efeitos de uma maior emissão
de SDRs -cada país recebe um montante proporcional à sua
cota no FMI.
Na semana passada, o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn,
defendeu o papel do dólar como a moeda de reserva internacional,
mas disse que a sua importância deve ser reduzida. Para ele,
porém, essa mudança deve ocorrer na próxima década,
e não nos próximos meses.
Estímulo fiscal
O estudo da Unctad mostrou ainda que, em porcentagem do PIB, o Brasil
gastou mais em estímulo fiscal do que os EUA e os demais países
desenvolvidos.
Segundo o organismo, o governo usou 5,6% do PIB brasileiro (de cerca
de US$ 1,6 trilhão) em programas como o corte do IPI sobre carros,
eletrodomésticos e material de construção, enquanto
o dos EUA gastou 5,5% do maior PIB mundial (de mais de US$ 14 trilhões)
em planos para estimular a sua economia -porém, os americanos
gastaram 81,1% do seu PIB com ajuda a bancos, ante 1,5% do Brasil.
Na média, os países ricos gastaram 3,7% do PIB com planos
de estímulo à economia. Nos emergentes, esses gastos
representaram 4,7% do PIB.
|
Folha de S.Paulo, 8 de setembro de 2009
SOCIAIS & CIA.
Mercado ainda resiste
a cota para deficientes
Lei que determina que as empresas
contratem percentual mínimo de pessoas com deficiência
completa 18 anos sem trazer consenso
Sindicatos e organizações querem
vê-la aplicada, empresários defendem modificações
e deficientes continuam sem trabalho
ANDRÉ PALHANO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Mesmo chegando à maioridade, a Lei de Cotas para contratação
de pessoas portadoras de deficiência nas empresas ainda está longe
de gerar consenso. Sindicatos e organizações afirmam
que a lei tem de sair do papel, entidades empresariais defendem uma
ampla reformulação em seu conteúdo e, enquanto
isso, uma parcela relevante dos deficientes no país continua
sem trabalho.
A Lei de Cotas (artigo 93 da lei 8.213, de julho de 1991) diz que empresas
com mais de cem funcionários têm que contratar um percentual
mínimo de deficientes, de 2% a 5% de seus quadros, de acordo
com seu porte. Apesar de sujeitas a multa, são raras as empresas
que cumprem essa determinação.
Segundo levantamento do Espaço da Cidadania, a partir de dados
do Ministério do Trabalho e Emprego, a média de cumprimento
da lei no país em 2008 foi de apenas 15,4%. Em São Paulo,
Estado com o maior índice de cumprimento, esse número
chega a 39,7%. Em Santa Catarina, na Paraíba e em Roraima, fica
abaixo de 3,5%.
Embora a lei seja considerada um avanço no processo de inclusão
dos deficientes na sociedade, os números mostram que seu objetivo
ainda está longe de ser alcançado. Os motivos geram controvérsia.
Há quem afirme que a falta de informação e o preconceito
ainda são os grandes empecilhos para que as empresas contratem
mais deficientes. E há quem alegue que faltam profissionais
no mercado de trabalho, sobretudo os com alguma qualificação.
" O grande problema é que ainda existe muita desinformação
sobre o potencial da pessoa portadora de deficiência em trabalhar, inclusive
em cargos executivos. Se as empresas concentrassem os esforços que gastam
em recorrer das multas na inclusão dessas pessoas, poderíamos duplicar
os deficientes empregados no país nos próximos cinco anos",
diz Carlos Aparício Clemente, dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos
de Osasco e Região e coordenador de várias publicações
sobre o tema.
" Não há profissionais com deficiência disponíveis
no mercado de trabalho para cumprir as cotas. Isso é muito claro",
rebate o gerente-executivo de Relações do Trabalho da CNI (Confederação
Nacional da Indústria), Emerson Casali. Ele atribui essa situação
a um conjunto de motivos: o grande número de aposentados por invalidez
e de deficientes que preferem receber os benefícios de prestação
continuada a trabalhar, a preferência pelas vagas no setor público,
em que a média salarial é mais elevada, e, principalmente, a diferença
entre o que a Lei de Cotas e o que o IBGE, responsável pelas estatísticas
oficiais, consideram como pessoa portadora de deficiência. "Os critérios
da lei são muito mais rígidos do que os do IBGE. Isso responde,
sozinho, por uma diferença de milhões de trabalhadores", diz
Casali.
Falta de qualificação
Os representantes das empresas alegam ainda que a falta de qualificação
desse trabalhador é um sério problema, motivo pelo qual
defendem que o período de treinamento e capacitação
do deficiente em organizações especializadas, patrocinado
pela companhia, deveria ser contabilizado para efeito de cumprimento
da lei.
" A qualificação é o maior problema. O que vemos no
mercado é uma verdadeira disputa entre as empresas para contratar um deficiente
qualificado, quase uma "pirataria'", aponta o superintendente de Relações
de Trabalho da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Magnus
Ribas Apostólico.
A falta de preparação do deficiente na educação
básica, afirmam as entidades, é a principal causa para
o problema da qualificação. "Se o próprio
Estado não faz a inclusão dos deficientes nas escolas,
e igualmente não consegue cumprir a Lei de Cotas em seus quadros,
não está certo jogar essa responsabilidade para a iniciativa
privada", afirma Apostólico.
Organizações, órgãos públicos e
sindicatos discordam. Alegam que parcela expressiva dos trabalhadores
adquire a deficiência já na idade adulta e que a maior
parte das empresas ainda enxerga o emprego de deficientes como um fardo,
em vez de aproveitar os benefícios decorrentes desse tipo de
contratação.
" Há as empresas que entendem o valor da inclusão, com os
ganhos disso no ambiente organizacional e na sua vocação como protagonista
na sociedade, e há as empresas que ainda estão assustadas, que
veem a contratação do deficiente como uma missão impossível,
e por isso preferem financiar uma organização que mantenha o deficiente
longe ou em um cargo nulo apenas para cumprir cota", afirmou Linamara Rizzo
Battistella, secretária dos Direitos da Pessoa com Deficiência do
governo do Estado de São Paulo.
|
Consultor Jurídico, 8 de setembro
de 2009
Contra o relógio
Reforma eleitoral pode ser votada
nesta terça
A necessidade de correr contra o tempo para aprovar novas regras eleitorais
a partir de 2010 reacendeu no Congresso o tema da necessidade de realização
de ampla reforma política. O assunto, entretanto, é debatido
pelos parlamentares, inclusive com a apresentação de
uma série de propostas que, desde a Constituinte de 1988, resumiram-se
a mudanças pontuais na legislação em ano pré-eleitoral.
A matéria deve ser votada nesta terça-feira (8/9)
pela Comissão de Constituição e Justiça
e o plenário do Senado, de acordo com a Agência Brasil.
Como o texto aprovado pela Câmara foi alterado, a proposta
retorna à apreciação dos deputados que terão
até o fim deste mês para ratificar ou derrubar as mudanças
dos senadores de modo que as regras possam vigorar em 2010.
O senador Marco Maciel (DEM-PE), que relata no Senado o projeto
de reforma eleitoral juntamente com Eduardo Azeredo (PSDB-MG), ressaltou
na última sexta-feira (4/9) a necessidade de que os 54 senadores
eleitos em 2010 estabeleçam como prioridade a reforma política.
Da tribuna, o parlamentar destacou que não cabe mais, por
exemplo, o atual sistema que personaliza o voto, fazendo com que
os eleitores deixem de votar em propostas.
“O voto é 'fulanizado' e somente com a reforma política
poderemos efetivamente melhorar o desempenho das instituições
representativas, que estão expressas por meio do Parlamento,
sobretudo do Parlamento Federal: a Câmara dos Deputados e o
Senado Federal”, disse o relator. Segundo ele, a falta de prioridade
para resolver o assunto desembocou no enfraquecimento das instituições,
especialmente do Legislativo.
Já o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) apresentou uma proposta
de emenda à Constituição (PEC) ao projeto de
reforma política. A PEC reúne pontos polêmicos
como a obrigatoriedade de todo partido registrado no Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) lançar candidatos a cargos executivos em todas
as esferas de governo – presidencial, estadual e municipal.
Outras propostas reunidas por Buarque são a redução
do mandato de senador de oito para quatro anos, o fim da reeleição
para cargos executivos, a possibilidade de apenas uma reeleição
para parlamentares e a formação do gabinete apenas
com servidores de carreira dos legislativos, com abertura para militantes
que queiram trabalhar sem remuneração de recursos públicos.
|