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FOLHA DE LONDRINA, 09 de setembro de 2009
| Economia
Nível de emprego volta a subir
Oferta de vagas foi 0,4% maior na indústria,
primeiro resultado positivo depois de 9 meses de queda
Rio - O nível de emprego na indústria subiu 0,4% em
julho em relação a junho, na primeira alta na evolução
mensal após nove meses de queda. Embora tenha subido na comparação
mensal, a avaliação em relação a julho
de 2008 ainda é negativa: 7%, pior resultado da série
história. O valor da folha de pagamento real (descontada a
inflação) da indústria aumentou 0,1% em julho
em relação a junho.
O resultado reverte uma queda
de 1,7% apurada na folha do setor em junho na comparação
com maio. Nos confrontos com iguais períodos de 2008, o valor
total da folha de pagamento também apresentou resultados negativos
no índice mensal (-3,9% ante julho do ano passado) e no acumulado
no ano (-1,6%).
Para o economista da coordenação
de indústria do IBGE, André Macedo, os dados mostram uma
influência positiva da reação da produção
do setor sobre o mercado de trabalho. Macedo explicou que a queda em
relação a julho do ano passado resulta de uma base de
comparação elevada de 2008. ''Os dados que comparam os
resultados de 2009 com o ano passado não refletem a recuperação
que já está ocorrendo na indústria após
o ajuste intenso que foi feito no final de 2008'', observou.
Segundo Macedo, ''é preciso
aguardar novas informações sobre como vai se dar esse
ritmo de reação na produção e como vai se
rebater no mercado de trabalho''. Ele lembra que a ocupação
reflete de forma defasada a recuperação na produção
industrial e avalia que o emprego não teria como reagir com mais
vigor em momento de retomada lenta do setor.
No que diz respeito à
folha de pagamento, que manteve estabilidade (0,1%) em julho ante junho,
Macedo também avalia que só um dinamismo mais forte da
indústria vai garantir um aumento maior da folha, que equivale
à massa salarial do setor. ''As contratações ainda
não são suficientes para um aumento mais significativo
da folha e as negociações salariais não evoluem
muito num momento em que o emprego não cresce significativamente'',
explica.
Jacqueline Farid
Reportagem Local
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G1, 09 de setembro de 2009
| Concursos e Emprego / Direitos trabalhistas
Artigos que 'caducaram' fazem da CLT fonte
de ações trabalhistas
Câmara discute atualizar CLT e deve ter
comissão geral neste mês. | Reforma trabalhista não
deve sair no governo Lula, diz líder do PT.
Mariana Oliveira Do G1, em São Paulo
Diversos artigos sem validade
fazem da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho, legislação
que regula o trabalho com carteira assinada no Brasil) uma fonte permanente
de ações na Justiça trabalhista.
Isso porque esses artigos "caducaram"
e, como não foram revogados, passaram a contrariar leis mais
novas e até mesmo a Constituição Federal.
O sociólogo José Pastore, especialista em relações
de trabalho, avalia que a defasagem da CLT alimenta os processos trabalhistas.
"São quase 2 milhões de processos trabalhistas no
Brasil, e o problema não está na Justiça. A culpa
é da CLT, que tem barbaridades."
A CLT - clique aqui para ver
- é de 1943 e tem 922 artigos. O G1 selecionou nove artigos que
apresentam itens que "caducaram" - confira no infográfico
abaixo.
No texto da CLT, há vários
artigos riscados. Isso significa que foram expressamente revogados ou
alterados por leis posteriores. Aqueles que simplesmente se confrontam
com legislações mais recentes seguem no texto como se
ainda estivessem válidos.
De acordo com a Consultoria
Legislativa da Câmara dos Deputados, a Lei de Introdução
do Código Civil estabelece que, quando duas leis tratam do mesmo
tema, a mais nova prevalece. Além disso, a Constituição
Federal de 1988 prevalece sobre todas, sejam elas anteriores ou posteriores.
Ou seja, os artigos inválidos estão implicitamente revogados.
Na avaliação de
especialistas consultados pelo G1, essa desatualização
dá brecha para questionamentos judiciais a respeito dos direitos
trabalhistas e cria "insegurança jurídica".
Além do teor dos artigos,
o texto da lei não acompanhou outras mudanças, como a
da língua portuguesa - é possível encontrar palavras
como "emprêsa" e "têrmo" - , e os nomes
dos órgãos - em vez de Ministério do Trabalho e
Emprego, como é atualmente, a lei trata a pasta como Trabalho,
Indústria e Comércio - atualmente, são dois ministérios
diferentes.
Atualização
Para tentar solucionar esses problemas, o Grupo de Trabalho de Consolidação
das Leis da Câmara dos Deputados discute, dentro do sub-grupo
de leis trabalhistas, a atualização da CLT.
A consultora legislativa da Câmara Cláudia Melo, especialista
em Direito do Trabalho, assessora os parlamentares no projeto de atualização
da CLT. Ela afirma que a atualização é necessária
para que a população possa ter conhecimento de seus direitos.
"Caducou muita coisa dentro
da CLT. A gente analisou quase 500 leis distintas e consolidou o que
ainda valia com o texto que ainda é válido da CLT. A proposta
é tornar a consolidação das leis trabalhistas mais
clara e reduzir o número de processos da Justiça",
afirma a consultora Cláudia Melo.
O projeto de lei - 1987/2007
- foi apresentado pelo deputado federal Cândido Vaccarezza (PT-SP)
e tem como relator o deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP). Segundo os dois
parlamentares, a proposta não altera o mérito da lei,
apenas tira o que está inválido do texto e agrega legislações
trabalhistas posteriores à CLT, como, por exemplo, a do trabalho
doméstico e a do trabalho temporário.
Arnaldo Jardim apresentou no
começo deste ano ao grupo de trabalho um substitutivo ao projeto,
após sugestões de diversas entidades. A previsão,
segundo o relator, é convocar uma comissão geral (sessão
plenária aberta a convidados para debater tema específico)
na Câmara até o fim deste mês para uma discussão
sobre a atualização da CLT.
Pós e contras
Tanto trabalhadores
quanto empregadores veem as atualizações na CLT como benéficas.
O gerente executivo das relações
do trabalho da Confederação Nacional da Indústria
(CNI), Emerson Casali, avalia que a defasagem da CLT atrapalha os empresários.
"Está com vácuo legal e gera insegurança jurídica.
Você não sabe o que tem que pagar. (...) Gerar emprego
não pode ser uma atividade de alto risco."
O secretário-geral da
Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna,
se diz favorável à atualização da CLT, desde
que os direitos não sejam alterados: "Nós sabemos
que alguns itens estão bem desatualizados e achamos importante
atualizar, mas sem mexer em direitos."
O relator do projeto, deputado
Arnaldo Jardim, diz estar "animado" em relação
ao projeto: "Nós partimos de uma situação
muito adversa, a maioria das entidades ficou preocupada porque pensou
que uma reconsolidação das leis pudesse retirar direitos.
Mas essa idéia foi sendo revertida. Avalio que agora possa haver
um grande consenso".
O presidente do Sindicato dos
Advogados do Estado do Rio de Janeiro, o advogado trabalhista Sérgio
Batalha, no entanto, pede cautela na discussão.
"Atualizar certos aspectos,
a questão técnica, seria cabível. Mas tem que conhecer
melhor esses detalhes. Qualquer mudança tem que ser analisada
com cuidado para ver se não há mudanças substanciais
em coisas importantes."
Insegurança jurídica'
Para o presidente da Associação
Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), Luciano
Athayde, o item inválido da CLT que gera mais conflito nas ações
trabalhistas atualmente é a base de cálculo para o adicional
de insalubridade - por conta de uma indefinição, cada
juiz define uma base.
"No momento a nossa prioridade que precisa ser resolvida com urgência
e cria insegurança jurídica é a base de cálculo
do adicional", diz o magistrado.
Athayde defende uma atualização
da CLT para incluir questões como o teletrabalho e a terceirização
- outro tema, segundo ele, de conflitos no Judiciário trabalhista.
"Acho, porém, que deveriam ser feitas minirreformas. Mudar
a CLT toda é difícil. Isso não avança no
Congresso."
Princípios básicos
Para o presidente da Anamatra,
embora a CLT precise de aprimoramento, não pode ser considerada
ultrapassada. "Eu diria que não está ultrapassada
pela razão de que as relações trabalhistas não
mudaram tanto assim. Ainda que mereça aprimoramento, muito do
que diz a CLT está na Constituição, que homenageou
o modelo de proteção ao trabalhador."
O corregedor do Tribunal Superior
do Trabalho (TST), ministro Carlos Alberto Reis de Paula, também
defende que sejam mantidos os princípios básicos. "A
CLT como toda lei pode e deve ser repensada. Ela é de 1943. Mas
não podemos ponturar questões apenas por interesses de
momento. Temos de pensar nos princípios e eles estão presentes
na CLT."
Presidente da Comissão
do Processo de Trabalho da Ordem dos Advogados do Brasil, o advogado
trabalhista Estevão Mallet concorda que o texto está superado
em alguns pontos, mas também defende que o teor continue o mesmo.
"Em relação aos direitos que ela prevê são
práticas correntes em países com nível semelhante."
Para Mallet, o grande problema da CLT se refere ao ramo sindical, o
que precisaria ser alterado por meio de uma reforma específica.
"Até hoje não é possível haver mais
de um sindicato para a mesma categoria na mesma região",
completa.
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G1, 09 de setembro de 2009
| Concursos e Emprego / Direitos trabalhistas
Reforma trabalhista deve ficar para o
próximo governo, prevê líder do PT
Alterações começaram a
ser discutidas no primeiro ano do governo Lula. | Governo prepara pacote
com 6 projetos que alteram relações de trabalho.
Mariana Oliveira Do G1, em São Paulo
A discussão da reforma
trabalhista, que começou no primeiro ano do governo do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, deve ficar para o próximo governo,
segundo prevê o líder do PT na Câmara dos Deputados,
Cândido Vaccarezza (SP).
"Não acredito em
discussão de reforma em 2010. O ano de 2011 é ideal para
discutir uma reforma tributária, política, administrativa
e trabalhista. Porque o calendário eleitoral faz parte da vida
e não há precedente de se discutir reforma em ano eleitoral",
avalia o parlamentar.
A reforma trabalhista, que deve ser composta de seis projetos de lei,
está sendo tecida na Secretaria de Assuntos Estratégicos
da Presidência da República e ainda não há
previsão nem para término nem para apresentação
das propostas ao Congresso.
Para o sociólogo José Pastore, especialista em relações
do trabalho, o teor da CLT está "ultrapassado" e a
reforma é necessária.
"A lei foi aprovada em 1943, mas, na verdade consolida muitas leis
da década de 30. O mundo do trabalho era muito diferente do que
é hoje. Você tinha uma economia fechada, a única
forma de trabalho que se tinha era o emprego. Hoje é quase o
inverso, as formas de trabalhar são variadas, tem trabalho casual,
casual permanente, gente que trabalha à distância."
O gerente da CNI Emerson Casali
concorda: "No geral, o que se percebe é que hoje a legislação
trabalhista não atende ao que deveria atender. Deveria garantir
proteção aos trabalhadores e se você tem 50% dos
trabalhadores na informalidade, não atende."
O corregedor do Tribunal Superior
do Trabalho (TST), ministro Carlos Alberto Reis de Paula, diz que falta
"vontade" para discutir a reforma trabalhista: "Eu acho
que falta efetiva vontade de fazer uma revisão completa estabelecendo
um novo ordenamento sindical e trabalhista. Há vários
interesses, os empresários pressionam de um lado e as centrais
sindicais de outro."
Conheça a prévia das propostas do governo para mudar as
relações trabalhistas
PLR (Participação nos lucros e resultados)
Regulamenta dispositivo da Constituição que prevê
direito do trabalhador à participação nos lucros
ou resultados das empresas. Pelo projeto, a PLR será obrigatória.
Há previsão de percentuais mínimos para evitar
que empresa imponha meta inatingível.
Contrato para qualificação
Governo propõe que empresas façam contratos especiais
para qualificar trabalhadores. O empregado em qualificação
receberia 75% do trabalhador efetivo ou do salário que lhe seria
pago ao ser efetivado. Pela proposta, a empresa não teria que
arcar com pagamento de direitos trabalhistas.
Prestação de serviços
Para dar garantia aos autônomos que atuam como pessoas jurídicas
na prestação de serviços, o governo propõe
que esses profissionais se organizem em associações técnicas
para negociação coletiva. A idéia é criar
um contrato de prestação de serviços especializados
que garantiriam alguns direitos ao trabalhador.
Microempreendedor individual
Proposta é de criar a Cota Especial para o Microempreendedor
Individual (Cemei) para receber contribuições previdenciárias
por parte dos microempreendedores individuais. A idéia é
criar incentivos para que os microempreendedores se organizem em associações.
Regulamentação da mão-de-obra terceirizada
Projeto estabelece regras contratuais e direitos para o trabalhador
terceirizado.
Contribuição patronal
Proposta é desonerar a contribuição patronal à
Previdência, com aplicação de alíquotas que
variam conforme a remuneração do trabalhador. Remunerações
mais baixas poderiam ser completamente desoneradas. A idéia é
aumentar a contratação de trabalhadores formais.
Fonte: Secretaria
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FOLHA DE SÃO PAULO,
09 de setembro de 2009 | Dinheiro
Brasileiro é o que trabalha mais
para pagar impostos
Empresário do país trabalha 2.600
horas por ano para o fisco, contra 563 na AL | Brasil é o último
colocado nesse quesito em ranking sobre ambiente de negócios
com 183 países e ocupa o 129º lugar na lista geral
JANAINA LAGE
DE NOVA YORK
O empresário brasileiro
trabalha 2.600 horas a cada ano para acertar suas contas com o fisco.
Segundo o relatório "Doing Business - 2010", divulgado
pelo Banco Mundial (Bird), trata-se do maior patamar verificado em um
conjunto de 183 países.
Na lista de economias onde o empreendedor precisa trabalhar mais tempo
para pagar os impostos figuram ainda as de Camarões, com 1.400
horas, Bolívia (1.080 horas) e Vietnã (1.050 horas). No
sentido oposto, o empresário precisa trabalhar apenas 12 horas
para quitar as dívidas com o fisco nos Emirados Árabes
e 63 horas na Suíça. Na comparação regional,
o Brasil também vai mal: a média dos países da
América Latina é de 563,1 horas.
De modo geral, o Brasil fica no 29º lugar no ranking elaborado
pelo Banco Mundial de locais de maior facilidade para a realização
de negócios. A classificação coloca o país
atrás de Colômbia, Chile, Peru, El Salvador e Nicarágua,
entre outros. No relatório anterior, o país estava no
127º lugar.
O indicador leva em conta exigências para abertura de um negócio,
legislação trabalhista, registro de propriedade, pagamento
de impostos, comércio exterior e fechamento de empresas, entre
outros aspectos.
A única reforma computada no estudo a favor da iniciativa privada
adotada no Brasil está relacionada à abertura de negócios,
com o fim da exigência de licença e inspeção
da brigada de incêndio antes da obtenção da licença
de operação no âmbito municipal. O relatório
cita ainda o começo da implementação de serviços
online em algumas cidades de São Paulo.
O Banco Mundial diz que um ambiente de negócios com regulação
engessada não contribui para elevar a qualidade dos produtos,
tornar o trabalho mais seguro ou reduzir a poluição. Na
prática, serve só para inibir a iniciativa privada, o
que eleva o número de pessoas na economia informal, aumenta os
preços ao consumidor e incentiva a corrupção.
Além do peso dos impostos, o empresário brasileiro lida
com entraves relacionados ao número de procedimentos para a abertura
de um negócio. No Brasil, a burocracia requer 16 procedimentos,
um dos patamares mais elevados no mundo, mas houve melhora em relação
ao ano anterior, quando eram necessários 18. A abertura de um
negócio no país leva cerca de 120 dias. A média
da América Latina é de 45,5 dias.
Um dos pontos favoráveis ao país é o custo para
abertura de uma empresa, estimado em 6,9% da renda per capita, contra
a média de 35,6% da América Latina.
Nos dados de comércio exterior, o Brasil tem resultado mais positivo
do que a média latino-americana: 12 dias contra 19,9. Em compensação,
o custo é mais elevado, de US$ 1.540 por contêiner. Na
região, esse valor fica em US$ 1.309,80. O tempo médio
de importação é de 16 dias, abaixo da média
de 22,9 dias na região.
O Banco Mundial destaca que mesmo em um ambiente de crise, 70% das 183
economias analisadas no relatório fizeram algum tipo de reforma
no período de junho de 2008 a maio de 2009. A Colômbia
é o único país da América Latina na lista
dos dez maiores reformadores. O país empreendeu mudanças
como a criação de um novo operador de saúde público-privado
onde empregados e empregadores podem se registrar no prazo de uma semana,
entre outras alterações.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
09 de setembro de 2009 | Dinheiro
País sobe pelo 2º ano
seguido entre os mais competitivos
Brasil avança oito posições
e fica em 56º, atrás de Malta, Azerbaijão e Costa
Rica | No topo do ranking do Fórum Econômico Mundial, principal
novidade é que os EUA perderam pela primeira vez a liderança,
para a Suíça
DA REDAÇÃO
O Brasil avançou pelo
segundo ano consecutivo no ranking das economias mais competitivas do
mundo, porém permanece em uma posição intermediária
quando o quesito é a produtividade do país.
O país aparece como a 56ª nação mais competitiva
do mundo, oito postos mais bem colocado que na lista de 2008 e atrás
de lugares como Azerbaijão, Malta e Costa Rica, segundo levantamento
elaborado pelo Fórum Econômico Mundial.
Para os especialistas consultados pelo estudo, porém, o Brasil
é visto como o país que deve ter a sua competitividade
afetada mais favoravelmente pela crise global no longo prazo. Isso se
explica por alguns motivos, como o tamanho do mercado interno brasileiro
(que torna o país menos dependente das exportações),
produção diversificada e mercado financeiro desenvolvido.
O "impressionante" avanço do Brasil na lista nos últimos
dois anos (era o 72º colocado no levantamento de 2007) é
resultado, afirma o fórum, "dos importantes passos tomados
nos anos 1990 em direção à sustentabilidade fiscal
assim como das medidas adotadas para liberalizar e abrir a economia".
O estudo elogia ainda o setor de negócios: diversificado, sofisticado
e com um potencial significativo de inovação.
No entanto, o estudo também alerta sobre vários fatores
que impedem o Brasil de subir mais na lista e se aproximar não
só dos países desenvolvidos como também de emergentes
como China (29º) e Índia (49º). São itens como
ambiente institucional (excesso de regulação, corrupção,
falta de transparência etc.), estabilidade macroeconômica
e eficiência dos mercados de bens e de trabalho.
Além disso, a educação precisa ser melhorada em
todos os níveis e é preciso "um esforço especial"
para reduzir as altas taxas de abandono escolar e as disparidades regionais.
Na parte de cima da tabela, a principal novidade foi que, pela primeira
vez desde 2004, os EUA deixaram de ser o líder, perdendo o posto
para a Suíça.
Para obter a nota de cada país, o fórum usa dados oficiais
(como barreiras tarifárias) e questionários (com perguntas
como a capacidade de inovação das empresas), que são
englobados em "12 pilares": infraestrutura, sofisticação
dos mercados financeiros, entre outros.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
09 de setembro de 2009 | Dinheiro
Reformas econômicas estão
paradas
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Transcorridos quase sete anos
de governo, as reformas microeconômicas definidas na gestão
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram abandonadas ou
encontram-se paradas no Congresso.
A saída do governo do ex-secretário Extraordinário
de Reformas Econômico-Fiscais, Bernard Appy, mostrou que são
pequenas as chances de aprovação até o final do
mandato da principal delas: a reforma tributária.
Com o objetivo de unificar a legislação do ICMS (imposto
estadual sobre circulação de mercadorias e serviços)
como primeiro passo para criar o IVA federal (Imposto sobre Valor Agregado),
a reforma tributária foi encaminhada ao Legislativo no início
do ano passado.
Embora oficialmente atribua prioridade às mudanças, o
projeto até agora só foi aprovado na comissão especial
que trata do assunto na Câmara. O texto ainda precisa ser votado
em dois turnos pelos deputados para então ser remetido ao Senado.
Outro projeto que já considerado importante pelo governo é
o que estabelece regras gerais para o relacionamento entre o Executivo
e as agências reguladoras, parado na Câmara dos Deputados.
O cadastro positivo, outra medida defendida pelo governo para melhorar
o ambiente econômico e atrair mais investimentos, também
patina no Congresso. Aprovado pela Câmara no final de maio, o
projeto espera para ser votado no Senado. A demora na tramitação
levou o governo a ameaçar a edição de uma medida
provisória, mas nada ocorreu.
Também aguarda votação no Senado o projeto de lei
do Executivo que reestrutura o Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência.
A proposta estabelece a análise prévia de fusões
e aquisições no país e cria o "novo Cade".
Já a reforma trabalhista, uma das promessas de campanha do presidente
Lula, está oficialmente sepultada.
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FOLHA DE LONDRINA, 09 de
setembro de 2009 | Economia
Ensino superior eleva em 100% renda do
brasileiro
Investimentos em educação podem
ajudar países a se recuperar
Brasília - Na maioria dos 30 países-membros da Organização
para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE),
a conclusão do ensino superior aumenta em 50% a renda dos trabalhadores.
No Brasil, os ganhos excedem 100%. É o que aponta o relatório
Panorama da Educação, divulgado ontem pelo órgão.
O relatório destaca que,
diante da crise econômica mundial, investimentos em educação
podem ajudar os países a se recuperar. Os dados são referentes
aos anos de 2006 e 2007. Participaram do estudo os membros da OCDE e
um grupo de países associados que inclui, além do Brasil,
Alemanha, Austrália, Bélgica, Canadá, Coreia do
Sul, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França,
Japão, Chile e México.
Os ganhos para aqueles que concluem
a educação secundária, equivalente ao ensino médio
brasileiro, aumentam em 50% em 17 dos 28 países. Percentual semelhante
é registrado no Brasil.
O relatório aponta ainda
que as taxas de conclusão da educação secundária
entre os adultos (de 25 a 64 anos) na maioria dos países analisados
é de 60%. O número é bem inferior ao verificado
no Brasil, onde 63% da população na mesma faixa etária
não concluiu esse nível de ensino.
Em média, 34% da população
jovem - entre 25 e 34 anos - dos países membros e parceiros concluiu
o ensino superior. O relatório aponta que no Brasil esse índice
é bastante inferior: apenas 10% dos jovens terminam a etapa.
Agência Brasil
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FOLHA DE SÃO PAULO,
09 de setembro de 2009 | Dinheiro
PAULO RABELLO DE CASTRO
O direito de investir seu FGTS
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É preciso dar aos brasileiros o direito de investir naquilo que
o governo admite ser o maior negócio de todos os tempos
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A CAPITALIZAÇÃO da Petrobras reclama a discussão
sobre o direito de os brasileiros poderem investir, com alguma vantagem,
naquilo que o próprio governo admite ser o maior negócio
de todos os tempos. O Congresso Nacional decidirá como os minoritários
poderão participar. Dentre estes últimos, estão
os detentores de cotas do FMP-Petrobras, um fundo de investimento em
ações da empresa, adquirido mediante uso de recursos do
FGTS individual dos trabalhadores que, em julho de 2000, optaram por
essa modalidade. A valorização foi superior a 1000%.
A opção de o trabalhador investir em Petrobras se originou
na década de 90, quando um grupo de brasileiros se colocou contra
o modo exclusivista de se realizar a privatização no Brasil,
visto que o modelo adotado não estimulava a participação
popular, favorecendo poucos compradores com privilegiado acesso a financiamentos.
No Instituto Atlântico se desenvolveu a tese da privatização
sócio-capitalista ou popular, pela qual se empreendeu um enorme
esforço de convencimento no BNDES e nos ministérios de
FHC.
Com apoio do jornal "O Globo", em 95 foi realizado seminário
com Antonio Kandir, então ministro do Planejamento, que iniciou
gestões, resultando daí uma legislação específica
que abriu espaço ao povo nas vendas de estatais. A presunção
era sempre a da hipossuficiência de recursos ("o povo é
um duro!") enquanto a tese do IA era justamente a de que o povo,
como credor da Previdência Social e do FGTS, não precisava
de outra moeda na privatização senão esses mesmos
créditos.
Demorou a entrar goela abaixo do governo, sempre ávido por fazer
caixa com as vendas das estatais. O apoio político veio da Força
Sindical, que desejava ver os fundos da Previdência e do FGTS
apoiados em ativos sólidos e palpáveis, não apenas
em promessas sem lastro. Em 2000, já com quase US$ 100 bilhões
em vendas de estatais realizadas sem nenhuma participação
popular, a chance surgiu através da colocação,
pelo BNDES, de sobras da Petrobras, numa oferta a estrangeiros em que
as sobras das sobras seriam oferecidas finalmente ao distinto povo brasileiro.
Mesmo aí, por pouco não se excluiu completamente os trabalhadores.
Após veemente reclamação da Força Sindical,
permitiu-se que sindicatos organizassem seus FMPs. Entretanto, menos
de 30 dias (?!) foram dados até a data limite para a conversão
dos FGTS em Fundo Petrobras. Alegava-se que o "closing" em
Nova York não podia esperar. Menos de cem trabalhadores de chão
de fábrica aderiram ao FMP, pois ninguém teve chance de
entender nada, obrigando a Força a consolidar seu fundo no do
Bradesco. É um erro supor que os trabalhadores já tiveram
algum acesso ao capital acionário brasileiro. Foram centenas
de milhares, sim, entre você, eu e muitos outros "white collars",
também detentores de FGTS optantes.
Ainda bem... Enquanto isso, o povão permanece excluído,
apesar da propaganda oficial em contrário.
Mas surge agora nova oportunidade a favor da inclusão do povo
no mercado de capitais. O vice-presidente da Caixa, Moreira Franco,
mencionou a possibilidade do uso do FGTS para os que quiserem investir
no Fundo de Infraestrutura, que renderá bem mais que os 3% ao
ano que hoje se paga de rendimento.
Nesse FI se poderia cogitar de criar, dentro ou ao lado dele, um Fundo
Petrobras, não só para seus atuais investidores minoritários,
mas também para milhões de brasileiros que, por enquanto,
só estão vendo a banda dos ganhos monumentais passar,
sem parar, na frente de seu nariz.
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PAULO RABELLO DE CASTRO , 60, doutor em economia
pela Universidade de Chicago (Estados Unidos), é vice-presidente
do Instituto Atlântico e chairman da SR Rating, classificadora
de riscos. Preside também a RC Consultores, consultoria econômica,
e o Conselho de Planejamento Estratégico da Fecomercio-SP. Escreve
às quartas-feiras, a cada 15 dias, nesta coluna.
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O ESTADO DO PARANÁ,
09 de setembro de 2009 | Política
Lula fica em primeiro para 2010 em pesquisa
espontânea
Agência Estado
Na pesquisa espontânea para a eleição presidencial
de 2010, em que os eleitores, sem a apresentação de uma
lista, dizem em quem vão votar, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva aparece disparado em primeiro lugar, com 21,2% das intenções.
O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), vem na sequência
com 7,7%, seguido da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, com
4,8%.
O governador de Minas Gerais,
Aécio Neves (PSDB), é o quarto mais lembrado, com 3,1%,
e o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) surge em quinto lugar, junto
com o ex-governador e ex-candidato à presidência em 2006,
Geraldo Alckmin (PSDB). Ambos têm 1% das indicações.
Heloísa Helena e Marina Silva aparecem depois, com 0,9% cada
uma.
A pesquisa CNT/Sensus mostrou
que Lula tem um potencial de transferência de votos de 20,8%,
que é o total de entrevistados que dizem que só votariam
no candidato indicado por ele.
Em maio, esse indicador
estava em 21,5%. O diretor da Sensus, Ricardo Guedes, disse que apesar
da ligeira queda, o porcentual de transferência é "muito
alto", já que tradicionalmente esse índice é
de 5%.
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BEM PARANÁ, 09 de
setembro de 2009 | Política
Acordo
Senado e Câmara tentam acordo para
viabilizar reforma eleitoral
O relatório final que deverá ser
votado até amanhã (9) pelos senadores ainda não
foi fechado pelo relatores
Agência Brasil
Para garantir que as novas regras da reforma eleitoral vigorem a partir
de 2010, Câmara e Senado tentam construir um texto que reduza
ao máximo as alterações feitas pelos senadores
ao projeto aprovado pela Câmara. Este é o caso, por exemplo,
do uso da internet para campanhas políticas, um dos principais
debates da reforma.
Após participar de uma
reunião com os relatores da matéria no Senado, Marco Maciel
(DEM-PE) e Eduardo Azeredo (PSDB-MG), o relator do projeto na Câmara,
Flávio Dino (PCdoB-MA), afirmou que a tendência é
construir um texto consensual. “O objetivo é manter a liberdade
[na internet] sem vale tudo. A campanha política em outras mídias
tem regras e não será diferente com a internet”,
disse o parlamentar.
O relatório final que
deverá ser votado até amanhã (9) pelos senadores
ainda não foi fechado pelo relatores. No entanto, o deputado
maranhense informou que as divergência de mérito que não
devem ter acordo entre as duas Casas devem se reduzir a “quatro
ou cinco” pontos.
Ele citou, por exemplo, a possibilidade
de o eleitor votar fora de seu estado ou cidade (voto em trânsito)
e o retorno do voto impresso, ambos aprovados pelos deputados e derrubados
na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ)
do Senado. Outro ponto da reforma que deve ser preservado pelos deputados
diz respeito à possibilidade de candidatos receberem recursos
de entidades desportivas.
Os deputados vetaram na proposta
aprovada qualquer possibilidade de doação por parte dessas
instituições. No Senado, entretanto, foi restituída
a legislação vigente que possibilita a clubes que não
recebem dinheiro público a realização de doações
para campanhas políticas.
“Neste caso, vamos
rever. A nossa avaliação é que ou tem ou não
tem doação, não se pode ter meio termo”,
afirmou Flávio Dino.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
09 de setembro de 2009 | Opinião
Mais uma
Aumento do número de vereadores, a ser
votado pelos deputados em Brasília, configura nova afronta à
população
PARECE até de propósito.
Enquanto o Senado mergulha em descrédito popular, a Câmara
dos Deputados age como se não quisesse ficar atrás no
objetivo de revoltar a opinião pública -e eis que se apronta
para votar uma escandalosa proposta de emenda constitucional.
Prevista para ser apreciada hoje em plenário, a chamada PEC dos
Vereadores pretende aumentar em 8.000 vagas a composição
dos legislativos de cerca de 2.000 cidades brasileiras.
Dos 51.748 vereadores que existem atualmente, os municípios passariam
a contar com 59.791. Por mera curiosidade, informe-se que os dados oficiais
mais recentes, disponíveis na internet, contabilizam em cerca
de 13 mil o total dos efetivos da Polícia Federal. Já
o número de padres é um pouco maior: 18 mil.
Dados os baixos padrões de relevância e produtividade que
caracterizam o cotidiano dos legisladores brasileiros em todos os níveis
-e sendo claro o repúdio que a mera menção da palavra
"político" desperta na grande maioria da população-,
uma proposta desse tipo jamais seria aprovada se a Câmara dos
Deputados se preocupasse em refletir a opinião daqueles a quem
diz representar.
A PEC, todavia, tramita e prospera, tendo mesmo despertado espetáculos
de comoção e de entusiasmo nos salões da Câmara.
Quando aprovada numa comissão especial, em fins de agosto, os
presentes à cena prorromperam em salvas de palmas e entoaram
o Hino Nacional.
Não eram tantos os deputados presentes naquela comissão:
22 apenas, deliberando às pressas, altas horas da noite. O coro
patriótico, entretanto, explica-se: quem acompanhava a decisão
era um expressivo grupo de suplentes de vereador, ansiosos por obter
o cargo efetivo desde logo -uma vez que a PEC retroage aos resultados
eleitorais de 2008.
No Senado, onde a PEC já foi aprovada, tudo ocorreu de forma
ainda pior. O projeto originalmente acompanhava o aumento do número
de vereadores com um dispositivo diminuindo os gastos dos legislativos
municipais. Os senadores consideraram melhor desmembrá-lo, para
que a farra fosse completa. De volta à Câmara, a PEC recuperou
a forma inicial.
Ainda assim, nenhuma contenção hipotética de despesas
justifica o crescimento, este sim concreto e irrevogável, do
número de vereadores.
Cabe lembrar que o vício inicial remonta ao aumento do próprio
número de municípios no Brasil. Desde a promulgação
da Carta de 1988, aproximadamente 1,5 mil já foram criados. Note-se
que há mais 800 na fila. Surgem artificialmente prefeituras,
Câmaras e órgãos administrativos para todos os interessados.
A bola de neve prossegue com o crescimento dos vereadores. E nada faz
crer que a promessa de mais austeridade orçamentária funcione
como algo além de um simples pretexto, reversível rapidamente,
para impor à população mais uma afronta, e aos
políticos mais um privilégio.
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O ESTADO DO PARANÁ,
09 de setembro de 2009 | Mundo
Sindicatos organizam protesto nacional
contra Sarkozy
Agência Estado
Seis importantes sindicatos franceses convocaram um protesto nacional
para o dia 7 de outubro contra as políticas trabalhistas do presidente
Nicolas Sarkozy. Os sindicatos CFDT, CGC, CGT, FSU, Solidaires e UNSA
colocaram de lado suas diferenças e concordaram, hoje, com uma
nova rodada de protestos contra a forma como Sarkozy está lidando
com a recessão.
Em comunicado, os sindicatos
pediram aos trabalhadores que "participem maciçamente"
dos protestos, mas não disseram se greves fazem parte dos planos.
Segundo o comunicado, "não importa o que os oráculos
digam sobre o fim da crise. Os danos econômicos e sociais estão
piorando".
Os sindicatos estão
irritados com os planos de Sarkozy de alterar o sistema de pensões
e de aprovar a abertura de mais lojas aos domingos, dentre outras medidas
propostas. O protesto, marcado em junho, foi em grande parte um fracasso.
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AGÊNCIA CÂMARA,
09 de setembro de 2009
Aposentados cobram reajuste igual ao do
salário mínimo
Representantes da categoria criticam acordo
que centrais sindicais fizeram com o governo sobre o critério
de aumento. Assunto deverá ser levado aos líderes partidários.
Rodolfo Stuckert
Entidades ligadas aos aposentados cobraram da Câmara, nesta terça-feira,
a votação imediata do Projeto de Lei 3299/08, que prevê
o fim do fator previdenciário, e da emenda ao PL 1/07 que garante,
às aposentadorias, o mesmo índice de reajuste do salário
mínimo.
Essas matérias já
foram aprovadas no Senado, mas podem ser deixadas de lado na Câmara.
Isso porque os governistas pretendem apresentar, na Câmara, um
substitutivo com base num acordo feito entre o Executivo e as centrais
sindicais no fim de agosto. Assim, essas propostas deixariam de ser
priorizadas, apesar de estarem prontas para votação no
Plenário.
Representantes dos aposentados
pediram ao presidente Michel Temer que coloque os projetos em votação.
"Não concordamos com o acordo que foi fechado com as centrais
sindicais. Queremos o reajuste para as aposentadorias igual ao do mínimo",
disse presidente da Confederação Brasileira de Aposentados
e Pensionistas (Cobap), Warley Martins.
Em vez disso, o acordo prevê
que as aposentadorias e pensões com valor superior ao salário
mínimo passariam a ter aumento real equivalente à metade
do crescimento do PIB registrado dois anos antes do reajuste.
O senador Paulo Paim (PT-RS)
participou do encontro com Temer e disse que o presidente prometeu levar,
aos líderes partidários, a reivindicação
de votação dos projetos. Os representantes dos trabalhadores
devem continuar na Câmara, nesta quarta-feira (9), para conversar
com os líderes.
Centrais
Em audiência pública da Comissão de Seguridade Social
e Família nesta terça-feira sobre o tema, o coordenador
nacional do Fórum Sindical dos Trabalhadores, José Augusto
Filho, acusou a CUT e a Força Sindical de terem aprovado o acordo
com o governo sem discuti-lo com os aposentados.
"Essa proposta de metade
do PIB foi uma tentativa de acordo que as centrais estão homologando,
mas nós somos contra. O que é 50% de zero? É zero.
Quem garante que, daqui a um ou dois anos, o crescimento do PIB não
será zero? Queremos alguma coisa real", ressaltou José
Augusto. "Gastamos milhões no pré-sal e no PAC e
agora precisamos investir milhões também no apoio aos
aposentados. É uma questão de dignidade, de sobrevivência
para as pessoas mais velhas", acrescentou.
Atualmente, o salário
mínimo é reajustado com base no índice da inflação
mais a variação integral do PIB. José Augusto Filho
quer o uso desse mesmo cálculo para os aumentos das aposentadorias
e pensões.
Pressão
O deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) argumentou que o Plenário
precisa se pronunciar quanto à vinculação entre
os reajustes do salário mínimo e dos benefícios
previdenciários. Ele defendeu a pressão dos aposentados
sobre os parlamentares para que se coloque as matérias em votação.
"O governo está
atrapalhado. Ele começou a negociar há um ano com a Confederação
Brasileira dos Aposentados, que é a legítima instituição
para isso. Porém, a CUT e a Força Sindical atravessaram
e se arvoraram no direito de negociar pelos aposentados. O governo entrou
numa canoa furada", disse Perondi.
José Augusto Filho
reforçou esse argumento: "As centrais estão mais
atrapalhando do que ajudando os aposentados. E a reação
já acontece na base, pois os sindicatos filiados a essas centrais
estão protestando porque não foram consultados sobre esse
acordo e não o homologam."
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AGÊNCIA DIAP, 09 de
setembro de 2009
Aposentado quer apoio da Câmara
para fim do fator previdenciário
Cobap mobiliza aposentados contra acordo entre Governo, CUT e Força
Sindical. Entidade quer aprovação do fim do fator e recebeu
apoio do FST, Nova Central, Conlutas e CTB
O aposentado não faz greve e só muito recentemente começou
a se organizar, mas vota. Estes foram os argumentos usados por todos
os oradores que participaram, na tarde desta terça-feira (8),
de audiência pública na Câmara, para rejeitar o acordo
proposto pelo Governo Federal para o reajuste das aposentadorias de
quem ganha acima do salário mínimo.
Todos se mostraram também
favoráveis ao fim do fator previdenciário.
O senador Paulo Paim (PT/RS),
autor das propostas já aprovadas no Senado, participou da audiência
e lembrou da luta do PT contra o fator previdenciário, quando
era oposição ao Governo FHC, autor da medida.
"Sou do partido do presidente
Lula e acho que ele não deveria terminar o Governo sem acabar
com o fator previdenciário", afirmou, arrancando aplausos
da platéia.
No Senado, tido como Casa de
perfil mais conservador, a medida foi aprovada e está na Câmara
para votação. Os deputados que participaram da audiência
demonstraram apoio à luta dos aposentados, mas admitiram que
a luta é difícil.
Nada
menos que o fim do fator
Para a deputada Jô Moraes (PCdoB/MG), a Casa está com um
enorme desafio. Ela, a exemplo dos outros oradores, disse que as centrais
sindicais não devem aceitar nada menos do que o fim do fator
previdenciário.
E defendeu a construção
com todo o conjunto de forças políticas de um acordo pelo
fim do fator previdenciário e uma política de reajuste
real dos aposentados.
O deputado Darcísio Perondi
(PMDB/RS), autor do requerimento da audiência pública,
criticou a CUT e a Força Sindical, que assinaram o acordo com
o Governo abrindo mão de todos os projetos em tramitação
no Congresso em troca de um reajuste para os benefícios acima
de uma salário mínimo do índice da inflação
mais metade do PIB (Produto Interno Bruto) e a substituição
do fator previdenciário pelo "fator 85/95".
Por
que trocar?
Para o presidente da Central das Trabalhadoras e Trabalhadores do Brasil
(CTB), Wagner Gomes, não existe motivo para troca. E pergunta,
manifestando indignação: "Por que trocar essa proposta
- reajuste igual ao do salário mínimo e fim do fator previdenciário
- pela miserável da outra que não presta?"
Ele mesmo responde: "A
proposta do Paim é a melhor, não quebra a Previdência
e é a mais justa para os trabalhadores. Vamos lutar pela aprovação
dela".
O déficit da Previdência,
argumento usado pelos que se contrapõem ao fim do fator previdenciário,
foi afastado pelos oradores. Esse foi outro consenso entre eles.
Floriano Martins, da Associação
Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Anfip), que tem municiado
com números os aposentados na luta pelo fim do fator previdenciário,
disse que, falando pela milionésima vez, não há
déficit na Seguridade Social.
No ano passado, foram R$ 52
bilhões de superávit.
"Não são
os aposentados com esse reajuste pleiteado que vão quebrar a
Previdência Social", afirmou, destacando que dos oito milhões
de aposentados que vão receber esse reajuste, 6,6 milhões
recebem até quatro salários mínimos.
"Portanto, o reajuste da
inflação mais o PIB cheio, que é o reajuste dado
ao salário mínimo, representa um aumento de R$ 50 por
mês nos valores, o que não altera muito as contas do Governo,
mas representa muito para as famílias que recebem".
Caras-enrugadas
Outro consenso entre os oradores foi o de que a Confederação
Brasileira de Aposentados e Pensionistas (Cobap) é a entidade
representativa da categoria para fechar acordos. A entidade abandonou
as negociações, com a CTB e a Nova Central Sindical dos
Trabalhadores (NCST), por considerar lesivo aos aposentados.
O presidente da entidade, Varley
Martins Gonçalves, no alto dos seus 80 anos, se mostrou disposto
a ir para as ruas defender as matérias de interesse do segmento.
"Vamos substituir os caras-pintadas
pelos caras enrugadas. Estamos sendo lesados porque pagamos e não
recebemos. O que querem? É acabar com a gente?", indagou,
pedindo aos deputados que sempre defenderam os aposentados, que mantenha
essa defesa. "Aprovem que a gente luta contra o veto", concluiu.
Irredutibilidade
do valor dos benefícios
José Calixto Ramos, da NCST, lembrou que o assunto já
foi discutido exaustivamente e, mais uma vez, lembrou que a Constituição,
a lei máxima do País, estabelece a irredutibilidade do
valor dos benefícios.
"Basta esse artigo para
que não acatemos esse acordo que está sendo sugerido",
afirmou, criticando mais uma vez o acordo feito entre governo e centrais
sindicais sem combinar com o Legislativo, que é quem vai definir.
"O acordo deve ser feito aqui", destacou.
Ele, a exemplo de Wagner Gomes,
citou algumas categorias profissionais como comerciários e motoristas
que terão enorme dificuldade de atingir o fator 85/95 proposto
pelo Governo.
Gomes disse que o trabalhador
paga em média 23 anos de Previdência Social por causa do
desemprego e da informalidade. Pela proposta do Governo, em que a soma
de contribuição com a idade deve somar 95 para os homens
e 85 para as mulheres, o trabalhador se aposentaria já próximo
da morte.
Auditórios
cheios
Os aposentados chegaram com meia hora de antecedência e lotaram
a sala de audiência. Muitos foram impedidos de entrar para não
superlotar a sala. Eles foram acomodados em outros dois auditórios
vizinhos e acompanharam a audiência pela televisão transmitida
pela TV Câmara.
Na sala da audiência,
foram estendidas faixas e cartazes e distribuído material contrário
à proposta do governo, o mesmo que foi entregue à população
durante as festas de comemoração do Dia 7 de Setembro.
Os aposentados do Distrito Federal,
presentes à audiência, afirmam que continuam apoiando os
projetos de lei aprovados no Senado e que estão em tramitação
na Câmara, que estende o reajuste do salário mínimo
a todas as aposentadorias e acaba com o fator previdenciário.
"A integridade e a defesa
desses projetos significam fazer justiça aos aposentados",
diz o texto.
Os representantes de Minas Gerais,
que também participaram da audiência, destacam que a proposta
do governo não garante a recuperação do poder aquisitivo
dos segurados que ganham acima de um salário mínimo de
acordo com a Constituição.
O senador Paim, que percorreu
os outros auditórios para cumprimentar os aposentados, chamou
os oradores e público para participarem de outra audiência
que pretende realizar no Senado, nesta quinta-feira (10), para discutir
"A previdência, o pré-sal e o novo momento do Brasil".
Segundo o parlamentar, ninguém
discute novos recursos para Previdência Social porque sabe que
ela é superavitária, sugerindo colocar dinheiro do pré-sal
na Previdência para resolver a questão do reajuste dos
aposentados.
Reunião
com Temer
Representantes dos aposentados e lideranças sindicais se reuniram
hoje, com o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB/SP), e pediram
que coloque as propostas de interesse do segmento em pauta para votação.
Temer, por sua vez, prometeu
levar aos líderes partidários as reivindicações
de votação do projeto que acaba com o fator previdenciário
(PL 3.299/08) e da emenda de Paim ao PL 1/07, que dá aos aposentados
e pensionistas do INSS o mesmo percentual de reajuste do salário
mínimo até 2023.
Acordo
Pelo acordo, acertado com o Governo, os aposentados receberiam um aumento
real de 2,5%, correspondente à correção do índice
inflacionário mais a metade do crescimento do PIB de dois anos
anteriores.
Enquanto isso, o mínimo
será reajustado pela correção da inflação
mais o crescimento integral do PIB nos dois anos anteriores. (Com Vermelho)
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AGÊNCIA DIAP, 09 de
setembro de 2009
Greve paralisa Renault e Audi no Paraná.
Volvo também pode parar
Os 8.500 metalúrgicos das montadoras Renault-Nissan e Volks Audi,
de São José dos Pinhais, Grande Curitiba (PR), continuam
em greve e realizam assembléias, nesta quarta-feira (9) nas portas
das fábricas.
Hoje pela manhã o Sindicato
dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (filiado à Força
Sindical) realizou assembleias e comunicou aos trabalhadores que as
empresas ainda não apresentaram nenhuma proposta de reajuste.
Os metalúrgicos da montadora
Volvo também podem decretar greve na assembleia que será
realizada nesta quinta-feira (10).
Os 3.500 trabalhadores da Volks-Audi
estão parados desde quinta-feira (3). Eles reivindicam 10% de
reajuste e abono de R$ 2 mil, em setembro. O índice de 10% é
composto de aumento real e reposição de 100% do INPC (que
deve ficar entre 4,67% e 4,70%).
Sem
contraproposta
A empresa não fez, até agora, nenhuma oferta aos metalúrgicos.
Segundo a assessoria de imprensa do Sindicato, é bastante provável
que a paralisação tenha continuidade na Volks-Audi, já
que não existe negociação agendada.
A montadora francesa Renault
tem 4 mil funcionários diretos e cerca de mil terceirizados.
Eles estão em greve desde a última sexta-feira (4).
As reivindicações
são as mesmas da Volks-Audi, com 1% a mais no pedido de aumento,
devido a uma pendência da negociação de 2008.
Os metalúrgicos da Renault
já rejeitaram duas propostas da empresa. Na assembleia de quarta-feira
passada, eles não aceitaram a proposta de correção
de 100% do INPC e abono de R$ 1.500, em setembro.
Sérgio Butka, presidente
do Sindicato, acredita na continuidade da greve na Renault.
"A empresa teve tempo suficiente
para melhorar a proposta. Mas, infelizmente, apresentou uma pior ainda,
já que retirou 1% de reajuste que está pendende da campanha
salarial de 2008. Os trabalhadores decidiram entrar em greve e devem
permanecer parados até que a negociação avance",
declarou Butka.
Volvo
Os cerca de 2.600 metalúrgicos da Volvo da Cidade Industrial
de Curitiba podem engrossar o número de grevistas. Na última
quarta-feira, 2/9, eles decidiram que aguardam uma semana para a empresa
apresentar proposta que vá ao encontro de suas expectativas.
Se até a próxima
quarta-feira isso não ocorrer, eles poderão fazer paralisações
de protesto a partir do dia 10.
Nesta quarta-feira (9),
Sindicato e empresa se reunirão para discutir os índices.
Os trabalhadores querem 10% de reajuste salarial e abono de R$ 2 mil,
além do reajuste no valor do vale-mercado, congelado há
treze anos em R$ 60. Eles pedem R$ 120. (Fonte: Agência Sindical)
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FOLHA DE SÃO PAULO,
09 de setembro de 2009 | Dinheiro
Metalúrgicos do ABC param por reajuste
salarial
DA REPORTAGEM LOCAL
Sem proposta de aumento real
nos salários, os metalúrgicos do ABC (ligados à
CUT) decidiram iniciar paralisações hoje nas autopeças
e amanhã nas montadoras da região. No Estado de São
Paulo são 220 mil metalúrgicos, sendo 94 mil no ABC.
As manifestações vão ocorrer por causa do impasse
nas negociações salariais e para pressionar o setor patronal
a conceder aumento salarial. Em Taubaté, 2.600 trabalhadores
da Volkswagen e da Ford já iniciaram paralisações
ontem durante o turno das 6h às 14h30.
O Sinfavea (reúne as montadoras) e o Sindipeças (indústrias
de autopeças) ofereceram reajuste para repor as perdas pelo INPC
no acumulado dos últimos 12 meses -estimadas em 4,7%. (CR)
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
09/09/2009
Briga corporal em indústria têxtil
resulta em demissão por justa causa
A Quinta Turma do Tribunal Superior do
Trabalho reformou decisão que havia afastado a justa causa para
a demissão de uma empregada envolvida em briga corporal com uma
colega no local de trabalho, após troca de insultos. A CLT prevê,
entre os motivos que ensejam a demissão por justa causa, “o
ato lesivo da honra ou da boa fama praticado no serviço contra
qualquer pessoa, ou ofensas físicas praticadas contra o empregador
e superiores hierárquicos, salvo em caso de legítima defesa,
própria ou de outrem” (artigo 482, alínea “j”).
A empresa Paramount Têxteis Indústria e Comércio
S/A demitiu as duas envolvidas por justa causa.
No recurso ao TST, a questão
foi discutida sob o enfoque da comprovação da legítima
defesa, mais precisamente sobre de quem é o ônus de comprová-la.
Segundo o ministro Emmanoel Pereira, é do empregado o ônus
de comprovar que agiu em legítima defesa. A trabalhadora afirma
que vinha sendo provocada pela colega, por meio de recados ofensivos
pichados nas portas dos banheiros e que, por isso, apenas se defendeu
das agressões. Ela diz que a demissão foi injusta porque
a empresa não averiguou os fatos ocorridos, dispensou-a sem lhe
dar chance de provar sua inocência e não tomou providências
para evitar que a situação chegasse a tal ponto, por meio
da repressão às pichações.
De acordo com o ministro relator,
o ônus da empresa era comprovar a ocorrência do fato que
ensejou as demissões, o que ocorreu. “Da análise
do acórdão, depreende-se que a ofensa física foi
admitida como incontroversa, não dependendo de prova. Ora, se
a legislação trabalhista enumera taxativamente as hipóteses
de demissão por justa causa, e o empregador comprova a ocorrência
de uma dessas hipóteses, a conclusão lógica é
a de que incumbe à trabalhadora o ônus de comprovar a ocorrência
da excludente – legítima defesa -, de forma a afastar a
aplicação da pena de demissão”, afirmou Emmanoel
Pereira.
O TRT da 4ª Região
(RS) acolheu recurso da trabalhadora e afastou a justa causa. Na prática,
isso garantiu a ela o recebimento de aviso prévio indenizado,
férias proporcionais acrescidas de um terço, 13º
salário proporcional e indenização compensatória
de 40% sobre os depósitos do FGTS. Mas a decisão da Quinta
Turma do Tribunal Superior do Trabalho restabeleceu a sentença
que validou a justa causa para a demissão. Segundo o ministro
Emmanoel Pereira, o TRT/RS, ao atribuir ao empregador o ônus de
comprovar quem deu início ao tumulto e quem agiu em legítima
defesa, impôs obrigação que não competia
à empresa, errando na distribuição do ônus
probatório, em violação ao artigo 333, II, do Código
de Processo Civil ( RR 763/2006-291-04-00.0)
(Virginia Pardal)
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09/09/2009
Primeira Turma confirma jornada diferenciada
a radiologista de Itaipu
Os tratados internacionais dos
quais o Brasil faz parte integram o direito positivo brasileiro, no
mesmo plano das leis ordinárias. Nesse contexto, o Tratado de
Itaipu, equiparado a norma infraconstitucional, é aplicável
às hipóteses especialmente nele contempladas. Mas, em
caso de omissão, a norma deve ser suprida pela legislação
nacional. O entendimento é da Primeira Turma do Tribunal Superior
do Trabalho, que confirmou a aplicação da legislação
trabalhista brasileira ao julgar agravo da Itaipu Binacional contra
decisão regional que concedeu horas extras a um radiologista.
As instâncias ordinárias
da Justiça do Trabalho do Paraná (9ª Região)
garantiram a um empregado o pagamento como extras das horas trabalhadas
além da quarta diária e da vigésima quarta semanal.
O tratado binacional prevê jornada de trabalho de oito horas em
“quaisquer condições de execução do
trabalho”, mas, para os ministros da Primeira Turma do TST, a
generalidade de situações não exclui a possibilidade
de adoção de jornadas diferenciadas em razão das
peculiaridades do serviço executado.
“No caso vertente, trata-se
de empregado radiologista, contemplado com jornada reduzida em decorrência
da necessidade de se resguardar o organismo do trabalhador da excessiva
exposição à radiação”, explicou
o relator do caso, ministro Walmir Oliveira da Costa. Segundo ele, inexistindo
norma específica no Tratado de Itaipu, regulando a jornada dos
profissionais radiologistas, aplica-se a norma prevista no estatuto
próprio, ou seja, a Lei nº 7.394/85 (que regula o exercício
da profissão de técnico em radiologia).
O mesmo se dá com relação
ao adicional de insalubridade. Havendo ausência de regulamentação,
aplica-se a legislação vigente no país em que ocorreu
a contratação. “O juiz não pode se eximir
de prestar a jurisdição alegando omissão na lei,
devendo, na falta de disposição em lei ou no contrato,
lançar mão da jurisprudência, da analogia, da equidade
ou de outros princípios e normas gerais de direito”, afirmou
Walmir Oliveira da Costa em seu voto. A decisão foi unânime.
(AIRR 787045/2001.0)
(Virginia Pardal)
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08/09/2009
Trabalhador acusado de furto sem provas
receberá R$ 5 mil
Quando um trabalhador é
acusado injustamente pelo patrão de praticar ato ilícito,
como, por exemplo, furto, deve ser indenizado por danos morais, devido
à gravidade do crime que lhe foi imputado. Com base nesse entendimento,
a Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho rejeitou (não
conheceu) recurso de revista da empresa C.H. Murad & Cia Jaú
Ltda. contra condenação imposta pela Justiça do
Trabalho a pagar indenização a ex-empregado no valor de
R$ 5 mil.
No voto, o relator e presidente
da Primeira Turma, ministro Lelio Bentes Corrêa, destacou que
a imputação ao empregado de conduta gravíssima,
sem prova suficiente, justifica o pagamento da indenização.
Ainda segundo o relator, a jurisprudência do TST é clara
ao estabelecer que a comprovação ou não de falta
grave cometida por empregado em juízo não garante o reconhecimento
de danos morais, salvo se o fato imputado for de tamanha gravidade que,
por si só, já induza à ofensa – o que, de
fato, ocorreu no caso em discussão.
O ex-empregado da C.H. Murad
& Cia Jaú Ltda. contou que foi contratado em dezembro de
2000 e dispensado, sem justa causa, em agosto de 2002. Três meses
depois, a pedido da empresa, foi instaurado inquérito policial
contra ele para apuração de crime de apropriação
indébita. Em resumo, o trabalhador foi responsabilizado pelo
sumiço de R$90,67 do caixa da companhia.
Como o juiz de Direito que examinou
o inquérito decidiu arquivá-lo por ausência de provas,
após parecer da Promotoria de Justiça, o empregado alegou
que sofrera constrangimento com a acusação infundada e
caluniosa feita pela empresa. No mais, disse que o comportamento abusivo
do empregador lhe causou prejuízo de natureza moral – daí
o pedido de indenização no valor de R$ 48 mil que fazia
à Justiça.
A empresa, por outro lado, sustentou
que o empregado confessara ser o responsável pela loja, e que
apenas exercera o seu direito de apurar os fatos por meio de um inquérito
policial arquivado por insuficiência de provas. Defendeu também
que o acontecimento não teve repercussão na esfera trabalhista,
nem se tornou de conhecimento público.
Na 1ª Vara do Trabalho
de Jaú (SP), a empresa foi condenada a pagar R$ 18 mil de indenização
por danos morais. O Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região
(Campinas/ SP) reduziu o valor para R$ 5 mil, quantia considerada suficiente
para a satisfação do dano moral e evitar o enriquecimento
ilícito do beneficiário. De qualquer modo, para o TRT,
a indenização era devida, porque sequer havia a convicção
de que ocorrera o desvio do dinheiro e que o empregado tivesse praticado
ato ilícito. Pelo contrário: as provas (oral e documental)
revelaram que a empresa era desorganizada e não possuía
controle adequado do próprio numerário.
A empresa tentou reverter essa
decisão no TST. Mas, na opinião do relator, não
houve a alegada ofensa ao direito da C.H. Murad & Cia Jaú
Ltda. de propor ação criminal tendo em vista a condenação
por danos morais, como afirmado pela companhia. O ministro Lelio Bentes
esclareceu que a controvérsia se estabelece justamente em torno
da responsabilidade pelos danos causados ao trabalhador pela empresa
por ter procedido de forma leviana, com acusação de furto
sem provas.
E com relação
à quantia de indenização fixada pelo TRT, o relator
também não via motivos para alterá-la, uma vez
que ela fora estipulada levando-se em conta os critérios de proporcionalidade
e de razoabilidade envolvidos na questão. Para o relator, o próprio
arbitramento da quantia tinha um caráter subjetivo do juiz, o
que impossibilitava a alegação da empresa de que ocorrera
violação legal. Por todas essas razões, o relator
recomendou a rejeição (não- conhecimento) do recurso.
( RR 2219/2003-024-15-00.2)
(Lilian Fonseca )
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08/09/2009
Desconto na multa do FGTS em troca
de manutenção de emprego é ilegal
A multa de 40% sobre os depósitos
do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) que deve ser
paga pelo empregador em caso de demissão sem justa causa não
pode ser objeto de negociação coletiva. Não existe,
no ordenamento jurídico brasileiro, nenhuma norma que autorize
a redução da multa porque o valor em discussão
extrapola o patrimônio jurídico do trabalhador e alcança,
pela natureza do órgão gestor do FGTS, interesse de toda
a coletividade – o FGTS é um fundo social por meio do qual
são feitos investimentos em programas de habitação
popular, saneamento básico e infraestrutura urbana.
O Tribunal Superior do Trabalho
julgou recentemente dois casos envolvendo a CEF e empresas de vigilância
e segurança do Distrito Federal (OMNI Ltda. e Confederal Vigilância
e Transporte de Valores Ltda.). Com base em norma coletiva, as empresas
pagavam apenas metade da multa do FGTS a seus empregados em troca de
garantia de emprego por seis meses nas empresas que a sucederam em contratos
de prestação de serviços. A rotatividade no setor
de serviços de vigilância e limpeza é grande e a
substituição de uma empresa por outra é rotineira,
especialmente quando contratadas por entes da Administração
Pública.
Mas, segundo os relatores dos
recursos, ministros Alberto Bresciani e Emmanoel Pereira, a promessa
de manutenção de emprego não pode ser trocada por
um direito inscrito em norma de ordem pública. "Embora seja
desejável a continuidade de relações de emprego,
o objeto não se justificará se for comprometido renúncia
a garantias sociais outorgadas aos trabalhadores. O procedimento sob
análise não remete à transação, mas
à renúncia de direito, sem contrapartida legítima
e cabível”, afirmou Bresciani.
Segundo ele, a negociação
coletiva é um instituto valorizado e protegido pela Constituição,
mas não está livre de limites. “A mesma Constituição,
que consagra acordos e convenções coletivas de trabalho,
fixa direitos mínimos para a classe trabalhadora, exigindo a
proteção da dignidade da pessoa humana e dos valores sociais
do trabalho. Esta proteção não pode subsistir sem
a reserva de direitos mínimos, infensos à redução
ou supressão por particulares e categorias”, explicou.
“A detenção de mandato para negociar não
autoriza as entidades sindicais a recusarem normas de ordem pública
e de conteúdo imperativo, irrenunciável e, assim, imunes
à flexibilização”, afirmou o ministro Bresciani
em seu voto.
Em convenção coletiva,
o Sindicato dos Empregados em Empresas de Segurança e Vigilância
do Distrito Federal e o Sindicato das Empresas de Segurança Privada,
Sistemas de Segurança Eletrônica, Cursos de Formação
e Transporte de Valores no Distrito Federal ajustaram que as empresas
que assumem a prestação de serviços, em razão
de nova licitação pública, se obrigam a contratar
o empregado da empresa anterior, garantindo a manutenção
do vínculo por pelo menos seis meses. A última, por sua
vez, fica dispensada do pagamento do aviso prévio, pagando a
multa do FGTS no importe de 20% dos depósitos. Uma cláusula
fixou que a rescisão decorre de culpa recíproca das partes.
Os ministros Alberto Bresciani
e Emmanoel Pereira explicaram que a declaração de culpa
recíproca só pode ser reconhecida judicialmente, no âmbito
de um processo trabalhista, e não cabe norma coletiva nesse sentido.
A Lei nº 8.036/90, que dispõe sobre o FGTS, prevê
que, quando ocorrer despedida por culpa recíproca ou força
maior, reconhecida pela Justiça do Trabalho, o percentual da
multa será de 20%.
Segundo os relatores, o Tribunal
Regional do Trabalho da 10ª Região (DF/TO), ao reconhecer
a culpa recíproca, ajustada em norma coletiva e sem homologação
judicial, com a consequente redução da multa do FGTS,
violou dispositivos legais. Tanto a Terceira quanto a Quinta Turma do
TST acolheram os recursos da CEF e julgaram improcedentes as ações
mediante as quais as empresas OMNI e Confederal questionaram a conduta
da CEF de não lhes fornecer certificado de regularidade do FGTS,
em virtude do pagamento de metade da multa. Segundo o ministro Bresciani,
a irregularidade da redução da indenização
do FGTS para 20% legitima a cobrança da diferença pela
CEF. ( RR 335/2006-020-10-85.4 e RR 747/2008-002-10-00.1)
(Virginia Pardal)
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08/09/2009
Município não é
responsável por verbas trabalhistas de servente de obra
A Sexta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho acolheu recurso do Município de Campinas (SP) e isentou-o
da condenação subsidiária ao pagamento de verbas
trabalhistas a servente de obra pública. A maioria da Turma entendeu
que o caso não se relacionava à responsabilização
subsidiária do município. Segundo o voto vencedor, do
juiz convocado Douglas Alencar, a contratação da Varca
Scatena Construtora Ltda. para a execução de obras de
reurbanização de perímetro urbano - envolvendo
a construção de calçadões e praças
– foi uma empreitada eventual ligada à construção
civil, em que o município agiu como “dono da obra”
e, nessa condição, está isento da responsabilidade,
conforme a Orientação Jurisprudencial n.° 191 da SDI-1.
Tanto a sentença de primeiro
grau quanto o acórdão do Tribunal Regional do Trabalho
da 15ª Região (Campinas/SP) entenderam pela responsabilidade
subsidiária do município, que, ao delegar a terceiros
a execução de obras que fazem parte de sua rotina, teria
incorrido na hipótese de pura terceirização.
O ministro Maurício Godinho
Delgado, que ficou vencido no julgamento, emitiu entendimento conforme
a decisão do Regional, destacando que a obra realizada em benefício
da cidade de Campinas estava dentro da atividade-fim do município.
O voto do relator, porém, foi vencedor, e a Turma afastou a responsabilidade
subsidiária do município. ( RR 627/2006-131-15-00.9)
(Alexandre Caxito)
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03/09/2009
Empregado que trabalhava até
7h45 terá adicional noturno por todo o período
Por maioria de votos (9 a 5),
os ministros da Seção Especializada em Dissídios
Individuais (SDI-1 ) do Tribunal Superior do Trabalho garantiram a um
ex-empregado da empresa Du Pont Textile & Interiors do Brasil Ltda.
o direito de receber o adicional noturno referente ao período
em que ele trabalhou após as 5 horas da manhã. Por lei,
o adicional é devido a quem trabalha entre 22h de um dia e 5h
de outro. Mas a jurisprudência do TST prevê que, em caso
de prorrogação de jornada que alcance as primeiras horas
da manhã, o adicional é devido se o empregado cumpriu
toda a jornada habitual no período noturno.
No caso em questão, o
empregado trabalhava de 23h45 às 7h45. Para o relator originário
do recurso, ministro Vantuil Abdala, como a jornada não tinha
início às 22h, não se pode deferir ao empregado
o direito ao adicional no período posterior às 5 da manhã.
Mas não foi esse o entendimento que prevaleceu. Após divergência
aberta pelo ministro Lelio Bentes Corrêa e seguida por mais oito
integrantes da SDI-1, o direito ao adicional noturno foi assegurado
ao empregado. A hora do trabalho noturno é menor, sendo computada
a cada 52 minutos e 30 segundos. As regras do trabalho noturno constam
do artigo 73 da CLT.
Segundo o ministro Lelio Bentes,
como a jornada do trabalhador era de seis horas diárias (prestada
em regime de turno ininterrupto de revezamento) não há
ofensa à Súmula 60 do TST que condiciona o direito ao
adicional ao empregado que cumpra integralmente a jornada habitual em
horário noturno. O ministro explicou que seria um contrassenso
reconhecer o direito ao adicional noturno no trabalho prestado até
as 5 horas da manhã e retirá-lo do período posterior,
quando o empregado sofre maior desgaste em razão da prorrogação
a que está submetido, sem qualquer descanso. (E-RR 845/2000-087-15-00.4)
(Virginia Pardal)
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