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AGÊNCIA DIAP, 10 de setembro de 2009
Crise mundial fortaleceu papel do Brasil
no mundo, dizem especialistas
O Brasil está saindo da atual crise
econômica mundial fortalecido em relação aos países
desenvolvidos, na avaliação de especialistas ouvidos pela
BBC Brasil.
A análise da situação da
economia brasileira foi feita a pedido da BBC Brasil, que publica a
partir desta segunda-feira até o dia 24 de setembro a série
"Depois da Tempestade", um especial de toda a BBC com um balanço
de um ano de crise econômica.
Segundo os especialistas, neste
último ano, o Brasil não foi poupado da crise, como esperavam
os defensores da teoria do "descolamento", mas se prepara
para sair da recessão com indicadores relativamente saudáveis
quando comparados aos das principais economias do mundo.
Instituições como
o Fundo Monetário Internacional (FMI) preveem que o país,
ao lado de outros emergentes, se recupere da crise mais rapidamente
e também amplie a margem de vantagem em relação
ao crescimento dos países ricos.
No entanto, mesmo com o crescimento
econômico relativamente acelerado, o Brasil e outros emergentes
ainda lutam para ter mais voz política em organismos e grupos
internacionais como o FMI e o G8.
Vantagem
O FMI prevê que as economias emergentes crescerão 1,5%
neste ano, enquanto os países desenvolvidos terão retração
de 3,8%. Em 2010, quando as economias avançadas devem crescer
0,6%, segundo o FMI, os países emergentes estarão crescendo
quase oito vezes mais rápido: a 4,7%.
Antes da crise, os países
emergentes já vinham crescendo mais rapidamente do que o mundo
desenvolvido, mas em uma escala menor. Em 2007, os países emergentes
registraram aumento de 8,3% - três vezes mais acelerado do que
o crescimento de 2,3% das economias avançadas.
O Brasil se encaixa nessas previsões.
Segundo o FMI, a economia do país deve cair 1,3% em 2009 - menos
da metade do ritmo das economias avançadas. No próximo
ano, a economia nacional cresceria 2,5% - mais de quatro vezes o ritmo
dos países ricos.
As projeções do
FMI são bem menos otimistas do que as do governo brasileiro que
prevê crescimento de cerca de 1% para 2009 e de 4,5% para 2010.
Endividamento
Para o analista de América Latina do Deutsche Bank, Gustavo Cañonero,
a região foi fortemente afetada pela crise econômica mundial,
mas o Brasil e alguns países latino-americanos apresentam duas
características que os tornam menos vulneráveis do que
as economias ricas.
"Em primeiro lugar, a região
tem menos dívidas no setor público e privado", afirma
Cañonero. Os países ricos aumentaram muito o seu endividamento
público com pacotes fiscais e de estímulo à economia,
mas na América Latina e em outros países emergentes o
endividamento é baixo.
"Hoje o Brasil tem um histórico
muito bom em comparação com as economias desenvolvidas",
diz Cañonero.
Segundo um relatório
recente da OCDE sobre o Brasil, "a relação dívida
pública/PIB deve manter-se próxima de 40% do PIB em 2009
- e depois deve cair gradualmente para 35% no médio prazo".
Enquanto no Brasil a perspectiva
é de queda, nos Estados Unidos, que desembolsaram bilhões
de dólares para ajudar o setor financeiro a sair da crise, a
tendência é de aumento. Os americanos viram sua dívida
pública aumentar de 65% do PIB no final de 2006 para 70% em 2008.
A previsão da Casa Branca é que a dívida pública
atinja 90% este ano e passe de 100% em 2011.
Na Grã-Bretanha, outro
país que gastou muito com pacotes para o setor financeiro, a
dívida pública aumentou de 43% do PIB, no final de 2008,
para 56% em julho passado. Um instituto independente prevê que
o índice chegue a 83% até 2012.
Commodities
O segundo fator, segundo Cañonero, é que os países
emergentes são grandes produtores de commodities, vistas como
investimentos seguros no longo prazo. No começo da crise, o preço
de muitas commodities caiu drasticamente, afetando também grandes
exportadores como o Brasil.
No entanto, alguns preços
já voltaram a subir. De dezembro até junho, o preço
da soja subiu 60%. Segundo a Economist Intelligence Unit (EIU), o preço
geral das commodities comercializadas pelo Brasil está crescendo
no segundo semestre deste ano, graças à China, que está
aumentando suas importações.
"Países emergentes
são vistos como produtores de commodities e com baixo nível
de endividamento, em um mundo em que os países ricos estão
aumentando suas dívidas exponencialmente. Também são
associados a contas externas saudáveis, com altos níveis
de investimentos diretos estrangeiros", diz o analista do Deutsche
Bank.
Além das commodities
e do baixo endividamento, a Economist Intelligence Unit, que, recentemente
revisou de 2,7% para 3,3% o crescimento do Brasil em 2010, aponta um
terceiro fator: o sólido sistema financeiro brasileiro.
"O sistema financeiro [brasileiro]
é muito mais dominado por capital brasileiro do que por capital
estrangeiro, e isso se provou uma vantagem já que sistemas dominados
por bancos estrangeiros estão diminuindo severamente", diz
Justine Thody, diretora regional de América Latina da consultoria.
Perigos
para o Brasil
Para o professor de Relações Internacionais Andrew Hurrell,
especialista em Brasil da universidade britânica de Oxford, a
crise econômica criou desafios e oportunidades para que o país
aumente sua participação nos centros de decisão
do poder.
"Recentes análises
do papel do Brasil no mundo são cada vez mais otimistas - e com
bom motivo. O Brasil de fato estabeleceu-se como um 'player' importante
e influente na política mundial", escreveu o professor em
um recente artigo sobre o papel do país no mundo.
No entanto, ele alerta que uma
recuperação muito acelerada da economia mundial diante
da crise poderia prejudicar as ambições brasileiras, já
que os países ricos poderiam voltar à normalidade, sem
promover reformas que ampliem a voz de países emergentes nos
centros internacionais de decisão.
"O Brasil seria prejudicado
no caso de a economia mundial não conseguir se recuperar. Mas
suas opções também seriam restringidas em um cenário
no qual as principais economias se recuperassem sem uma reforma séria.
Em um cenário assim, as ortodoxias liberais de mercado se manteriam
dominantes", escreve o professor.
"Depois de uma corrente
inicial de pedidos por regulamentações mais profundas
e firmes, já há sinais de uma atitude de 'volta à
normalidade' tanto nos Estados Unidos como na Grã-Bretanha".
Justine Thody, da EIU, também
alerta para o fato de que mesmo tendo se fortalecido diante da crise
em relação aos demais países, o Brasil ainda não
é um "grande tigre".
"O Brasil ainda tem
problemas enormes em várias áreas, como terrível
infra-estrutura, um enrolado sistema tributário que não
é atraente para investidores, baixos níveis de educação
dos trabalhadores em geral - apesar de alguns bolsões de excelência
- e serviços públicos muito pobres". (Fonte: BBC
Brasil)
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AGÊNCIA DIAP, 10 de
setembro de 2009
Políticas anticíclicas protegem
base da pirâmide social, diz Pochmann
O desempenho do Brasil no combate à pobreza e à desigualdade
no último ano contrasta com o de crises anteriores.
"Em outros momentos, em
períodos de recessão e crise econômica, nós
tivemos sempre uma piora na distribuição de renda e um
aumento da pobreza", diz o economista Marcio Pochmann, presidente
do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), ligado à
Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência.
Pochmann afirma que as políticas
anticíclicas adotadas, ao contrário do que ocorreu em
crises passadas, ajudaram a proteger a base da pirâmide social.
"A própria ampliação
do programa Bolsa Família impediu que as pessoas que ficassem
desempregadas se convertessem em novos pobres", diz o presidente
do Ipea.
No início da crise, o
critério de acesso ao Bolsa Família aumentou de renda
per capita de R$ 120 para R$ 137.
Os dados do Ipea indicam até
uma pequena redução nas taxas de pobreza e desigualdade,
mesmo durante a crise, apesar de em ritmo mais lento que nos anos anteriores.
Segundo o Instituto, na média
de outubro de 2008 a junho de 2009 em comparação à
média de outubro de 2007 a junho de 2008, a taxa de pobreza caiu
2,8%.
Nesse período, 503 mil
pessoas saíram da condição de pobreza. No mesmo
período de comparação, a desigualdade caiu 0,4%,
conforme o Ipea.
Passado um ano do início
do período mais agudo da crise econômica mundial, as taxas
de pobreza e desigualdade no Brasil permanecem praticamente no mesmo
nível em que estavam antes de setembro de 2008.
"A sociedade brasileira,
tanto em termos de pobreza como de desigualdade, está no mesmo
ponto do pré-crise", diz o economista-chefe do Centro de
Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas
(FGV), Marcelo Neri.
Segundo Neri, "o grande
resultado desta crise" foi a parada súbita na redução
da pobreza e da desigualdade, que vinha ocorrendo a um ritmo forte nos
últimos anos, com uma média de 5 milhões de pessoas
deixando a pobreza a cada ano.
No entanto, o economista diz
que, diante da gravidade da crise, este é um bom resultado. "Acho
que é um empate. E acho que o empate é um bom resultado
num cenário de crise", afirma.
O economista afirma que a desigualdade
registrou "piora clara" em janeiro, mas depois os indicadores
retomaram o movimento de queda mês a mês.
De acordo com Neri, na chamada
"época de ouro", que vai de junho de 2003 a junho de
2008, a classe E (os pobres) teve redução de 39,5%.
De junho de 2008 a junho deste
ano, encolheu apenas 0,4%.
A classe C cresceu 25,6% nos
cinco anos até junho de 2008. Nos 12 meses seguintes, o crescimento
foi de 1,8%, diz Neri.
Em relação às
classes A e B, que representam o topo da pirâmide social, houve
crescimento de 34,1% de junho de 2003 a junho de 2008. De junho de 2008
a junho deste ano, foi registrada redução de 2%. "De
maneira geral, o Brasil vinha numa fase de ouro. O grande custo da crise
foi interromper esse processo", afirma Neri.
Tanto os dados do Ipea quanto
os da FGV têm como fonte a Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE
(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nas regiões
metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro,
São Paulo e Porto Alegre.
Para avaliar a desigualdade,
é utilizado o Índice de Gini (que mede a concentração
de renda e varia de 0 a 1, sendo maior a desigualdade quanto mais próximo
de 1).
A diferença, segundo
Neri, é que a FGV leva em conta no cálculo da desigualdade
tanto pessoas com renda positiva (assim como o Ipea) quanto aqueles
sem renda.
"Um grande efeito da crise
foi gerar desemprego", diz Neri.
"Então, quando se
calcula desigualdade só de quem tem renda, caiu. Agora, quando
você calcula a desigualdade de todo mundo, incluindo sem renda,
aumenta. Depois cai, mas ainda estaria em um ponto ligeiramente mais
alto do que estava no pré-crise", afirma.
Apesar das diferenças
na metodologia, tanto Neri quanto Pochmann afirmam que, de maneira geral,
a reação do Brasil à crise foi positiva e permitiu
um desempenho melhor não somente em relação a crises
anteriores, mas também a outros países.
Em julho, a vice-presidente
do Banco Mundial para a América Latina e Caribe, Pamela Cox,
disse que até 13 milhões de pessoas poderiam voltar a
um patamar abaixo da linha de pobreza na região por causa da
crise econômica mundial.
O Banco Mundial não tem
dados específicos sobre o Brasil.
No entanto, segundo Neri e Pochmann,
os indicadores atuais confirmam que o país ficou de fora desse
movimento. Ambos afirmam que a perspectiva é de que os indicadores
sociais voltem a apresentar avanços em breve.
"A desigualdade brasileira
vai chegar ao menor nível das séries históricas
em breve", diz Neri.
Segundo Pochmann, são
necessárias medidas adicionais às ações
já adotadas, como uma mudança no sistema tributário,
para que o Brasil possa retomar o ritmo e superar o problema da miséria
dentro de alguns anos.
"Se o pior da crise
já passou, e se durante a crise a pobreza diminuiu, é
bastante provável que a economia crescendo, gerando mais empregos,
melhorando salários, os resultados possam ser superiores",
diz Pochmann. (Fone: BBC Brasil)
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O ESTADO DO PARANÁ,
10 de setembro de 2009 | Economia
Crise freou crescimento das classes mais
altas
Agência Estado
A crise interrompeu o processo de aumento das classes sociais mais altas,
A e B, mas não a passagem de pessoas das classes mais baixas,
D e E, para a classe C, de acordo com pesquisa do Centro de Políticas
Sociais (CPS), da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
"É um empate e é um resultado muito bom para a época
de crise, mas é uma parada súbita, já que a gente
vinha melhorando a taxas altas. O copo está meio cheio e meio
vazio", disse o economista-chefe do CPS, Marcelo Neri. Ele observou
que entre 2003 e 2008 27 milhões de pessoas, "meia França",
foram incorporadas ao conjunto de classes A, B e C e 24 milhões
deixaram a pobreza.
O conjunto das classes A e
B, que havia crescido 35,7% entre julho de 2003 e julho de 2008, caiu
0,5% entre julho do ano passado e julho deste ano. Já a classe
C, que havia aumentado 23,1% entre os meses de julho de 2003 e 2008,
subiu mais 2,5% de julho do ano passado até julho de 2009, período
em que a classe D encolheu 4,1% e a classe E se reduziu em 3,3%.
Neri também observou
que as periferias de maneira geral reagiram melhor à crise do
que as capitais, com a exceção de Salvador. De acordo
com ele, isso pode estar ligado ao fato de a indústria e os serviços
financeiros terem sido mais atingidos pela crise e os setores de comércio
e serviços terem ido melhor. "O mercado interno foi um verdadeiro
Pelé contra a crise", disse Néri. Entre as capitais,
a mais afetada foi São Paulo, onde o conjunto das classes A,
B e C caiu 0,68% entre julho de 2008 e julho de 2009. No entanto, na
periferia paulista, houve um crescimento de 0,67% nesse conjunto.
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NCST, 10 de setembro de
2009
Movimentos sociais pedem aprovação
de PEC das moradias populares
Representantes de movimentos sociais, secretários de habitação
e empresários do setor da construção civil defenderam
nesta terça-feira a aprovação da Proposta de Emenda
à Constituição (PEC) 285/08 que destina recursos
para construção de moradias populares no Brasil.
Eles participaram de audiência
pública da Comissão Especial criada na Câmara para
analisar a PEC que vincula aos Fundos de Habitação de
Interesse Social 2% das receitas da União, e 1% das receitas
dos estados, Distrito Federal e municípios.
Apresentada por oito deputados,
a medida vale por 30 anos e tem o objetivo de eliminar completamente
o déficit habitacional brasileiro.
Demanda
crescente
O presidente do Fórum Nacional dos Secretários de Habitação
e Desenvolvimento Urbano, Carlos Eduardo Marun, lembra que a atualmente
no País faltam cerca de 8 milhões de moradias. Segundo
ele, nos próximos 15 anos o crescimento vegetativo levará
a uma demanda de 23 milhões de novas unidades habitacionais.
"Efetivamente, a aprovação
não vai acontecer se não houver um grande esforço
nacional e a compreensão dos diversos entes federativos no processo",
argumenta Marun, ressaltando que a aprovação da proposta
garantiria recursos permanentes e a possibilidade de planejamento.
"Sabendo que em todos os
anos teremos um recurso significativo vai permitir que os projetos sejam
melhores elaborados, que as indústrias adequem seus parques produtivos
a essa necessidade de produção de materiais de construção.
Vai estimular pessoas a se tornarem profissionais da área da
construção. É um ganho em cadeia, onde ganha todo
o País", defende.
Prioridade
O relator da proposta, deputado Zezéu Ribeiro (PT-BA), disse
que a questão da moradia popular deve ser priorizada pelos governos,
a exemplo do que já acontece com saúde e educação.
Para Zezéu, estados e
municípios, assim como o Distrito Federal, não terão
problemas por causa da vinculação de receitas a investimentos
na área habitacional.
"A vinculação
que nós fazemos é da ordem de 1%. Hoje, se nós
observarmos, os recursos aplicados na habitação, no programa
Minha Casa Minha Vida e demais programas implementados, supera em valor
o que é previsto pela PEC. Só que o que a gente tem hoje
são programas de governo. Nós queremos que seja um programa
do estado brasileiro", destaca.
O deputado Zezéu também
informou que vai promover reuniões com líderes partidários
e bancadas estaduais para viabilizar a tramitação da proposta.
Audiências
públicas
A votação do relatório final da PEC deve acontecer
no dia 13 de outubro. Até lá, audiências públicas
sobre o tema serão realizadas nas cinco regiões do País.
O primeiro encontro acontece em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul,
no dia 22 de setembro.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
10 de setembro de 2009 | Dinheiro
CONSUMIDOR
BC lança serviço de troca
de nota por moedas
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Para resolver o problema de
falta de troco, o Banco Central instalou pontos de atendimento nas capitais
para substituir cédulas por moedas.
O endereço dos postos de troca está na página do
BC (www.bcb.gov.br).
Além disso, também foi feito um acordo com os bancos para
que as instituições financeiras realizem pelo menos 10%
dos saques de seus clientes em cédulas de baixo valor.
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O ESTADO DO PARANÁ,
10 de setembro de 2009 | Política
Câmara aprova PEC que cria 7.709
vagas de vereadores
Agência Estado
A Câmara dos Deputados aprovou, em primeiro turno, a proposta
de emenda constitucional que cria 7.709 novas vagas de vereadores. A
emenda obteve 370 votos a favor, 32 contrários e duas abstenções.
A proposta, que já passou
pelo Senado, terá ainda de ser votada em segundo turno. Hoje
o País tem 51.748 vereadores. O cálculo do número
de novos vereadores foi feito pela consultoria legislativa da Câmara,
com base na população estimada pelo Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE) para 2009.
A vitória dos suplentes
de vereador, que há mais de um ano lutam pelas novas vagas, ocorreu
depois de intensa pressão. Parte deles passou a ocupar as dependências
da Câmara de terça a quinta desde que o Legislativo voltou
do recesso. Ontem, eles fizeram corredores poloneses por onde passavam
os parlamentares e ocuparam as galerias da Câmara. Não
foram agressivos. Apenas pediram apoio.
Embora o texto da emenda diga
que os seus efeitos passam a valer a partir da eleição
de 2008, a posse não deverá ser automática. Cada
Câmara de município que aumentou a população
nos últimos quatro anos terá de dizer se as novas cadeiras
poderão ser ocupadas pelos suplentes.
E há, no Congresso,
a certeza de que o assunto terminará no Tribunal Superior Eleitoral
(TSE), cujo presidente, Carlos Ayres Britto, já disse que não
dará a posse aos suplentes.
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O ESTADO DO PARANÁ, 10 de setembro
de 2009 | Política
Deputado sugere loteria para financiar
estudantes pobres
Redação
Nas duas últimas audiências públicas da Comissão
de Educação e Cultura, o deputado Wilson Picler (PDT)
tem defendido que a Caixa Econômica Federal estude a viabilidade
da criação de uma loteria, nos moldes das já
implantadas, como forma de financiar os estudantes pobres, que usam
o Financiamento Estudantil (Fies) para cursar o ensino superior nas
faculdades ou universidades particulares. Picler tem um interesse
especial pelo assunto. Ele é dono de uma instituição
de ensino superior privada em Curitiba.
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AGÊNCIA DIAP, 10 de setembro de 2009
Após 10 anos, Estatuto da Igualdade
Racial é aprovado pelos deputados
Um acordo com a bancada ruralista garantiu,
nesta terça-feira (8), a aprovação do Estatuto
da Igualdade Racial (PL 6.264/05) na Câmara dos Deputados, depois
de uma tramitação de quase dez anos. Na prática,
o estatuto abre mais espaços institucionais para os negros.
Para destravar a proposta, o deputado Antônio
Roberto (PV/MG), relator do projeto, aceitou excluir do texto final
um artigo que tratava da regularização de terras para
remanescentes de quilombos.
Na visão da bancada ruralista,
o artigo abria brechas para futuras ocupações por quilombolas
de áreas com produção agrícola.
"Na minha avaliação,
não havia qualquer problema. Mas como a Constituição
já trata do assunto dos quilombolas, preferi negociar o acordo
político retirando o artigo e garantindo a aprovação
do estatuto", explicou Antônio Roberto.
Com o acordo que excluiu a regularização
de terras para remanescentes de quilombos, a bancada ruralista aceitou
apoiar a votação do estatuto em caráter terminativo.
Ou seja, permite sua ida direta para o Senado, sem necessidade de aprovação
pelo plenário da Câmara.
Pelas regras do estatuto, os
partidos políticos passam a ser obrigados a destinar aos negros
10% de suas vagas para candidaturas nas eleições. Também
passa a exigir do sistema público de Saúde que se especialize
em doenças mais características da raça negra,
como a anemia falciforme.
Na Educação, passa
a ser obrigatória a inclusão no currículo do ensino
fundamental aulas sobre história geral da África e do
negro no Brasil. Outra novidade é o incentivo fiscal que o governo
poderá dar para empresas com mais de 20 funcionários e
que decidirem contratar pelo menos 20% de negros.
"Esse estatuto é
como um bico de arado. Ele não é um ponto de chegada.
É um ponto de partida", afirma o relator, que é branco.
(Fonte: Agência Estado)
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GAZETA DO POVO, 10 de setembro
de 2009 | Vida & Cidadania
Políticas públicas
Idoso precisa conhecer melhor os seus
direitos
A 7.ª edição da Mobilização
Paranaense sobre o Envelhecimento pretende divulgar o Estatuto e colocar
a longevidade em pauta

A Semana do Idoso, celebrada
de 27 de setembro a 1.º de outubro, deve movimentar entidades,
organizações ligadas à causa e, principalmente,
os maiores de 60 anos durante a 7.ª edição da Mobilização
Paranaense para o Envelhecimento (Move). Não só isso:
precisa sensibilizar instituições e a sociedade, sem esquecer
a família e também o público em geral, sobre as
necessidades de políticas públicas de atenção
à terceira idade. Esses são os desafios dos organizadores
da Move, que é promovida pelo Conselho Estadual de Direitos da
Pessoa Idosa do Paraná (Cedi-PR).
A ideia é levantar o
debate sobre a longevidade da população brasileira,
que deve chegar a 13% de idosos em 2050. “Não somos mais
um país de jovens. Os poderes públicos e a sociedade precisam
ter consciência dessa mudança para alterar os rumos de
atenção na saúde, na previdência e no atendimento
básico dos longevos de hoje e de amanhã”, explica
o coordenador geral da Move 2009, coronel Janary Bussmann.
A Move é coordenada
pelo Cedi-PR, mas quer envolver as entidades e organizações
que, de alguma forma, lidam com a defesa dos direitos dos idosos ou
promovam ações que envolvam o atendimento e desenvolvimento
da terceira idade. O planejamento da semana foi prejudicado pela pandemia
da gripe A. Reuniões de trabalho foram adiadas por causa do risco
de contaminação, o que acabou atrasando a articulação
do Cedi junto aos possíveis parceiros para a empreitada. O objetivo
é pretensioso, já que depende do engajamento e da vontade
política dos envolvidos: promover ações de lazer,
divulgação de direitos e atendimento de saúde para
idosos em todo o estado durante essa semana especial.
Apesar dos atrasos nos preparativos,
o Cedi já encaminhou ofícios para as 399 prefeituras do
estado, informando da Move e seus objetivos. Os organizadores também
contam com o apoio dos conselhos municipais de defesa de direitos dos
idosos, instalados em 163 cidades. Associações de professores,
unidades do Sesc, as secretarias estaduais da Saúde, Trabalho
e Esportes também foram convocadas a participar. O grande desafio
é levantar patrocínio para a logística dos eventos
que serão promovidos e organizar a grade de programação.
“A maior dificuldade é mostrar aos gestores a necessidade
desse envolvimento e a importância em criar mecanismos de apoi
o e divulgação do Estatuto do Idoso e das lutas pelos
direitos. É preciso entender a mobilização pelo
envelhecimento digno e saudável como uma causa fundamental para
a nossa sociedade”, explica Bohdan Metchko Filho, presidente do
Cedi.
Em Curitiba
Para estimular as outras instituições,
o Cedi-PR organizou uma agenda própria de eventos para a Move
em Curitiba. A Secretaria de Estado da Saúde vai promover uma
webconferência no dia 25 de setembro, sobre os riscos de queda
em idosos. Há também uma oficina de saúde programada
para ocorrer durante a Move e as ações da Semana do Homem,
de 22 a 26 de setembro. Uma exposição na Boca Maldita
para a divulgação da legislação também
está sendo organizada. “Estamos em uma fase em que cada
contribuição – de ideias e apoio financeiro –
é importante para fazer o evento acontecer”, explica Rubens
Bendlin, vice-presidente do Cedi.
Fundo
estadual é a maior reivindicação
Um dos parceiros mais ativos na empreitada da Move é o Fórum
Popular Permanente da Pessoa Idosa de Curitiba e Região. Organizadora
da primeira Caminhada dos Cabeças Brancas, realizada em 2007,
a entidade se prepara para a próxima edição do
movimento, que será realizada durante a Move. A caminhada dos
idosos foi feita pela primeira vez há dois anos, liderada pela
Caritas do Chile e clamava por dignidade. Na época, 16 países
participaram da ação.
Depois de ser suspensa em 2008,
por causa das eleições, a caminhada volta a ser realizada
neste ano em Curitiba. A saída está prevista para as 9
horas, no dia 1.º de outubro, na Praça 19 de Dezembro,
em direção ao Palácio Iguaçu. No encerramento,
as lideranças do movimento devem entregar uma carta às
autoridades, com as principais reivindicações dos idosos.
Integrantes do Fórum
e o Cedi afinaram os detalhes desse documento, para alinhar as demandas.
A mais importante delas é a criação do Fundo Estadual
de Direitos dos Idosos, que vai viabilizar o repasse de recursos do
governo federal, via Fundo Nacional do Idoso, que também está
em fase de implantação. Também será importante
para receber o dinheiro das multas aplicadas aos infratores do Estatuto
do Idoso. O projeto de implantação do Fundo Estadual tramita
há seis anos. “O fundo não é o mecanismo
ideal, mas é o que a legislação nos impõe.
O certo seria a área de políticas públicas para
o idoso ter um orçamento próprio, previsto nas pastas
apropriadas para atenção prioritária. Mas esse
já é um passo adiante”, explica a gerontóloga
Shieley Screminn.
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JORNAL DE SANTA CATARINA,
10 de setembro de 2009 | Economia
Salário mínimo regional
é aprovado na Assembleia Legislativa de Santa Catarina
Votação gerou muita discussão
entre deputados e representantes dos trabalhadores
O projeto que cria o salário mínimo regional em Santa
Catarina foi aprovado nesta quarta-feira na Assembleia Legislativa em
Florianópolis. A lei entrará em vigor em 1º de janeiro
de 2010.
O valor do piso varia —
R$ 587, R$ 616, R$ 647 e R$ 679 — de acordo com a categoria (leia
mais na tabela abaixo).
Entre as mudanças, os
motoristas foram incluídos na faixa mais alta do salário
(R$ 679), e o piso da indústria mobiliária foi reduzido
de R$ 674 para R$ 616.
Depois de muita discussão
sobre a inclusão ou não do governo nas negociações
dos reajustes salariais, os deputados decidiram pelo sistema tripartite
— com participação do Estado, trabalhadores e empregados.
Representantes dos trabalhadores
lotaram a Assembleia na tentativa de convencer os deputados a votarem
favoráveis ao salário mínimo estadual.
No centro da polêmica,
a questão mais debatida foi sobre a inclusão ou não
do governo nas decisões sobre os dissídios das categorias.
O projeto original, que não
previa essa medida, recebeu uma emenda, de autoria do líder do
governo na Casa, deputado Elizeu Mattos (PMDB), que instituía
as negociações tripartide.
Proposta vetada
Na passagem do projeto pela
Comissão de Constituição e Justiça (CCJ),
na manhã desta quarta-feira, a proposta foi vetada, dando lugar
a um substitutivo que implementaria os acordos bipartite, na qual negociariam
apenas os empregadores e os funcionários.
A decisão da CCJ não
agradou alguns setores do governo. A secretária da Assistência
Social, Trabalho e Habitação, Dalva Dias, disse que foi
surpreendida.
— A negociação
bipartite já acontece hoje, então não precisaríamos
desse projeto — disparou Dalva.
A proposta do mínimo
regional está em estudo há mais de três anos e ganhou
fôlego em 2009 depois que o governador Luiz Henrique da Silveira
mandou o texto para aprovação da Assembleia Legislativa.
Pisos salariais por setores
R$ 587
Agricultura e pecuária, indústria extrativista, pesca,
turismo, construção civil, indústria de instrumentos
musicais e brinquedos, empregados domésticos e motoboys
R$ 616
Indústria têxtil e de calçado, indústria
de papel, empresas distribuidoras de jornais e revistas, empregados
em bancas e vendedores ambulantes de jornais e revistas, empregados
na administração das empresas proprietárias de
jornais, empregados em estabelecimentos de serviços de saúde
e em empresas de comunicação e telemarketing
R$ 647
Indústria do mobiliário, indústria química
e farmacêutica, indústria cinematográfica, indústria
da alimentação, comércio em geral e agentes autônomos
do comércio
R$ 679
Indústria metalúrgica, mecânica, de material
elétrico, gráfica, de vidros, cristais, espelho, cerâmicas
de louça e porcelana, artefatos de borracha e de joalheria, empresas
de seguros privados e capitalização, empregados em condomínios,
empregados em estabelecimentos de cultura, empregados em processamento
de dados e transporte em geral.
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NCST, 10 de setembro de
2009
Anfip: aumento na licença-maternidade
não trará rombo à Previdência
Em audiência pública da comissão especial que analisa
a ampliação do período de licença-maternidade
de quatro para seis meses (PEC 30/07), o vice-presidente de Política
Salarial da Associação Nacional dos Auditores Fiscais
(Anfip), Rodrigo da Costa, afirmou que o aumento que a proposta vai
representar nos gastos da Previdência Social não é
preocupante.
Ele informou que a menor despesa
da Previdência é justamente com o salário-maternidade.
Em 2008, foram concedidos 497 mil benefícios, em um total de
R$ 226 milhões. O aumento em dois meses representaria mais R$
113 milhões em gastos.
O projeto amplia o alcance da
lei conhecida como "empresa cidadã", já aprovada
pelo Congresso, que possibilita às empresas privadas decidir
se vão aderir à licença de 180 dias para receber
incentivos fiscais. Com base nessa lei, 20 estados já concedem
para suas servidoras a licença de seis meses.
Na audiência, o secretário
de Relações do Trabalho, Luiz Antônio Medeiros Neto,
confirmou que o governo é favorável à ampliação
da licença para 180 dias.
O presidente da Sociedade
Brasileira de Pediatria, Dioclécio Campos Júnior, destacou
que é nos primeiros seis meses da vida de uma criança
que se verifica o maior crescimento cerebral de toda a vida humana.
Segundo ele, a presença integral da mãe ou do pai nesse
período é fundamental para que esse desenvolvimento seja
correto. "Além de permitir à criança o acesso
mais garantido ao aleitamento materno, a licença-maternidade
ampliada garante também toda a estimulação à
criança. Portanto, é um ganho incalculável."
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
10/09/2009
Idêntica falta, idêntica punição:
JT reverte justa causa na Volkswagen
Em recursos sucessivos para
reverter a sentença que descaracterizou a demissão por
justa causa de um ex-empregado, a Volkswagen do Brasil Ltda. perdeu
mais um apelo no Tribunal Superior do Trabalho, agora na Seção
Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1), que rejeitou
(não conheceu) embargos da empresa, nos quais ela alegava a perda
da confiança como motivo para o rigor da punição.
A demissão por justa causa de um empregado que exercia cargo
de responsabilidade e confessou procedimento ilegal, enquanto outros
funcionários que cometeram o mesmo ato foram apenas suspensos,
foi considerada discriminatória pela Justiça do Trabalho
de São Paulo.
Relator do recurso de embargos
à SDI-1, o ministro Vieira de Mello Filho verificou que as violações
constitucionais e da CLT apontadas pela empresa não possibilitavam
o conhecimento do recurso, pois não se enquadram na nova redação
do inciso II do artigo 894 da CLT. Ele esclareceu que, desde setembro
de 2007, com a vigência da lei com nova redação,
“somente são cabíveis embargos quando demonstrada
divergência jurisprudencial entre Turmas do Tribunal Superior
do Trabalho ou entre essas e a Seção de Dissídios
Individuais”.
No caso, o trabalhador confessou
obter descontos em diárias de hotel pagas pela empresa, ficando
com a diferença do valor. Ao constatar as irregularidades, envolvendo
grande número de empregados e por longo período, a Volkswagen
demitiu alguns funcionários, enquanto outros foram apenas suspensos.
O caso ficou conhecido na empresa como “lavanderia Volkswagen”.
A Justiça do Trabalho da 2ª Região cancelou a justa
causa, e este entendimento foi mantido também pela Terceira Turma
do TST. Inconformada, a empresa interpôs embargos à SDI-1
insistindo na tese da “quebra de fidúcia”.
Ao analisar os embargos, o ministro
Vieira de Mello considerou que o não conhecimento do recurso
de revista, com base nas Súmulas nºs 296 e 297 do TST, de
natureza processual, não oferece a possibilidade de verificação
de divergência, ”pois inexistente, na decisão proferida
pela Terceira Turma, tese jurídica capaz de ensejar o reconhecimento
de antítese, tornando incabível, dentro do novo ordenamento
jurídico, o recurso de embargos”. O relator concluiu que
“a Turma foi clara ao anunciar que o TRT nada havia dito acerca
da existência de qualquer distinção entre os empregados
envolvidos”. (E-RR –518/2002-463-02-00.8)
(Lourdes Tavares)
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10/09/2009
TST mantém redução
de participação nos lucros em banco privatizado
A Oitava Turma do Tribunal Superior
do Trabalho rejeitou recurso do Sindicato dos Bancários da Bahia
contra decisão que reconheceu a validade da alteração
de cláusula no estatuto social do Banco Baneb S/A reduzindo de
20% para 1% o percentual relativo à participação
nos lucros concedidos aos seus empregados.
Para o sindicato, a alteração,
introduzida em 1999, contrariou princípios constitucionais como
o direito adquirido e a irredutibilidade salarial. Em sua defesa, o
banco sustentou que desde junho de 1996 não distribui participação
nos lucros, e não o fez em função de os resultados
serem absorvidos pelos prejuízos acumulados. Acrescentou, também,
que a alteração no critério de rateio da participação,
limitando-o a um por cento, já ocorrera no Banco do Estado da
Bahia S/A quando sob controle do Governo daquele Estado.
O TRT da 5ª Região
(BA) concluiu pela inexistência de ilegalidade, no caso em questão.
O entendimento foi o de que o percentual de 20% era “uma benesse
concedida à época em que vigorava uma política
econômica totalmente diversa do quadro atual”: o Baneb,
então, era um banco estadual, e não se cogitava sua privatização.
E ainda, segundo o TRT/BA, em razão dos vários prejuízos
sofridos, o Baneb, assumindo compromisso com o Banco Central no sentido
de encaminhar o processo de privatização, realizou algumas
modificações estatutárias, entre elas a redução
do percentual de participação no lucro.
Após sucessivos embargos,
sem sucesso, no Regional, o sindicato recorreu ao TST insistindo na
tese do prejuízo e da redução salarial. O ministro
Márcio Eurico, redator do acórdão, destacou que
a participação nos lucros não tem natureza salarial,
sendo, pois, impróprio falar-se em redução salarial
em caso de redução. Afirmou, também, não
existir direito adquirido ao percentual de 20%, mas mera expectativa
de direito, por estar condicionado aos resultados. ( AIRR e RR-752/2000.003.05.00.0)
(Lourdes Côrtes)
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10/09/2009
Banco deve indenizar empregada que
teve conta investigada
Nenhum empregador está
autorizado a investigar quanto dinheiro o empregado tem na conta, se
usou o limite do cheque especial ou fez gastos excessivos com o cartão
de crédito, mesmo que seja uma instituição bancária.
A não ser que haja autorização judicial, a quebra
de sigilo bancário do trabalhador é crime.
Por essa razão, a Terceira
Turma do Tribunal Superior do Trabalho, à unanimidade, negou
provimento a recurso de revista do Banco Bradesco S.A. e manteve condenação
ao pagamento de R$ 30 mil de indenização por danos morais
a ex-empregada que teve a situação bancária investigada
pela instituição. De acordo com o relator do recurso,
ministro Alberto Luiz Bresciani, o banco não negou que a pesquisa
nos dados bancários era feita em todas as contas dos empregados.
Portanto, houve claro desrespeito à Constituição
Federal (artigo 5º, inciso X), que assegura indenização
em caso de violação da intimidade e da vida privada do
indivíduo.
Ainda segundo o relator, apesar
de a empresa argumentar que não houve divulgação
das informações coletadas a terceiros, esse não
era o problema, mas sim o ato de violar a privacidade da trabalhadora.
Outra alegação insustentável, na opinião
do ministro, era de que existia norma (Circular nº 2.852/1998 do
Banco Central e regulamento interno do Bradesco) dispondo sobre o monitoramento
dos dados bancários, pois o resguardo do sigilo bancário
é garantido pela Lei Maior do país e pela Lei Complementar
nº 105/2001.
Como lembrou o presidente da
Turma, ministro Horácio Senna Pires, em diversas empresas existem
empregados encarregados da tesouraria, em contato com grandes somas
em dinheiro. Isso, no entanto, não autoriza o empregador a pedir
informações ao banco em que o trabalhador mantém
sua conta. Para o ministro, o Bradesco poderia ter estabelecido regra
dessa natureza por meio de contrato com os empregados. Do contrário,
quebra de sigilo bancário só com autorização
judicial.
Ao iniciar a ação
trabalhista, a bancária, demitida depois de 16 anos de serviços,
requereu, entre outros créditos, indenização por
danos morais, tendo em vista a quebra do seu sigilo bancário
nos freqüentes monitoramentos realizados pelos departamentos de
recursos humanos, inspetoria e gerência-geral de agência
do Bradesco.
O juiz da 5ª Vara do Trabalho
de Contagem (MG) negou o pedido por entender que a simples verificação
das movimentações financeiras do empregado, sem a divulgação
dessas informações a terceiros, não configurava
quebra de sigilo bancário. Contudo, o TRT mineiro modificou essa
decisão porque considerou que houve desrespeito aos princípios
constitucionais - testemunhas confirmaram que o monitoramento era uma
prática comum na instituição.
Como valor compensatório
à trabalhadora, o Regional arbitrou a quantia de R$ 30 mil, levando
em conta a gravidade da lesão, a repercussão do dano e
as condições econômicas das partes envolvidas. A
Terceira Turma também considerou razoável a quantia estipulada
e manteve o valor. ( RR 299/2007-131-03-00.7)
(Lilian Fonseca)
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10/09/2009
Vendedora em franquia do Boticário
não consegue estabilidade sindical
Uma sindicalista do conselho
fiscal do Sindicato dos Empregados no Comércio de Salvador (BA)
não conseguiu manter, no Tribunal Superior do Trabalho, a estabilidade
provisória no emprego conquistada no Tribunal Regional do Trabalho
da 5ª Região (BA). A Quinta Turma do TST aceitou o recurso
da empresa baiana Perfumaria e Cosméticos Ltda., franqueada da
marca O Boticário, e reformou decisão regional que equiparou
a atuação dos membros do conselho fiscal ao dos membros
do cargos de direção e representação.
Ao contrário do Tribunal
Regional, que assegurou o emprego à vendedora sob o entendimento
de que o conselho fiscal “é também órgão
da administração sindical, como previsto no artigo 538
do CLT”, a relatora do processo na Quinta Turma, ministra Kátia
Magalhães Arruda, esclareceu que a atividade de membro do conselho
fiscal de um sindicato se restringe à fiscalização
da gestão financeira da entidade. Nessa condição,
o trabalhador não faz jus à estabilidade provisória
prevista nos artigos 543, parágrafo 3º, da CLT e 8º,
inciso VIII, da Constituição. Este entendimento já
está consolidado na Súmula 365 do TST, concluiu relatora.
( RR 280-2007-024-05-00.3)
(Mário Correia)
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10/09/2009
Convenção coletiva não
evita controle do horário de motorista
A Quarta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho rejeitou recurso da Martins Comércio e Serviço
de Distribuição S.A. contra condenação ao
pagamento de horas extras a um ex-motorista. Apesar de a convenção
coletiva da categoria estabelecer que os motoristas não se sujeitavam
ao controle de jornada, a Justiça do Trabalho entendeu que, no
caso, o controle era efetivamente exercido. Sem esse controle, o caso
seria de atividade externa, livre da jornada semanal legal de 44 horas
e do pagamento de horas extras.
Anteriormente, o Tribunal Regional
do Trabalho da Terceira Região (MG) também julgou de forma
favorável ao trabalhador. O TRT entendeu que a convenção
coletiva seria inaplicável nessa situação, pois
sempre houve a fiscalização das atividades profissionais
do motorista.
O autor do processo entrou no
emprego em 1995 e saiu em 2000. Durante todo esse período, afirmou
que suas viagens eram controladas por instrumentos eletrônicos
via satélite, como tacógrafo , por fiscalização
pessoal nas estradas e por relatórios do percurso e tempo dos
deslocamentos. Devido a isso, ele alegou direito às horas extras
trabalhadas além da jornada de 44 horas semanais.
O Ministro Fernando Eizo Ono,
relator do recurso na Quarta Turma do TST, explicou que o TRT/MG não
deixou de conhecer a validade da convenção coletiva, como
a empresa alegava. Apenas entendeu que era inaplicável nesse
caso, pois o trabalhador se submetia à fiscalização
constante. Não haveria, assim, violação ao artigo
7º da Constituição Federal, que privilegia os acordos
entre categorias de empregados e patrões.
A empresa queria enquadrar o
trabalho do seu ex-motorista no artigo 62 da CLT, que exclui os empregados
que fazem atividades externas, sem a possibilidade da verificação
de freqüência, do cumprimento do limite do horário
legal. Para isso, tentou utilizar a norma coletiva que nega a existência
do controle de horário e estabelece o pagamento de bonificação
fixa como compensação pelas jornadas extras na extrada.
A tese, porém, não foi aceita pela Quarta Turma do TST.
( RR 779857/2001.0)
(Augusto Fontenele)
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10/09/2009
Segunda Turma rejeita dano moral em
revista íntima sem contato físico
A Segunda Turma do Tribunal
Superior do Trabalho rejeitou (não conheceu) recurso de revista
de ex-auxiliar de tesouraria da Transbank Segurança de Valores
Ltda. que pretendia receber indenização por dano moral
por ter sofrido revista íntima no período em que prestara
serviços à empresa. A decisão, unânime, seguiu
o voto do relator e presidente da Turma, ministro Vantuil Abdala. Segundo
o relator, o Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região
(PR) concluiu que não existia ato praticado pelo empregador que
tivesse desrespeitado a honra, a imagem, a privacidade e a dignidade
do trabalhador. Por isso, o TRT havia reformado a sentença da
16ª Vara do Trabalho de Curitiba e excluído da condenação
o pagamento de indenização por dano moral o.
O ex-auxiliar de tesouraria
alegou na Justiça que, desde o momento em que foi contratado,
em agosto de 2002, até a sua dispensa sem justa causa, pouco
mais de um ano depois, era obrigado a abaixar o uniforme (um macacão
sem bolsos) na frente da vigilância, permanecendo só de
cueca ou mesmo completamente nu. Além do mais, disse que freqüentemente
ouvia piadas do tipo: “você não pode ver um guarda
que já vai abaixando as calças”. Assim, entre outras
verbas, pedia também indenização pelo tratamento
desonroso de que teria sido vítima na empresa.
No entanto, como destacou o
relator, as testemunhas ouvidas pelo Tribunal paranaense revelaram que
a revista era realizada em caráter geral e sem abuso da prerrogativa
da empresa de proteger os bens e valores confiados a ela. As provas
demonstraram que o vigilante ficava numa guarita blindada e cada empregado,
individualmente, passava por um espaço reservado e privativo,
sem qualquer contato físico. A comunicação, no
caso, poderia ser feita através de uma janela blindada.
Nessas condições,
o relator decidiu rejeitar o recurso do empregado, uma vez que a decisão
regional não ofendeu princípios constitucionais como a
preservação da dignidade da pessoa humana (artigo 1º,
inciso III), como argumentado pelo trabalhador. Portanto, o recurso
não continha fundamentos para sequer ser admitido. Para julgar
diferente, só com o reexame de fatos e provas do processo –
o que não é permitido em instância extraordinária,
como o TST. ( RR 1.395/2005-016-09-00.7)
(Lilian Fonseca)
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