 |
Agência Diap, 12 de setembro de 2009
Comissão da Câmara
aprova projeto que permite terceirizar atividade-fim
A Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria
e Comércio da Câmara dos Deputados aprovou o PL 4.059/08,
do deputado Eduardo Moura (PPS/MT), que autoriza as empresas a terceirizarem
atividades fim.
O relator da matéria, deputado Renato Moling (PP/RS)
disse, em seu parecer favorável, concordar com o argumento
de que a distinção entre atividade-meio e atividade-fim
não caracteriza o vínculo empregatício,
mas sim os requisitos de pessoalidade, habitualidade, subordinação
e onerosidade previstos na Consolidação das
Leis do Trabalho (CLT).
A matéria, agora, será examinada pela Comissão
de Trabalho, que designou como relator do projeto o deputado
Luiz Carlos Busato (PTB/RS).
Antes de ir a plenário, a matéria ainda será examinada
pela Comissão de Constituição, justiça
e Cidadania.
Leia mais:
PL
4.059/08: deputado propõe terceirização
de atividade-fim
|
Agência Brasil, 12
de setembro de 2009
Inflação para
quem ganha até dois salários mínimos
subiu 0,20% em agosto
A inflação para as famílias com rendimentos de até dois
salários mínimos e meio fechou o mês de agosto com
taxa de 0,20%.
A alta foi menos intensa do que a observada em julho (0,24%).
Os dados são da Fundação Getulio Vargas
(FGV), que divulgou, nesta quinta-feira (10), o Índice
de Preços ao Consumidor Classe 1 (IPC-C1).
O resultado mostra que a alta de preços sentida por
essa parcela de brasileiros foi igual à voltada para
a população com ganhos entre um e 33 salários
mínimos, medida pelo Índice de Preços
ao Consumidor - Brasil (IPC-BR), que também ficou
em 0,20%.
No ano, o índice acumula elevação de
3,44%, acima dos 3,22% acumulados pelo IPC-BR. Nos 12 meses
encerrados em julho (inflação anualizada),
a alta acumulada é de 4,51%, abaixo dos 4,73% acumulados
no mesmo período pelo IPC-BR.
Contribuíram para o resultado de agosto as baixas
observadas nos seguintes grupos:
- vestuário (de 0,04% para -0,84%), influenciado
principalmente por roupas (de 0,16% para -0,85%);
- saúde e cuidados pessoais (de 0,23% para -0,34%),
especialmente artigos de higiene e cuidado pessoal (de 0,38%
para -0,39%);
- despesas diversas (de 0,20% para -0,19%), com destaque
para alimento para animais domésticos (de 0,79% para
-1,33%);
- alimentação (de 0,02% para 0,01%), principalmente
laticínios (de 3,16% para -5,36%); e
- transportes (de 0,02% para 0,01%), com a influência
de transporte público interurbano (de 1,66% para 0,17%).
Por outro lado, o levantamento da FGV revela que ficaram
mais caros para o consumidor os itens dos grupos habitação
(de 0,77% para 0,99%), pressionado por tarifa de água
e esgoto residencial (de 0,00% para 1,70%); e educação,
leitura e recreação (de -0,09% para 0,03%),
puxado por recreação (de -1,55% para 0,26%).
O IPC-C1 foi lançado oficialmente pela FGV no ano
passado.
A série histórica, no entanto, teve início
em janeiro de 2004. O índice é divulgado mensalmente.
|
Monitor Econômico,
12 de setembro de 2009
Mesmo na crise, pobres migram
para a “classe média”, mostra FGV
A crise no Brasil atingiu principalmente a população de
maior renda, inclusive na cidade de São Paulo.
A virada econômica dificultou o acesso e a permanência
nas classes econômicas mais altas, A e B. No entanto,
os mais pobres, das classes D e E, mantiveram a mobilidade
em direção à classe, classificada
como "média baixa".
Essas são algumas das conclusões de estudo
do Centro de Políticas Sociais (CPS) da Fundação
Getúlio Vargas (FGV), feito a partir da comparação
de dados de julho deste ano com o mesmo mês de 2008.
O conjunto das classes A e B chegou a cair 0,5% entre
julho do ano passado e julho deste ano, em contraste com
o crescimento de 35,7% entre julho de 2003 e o mesmo mês
do ano passado.
Por outro lado, a classe C cresceu 2,5% de julho do ano
passado a julho de 2009, principalmente pela passagem de
pessoas das classes mais baixas para a classe média.
A classe C tinha crescido 23,1% entre os meses de julho
de 2003 e 2008.
Na cidade de São Paulo, o conjunto das classes
A, B e C caiu 0,68% entre julho de 2008 e julho de 2009.
No entanto, na periferia do estado, houve um crescimento
de 0,67% nesse grupo.
Com exceção de Salvador, as periferias de
maneira geral reagiram melhor à crise do que as
capitais, nas seis principais regiões metropolitanas
do país.
Entre elas, São Paulo foi a única capital
com queda no total das classes A, B e C.
|
Vermelho, 12 de setembro
de 2009
O PIB que cresceu 1,9% e a
receita de Lula para crescer mais
O presidente Luiz Inácio Lula
da Silva discursou com visível entusiasmo nesta sexta-feira
(11) em Pernambuco, sobre a boa nova de que a economia brasileira
cresceu 1,9% do primeiro para o segundo trimestre deste ano.
O número de fato impressiona. Anualizado, como gostam
de fazer os estatísticos estadunidenses, chega a 7,8%.
Mas não basta sermos brasileiros e não desistirmos
nunca para que todos os problemas desapareçam para sempre.
Por Bernardo Joffily
A estatística divulgada nesta sexta pelo IBGE (Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística) de fato marca
uma inflexão. Depois de dois trimestres de queda,
que marcaram tecnicamente uma recessão, a recuperação
veio com ímpeto. Melhor ainda: o 1,9% de avanço
foi puxado para cima pela indústria, que cresceu 2,1%,
depois de ter sido a maior responsável pelo tombo
anterior, que teve o seu pior momento em dezembro.
É também uma inflexão de estado de
espírito. O número fez a cabeça até dos
mais ácidos críticos do Planalto: eles passaram
o ano inteiro agourando nos seus editoriais e colunas de
opinião, consultorias de mercado e discursos no Parlamento,
que em 2009 o Brasil cresceria como rabo de cavalo, para
trás e para baixo. Ridicularizaram a área econômica
do governo e institutos como o Ipea, que projetavam um ano
de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), embora modesto,
da ordem de 1%. Agora, mordem a língua. Já admitem
que a economia vai crescer, embora sem fazerem autocrítica
e, claro, sem perderem a pose.
"Por que o Brasil não virou potência?"
Porém Lula, na cerimônia de batimento de quilha
do primeiro navio da Transpetro, no Porto de Suape, em Ipojuca
(PE), não usou uma visão apenas conjuntural.
Buscou um enfoque mais macro, estratégico, de longo
praso.
"De 1950 a 1980 foi o país que mais cresceu
no mundo, não se transformou em uma potência
econômica mundial?", indagou o presidente. E respondeu: "Exatamente
porque não se tinha noção dos efeitos
que poderiam causar a este país a desconcentração
da renda acumulada na mão de poucos".
Adiante, Lula acrescenta que "isso está muito
ligado ao fato de o Brasil ter sido colonizado" e por
isso "nós nunca nos comportamos como uma nação
de primeira grandeza. A gente sempre achava que tinha alguém
mais importante do que nós, a gente sempre achava
que a gente tinha que pedir desculpas para fazer as coisas,
e a gente deixou de avançar por não ter ousadia
e por não ter coragem de avançar. No fundo,
no fundo, a gente gostava menos da gente mesmo. A gente achava
que os nossos colonizadores, fossem eles portugueses, ingleses
ou americanos, eram sempre mais importantes do que nós,
e a gente nunca evoluía", raciocinou o presidente.
O segredo essencial do crescimento
Em resumo, a receita de Lula para o Brasil potência
econômica mundial se concentra em: 1) desconcentrar
a renda; e 2) ter coragem e gostar mais de nós mesmos.
São dois ingredientes necessários. Mas não
são suficientes.
É verdade que o Brasil foi o país que mais
cresceu no mundo entre 1950 e 1980. E não só então,
mas também antes, desde a Revolução
de 1930, e mesmo mais para trás. Muito antes, já nos
idos do século 16, o Brasil escravista já era
uma empresa mercantil que embasbacava o planeta pelas riquezas
que produzia. E o segredo essencial do crescimento, no escravismo
ou no capitalismo, tem sido arrancar o couro do trabalhador.
Sob este prisma, o governo Lula introduziu de fato uma mudança
como nunca se vira antes neste país: sete anos de
gradual porém persistente desconcentração,
não ainda da riqueza, mas pelo menos da renda. O salário
mínimo medido em dólares, por exemplo, é hoje
coinco vezes maior do que era quando o ex-presidente Fernando
Henrique Cardoso mudou-se do Palácio da Alvorada.
As negociações trabalhistas, mesmo durante
os dois trimestres recessivos de 2008-2009, na maioria reajustaram
os salários com ganhos reais acima da inflação.
Colonização, o complexo e o fato
Isso faz diferença. Explica, em grande medida, os índices
de popularidade estratosféricos do governo, em especial
nas camadas e nas regiões mais pobres. Ou a multidão
de operários da construção naval que
aclamou Lula na visita ao estaleiro e acotovelou-se para
conseguir boas fotos do visitante ilustre com seus telefones
celulares.
Porém é duvidoso que se consiga ir muito além
disso pelo caminho apresentado por Lula em Ipojuca. Não
basta "olhar a todos em igualdade de condições,
conversar com o rico e conversar com o pobre, respeitando
o rico e respeitando o pobre", apenas dando "a
maior ajuda do Estado" à "parte mais pobre
da população".
Aquilo que Lula a condição de "colonizado" tem
igualmente o seu peso. Mas nesse como em muitos outros discursos
o presidente abordou o problema como uma mera questão
de "atitude" – no sentido hip-hopiano da
expressão: a necessidade de quebrar com o complexo
de inferioridade que nos levaria a "gostar menos da
gente mesmo".
Ocorre que a colonialidade apontada, muito antes de ser
um estado de espírito, foi, e ainda é, um fato.
E os níveis obscenos da concentração
da riqueza e da renda, que a distribuição gradativa
dos sete anos de Lula mal arranhou, expressam uma polarização
social, de classe, como diria outrora o presidente que ainda
hoje gosta de frisar que "tem lado".
O imperialismo, o grande capital financeiro internacional,
com sede em Wall Street e alhures, é uma força
real e tem interesses muito concretos em países como
o Brasil. A grande burguesia parasita que vive do rentismo,
para não dizer da agiotagem, é uma minoria
insignificante em percentagem da população
mas uma enorme força pelos cordéis de domínio
que maneja – desde o poder do dinheiro até as
conexões longamente estabelecidas dentro do aparelho
de Estado e de governo.
Em política, que é importante é conflituoso
Diante desses personagens e interesses, a receita apresentada
por Lula em Ipojuca é insuficiente. Quando muito,
representa algum alívio no garrote do sistema, condicionado à circunstância
de um inquilino do tipo Lula no Alvorada.
O Brasil enquanto nação, e a imensa maioria
dos brasileiros enquanto povo, podem se colocar um projeto
mais elevado que este, compreendendo reformas e rupturas
de maior profundidade e alcance. "Ter lado" é uma
notável virtude de Luiz Inácio Lula da Silva,
que voltou a afirmar essa condição em Ipojuca.
Mas um projeto nacional com a ossatura, a musculatura e a
capacidade mobilizadora requeridas pelo Brasil de 2009, e
2010, exige que se defenda este "lado", inclusive
nas divididas, que não são poucas.
"Não que o Estado tenha que ser o gerenciador,
não que tenha o Estado que ser o empresário,
mas o Estado tem que ser o indutor e o regulador", defendeu
Lula no discurso. Por que não, carapálida?
Não fora o próprio presidente, minutos antes,
que elogiara a União por ter comprado da Nossa Caixa
( (privatizada pelo governo tucano de São Paulo em
2001), em pleno pico da crise e como ferramenta para contê-la?
Com maior razão Lula poderia citar os projetos do
novo marco regulatório do pré-sal. Em políticas
de governo, via de regra, tudo que é importante é também
conflituoso. Para que elas avancem, um segredo essencial é arregimentar
maiorias políticas, sociais e históricas amplas,
sólidas, ativas, mas justamente para se impor ao "lado" de
lá.
|
Vermelho, 12 de setembro
de 2009
Crescimento do PIB é trunfo
para governo nas eleições de 2010
O crescimento de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre
deste ano com um em relação aos primeiros três meses
do ano foi comemorado no mundo político, principalmente pelos
governistas, que vêem nos indicadores econômicos um trunfo
político para o governo. O resultado do PIB aponta para um acerto
das medidas adotadas para o enfrentamento da crise econômica internacional.
O fim do período que caracterizou uma recessão técnica
na economia brasileira e a perspectiva de aceleração gradativa
da atividade econômica daqui para frente têm repercussão
direta no cenário em que serão disputadas as eleições
presidenciais de 2010. O governo vai tirar proveito do cenário
econômico nas próximas eleições.
O senador petista Delcídio Amaral (MS) disse nesta
sexta-feira (11) que o crescimento da economia de 1,9% é uma
demonstração clara de que o país deixa
para trás os efeitos da crise financeira internacional.
Ele destacou que apesar dos bons índices de recuperação
o governo ainda terá desafios para manter a sustentabilidade
desse crescimento em 2010. A seu ver, investimentos em infraestrutura
com foco no setor de energia serão fundamentais para
garantir uma retomada ainda mais forte do crescimento do
PIB.
Especialista no setor, o petista considera que o Brasil é o
país que tem hoje maior potencial de diversificar
sua matriz energética com melhor aproveitamento de
fontes renováveis. Ele citou, por exemplo o fato de
o país ter 45% de sua fonte de geração
de energia em hidrelétricas. É necessário,
no entanto, garantir a integração de novas
fontes, como a nuclear, para que se possa manter a capacidade de geração
nos períodos de estiagem, quando a vazão dos rios é menor,
ponderou o senador.
Para efetivar essas obras e integrar estas diversas fontes
o governo terá que redobrar os esforços nas
parcerias público-privadas (PPP). “O governo
não tem dinheiro para bancar tudo isso sozinho”,
destacou.
Medidas acertadas
O presidente da Comissão de Acompanhamento da Crise
Financeira e da Empregabilidade do Senado, senador Francisco
Dornelles (PP-RJ) destacou que o resultado do PIB no segundo
trimestre é resultado das políticas públicas
adotadas pelo governo para diminuir os efeitos da recessão
mundial.
Ele fez referência a redução dos impostos,
da taxa de juros e dos spreads bancário, além
da ampliação do crédito. O senador advertiu
que ainda é cedo para a equipe econômica pensar
em acabar com incentivos concedidos no início da crise
como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados
(IPI) para o setor automobilístico.
O líder do PDT, Osmar Dias (PR), também defendeu
a preservação por mais tempo de alguns incentivos
concedidos na fase aguda da crise mundial. Ele apontou ainda
como medidas que o governo deve manter para garantir o crescimento
a regularidade da irrigação do crédito
e a política de preços mínimos para
que não seja reduzida a área de plantio.
Otimismo dos ministros
Os ministros da área econômica do governo reforçaram,
em entrevistas nesta sexta-feira, o cenário otimista
que sustentam para a economia brasileira, com a previsão
de um número positivo do Produto Interno Bruto (PIB)
para este ano e um crescimento ambicioso de pelo menos 4,5%
para 2010.
"O Brasil voltou a crescer", comemorou o ministro
do Planejamento, Paulo Bernardo, que previu um "Natal
gordo" para os brasileiros ainda neste ano. O tom das
declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega,
passou ainda pela convicção de que a taxa de
investimento também deverá apresentar sinais
concretos de evolução a partir do último
trimestre deste ano.
De Brasília
Com agências
|
Agência Senado, 12
de setembro de 2009
Senado aprova licença
de cinco dias para pai adotante
Fábio Góis
A Comissão de Constituição e Justiça
(CCJ) do Senado aprovou hoje (quinta, 10) um projeto de
lei que, em suma, dá direito a licença-paternidade
de cinco dias para os chamados pais adotantes. De acordo
com a matéria, o PLS 157/02, de autoria do ex-senador
Carlos Bezerra, a concessão do benefício é feita
ao trabalhador do setor privado que adotar ou conseguir
guarda judicial de criança com até cinco
anos de idade.
O projeto do ex-senador estende aos pais adotantes um
direito conferido aos pais biológicos com a promulgação
da Constituição de 1998. Relatada pelo senador
Efraim Morais (DEM-PB), a matéria será encaminhada
para a Comissão de Assuntos Sociais, onde será analisada
em caráter terminativo.
Efraim apontou a inconstitucionalidade da licença-maternidade
para servidoras da União com direito a adoção
ou guarda judicial, sugestão também apresentada
no projeto. Segundo a Agência Senado, o parlamentar
paraibano alegou medidas atreladas ao regime jurídico
do funcionalismo público são atribuição
exclusiva do presidente da República. Além
disso, argumenta Efraim, a questão já obteve
regulamentação em 2008, por meio de decreto
federal.
O decreto a que se refere Efraim amplia, além de
estabelecer outras disposições, a licença-maternidade
para servidoras no âmbito da administração
pública (direta, fundacional ou autárquica).
A licença foi definida em 45 dias quando o menor
em questão tiver até um ano de idade - a
partir daí, o período de folga cai para 15
dias.
|
Gazeta do Povo, 12 de setembro
de 2009
Pandemia
Quem deve pagar às grávidas
afastadas?
Gestantes ficaram fora do trabalho
por causa da gripe. Mas ninguém sabe se quem paga
o salário são as empresas ou o INSS
As gestantes poderão voltar a suas atividades profissionais
na segunda-feira, após um período de afastamento
por causa do risco de contaminação da gripe
A (H1N1), a gripe suína. A Secretaria de Estado
da Saúde verificou que a gravidez não tem
sido a principal causa de morte por complicações
da nova gripe e orientou pelo retorno. Porém, pediu
que as gestantes continuem adotando os cuidados de higiene
e evitando aglomerações.
O pagamento dos dias em que as gestantes ficaram em casa,
no entanto, tem causado dor de cabeça aos empregadores.
Os empresários alegam que pagam por lei os 15 primeiros
dias de afastamento do funcionário devido a doença.
E dizem que o período restante é de responsabilidade
do Instituto Nacional do Seguro Social
(INSS). Por outro lado, o INSS alega que não
paga o auxílio para trabalhadores afastados por
prevenção, só para quem já está doente.
O afastamento das gestantes foi uma orientação
do Ministério Público do Trabalho. O entendimento
do órgão é de que o INSS deveria acolher
esse licenciamento porque decorre de saúde pública,
segundo a procuradora Viviane Weffort. A assessoria de
imprensa do INSS em Curitiba alega, porém, que o
empregador que liberou a gestante que não tinha
nenhuma doença terá de pagar os dias de afastamento.
O Sindicato das Escolas Particulares do Paraná está solicitando
o pagamento ao Ministério da Previdência
e poderá entrar na Justiça. “No nosso
entendimento jurídico foi um afastamento obrigatório. É caso
de força maior, equivalente a afastamento por doença.
Só que o INSS não quer assumir esse custo”,
afirma o presidente do sindicato, Ademar Batista Pereira.
O sindicato reúne dois mil estabelecimentos e estima
que 2,4 mil gestantes foram afastadas. O custo teria ficado
em R$ 4,8 milhões, devido, principalmente, à substituição
de funcionários. Pereira garante, no entanto, que
as gestantes não vão ficar sem o pagamento.
A Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba encaminhou
um ofício ao Ministério da Previdência
solicitando uma avaliação da situação
para que, se futuramente houver a necessidade, os trabalhadores
sejam afastados preventivamente.
Segundo o diretor do Centro de Epidemiologia, Moacir Gerolomo,
o quadro de preocupação com as gestantes
não se confirmou. A capital registra 46 mortes,
das quais duas foram entre grávidas. “ Já passamos
nosso pico em Curitiba. Há quatro semanas o número
de casos tem diminuído de forma significativa”,
diz.
Dados da Secretaria de Estado da Saúde mostram
que dos 8.236 casos confirmados, 382 são de gestantes,
o equivalente a 4,6%. A esteticista Eideis de Assis dos
Santos, grávida de 39 semanas, irá continuar
com as medidas de prevenção. A gripe A não
assustou a gestante. Mesmo assim, ela seguiu os cuidados
médicos: evitou lugar fechado e lavou as mãos
frequentemente. “Não fiquei nem um pouco com
medo da gripe A. Minha gestação foi tranquila”,
diz.
|
Gazeta do Povo, 12 de setembro
de 2009
Crescimento econômico
PIB sobe puxado pelo consumo
Economia brasileira cresceu 1,9%
no segundo trimestre, o que configura o fim da recessão
técnica no país. Mas falta de investimentos
preocupa
Rio de Janeiro - O Brasil parou de empobrecer, embora
continue mais pobre do que no ano passado. Como se esperava
no governo e no mercado, o país deixou para trás
a recessão, mas os investimentos, necessários
para a expansão mais duradoura da produção
e da renda, ainda não se recuperaram da crise global.
Pela primeira vez neste ano, o IBGE divulgou ontem resultado
positivo para o PIB.
De abril a junho, a economia brasileira cresceu 1,9% na comparação
com o período de janeiro a março, graças principalmente
a o aumento das compras à vista e a prazo e a uma recuperação
da indústria. Os dois anúncios anteriores de resultados
trimestrais haviam mostrado queda do PIB, o que, por uma convenção
adotada informalmente em todo o mundo, significa recessão.
Em circunstâncias normais, a taxa apresentada ontem
significaria um crescimento vigoroso: no segundo mandato
do presidente Lula, ela só foi igualada uma vez,
no fim de 2007. A diferença é que, na época,
vivia-se o nono trimestre seguido de expansão; agora,
a alta se dá sobre momento de estagnação.
Se comparado com o mesmo período do ano passado,
o segundo trimestre mostra uma queda de 1,2% na renda nacional.
Os novos números do IBGE encorajam o discurso
e a esperança governista de que o país fechará o
ano com um resultado acima de zero, embora não muito.
Pelas expectativas gerais, há boas chances de a
economia do país ter um segundo semestre 1,4% melhor
que o de 2008, o mínimo necessário para evitar
o sinal de negativo nas estatísticas anuais. Os
resultados do terceiro trimestre são considerados
favoráveis por economistas e entidades da indústria
e do comércio.
Mais difícil será chegar ao crescimento
anual de 1% prometido pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega,
que demandaria uma expansão de pelo menos 3,4% no
segundo semestre. De pé, por ora, está a
tese governista de que o país seria um dos primeiros
a sair da crise – embora não “o primeiro”.
Potências como Japão, Alemanha e França
tiveram crescimento no segundo trimestre; emergentes como
China e Índia não tiveram recessão.
Memória da crise
Mas Brasil, emergentes e potências ainda não
recuperaram, ao menos nos indicadores disponíveis,
o ritmo e o vigor econômico de um ano atrás,
quando a quebra do banco Lehman Brothers precipitou o colapso
global do crédito bancário e do comércio.
No caso brasileiro, a memória da crise persiste
justamente na prioridade escolhida para o governo: os investimentos.
Das fatias mais importantes e estratégicas do PIB,
os investimentos – obras de infraestrutura e compras
de máquinas e equipamentos – foram os únicos
excluídos da recuperação. Permaneceram
no nível do primeiro trimestre, quando haviam sofrido
a maior queda medida desde 1996.
|
Gazeta do Povo, 12 de setembro
de 2009
Cenário
Para 2010, projeções
são de expansão forte
Brasil saiu relativamente rápido
da crise, mas ela não foi marolinha para setores importantes
da economia nacional. Produção industrial,
por exemplo, retrocedeu quase 5 anos no período
O bom resultado do PIB divulgado ontem mostra que a recessão
no Brasil foi curta, mas não foi uma marolinha.
A crise econômica atingiu em cheio o Brasil através
da desaceleração do crédito e da queda
abrupta nas exportações, em especial de produtos
manufaturados. A disparada do dólar também
encostou contra a parede companhias que usavam derivativos
cambiais em suas operações financeiras, como
Aracruz e Sadia. O choque, porém, foi breve e economistas
já calculam que o país voltará a crescer
forte em 2010, em torno de 4%.
“No ano que vem vamos ver um ‘pibão’ no
Brasil. Vários investimentos começarão
a maturar, o Minha Casa Minha Vida estará mais veloz,
haverá de novo aumento real do salário mínimo
e é ano eleitoral, em que o governo normalmente
gasta mais”, analisa Francisco Pessoa, economista
da LCA Consultores. Em sua avaliação, o crescimento
continuará sendo puxado pelo consumo interno, sustentado
por uma massa salarial que não sofreu tanto com
a crise.
No Paraná, indústria sofreu menos
A indústria paranaense mostrou um desempenho melhor do que a
média nacional no período após setembro de 2008,
embora quase todos os setores tenham sentido a queda abrupta na demanda.
Enquanto a produção do Brasil caiu 20% de setembro a
dezembro de 2008, a do Paraná recuou 13%. Neste ano o setor
teve contração de 5% no estado, contra 12,8% na média
brasileira.
O segmento mais atingido no estado é o de fabricação
de veículos. Em julho, a produção
ainda estava 41% menor do que no mesmo mês do ano
passado. Nem mesmo a redução do IPI para
o setor evitou essa retração, já que
as exportações estão em baixa e as
vendas de máquinas agrícolas e caminhões
ainda sofrem com a contração nos investimentos. “A
recuperação nas vendas de veículos
leves dá a impressão de que o setor se recuperou,
mas isso não depende só desse mercado”,
comenta Roberto Karam, presidente do Sindimetal, sindicato
que representa a indústria metal-mecânica
no Paraná.
Se a recuperação no setor metal-mecânico
ainda vai demorar, outros segmentos já mostram sinais
de otimismo. Os fabricantes de máquinas e equipamentos
cresceram 2% em julho, na comparação com
o mesmo mês de 2008, enquanto a produção
de celulose e papel subiu 4%. Como são áreas
que dependem da demanda de outras indústrias, elas
apontam para um cenário positivo no segundo semestre
deste ano. (GO)
Até o começo de outubro de 2008, a economia brasileira
crescia a uma taxa acima de 6% – número que ficou negativo
no último trimestre de 2008 e no início de 2009. A produção
industrial retrocedeu para o nível de 2004 e deve fechar o ano
ainda 7% abaixo do visto em 2008. “Foi uma desaceleração
brutal, com diferenças setoriais”, destaca Pessoa. Sofreram
mais os produtores de bens de capital, como máquinas e equipamentos,
fabricantes de caminhões e outros produtos duráveis.
A ação do governo, que através do
Banco Central liberou recursos do compulsório para
o setor bancário, e que reduziu impostos de setores
importantes, como o automobilístico e o de materiais
de construção, ajudou a evitar que as expectativas
entre empresários e consumidores entrassem em uma
espiral declinante que retardaria a retomada. O Índice
de Confiança Empresarial (ICE), calculado pela Confederação
Nacional da Indústria (CNI), caiu de 58 pontos para
47 pontos de julho do ano passado até janeiro deste
ano. Na última pesquisa, em julho, o indicador já havia
voltado para os 58 pontos.
Crédito
“A atuação dos bancos públicos
também ajudou bastante o país a passar bem
pelo teste da crise”, coloca o economista Júlio
Gomes de Almeida, professor da Universidade Estadual de
Campinas (Unicamp). “Hoje eles são responsáveis
por 40% do crédito no Brasil e, no caso do BNDES,
pelas linhas de longo prazo mais usadas pelas empresas.” Desde
de setembro do ano passado, a carteira de crédito
das grandes instituições privadas cresceu
apenas 9%, enquanto no setor público o aumento foi
de 25%.
O economista Rogério César Souza, do Instituto
de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) ressalta
que a crise derrubou os setores que eram os mais dinâmicos
da indústria brasileira nos últimos anos
e que contrabalançavam retrações em áreas
que vinham perdendo espaço por causa do câmbio
desfavorável, como calçados e vestuário. “Por
isso um crescimento sustentável da indústria
só vai ser possível quando os investimentos
ganharem fôlego e reativarem as áreas atingidas
pela crise. Projetos do setor público e juros baixos
por um período longo ajudariam nesse processo”,
diz Souza.
O investimento privado deve passar mais algum tempo em
compasso de espera porque a utilização da
capacidade instalada na indústria continua baixa,
em torno de 80%. Antes da crise, estava em 84% – quanto
mais alto o indicador, maior o incentivo que as empresas
têm em investir na expansão da produção.
O setor siderúrgico é um exemplo desse processo.
Empresas como Usiminas e CSN, que tinham planos de expansão,
além de adiar investimentos, tiveram de desligar
altos-fornos. Agora, elas estão na fase de religar
as fábricas – dos 14 fornos instalados no
Brasil, seis foram paralisados –, para só daqui
alguns meses fazer novos investimentos.
|
Gazeta do Povo, 12 de setembro
de 2009
Cenário
Especialistas dizem que juros
podem cair ainda mais
Apesar da reação da economia brasileira
já no segundo trimestre deste ano, há economistas
que avaliam que há espaço para cortes adicionais
nos juros. Em janeiro deste ano, o Banco Central deu início
ao mais rápido processo de corte da taxa básica,
a Selic, já visto no país. Com cinco cortes
sucessivos, a Selic caiu de 13,75% ao ano em janeiro para
8,75% ao ano em junho.
“ Pela primeira vez o país pôde
usar a política monetária, reduzindo juros,
para lidar com uma crise. E o BC tem espaço para
diminuir um pouco mais os juros porque os índices
de inflação estão em baixa e a retomada
do crescimento não será inflacionária”,
analisa a economista Monica Baumgarten de Bolle, da consultoria
Galanto. “Há espaço para um corte
adicional de um ponto até o fim do ano”,
diz o economista Rogério César de Souza,
do Iedi. O Banco Fibra recentemente divulgou um relatório
em que afirmava trabalhar com um cenário alternativo
em que o BC reduziria ainda mais os juros.
BC cauteloso
É provável, porém, que a autoridade
monetária siga a previsão do mercado. Isso
porque ainda há incerteza sobre como a economia
vai reagir com a taxa real de juros mais baixa da história
recente. “É verdade que a taxa brasileira
ainda é muito alta, mas a inflação
não caiu tanto no país e o fato de ser
a menor Selic causa certa insegurança no Banco
Central”, afirma Francisco Pessoa, economista da
LCA.
|
Gazeta do Povo, 12 de setembro
de 2009
Petróleo
Riqueza do pré-sal só virá daqui
a 7 anos
Essa é a previsão mais
otimista. Especialistas dizem que Fundo Social receberá recursos
depois de 2020
Rio de Janeiro - Pauta no Legislativo, motivo de polêmica
entre governos, além de principal ponto de discussão
em todas as rodas de especialistas do setor de petróleo
do país e até entre analistas no exterior,
o pré-sal não é para já. Apesar
de já ter sido apresentado o projeto para a criação
do Fundo Social que vai administrar o lucro destas áreas,
a sociedade deverá eleger pelo menos mais três
ou quatro presidentes antes de começar a ver os
benefícios dessa riqueza.
Isso porque, considerados os prazos mínimos para
a votação das novas regras, o modelo de partilha
entraria em vigor em 2010, já em ano de eleição.
Até a elaboração do primeiro leilão
das novas áreas estratégicas, lá se
vai mais um ano. Isso leva a crer que as primeiras licitações
ocorreriam entre 2011 e 2012.
Marco pode ser contestado no STF
Uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de 2005 pode municiar
contestações jurídicas ao novo marco regulatório
do setor de petróleo. A decisão foi contrária à Ação
Direta de Inconstitucionalidade (Adin) movida pelo governador do Paraná,
Roberto Requião, que pedia a suspensão dos leilões
de áreas petrolíferas no país. Por 7 votos a 3,
os ministros do STF decidiram que o governo não pode conceder áreas
sem licitação, como pretende fazer com a Petrobras na área
do pré-sal. A decisão, na época, foi favorável
ao governo. A Adin movida pelo governo paranaense tinha como objetivo
suspender a sexta rodada de licitações da Agência
Nacional do Petróleo (ANP), em 2004.
Requião reclamava que os leilões colocavam “à disposição
das multinacionais as últimas províncias petrolíferas
brasileiras” e que iam contra o monopólio estatal previsto
na Constituição. “Esse processo será importante
na discussão da nova lei”, diz o jurista Carlos Roberto
Siqueira Castro, que assessorou o governo na ocasião. Segundo
ele, a decisão do STF estabelecia que a atividade de exploração
e produção de petróleo e gás “tem
natureza de atividade econômica em sentido estrito” e não
de prestação de serviço público. Por isso,
não pode ser contratada pelo governo sem licitação.
Considerando o comentário feito esta semana pelo diretor de
Exploração e Produção da Petrobras, Guilherme
Estrella, de que “a indústria fornecedora é quem
vai ditar o ritmo dessas licitações”, é provável
que a primeira perfuração de um poço sob o novo
regime só ocorra em 2014, às vésperas de uma nova
eleição presidencial. Havendo descobertas, a área
poderia começar a produzir depois de um a dois anos.
“Isso considerando uma hipótese de que tudo,
absolutamente tudo, corresse dentro do previsto pelo governo
federal, sem qualquer percalço. Já a possibilidade
mais realista é de que somente após 2020
haveria o primeiro recurso financeiro para o Fundo”,
avalia o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura
(CBIE), Adriano Pires.
R$ 4 bilhões
A diretoria executiva da Petrobras aprovou a estratégia
para contratação de até 28 novas sondas
de perfuração a serem construídas
no Brasil, com conteúdo nacional crescente, para
exploração em águas ultraprofundas,
incluindo os campos localizados do pré-sal. A entrega
dessas sondas está prevista para ocorrer entre 2013
e 2018. Para viabilizar esse empreendimento, o governo
federal irá alocar, através do Fundo Garantidor
da Construção Naval, R$ 4 bilhões.
|
Folha de S.Paulo, 12 de
setembro de 2009
Emenda cria uma nova elite
de Câmaras "inchadas"
Cidades que têm entre 160 mil
e 192 mil habitantes passarão de 12 vereadores para
21; PEC deve ir à votação em 2º turno
dia 22
RANIER BRAGON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A emenda à Constituição que pretende
tornar possível a posse imediata de cerca de 7.700
novos vereadores levará um grupo de 27 cidades brasileiras
a ver suas Câmaras quase dobrarem de tamanho -subirão
dos atuais 12 vereadores para 21, um salto de 75%.
Essas cidades, que têm hoje entre 160 mil e 192 mil habitantes,
representam o grupo que proporcionalmente terá o seu Legislativo
mais inchado caso a emenda entre em vigor. Nele, estão cidades
como Palmas, capital do Tocantins, e Sobral, 238 km ao oeste de Fortaleza.
Aprovada pela Câmara em primeiro turno na última quarta,
a emenda redimensiona o tamanho das Câmaras segundo a população
das cidades. Ela deve ir à votação em segundo
turno no dia 22 ou 23, último passo antes da promulgação.
A entrada em vigor, entretanto, deve depender de decisão dos
tribunais superiores, já que a medida será questionada
judicialmente. O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Carlos
Ayres Britto, já afirmou que a jurisprudência do tribunal
só permite mudança para as próximas eleições.
A rigor, a maioria das 5.564 cidades brasileiras teria, com a emenda,
novos vereadores, sendo que isso ocorreria em maior escala nos que
têm entre 50 mil e 1 milhão de habitantes. Nesse grupo,
o percentual de crescimento vai de 19% a 75%.
Presidentes de Câmaras Municipais ouvidos pela Folha criticaram
a medida e afirmaram que ela representará aumento de gastos,
apesar de haver previsão de redução no limite
que as Câmaras podem usar hoje -de até 8% da receita tributária
(mais transferências constitucionais) para até 7%.
O aumento de despesas é possível já que a média
de gastos fica abaixo de 70% do atual limite -ou seja, há espaço
para uma elevação, mesmo com a redução
do teto.
"É lógico que terá aumento de gasto. Um vereador tem
assessores e uma série de outras coisas", lembra a presidente da
Câmara de Rio Claro (SP), Mônica Hussni Messetti (DEM). A cidade,
173 km ao noroeste de São Paulo, tem 12 vereadores. Com a emenda, iria
a 21.
O presidente da Câmara de Cabo Frio (RJ), Alfredo Gonçalves
(PPS), diz que a Câmara não tem recurso para receber mais
nove vereadores (também passaria de 12 para 21). "É óbvio
que não há recursos, não temos espaço para
abrigar 21 vereadores. De cara, vamos ter que alugar um espaço."
O diretor-geral da Câmara de Araçatuba (527 km ao noroeste
de São Paulo), Edison Eduardo Gomes, disse que "será o
caos" caso sejam adicionados nove vereadores aos 12 já existentes.
Na linha oposta estão os suplentes de vereadores que lotaram
salões e gabinetes da Câmara durante a semana. "Há redução
de gastos de quase R$ 2 bilhões, infelizmente parte dos órgãos
de imprensa estão faltando com a verdade", disse o suplente
de vereador Cirineu Guimarães (PSB), o "Zoca", que
quer assumir uma cadeira em Petrópolis (RJ), que passaria de
15 vereadores para 23.
Para o presidente da CNM (Confederação Nacional dos Municípios),
Paulo Ziulkoski, o debate em torno do tema tem sido equivocado. "Acho
que não é o número de vereadores o que interessa.
Em um primeiro momento, o que interessa é o gasto do Legislativo",
disse.
" Acho alto, e com o aumento do número de vereadores certamente haverá aumento
de gastos", disse. Ele lembra que a própria Câmara dos Deputados
havia aprovado uma proposta em que o limite de gastos dos Legislativos municipais
era reduzido de forma mais acentuada -dos atuais 8% da receita para 4,5%. "Lamentavelmente,
houve reação e essa proposta acabou sendo superada."
|
Conjur, 12 de setembro
de 2009
Causa trabalhista
ONU tem imunidade de jurisdição,
decide TST
A Advocacia-Geral da União conseguiu garantir, no Tribunal Superior
do Trabalho, a imunidade absoluta de jurisdição à Organização
das Nações Unidas e ao Programa das Nações
Unidas para o Desenvolvimento (ONU/PNUD). O próprio TST e o Supremo
Tribunal Federal já endenderam diferente sobre a mesma questão.
Servidores contratados em projeto de consultoria internacional
do PNUD entraram com reclamação trabalhista
contra o Organismo Internacional para o ressarcimento de
verbas. O caso precisou ser levado à Seção
Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1) para
saber se este tipo de organização tinha ou
não imunidade na jurisdição brasileira.
Na defesa, a Procuradoria-Geral da União (PGU) argumentou
que a imunidade de jurisdição de organismos
como a ONU é prevista em tratado internacional do
qual o Brasil é signatário e não pode
ser descumprido enquanto vigente. A previsão consta
no Decreto 27.784/50, que estabelece a imunidade de jurisdição
da organização contra qualquer tipo de processo
judicial ou administrativo.
A PGU argumentou, ainda, que a imunidade de jurisdição
está prevista também em acordo específico
de assistência técnica firmado entre o governo
brasileiro e as Nações Unidas e suas agências
especializadas, nos termos do Decreto 59.308/66. Assim, não
só a Convenção sobre Privilégios
deve ser considerada no caso.
De acordo com o diretor do Departamento Trabalhista da PGU,
advogado da União Mario Guerreiro, "tendo por
base as decisões proferidas pelo Supremo Tribunal
Federal em causas envolvendo Estados estrangeiros, existindo
regra escrita, não pode o Poder Judiciário
desconsiderá-la, pois estaria promovendo a própria
denuncia e a revogação dos atos internacionais,
que, no entanto, só podem ocorrer após seguir
um rito próprio".
Assim, em votação acirrada, a SDI-1 acolheu
os argumentos da Procuradoria e reconheceu a imunidade absoluta
de organismos internacionais. Até então, a
tendência do TST era a de reconhecer a imunidade apenas
relativa a litígios trabalhistas, ou seja, os tribunais
brasileiros poderiam julgar somente estas controvérsias.
Com a garantia da imunidade absoluta, fica afastada a competência
da Justiça do Trabalho brasileira para processar e
julgar a reclamação trabalhista ajuizada contra
a ONU/PNUD. A decisão não representa violação
aos direitos dos contratados que poderão ter as dúvidas
sobre o pagamento das verbas e eventuais insatisfações
analisadas sob rito do próprio organismo internacional.
Ou seja, aos contratos aplica-se o regime jurídico
das Nações Unidas, e não a legislação
brasileira neste caso. Com informações da Assessoria
de Imprensa da Advocacia-Geral da União.
|