BBC Brasil, 13 de setembro de 2009
Brasil pode ser 5ª economia
do mundo na próxima década, diz Mantega
Por Silvia Salek,
Da BBC Brasil em Londres
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que a crise
representou uma oportunidade para o Brasil mostrar ao mundo
suas "virtudes". Em entrevista à BBC Brasil,
em Londres, Mantega afirmou ainda que os últimos dados
mostram que a aceleração da economia brasileira é até mais
forte do que se imaginava.
Com o discurso de que a crise já ficou para trás
no Brasil, Mantega se arriscou a olhar para frente e a prever
que, na próxima década, o Brasil já vai
ser um país avançado, "a quinta ou a sexta
economia do mundo" e com potencial de crescer de 5%
a 6% "por muito tempo".
Mantega disse não acreditar em recaída da
economia global e salientou que nada, nem as eleições,
podem frear o que ele chamou de transformação
do Brasil.
"O destino do Brasil já está traçado,
mesmo que haja mudança na administração,
que não seja um candidato petista que ganhe a eleição.
As principais diretrizes são conquistas do povo brasileiro.
Se mudar, vai apanhar. Se alguém assumir e começar
a mudar isso, não vai se aguentar no Governo",
disse Mantega.
BBC Brasil - Neste período de crise,
alguns indicadores importantes no Brasil pioraram bastante,
mas quando se compara a situação do Brasil à de
outros países, como os países do G20, a situação
não é tão ruim assim. O senhor acha
que essa crise teve um aspecto positivo para o Brasil ao
acelerar um processo de projeção internacional
do país?
Mantega - Durante este ano de crise, o
Brasil demonstrou que estava mais preparado do que muitos
países para enfrentar uma crise. Nós demoramos
mais tempo para ter resultados negativos de produto. O PIB
brasileiro só foi negativo dois trimestres, enquanto
outros países tiveram PIB negativo por três,
quatro, cinco trimestres. E nós já estamos
num processo de franca recuperação.
BBC Brasil - Então, a crise, de
certa forma, foi positiva para o Brasil por ter revelado
essa maior capacidade de recuperação?
Mantega - Eu acho que a crise foi muito
importante para salientar essas vantagens que o Brasil possui
em relação a outros países. Ficou demonstrado
que o Brasil tinha uma situação fiscal sólida,
que nós já controlávamos a inflação,
que nossas contas públicas estão melhorando,
que a dívida externa está diminuindo, que o
Brasil tinha acumulado reservas, mas, além de tudo,
que o Brasil tem uma capacidade produtiva grande, ou seja,
que o Brasil é capaz de crescer. Isso é um
grande divisor de águas. O Brasil tem um mercado interno,
que outros países não têm, e este mercado
interno está crescendo estimulado pelas políticas
governamentais dos últimos 4, 5 anos.
BBC Brasil - Mas uma crítica que
se faz é que o Brasil acabou demorando um pouco para
agir, enquanto o presidente Lula ainda falava que a crise
era uma marola. Medidas começaram a ser tomadas só a
partir de novembro. O Governo não deveria ter agido
mais rápido?
Mantega - O Brasil foi um dos países
que mais rapidamente pôs em prática as medidas
contracíclicas. É por isso que estamos saindo
mais rapidamente da crise, enquanto outros países
demoraram mais para tomar medidas fiscais. Nosso programa
de estímulo a automóveis começou em
dezembro. Nos Estados Unidos, só começaram
em junho deste ano, seis meses depois. Em março, abril,
nossa indústria automobilística já tinha
melhorado. Em seguida, fizemos medidas para o setor de linha
branca, utilidades domésticas, material de construção.
Uma diferença do Brasil para outros países é que
fomos muito rápidos e ousados nas medidas que tomamos
para atenuar a crise e já tínhamos nos antecipado
com outras medidas.
BBC Brasil - Um aspecto que, de certa maneira,
protegeu o Brasil foi o fato de que os bancos não
estavam contaminados com ativos tóxicos, e o caso
dos bancos brasileiros é interessante. Um tempo atrás,
o sistema financeiro era criticados por rigidez, conservadorismo.
Agora, falam da solidez do setor financeiro. A rigidez protegeu
o Brasil?
Mantega - O sistema financeiro brasileiro é hoje
um dos mais sólidos do mundo. O que se dizia era que
ele era conservador. O que quer dizer isso? Que tinha uma
alavancagem baixa, ou seja, ele empresta um volume menor
em relação a seus ativos do que outros países
que alavancavam muito. Nos Estados Unidos, chegaram a alavancar
mais de 30 vezes o capital. A alavancagem média no
Brasil é de 6,5 vezes o capital, ou seja, abaixo do
nível de Basileia.
O que foi conservadorismo numa época foi favorável
num momento de crise. Conservadorismo é um excesso
de prudência. Mas não foi só isso. A
regulação do Brasil é mais avançada
do que em vários países. E, terceiro, a existência
de bancos estatais. Num momento de crise, são totalmente
seguros. Ninguém duvida dos bancos estatais. Não
sofrem saques, sofrem depósitos e podem ir para a
ofensiva como aconteceu com os bancos públicos brasileiros.
Nos últimos 9 meses, 10 meses, eles aumentaram o volume
de crédito quase 30% em relação a setembro.
Os privados aumentaram um pouquinho, estão começando
a se soltar agora.
Mas o fato de termos bancos públicos, junto com sistema
privado sólido, ajudou a economia brasileira a se
diferenciar. Sistema financeiro sólido, mercado interno
robusto, atuação do Estado estimulando a economia,
fundamentos sólidos, contas públicas bem equilibradas.
O Brasil terá um resultado, neste ano, melhor do que
o G20. Mesmo com a crise essa trajetória vai continuar.
A maioria dos países vai sair da crise machucada,
com uma dívida maior, déficit elevado. Os Estados
Unidos vão ter um déficit de 10%, já o
Brasil vai ter pouco mais que 2%. Teremos um déficit
menor do que a China, a Índia. É por isso que
o Brasil está se salientando, por todas essas virtudes
que está demonstrando.
BBC Brasil - Mas houve uma piora nas contas.
E para voltar a alcançar as metas, o Brasil vai ter
que crescer 4,5% no ano que vem, vai ter que atingir níveis
recordes de arrecadação. Não é raro
encontrar análises mais cautelosas sobre a recuperação
da economia global. Será que o Governo brasileiro
não está sendo otimista demais?
Mantega - As contas públicas em
2009 pioraram no mundo inteiro. Só que no Brasil pioraram
menos do que pioraram no mundo. Mesmo em relação à Índia, à China,
que são países considerados os mais promissores,
as contas brasileiras estão melhores. Não estou
nem comparando com os Estados Unidos, com a Grã-Bretanha
porque estão infinitamente piores.
BBC Brasil - Mas em relação às
próprias metas do Brasil?
Mantega - Em 2009, tivemos que reduzir
a meta do primário em 1%. Foi só neste ano
que reduzimos um pouco, enquanto outros países estão
aumentando violentamente (o déficit). A China fez
um programa contracíclico com 13% do PIB. Brasil vai
gastar menos de 1% do PIB. Fizemos uma ação
de qualidade, gastando pouco com resultado muito satisfatório
que nem a China obteve. Está gastando 13% do PIB para
manter um crescimento de 8%.
Para o próximo ano, não há nenhum analista
que não diga que o Brasil não vai crescer.
E os analistas estão até me superando. Dizem
que eu sou otimista. Não sou otimista, sou realista.
De agosto a setembro, o Brasil já está crescendo
a um ritmo de 4,5%, 5%. Teremos o resultado do segundo trimestre
de 2009 (o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) será divulgado
nesta sexta-feira, 11 de setembro). Você vai ver que
já estamos crescendo de 6% a 8%, anualizado. Então,
eu tenho certeza de que, com um crescimento de 4,5%, a arrecadação
federal vai voltar a crescer como vinha crescendo no passado.
BBC Brasil - Mas o Governo considera a
hipótese de que possa haver uma recaída na
economia global? Até mesmo por conta desses gastos
excessivos em outros países, o senhor não admite
a hipótese de uma recaída e o impacto que isso
possa vir a ter no crescimento do Brasil e no cumprimento
das metas fiscais?
Mantega - O crescimento do Brasil hoje
está baseado no mercado interno principalmente e não
no mercado externo. O Brasil tem uma economia pouco aberta,
as nossas exportações representam apenas 13%
do PIB. Para você ter uma ideia, as da China representam
40% do PIB dela, as da Alemanha representam 40%. Então,
nós dependemos menos do mercado externo e mais do
interno. Eu não acredito que haja uma recaída.
Acho que o Roubini (Nouriel Roubini, economista que ganhou
projeção por prever a atual crise) está dizendo
isso, a chamada curva em W. Eu não acredito no W.
Eu acredito que a economia mundial terá um lenta recuperação.
Será demorada, poderá demorar 2 ou 3 anos,
mas a economia mundial já está rodando no positivo.
Mesmo as mais afetadas estão saindo de taxas negativas.
Há sinais em todas as partes do mundo de que já está havendo
uma recuperação, lenta difícil e gradual.
BBC Brasil - Então, o senhor acredita
que o mercado consumidor interno blindaria o Brasil de uma
recaída?
Mantega - Essa é a diferença
do Brasil, China, Índia. Se fizessem uma reconversão.
A China está fazendo isso. A Índia tem um mercado
interno fabuloso. O Brasil também tem um mercado interno
bastante razoável. Temos uma classe média de
quase 100 milhões de habitantes. Os dados de varejo
mostram que o consumo continuou crescendo no país,
o consumo de automóveis, eletroeletrônicos,
compra de casas. O mercado habitacional está em plena
expansão e ainda não está sentindo o
efeito do programa habitacional que vai começar a
fazer efeito no último trimestre do ano.
Os últimos dados são de que a aceleração é até mais
forte do que a gente imaginava na economia brasileira, a
ponto do BC não ter baixado a taxa de juros. Não
baixou é porque está percebendo a recuperação
do país. E alguns economistas mais conservadores já estão
preocupados com o crescimento. Eu não estou preocupado.
Não sei por que estão preocupados. A inflação
está baixa, sob controle. O Brasil tem capacidade
ociosa para poder crescer, fez muitos investimentos e dá para
ter crescimento folgado sem inflação e mantendo
todos os equilíbrios macroeconômicos.
BBC Brasil - Essa crise ressuscitou o papel
do Estado nas economias, pelo menos em tempos de crise, e,
para alguns, representa uma vitória do estado sobre
o liberalismo. Como o senhor acha que isso influencia e vai
influenciar, na prática, o papel do Estado no Brasil?
Mantega - Nos últimos 30 anos, houve
uma exacerbação do livre cambismo, ou seja,
todo mundo achava que o livre mercado poderia resolver os
problemas econômicos. Liberou o mercado financeiro,
o Estado foi se retirando e nós vimos no que deu.
O setor financeiro, se não for regulamentado, vai
fazer as besteiras que fez. No Brasil, o Estado tem o papel
de estimular o crescimento, mas isso não significa
a volta do estatismo, isso não tem nada a ver com
o que deve acontecer no início da industrialização.
Hoje, o Brasil é um país industrializado, então,
o Estado tem de ter uma função de indutor de
alguns setores. Não é o velho estatismo, mas é uma
maior participação do estado do que os liberais
pregam.
BBC Brasil - Alguns observadores estrangeiros
viram o recente anúncio do novo marco regulatório
do pré-sal com ceticismo. O New York Times publicou
uma reportagem em que classifica o novo marco de "virada
nacionalista". A revista Economist também viu
com certa desconfiança a medida e disse que as empresas
estrangeiras ficarão subservientes à estatal.
Como o senhor vê esse tipo de avaliação?
Está havendo uma virada nacionalista no Brasil?
Mantega - Acho que essa visão é equivocada.
Se tem um país que foi avançando, abrindo mercado.
Hoje, as empresas brasileiras que exportam podem deixar capitais
fora do país. Há plena liberdade de entrada
e saída de capitais estrangeiros. O capital estrangeiro
no Brasil tem o mesmo status que o capital nacional, não
há restrição. As normas do Brasil são
claras e são cumpridas. Agora, no campo do petróleo,
que é um campo estratégico, a coisa é diferente.
Por quê? Encontramos reservas que são da União.
Está escrito, não mudamos a Constituição.
São reservas comprovadas, existem, não há risco,
e queremos que a Petrobras extraia essas reservas em prol
do Governo e da população brasileira como fizeram
outros países. Por exemplo a Noruega. Não é um
país estatista ou coisa que o valha. É um país
sério, desenvolvido, avançado. No entanto,
quando a Noruega descobriu reservas importantes de petróleo,
criou uma empresa estatal que extrai petróleo em vantagem
do Governo.
Não vamos misturar as coisas. O Brasil não é um
país que muda, que caminhou para um nacionalismo xenófobo.
Defender os interesses nacionais, todos os países
defendem. Nunca vi mais bandeiras nacionais do que nos Estados
Unidos. Então, vamos dizer que nacionalismo é praticado
por todos os países. Mas damos tanta liberdade quando
os EUA dão para o capital estrangeiro. Portanto, não
podemos ser considerados um país que faz qualquer
discriminação contra o capital estrangeiro
e continuaremos nessa trajetória.
BBC Brasil - O senhor disse recentemente
que o Brasil está prestes a entrar num novo ciclo
de crescimento. Se a gente olha para trás, tivemos
o período do milagre, tivemos duas décadas
perdidas, tivemos o período de estabilização,
retomada do crescimento e, então, veio essa crise.
O senhor se arriscaria a prever como será essa década
que começa em dois anos?
Mantega - O Brasil é um país
que vem se aprimorando ao longo do tempo. Tivemos vários
ciclos econômicos. O ciclo que tivemos de 2003 a 2008
foi um dos melhores. Por quê? Crescemos sem criar desequilíbrio,
inflação, déficit público. Encurtamos
o período de crise e já estamos preparados
para, a partir de 2010, começar um novo ciclo de expansão,
graças a essa solidez, que vai continuar com taxas
de 5%, 6% nos próximos cinco, seis, sete anos tranquilamente.
O Brasil vai seguir aquela trajetória que o Jim O'Neill
previu dos Brics.
Nos próximos 20, 30 anos, o Brasil, certamente, será um
dos países mais importantes do mundo, uma das economias
com maior PIB do mundo. Por quê? Nós podemos
crescer 5, 6% durante muito tempo. O pré-sal só vem
confirmar essa tendência. Já temos reservas,
agricultura produtiva, indústria bem implantada, serviços
se expandindo, mercado de capitais sofisticado, então,
o Brasil tem condições de ser um dos líderes
nos próximos anos. Já é reconhecido
como tal, como potência emergente.
BBC Brasil - Será, então,
que essa consolidação como potência vai
marcar os próximos anos?
Mantega - Será uma década
de consolidação do crescimento. Já é uma
das 10 maiores economias, será uma das cinco ou seis.
Será uma das que mais vão crescer. Mas ainda
temos vários problemas. A educação é ainda
muito desigual, temos que aumentar o nível de educação,
melhorar as condições de vida em várias
regiões do país. Há muita coisa por
fazer. A pobreza diminuiu muito nos últimos seis anos.
Nos próximos seis, sete anos, vai diminuir ainda mais.
Eu diria que, daqui a uma década, Brasil já vai
parecer um país avançado.
BBC Brasil - O senhor não acha que
os países que formam o Bric (Brasil, Rússia, Índia
e China) deveriam ser mais agressivos para consolidar o G20
como principal fórum de decisões global?
Mantega - Não precisa ser muito
agressivo porque esse fortalecimento do G20 está vindo
espontaneamente. Já tivemos três reuniões
neste ano, entre ministros da Fazenda e líderes. Vamos
ter em Pittsburgh uma nova reunião. Tem novembro na
Escócia, nunca vi tanta reunião do G20. Portanto,
hoje, o G20 já é o fórum mais importante
da economia mundial porque representa melhor os países
mais importantes do globo. Nós sabemos que, mesmo
antes dessa crise, os Brics e emergentes já estavam à frente
do crescimento. Ou seja, o crescimento mundial estava sendo
puxado pelos emergentes. Depois dessa crise, isso será ainda
mais verdadeiro. Serão os emergentes que vão
determinar o ritmo de crescimento da mundial. . É inevitável
que teremos peso maior. E o G20 é o órgão
mais adequado para coordenar ações internacionais.
BBC Brasil - Mas entre ser o mais adequado
e, de fato, se consolidar, existe um visão mais resistente.
O senhor vê um risco de que a recuperação
da economia, sem mudanças concretas, faça com
que os países ricos voltem a olhar para seus próprios
umbigos e a retomada tire o impulso de reformas no FMI e
da consolidação do G20?
Mantega - A retomada vai se dar em ritmos
diferentes e vai demonstrar que os países avançados
são os mais debilitados e, portanto, eles precisam
dos emergentes puxando o crescimento. Quem vai puxar o crescimento
somos nós. Pode haver um ou outro país europeu
que fique melindrado, aborrecido. mas os países da Ásia
querem o G20, os Estados Unidos, desde o primeiro momento,
encampou o G20, Obama já disse que é a mais
importante das instituições. Se tem um ou outro
país europeu que possa ficar preocupado, isso não
vai impedir que o G20 se consolide como a instituição
mais importante da economia mundial.
BBC Brasil - Para encerrar, que marca o
senhor acha que o Governo do qual o senhor faz parte vai
deixar. Vai ser um Governo que se beneficiou de uma situação
externa extremamente favorável? Vai ser um Governo
que mudou o papel do estado na economia? Que marca ficará?
Mantega - O Brasil mudou muito. Em cinco
anos, o Brasil mudou mais do que em 30, 40 anos. Foi uma
mudança acelerada do país com melhorias em
todas as frentes. Será um Governo inesquecível.
Tirou o Brasil da condição de patinho feio.
A crise da Argentina quase derrubou o Brasil em 2001. Não
tínhamos reservas, tínhamos que ir de pires
na mão pedir dinheiro. Então, o Brasil saiu
de coadjuvante para protagonista, um país dinâmico,
respeitável. Alguns diziam que era sorte, que estava
tendo expansão da economia internacional. É verdade,
soubemos aproveitar a economia internacional. Tivemos a sorte
de ter um presidente capaz de aproveitar períodos
de prosperidade e que sabe atuar em período de adversidade.
E é na adversidade que você vê a capacidade.
Hoje, não dá mais para falar que é sorte,
foi por acaso, é obra do espírito santo. A
crise demonstrou isso. Fora da crise, pode-se dizer que é sorte,
mas, durante a crise, não pode dizer que é sorte.
O Brasil vai ser outro país muito rapidamente, vai
acabar com a pobreza, com o analfabetismo, já há multinacionais
brasileiras atuando no exterior, será um dos principais
mercados de atração de investimentos. Com isso,
a transformação do Brasil já está assegurada.
BBC Brasil - E o que pode frear esse processo?
Mantega - Se uma crise dessa magnitude
não freou esse processo, eu acho difícil que
tenha alguma coisa que possa frear. Mesmo com as eleições,
o curso das políticas já está dado.
Acho temerário que algum novo governante venha a mudar
uma série de diretrizes que estão dando certo.
Eu duvido que desative o Bolsa Família, os programas
sociais. A população não vai deixar.
Duvido que diminua investimentos públicos, que bancos
públicos diminuam a atuação, que a Petrobras
deixe de ser a principal agente do pré-sal. O destino
do Brasil já está traçado, mesmo que
haja mudança na administração, que não
seja um candidato petista que ganhe a eleição,
mas de outro partido. As principais diretrizes são
conquistas do povo brasileiro. Se mudar, vai apanhar. Se
alguém assumir e começar a mudar isso, não
vai se aguentar no Governo.