 |
CT, 15 de setembro de 2009
Redução da jornada caminha
no Congresso
Colégio de líderes partidários
debate na semana que vem qual será o dia de votação
em plenário, garante Temer
Escrito por Isaías Dalle
O presidente da Câmara dos Deputados Michel Temer (PMDB-SP)
garantiu às lideranças sindicais, na noite desta terça,
15, que o Colégio de Líderes vai debater e tentar definir
qual será o dia da votação em plenário
da emenda que reduz a jornada de trabalho sem redução
de salários. O Colégio de Líderes, que reúne
as lideranças de todos os partidos, tem encontro marcado na
semana que vem, quando então deve ser definida a data.
Temer, Vicentinho e dirigentes
em audiência"O deputado Temer nos informou que a definição
antecipada da data terá mais peso e garantia de cumprimento se
for definida em conjunto com os líderes", informa, de Brasília,
o secretário de Finanças e Administração
da CUT Nacional, Vagner Freitas. "O deputado também nos
disse que este é o melhor momento que vive o projeto de redução
da jornada de trabalho aqui na Câmara. Ele considera o clima mais
propenso do que em etapas anteriores", conta ainda Vagner.
A audiência com Temer
teve a presença das lideranças de PCdoB, PDT, PSB, PT,
PTB e PV, do relator do projeto da emenda constitucional, o ex-presidente
da CUT Vicentinho (PT-SP) e do deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), entusiasta
do projeto como todos os presentes.
As lideranças sindicais
lembraram ao deputado Temer a importância do seu partido, o PMDB,
para a aprovação da medida. Temer se definiu como defensor
do projeto e garantiu que trabalhará por ele no interior do partido.
Pouco antes da audiência
com Temer, os dirigentes encontraram-se com o ministro Luiz Dulci, da
Secretaria-Geral da Presidência, para pedir que o governo amplie
o apoio já manifestado à medida e que convença
a base aliada a votar a favor. Dulci informou que inclusive os contatos
com o empresariado a favor da medida serão intensificados.
Participaram lideranças
de todas as centrais. Pela CUT, além de Vagner, estiveram no
corpo-a-corpo os diretores executivos Pedro Armengol e Antonio Lisboa
do Vale.
O objetivo das centrais é,
ao definir antecipadamente a data, se preparar para organizar um grande
mobilização no dia marcado. A PEC da redução
vai precisar enfrentar duas votações em plenário
da Câmara, com aprovação de pelo menos 309 deputados,
entremeadas por uma votação no Senado.
|
AGÊNCIA
DIAP, 15 de setembro de 2009
Lula prevê geração
recorde de empregos em agosto, 150 mil novos postos
O presidente Luiz Inácio Lula
da Silva afirmou, nesta segunda-feira (14), que a geração
de postos de trabalho com carteira assinada chegou a aproximadamente 150
mil no mês de agosto o que significará novo recorde na criação
de empregos.
Lula antecipou os dados do Cadastro Geral de
Empregados e Desempregados (Caged) que devem ser divulgados nesta quarta-feira
(16) pelo Ministério do Trabalho.
"Certamente nós
vamos bater outra vez o recorde da criação de empregos.
Deverá ser por volta de 150 mil empregos [em agosto]", afirmou
Lula em entrevista a rádios em Roraima, estado onde cumpriu agenda
na segunda-feira.
"Enquanto o mundo inteiro
está tendo desemprego, nós vamos chegar ao final do ano
com quase 1 milhão de empregos novos com carteira assinada",
completou o presidente.
Em julho, o Brasil abriu 138.402
postos de trabalho com carteira assinada, o melhor desempenho mensal
registrado este ano, com aumento das contratações em todos
os setores da economia, segundo dados do ministério.
De acordo com Caged, naquele
mês, 1.398.181 trabalhadores foram admitidos e 1.259.779, demitidos.
No acumulado do ano, o saldo líquido de criação
de vagas foi de 437.908.
|
FOLHA DE SÃO PAULO,
16 de setembro de 2009 | Dinheiro
INDÚSTRIA
Indústria paulista volta
a gerar vagas em agosto
DA REPORTAGEM LOCAL
Depois de três meses de
fechamento de vagas, a indústria paulista voltou a contratar
em agosto, segundo a Fiesp (federação do setor). Foram
gerados 1.500 postos de trabalho no mês passado, o que significou
uma elevação de 0,07% no nível de emprego no Estado.
Embora a expectativa para os próximos meses seja positiva, 2009
ainda deve terminar com menos vagas do que 2008.
|
GAZETA DO POVO, 15 de setembro de 2009
Lista
Homem ganha o triplo do que mulher
De acordo com levantamento da revista Fortune, o homem mais bem pago
do mundo ganha quase o triplo do que a mulher que ocupa a mesma posição.
Aubrey K. McClendon, diretor executivo (CEO) da Chesapeake Energy,
empresa americana de gás natural, recebeu US$ 112,5 milhões
em salários no ano passado. Já a mulher mais bem paga
do mundo, Safra Catz, presidente da Oracle, ganhou US$ 42,4 milhões
em 2008 – pouco mais do que um terço do salário
de McClendon. Para formular o ranking dos dez mais bem pagos, a revista
leva em consideração, além do salário-base,
as bonificações. O segundo homem mais bem pago é
Sanjay K. Jha, CEO da Motorola, que recebe US$ 104,5 milhões
anuais.
|
ESTADO DO PARANÁ,
15 de setembro de 2009 | Economia
Construtoras voltam a demonstrar otimismo
Agência Estado
O otimismo em relação ao desempenho das empresas e da
economia brasileira voltou a predominar entre os empresários
da construção civil no mês passado, depois do susto
provocado pela crise financeira internacional. A 40ª Sondagem Nacional
da Indústria da Construção revela que aumentou
em 43,1%, de maio para agosto, a percepção favorável
dos empresários do setor sobre o crescimento econômico
do País este ano, além de indicar maior otimismo das empresas
em relação ao seu desempenho atual e nos próximos
meses. Também houve redução de 18,2% no nível
de dificuldades financeiras enfrentadas pelas companhias ante maio.
A pesquisa, de âmbito
nacional e feita trimestralmente pelo Sindicato da Indústria
da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP)
e pela FGV Projetos, com o apoio da Câmara Brasileira da Indústria
da Construção (CBIC), é uma espécie de termômetro
do setor. "A perspectiva mudou e as empresas de construção
civil, tanto voltadas para obras públicas como privadas, estão
mais otimistas", afirma o presidente do Sinduscon-SP, Sergio Watanabe.
A síntese dessa mudança, segundo ele, está estampada
no aumento significativo das expectativas de crescimento da economia.
"Também as dificuldades financeiras diminuíram para
as construtoras e elas estão menos pressionadas."
Watanabe lembra que o setor
sentiu o baque da crise em novembro e dezembro do ano passado. Depois,
evoluiu em ritmo mais lento no primeiro trimestre, puxado por projetos
que já estavam em andamento. Em abril, com o lançamento
do programa habitacional do governo "Minha Casa, Minha Vida",
o ânimo melhorou, não apenas para as construtoras voltadas
para a baixa renda, mas também para as que atuam nos nichos mais
abastados.
A pesquisa consolida o
otimismo esboçado na sondagem anterior. Segundo o presidente
do Sinduscon-SP, o maior otimismo entre os empresários do setor
foi impulsionado pelo aumento de obras públicas, especialmente
estaduais, por causa do ano pré-eleitoral, assim como obras privadas
industriais e comerciais. "Esse é um sinal de que o investimento
começa a voltar." Ele conta que, desde o fim do segundo
trimestre, houve um aumento de solicitações de orçamentos
para erguer empreendimentos comerciais e industriais.
|
GAZETA DO POVO, 15 de setembro
de 2009 | Economia
Construção civil
Thá planeja abrir capital até
2012
O grupo paranaense Thá planeja realizar sua abertura de capital
até 2012. A perspectiva de crescimento tanto da empresa –
que atua na área da construção civil – como
do mercado imobiliário são os principais argumentos para
que a oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês)
seja feita em no máximo três anos. “A decisão
e o desejo da companhia são claros. Esperamos apenas o melhor
momento, alinhado à melhor oportunidade do mercado”, disse
o presidente do grupo Sandro Westphal, que participou ontem do comitê
de finanças da Amcham. Para ele, cidades como Curitiba, Porto
Alegre e Belo Horizonte devem assistir em 2010 a um fortalecimento do
setor como o ocorrido em São Paulo e no Rio de Janeiro há
quatro anos.
|
FOLHA DE SÃO PAULO,
15 de setembro de 2009 | Opinião
TENDÊNCIAS/DEBATES
A marolinha, um ano depois
RICARDO BERZOINI
--------------------------------------------------------------------------------
Os adversários se animaram. Pensavam que o governo Lula havia
obtido sucesso por não ter enfrentado nenhuma crise internacional
--------------------------------------------------------------------------------
HÁ UM ano, o mundo era sacudido pelo estouro da bolha imobiliária
norte-americana.
Uma crise financeira e econômica se espalhou pelo planeta, travando
o crédito e o comércio mundial. Depois da quebra do banco
Lehman Brothers, US$ 25 trilhões em riquezas viraram pó
em todo o mundo.
Os governos, com seus trilionários pacotes para evitar a falência
do sistema, sepultaram a era do Consenso de Washington. Mesmo assim,
milhões de pessoas foram empurradas para a pobreza.
Nesse cenário de incertezas, os adversários do governo
Lula ficaram animados. Pensavam que o governo havia obtido sucesso até
então por não ter enfrentado nenhuma crise internacional,
ao contrário de FHC, que sofrera os efeitos de três delas,
bem menores. Tripudiaram quando o presidente Lula previu que a crise,
para o Brasil, seria uma "marolinha", não um tsunami.
Lula assumiu a atitude de líder, pilotando pessoalmente as medidas
de enfrentamento da crise e dirigindo-se à nação
como quem vai à luta, não se deixando abater pela turbulência.
Em dezembro passado, no auge da crise, estimulou os brasileiros a continuarem
consumindo, dentro de suas possibilidades. Colocou os bancos públicos
para compensar a retranca dos bancos privados. Orientou a Petrobras
a ampliar os investimentos, quando muitos diziam que o petróleo
a US$ 30 inviabilizaria a exploração do pré-sal.
Reduziu IPI, IOF e Imposto de Renda dos assalariados.
Lançou, no meio da crise, um poderoso programa de habitação
popular, reconhecido pelos empresários e pelos movimentos sociais
como a mais importante iniciativa do setor na história do Brasil.
Hoje, diante dos dados de recuperação da economia, é
fato que o Brasil superou o impacto principal da crise e retoma a trajetória
de crescimento interrompida no ano passado.
O Brasil deve ser um dos poucos países do mundo a fechar 2009
com PIB positivo. O mercado de trabalho aponta números claros:
o Caged, cadastro do Ministério do Trabalho que só registra
a movimentação de empregos formais, diz: nos 12 meses
até junho de 2009, 390 mil empregos formais foram criados. Saldo
positivo em plena crise.
Foi com um conjunto de medidas corajosas que conseguimos atravessar
a crise em situação melhor do que a de muitos países.
Graças ao fortalecimento de instrumentos do Estado, como bancos
oficiais e empresas estatais, como a Petrobras, rompendo com a lógica
neoliberal que imperou até 2002, o Brasil teve musculatura para
enfrentar o furacão gestado no centro do capitalismo.
Ao agir prontamente, com todos os instrumentos públicos disponíveis,
o governo pode conduzir o país com segurança no mar revolto
da crise.
A cada medida tomada, uma crítica da oposição.
A cada sucesso, mudança de mote. Ante as evidências da
recuperação, os mesmos setores que vaticinaram a inevitabilidade
do caos tentam mudar o enfoque, falando de deterioração
fiscal do governo federal.
Querem eclipsar um fato: o governo Lula salvou o país do caos
fiscal dos anos 1990 e, justamente pela ação fiscal anticíclica
nos últimos 12 meses, nos permitiu fazer frente à crise,
gastando bem menos que outros países.
Em seis anos, um conjunto de políticas sociais, tributárias,
industriais, creditícias e de comércio exterior foi implementado.
Nossas estatais foram fortalecidas. O PAC foi estruturado como indutor
de investimentos públicos e privados.
Entre janeiro de 2003 e janeiro de 2009, o desemprego (Seade-Dieese)
foi reduzido de 18,6% para 12,5% (redução de 33%). Foram
gerados 7,7 milhões de empregos formais, sem falar nas ocupações
da agricultura familiar e da economia familiar urbana e outros tipos
de ocupação. Cresceu o emprego formal em relação
ao informal. O salário mínimo teve um aumento real de
46% desde 2003, influenciando a pirâmide salarial.
Temos seis anos e nove meses de um governo que, gradual e cuidadosamente,
fez e faz a transição para um novo modelo.
Há que reconhecer que falta muito que fazer, até porque
a crise mundial não foi totalmente desfeita. É necessário
retomar a velocidade de geração de empregos anterior à
crise, acelerar os investimentos. Mas a lição que fica
é que o deus mercado foi exorcizado, aqui e no exterior. Foi
resgatado o papel do Estado como força reguladora e de estímulo
à economia.
O neoliberalismo foi soterrado sob os escombros do muro de Wall Street.
E o Brasil pode perceber, claramente, as diferenças entre os
dois projetos que se sucederam na Presidência da República.
--------------------------------------------------------------------------------
RICARDO BERZOINI , 49, bancário, é
deputado federal (PT-SP) e presidente nacional do partido. Foi ministro
da Previdência (2003-2004) e do Trabalho (2004-2005).
|
FOLHA DE SÃO PAULO,
16 de setembro de 2009 | Brasil
LEI ELEITORAL
Projeto popular de "ficha
limpa" recolhe 1,3 milhão de assinaturas
ANA FLOR
DA REPORTAGEM LOCAL
A campanha Ficha Limpa recolheu
as 1,3 milhão de assinaturas necessárias para apresentar
no Congresso um projeto de lei de iniciativa popular que vete a candidatura
de pessoas com ficha suja nas eleições.
O projeto será protocolado na Câmara dos Deputados no próximo
dia 29. O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral,
organizador da campanha, reúne 43 entidades do país.
Pelo texto, não poderão concorrer pessoas condenadas em
primeira instância, ou com denúncia recebida por um tribunal,
por crimes de racismo, homicídio, estupro, tráfico de
drogas e desvio de verbas públicas, além dos candidatos
condenados por compra de votos ou uso eleitoral da máquina.
Ficam ainda impedidos de concorrer os parlamentares que renunciaram
ao cargo para evitar abertura de processo por quebra de decoro -caso,
por exemplo, de alguns deputados envolvidos no escândalo do mensalão.
Ainda que sejam aprovadas, as mudanças não valerão
para as eleições de 2010.
No ano passado, a Associação dos Magistrados Brasileiros
causou polêmica ao divulgar em seu site uma lista de candidatos
a prefeitos com "ficha suja".
Tanto TSE quanto o STF julgam que a candidatura só pode ser impugnada
após condenação definitiva.
Ontem, o Senado aprovou modificações nesse ponto das regras
eleitorais -há uma emenda que obriga candidatos a terem "reputação
ilibada e idoneidade moral".
A regra do Senado é bem menos abrangente que a do projeto de
iniciativa popular -que, para ser apresentado, exige assinaturas de
1% dos eleitores. Foram apresentados até hoje quatro projetos
do tipo. Nenhum tramitou sem a "adoção" de deputados
ou do Executivo.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
16 de setembro de 2009 | Política
Lula: Políticas sociais devem ser
políticas de governo
Agência Estado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje, durante reunião
do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), que
é preciso transformar as políticas sociais em políticas
de governo. "A quantidade de políticas que fizemos, que
os resultados estão aí nas estatísticas, não
pode ser destruída. Temos que andar daqui para a frente",
afirmou.
Segundo ele, a parcela da população
que teve acesso aos benefícios dos programas sociais deu sustentabilidade
à economia neste momento de crise. Por isso, afirmou, é
preciso dar continuidade aos programas como Bolsa-Família. "Temos
que consolidar as coisas que já fizemos e pensar o futuro",
disse ao acrescentar que "não existe a possibilidade de
o governo viver sozinho, de os empresários viverem sozinhos.
Não existe a possibilidade de vivermos se, por detrás
de nós, tiver um exército infinito de miseráveis
que existe neste País".
Para o presidente, pode parecer
pouco R$ 100 de benefício, mas não é. Segundo ele,
a população de baixa renda faz "um milagre da vida
com pouco dinheiro".
Inovação
tecnológica - Lula disse ainda que é preciso
criar um grupo de trabalho dentro do CDES para discutir inovação
tecnológica. "Mas temos que pensar de verdade. Tornar prática
essa palavra bonita", acrescentou.
O presidente lembrou que o Ministério
da Ciência e Tecnologia tem recursos para investimentos em inovação
tecnológica e que não estão sendo retirados pelos
empresários. Segundo ele, se esse dinheiro não for utilizado,
o ministro da Fazenda vai agradecer porque ele voltará para o
Tesouro. Mas o presidente ponderou que é importante usar esse
dinheiro porque, ao gastar tudo, o governo tem como preparar mais recursos
para o próximo ano.
Pré-sal
- Lula também defendeu a criação de um grupo de
trabalho para discutir a cadeia produtiva do pré-sal. Segundo
ele, o pré-sal será um desafio e que o País ainda
não tem noção do que pode acontecer nos próximos
seis a oito anos.
Ele contou que pediu ao presidente
do BNDES, Luciano Coutinho, que faça um levantamento da quantidade
de aço que será necessária no momento mais auspicioso
da produção para que o País não tenha que
importar aço.
"Temos que nos antecipar,
o que podemos fazer dentro do Brasil, quais os produtos que podem ser
produzidos no País, porque é isso que vai aumentar a nossa
classe média e qualificar o brasileiro para ser mais competitivo".
Reforma Tributária
O presidente reclamou ainda
que parte da sociedade brasileira não quer a reforma tributária.
"Se quisesse, já teria acontecido", afirmou.
Para Lula, a discussão
da política tributária "parece uma coisa velha e
arcaica". "Só eu mandei duas ao Congresso. Nada aconteceu".
Ele não pretende mandar outra proposta ao Congresso.
|
AGÊNCIA DIAP, 15 de
setembro de 2009
Senado conclui votação da
minirreforma eleitoral; texto volta à Câmara
Senado libera uso da internet nas eleições e exige novas
votações quando governadores ou prefeitos forem cassados
O plenário do Senado concluiu, nesta terça-feira (15),
a votação do projeto (PLC 141/09) que altera a Lei Eleitoral.
Os senadores decidiram, depois
de longa discussão, liberar totalmente a internet nas eleições,
eliminando restrições que haviam sido introduzidas pela
Câmara dos deputados e confirmadas durante votação
nas comissões do Senado.
O texto afirma que "é
livre a manifestação do pensamento, vedado o anonimato
durante a campanha eleitoral". Garante ainda o direito de resposta
de candidatos que se sentirem ofendidos, como prevê a legislação
para outros meios de comunicação.
Por causa das alterações
feitas pelos senadores, o projeto retornará ao exame dos deputados.
Para que as alterações
tenham validade nas eleições do ano que vem, a proposta
deve ser examinada novamente pela Câmara e sancionada pelo presidente
da República antes do dia 3 de outubro - um ano antes das eleições
de 2010.
Nesta terça-feira, foram
apreciados vários destaques para votação em separado,
ou seja, tentativas de mudanças no texto que saiu das Comissões
de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e de
Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação
e Informática (CCT).
Um deles refere-se à
substituição de governadores e prefeitos cassados, assim
como de seus vices.
Por acordo partidário,
e depois de grande polêmica ocorrida na semana passada, quando
foi votado o texto-base do projeto, foi retirada uma frase de uma emenda
apresentada pelo senador Tasso Jereissati (PSDB/CE), que depois de modificada
recebeu aprovação.
Com a exclusão, toda
vez que governadores ou prefeitos e seus vices forem cassados, serão
convocadas novas eleições.
Com isso, o Congresso tenta
evitar que a Justiça Eleitoral continue dando posse ao segundo
mais votado na eleição ou que as Assembléias Legislativas
ou Câmaras de Vereadores elejam indiretamente os novos mandatários.
Ao lado da liberação
da internet, este foi um dos pontos mais discutidos durante mais de
três horas. A emenda original de Jereissati previa a convocação
de eleições diretas se a cassação ocorresse
nos dois primeiros anos do mandato.
Se fosse nos dois anos finais,
haveria eleição indireta. Na semana passada, o próprio
presidente do Senado, José Sarney (PMDB/AP), protestou contra
a introdução da eleição indireta para governadores
e prefeitos.
Apesar do acordo que prevê
sempre eleição direta após cassação,
vários senadores ponderaram que o assunto talvez não esteja
resolvido.
"Se a cassação
ocorrer faltando poucos meses para o final do mandato, não haverá
tempo para a convocação de novas eleições",
advertiu o senador Demóstenes Torres (DEM/GO).
Renato Casagrande (PSB/ES) lembrou
que a Constituição prevê eleição indireta
para presidente da República caso ele e seu vice sejam cassados
após o segundo ano do mandato.
Vários estados adaptaram
a norma para suas constituições, prevendo situação
idêntica para governadores.
"O STF deverá ser
chamado a dizer se vale o que o Senado está aprovando em lei
ou o que está nas constituições estaduais",
disse Casagrande.
Apesar de reconhecerem o problema,
líderes partidários afirmaram ser melhor o Congresso tomar
uma posição sobre o assunto do que a Justiça Eleitoral
continuar decidindo cada caso após cassação.
No caso da internet, além
de liberarem de forma geral o uso da rede de computadores nas eleições,
caiu ainda uma frase do projeto que proibia o funcionamento de sites
de candidatos faltando 48 horas para as eleições.
Em tempo: o texto-base do projeto,
aprovado na semana passada, já permitia o uso da internet nas
eleições, autorizando que os candidatos tivessem sites
próprios de divulgação a partir do dia 5 de julho
do ano eleitoral.
Só os candidatos a presidente
da República poderão ter propaganda paga em sites noticiosos
de internet, condição vedada a candidatos a governador,
prefeito, senador, deputado ou vereador.
Os senadores rejeitaram, também
depois de intenso debate, emenda destacada pelo senador Alvaro Dias
(PSDB/PR) que pretendia permitir a volta da propaganda eleitoral em
outdoors, já proibida nas últimas eleições.
A volta dos outdoors dividiu
o plenário - foi rejeitada por 39 a 27 votos.
Também foi rejeitada
uma proposta do senador Eduardo Suplicy (PT/SP) que obrigaria os partidos
e candidatos a informarem, pela internet, nos dias 6 e 30 de setembro,
quem havia doado e quanto para as campanhas.
Os relatores do projeto, senadores
Marco Maciel (DEM) e Eduardo Azeredo (PSDB/MG), argumentaram que seria
praticamente impossível cumprir a determinação
faltando quatro dias para as eleições.
Também foi rejeitada
outra emenda de Suplicy, que teve apoio do senador Pedro Simon (PMDB/RS),
que obrigava os partidos a informarem, no ano eleitoral, os nomes dos
doadores originais para os partidos políticos.
Para Suplicy, a medida eliminaria
os chamados "doadores ocultos".
Essa emenda também dividiu
o plenário, sendo rejeitada por 39 a 23 votos. Pedro Simon afirmou
que, se os senadores queriam maior transparência nas eleições,
deveriam aprovar a emenda de Suplicy.
Os senadores aprovaram ainda,
em votação simbólica, emenda do senador Wellington
Salgado (PMDB/MG) obrigando os candidatos a anexarem os seus currículos
à documentação quando do registro da candidatura.
O senador José Nery (PSol/PA)
tentou modificar, sem sucesso, trecho do projeto que desobriga as emissoras
de rádio e de televisão e os sites de internet de convidarem
candidatos para debates se seus partidos não tiverem pelo menos
dez deputados federais.
Ao final, o relator Eduardo
Azeredo observou que o Congresso está fazendo apenas pequenas
alterações na Lei Eleitoral, pois a falta de consenso
tem impedido uma "verdadeira reforma eleitoral".
Disse que foi muito criticado
nos últimos dias por causa do texto que trata de internet e alertou
que este novo meio de comunicação "não pode
ser uma terra de ninguém", onde se pode "caluniar à
vontade".
Ponderou que muitos países
têm adotado legislação severa sobre o assunto, lembrando
que no Japão o uso da internet foi proibido nas eleições.
Destacou que, se o Senado
não colocasse nada na legislação, prevaleceria
interpretação do Tribunal Superior Eleitoral, que impõe
à internet os mesmos limites estabelecidos para o rádio
e a televisão. (Fonte: Agência Senado)
|
O ESTADO DO PARANÁ,
16 de setembro de 2009 | Política
Aprovada eleição direta
após cassação de mandatos
Agência Estado
O plenário do Senado está votando nesta tarde várias
emendas ao texto básico da proposta de minirreforma eleitoral
aprovado na semana passada. Uma das emendas aprovadas hoje é
a que prevê a realização de eleições
diretas, a qualquer momento, nos casos de cassação de
mandatos de governadores e prefeitos pela Justiça Eleitoral por
crime eleitoral.
Esse era um dos pontos polêmicos
da proposta, mas um acordo de líderes permitiu sua aprovação.
Há, porém, senadores que entendem que a emenda aprovada
é inconstitucional e que será derrubada pelo Supremo Tribunal
Federal (STF). O artigo 81 da Constituição prevê
eleição direta para presidente da República e vice-presidente
quando houver vacância dos cargos nos dois primeiros anos do governo
e eleição indireta pelo Congresso quando houver vacância
nos dois últimos.
"Foi uma imposição
política, que tem o objetivo de estar em sintonia com a sociedade,
mas, na minha avaliação, a decisão é inconstitucional,
porque não tem analogia com o que diz a Constituição
Federal nem com (o que dizem) as Constituições dos Estados.
Aceitaram um apelo demagógico que vai cair, ali na frente",
disse o senador Renato Casagrande (PSB-ES).
Ainda nesta tarde, os
senadores rejeitaram emendas do senador Suplicy que, com o objetivo
de dar maior transparência ao processo eleitoral, propunham a
divulgação dos nomes dos doadores de recursos às
campanhas.
|
ESTADO DO PARANÁ,
15 de setembro de 2009 | Economia
Funcionários da Volvo cruzam os
braços
Helio Miguel
Mais de uma semana de negociação não foi suficiente
para evitar que os cerca de 2,6 mil funcionários da montadora
de ônibus e caminhões Volvo decidissem entrar em greve,
acompanhando o que já vem acontecendo há mais de 10 dias
na Renault-Nissan e na Volkswagen-Audi.
A decisão dos empregados
da Volvo aconteceu ontem pela manhã, em assembleia realizada
em porta de fábrica, na sede da empresa, na Cidade Industrial
de Curitiba.
O principal impasse que resultou
na greve foi em relação ao reajuste salarial. Os funcionários,
que inicialmente pretendiam 10% de aumento, abaixaram o pedido e passaram
a aceitar um reajuste 8%, sendo 3% de aumento real e 4,44% referentes
ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) dos
últimos 12 meses. Por outro lado, a empresa aceitava cobrir o
INPC, mas chegou no máximo a 2% de aumento real, o que totalizaria
um reajuste de 6,53%.
Outro ponto que ficou sem acordo
foi em relação ao vale-mercado. Enquanto os empregados
exigiam que o valor do benefício, congelado há 13 anos,
passasse de R$ 60 para R$ 120, a Volvo queria que a verba fosse incorporada
ao salário.
A proposta não agradou
os metalúrgicos, que acreditam que o valor seria facilmente absorvido
pela inflação, em poucos anos. O único item em
que havia consenso era o abono salarial de R$ 2 mil valor superior aos
fechados este ano nos acordos com as montadoras da região paulista
do ABC.
Tribunal
Ainda ontem, pela manhã,
os metalúrgicos da Renault-Nissan e da Volks-Audi também
realizaram assembleias, em São José dos Pinhais, em que
rejeitaram as propostas mais recentes das montadoras, que acabaram sendo
praticamente idênticas à da Volvo.
As negociações
continuaram mais tarde, no Tribunal Regional do Trabalho do Paraná
(TRT-PR), em Curitiba, onde as conversas têm sido quase diárias.
Porém, novamente não houve acordo e foram marcadas mais
duas reuniões para hoje à tarde.
Durante as reuniões no
TRT, alguns funcionários da Renault-Nissan que trabalham em turnos
diferentes da manhã reivindicaram que as assembleias do SMC também
sejam promovidas em outros horários do dia, já que muitos
empregados não podem comparecer para votar às 5h da manhã
horário em que as votações vêm sendo feitas.
O Sindicato prometeu atender
o pedido já a partir de hoje. O clima também esquentou
quando um dos diretores da Renault alertou da possibilidade da empresa
transferir seus projetos e produção para a Argentina,
devido às constantes greves dos empregados no Paraná.
A empresa não comentou a afirmação.
|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
16/09/2009
SDI-2 rejeita intervenção do
MPT em processo envolvendo empregador incapaz
A Seção Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-2) do Tribunal Superior do Trabalho
rejeitou recurso do Ministério Público do Trabalho da
3ª Região (MG) que buscava a decretação de
nulidade de processo, por falta de intimação ao MPT em
causas que envolvam interesse de incapaz. O relator do recurso ordinário
em ação rescisória, ministro José Simpliciano
Fernandes, ressaltou que, diferentemente do processo civil, o processo
trabalhista autoriza a participação do Ministério
Público como curador especial somente em casos de menor de 18
anos e quando não houver representante legal (artigo 793 da CLT).
A ação originária
– que tratava de reconhecimento de vínculo de emprego com
a Engenharia e Comércio Auto Peças – transitou em
julgado na 1º Vara do Trabalho de Uberlândia (MG). O empregador
foi declarado absolutamente incapaz em agosto de 1999 pela Justiça
Comum por ser portador de esquizofrenia paranóide. Mesmo considerando
o empregador incapaz, o juiz de primeiro grau concedeu os pedidos aos
trabalhadores.
O Ministério Público
ajuizou então a ação rescisória visando
à desconstituição da sentença sob a alegação
de que sua intervenção no caso era necessária.
Invocou, como fundamento, o artigo 82, inciso I, do CPC, que determina
a participação do Ministério Público em
processos de incapazes. O TRT/MG julgou improcedente a rescisória
por entender que a intervenção do MPT não era uma
condição de validade de uma sentença trabalhista
contra incapaz – no caso, regularmente representado por um curador.
Inconformado, o MPT recorreu
ao TST sustentando não se tratar da mera intervenção,
mas da ausência de intimação obrigatória
em processo que envolvesse interesse de incapaz. O relator do recurso,
porém, destacou em seu voto que, antes de analisar a questão
da intimação ao MPT, era necessário verificar a
obrigatoriedade da participação do Ministério Público
no processo, conforme alegado. Ele observou que a aplicação
do artigo 82, inciso I do CPC é matéria controvertida
nos Tribunais, ficando, assim, prejudicada a ação rescisória,
por força da Súmula 83 do TST – segundo a qual “não
procede o pedido formulado na ação rescisória por
violação literal de lei se a decisão rescindenda
estiver baseada em texto legal infraconstitucional, de interpretação
controvertida nos Tribunais”. (ROAR-629/2004-00-03-00.5)
(Alexandre Caxito)
|
16/09/2009
Base ampla garante emprego de dirigentes
sindicais na Baixada Fluminense
A extinção de agência bancária em Nova Iguaçu,
no Rio de Janeiro, não é motivo para a dispensa de dois
dirigentes sindicais que lá trabalhavam. Para eles, a estabilidade
provisória continua existindo, pois a base territorial do sindicato
abrange diversos municípios. Ao rejeitar embargos do Banco Itaú
S.A., a Seção Especializada em Dissídios Individuais
(SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho manteve entendimento de instâncias
anteriores de que os bancários poderiam trabalhar em agência
de outra cidade da região de atuação do sindicato.
Os dirigentes representavam
o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários da Baixada
Fluminense no município de Nova Iguaçu. Fechada a agência
local, tiveram seu contrato rescindido com o pretexto de extinção
de estabelecimento. Após a demissão, buscaram reintegração
na Justiça do Trabalho, alegando serem detentores de estabilidade
provisória, pelo exercício de cargo de direção
em sindicato da categoria, conforme os artigos 8º da Constituição
Federal e 543 da CLT. Os pedidos foram acolhidos em primeira instância.
O banco recorreu, mas o Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região
(RJ) manteve a sentença.
No recurso ao TST, o resultado
na Quarta Turma também foi negativo para a empresa. Em novo apelo,
desta vez com embargos, o Banco Itaú não conseguiu comprovar
divergência jurisprudencial nem contrariedade a súmula
do TST. A SDI-1 acabou por não conhecer do recurso. O relator
dos embargos, ministro Lelio Bentes Corrêa, explicou que, neste
caso específico, a condição de representatividade
persiste, e não se verifica a completa cessação
da atividade empresarial na base territorial do sindicato.
O ministro avalia que, ao contrário
dos argumentos usados pelo banco, para se concluir pela inviabilidade
do remanejamento dos trabalhadores para outras localidades dentro da
mesma base territorial, seria necessário o reexame dos fatos
e provas dos autos, principalmente pela ausência de explicitação,
na instância de prova (o primeiro grau), sobre os limites da base
territorial do sindicato, a inexistência de outras agências
na circunscrição sindical e o número de dirigentes
sindicais distribuídos em outras agências. (E-RR-674548/2000.6)
(Lourdes Tavares)
|
16/09/2009
Dilatação da jornada 12x36
acarreta pagamento de hora extra
A Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho manteve decisão
que condenou uma empresa de vigilância do Paraná a pagar
horas extras a um empregado em razão da descaracterização
do regime compensatório de 12x36, previsto em norma coletiva
a que estava submetido o vigilante. Ficou comprovado nos autos da ação
trabalhista que, ao longo do contrato de trabalho, o vigilante dobrava
a jornada duas vezes por semana. Com isso, seu trabalho excedia o limite
semanal de 44 horas, e não havia a concessão regular das
folgas de 36 horas seguidas às 12 horas de trabalho. Por isso,
o acordo de compensação foi considerado inválido
pelas instâncias ordinárias da Justiça do Trabalho.
Em voto relatado pelo ministro
Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, a Primeira Turma do Tribunal Superior
do Trabalho manteve a decisão regional que garantiu ao vigilante
o pagamento, como extra, do tempo trabalhado além da oitava hora
diária e da quadragésima quarta semanal. Segundo o ministro
relator, o entendimento do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª
Região (PR) coaduna-se com a Súmula 85 do TST, segundo
a qual a prestação de horas extras habituais descaracteriza
o acordo de compensação de jornada.
De acordo com os autos, duas
testemunhas confirmaram a exigência de dobra da jornada de duas
a três vezes por semana, sem anotação nos cartões
de ponto, no regime 12x36. O TRT/PR invalidou o acordo por entender
que a prestação de jornada extraordinária desvirtua
a natureza da compensação, pois este regime é incompatível
com a prorrogação habitual da jornada. Isso porque a pactuação
de acordo compensatório permite um aumento da carga horária
em alguns dias e a redução em outros, com o intuito de
beneficiar o empregado, que irá dispor de intervalos de descanso
ampliados, o que, no caso de prestação de horas extras,
deixa de ocorrer.
No recurso ao TST, a empresa
de vigilância sustentou que a concomitância das horas extraordinárias
com a compensação de horários não invalida
o acordo de compensação de jornada previsto em norma coletiva
e, mesmo que assim não fosse, seria devido apenas o pagamento
do adicional de 50%, e não as horas extraordinárias integrais.
Segundo o ministro Vieira de Mello Filho, não era o caso de pagamento
somente do adicional de horas extraordinárias, conforme previsto
nos itens III e IV da Súmula 85 do TST, porque constatada a dilatação
de jornada e por não haver horas destinadas à compensação.
( RR 21022/2002-005-09-00.6)
(Virginia Pardal)
|
16/09/2009
Mineradora indenizará trabalhador
por doença pulmonar causada por poeira
A Sigral - Silix do Gravatal
Comércio e Mineração Ltda. terá de indenizar
um encarregado aposentado por invalidez depois de trabalhar durante
oito anos em minas de subsolo, exposto a poeiras minerais. A Segunda
Turma do Tribunal Superior do Trabalho rejeitou agravo de instrumento
da empresa, que vem questionando sem sucesso a sua responsabilidade
pela doença pulmonar do empregado e os valores de indenização
e pensão a que foi condenada.
O Tribunal Regional do Trabalho
da 12ª Região (SC) considerou que a empresa concorreu para
a ocorrência da doença profissional, ainda que por omissão.
A inalação de poeira minerais e orgânicas causa
a pneumoconiose, doença pulmonar evitável, mas sem cura
e que pode levar à morte, mesmo o profissional tendo se afastado
do ambiente que deu origem ao problema.
Com a alegação
de que o perito contratado no caso concluiu, no momento da consulta,
que o trabalhador não apresentava aquela moléstia, a Sigral
pretendia revisão da decisão. O TRT/SC, no entanto, verificou
a história funcional e a documentação do trabalhador,
e entendeu que a perícia estava equivocada. O profissional foi
aposentado quando seu exame radiológico apresentou micronódulos
difusos e lesão intersticial, o que levou o INSS a conceder a
aposentadoria por invalidez por pneumoconiose.
Ao examinar o agravo da Silix
do Gravatal, o ministro relator, Renato de Lacerda Paiva, verificou
que a empresa, apesar das suas alegações, não apontou
a ocorrência de afronta à literalidade de lei federal ou
de preceito constitucional, contrariedade a súmula de jurisprudência
do TST ou divergência de julgamentos na decisão regional
que permitisse o processamento e a análise do recurso de revista,
o que poderia propiciar uma reforma no resultado. O relator registrou,
ainda, a conclusão do Tribunal Regional que, com fundamento na
análise do conjunto de provas dos autos, manifestou que a doença
que atingiu o empregado, típica de quem desenvolve atividades
no setor em que atua a Sigral, resultou de “falha no dever de
cuidado da empresa”. Após o voto do ministro Renato Paiva,
a Segunda Turma negou provimento ao agravo de instrumento da empresa.
(AIRR –20/2006-006-12-40.1)
(Lourdes
Tavares)
|