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MSN, 18 de setembro de 2009
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Construção Civil: emprego
cresce 26% em dez anos e deve continuar em alta
Setor deve consolidar nos próximos anos
sua importância como empregador de mão-de-obra e setor-chave
para o País
SÃO PAULO - Entre 1998
e 2008, o número de trabalhadores na Construção
Civil cresceu 26%, com a incorporação de 198 mil novos
profissionais. Para os próximos anos, mesmo com o impacto no
Brasil da crise econômica mundial, o setor deve consolidar sua
importância como grande empregador de mão-de-obra e setor-chave
para o País.
Isso porque o setor conta com investimentos públicos e privados
previstos para os anos de 2007 a 2010, a exemplo do PAC (Programa de
Aceleração do Crescimento) e dos incentivos gerados pelo
programa federal Minha Casa, Minha Vida, segundo concluiu estudo do
Dieese divulgado nesta quinta-feira (17).
Com essas medidas, a Construção Civil passou bem pela
crise, o que se reflete no emprego. No primeiro semestre deste ano,
a ocupação no setor cresceu 2,1% nas regiões da
PED (Pesquisa de Empregados e Desempregados), o que corresponde a 21
mil pessoas. No total, o setor chegou a 1,023 milhão de trabalhadores,
assalariados com e sem carteira, autônomos ou conta própria,
além de pessoas com outras formas de inserção no
setor.
Diante disso, o estudo mostra que "não é improvável
que o setor da Construção Civil siga crescendo nos próximos
anos", devido aos investimentos público e privado, mas também
pelas modalidades de crédito e financiamento do setor, que devem
apresentar forte expansão pela queda dos juros. O déficit
habitacional e a necessidade de infraestrutura indicam que a demanda
estará em forte expansão.
Evolução do emprego
Os dados de 1998 a 2008 mostram que as ocupações geradas
pelo setor foram heterogêneas, sendo que uma parcela expressiva
dos assalariados é formada por contratados de modo irregular,
sem carteira de trabalho, e por trabalhadores que, embora se anunciem
autônomos, contam com muita pouca liberdade, pois trabalham para
um contratante e não detêm seus meios de produção.
A jornada de trabalho praticada no setor está, de maneira geral,
no patamar legal de 44 horas semanais. Em 2008, a jornada média
foi maior na Região Metropolitana de Recife (45 horas) e menor
na de Belo Horizonte (42 horas). Mas ela não vem acompanhada
de grandes rendimentos. Entre 1998 e 2008, à exceção
da capital mineira (+7,6%), as demais regiões apresentaram queda
no salário médio dos profissionais, variando de 4,9% em
Salvador a 21,4% em São Paulo.
Uma característica do setor é a alta rotatividade da mão-de-obra,
maior entre os trabalhadores contratados do que entre aqueles que trabalham
por conta própria na maioria das regiões. Entre 1998 e
2008, porém, o tempo médio de permanência no emprego
passou de 41 para 65 meses.
A análise mostra ainda que uma parcela grande dos profissionais
que atuam no setor não possui proteção social.
Em 2002, 58,5% não contribuíam para a Previdência
Pública no Distrito Federal, por exemplo, percentual que cai
para 58,4% em São Paulo, 58% em Recife, 56,1% em Porto Alegre,
54,2% em Salvador e 49,2% em Belo Horizonte.
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CORREIO BRAZILIENSE, 18 de
setembro de 2009
Emprego na construção civil
cresce em seis regiões metropolitanas
A ocupação na construção civil cresceu 2,1%
no primeiro semestre de 2009, em comparação ao último
semestre de 2008, em seis regiões metropolitanas: Belo Horizonte,
Recife, Salvador, Porto Alegre, São Paulo e Distrito Federal.
O dado consta do Boletim Trabalho e Construção, feito
pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
(Dieese).
Segundo o boletim, o setor incorporou 21 mil pessoas no período,
passando a contabilizar 1.023 trabalhadores. A maioria das regiões
teve aumento do número de postos de trabalho, com destaque para
Recife (14,1%). Apresentaram recuos Belo Horizonte (-4,0%) e Porto Alegre
(-3,1%).
A pesquisa indica que o número
de trabalhadores assalariados aumentou na maioria das regiões
que compõem o Sistema Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED),
com variações entre 16,7%, em Recife e 5,8%, em Belo Horizonte.
As retrações nas
vagas ocupadas por trabalhadores com carteira assinada, no setor, ocorreram
em São Paulo (-1,2%) e Porto Alegre (10,9%), por conta da diminuição
das contratações. Os rendimentos cresceram 8% em Recife,
0,8% em Salvador e 0,5% no Distrito Federal. Em Belo Horizonte, os ganhos
ficaram praticamente estáveis (0,1%) e recuaram em São
Paulo (-8,5%) e Porto Alegre (-1,7%).
De acordo com o boletim, quando
comparados ao primeiro semestre de 2008, o total de ocupados nos primeiros
seis meses de 2009 aumentou 11,3%, com recuperação moderada
em Porto Alegre (4,4%) e Belo Horizonte (5,6%).
A elevação
foi mais expressiva no Distrito Federal (18,8%), em Recife (14,1%),
São Paulo (13,3%) e Salvador (12%). As remunerações
pagas no primeiro semestre de 2009, em comparação com
o mesmo período de 2008, apresentaram retração
em São Paulo (-10,4%) e crescimento em Belo Horizonte (19,7%).
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REVISTA ABRIL, 18 de setembro
de 2009
Desafio sustentável para
a construção civil brasileira
Avaliação da Consultoria
Obra Limpa mostra que a construção civil brasileira consome
hoje mais de 50% de todos os recursos naturais extraídos e é
responsável por 60% de todo o resíduo urbano sólido
no país. A área é também responsável
pelo consumo de imensas quantidades de madeira extraída da mata
nativa.
Uma pesquisa realizada pela
Datafolha, em 2009, revelou, por sua vez, que somente 20% dos brasileiros
sabem o que seja uma certificação FSC, expedida pelo Forest
Stewardship Council, presente no Brasil há uma década,
e cujo selo garante a origem legal da madeira comercializada. Apenas
em 2006, porém, foi concluída a primeira obra pública
100% certificada: uma pequena casa no município de São
Leopoldo (RS), que serviria de centro de informações turísticas.
No setor privado, apesar da
adesão de algumas construtoras, os únicos empreendimentos
já concluídos, totalmente certificados, são os
condomínios Genesis, no interior de São Paulo. Segundo
Karina Ahoranian, coordenadora do Grupo de Produtos Florestais Certificados,
diversos fatores inibem a utilização de madeira certificada:
falta de inventivo governamental, resistência em departamentos
de compras das empresas e desinteresse do consumidor. (Agência
Envolverde)
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AGÊNCIA DIAP, 18 de
setembro de 2009
Caged: criação de empregos
formais aumenta quase 10% em um mês
O número de postos de trabalho criados no país em agosto
foi aproximadamente 10% superior ao de julho, comemorou ontem o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva antecipando-se à divulgação
do levantamento mensal do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados,
prevista para esta quinta-feira (17) pelo Ministério do Trabalho.
"Certamente vamos bater
outra vez recorde de criação de empregos; deve ser por
volta de 150 mil empregos. Enquanto o mundo inteiro está tendo
desemprego, vamos chegar ao fim do ano com quase um milhão de
empregos novos criados com carteira assinada", disse Lula durante
pronunciamento em Roraima.
Para o ministro do Trabalho,
Carlos Lupi, o resultado de agosto deve até superar a marca de
150 mil novas vagas.
"Vamos ter uma sequência
de resultados positivos que vai surpreender a todos. O comportamento
de todos os setores tem sido positivo. A recuperação da
indústria tem sido fundamental e a construção civil
pegou ritmo de novo", afirmou.
Em julho a diferença
entre contratações e demissões foi de 138.402 -
o melhor saldo registrado no ano, com crescimento de 0,43% sobre junho.
De janeiro a julho deste ano
foram criados 437.908 novos postos de trabalho, o que anima o Governo
a manter a previsão de que, até o fim do ano, o número
de novas vagas ocupadas no mercado formal chegará a um milhão.
Na comparação
entre junho e julho, o mercado de trabalho melhorou em todos os setores
e em todas as regiões do país. (Fonte:
Brasília Confidencial)
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AGÊNCIA DIAP, 18 de
setembro de 2009
SP: número de empregos criados
sobe e alcança quase 78 mil em agosto
O número de empregos criados com registro em carteira no estado
de São Paulo durante o mês de agosto cresceu 0,73% frente
ao número total de trabalhadores registrados até julho,
de acordo com dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados)
divulgado, na última quarta-feira (16), pelo Ministério
do Trabalho e Emprego.
No total, 77.983 empregos foram
criados no estado no mês passado, frente aos 52.811 gerados em
julho. O número de postos criados em agosto do ano passado foi
maior: 83 mil vagas.
O crescimento de agosto na região
foi o segundo melhor da série histórica do Caged.
No semestre, o estado paulista
liderou o ranking com a geração de 270.399 postos, um
incremento de 2,57% sobre o número total de assalariados com
carteira assinada registrados no mesmo período do ano passado
e o melhor desempenho do país em termos absolutos.
Nos últimos 12 meses,
frente aos 12 meses anteriores, o aumento do número total de
empregados foi de 0,66%, pois gerou-se no período 70.604.
Entre os setores que mais geraram
vagas no estado no mês estão o de Serviços (27.882
vagas) e Indústria da Transformação (11.183).
Outros
estados
O ranking com as 27 unidades da federação sofreu algumas
modificações no oitavo mês do ano, com São
Paulo ainda na liderança entre os estados que mais geraram vagas
no período. Em segundo lugar do ranking vem Pernambuco, que gerou
18.990 vagas.
Rio de Janeiro e Paraná
vêm em seguida com 15.841 e 14.437 postos criados, respectivamente,
no oitavo mês do ano. Com 13.790 novos postos de trabalho, o Ceará
fica na quinta posição do ranking entre os estados do
país.
Em Santa Catarina 11.988 vagas
foram geradas, o que fez com que o estado ficasse com a sexta colocação.
Logo atrás vem a Bahia, onde 11.085 postos foram gerados em agosto.
A oitava posição ficou com o Rio Grande do Sul, que criou
10.983 vagas.
Minas Gerais ficou com a nona
posição por gerar 8.613 postos. A décima colocação
do ranking ficou com o Pará, onde 7.204 vagas foram criadas.
Logo atrás vem Paraíba (+6.799), Rio Grande do Norte (+6.776),
Goiás (+6.554) e o Amazonas (+6.549).
Entre os estados que geraram
empregos ainda estão Espírito Santo (+3.648), Rondônia
(+3.401), Mato Grosso (+3.001), Piauí (+2.765), Sergipe (+2.270),
Maranhão (+1.998), Mato Grosso do Sul (+1.887) e Alagoas (+1.278).
Os demais estados também registraram saldo positivo na geração
de empregos em agosto: Acre (+841), Amapá (+343), Tocantins (+191)
e Roraima (+144).
O Distrito Federal também
teve saldo positivo na taxa de empregabilidade (+2.767). (Fonte: InfoMoney)
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AGÊNCIA DIAP, 18 de
setembro de 2009
Marcio Pochmann diz que mercado de trabalho
reproduz desigualdade
"Os 10% mais pobres do Brasil - 20 milhões de brasileiros
- vivem com renda média mensal per capita de R$ 70 e transferem
R$ 35 dos R$ 70 em impostos para o Governo, porque os impostos indiretos
são os que mais oneram essa população", diz
o economista Márcio Pochmann, presidente do Ipea.
O economista da Unicamp, Márcio
Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
(Ipea), defende a completa refundação do Estado brasileiro.
O professor analisa a crise
internacional e revela números surpreendentes das desigualdades
no Brasil. Pochmann é categórico quando fala em educação:
"Ela não transforma. Ela conforma para o trabalho".
Ele garante que a atual crise
econômica possibilita entrarmos em um novo padrão civilizatório
em que os parâmetros de produção e consumo vão
mudar. Chama a atenção para o meio ambiente e considera
que o mundo vive um período de desgovernança pública.
É enfático ao
tratar de República e democracia no Brasil: "Na nossa democracia
sobram partidos e faltam ideias"; "dizemos que temos República
no Brasil, mas não temos. República significa igualdade
de oportunidades".
Pochmann é um dos maiores
pesquisadores do País sobre o mundo do trabalho. É especialista
em emprego e salários e autor de 27 livros sobre inclusão
social, desenvolvimento econômico e políticas de emprego.
Entre os livros de sua autoria
do economista estão O Desafio da Inclusão Social no Brasil
e Relações de Trabalho e Padrões de Organização
Sindical no Brasil. Na Unicamp, é professor do Instituto de Economia
e atua no Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit).
Como o senhor avalia
a crise financeira mundial?
Essa crise é uma crise do modo de produção capitalista,
uma crise estrutural, sistêmica, uma crise que não é
exclusivamente financeira, embora tenha sido nessa esfera que ela se
originou.
Essa crise impôs perdas
expressivas aos ricos, impôs a queda da taxa de lucro das empresas,
especialmente de alguns setores industriais. A crise impactou a área
social. Estamos convivendo com maior desemprego, com aumento das desigualdades.
Essa crise está contaminando
o mundo da política. Cinco países tiveram alternância
de poder em função, inclusive, do agravamento da crise.
Não tivemos crises anteriores com problemas ambientais. Os impactos
ambientais são extremamente degradantes.
Temos uma crise inédita
nesse sentido. Vale dizer que é uma crise que encontra o mundo,
os países, em quase sua totalidade submetida à lógica
mercantil. Nunca tivemos uma crise anterior com uma profundidade como
esta.
E não tem saída
a curto e médio prazo porque a crise afetou as estruturas do
padrão capitalista de produção e consumo. Não
há como garantir a sustentabilidade da acumulação
de capital.
O senhor diz que essa
crise é de produção e consumo. Explique o que é
a crise de consumo?
O que deu sustentabilidade de longo prazo ao capitalismo no século
20 foi a produção de bens de consumo duráveis,
como por exemplo, a casa própria e o automóvel.
Não são apenas
eles, mas a casa e o automóvel simbolizam o consumo no capitalismo
do século 20. A produção desses bens se difundiu
pelo mundo, no entanto, apenas um quarto da população
mundial tem acesso a esse padrão de consumo.
Apenas um quarto.
É o que praticamente
temos no Brasil. Para que esse padrão de consumo tivesse padrões
mundiais, especialmente no mundo onde a renda percapita é muito
baixa, foi necessário o aprofundamento do subdesenvolvimento,
que é o que se pressupõe no Brasil.
Em outras palavras: para que aqui no Brasil pudesse se instalar a indústria
automobilística e a produção nacional comparável
ao os países ricos foi necessário concentrar profundamente
a renda, para poder viabilizar o padrão de consumo dos mais ricos.
Se a gente for a qualquer cidade
brasileira a gente vê segmentos sociais que participam de alto
padrão de consumo. Há bairros de qualquer cidade brasileira
onde há casas com garagem com quatro, cinco carros, cada membro
da família tem um automóvel. Há casas compatíveis
com padrão hollywoodiano de habitação.
É, aqui os ricos vivem
muito bem...
Os ricos vivem aqui muito melhor que a classe média e os ricos
nos Estados Unidos e na Europa porque aqui os ricos não pagam
impostos. E lá não existe como aqui essa massa de serviçais.
É manicure, empregados
domésticos, cortador de grama, faxineira, ou seja, um exército
de prestadores de serviço. No Brasil, as famílias de classe
média e ricas têm, em média, 13 serviçais
à sua disposição para prestar serviços.
São 13, no mínimo,
ou seja, são mais de 20 milhões de pessoas que constituem
esse exército com remuneração extremamente baixa.
Por que é possível ir para uma pizzaria, churrascaria
no Brasil e comer de forma extravagante pagando preços módicos?
Porque aqueles que lá
trabalham, o pizzaiolo, o churrasqueiro têm remunerações
extremamente baixas.
O que chama atenção
é que viabilizar e internalizar esse padrão de consumo
é somente possível com uma brutal concentração
de renda, com um sistema tributário que concentra renda, que
tira dos pobres e dá para os ricos e com um Estado que se organizou
para atender fundamentalmente os ricos, o andar de cima da sociedade,
como dizia Milton Santos.
Esse andar de cima tem tudo.
Tem banco público, tem sistema de tecnologia, tem compras públicas,
ou seja, montou- se uma estrutura para sustentar os de cima. Isso não
é uma experiência exclusivamente brasileira, mas talvez
chegamos a maior sofisticação. (Fonte: Caros Amigos, na
Contee)
Clique aqui
e leia íntegra da entrevista.
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FOLHA
DE SÃO PAULO, 18 de setembro de 2009 | Dinheiro
LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS
A volta da inflação em 2010
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Não teremos, como antes, saltos discretos da inflação,
mas sim um movimento suave e continuado
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O TEMA da coluna de hoje certamente
vai reforçar a visão negativa que muitos têm sobre
os economistas. Mesmo correndo esse risco, não posso deixar de
alertar o leitor da Folha para uma armadilha que pode ocorrer ainda
na primeira metade de 2010: a aceleração da inflação
como ameaça ao céu de brigadeiro na economia.
Parece coisa de neurótico falar dos riscos da inflação
em um mundo que vive uma difícil convalescença recessiva.
Na maioria das economias -sejam elas do Primeiro Mundo ou do mundo emergente-
temos ainda uma recuperação muito tímida da atividade
econômica. Nos casos norte-americano e inglês, os riscos
de uma volta a um quadro recessivo -"double dip"- são
ainda reais.
Por isso, a maioria dos bancos centrais reafirmou nas últimas
semanas que suas políticas de acomodação monetária
vão continuar por um tempo ainda longo. Em resposta, os mercados
de juros têm operado nos níveis mais baixos dos últimos
meses.
Mas o Brasil é uma exceção à regra. Os últimos
dados de emprego divulgados são a prova mais recente de uma economia
com grande exuberância. Eu e meus colegas da Quest -certamente
um dos grupos do mercado financeiro mais otimistas com o futuro- fomos
surpreendidos pela geração de empregos formais no mês
de agosto passado. Por esse motivo revimos -mais uma vez- nossas projeções
para o crescimento no próximo ano. O número de 6% ao ano
hoje é realista.
Poderemos viver a partir da primeira metade de 2010 uma dinâmica
de crescimento próxima à verificada entre 2007 e outubro
de 2008: um consumo vigoroso, sustentado por uma massa salarial que
cresce pela adição de emprego e pelo crescimento real
dos salários, por uma queda importante nas taxas de juros e pela
normalização do mercado de crédito, com redução
do "spread" cobrado pelos bancos. Esse movimento estará
associado a uma tentativa das instituições privadas de
recuperar o espaço perdido para os bancos públicos nos
últimos meses.
Não tenho dúvida sobre a volta dos investimentos em 2010,
pois as empresas brasileiras não vão correr novamente
o risco de perder mercado para as importações. Apenas
as exportações não devem repetir no ano que vem
o papel de importante fonte de crescimento interno. Parte significativa
do mundo exterior ainda estará em período de convalescença
e de baixo dinamismo.
Mas em seu lugar teremos o estímulo representado pelos gastos
do governo, que estarão em níveis bem superiores aos do
período pré-crise de 2008. Não acredito que -depois
de ter provado as delícias do aumento dos gastos públicos-
o governo Lula voltará à disciplina fiscal anterior. Ainda
mais em um ano de acirrada disputa eleitoral. Sou velho demais para
acreditar em Papai Noel.
Nesse cenário, vamos voltar a viver tensões inflacionárias
a partir, principalmente, do mercado de trabalho. Como esse é
no Brasil do real forte o mais importante canal de transmissão
da inflação, os riscos parecem reais -e não imaginários.
Não teremos, como no passado, saltos discretos nas taxas de inflação
-esse tempo ficou realmente para trás-, mas sim um movimento
suave e continuado, que pode ter início na primeira metade de
2010. Se isso ocorrer, certamente a reação dos mercados
futuros de juros será mais forte do que a vista até agora,
mesmo considerando que os preços de hoje já contemplem
um aumento importante da taxa Selic ao longo de 2010.
LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS,
66, engenheiro e economista, é economista-chefe da Quest Investimentos.
Foi presidente do BNDES e ministro das Comunicações (governo
Fernando Henrique Cardoso).
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FOLHA DE SÃO PAULO,
18 de setembro de 2009 | Dinheiro
OCDE prevê desemprego e "geração
perdida"
Entidade estima que o impacto da crise sobre
o mercado de trabalho pode custar 25 mi de vagas, afetando mais os jovens
| Nos 30 países-membros da entidade, o desemprego juvenil médio
atingiu 17% em julho, ante 8,5% entre a população em geral
LUCIANA COELHO
DE GENEBRA
A crise atual pode custar, até
o fim do próximo ano, mais 10 milhões de empregos nos
países ricos e deixar como impacto duradouro uma "geração
perdida" para o mercado de trabalho, alertou a OCDE (Organização
para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico).
O grupo, que reúne 30 países ricos e que recentemente
anunciou a estabilização de suas economias, fez uma análise
lúgubre sobre o emprego.
Além de chamar a atenção para os altos índices
entre os jovens, estimou que o impacto da crise econômica sobre
o mercado de trabalho pode chegar a 25 milhões de postos cortados
-o que significa prever que mais 10 milhões percam o emprego
até o fim do ano que vem, já que a entidade calcula que
15 milhões de vagas tenham sido suprimidas desde o fim de 2007.
Além disso, a entidade chamou a atenção para o
crescimento voraz do índice entre os jovens. Na média
entre os membros da entidade, o desemprego juvenil bateu em 17% em julho,
ante 8,5% entre a população em geral -este último,
o índice mais alto desde a Segunda Guerra Mundial. Em países
como a Espanha, 1 em cada 3 pessoas entre 14 e 16 anos não tem
emprego.
"O maior risco é criar uma "geração perdida",
sem contato com o mercado real de trabalho", disse à Folha,
por telefone, Stefano Scarpetta, chefe da divisão de emprego
da OCDE.
Sem
estímulo
Ele alerta para a formação de um círculo vicioso,
no qual os jovens não conseguem emprego ao tentarem entrar para
o mercado e acabam saltando de um bico para outro. Depois, são
rejeitados exatamente pela falta de experiência.
"Eles ficam desestimulados. O desemprego nessa fase da vida pode
ter efeito duradouro sobre o indivíduo, que perde as esperanças",
disse Scarpetta.
O resultado é a condenação ao subemprego, como
ocorreu durante a desaceleração econômica japonesa
nos anos 90. O relatório da OCDE fala em uma geração
"sem contato com o mercado de trabalho".
Embora o índice de desemprego entre os mais jovens seja tradicionalmente
mais alto do que entre a média da população, Scarpetta
afirma que a crise o fez avançar muito mais rapidamente do que
para os demais por dois motivos: 1) os jovens normalmente trabalham
com contratos temporários, e, dessa forma, são os primeiros
a serem cortados em tempos de escassez; 2) as turbulências tornam
os empregadores mais seletivos, e a inexperiência vira um ônus
maior.
A entidade exorta os governos a investir em programas para coibir o
avanço do problema, oferecendo subsídios a empregadores
que aceitem contratar aprendizes e estagiários. Como exemplo,
Scarpetta cita programas que já existem na França, no
Reino Unido e na Austrália.
Fantasma
O discurso da OCDE bate de frente com o otimismo que tem tomado boa
parte dos discursos nessa fase de incipiente recuperação
econômica. Para o grupo, embora a retomada "esteja à
vista, ela deve ser modesta ainda por algum tempo".
Com as taxas batendo recorde em suas séries históricas
neste primeiro aniversário da crise, o desemprego tem sido frequentemente
citado por governos europeus e organismos multilaterais como o principal
fantasma da recuperação.
"O emprego é a base da crise atual. É crucial que
os governos foquem em ajudar, nos próximos meses, os que procuram
trabalho", afirmou Angel Gurría, secretário-geral
da OCDE, ao apresentar o relatório. Ele exortou os governos a
adotar políticas coordenadas e a não ignorar o problema
no mundo em desenvolvimento.
Se confirmada a projeção da OCDE, o desemprego chegará
a 10% no final do ano que vem, o que significa um contingente de 57
milhões sem trabalho só nos países do grupo. Até
agora, os países mais atingidos são a Espanha, a Irlanda
e os EUA.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
18 de setembro de 2009 | Dinheiro
Setor Imobiliário
Construção de casas volta
a crescer nos EUA
A construção de
residências nos EUA (um importante termômetro da recuperação
da economia do país) cresceu 1,5% em agosto em relação
ao mês passado, quando havia se retraído em 1,1%. Na comparação
com agosto de 2008, no entanto, houve recuo de 29,6%, mostrando que
há um longo caminho para a retomada do setor.
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AGÊNCIA DIAP, 18 de
setembro de 2009
Fies: projeto de lei dá direito
de pagar ensino superior com trabalho
Estudantes de medicina e das licenciaturas que recorreram ao Fundo de
Financiamento Estudantil (Fies) para conseguir o diploma de ensino superior
poderão abater 1%, a cada mês, sobre o saldo devedor se
aceitarem lecionar na rede pública de ensino ou atender pacientes
que participam do programa Saúde da Família.
O benefício, aprovado
pelo plenário da Câmara dos Deputados, na última
terça-feira (15), deve ser calculado a cada 12 meses, depois
de um período mínimo de um ano de trabalho. Pela proposta,
durante o tempo da concessão do desconto, os universitários
não precisarão pagar a prestação devida.
A possibilidade de trocar trabalho
pelo desconto pode beneficiar exatas 108.172 pessoas de todo país,
sendo 8.134 graduandos da área de saúde e outros 100.038
da parte educacional.
O Ministério da Educação
(MEC) não tem estimativas por unidade da federação,
mas sabe-se que 13.513 alunos do Distrito Federal, de todos os cursos,
têm contratos ativos com o fundo.
Líder do movimento Fies
Justo, Daniela Pellegrini comemora, em parte, a aprovação
do projeto pela Câmara.
"É bom somente para
os novos contratos que serão fechados. Entretanto, os estudantes
que já se formaram e ainda estão pagando as prestações
não serão beneficiados em nada por essa proposta",
critica a representante dos universitários que recorreram ao
fundo.
Autor do projeto de Lei 4881/09,
texto-matriz que engloba outros projetos apensados e que muda as regras
do Fies, o deputado Gilmar Machado (PT-MG) lamentou o fato de o substitutivo
não ter incluído o mesmo desconto aos enfermeiros e dentistas.
"Mesmo com essa baixa,
foi uma vitória para os professores e médicos de todo
o Brasil", observou. Apesar de ser do mesmo partido e estado do
autor da proposta, o relator, deputado Reginaldo Lopes (PT/MG), decidiu
excluir os futuros profissionais das duas carreiras da área de
saúde.
No caso dos alunos de cursos
de licenciatura, o benefício só pode ser usufruído
para quem aceitar ministrar aula na rede pública de educação
básica e cumprir jornada mínima de trabalho de 20 horas
por semana.
As condições estabelecidas
aos médicos recém-formados preveem que devem atuar em
áreas com deficit de pessoal, de acordo com projeções
do Ministério da Saúde.
Outra mudança prevista
no projeto é a redução dos juros do financiamento
do Fies de 6,5% para 3,5% ao ano, definida pelo Conselho Monetário
Nacional (CMN), e válida para todos os cursos.
A proposição estabelece
ainda que o prazo final para encerrar a dívida se elevará
para até três vezes o tempo do curso, ante duas vezes o
tempo de permanência na faculdade.
Ainda
falta o Senado
Aprovado em conjunto com outros projetos anexados, incluindo o PL 5.413/09,
do Executivo, o PL 4.881/09, do deputado Gilmar Machado (PT/MG) e relatada
pelo deputado Reginaldo Lopes, também petista de Minas Gerais,
segue agora para o Senado.
A expectativa é
que seja aprovada até o fim do ano. (Fonte: Correio Braziliense)
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UOL NOTÍCIAS, 18
de setembro de 2009
CPF, identidade, passaporte e outros documentos
passarão a ter número único
Da Agência Brasil
e Agência Senado
Os documentos de identificação do brasileiro, entre eles
a carteira de identidade, o passaporte e o CPF passarão a ter
um único número. O projeto de lei que determina a mudança
foi aprovado ontem (16) pelo Senado e segue para sanção
presidencial.
Pelo projeto, os documentos terão o mesmo número do Registro
da Identidade Civil (RG), à medida que forem sendo expedidos.
Isso inclui o passaporte e, ainda, a Carteira de Trabalho e Previdência
Social (CTPS) e a Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Segundo o senador Almeida Lima
(PMD-SE), relator do projeto na Comissão de Constituição,
Justiça e Cidadania (CCJ), o uso do mesmo número da identidade
em todos os documentos dificultará a ocorrência de fraudes
e pode aperfeiçoar o sistema de identificação civil.
O projeto também determina
que o tipo e o fator sanguíneo do cidadão seja informado
no documento de identidade. Se o titular for portador de alguma deficiência
física também pode pedir para que a informação
seja incluída na carteira.
Almeida Lima argumenta que a
informação sobre o tipo e o fator sanguíneo na
carteira de identidade pode facilitar o atendimento médico emergencial.
Já a declaração de deficiência física,
segundo o senador, poderá criar facilidades ao titular do documento
e evitar transtornos, especialmente na utilização do transporte
público, "pois determinadas deficiências, como a auditiva
ou a visual, podem não ser constatadas de maneira tão
clara como outras mais evidentes".
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FOLHA DE SÃO PAULO,
18 de setembro de 2009 | Brasil
Temer cobra aliança nacional rápida
e quer a vice de Dilma
Presidente licenciado do PMDB diz que PT precisa
definir logo se haverá união para eleição
de 2010
KENNEDY ALENCAR
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente da Câmara,
Michel Temer (SP), cobrou do PT e do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva uma definição rápida sobre uma aliança
nacional com o PMDB para apoiar em 2010 a eventual candidatura presidencial
da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). Temer também disse que
a vaga de vice deve ser do PMDB.
"É fundamental que o PT e o presidente definam logo se vai
haver uma aliança nacional com o PMDB para disputar a Presidência.
Se houver essa decisão, o PMDB tem de ter a vice", disse
Temer ontem à Folha. Presidente licenciado do PMDB, ele comanda
o partido na prática.
O próprio Temer é hoje o peemedebista mais cotado para
ser vice de Dilma. Com menos cacife, são aventados também
os ministros Hélio Costa (Comunicações), com base
política em Minas, e Nelson Jobim (Defesa), do PMDB gaúcho.
Segundo Temer, se o PT e Lula não fecharem logo uma aliança
com o PMDB nacional, esse plano poderá ser inviabilizado. "Se
deixar para janeiro e fevereiro do ano que vem, pode não dar
certo."
O presidente da Câmara disse que o processo eleitoral foi antecipado
e que peemedebistas e petistas já estão fazendo planos
para candidaturas majoritárias nos seus Estados (governador e
duas vagas para o Senado). Na visão dele, quanto mais demorar
para o PT e o PMDB se acertarem nacionalmente, maior dificuldade haverá
para composições. "Daqui a pouco, tem muito fato
consumado nos Estados. Aí pode complicar a aliança nacional."
Pela primeira vez, Temer reagiu às críticas que o PMDB
recebe do deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE), potencial candidato
a presidente ou a vice de Dilma (esta hoje uma hipótese menos
provável). Ciro diz que o PMDB é "o que tem de pior
na política brasileira". Diz que o PT entregou ao PMDB "a
hegemonia moral e intelectual" da aliança de apoio a Lula,
o que contrariaria a ética política.
"Apesar de não ter relacionamento pessoal com Ciro, tenho
respeito por ele e uma boa relação política. Mas
acho injusto esse tipo de crítica, porque generaliza e dá
a entender que deseja afastar o PMDB do PT para ser vice [de Dilma].
E, na hipótese de ele vir a ser vice, com essas críticas
ao PMDB, não haverá como o partido apoiar a aliança",
disse Temer.
Lula ainda sonha com a possibilidade de Dilma ser candidata única
do seu campo de forças, apesar de ter crescido a probabilidade
da candidatura de Ciro. No desejo ideal do presidente, Ciro seria vice
de Dilma com apoio do PMDB. No entanto, o PMDB não aceita.
Daí Lula estar resignado a bancar a aliança PT-PMDB para
apoiar Dilma na eleição de 2010. O presidente avalia que
será vital para a candidatura o tempo de TV e rádio peemedebista
no horário eleitoral gratuito. O enraizamento nacional do PMDB
também é contabilizado como um trunfo.
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O ESTADO DO PARANÁ,
18 de setembro de 2009 | Política
Presidente fala de preconceito
durante posse de desembargador em Curitiba
Roger Pereira
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou a posse do
procurador Ricardo Tadeu Marques da Fonseca como desembargador do Tribunal
Regional do Trabalho (TRT) da 9.ª Região (PR) para fazer
um discurso contra o preconceito.
Lula, que esteve em Curitiba,
ontem, para prestigiar a posse do primeiro magistrado cego do País,
lembrou que também foi vítima de preconceito, mas destacou
que o Brasil é exemplo de luta contra a discriminação.
"Talvez a minha deficiência
seja de origem diferente da do desembargador Ricardo Tadeu, a minha
é a deficiência intelectual. Mas como o Paraná dá
exemplo ao empossar o primeiro juiz cego, o Brasil também deu
exemplo ao eleger o primeiro presidente da República sem diploma
universitário", declarou.
Lula comparou sua trajetória
à do novo desembargador, que há 10 anos foi reprovado
no concurso para juiz no TRT de São Paulo por conta da deficiência.
"Foi reprovado porque entenderam que ele não poderia ler
e nem identificar as expressões dos réus e testemunhas,
mas esqueceram que ele compreende a variação vocal de
um depoimento com muito mais facilidade que os que enxergam. Afinal,
não é preciso ter a visão perfeita para se enxergar
a verdade e a justiça", declarou.
Lula lembrou que o Brasil incorporou
o tratado da Organização das Nações Unidas
(ONU) sobre inclusão de pessoas com deficiência como texto
constitucional. "Criamos uma agenda social de inclusão,
para essa parcela de 14,5% da população brasileira. E
uma das principais preocupações é com o acesso
dessas pessoas ao mercado de trabalho", disse.
Lula, que alegou nunca participar
de posses de desembargadores fora de Brasília, comentou que fez
isso pela primeira vez "pelo simbolismo da conquista, pela mensagem
que o TRT do Paraná está dando de que não existe
espaço para preconceito".
Ele comparou a nomeação
de Ricardo Tadeu com a indicação de Joaquim Barbosa como
o primeiro ministro negro do Supremo Tribunal Federal (STF). "Mas
o preconceito segue muito forte e aparece no anonimato do cotidiano,
de forma sutil. Quem tem preconceito talvez não saiba que ele
sim é o portador de uma doença", afirmou.
"Vejam, no início
de mandato, o presidente (Barack) Obama recebe quatro vezes mais ameaças
de morte que o (George W.) Bush recebia. Por que? Por puro preconceito,
porque é negro. No país mais rico do mundo (os Estados
Unidos), o preconceito ainda está nesta proporção,
imagina no Brasil".
O desembargador Ricardo Tadeu,
que foi indicado por Lula a partir de uma lista tríplice enviada
pelo TRT, agradeceu a confiança do presidente "que não
se ateve a minha limitação e sim a minha capacidade".
O novo desembargador classificou
o momento como um júbilo. "A aceitação de
um cidadão cego como desembargador deste tribunal representa
um fato histórico. Representa que a sociedade brasileira está
um pouco menos deficiente", declarou.
Lula, que desembarcou no final
da tarde em Curitiba e antes da posse no TRT participou do lançamento
de uma medalha em comemoração ao centenário do
Coritiba Football Club, não falou com a imprensa em nenhum momento
de sua visita à capital paranaense.
O senador Osmar Dias (PDT),
que viajou com o presidente, disse que ele não conversou com
ninguém sobre política. "Falou de questões
do Paraná, de economia, de agricultura. Sugeri a indicação
do Fachin (jurista paranaense Luiz Edson Fachin) para a vaga no Supremo
Tribunal Federal", disse.
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AGÊNCIA CÂMARA,
18 de setembro de 2009
Câmara libera internet nas campanhas
eleitorais
Candidatos poderão usar a rede mundial
de computadores para pedir votos e arrecadar recursos. Texto aprovado
deixa claro que não haverá censura na internet.
Luiz Alves
O Plenário aprovou, nesta
quarta-feira, as três emendas do Senado sobre as campanhas eleitorais
na internet incluídas no Projeto de Lei 5498/09. A principal
delas explicita que a manifestação do pensamento por meio
da internet é livre, vedado o anonimato durante as campanhas.
Entretanto, fica assegurado o direito de resposta. A manutenção
do texto foi definida em acordo entre líderes do Senado e da
Câmara, com o objetivo de deixar claro que não haverá
censura na rede mundial de computadores. O projeto segue agora para
sanção presidencial.
O deputado Flávio Dino
(PCdoB-MA), relator da matéria pela Comissão de Constituição
e Justiça e de Cidadania (CCJ), disse que a rejeição
da grande maioria (64 das 67) das emendas mantém o pacto político
feito quando o projeto foi votado na Câmara. "O texto da
Câmara é bom, mas o do Senado explicita pontos que esclarecem
melhor o uso da internet para evitar a interpretação de
que haveria censura", afirmou.
Os candidatos poderão
usar a internet para fazer propaganda ou para arrecadar recursos, inclusive
por meio de cartão de crédito. Entretanto, é proibida
a propaganda paga.
A autoria do projeto é
atribuída ao deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), o primeiro
dos líderes que assinaram o texto elaborado por um grupo de trabalho
criado em junho pelo presidente Michel Temer. O grupo foi coordenado
por Flávio Dino.
Prazo
curto
A rapidez na aprovação decorre do prazo curto para publicação
do futuro texto, que termina no dia 3 de outubro, um ano antes das próximas
eleições. O presidente da República tem 15 dias
para sancionar o projeto.
O presidente Michel Temer cumprimentou
todos os líderes e ressaltou que "esta foi uma noite muito
próspera para a Casa". Ele também agradeceu ao presidente
do Senado, José Sarney, por ter mandado rapidamente o projeto
para a Câmara. "O consenso em torno do texto nos permitiu
elaborar uma lei eleitoral em substituição às repetitivas
normas do TSE sobre o assunto", afirmou Temer.
Propaganda
na véspera
Outra emenda do Senado aprovada permite a propaganda eleitoral gratuita
na internet - seja em site eleitoral, blog ou outros meios eletrônicos
de comunicação - nas 48 horas que antecedem o pleito ou
nas 24 horas posteriores. A proibição existe no Código
Eleitoral para a propaganda nas rádios, na televisão,
em comícios ou em reuniões públicas.
Propaganda
irregular
A Câmara aprovou, também, emenda que acaba com o prazo
de 24 horas para o provedor de internet retirar propaganda considerada
irregular por decisão da Justiça Eleitoral. O prazo agora
será determinado pela própria Justiça; se não
atender à notificação, o provedor poderá
ser multado.
Porém, ele somente será
considerado responsável pela divulgação da propaganda
se for comprovado que tinha conhecimento prévio da publicação
do material.
Documento
com foto
O texto que irá a sanção obriga o eleitor a apresentar
um documento com a sua fotografia no momento do voto, para coibir fraudes.
O eleitor não poderá levar para dentro da cabine de votação
telefone celular, máquinas fotográficas ou filmadoras.
O projeto facilita iniciativas
de apoio a campanhas, como a cessão de uma casa para o funcionamento
de um comitê de candidato. O texto fixa em R$ 50 mil o valor,
calculável em dinheiro, da doação relativa ao uso
de bens móveis ou imóveis de pessoa física para
um candidato ou partido. O limite atual é de 10% dos rendimentos
brutos no ano anterior ao das eleições.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
18 de setembro de 2009 | Brasil
Doações são problema
em lei eleitoral, diz TSE
Ayres Britto afirma que projeto de lei da reforma
eleitoral não investiu em mecanismos para coibir caixa dois e
doação oculta | Para ministro, "o trabalho da Justiça
Eleitoral vai ficar extremamente dificultado", porque não
será possível "seguir caminho do dinheiro"
FELIPE SELIGMAN
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente do TSE (Tribunal
Superior Eleitoral), ministro Carlos Ayres Britto, afirmou ontem que
"continuou faltando transparência", depois da aprovação
do projeto de lei de reforma eleitoral no Congresso, anteontem à
noite. Em sua avaliação, alguns aspectos do projeto não
contemplaram a jurisprudência da corte.
Britto critica a parte do projeto que permite que os doadores repassem
o dinheiro aos partidos políticos, evitando que a doação
seja vinculada a algum candidato. É uma forma de doação
oculta, já que a sigla recolhe o recurso e repassa ao político,
sem identificar a origem.
"O trabalho da Justiça Eleitoral ficou extremamente dificultado.
Queríamos uma lei que nos possibilitasse fazer um caminho seguido
pelo dinheiro, desde o primeiro doador até o último destinatário",
disse Ayres Britto. "Esperávamos que a lei investisse em
mecanismos coibitivos de caixa dois e doação oculta. Continua
faltando transparência", afirmou o presidente do TSE.
A Câmara dos Deputados aprovou anteontem o projeto de reforma
eleitoral, que havia sido alterado pelo Senado. Do texto que chegou
dos senadores, foi mantida a parte que libera a cobertura eleitoral
pela internet, com exceção dos debates. Os deputados,
porém, rejeitaram propostas que buscavam reduzir o poder da máquina
pública no favorecimento de candidatos.
Com o final das votações, a nova lei eleitoral segue para
sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Para valer já nas eleições do ano que vem, o texto
deve ser publicado até o próximo dia 2 de outubro no "Diário
Oficial da União".
Britto elogiou o que chamou de "avanço" na internet.
"Nós não queríamos que a internet passasse
por censura prévia. Ou que a internet recebesse um tratamento
que dificultasse a participação dos internautas na vida
política do país."
Mas lamentou o fato de que os debates organizados por sites deverão
seguir as mesmas regras válidas hoje para TVs e rádios,
que são concessões públicas. "Achamos que
qualquer analogia cabível só poderia ser com a mídia
impressa, porque o espaço de liberdade é muito maior,
inclusive para posicionamentos a favor de determinadas candidaturas,
ou contra", argumentou.
"A comparação da internet com mídias que dependem
da concessão do poder público prejudica esse dinamismo
que queremos para o processo."
Retrocesso
Britto e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, criticaram a previsão
do voto impresso. O presidente do TSE afirmou que tal mecanismo é
um "retrocesso". Jobim, que também já foi presidente
do tribunal, disse ser algo "injustificável" e afirmou
que vai propor ao presidente Lula o veto.
"O retorno ao texto [do voto impresso] é injustificável.
Vou sugerir ao presidente que seja retirado. No mais, a reforma foi
um avanço", afirmou Jobim, na manhã de ontem. "O
voto impresso para nós foi um retrocesso. Temos que lamentar.
Quando testado em 2002, resultou em atraso de votação,
no atolamento das máquinas impressoras. O voto impresso onera
a eleição", completou Carlos Ayres Britto.
O projeto de lei da reforma eleitoral foi aprovado pela primeira vez
na Câmara no início de julho. O Senado fez 67 emendas,
obrigando o texto a retornar para os deputados para uma votação
final. Mas poucas foram aceitas na Câmara.
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CONGRESSO EM FOCO, 18 de
setembro de 2009
Mulheres poderão ter mais espaço
no Congresso
Comissão aprova por unanimidade representação
feminina proporcional na composição das mesas diretoras
e comissões da Câmara e do Senado
Rodolfo Torres
Por unanimidade, a comissão
especial da Câmara criada para analisar a Proposta de Emenda à
Constituição 590/06 aprovou nesta quinta-feira (17/09)
relatório que garante representação proporcional
de mulheres na composição das Mesas Diretoras da Câmara
e do Senado, além das comissões das Casas. A matéria
ainda precisa ser analisada no plenário da Câmara para,
a partir de então, seguir para o Senado.
A proposta é de autoria
da deputada Luiza Erundina (PSB-SP), que destaca a ausência de
mulheres na Mesa Diretora da Câmara. “As mulheres são
mais de 50% da sociedade e dos eleitores brasileiros”, afirma
Erundina.
A parlamentar paulista lembra
que a inovação atende ao princípio da isonomia.
“Procuramos assegurar que as casas legislativas observem dois
princípios basilares em seu funcionamento interno: a representação
proporcional dos partidos políticos e a representação
proporcional dos sexos, tanto nas mesas diretoras como nas comissões
permanentes e temporárias”, complementa.
No Senado, duas mulheres
compõem a Mesa: Serys Slhessarenko (PT-MT), segunda vice-presidente;
e Patrícia Saboia (PDT-CE), na Quarta Secretaria da Casa. Na
Câmara, não há nenhuma mulher na Mesa Diretora.
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O ESTADO DO PARANÁ,
18 de setembro de 2009 | Política
Estudo mostra que não há
controle nas Assembleias
Redação
Estudo realizado pela ONG (Organização Não Governamental)
Transparência Brasil revela que as assembleias legislativas do
País escondem informações a respeito dos salários
e benefícios dos deputados estaduais e distritais e que os órgãos
que deveriam monitorar tais atividades - Tribunal de Contas e Ministério
Público - se eximem da responsabilidade na quase totalidade dos
casos.
A entidade enviou ofícios
a casas legislativas, tribunais de contas e ministérios públicos
de todos os estados e do Distrito Federal solicitando informações
a respeito dos salários e benefícios diretos e indiretos
recebidos pelos deputados estaduais e distritais.
Dois meses após envio
dos ofícios, apenas 33 das 81 consultas acusaram o recebimento
das solicitações. Além disso, nem todas as respostas
esclareceram as dúvidas levantadas.
Partindo das 33 respostas, a
organização só teve acesso aos dados de oito casas
legislativas. Em consulta aos sites de internet das assembleias, recolheu
informações sobre outras duas. Após dois meses
de insistência, obteve informação sobre dez das
27 assembleias.
O coordenador de projetos da
Transparência Brasil, Fabiano Angélico, considerou a falta
de resposta um "descaso tremendo" por parte dos órgãos
públicos. "Os responsáveis não estão
cumprindo suas obrigações", alegou.
O estudo recorda que a Constituição
determina que, entre as funções do Tribunal de Contas
da União (TCU), está a de "julgar as contas dos administradores
e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos".
O estudo conclui que "sem
prestação de contas, sem transparência, sem o controle
horizontal (que deveria ser efetuado por outros órgãos
públicos, como o Tribunal de Contas) e sem o controle vertical
(que deveria ser efetuado pelo eleitor, que não tem condições
de fazê-lo por falta de informações), resta imaginar
o que os integrantes da maioria das assembleias legislativas fazem com
o dinheiro que manipulam".
Entre as informações
colhidas, alguns dados ganham destaque no estudo. Na Câmara Legislativa
do Distrito Federal, por exemplo, cada parlamentar tem direito a quase
R$ 100 mil por mês para pagar "assessores".
Na Assembleia do Rio de Janeiro,
cada deputado pode gastar até R$ 3 mil ao mês em telefonemas
e R$ 2 mil em combustível. Os recursos a que tem direito um deputado
estadual do Ceará equivalem à riqueza média produzida
por 80 habitantes do estado. Na Assembleia do Rio Grande do Norte, a
verba "indenizatória", uma espécie de ajuda
de custo recebida por cada parlamentar, é de R$ 24 mil ao mês.
No item relativo a Assembléia
Legislativa do Paraná, a entidade encontrou informações
consideradas insuficientes no Portal da Transparência. "Não
há informações sobre despesas com viagens, por
parlamentar. Há dados sobre uso de verba indenizatória,
mas a informação se limita a agosto de 2009", diz
o texto do estudo. O Portal da Assembleia entrou em atividade somente
em agosto passado.
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FOLHA DE SÃO PAULO
(ON LINE), 18 de setembro de 2009 | Dinheiro
Metalúrgicos fazem greve e bancários
ameaçam parar
do Agora
da Folha de S.Paulo
Cerca de 40 mil metalúrgicos
do ABC entraram em greve ontem por tempo indeterminado após recusarem
proposta de reajuste salarial de 5,2%, considerada inferior ao esperado.
A categoria quer 2% de aumento
real de salário mais 4,4% de inflação e abono equivalente
a 40% do salário médio.
"Vamos cruzar os braços
até que as empresas assumam compromisso com essa proposta",
afirmou Sérgio Nobre, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos
do ABC. Na região, apenas funcionários das montadoras
fecharam acordo, com aumento de 6,53%.
Em Itu (103 km de São
Paulo), cerca de 5.000 trabalhadores das indústrias de autopeças
e máquinas pararam as atividades ontem por uma hora.
Os bancários também
ameaçam entrar em greve por tempo indeterminado a partir da próxima
quinta. Ontem, o comando nacional da categoria rejeitou, em negociação
com os bancos, proposta de 4,5% de reajuste feita pela Fenaban (Federação
Nacional dos Bancos) a 415 mil bancários do país.
Eles pedem reajuste de 10% e
PLR de três salários mais R$ 3.850 fixos.
A assembleia dos trabalhadores
será realizada no dia 23, em São Paulo, para definir sobre
a greve caso a Fenaban não apresente nova proposta.
"Os banqueiros perderam
mais uma chance para buscar um acordo na mesa de negociação,
ao apresentar um reajuste que não prevê aumento real de
salários e PLR menor do que no ano passado, apesar de se manterem
entre os setores mais lucrativos do país", disse Luiz Cláudio
Marcolino, presidente do Sindicato dos Bancários de São
Paulo, Osasco e Região e membro do Comando Nacional dos Bancários.
Correios
Depois de dois dias de greve,
2,1 milhões de correspondências já estão
com a entrega atrasada na Grande São Paulo.
A empresa diz que a zona postal
da região metropolitana recebe 7 milhões de correspondências
por dia.
Em assembleias realizadas ontem
em todo o país, os servidores rejeitaram a proposta de aumento
salarial de 9% que serviria para atender às reivindicações
deste ano e do ano que vem. Ou seja, não poderia haver campanha
salarial em 2010. Além disso, haveria mais um aumento linear
para todos de R$ 100 em janeiro de 2010.
O sindicato irá
apresentar uma nova contraproposta.
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CLICK PB, 18 de setembro de
2009
Irregularidade Trabalhista: MPT da Paraíba
prepara força-tarefa na construção civil
O Ministério Público
do Trabalho realizará ainda este ano, na Paraíba, a Força-tarefa
do Programa Nacional de Combate às Irregularidades Trabalhistas
na Indústria da Construção Civil. Os procuradores
do Trabalho Myllena Alencar, de Patos, e Cláudio Cordeiro Queiroga
Gadelha, de João Pessoa, serão os coordenadores da Força-tarefa.
Nas inspeções
a serem realizadas, serão abordadas principalmente questões
relativas ao meio ambiente do trabalho e às terceirizações
no setor. Em relação ao meio ambiente de trabalho, já
foi elaborado pelo MPT, através da Coordenadoria Nacional de
Defesa do Meio Ambiente do Trabalho (Codemat), o check list e a Notificação
Recomendatória, sendo o foco da investigação nacional
a atuação preventiva quanto a acidentes graves ou fatais
que acontecem com frequência em casos de quedas em altura, soterramentos
e choques elétricos.
A expedição prévia
das Notificações Recomendatórias visa alertar o
setor econômico da gravidade dos problemas de segurança
e saúde dos operários, bem como para identificar as obras
que serão inspecionadas futuramente.
Com relação às questões relativas à
precarização das relações de trabalho, foi
criada uma comissão no âmbito da Coordenadoria Nacional
de Combate às Fraudes Trabalhistas (Conafret) para tratar do
assunto.
Fonte:
MPT
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AGÊNCIA DIAP, 18 de
setembro de 2009
Comissão de Justiça aprova
indenização a sindicalista demitido por justa causa
A Comissão de Constituição e Justiça e de
Cidadania da Câmara aprovou, nesta quinta-feira (17), a obrigação
de o empregador indenizar o trabalhador, que for dirigente sindical,
demitido sob alegação de justa causa, não reconhecida
judicialmente.
A medida foi proposta pelo deputado
Fernando Ferro (PT/PE) no PL 5.710/01.
A proposta altera a Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT), e seu relator, deputado Zenaldo Coutinho
(PSDB/PA), ofereceu parecer pela constitucionalidade, juridicidade e
técnica legislativa, sem entrar na análise de mérito.
Aprovado em caráter conclusivo,
o projeto seguirá para análise do Senado, caso não
haja recurso para que seja votado pelo plenário.
Custo
de discriminar
De acordo com o projeto, a indenização será correspondente
ao dobro da remuneração devida durante todo o período
de afastamento, até a reintegração ou até
o final do período de estabilidade provisória.
Segundo o autor, o projeto,
na prática assegura estabilidade até um ano após
o fim do mandato sindical, porque a indenização força
a empresa a considerar o custo das atitudes discriminatórias.
A intenção
do projeto é evitar que as empresas aleguem alguma falta grave
para coibir a atividade sindical.
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
18/09/2009
Turma confirma prevalência de multa
de convenção coletiva sobre a da CLT
A Sexta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho rejeitou agravo de duas auxiliares de serviços gerais
de Minas Gerais, contratadas por empresas que prestam serviço
terceirizado de conservação e limpeza, contra a decisão
regional que negou a aplicação da multa prevista na CLT
em caso de atraso no pagamento das verbas rescisórias (artigo
477, parágrafo 8º), rejeitou a caracterização
de um único contrato de trabalho após a licitação
que permitiu o aproveitamento dos empregados de uma empresa pela outra
e também a queixa quanto à redução salarial.
O Tribunal Regional do Trabalho
da 3ª Região (MG) excluiu a multa celetista da condenação
após constatar que a convenção coletiva de trabalho
da categoria continha cláusula específica prevendo o pagamento
de multa pelo empregador nesta circunstância. Foi verificado ainda
que a multa normativa era mais benéfica que a prevista em lei.
O pedido de contrato único também foi rejeitado pelo Regional
porque, embora as duas moças tenham continuado a prestar serviços
para o mesmo tomador, sem solução de continuidade, houve
dois contratos distintos, celebrados com pessoas jurídicas diferentes
e ajustados às respectivas licitações e suas particularidades,
o que resultou na redução nos salários.
Com relação à
multa por atraso no pagamento de verbas rescisórias, o relator
do agravo no TST, ministro Aloysio Corrêa da Veiga, afirmou que
não procedem as alegações de que a convenção
coletiva de trabalho não prevê a exclusão da multa
do artigo 477 da CLT e de que a multa normativa é inferior à
multa legal. “O entendimento do Regional foi no sentido de prestigiar
os acordos e convenções coletivos pactuadas pelos sindicatos
profissionais e patronais. Não há de se falar em violação
legal, visto que a tese regional foi no sentido de que a multa prevista
em norma coletiva já contemplava a multa pela inobservância
do prazo legal, de modo que a aplicação da referida multa
implicaria a incidência do bis in idem”, afirmou o relator.
O ministro acrescentou que o
acórdão regional, ao aplicar a multa normativa, concedeu
a norma favorável ao empregado, de sorte que não há
como prosperar o argumento de que a decisão de segundo grau acarretou
prejuízo. A cláusula da convenção coletiva
de trabalho previa na rescisão do contrato, a quitação
das verbas rescisórias será efetuada dentro do prazo estabelecido
em lei (até o 1º dia útil imediato ao término
do contrato ou até o 10º dia, contado da notificação,
quando não houver aviso prévio), “sob pena de multa
do salário-dia do empregado, atualizado à época
do pagamento, para cada dia de atraso e em dobro, até a efetiva
quitação mais correção legal”. A multa
do artigo 477 da CLT prevê o pagamento do valor equivalente ao
salário do empregado. ( AIRR 1563/2007-025-03-40.4 )
(Virginia Pardal)
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18/09/2009
JT rejeita sucessão trabalhista em
área ocupada pelo MST
A Quinta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho (TST) não reconheceu os direitos de ex-empregado
de fazenda invadida pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST)
e desapropriada pelo Incra. Antes da invasão, a fazenda foi recebida
pelo então Banco do Estado do Paraná S.A (Banestado) como
pagamento de dívidas dos antigos proprietários, e repassada,
pelo mesmo motivo, ao Estado do Paraná, quando da privatização
da instituição financeira.
Como na decisão do Tribunal
Regional do Trabalho da 9ª Região (TRT-PR), em julgamento
anterior, a Quarta Turma do TST entendeu que, no caso, não ouve
a “sucessão” (continuidade do trabalho), porque a
fazenda ficou abandonada e sem atividade econômica desde o momento
em que houve a primeira transferência para o Banestado até
a invasão pelo MST.
“O Estado (do Paraná) nem mesmo tomou posse da propriedade
e já era de conhecimento público e notório que
ela havia sido invadida por membros do MST”, afirma a decisão
do TRT/PR. “Não houve, pois, a sucessão de empregados,
seja com os bancos Banestado ou Itaú (que comprou o primeiro)
ou com o Estado do Paraná.”
Em sua defesa, o trabalhador
rural alegou que haveria a continuação do contrato de
trabalho com a simples transferência do patrimônio da fazenda.
Não sendo assim, existiria o risco de prestigiar o crédito
das instituições financeiras em detrimento dos direitos
trabalhistas, que têm caráter alimentar.
Ao rejeitar (não conhecer)
recurso do ex-empregado, o ministro Emmanoel Pereira, relator do processo
na Quinta Turma do TST, ressaltou que, pelo abandono da fazenda após
a cessão ao Banestado, “sequer houve exploração
de empresa, não havendo como cogitar alterações
jurídicas”. Não existiria, no caso, violação
dos artigos 10 e 448 da Consolidação das Leis do Trabalho
(CL), que garantem a continuação dos contratos de trabalho
quando há qualquer alteração na estrutura jurídica
da empresa. ( RR-48/2002-093-09-00.3)
(Augusto Fontenele)
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18/09/2009
Intervalo para amamentação
não usufruído deve ser pago como hora extra
Sem ter usufruído dos
dois intervalos de trinta minutos para amamentação estabelecidos
pelo artigo 396 da CLT, uma bancária terá como compensação
o recebimento deste tempo como horas extras. Desde a primeira instância,
quando foi condenado, o Banco Santander (Brasil) S.A. tem recorrido
da decisão sem obter sucesso. Desta vez foi a Segunda Turma do
Tribunal Superior do Trabalho que rejeitou seu recurso.
O artigo 396 da CLT determina
que, para amamentar o próprio filho, até que complete
seis meses, a mulher tem direito, durante a jornada de trabalho a dois
descansos especiais, de meia hora cada um. O Tribunal Regional do Trabalho
da 4ª Região (RS) considerou que a empregada nessa situação
tem direito ao recebimento do salário integral, sem a prestação
de serviços no período. Ficou comprovado que a bancária
não gozou esses intervalos, pois, segundo o banco, ela não
tinha direito porque fazia jornada de seis horas.
A empresa alegou que o intervalo
para amamentação não poderia ser pago como hora
extra e apresentou decisão nesse sentido do TRT da 2ª Região
(SP), que adota entendimento de que o empregador, ao não conceder
intervalo, incide apenas em infração sujeita a multa administrativa.
Este posicionamento, por ser contrário ao do TRT/RS, mostra uma
divergência de julgados, o que acarretou o conhecimento do recurso.
No entanto, ao julgar o mérito, a Segunda Turma adotou a jurisprudência
do TST, que tem determinado o pagamento de hora extraordinária.
Ao relatar o recurso, o ministro Vantuil Abdala juntou precedentes nesse
sentido dos ministros João Oreste Dalazen, Brito Pereira e Aloysio
Corrêa da Veiga.
Em sua fundamentação,
o ministro Vantuil explica que a lei, ao conceder o intervalo para amamentação,
possibilita redução de jornada em uma hora, considerando-se
os dois períodos de trinta minutos. “Se não foi
respeitado esse período, tendo a empregada trabalhado quando
deveria amamentar seu filho, o trabalho nesse período deve ser
pago como extra”. Para a adoção desse posicionamento,
o relator fez uma comparação com a não-concessão
do intervalo para refeição, que também é
remunerado com acréscimo de 50%. (RR-92766/2003-900-04-00.5)
(Lourdes Tavares)
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18/09/2009
Sócio de empresa reclama direitos
trabalhistas e perde
O profissional contratado como
diretor de uma empresa, e sendo ainda seu sócio, tem direitos
trabalhistas a reclamar? Essa é a tese analisada em processo
julgado pela Sexta Turma e, posteriormente, pela Seção
Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior
do Trabalho. O relator na Sexta Turma, ministro Maurício Godinho
Delgado, negou provimento ao recurso de um ex-diretor da Primassit S/A,
que buscava o reconhecimento de direitos trabalhistas pelo tempo em
que atuou na empresa.
No processo inicial, ele alegou
ter sido contratado para exercer o cargo de diretor de tecnologia, no
qual teria permanecido durante pouco mais de um ano, com salário
de R$ 7 mil, metade dos quais eram pagos em ações. A empresa
defendeu-se, alegando que não havia vínculo de emprego,
na medida em que ele, além de sócio, atuava como “autêntico
empregador”. Essa argumentação foi reforçada
por provas documentais e pelo depoimento do próprio autor da
ação, que admitiu ser sócio da empresa e ter exercido,
de fato, atividades inerentes a esse cargo.
Na sentença inicial,
o juiz da 4ª Vara do Trabalho de Uberlândia, ao ressalvar
que a jurisprudência trabalhista não veda o reconhecimento
do vínculo de emprego de acionista, assinalou ser imprescindível
estar configurada a ausência ou não da subordinação
jurídica entre as partes para o reconhecimento do vínculo
trabalhista. No caso, além de comprovada sua condição
de sócio, o autor da ação atuava como autêntico
empregador, pois tinha poderes não apenas para admitir e dispensar
empregados, como também para administrar o negócio.
Após sucessivos recursos
ao Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (MG) em busca
de reverter esse entendimento, o autor da ação ajuizou
recurso de revista, cujo seguimento foi negado pelo TRT. Inconformado,
ele apelou ao TST, por meio de agravo de instrumento. Manteve os mesmos
argumentos anteriores, sustentando que não tinha poderes para
representar a empresa nem para desempenhar a gestão dos negócios
e que, além disso, teria subordinação aos diretores
e aos acionistas controladores da empresa.
O relator, ministro Maurício
Godinho Delgado, registrou que o Tribunal Regional deixou claro haver
provas suficientes de que, ao ocupar o cargo de diretor, ele tinha poderes
não apenas para admitir e demitir empregados, como também
para administrar o negócio. Em síntese, avalia Godinho
Delgado, o profissional contratado como diretor da entidade societária,
sendo ainda seu sócio, pode se enquadrar tanto na relação
jurídica não empregatícia (se assumir poderes incompatíveis
com a subordinação), quanto na relação de
emprego (quando configurada a subordinação nos termos
especificados na CLT). “Na primeira situação, o
diretor será efetivo órgão da sociedade; na segunda,
tenderá a ser mero ocupante de cargo de alta confiança”.
Após ressaltar que a
avaliação desse enquadramento jurídico iria requerer
a revisão das provas, o que é vedado pela Súmula
126 do TST, o ministro Godinho refutou outros argumentos apresentados
no recurso e negou provimento ao agravo de instrumento. Após
esta decisão, o ex-diretor vem interpondo sucessivos recursos
contra a decisão: embargos declaratórios à Sexta
Turma, embargos em agravo de instrumento à SDI-1 e, por último,
embargos declaratórios à SDI-1. Todos vêm sendo
rejeitados. ( ED-E-ED-AIRR 70/2003-104-03-40.0)
(Ribamar Teixeira)
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