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O ESTADO DO PARANÁ, 22 de setembro
de 2009 | Economia
Renda do trabalho explica queda de desigualdade
no País
Agência Estado
A renda do trabalho explica 66,86% da queda da desigualdade entre
2008 e 2001, de acordo com estudo do Centro de Políticas Sociais
(CPS) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O Bolsa
Família responde por 17%, a renda de previdência por
15,72% e as transferências privadas por 0,50%.
No período, os 10% mais
pobres da população brasileira tiveram aumento de renda
de 72,45%, enquanto para os 10% mais ricos esse crescimento de renda
foi de 11,37%.
O restante da população,
também dividido em grupos de 10%, mostrou maior alta da renda
quanto mais pobres eram. Para o economista-chefe do CPS, Marcelo Néri,
"esta é a década da redução da desigualdade
de renda".
Néri considera a renda
do trabalho superior a de transferências governamentais "até
para a satisfação pessoal" de quem recebe. Dentro
dos programas sociais, porém, ele defendeu o Bolsa Família
como o melhor para reduzir a desigualdade, porque atinge realmente os
mais pobres. Ele classificou o mercado interno e o Bolsa Família
como dupla de ataque contra a crise: "O Pelé é o
mercado interno e o Tostão é o Bolsa Família",
comparou.
Segundo pesquisa do CPS,
o Bolsa Família beneficia principalmente a classe E, enquanto
o reajuste do salário mínimo é melhor para a classe
D e a previdência, para a classe AB. Néri declarou-se contra
o aumento permanente do salário mínimo como o governo
pretende fazer, com a consolidação das leis sociais.
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GAZETA DO POVO, 22 de setembro
de 2009 | Economia
Mobilidade social
Em 6 anos, 32 milhões ascenderam
de classe
Renda gerada pelo trabalho foi o principal componente
para a diminuição da desigualdade, aponta estudo da FGV.
Bolsa Família também contribuiu para tirar famílias
da pobreza
Rio de Janeiro - O Brasil foi
palco de intensa mobilidade social entre 2003 e 2008, com 31,9 milhões
de pessoas subindo degraus na pirâmide, especialmente em direção
aos estratos mais altos. A classe AB, de renda familiar a partir de
R$ 4.807, foi a que mais cresceu nesse período. Os dados foram
compilados pelo Centro de Políticas Sociais (CPS) da Fundação
Getulio Vargas a partir do resultado da Pesquisa Nacional por Amostra
de Domicílios (Pnad) de 2008, divulgado na semana passada pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com o pesquisador
Marcelo Neri, a ascensão da classe média deveu-se basicamente
ao fator trabalho. O potencial de geração de renda familiar
cresceu neste período 28,32%, bem mais do que o crescimento de
14,98% do potencial de consumo. Por potencial de consumo entende-se
o acesso a bens, especialmente duráveis, como automóveis
e eletrodomésticos; a serviços públicos, condições
de moradia e tipo de família.
A migração social
estendeu-se também à base da pirâmide. Programas
de geração de renda, como o Bolsa Família, tiveram
grande influência na redução da classe E, a mais
baixa. Saíram dessa categoria social 19,5 milhões de brasileiros,
entre 2003 e 2008, o que corresponde a um enxugamento de 43%.
O resultado só não
apresentou uma melhoria maior devido a questões de cálculo.
Neri inclui a posse ou uso de celulares e computadores na rubrica de
investimento e não de consumo. “Isso explica uma parte
do aumento do potencial do produtor ter sido maior que o de consumo,
mas acho que computador e celular aumentam a produtividade”, explicou
o economista-chefe do CPS. Neri, que, por conta de dados anteriores,
esperava um crescimento do consumo superior ao da elevação
da renda, declarou-se surpreendido com o resultado.
Estabilização foi semente
Também entram no cálculo
estatístico fatores como a inserção no mercado
de trabalho; o nível de educação dos membros das
famílias; a matrícula dos filhos em escolas públicas
ou privadas, e o investimento em previdência. Na avaliação
de Neri, “sementes plantadas na década de 90, como a estabilização,
as reformas e o aumento do acesso à educação”
contribuíram para o aumento do potencial de geração
de renda pelas famílias nesta década.
Dois terços da queda
da desigualdade no país num período um pouco mais longo
– entre 2001 e 2008 – podem ser explicados, na avaliação
do economista, apenas pelo aumento da renda do trabalho. “Tudo
aponta mudanças na sociedade brasileira no sentido de que o valor
do trabalho está aumentando”, afirmou, disse o economista.
“Esta é a década da redução da desigualdade
de renda e do aumento do emprego formal.” Neri aponta que o Bolsa
Família, principal programa social do governo federal, contribuiu
com 17% para a melhoria no índice Gini, usado para medir a desigualdade.
Na avaliação da
economista Sônia Rocha, a melhora na escolaridade do trabalhador
começou a ter impacto na sua remuneração, o que
não ocorreu, segundo ela, no início da década.

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AGÊNCIA DIAP´,
22 de setembro de 2009
“Classe C” já representa
quase 50% da população brasileira, diz FGV
A Classe C continua crescendo e, em 2008, passou a representar 49,22%
da população brasileira, contra 37,56% em 2003, segundo
dados da pesquisa Consumidores, Produtores e a Nova Classe Média,
divulgado nesta segunda-feira (21) pela FGV (Fundação
Getulio Vargas).
No total, 91,76 milhões
de brasileiros tinham renda familiar mensal entre R$ 1.115 e R$ 4.807
no ano passado.
Em relação a 2007,
também houve crescimento, de 6,11%, já que o número
de pessoas nessa classe social no ano em questão era de 86,47
milhões, ou 46,9% da população do Brasil.
Regiões
Considerando os habitantes de cada região, a Classe C tem maior
representação no Sul, onde 60,9% das pessoas pertencem
a ela. Em seguida, aparecem o Sudeste, com 56,6% e o Centro-Oeste, com
52,1%.
Já o Nordeste possui
o menor índice de representação, de apenas 32,9%,
enquanto no Norte a porcentagem é de 42,7%.
No Paraná, a Classe C
chega a ser 61,5% da população, enquanto na região
metropolitana de São Paulo ela representa 57,6% do total. Pernambuco,
por sua vez, possui o menor índice, de 37,6%.
Demais
classes sociais
Considerando as outras classes sociais, em todo o Brasil, apenas a AB
também registrou crescimento nos últimos cinco anos, de
45,75%, passando de 13,3 milhões em 2003, para 19,4 milhões
no ano passado.
Em relação a 2007,
quando 17,9 milhões de pessoas tinham rendimento familiar acima
de R$ 4.807, o aumento foi de 8,4%.
Na classe D, com rendimentos
entre R$ 768 e R$ 1.115, houve redução de 3,16% no número
de pessoas, entre 2003 e 2008, passando de 46,88 milhões para
45,4 milhões. Na comparação do ano passado com
2007, a queda foi de 1,94%.
Já a classe E,
com renda familiar de até R$ 768, a queda foi mais intensa (-39,45%),
passando de 49,3 milhões em 2003 para 29,86 milhões no
ano passado. Já em relação a 2007, a redução
foi de 11,28%. (Fonte: InfoMoney)
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GAZETA DO POVO, 22 de setembro
de 2009 | Economia
Pesquisa
Mercado revê cenário e projeta
PIB estável
Após quase seis meses prevendo resultados
negativos, analistas financeiros revisaram para cima a expectativa de
crescimento em 2009
Brasília e São Paulo
- Os bons resultados da economia levaram o mercado a concordar com o
governo e prever que 2009 não terá recessão. Segundo
a pesquisa semanal Focus do Banco Central (BC), que ouve cerca de 80
instituições financeiras, o Produto Interno Bruto (PIB,
conjunto de bens e serviços produzidos no país) deste
ano deve fechar no zero a zero. Na semana anterior, a projeção
era de uma diminuição de 0,15%, sendo que, desde março,
o levantamento mostrava que os especialistas apostavam em um desempenho
negativo.
Para o governo, o PIB deve crescer
1% no período. O otimismo também foi refletido nas contas
de 2010, que passaram de 4% para 4,2% de crescimento, ainda segundo
o Focus.
A melhora das perspectivas veio
com a divulgação do resultado do segundo trimestre do
ano, com crescimento de 1,9% e melhor do que o esperado. Mas também
foi impulsionada pela divulgação de outros importantes
indicadores, como emprego e indústria, que estão mostrando
recuperação importante.
“O Brasil está
se consolidando como polo de atração de investimentos,
como uma economia com bom potencial de crescimento”, afirmou o
economista-chefe do West LB, Roberto Padovani.
Pelo lado da oferta, acrescentou
ele, a indústria será o motor dessa retomada, já
que os estoques e o crédito estão se normalizando dentro
da atividade. Pelo Focus, as projeções são de que
o setor vai encolher 7,25% neste ano e crescer 6% em 2010. Vai ajudar
ainda a demanda, sobretudo o consumo interno, alimentado pela volta
do crédito privado — que até recentemente estava
retraído.
Inflação
O Focus mostrou que as projeções
de inflação continuam abaixo do centro da meta do governo,
de 4,5% pelo IPCA, em 2009 e 2010: 4,31% e 4,30%, respectivamente. O
mercado também não mudou suas estimativas sobre a Selic
(taxa básica de juro), de manutenção dos atuais
8,75% até o fim deste ano. Para 2010, espera-se que a taxa suba
para 9,25%.
Os indicadores internacionais
também não tiveram mudança nesta pesquisa. O dólar,
na visão do mercado, deve fechar 2009 e 2010 a R$ 1,80, enquanto
os investimentos estrangeiros diretos fecharão em US$ 25 bilhões
e US$ 30 bilhões, respectivamente.
O mercado piorou suas
contas sobre a relação dívida/PIB do país,
um dos principais indicadores de solvência, mas ainda sem refletir
a decisão do governo de reduzir a meta de superávit primário
de 2,5% para 1,56% do PIB, anunciada na última sexta-feira. Até
a semana passada, a projeção era de que essa relação
fecharia o ano a 43,10%, mas alguns especialistas já acreditam
que ela deve ficar em 44%. O mercado financeiro também manteve
as previsões para o déficit nas contas externas: US$ 15
bilhões em 2009 e US$ 22,8 bilhões em 2010.
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BEM PARANÁ, 22 de
setembro de 2009 | Mundo
Crise
Desemprego continuará preocupante
até 2010, afirma Obama
Presidente dos Estados Unidos se reúne
com G-20 para coordenar esforços no sentido de reavivar a economia
mundial
21/09/09 às 09:18 | Agência Estado
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, não quis tocar
no assunto macroeconomia em sua jornada televisiva, ontem, para defender
a reforma do sistema de saúde, mas disse que o desemprego continuará
preocupante no país até o ano que vem. Obama disse que
prefere deixar os pronunciamentos sobre o assunto a cargo do presidente
do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), Ben Bernanke, mas considerou
haver sinais nos mercados financeiros e no setor de manufatura de que
a economia está voltando a crescer. Cauteloso, ele ponderou que
o desemprego deverá continuar preocupante em 2010. "Provavelmente
não veremos criação de empregos até o próximo
ano", disse à CNN.
Obama e líderes do G-20,
grupo das 20 maiores economias do mundo se reúnem nos dias 24
e 25, em Pittsburgh, para coordenar esforços no sentido de reavivar
a economia mundial. No encontro, a Casa Branca pedirá que os
líderes das economias desenvolvidas e emergentes deem fim aos
desequilíbrios que contribuíram para a crise financeira.
"Não podemos voltar atrás, para a época em
que chineses ou alemães ou outros países vendiam de tudo
para nós, que apenas sacávamos nossos cartões de
crédito, mas não vendíamos nada para eles",
afirmou à CNN.
O presidente dos Estados Unidos
concedeu entrevistas a talk shows de cinco redes de televisão
do país para defender sua proposta de reforma do sistema de saúde
norte-americano e ganhar apoio público. Sua atual prioridade,
a reforma do sistema está nas mãos de um Senado profundamente
dividido. As entrevistas foram gravadas na sexta-feira na Casa Branca
e veiculadas ontem.
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CONGRESSO EM FOCO, 22 de
setembro de 2009
Campanha Ficha Limpa entrega projeto no
dia 28
Proposta que proíbe a candidatura de
políticos condenados em primeira instância por uma série
de crimes será entregue na próxima segunda ao presidente
da Câmara, Michel Temer, com o apoio de 1,3 milhão de assinaturas
Thomaz Pires
A campanha Ficha Limpa conclui
os últimos ajustes para encaminhar ao Congresso Nacional o projeto
de lei, de iniciativa popular, que dificulta a candidatura de políticos
com maus antecedentes. A proposta, acompanhada de 1,3 milhão
de assinaturas, será entregue ao presidente da Câmara,
Michel Temer (PMDB-SP), às 15h, na próxima segunda-feira
(28).
A proposta proíbe que
seja registrada a candidatura de pessoas condenadas em primeira instância
por crimes como racismo, homicídio, estupro, tráfico de
drogas e desvio de verbas públicas, por compra de votos ou uso
eleitoral da máquina administrativa. Veda ainda a candidatura
de parlamentares que tenham renunciado ao mandato para fugir de cassações
ou que respondem a denúncias recebidas pelos tribunais superiores
do Poder Judiciário.
Antes da entrega do documento,
está prevista a realização de uma caminhada, com
concentração no Ministério da Justiça, rumo
ao Congresso Nacional. Haverá um representante de cada estado
que ajudou no recolhimento das assinaturas.
De acordo com a coordenação
do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCEE),
responsável pela campanha, os formulários com as assinaturas
exigidas pela Constituição para a apresentação
de um projeto de lei de iniciativa popular estão reunidos na
sede do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em
Brasília, em fase final de organização.
Segundo os organizadores, Minas
Gerais foi o estado que mais recolheu assinaturas. Até a última
sexta-feira (18), 203 mil pessoas haviam sido coletas no estado. Paraná,
com 172 mil, e São Paulo, com 167 mil, aparecem na sequência.
O número ainda pode subir nos próximos dias, já
que o restante dos formulários está sendo enviado pelos
Correios. A campanha foi iniciada em maio do ano passado.
A diretora do Movimento de Combate
à Corrupção, Jovita José Rosa, alega que
o número exato de assinaturas recolhidas só poderá
ser divulgado no fim desta semana. “Temos a certeza que já
alcançamos o mínimo exigido. Caso contrário, não
teríamos marcado a audiência com o presidente Temer. Mas
só teremos possibilidade de divulgar o número preciso
quando fecharmos tudo”, diz ela. Ao todo, 42 entidades ajudam
na campanha.
Jovita destaca ainda que a entrega
da proposta no Congresso é apenas a primeira etapa de todo o
processo. “Essa proposta só irá se transformar em
Lei com a pressão popular. Prefeitos, vereadores e outros políticos
farão de tudo para barrá-la. É por isso que a entrega
é apenas a primeira etapa de um longo processo legislativo”,
destaca.
A ideia de lançar a Campanha
Ficha Limpa foi uma iniciativa que partiu da própria sociedade,
a partir dos Comitês 9840 do MCCE nos estados e municípios.
O movimento foi responsável pelo primeiro projeto de iniciativa
popular que se transformou em lei no Brasil. A Lei 9.840, que proibiu
a compra de votos e o uso eleitoral da máquina administrativa,
está completando dez anos. Nesse período, já levou
mais de 700 políticos à cassação do mandato.
A apresentação
de um projeto de lei de iniciativa popular precisa do apoio de pelo
menos 1% do eleitorado nacional, distribuído no mínimo
por cinco estados.
Parlamentares processados
O Congresso em Foco foi o primeiro
veículo de comunicação brasileiro a publicar a
lista dos parlamentares federais que respondem a processos judiciais.
Isso ocorreu em março de 2004, logo após o lançamento
do site, época em que foi contabilizado em 46 o total de congressistas
então acusados criminalmente (confira).
Desde então, o site passou
a publicar regularmente levantamentos de congressistas com pendências
judiciais. Durante todo o período da legislatura passada (2003/2007),
206 deputados e senadores responderam a processos no Supremo Tribunal
Federal. No último levantamento, que foi ao ar em junho deste
ano, 150 congressistas apareceram como réus de 318 processos
em andamento no STF. Ou seja: de cada quatro parlamentares no exercício
do mandato, um responde a acusações formais naquela corte.
À linha de acompanhamento
aberta pelo Congresso em Foco seguiram-se outras iniciativas de grande
repercussão, como o projeto Excelências, da Transparência
Brasil, e a divulgação dos candidatos processados, durante
a campanha eleitoral municipal de 2008, pela Associação
dos Magistrados Brasileiros. Tudo isso aumentou muito as pressões
contra a presença na política dos chamados “ficha-suja”.
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GAZETA DO POVO, 22 de setembro
de 2009 | Vida Pública
Impostos
Câmara tenta ressuscitar reforma
tributária
Proposta de emenda constitucional é prioridade
na pauta, mas depende de um acordo partidário para ser apreciada
Publicado em 22/09/2009 | André Gonçalves
Brasília - Após
nove meses engavetada, a reforma tributária pode ser votada nesta
semana pela Câmara dos Deputados. A proposta de emenda constitucional
(PEC) é prioridade na pauta, mas depende de um acordo partidário
para ser apreciada. O texto recebe críticas da oposição
por promover apenas a simplificação do sistema e não
estimular a redução de impostos.
Nos bastidores, porém,
comenta-se que o governo estaria disposto a rediscutir alguns pontos
do substitutivo apresentado pelo deputado federal Sandro Mabel (PR-GO).
Amparado pelo sucesso da desoneração fiscal
durante a crise econômica mundial – especialmente com a
redução do Imposto sobre Produtos Industrializados
para veículos novos –, o Palácio do Planalto já
teria dado sinal verde para mudanças. A negociação
também seria utilizada como um estímulo para alavancar
outro debate polêmico, o marco regulatório do pré-sal.
“O governo aprendeu com
a crise que a diminuição da carga tributária causa
efeitos positivos e imediatos”, diz o deputado paranaense Rodrigo
Rocha Loures (PMDB). Ele participou da comissão especial que
aprovou a PEC da reforma tributária, em novembro de 2008, e agora
integra a comissão que discute o fundo social que será
criado com recursos do pré-sal. A conexão entre os dois
temas interessa particularmente ao Paraná.
A regulamentação
do pré-sal trouxe à tona possíveis alterações
no regime de distribuição de royalties da exploração
de petróleo entre estados e municípios. As normas atuais
beneficiam os locais produtores – em especial, o Rio de Janeiro.
Por outro lado, os fluminenses também seriam beneficiados com
uma mudança prevista na reforma tributária que prevê
que os estados produtores de petróleo e energia elétrica
terão direito a arrecadar o Imposto sobre Circulação
de Mercadorias e Serviços (ICMS) na origem.
A medida altera uma determinação
da Constituição de 1988, que estipulou a cobrança
de ICMS sobre os dois produtos apenas nos estados em que ele é
consumido (ou seja, no destino). Com base em dados de 2008, a proposta
geraria um aumento de arrecadação de R$ 165 milhões
ao Paraná, maior produtor de energia elétrica do país.
Já o Rio de Janeiro, maior produtor de petróleo, poderia
arrecadar R$ 1,5 bilhão a mais por ano.
“Aprovar a reforma tributária
seria um acerto tático da Câmara e do governo porque diminuiria
as tensões entre os estados por mais recursos do pré-sal”,
afirma Rocha Loures. A atual redação do substitutivo,
no entanto, é apontada como defasada, já que foi construída
antes do desfecho da crise econômica. “O texto é
inaproveitável”, declarou na semana passada o líder
do PSDB na Casa, José Aníbal (PSDB-SP).
Em linhas gerais, a PEC pretende
apenas simplificar as cobranças tributárias, criando dois
tipos de Imposto sobre Valor Agregado – um estadual e outro federal.
Ambos seriam resultados da unificação de impostos que
já são cobrados, como o ICMS e a Contribuição
Sobre o Lucro Líquido.
“A proposta é muito
tímida, mas ainda assim é melhor que nada”, afirma
o deputado Eduardo Sciarra (DEM), outro paranaense que participou da
comissão especial da reforma. Entre as poucas isenções
previstas na PEC está o fim da cobrança de ICMS para os
produtos da cesta básica, prática que já é
adotada pelo governo do Paraná desde 2003.
Além disso, a PEC prorroga
até 2033 os incentivos fiscais para a zona franca de Manaus.
Também foi incluída a cobrança de ICMS para a venda
de softwares, e a isenção do mesmo imposto para
a comercialização de materiais utilizados para reciclagem.
Em contrapartida, foi rejeitada uma proposta do DEM que previa a redução
de 1% ao ano da carga tributária, durante oito anos.
A mesma emenda deve ser rediscutida
em plenário. Para ser aprovada, a PEC precisa dos votos de três
quintos dos 513 deputados. Depois, segue para o Senado e, por último,
depende de sanção presidencial.
PEC dos Vereadores e foro privilegiado
entram em pauta
Além da reforma tributária,
outros dois temas polêmicos estão na pauta de votações
da Câmara a partir de hoje. O primeiro é a apreciação,
em segundo turno, da PEC dos vereadores, que cria 7 mil vagas nas câmaras
municipais do país. O outro é a PEC que restringe o foro
privilegiado.
A proposta dos vereadores deve
ser aprovada sem dificuldades. O texto, porém, não implica
em uma decisão retroativa – ou seja, não deve beneficiar
os suplentes eleitos no ano passado. Ele também está vinculado
à redução de gastos dos legislativos dos municípios.
Já o projeto sobre o
foro privilegiado chega ao plenário com várias mudanças
em relação ao original. O substitutivo do deputado Regis
de Oliveira (PSC-SP) apenas ameniza os efeitos da prerrogativa de foro,
que beneficia políticos e autoridades que são réus
em processos judiciais.
A ideia original do projeto
era acabar totalmente com o privilégio.
De acordo com o texto
atual, as autoridades só poderão ser processadas na Justiça
Penal de primeira instância após uma avaliação
do tribunal competente, para julgá-las. Por exemplo, um senador
só poderá ser julgado em primeira instância após
o aval do Supremo Tribunal Federal, que permaneceria
com o direito de arquivar o caso.
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O ESTADO DO PARANÁ,
22 de setembro de 2009 | Política
Lula ganha prêmio por conduta democrática
Agência Estado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarca hoje, em Nova
York, para cumprir uma extensa agenda de compromissos nos Estados Unidos.
Ainda hoje, Lula receberá o Prêmio ao Serviço Público
do Centro Internacional Woodrow Wilson. O presidente participará,
na quarta-feira, da Assembleia-Geral das Nações Unidas
(ONU), e na quinta seguirá para Pittsburgh, onde será
realizado o encontro do G-20. O presidente do Woodrow Wilson, Lee H.
Hamilton, de acordo com declarações divulgadas pelo instituto,
afirmou que a escolha de Lula se deve à sua contribuição
"decisiva para acabar com o regime militar e para abrir o caminho
para a democracia em seu país".
Amanhã, Lula deve se
encontrar com pelo menos oito chefes de Estado. Por enquanto, está
confirmada pelo Itamaraty apenas uma reunião, com o premiê
da Espanha, José Luis Zapatero. Está prevista uma entrevista
apenas com jornalistas esportivos estrangeiros, em que Lula deve falar
sobre a candidatura do Rio para sede dos Jogos Olímpicos de 2016.
A decisão sobre a sede
acontece no início de outubro, na Dinamarca, e uma das concorrentes
é Chicago, onde vivia o presidente dos EUA, Barack Obama. Amanhã,
Lula participará de jantar oferecido pelo secretário-geral
da ONU, Ban Ki Moon, com a presença de todos os chefes de Estado
que estão em Nova York.
Conforme a tradição
da Assembleia-Geral das Nações Unidas, o presidente brasileiro
será o primeiro a discursar, às 9 horas (10 horas em Brasília)
de quarta-feira. Obama falará em seguida. Lula deverá
usar seu discurso para criticar o embargo econômico imposto pelos
EUA a Cuba, que ele considera "anacrônico". O presidente
americano renovou por mais um ano o embargo à ilha. A chamada
Lei de Comércio com o Inimigo vige desde 1917 e proíbe
qualquer tipo de intercâmbio com os países considerados
uma ameaça aos EUA. Atualmente, só Cuba é afetada.
O ministro das Relações
Exteriores, Celso Amorim, chegou antes a Nova York e hoje manterá
encontros bilaterais na missão brasileira na ONU. Amanhã,
ele deve participar da conferência climática. Depois da
viagem de Lula para Pittsburgh, o ministro permanecerá em Nova
York, onde se reunirá com a secretária de Estado, Hillary
Clinton, e o chanceler da Holanda para discutir a violência contra
as crianças.
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AGÊNCIA DIAP, 22 de
setembro de 2009
PEC 590/06: mulheres conquistam direito
de comandar Câmara e Senado
A matéria também assegura a participação
das mulheres em todas as comissões temáticas, permanentes
ou provisórias, das duas Casas do Congresso Nacional
As mesas diretoras da Câmara
e do Senado, cujos cargos são sempre ocupados por homens, vão
abrigar também mulheres. A proposta de emenda à Constituição
(PEC) 590/06, que garante a representação proporcional
por gênero na composição das mesas diretoras da
Câmara e do Senado foi aprovada por unanimidade na comissão
especial e segue agora para apreciação do plenário
da Câmara. A proposta foi aprovada na semana passada.
A matéria também
assegura a participação das mulheres em todas as comissões
temáticas, permanentes ou provisórias, das duas Casas.
A presidente da comissão
especial, deputada Emilia Fernandes (PT/RS) disse que o desafio agora
é fazer com que a matéria seja apreciada e aprovada ainda
este ano pelos plenários da Câmara e Senado.
"Houve um grande esforço
para que esta proposta recebesse um parecer de uma comissão especial.
O nosso desafio agora é fazer uma grande mobilização,
envolvendo a entidades representativas e a sociedade de maneira geral,
para que a matéria seja apreciada logo", ressaltou.
A deputada Alice Portugal (PCdoB/BA),
coordenadora da bancada feminina na Câmara, espera não
encontrar dificuldades nesta votação, adiantando que todas
as deputadas estão conversando com os líderes partidários
para convencê-los a pautar a matéria para votação.
Parodiando o Presidente Lula,
a parlamentar comunista diz que "nunca antes na história
desse país uma mulher ocupou um lugar na Mesa Diretora da Câmara",
sem exagerar na afirmativa.
A participação
das mulheres do centro dirigente representa maiores chances de pautar
assuntos e temas de interesse da mulher brasileira e abrir espaço
para o debate de fatos que surgem no cotidiano que diz respeito às
mulheres, avalia a parlamentar.
Segundo ela ainda, "é
a concretização do empoderamento das mulheres, uma necessidade
histórica, que será consumada com a aprovação
da PEC".
A deputada Janete Rocha Peita
(PT/SP) classificou a aprovação da proposta como um "marco
histórico para as mulheres".
A petista lembrou que apesar
dos inúmeros avanços das mulheres nos últimos anos,
a representação nos espaços de poder ainda estão
muito aquém do desejado.
A participação
da mulher na vida política brasileira é uma das menores
do mundo. Na Câmara, dos 513 parlamentares, apenas 45 mulheres;
e no Senado, dos 81 senadores, somente 10 são do sexo feminino.
Luta
contra violência
Esta semana, as mulheres avançam também na luta de combate
a violência doméstica. Começa a funcionar nesta
terça-feira (22) a comissão especial que analisará
a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que cria
juizados especiais para o atendimento à mulher.
A deputada Janete Rocha Pietá
(PT/SP) foi eleita presidente e a deputada Alice Portugal (PCdoB/BA)
foi escolhida relatora da PEC.
Segundo Alice Portugal, não
há na Constituição obrigatoriedade de criação
da vara especial. Atualmente, o atendimento à mulher vítima
de violência doméstica e familiar é realizado em
varas criminais.
A criação das
varas especiais representam mais um instrumento de proteção
à Lei Maria da Penha, diz a parlamentar, lembrando a necessidade
de fortalecer a lei que vem sendo agredida.
E destaca que no Senado
está tramitando uma proposta de modificação do
Código Penal que banaliza a violência doméstica
considerando de menor potencial agressivo. (Fonte: Vermelho)
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O ESTADO DO PARANÁ,
22 de setembro de 2009 | Economia
Fundo cobrirá perdas de metalúrgicos
da Volks
Mara Andrich
A Força Sindical anunciou ontem que resolveu criar um fundo de
greve para os cerca de 3.500 metalúrgicos que trabalham na Volkswagen-Audi,
em São José dos Pinhais, região metropolitana de
Curitiba.
O fundo, segundo a Força,
seria para auxiliar os trabalhadores que estão em greve há
15 dias, já que a empresa teria anunciado que vai descontar todo
esse tempo em que a produção está paralisada.
A greve será decidida
em dissídio no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), em audiência
que ainda não foi marcada. O fundo, segundo a Força Sindical,
será formado por recursos arrecadados pelo próprio sindicato.
A última audiência
realizada na semana passada no TRT não resultou em acordo. Por
isso, o caso será decidido em dissídio. Desta forma, a
Força tem até amanhã para apresentar ao TRT as
suas argumentações acerca da greve. Depois disso, será
a vez da empresa apresentar sua posição, e em seguida
é que será marcada a data do dissídio.
A reportagem procurou a montadora
ontem, mas foi informada que a empresa continua com a mesma posição
da última sexta-feira, quando o gerente executivo de Recursos
Humanos, Nilton Júnior, afirmou a O Estado que os valores pedidos
pelos funcionários “fogem à realidade”.
Na ocasião, Júnior
também afirmou que as propostas feitas até agora pelo
menos três são melhores do que aquelas feitas em outros
locais do país onde a empresa possui montadoras, como Taubaté
e São Bernardo do Campo, em São Paulo, por exemplo. Ele
afirmou à reportagem que “novas montadoras em outros estados
também têm pago salários menores que os do Paraná”.
A última proposta da
empresa foi de reajuste salarial de 7,57% em setembro, que seriam 3%
de aumento real mais 4,44% de correção de 100% do INPC;
abono de R$ 2 mil e aumento de adicional noturno para 25% a partir de
agosto do ano que vem.
Os trabalhadores concordaram
com o valor e as datas de pagamento do abono, mas reivindicam 10% de
reajuste salarial em setembro, que seriam 5,32% de aumento real, mais
4,44% referente aos 100% do INPC.
Os funcionários
também querem adicional noturno de 30% e a sua aplicação
imediata, além da reorganização da grade salarial,
aumentando de cinco para 11 o número de níveis. Segundo
a Força Sindical, nesses 15 dias de greve a Volks deixou de produzir
12.320 automóveis.
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AGÊNCIA DIAP, 22 de
setembro de 2009
Unicidade sindical: TST libera contribuição
sindical para confederação
A verba foi bloqueada por liminar obtida
pela Contec, que questionou no TST a validade do registro sindical da
Contraf, criada em 2006, enquanto ela (Contec) já existe desde
1958
Depois de uma discussão acalorada, a 7ª Turma do Tribunal
Superior do Trabalho (TST) decidiu liberar a contribuição
sindical compulsória destinada à Confederação
Nacional dos Trabalhadores no Ramo Financeiro (Contraf).
A verba foi bloqueada por liminar obtida pela Confederação
Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito (Contec),
que questionou no TST a validade do registro sindical da Contraf, criada
em 2006, enquanto ela (Contec) já existe desde 1958.
Ao expor seu voto, o relator,
ministro Caputo Bastos, registrou tratar-se de tema controvertido. Ele
mesmo havia acolhido, anteriormente, a liminar a favor da Contec para
estabelecer bloqueio das verbas à Contraf. Mas viu razão
na contestação desta central sindical contra a sua decisão.
Ele esclareceu que o registro
da Contraf, concedido pelo Ministério do Trabalho e Emprego,
não viola o princípio constitucional da unicidade sindical,
como alega a Contec em ação cautelar pedindo o bloqueio
das verbas até que se decida, em Mandado de Segurança,
a validade do referido registro.
As verbas são arrecadadas
e repassadas pela Caixa Econômica Federal - motivo pelo qual a
Contec pediu também, sem êxito, sua inclusão no
processo.
O advogado da Contec fez uma
veemente defesa, afirmando que "esse julgamento diz respeito à
própria sobrevivência sindical". Mas o relator manteve
a decisão, baseada no entendimento de que a existência
das duas entidades não gera conflitos diante dos dispositivos
constitucionais.
No entendimento do ministro
Caputo Bastos, o artigo 8º, II e III da Constituição
concede às entidades sindicais o direito de funcionarem independentemente
de autorização estatal.
E o princípio da unicidade
sindical, por sua vez, estabelece que "não poderá
existir mais de uma organização sindical representativa
da categoria profissional ou econômica na mesma base territorial",
mas veta apenas "a sobreposição de representações
no mesmo plano territorial, devendo, no mais, ser respeitada a liberdade
sindical".
"Convivência
harmônica"
Caputo Bastos citou a categoria dos metalúrgicos como "exemplo
da convivência harmônica de duas confederações
representativas da mesma categoria profissional" - a Confederação
Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM), filiada à
Força Sindical, e a Confederação Nacional dos Metalúrgicos
(CNM), ligada à Central Única dos Trabalhadores (CUT).
Isso é possível,
segundo sua interpretação, graças à exigência
legal estabelecendo que, para se constituir uma instituição
sindical superior, deve ser observado o mínimo de cinco sindicatos
em torno de uma federação e de três federações
constituindo uma confederação.
Essa condição,
avaliou o ministro, permite que duas entidades podem coexistir no mesmo
estado, desde que compostas por sindicatos distintos, ou uma única
que abranja território de dois ou mais estados.
De acordo com o relator, "não
há informação de que a Contec e a Contraf sejam
constituídas pelas mesmas federações ou de que
estas tenham bases territoriais conflitantes".
O registro sindical da Contraf
não pode ser invalidado, afirmou o ministro, porque, ao contrário
do que afirma a Contec, o Ministério do Trabalho e Emprego é
o órgão competente para fazer o registro sindical a que
se refere o artigo 8º, I, da Constituição, e confirma
a Sumula 677 do STF.
Assim, concluiu o relator, o
Ministério "não pode se furtar de sua competência,
de sua função de salvaguardar o princípio da unicidade
sindical, enquanto aguarda acordo entre as entidades ou decisão
judicial".
Como resultado do julgamento,
a 7ª Turma decidiu "cassar a liminar antes deferida, para
determinar que a CEF repasse os valores já recolhidos e a recolher
em favor da Contraf, de acordo com as instruções do Ministério
do Trabalho; extinguir o processo sem exame do mérito em relação
à CEF, na forma do artigo 267, VI, do CPC; e julgar improcedente
o pedido cautelar". A-AC-207160-2009-000-00-00.0 (Fonte: Conjur,
com TST)
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FOLHA DE SÃO PAULO,
22 de setembro de 2009 | Dinheiro
Justiça impede sindicatos de cobrar
taxa sindical de patrão
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
A Justiça do Trabalho
de Porto Ferreira (SP) concedeu liminar (decisão provisória)
ao Ministério Público do Trabalho em Araraquara que impede
50 entidades sindicais ligadas à Força Sindical de cobrar
a chamada taxa negocial de empregadores do setor metalúrgico.
Essa contribuição sindical é cobrada das empresas
pelos sindicatos dos trabalhadores após o fechamento de acordos
e de convenções coletivas. Se os sindicatos dos trabalhadores
descumprirem a decisão da Justiça, poderão receber
multa de até R$ 50 mil.
O Ministério Público entrou com ação civil
pública no final de agosto pedindo a suspensão da cobrança
da taxa, incluída nos acordos coletivos de 49 sindicatos e da
federação estadual dos metalúrgicos da Força.
"Ao pagar essa taxa, os patrões estavam bancando os sindicatos
de trabalhadores. Os valores cobrados variavam de sindicato para sindicato,
mas todas as entidades alegaram que a taxa era cobrada para custear
atividades sindicais", diz o procurador do Trabalho Cássio
Calvilani Dalla-Déa, autor da ação civil pública.
Ele afirma que os sindicatos de trabalhadores já têm receita
própria para custear suas atividades e devem se abster da cobrança
porque ela fere o princípio da liberdade sindical, previsto na
Constituição e na Convenção 98 da OIT (Organização
Internacional do Trabalho).
"A taxa, que é paga pelas empresas, prejudica a livre sustentação
econômica dos sindicatos, levando ao risco de que sejam inclusive
controlados pelos empregadores. Os sindicatos de trabalhadores já
recebem parte do imposto sindical obrigatório [contribuição
que equivale a um dia de salário e é descontada de todos
os trabalhadores com carteira assinada] e da mensalidade dos seus sócios.
Para que precisam cobrar das empresas?", indaga Dalla-Déa.
O MP não soube informar o montante total cobrado pelos sindicatos,
mas constatou que, em alguns casos o desconto chegava a 13,5% do salário
de cada empregado da empresa. Há casos em que a cobrança
é feita desde 1997.
Em 2001, a Folha revelou que vários empresários paulistas
se opunham à cobrança da taxa e o então presidente
da Fiesp (federação das indústrias), Horacio Lafer
Piva, enviou carta aos 127 sindicatos filiados à federação
recomendando que se recusassem a pagar a taxa negocial.
Cobrança legítima
Antonio Rosella, advogado da Força Sindical, diz que as entidades
devem recorrer da decisão da Justiça e que essa questão
não poderia ter sido examinada por um juiz do interior de São
Paulo. "O TST [Tribunal Superior do Trabalho] orienta que questões
de competência estadual, como essa, não devem ser examinadas
por um juiz local, mas sim da capital."
Ainda segundo o advogado da central, "a receita orçamentária
[de um sindicato] que advém de qualquer negociação
coletiva é legítima, desde que aprovada em assembleia
pelos trabalhadores".
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GAZETA DO POVO, 22 de setembro
de 2009 | Economia
Trabalhos
Greve afeta mais de 1 milhão de
entregas
Publicado em 22/09/2009 | André Lückman
Cerca de 1,2 milhão de correspondências já deixaram
de ser entregues no Paraná em função da greve dos
Correios, segundo estimativa da própria empresa. No país,
são 36,4 milhões de entregas que não chegaram ao
destino. Com o objetivo de obrigar a prestação básica
de serviços, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou
ontem que a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresa
de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect) mantenha pelo
menos 30% dos funcionários em cada unidade da empresa. As procuradorias
regionais do Trabalho farão a fiscalização do cumprimento
da medida. Em caso de desobediência, poderá ser aplicada
uma multa diária de R$ 50 mil.
O TST também marcou uma
audiência de conciliação para quinta-feira, dia
24, na tentativa de chegar a um acordo sobre o aumento salarial da categoria
e o fim da greve. Hoje a paralisação entra no sétimo
dia. O sindicato dos trabalhadores reivindica aumento de 41%, que corresponderia
a perdas ocorridas desde 1994. Os patrões ofereceram reajuste
de 9%, válido por dois anos, e um adicional de R$ 100 sobre o
piso.
Contas atrasadas
As entidades de defesa do consumidor
alertam que o não recebimento das correspondências não
dá o direito de pagar contas com atraso. A orientação
é se antecipar à data limite dos pagamentos, buscando
junto ao emissor do boleto alguma forma alternativa de pagamento –
emissão de segunda via pela internet, depósito bancário
ou ainda diretamente na sede ou escritório da empresa. O Procon
afirma que todas as empresas são obrigadas a oferecer alternativas
para o pagamento. Caso se recuse, o consumidor pode abrir uma reclamação
junto ao órgão.
A Federação Brasileira
de Bancos (Febraban) divulgou que o consumidor pode se dirigir às
agências do banco emissor do boleto a fim de retirar uma segunda
via.
Sindicalistas
tentam evitar desconto por dias parados
A Força Sindical nacional anunciou ontem a criação
de um “fundo de greve” para os metalúrgicos da unidade
Volkswagen de São José dos Pinhais (PR). Os recursos serão
uma espécie de garantia de pagamento dos funcionários
frente ao risco de a empresa descontar os dias parados da folha de pagamento.
Hoje a greve completa 16 dias, com um saldo de aproximadamente 12 mil
automóveis tendo deixado de ser produzidos.
Na agenda do dissídio
coletivo, o departamento jurídico do Sindicato dos Metalúrgicos
da Grande Curitiba (SMC) tem até sexta-feira para enviar sua
justificativa de greve ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Os advogados
da Volkswagen têm até a sexta seguinte (2 de outubro) para
apresentar seus argumentos no tribunal. “Nesse período
a folha de setembro já terá sido processada”, diz
o diretor do SMC Jamil Dávila, justificando o auxílio
da Força Sindical. “Ainda tem o prazo para que o TRT julgue
o dissídio, então ninguém sabe até onde
vai essa greve”, diz.
Sindicato e patrões se
reuniram em três audiências de conciliação
antes que a Volkswagen recorresse ao julgamento do TRT. Nos últimos
dias, a empresa equiparou sua proposta às demais aceitas pelas
duas montadoras da região metropolitana, Renault e Volvo, de
aumento real de 3% mais abono de R$ 2 mil. Mas o sindicato quer 5,32%
de aumento real, reajuste imediato do adicional por trabalho noturno
e a reorganização dos patamares de grade salarial. (AL)
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
22/09/2009
Supervisor que fiscalizava empregados em
atividade externa ganha horas extras
A Primeira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho não aceitou as explicações
da empresa carioca Hebert Sistemas e Serviços, que se negava
a pagar horas extras a um empregado que trabalhava externamente, alegando
que não teria como controlar o seu horário. Ficou mantida
assim a decisão do Tribunal Regional da 1ª Região
que ordenou o pagamento das horas extras excedentes a oito horas trabalhadas
pelo empregado.
Ele trabalhava como supervisor,
fiscalizando empregados que prestavam serviços nas unidades da
empresa de telefonia Telemar. A “atividade eminentemente externa
do empregado, longe da vista do empregador”, não impedia
a utilização de instrumentos modernos de comunicação,
tal como o telefone celular, por meio do qual a empresa poderia contatá-lo
a qualquer momento, afirmou o Tribunal Regional.
A despeito de a companhia ter
insistido na afirmação de que o supervisor exercia as
atividades “longe das suas vistas, sem fiscalização
alguma”, o relator do recurso na Primeira Turma, ministro Lélio
Bentes Corrêa, verificou que indiretamente o empregado era sim
fiscalizado e controlado pelo empregador.
“Se o empregado retorna
obrigatoriamente ao estabelecimento – como confirmado naquele
caso – não é trabalhador externo”, explicou
o ministro Vieira de Mello, porque “trabalhador externo é
aquele que após cumprir a sua tarefa no dia não volta
ao local do início da jornada”.
Como a empresa não apresentou
divergência contrária ao entendimento regional, os ministros
da Primeira Turma decidiram unanimemente não conhecer (rejeitar)
o recurso da empresa, ficando mantida a decisão regional de conceder
as horas extras ao trabalhador. (RR-109-2005-026-01-00.7)
(Mário Correia)
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22/09/2009
Rodhia condenada em R$ 232,5 mil por
contaminação de trabalhador
Em julgamento da Sexta Turma
do Tribunal Superior do Trabalho , herdeiros de um ex- empregado Rodhia
Brasil LTDA, que faleceu em decorrência de contaminação
porr produto químico, conseguiram indenização por
dano moral no valor de R$ 232.500,00.
O caso remonta ao ano de 2000,
quando a sede da empresa em Cubatão (SP) chegou a ser fechada,
após ação civil pública do Ministério
Público, devido às péssimas condições
de trabalho. Mesmo assim, o Tribunal Regional do Trabalho da Segunda
Região (SP) entendeu que não havia ligação
direta entre a morte do ex-empregado da Rodhia e sua contaminação
pela substância tóxica hexaclorobenzeno , adquirida na
empresa durante 18 anos de trabalho. De acordo com a certidão
de óbito, a morte foi por “alteração do ritmo
cardíaco, septicemia/broncopneumonia e neoplasia maligna de pulmão”.
Para o TRT, não ficou claro se a contaminação teria
sido a causa determinante da morte, pois o trabalhador tinha um histórico
de risco, como ex-tabaquista e sedentário. Assim, “não
há como se estabelecer o nexo casual entre a conduta da reclamada
e o fato danoso, qual seja a morte do trabalhador”, concluiu.
No entanto, ao julgar recurso
dos herdeiros contra a decisão desfavorável do Tribunal
Regional, o ministro Horácio Senna Pires, relator do processo
na Sexta Turma do TST, observou que, comprovada a contaminação
, é inevitável a conclusão sobre o nexo de casualidade.
Ressaltou, ainda, que o hexaclorobenzeno é notadamente cancerígeno
e, se não foi a única causa, certamente contribuiu com
a enfermidade. Acrescentou que a responsabilidade da Rodhia Brasil,
no caso, é também objetiva, nos termos do parágrafo
único do artigo 927 do Código Civil. “Isso porque
o ramo de atividades da empresa apresentava risco acentuado de contaminação,
pelo que não há como eximi-la de responsabilidade.”
Além de aprovar o valor da indenização por dano
moral de acordo com o solicitado pelos autores do processo, no valor
de R$ 232.500,00, a Sexta Turma do TST condenou a Rodhia a pagar uma
“pensão mensal no valor de R$ 1.367,00 até a data
em que o reclamante completaria 35 anos de contribuição
previdenciária.” (RR-644/2007-255-02-40.0)
(Augusto Fontenele)
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22/09/2009
Justiça do Trabalho reverte demissão
por justa causa após acidente
Acusado de negligência
pela não observação de normas de segurança
– o que teria ocasionado um acidente de trabalho que provocou
a morte de um colega – e demitido por justa causa,um operador
de motosserra consegue reverter a situação para dispensa
imotivada. Esse foi o desfecho de um processo julgado pela Quinta Turma
do Tribunal Superior do Trabalho, que rejeitou recurso de revista da
Antas Serviços Florestais Ltda. e das Indústrias Klabin
S.A.
Contratado pela Antas, ele prestou
serviços por um ano na Klabin, até a ocorrência
de um acidente que provocou a morte de um colega. Baseada em conclusão
pericial sobre as causas do acidente, que apontou erro grave do operador,
pelo fato de se desviar da linha determinada pelo líder de corte
e de não ter utilizado as técnicas recebidas em treinamento,
a empresa o demitiu por justa causa – o que o levou a entrar com
ação trabalhista.
A Vara do Trabalho de Telêmaco
Borba (PR) considerou subsistente a aplicação de justa
causa com base na perícia que concluiu ter havido corte irregular
de árvores, “formando ‘égua’ (quando
uma árvore cortada com motosserra enrosca em outra árvore,
não caindo de imediato) e causando ‘telefone’ (quando
sobre a égua o motosserrista derruba outra árvore)”.
E manteve a demissão por justa causa.
Mediante recurso do ex-empregado,
a sentença foi modificada pelo Tribunal Regional do Trabalho
da 9ª Região (PR), que levou em conta não ter sido
observado, no caso, o princípio da isonomia, face à conclusão
do perito de que houve uma série de erros cumulativos dos prepostos
das empresas, juntamente com o operador, que causaram o acidente fatal.
Se outras pessoas concorreram para o acidente, diz o Regional, “não
se mostra lícito ao empregador punir apenas o motosserrista,
em especial quando o faz adotando medida extrema, sem que isso também
se verifique em relação aos demais”.
O acidente
Como operador de motosserra
no corte de madeiras em reflorestamentos da Klabin, o trabalhador afirma
que sempre foi subordinado ao líder da turma do corte, que lhe
dava ordens em todas as suas atividades diárias. Segundo seu
relato na inicial, no dia do acidente, foi determinado que iniciasse
o corte de árvores em uma fazenda da empresa. Posteriormente,
chegou a equipe de arraste, responsável pela retirada, empilhamento
e carregamento da madeira cortada. Ao cortar uma árvore, afirma
o motosserrista, ela não caiu no solo e ficou enroscada em outra
ainda em pé. Tentando completar a tarefa, cortou a árvore
que sustentava a primeira. Como esta também não caiu,
recorreu ao auxílio de um trator, mas a máquina demorou
a chegar e as árvores caíram de forma desordenada, atingindo
um trabalhador a cerca de 30m, que estava na operação
de empilhamento de madeiras. Dias depois, esse trabalhador morreu.
Em sua argumentação
contra a demissão por justa causa, o trabalhador afirmou que
o acidente aconteceu devido ao risco decorrente de serem realizadas,
simultaneamente, as atividades de arraste e corte, em razão do
barulho das motosserras e máquinas, além da dificuldade
de visibilidade na floresta densa. Com protetores auriculares, que reduzem
a audição, o motosserrista diz que não teve condições
de ouvir a movimentação de outro trabalhador nas proximidades.
Ao apreciar recurso de revista
das empresas ao TST contra a decisão do Regional, a relatora
do processo, ministra Kátia Magalhães Arruda, verificou
que o TRT/PR registrou a omissão do líder de corte por
não acompanhar as atividades do motosserrista e corrigir desvios,
assim como a falha do líder de arraste, que não respeitou
a distância de segurança estabelecida e não conversou
com os integrantes da equipe de corte.
Para a relatora, o Regional
fez um exame minucioso da prova, concluindo pela demissão imotivada,
com fundamento no tratamento desigual com relação a outros
que contribuíram igualmente para a ocorrência do delito.
Segundo a relatora, não há violação literal
e direta dos artigos 158 e 482 da CLT, como indicaram as empresas. (RR
–783/2000-671-09-00.7)
(Lourdes Tavares)
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22/09/2009
TST anula decisão por negativa
de prestação jurisdicional
A SDI1 - Seção
Especializada em Dissídios Individuais 1 do Tribunal Superior
do Trabalho determinou a nulidade do acórdão proferido
pelo Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região (CE), por
considerar que houve negativa de prestação jurisdicional
pelo fato de não ter sido examinada questão relevante
para no julgamento do processo pelo TRT. Esse foi o desfecho de um recurso
de embargos do Banco do Nordeste do Brasil S/A – BNB, julgado
pela Seção de Especializada em Dissídios Individuais,
que aprovou, por unanimidade, o voto do relator, ministro Lelio Bentes
Corrêa.
O caso começou quando
o bancário, não se conformando com sua transferência
da agência do BNB de Fortaleza para a de Quixeramobim, ajuizou
ação contra o banco. Diante da sentença desfavorável
ao seu pedido, que considerou legal a transferência, o empregado
apelou mediante recurso. O TRT, ao contrário da sentença
de primeiro grau, concluiu que o banco não teria demonstrado
a real necessidade de serviço, além de não ter
explicitado as razões pelas quais seriam necessários oito
– e não sete – empregados na agência de Quixeramobim.
O banco entrou com embargos
(recurso em que a parte questiona eventuais omissões ou falta
de clareza na decisão). Pediu que o TRT se manifestasse sobre
documentos constantes nos autos que comprovariam a rescisão do
contrato de trabalho de duas empregadas e a aposentadoria de outra,
justificando, assim, a necessidade de serviço. Também
solicitou o pronunciamento sobre depoimento do gerente da agência
de Quixeramobim, tido como prova contundente pela juíza da 9ª.
Vara do Trabalho, e, por fim, questionou a omissão quanto ao
exame da cláusula contratual e da norma interna do BNB que prevêem
a possibilidade de transferência.
Ante a conclusão de que
os embargos teriam caráter meramente protelatório, o Regional
os rejeitou, levando o banco a apelar ao TST, em recurso de revista.
Alegou negativa de prestação jurisdicional pela omissão
do TST quanto às questões relacionadas com a necessidade
de anuência do empregado para se efetivar a transferência,
existência de norma interna prevendo a possibilidade de remoção
de pessoal e a assinatura, pelo empregado, do termo de posse em que
reconheceu a prerrogativa do BNB em transferi-lo para para outra unidade.
Também questionou a omissão
do Regional quanto ao depoimento do gerente-geral da agência de
Quixeramobim (CE), afirmando a necessidade de preenchimento de vagas,
devido a aposentadoria de três escriturários. Mas a Quarta
Turma do TST rejeitou o recurso do BNB, que, por esse motivo, interpôs
embargos à SDI1, insistindo que não houve manifestação
sobre a existência de norma interna, integrante do contrato de
trabalho, que autoriza expressamente a transferência.
O ministro Lelio Bentes Corrêa,
relator do processo na SDI1, concluiu que a Quarta Turma, ao rejeitar
o recurso do BNB, violou a literalidade do artigo 896 da CLT. Manifestou-se
pela reforma do acórdão e determinou o retorno do processo
ao TRT, para que este proceda novo exame autos, se pronuncie, especificamente,
sobre o depoimento do gerente de Quixeramobim e sobre os documentos
nos quais teria sido comprovada a abertura de vaga, com a aposentadoria
de uma empregada e a rescisão do contrato de outras duas. (E-RR-69749/2002.900.07.00-7)
Lourdes Côrtes
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