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FOLHA DE LONDRINA, 23 de setembro de 2009
| Economia
Desemprego é cinco vezes maior
para pobres
Estudo realizado pelo Ipea foi baseado em
dados das regiões metropolitanas; taxa de desocupação
para baixa renda foi de 23% contra 4,4% entre trabalhadores de classes
mais altas
Brasília - A taxa de desemprego entre os pobres nas seis principais
regiões metropolitanas do país é 5,2 vezes maior
do que entre os não pobres, indica estudo do Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (Ipea). O estudo foi feito com base na Pesquisa
Mensal de Emprego do IBGE com dados de julho das regiões metropolitanas
de Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte,
Salvador e Recife.
Segundo o Ipea, a taxa de desemprego
entre os pobres (indivíduo com renda per capita familiar abaixo
de meio salário mínimo mensal) foi de 23,1% em julho,
contra taxa de 4,4% entre os não pobres. ''O risco de quem é
pobre estar desempregado é muito maior do que da pessoa não
sendo pobres'', ressaltou o presidente do Ipea, Márcio Pochmann.
O estudo mostra ainda que, entre
julho de 2002 e julho de 2009, a taxa de desemprego entre os pobres
passou de 21% para 23,1% (10% maior) enquanto a de não pobres
caiu de 6,7% para 4,4% (redução de 34,3%). ''Com isso,
a desigualdade que separa o desemprego entre trabalhadores pobres e
não pobres aumentou 70%'', afirma o comunicado.
Crise
Com a crise, porém, há
um movimento inverso. A partir de outubro do ano passado, há
um aumento maior do desemprego entre os trabalhadores não pobres.
A taxa de desemprego desses trabalhadores aumentou 7,3%, enquanto entre
os pobres o aumento foi de 6%.
Segundo o Ipea, o aumento da
taxa de desemprego entre os pobres está relacionado à
queda da pobreza do Brasil. Isso porque, entre março de 2002
e julho de 2009, a quantidade de pobres nas regiões metropolitanas
caiu de 18,5 milhões para 14,2 milhões de pessoas. Desses
que saíram da condição de pobreza, 72,1% faziam
parte da População Economicamente Ativa o que resultou
em uma maior concentração de pessoas sem empregos entre
os pobres.
Lorenna Rodrigues
Folhapress
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AGÊNCIA DIAP, 23 de
setembro de 2009
Programas sociais tiram 19 milhões
da pobreza, revela estudo da FGV
Cerca de 31 milhões de brasileiros subiram de classe social entre
os anos de 2003 e 2008.
Entre eles, 19,4 milhões
deixaram a classe E, que traça a linha da pobreza no país,
tendo a renda domiciliar inferior a R$ 768, e outros 1,5 milhão
saíram da classe D (de R$ 768 a R$ 1.114).
Com isso, houve uma queda acumulada
de 43% no grupo dos mais pobres nesse período.
Ao mesmo tempo, a classe AB,
que representa o grupo com renda domiciliar mais elevada (superior a
R$ 4.807), ganhou 6 milhões de pessoas.
A classe C (renda familiar entre
R$ 1.115 e R$ 4.807), que reúne a maioria da população,
recebeu 25,9 milhões de brasileiros nos últimos cinco
anos.
A constatação
faz parte de um estudo divulgado pela Fundação Getulio
Vargas (FGV), com base nos dados de 2008 da Pesquisa Nacional por Amostra
de Domicílios (Pnad), apresentada na semana passada pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com o economista da
FGV Marcelo Néri, responsável pelo estudo, esse movimento
foi puxado principalmente pelas políticas de transferência
de renda do Governo Federal, como o Bolsa Família, que traz como
impacto direto a melhoria na renda do brasileiro pertencente à
camada mais baixa.
Ele acredita que as transferências
de renda no momento atual de crise podem contribuir para a retomada
da economia.
"Se eu reajusto o Bolsa
Família, a grande beneficiária é a classe E. Se
eu aumento o salário mínimo, quem mais ganha é
a classe D. Já se faço reajuste das aposentadorias acima
do salário mínimo quem ganha mais é a classe AB",
diz Néri.
"Por isso defendo
mais reajustes transitórios ao Bolsa Família do que reajustes
permanentes ao mínimo e ganhos de pensões acima do mínimo,
que não beneficiam nem a classe média brasileira".
(Fonte: Agência Brasil)
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AGÊNCIA DIAP´,
23 de setembro de 2009
Meirelles: Moody's confirma que País
sai antes e forte da crise mundial
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles afirmou, nesta terça-feira
(22), que a elevação do rating (segurança financeira)
brasileiro pela Moody's é o "selo" que confirma que
o País sai da crise mais rápido e mais forte que outras
economias.
"O Brasil foi classificado
como um país vencedor, esta é uma frase forte", disse
a jornalistas, referindo-se à justificativa da Moody's para elevar
o Brasil a grau de investimento.
Meirelles destacou que a decisão
da Moody's foi um reconhecimento da resposta acertada do Brasil à
crise global.
Além de elevar o rating,
a Moody's atribuiu uma perspectiva positiva à dívida soberana
do País.
"Esperamos movimentos semelhantes
das outras agências, especialmente da S&P (Standard &
Poor's). O mínimo que eles podem fazer é empatar o jogo",
acrescentou.
A Moody's era a última
das três principais agências de rating que ainda não
classificava o Brasil como grau de investimento.
Meirelles acredita que a elevação
do rating proporcionará uma melhora na qualidade dos investimentos
de longo prazo no País.
Para ele, é natural que
a Moody's ainda queira ver mais avanços no campo fiscal por ser
uma agência "conservadora".
Meirelles espera que a trajetória
fiscal virtuosa seja retomada em 2010.
"O Governo já anunciou
isso publicamente", afirmou.
Questionado por jornalistas,
o presidente do BC comentou ainda que os juros futuros estão
altos porque embutem os custos das medidas de estímulo à
economia adotadas pelo Governo, mas frisou que a estimativa de inflação
do mercado para 2010 está abaixo da meta. (Fonte: Reuters)
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O ESTADO DO PARANÁ,
23 de setembro de 2009 | Economia
Para 52% dos brasileiros, ação
na crise foi ótima ou boa
Agência Estado
A pesquisa CNI/Ibope divulgada hoje constatou que, para 52% dos brasileiros,
a atuação do governo no combate à crise foi ótima
ou boa, um porcentual inferior ao registrado no levantamento de junho,
de 61%. Para 33%, no entanto, a ação do governo na crise
foi regular e, para 9%, foi ruim ou péssima.
De acordo com a pesquisa, também
diminuiu a percepção sobre a gravidade da crise econômica.
Para 20% dos entrevistados, ela é muito grave - um índice
que era de 26% em junho e de 37% em março deste ano. Para 51%,
a crise é grave, enquanto outros 19% a avaliam como pouco grave.
Para 4%, ela é "nada grave".
O Ibope também questionou
os entrevistados sobre o impacto da crise na economia. Vinte e sete
por cento das pessoas ouvidas disseram que a economia será muito
prejudicada. O indicador era de 30% em junho e de 40% em março.
Dos entrevistados, 51% disseram que a economia será pouco prejudicada
pela crise. Para outros 16%, a economia não será prejudicada.
A pesquisa tentou ainda captar
os impactos da crise nos hábitos de consumo. Para 52% das pessoas,
a crise não alterou e nem causará alterações
nos hábitos de consumo. Em junho, o índice era de 53%
e, em março, de 45%. Segundo o levantamento, 18% disseram que
a crise ainda não alterou os hábitos de consumo, mas deve
alterar. Outros 25% disseram que ela já mudou os hábitos
de consumo ou de planejamento financeiro.
Trinta e quatro por cento dos
entrevistados acham que a crise vai acabar em 2010, um porcentual que
era de 33% em junho. Para 29%, ela vai acabar depois de 2010. Outros
13% avaliam que isso vai ocorrer no segundo semestre de 2009, enquanto
11% disseram não ter previsão. Para 2%, a crise já
foi superada.
Inflação
As expectativas econômicas
para os próximos seis meses melhoraram, de acordo com a pesquisa
CNI/Ibope. Segundo o levantamento, houve queda nas expectativas de alta
da inflação. Para 9%, os preços vão aumentar
muito (ante os 10% na pesquisa anterior) e para 36%, a inflação
vai aumentar (41% de antes). Trinta e sete por cento disseram ainda
que a inflação não vai mudar e 11% que vai diminuir
11%. Para 1%, a inflação vai diminuir muito.
As expectativas em relação
ao desemprego também melhoraram. O índice de pessoas que
disseram que o desemprego vai aumentar muito nos próximos seis
meses caiu de 12% para 8%. Para 32%, o desemprego vai aumentar e para
30% não vai mudar. Para 24%, o desemprego vai diminuir. Um por
cento disse que o indicador vai diminuir muito.
No caso da renda, 5% dos
entrevistados disseram que a renda vai aumentar muito. Para 33%, a renda
vai aumentar e para 49% ela não sofrerá mudanças.
Para 8%, a renda vai diminuir e, para 1%, vai diminuir muito.
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FOLHA DE SÃO PAULO, 23 de setembro
de 2009 | Dinheiro
Indústrias retomam uso da capacidade
de produção, diz BNDES
Luciano Coutinho, presidente do banco
estatal, diz que agora empresas investirão em novos projetos
PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO
O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, disse ontem que, neste terceiro
trimestre, o setor industrial já está próximo de
recuperar o nível de utilização da capacidade instalada
verificado antes da crise, fato que levará à retomada
dos investimentos em novos projetos.
Sem citar números nem pedidos de financiamento que deram entrada
no banco estatal, o executivo afirmou que a recuperação
da economia que está em curso "induz as empresas a investir".
"Neste trimestre, já estaremos provavelmente próximos
de recompor o nível de utilização de capacidade
produtiva que começa a induzir decisões generalizadas
de investimento. Nesse sentido, a perspectiva de retomada do investimento
produtivo nos permite pensar na recuperação sustentável
da economia", afirmou Coutinho, na abertura do seminário
"A Hora e a Vez da Política de Desenvolvimento Produtivo",
realizado no Rio de Janeiro.
Pelos últimos dados disponíveis, a utilização
da capacidade industrial cresceu, mas ainda está distante dos
níveis pré-crise. Ficou em 80,5% em julho, acima dos 79,7%
de junho, segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria).
O percentual é menor, porém, do que os 83,8% de julho
de 2008, quando a economia estava em ritmo acelerado.
Coutinho ressaltou, porém, que para o país manter um crescimento
vigoroso e sem inflação precisa sustentar uma taxa de
investimento em torno de 20% do PIB -patamar próximo ao alcançado
antes da crise. No segundo trimestre, a taxa ficou em 15,7%.
Apesar do otimismo do executivo, o representante da Cepal (Comissão
Econômica para a América Latina e o Caribe) no Brasil,
Renato Balman, disse que é importante exportar e um dos entraves
para deslanchar as exportações é a falta de uma
política industrial coordenada em toda a América Latina.
Para Josué Gomes da Silva, presidente da indústria têxtil
Coteminas, a valorização do real agrava ainda mais essa
desvantagem brasileira especialmente porque o Brasil compete com países
da Ásia que controlam o câmbio e o fluxo de capitais (China,
Índia e outros).
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FOLHA DE SÃO PAULO, 23 de setembro
de 2009 | Dinheiro
Recuperação industrial no
mundo deve levar anos, prevê FMI
FERNANDO CANZIAN
DE NOVA YORK
O FMI (Fundo Monetário Internacional) previu ontem que a produção
industrial global demandará um longo tempo para recuperar os
níveis anteriores ao estouro da atual crise, em setembro de 2008.
Em seu novo relatório, "Panorama da Economia Global",
o Fundo analisou 88 crises bancárias em dezenas de países
nos últimos 40 anos.
Na média, o setor produtivo encolheu em 10% a produção
por um período de sete anos (também em média) após
o início dos problemas financeiros.
A queda ocorre principalmente porque as crises bancários afetam
diretamente a capacidade de as empresas obterem financiamentos para
investir e produzir.
Entre os maiores afetados estão os trabalhadores, pois o desemprego
pode se manter elevado por um período até superior aos
sete anos.
A análise das crises passadas revelou que embora a produção
industrial fique 10% aquém dos níveis pré-crise,
o crescimento econômico geral das economias retorna mais rapidamente.
Isso significa que menos pessoas serão beneficiadas pelo crescimento
do PIB.
Segundo o economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, as crises bancárias
têm efeitos bem mais severos do que recessões comuns, já
que afetam os investimentos e o consumo.
"Em ciclos normais de recessão, a recuperação
ocorre bem mais rapidamente e sem grandes perdas no potencial de produção
das empresas", disse.
A atual crise não é somente global (diferentemente da
maioria das analisadas pelo FMI) como é a maior envolvendo o
sistema financeiro, principalmente o norte-americano, desde a década
de 1930.
Segundo Petya Brooks, economista do fundo, a atual crise bancária
(que levou o mundo a uma recessão) não fará necessariamente
estragos muito maiores do que as anteriores.
"Quando há estímulos fiscais poderosos, como os que
estamos vendo, é possível evitar uma perda maior nos níveis
de produção", disse. Mas seu prognóstico para
os níveis de emprego é que demandarão "muito
tempo" para se recuperar.
Em outro capítulo do mesmo relatório, o FMI também
tentou determinar se havia sinais suficientemente fortes antes da crise
para que as autoridades de vários países pudessem ter
tomados medidas preventivas.
Para isso, foram examinados vários ciclos de "boom"
(rápido crescimento) e "busts" (estouros) nos preços
de dezenas de ativos, como ações, imóveis e outros
papéis do mercado.
A conclusão do fundo é que o fato de vários países
(especialmente os EUA) terem mantido os juros em patamares baixos por
um longo período não foi o principal motivo da crise.
Mas esse fato está relacionado ao que o FMI considera o essencial:
uma forte expansão nos níveis de crédito por um
período entre dois e três anos antes da explosão
nos preços dos ativos. Quando há dinheiro farto e barato
no mercado, a tendência é mais investidores procurarem
um número limitados de opções de investimento,
jogando os preços para cima.
Para Blanchard, a discussão em torno do aumento do poder de supervisão
dos BCs em detrimento de outras agências reguladoras é
pertinente. Segundo ele, um banco central com mais poderes poderia,
por exemplo, manter juros baixos, mas usar outros mecanismos para limitar
a oferta de crédito no mercado imobiliário.
Daqui a alguns dias o FMI também divulgará em sua reunião
anual, em Istambul, na Turquia, previsões de crescimento para
2009 e para 2010.
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AGÊNCIA CÂMARA,
23 de setembro de 2009
Plenário aprova aumento no número
de vereadores do País
Em contrapartida, o texto aprovado prevê
a redução das despesas das câmaras municipais.
Gilberto Nascimento
O Plenário aprovou nesta terça-feira, em segundo turno,
as PECs 336/09 e 379/09, ambas do Senado, que aumentam o número
de vereadores do País dos atuais cerca de 52 mil para cerca de
59 mil. Além disso, ficam reduzidos os percentuais máximos
de receita municipal que podem ser gastos com as câmaras. As PECs
serão promulgadas em sessão solene do Congresso.
O texto mantém as 24
faixas de números de vereadores aprovadas pela Câmara no
ano passado, mas muda a fórmula de cálculo das despesas.
Em vez de percentuais relacionados a faixas de receita anual dos municípios,
como pretendido pela Câmara, os senadores mantiveram a aplicação
de percentuais com base em faixas de população, como determina
a Constituição atualmente.
O substitutivo votado, do deputado
Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), não faz mudanças
de mérito nas PECs, pois apenas reúne os dois textos em
um só. A matéria teve 380 votos a favor, 29 contra e 2
abstenções.
Inconstitucionalidade
A exemplo do primeiro turno, as divergências em torno do texto
se mantiveram nos debates. Um dos pontos polêmicos é a
validade retroativa para o pleito de 2008 da mudança do número
de vereadores, que beneficiará os suplentes de uma eleição
encerrada. A redução dos repasses, entretanto, passará
a valer a partir do ano seguinte à promulgação
da PEC.
Segundo o relator, quem determina
as regras eleitorais "é esta Casa e não o Tribunal
Superior Eleitoral (TSE)". Faria de Sá lamentou que os ministros
do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Britto e Gilmar Mendes tenham
se manifestado sobre o tema e disse que eles têm de se declarar
impedidos de julgar uma possível Ação Direta de
Inconstitucionalidade (ADI), pois opinaram antecipadamente contra a
retroatividade das regras para as eleições de 2008.
Para o deputado Antonio Carlos
Biscaia (PT-RJ), a retroatividade é "absolutamente inconstitucional,
por alterar um resultado de eleições homologadas".
Ele lamentou que as lideranças não tenham se mobilizado
para adotar um destaque que retirasse do texto a retroatividade para
o novo número de vereadores.
José Carlos Aleluia (DEM-BA)
também discursou contra a PEC. Segundo o deputado, a proposta
"fere frontalmente a Constituição e não tem
apoio da população, que prefere eleger diretamente os
seus representantes".
A favor das PECs, o líder
do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), argumentou que a Câmara
apenas restabeleceu o número de vagas compatível com a
representatividade de cada município. "Não estamos
nomeando nenhum vereador, pois as câmaras municipais têm
plena autonomia para acatar e adequar a emenda constitucional",
disse.
Divergência
e acordo
No ano passado, o Senado aprovou apenas o aumento de vereadores, transformado
na PEC 336/09. Quando essa proposta foi enviada à Câmara,
o então presidente Arlindo Chinaglia (PT-SP) se recusou a promulgá-la.
Ele argumentou que os senadores romperam o equilíbrio do texto
aprovado antes pelos deputados (o aumento de vagas estava condicionado
à diminuição de despesas).
A recusa levou o então
presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho, a entrar com um mandado
de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) exigindo a promulgação
parcial do texto já aprovado pelas duas Casas e que tratava apenas
do aumento de vereadores.
Em março deste
ano, houve um acordo que resolveu esse impasse: as novas mesas diretoras
das duas Casas decidiram analisar a parte que trata da limitação
de gastos em outra proposta e o Senado desistiu do mandado de segurança
no STF. Por isso, foram aprovadas duas PECs nesta quarta-feira.
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AGÊNCIA DIAP, 23 de
setembro de 2009
Popularidade de Lula sobe para 81% e votos
de Serra caem 4 pontos
Segundo a pesquisa CNI/Ibope divulgada, nesta terça-feira (22),
a avaliação do Governo Lula oscilou positivamente e retornou
ao mesmo patamar de setembro do ano passado
Enquanto a grande imprensa tenta desesperadamente carimbar a pesquisa
CNI/Ibope como uma má notícia para o bloco governista,
os números mostram que é a oposição quem
deveria se preocupar com os resultados.
A pesquisa não apenas mostra que a popularidade do Governo Lula
continua nas alturas, com a aprovação ao presidente alcançando
81%, como também mostra que o principal candidato da direita,
José Serra (PSDB), perdeu intenções de voto, caindo
de 38 para 34% dos votos.
Lula
continua sendo o personagem principal da disputa de 2010
A pesquisa revela ainda que, na cabeça do eleitor, não
está consolidada a identidade dos candidatos com os programas
que eles representam.
Esse dado fica evidente no contraste
entre a aprovação do Governo (69%) e a intenção
de voto da candidata Dilma Rousseff (18 a 14%) que representa a continuidade
deste Governo.
A oposição também
não consegue mostrar-se como alternativa programática,
já que quando seu candidato preferencial (José Serra)
é substituído pelo também tucano Aécio Neves,
as intenções de voto da oposição de direita
despencam de 34 para 12%.
Avaliação
positiva
Segundo a pesquisa CNI/Ibope divulgada, nesta terça-feira (22),
a avaliação do Governo Lula oscilou positivamente e retornou
ao mesmo patamar de setembro do ano passado, o segundo melhor resultado
de toda a série realizada desde a posse do presidente, em 2003.
A avaliação positiva
do Governo subiu de 68% em junho para 69% em setembro. 22% avaliam o
Governo Lula como regular, e 9% como ruim ou péssimo.
A aprovação do
presidente Lula (a pergunta é: você aprova ou desaprova
a maneira como o presidente Lula está governando o Brasil?) também
aumentou, subiu de 80% em junho para 81% em setembro. No Nordeste, chega
a 90%.
O índice dos que desaprovam
a forma de Lula governar foi de 16% em junho para 17% agora.
A pesquisa CNI/Ibope também
traz um índice que mede o grau de confiança da população
no presidente da República. Os entrevistados são questionados
se confiam ou não no presidente.
Os que confiam foram 76% tanto
agora quanto em junho. Já os que não confiam passou de
21% em junho para 22% em setembro.
A nota média de Lula
em setembro foi de 7,6, contra 7,5 recebida pelo petista em junho deste
ano.
Na comparação
entre o primeiro e o segundo mandatos do presidente, 44% consideram
em setembro que o segundo é melhor que o anterior. Outros 40%
consideram igual, e 14% dizem que o segundo é pior que o primeiro.
Os índices foram similares a junho deste ano.
Cenários
para 2010: Ciro sobe, Serra e Dilma descem
No capítulo sobre as eleições de 2010, a pesquisa
CNI/Ibope testou seis cenários de candidaturas a presidente,
alternando para cada simulação os nomes mais cotados do
PSDB, o governador de São Paulo, José Serra, e o governador
de Minas Gerais, Aécio Neves.
Em quatro deles, foi incluído
pela primeira vez o nome da senadora Marina Silva, que aparece com intenções
de voto entre 6% e 11%.
Em apenas dois cenários,
nos quais Marina não aparece, é possível fazer
a comparação com a pesquisa anterior. Nestas duas simulações,
Serra e Dilma registram queda nas intenções de voto.
O tucano recua quatro pontos
percentuais e Dilma recua de três a quatro pontos, dependendo
do nome do candidato do PSDB. A pesquisa aponta crescimento das intenções
de voto do deputado federal Ciro Gomes e da vereadora e ex-senadora
Heloísa Helena.
Veja os dados abaixo:
Lista 1
José Serra - 34% (Eram 38% em junho).
Ciro Gomes - 17% (Eram 12% em junho).
Dilma Rousseff - 15% (Eram 18% em junho).
Heloísa Helena - 10% (Eram 7% em junho).
Não sabe - 10% (Eram 12% em junho).
Lista 2
Ciro Gomes - 27% (Eram 22% em junho).
Dilma Rousseff - 17% (Eram 21% em junho).
Aécio Neves - 12% (Eram 12% em junho).
Heloísa Helena - 13% (Eram 11% em junho).
Não sabe - 12% (Eram 15% em junho).
Nos cenários em que a
provável candidata do PV aparece, Serra continua liderando quando
seu nome é incluído, mas com margem menor de vantagem
sobre os adversários. Quando Aécio é o candidato
tucano, Ciro Gomes passa a liderar a disputa.
Veja os números:
Lista 3 (com Serra e
Heloisa)
- José Serra - 34%
- Dilma Rousseff - 14%
- Ciro Gomes - 14%
- Heloísa Helena - 8%
- Marina Silva - 6%
- Não sabe - 10%
Lista 4 (com Aécio
e Heloisa)
- Ciro Gomes - 25%
- Dilma Rousseff - 16%
- Aécio Neves - 12%
- Heloísa Helena - 11%
- Marina Silva - 8%
- Não sabe - 12%
Lista 5 (com Serra e
sem Heloisa)
- José Serra - 35%
- Ciro Gomes - 17%
- Dilma Rousseff - 15%
- Marina Silva - 8%
- Não sabe - 10%
Lista 6 (com Aécio
e Sem Heloisa)
- Ciro Gomes - 28%
- Dilma Rousseff - 18%
- Aécio Neves - 13%
- Marina Silva - 11%
- Não sabe - 12%
Educação
em alta, desemprego em baixa
No capítulo da pesquisa que aborda áreas específicas
de atuação, todos os nove itens investigados registram
melhora da avaliação do Governo. Os aumentos mais expressivos
ocorrem no combate à fome e à pobreza, na área
do meio ambiente, na educação e no combate ao desemprego.
A área com a maior melhora
do Governo foi a educação. A aprovação da
atuação do Governo na área subiu dez pontos percentuais
e agora é de 69%.
Pela primeira vez este ano,
cai para menos da metade da população o percentual dos
que acreditam que o desemprego irá aumentar. Um recuo até
março, mostra como essa mudança de perspectiva em relação
ao desemprego é expressiva.
Há seis meses, 68% acreditavam
que o desemprego "aumentaria muito" ou "aumentaria"
e apenas 13% apostavam no aumento da oferta de empregos. Nesse intervalo,
houve uma queda notável de 28 pontos percentuais na perspectiva
de piora do mercado de trabalho.
Hoje, para 40% dos brasileiros,
o desemprego "aumentará muito" ou "aumentará",
enquanto 25% acreditam no aumento da oferta de empregos. Outros 30%
acreditam que o emprego se manterá nos níveis atuais.
No intervalo entre junho e setembro,
os movimentos se mantiveram expressivos.
Os itens que ainda são
desaprovados pela maioria da população: juros, impostos,
saúde e segurança pública.
Pré-sal
é a notícia mais lembrada
Entre as notícias mais lembradas pelos entrevistados, a que aparece
em primeiro lugar é o anúncio do marco regulatório
do pré-sal.
Segundo a pesquisa, 16% disseram
lembrar dessa informação. Em seguida, aparece a crise
do Senado Federal (15%) e a compra de caças pela FAB, a Força
Aérea Brasileira (11%).
Questionados especificamente
sobre o pré-sal, 59% dos entrevistados dizem que já ouviram
falar da exploração do petróleo na camada pré-sal.
Outros 39% dizem que nunca ouviram falar.
Segundo a pesquisa, baixou de
78%, na pesquisa anterior, para 71% aqueles que consideram a crise econômica
mundial muito grave. Ainda segundo o Ibope, 52% dos entrevistados dizem
que o Governo teve uma atuação positiva no combate à
crise.
Mais de metade dos entrevistados
(59%) acha que a saúde deve estar entre as áreas prioritárias
para o próximo presidente. Em seguida, estão educação
(44%), empregos (35%) e segurança (30%).
A pesquisa da Confederação
Nacional da Indústria, feita pelo Ibope, ouviu 2002 pessoas entre
11 a 14 de setembro em 142 municípios. A margem de erro é
de dois pontos, para mais ou para menos e grau de confiança de
95%.
A Pesquisa CNI-Ibope é
realizada trimestralmente para avaliar o desempenho da administração
federal.
Chama atenção
o fato da pesquisa ter sido divulgada apenas 8 dias depois de finalizada,
um prazo bastante elevado se comparado com pesquisas anteriores, que
eram divulgadas com dois ou no máximo três dias após
sua conclusão. (Fonte: Vermelho, com agências).
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AGÊNCIA CÂMARA,
23 de setembro de 2009
CCJ aprova consolidação
de leis previdenciárias em um único texto
A Comissão de Constituição
e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou nesta terça-feira
a consolidação da legislação previdenciária
em vigor. O relator, deputado Colbert Martins (PMDB-BA), recomendou
a aprovação do Projeto de Lei 7078/02, do Poder Executivo,
e do substitutivo do Grupo de Trabalho de Consolidação
das Leis, aprovado em julho de 2008.
A proposta "suprime os
dispositivos legais repetitivos, dá homogeneidade à redação
e reúne todos os textos em uma única lei e, com isso,
propicia maior efetivação das normas constitucionais e
oferece aos seus destinatários maior segurança e facilidade
na observância e aplicação da legislação
previdenciária", destacou o relator.
A CCJ aprovou a constitucionalidade,
a juridicidade e a técnica legislativa tanto do projeto original
quanto do substitutivo do grupo de trabalho, que exclui do texto as
regras relativas ao custeio da Previdência e incluiu leis aprovadas
desde a apresentação da proposta, em 2002. O texto ainda
precisa ser analisado pelo Plenário.
Sistematização
As chamadas leis de consolidação ou consolidações
de lei têm por característica sistematizar em um texto
apenas legislações sobre determinada matéria espalhadas
em diversos diplomas.
A lei consolidada não
promove mudanças de conteúdo na legislação,
mas pode descartar regras que caíram em desuso ou que passaram
a ser consideradas inconstitucionais. A consolidação mais
famosa em vigor é a das Leis do Trabalho (CLT), que, na verdade,
é quase um código, por incluir diversas normas que não
existiam nos vários textos que nela foram sistematizados.
Conheça
o site do Grupo de Trabalho sobre Consolidação das Leis
Íntegra
da proposta:
-
PL-7078/2002
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AGÊNCIA DIAP, 23 de
setembro de 2009
Especialistas apóiam ampliação
da licença-maternidade para seis meses
Representantes do Ministério da Saúde e da Central Única
dos Trabalhadores (CUT) manifestaram, nesta terça-feira (22),
apoio à Proposta de Emenda à Constituição
(PEC) 30/07, da deputada Angela Portela (PT/RR), que garante a todas
as trabalhadoras brasileiras a ampliação da licença-maternidade
de quatro para seis meses.
A PEC foi debatida na comissão
especial que analisa a matéria.
Atualmente, a licença
já pode ser estendida para seis meses, no caso das empresas que
aderirem ao Programa Empresa Cidadã, criado pela Lei 11.770/08.
O Governo Federal e alguns governos estaduais também estenderam
o período para seis meses.
Adson França, assessor
especial do Ministério da Saúde, ressaltou que o maior
tempo de atenção da mãe garante ao bebê mais
afeto e proteção.
Ele citou dados da Organização
Mundial de Saúde (OMS) sobre o poder do aleitamento materno,
responsável pela redução da mortalidade infantil
e pela prevenção de várias doenças na fase
adulta, como hipertensão arterial, diabetes, obesidade, problemas
coronarianos e algumas formas de câncer.
A amamentação
exclusiva também ajudaria a reduzir as doenças respiratórias
das crianças em 50% e os casos de diarréia em 66%. De
acordo com Adson França, esses dados são suficientes para
rebater eventuais resistências dos empresários à
ampliação da licença.
"Podemos, num movimento
nacional de envolvimento da sociedade, mostrar ao empresariado que a
licença de seis meses vale a pena: é um compromisso social
e é afeto. O empresário vai ter uma irmã, uma filha
ou a sua companheira, que trabalha em outra empresa, precisando desses
seis meses de afeto, de carinho e de amamentação exclusiva",
disse França.
Mães
e pais
Em nome do que chamou de "responsabilidade compartilhada",
a secretária nacional sobre a mulher trabalhadora da CUT, Rosane
da Silva, também pediu a ampliação da licença-paternidade.
"Debater a ampliação
da licença somente para as mulheres passa uma visão, à
sociedade, de que as únicas responsáveis pelo cuidado
dos filhos somos nós, mulheres. Nós temos promovido o
debate sobre uma licença de um ano: os seis primeiros meses seriam
de responsabilidade da mãe e os outros do pai", sugeriu.
Prefeituras
A autora da PEC disse que os servidores públicos de 22 governos
estaduais e de 121 prefeituras já adotam a licença-maternidade
de seis meses.
"No caso dos municípios,
esse número é ainda muito pequeno, mas há uma sinalização
de que a sociedade aceita a medida", comentou.
No setor privado, a licença
de seis meses está prevista no Programa Empresa Cidadã.
"Esse programa é
restritivo porque 70% das trabalhadoras do setor privado, que estão
nas empresas do Simples, não fazem parte do Empresa Cidadã.
Se é uma proposta para assegurar o direito à infância
saudável, tem que valer para todas as mulheres", argumentou
Angela Portela.
Ela rebateu a tese de que a
licença de seis meses vai "quebrar" a Previdência:
"Já temos números mostrando que isso não representa
um custo maior, porque vai haver uma redução considerável
das despesas de internação das crianças e uma diminuição
da mortalidade infantil".
Informalidade
Rosane da Silva pediu que os parlamentares encontrem uma forma de garantir
o benefício para as mulheres que trabalham na informalidade,
sem carteira assinada.
A relatora da PEC, Rita Camata
(PMDB/ES), esclareceu que a proposta alcança as trabalhadoras
rurais e domésticas que contribuem com a Previdência.
"Essa PEC não pode
atender quem está na informalidade, porque o sistema é
contributivo e, portanto, quem está contribuindo com a Previdência
terá o direito à licença-gestante. Quem não
está infelizmente não será enquadrado", explicou
Camata.
Segundo a deputada, a situação
das demais mulheres terá de ser resolvida por meio do PL 5.773/05.
"Estamos trabalhando para
aprovar esse projeto, que prevê a contribuição especial
das donas-de-casa, milhões e milhões de mulheres que trabalham,
seguram toda a estrutura familiar e não têm direito nem
à licença-maternidade nem à aposentadoria",
lembrou. (Fonte: Agência Câmara)
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FOLHA DE SÃO PAULO,
23 de setembro de 2009 | Dinheiro
Trabalho
Bancários podem entrar em greve
a partir de amanhã
DA REPORTAGEM LOCAL
Bancários de todo o país
fazem assembleias hoje para decidir se vão entrar em greve por
tempo indeterminado a partir de amanhã por causa do impasse na
campanha salarial deste ano.
O Comando Nacional dos Bancários, formado por sindicalistas que
negociam em nome de 400 mil funcionários (representados por 134
sindicatos de todo o Brasil), informa que, se não houver uma
proposta salarial melhor à categoria, os trabalhadores devem
parar.
Na última sexta-feira, o comando enviou comunicado à Fenaban
(federação dos bancos) rejeitando a oferta feita pela
entidade: reajuste salarial de 4,5% e PLR (Participação
nos Lucros e Resultados) paga em duas parcelas. A primeira parte é
de 1,5 salário até R$ 10 mil e 4% do lucro líquido
deste ano. A segunda parte é de 1,5% do lucro líquido
(igualmente distribuído entre os empregados) até R$ 1.500.
"A nossa pauta de reivindicações foi entregue aos
bancos no dia 10 de agosto. Após mais de um mês de negociações,
eles fizeram uma proposta rebaixada que apenas repõe a inflação,
diminui o valor da PLR do ano passado e ignora as outras demandas",
afirma Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando
Nacional.
De acordo com os sindicalistas, atualmente os bancos podem distribuir
até 15% do lucro líquido em forma de PLR para os trabalhadores.
Pela proposta feita neste ano, esse percentual seria reduzido para 4%.
Os trabalhadores também querem incluir na convenção
coletiva cláusula de proteção aos empregos em caso
de fusão, o que foi rejeitado pelos empregadores.
Na pauta de reivindicação dos bancários está
ainda reajuste salarial de 10%, PLR no valor de três salários
mais R$ 3.850 fixos. Também pedem valorização dos
pisos salariais e adicional de risco de vida de 40% do salário
para quem trabalha em agências e postos. (CLAUDIA ROLLI)
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
23/09/2009
TST considera MP legítimo para representar
grupo de trabalhadores
A Quinta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho considerou que o Ministério Público do Trabalho
tem legitimidade para ingressar com ação civil pública
com objetivo de garantir o cumprimento da jornada de trabalho legal
de um grupo de motoristas da Expresso Luziane LTDA. Em julgamento anterior,
o Tribunal Regional do Trabalho da Terceira Região (TRT-MG) entendeu
que caso era de direitos específicos e individuais, embora possam
ser analisados em grupos, e não coletivos e difusos, como determina
a Constituição Federal (artigo 129) para atuação
do Ministério Público.
O ministro Emmanoel Pereira,
relator do processo, alegou que, no caso, o Ministério Público
busca o interesse coletivo de um grupo de trabalhadores e não
de “interesses privados disponíveis”. Assim, a ação
civil pública não teria apenas o efeito reparatório.
“A inobservância de direitos assegurados por décadas
na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) é suficiente
para causar o caos, e por conseqüente, o desequilíbrio na
relação entre o poder e o arbítrio, dando prevalência
ao primeiro.”
Antes de interpor ação
civil na Justiça do Trabalho, o Ministério Público
tentou fazer com que a empresa assinasse um Termo de Compromisso de
Ajustamento de Conduta, com o objetivo de cumprir o intervalo de 11
horas de descanso entre as jornadas de trabalho e não ultrapassar
o limite legal de duas horas extras diárias para os motoristas.
A empresa não assinou
o termo porque não teria condições de cumpri-lo,
tendo em vista as “as peculiaridades do trabalho” dos empregados.
O TRT-MG entendeu que no caso existe a necessidade de “se distinguirem
as situações de cada trabalhador” e, portanto, o
meio jurídico apropriado seria a interposição de
dissídio individual (reclamação trabalhista) ou
coletivo (plúrimos).
A Quinta Turma do TST, a julgar recurso do Ministério Público
contra decisão do Tribunal Regional, utilizou as jurisprudências
do Supremo Tribunal Federal (STF) e do próprio TST, “que
consagram o entendimento de que o Ministério Público possui
legitimidade para ajuizar ação civil pública para
a defesa dos interesses individuais homogêneos”. (RR-1310/2001-095-03-00.1)
(Augusto Fontenele)
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23/09/2009
TST afasta incorporação
de vantagens previstas em norma coletiva
A Primeira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho reformou a decisão regional que garantiu
a um empregado da Empresa Baiana de Águas e Saneamento S/A (Embasa)
parcelas relativas à gratificação de férias,
ticket alimentação, prêmio assiduidade, adicional
de turno e promoções bienais sob o entendimento de que
essas vantagens, previstas em cláusulas e condições
do Acordo Coletivo de Trabalho de 1992/1993, incorporam-se a seu contrato
de trabalho. O recurso da Embasa, cujo relator foi o ministro Lelio
Bentes Corrêa, foi acolhido na parte em que contestou a incorporação
de normas coletivas não mais vigentes a contratos individuais
de trabalho.
Segundo o ministro Lelio Bentes,
a decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região
(BA) contrariou a Súmula 277 do TST, segundo a qual as condições
de trabalho alcançadas por força de sentença normativa
vigoram no prazo assinado, não integrando, de forma definitiva,
os contratos. As vantagens constam de sentença normativa do TRT/BA,
que homologou a transação que pôs fim ao dissídio
coletivo. O TRT/BA entendeu que as cláusulas de sentença
normativa da Justiça do Trabalho incorporam-se definitivamente
aos contratos individuais de trabalho dos integrantes da categoria profissional,
visto que são proferidas depois de esgotadas as possibilidades
de negociação entre as partes.
O recurso ao TST, a defesa da
Embasa alegou que as cláusulas normativas não se incorporam
aos contratos individuais de trabalho, por isso não se pode falar
em direito adquirido, já que as vantagens estão limitadas
ao termo de vigência do instrumento normativo. A Embasa informou
que não existe atualmente nenhuma norma coletiva em vigor que
assegure os direitos requeridos pelo trabalhador judicialmente. O ministro
Lelio Bentes afirmou que a jurisprudência do TST tem se encaminhado
no sentido de que a Súmula 277 aplica-se indistintamente às
sentenças normativas (proferidas pela Justiça do Trabalho)
e às normas coletivas autônomas (convenção
e acordo coletivo), em razão da identidade de seus efeitos. (RR
679/1998-007-05-00.7)
(Virginia Pardal)
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