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O ESTADO DO PARANÁ, 24 de setembro
de 2009 | Economia
Previdência registra déficit
de R$ 5,19 bilhões em agosto
Agência Estado
O déficit da Previdência Social no mês de agosto
somou R$ 5,19 bilhões, valor corrigido pelo Índice Nacional
de Preços ao Consumidor (INPC), segundo os dados divulgados
hoje pela Previdência Social.
O déficit é resultado
de uma arrecadação líquida de R$ 14,40 bilhões
e de despesas com pagamentos de benefícios de R$ 19,59 bilhões.
Em julho de 2009, o déficit foi menor, R$ 3,10 bilhões,
e em agosto do ano passado ficou em R$ 4,24 bilhões.
No acumulado de janeiro a agosto,
o déficit da Previdência Social, em valores nominais, somou
R$ 29,561 bilhões. A arrecadação líquida
no período foi de R$ 110,653 bilhões, enquanto as despesas
com pagamentos de benefícios previdenciários somaram R$
140,214 bilhões.
Com a correção
dos valores pelo INPC, o déficit previdenciário no acumulado
do ano totaliza R$ 29,902 bilhões, resultado de arrecadação
líquida de R$ 111,837 bilhões e despesas com benefícios
de R$ 141,739 bilhões. No mesmo período de 2008, o déficit
corrigido pelo INPC era de R$ 26,037 bilhões.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
24 de setembro de 2009 | Mundo
Lula cobra reforma em instituições
para evitar novas crises
Em discurso de abertura da 64ª Assembleia
Geral da ONU, presidente diz que ricos pouco fizeram em 12 meses de
crise | Brasileiro se compromete com engajamento na luta contra o aquecimento
global e defende o fim do embargo do governo dos EUA a Cuba
DE NOVA YORK
Em discurso de abertura da 64ª
Assembleia Geral da ONU e na véspera da reunião do G20,
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou uma atuação
mais firme dos países ricos na implementação de
reformas que visam evitar a repetição da crise econômica
mundial.
Passados 12 meses do agravamento da crise, o brasileiro avalia que os
países ricos pouco fizeram em termos de reforma do sistema financeiro
e em mudanças em organismos multilaterais como o FMI (Fundo Monetário
Internacional) e o Banco Mundial.
Na visão de Lula, após alguns meses, a crise gerou uma
espécie de "conformismo" nas economias dos países
desenvolvidos, o que fez com que as mudanças de fundo, essenciais
para evitar um novo ciclo de crise, fossem deixadas de lado.
Para o presidente, a economia mundial não comporta mais um sistema
de representação definido com base nos parâmetros
que se seguiram à Segunda Guerra Mundial.
"Os países pobres e em desenvolvimento têm de aumentar
sua participação na direção do FMI e do
Banco Mundial.
Sem isso, não haverá efetiva mudança e os riscos
de novas e maiores crises serão inevitáveis. Somente organismos
mais representativos e democráticos terão condições
de enfrentar problemas complexos como os do reordenamento do sistema
monetário internacional."
Lula destacou que é necessário construir uma nova ordem
internacional para lidar com os três principais problemas de hoje:
crise financeira, governança mundial e mudança do clima.
O presidente destacou que tem defendido em reuniões do G20 a
regulação financeira, a generalização de
políticas anticíclicas, o fim do protecionismo e o combate
a paraísos fiscais.
Lula afirmou no discurso que o fato de o Brasil ser um dos primeiros
a sair da crise depois de ter sido um dos últimos a perceber
os seus efeitos não foi resultado de mágica e sim de políticas
como programas de transferência de renda, aumento do salário
acima da inflação e estímulos fiscais.
"Não tenho a ilusão de que podemos resolver nossos
problemas sozinhos, apenas no espaço nacional. A economia mundial
é interdependente.
Estamos todos obrigados a atuar além das nossas fronteiras",
disse.
Para o presidente, mais do que uma crise bancária, a crise financeira
representa o fim de uma série de dogmas, como o do Estado mínimo
e da autorregulação. Segundo Lula, esta é "a
hora da política", em que governantes, e não tecnocratas,
devem assumir a responsabilidade de enfrentar a desordem mundial.
Clima e Cuba
No discurso, Lula voltou a se comprometer com uma atuação
mais incisiva do Brasil no tema de mudanças climáticas.
"O Brasil está cumprindo a sua parte. Vamos chegar a Copenhague
com alternativas e compromissos precisos. Aprovamos um plano de mudanças
climáticas que prevê redução de 80% do desmatamento
da Amazônia até 2020. Diminuiremos em 4,8 bilhões
de toneladas a emissão de CO2, o que representa mais do que a
soma dos compromissos de todos os países desenvolvidos juntos."
Como esperado, o presidente defendeu o fim do embargo americano a Cuba,
que chamou de anacronismo. Ele cobrou "vontade política"
para pôr fim ao problema. (JANAINA LAGE)
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O ESTADO DO PARANÁ,
24 de setembro de 2009 | Economia
Comissão analisará uso
do FGTS para ação da Petrobras
Agência Estado
A comissão especial da Câmara que analisa o projeto que
autoriza a capitalização da Petrobras, dentro do pacote
de regulamentação da exploração e produção
do petróleo da camada pré-sal, discute a permissão
para o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) na
compra de ações da empresa.
"O clima (na comissão)
é positivo", afirmou o presidente da comissão, deputado
Arnaldo Jardim (PPS-SP), um defensor da ideia. A comissão se
reuniu hoje e marcou as primeiras audiências públicas para
a próxima terça-feira. Serão ouvidos representantes
da BM&FBovespa e da Comissão de Valores Mobiliários
(CVM).
No entendimento de Jardim, em
um primeiro momento de emissão, o trabalhador que já usou
o FGTS para comprar ações da Petrobras poderia novamente
usar o fundo para adquirir uma maior participação.
Segundo Jardim, após
essa oferta, se ainda houver ações, elas seriam colocadas
no mercado para que outros trabalhadores pudessem também comprar
usando o dinheiro do FGTS. "A experiência foi bem-sucedida",
afirmou Jardim, referindo-se à compra de ação da
Petrobras com o uso do FGTS no passado.
A comissão especial
marcou o dia 20 de outubro como uma data de referência para a
apresentação do parecer do relator, deputado João
Maia (PR-RN). O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP),
fixou a data de 10 de novembro para o início da votação
no plenário dos quatro projetos do marco regulatório da
exploração de petróleo do pré-sal.
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FOLHA DE LONDRINA, 24 de setembro
de 2009 | Política
Parlamentares também querem salário
maior
Movimento em causa própria, iniciado
após reajuste concedido aos ministros do STF, pode intensificar
efeito cascata
Brasília - Na esteira
do aumento de 9% do salário dos ministros do Supremo Tribunal
Federal (STF) e do procurador-geral da República, aprovado ontem
na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ)
do Senado, os parlamentares iniciaram um movimento em causa própria
que pode intensificar o efeito cascata do reajuste.
O líder do governo no
Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), defendeu que os salários
dos parlamentares, do presidente da República e dos ministros
de Estado sejam equiparados ao dos ministros do Supremo.
Com o aumento, a remuneração
dos magistrados do STF passará dos atuais R$ 24.500 para R$ 26.723,13
mensais, a partir de 1º de fevereiro de 2010. O salário
dos parlamentares é de R$ 16.512, enquanto o do presidente da
República é de R$ 11.420 e o dos ministros de Estado,
de R$ 10.748.
''Não tem sentido o juiz,
o desembargador, o ministro do Supremo ganhar (sic) mais que o presidente
da República, um senador, um deputado federal, o ministro da
Fazenda'', afirmou Jucá. Ele argumentou que a Constituição
prevê o mesmo teto salarial para os chefes dos Poderes.
''Deveríamos ter coragem
para que o teto fosse equiparado. Seria importante que cumpríssemos
a Constituição e corrigíssemos o salário
do Poder Executivo e Legislativo'', argumentou. ''O salário de
um ministro de Estado é vergonhoso'', completou Wellington Salgado
(PMDB-MG), que também reclamou do próprio salário.
O último reajuste dado aos salários dos parlamentares,
do presidente e dos ministros foi em maio de 2007.
O projeto aprovado prevê
o reajuste em duas parcelas. A primeira, de cerca de 5%, é retroativa
ao dia 1º deste mês, elevando a remuneração
para R$ 25.725. A segunda parcela é de 3,88% e será paga
a partir de 1º de fevereiro de 2010, fixando os salários
dos onze ministros do STF e do procurador-geral em R$ 26.723,13.
O reajuste concedido aos ministros
do Supremo e ao procurador-geral desencadeará um aumento em cascata
para todos os procuradores e integrantes do Judiciário. Segundo
cálculos da consultoria da Câmara dos Deputados, o reajuste
elevará os gastos da União em R$ 189 milhões com
os magistrados e em R$ 94 milhões com o Ministério Público.
Eugênia Lopes
Agência Estado
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BEM PARANÁ, 24 de setembro de 2009
| Política
Portas fechadas
Protesto de prefeitos atinge 28 cidades
do PR
A manifestação foi um protesto
contra a queda de receita de R$ 90,6 milhões dos repasses Fundo
de Participação dos Municípios
23/09/09 às 21:43 | Antonio França
Vinte e oito prefeituras, das 30 filiadas à Associação
dos Municípios do Setentrião Paranaense (Amusep), no Noroeste
do Estado, incluindo Maringá, maior cidade da região e
a terceira mais populosa do Paraná, fecharam as portas ontem
para atendimento ao público. A manifestação foi
um protesto contra a queda de receita de R$ 90,6 milhões dos
repasses Fundo de Participação dos Municípios (FPM)
em 2009 em relação a 2008. Os prefeitos decidiram viajar
a Brasília, onde participam de um debate promovido pela Confederação
Nacional dos Municípios (CNM). O protesto foi uma medida de alerta
e hoje as prefeituras serão reabertas.
O fechamento das portas das prefeituras do Noroeste do Estado é
o quarto movimento regional em menos de dois meses no Paraná.
Dezenove prefeituras ligadas a Associação dos Municípios
do Norte do Paraná (Amunop) suspenderam as atividades por 24
horas em julho. Em agosto, 16 cidades da Associação dos
Municípios do Centro do Estado (Amucentro) e outras 26 prefeituras
da Associação dos Municípios do Vale do Ivaí
(Amuvi) fecharam as portas por um dia.
Ontem, a Amusep informou que conseguiu a adesão de 28 prefeituras
e que somente os municípios de Astorga e Itaguajé mantiveram
o atendimento público. As prefeituras que fecharam as portas
ontem mantiveram os serviços essenciais, como postos de saúde
e hospitais. Em alguns, a coleta de lixo foi suspensa por um dia. “Este
é o pior momento que estamos passando, chegamos ao fundo do poço”,
reclama o prefeito de Munhoz de Melo e presidente da Amusep, Gilmar
Silva (PMDB).
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BEM PARANÁ, 24 de setembro
de 2009 | Política
Polêmica
Câmara vai consultar TRE sobre novos
vereadores
PEC aumenta de 38 para 41 o número de
cadeiras; suplentes querem assumir já
23/09/09 às 21:43 | Antônio França
O presidente da Câmara
Municipal de Curitiba, João Cláudio Derosso (PSDB), disse
que deixará para o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) decidir
sobre a posse imediata ou não, dos três suplentes que querem
assumir novas cadeiras na Casa, após a aprovação
na noite da última terça-feira, pela Câmara Federal,
de Proposta de Emenda Constitucional que prevê o aumento do número
de vereadores no País. Pela PEC, que aumentou de 51.988 para
59.611 o número de cadeiras nas câmaras municipais brasileiras,
prevê a posse já dos não eleitos em 2008, enquanto
setores da Justiça apontam que a decisão só vale
para os que serão eleitos em 2012.
Pela proposta, em Curitiba o número de vereadores sobe de 38
para 41. Além de ampliar tamanho dos legislativos municipais,
a PEC prevê a queda de 5% para 4,5% no porcentual da receita da
prefeitura que a Câmara da Capital terá direito para seus
gastos.
A PEC que cria 7.709 vagas de vereadores em todo o Brasil. A promulgação
não depende do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas
apenas da Mesa do Congresso. No Artigo 3º, a PEC determina a posse
de imediato. Ou seja, os vereadores podem ocupar as cadeiras, mas não
terão remuneração retroativa a janeiro de 2009,
quando tomaram posse os vereadores eleitos em 2008. Em Curitiba, os
suplentes são Paulo Salamuni (PV), Roseli Isidoro (PT) e Clemente
Vieira (PMDB). Todos já disseram que pretendem reivindicar as
suas cadeiras assim que a lei for promulgada (ver matéria nesta
página).
Derosso afirmou que a decisão da Mesa da Câmara de Curitiba
vai ocorrer nos mesmos moldes de 2004, quando a Casa tinha 35 vereadores
e houve um aumento para 38. “Naquela ocasião, a consulta
feita ao TRE dizia apenas ‘cumpra-se’ . Foi o que nós
fizemos. Não vou mais discutir o mérito da PEC, nem vou
falar se a cidade precisa de mais ou de menos vereadores. Vou cumprir
a decisão. Se o TRE mandar eu empossar os suplentes, assim eu
farei”, alegou.
Mesmo sem entrar na polêmica, Derosso acredita que poderá
haver uma batalha judicial, caso o TRE decida pela proibição
da posse já em 2009. “Tanto o presidente do Supremo Tribunal
Federal (STF), Gilmar Mendes, quanto o do Tribunal Superior Eleitoral
(TSE), Carlos Ayres Britto, já disseram que os efeitos da emenda
só valem para a eleição municipal de 2012. Então,
o Artigo 3º poderá ser derrubado por inconstitucionalidade.
Isso vai causar discussão”, previu Derosso.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
24 de setembro de 2009 | Brasil
Senado dá aval a salário
de R$ 26,7 mil para Supremo
Reajuste de ministros reativa discussão
de equiparação de subsídios dos Três Poderesv
| Salário dos ministros é teto do funcionalismo público;
impacto de aumento nos cofres públicos é estimado em R$
283 milhões anuais
LETÍCIA SANDER
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O Senado deu ontem aval ao aumento
dos salários dos ministros do Supremo Tribunal Federal e do procurador-geral
da República de R$ 24,5 mil para R$ 26,7 mil.
A aprovação dos dois projetos na Comissão de Constituição
e Justiça foi unânime. A decisão é terminativa,
ou seja, se não houver recurso ao plenário, na próxima
semana o projeto segue para sanção do presidente da República.
O aumento aos magistrados será feito de forma escalonada: 5%
serão pagos a partir de setembro, e outros 3,88%, a partir de
fevereiro de 2010. Os valores foram negociados diretamente entre os
presidentes da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), e do Supremo,
Gilmar Mendes, e também contaram com o aval do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva.
O reajuste deflagra um efeito cascata no Judiciário e no Ministério
Público. Consultores da Câmara dos Deputados, onde os projetos
foram aprovados dia 9 de setembro, estimam que o impacto nos cofres
públicos será de R$ 283 milhões anuais, sendo R$
189 milhões no Judiciário e R$ 94 milhões no Ministério
Público.
O salário dos ministros do STF é o teto do funcionalismo
público e serve de base para outras categorias. Ontem mesmo,
logo após a aprovação dos projetos, os senadores
Romero Jucá (PMDB-RR) e Wellington Salgado (PMDB-MG) saíram
em defesa da equiparação dos salários do Executivo
e do Legislativo com o do Judiciário.
"O poder público deveria ter a coragem de fazer a equiparação",
disse Jucá. Salgado reclamou de "distorções"
que precisam ser corrigidas, e como exemplo citou o fato de ministros
do Executivo não terem direito a uma cota de passagens, tal qual
a dos parlamentares.
Senadores recebem hoje R$ 16.512 mensais, além de benefícios
como verba indenizatória, cota postal, de passagens, entre outros.
O texto original dos projetos relativos aos aumentos no Judiciário
inicialmente previa um reajuste ainda maior, com outros 4,6% de aumento
a partir de novembro deste ano. Esta parte, no entanto, foi suprimida
na votação da Câmara.
Em seu parecer, o relator dos projetos, senador Marco Maciel (DEM-PE),
disse considerar "justo" o aumento.
Maciel argumentou que o valor havia sido alterado pela última
vez em 1º de janeiro de 2006, e sofreu desde então "significativa
depreciação em decorrência da inflação".
Acrescentou ainda que o reajuste nos moldes do que foi aprovado ontem
é inferior à inflação acumulada no período.
"É inegável que as garantias para uma magistratura
independente e isenta são de interesse de todo o país.
A Constituição reconhece a irredutibilidade de subsídio
dos juízes, com o fim de assegurar tais garantias. Acreditamos
que esse princípio impõe a necessidade de reajuste periódico
de acordo com os índices inflacionários", disse o
relator.
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AGÊNCIA DIAP, 24 de
setembro de 2009
CAS aprova três proposições
que ampliam proteção aos assalariados
A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado aprovou, nesta
quarta-feira (23), três propostas para ampliar a proteção
ao trabalhador.
A primeira, do senador César
Borges (PR/BA), melhorará a rentabilidade das aplicações
dos recursos do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS)
ao dispor que os resultados das aplicações desses fundos
deverão ser repartidas, igualmente, entre os detentores das contas
e o gestor do Fundo, ou seja, a Caixa Econômica Federal (CEF).
Na justificativa do PLS 301/08,
o senador baiano afirma que dados extraídos da empresa e dos
relatórios de gestão do FGTS levam a crer que a situação
atual é marcada por uma excessiva carga de despesas administrativas.
"Ao repartir, igualmente
a rentabilidade das aplicações entre os detentores das
contas e o gestor do Fundo, a proposição caminha para
melhorar, decisivamente, a remuneração dos depósitos
dos trabalhadores", destacou.
Bancário
inadimplente não pode sair por justa causa
A segunda proposição aprovada para beneficiar o trabalhador
diz respeito à revogação da cláusula da
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) que permite a
rescisão de contrato de trabalho por justa causa do bancário
que estiver inadimplente em relação a suas contas.
Para o relator do PLC 46/08,
senador Paulo Paim (PT/RS), essa cláusula é injusta e
contraproducente uma vez que, "se o bancário for demitido,
será ainda mais difícil que consiga quitar seus débitos",
afirmou.
Ausência
do serviço sem prejuízo da remuneração
A CAS aprovou, também, uma terceira matéria para beneficiar
o trabalhador, ao permitir sua ausência do serviço sem
prejuízo de sua remuneração por um período
de até três dias úteis para realização
de exames preventivos de câncer, devidamente comprovados através
de atestados médicos.
O relator do PLC 158 de 2008,
senador Mão Santa (PMDB/PI), afirmou ser importante permitir
que os trabalhadores possam realizar exames de rotina, preventivos de
câncer, porque se trata de uma questão de saúde
pública.
A reunião da CAS
foi presidida pelo senador Papaléo Paes (PSDB/AP) e as três
matérias aprovadas prosseguirão sua tramitação
no Senado, devendo ser analisadas e votadas ainda pela Comissão
de Assuntos Econômicos (CAE).
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AGÊNCIA
DIAP, 24 de setembro de 2009
Mais uma vez foi adiada votação
do projeto de lei que disciplina demissões
O empresariado, encabeçado pela CNI, faz forte lobby na Câmara
para que a proposta não seja aprovada
Previsto para ser votado nesta quarta-feira (23), na Comissão de
Trabalho da Câmara dos Deputados, o projeto de lei complementar
(PLP) 8/03, que disciplina as demissões sem justa causa foi retirado
de pauta a pedido do deputado Márcio Junqueira (DEM/RR).
O projeto do deputado Maurício Rands (PT/SP) define os motivos
que poderiam fundamentar a demissão: dificuldade financeira da
empresa, reestruturação produtiva, indisciplina ou insuficiência
de desempenho do empregado.
Na Comissão de Trabalho, o projeto recebeu
substitutivo do deputado Roberto Santiago (PV/SP), que poderia ter sido
votado na quarta.
Entre outros aspectos, a nova proposta exige
negociação com os sindicatos em eventuais demissões
coletivas ou demissões arbitrárias; disciplina a multa
de 40% do FGTS e trata da estabilidade provisória.
O empresariado faz forte lobby para que a proposta
não seja aprovada.
Três deputados - Laércio Oliveira
(PSDB/SE), José Otávio Germano (PP/RS) e Luiz Carlos Busato
(PTB/RS) - apresentaram voto em separado para rejeitar o projeto.
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O ESTADO DO PARANÁ,
24 de setembro de 2009 | Economia
Empresas pagarão menos pelo seguro-acidente
em 2010
Agência Estado
O seguro-acidente, um porcentual pago sobre a folha de pagamento para
custear despesas da Previdência Social com trabalhadores acidentados,
vai diminuir para a maioria das empresas a partir do ano que vem. O
ministro da Previdência, José Pimentel, anunciou hoje que
1,005 milhão de empresas, de um total de 1,083 milhão
que pagam o seguro, estão em setores de atividade que diminuíram
o número de acidentes de trabalho e, por isso, serão beneficiadas
com a redução do encargo.
Pimentel antecipou que anunciará
na próxima terça-feira os ramos de atividade que terão
uma redução de até 50% no Seguro de Acidente do
Trabalho (SAT). A redução será feita pela aplicação
do Fator Acidentário de Prevenção (FAP), criado
por uma lei, aprovada ainda em 2007, que vai entrar em vigor em janeiro
de 2010.
O FAP é um multiplicador
aplicado sobre a alíquota do seguro e pode aumentar ou reduzir
o valor da contribuição. Atualmente, a alíquota
do seguro varia entre 1% e 3% da folha de pagamento da empresa, dependendo
de nível de risco de acidente e doenças ocupacionais em
que a empresa foi classificada.
O valor a ser multiplicado vai
de 0,5 a 2, o que significa, por exemplo, que, para quem paga o porcentual
de 3%, a alíquota poderá ser reduzida para 1,5% ou elevada
para até 6%.
"A nossa intenção
é ter um mecanismo para premiar as empresas que estão
investindo em segurança do trabalho e saúde do trabalhador",
afirmou o ministro. Por outro lado, disse Pimentel, 78,2 mil empresas
terão o valor do recolhimento ampliado em até 100%.
Pelos dados da Previdência
Social, 1,083 milhão de empresas (as que declaram Imposto de
Renda pelo lucro presumido ou pelo lucro real) deverão aplicar
o FAP para definir o valor do seguro de acidente. As empresas optantes
pelo Simples Nacional (regime simplificado de pagamento de impostos),
que somam 3,273 milhões, não usam este método.
Em 2008, a Previdência
recebeu R$ 7,4 bilhões das empresas como pagamento do seguro,
mas desembolsou R$ 11,6 bilhões em benefícios por afastamento
do emprego por conta de acidentes de trabalho. A previsão para
este ano é de que as receitas somem R$ 8,1 bilhões contra
uma despesa de R$ 12,3 bilhões.
Os dados mais recentes
do Ministério da Previdência mostram que foram registrados
653.090 acidentes de trabalho em 2007. Naquele ano, uma média
de 31 trabalhadores por dia não retornaram ao trabalho devido
a acidentes que resultaram em invalidez ou morte.
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O ESTADO DO PARANÁ,
24 de setembro de 2009 | Cidades
Grevistas e ECT têm hoje primeira
audiência no TST
Luciana Cristo
Hoje ocorre a primeira audiência entre a Empresa Brasileira de
Correios e Telégrafos (ECT) e os funcionários grevistas
da estatal, no Tribunal Superior do Trabalho (TST), em Brasília.
Os trabalhadores estão
em greve há nove dias e, só no Paraná, o movimento
afeta a distribuição de 300 mil correspondências
ao dia, o que já totaliza 2,7 milhões de objetos parados.
O TST determinou, na última segunda-feira, que 30% do efetivo
dos Correios mantenha-se trabalhando, o que, segundo a ECT, não
está sendo cumprido. “A ECT passou a informar as Procuradorias
Regionais do Trabalho sobre o descumprimento da ordem judicial, para
que seja aplicada multa de R$ 50 mil por dia, por unidade, ao sindicato
da respectiva área de jurisdição”, diz documento
divulgado pela empresa. No entanto, a empresa informou que a adesão
nacional à greve é de apenas 10%.
No Paraná, a ECT diz
que são cinco unidades que estão descumprindo a determinação,
duas em Foz do Iguaçu e três na região de Curitiba.
O Sindicato dos Trabalhadores nos Correios do Paraná (Sintcom-PR)
contestou a informação dos Correios.
Segundo o secretário-geral
do sindicato, Nilson Santos, são cerca de 4 mil trabalhadores
parados no Estado, no total de 6,2 mil, o que dá um percentual
de 64,5% dos funcionários em greve.
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O GLOBO, 24 de setembro
de 2009 | Cidades
Águas Claras
Prédio em construção
desaba e mata engenheiro no DF
Bom Dia DF, O Globo
Publicada em 23/09/2009 às 11h00m
BRASÍLIA - O desabamento de um prédio em construção,
em Águas Claras, no Distrito Federal, matou o engenheiro da
obra morto e feriu quatro operários na tarde desta terça-feira.
O acidente aconteceu por volta das 16h30m, na quadra 101, Rua das
Figueiras, quando cerca de 20 operários enchiam a laje de concreto
para construir um estande de vendas de apartamentos. O engenheiro
Paulo Lima Menezes, 54 anos, morreu sob os escombros.
A estrutura do estande seria
aproveitada no prédio de 18 andares. O pedido para iniciar
a construção foi feito em julho e o alvará, liberado
no dia 3 de setembro. O resgate do corpo do engenheiro levou duas
horas e os próprios operários fizeram um mutirão
para ajudar na retirada dos escombros. O jardim de uma casa vizinha
à obra foi improvisado para o helicóptero resgatar os
feridos.
A Polícia Civil já
fez a perícia no local e o laudo técnico que vai apontar
as causas do acidente deve ficar pronto em uma semana. Nesta quarta,
peritos da Polícia Civil voltaram logo cedo para continuar
o trabalho. Auditores da Superintendência Regional do Trabalho
também fizeram uma vistoria.
- Vamos verificar se houve
qualquer tipo de imprudência, negligência ou imperícia
na execução da obra. Qualquer tipo de problema que pudesse
levar ao desabamento e ao óbito do engenheiro - diz o delegado
Marcelo Portela.
Ontem, na hora do acidente,
o técnico em segurança do trabalho Sérgio Alves
estava trabalhando.
- Foi por pouco. Por uma questão
de cinco minutos. Eu estava na laje, na parte superior, e me deu vontade
de descer, de ir ao escritório. Quando eu cheguei ao escritório,
o pessoal foi atrás de mim pra dizer que a laje tinha desabado
- contou.
O advogado da empresa executora
da obra disse que a construção vai ser retomada assim
que for liberada pela perícia e que será dada assistência
às vítimas.
- Esse foi o primeiro e lamentável
acidente. Para outros, perdemos um operário. Para nós,
perdemos um grande amigo - disse Antônio Barbosa da Silva.
O número de mortes
na construção civil em Águas Claras chega a oito.
A cidade virou um canteiro de obras
O corpo do engenheiro
vai ser enterrado no interior de São Paulo. Nenhum dos operários
corre risco de morrer.
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O SERRANO, 24 de setembro
de 2009
Brasil tem, pelo menos, 23,5 mil acidentes
anuais no setor de construção civil
Em 23/09/2009
2ª Jornada de Segurança na Construção Civil
pretende alertar para riscos de acidentes, causados principalmente por
condições inseguras, inadequação dos equipamentos
e falta de informação e preparo dos envolvidos nas obras,
sejam eles trabalhadores ou engenheiros
O Brasil carece de boas estatísticas
sobre muitos assuntos, e acidente de trabalho é um deles. Por
ano, 23,5 mil acidentes na construção civil são
notificados ao Ministério do Trabalho. O setor é o quinto
em ocorrências, dentre os segmentos registrados. Preocupada com
os altos índices de acidentes na construção civil,
a Casa do Construtor - rede com mais de 50 unidades que atua em nove
estados brasileiros no ramo de locação de equipamentos
para o setor - promove no dia 24 de setembro, em Itupeva, a 2ª
Jornada de Segurança na Construção Civil.
"Mesmo alto, o número
deve estar bem abaixo da realidade, já que o segmento tem muita
informalidade. Muitas ocorrências não são computadas
pelas estatísticas, seja por esta informalidade, seja pela falta
de comunicação, por medo do empregador ou pela ignorância
da obrigatoriedade das notificações", explica Expedito
Arena, um dos diretores da Casa do Construtor e palestrante da Jornada.
Segundo Arena, a maioria dos
acidentes de trabalho na construção civil decorre de condições
inseguras, de inadequação dos equipamentos e da falta
de informação e preparo dos envolvidos nas obras, de trabalhadores
a engenheiros. Pensando nisso, a Casa do Construtor tem adotado o tema
da segurança como diferencial competitivo de mercado e encara
o custo das mais de 50 palestras realizadas nas principais cidades do
país como investimento com retorno certo. "Todos podem colaborar
para melhorar as condições e o ambiente do trabalho na
construção civil. Acreditamos na formação
e na informação das pessoas para que trabalhem de maneira
correta, com rapidez, segurança e economia", afirma.
As quedas lideram as estatísticas
de acidentes de trabalho na construção civil. "Trabalhadores
e materiais caem de andaimes de madeira, escadas, lajes e telhados.
Mesmo nos andaimes metálicos, teoricamente mais seguros, ocorrem
acidentes por falta de cuidados adequados em sua montagem e desmontagem",
conta Arena.
No ano passado, a Casa do Construtor,
ao lado de outras empresas, patrocinou a impressão de 20 mil
edições de bolso da NR-18 - norma específica para
a construção, que abrange canteiros de obras, alojamentos,
trabalho em altura e cuidados com equipamentos. Ela será o tema
da palestra do engenheiro, NR-18, suas implicações e novidades
sobre serra circular de bancada: "Em ambiente fechado, a serra
circular lidera os acidentes de trabalho, levando muitas vezes a amputações
e mortes. A NR-18 prevê, entre outras especificações,
que o equipamento seja instalado em mesa estável, construída
com material resistente e dimensionamento suficiente para a execução
das tarefas. Deve ter aterramento elétrico, proteção
das transmissões e o disco deve ser substituído sempre
que tiver trincas ou empenamentos", detalha.
Para o engenheiro, as normas
de regulamentação do trabalho vêm sendo mais bem
elaboradas, com o diálogo entre técnicos representantes
dos trabalhadores, empresários e Ministério Público.
Ainda assim, ele chama a atenção para um grande diferencial
do setor de construção civil em relação
a outros: a diversidade de tarefas e a complexidade das obras.
Numa indústria, quase
sempre o operário trabalha com a mesma máquina e no mesmo
setor. Como, no Brasil, a construção, de maneira geral,
ainda é muito artesanal, fica quase impossível ao trabalhador
obedecer às regras, quando de manhã cava uma valeta, à
tarde levanta uma parede, e depois realiza serviços no telhado:
tarefas tão diferentes exigiriam métodos, equipamentos
e cuidados totalmente diversos", adverte.
Conhecidos como EPIs, os Equipamentos
de Proteção Individual também serão tema
de palestra durante a Jornada. O não uso dos EPIs ou seu uso
inadequado podem causar acidentes de trabalho em qualquer setor, incluindo
o de construção civil. "Essa ocorrência já
foi mais alarmante, antes da melhora da formação de profissionais,
que faz a diferença. Além disso, ano a ano os equipamentos
vêm melhorando e expondo o trabalhador a menos riscos. Na realidade,
o ideal seria que os equipamentos fossem tão bons que o trabalhador
não necessitasse de EPIs. Por exemplo, uma retroescavadeira que
faz muito barulho, hoje já vem com cabine para o operador não
precisar usar o protetor auricular; porém, quem fica próximo
da máquina precisa usar o EPI", observa.
Para o evento do dia 24,
o público-alvo são engenheiros e técnicos já
clientes da rede, além de pessoas interessadas no tema. As vagas
são limitadas, por isso é necessário se inscrever
- gratuitamente - o quanto antes em uma das lojas da rede. Confira o
programa da 2ª Jornada de Segurança da Construção
Civil.
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
24/09/2009
Sem comprovar feriado local, Itaú
perde recurso no TST
A simples transcrição
de ato administrativo que estabelece feriado, com indicação
da lei municipal, não é suficiente para comprovar a suspensão
do prazo processual. A Seção Especializada em Dissídios
Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho rejeitou recurso
do Banco Itaú S.A., e manteve decisão que considerou intempestivo
agravo de instrumento da empresa, por falta de certidão ou documento
adequado que comprovasse a falta de expediente local.
A empresa alega que recorreu
com agravo de instrumento dentro do período legal, considerando-se
a prorrogação do prazo em consequência de feriado
municipal e por não ter havido expediente no Tribunal Regional
do Trabalho da 2ª Região (SP). Informa que identificou e
transcreveu o ato administrativo que determinou a ausência de
expediente forense no dia 20/11/06.
Ao julgar o agravo regimental,
a Quinta Turma entendeu que, de acordo com a Súmula nº 385
do TST, cabe à parte comprovar, quando interpõe recurso,
a existência de feriado local ou de dia útil em que não
haja expediente forense que justifique a prorrogação do
prazo recursal. Diante disso, concluiu que essa demonstração
deve ser feita mediante certidão ou documento competente. A simples
menção à ausência de expediente forenese
não comprova a alegação.
O banco procurou alterar a decisão
com recurso à SDI-1, que também rejeitou o apelo, ao não
conhecer dos embargos. A relatora, ministra Maria de Assis Calsing,
entendeu que, “embora não sujeito a formalismos excessivos,
o processo do trabalho também deve respeitar rotinas indispensáveis
à segurança das partes, dos atos praticados e da própria
prestação jurisdicional”. (E-AG-AIRR-1185/1993-025-02-40.8)
(Lourdes Tavares)
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24/09/2009
TST mantém decisão favorável
à mudança de turnos
A Primeira Turma do Tribunal
Superior negou recurso de trabalhador contra a Companhia Paulista de
Trens Metropolitanos – CPTM, e manteve decisão regional
que havia aplicado indenização substitutiva ao empregado,
por mudança de turno, de seis horas para oito horas.
Durante 11 anos, o empregado
trabalhou para a empresa com jornada de seis horas, com pagamento de
duas horas extras por dia, até que a CPTM resolveu, unilateralmente,
alterar o sistema: de turnos ininterruptos de revezamento para jornada
fixa de oito horas. Por ter ficado sem o recebimento de horas extras
a partir daí, ele ajuizou ação trabalhista alegando
desrespeito ao artigo 468 da CLT, segundo o qual só é
lícita a alteração das respectivas condições
dos contratos individuais de trabalho por mútuo consentimento
– e ainda assim, desde que não resultem, direta ou indiretamente,
em prejuízos ao empregado.
Os juízes de primeiro
grau e do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (SP)
entenderam que a alteração contratual foi lícita,
pois seria mais benéfica à saúde mental e física
do trabalhador. Quanto à interrupção do pagamento
de horas extras, entenderam os julgadores que houve reparação
financeira ao empregado, conforme determina a Súmula 291 do TST,
que assegura ao empregado o direito à indenização
correspondente ao valor de um mês das horas suprimidas para cada
ano ou fração igual ou superior a seis meses de prestação
de serviço acima da jornada normal.
O empregado, entretanto, insistiu
em reformar a decisão. Ajuizou recurso de revista, cujo seguimento
foi negado pelo TRT. Por esse motivo, apelou ao TST, com agravo de instrumento,
tentando “destrancar” o recurso. O relator do processo na
Primeira Turma, ministro Walmir Oliveira da Costa, entendeu que, ao
contrário das alegações, não houve violação
ao artigo 468 da CLT, pois a alteração encontra-se dentro
da competência diretiva da empresa, e considerou que a mudança
de turnos foi benéfica ao trabalhador. “Tem-se que o STF
e o TST, assim como a doutrina especializada, são unânimes
em admitir que o trabalho em turnos ininterruptos de revezamentos é
prejudicial ao empregado, pois compromete a saúde física
e mental, além do convívio social e familiar.”,
disse o voto. (RR-70292/2002-900-02-00.0)
(Alexandre Caxito)
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24/09/2009
Acidentado em treinamento contra incêndio
receberá indenização
“Viver é muito
perigoso.” A partir dessa frase, atribuída a Guimarães
Rosa pelo advogado de defesa durante a discussão de recurso na
Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho, o ministro Aloysio Corrêa
da Veiga, completou: “Com fogo, mais ainda”. O relator da
matéria referia-se ao risco profissional a que se submetia o
autor da ação, que obteve, na Justiça do Trabalho,
o reconhecimento de culpa da empresa no acidente que lhe causou graves
queimaduras nas mãos, antebraço, pescoço e rosto,
quando participava de treinamento de combate a incêndio. Por unanimidade,
a Sexta Turma rejeitou recurso da empresa e manteve a indenização
no valor de R$ 100 mil, determinada pelo Tribunal Regional do Trabalho
da 1ª Região.
O acidente ocorreu durante a
preparação de simulação de incêndio.
O trabalhador, utilizando palito de fósforo, ateou fogo a um
recipiente com gasolina, dentro de um container. Em seu depoimento,
ele informou que usava macacão, bota e luva, mas retirou as luvas
para conseguir pegar o fósforo. Até se recuperar, sofreu
três cirurgias e ficou afastado do trabalho por quase dois anos.
Com o laudo pericial atestando a relação entre as lesões
sofridas e o acidente de trabalho, o Regional condenou a empresa a indenizar
o trabalhador.
O TRT/RJ concluiu haver responsabilidade
objetiva da empresa, com base no artigo 927, parágrafo único,
do Código Civil, por ser o risco “inerente à natureza
da atividade, haja vista o treinamento de combate à incêndio
determinado pela empresa implicar riscos aos empregados em razão
do manuseio de combustíveis inflamáveis e fogo, com risco
de explosões”. A própria empresa, na contestação,
afirmou que a frequência dos treinamentos de combate a incêndio
era elevada, mas que nunca tinha ocorrido acidente.
O Regional considerou também
que, apesar de não ter havido perda da capacidade para o trabalho,
são evidentes os sofrimentos físicos e psicológicos
causados pelo acidente, além das consequências na vida
do trabalhador. A empresa recorreu ao TST para reverter a condenação
em danos morais, aplicada pelo TRT/RJ. Ao analisar o caso, o ministro
Aloysio da Veiga verificou que a empregadora foi omissa “no seu
dever de garantir a segurança e a proteção à
saúde e à vida do empregado no exercício de suas
atividades de trabalho”.
Segundo o ministro Aloysio constatou
dos fatos apresentados pelo Regional, a empresa não adotou medidas
para diminuir o risco de acidente, pois poderiam ter sido utilizados
outros métodos de acendimento a longa distância, tais como
pavio, acendedores ou geradores de faísca, semelhantes aos utilizados
em fogões de cozinha, automáticos ou manuais, evitando-se,
assim, a proximidade do empregado com a chama. O treinamento por determinação
do empregador e o não fornecimento de equipamento adequado para
proteção do funcionário, ou a omissão na
orientação de sua correta utilização, levaram
o relator a concluir pela conduta ilícita do empregador, apta
a causar danos ao empregado.
Diante dessas condições,
o relator entendeu “estarem presentes todos os elementos para
o reconhecimento da culpa da empresa, segundo os critérios da
responsabilidade civil ou subjetiva, nos moldes exigidos no artigo 7º,
XXVIII, da Constituição, sendo irrelevante qualquer discussão
acerca de qual das teorias da responsabilidade, objetiva ou subjetiva,
deva se aplicar ao caso”. Segundo o ministro Aloysio Corrêa
da Veiga, inexiste, em qualquer das situações - responsabilidade
objetiva ou subjetiva - afronta a dispositivo constitucional, como alegou
a Transocean. (RR-2289/2005-482-01-00.2)
(Lourdes Tavares)
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