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O ESTADO DO PARANÁ, 06 de novembro de 2009 | Economia
Renda subiu para 18 milhões de
pessoas de 2004 a 2008
Agência Estado
A população brasileira começou a ascender para
faixas de renda per capita mais altas a partir de 2004, em um movimento
que não se observava desde a década de 1980.
Segundo informou hoje o Instituto
de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 7 milhões de pessoas
ingressaram na faixa de renda média, que considera uma renda
mensal per capita de R$ 188 a R$ 465, entre 2004 e 2008.
Outros 11,6 milhões de
indivíduos chegaram ao estrato superior de renda (renda per capita
maior que R$ 465 por mês) no mesmo período. Considerando
o ingresso nas faixas média e superior, o aumento de renda per
capita atingiu 18,6 milhões de pessoas.
Em contrapartida, a faixa de
renda baixa, inferior a R$ 188 por indivíduo, perdeu 11,7 milhões
de pessoas. No período, o aumento da população
brasileira foi de 6,9 milhões de pessoas. "Há sinais
da volta da mobilidade social no País, o que não se via
até a década de 90", afirmou o presidente do Ipea,
Marcio Pochmann.
O estudo do Ipea, que usa como
base a Pesquisa Nacional de Domicílios (Pnad) de 2008, realizada
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
mostra que, com as mudanças, a participação relativa
das camadas de renda evoluiu.
Em 2008, a faixa mais baixa
de renda representava 26% da população, uma fatia menor
que a observada em 2005, de 32%. Já a faixa de renda média
respondia por 37,4% em 2008, ante 34,9% em 2004. O grupo de renda superior
cresceu de 31,5% em 2004 para 36,6% no ano passado.
O Ipea destacou que o grupo
com maior renda per capita vinha registrando declínio em sua
participação relativa entre os anos de 1998 e 2004, oscilando
de 35,3% para 31,5%.
As faixas de renda estabelecidas
pelo estudo, embora baixas, refletem a média de renda da população.
Pochmann explicou que, para fazer o estudo, o Ipea dividiu a população
brasileira em 2001 em três grupos iguais e calculou a média
de renda per capita em cada um desses grupos. Para atualizar os valores,
o Ipea utilizou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor
(INPC).
Natalidade
De acordo com o Ipea, os avanços
de renda per capita podem ser explicados em parte pela redução
da taxa de natalidade média das famílias. Com menos filhos,
a renda naturalmente cresce.
Em 1992, segundo Pochmann, a
taxa de natalidade média no Brasil era de 2,8 filhos. Em 2008,
ela caiu para 1,8 filhos. Se forem consideradas apenas as mulheres brancas
com maior grau de escolaridade, a natalidade é ainda menor, de
0,9 filho.
Pochmann destacou ainda outras
explicações para a melhora da renda. O crescimento econômico
e o dinamismo do mercado de trabalho justificam, segundo ele, a mobilidade
social. Isso fica claro quando se observa o perfil dos indivíduos
que tiveram alguma ascensão de renda.
Entre 2001 e 2008, 19,5 milhões
de brasileiros (11,7% da população) registraram elevação
real em seu rendimento individual superior à evolução
da renda per capita nacional, que foi de 19,8% no período.
Nesse grupo, os que têm
carteira assinada foram os que mais evoluíram, o que confirma
a tese de que o emprego contribuiu para a melhora da renda. Segundo
o Ipea, dos 13,5 milhões de indivíduos que migraram do
estrato inferior para o médio, 55,5% são ocupados (incluindo
empregos formais, informais e por conta própria). Já no
grupo de 6 milhões de pessoas que evoluíram para a faixa
superior, 69,7% estão na categoria de ocupados.
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Valor Online, 6 de novembro
de 2009
Para Dilma, Brasil pode ser 5ª
economia do mundo em 2016
O momento "exitoso" na conjuntura
brasileira permitiu à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff,
prever que a economia do país possa ser a quinta maior do mundo
em 2016. "Permitam-me ser mais otimista do que o ministro Mantega",
brincou ela nesta quinta-feira (5) em apresentação para
mais de 200 convidados do seminário "Investing in Brazil",
realizado em Londres.
Dilma fala no seminário em
Londres
O colega Guido Mantega, da Fazenda,
havia exibido à plateia uma projeção da Economist
Intelligence Unit (centro de análises da revista Economist) segundo
a qual o Brasil tem hoje o nono maior PIB (medido por poder de compra)
do mundo. Em 2011 seria o sétimo maior e chegaria ao quinto lugar
apenas em 2026.
Na visão de Dilma, o
país vive um momento de êxito na produção
industrial e agrícola e na redução da pobreza e
desigualdades de renda, o que poderia elevar a economia ao quinto lugar
do ranking naquele prazo mais curto. Ela atribuiu o atual quadro às
"políticas responsáveis" do governo e a quatro
movimentos principais: a expansão do mercado interno, o aumento
da oferta de crédito, a política econômica e a inserção
do país no mercado internacional.
Aos investidores reunidos no
evento organizado pelos jornais Valor e Financial Times, Dilma voltou
a apresentar as oportunidades de investimento em infraestrutura abrangidas
pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com
destaque para as áreas de transporte, energia e exploração
de petróleo.
Lembrou ainda que o crescimento
econômico com preocupação com o meio ambiente também
exigirá investimentos. "Vamos demonstrar que é possível
crescer em harmonia. Não é só repressão
ao desmatamento, é preciso criar atividades para a Amazônia
ter acesso ao emprego."
Dilma recordou que o Brasil
já tem uma meta de reduzir em 80% os desmatamentos na Amazônia.
"Essa meta implica 21% (de redução de emissões
de gases-estufa) de tudo o que os países desenvolvidos pretendem
fazer se reduzirem em 15% as emissões", disse ela. Além
disso, segundo a ministra, o Brasil vai manter 46% de sua matriz em
energia renovável, investirá em hidrelétricas,
agricultura e na siderurgia verde (incentivo à produção
de aço que use carvão proveniente de áreas de reflorestamento).
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Vermelho, 6 de novembro
de 2009
Brasil: superpotência para alimentar
o mundo, diz Financial Times
O jornal britânico Financial Times traz
em sua edição desta quinta-feira um caderno especial dedicado
a oportunidades de investimento no Brasil em que chama o País
de "superpotência agrícola pronta para alimentar o
mundo" mas aponta para deficiências no setores de infraestrutura
e educação.
Lembrando que o país foi um dos que se saiu melhor na recessão,
e que muitos de seus setores não foram sequer afetados, o Financial
Times afirma que se o Brasil mantiver o rumo de sua política
econômica e social e se não houver outra grande recessão
no mundo, o mais provável é que continue no caminho do
crescimento, apresentando uma série de oportunidades de investimento
em diferentes setores.
"O sucesso demorou muito
tempo a chegar e a noção de que o país está
mudando está alcançando os brasileiros a um ritmo lento",
afirma a reportagem de abertura, explicando que a classe média
emergente — que este ano, pela primeira vez, corresponde a mais
da metade da população, segundo dados do governo —
é uma das forças por trás deste crescimento.
O jornal diz que o país,
"maior exportador mundial de carne, frango, suco de laranja, açúcar,
etanol, tabaco e soja", se consolidou nas últimas duas décadas
como superpotência agrícola, e que esse status se deve
à modernização e ganhos em eficiência.
O Financial Times lembra ainda
que, apesar dos fortes influxos de investimentos no país, para
alcançar seu potencial, ainda são necessárias mudanças.
"O Brasil precisa de muito mais, não apenas para se preparar
para a Copa do Mundo de 2014 e para a Olimpíada de 2016. Estradas,
ferrovias, portos, energia e outras infra-estruturas vitais precisam
de expansão e modernização."
O jornal lembra que o setor
de educação, por exemplo, é um dos que precisa
melhorar, e que os níveis de escolaridade no país ainda
deixam a desejar em comparação a outros na região
e em situação semelhante, como a China ou a Coreia do
Sul. Segundo o Financial Times, ainda existe também uma diferença
muito grande entre a região Nordeste e o resto do país
e aponta para o forte - e ainda pouco explorado - potencial do setor
de turismo.
O Financial Times elogia os
setores de agricultura, bancos, mercado de capitais e ainda elogia o
programa de transferência de renda bolsa família, afirmando
que ele faz "diferença real". Para o jornal, os investidores
estarão atentos a mudanças no país, e casos recentes,
que demonstram maior intervenção do Estado na economia,
podem ser vistos como motivo de preocupação.
O Financial Times cita especificamente
a criação de uma nova empresa para explorar as reservas
do pré-sal, e a pressão sobre a Vale para que diversifique
seus investimentos.
"No pior dos casos, a combinação de um aprofundamento
da crise global e uma mudança na política poderia levantar
barreiras no que parece ser um caminho certo para um crescimento mais
rápido", diz a reportagem."Mas por agora, parece improvável
que essas preocupações tirem o País do rumo",
conclui.
O Financial Times traz reportagens
sobre setor bancário, mercados de capitais, meio ambiente, turismo,
políticas sociais, Nordeste, açúcar, agricultura,
mineração, petróleo, energia, educação,
infraestrutura, moda, e sobre o medo da violência depois que o
Rio foi escolhido como a sede da Olimpíada.
Apesar do cenário ainda
indefinido em relação à sucessão do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, o jornal diz que dificilmente um dos
dois principais pré-candidatos até agora (a ministra da
Casa Civil, Dilma Rousseff e o governador de São Paulo, José
Serra) vai mudar os rumos do país drasticamente.
"O desempenho ruim e as
dúvidas em relação a si mesmo vão persistir",
diz o jornal, "mas o enorme potencial do país e seus tremendos
recursos naturais e humanos estão finalmente chegando perto de
alcançar o futuro brilhante que não muito tempo atrás
parecia destinado a permanecer para sempre fora de alcance".
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Gazeta do Povo, 6 de novembro
de 2009
Equiparação ao mínimo
Base admite que bloqueará reajuste
para aposentados
Brasília - O líder do governo na Câmara Federal,
deputado Henrique Fontana (PT-RS), admitiu ontem que a base aliada de
Lula vai trabalhar para impedir que ocorra ainda neste ano a votação
da emenda que garante a todos os beneficiários da Previdência
Social o mesmo porcentual de aumento concedido ao salário mínimo.
Apesar do desgaste que a decisão provocará aos parlamentares,
Fontana disse que o governo não tem condições de
aprovar um reajuste desse porte a todos os aposentados do país.
“Nós queremos votar
este aumento real acima da inflação equivalente à
metade do crescimento da economia. Não temos como votar neste
ano um aumento igual ao do salário mínimo. Queremos aumento
real que é da metade do crescimento da economia. Ou seja, a economia
cresceu 5%, vai ser 2,5%”, disse Fontana.
Segundo o líder, o governo
tem o apoio de parte dos aposentados e de algumas centrais sindicais
para votar a proposta que prevê o aumento real acima da inflação
equivalente à metade do crescimento da economia. “Esse
é um aumento responsável e possível, e que introduz
política de recuperação destas aposentadorias.
Se essa política que estamos querendo votar agora tivesse sido
aprovada há seis anos, já teríamos um ganho de
31% para os aposentados que ganham mais que o mínimo”,
disse.
Os governistas não querem
votar a matéria porque acreditam que, se for aprovada, vai provocar
impactos da ordem de R$ 6 bilhões nas contas públicas
somente em 2009. Fontana admitiu que o governo pode não ter o
apoio da maioria da base para rejeitar a emenda, por isso decidiu retirá-la
de pauta. Se o projeto for aprovado, a base aliada teme o desgaste político
ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teria de vetar o
reajuste aos aposentados em ano pré-eleitoral.
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Folha de S.Paulo, 6 de novembro
de 2009
Lula tenta novo acordo para aposentados
Governo deve reapresentar proposta que dá
reajuste acima da inflação, mas menor do que previsto
em projeto no Congresso | Segundo auxiliar de Lula, ideal seria não
votar nunca o projeto, mas apoio do PSDB à proposta de Paulo
Paim (PT-RS) assusta governo
VALDO CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
De volta de Londres, o presidente
Lula reúne hoje sua equipe para buscar um acordo sobre o reajuste
das aposentadorias acima do salário mínimo. Ele deseja
ressuscitar a ideia de dar aumento real a esses benefícios de
metade da variação do PIB (Produto Interno Bruto) de dois
anos antes.
Segundo a Folha apurou, Lula quer condicionar essa negociação,
porém, à aprovação de todas as centrais
sindicais e entidades ligadas aos aposentados. O acordo anterior não
prosperou porque nem todas as centrais aceitaram a proposta elaborada
pelo governo.
Segundo um auxiliar de Lula, o "ideal seria não votar nunca"
o projeto, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS). O presidente, contudo,
deseja tentar um acordo com os aposentados para evitar desgaste político
na véspera da eleição presidencial.
Caso isso não seja possível, a decisão do governo
será mesmo trabalhar para impedir a votação do
projeto em tramitação na Câmara, que concede às
aposentadorias acima do mínimo o mesmo reajuste do piso salarial
da Previdência.
O pior cenário, na avaliação governista, é
que as pressões dos aposentados levem a Câmara a aprovar
o projeto sem alterações. Nesse caso, Lula irá
vetá-lo por conta do seu impacto negativo nas contas públicas.
Pelos cálculos do governo, ele representaria um gasto extra aos
cofres públicos em 2010 acima de R$ 6 bilhões.
Anteontem, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), chegou
a colocar o projeto na pauta de votação. Acabou retirando
depois de uma operação comandada pelos líderes
governistas.
Temer decidiu votar o projeto depois de pressão dos aposentados,
que ameaçavam acampar nos salões da Câmara. Há
três meses, eles já haviam feito o mesmo. Recuaram depois
de ouvir a promessa do governo de que seria fechado acordo com todas
as centrais.
Antes de incluir o projeto na pauta de votação desta semana,
o presidente da Câmara avisou o governo de sua decisão
diante do fracasso em estabelecer um acordo com os aposentados.
6% em
2010
Em agosto, o governo havia feito a proposta de dar às aposentadorias
acima do mínimo um reajuste próximo de 6% em 2010 -2,55%
referentes à metade da variação do PIB de dois
anos antes mais a inflação. Isso levaria a aumento de
despesas da Previdência de cerca de R$ 3 bilhões.
A regra é similar à já aplicada ao salário
mínimo. A diferença é que, no caso do piso salarial,
a variação do PIB de dois anos antes é aplicada
integralmente. Ou seja, além da inflação, o salário
mínimo, inclusive o pago pela Previdência, tem aumento
de 100% do PIB.
O acerto feito anteriormente havia obtido o apoio da CUT (Central Única
dos Trabalhadores) e da Força Sindical, mas não foi aceito
pela Nova Central Sindical, pela CTB (Central de Trabalhadores e Trabalhadoras
do Brasil) e pela Cobap (Confederação Brasileira de Aposentados
e Pensionistas).
O governo contava com o apoio do PSDB para barrar o projeto elaborado
pelo petista Paulo Paim, já aprovado no Senado. Os tucanos chegaram
a dizer que ficariam do lado do governo, mas depois recuaram e ameaçaram
votar, juntamente com os democratas, a favor da proposta.
Na avaliação de auxiliares do presidente, sem um acordo
com os aposentados, até os deputados da base aliada votarão
a favor do projeto diante do receio do prejuízo eleitoral.
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Folha de S.Paulo, 6 de novembro de 2009
ARGENTINA
Sindicato ligado aos Kirchner bloqueia
distribuição de jornais
DE BUENOS AIRES
Uma ação do sindicato argentino dos caminhoneiros, que
bloqueou parcialmente a distribuição dos jornais "Clarín"
e "La Nación", ontem e anteontem, provocando atrasos
nas entregas, voltou a elevar a tensão entre o governo Cristina
Kirchner e a imprensa do país.
O "Clarín", que está em atrito com o governo,
classificou de "tentativa encoberta de censura" a ação
do sindicato, que também afetou a distribuição
de revistas.
Vinculado à CGT (Confederação Geral do Trabalho),
central sindical alinhada ao kirchnerismo, o sindicato dos caminhoneiros
exigia a afiliação dos trabalhadores do setor de distribuição
de jornais.
As negociações estavam em andamento havia nove meses.
Segundo o diário "Crítica", o presidente da
CGT, Hugo Moyano, que é pai do líder do sindicato dos
caminhoneiros, Pablo Moyano, reuniu-se na residência presidencial
com o ex-presidente e marido de Cristina, Néstor Kirchner, horas
antes da operação, para a qual teria obtido seu aval.
Os jornais atingidos e setores da oposição veem o conflito
sindical protagonizado pelo sindicato dos caminhoneiros como uma derivação
da Lei de Serviços Audiovisuais aprovada no mês passado
pelo governo Cristina -que regula os setores de rádio e TV, mas
não o de imprensa escrita.
Por essa ótica, o novo episódio se inscreve na série
de episódios recentes envolvendo o governo federal dos quais
o Grupo Clarín saiu prejudicado.
Em agosto, a Associação do Futebol Argentino rompeu contrato
com empresa do grupo para a transmissão de torneios de futebol
por TV a cabo. A AFA assinou acordo com o Estado, que passou a exibir
as partidas em canal público.
Em setembro, a sede do diário "Clarín" e residências
de diretores do grupo foram alvo de operação-surpresa
da Receita Federal, na qual cerca de 200 agentes foram mobilizados.
No mês passado, o governo Cristina conseguiu aprovar a Lei de
Serviços Audiovisuais, com o declarado objetivo de "desmonopolizar
o setor". A mudança obriga o Grupo Clarín a reduzir
seus negócios na TV a cabo. (SILVANA ARANTES)
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
06/11/2009
Dano moral: fim do inquérito policial
marca início do prazo para ação trabalhista
A Hobby Comércio de Veículos
Ltda. do Paraná foi condenada a pagar indenização
por danos morais a um empregado que foi acusado injustamente de ter
furtado peças do estoque da empresa e teve de responder a inquérito
policial. Durante mais de dois anos, o trabalhador foi submetido “a
vergonha, injúria, difamação e calúnia,
por ver seu nome manchado, sem qualquer culpa”, registrou a relatora
do recurso na Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho, ministra
Rosa Maria Weber Candiota da Rosa.
O caso começou quando
a empresa realizou um inventário anual e constatou a falta de
3.660 itens no estoque, avaliados em cerca de R$ 22 mil, e acusou o
empregado porque ele era o chefe do departamento de peças. A
empresa levou o caso à delegacia de polícia e o trabalhador
teve de responder inquérito policial, que acabou concluindo pela
sua inocência e pela existência de “uma enorme desorganização
na empresa”. Sentindo-se pressionado, o empregado pediu demissão
e entrou na justiça reclamando ressarcimento pelos danos sofridos.
A questão chegou ao TST
por meio de recurso da empresa contra decisão do Tribunal Regional
da 9.ª Região favorável ao empregado. Sustentou que
a ação trabalhista estava prescrita porque foi proposta
mais de dois anos após a rescisão do contrato de trabalho,
e que não havia nenhum fundamento legal para que o prazo bienal
se iniciasse a partir do arquivamento do inquérito policial.
A relatora na Terceira Turma,
ministra Rosa Maria Weber Candiota da Rosa, considerou acertada a decisão
do Regional, pois no caso os danos morais se perpetuaram no tempo, para
além da rescisão contratual. Acrescentou que o artigo
200 do Código Civil estabelece que “quando a ação
se originar de fato que deva ser apurado no juízo criminal, não
correrá a prescrição antes da respectiva sentença
definitiva”, cabendo a aplicação da Súmula
221, II, TST. (RR-7179-2004-013-09-00.5)
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06/11/2009
Multa sobre o FGTS: direito é
indisponível e não pode ser negociado
É correta a anulação
de acordo extrajudicial estabelecendo a renúncia, pelo trabalhador,
à multa de 40% do FGTS a que tem direito quando de sua demissão?
Para a Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho, sim. Por isso,
negou recurso de uma empresa que visava, exatamente, reverter esse entendimento.
Trata-se do caso de uma funcionária
que, contratada pela empresa CNS Nacional Serviços, prestava
serviços de limpeza e conservação no Hospital Universitário
Antônio Pedro em Niterói (RJ). Com o fim do contrato do
hospital com a CNS, foi oferecido à trabalhadora a possibilidade
ser aproveitada nos quadros da nova contratada. Contudo, para aceitassem
a oferta, exigiu-se o desligamento da empresa anterior e a declaração
de que abriria mão da multa de 40% do FGTS. Contra isso, e em
busca de verbas rescisórias não pagas, a auxiliar ingressou
com ação trabalhista.
A 4ª Vara do Trabalho de
Niterói declarou a nulidade do acordo. O Tribunal Regional do
Trabalho da 1.ª Região (RJ), por sua vez, ao analisar recurso
da empresa, confirmou o mesmo entendimento, ou seja, manteve a nulidade
do acordo. Insatisfeita, a CNS recorreu ao TST. Defendeu a validade
pelo fato de o acordo ter sido precedido por assembléia e realizado
com anuência e assistência de sindicato de Classe.
O relator do processo na Primeira
Turma, ministro Walmir Oliveira da Costa, entretanto, considerou que,
apesar de o Direito do Trabalho admitir a possibilidade de acordos entre
empregados e empregadores (artigo 444 da CLT), nos quais se permite
a obtenção de benefícios por meio de concessões
mútuas, as cláusulas contratuais encontram limite na impossibilidade
de se transacionar direitos indisponíveis.
Para ele, ficou claro que o
acordo extrajudicial realizado pelas partes tinha por objeto a renúncia
à percepção de multa de 40% do FGTS, que constitui
direito indisponível assegurado pela Constituição
da República no artigo 7.°, I, motivo pelo qual o ajuste
mostrou-se inválido. Assim, a Primeira Turma do TST acolheu por
unanimidade o voto do relator e negou o recurso da empresa. (AIRR-87283/2003-900-01-00.5)
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06/11/2009
Dirigente sindical dispensado pela
extinção da empresa será indenizado
Um dirigente sindical, demitido
pela extinção do estabelecimento da Nova América
S/A, em Deodoro, receberá indenização decorrente
da estabilidade garantida aos sindicalistas. Assim decidiu a Seção
1 Especializada em Dissídios Individuais do Tribunal Superior
do Trabalho (SDI-1), que acompanhou o voto do relator, ministro Brito
Pereira, e concluiu não se aplicar ao caso a Orientação
Jurisprudencial n.º 86, segundo a qual não há estabilidade
quando é extinta a atividade empresarial no âmbito da base
territorial do Sindicato.
Em recurso à SDI1, o
sindicalista alegou má-aplicação da OJ nº
86, uma vez que não houve extinção da empresa,
mas apenas o encerramento das atividades no estabelecimento em Deodoro,
onde trabalhava. Sustentou também não haver dúvidas,
na decisão do TRT do Rio de Janeiro (1ª Região),
sobre a continuidade de funcionamento, no mesmo local, das duas reclamadas
(a Multifabril e a Nova América) e que ambas as localidades,
Deodoro e Del Castilho – são bairros do Município
do Rio de Janeiro.
O ministro Brito Pereira, relator
da matéria, observou que, no julgamento da Turma, não
foram verificadas as premissas para a incidência da OJ 86. “Ocorre
que não há, quer na decisão recorrida quer na do
Tribunal Regional, qualquer assertiva acerca da ocorrência de
extinção da atividade empresarial no âmbito do sindicato”.
Para o ministro, a Turma registrou
a circunstância da extinção da atividade produtiva
da Multifabril no Parque Fabril de Deodoro, sem, contudo, fazer menção
à base territorial do sindicato. Desse modo, a SDI-1 restabeleceu
a decisão do TRT do Rio de Janeiro, condenando a empresa ao pagamento
de indenização decorrente da estabilidade sindical.(E-RR-510776/1998.1)
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06/11/2009
Revista sem contato físico
não caracteriza dano moral
A Sexta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho rejeitou (não conheceu) recurso de trabalhador que
pretendia reverter decisão negando indenização
por dano moral devido à revista a que era submetido na empresa
Irmãos Muffato & Cia LTDA.
No recurso, o trabalhador questiona o entendimento adotado pelo Tribunal
Regional do Trabalho da 9ª Região (PR), considerando que
não foram apresentadas provas consistentes de que, no ato praticado
pela empresa, existiria contato físico que iria além da
análise de bolsas e sacolas dos trabalhadores. Não teria
havido assim, segundo o TRT, ofensa ao direito garantido pela Constituição
Federal da “inviolabilidade” da privacidade, da honra e
da imagem.
Por esse motivo, o ex-empregado recorreu ao TST. O relator, ministro
Aloysio Corrêa da Veiga, rejeitou as argumentações
apresentadas no recurso , pois, em sua avaliação, não
se pode caracterizar o dano moral quando não existe ato ilícito
ou abuso de direito do empregador, como é o caso de revista moderada.
Para o ministro, a situação retrata, “na realidade,
o exercício da empresa do legítimo exercício regular
do direito à proteção de seu patrimônio”.
(RR-724/2008-678-09-00.0)
(Augusto Fontenele)
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