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Agência Diap, 7 de novembro de 2009
Regulamentação
de profissão: DIAP divulga levantamento de proposições
Desde 1988, ano em foi promulga da a Carta Magna, tramitam no Congresso
Nacional 169 projetos de lei que buscam regulamentar profissões;
são 164 na Câmara e cinco no Senado
Pesquisa do DIAP, realizada entre os dias 13 e 30 de
outubro, nos portais da Câmara dos Deputados e do
Senado Federal, tem o objetivo de municiar as entidades
sindicais sobre a autoria, o conteúdo, a quantidade
e o número das proposições em tramitação
nas duas casas do Congresso Nacional, cujo tema seja regulamentação
de profissão.
Em síntese, a situação dos
projetos de lei é a seguinte:
- a maioria das proposições está com
relator definido;
- são sujeitas à apreciação
conclusiva na Comissão de Constituição,
Justiça e Cidadania (CCJC), sem, portanto, necessidade
de votação no plenário da Câmara;
- a Comissão de Trabalho, de Administração
e Serviços Públicos, é o centro decisório
dessas matérias: se rejeitado o projeto nesse colegiado,
a proposição pode ser arquivada imediatamente;
- aprovado o projeto na Ctasp e na CCJC, a matéria
poderá ser enviada à apreciação
do Senado Federal, salvo, recurso para votação
no plenário da Câmara.
Profissões regulamentadas
Segundo a Classificação Brasileira de Ocupações
(CBO), são 60 normas regulamentadoras que dispõem sobre
o exercício de profissões.
A CBO tem a finalidade de identificar as ocupações
existentes no mercado de trabalho, definir atividades e
funções para fins classificatórios
para registros administrativos e domiciliares.
Os efeitos de uniformização realizada pela
CBO são apenas de ordem administrativa, não
se estendendo às relações de trabalho,
como buscam os projetos de lei.
Como é feita regulamentação
Já a regulamentação de uma determinada profissão,
diferentemente da CBO, é realizada por meio de medida infraconstitucional,
cuja iniciativa pode ser dos deputados federais e dos senadores, bem
como do presidente da República.
A apreciação é realizada pelo Congresso
Nacional, e posterior sanção ou veto, pelo
presidente da República.
A última conquista dos trabalhadores no Congresso
Nacional foi sanção da Lei 12.009, de 29
de julho de 2009, que regulamenta o exercício das
atividades dos profissionais em transporte de passageiros,
mototaxista, em entrega de mercadorias e, em serviço
comunitário de rua e motoboy.
Clique aqui e
veja o levantamento completo
Conheça mais sobre
a CBO
- Classificação Brasileira de Ocupações
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Agência Diap, 7 de
novembro de 2009
Convenção
151: projeto vai ser relatado pelo senador Geraldo Mesquita
O PDS 819/09 ratifica a Convenção 151 e da Recomendação
159, da OIT, ambas de 1978. O projeto faz parte da "Agenda Positiva
do Movimento Sindical" no Congresso
O Projeto de Decreto Legislativo do Senado (PDS) 819/09 foi distribuído
ao senador Geraldo Mesquita Júnior (PMDB/AC), na Comissão
de Relações Exteriores e Defesa Nacional.
O PDS 819 aprova, com ressalvas, os textos da Convenção
151 e da Recomendação 159, da Organização
Internacional do Trabalho, ambas de 1978, sobre as Relações
de Trabalho na Administração Pública.
A matéria será examinada inicialmente pela
Comissão de Relações Exteriores e
de Defesa Nacional, antes de ir a voto no plenário
do Senado. Se for aprovada nestas duas instâncias
decisórias da Casa, em seguida será promulgada
pelo Congresso.
Se houver uma forte pressão por parte do movimento
sindical no Senado é possível aprovar ainda
este ano a matéria na Casa.
Breve histórico
O projeto foi aprovado pelo plenário da Câmara dos Deputados,
em 1º de outubro
Na Câmara, o projeto tramitou como projeto de decreto
legislativo (PDC) 795/08.
Pauta trabalhista
A Convenção 151 é parte integrante da "Pauta
trabalhista" aprovada pelas centrais sindicais e apresentada ao
presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB), em maio passado.
Compõem ainda essa agenda: a proposta (PEC 231/95),
que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas,
sem redução de salário, com acréscimo
de 75% sobre a hora extra normal; o fim do fator previdenciário
(PL 3.299/08); a Convenção 158, da OIT, que
trata da demissão imotivada; a retirada do projeto
de terceirização (PL 4.302/98); e a punição
do trabalho escravo (PEC 438/01).
Clique aqui e
acesse a íntegra do projeto
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JusBrasil, 7 de novembro
de 2009
CNI pede revisão
do Seguro de Acidente do Trabalho ao Ministério da
Previdência Social
O presidente da Confederação Nacional da Indústria
(CNI), Armando Monteiro Neto, esteve dia 4 com o ministro da Previdência
Social, José Pimentel, a quem solicitou revisão do Decreto
6957, que mudou o enquadramento das empresas às alíquotas
do Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) que deve entrar em vigor no próximo
mês de janeiro.
De acordo com simulações técnicas da CNI, as alterações
feitas no SAT irão acarretar aumentos de até 200% nos custos
das empresas com seguro, causando prejuízo para 866 das 1,3 mil
atividades econômicas catalogadas no país. Custos que serão
ampliados com a aplicação do Fator Acidentário de
Prevenção (FAP) ao valor do seguro na folha de pagamento
da empresa.
"
A expectativa era de que a legislação incentivasse
as empresas que investem em práticas de prevenção
e combate aos acidentes de trabalho. Mas não foi isso
que ocorreu", disse Monteiro Neto. Segundo ele, o aumento
será em 236 atividades será de 200% - dentre
as quais padarias, componentes eletrônicos e indústrias
de ônibus e caminhões - pois a alíquota
do seguro passará de 1% para 3% sobre a folha de pagamento.
Essas projeções não coincidem, porém, com
as estimativas do ministro da Previdência, nem da comissão
interconfederativa que estudou a legislação do SAT e promoveu
as alterações, que contou, inclusive, com representantes
dos empresários e dos trabalhadores. Nesta sexta-feira (6) será realizada
uma reunião, no Ministério da Previdência, para que
técnicos da comissão esclareçam as dúvidas
do pessoal da CNI.
No final da audiência, o presidente da CNI disse que o ministro
assegura que a alteração vai trazer mais benefício,
inclusive com redução de custo futuro para as empresas
que adotarem políticas efetivas de saúde e segurança
no trabalho. "É visível que há distorções
de metodologia", disse Monteiro Neto, e acrescentou que "está parecendo
até que nós não falamos a mesma língua".
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Congresso em Foco, 7 de
novembro de 2009
Congresso faz mais três
mudanças na Constituição
Edson Sardinha e Fábio
Góis
O texto da Constituição Federal receberá três
novas mudanças na próxima semana. Senadores
e deputados se reúnem na quarta-feira (11), às
10h30, no plenário do Senado, para a promulgação
de três emendas constitucionais. Com isso, sobe para
61 o número de modificações constitucionais
em 21 anos, desde a publicação da Carta Magna.
A principal delas é a que reduz anualmente, a partir
deste ano, o percentual de descontos feitos nos repasses
da União à área da educação
pela chamada DRU, sigla que designa a Desvinculação
dos Recursos da União. O mecanismo foi criado durante
o governo Fernando Henrique Cardoso para garantir o equilíbrio
das contas públicas.
Mais para a educação
O texto foi aprovado na semana passada pelo Senado. Atualmente,
a DRU desconta 20% dos recursos federais que deveriam ser
aplicados na área educacional. Uma vez promulgada,
a emenda à Constituição injetará mais
R$ 4 bilhões para a educação apenas
neste ano. No próximo ano, o setor receberá R$
7 bilhões a mais, e, a partir de 2011, perto de
R$ 11 bilhões.
A proposição define descontos de 12,5% dos
recursos da educação em 2009, e 5% em 2010.
A partir de 2011, não haverá mais nenhuma
retenção de recursos no setor. A Constituição
determina que a União deve destinar ao menos 18%
da arrecadação federal para a educação,
enquanto estados, municípios e Distrito Federal
devem reservar, no mínimo, 25% das receitas de impostos
oriundos de transferências, a serem destinados à manutenção
e ao desenvolvimento do ensino.
Também será promulgada a emenda constitucional
que concede aos servidores públicos do ex-território
de Rondônia a possibilidade de entrar no serviço
público federal. A mudança ainda beneficia
os servidores e os policiais militares “admitidos
regularmente nos quadros do Estado de Rondônia até a
data de posse do primeiro governador eleito, em 15 de março
de 1987”. Rondônia deixou de ser território
e passou a ser um estado propriamente dito a partir de
1981.
A terceira mudança a ser introduzida na Constituição é a
que prevê que o presidente do Supremo Tribunal Federal
(STF) assumirá automaticamente a presidência
do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão
administrativo do Judiciário.
O texto acaba com a necessidade de o presidente do CNJ
ser indicado por seus pares. Atualmente, o ministro Gilmar
Mendes ocupa as duas funções. A proposta
foi aprovada no último dia 3 na Câmara.
Durante a tramitação no Congresso, essas
propostas de emenda constitucional receberam, no mínimo,
o apoio de três quintos dos membros de cada Casa
legislativa – 308 votos na Câmara e 49 no Senado – em
dois turnos de votação no plenário.
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Gazeta do Povo, 7 de novembro
de 2009
IBGE
Produção
industrial cai quase 3% no PR
Resultado do estado foi o único
do país a ser negativo em setembro. Greve das montadoras
paranaenses ajudou a derrubar o índice
Após saltar 14,8% em julho e escorregar 1,4% em agosto,
a produção da indústria paranaense passou
por nova queda no mês de setembro, com encolhimento
de 2,9%. Nesse período o estado ficou na contramão
do país, sendo a única região pesquisada
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) que trouxe indicador negativo. A média da produção
nacional ficou em 0,8%.
A volatilidade dos indicadores mensais da indústria
não é exclusividade do Paraná, mas o
estado tem mostrado picos e vales muito intensos no período
de crise e pós-crise. A avaliação é do
economista do IBGE André Macedo. “Os dados muito
intensos normalmente são influenciados por fatores
também muito pontuais, no caso do Paraná decorrentes
da indústria automobilística e do setor de
edição e impressão”, diz.
A principal pressão negativa de setembro veio de
veículos automotores (-49%), enquanto na outra ponta
o setor de edição e impressão (45%)
exerceu a principal pressão positiva. Alimentos (-13,4%)
e madeira (-25,9%) também influenciaram na formação
da taxa geral.
Greve
O grupo de automotores, que engloba automóveis, caminhões
e autopeças, continua decrescendo – ainda que
em menor intensidade do que nos primeiros trimestres – e
a queda foi intensificada no Paraná em função
das greves dos metalúrgicos. Em setembro, a Volkswagem
perdeu três semanas de produção, e a
Renault, duas. “Mas a indústria de caminhões
também tem papel importante neste caso”, afirma
Macedo. Por isso, na comparação com setembro
do ano passado a indústria automotiva paranaense caiu
com força, enquanto o total nacional foi de apenas
um terço disso (-16,6%).
Já na indústria gráfica, o crescimento é explicado
porque o Paraná vem se consolidando como polo de editoras,
cuja demanda cresceu nos últimos anos com o aumento
de contratos de livros didáticos para escolas públicas.
No indicador de julho, o setor já havia puxado o índice
geral ao crescer 117,6%.
Redução de perdas
Apesar das inconsistências pontuais, o economista
do IBGE destaca também os índices mais abrangentes,
que mostram que o estado está reduzindo as perdas
acumuladas durante a crise. No índice de média
móvel trimestral – que “amortiza” os
dados muito instantâneos da economia –, por exemplo,
o Paraná interrompeu em agosto uma sequência
de três meses de resultados negativos, e agora se mantém
com um indicador positivo e acima da média nacional:
3%, ante 1,4% do país.
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Gazeta do Povo, 7 de novembro
de 2009
Internacional
Desemprego nos EUA supera
10% em outubro
Índice é o maior
dos últimos 26 anos. Atualmente, estima-se que existam
15,7 milhões de norte-americanos procurando ocupação
O nível de desemprego voltou a subir em outubro
nos Estados Unidos e atingiu 10,2%, com mais 190 mil cortes
de vagas. A nova taxa no país, que perde empregos
há 22 meses consecutivos, é a maior desde
abril de 1983. O anúncio é um sinal de que
os estragos da recessão ainda devem durar muito
tempo no mercado de trabalho. E coloca em xeque as políticas
implementadas até aqui pelo governo Barack Obama
para contornar a crise. Em setembro, o desemprego estava
em 9,8%.
Em resposta ao dado negativo, Obama afirmou ontem que
acabara de assinar uma extensão do seguro-desemprego
a fim de manter o benefício a 700 mil pessoas que
já recebem a ajuda há quase um ano e meio.
Foi prorrogado também um incentivo fiscal equivalente
a US$ 8 mil para pessoas interessadas em comprar residências
financiadas.
Desde o início da recessão nos EUA, em dezembro
de 2007, 8,2 milhões de pessoas perderam seus empregos.
No total, existem atualmente 15,7 milhões de desempregados. “Minha
promessa é não descansar enquanto os americanos
que querem trabalhar não consigam encontrar trabalho”,
disse Obama na Casa Branca.
Na semana passada, o governo anunciou que o pacote de
US$ 787 bilhões aprovado no início do ano
pelo Congresso teria salvo ou criado cerca de 640 mil empregos
no ano. Mas os números são cercados de controvérsias,
e os dados, difíceis de serem comprovados. Várias
entidades sindicais e economistas cobram do governo novo
plano de estímulo, já que os efeitos do atual
tendem a diminuir. Muitos analistas acreditavam que o desemprego
só chegaria aos dois dígitos em 2010.
PIB
O desemprego nos EUA aumenta apesar de o país ter
voltado a crescer no terceiro trimestre deste ano a uma
taxa anualizada de 3,5%. Uma das principais explicações
para o crescimento do PIB sem a criação de
empregos é o aumento da produtividade dos trabalhadores
que acabaram mantidos pelas empresas.
No mesmo terceiro trimestre, a produtividade nos EUA deu
o maior salto em seis anos: cresceu 9,5% em termos anualizados.
Na comparação com o mesmo trimestre de 2008,
foi o maior aumento desde 1948, quando esses números
começaram a ser tabulados.
“Apesar de o grau de deterioração
do mercado de trabalho não ser mais o mesmo do vivenciado
no fim de 2008 e no início deste ano, as condições
permanecem brutais”, diz Joshua Shapiro, da empresa
de consultoria MFR, em Nova Iorque.
Além dos EUA, o Canadá anunciou ontem 43,2
mil demissões em outubro depois de ter registrado
alta nas contratações nos dois meses anteriores.
O desemprego no país também subiu – passou
de 8,4% para 8,6%.
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Folha de S.Paulo, 7 de
novembro de 2009
CLÓVIS ROSSI
O real, a moeda do
século 21?
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O Brasil quer sua moeda como parte da cesta que, algum dia, substituirá o
dólar como reserva internacional
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QUASE CASUALMENTE , o ministro da Fazenda, Guido Mantega, deixa cair
uma frase que pode soar excesso de ufanismo, durante conversa com a
Folha: o Brasil, diz o ministro, quer, sim, que sua moeda faça
parte da cesta que algum dia, eventualmente, substituirá o dólar
como moeda internacional de reserva.
A Folha observa, obviamente, que, antes de que essa pretensão
tenha alguma chance de materializar-se, seria preciso que o real fosse
uma moeda conversível, dessas que você leva no bolso,
chega a Nova York, Londres ou Tóquio, vai à casa de câmbio
do aeroporto e troca pela moeda local.
O ministro não se dá por vencido: nas atuais condições
de temperatura e pressão, o Brasil é um grande negócio
para investidores estrangeiros, que, por isso mesmo, deveriam ter o
maior interesse em negociar com o real da mesma forma que fazem com
as moedas conversíveis, que, aliás, nem são muitas.
Difícil dizer se Mantega está com um projeto para o futuro
próximo ou se está apenas contaminado pela euforia incontida
que marcou a presença de autoridades brasileiras, comandadas
pelo presidente Lula, em Londres na quarta e na quinta-feira.
Parece razoável aceitar que não é um projeto para
o governo Lula. Faltam apenas 13 meses e alguns dias para que ele termine,
tempo absolutamente insuficiente para que se dê a troca do dólar
por alguma outra moeda de reserva ou uma cesta delas.
Até porque, o próprio ministro diz que essa substituição,
se e quando vier a ocorrer, "não se dará por definição,
mas pela prática". Ou seja, não adianta alguém,
por muito importante que seja, dizer que é preciso criar uma
alternativa ao dólar. A realidade é que a criará,
se e quando se derem as condições.
O quando dificilmente será no curto ou médio prazo, a
julgar pela comparação que faz para o jornal "Financial
Times", Helmut Reisen, chefe de pesquisas do Centro de Desenvolvimento
da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento
Econômico, o clubão dos 30 países mais ricos do
mundo (o Brasil não faz parte porque não quer).
Reisen lembra que o Reino Unido perdeu a posição de maior
economia do mundo em 1872 e a de maior exportador mundial em 1915,
nos dois casos para os Estados Unidos. Mas a libra esterlina só foi
destronada (pelo dólar, óbvio) em 1945. Mesmo que os
Estados Unidos sejam ultrapassados pela China hoje, dia 7 de novembro,
só em 2059 o yuan atropelará o dólar, se esse
parâmetro histórico se repetir.
Não é muito provável que Lula e Mantega estejam
no poder até lá, mas nem por isso a questão do
real como parte de um esquema alternativo ao dólar deveria ser
desconsiderada com ligeireza. É possível até que,
na megalomania que exibe, Lula ache que o real deve ser "O" substituto,
não parte de um esquema alternativo.
O que importa é que, se o Brasil pretende mesmo ser, como disse
Lula em Londres, o país do século 21, a sua moeda tem
que iniciar o mais depressa possível a subida ao topo. Mas,
atenção, a escalada não tem nada a ver com o valor
atual do real em relação ao dólar. Ele está sobrevalorizado
(51% segundo Mantega), não valorizado, o que é muito
diferente.
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Folha de S.Paulo, 7 de
novembro de 2009
Lula acena com ganho
real para aposentados
Como 2010 é ano eleitoral,
o presidente quer dar aumento acima da inflação
para quem recebe benefício acima do mínimo
Fórmula do reajuste não
está definida; opção seria dar metade
da variação do PIB de 2008 mais a inflação
deste ano, no total de 6%
VALDO CRUZ
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Diante do risco de desgaste político na véspera
da eleição, o presidente Lula quer dar um
aumento real para os aposentados que ganham acima do salário
mínimo no próximo ano. A fórmula,
porém, ainda não está definida. Além
do reajuste real de metade da variação do
PIB de dois anos antes, há também a proposta
de não fazer a vinculação ao Produto
Interno Bruto, e sim baixar uma medida provisória
em janeiro concedendo um aumento acima da inflação.
A decisão pode ser tomada na próxima segunda-feira, quando
o presidente irá reunir sua equipe para discutir o assunto.
O encontro deveria ter ocorrido ontem, mas foi cancelado porque houve
atraso no retorno de Lula de Londres e ele alegou cansaço pela
viagem.
Segundo a Folha apurou, o Ministério da Previdência Social é a
favor de manter os termos do acordo feito em agosto, quando as grandes
centrais sindicais aceitaram a proposta apresentada pelo governo.
Na época, foi apresentada a fórmula de dar um reajuste
real pela metade da variação do PIB de dois anos antes,
acrescido da inflação, o que daria um aumento na casa
de 6% para os aposentados que ganham acima do piso salarial. O gasto
extra para a Previdência nesse caso seria de R$ 3 bilhões.
O governo não quer aprovar a proposta em tramitação
na Câmara, que prevê reajuste para esses aposentados igual
ao concedido àqueles que ganham um salário mínimo
de benefício previdenciário. Apresentada pelo senador
Paulo Paim (PT-RS), ela representaria gasto extra acima de R$ 6 bilhões.
A proposta de Paim foi incluída no projeto que define a regra
de reajuste do salário mínimo, que determina que ele
passará a ser reajustado pela variação integral
do PIB de dois anos antes, mais a inflação (do ano anterior
ao reajuste).
Assessores do presidente não gostam da fórmula de vincular
o reajuste ao PIB. Alegam que o IBGE sempre pode fazer revisão
do número, como ocorreu nesta semana com os dados de 2007, gerando
questionamentos jurídicos. O instituto aumentou o PIB daquele
ano de 5,7% para 6,1%.
Nesse caso, avaliam, o melhor seria o governo baixar uma MP em janeiro
fixando em R$ 510 o salário mínimo em 2010, seguindo
informalmente a fórmula de reajuste real pela variação
do PIB, e dando ainda um aumento real para os aposentados que ganham
acima do piso salarial -que poderia ficar entre 2% e 3%.
Na hipótese de essa alternativa vingar, o governo desistiria
de votar o projeto em tramitação no Congresso, deixando
a definição de uma regra definitiva de reajuste do salário
mínimo e das aposentadorias para 2011 -o que seria feito de
forma casada com uma reforma da Previdência.
Ontem, mesmo sem a presença de Lula, ministros e líderes
do governo discutiram as alternativas para tornar a negociação
com os aposentados viável. Na avaliação deles,
o governo terá de fechar um acordo para evitar o uso político
do tema pela oposição, que já ensaia acusar os
governistas de serem contra os aposentados.
Participaram os ministros José Pimentel (Previdência),
Alexandre Padilha (Relações Institucionais), Luiz Dulci
(Secretaria Geral da Presidência) e Nelson Machado (ministro
interino da Fazenda e ex-ministro da Previdência), além
dos líderes do PT, Cândido Vacareza (SP), e do governo
na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS).
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