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Vernelho, 8 de novembro
de 2009
Lula e Alencar, dois
sem diploma, criaram 12 universidades
Com a sanção por parte de José Alencar, presidente
da República em exercício, do projeto de lei que cria a
Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), o governo Lula
atingiu nesta quinta-feira (5) a marca de 12 universidades criadas – recorde
histórico no Brasil. A marca anterior era do presidente Juscelino
Kubitschek, com 10 universidades federais.
O novo campus será inaugurado na primeira semana de dezembro e
abrigará 1,4 mil universitários. Segundo Alencar, quando
assumiu o governo teve uma conversa com o presidente Lula na qual ressaltava
o fato de não terem curso superior: “O presidente Lula sempre
diz assim: isso vai ficar para a história porque os brasileiros
elegeram dois políticos que não têm curso superior.
Por isso, nos compete fazer algo especial pela educação”.
O ministro Fernando Hadad (Educação) reforçou
o discurso de José Alencar ao informar que até dezembro
de 2010, o governo Lula terá inaugurado mais duas
universidades. Hadad explicou também que o governo
federal vem agindo em outras áreas, como a construção
de escolas técnicas e creches. “O compromisso
com a educação foi trazido para a agenda
nacional e o País vem vivendo com os novos marcos”,
explicou. Hadad informou também que houve a desvinculação
da DRU o que permite ao Ministério da Educação
contar com aporte de R$ 10 bilhões no próximo
ano. Além disso, o Ministério terá mais
R$ 5 bilhões proveniente do Fundeb.
A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa,
destacou a luta das lideranças políticas
da região oeste do Pará para a aprovação
do projeto de lei que resultou na nova universidade. “É a
primeira universidade no interior da região amazônica”,
disse. A UFOPA atua numa área com 18 municípios
e um milhão de habitantes.
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Agência Câmara,
8 de novembro de 2009
Governistas analisam
projetos dos aposentados na segunda-feira
Governo e líderes da base aliada na Câmara reúnem-se
nesta segunda-feira (9) para tentar resolver o impasse em torno das reivindicações
dos aposentados. Os beneficiários do Instituto Nacional do Seguro
Social (INSS) pressionam os parlamentares a aprovar diversos projetos
de lei, entre eles o projeto que contém uma emenda estendendo
a todas as aposentadorias o mesmo índice de reajuste do salário
mínimo.
Para contornar o desgaste político, o presidente Lula vai discutir
o assunto com o ministro da Previdência, José Pimentel;
o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha;
o secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci; o líder
do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS); o líder
do PT, Cândido Vaccarezza (SP); o presidente do PT, deputado Ricardo
Berzoini (SP); e o deputado Pepe Vargas (PT-RS), relator do projeto (PL
3299/08) que acaba com o fator previdenciário.
Pepe Vargas espera que, na reunião, o governo decida
assumir uma postura clara de defesa da proposta que já fez
aos aposentados. "O aposentado que ganha acima do
mínimo nunca recebeu reajuste maior que a inflação.
Agora, pela primeira vez, nós teremos uma política
dando ganho real, em 2010 e 2011", disse o relator. "A
minha expectativa é que o governo definitivamente
assuma essa proposta de acordo e mobilize-se para votar
essa matéria, que é um avanço significativo
para a legislação previdenciária",
avalia.
Reajuste zero
O diretor-financeiro da Confederação Brasileira
de Aposentados e Pensionistas, Nelson Osório, explica
que os beneficiários do INSS não aceitam
a proposta do governo porque a sugestão é de
metade do PIB do ano anterior. "E o crescimento desse
ano vai ser zero, ou próximo de zero. Quer dizer,
no ano que vem não haverá nada para a gente",
resumiu.
Osório lamenta que a Câmara não tenha
votado o reajuste da categoria antes de os projetos do
pré-sal chegarem ao Plenário.
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Congresso em Foco, 8 de
novembro de 2009
Dilma diz que oposição
não tem rumo e é incompetente
Ministra e petistas abrem fogo contra
tucanos; presidente do PSDB diz que Lula não é sincero
A pré-candidata do governo à sucessão presidencial,
a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, voltou a criticar duramente
a oposição. Neste sábado (7), ela disse os opositores
do governo Lula não tiveram competência para administrar
o país e que falta rumo ao PSDB. Na noite de sexta-feira, Dilma
já havia chamado a oposição de “patética”.
Em encontro de prefeitos do PT em Guarulhos (SP), a ministra
atribuiu as críticas ao governo a “excesso de
vaidade e de completa falta de rumo, incapaz de formular
um projeto para o País, um programa de transformações”.
Dilma refutou que a popularidade de Lula tenha sido obtida
por acaso.
“Nosso problema não foi ter sorte”, disse
a ministra e pré-candidata à sucessão
de Lula. “Nós temos sorte, mas, sobretudo, temos
competência de gestão. A eles pode ter faltado
sorte, mas faltou muito mais competência e vontade
política de mudar.”
Dilma convocou os mais de mil prefeitos e vice-prefeitos
do partido a trabalharem na campanha do ano que vem comparando
a gestão do PSDB com a do PT. "O que vai estar
em jogo é o confronto entre dois programas, entre
dois Brasis, o Brasil de 2002 e o de 2009", afirmou
ela, segundo a Agência Estado.
Maracugina
Em artigo publicado no jornal O Estado de S.Paulo, o tucano
disse que o governo Lula possui um “autoritarismo popular”.
Na noite de sexta-feira, acompanhado por Dilma, Lula comentou
reportagem segundo a qual tucanos estavam recrutando cabos
eleitorais no Nordeste para tentar vencer o PT na região
em que os índices de aprovação do governo
são os mais altos. "É um pouco o que o
[Adolf] Hitler [ditador alemão] dizia, para os alemães
pegarem os judeus. Ou seja, vamos treinar gente para não
permitir que eles sobrevivam.”
Neste sábado, outros petistas condenaram o PSDB. "Autoridade é diferente
de autoritarismo. O que acontece é que o povo se identificou
com o jeito de governar do Lula", afirmou o presidente
do PT, o deputado Ricardo Berzoini (SP). O líder do
partido no Senado, Aloízio Mercadante (SP), disse
que a oposição precisa se acalmar. “Se
eles estão nervosos, vão ficar ainda mais.
Recomendo que tomem maracugina.”
Falta de sinceridade
O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE),
afirmou hoje que o presidente Lula não foi sincero
ao associar Hitler aos tucanos. "Não gostamos
de Hitler, nem de [Hugo] Chávez [presidente da Venezuela].
Não discutimos ditadores. Se o presidente tiver curiosidade
podemos mandar nossas apostilas para ele. Essas declarações
não podem ser sinceras", disse.
Guerra ainda disse que Dilma não tem experiência
e, por isso, chamou a oposição de “patética”. “Faltaram
argumentos e ideias na cabeça da ministra na hora
daquele discurso. É conversa de quem não sabe
o que falar. É falta de experiência política.”
O ex-presidente Fernando Henrique não quis comentar
as críticas do PT. “Não quero entrar
no baixo nível. Não estava falando de pessoas,
mas de um sistema”, disse ele, neste sábado.
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Gazeta do Povo, 8 de novembro
de 2009
Custo de vida
O que vai pesar no seu
bolso em 2010
Com a inflação
sob controle e a valorização do real, os preços
administrados, de bens de consumo e alguns impostos devem
dar um alívio no orçamento familiar
A recuperação da economia, a inflação
menor neste ano, o crédito e o câmbio prometem
trazer algum alívio para os bolsos das famílias
em 2010. Depois de um período marcado por incertezas
em função da crise, alguns itens do orçamento
vão sofrer menos pressão no próximo
ano, apontam analistas ouvidos pela Gazeta do Povo.
A conta de luz, tributos como Imposto sobre a Propriedade
de Veículos Automotores (IPVA) e o Imposto sobre
Propriedade Predial e Territorial (IPTU), e o aumento do
aluguel devem pesar menos nas contas no ano que vem. Em
compensação, os preços de alimentos,
de serviços – como de planos de saúde,
educação – e das passagens aéreas
devem ficar mais salgados.
Ainda assim, de maneira geral, o orçamento deve
sofrer menos pressões do que neste ano. Além
da inflação controlada – próxima
do centro da meta do governo, de 4,5%, a renda das famílias
deve crescer, embalada pela retomada do emprego e dos reajustes
dos salários.
Em 2010, boa parte dos chamados preços administrados – como
energia, água, esgoto, telefonia – que são
corrigidos pela inflação do ano anterior,
tendem a subir menos, segundo Márcio Cruz, professor
do Departamento de Economia da Universidade Federal do
Paraná (UFPR). Como a inflação de
2009 vai ficar menor do que a de 2008, os reajustes no
próximo ano também serão mais tímidos.
No caso do IPTU, a Prefeitura de Curitiba já anunciou
que o reajuste deve acompanhar a inflação
medida pelo Índice de Preços ao Consumidor
Amplo (IPCA) – entre 4% e 4,5%. Neste ano, o aumento
havia sido de 6,39%.
Energia e IPVA
Graças a uma combinação de fatores,
a conta de luz e o IPVA devem ficar mais baratos. No caso
da energia elétrica, a redução do
consumo por causa da crise econômica e o bom ritmo
de chuvas mantiveram os níveis dos reservatórios,
o que reduziu a necessidade de uso das usinas térmicas – cujo
custo é maior que as hidráulicas. O dólar
fraco também diminui o preço da energia de
Itaipu, que é cotada na moeda norte-americana, e
que tem impacto principalmente nas regiões Sul e
Sudeste
“As operadoras deverão ter custos de operação
menores e há grandes chances de a Aneel [Agência
Nacional de Energia Elétrica] reduzir o teto da
tarifa em 2010”, diz Erik Rego, diretor da consultoria
Excelência Energética, especializada no mercado
de energia. Neste ano, o reajuste médio autorizado
para Companhia Paranaense de Energia (Copel) foi de 12,9%
que é transformado em desconto para quem paga a
conta até o vencimento.
Proprietários de veículos que se assustaram
com o valor do IPVA 2009 também devem ter uma surpresa
boa no próximo ano. Como o cálculo para o
pagamento é feito com base nos preços médios
dos veículos, a forte desvalorização
dos usados neste ano deve provocar a redução
do imposto a pagar. Os incentivos dados para a compra do
automóvel novo – como a redução
do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) – provocaram
uma corrida para a compra dos automóveis zero. Em
contrapartida, os usados se desvalorizaram mais. A inspetora
geral de arrecadação da Receita Estadual,
Suzane Gambetta Dobjenski, diz que o IPVA de veículos
populares ficará entre 11% e 17% menor do que o
cobrado em 2009.
Aluguel
De acordo com Fábio Romão, economista da
LCA Consultores, outro item de peso nas despesas das famílias – o
aluguel – também tem boas perspectivas. O Índice
Geral de Preços do Mercado (IGP-M), que corrige
a maioria dos contratos de aluguel no país, registra,
no acumulado de janeiro a outubro uma deflação
de 1,57%, o que deve beneficiar os reajustes do próximo
ano. “Mas é preciso lembrar que os imóveis
estão se valorizando muito. Dificilmente teremos
redução do valor do aluguel, mas ele vai
subir menos”, diz.
O dólar fraco também pesa a favor das famílias.
Além de baixar os preços de produtos importados
e de baratear o turismo fora do Brasil, ele reduz o custo
de insumos importados pela indústria. A facilidade
de importação também é importante
para aumentar a concorrência e inibir aumento de
preços de produtos nacionais. “Por isso não
há previsão de grandes pressões inflacionárias
para os bens de consumo” diz Thais Marzola Zara,
economista-chefe da Rosenberg Consultores Associados.
A exceção fica por conta de automóveis
e eletrodomésticos de linha branca, que devem ficar
mais caros com a retirada gradual dos benefícios
fiscais como a redução do IPI.
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Conjur, 8 de novembro de
2009
O pré-sal é nosso
Sindicatos querem estatizar
exploração de petróleo
Por Marina Ito
A discussão no Congresso sobre o marco regulatório das áreas
do pré-sal deu fôlego a um movimento bem anterior à descoberta
da viabilidade de produzir petróleo em águas tão
profundas. Já tramita o Projeto de Lei 5.891, assinado por movimentos
sociais e sindicatos, que retomaram a bandeira do “petróleo é nosso”.
Enquanto o governo pretende aprovar o marco regulatório
para áreas do pré-sal e as chamadas áreas
estratégicas, mudando o atual modelo de concessão
para contrato de partilha em regiões ainda não
licitadas, o projeto alternativo prevê o monopólio
estatal. Isso inclui também a transformação
da Petrobras, hoje uma empresa de economia mista, em uma
companhia que pertença totalmente ao Estado.
Emanuel Cancella, do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria
do Petróleo do Rio, disse em seminário realizado
pela OAB que a lei atual que regula a exploração
do petróleo tem de ser “banida do escopo jurídico”.
Para ele, o argumento de que o pré-sal é “filho” da
Lei 9.478 é “falacioso”. Ele diz que
os leilões de blocos a particulares não trouxe
mais investimentos nem descobertas, já que o petróleo
na camada do pré-sal já era conhecido, embora
só agora haja como viabilizar a produção.
Cancella disse que os movimentos sociais consideram tímido
o projeto do governo que pretende mudar o modelo de exploração
nas áreas do pré-sal ainda não licitadas,
embora tenha características estatizantes ao conceder
uma série de benefícios à Petrobras.
Para Cancella, a falta de investimento para produzir petróleo
da camada do pré-sal é superada pela garantia
de que há óleo na região. Ela não
apenas defende o fim dos leilões como a revisão
dos blocos já concedidos. “O risco no pré-sal é zero”,
disse.
O coordenador da Federação Única
dos Petroleiros (Fup), João Moraes, segue a mesma
linha. “A lei atual é uma das piores do mundo”,
disse no mesmo seminário. Segundo ele, sem o monopólio
o país não teria chegado ao pré-sal,
já que a iniciativa privada, diz, não faria
investimento de milhões para tentar achar petróleo
em águas profundas. Moraes também acredita
que é possível rever os contratos. “Não
parece razoável que alguém tenha adquirido
direito de explorar quando só havia tecnologia para
se chegar a dois mil metros e, agora, vá mais embaixo
e ganhe bem mais”, disse.
Nos projetos enviados pelo governo, o contrato de partilha
só valerá para os blocos ainda não
licitados pelo modelo atual de concessão, o que
representa cerca de 70% da área do pré-sal
que vai do Espírito Santo a Santa Catarina. No atual
modelo, estabelecido pela Lei 9.748, empresas interessadas
em explorar e produzir petróleo participam das licitações
das áreas. A empresa, ou empresas no caso de consórcio,
passa a explorar a área para procurar petróleo.
Se não encontrar, o risco é da empresa. Caso
encontre, é declarada a produtividade da área
e a empresa passa a produzir.
Já no contrato de partilha da produção,
parte do petróleo como produto é dividido
entre governo e consórcio. Ganha o direito de explorar
a área quem oferecer maior participação à União.
De acordo com os projetos de lei enviados pelo governo
ao Congresso, a representante do governo será a
Petrosal.
De acordo com o projeto de lei proposto pelo governo,
a Petrobras sempre participa com, no mínimo, 30%.
Nos contratos atuais, as partes é que negociam essa
participação. Também conforme o projeto
a Petrobras fica como empresa operadora, sendo responsável
por executar atividades estratégicas.
Clique aqui para
ler o projeto de lei.
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Folha de São Paulo,
8 de novembro de 2009
QUEDA DO MURO: 20 ANOS
DEPOIS
Reunificada, Alemanha segue
dividida no bolso e na mente
Alemães do Leste e do Oeste
ainda guardam estereótipos sólidos uns sobre
os outros mesmo após 20 anos de retomada da convivência
Economia da antiga RDA é frágil
se comparada à da fração ocidental
do país
LUCIANA COELHO
ENVIADA ESPECIAL À ALEMANHA
Na maior parte do trajeto por onde passou o Muro de Berlim,
há apenas discretos tijolos incrustados no chão
e placas de metal com o tempo de vida desse monumento à Guerra
Fria (1961-89). Mas, passados 20 anos desde que o ex-oficial
comunista Günter Schabowski se confundiu em uma entrevista
e precipitou a queda, a sombra da divisão alemã persiste.
A "Mauerfall" -o evento que acabou por simbolizar o fim da
Cortina de Ferro no vácuo das reformas promovidas por Mikhail
Gorbatchev na União Soviética e da fervente pressão
econômica e social nos países do Leste Europeu- será celebrada
amanhã, e não há por que questionar a reunificação
que aconteceria no ano seguinte.
Os desníveis, claros, aos poucos vão sendo cobertos.
Mas pergunte a um alemão de qualquer parte se hoje há diferenças
entre Leste e Oeste. A resposta imediata será "sim".
Forjado em 1945 pelos vencedores da Segunda Guerra quando dividiram
o país em dois e sua capital em quatro (depois americanos, britânicos
e franceses uniriam suas zonas de controle, deixando os russos sós),
o conceito de dois lados da Alemanha ainda se reflete na política
e na economia.
Com um quinto da população total, os Estados da ex-República
Democrática Alemã não têm ministros no gabinete
de Angela Merkel (embora ela, criada no Leste, seja a exceção à regra).
O desemprego é quase o dobro do que vigora nos Estados da antiga
República Federal da Alemanha, a população declina
mais rápido e o PIB per capita mal chega a 70% dos conterrâneos
ocidentais.
Psique
Mais do que números da economia e cadeiras do Parlamento, a
divisão permeia até hoje a psique alemã. A Folha
indagou historiadores, professores, burocratas, políticos, economistas,
jornalistas, ativistas e estudantes nascidos na RDA e na RFA se Leste
e Oeste ainda são diferentes. Todos, exceto uma estudante (leia
texto na pág. A16), disseram "sim".
Embora sem animosidade, as pessoas ainda guardam estereótipos
mais sólidos do que o muro. "A arrogância do Oeste é parcialmente
verdade", diz Tobias Holitzer, curador de museu em Leipzig. "E
o Leste, por sua vez, também é cético em relação
ao Oeste."
Esses papéis derivam das relações travadas por
40 anos. "Todo mundo tinha parentes ou amigos na Alemanha Oriental
e lhes mandavam algumas coisas cotidianas, o que tornou a relação
entre a Alemanha Ocidental e a Oriental estreita", diz o historiador
Siegfried Suckut, criado na região de Hamburgo. "Mas por
causa disso os alemães orientais acabaram na posição
inferior, de pedir e não ter o que oferecer."
Ninguém ainda acha que o Leste seja "uma máquina
do tempo com tudo cinza", como definiu Axel Klausmeier, historiador à frente
da documentação do Muro de Berlim nascido em Essen, ao
rememorar sua primeira visita ao lado de lá.
Mas é recorrente um certo ressentimento dos "ocidentais" pela
transferência de fundos que o governo continua a fazer à antiga
RDA, hoje em 30 bilhões ao ano. Alusões aos "orientais" os
ligam ao comodismo, enquanto na mão inversa o estereótipo é o
do egoísmo. A noção de que os egressos da RFA
não se importam com os vizinhos é disseminada.
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Folha de São Paulo,
8 de novembro de 2009
Madeira do Pará tem
origem 89% ilegal
Pesquisa inédita do
Imazon empregou imagens de satélite para mapear pela
primeira vez extração madeireira no Estado
Sistema estadual trazia uma estimativa
de só 10% de irregularidade; exploração
de madeira paraense é 45% do total da Amazônia
REINALDO JOSÉ LOPES
DA REPORTAGEM LOCAL
Quase 90% da área que sofre exploração
madeireira no Pará está sendo explorada sem
autorização legal, revela um estudo do Imazon
(Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia)
obtido pela Folha. É a primeira vez que se faz uma
estimativa direta da retirada de madeira ilegal na Amazônia.
Até hoje ninguém sabia direito qual é a quantidade
de madeira clandestina na região. O número mais citado,
impreciso, fala em 50%. Mapear a extração ilegal é importante,
porque em muitas áreas da Amazônia a atividade madeireira
criminosa é o passo inicial da derrubada total da floresta.
Os dados usados pelo Imazon agora, vindos de imagens de satélite
de 2007 e 2008, indicam que até a atividade madeireira legalizada
tem irregularidades -como o registro de toras supostamente oriundas
de áreas já desmatadas por completo- em 37% dos casos.
A ONG ainda pretende cruzar o mapeamento com os dados de volume total
de madeira em cada região do Estado para estimar o volume clandestino.
" Fica claro que o Estado não tem controle fiscal suficiente da extração",
diz o engenheiro florestal André Monteiro, co-autor do estudo. "Ele
não consegue fazer o monitoramento e acaba trabalhando só com base
em denúncias. Também há indício de gente registrando
dados de forma errada, fazendo a coisa de modo mal intencionado. Achamos que
esta é uma ferramenta importante para auxiliar o monitoramento."
Rombos
As imagens de satélite ajudam os pesquisadores a fazer uma estimativa
de quão fragmentado está o dossel, ou seja, a fatia mais
alta da mata, única parte visível dela a partir do espaço
no caso de florestas fechadas como a amazônica.
A proporção de buracos no dossel da mata indica se a
derrubada está ocorrendo de acordo com um plano de manejo florestal
aprovado pela Sema (Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Pará).
Tais planos de manejo garantem, em tese, que a madeira seja extraída
em ritmo moderado, escolhendo exemplares maduros de árvore e
minimizando o dano a plantas que não vão ser usadas comercialmente.
Não se pode falar em exploração sustentável
sem plano de manejo.
Contas que não fecham
A primeira conclusão dos pesquisadores, que acessaram os dados
da Sema sobre a extração de madeira devidamente atrelada
a esses planos, é que 89% da área em que a derrubada
foi detectada via satélite não corresponde aos locais
em que a atividade madeireira foi aprovada pelo Estado. São
quase 375 mil hectares, dos quais 73% equivalem a áreas privadas,
devolutas ou sob disputa.
Mesmo nos casos em que a Sema registrou a exploração
legalizada, porém, a pesquisa detectou discrepâncias entre
o que estava nos planos de manejo e o que aparecia no satélite.
No período 2007-2008, havia 259 planos operacionais no Estado,
dos quais 131 puderam ser avaliados via satélite (nem sempre
isso é possível, por causa de fatores como a forte cobertura
de nuvens). Das Autefs (Autorizações de Exploração
Florestal) emitidas então, 63% casaram com as imagens, enquanto
as demais apresentaram uma ou mais "inconsistências",
como define o trabalho.
Entre as práticas mais suspeitas está a emissão
de Autefs para áreas já total ou parcialmente desmatadas.
O conceito por trás da tática é simples, diz Monteiro: "esquentar" a
exploração predatória nessas áreas.
" A questão é que, no plano de manejo, você tem um limite
de 30 metros cúbicos de madeira por hectare. Se um trecho já desmatado é incluído
no total, a relação entre volume de madeira e área diminui,
o que permite a extração de mais madeira", afirma o pesquisador.
Assim, numa fazenda que seja grande mas só tenha um hectare
de floresta em pé, se o proprietário declara ter dois
hectares, pode tirar o dobro de madeira que lhe é permitido
sem deixar pistas em documentos. Só com imagens de satélite é possível
flagrar o golpe.
O Imazon pretende realizar o levantamento todos os anos daqui para
a frente, incluindo também Mato Grosso.
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