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Gazeta do Povo, 9 de novembro de 2009
Classes sociais
Consumo sobe entre mais pobres
Pesquisa mostra que classes D e E do Norte
e Nordeste compram mais itens essenciais do que classes A e B do Sudeste
Os pobres do Norte e Nordeste
estão consumindo mais que os ricos do Sudeste. Nos últimos
12 meses até setembro deste ano, as classes D e E das regiões
Norte e Nordeste do país gastaram R$ 8,8 bilhões com uma
cesta de alimentos, produtos de higiene pessoal e limpeza. Essa cifra
é 5% maior que a desembolsada pelas camadas A e B que vivem no
Sudeste do país no mesmo período com esses itens, revela
estudo exclusivo da LatinPanel, maior empresa de pesquisa domiciliar
da América Latina.
Em igual período do ano
passado, a situação era inversa: o gasto das camadas que
compõem a base da pirâmide social no Norte e Nordeste com
bens não duráveis havia sido 5% inferior ao das classes
A e B do Sudeste. “Houve uma reversão”, afirma Christine
Pereira, diretora da empresa e responsável pela pesquisa.
Ela atribui essa mudança
registrada no último ano a fatores conjunturais. Inflação
em baixa que dá mais poder de compra ao consumidor, ganhos de
renda dos trabalhadores que recebem salário mínimo e o
fato de a crise não ter afetado as camadas de menor renda explicam,
segundo Christine, o avanço do consumo dos bens não duráveis
pelos mais pobres. Os dados da pesquisa foram obtidos a partir de visitas
semanais a 8,2 mil domicílios para auditar o consumo de 65 categorias
de produtos.
Embora em maior número,
as famílias das classes D e E do Norte e do Nordeste têm
renda agregada bem menor que a das famílias das classes A e B
do Sudeste. No Norte e no Nordeste, há 6,9 milhões de
lares que recebem até quatro salários mínimos (R$
1.860) por mês, o que corresponde a 40% do total de famílias
das classes D e E do país. Já as classes A e B somam 4,9
milhões de domicílios no Sudeste ou 45% dos lares desse
estrato social do Brasil. Essas famílias têm renda mensal
superior a dez salários mínimos (R$ 4.650).
Renda
Para o economista-chefe da LCA
Consultores, Braulio Borges, boa parte do avanço do consumo dos
mais pobres se deve ao aumento real do salário mínimo
de 5,7% concedido neste ano. “O salário mínimo pesa
muito nas regiões Norte e Nordeste”, diz.
Nas suas contas, a massa real
de renda dos ocupados, pensionistas da Previdência e também
beneficiários do Bolsa Família cresceu 7,7% no Norte e
Nordeste no primeiro semestre deste ano em relação a igual
período de 2008. O acréscimo é mais que o dobro
do registrado para essa população que vive no Sudeste,
que foi de 3,1%.
Além desse fator, Borges
ressalta que a inflação dos mais pobres, que ganham até
cinco salários mínimos (R$ 2.325), medida pelo Índice
Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE), perdeu o fôlego neste
ano. Após fechar 2008 com alta de 6,5%, a maior taxa desde 2003,
o INPC deve encerrar 2009 com aumento de 4,5%.
Classe
C perde o encanto
A classe C, que até pouco tempo atrás era a mais
cortejada pela indústria e pelo comércio, começa
a perder a atratividade para as camadas inferiores, as classes D e E,
que ainda têm pouco acesso ao crediário e renda menos comprometida
com outras despesas, como internet, tevê a cabo e prestações
do consignado.
Segundo pesquisa da LatinPanel,
a classe C das regiões Norte e Nordeste, que tem renda mensal
familiar entre quatro (R$ 1.860) e dez salários mínimos
(R$ 4.650) gastou nos últimos 12 meses até setembro deste
ano R$ 5,46 bilhões com alimentos, bebidas e artigos de higiene
e limpeza. Essa cifra é 35% menor que a desembolsada com esses
mesmos produtos pelas camadas A e B do Sudeste.
“As classes D e E passaram
a ser olhadas com mais carinho pelos empresários porque estão
saindo do estágio de consumo de subsistência”, afirma
o economista-chefe da LCA Consultores, Braulio Borges.
Isael Pinto, presidente da General
Brands, que produz sucos em pó e pronto para beber, já
detectou o potencial desse novo mercado. Faz um mês que a companhia,
que é dona da marca Camp, lançou um novo suco em pó.
Batizado de Fructos Plus, o suco é voltado para a baixa renda
do Norte e Nordeste. O pacotinho de 20 gramas custa entre R$ 0,39 e
R$ 0,45 e rende dois litros. O saquinho de 35 gramas da marca Camp,
mais voltada para as classes B e C, sai por R$ 0,59 e rende um litro
de suco.
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OLHAR DIREITO, 09 de novembro
de 2009
Mulheres assumem cargos na construção
civil mas são minoria
Juliana Michaela - Especial para o Olhar Direto
As mulheres tem ocupado um espaço no mercado que antes era estritamente
masculino. Nos cursos específicos para a indústria no
Senai-MT, elas representam 32,1%, enquanto os homens 67,9%. Se há
20 anos atrás não era possível observar uma engenheira,
hoje elas estão ocupando espaços como encarregada de obras,
de revestimento cerâmico ou soldadora.
A técnica em edificações
pelo IFMT e encarregada de obras de um dos empreendimentos da Plaenge,
Anadir Marciana da Silva, 23 anos, solteira, fala que pode ser fora
do comum encontrar mulheres em canteiros de obras, mas é um mercado
que está se abrindo.
“É um desafio para nós trabalhar nesse setor, principalmente
porque temos que mostrar que somos competentes no que fazemos. Eu não
tive resistência por ser mulher, o que aconteceu mais foi por
causa de ser mais nova”, destaca Anadir da Silva. Ela já
fez um curso na área administrativa pelo Senai-MT e hoje está
curso Engenharia Civil pela Unic.
O gerente de engenharia da Plaenge,
Rui Massaru Manabe, relembra que na época que cursou engenharia
não tinha colegas mulheres na turma. Numa das obras da empresa,
ele cita que existe 100 homens e apenas três mulheres (uma encarregada
de obras, uma assentadora de pastilha e uma armadora).
“As mulheres são minoria, mas são mais disciplinadas,
levam a sério o trabalho e são mais detalhistas. Quando
elas são novatas num ambiente como a construção
civil, elas terminam tendo que provar mais que os homens que são
competentes. A cobrança em cima da mulher é maior”,
pontua o engenheiro.
Outra mulher que atua na construção
civil é a ajudante de obras, Anail Neves de Almeida, 27 anos,
que concluiu o sétimo ano (antiga 6º série do 1º
grau). Separada com dois filhos, ela trabalhava como doméstica
e ajudante de cozinha, mas há quatro meses não conseguia
encontrar serviço quando resolveu fazer o curso de revestimento
cerâmico.
“Eu procurei a construção
porque é um serviço mais gratificante do que trabalhar
em casa de família. Desde os meus 13 anos trabalho e somente
agora tive a minha carteira de trabalho assinada. Quando eu comecei
no curso a empresa veio aqui procurar profissionais, foi maravilhoso
porque não estava conseguindo achar serviço nem para diarista”,
revela sorridente Anail.
Hoje ela atua como ajudante
de obras, mas pretende ao encerrar o curso do Senai-MT subir de cargo
e assumir a função de revestimento cerâmico. Anail
Almeida ressalta que pretende fazer os cursos de pintura e alvenaria,
para arrumar a sua casa.
A vendedora Delfina Nunes, 34
anos, está desempregada na área e decidiu fazer o curso
de soldadora do Senai-MT, pois tem perspectiva de encontrar um trabalho
na área.
“Eu estou desempregada,
mas trabalho como autônoma. A área de vendas não
tem mais estabilidade com emprego fixo. Como sou solteira e eu tenho
dois filhos para criar preciso de um salário fixo. Eu fiquei
sabendo do curso de soldadora através de amigos que me disseram
que existe muita oportunidade na área para mulheres”, conta
Delfina. A turma que Delfina faz parte tem 22 alunos, destes quatro
são mulheres.
Ela disse que está terminando
3º ano do terceiro grau, e se diz arrependida de não ter
concluído os estudos antes porque teria um emprego melhor. “Eu
quero recuperar o meu tempo perdido. O mercado de trabalho está
muito mais exigente, pede 2º grau e conhecimentos profissionais
e experiência”, fala Nunes.
A Design de Interiores, Mirian
Marques, 27 anos, atua cerca de 10 anos no setor de construção
civil, é formada em Técnica em Edificações
pelo Instituto Federal de Mato Grosso (antiga Escola Técnica)
e participou do curso de instalador hidráulico pelo Senai-MT.
Ela conta que no início
da carreira teve dificuldades para se inserir no mercado de trabalho
e que ao trabalhar nos canteiros de obras em alguns momentos teve que
lidar com preconceito dos homens por ser mais nova e mulher. “Tudo
é postura como você se coloca para os demais. Eu tinha
fama de brava, foi uma forma que adotei para que me respeitassem”,
conta Mirian Marques.
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Folha de S.Paulo, 9 de novembro
de 2009
Deficit se agrava na previdência
pública
Reforma de 2003 não impede aumento do
rombo e também da disparidade em relação a benefícios
pagos pelo INSS no setor privado | Após melhora nas contas do
sistema de aposentadoria dos servidores, Lula deve fechar 2º mandato
com deficit de R$ 48 bi em 2010
GUSTAVO PATU
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Objeto da principal e mais polêmica
reforma do governo Luiz Inácio Lula da Silva, o regime de previdência
dos servidores públicos encerrará a administração
petista com deficit em alta, conforme aponta o projeto do Orçamento
de 2010 em análise no Congresso e ao contrário do que
prometiam as estimativas de seis anos atrás.
Tampouco parece mais próximo o objetivo -anunciado na época
para atrair apoio político às mudanças propostas-
de encurtar a distância entre as cifras das aposentadorias pagas
aos servidores e as que o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social)
oferece aos trabalhadores da iniciativa privada.
Desde a aprovação das mudanças constitucionais,
em 2003, o valor médio mensal pago a um inativo civil do Poder
Executivo federal subiu quase 90% e chegou a R$ 5.355 em agosto último;
no mesmo período, o benefício médio do INSS registrou
uma elevação pouco acima dos 60% e atingiu o valor de
R$ 707.
Os Poderes Legislativo e Judiciário apresentam taxas de crescimento
menores, mas continuam muito mais generosos com os seus funcionários:
suas aposentadorias, na casa dos R$ 10 mil mensais médios no
final de 2003, passam atualmente dos R$ 15 mil -tanto antes como agora,
mais de 20 vezes a média registrada no setor privado.
"Busca-se tornar a Previdência Social mais equânime,
socialmente mais justa e viável financeira e atuarialmente para
o longo prazo", dizia a exposição de motivos da proposta
levada pessoalmente ao Congresso pelo presidente Lula, juntamente com
ministros, governadores e empresários, em 30 de abril do primeiro
ano de seu governo.
Promulgada oito meses depois, a reforma fixava, para os civis que ingressassem
no serviço público a partir dali, o mesmo teto válido
para as aposentadorias do setor privado, então elevado para R$
2.400 e hoje de R$ 3.218,90. Os que desejassem valores maiores deveriam
aplicar em fundos de previdência complementar.
Como medida de impacto mais imediato para o caixa do Tesouro Nacional,
foi instituída a cobrança de contribuição
previdenciária dos servidores inativos de maior renda, além
de fixados idade e tempo de contribuição mínimos
para a obtenção dos benefícios. Com isso, calculava-se
que o deficit do regime teria redução, ano a ano, até
2011.
Reajustes
As previsões, porém, só se confirmaram até
o final do primeiro mandato de Lula e, em boa parte, porque também
foi duplicada a contribuição patronal para as aposentadorias
dos servidores. A medida só tem efeito contábil -o Tesouro,
responsável pelo pagamento do tributo, é o mesmo que recebe
o dinheiro- e político.
No ano reeleitoral de 2006, a concessão de reajustes salariais
generalizados para o funcionalismo do Executivo, que a legislação
estende aos aposentados, determinou uma nova trajetória de alta
do deficit no segundo mandato de Lula, considerada, de início,
passageira: a expansão do quadro de ativos e o crescimento econômico
deveriam restabelecer a redução dos desequilíbrios.
A tendência foi agravada, porém, por um novo pacote do
gênero no ano passado, quando a administração petista
foi encorajada por um recorde na arrecadação de impostos.
Pelo modelo adotado, os reajustes serão parcelados até
a metade do próximo governo.
Neste ano, as despesas com os 984 mil inativos e pensionistas dos três
Poderes, incluindo civis e militares, deverão se aproximar dos
R$ 64 bilhões, ou quase 40% das despesas totais da União
com pessoal. O INSS gastará o triplo desse valor, mas sua clientela
é mais de 20 vezes maior.
Deficit
em alta
De acordo com as projeções do Orçamento, as despesas
previdenciárias do governo superarão as contribuições
(pagas por Tesouro, ativos e inativos) em R$ 43 bilhões, ou 1,42%
do Produto Interno Bruto. Para o próximo ano, o deficit previsto
sobe para 1,44% do PIB, ou quase R$ 48 bilhões.
O montante, suficiente para praticamente um mandato presidencial inteiro
de Bolsa Família, terá de ser coberto com recursos dos
tributos destinados à seguridade social, ou seja, saúde,
previdência e assistência social. Em 2009, o orçamento
da seguridade passou a ser deficitário, o que põe em xeque
um dos principais argumentos dos adversários de reformas na Previdência
Social.
Na quinta-feira passada, a Folha questionou os ministérios da
Previdência e do Planejamento sobre a alta do deficit e se há
projeções para sua reversão nos próximos
anos, mas não houve resposta até a conclusão desta
edição.
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Folha de S.Paulo, 9 de novembro
de 2009
Reforma da previdência ficou
aquém do previsto
Pressão do funcionalismo conseguiu evitar
parte das mudanças propostas | Desde 2003, quadro de pessoal
da União cresceu em quase 60 mil; gasto passou o patamar de 5%
do PIB pela primeira vez desde 1995
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A reforma da previdência
pública foi adotada como prioridade quando a administração
petista precisava conquistar credibilidade nos mercados, mas acabou
deixada de lado quando a economia do país retomou o crescimento.
Quatro anos se passaram até que o governo Lula se animasse a
enviar ao Congresso, em 2007, o projeto de lei que cria o fundo de previdência
complementar para os servidores, condição estabelecida
no texto constitucional para a principal medida da reforma -a adoção
do teto do INSS para aposentadorias dos novos funcionários.
Uma das principais bases políticas do PT, os sindicatos do funcionalismo
já haviam conseguido do Executivo, àquela altura, o pacote
de reajustes salariais que elevaria o deficit previdenciário
no segundo mandato de Lula. Sem apoio na base governista, o projeto
do fundo complementar está até hoje parado na Câmara
dos Deputados -nem sequer um parecer foi apresentado.
Desde a aprovação da reforma, o quadro de pessoal da União
foi ampliado em quase 60 mil servidores -como houve aposentadorias no
período, o número de ingressos foi ainda maior. Graças
ao atraso na regulamentação do texto, esse contingente
não foi enquadrado nas regras propostas.
O enfraquecimento da reforma começou ainda em 2003, quando começou
a tramitar no Congresso uma Proposta de Emenda à Constituição
destinada a manter parte das vantagens do funcionalismo, batizada de
"PEC paralela" e aprovada em 2005.
Com a nova emenda, inativos que preenchem requisitos mínimos
de tempo de contribuição e de serviço público
mantiveram o direito à aposentadoria integral, com reajustes
equivalentes aos concedidos ao pessoal da ativa.
O lobby do funcionalismo, um dos mais influentes entre os parlamentares,
conseguiu barrar também o projeto que limitava a expansão
das folhas de pagamentos dos três Poderes em 1,5% ao ano acima
da inflação, apresentado no segundo mandato de Lula como
parte do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
Em consequência, os gastos da União com pessoal ultrapassaram,
pela primeira vez desde 1995, o patamar de 5% do Produto Interno Bruto
e se tornaram a segunda maior despesa federal, atrás apenas dos
benefícios do INSS. (GP)
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Agência Diap, 9 de
novembro de 2009
Agenda Política: centrais
marcham na quarta (11) pelas 40 horas semanais
Nesta quarta-feira (11), as centrais sindicais realizam a 6ª Marcha
da Classe Trabalhadora a Brasília, que vai pressionar a Câmara
dos Deputados a votar a redução da jornada de trabalho
de 44 para 40 horas semanais
A redução da jornada
semanal de trabalho para 40 horas semanais é a principal reivindicação
de milhares de trabalhadores de todos os estados do País que
participarão da 6ª Marcha da Classe Trabalhadora, nesta
quarta-feira (11).
A marcha é organizada
pelas centrais sindicais - Força Sindical, CUT, CTB, CGTB, NCST
e UGT - que está na sexta edição. A atividade começa
às 9 horas, no Estádio Mané Garrincha e termina
com um ato em frente o Congresso Nacional.
A marcha, que é realizada
unitariamente pelas centrais, tem sido um importante instrumento político
de pressão para obter conquistas para a classe trabalhadora.
Uma dessas conquistas foi a
política de recuperação e valorização
do salário mínimo que irá vigorar até 2023.
O projeto de lei (PL 1/07) está em fase final discussão
na Câmara dos Deputados. Se for aprovado, vai à sanção
presidencial.
"Nossa expectativa é
que neste ano, mais trabalhadores participem da marcha. Será
uma oportunidade para mostrar ao Congresso Nacional e a sociedade que
queremos a jornada de 40 horas".
E acrescenta: "A 6ª
edição da marcha será apenas uma pequena demonstração
da grande vontade nacional, que verificamos nas fábricas de todos
segmentos pela redução da jornada", diz o deputado
Paulo Pereira da Silva (PDT/SP), que também é presidente
da Força Sindical.
As reivindicações
dos trabalhadores nesta marcha são:
- Redução da jornada
semanal de trabalho para 40h;
- Aprovação do PL 1/07, que trata do salário mínimo;
- Ratificação das convenções 151 e 158,
da OIT;
- Não a precarização: retirada dos projetos sobre
terceirização, PLs 4.302/98 e 4.330/04;
- Aprovação da PEC 438/01, que penaliza o trabalho escravo;
- Trabalho Decente; e
- O pré-sal é nosso.
Pré-sal
Apesar de constar da pauta do plenário, dois projetos do pré-sal
ainda estão pendentes de votação em comissão
especial. Nesta segunda-feira (9), está prevista a votação
do parecer do deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB/RN) ao projeto (PL
5.938/09) que trata do regime de partilha e na terça-feira (10)
pode ser votado o parecer do deputado João Maia (PR/RN) ao que
trata da capitalização da Petrobras (PL 5.941/09).
Dilma
Rousseff
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef se reúne, nesta
terça-feira (10), com presidentes de diretórios estaduais
do PT, deputados federais, senadores e a cúpula nacional do partido.
Cobrará solução para os problemas estaduais em
troca da aliança com o PMDB no plano federal.
Mercosul
Nesta quarta-feira (11), o Senado pode votar protocolo de adesão
da Venezuela ao Mercosul. Apesar da polêmica, a tendência
é que a matéria seja aprovada. Mas para não correr
riscos, o texto somente será submetido a voto se o quorum estiver
elevado.
PEC
dos Vereadores
Na quinta-feira (12), o Supremo Tribunal Federal (STF) julga Ação
Direta de Inconstitucionalidade (Adin) do Inciso I do artigo 3º
da Emenda à Constituição 58/09, que alterou a redação
do inciso IV do caput do artigo 29 e do artigo 29-A da Constituição,
tratando da composição das Câmaras Municipais. A
emenda aumentou em torno de 7.800 as vagas de vereadores e o dispositivo
questionado pela Procuradoria Geral da República e OAB é
sobre o seu efeito retroativo às eleições de 2008.
Veja, a seguir, a previsão
dos principais acontecimentos políticos desta semana:
Segunda-feira
(9)
- A 1ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo condenou
a deputada Luiza Erundina a pagar R$ 350 mil a título de reposição
aos cofres públicos de dinheiro utilizado pela Prefeitura com
publicações jornalísticas nas quais a então
prefeita manifestou apoio à greve geral de 1989. Em razão
desta injustiça, amigos da deputada realizam jantar de solidariedade,
a fim de arrecadar recursos para saldar a dívida.
- O Sindicato dos Metalúrgicos
do Sul Fluminense (Volta Redonda) realiza ato político em homenagem
à greve de 1988, que faz parte do projeto "Resgate da tradição
de luta dos trabalhadores de Volta Redonda". O evento começa
às 19h, na Câmara Municipal.
- O presidente Lula decide pacote
para a área rural, com medidas que mudam o Código Florestal.
- O presidente Lula discute
com o ministro da Previdência, José Pimentel, proposta
alternativa à emenda do Senado que estende para aposentados e
pensionistas do INSS que ganham acima do mínimo o mesmo reajuste
dado ao salário mínimo.
- A comissão especial
da Câmara que analisa o projeto de lei que trata do regime de
partilha do pré-sal pode votar o parecer do relator, Henrique
Eduardo Alves (PMDB-RN).
- A Comissão de Infraestrutura
do Senado realiza audiência pública para debater projeto
do
pré-sal relativo à capitalização da Petrobras.
- As cúpulas do PT, PDT,
PRB e PCdoB formalizam aliança de oposição para
disputar o governo de São Paulo.
- Receita Federal libera megalote
de restituição do Imposto de Renda no valor de R$ 1,96
bilhão beneficiando 2,12 milhões de contribuintes.
- Reunião entre técnicos
de empresas de telefonia e do Ministério das Comunicações
que trabalham em uma proposta de implantação do Plano
Nacional de Banda Larga.
- O presidente do Banco Central,
Henrique Meirelles, participa das reuniões bimestrais do BIS,
na Basiléia, Suiça.
- Divulgação do
IGP-DI de outubro.
Terça-feira
(10)
- A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, se reúne com presidentes
de diretórios estaduais do PT, deputados federais, senadores
e a cúpula nacional do partido para discutir formas de viabilizar
o acordo com o PMDB.
- A Comissão de Assuntos
Econômicos do Senado pode votar, entre outros, o projeto que reestrutura
o Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência.
- A comissão especial
do Pré-Sal que analisa a capitalização da Petrobras
vota o parecer do deputado João Maia (PR/RN).
- A comissão especial
da Câmara que analisa a proposta de emenda à Constituição
que trata dos precatórios (PEC 351/09) se reúne para analisar
e votar o texto a ser apreciado em segundo turno pelo plenário.
- A Comissão de Seguridade
Social e Família realiza audiência pública sobre
os projetos de lei 3.299/08 e 4.434/08, que tratam, respectivamente,
do fator previdenciário e da recomposição de perdas
havidas nos benefícios mantidos pela Previdência Social
com os ministros da Previdência Social, José Pimentel,
e da Fazenda, Guido Mantega.
Quarta-feira
(11)
- O presidente Lula pode e se reunir com os presidentes das seis centrais
sindicais - Força Sindical, CUT, Nova Central, CGT, UGT, CGTB
e CTB - e das entidades representativas dos aposentados para discutir
reajuste para as aposentadorias do INSS.
- A Comissão de Defesa
do Consumidor da Câmara realiza audiência pública
com os ministros Guido Mantega (Fazenda) e Edson Lobão (Minas
e Energia) e os presidentes da Aneel, Nelson Hubner, e do Tribunal de
Contas da União, Ubiratan Aguiar, sobre o cálculo de reajuste
tarifário aplicado nas contas de energia elétrica a partir
da Portaria Interministerial 25, de 24 de janeiro de 2002.
- O Núcleo Piratininga
de Comunicação (NPC) realiza a 15ª versão
do seu curso anual, que vai até domingo (15), no Palácio
Capanema (Funarte), no Rio de Janeiro. Com programação
bastante diversificada, o NPC abordará vários temas importantes
da comunicação, cuja ideia central "A mídia
como partido do capital".
- O plenário do Senado
pode votar adesão da Venezuela ao Mercosul.
- O IBGE divulga IPCA de outubro.
Quinta-feira
(12)
- A Comissão de Meio Ambiente da Câmara realiza audiência
pública para discutir os impactos ambientais decorrentes da exploração
de petróleo na camada pré-sal com os ministros Edison
Lobão (Minas e Energia), Sérgio Rezende (Ciência
e Tecnologia), Carlos Minc (Meio Ambiente) e outros.
- A Comissão da Amazônia,
Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional da Câmara
realiza audiência pública sobre a privatização
dos aeroportos com o ministro do Ministério da Defesa, Nelson
Jobim, e outros.
- O Supremo Tribunal Federal
(STF) julga constitucionalidade de dispositivo da Emenda à Constituição
58, que aumentou em torno de 7.800 as vagas de vereadores com efeito
retroativo às eleições de 2008.
- O STF também julga
recurso extraordinário sobre a legitimidade dos sindicatos e
associações para ajuizar ações, não
apenas mandamentais, visando à defesa dos direitos de seus filiados
independentemente de autorização individual.
- O Instituto Mosap convida
entidades a se mobilizarem para intensificar pressão sobre o
presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB/SP), para que determine
a instalação da comissão especial que examinará
a PEC 555/06, que trata do fim da contribuição dos inativos.
Haverá Congresso do Fórum Permanente das Carreiras Típicas
de Estado, no auditório Petrônio Portela, do Senado.
Sexta-feira
(13)
- O Sinpro/SP realiza reunião com sindicatos e federações
de professores de todo País para debater o impacto sobre a aposentadoria
dos professores com as mudanças propostas pelo substitutivo do
deputado Pepe Vargas (PT/RS) ao PL 3.299/08, que trata do fim fator
previdenciário.
Sábado
(14)
- O presidente Lula decide sobre a posição brasileira
que será levada à Conferência das Nações
Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15), marcada para
dezembro, em Copenhague.
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Agência Diap, 9 de novembro
de 2009
Pré-sal e salário
e mínimo são os destaques do plenário desta semana
Em cumprimento ao acordo com
o Executivo, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB/SP) vai
colocar em discussão os projetos de lei que regulamentam a exploração
do petróleo na camada do pré-sal.
Dos quatro projetos, apenas
dois deles já foram aprovados pelas respectivas comissões
especiais.
O PL 5.940/09 cria o Fundo Social
com recursos da exploração do petróleo. De acordo
com o substitutivo do relator, deputado Antonio Palocci (PT/SP), todos
os recursos da União relativos a royalties e à participação
especial por grande volume de produção dos blocos do pré-sal
já licitados serão direcionados ao novo fundo.
O segundo já aprovado
em comissão especial é o PL 5.939/09, que cria a Petrosal
para gerir os contratos de exploração e de comercialização
do petróleo e do gás natural encontrados na camada pré-sal.
Regime
de partilha e capitalização
Ainda está pendente de votação nas comissões
especiais, o PL 5.938/09, que institui o regime de partilha para a exploração
do pré-sal. O que impede a votação é a polêmica
sobre a nova divisão dos royalties proposta pelo relator, deputado
Henrique Eduardo Alves (PMDB/RN).
Outra matéria que aguarda
votação na comissão especial é o PL 5.941/09,
que prevê o repasse de 5 bilhões de barris de petróleo
à Petrobras, como pagamento em títulos emitidos pela União.
Essa capitalização
reforçará o caixa da empresa para ela realizar investimentos
necessários à exploração do pré-sal.
O relator do projeto é o deputado João Maia (PR/RN).
Salário
mínimo
Quanto ao projeto que trata do índice de reajuste dos aposentados,
Temer disse que sua inclusão na pauta dependerá de acordo
entre as centrais, os aposentados e o Governo.
A divergência ocorre em
torno de emenda do Senado ao PL 1/07, a qual concede a todos os aposentados
do INSS reajustes pelo mesmo índice aplicado ao salário
mínimo.
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O ESTADO DO PARANÁ,
09 de novembro de 2009 | Política
Para Lula, 'ódio' de FHC se deve
à 'incompetência'
Agência Estado
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva,
atribuiu as críticas que recebeu do ex-presidente Fernando Henrique
Cardoso (PSDB) na última semana ao "ódio" do
tucano em relação a seu governo. "Eu compreendo o
ódio que isso causa. Um intelectual ficar assistindo um operário
que só tem o 4º ano primário ganhar tudo o que ele
imaginava que iria ganhar e não ganhou por incompetência
é muito difícil", disse ele, interrompido por palmas
e um coro de "Olê Olê Olê Olá Lula"
de mais de 800 pessoas que assistiam à abertura do 12º Congresso
do PCdoB, no Palácio das Convenções do Anhembi,
na zona norte da capital paulista.
O petista revidou também
o ataque do compositor Caetano Veloso, que chamou Lula de "analfabeto"
em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. "Essa semana foi
engraçada. Eu fui chamado de analfabeto, de ditador, por ter
indicado a Dilma (Rousseff, ministra da Casa Civil) pelo 'dedaço'
e ganhei o título de estadista do ano", discursou Lula,
em referência ao prêmio Chatham House 2009, que recebeu
em Londres por seu empenho nas relações internacionais
na América Latina.
O presidente ironizou o fato
de não ter a "sapiência dos sociólogos",
em uma referência à formação de Fernando
Henrique, e dissociou a inteligência do saber acadêmico.
"Tem gente que acha que a inteligência está ligada
à quantidade de anos de escolaridade que você teve. Não
tem nada mais burro que isso. A universidade te dá conhecimento.
Inteligência é outra coisa."
Para o petista, na política,
vale mais a inteligência do que o conhecimento. "Muito mais",
enfatizou. "A inteligência de saber formar uma equipe não
está no livro. Está na sensibilidade. A inteligência
de tomar decisões não está no livro. Está
no caráter e no compromisso do dirigente."
Lula comparou Fernando Henrique
a um jogador de futebol que fica no banco de reservas torcendo para
que um titular se machuque para poder entrar em campo. "Fernando
Henrique tinha certeza de que nós seríamos um fracasso
e de que ele poderia voltar por conta do meu fracasso", disse.
"É isso que magoa. Eu lamento. O mundo não deveria
ser assim."
Apesar de mostrar-se incomodado
com as críticas do ex-presidente tucano, Lula tentou contemporizar:
"A vida é assim. A pessoa fala o que quer, ouve o que não
quer. A vida é dura." Ele disse ainda não guardar
rancor em relação aos ataques. "Não sou homem
de carregar mágoas por mais de cinco minutos. O mandato não
permite que a gente fique brigando por coisas secundárias."
Hitler
O presidente afirmou sentir
"pena" dos tucanos por eles planejarem um programa de treinamento
de cabos eleitorais no Nordeste do Brasil com vistas às eleições
de 2010. "É um pouco o que o Hitler fazia, para que os alemães
pegassem os judeus. Ou seja, vamos treinar gente para não permitir
que eles sobrevivam", disse ele, em referência ao ditador
nazista alemão, Adolf Hitler.
Para Lula, a estratégia
do PSDB no Nordeste não vai funcionar. "Eles vão
encontrar lá gente do PCdoB, PT, PDT, PSB, CUT (Central Única
dos Trabalhadores) e todas as centrais, MST (Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem Terra) e movimento popular. Acho que vão se dar um
pouco mal."
Eleições
Último a falar, após
duas horas de discursos de parlamentares e ministros, Lula deu sequencia
ao clima de palanque petista do evento. Possível candidata do
PT à Presidência em 2010, Dilma foi saudada pelo governador
do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), como "futura presidenta
do Brasil".
Em tom de conclamação,
Lula alertou para o risco de retrocessos caso seja eleito no próximo
ano um presidente que não Dilma. "Quem é prefeito
ou governador sabe bem que um estranho no ninho pode desmontar em apenas
dois anos tudo o que foi feito. E não venham dizer que o movimento
popular não deixa por que é bobagem."
O pleito de 2010 será
o primeiro em décadas do qual Lula não participará
como candidato. "Tenho uma certa tristeza. Essa vai ser a primeira
eleição para presidente da República em que meu
nome não vai estar na cédula. Na minha cabeça vai
ter um vazio", brincou. "Por isso, depois dele (Lula), (vem)
a Dilma, para poder consagrar a continuidade de um projeto."
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O ESTADO DO PARANÁ,
09 de novembro de 2009 | Política
Oposição teme comparação
Lula-FHC, diz Berzoini
Agência Estado
A liderança do PT, reunida hoje em encontro nacional de prefeitos,
com a presença da pré-candidata do partido à Presidência
da República e ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, em Guarulhos
(SP), voltou a rebater críticas do ex-presidente Fernando Henrique
Cardoso. O tucano afirmou, em artigo publicado nesta semana, haver "autoritarismo
popular" no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo o presidente do partido,
Ricardo Berzoini, "autoridade é diferente de autoritarismo.
O que acontece é que o povo se identificou com o jeito de governar
do Lula". Ele repetiu argumento do PT de que a oposição
teme a comparação entre os governos de Lula e Fernando
Henrique Cardoso. Também destacou que a liderança de Lula
deixou de ser apenas nacional e ganhou relevância no cenário
internacional.
O senador Aloizio Mercadante
(PT-SP), adotou um tom mais provocativo ao se referir à oposição,
sugerindo que se acalme."Se eles estão nervosos, vão
ficar ainda mais. Recomendo que tomem maracugina."
A ministra da Casa Civil
foi muito aplaudida hoje no encontro nacional de prefeitos do PT. Ela
chegou por volta das 9h30 e fez seu discurso depois ouvir vários
prefeitos e lideranças. Deixou o encontro por volta das 13h,
quando o evento foi encerrado, e seguiu para almoço com prefeitas,
em Guarulhos. A reunião com as prefeitas foi fechado à
imprensa.
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Agência Diap, 9 de novembro
de 2009
Comissão de Assuntos Econômicos
debate auxílio para desempregados
Na pauta da Comissão
de Assuntos Econômicos está o projeto que concede os benefícios
do Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT) e o vale-transporte
aos desempregados que estiverem freqüentando cursos de capacitação,
readaptação ou reciclagem em entidades voltadas à
educação para o trabalho, desde que credenciadas junto
ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Do ex-senador Marcos Guerra,
a matéria (PLS 247/06) prevê ainda que os benefícios
sejam concedidos por um período máximo de seis meses,
a cada 36 meses, e concedidos diretamente pelas entidades credenciadas,
que serão ressarcidas pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
Segundo o autor da proposta,
"de nada adianta oferecer cursos de capacitação se
o trabalhador não tiver condições de deslocamento
para o local da realização das aulas ou condições
de se alimentar decentemente".
O relator da matéria,
senador Wellington Salgado (PMDB/MG), apresentou parecer favorável
ao projeto, que ainda será analisado pela Comissão de
Assuntos Sociais (CAS) em decisão terminativa. A reunião
na CAE acontece terça-feira (10), às 10h, no plenário
19, Ala Alexandre Costa.
Fundo
de Garantia
Na pauta da Comissão de Assuntos Sociais (CAS) desta terça-feira
(10), há 60 itens a serem analisados.
Dentre eles está o PLS
322/06, do senador Demóstenes Torres (DEM/GO), que altera a Lei
8.036/90, que dispõe sobre o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS). O projeto de lei permite que o trabalhador com idade igual ou
superior a 65 anos possa movimentar sua conta vinculada.
O relator da matéria
na CAS, senador Eduardo Azeredo (PSDB/MG) apresentou parecer pela aprovação
do projeto.
Repasse
do pagamento da contribuição sindical
Consta na pauta da CAS, o PLS 281/08, do senador Antonio Carlos Valadares
(PSB/SE), que fixa prazo de recolhimento e multa ao empregador que atrasar
na transferência da contribuição sindical descontada
na folha de seus empregados.
A finalidade do projeto de lei
é assegurar que a contribuição sindical descontada
do salário dos trabalhadores seja repassada às respectivas
entidades em tempo mais breve.
Pela proposta, o recolhimento
referente aos empregados e trabalhadores avulsos será feito até
o dia 5 de abril de cada ano. Já os agentes ou trabalhadores
autônomos e profissionais liberais devem proceder ao recolhimento
no mês de fevereiro.
O relator da matéria,
senador Marcelo Crivella (PRB/RJ), apresentou parecer pela aprovação,
com duas emendas. O projeto tramita em decisão terminativa na
CAS.
Representação
de empregados
Também está na pauta da CAS, o PLS 252/09, da senadora
Marisa Serrano (PSDB/MS), que assegura, nas empresas de mais de duzentos
empregados, a eleição de um representante destes, prevista
no art. 11 da Constituição Federal.
A proposta assegura a eleição
de um representante e de um suplente, no local de trabalho, no âmbito
das empresas que possuam, por estabelecimento, filial ou unidade, o
número de empregados previsto no referido artigo da Constituição.
A finalidade dessa representação é a promoção
do diálogo e do entendimento direto dos empregados com os empregadores.
O texto já tem parecer
pela aprovação, com uma emenda apresentado pelo relator,
senador Cristovam Buarque (PDT/DF).
Alimentação
para o empregado terceirizado
Consta na pauta da CAS o PLS 159/03, terminativo, do senador Marcelo
Crivella (PRB/RJ), que determina a concessão de auxílio
alimentação aos trabalhadores de empresas prestadoras
de serviços terceirizados, reguladas por Enunciado do Tribunal
Superior do Trabalho.
Trata-se de proposição
que tem por objetivo assegurar o direito à percepção
de auxílio alimentação aos empregados de pessoas
jurídicas prestadoras de serviços secundários,
denominados de terceirizados, e que não estejam inscritas no
Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT). O senador
Paulo Paim (PT/RS), relator da matéria na CAS, apresentou parecer
pela aprovação da matéria.
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O ESTADO DO PARANÁ,
09 de novembro de 2009 | Economia
Centrais admitem negociar por reajuste
a aposentado
Agência Estado
Os dirigentes das centrais sindicais vão pressionar o governo
federal para aumentar o reajuste real oferecido, para 2010 e 2011, aos
aposentados e pensionistas que ganham mais do que o salário mínimo.
Só assim acham possível abrir mão dos projetos
de lei que estão prontos para votação na Câmara
dos Deputados, especialmente a proposta que estende a todos os benefícios
previdenciários o mesmo reajuste dado ao salário mínimo,
que, por pouco, não foi votada pelos deputados na quarta-feira.
"Acho que estamos perto
de um acordo melhor. É só o governo ceder mais um pouco
no sentido de um reajuste real mais elevado", afirmou o presidente
da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP),
o Paulinho.
Segundo ele, o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva deve discutir o assunto na quarta-feira,
em Brasília, com os presidentes das seis centrais sindicais -
Força Sindical, Central Única dos Trabalhadores (CUT),
Nova Central Sindical, Central Geral das Trabalhadoras e Trabalhadores
(CGT), União Geral dos Trabalhadores (UGT) e Central Geral dos
Trabalhadores do Brasil (CGTB) - e das entidades representativas dos
aposentados.
Os dirigentes das pequenas centrais,
que não aceitaram o acordo firmado em agosto passado, se dizem
dispostos a discutir. "Vamos ver o que o governo propõe,
mas para nós é muito importante aumentar esse reajuste
e também acabar com o fator previdenciário", disse
o presidente da CTB, Wagner Gomes, uma das centrais que não participaram
do acordo.
Porém, o governo
insiste por enquanto na proposta definida em agosto: reajuste das aposentadorias
pela inflação, associada a um aumento real de 50% do Produto
Interno Bruto (PIB) de dois anos antes - o que daria, em 2010, pouco
mais de 6%. O acordo beneficiaria 8,2 milhões de aposentados
e pensionistas cujo rendimento é superior a um salário
mínimo. As informações são do jornal O Estado
de S. Paulo.
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O ESTADO DO PARANÁ,
09 de novembro de 2009 | Economia
Projetos na Câmara ameaçam
mudar aposentadoria
Agência Estado
O governo se prepara para enfrentar dois novos focos de incêndio
nas contas da Previdência. Ao mesmo tempo em que tenta tirar da
agenda a proposta que estende a todas as aposentadorias e pensões
o mesmo critério do reajuste do salário mínimo,
precisa driblar duas outras propostas que avançam no Congresso.
Na terça-feira, a Comissão
de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara
pretende colocar em votação o relatório do deputado
Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) favorável ao fim do fator
previdenciário. Com a adoção do fator previdenciário,
o trabalhador ganha uma pensão maior se adiar a aposentadoria.
O fator foi criado em 1999 para desestimular as aposentadorias precoces
e, desde então, proporcionou ao Instituto Nacional do Seguro
Social (INSS) uma economia ao calculada em R$ 10 bilhões. Se
for extinto, a despesa volta a crescer.
Logo em seguida, deve chegar
à CCJ o relatório do deputado Marçal Filho (PMDB-MS)
sobre o projeto de lei que vincula as aposentadorias e pensões
a um número de salários mínimos - e reajusta os
valores atuais de forma que voltem a equivaler ao número de salários
mínimos a que correspondiam na época em que começaram
ser pagas. Segundo o governo, isso custaria aos cofres públicos
R$ 76 bilhões ao ano. Marçal Filho disse que vai apresentar
em 15 dias relatório favorável à proposta. "Não
é uma questão de caridade, e sim de direito."
O governo diz que é
impossível atender a essas propostas. Em agosto, chegou a anunciar
um acordo com as centrais sindicais para suspender a tramitação
dos projetos. Em troca, haveria um aumento de 6% para as aposentadorias
com valor acima do mínimo em 2010 e 2011 (aumento real de 2,5%
em cada ano). Mas o acordo ainda não vingou. Na semana que vem,
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltará a discuti-lo
com as centrais. A dificuldade do governo para barrar esses projetos
fica cada vez maior na medida em que se aproximam as eleições
presidenciais.
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BEM PARANÁ, 09 de novembro
de 2009
Férias coletivas - requisitos essencias
para concessão
Juliane Baggio Scholz
A maioria das empresas concede
férias coletivas no final do ano e início do ano seguinte.
Mas para que as mesmas possam concedê-las, de acordo com a legislação,
elas deverão obedecer alguns requisitos que serão analisados
a seguir.
Vale frisar que férias
coletivas, nos termos da lei, são aquelas concedidas, de forma
simultânea, a todos os empregados de uma empresa, ou apenas aos
empregados de determinados estabelecimentos ou setores de uma empresa,
independentemente de terem sido completados ou não os respectivos
períodos aquisitivos. De acordo com o artigo nº. 139 da
CLT, poderão ser concedidas férias coletivas a todos os
empregados de uma empresa ou de determinados estabelecimentos ou setores
da empresa.
Cabe ao empregador adotar o
regime e determinar a época de concessão das férias
coletivas, ressaltando que, muitas vezes, essas férias serão
gozadas na época fixada em acordo ou convenção
coletiva de trabalho.
Em relação ao
fracionamento das férias coletivas, as mesmas podem ser gozadas
em 2 (dois) períodos anuais, desde que nenhum deles seja inferior
a 10 (dez) dias corridos.
REQUISITOS PARA A CONCESSÃO
As empresas, para concederem
férias coletivas, deverão observar as seguintes determinações:
Comunicar ao órgão
local do Ministério do Trabalho, com antecedência mínima
de 15 (quinze) dias, as datas de início e fim das férias;
Indicar os departamentos ou setores abrangidos;
Enviar, no prazo de 15 (quinze) dias, cópia da comunicação
aos sindicatos da categoria profissional; e
Comunicar aos empregados, com antecedência mínima de 15
(quinze) dias, mediante afixação de aviso nos locais de
trabalho, a adoção do regime, com as datas de início
e término das férias e quais os setores e departamentos
abrangidos.
Outra situação,
que é importante analisar, é o período aquisitivo
do empregado, ou seja, as férias coletivas são devidas
para as empresa que possuem empregados com menos e com mais de um ano
de empresa.
EMPREGADOS COM MENOS DE 12 (DOZE)
MESES DE SERVIÇO - Quando se tratar de férias coletivas,
que acarrete paralisação das atividades da empresa ou
de determinados estabelecimentos ou setores da mesma, os empregados
que não completaram ainda o período aquisitivo ficam impedidos
de prestar serviços.
Assim, o artigo 140 da CLT estabelece
que os empregados contratados a menos de 12 (doze) meses gozarão,
na oportunidade, férias proporcionais ao tempo de serviço,
iniciando-se, então, novo período aquisitivo.
Férias Proporcionais
Inferiores às Férias Coletivas - Sendo as férias
proporcionais do empregado, que ainda não tenha 12 (doze) meses
de trabalho, concedidas pela empresa e, ainda, na impossibilidade de
ser excluído da medida, o empregador deverá considerar
como licença remunerada os dias que excederem àqueles
correspondentes ao direito adquirido pelo empregado e este valor não
poderá ser descontado dele posteriormente, seja em rescisão
ou concessão de férias do próximo período
aquisitivo.
Férias Proporcionais
Superiores às Férias Coletivas - Tendo o empregado, na
ocasião das férias coletivas, direito às férias
proporcionais superiores ao período de férias coletivas
concedido pela empresa, o empregador deverá conceder o período
de férias coletivas ao empregado e complementar os dias restantes
em outra época, dentro do período concessivo, ou ainda
conceder ao empregado, integralmente, o período de férias
adquirido, para que haja quitação total.
EMPREGADOS COM MAIS DE 12 (DOZE)
MESES DE SERVIÇO - Quando o empregado tem período igual
ou superior a 12 meses de serviço na empresa, faz jus a férias
integrais.
Nessa hipótese, se o
empregador concede 15 dias de férias coletivas e o empregado
tem direito há 30 dias, pode-se optar por uma das seguintes alternativas:
a) o empregado goza integralmente
o período de férias (30 dias);
b) o empregado goza apenas os
15 dias de férias coletivas, ficando o restante (15 dias) para
ser gozado oportunamente, a critério do empregador, desde que
dentro do período concessivo.
* Juliane Baggio Scholz
é advogada e consultora Trabalhista e Previdenciária do
Cenofisco – Centro de Orientação Fiscal.
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EM SERGIPE, 09 de novembro
de 2009
Novas regras podem diminuir acidentes
de trabalho
Previdência aposta em novas regras para
diminuir acidentes de trabalho
Agência Brasil
A regulamentação do Fator Acidentário de Prevenção
(FAP), criado em 2003 e que vai vigorar a partir de 10 de janeiro de
2010, foi a fórmula que a Previdência Social encontrou
para reduzir o alto custo dos acidentes de trabalho. Nos últimos
sete anos, essa despesa provocou deficit de R$ 30 bilhões na
conta do seguro sobre acidentes, com a concessão de aposentadorias
especiais para os trabalhadores afastados.
O assunto foi comentado em entrevista
ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional AM, pelo diretor
do Departamento de Políticas de Saúde e Segurança
Ocupacional do Ministério da Previdência Social, Remígio
Todeschini.
Segundo ele, as novas regras
do FAP visam a ampliar a cultura da prevenção, tornando
obrigatória a formação nas empresas de comissões
internas para prevenção de acidentes.
Todeschini destacou que será
importante o acompanhamento das normas regulamentadoras do Ministério
do Trabalho e Emprego (MTE) e a caracterização dos afastamentos
pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), além das ações
do Ministério da Saúde no diagnóstico dos casos.
Todos esses componentes, segundo o diretor serão reforçados
com a política de formação permanente para a prevenção
de acidentes.
A criação da cultura
da prevenção deve partir dos empresários conscientizando
o trabalhador para o seu dia a dia. Todeschini esclarece que todas as
informações relativas à nova metodologia estão
na página da Previdência Social, na internet.
As micro e pequenas empresas
inscritas no Simples Nacional e que não concentrem riscos no
ambiente de trabalho vão ser bonificadas com a isenção
do tributo adicional, instituído com a regulamentação
do FAP. São 3,3 milhões de empresas que vão ficar
fora da taxa coletiva que varia de 1% a 13%, pelas novas normas.
Todeschini afirma que o grau
de instrução dos trabalhadores é importante para
a difusão da cultura da prevenção e será
obrigatória a requalificação profissional, através
de cursos, acompanhados pelo MTE.
Os prejuízos diretos
e indiretos que a União já teve com os acidentes são
da ordem de R$ 52 bilhões. A oneração do empresariado
é compatível, conforme argumenta o diretor, pois eles
não participaram do pagamento dessa conta.
As empresas que quiserem se beneficiar com a bonificação
no próximo ano deverão acessar na página da Previdência
Social até o dia 31 de dezembro deste ano o formulário
eletrônico "Demonstrativo de Investimentos em Recursos Materiais,
Humanos e Tecnológicos em Melhoria na Segurança do Trabalho".
O documento deverá ser
preenchido, impresso, datado e assinado por representante legal da empresa
e protocolado no sindicato dos trabalhadores da categoria, que fará
a homologação e transmitirá o documento para a
Previdência Social, onde ele será processado.
As empresas precisam manter
o documento arquivado durante cinco anos, já que ele poderá
ser requisitado para fins de auditoria da Receita Federal ou da Previdência
Social. A comprovação de investimentos na área
da segurança do trabalho poderá permitir que o valor do
FAP seja inferior a 1%, mesmo .
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E-BAND, 09 de novembro de
2009
Tira-dúvidas: os impactos da redução
da jornada de trabalho
Da Redação
economia@eband.com.br
A proposta de redução da jornada de trabalho das atuais
44 para 40 horas semanais, que está em discussão na Câmara
dos Deputados, divide opiniões. De um lado, há os defensores
que estimam que a medida seja capaz de gerar até 3 milhões
de novos empregos. Do outro, críticos apontam que a redução
deve surtir efeito oposto e provocar demissões. Um dos pontos
mais polêmicos é o valor da hora-extra e a forma escolhida
para realizar a mudança. Quem ultrapassar as 40 horas, receberia
75% a mais pela hora trabalhada.
A pedido do eBand, José
Pastore, especialista em Relações do Trabalho, Emprego,
Recursos Humanos e Desenvolvimento Institucional, analisou os impactos
que a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) número 231/1995,
de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS) e do deputado Inácio
Arruda (PCB-CE) que prevê a redução da jornada de
trabalho, deve gerar para o dia a dia de empresários e empregados,
caso seja aprovada. Pastore avalia ainda se a medida é mesmo
a melhor alternativa para gerar empregos no país.
A redução
da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais é positiva
tanto para trabalhadores quanto para a economia brasileira?
Eu acho que ela é negativa
para os dois lados uma vez que a proposta eleva os custos do fator trabalho.
Ao contrário dos que defendem que essa ideia irá gerar
novas vagas, na verdade, ela deve provocar fechamento de postos de trabalho
uma vez que o empresário irá buscar fontes alternativas
para compensar o aumento de custos com a folha de pagamento.
O senhor avalia que
fazer a redução via PEC (Proposta de Emenda Constitucional)
ajuda ou dificulta a implantação da redução
da jornada de trabalho?
É justamente isso que
dificulta o sucesso dessa proposta. Querem impor uma medida homogênea
sobre uma realidade heterogênea. O Brasil é um país
com realidades sócio-econômicas muito distintas que variam
categoria a categoria e região a região. O ideal seria
promover uma negociação caso a caso entre as partes, respeitando
a realidade de cada atividade e trabalhador.
Já os críticos
afirmam que a medida, além de reduzir postos de trabalho, promete
achatar os salários uma vez que quem trabalhar acima das 40 horas
semanais receberia 75% mais do que o normal pela hora extra. O senhor
concorda?
Esse é outro efeito.
Isso porque uma vez que a hora extra custará mais será
um fator adicional que promete endurecer futuras negociações
salariais entre patrões e empregados.
O que o Brasil tem a
aprender com outros países, entre eles a França, que já
reduziram a jornada de trabalho?
Absolutamente nada. Conforme
já foi dito é um grande erro tentar criar postos de trabalho
por meio de uma lei. Se isso fosse possível, não haveria
desemprego no mundo. A ampliação de postos de trabalho
depende de outros fatores. O próprio Brasil já fez isso
em 1988 quando reduziu a jornada de 48 para 44 horas semanais e viu
o desemprego crescer.
Qual seria então
a alternativa para incentivar a criação de postos de empregos
formais no país?
Emprego requer investimentos
na atividade econômica, capacitação e , principalmente,
uma legislação trabalhista flexível que permita
a negociação direta entre empresários e trabalhadores.
A CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) possui 922 artigos,
mas apenas dois direitos podem ser negociados diretamente e que são
salário e PLR (Participação nos Lucros e Resultados).
Na minha opinião, não é preciso reformar toda a
CLT, mas flexibilizá-la de modo que seja possível equacionar
as demandas dos dois lados envolvidos em uma negociação
trabalhista.
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
09/11/2009
Sem comprovar cargo de confiança,
banco é obrigado a pagar horas extras
Não basta ao banco apenas
alegar que o empregado exerce cargo de confiança para excluir
a obrigação de pagamento de horas extras. É imprescindível
que essa condição seja devidamente comprovada. Com esse
fundamento, a Seção I Especializada em Dissídios
Individuais do Tribunal Superior do Trabalho (SDI-1) rejeitou embargos
do Banco Crédito Nacional S.A em ação trabalhista
na qual fora condenado a pagar horas extras.
O juiz de primeiro grau não
reconheceu ao bancário horas extras a partir do momento em que
o bancário passou a exercer cargo de gerente de contas G. Ao
analisar recurso do trabalhador contra essa decisão, o Tribunal
Regional da 9ª Região (ES) reformou a sentença e
ampliou a condenação de horas extras para além
da sexta diária. Com base em depoimentos de testemunhas, o Regional
entendeu que, embora fosse nomeado gerente, o funcionário não
possuía atribuições especiais de confiança,
elemento necessário para se configurar jornada além das
seis horas contínuas dos bancários.
O Banco Crédito Nacional
S.A recorreu ao TST. Após o posicionamento da Quarta Turma em
negar provimento ao recurso de revista, por entender correta a decisão
do TRT, houve novo apelo, mediante embargos de declaração.
Segundo o relator, ministro
Lelio Bentes Corrêa, as atividades descritas no acórdão
do Tribunal Regional não se revelaram suficientes para caracterizar
o exercício do cargo de confiança. Por esse motivo, rejeitou
as alegações do banco sobre violação ao
artigo 224 da CLT, que regulamenta a jornada de seis horas para os empregados
que exerçam cargos de direção, gerência ou
de confiança.
Com efeito, destacou Lelio Bentes,
pouco importa a denominação que se dê ao cargo,
pois devem prevalecer as condições do efetivo exercício
da atividade profissional. Assim, conclui, é indispensável
demonstrar “a existência dos requisitos fáticos necessários
à caracterização da fidúcia especial (tais
como autonomia e responsabilidade inerentes ao cargo, ou a investidura
em algum poder significativo de mando e gestão), o que não
ficou evidenciado”.
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09/11/2009
Empresa pode revistar pertences de funcionários
desde que não haja contato físico ou discriminação
A Quinta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho aplicou em mais um caso o entendimento da Corte de que é
indevido o pagamento de indenização por danos morais quando
a revista em pertences dos empregados ocorre sem contato físico
e sem discriminação. Desta vez, a decisão beneficiou
a Pepsico do Brasil Ltda. Por unanimidade, o colegiado deu provimento
ao recurso de revista da empresa para excluir da condenação
o pagamento de indenização a um ex-empregado do grupo.
O relator do processo, ministro
Emmanoel Pereira, explicou que a mera inspeção visual
de bolsas, pastas e sacolas de empregados não é suficiente
para dar direito à reparação por dano moral. No
processo analisado, segundo o ministro, a revista acontecia sem contato
físico e não tinha caráter discriminatório,
ou seja, todos os funcionários eram submetidos à vistoria
dos pertences.
Portanto, na opinião
do relator, a conduta da empresa, ao instituir a revista, refletiu apenas
um ato empresarial de caráter generalizado com o objetivo de
proteger o seu patrimônio. Assim, não houve ofensa aos
princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana ou da
presunção de inocência, como alegado pelo trabalhador.
Já o Tribunal do Trabalho
da 9ª Região (PR) manteve a sentença de primeiro
grau que determinara o pagamento de indenização por danos
morais. O Regional não admite nenhuma modalidade de revista e
sugere a adoção de monitoramento por outros meios de segurança,
a exemplo de câmeras no ambiente de trabalho. Para o TRT, a revista,
ainda que visual dos pertences do empregado, desrespeitava o direito
à intimidade do trabalhador. (RR-15405/2007-005-09-00.0)
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09/11/2009
Sentença de R$ 700 mil é anulada
por conluio de advogados
A Subseção II
Especializada em Dissídios Individuais do Tribunal Superior do
Trabalho manteve a decisão anulando sentença envolvendo
o pagamento de mais de R$ 700 mil a um trabalhador, em ação
movida contra três empresas. A decisão foi adotada pelo
Tribunal Regional do Trabalho da 13ª Região (PB), , por
considerar que houve fraude no processo, caracterizada pelo conluio
entre os advogados do autor da ação e das empresas.
A reclamação trabalhista
foi ajuizada pelo empregado em meados de 2006 contra três empresas
para as quais trabalhou como vendedor, requerendo diferenças
dos valores de sua rescisão contratual. A sentença de
primeiro grau atendeu aos pedidos e condenou as empresas à revelia,
por falta de ação devida do advogado.
Uma das empresas, a DPN Distribuidora
de Produtos Nordestinos, entrou com ação rescisória
pretendendo desconstituir a sentença. Sustentou que o advogado
que a defendeu perante o juiz da primeira instância foi constituído
irregularmente, de forma ardilosa, por uma ex-sócia que tinha
deixado a sociedade há mais de oito meses para criar, independentemente,
as outras duas empresas integrantes da ação, e que de
forma alguma ela tinha legitimidade para agir em nome da DPN.
Além disso, a empresa
informou que os advogados do empregado e das empresas eram parceiros
no mesmo escritório e agiram no intuito de prejudicá-la.
O mesmo advogado, acrescentou, é ex-marido da segunda advogada
a atuar no caso, com a qual teve filhos. O fato é que ele atuou
com descaso profissional e “sequer apresentou contestação
à sentença, permanecendo inerte, inclusive quanto à
produção de provas”, declarou a empresa.
A fim de garantir o exercício
do contraditório, o TRT da 13ª Região reconheceu
a lesão à empresa e anulou o processo, motivo pelo qual
o advogado recorreu ao TST.
O relator do recurso na SDI-2,
ministro Pedro Paulo Manus, considerou que o Tribunal Regional decidiu
corretamente, diante das inúmeras provas sustentando que os advogados
do reclamante e das reclamadas eram parceiros de trabalho e agiram no
intuito de prejudicar a autora do recurso no TST. Além disso,
ressalta o relator, as alegações são reforçadas
pelo fato de o empregado ter indicado o endereço do próprio
advogado para envio das cartas de citação à empresa
e que, “embora este advogado não detivesse poderes para
recebê-las, ele nada alegou nesse sentido e, contrariamente, apresentou-se
como preposto das três empresas, mas ofereceu defesa apenas em
nome das duas outras”, deixando de fora a DPN, que foi a única
empregadora do empregado.
Os advogados do empregado e
das empresas, prossegue o ministro, não poderiam atuar na defesa
de direitos antagônicos, sendo que ficou comprovado nos autos
a existência de parceria entre eles, em diversas outras causas
trabalhistas, assim como a caracterização de “desídia
no patrocínio da defesa da DPN, o que ratifica a parceria dos
referidos advogados e o dolo da parte vencedora”.
Por maioria de votos, vencido
entendimento contrário do ministro José Simpliciano, a
SDI-2 manteve a anulação da sentença determinada
pelo Tribunal Regional. (ROAR-55-2008-000-13-00.4)
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09/11/2009
TST debate responsabilidade tributária
em acordo sem vínculo de emprego
Essa é mais uma questão
que tem levantado polêmica na Justiça do Trabalho. São
ações nas quais não houve reconhecimento de vínculo,
mas as partes resolveram fazer acordo para o pagamento das verbas reclamadas
pelo “prestador de serviço”. No momento da homologação,
a empresa recolhe a contribuição previdenciária
de 20%, mas não há o pagamento dos 11% que seriam devidos
pelo empregado ao Instituto Nacional do Seguro Social. Por esse motivo,
há inúmeras ações movidas pelo INSS, no
intuito de receber esses valores. O entendimento da autarquia é
que a conta deve ser mandada ao tomador do serviço, isto é,
à empresa. Esta, por sua vez, defende-se com o argumento de que,
assim, seria duplamente penalizada – pagando não só
contribuição que lhe é imposta por lei, mas também
a que seria devida pela outra parte. Em resumo, a empresa teria que
pagar 31%, que é a soma das duas contribuições.
O assunto, polêmico, voltou a ser discutido pela Seção
Especializada em Dissídios Individuais do Tribunal Superior do
Trabalho (SDI-1), em recurso do INSS contra decisão da Terceira
Turma, que não conhecera do seu apelo, ou seja, nem chegou a
apreciar a fundamentação de mérito.
No caso específico, as
partes, uma trabalhadora e a PCE Comércio e Confecções
de Roupas Esportivas Ltda., se conciliaram e fixaram que a totalidade
do acordo se referia a verbas indenizatórias, quando não
há incidência de contribuição previdenciária.
A pretensão do INSS era que a empresa ou tomador do serviço,
além dos 20% que já são de sua responsabilidade,
pagasse também os 11% do prestador de serviço, sobre o
valor total do acordo homologado em juízo.
Na SDI-1, a tese de que a responsabilidade
tributária é do tomador do serviço, como quer o
INSS, foi defendida pela relatora do processo, ministra Rosa Maria Weber,
e pelo ministro Lelio Bentes Correa. No entanto, a ministra Maria de
Assis Calsing levantou tese contrária. Na mesma linha de argumentação,
o ministro Aloysio Corrêa da Veiga entende que, após pago
o acordo judicial, a obrigação do tomador de serviço
é somente de pagar os 20% de sua parte. “Para ter os 11%,
o INSS deve ajuizar ação para receber do prestador de
serviço”.
Por maioria de votos, venceu
a tese rejeitando os embargos do INSS. Redigirá o acórdão
a ministra Maria de Assis Calsing. O ministro Lelio Bentes Corrêa
juntará o voto vencido.
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