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Gazeta do Povo, 10 de novembro de 2009
Trabalho
Brasil abriu 1 milhão de vagas
formais
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, anunciou ontem que foram criados,
este ano, mais de 1 milhão de empregos formais. O saldo superou
as metas do governo. Lupi antecipou dados do Cadastro Geral de Empregados
e Desempregados (Caged) relativos a outubro, que serão divulgados
oficialmente nos próximos dias. Em setembro, houve a criação
de 252.617 empregos. No auge da crise econômica, entre dezembro
e janeiro mais de 800 mil vagas foram fechadas no país.
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FOLHA DE LONDRINA, 10 de novembro
de 2009 | Economia
Crise reforça Brasil como o celeiro
do mundo
Em oito anos País deverá responder
por mais da metade do mercado internacional de oito das principais commodities
Curitiba - O Conselho Regional
de Economia do Paraná (Corecon-PR) reuniu quatro economistas
ontem para discutir as perspectivas para a economia paranaense e brasileira
em 2010 envolvendo os setores de agronegócio, financeiro, indústria
e emprego. Do ponto de vista do agronegócio a estimativa era
dobrar as exportações brasileiras no período de
2007 a 2017 e chegar a 170 milhões de toneladas. No entanto,
a crise retardou esse processo em aproximadamente três anos.
De acordo com o consultor técnico
para assuntos de logística e infraestrutura da Confederação
da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Luiz Antonio Fayet,
isso deverá levar o Brasil a ser responsável por mais
de 50% do mercado internacional de oito das principais commodities.
A previsão é que
o Sul e o Sudeste se especializem em produtos mais sofisticados e de
exportação por contêineres. O Centro Norte e o Centro
Oeste do País devem assumir a exportação básica
a granel e, mais tarde, serão responsáveis pela expansão
futura em todas as linhas.
No entanto, ele destacou que
o Brasil tem grandes problemas de transporte para o escoamento dos produtos
do agronegócio. Fayet defende novos investimentos porque o sistema
rodoviário não deve suportar a demanda. Para ele, uma
saída seria a implantação de hidrovias. Nos EUA,
mais de 60% do agronegócio são transportados pela bacia
do Rio Mississipi. Para ele, o Brasil tem uma situação
privilegiada em termos de rios.
''O sistema portuário
é um escândalo'', disse. Segundo ele, há perdas
por falta de condições de infraestrutura. Outro problema
sério é a redução da capacidade de carga
dos navios por falta de dragagem nos portos. Segundo dados da Confederação
Nacional da Agricultura (CNA), o País perde R$ 3 bilhões
por ano em soja por conta do Porto de Paranaguá.
Fayet destacou que o Brasil
tem equilíbrio energético, autossuficiência alimentar,
exporta comida, energia automotiva, produtos florestais e minerais estratégicos.
Para ele, o agronegócio é uma grande alavanca de desenvolvimento
do mercado interno, porém o crescimento do PIB de 4% a 5% pode
ficar difícil por falta de portos.
O que podem ser dois grandes
filões para o Paraná são o etanol e o cooperativismo.
O agronegócio tem grande capacidade de geração
de emprego e renda.
Indústria
''A crise foi inicialmente negada
e veladamente reconhecida'', destacou o diretor do curso de Economia
da FAE, Gilmar Mendes Lourenço. Ele lembrou que os setores que
receberam incentivos fiscais do governo foram a de automóveis,
construção civil e a linha branca.
Segundo ele, o Brasil teve uma
recuperação mais acentuada e passa por um novo ciclo econômico.
Em 2008, o Brasil teve um crescimento da produção industrial
superior a 6% por trimestre. O setor de bens de capital foi o que mais
puxou este resultado seguido por bens de consumo. Depois, a produção
encolheu por quatro trimestres, desde outubro de 2008 até setembro
de 2009. Nos últimos 12 meses, a produção caiu
10,3% no Brasil.
Em outubro deste ano, a indústria
automobilística registrou crescimento de 13%, o primeiro resultado
positivo em relação ao mesmo mês de 2008. Para Lourenço
todos esses dados mostram que a crise não foi uma ''marolinha''
como o presidente Lula havia falado. Vale lembrar que o setor de bens
de capital só começou a crescer no terceiro trimestre
deste ano (julho a setembro).
Para ele, os principais entraves
ainda são as dúvidas sobre a recuperação
da economia mundial. Hoje, os EUA têm 16 milhões de desempregados
e a China vive a precariedade da política cambial.
Lourenço destaca que
apesar de a Selic (taxa básica de juros da economia) ter caído
de 13,75% ao ano para 8,75% em menos de seis meses, a queda dos juros
não chegou ao consumidor final. Para ele, o ''ciclo de desenvolvimento
do consumo pode estar com os dias contados''. Além disso, ele
destacou que o maior peso do spread bancário é provocado
pela falta de concorrência entre os bancos no Brasil. Além
disso, o governo absorve 60% dos recursos dos bancos o que torna o dinheiro
mais caro.
Para ele, há falta de
preocupação com o projeto de crescimento do Brasil e com
as reformas estruturais. Apesar de toda a conjuntura, o Paraná
é um dos Estados menos afetados na produção industrial
que caiu 4,3% nos últimos 12 meses (encerrados em setembro).
As maiores perdas no Paraná foram na indústria automotiva
(-36%), madeira (-25%), metalúrgica (-16%) e máquinas
e equipamentos (-18,7%).
Só as exportações
do Paraná tiveram queda de -27,6% em dólar de janeiro
a setembro de 2009. Para ele, o Estado está ''encolhendo em relação
ao Brasil''. Além disso, esqueceu de planejar o desenvolvimento.
''Perdemos a Toyota para São Paulo e a Britânia para a
Bahia'', lembrou. Lourenço acredita que há falta de influência
do Estado na órbita federal.
SAIBA MAIS...
Perspectivas
para a economia do Paraná e do Brasil
Agronegócio
- Brasil será responsável por 50% do mercado internacional
de commodities;
- Centro Norte e Centro Oeste
do País assumirão a exportação a granel;
Indústria
- Ciclo de desenvolvimento do
consumo pode estar com os dias contados;
- Exportações
do Paraná caíram 27,6% em dólar de janeiro a setembro
de 2009;
Setor financeiro
- Elevação da
taxa Selic;
- Bolsa continuará como uma aplicação rentável
a longo prazo;
Emprego
- De janeiro a setembro foram
criadas 75.610 vagas no Paraná;
- A previsão é
fechar 2009 com até 75 mil novos empregos no Estado;
Fontes: economistas do Corecon-PR
Andréa Bertoldi
Equipe da Folha
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O ESTADO DO PARANÁ,
10 de novembro de 2009 | Economia
Pobres já gastam 5% mais que ricos,
diz estudo
Agência Estado
Os pobres do Norte e Nordeste estão consumindo mais que os ricos
do Sudeste. Nos últimos 12 meses até setembro deste ano,
as classes D e E das regiões Norte e Nordeste do País
gastaram R$ 8,8 bilhões com uma cesta de alimentos, produtos
de higiene pessoal e limpeza. Essa cifra é 5% maior que a desembolsada
pelas camadas A e B (R$ 8,4 bilhões) que vivem no Sudeste do
País no mesmo período com esses itens, revela estudo exclusivo
da LatinPanel, maior empresa de pesquisa domiciliar da América
Latina.
Em igual período do
ano passado, a situação era exatamente inversa: o gasto
das camadas que compõem a base da pirâmide social no Norte
e Nordeste com bens não duráveis havia sido 5% inferior
ao das classes A e B do Sudeste. "Houve uma reversão",
afirma Christine Pereira, diretora da empresa e responsável pela
pesquisa.
Ela atribui a mudança
a fatores conjunturais. Inflação em baixa, que dá
mais poder de compra ao consumidor, ganhos de renda dos trabalhadores
que recebem salário mínimo e o fato de a crise não
ter afetado as camadas de menor renda explicam, segundo Christine, o
avanço do consumo dos bens não duráveis pelos mais
pobres. Os dados da pesquisa foram obtidos a partir de visitas semanais
a 8,2 mil domicílios para auditar o consumo de 65 categorias
de produtos.
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Folha de S.Paulo, 10 de
novembro de 2009
Construtoras vão responder
por cartel na BA
Juiz federal acata denúncia contra consórcio
da Camargo Corrêa e da Andrade Gutierrez por fraude na licitação
do metrô de Salvador | Empresas negam acusação;
Ministério Público diz que a italiana Impregilo recebeu
quase R$ 11 milhões para abandonar a concorrência
MATHEUS MAGENTA
DA AGÊNCIA FOLHA, EM SALVADOR
A Justiça Federal na
Bahia acatou denúncia contra dois executivos da construtora Camargo
Corrêa, dois da Andrade Gutierrez e três da Impregilo sob
acusação dos crimes de formação de cartel,
formação de quadrilha e fraude na licitação
para o metrô de Salvador.
As empresas negam a acusação. A obra, ainda não
concluída após dez anos, já consumiu R$ R$ 525,5
milhões, incluindo gastos com 6 trens e 24 vagões.
A denúncia do Ministério Público Federal é
um desdobramento da Operação Castelo de Areia, da Polícia
Federal, deflagrada em março último. Segundo a denúncia,
o consórcio Metrosal (Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez
e Siemens) "comprou" o primeiro lugar na licitação
por quase R$ 11 milhões do consórcio Cigla, que venceu
a disputa, mas desistiu a seguir. O consórcio vencedor era formado
pela italiana Impregilo e pela Soares da Costa.
O pagamento foi feito através de uma falsa operação
de compra e venda de caminhões, segundo o Ministério Público,
que se baseou em documentos encontrados na casa de um investigado na
Castelo de Areia.
Os procuradores também apontaram a existência de um "consórcio
oculto e ilegal" firmado antes da apresentação das
propostas com outros consórcios para a divisão antecipada
dos lucros obtidos na obra.
A denúncia, aceita na semana passada pelo juiz Cristiano Miranda
de Santana, da 17ª Vara Criminal da Justiça Federal em Salvador,
teve origem em São Paulo. O inquérito foi redistribuído
em junho pelo juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Federal
Criminal de São Paulo. Antes da mudança de vara, a Procuradoria
de São Paulo encaminhou denúncia que ainda não
acusava os executivos da Impregilo. A inclusão foi feita pelos
procuradores na Bahia.
Entre os réus está Pietro Francesco Giavina Bianchi, executivo
da Camargo Corrêa que já havia sido denunciado sob acusação
de fraude contra o sistema financeiro, evasão de divisas, lavagem
de dinheiro e formação de quadrilha.
Além de Bianchi, foram denunciados Saulo Thadeu Vasconcelos,
da Camargo Corrêa, Marcio Magalhães Pinto e Casildo Quintino,
da Andrade Gutierrez, e Diego Beltran Savino, Gianvincenzo Coppi e Juan
Alfredo Kuster, da Impregilo.
A Justiça abriu em junho processo criminal contra quatro diretores
da Camargo Corrêa e doleiros, sob acusação de fraude
contra o sistema financeiro, evasão de divisas, lavagem de dinheiro,
formação de quadrilha e câmbio ilegal.
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Gazeta do Povo, 10 de novembro
de 2009
Entrevista
“O Brasil é visto como a
grande solução para a emissão de carbono terrestre”
Luciano Pizzatto, suplente de deputado federal
e engenheiro florestal.
Esconder o jogo e não
apresentar antecipadamente metas quantitativas de redução
da emissão de gases poluentes pode ser uma boa estratégia
de negociação para o Brasil na Conferência Mundial
do Clima, em Copenhague. A opinião é do paranaense Luciano
Pizzatto. “O ‘mercado verde’, ligado à redução
das emissões de carbono, virou um grande negócio”,
diz.
Engenheiro florestal e suplente
de deputado federal pelo DEM, Pizzatto está entre os cinco brasileiros
que participam de uma comissão sobre mudanças climáticas
que reúne parlamentares de mais de 20 países.
Segundo ele, a reunião
de Copenhague não terá um resultado de consenso,
mas deve estabelecer algumas prioridades que dependem do posicionamento
do Brasil para serem negociadas.
O que será tratado
como consenso em Copenhague?
Pelo que tenho sentido dos países
até agora, Copenhague dificilmente terá um resultado de
consenso. O que vamos conseguir é estabelecer determinadas prioridades.
É o que acontece com a redução das emissões
de gases. Essa diminuição para os oceanos ficará
para uma próxima etapa. Mas há uma convergência
sobre as reduções em áreas terrestres, como a criação
de um fundo mundial para custear esse processo. O embate é saber
quais países vão colaborar com o fundo.
O Brasil é mesmo
o protagonista do debate?
O Brasil é visto como
a grande solução para a emissão de carbono terrestre.
Todos os focos de estudo consideram a conservação de florestas
tropicais, não as temperadas, por exemplo. E nós temos
a maior reserva tropical do mundo, além de sermos um país
muito grande, com capacidade de reflorestar diversas áreas.
Qual será o impacto de
o Brasil não levar à Dinamarca metas quantitativas de
redução de gases poluentes?
Não sinto que isso seja um problema. Desde que o negociador do
Brasil tenha noção de até onde pode chegar. O “mercado
verde”, ligado à redução das emissões
de carbono, virou um grande negócio. O Brasil não pode
ser ingênuo nessas negociações. Precisamos fazer
valer nossa posição privilegiada no debate.
Então é
correto esconder o jogo?
Inicialmente pode parecer errado.
Mas olhando pelo lado de negociação, é correto.
Isso não significa que o Brasil não sabe o que vai fazer.
Significa atuar melhor como negociador.
É possível
chegar à meta de redução de 40% da emissão
de gases?
Não é algo difícil,
mas tem de ser feito negociando com o setor produtivo. Está na
hora de sentar e negociar, por exemplo, com setores do agronegócio.
Se isso prosperar, chegamos a esse número.
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Folha de S.Paulo, 10 de novembro
de 2009
Rendimento do FGTS neste ano será
o menor da história
Contas terão correção de
3,9%, já com juros de 3%, ante previsão de 4,27% para
inflação | Se forem excluídos os juros, rendimento
das contas será ainda menor; projeto de lei do Senado quer troca
de índice para pôr fim a perdas
MARCOS CÉZARI
DA REPORTAGEM LOCAL
O FGTS (Fundo de Garantia do
Tempo de Serviço) terá, neste ano, o menor rendimento
desde sua criação, em 1966. Essa perda de rendimento é
consequência da queda dos juros no país. Com a queda da
Selic, o governo teve de reduzir a TR (Taxa Referencial), que corrige
as contas do FGTS e as cadernetas de poupança.
Resultado: as contas do FGTS dos trabalhadores estão sendo corrigidas
por índices abaixo da inflação. Em outras palavras,
o poder de compra do dinheiro que o trabalhador tem depositado na conta
do FGTS fica menor a cada mês.
A forma de avaliar o rendimento das contas do FGTS gera polêmica.
O governo defende a tese de que o cálculo tem de incluir os juros
de 3% ao ano. Outros cálculos excluem os juros, computando-se
apenas a TR.
Se for considerada a primeira forma de cálculo, os trabalhadores
perderam dinheiro em sete dos últimos dez anos (isso só
não ocorreu em 2005 a 2007). Se for considerada a segunda, a
perda é contínua há mais tempo -desde 1999.
Neste ano, as contas do fundo terão correção total
(incluindo a TR mais juros) de 3,90%. Se as previsões se confirmarem,
o IPCA (índice usado na meta de inflação do país)
será de 4,27%, com base nas expectativas do mercado, conforme
o Boletim Focus, do Banco Central.
Para o leitor entender o resultado, uma conta do FGTS com R$ 100 em
dezembro de 2008 terá R$ 103,90 no próximo dia 10 de dezembro,
quando será feito o último crédito do ano. Ou seja,
esse dinheiro não será suficiente para comprar um produto
que custava os mesmos R$ 100 ao final do ano passado, pois ele estará
custando R$ 104,27 no próximo mês se reajustado pelo IPCA.
Se a mesma conta excluir os juros, a perda do trabalhador é muito
maior, uma vez que a TR deste ano será de 0,8716%. Fazendo o
mesmo raciocínio, o saldo da conta passaria para R$ 100,87, ante
os mesmos R$ 104,27. Nessa corrida, os trabalhadores sempre perdem.
Cálculos
O Senado tem um projeto de lei do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE)
prevendo mudanças na forma de correção das contas
do FGTS. O relator do projeto, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN),
fará algumas alterações no texto.
Para subsidiar as mudanças, a assessoria do relator fez algumas
simulações comparando o rendimento das contas do FGTS
nos últimos dez anos com o IPCA e a poupança.
Desde 2000, o IPCA aumentou 89,86% (até setembro deste ano).
Também desde 2000, mas até o final deste ano, o FGTS terá
rendido 68,37%, ou seja, a perda é de 12,76%. Significa dizer,
nesse caso, que o poder de compra de R$ 100 em janeiro de 2000 cairá
para apenas R$ 87,24. Da mesma forma, o trabalhador terá apenas
R$ 168,37 para comprar um produto que custa R$ 189,86.
Segundo a ONG Instituto FGTS Fácil -que não inclui os
juros de 3% em seus cálculos-, desde dezembro de 2002 os trabalhadores
já perderam 29,23% por conta da redução da TR.
Um exemplo da perda: quem tinha R$ 10 mil no FGTS em dezembro de 2002
tem hoje, quando a Caixa credita os rendimentos de novembro, R$ 14.250,14.
Se fosse usado o IPCA, essa conta deveria ter R$ 18.415,27. Perda: R$
4.165,13.
Segundo Mario Avelino, presidente do instituto, o uso da TR já
resulta em prejuízo acumulado de R$ 53,48 bilhões para
todos os trabalhadores que têm conta no FGTS.
O Ministério do Trabalho informou, por meio da assessoria de
imprensa, que o Conselho Curador do FGTS sempre procura tomar decisões
que beneficiem o trabalhador.
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Folha de S.Paulo, 10 de
novembro de 2009
Fundo busca dar proteção
a trabalhadores
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Criado em setembro de 1966 (entrou
em vigor em janeiro de 1967), o FGTS surgiu com o objetivo de proteger
o trabalhador nas demissões sem justa causa, sendo formado por
depósitos mensais efetuados pelas empresas em nome de seus funcionários.
O recolhimento mensal equivale a 8% do salário do trabalhador.
Atualmente, o patrimônio do fundo é calculado em R$ 223
bilhões. Os recursos do FGTS podem ser sacados nas demissões
sem justa causa, na compra da casa própria -desde que seja o
único imóvel-, na aposentadoria, por motivo de doenças
graves e na falência da empresa.
As retiradas também podem ser feitas em contas inativas há
mais de três anos. No saque por demissão, o trabalhador
ainda tem direito a 40% de multa sobre o saldo total de sua conta.
As empresas ainda recolhem mais 10%, mas esse dinheiro vai para o patrimônio
do fundo. Esse adicional foi criado em 2001 para custear o pagamento
dos expurgos ocorridos nas contas dos trabalhadores durante os planos
Verão e Collor 1.
As contas dos trabalhadores são remuneradas com juros de 3% ao
ano mais TR (Taxa Referencial). Em outubro, neste mês e em dezembro
próximo, a rentabilidade dos depósitos será a menor
da história, pois a TR aplicada será igual a zero.
Desde sua origem, os recursos do FGTS são destinados ao financiamento
de moradias para famílias de baixa renda e de projetos de saneamento
e infraestrutura urbana. Seu Conselho Curador, formado por representantes
do governo, dos trabalhadores e dos empresários, é a instância
responsável pela política de aplicação dos
recursos do FGTS.
Em 2010, o conselho decidiu que o fundo deverá investir R$ 28,6
bilhões em programas para construção de moradias,
projetos de saneamento e de infraestrutura.
Em 2007, no lançamento do PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento), o governo abriu caminho para um novo uso dos recursos
do fundo. Além de obras de infraestrutura urbana e saneamento,
o FGTS passou a ser fonte de recursos para obras nos setores de energia
elétrica, portos, rodovias, ferrovias e hidrovias.
O governo agora planeja autorizar os trabalhadores a usarem até
30% de seu saldo depositado no FGTS para investir nos projetos do PAC.
A expectativa é que a nova modalidade de aplicação
seja liberada no ano que vem, permitindo que os trabalhadores possam
obter melhor rendimento sobre parcela do saldo das contas.
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Folha de S.Paulo, 10 de
novembro de 2009
Projeto quer mudar a correção
do FGTS
Em vez da TR, correção seria pelo
INPC ou IPCA; juros crescentes, com base no ganho da Selic, elevariam
rendimento | Projeto original, que prevê correção
pelo IPCA, já foi aprovado em comissão do Senado; relator
proporá troca de reajuste pelo INPC
DA REPORTAGEM LOCAL
Há um projeto de lei
do Senado que pretende acabar com as perdas registradas nas contas do
FGTS dos trabalhadores. Para isso, será preciso trocar o indexador
que corrige as contas atualmente (a TR) por um índice de inflação-IPCA
ou INPC.
O projeto, do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), já foi aprovado
na Comissão de Assuntos Sociais do Senado e está na Comissão
de Assuntos Econômicos, onde aguarda o parecer do relator, senador
Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN). Pela proposta de Jereissati, a TR seria
trocada pelo IPCA, mantidos os juros de 3% ao ano.
Segundo a assessoria de Garibaldi, ele proporá a troca da TR,
mas pelo INPC, uma vez que este já é usado para reajustar
o salário mínimo e as aposentadorias. Além disso,
reflete melhor o custo de vida do trabalhador. As propostas do relator
serão enviadas para análise do Planalto e de Jereissati.
Volta
de juro crescente
Além da troca do índice de correção, outra
alteração será a proposta da volta dos juros crescentes
-ou seja, quanto mais tempo a pessoa ficar no mesmo emprego, maior será
o juro recebido por ela. Para isso, seriam criados quatro percentuais
que seriam aplicados sobre o ganho anual da Selic.
Esses percentuais seriam de 15%, 20%, 25% e 30% do ganho. Se, por hipótese,
a Selic fosse de 9% e a inflação de 5%, o ganho seria
de quatro pontos percentuais. Nesse caso, trabalhadores com contas novas
em uma empresa receberiam juro de 0,75% ao ano. Quem tivesse mais tempo
na mesma empresa receberia 1%, 1,25% ou 1,50% (o intervalo de tempo,
em anos, seria definido por lei).
O objetivo é garantir que o trabalhador não tenha perda
(no mínimo, sua conta seria corrigida pela inflação).
Poderá também ter ganho real -na hipótese de Selic
negativa, a correção seria só pela inflação.
Com inflação anual em torno de 5%, a meta seria fazer
com que o FGTS tivesse rendimento semelhante ao da poupança.
A troca dos juros atuais de 3% por percentuais da Selic seria feita
para não inviabilizar a concessão de empréstimos
para a compra de imóveis.
Além disso, outro objetivo é estimular os trabalhadores
a permanecer na mesma empresa e que estas invistam nos seus empregados.
(MC)
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Gazeta do Povo, 10 de novembro
de 2009
Energia
Erro na conta de luz gera perdas de R$
631 mi
As perdas para os consumidores por conta da falha na metodologia de
cálculo do reajuste das tarifas de energia elétrica passam
de R$ 600 milhões, só no primeiro semestre deste ano,
segundo cálculos feitos pela Agência Nacional de Energia
Elétrica (Aneel).
Em julho o órgão
regulador calculou o efeito da distorção da metodologia
de cálculo em dez distribuidoras e enviou o número para
o Ministério de Minas e Energia. No total, as perdas para o consumidor
chegaram a R$ 631 milhões.
Das dez distribuidoras analisadas,
a que recebeu mais recursos do consumidor por conta da metodologia errada
foi a Eletropaulo, com R$ 174,1 milhões.
Segundo a Aneel, o reajuste
de 14,88% concedido em julho para a distribuidora que atende a capital
de São Paulo deveria ter sido de 12,98%.
Ofício
Os números constam do
ofício 138/2009-DR/Aneel, enviado ao ministro Edison Lobão
(Minas e Energia) em 15 de julho. Na ocasião, a agência
reguladora enviou o documento ao ministro na tentativa de sensibilizar
o governo e convencê-lo a corrigir o erro, alterando a portaria
que define o reajuste.
“Os valores acima demonstram
a materialidade da questão e motivam a proposta de alteração
da portaria interministerial MF/MME 25/2002’’, escreveu
o diretor-geral da Aneel, Nelson Hubner.
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O ESTADO DO PARANÁ,
10 de novembro de 2009 | Política
Lula afirma que 'aguentaria mais 5 anos
de batalha'
Agência Estado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje (09) que o
vice-presidente José Alencar é a sua "cara-metade
política". Durante evento em homenagem a Alencar, que recebeu
esta noite o título de presidente honorário da Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Lula afirmou
que ele e Alencar são duas peças que se encaixam perfeitamente
bem e que o vice-presidente foi uma espécie de "fundo garantidor"
que ele precisava para ganhar as eleições para a Presidência
da República. "Quando nos conhecemos, eu tinha 58 anos e
Alencar, 70. Quem sabe eu não tivesse perdido tanta eleição
se tivéssemos nos conhecido antes", disse Lula, em discurso.
"Por simplicidade e companheirismo, Alencar nunca vai reconhecer,
mas a verdade é que eu já estava cansado de ter sempre
30% de votos nas eleições", acrescentou Lula.
Por diversas vezes, Alencar
se emocionou durante a homenagem da Fiesp, principalmente quando Lula
fez referências à relação entre o vice-presidente
e seu pai. "É difícil que tenha havido na história
política do País um presidente que confiasse tanto em
seu vice quando eu em Alencar", declarou Lula. Muito à vontade
durante seu discurso, o presidente afirmou que é possível
contar nos dedos da mão os verdadeiros companheiros que encontrou
em sua vida. "Eu já tenho um dedo a menos", brincou
o presidente, divertindo a plateia de empresários da Fiesp. "Você,
Zé, foi muito mais meu companheiro na época das vacas
magras do que na das vacas gordas", afirmou Lula.
O presidente aproveitou o clima
descontraído para afirmar que ele e Alencar aceitariam continuar
na Presidência após 2010 caso isso fosse possível.
"Nós dois até aguentaríamos mais cinco anos
de batalha, mas como democratas que somos, vamos esperar esse jogo ser
jogado", disse ele, diante do governador de São Paulo, José
Serra, e da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, possíveis
candidatos à presidência da República pelo PSDB
e pelo PT, respectivamente. Lula não resistiu e logo no início
de sua fala deu uma alfinetada em Serra, que também discursou
pouco antes dele. Ao iniciar os cumprimentos aos presentes no evento,
ele afirmou que não precisava lembrar todos os presentes. "Como
não sou candidato a nada, não preciso cumprimentar ninguém",
afirmou, em tom de brincadeira.
Muito emocionado, Alencar
disse que Lula é "ultrageneroso" ao se referir a ele.
"Tenho consciência de que só sou vice-presidente graças
a Lula. As pessoas não votam no vice, votam no candidato a presidente.
Procurei não atrapalhar nas duas campanhas, e acho que não
atrapalhei", afirmou Alencar. "Tem valido a pena acompanhar
seu admirável trabalho, que tem conduzido o Brasil a uma posição
de prestígio no mundo", disse Alencar, para quem as "condições
excepcionais" da economia brasileira têm sido reconhecidas
internacionalmente. Crítico tradicional da taxa básica
de juros da economia brasileira, Alencar não perdeu a chance
de brincar com o presidente. "Tudo isso não tem acontecido
graças aos juros altos, não, mas apesar deles", declarou.
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Portal Terra, 10 de novembro
de 2009
Aécio diz que "não
existe possibilidade" de chapa com Serra
O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), disse nesta
segunda-feira (9), em São Paulo, durante um debate promovido
por um grupo de empresários que não tem obsessão
em disputar a Presidência da República. O tucano também
afirmou que "não existe possibilidade nenhuma" de formar
chapa com o governador paulista e companheiro de partido José
Serra para as eleições de 2010.
"Tenho responsabilidade com o meu Estado e com o meu País.
Nosso partido tem um privilégio. Temos pessoas capacitadas para
a disputa do ano que vem, como o Alckmin, que já teve sua oportunidade,
e o governador de São Paulo, José Serra. Assim que o nome
for definido, terei disposição para apoiá-lo",
disse.
Perguntado se poderia ser vice
de José Serra em uma chapa "pura" do PSDB, Aécio
foi direto. "Não existe possibilidade nenhuma de eu ser
candidato a vice-presidente", afirmou. Caso nome de Serra seja
o escolhido, o governador mineiro disse pretende trabalhar na campanha
em seu Estado e disputar uma vaga no Senado.
"Vencer a armadilha da eleição
plebiscitária"
Com um forte discurso eleitoral,
o governador criticou a estratégia governista de transformar
a eleição presidencial de 2010 em um plebiscito do governo
Lula. "O embate está lançado, e a oposição
deve invertê-lo já, em resposta à armadilha da eleição
plebiscitária", disse o tucano.
Para ele, o desafio do próximo
presidente será no campo da gestão política, e
não a econômica. O mineiro defende a necessidade de o próximo
governo ser flexível no Legislativo a fim de evitar a "verticalização
e o imobilismo".
Ele também criticou a
utilização dos mecanismos do Estado pelo governo do presidente
Lula para eleger seu sucessor. "A oposição sabe que
não vai enfrentar um partido nem um candidato. Mas sim, um partido
que se acha dono do Estado", disse o governador, esquecendo-se
por alguns momentos, de que ele próprio é acusado de ser
um dos governadores que mais usam a máquina estatal em benefício
de seus projetos políticos pessoais e de seus aliados.
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
10/11/2009
Contratados por organismos internacionais
não se submetem à lei trabalhista brasileira
A relação jurídica
dos trabalhadores que, no Brasil, prestam serviços a organismos
estrangeiros está subordinada à organização
internacional. Ou seja, esses casos não são analisados
pela Justiça do Trabalho brasileira. Ao adotar esse parâmetro,
a Seção I Especializada em Dissídios Individuais
do Tribunal Superior do Trabalho (SDI-1) decidiu extinguir processo
sem julgamento do mérito, diante da existência de norma
internacional, ratificada pelo Brasil, prevendo a imunidade absoluta
de jurisdição da Organização das Nações
Unidas – ONU.
A decisão refere-se a
uma reclamação trabalhista de uma consultora independente,
contratada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento
– PNUD, que pretendia o reconhecimento da existência de
contrato de trabalho, com as consequências legais dentro da legislação
trabalhista brasileira. Vinculado à ONU, o PNUD, que visa ao
combate à pobreza, busca a modernização do Estado,
o fim da exclusão social, a conservação ambiental
e o desenvolvimento sustentável.
A ação foi julgada
extinta em primeira instância e o Tribunal Regional do Trabalho
da 10ª Região (DF/TO) manteve o entendimento. No entanto,
ao chegar ao TST, a Quarta Turma modificou a decisão, julgando
relativa a imunidade do organismo internacional, o que permitiria à
ação ser apreciada pela Justiça do Trabalho brasileira.
A instituição opôs embargos à SDI-1 e obteve
o reconhecimento da imunidade absoluta de jurisdição,
com a conseqüente extinção do processo sem julgamento
do mérito.
A Convenção de
Privilégios e Imunidades das Nações Unidas foi
adotada no Brasil através do Decreto 27.784/50. O entendimento
da SDI-1 é de que o rompimento da imunidade absoluta de jurisdição,
passível de aplicação quando se trata de processo
envolvendo Estado estrangeiro, não pode ser estendido aos organismos
internacionais. De acordo com o ministro Aloysio Correa da Veiga, relator
dos embargos da ONU/PNUD e União, a imunidade do organismo internacional
“ampara-se no tratado internacional do qual o Brasil foi signatário,
a que não lhe cabe descumprir, depois de inserido no ordenamento
jurídico interno, após aprovação pelo Congresso
Nacional”.
O ministro Corrêa da Veiga
relata que diversos tipos de ações ingressam na Justiça
do Trabalho devido a contratações realizadas por organismos
internacionais e, em todos os casos, a defesa do ente de direito público
externo insiste na imunidade absoluta de jurisdição, “com
o fim de ver honrado o compromisso assumido pelo Estado brasileiro na
celebração do tratado”.
O relator ressalta que o tratado
surge no ordenamento jurídico pela manifestação
autônoma e soberana dos Estados que o celebram. Se, anteriormente,
o ministro Aloysio considerava relativa a imunidade, no julgamento deste
caso, assumiu a mudança de posicionamento, fazendo questão
de ressaltar a importância de tratado internacional, “fruto
da vontade soberana do Estado brasileiro”. (E-ED-RR - 1260/2004-019-10-00.4)
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10/11/2009
Adicional de periculosidade é
integrado a aposentadoria de eletricitário da Copel
Por determinação
da Seção II Especializada em Dissídios Individuais
do Tribunal Superior do Trabalho, um eletricitário da Companhia
Paranaense de Energia – Copel terá integrado aos seus vencimentos
de aposentadoria o adicional de periculosidade que recebia quando se
encontrava na ativa. Essa decisão reformou posicionamento anterior,
adotado em sentido contrário pela Quinta Turma do TST.
O empregado conseguiu o reconhecimento
ao direito por meio de uma ação rescisória em que
pediu à SDI-2 para desconstituir decisão desfavorável
ao seu pleito, em função de alegações quanto
à falta de pré-questionamento, acatadas pela Quinta Turma.
Na ação rescisória, ele sustentou que a mesma decisão
que proveu o seu recurso de revista deveria ter feito também
referência à repercussão das diferenças de
adicional de periculosidade na complementação de sua aposentadoria,
conforme vem pleiteando desde o início do processo. Essa omissão,
prossegue, incorreu na falta de prestação jurisdicional
e em julgamento “citra petita” (sentença que deixa
de apreciar pedido expressamente formulado) – acrescentou.
O relator na SDI-2, ministro
Renato de Lacerda Paiva, verificou que a matéria estava devidamente
fundamentada e prequestionada, como exige a lei, e não havia
motivo para que o direito pleiteado não fosse reconhecido. A
Orientação Jurisprudencial 41 da SDI-2, prossegue Renato
Paiva, estabelece que “revelando-se a sentença ‘citra
petita’, o vício processual vulnera os artigos 128 e 460
do Código de Processo Civil, tornando-a passível de desconstituição,
ainda que não opostos embargos declaratórios”.
Por unanimidade, com base no
artigo 485, V, do CPC, a SDI-2 desconstituiu parcialmente a decisão
que havia indeferido as verbas ao empregado e considerando a natureza
salarial das diferenças de adicional de periculosidade, condenou
a Copel e a Fundação Copel de Previdência e Assistência
Social, “solidariamente, ao pagamento da repercussão sobre
a complementação de aposentadoria por todo o período
imprescrito”. (AR-176335-2006-000-00-00.0)
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10/11/2009
Plano de saúde deve ser mantido em caso de aposentadoria por
invalidez
O empregador é obrigado
a manter plano de saúde para empregado que teve o contrato de
trabalho suspenso em virtude de aposentadoria por invalidez. Com base
nesse entendimento unânime, a Quarta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho determinou ao Banco Bradesco S/A a manutenção
de assistência médico-hospitalar a uma trabalhadora nessa
condição.
Como explicou o relator e presidente
do colegiado, ministro Barros Levenhagen, até que o prazo de
cinco anos transcorra, para a conversão da aposentadoria provisória
em definitiva, persiste o dever da empresa de garantir o plano de saúde
à empregada afastada. Somente com a extinção do
contrato de trabalho (na aposentadoria definitiva) é que o empregador
ficará isento da obrigação.
O Tribunal do Trabalho da 5ª
Região (BA) reformou a sentença de primeiro grau e negou
o pedido de manutenção do plano de saúde feito
pela trabalhadora. Na interpretação do Regional, a suspensão
do contrato de trabalho na aposentadoria por invalidez cessaria toda
obrigação da empresa em relação à
empregada. Além do mais, como não haveria pagamento de
salário à trabalhadora, também não seria
possível ao banco descontar o valor da parcela do plano de saúde
devida pela empregada.
No TST, a trabalhadora apresentou
julgados divergentes e insistiu no seu direito de continuar amparada
pelo plano de saúde vinculado ao contrato de trabalho com o banco.
Já o Bradesco afirmou que o restabelecimento do plano violaria
o princípio da legalidade, na medida em que inexistia lei, estatuto
ou instrumento normativo prevendo a manutenção da vantagem
na hipótese de suspensão ou extinção do
contrato de trabalho.
Segundo o relator, realmente
há suspensão do contrato de trabalho na aposentadoria
por invalidez. Entretanto, a partir do princípio da dignidade
da pessoa humana e do reconhecimento do valor social do trabalho, não
se pode afastar a responsabilidade patronal em momento crítico
para a saúde da empregada. Para o ministro Levenhagen, é
exatamente na aposentadoria por invalidez que a empregada mais necessita
de assistência médico-hospitalar – benefício,
portanto, que deve ser garantido pelo empregador. (RR-78/2008-014-05-00.5)
(Lilian Fonseca)
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