 |
Folha de S.Paulo, 11 de novembro de 2009
Centrais fazem marcha por jornada
de 40 h
DA REPORTAGEM LOCAL
Seis centrais sindicais fazem
hoje uma marcha em Brasília para reivindicar redução
da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais e aprovação
de uma lei no Congresso que regulamente uma política de valorização
do salário mínimo. Empresários e associações
patronais são contrários à diminuição
da jornada.
Entre 35 mil e 50 mil trabalhadores e integrantes de movimentos sociais
-como do MST- são esperados na "6ª Marcha Nacional
da Classe Trabalhadora".
Na pauta, também está a ratificação das
convenções 151 e 158 da Organização Internacional
do Trabalho. A primeira prevê a negociação coletiva
para servidores públicos, e a segunda inibe demissões
imotivadas.
As centrais -CUT, Força Sindical, UGT, CTB, Nova Central Sindical
e CGTB- querem ainda combater a precarização no uso de
mão de obra terceirizada por meio de uma lei que iguale direitos
entre trabalhadores diretos e terceirizados.
Para os empresários, a diminuição da jornada será
"prejudicial" a empresas e trabalhadores porque pode trazer
perda de competitividade ao setor industrial e redução
do emprego.
A Fiesp (federação das indústrias paulistas) afirma
que alguns países reduziram a jornada semanal -como Japão
(42,5 horas), Suécia (36,4), Canadá (30,6), França
(38,9), Alemanha (38,3) e Espanha (36,7)-, sem conseguir aumento de
vagas.
A entidade ressalta que no Brasil não houve criação
de empregos em 1988, quando a jornada passou de 48 para 44 horas. Hoje,
segundo a Fiesp, a jornada média, "negociada livremente",
é de 41,4 horas -abaixo de Argentina, México, Chile, Turquia
e Malásia.
As micro, pequenas e médias empresas -que respondem por 56% dos
empregos do país- terão de arcar com custos elevados,
que podem comprometer o emprego. "Em uma empresa de cinco empregados,
obrigada a reduzir a jornada, o aumento representará acréscimo
de 20% nas despesas."
De acordo com a Fiesp, grandes empresas de vários setores já
têm jornada média abaixo de 40 horas. "Setores que
trabalham acima de 40 horas são os mais intensivos em mão
de obra, cuja remuneração é variável e dependente
da jornada."
|
O ESTADO DO PARANÁ,
11 de novembro de 2009 | Economia
País criou 1 milhão de
vagas no ano, diz Lupi
Agência Estado
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, anunciou ontem que o Brasil ultrapassou,
em outubro, a marca de 1 milhão de empregos formais criados desde
o início do ano. O dado fechado, disse Lupi, será anunciado
nos próximos dias, nas estatísticas do Cadastro Geral
de Empregados e Desempregados (Caged). Até setembro, a conta
de novos postos formais em 2009 somava 932.651 - com grande impacto
dos meses de agosto e setembro, quando foram criados quase 500 mil novas
vagas.
A marca anunciada por Lupi
é bem inferior aos 2.086.570 de empregos gerados entre janeiro
e outubro de 2008. Mas, na opinião do ministro, já indica
a recuperação da economia brasileira após a crise
financeira. "Já estamos vendo a crise pelo retrovisor. A
crise, hoje, é só para gringos", disse, após
a abertura da Feira e Conferência Internacional de Tecnologia
Naval e Offshore (Fenashore), em Niterói (RJ).
Em seu discurso na cerimônia
de abertura do evento, o ministro citou as medidas anticrise tomadas
pelo governo e reclamou de projeções "pessimistas"
sobre o mercado de trabalho em 2009. "Quando eu disse, em janeiro,
que criaríamos mais de um milhão de empregos este ano,
cheguei a ser ridicularizado, só faltaram me chamar de louco",
comentou. "Agora, vão ter que aturar." Em setembro,
a indústria de transformação foi o motor do bom
desempenho no quadro de empregos, com a geração de 123
mil novas vagas, recorde histórico das estatísticas do
Caged. O único segmento que apresentou fechamento de vagas foi
a agricultura, com 17 mil postos de trabalho a menos.
|
Folha de S.Paulo, 11 de
novembro de 2009
SALÁRIO
13º deve injetar R$ 85 bi na economia
em 2009, diz Dieese
DA FOLHA ONLINE
O pagamento do 13º salário
deve injetar cerca de R$ 85 bilhões na economia brasileira até
o fim do ano, segundo pesquisa divulgada ontem pelo Dieese. O montante
é 8,7% superior ao pago no ano passado e corresponde a 2,8% do
PIB (Produto Interno Bruto) do país.
Segundo o levantamento, quase 70 milhões de pessoas -entre trabalhadores
formais, aposentados e pensionistas- devem ser beneficiadas. Em 2008,
esse número foi 2,4% menor (68 milhões).
A pesquisa considera dados da Rais (Relação Anual de Informações
Sociais) e do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).
Em um ano, o 13º salário médio foi de R$ 1.104,88
para R$ 1.150,47.
A economia paulista deverá receber, com os recursos extras, cerca
de R$ 26,3 bilhões -31% do total do Brasil. São Paulo
registra ainda o segundo maior valor médio do salário
(R$ 1.346), atrás apenas do Distrito Federal (R$ 2.398). O menor
deve ser pago no Piauí, R$ 714.
Quitar
dívidas
O principal destino do 13º será a quitação
de dívidas, segundo a Anefac (associação de executivos
de finanças).
De acordo com a pesquisa, realizada em outubro com 624 consumidores
de todas as classes sociais, 64% vão usar o dinheiro para pagar
cartão de crédito e cheque especial, entre outras contas
(em 2008, esse percentual foi de 60%). Outros destinos serão
presentes (17%), gastos de início de ano (10%), compra/reforma
da casa (2%) e poupança (1%) -6% já receberam ou pediram
antecipação no banco.
|
Gazeta do Povo, 11 de novembro
de 2009
Pesquisa
Dívidas vão “sugar”
13.º salário
Com bonificação de fim de ano,
cerca de R$ 85 bilhões devem entrar na economia
Dos cerca de R$ 85 bilhões
que devem entrar na economia brasileira com o pagamento do 13º
salário, a maior parte será usada para quitar dívidas.
De acordo com pesquisa da Associação Nacional dos Executivos
de Finanças, Administração e Contabilidade
(Anefac), 64% dos consumidores afirmaram que usariam o pagamento para
se livrar de contas atrasadas. O número é 6,6% maior do
que na comparação com 2008.
Na avaliação da
Anefac, o resultado reflete que a crise, além de provocar retração
econômica, aumento do desemprego e dificuldade ao acesso de crédito,
trouxe uma elevação no endividamento dos consumidores.
A pesquisa também revela que apenas 1% das pessoas pretendem
poupar parte do seu 13º.
Na opinião do economista
Sandro Silva, do Departamento Intersindical de Estatística e
Estudos Socioeconômicos (Dieese), o padrão apontado pela
Anefac deve se replicar no Paraná. Projeção do
Dieese divulgada ontem mostra que o estado vai receber até o
fim do ano, por conta do 13º salário, cerca de R$ 4,47 bilhões
– o equivalente a 2,54% do PIB estadual. “Aqui também
a maioria das pessoas vai usar o pagamento para quitar dívidas.
Em segundo lugar, as pessoas costumam gastar o 13º com presentes,
festas de fim de ano e férias”, disse Silva.
O economista alerta para a importância
de se guardar parte do dinheiro para quitar as contas que surgem no
início de 2010, como IPTU, IPVA e gastos com educação.
“Do contrario, a pessoa gasta tudo e ainda se endivida no próximo
ano.” Ele reconhece, porém, que os baixos salários
dos brasileiros dificultam a possibilidade de poupança. “Só
no Paraná, mais da metade dos trabalhadores formais em 2008 ganhava
menos do que dois salários mínimos. Como é que
uma família grande, que ganhe mais ou menos isso, vai economizar
alguma coisa do 13º salário?”, questiona.
Evolução no PR
O valor total de pagamentos
com o 13º salário no Paraná deve crescer 4,86% em
relação a 2008, quando foi estimado em R$ 4,26 bilhões,
segundo o Dieese. O aumento foi menor do que o brasileiro, que teve
alta de 8,7%. Cerca de 4,25 milhões de pessoas irão receber
o dinheiro extra, número que subiu 3,15%, acima do crescimento
nacional, que foi de 2,4%. O valor médio de pagamento no estado
atinge R$ 1.001, uma alta de 1,52% em relação a 2008.
No Brasil, o valor ficou em R$ 1.150, subindo 4%.
Para Sandro Silva, o Paraná
apresenta valores em geral inferiores aos brasileiros principalmente
por conta do encolhimento dos setores agrícola e industrial,
do qual o estado é bastante dependente. “Com a crise, o
número de assalariados formais desses setores caiu muito aqui,
puxando para baixo o volume de 13º salários. O volume de
pagamentos cresceu mais para trabalhadores que ganham menos. O número
de empregados domésticos que recebem 13º aumentou 29%”,
exemplificou.

|
Monitor Mercantil, 11 de
novembro de 2009
Da Grande Depressão de 1929
à crise de 2009
Após 80 anos, a economia internacional
enfrenta desafios idênticos. "Nunca senti satisfação
tão grande. Se não falha minha memória, esta foi
a única vez em que escrevi um livro sem pressa", disse o
historiador e economista John Kenneth Galbraith, em 1954, sobre seu
livro The Great Crash, 1929 (A Grande Depressão, 1929).
Por Mary Stassinákis, no Monitor
Mercantil
Em setembro deste ano, quando a derrocada do Lehman Brothers abalou
o sistema financeiro mundial e a economia internacional, a Editora Penguin
anunciou que as vendas do livro de Galbraith haviam se multiplicado
por 20, para 12.642 exemplares.
Obviamente, as comparações
são inevitáveis. Oitenta anos após o crash de 1929,
o mundo encontra-se, novamente, engaiolado em nova e idêntica
crise econômica. Naquela época, assim como antes da crise
atual, o mundo ocidental acreditava que não reviveria circunstâncias
econômicas semelhantes.
Na década de 1920, contudo,
todos buscavam se desentoxicar da amarga experiência da Primeira
Guerra Mundial. As inovações do rádio e do automóvel
enviavam a mensagem ao cidadão norte-americano de que se iniciava
uma nova época de permanente bem-estar.
A nova geração
de financistas antecipava brilho resplandecente em Wall Street nunca
dantes visto e muitos norte-americanos queriam um pedaço do bolo
dos superdesempenhos. As famílias do país compravam -
com dinheiro emprestado - equipamentos domésticos, casas, automóveis
e ações.
Da "festa" participava,
também, o então presidente dos EUA, Calvin Koulitz. Seu
nome foi encontrado na relação dos clientes vip da House
of Morgan, junto com outros membros do Congresso e da Suprema Corte
dos EUA Todos jogavam. Mas alguns encontravam-se em posição
mais privilegiada dos demais.
Precursores de Madoff
De 1921 até 1929, o indicador
Dow Jones em Nova York escalou de 60 unidades para 400, com o valor
das ações aumentando 218,7%, percentual equivalente com
ritmo anual de crescimento de 18%. Durante esta evolução
provou-se que os bancos e suas financeiras, as quais emprestavam generosamente
capitais, funcionavam em anarquia plena.
Em uma população
de 125 milhões de habitantes, menos de 2 milhões deles
experimentaram com ações, mas as consequências multiplicaram-se
no crash, por causa de meio milhão de contas com margin calls,
quando com um dólar compravam ações no valor de
nove dólares. "Os bancos liberavam generosos créditos
aos seus financistas e muitas empresas canalizaram recursos líquidos".
Aliás, muitos destes
recursos provinham desde o início da Bolsa de Valores, criando
uma auto-alimentada máquina de dinheiro. "Os empréstimos
com margin calls equivaliam a 1/5 do valor das ações de
empresas inscritas na Bolsa, construindo uma "fortaleza" de
supervalores em terreno movediço", escreveu Ren Tsernou,
do The New York Times.
Uma outra característica
desta bomba-relógio eram os investment trusts, antepassados dos
atuais golpes financeiros, como o Plano Ponzi, de Bernard Madoff. Com
a única diferença que, naquela época, ninguém
foi preso por ter criado "correntes especulativas", em antítese
a Madoff, que cumpre pena de 150 anos.
Os investment trusts foram um
complexo de capitais de investimentos, em que um era composto por ações
de outro que, por sua vez, era uma composição de ações
de um outro, e assim por diante.
Entretanto, as razões
do crash não se limitam aos margin calls ou aos investment trust,
que parecem, simplesmente, frente a complicados produtos para investimentos,
como as debêntures de empréstimos, que provocaram na última
década uma hemorragia de dois anos no sistema financeiro, ou
os marginais hedge funds.
E embora os investidores se
sentissem protegidos pela criação do Federal Reserve dos
EUA, em 1913 não existia sequer a proposta de existência
de uma Comissão do Mercado de Capitais e, muito menos, uma autoridade
que garantisse os depósitos dos cidadãos.
Em março de 1929, quando
começaram a ser sentidos os primeiros rangidos na Bolsa de Valores
de Nova York, os banqueiros ignoraram a advertência do Federal
Reserve (Fed) para contenção dos empréstimos generosamente
liberados.
Um dos mais poderosos banqueiros,
Charles Mitchel, CEO do National City Bank, posteriormente rebatizado
como Citibank, "correspondeu" à instância do
Fed, liberando créditos no total de US$ 25 milhões, para
apoio do mercado.
Milhões de desempregados
A partir da "quinta-feira
feira negra" de 24 de outubro de 1929, o indicador Dow Jones iniciou
uma descida estável, apesar de que Mitchel e Albert Beguin, do
Chase National Bank, e Thomas Lamad, do House of Morgan, terem "imobilizado"
mais de US$ 240 milhões para salvarem as ações
da queda livre.
Contudo, foi em vão.
Naquele dia, o indicador Dow Jones despencou 9%, com o volume de transações
três vezes maior desde os primeiros nove meses do mesmo ano, enquanto
os investidores fugiam do mercado em desabalada carreira.
Na semana seguinte, calcula-se
que US$ 30 bilhões viraram fumaça. No final, muitos não
haviam perdido somente todas as suas economias, mas ficaram devendo
aos seus financistas e, por extensão, aos bancos.
De 1929 até 1932, as
ações na Bolsa de Valores de Nova York haviam perdido
73% de seu valor. Em 1930, 9 milhões de contas de poupança
foram, literalmente, "zeradas" e 85 mil empresas foram à
falência. Até 1932, o número de desempregados totalizava
14 milhões. A época sem preocupação havia
terminado e seria preciso mais uma guerra mundial para reerguer os EUA
e o resto do mundo do limbo.
Estado, a salvação
Uma das diferenças entre
o crash de 1929 e a crise financeira que eclodia há dois anos
e persiste até hoje é o numero das vítimas que
provocou no setor. Calcula-se que, após o crash de 1929, cerca
de 11 mil das 25 mil instituições financeiras dos EUA
fecharam as portas, mas aquelas que foram à derrocada não
foram grupos que desempenhavam papel protagonista no sistema.
Mas, de 2008, até hoje,
colossos como o Citigroup e o Bank of America permanecem sob o "gerenciamento"
do Estado. O Merrill Lynch não sobreviveria se não fosse
absorvido pelo Bank of America, que desembolsou US$ 50 bilhões
para anexá-lo em setembro passado, no âmbito de um acordo
que está sendo investigado pelas autoridades judiciais de Nova
York e pela Comissão do Mercado de Capitais.
O Bear Stearns, após
uma história de 85 anos, foi "adquirido" pelo J.P.
Morgan Chase por apenas US$ 2 para cada ação. Também,
não se pode esquecer o caso mal cheiroso da seguradora American
Internationl Group, que foi estatizada pelo governo de Barack Obama
por US$ 85 bilhões dos contribuintes norte-americanos. Destino
análogo tiveram as duas maiores empresas de financiamento habitacional
dos EUA, as famigeradas Freddie Mac e Fannie Mae.
Volta à década de 1930
Franklin D. Roosevelt, presidente
dos EUA de 1933 até 1945, havia dito em 1934 que o setor bancário
lutou até sua derrocada final contra a Lei Glass-Steagall, a
qual definiu severas linhas divisórias entre os bancos de investimentos
e os bancos comerciais. Os bancos não poderiam oferecer unidades
financeiras e os bancos de investimentos não poderiam apoiar-se
sobre capitais formados por depósitos de clientes.
Esta divisão foi oficialmente
abolida há uma década, com a promulgação
da lei sobre a atualização dos serviços financeiros,
a qual é considerada um dos culpados pela crise atual, que custou
perdas totalizando US$ 1,6 trilhão.
A União Européia
(UE) parece estar seguindo os passos de Roosevelt. Na semana passada,
o ING concordou abandonar o setor securitário e se dedicar, exclusivamente,
ao bancário por razões de antagonismo.
Ao contrário, ninguém
queria ouvir recomendações análogas da boca do
octogenário Paul Volcker, conselheiro legal do presidente Barack
Obama, assim como do presidente do Banco da Inglaterra (Banco Central),
Sir Mervin King. Ambos, em situações diferentes, sustentaram
que nova intervenção sobre o sistema financeiro não
pode e não deve ser repetida, para que não se repita a
crise atual.
|
Gazeta do Povo, 11 de novembro
de 2009
Habitação
Áreas de risco terão R$
42 mi para casas
Um pacote de verbas para habitação beneficiará
980 famílias de áreas de risco em Curitiba e Piraquara.
Cerca de R$ 15 milhões do Fundo Nacional de Habitação
de Interesse Social (FNHIS) e do PAC da Habitação foram
destinados às moradias Bela Vista Ordem, Vila Beira Rio (ambas
no Tatuquara) e Vila Parolin, em Curitiba, e para o Guarituba,
em Piraquara, na região metropolitana. Londrina, Toledo,
São José dos Pinhais e São Jorge do Patrocínio
também receberam as verbas federais, totalizando outros R$ 27,2
milhões investidos no Paraná. No total, são
R$ 42 milhões para a habitação.
Os contratos foram assinados
ontem em Brasília, com a presença do presidente Lula e
do ministro das Cidades, Márcio Fortes. Ao todo, 12 estados e
19 capitais foram contemplados pelos recursos. Foram selecionados 109
projetos nas áreas de urbanização, regularização
e integração de assentamentos precários. O total
de repasse da seleção foi de R$ 1,2 bilhão, que
deve beneficiar 50 mil famílias.
Nas Vilas Bela Vista da Ordem
e Beira Rio, em Curitiba, haverá urbanização e
melhoria de infraestrutura. Uma parte das famílias será
assentada em área comprada pela prefeitura por R$ 5 milhões.
No Parolin, 150 famílias devem ganhar nova casa e outras cem
residências devem ser reformadas. Também está prevista
a construção de um barracão para reciclagem de
resíduos. “Detectamos essa necessidade e vamos auxiliar
também no aumento de renda dessas famílias”, afirma
Mounir Chaowiche, presidente da Companhia de Habitação
de Curitiba (Cohab).
Em Piraquara, a região
do Guarituba já conta com investimentos de R$ 91,7 milhões
– somando aplicações federais e a contrapartida
estadual –, revertidos em benefícios para 8,8 mil famílias.
Dessas, 803 serão realocadas de áreas de risco, como margens
de rios. Outras 8 mil famílias devem receber a posse de seus
terrenos. O adicional firmado ontem, de R$ 4,5 milhões, beneficiará
100 famílias e será usado na melhoria da infraestrutura,
sobretudo as vias de acesso. As obras diminuem as dificuldades da região
do Guarituba, que, por estar acima dos mananciais responsáveis
pelo abastecimento de água de Curitiba e região, apresenta
sérias limitações ambientais.
Presidente da Companhia de Habitação
do Paraná (Cohapar) e ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca entende
que o governo conseguiu melhorar a qualidade de vida dessas pessoas.
“Conseguimos equacionar ações. As casas estão
sendo construídas com qualidade e infraestrutura. Mesmo com as
chuvas deste ano, os canais construídos conseguiram escoar a
água”, afirma.
Investimento
Confira os projetos e o total de investimentos no estado:
Curitiba
Vilas Bela da Ordem e Beira Rio*
R$ 4.912.815
Vila Parolin*
R$ 5.307.750
Londrina
Poligonal Zona Norte e Residencial Horizonte II
R$ 14.833.600
Piraquara
Parque Guarituba**
R$ 4.251.300
São Jorge do
Patrocínio
Itamaraty e Santo Agostinho
R$ 499.034
São José
dos Pinhais
Moradias Pinheiro e Moradias Netuno
R$ 7.069.950
Toledo
Loteamento Panorama
R$ 4.943.600
* Já incluídos os
5% de contrapartida municipal
** Não há contrapartida
|
Folha de S.Paulo, 11 de novembro
de 2009
Governo planeja dar "Bolsa
Celular" a quem recebe Bolsa Família
Além do aparelho, cada família
teria direito a um crédito de R$ 7 por mês, bancado pelas
teles, que ganhariam incentivos | Programa, que hoje atende 11,9 milhões
de famílias com renda mensal de até R$ 140 por pessoa,
deve chegar a 12,9 milhões no ano eleitoral
EDUARDO CUCOLO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo negocia um acordo
com as operadoras de telefonia móvel para fornecer celulares
gratuitos aos beneficiários do Bolsa Família. Além
do aparelho, cada família teria direito a um crédito de
R$ 7 por mês, bancado pelas empresas.
O programa, que atende 11,9 milhões de famílias com renda
mensal de até R$ 140 por pessoa, deve chegar a 12,9 milhões
em 2010. Os benefícios variam de R$ 22 a R$ 200, de acordo com
a renda e com o número de filhos. Quase metade dos beneficiários
está no Nordeste, que responde por cerca de 20% da telefonia
celular no país.
A proposta depende de negociações com as empresas.
Segundo o Ministério das Comunicações, as teles
terão dois benefícios. Primeiro, ganham novos clientes
que podem gastar mais do que o valor subsidiado. Está previsto
ainda incentivo fiscal. Essas linhas estarão isentas da taxa
para o Fundo de Fiscalização das Telecomunicações.
O ministro Hélio Costa (Comunicações) afirmou que
a ideia foi apresentada ao presidente Lula e que o ministério
teve sinalização positiva de uma das empresas. "A
TIM já topou. Agora, estamos conversando com a Claro e com a
Vivo", disse. A TIM informou que os detalhes da proposta estão
em discussão com o governo.
Para o ministro, o mercado de telefonia já chegou ao seu limite
de expansão dentro dos consumidores com maior renda. Agora, o
crescimento depende da ampliação do serviço entre
as classes D e E, público coberto pelo Bolsa Família.
Já o presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia
da Câmara, deputado Eduardo Gomes (PSDB-TO), diz que o governo
está gastando recursos em um serviço que já está
universalizado no país, em vez de investir nas discussões
sobre acesso à internet, outro tema que está em debate
com as teles. Hoje, há cerca de 160 milhões de celulares
no país, o que significa uma cobertura próxima de 80%
da população.
O ministério quer colocar o projeto na rua antes do fim do governo,
no ano eleitoral. A estimativa é que seriam necessários
investimentos de R$ 2 bilhões das teles para viabilizar a expansão.
O uso do cadastro do Bolsa Família seria apenas uma forma de
identificar e definir quem terá direito ao telefone.
|
Gazeta do Povo, 11 de novembro
de 2009
Vox Populi
Nova pesquisa mostra crescimento de Dilma
e queda de Serra
Pesquisa eleitoral do Instituto Vox Populi divulgada ontem pelo Jornal
da Band, da Rede Bandeirantes de Televisão, apontou uma recuperação
da pré-candidata petista à Presidência, a ministra
Dilma Rousseff (PT), e uma queda do governador de São Paulo,
José Serra (PSDB) nas intenções de voto.
Na nova sondagem, Serra aparece
em primeiro lugar, com 36% das intenções de voto. No mês
passado, ele tinha 40%. Dilma vem em segundo lugar, com 19% –
na última pesquisa ela tinha 15%. O deputado federal Ciro Gomes
(PSB) está na terceira colocação, com 13%. Em seguida,
vêm Heloísa Helena (PSol), com 6%; e Marina Silva (PV),
3%.
Num segundo cenário pesquisado
pelo Vox Populi, com o governador de Minas Gerais, Aécio Neves,
no lugar de Serra como candidato, a ministra Dilma aparece em primeiro
lugar. Tem 20% das intenções de voto e está tecnicamente
empatada com Ciro Gomes, que tem 19%, e com Aécio, 18%. Nessa
simulação eleitoral, 8% votariam em Heloísa Helena
e 4% em Marina Silva. A pesquisa mostrou um crescimento de Aécio,
que costumava aparecer nas pesquisas bem atrás de Dilma e Ciro.
Rejeição
A pesquisa também perguntou
em qual candidato o eleitor não votaria de jeito nenhum. Aécio
Neves é o que tem a menor rejeição, com 5%. É
seguido por Ciro Gomes, que tem 8%. Já Heloísa Helena
é rejeitada por 10% dos eleitores. Marina Silva e José
Serra aparecem com 11% de rejeição. E Dilma Rousseff aparece
com o maior porcentual de eleitores que não votariam nela de
jeito nenhum: 12%.
A pesquisa Vox Populi, segundo
o Jornal da Band, ouviu 2 mil eleitores em 170 municípios de
todos os estados, menos Acre, Roraima, e Rondônia. As entrevistas
foram realizadas entre os dias 31 de outubro e 6 de novembro. A margem
de erro estimada da pesquisa é de 2,4%.
|
Gazeta do Povo, 11 de novembro
de 2009
Previdência Social
Lula negocia alternativa a reajuste igual
do mínimo para aposentados
Presidente assume pessoalmente a articulação
política para evitar que o projeto que não interessa ao
governo passe na Câmara
Brasília e Curitiba -
O governo quer definir uma posição firme em relação
ao reajuste real a ser concedido em 2010 e 2011 aos aposentados e pensionistas
da Previdência Social que ganham mais de um salário mínimo.
Hoje, o presidente Lula se reúne às 16 horas com os ministros
da Previdência, José Pimentel; da Secretaria-Geral da Presidência,
Luiz Dulci; e das Relações Institucionais, Alexandre
Padilha, para fechar a proposta a ser feita às centrais sindicais
– provavelmente pelo próprio Lula. A ideia é apresentar
uma alternativa atraente para que os aposentados desistam de pressionar
pela aprovação, na Câmara, da proposta que garantiria
o mesmo porcentual do reajuste do salário mínimo a todas
as aposentadorias do país.
Além dos ministros, o
presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), e os líderes
do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), e da bancada do
PT, Cândido Vaccarezza (SP), também participam do encontro.
A ideia é garantir à
categoria no ano que vem um porcentual de 2,5% acima da inflação
acumulada este ano. O porcentual equivale a 50% do crescimento do Produto
Interno Bruto (PIB) do país em 2008. Com isso, o reajuste ficaria
em torno de 6%. Para 2011, seria repetida a fórmula de inflação
somada à metade do PIB de 2009.
Esse foi o acerto firmado entre
centrais sindicais e ministros do governo em agosto deste ano, em troca
do engavetamento de projetos de lei que reajustam os benefícios
previdenciários acima do previsto pelo governo. Dessa vez, a
mesma proposta virá com a chancela pessoal do presidente Lula.
Assim, assessores do governo acreditam que será possível
dobrar as pequenas centrais sindicais e as entidades que representam
os aposentados, que se rebelaram em agosto contra o acordo, pois consideraram
pouco o porcentual de reajuste real oferecido.
O resultado da rebelião
foi que o Executivo quase amargou uma derrota na Câmara dos Deputados
na última quarta-feira, quando uma emenda do senador Paulo Paim
(PT-RS), que estende a correção do salário mínimo
para todos os benefícios previdenciários, entrou na pauta
de votação. As lideranças governistas foram obrigadas
a fazer uma manobra para manter a pauta travada, adiando a votação
da proposta até que o governo encontrasse uma saída negociada
com os sindicalistas. O governo teme que a equiparação
com o mínimo vai quebrar o caixa da Previdência.
Reunião
O resultado do encontro do presidente
com os ministros e líderes da base governista na Câmara
deverá ser apresentado aos sindicalistas hoje à noite
ou na quinta pela manhã com o governo – possivelmente com
a presença do presidente Lula. “Ainda não há
nada definido, estamos esperando o convite oficial do governo”,
afirmou o presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, João
Batista Inocentini.
O grupo de Inocentini é
ligado à Força Sindical, uma das centrais que fecharam
o acordo com o governo em agosto. Na opinião dele, o Executivo
“vacilou em não colocar logo em votação o
acordo firmado naquela época”, diz. “Agora, espero
que o governo defina se vai honrar, ou não, o acordo”,
comenta.
No entanto, mesmo que o governo
queira honrar o acordo, as centrais sindicais não deverão
ser facilmente convencidas, pois apostam que podem obter do governo
um reajuste real mais elevado do que o acenado até agora. As
entidades de aposentados confiam, principalmente, no poder de pressão
que podem exercer sobre os parlamentares às vésperas de
um ano eleitoral. Se os projetos de lei que corrigem os valores das
aposentadorias e pensões forem aprovados no Congresso Nacional,
só restará ao presidente Lula vetar as propostas, o que
também não é interessante do ponto de vista político.
UGT
só aceita acordo se Fator Previdenciário for extinto
O presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo
Pattah, afirmou ontem que a UGT só aceitará proposta do
governo federal para reajuste dos aposentados e pensionistas da Previdência
que inclua o fim do fator previdenciário. “Não terá
acordo em relação a esse instrumento perverso que reduz
os benefícios que é o fator previdenciário”,
disse.
Segundo ele, a posição
da entidade em favor do fim do fator previdenciário, nos moldes
de um projeto de lei de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), foi referendada
durante a realização da 8.ª Plenária da UGT,
em Brasília, que reuniu dirigentes regionais da entidade.
Segundo Ricardo Pattah, o reajuste
real de 2,5% que está sendo sinalizado para quem ganha mais de
um salário mínimo da Previdência Social
pode ser melhorado. “No entanto, a nossa principal condição
será o fim do fator previdenciário e vamos panfletar o
Brasil com essa nossa posição”, ressaltou o sindicalista.
A proposta do senador Paim,
que extingue o fator previdenciário, não agrada ao governo
porque elevará as despesas com aposentadorias futuras. O fator
é uma fórmula que reduz ou eleva o valor final das aposentadorias
de acordo com a idade do segurado. O Ministério da Previdência
Social é contra a proposta porque, além de acabar com
essa fórmula, o projeto também restabelece a chamada “média
curta” no cálculo das aposentadorias, considerando apenas
os últimos três anos de contribuições ao
sistema. Atualmente, considera-se a média das contribuições
feitas desde junho de 1994.
O governo não quer o
fim do fator, que foi criado em 1999 para desestimular as aposentadorias
precoces. Desde então, proporcionou ao Instituto Nacional do
Seguro Social (INSS) uma economia estimada em R$ 10 bilhões.
O governo aceitou apenas uma mudança de critério: as pessoas
poderiam se aposentar com benefício integral quando a idade,
somada ao tempo de contribuição, resultasse em 95 anos
(homens), ou 85 (mulheres). Por essa nova fórmula, seria exigido
menos tempo adicional de contribuição para não
haver redução nos valores finais.
|
Agência Senado, 11 de
novembro de 2009
Comissão de Educação
do Senado aprova 14º salário para professores
O substitutivo ao projeto de
lei (PLS 319/08) que cria o 14º salário para os profissionais
da educação básica da rede pública de ensino
foi aprovado, nesta terça-feira (10), pela Comissão de
Educação, Cultura e Esporte (CE).
O projeto é de autoria
do senador Cristovam Buarque (PDT/DF) e teve como relator o senador
Marconi Perillo (PSDB/GO), autor do substitutivo.
De acordo com o projeto, para
ter direito ao 14º salário em dezembro, os profissionais
da educação básica pública precisam elevar
o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica
(Ideb) de sua escola em pelo menos 50%.
O benefício também
será pago aos profissionais que alcançarem o Ideb igual
ou superior a sete. O projeto ainda estabelece que o pagamento do 14º
salário deverá ocorrer até o final do semestre
subsequente ao da publicação dos resultados do Ideb.
Na discussão do projeto,
Cristovam explicou que a medida não cria competição
entre os professores, pois serão beneficiados todos os docentes
da escola que cumprir a exigência de elevação do
Ideb.
"O que vai ocorrer é
uma cobrança de uns professores sobre os outros", disse,
citando como exemplo a pressão que deverá ocorrer sobre
professores que faltam muito e que, com esse comportamento, poderão
prejudicar os demais.
A proposta segue para exame
das comissões de Assuntos Econômicos (CAE), e de Assuntos
Sociais (CAS), respectivamente. Nesta última, a matéria
será examinada em regime terminativo.
|
Agência Senado, 11 de
novembro de 2009
CAE realizará audiência
pública para debater remuneração do FGTS
A Comissão de Assuntos
Econômicos (CAE) do Senado também aprovou, nesta terça-feira
(10), requerimento 63/09, do senador Garibaldi Alves Filho (PMDB/RN),
para realização de audiência pública, a fim
de debater a remuneração do Fundo de Garantia por Tempo
de Serviço (FGTS), bem como a distribuição dos
resultados apurados do Fundo no exercício anterior.
O requerimento sugere ainda
a presença dos representantes das centrais sindicais - Força
Sindical, CUT, UGT, CGTB, NCST, CTB e Conlutas - do Superintendente
de FGTS da Caixa Econômica Federal, Joaquim Lima de Oliveira;
do presidente do Sinduscon-RJ e representante patronal no Conselho Curador
do FGTS, Roberto Kauffman; do representado Instituto FGTS Fácil,
Mário Alberto Avelino; e do professor da PUC-Rio, José
Márcio Camargo.
|
Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
11/11/2009
Estabilidade de dirigentes sindicais se estende
a sete suplentes
A garantia provisória
de emprego do dirigente sindical e do respectivo suplente está
sustentada nos artigos 8º, inciso VIII, da Constituição,
e 543, parágrafo 3º, da CLT. Com o julgamento que restabeleceu
sentença condenando a empresa Reunidas S.A. – Transportes
Coletivos a reintegrar uma trabalhadora, a Seção I Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho
marca entendimento no sentido de essa proteção ser aplicada
até o limite também dos sete suplentes. Apesar da divergência,
prevaleceu, por maioria, o voto do relator, ministro Vieira de Mello
Filho.
Segundo o ministro Vieira, é
essa a interpretação que deve ser dada à análise
conjunta dos preceitos constitucionais e legais. Para o relator dos
embargos, que reformou decisão da Terceira Turma, a estabilidade
provisória alcança “não apenas os sete dirigentes
sindicais do artigo 522 da CLT, mas também os sete respectivos
suplentes”. Por essa abordagem, o limite de dirigentes alcançados
pela estabilidade pode chegar a catorze. O ministro relembra que a proteção
legal dirigida aos suplentes, incluída na Constituição,
foi reconhecida posteriormente ao artigo 522 da CLT e não objetivou
reduzir o número de dirigentes sindicais titulares lá
discriminados.
A Constituição
assegura a estabilidade provisória aos empregados eleitos para
cargo de direção ou representação sindical,
bem como a seus respectivos suplentes. No entanto, como esclarece o
ministro Vieira de Mello, “o texto constitucional não define,
e nem seria sua atribuição, os limites dessa proteção
jurídica, essencial ao desempenho das funções atribuídas
aos dirigentes sindicais”.
A definição desses
limites cabe à legislação ordinária, pois,
conforme explica o relator, “não se admite que essa garantia
possa ser outorgada, indiscriminadamente, a número ilimitado
de empregados”. Nesse sentido, conclui que deve ser observado,
para fins exclusivos de limitação da garantia de emprego
aos dirigentes sindicais, o disposto no artigo 522 da CLT – ou
seja, uma diretoria constituída de, no máximo, sete e,
no mínimo, três membros e de um Conselho Fiscal composto
de três membros.
O posicionamento divergente
defende, para a aplicação da estabilidade sindical, o
máximo de sete como limite tanto para os membros efetivos quanto
para os suplentes. De acordo com esse entendimento, defendido pelo ministro
Horácio Senna Pires, se “a estabilidade provisória
constitui uma exceção ao princípio geral do poder
potestativo (da vontade) do empregador de rescindir o contrato sem justa
causa, sua interpretação e aplicação devem
sempre ocorrer de forma restritiva”. (E-RR - 205/2005-026-09-00.1)
|
11/11/2009
Empregados da Rádio e TV Bandeirantes
ganham adicional de periculosidade
A empresa paulista Rádio e Televisão
Bandeirantes não conseguiu se eximir do pagamento de adicional
de periculosidade a um grupo de mais de vinte empregados que desenvolvem
atividades em situação de risco elétrico. A Quinta
Turma do Tribunal Superior do Trabalho manteve a decisão do Tribunal
Regional do Trabalho da 2ª Região (São Paulo) reconhecendo
o direito.
O adicional foi reclamado pelos empregados por
meio do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão
e Televisão no Estado de São Paulo. O juiz, baseado em
laudo pericial, concluiu que eles realmente trabalhavam em área
perigosa e, por esse motivo, tinham direito ao adicional de periculosidade.
A empresa recorreu, mas o Tribunal Regional da 2ª Região
manteve a sentença e negou seguimento ao recurso.
A Bandeirantes entrou com agravo no TST, tentando
reverter a situação. O relator da matéria na Quinta
Turma, ministro Emmanoel Pereira, decidiu manter a decisão do
TRT, em voto monocrático. A empresa recorreu novamente, o que
levou o recurso a julgamento do colegiado.
Ao manter seu posicionamento pela rejeição
do recurso, o ministro Emmanoel Pereira ressaltou que o TST já
assegura, mediante a Orientação Jurisprudencial nº
324/SDI-1, que o adicional de periculosidade é devido “apenas
aos empregados que trabalham em sistema elétrico de potência
em condições e risco, ou que o façam com equipamentos
e instalações elétricas similares, que oferecerem
risco equivalente, ainda que em unidade consumidora de energia elétrica”,
que é o caso daqueles trabalhadores. A Quinta Turma aprovou por
unanimidade o voto do relator. (A-RR-61052-2002-900-02-00.5)
|
11/11/2009
Estado de Rondônia terá
de pagar INSS de funcionária contratada sem concurso
A Oitava Turma do Tribunal Superior
do Trabalho não concordou com os argumentos do Estado de Rondônia
que defendeu a incompetência da justiça do trabalho para
decidir sobre o caso de uma funcionária contratada sem concurso
público, mas que teria o regime jurídico transmutado mais
tarde para o de estatutário. Com isso, o estado terá de
recolher a contribuição ao INSS, que considerava dispensável
em detrimento de um sistema próprio de previdência social.
Ao analisar o caso no TST, a
relatora ministra Maria Cristina Peduzzi verificou que o Tribunal Regional
da 14ª Região (RO/AC) afirmou que a empregada foi contratada
pelo regime CLT sem ter realizado concurso público antes da vigência
da Constituição de 88 e que, ao contrário do sustentado,
o regime de trabalho dela não foi alterado. Assim, qualquer entendimento
contrário demandaria nova análise de fatos e provas, o
que não é permitido na instância superior, nos termos
da Súmula nº 126/TST, informou a relatora.
Uma vez comprovada a condição
de celetista da empregada, a justiça trabalhista “é
competente para apreciar o pleito assim como para determinar o recolhimento
das contribuições previdenciárias relativas à
condenação, nos termos do artigo 114, I e VIII, da Constituição
Federal, e consoante a Súmula nº 368 do TST”, concluiu
a relatora.
No mesmo julgamento do agravo
de instrumento do Estado de Rondônia, a relatora rejeitou recurso
em que o Ministério Público do Trabalho sustentou que
os descontos previdenciários e fiscais devem ser feitos com base
no valor total da condenação. O MP “carece de legitimidade
para recorrer quanto aos temas relativos aos descontos previdenciários
e fiscais, ante a expressa vedação constitucional (artigo
129, IX)”, afirmou a relatora. (AIRR e RR-1207-2001-141-14-00.8)
|