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FOLHA DE LONDRINA, 20 de novembro de 2009
| Economia
CNI vai negociar redução
da jornada de trabalho
Proposta é diminuir carga horária
para 40 horas semanais
Brasília - O presidente da Confederação Nacional
da Indústria (CNI), deputado Armando Monteiro Neto (PTB-PE),
concordou em negociar a proposta de redução da jornada
de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais. Reunidos com o presidente
da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), deputados representantes
do setor empresarial e de centrais sindicais deram um passo na negociação,
definindo que haverá diálogo entre os dois lados.
Temer tenta um acordo para diminuir
as divergências do projeto que altera a Constituição
e que está pronto para a pauta do plenário. Não
há prazo, entretanto, para a votação da proposta.
Os dois lados marcaram nova reunião no dia 10 de dezembro para
começar a discutir o assunto. ''Hoje (ontem) foi definido a disposição
de dialogar'', afirmou Monteiro Neto. ''Sempre consideramos essa discussão
(40 horas) inoportuna no momento em que o Brasil está saindo
de uma crise internacional. As soluções no parlamento,
no entanto, são construídas por meio de negociação'',
completou.
O deputado Vicente Paulo da
Silva, o Vicentinho (PT-SP), ligado à Central Única dos
Trabalhadores (CUT), considerou a reunião positiva. ''Eles concordaram
em começar um processo de negociação. Aceitaram
só discutir, mas, antes, não aceitavam nem isso'', afirmou
Vicentinho. O encontro sinalizou pontos que podem entrar na negociação:
redução dos encargos da folha de pagamento, o valor da
hora extra e a forma de implantação, que pode ser gradual.
Os dois lados entendem que não há mais tempo para votação
da proposta neste ano, antes da entrada do recesso parlamentar no dia
23 de dezembro.
''Temos uma agenda carregada.
Não há espaço possível para votar. O importante
é abrir um canal de negociação'', disse o deputado
Eduardo Sciarra (DEM-PR), outro representante do setor empresarial na
reunião. O presidente da Força Sindical, deputado Paulo
Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, disse ser importante aproveitar
o ano eleitoral para pressionar os parlamentares a aprovar a proposta
de emenda constitucional. ''Em ano eleitoral os políticos são
mais sensíveis. Temos de aproveitar a época da eleição'',
afirmou Paulinho. Monteiro Neto não tem pressa. ''Não
se discute uma questão como essa olhando o calendário
eleitoral'', afirmou.
Denise Madueno
Agência Estado
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Folha de S.Paulo, 20 de
novembro de 2009
Sem acordo, jornada menor fica
para 2010
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A votação da proposta
de emenda constitucional que reduz a jornada de trabalho de 44 para
40 horas semanais ficou para o ano que vem por falta de acordo entre
trabalhadores e empresários. Para pressionar pela aprovação
da mudança, as centrais sindicais prometem fazer manifestações
e greves a partir de 15 de janeiro.
Em reunião ontem com o presidente da Câmara, Michel Temer
(PMDB-SP), deputados que representam empregados e patrões concluíram
que uma proposta de consenso está difícil e decidiram
criar uma comissão para discutir o assunto.
Uma nova reunião foi marcada para o início de dezembro.
Regimentalmente, o tema está pronto para ser votado pelo plenário
da Casa.
O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força
Sindical, afirma que os trabalhadores estão dispostos a negociar.
Uma das contrapartidas oferecidas seria aceitar a proposta de desoneração
da folha de pagamento -medida reivindicada pelo setor produtivo, mas
que sempre foi atacada por sindicalistas.
Outra alternativa, adianta o deputado, seria escalonar a redução
da jornada, reduzindo a carga em uma hora a cada semestre. "Vamos
aproveitar que no ano que vem o Brasil vai estar crescendo e é
ano eleitoral, quando os políticos são mais sensíveis,
para votar a redução da jornada", disse Paulinho.
Para o presidente da CNI, deputado Armando Monteiro Neto (PTB-PE), a
experiência internacional mostra que a redução da
jornada não resolve o problema do desemprego. "O desemprego
se resolve com investimentos, com educação e com clima
de confiança entre os empresários", disse ele.
O deputado não quis informar quais são os limites da negociação
com os trabalhadores. Declarou ainda que, no Brasil, a informalidade
é muito elevada, e os trabalhadores alcançados pela legislação
trabalhista estão cada vez mais protegidos.
Na avaliação dos sindicalistas, a redução
da jornada para 40 horas pode gerar mais de 2 milhões de empregos.
Eles afirmam ainda que o aumento de custo na produção
seria de 1,99%, o que representa algo marginal diante da produtividade
alcançada pelas empresas brasileiras nos últimos anos.
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FOLHA DE LONDRINA, 20 de
novembro de 2009 | Opinião
2010, ano das 40 horas semanais
'A redução da jornada é
legítima. Mas sindicatos não deveriam começar a
discussão com ameaças'
Ano de eleições, crescimento econômico, políticos
sequiosos por votos da massa trabalhadora, candidatos do governo precisando
apresentar os paraísos prometidos. Eis um cenário ideal
para a discussão do projeto que reduz a jornada de trabalho de
44 para 40 horas semanais.
Quem vai pagar mais esta conta
- parte da farra que se instala logo no início do ano - é
outra história. A redução é interessante
para a qualidade de vida do trabalhador. E pode ou não transparecer
positivamente no trabalho. Merece a atenção da classe
empresarial.
E o governo? O governo deve
entrar com a contrapartida no lugar das federações dos
trabalhadores, que têm a força do voto e a vontade de agregar
benefícios às suas categorias. Porém, elas não
têm o que barganhar. Simples: se o governo quer reduzir a jornada
- e agradar o trabalhador - deve logo no início acenar com desoneração
do custo, por exemplo.
Afinal, por que um trabalhador
tem que custar, para o empregador, quase o dobro do que recebe. Por
que não flexibilizar certas exigências trabalhistas? O
governo poderia começar pela redução dos encargos.
O governo abriria mão de parte desses encargos em favor do trabalhador.
Ontem aconteceu a primeira reunião
entre representantes das centrais sindicais e do setor empresarial com
os políticos na Câmara Federal. O clima já é
de pressão. Não precisava. Mas é de pressão,
na medida que o presidente da Força Sindical, deputado Paulo
Pereira da Silva (PDT-SP), faz ameaça pela imprensa.
A discussão nem começou
mas o Paulinho Pereira está avisando: as centrais sindicais estão
preparando paralisações nas fábricas no mês
de janeiro, como forma de pressionar pela adoção das 40
horas semanais. Paulo é parte integrande do sindicalismo autoritário.
Bem protegido nas mordomias da imunidade parlamentar e estabilidade
sindical, ele se arroga no direito de quase insultar.
Sem contrapartida, talvez
a aprovação do projeto que reduz a jornada de trabalho
de 44 para 40 horas semanais, enfrente dificuldade, apesar do rolo compressor
do governo, que vai somar com as entidades sindicais. Está na
hora do Planalto se colocar com participante da solução.
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UOL, 19 de novembro de 2009
| Cotidiano
Sindicalistas prometem greve se jornada
não for reduzida
Priscilla Mazenotti
Da Agência Brasil
Em Brasília
Sindicalistas prometem uma série
de greves e paralisações a partir de 15 de janeiro se
a Câmara não votar o projeto que reduz a jornada de trabalho
de 44 para 40 horas semanais. O projeto está pronto para votação
em plenário e ainda não foi apreciado por falta de acordo
com deputados representantes do empresariado, que são contrários
à redução.
"Queremos aproveitar o
ano eleitoral", disse o deputado Vicentinho (PT-SP). "É
uma luta. Eles [empresários] vão resistir", completou.
Trabalhadores e empresários
se reuniram com o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP),
para tentar um acordo. De consenso, apenas a garantia de que não
há tempo para a votação este ano - os projetos
do pré-sal e o Orçamento devem ocupar a agenda de votações
até o recesso no fim do ano.
Em busca de um acordo, Temer
criou uma comissão para discutir o assunto. Uma das propostas
que poderá ser debatida é a que reduz a jornada aos poucos,
até chegar ás 40 horas semanais.
"Quem senta à mesa,
se dispõe a dialogar, admite que se pode construir um marco de
entendimento. Ainda há distância entre as posições,
mas dá para dialogar", disse o deputado Armando Monteiro
(PTB-PE), presidente da Confederação Nacional da Indústria
(CNI).
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Agência Brasil, 20
de novembro de 2009
Dieese: redução das
desigualdades raciais no emprego, de 2004 a 2008
Apesar de ainda existirem diferenças na ascensão aos postos
de trabalho e nos ganhos salariais entre negros e brancos, no período
de 2004 a 2008, essas desigualdades diminuíram nos 39 municípios
da região metropolitana de São Paulo.
É o que mostra o estudo
Os Negros no Mercado de Trabalho da Região Metropolitana de São
Paulo, feito com base na Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) do Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
(Dieese).
Segundo o levantamento, de 2004
a 2008, a participação dos negros na População
Economicamente Ativa (PEA) passou de 37,3% para 36,6% enquanto a dos
brancos caiu de 62,7% para 63,4%.
A proporção de
ocupados negros em relação à PEA subiu de 77% para
84%, a de desempregados reduziu-se de 22,5% para 16%.
No caso dos brancos, o número
de ocupados subiu de 83,6% para 88,1% e houve queda na taxa de desemprego
de 16,4% para 11,9%.
Em 2008, as mulheres negras
ocupavam posição mais desvantajosa na comparação
com as trabalhadoras brancas. A taxa de desemprego entre as negras foi
de 19,5% e entre as brancas, de 14,7%.
O tempo médio em busca
de emprego para ambos os casos se igualou, no ano passado, em 43 semanas,
enquanto quatro anos antes, as negras levavam em média 54 semanas
e as brancas, 55.
De acordo com a economista Patrícia
Lino Costa, do Dieese, as mulheres negras são as que têm
mais dificuldades no mercado de trabalho, ganham menos do que as mulheres
e os homens, tanto negros quanto brancos.
A economista disse que isso
decorre da falta de oportunidades delas para um melhor preparo no sentido
de ascender a cargos melhores.
Patrícia atribuiu a redução
das desigualdades entre negros e brancos ao crescimento da economia
no período analisado, com desenvolvimento, principalmente, da
área de serviços e da construção civil.
Ela admitiu, entretanto, que existe ainda "um longo caminho a percorrer
para diminuir as diferenças".
O rendimento médio dos
negros cresceu 6,1%, enquanto o dos brancos manteve-se praticamente
estável (0,1%). Porém, os negros ainda recebem salários
mais baixos em relação aos brancos, passando de 53,1%,
em 2004 para 56,3%, em 2008.
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O ESTADO DO PARANÁ,
20 de novembro de 2009 | Economia
Trabalhador branco ganha quase o dobro
do negro
Agência Estado
A remuneração média de trabalhadores brancos foi
90,7% maior que a de pretos e pardos em setembro, último dado
disponível, aponta estudo do economista Marcelo Paixão
baseado na Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, que reúne dados
sobre as seis maiores regiões metropolitanas do País.
Desde o início da crise econômica global, o auge da desigualdade
entre os dois grupos no mercado de trabalho tinha sido registrado em
fevereiro, quando a renda dos brancos era 102% superior.
"Acho que qualquer queda
de desigualdade é para ser comemorada. O que não se pode
é ser exagerado no grau de otimismo, porque não vejo nos
indicadores motivos para supor que esse ritmo de redução
da desigualdade vá se manter nos próximos meses",
diz Paixão, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro,
onde coordena o Laboratório de Análises Econômicas,
Sociais e Estatísticas das Relações Raciais (Laeser).
Formado em economia e doutor
em sociologia, o professor tem algumas hipóteses para a redução
registrada até setembro, um ano após o início da
crise (em setembro de 2008, os brancos ganhavam 101% a mais). Uma delas
é a retomada de investimentos na construção civil,
que recebeu incentivos do governo. A participação dos
pretos e pardos no setor é majoritária (59,9%). Outra
explicação seria a maior presença deste grupo em
setores informais, em tese menos afetados pela crise. Dados da PME mostram
que o peso do setor formal era de 65% entre os brancos do sexo masculino,
e de 60% entre os pretos e pardos - já entre as mulheres, era
de 58% (brancas) e 47% (pretas e pardas).
"No momento em que a crise
atingiu o seu momento mais complicado, as desigualdades aumentaram.
Ao longo do ano, à medida em que o País foi conseguindo
resistir de maneira mais forte do que se supunha, houve um declínio
nas desigualdades, que ainda são muito profundas e dificilmente
vão ser superadas apenas com medidas de características
mais gerais", avalia o professor.
Em setembro deste ano, a maior
desigualdade foi registrada na região metropolitana de Salvador,
onde a remuneração dos brancos era 136% maior que a de
pretos e pardos, seguido por Recife (96,5% maior), Rio (96,1%), Belo
Horizonte (95,3%), São Paulo (91,5%) e Porto Alegre (51,9%).
No conjunto das seis regiões metropolitanas, a taxa de desemprego
das mulheres pretas e pardas foi de 11,2%, mais que o dobro da taxa
dos homens brancos (5,3%).
Para Paixão, há
"forte persistência da preservação de abismos"
no Brasil. "Uma política de expansão do crédito
e mais frouxa do ponto de vista fiscal não tem por objetivo combater
desigualdades sociais nem raciais", diz ele. "Elas podem até
ter esse efeito indireto, mas o ideal seria que fossem combinadas com
ações afirmativas e políticas de valorização
de grupos que estão historicamente numa situação
de muita desvantagem. Na medida em que forem alvo de uma política
positiva, essas desigualdades poderão cair de forma mais consistente."
A publicação lançada ontem será mensal,
acompanhando a Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE. Hoje, em vários
municípios brasileiros, incluindo São Paulo e Rio, é
o feriado do Dia da Consciência Negra.
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InfoMoney, 20 de novembro
de 2009
Com menor rendimento da história,
FGTS é alvo de projetos no Legislativo
O FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) vai ter, em 2009,
a menor rentabilidade da história e, para conter as perdas dos
trabalhadores, tramitam no Legislativo projetos de Lei que permitem
a aplicação deste dinheiro, inclusive em ações
da Petrobras.
Um deles é o PL 466/09,
do senador Paulo Paim (PT-RS), que modifica a Lei do FGTS (8.036/90)
para autorizar os titulares de contas a aplicarem até 10% de
seu saldo em fundos de investimento que aplicam seus recursos em projetos
de exploração de petróleo, gás natural e
outros hidrocarbonetos líquidos situados na área do pré-sal.
O projeto é uma alternativa
ao trabalhador para participar da capitalização da Petrobras
com o FGTS, o que foi rejeitado no dia 11 de novembro por comissão
especial da Câmara dos Deputados criada para tratar do assunto.
A possibilidade de uso do fundo havia sido incluída no PL 5941/09,
que trata da capitalização da estatal.
Rentabilidade
baixa
A proposta do Senado está agora na relatoria da Comissão
de Assuntos Econômicos, com o senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN),
que é simpatizante à proposta, de acordo com Paim. "Vamos
fazer o possível para aprovar neste ano ainda no Senado",
afirmou o autor do projeto. A proposta ainda deve ser analisada pela
Comissão de Serviços de Infraestrutura.
Paim ainda afirmou que os trabalhadores,
em seu fundo de garantia, não podem ter rendimento de apenas
3%, "mas no mínimo uma correção igual à
da poupança".
O presidente do Instituto FGTS
Fácil, Mario Avelino, disse acreditar que, se o projeto for aprovado
no Senado, certamente ele passará pela Câmara dos Deputados,
para não haver conflito entre as casas. "Por que acredito
que vai ser aprovado? Porque é de bom senso", afirmou. Uma
estimativa do Instituto mostra que o investimento do trabalhador com
seu dinheiro do FGTS no pré-sal poderá chegar a R$ 15
bilhões.
PAC
x pré-sal
Existe uma outra proposta que prevê aumento de 10% para 30% do
dinheiro do FGTS que pode ser destinado ao investimento nas obras do
PAC, o que foi aprovado pela Câmara dos Deputados em agosto deste
ano para aumentar os recursos no FI-FGTS (Fundo de Investimentos do
FGTS).
De acordo com Avelino, o pré-sal
é "carne de primeira", enquanto o PAC é "carne
de segunda", por isso o governo deveria permitir que o trabalhador
usasse o FGTS para o investimento no primeiro.
"O PAC é um projeto
eleitoreiro para 2010 para a Dilma [Rousseff, em referência à
ministra-chefe da Casa Civil]", afirmou Avelino.
Mudança
de rendimento
Além dos projetos que preveem a possibilidade de o trabalhador
investir o dinheiro do FGTS, ainda existe o que determina a mudança
da correção monetária do fundo, para garantir mais
ganhos ao trabalhador.
Este é o caso do PL 193/08,
do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que quer a mudança da
TR (taxa referencial) pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor
Amplo) na correção do fundo. A matéria está
na Comissão de Assuntos Econômicos, com o relator Garibaldi
Alves Filho.
Neste ano, como forma de atualização
monetária, feita a partir da TR (Taxa Referencial), os trabalhadores
terão seu dinheiro no fundo atualizado em 0,8716%, enquanto a
inflação oficial medida no período, com base no
IPCA, ficará em 4,27%, segundo projeções do mercado.
Ratear
os ganhos
Uma outra matéria que muda as regras do FGTS é o PLS 301/08,
que distribui metade dos rendimentos da aplicação dos
recursos do FGTS entre os cotistas do fundo.
Na justificativa de seu projeto,
o senador César Borges (PR-BA) disse que a situação
atual, em que todo o rendimento dos recursos fica com a CEF (Caixa Econômica
Federal), é marcada por uma excessiva carga de despesas administrativas.
"Ao repartir igualmente a rentabilidade das aplicações
entre os detentores das contas e o gestor do Fundo, a proposição
caminha para melhorar decisivamente a remuneração dos
depósitos dos trabalhadores", disse.
O projeto ainda deve passar
por aprovação na Comissão de Assuntos Econômicos
no Senado para, então, seguir à Câmara. Se sofrer
modificação, volta ao Senado, ou irá direto para
apreciação presidencial.
Reunião
O Senado deve promover até 1º de dezembro uma audiência
pública com sete centrais sindicais, com representantes do empresariado
e da CEF, que é gestora do FGTS, para discutir mudanças
na Lei do fundo.
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Vermelho, 20 de novembro
de 2009
Economia brasileira está
na fase de “boom”, diz pesquisa da FGV
A economia brasileira está
na fase de "boom", segundo pesquisa da FGV (Fundação
Getulio Vargas), realizada em parceria com o instituto alemão
Ifo e divulgada nesta quinta-feira. O ICE (Índice de Clima Econômico)
do Brasil aumentou de 5,5 na última pesquisa, em julho, para
7,4 pontos em outubro.
O ISA (Índice da Situação Atual) do País
subiu de 4,3 para 6,4 pontos e o IE (Índice de Expectativas)
avançou de 6,6 para 8,4 pontos. “O Brasil se destaca por
apresentar os maiores índices da região, seja o de clima
econômico, situação atual ou de expectativas”,
aponta a FGV, em comunicado.
Segundo o levantamento, enquanto
a maioria dos países desenvolvidos encontra-se na fase de recuperação
do ciclo econômico, todos os Brics (grupo formado por Brasil,
Rússia, Índia e China), com exceção da Rússia,
já estão na fase de "boom". Na sondagem de outubro,
o Brasil lidera os países do grupo, com 7,4 pontos. Na sequência,
aparecem: Índia (7 pontos), China (6,5 pontos) e Rússia
(4,7 pontos).
Já o ICE da América
Latina elevou-se de 4 para 5,2 pontos entre julho e outubro, superando,
pela primeira vez desde janeiro de 2008, a média dos últimos
dez anos (5,1 pontos). O ISA passou de 2,6 para 3,3 pontos e o IE aumentou
de 5,4 para 7 pontos.
“A situação
atual ainda é considerada desfavorável, mas as expectativas
melhoram e continuam apontando para um cenário positivo. A região
manteve-se, desta forma, na fase de recuperação do ciclo,
acompanhando, portanto, o resultado mundial”, avalia a FGV.
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Folha de S.Paulo, 20 de
novembro de 2009
Banco terá de dar opção
em seguro habitacional
Em 90 dias, instituições terão
de oferecer duas alternativas a mutuários, diz CMN | Objetivo
é acabar com monopólio no serviço; uma das operadoras
de seguro oferecidas terá de ser de instituição
independente
EDUARDO RODRIGUES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Para tentar reduzir o peso do
seguro obrigatório nos valores das prestações de
seguros habitacionais, o CMN (Conselho Monetário Nacional) determinou
em reunião extraordinária que os bancos operadores do
SFH (Sistema Financeiro de Habitação) ofereçam
ao menos duas opções de segurados para os mutuários.
A resolução, que passa a valer dentro de 90 dias, tem
o objetivo de acabar com o monopólio nessas operações
de seguradoras geralmente pertencentes ao mesmo grupo econômico
dos bancos. Por isso, uma das operadoras a serem oferecidas a partir
de agora terá que ser obrigatoriamente uma instituição
independente.
Além disso, os mutuários poderão trocar de seguradora
a qualquer momento durante o prazo do financiamento. Tanto na contratação
quanto na alteração da prestadora, haverá ainda
a possibilidade de apresentação de uma terceira operadora
não conveniada, mas nesse caso o banco poderá cobrar uma
tarifa de até R$ 100 para analisar a apólice.
"Não há como não haver cobrança em
relação a um custo que o banco vai ter, não seria
justo", disse Diogo Oliveira, secretário-adjunto de Política
Econômica do Ministério da Fazenda.
Em um ramo dominado por poucas empresas, atualmente o seguro obrigatório
chega a representar mais de 30% do valor da prestação
dos financiamentos habitacionais. Somente a Caixa Seguros, vinculada
à CEF, detém 73% desse mercado. "A expectativa é
que haja uma redução representativa no custo do seguro
imobiliário."
A decisão do CMN também determina a padronização
das apólices, que deverão especificar as coberturas mínimas
de cada plano, conter um conjunto de informações básicas
para o cliente e informar o custo efetivo total do seguro.
A regulamentação estava prevista na medida provisória
que criou o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. Para completar
o conjunto de modificações no sistema, decreto presidencial
ampliou no início deste mês o número de seguradas
aptas a operar no ramo habitacional, incluindo prestadoras que até
então trabalhavam com seguros de vida.
O seguro obrigatório para os financiamentos habitacionais cobre
os casos de morte ou invalidez permanente do mutuário, com a
quitação imediata, e eventuais avarias ao imóvel
durante a vigência da operação.
Os mutuários ainda têm a opção de contratar
adicionalmente um seguro individual, que tem valor muito elevado. Quando
a apólice faz parte de um grupo, os riscos são diluídos
e o valor do produto fica menor.
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Folha de S.Paulo, 20 de
novembro de 2009
RUMO A 2010
Disputar um 3º mandato seria criar
"ditadorzinho", diz petista
SIMONE IGLESIAS
ENVIADA A GUAMARÉ (RN)
O presidente Lula disse ontem
que não aceita concorrer ao terceiro mandato porque, desta
forma, "nasce um ditadorzinho". Ele afirmou que nenhum político
é "insubstituível".
"É importante que haja uma espécie de alternância
do poder, rotação, para exercermos a democracia em toda
sua plenitude", disse em evento de assinatura do termo de compromisso
entre a Petrobras e o governo do Rio Grande do Norte que dará
inicio às obras de ampliação da Refinaria Clara
Camarão.
Algumas pessoas da plateia, formada por funcionários da refinaria,
gritaram "terceiro mandato", ao que Lula respondeu: "Não
se pode brincar com a democracia, ficar mais um, mais dois, porque
aí começa a nascer um ditadorzinho".
Lula disse que oito anos para quem está no poder passam muito
rápido, mas para os adversários, afirmou, "é
uma eternidade". "Na política, a gente não
pode se achar nem insubstituível, nem imprescindível.
É sempre importante a gente acreditar que virá alguém
melhor para fazer muito mais."
Mesmo ausente, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) foi citada por
Edson Lobão (Minas e Energia), José Sérgio Gabrielli
(presidente da Petrobras) e pela governadora do RN, Wilma Faria (PSB).
Os três chamaram a candidata de Lula à sucessão
de "guerreira" e disseram que ela deveria ter participado
do evento porque a refinaria só está sendo construída
por sua persistência.
Antes do evento, em entrevista à rádio "Clube de
Natal", Lula disse que os candidatos à Presidência
que são governadores deveriam ficar em seus Estados em vez
de sair pelo país fazendo campanha antecipadamente.
"Por que os governadores, que são candidatos a presidente
deles [oposição], estão viajando o Brasil e fazendo
campanha em outros Estados? Eles deveriam ficar nos seus Estados.
Ora, eles têm menos direito de viajar do que uma ministra que
tem que fiscalizar as obras que ela coordenou o tempo inteiro",
disse se referindo, mesmo sem citar, a José Serra (PSDB-SP),
que fez recentemente viajou ao Nordeste.
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Folha de S.Paulo, 20 de
novembro de 2009
Lula pode ceder a centrais em aumento
a aposentados
Presidente aceita conceder reajuste maior do
que aconselha a equipe econômica | Lula deve vetar projetos de
reajustes se aprovados na forma atual e busca acordo com sindicalistas
e líderes dos aposentados
KENNEDY ALENCAR
EDUARDO CUCOLO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva negociou com o presidente da Câmara, Michel Temer
(PMDB-SP), um acordo para lidar com dois projetos de interesse dos aposentados
que, se aprovados, terão grande impacto nas contas públicas.
O plano A é tentar um acordo após a votação
dos quatro projetos do pré-sal a fim de que os aposentados desistam
de pressionar pela aprovação das propostas em troca de
algum ganho financeiro. Se as propostas pró-aposentados forem
aprovadas, o plano B é simplesmente vetar os dois projetos que
o governo julga insustentáveis financeiramente, apesar do desgaste
político na véspera do ano eleitoral de 2010.
Lula está preocupado com a aprovação de dois projetos:
o que dá a todos os aposentados o mesmo reajuste anual do salário
mínimo e outro que acaba com o fator previdenciário (usado
para induzir as pessoas a retardar a aposentadoria).
Temer disse a Lula que os partidos da base de apoio ao governo na Câmara,
que têm maioria para rejeitar as propostas, pressionam pela aprovação
dos projetos. Afirmou que já postergou ao máximo a votação
e que obteve uma trégua dos aposentados: aguardar a votação
dos projetos do pré-sal.
Em relação ao projeto do fator previdenciário,
aprovado em comissão da Câmara nesta semana, Lula vetará
de qualquer forma. Por isso, gostaria de costurar um acordo para não
sofrer esse desgaste.
Sobre a proposta de dar a todos os aposentados o reajuste do salário
mínimo, o governo vai insistir na proposta já apresentada
às centrais sindicais -os aposentados teriam um reajuste de cerca
de 6,5% em janeiro, equivalente à inflação acumulada
desde o último reajuste mais metade da variação
do PIB de dois anos antes.
Esse é o limite máximo a que o governo pretende chegar.
A equipe econômica já disse ao presidente que resiste até
mesmo a essa concessão. Mas Lula bancaria o acerto com os sindicalistas.
O problema maior é um acordo com a Cobap (Confederação
Brasileira de Aposentados e Pensionistas), que tem feito pressões
diárias nos corredores da Câmara.
A ideia de Lula e Temer é tentar convencer a Cobap a aceitar
o acordo chancelado pelas centrais sindicais. Se não der certo
e os projetos forem aprovados, Lula vetará.
Governo
está preocupado
Questionado sobre como a equipe econômica tem acompanhado a tramitação
de projetos que podem ter grande impacto nas contas da Previdência,
o ministro Guido Mantega (Fazenda) afirmou, ontem pela manhã,
que "o governo está sempre preocupado, nunca está
tranquilo quando se trata de gasto".
Mais tarde, após encontro com o ministro, o senador Aloizio Mercadante
(PT-SP) defendeu a proposta governamental de oferecer uma alternativa
ao atual fator previdenciário, por meio do chamado sistema 85/
95, além do reajuste equivalente à metade do crescimento
do PIB de dois anos antes.
Pela proposta, o trabalhador cuja soma de idade e tempo de contribuição
alcançar 85/95 (mulheres/homens) no momento da aposentadoria
não terá o redutor calculado com base no fator previdenciário.
"Dentro da nossa responsabilidade fiscal, temos espaço para
essas mudanças. Evidentemente a votação de todos
os projetos que tramitam na Câmara, nos limites máximos
em que estão propostos, não seriam possíveis dentro
do Orçamento", completou.
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O ESTADO DO PARANÁ,
20 de novembro de 2009 | Economia
Governo estuda MPs para definir reajuste
de aposentado
Agência Estado
O governo federal pode recorrer a medidas provisórias (MPs) para
tentar isolar o senador Paulo Paim (PT-RS) e, ao mesmo tempo, desvincular
o debate sobre o reajuste do salário mínimo do aumento
das aposentadorias e pensões do INSS. A ideia é impedir
a aprovação da emenda de Paim, que estende a todos os
aposentados o mesmo índice do mínimo e ameaça provocar
um rombo na Previdência. "Em janeiro de 2010 vamos ter o
novo salário mínimo, e não está descartada
a hipótese de medida provisória para tratar do assunto.
Tudo depende do clima na Câmara", afirmou o ministro das
Relações Institucionais, Alexandre Padilha.
Apesar da pressão dos
aposentados, o governo não pretende negociar nada além
do que foi acertado em agosto com as duas maiores centrais sindicais,
a CUT e a Força Sindical. O presidente Luiz Inácio Lula
da Silva já avisou que está disposto a conceder um reajuste
de 6% para aposentadorias acima do mínimo, em 2010 e 2011, o
que representaria aumento real de 2,5% em cada ano. "A proposta
é esta. Não há alternativa além disso",
disse Padilha.
Os aposentados acham o porcentual
baixo e querem cerca de 8% - índice próximo do previsto
para o salário mínimo. "Tem dinheiro pra todo mundo,
menos para o aposentado. No governo Collor, os caras pintadas foram
às ruas. Agora, na era Lula, são os caras enrugadas",
disse o presidente da Confederação Brasileira de Aposentados
e Pensionistas (Cobap), Warley Martins Gonçalles.
Se o impasse persistir até
o fim do ano, o governo vai publicar duas MPs. Uma sobre a política
de longo prazo do mínimo - que entra em vigor em janeiro de 2010,
quando ele deve subir de R$ 465 para R$ 510 - e outra sobre o reajuste
dos aposentados. Atualmente, a correção dos benefícios
para quem ganha mais de um salário mínimo tem como base
apenas o INPC. As informações são do jornal O Estado
de S. Paulo.
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Folha de S.Paulo, 20 de
novembro de 2009
CONTRIBUIÇÃO AO INSS
Patrões que não registraram
domésticas podem ter anistia
DO "AGORA"
O Senado aprovou, em decisão
terminativa, o projeto de lei que propõe perdoar a dívida
dos empregadores domésticos com o INSS. O projeto vai agora para
a Câmara.
Os débitos ocorrem no caso dos patrões que não
registraram as domésticas e, com isso, também não
pagaram a contribuição previdenciária.
Para ter a dívida perdoada, o patrão terá de pagar
ao menos as últimas 12 contribuições e registrar
a doméstica. O registro, desde o momento em que a pessoa começou
a trabalhar na residência, terá que ser feito em até
seis meses após a vigência da lei.
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BBC Brasil, 20 de novembro
de 2009
Relatório da OIT: drogas
causam 20% dos acidentes de trabalho no mundo
Um em cada cinco acidentes de trabalho é provocado pelo consumo
de drogas, segundo um relatório da Organização
Internacional do Trabalho (OIT) apresentado na Academia de Ciências
Médicas de Bilbao, na Espanha.
A pesquisa, divulgada na palestra
"Consumo de drogas, álcool e medicamentos no trabalho",
indica que os setores profissionais com as maiores taxas de acidentes
são os de relações públicas, comércio
e construção.
O estudo se baseia na investigação
de 38 empresas dos Estados Unidos, Europa e Ásia durante os últimos
cinco anos.
"O antigo conceito do viciado
jogado pela rua está completamente defasado. Neste momento, em
todo o mundo, 67% das pessoas com algum tipo de dependência química
estão integradas ao mercado de trabalho, e algumas com sucesso",
disse na palestra o psiquiatra Jerônimo San Cornélio, presidente
da Academia de Ciências Médicas de Bilbao e um dos autores
da pesquisa.
De acordo com o relatório,
entre 15% e 25% dos acidentes de trabalho diários ocorrem no
local onde os profissionais exercem as atividades ou em "in itinere"
(deslocamentos) pela impossibilidade de manter os reflexos.
Essa incapacidade de concentração
e coordenação é provocada, dizem os especialistas,
principalmente pelo consumo habitual de álcool, cocaína,
maconha, heroína e remédios para controlar a ansiedade
em profissionais numa faixa etária entre 20 e 35 anos.
Mulheres
Segundo o psiquiatra espanhol, três razões fundamentais
induzem um profissional qualificado a manter o hábito de se drogar:
a atração pela substância, a fisiologia de cada
indivíduo e a pressão social.
"Numa sociedade onde pesa
a ideia de que só os mais preparados alcançam o sucesso,
uma pessoa com problemas de autoconfiança procura estímulos
externos. Neste aspecto o consumidor acaba vítima de si mesmo."
Sobre o perfil do trabalhador
viciado, os homens são maioria: 75% dos casos de acidentes relacionados
com o consumo de drogas são verificados entre profissionais do
sexo masculino e 25% do sexo feminino.
Mas o relatório da OIT
indica que a diferença está diminuindo. Na década
passada os homens eram 90% dos envolvidos, contra 10% de mulheres.
Entre as características
que mais delatam problemas no ambiente de trabalho relacionados com
o consumo habitual de drogas estão atitudes de nervosismo, irritabilidade,
falta de concentração e excessivos pedidos de dispensa.
Segundo Jerônimo San Cornélio,
"um trabalhador que se droga com frequência normalmente dobra
a média de dias de licença".
O psiquiatra defendeu o sistema
de algumas empresas que aplicam testes antidroga para funcionários
que aspiram a altos cargos. "Todos somos livres para consumir o
que quisermos, mas o lugar de trabalho envolve responsabilidade sobre
os demais profissionais", disse.
Para o médico especialista
em toxicomania, não há setores profissionais que escapem
do âmbito do consumo.
Pioneiro no tratamento de médicos
viciados, ele disse que "as drogas estão em todas as classes
sociais" e que estejam, portanto, "em todas as (classes) profissionais
é uma simples questão de lógica".
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
20/11/2009
Indicação de vários
paradigmas não é problema para pedir equiparação
salarial
Pedir equiparação
salarial com colegas de trabalho pode representar uma dificuldade se
os escolhidos não receberem o mesmo salário. Foi esse
o caso de uma empregada da Pólen Informática Ltda., que
teve seu pedido de isonomia salarial negado desde a primeira instância,
porque a trabalhadora não optou por um dos modelos na audiência
inicial. A situação só mudou agora no julgamento
de seu recurso de revista, em que a Segunda Turma do Tribunal Superior
do Trabalho reformou decisão regional.
O pedido da trabalhadora quanto
às diferenças decorrentes da isonomia havia sido extinto,
sem julgamento do mérito. No recurso ao Tribunal Regional da
3ª Região (MG), foi mantida a sentença. Segundo o
TRT/MG, “em se tratando de isonomia funcional, a indicação
de mais de um paradigma só tem cabimento quando todos eles percebem
salários idênticos”.
A trabalhadora ajuizou recurso
ao TST, sustentando tese contrária. A comprovação
de divergência de jurisprudência possibilitou que o mérito
do recurso da empregada pudesse ser analisado pela Segunda Turma. Para
o relator do recurso, ministro José Simpliciano Fernandes, “não
há o que justifique não admitir a indicação
de mais de um paradigma”. Ele considera que isso pode implicar
ônus para a empresa, mas não chega a inviabilizar a defesa.
A indicação de
mais de um paradigma tem fundamento, segundo o ministro Simpliciano,
no princípio da eventualidade, nos casos em que o juiz não
considera atendidos os requisitos para a equiparação com
relação a algum ou alguns dos nominados. O relator entende
que a formulação tem caráter de pedido alternativo
ou sucessivo, cuja possibilidade é admitida sob o aspecto processual.
“A eventual disparidade salarial entre os paradigmas não
é obstáculo, uma vez que, por lógica, a equiparação
se efetiva em face ao paradigma cujo salário for superior aos
demais”, conclui o ministro Simpliciano Fernandes.
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20/11/2009
Precarização do trabalhador
terceirizado preocupa TST
A precarização
da dignidade do trabalhador é a principal preocupação
em relação à terceirização. Com essa
avaliação, o ministro Aloysio Corrêa da Veiga, presidente
da Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho, concluiu que “não
se pode ser contra a terceirização, porque ela é
uma realidade, um fato. Mas se houver precarização, não
se pode admitir como lícita a terceirização”.
O tema surgiu no julgamento de um recurso de revista da Telemar Norte
Leste S/A, em que a contratação de um atendente de call
center, através da TNL Contax S/A, foi considerada irregular.
A Sexta Turma rejeitou (não conheceu) os recursos das empresas
envolvidas.
O relator, ministro Corrêa
da Veiga, ao ser provocado durante a sustentação oral
pelo advogado da Telemar, José Alberto Couto Maciel, destacou
a importância dos critérios de remuneração
e de cumprimento de obrigações nas terceirizações.
Segundo o relator, o problema não está na Súmula
331 do TST – cuja validade foi questionada pelo advogado –
mas “na precarização da atividade e dignidade do
trabalhador, no tratamento diferenciado, no sentido de restringir direitos”.
Para exemplificar, o ministro citou o caso de terceirizado que faz o
mesmo trabalho de outro contratado diretamente pelo banco, trabalha
mais horas e ganha dez vezes menos.
Para o ministro Maurício
Godinho Delgado, o Brasil “encontrou uma solução
saudável, que tem permitido ao país enfrentar bem os desafios
econômicos”, referindo-se à possibilidade de terceirização,
desde que não seja em atividade-fim. De acordo com a legislação,
a terceirização somente é lícita nos casos
de trabalho temporário, serviços de vigilância,
conservação e limpeza e contratação de serviços
especializados ligados à atividade-meio do tomador. Quanto à
Súmula 331, o ministro Delgado considera que “é
produto de uma maturação, de uma experiência jurídica
importante. Nós devemos mantê-la”.
Durante a análise dos
ministros, duas informações suscitaram curiosidade nos
presentes. Uma delas, revelada pelo ministro Godinho Delgado, é
que na França a lei manda não só pagar aos terceirizados
os mesmos direitos do empregado diretamente contratado, como obriga
a pagar um adicional de terceirização. Após esse
dado, o advogado da Telemar informou que a Vivo está indenizando
os terceirizados que trabalham nas lojas e efetuando as contratações
diretas, por ter percebido que o empregado contratado diretamente rende
mais.
O processo
Através de sucessivos
recursos, as duas empresas não têm obtido acolhida para
reverter a condenação. Ainda na primeira instância,
a terceirização de mão de obra foi julgada ilícita
e as empresas condenadas ao pagamento das parcelas deferidas. À
Telemar foi determinado, ainda, que cumprisse a obrigação
de fazer o registro na carteira de trabalho do atendente, em razão
do reconhecimento do vínculo empregatício. No recurso
ao Tribunal Regional da 3ª Região (MG), foi mantida a sentença.
Segundo o TRT/MG, não se trata de ”contratação
de serviços especializados ligados à atividade-meio da
tomadora de serviços, mas sim de autêntica atividade-fim,
motivo pelo qual não se pode ter como lícita a terceirização”.
O TRT da 3ª Região
ressalta que a atividade desempenhada pelo trabalhador era executada
nas dependências da Telemar e de acordo com os seus interesses.
Esclarece, ainda, que, como atendente de call center, o empregado prestava
serviços essenciais à atividade-fim da Telemar, sendo
explícita e direta a ingerência da tomadora nos serviços
prestados pelo trabalhador, destacando-se o controle sobre as atividades
exercidas, “o que afasta qualquer argumento em prol da licitude
da terceirização e toda a alegação de ausência
de subordinação jurídica à Telemar”,
conclui o Regional. (RR-360/2008-106-03-00.7)
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