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Agência Diap, 21 de novembro de 2009
Petrosal: Câmara aprova
primeiro projeto do marco regulatório do pré-sal
Temer cria comissão informal
para debater redução da jornada de trabalho
O plenário da Câmara dos Deputados aprovou,
na última quarta-feira (18), o primeiro, dos quarto
projetos de lei, sobre o marco legal do pré-sal. Trata-se
do o PL 5.939/09, que cria a Petrosal. A empresa vai gerenciar
todos os contratos de exploração e produção
de petróleo e de gás na área do pré-sal
sob o novo modelo de partilha proposto pelo Governo.
A nova empresa não vai executar nenhuma tarefa direta
de exploração ou comercialização.
Nesta semana a Casa criou uma comissão informal que
vai debater a redução da jornada de trabalho
de 44 para 40 horas semanais. O colegiado é composto
por deputados que representam os empresários, que
são contrários a redução por
meio de norma constitucional; e os que representam os trabalhadores,
portanto, favoráveis redução da jornada.
Ainda no âmbito da Câmara merece destaque a
aprovação, pela CCJ, do parecer favorável,
do deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), ao PL 3.299/08,
que extingue o fator previdenciário.
Na próxima segunda-feira (23), o Governo e as centrais
se encontrarão para tentar chegar a um acordo acerca
do projeto, que divide essas entidades, pois três são
favoráveis ao substitutivo do deputado Pepe Vargas
(PT-RS), que entre outras questões propõe aumento
real de 2,5% aos benefícios da Previdência acima
de um mínimo, em 2010, e novamente, em 2011, e outras
três são contrárias.
Corte eleitoral
O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) elegeu, na última
quarta-feira (18), a ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha
como substituta do ministro Joaquim Barbosa no Tribunal Superior Eleitoral
(TSE).
Barbosa renunciou na terça-feira (17) ao seu cargo
no TSE devido a problemas de saúde que, segundo ele,
o impedem de se dedicar a dois tribunais.
Economia
Relatório da Organização para Cooperação
e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgado, na última
quinta-feira (19), afirma que o Brasil deve crescer 4,8% em 2010. Para
2011, a previsão da OCDE é de que o Brasil cresça
4,5%. Segundo o documento da entidade, o Economic Outlook, haverá recuperação
econômica e crescimento em quase todas as regiões do mundo
no próximo ano.
Cinebiografia de Lula
O filme "Lula, o Filho do Brasil", de Fábio Barreto,
foi exibido, na última terça-feira (17), no Teatro Nacional
de Brasília, em pré-estreia no 1º dia do Festival
de Cinema de Brasília.
O longa-metragem é uma cinebiografia do presidente,
inspirada em livro de Denise Paraná, que procura mostrar
a vida de Lula, antes de ser o sindicalista que chegou à Presidência
da República.
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Agência Brasil, 21
de novembro de 2009
Ipea: "Fatura" da
crise ainda não está ganha para o Brasil
Apesar de reconhecer que o Brasil venceu as etapas mais difíceis
da crise, um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
(Ipea) aponta que a "fatura ainda não está ganha" para
o país.
Segundo o pesquisador Milko Matijascic, autor da frase acima, é possível
que ainda haja reflexos da crise com impacto negativo para os países
emergentes, em especial, por causa da deflação (queda nos
preços) provocada nos Estados Unidos, no Japão, na China
e em parte da União Europeia.
Na deflação, ocorre uma redução
do nível geral de preços de um país
e a moeda em circulação ganha valor relativamente às
mercadorias, serviços e moedas estrangeiras. Isso é quase
sempre lesivo à promoção de um nível
mais sólido de atividade econômica, diz o Ipea.
Em outras palavras, prejudica os países exportadores,
pois os preços de seus produtos perdem competitividade.
No entanto, a análise técnica do Ipea destaca
o reconhecimento mundial de que o Brasil saiu maior da crise.
Segundo Matijascic, o País reagiu à crise de
maneira exemplar, principalmente porque deu prioridade a
ações de cunho social, como a garantia de crédito
pessoal por meio dos bancos públicos e a redução
do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), sobretudo
para material de construção.
"O Brasil venceu as etapas mais difíceis da
crise", afirmou Matijascic. Ele salientou que o Brasil é visto
lá fora como exemplo de recuperação
sustentada, tendo hoje uma situação mais cômoda,
do ponto de vista macroeconômico, do que a maioria
dos países. Ele enfatizou, contudo, que não
se pode "deixar de monitorar a situação
de turbulência ainda vivida pelos países desenvolvidos".
O estudo do Ipea ressalta a existência de uma nova
ordem econômica mundial pós-crise, com consolidação
do Grupo dos 20 (G20) como foro privilegiado, no qual o Brasil,
a China e a Índia passam a ser ouvidos de forma direta
e a ter influência decisiva. Com isso, o outrora fechado
grupo dos oito países mais desenvolvidos (G8) deverá ser
naturalmente ampliado.
Matijascic também disse que a crise financeira internacional
ainda podem "ter desdobramentos" e, com isso, voltarem
a atingir a economia brasileira."É muito difícil
dizer com 100% de certeza que o Brasil saiu da crise. Diante
dos dados do momento, o país venceu as etapas mais
difíceis da crise, mas podem haver desdobramentos
não previstos e eles podem atingir o Brasil. Ainda
existem riscos", disse ele.
Segundo Matijascic, a maioria dos países está reagindo
bem, neste momento, por conta dos estímulos fiscais
adotados. "A gente injetou muito estimulante nas economias,
mas estes efeitos têm duração limitada",
observou. O assessor da Presidência do IPEA notou ainda
que os movimentos da economia internacional costumam ser "rápidos
e bruscos", o que impede que se possa dar uma garantia
para a população de que a crise definitivamente
já tenha passado. "Temos de ter um monitoramento
muito cuidadoso", declarou.
Entre os riscos apontados pelo economista do IPEA, estão:
nível maior de desemprego, queda da massa salarial,
queda do nível de comércio internacional e,
também, a forte queda do dólar no Brasil. "O
Brasil não precisa se preocupar com a inflação.
O desafio é a competitividade. A queda do câmbio
[dólar] é preocupante e dificulta a vida das
indústrias brasileiras, que são as principais
geradoras de empregos mais sólidos. O câmbio é uma
variável preocupante", disse ele.
O estudo divulgado pelo IPEA nesta quinta-feira mostra que
alguns dos principais teóricos da crise, entre eles
Joseph Stiglitz, Paul Krugman e Nouriel Roubini, não
concordam inteiramente sobre qual tipo de recessão
passa a economia mundial.
Para Krugman, as principais possibilidades seriam de recessão
em W (com uma nova queda antes da recuperação),
ou em L (com uma recessão prolongada). De acordo com
Roubini, a probabilidade maior seria de recessão em
W ou em U (com um período um pouco maior antes da
recuperação), enquanto Stiglitz também
aposta em uma recessão em W.
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Congresso em Foco, 21 de
novembro de 2009
Cristovam e Manuela são
eleitos os melhores do ano
Votação do
Prêmio Congresso em Foco foi encerrada à zero
hora de sexta. Premiação acontecerá no
dia 7 de dezembro

Cristovam e Manuela, os mais
votados pelos internautas no Prêmio Congresso em
Foco 2009
Thomaz Pires
Após 50 dias, o Prêmio Congresso em Foco
2009 teve a votação encerrada à zero
hora desta sexta-feira (20). O senador Cristovam Buarque
(PDT-DF) e a deputada Manuela D’ Ávila (PCdoB-RS)
foram eleitos pelos internautas os melhores parlamentares
do ano.
De acordo com os votos recebidos via internet (confira a votação
final), Cristovam também foi o parlamentar que mais se destacou
na defesa da educação. Os internautas escolheram ainda
os destaques em outras três categorias especiais: o deputado
Flávio Dino (PCdoB-MA), no combate à corrupção;
a senadora Marina Silva (PV-AC), na defesa do meio ambiente; e a liberação
da internet na campanha eleitoral de 2010, resultante de emenda proposta
pelo senador Aloizio Mercadante (PT-SP), como a principal iniciativa
do Congresso Nacional neste ano.
Também receberão uma premiação
especial a senadora Marina e o deputado Chico Alencar (Psol-RJ),
os dois congressistas mais votados pelos 176 jornalistas
políticos de Brasília que fizeram a pré-seleção
dos 38 parlamentares - 27 deputados e 11 senadores - que
participaram da votação na internet. Todos
os 38 serão premiados, em cerimônia que será realizada às
20h30 do próximo dia 7 no auditório da Procuradoria-Geral
da República.
"Debate com a sociedade"
Na solenidade, também terão distinção
especial os três parlamentares mais votados na Câmara
e no Senado. O segundo senador mais votado foi Arthur Virgílio
(PSDB-MA), que teve uma diferença inferior a mil
votos em relação ao primeiro colocado. Em
terceiro lugar, ficou Alvaro Dias (PSDB-PR). Na Câmara,
a segunda maior votação foi de Rita Camata
(PSDB-ES) e o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) ficou na
terceira colocação.
Deputada de primeiro mandato, Manuela diz que o resultado
final da votação tem um sabor especial para
ela, por sair de uma votação nacional aberta
e que envolveu todos os estados do país. “O
prêmio tem um papel importante, pois avalia a melhor
atuação dos parlamentares nas duas Casas. É um
debate com a sociedade, que conta com a avaliação
final dos milhares de internautas deste país através
do voto. Estou muito feliz e satisfeita”, afirmou
a deputada.
Na opinião de Cristovam, a premiação
pode contribuir para apagar a paralisia que tomou conta
do Senado neste ano. “Este prêmio é o
reconhecimento do nosso trabalho. Ela vem num momento muito
oportuno. Não há dúvida que ele ajuda
em muito na aproximação com a sociedade,
que fez um julgamento por meio do voto popular. Isso é muito
positivo”, avaliou Cristovam.
Premiações
Pelo regulamento do prêmio, os três deputados
e três senadores mais votados pelos internautas recebem
troféus. Do quarto ao décimo lugar, os congressistas
agraciados recebem placas. E todos os 38 pré-selecionados
pelos jornalistas que cobrem o Congresso receberão
certificados, atestando a avaliação de que
estão entre os melhores parlamentares do país.
Placas marcarão os prêmios para as categorias
especiais. Na internet, a mais disputada delas foi a de
combate à corrupção. O deputado Flávio
Dino, que já atuou como juiz federal, terminou com
uma vantagem inferior a mil votos sobre o segundo colocado,
o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR).
Fruet festejou a sua inclusão, pelo quarto ano consecutivo,
entre os melhores parlamentares do Congresso. “Ser indicado por
repórteres que acompanham a rotina da Câmara de perto é uma
grande honra. Isso me deixa ainda mais satisfeito e com motivos para
comemorar esse prêmio”, disse o deputado.
Na categoria iniciativa do ano, o projeto de liberação
da internet nas campanhas eleitorais ganhou a disputa com
folga. Pelo resultado final da votação, a
proposta somou mais de 6 mil votos à frente da segunda "iniciativa" mais
votada, a CPI da Pedofilia. Emenda incorporada pelo Senado à minirreforma
eleitoral, ela garantiu na internet “a livre manifestação
de pensamento, vedado o anonimato, durante a campanha eleitoral,
assegurado o direito de resposta”, com punições
para a “utilização indevida” da
rede. A alteração afastou as restrições
inicialmente impostas à web, no projeto votado pela
Câmara.
O Prêmio Congresso em Foco conta este ano com o
patrocínio da Petrobras e da AmBev, além
do apoio da Associação Nacional dos Procuradores
da República (ANPR), da Associação
dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), da Associação
Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF), do Sindicato
dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF),
da Associação dos Magistrados Brasileiros
(AMB) e do Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo
Federal e do Tribunal de Contas da União (Sindilegis).
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Gazeta do Povo, 21 de novembro
de 2009
Eleição 2010
Peemedebistas podem lançar
hoje Roberto Requião à Presidência
Ala de descontentes com o acordo
nacional do partido com o PT se reúne em Curitiba.
Legenda também flerta com o PSDB de Serra
O PMDB do Paraná pretende lançar oficialmente
hoje o nome do governador Roberto Requião como pré-candidato à Presidência
da República. A decisão será tomada
durante encontro de lideranças do partido que estão
descontentes com o pré-acordo eleitoral firmado
entre a cúpula nacional do PMDB e o PT. No encontro
marcado para as 10 horas, no Hotel Pestana, em Curitiba,
estão sendo esperados o governador de Santa Catarina,
Luiz Henrique da Silveira, o ex-governador de São
Paulo Orestes Quércia e os senadores Pedro Simon
(RS), Renan Calheiros (AL) e Neuto Couto (SC).
Requião vem criticando há um mês a
cúpula da legenda por ter fechado, sem consultar
o partido, um acordo pré-eleitoral com o presidente
Lula para apoio à pré-candidatura da ministra
da casa Civil, Dilma Rousseff, à sucessão
presidencial de 2010.
A direção nacional do PMDB negocia a indicação
do presidente da Câmara Federal, Michel
Temer (SP), para a Vice-Presidência na chapa da petista.
Isso provocou reações contrárias de
peemedebistas que não querem a formalização
da aliança.
O encontro nacional que será realizado hoje foi
a forma encontrada pelo PMDB do Paraná de tentar
protestar contra a direção do partido. O
lançamento de Requião como candidato a presidente
faz parte da estratégia de organizar uma ala de
resistência interna ao grupo de Michel Temer.
O PMDB nacional está dividido. Um grupo, liderado
por Temer, é favorável à aliança
com Dilma. Outra ala, que tem à frente Orestes Quércia
e o senador Jarbas Vasconcelos (PE), defende a aliança
com o governador de São Paulo, José Serra
(PSDB), e o rompimento com o presidente Lula. Ainda existe
um terceiro grupo da legenda que defende a candidatura
própria.
Para o presidente estadual do PMDB, Waldyr Pugliesi, o
partido vai tentar mobilizar todas as correntes para defender
a elaboração de um programa de governo, um
projeto para o país. “Isso é muito
mais importante do que indicar um candidato a vice-presidente
na chapa de alguém”, diz, admitindo as dificuldades
do grupo ter poder de decisão.
Perto do PSDB
O encontro nacional ocorre dois dias depois que o PMDB
paranaense fez questão de sinalizar publicamente
que estão adiantadas as negociações
para fechar uma aliança com o PSDB para apoiar a
candidatura do prefeito de Curitiba, Beto Richa, ao governo
do estado.
Na quinta-feira, o líder do governo na Assembleia
Legislativa, Luiz Cláudio
Romanelli (PMDB), participou de solenidades em Curitiba,
ao lado do presidenciável tucano José Serra.
No mesmo dia, Serra foi até o Palácio das
Araucárias e teve uma conversa reservada de aproximadamente
45 minutos com o governador Requião.
Serra teve de esperar meia-hora até a chegada de
Requião, que estava em Cascavel, Oeste do estado.
A reunião foi a portas fechadas, mas aliados muito
próximos do governador disseram que o tucano declarou
ter interesse na proximidade dos dois partidos porque precisa
vencer a eleição no Paraná com uma
diferença grande de votos da principal concorrente,
a ministra Dilma Rouseff.
O governador paulista teria dito também que até mesmo
a neutralidade de Requião na disputa presidencial
seria importante para o PSDB e que ambos poderiam vir a
participar juntos de um projeto nacional no futuro.
A aproximação com os tucanos contribui para
enfraquecer a pré-candidatura do vice-governador
Orlando Pessuti (PMDB) ao governo. Embora o presidente
estadual da legenda, Waldyr Pugliesi, garanta que o partido
está trabalhando para ter candidato própria
no Paraná, deputados e prefeitos peemedebistas não
escondem a disposição de subir no palanque
do PSDB.
A motivação seria eleitoral. A estimativa
de deputados que vão disputar a reeleição
e pré-candidatos à Assembleia e à Câmara
Federal é que teriam mais chances de eleição
numa chapa encabeçada por Beto Richa do que por
Orlando Pessuti. Pugliesi discorda e prevê que mesmo
com candidatura própria é possível
eleger uma bancada robusta.
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Folha de S.Paulo, 21 de
novembro de 2009
Governo avalia licitar rede
de banda larga
Proposta da Casa Civil para universalizar
serviço prevê uso da rede pública de
fibras óticas, mas operação a cargo
de um consórcio privado
Projeto é meio-termo entre a
posição das empresas do setor e a do Ministério
do Planejamento, que defende intervenção
estatal direta
VALDO CRUZ
HUMBERTO MEDINA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A versão final do projeto da Casa Civil para a
universalização da banda larga no país
prevê um modelo híbrido: será usada
a rede pública de fibras óticas, administrada
por uma estatal, mas a sua operação será entregue
a um consórcio privado por meio de licitação.
Hoje o Estado tem fibras óticas, mas elas não interferem
no mercado de banda larga. São usadas pelas estatais (Petrobras
e Eletrobrás) ou estão praticamente ociosas, como no
caso da Eletronet (empresa em processo de falência).
O projeto é que essa rede, que já existe, passe a servir
como instrumento de regulação de mercado, fomento à competição
e massificação do serviço. A proposta fará parte
do Plano Nacional da Banda Larga, que será apresentado na terça-feira
ao presidente Lula.
Na ponta, na exploração da chamada última milha
(provedor que faz chegar o serviço ao cliente final), haveria
um sistema estimulando a competição entre empresas do
setor privado. A regulação desse serviço, com
a definição da política de preços, ficaria
com a estatal dona da rede pública, que deve ser a Telebrás,
empresa hoje praticamente desativada.
O presidente Lula deseja vender a universalização do
acesso à internet e o barateamento da banda larga como uma das
obras de seu governo, que em 2010 tentará eleger a ministra
Dilma Rousseff (Casa Civil) como sua sucessora.
Meio-termo
A ideia do modelo híbrido foi desenhada por dois assessores
próximos ao presidente e a Dilma: André Barbosa e Cezar
Alvarez. Seria um meio-termo entre a solução de mercado
apoiada pelo Ministério das Comunicações e a intervenção
estatal direta (rede e operação), por meio do fortalecimento
da Telebrás, defendida pelo Ministério do Planejamento.
O consórcio que faria a operação da rede seria
escolhido por licitação e não poderia ser composto
apenas por empresas de telefonia. Pelas regras da Casa Civil, teria
de incluir entre seus sócios, por exemplo, provedores de acesso à internet
ou empresas públicas.
O consórcio não teria, também, poder para definir
a política de preços na ponta (venda dos serviços
de acesso à internet). A estatal assumiria esse papel de regulador
do sistema. Ainda segundo a proposta do Planalto, a estatal não
seria um provedor de acesso à banda larga para a população
-iria apenas fazer a gestão das redes de infraestrutura ou ampliá-las.
Duas outras propostas deverão ser entregues ao presidente. Uma
elaborada no Ministério do Planejamento, mais estatizante do
que a da Casa Civil. A diferença é que a operação
da rede de fibras óticas também ficaria com a Telebrás
-e não com a iniciativa privada.
A outra está sendo formulada pelas teles, com apoio do Ministério
das Comunicações, e prevê incentivos fiscais para
que as atuais fornecedoras do serviço (empresas de telefonia
fixa, móvel e TV por assinatura) estendam a banda larga a mercados
não atraentes do ponto de vista econômico.
Etapas
Dentro do planejamento dos técnicos do governo, a implantação
do Plano Nacional de Banda Larga ocorreria em três etapas. Até 2012,
a rede pública estaria funcionando em todo o país, menos
na região Norte.
Na primeira etapa, seria colocada em operação toda a
rede de cabos disponível no Brasil, excetuada a da Eletronet
-infraestrutura pública que liga quase todo o país, com
cerca de 21 mil km de redes de fibra ótica, mas que está sub
judice, devido a um processo de falência.
Na segunda etapa, seria integrada a rede da Eletronet ao plano. O governo
espera que a Advocacia-Geral da União consiga retirar as fibras
do processo de falência da empresa. Para a equipe de Dilma, será um "desinvestimento" as
operadoras construírem um novo "backbone" (núcleo
de uma rede de telecomunicações) onde já existem
sistemas de estatais. A terceira fase, a ser implantada até 2014,
conectaria a região Norte à rede pública.
O governo quer usar, também, a tecnologia da transmissão
digital de TV, podendo subsidiar provedores que usarem esse meio para
dar acesso a serviços públicos.
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Folha de S.Paulo, 21 de
novembro de 2009
Bancos vão ganhar com
inclusão social no Brasil
Presidente do Bradesco diz
que país vai repetir trajetória dos EUA no
ganho de renda
PASSADO um ano da quebra do Lehman Brothers,
o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, afirma
que a crise pareceu mais feia do que se comprovou. Admite
que os bancos privados foram conservadores na concessão
de crédito, perderam espaço para as instituições
públicas, mas afirma que isso não poderia
ter sido muito diferente porque as empresas e os consumidores
também ficaram receosos de tomar empréstimo. "O
crédito é calibrado pela demanda. E a demanda
também caiu". Agora, diz ele, chegou a hora
de recuperar o terreno perdido. "Vamos voltar a crescer
como antes da crise", disse.
TONI SCIARRETTA
DA REPORTAGEM LOCAL
Na agência localizada na favela Heliópolis
(zona sul de SP), Trabuco Cappi disse à Folha que
o Brasil passará na próxima década
por uma inclusão social semelhante à vivida
há um século pelos EUA, que possibilitou
a emergência do maior mercado consumidor do planeta.
Na visão do Bradesco, esse é o mercado que
os bancos disputarão nos próximos anos.
Segundo maior banco privado do país, o Bradesco disputa o atendimento à baixa
renda com o Banco do Brasil e a Caixa. No varejo tradicional, a concorrência é com
o Itaú Unibanco e o Santander/Real. Para ele, são esses
os bancos que estarão no jogo daqui a dez anos ou mais.
" A consolidação bancária acabou. Daqui para a frente,
a disputa será em segmentos."
FOLHA - A crise foi pintada mais feia do que
se comprovou?
LUIZ CARLOS TRABUCO CAPPI - Exatamente.
Parece que as crises agora são mais intensas,
mas passam com mais rapidez do que em outras épocas.
O Estado e os mecanismos de controle conseguem realmente
corrigir [os problemas]. Aquele temor de que o dólar
avançasse acima de R$ 2,50 não se confirmou.
FOLHA - Mas no crédito o Bradesco poderia
ter aberto mais a torneira?
TRABUCO - O crédito é um
produto de demanda. Você calibra a oferta de crédito
dependendo da procura. E, quando há desaceleração,
a empresa precisa de menos capital de giro porque está com
capacidade ociosa ou muito estoque. Nos momentos de instabilidade,
você tem ajustes e alguns tropeços. Mas
as políticas anticíclicas [de estímulo]
são adequadas quando são feitas pelos governos.
Ao sistema privado cabe continuar com o crédito
aberto, mas dependendo da demanda; nunca com oferta imensurável.
FOLHA - Caixa e BB falam que, enquanto Bradesco,
Itaú e Santander fecharam as torneiras, eles ganharam
mercado. É verdade? O que vocês farão
para recuperar terreno?
TRABUCO - Os dois bancos ganharam uma
fatia de mercado em determinados nichos e em determinados
setores. Mas o nosso crescimento do crédito antes
da crise foi maior. A gente não pode ver essa realidade
em cima de uma única fotografia, mas de várias
que vão compondo o filme da evolução
do crédito. Agora é hora de retomar esse
mercado. Neste momento, a gente sente um aumento da demanda
de crédito bastante saudável. As empresas
querem aumentar a sua capacidade produtiva. Por isso, a
nossa estimativa é que o crédito cresça
acima de 20% [em 2010].
FOLHA - Por que só agora o banco abriu
uma agência na maior favela de SP? Pobre é bom
pagador?
TRABUCO - Quando os pobres se transformam
em consumidores, você passa a ter uma revolução
silenciosa. O pobre sem consumo estrangula a expectativa
de vida, a esperança, o desejo de progresso. O Brasil
não é um país pobre, é desigual.
E essa pobreza que vira consumidora, graças à mobilidade
social, é o que faz com que os shopping centers
de classe mais elevada estejam repletos de consumidores
ao mesmo tempo que uma José Paulino e uma 25 de
Março [ruas de comércio popular] estão
pulsando no comércio de baixa renda.
FOLHA - Qual é esse potencial?
TRABUCO - Nos próximos anos,
vamos provar ao mundo essa capacidade de inclusão
social.
O Brasil vai ficar marcado na história pela repetição
daquilo que foi, no início do século passado, a [emergência
da] sociedade de consumo americana.
Se nós olharmos para eles no início do século
passado e para o Brasil de hoje, nós vemos um Brasil que está batendo
em 194 milhões de habitantes, que vai continuar crescendo. Essa
população vai se estabilizar em 250 milhões de
habitantes, quando a renda per capita estará por volta de US$
14 mil, nível de países europeus.
FOLHA - O sr. está dizendo que estamos
atrasados um século?
TRABUCO - Eu diria que estamos atrasados
uns 30 anos para chegar a uma sociedade emergente de
consumo, que zerou o seu deficit habitacional, que é estimado
hoje entre 8 milhões e 11 milhões de famílias
que não possuem endereço. Olhando para
a frente, a progressão que o crédito imobiliário
pode ter é formidável. Ele penetra hoje
3,5% do PIB. Nossa estimativa é que esteja ao
redor de 11% do PIB em 2014. Ainda é muito pouco,
mas vamos triplicar.
No caso de automóveis, estão faltando no Brasil 8 milhões
de veículos para nós chegarmos à mesma proporção
argentina. Se nós tivermos a mesma proporção dos
EUA, daqui a 50 anos, será um automóvel por habitante.
A gente está vivenciando a redução da desigualdade
entre as classes no país.
FOLHA - Existia um temor de lidar com a baixa
renda?
TRABUCO - A experiência com o
pequeno e médio cliente mostra que ele tem uma
propriedade que é só dele: o nome. E ele
tem preservado isso. Quando não consegue honrar
os seus pagamentos, é o primeiro que aparece para
quitar as dívidas que ficaram para trás.
FOLHA - Mas a Caixa e o BB estão mais adiantados
nesse mercado. Qual o diferencial do Bradesco?
TRABUCO - A nossa força é estar
em todos os segmentos. A Caixa e o BB fazem um trabalho
importante de inclusão bancária e de concessão
de crédito. São bancos modernos, que receberam
um choque de informática. Mas as modernizações
tecnológicas vão se transformando em commodity.
Nós sempre estamos preocupados em criar coisas
novas no Bradesco. Criamos 10 mil máquinas de
biometria [identificação por digital],
estamos objetivando lá na frente a substituição
de senhas ou até do cartão.
FOLHA - A consolidação bancária
acabou? Daqui a dez anos, veremos os mesmos competidores?
TRABUCO - O mercado bancário
está consolidado. Entre os bancos de presença
nacional, você teve convergência para dois
estatais, dois privados e dois estrangeiros -são
todos extremamente competitivos. Tem outros que vão
atuar regionalmente e vamos ter bancos de nicho. Você tem
uma grande competição, mas não uniforme.
Vai se dar em segmentos e certos setores. Bancos de cobertura
nacional são esses. Com a competição,
ganham o mercado e o consumidor.
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Conjur, 21 de novembro
de 2009
Atualização monetária
TR é aplicável na correção
de débitos do FGTS
Em mais um processo julgado pela Lei dos Recursos Repetitivos, a 1ª Seção
do Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento de que
a TR é o índice aplicável para a correção
monetária de débitos do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo
de Serviço), decorrentes dos valores recolhidos pelos fundistas
e não repassados ao Fundo. O entendimento será aplicado
em todos os casos semelhantes.
Com base no voto do relator, ministro Luiz Fux, a Seção
entendeu que conforme previsto no artigo 13 da Lei 9.065/95,
a taxa Selic incide apenas sobre tributos federais. E que
não se aplica às contribuições
do FGTS, que não têm natureza tributária.
Para o ministro, os débitos perante o FGTS possuem
disciplina própria de atualização monetária
e de cobrança de juros moratórios, prevista
na Lei 8.036/90, prescrevendo o mencionado diploma legal
que sobre tais valores deve incidir a TR e juros de mora à razão
de 0,5% ao mês.
No caso em questão, a Caixa Econômica Federal
recorreu ao STJ contra decisão do Tribunal Regional
Federal da 1ª Região, que excluiu a TR como fator
de correção monetária do débito
fiscal referente ao FGTS, em acórdão assim
ementado: ”consoante entendimento jurisprudencial já consagrado
no âmbito de nossos Tribunais, afigura-se ilegítima
a aplicação da TR/TRD, como fator de correção
monetária do débito fiscal”. Com informações
da Assessoria de Imprensa do STJ.
Resp 1.032.606
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