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Agência Diap, 22 de novembro de 2009
Redução da jornada
de trabalho fica fora da pauta de votações
deste ano
" As centrais sindicais estão combinando que a partir do dia 15 de
janeiro vai acontecer uma série de paralisações, greves
e manifestações. Os trabalhadores só voltam quando reduzirem
a jornada. Vamos iniciar o ano com o pé no acelerador", enfatiza
Paulinho
A primeira reunião de parlamentares que representam
o empresariado e os trabalhadores, promovida para discutir
a proposta de emenda à Constituição
destinada a reduzir a jornada semanal de trabalho terminou,
na quinta-feira (19), com duas decisões:
1) a proposta não será votada neste
ano pelo plenário da Câmara;
2) a negociação vai continuar.
"O tamanho das divergências será resolvido
durante a negociação. O mais importante é que
a gente iniciou as negociações", afirmou
o deputado e ex-sindicalista Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho
(PT/SP), autor da proposta.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria
(CNI), deputado Armando Monteiro Neto (PTB/PE), se mostrou
disposto a negociar uma saída para a votação.
"Há uma distância muito grande até o
entendimento, mas vamos continuar discutindo".
Por enquanto, os empresários seguem sustentando o
argumento de que a redução da jornada causará demissões
e aumentará o custo da hora trabalhada e os preços
dos produtos.
"Se fosse possível criar emprego através
de iniciativas legislativas, não haveria desemprego
no mundo, porque qualquer parlamento teria interesse de garantir
o pleno emprego por lei. O que gera emprego é investimento,
educação", alegou o presidente da CNI.
As centrais sindicais continuam afirmando que a redução
da jornada, de 44 para 40 horas semanais, aumentará a
oferta de emprego e tornará mais eficientes os trabalhadores.
"A redução da jornada de trabalho aumenta
em menos de 2% os custos das empresas. Como a produtividade
delas triplicou de 1988 para cá, ganharam muito dinheiro
e podem arcar com a redução da jornada sem
redução de salário, que vai gerar cerca
de dois milhões de novos empregos", argumentou
o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira
da Silva.
Paulinho reafirmou, ao fim da reunião, que os sindicalistas
aumentarão a pressão sobre os parlamentares
e os empresários, a partir de janeiro.
"As centrais sindicais estão combinando que
a partir do dia 15 de janeiro vai acontecer uma série
de paralisações, greves e manifestações.
Os trabalhadores só voltam quando reduzirem a jornada.
Vamos iniciar o ano com o pé no acelerador".
A próxima reunião de negociação
está prevista para o início de dezembro.
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Blog O Outro Lado da Notícia,
22 de novembro de 2009
Deputados creem que fim do
fator não provocará rombo na Previdência
" (...) o melhor Governo que este País já teve" tem de
acabar com o fator. (...) afirmou o deputado Flávio Dino (PCdoB/MA). E
disse que a aprovação do projeto, assim como o aumento dos aposentados
não é orçamentariamente significativo, enfatizou o parlamentar
comunista
Durante a votação do fim do fator previdenciário
(PL 3.299/08) na Comissão de Constituição
e Justiça e de Cidadania, a maior parte das intervenções
em defesa do fim desse dispositivo questionou os argumentos
de que, juntamente com o aumento das aposentadorias para
quem ganha acima do mínimo, isso poderia comprometer
as contas da Previdência.
O deputado Flávio Dino (PCdoB/MA) disse que "o
melhor Governo que este País já teve" tem
de acabar com o fator. Ele afirmou que a aprovação,
assim como o aumento dos aposentados não é orçamentariamente
significativo.
Ele explicou que o fator só atinge 6% dos benefícios
porque só é aplicado sobre a aposentadoria
por tempo de contribuição.
Dino afirmou que o fim do fator significaria R$ 5 bilhões
a mais. Segundo ele, este ano o Congresso votou R$ 23 bilhões
para o setor empresarial. "O Governo está se
engasgando com R$ 5 bilhões, e isso tem de ser resolvido",
disse.
O deputado afirmou que o mesmo vale para o aumento dos aposentados.
De acordo com o parlamentar, a diferença entre o que
se pretende e o que o Governo quer manter é de apenas
2.8 pontos percentuais.
O deputado Ivan Valente (PSol/SP) ressaltou que um senador
do PT apresentou o projeto de fim do fator previdenciário
e o Governo e o PT têm a obrigação de
apoiá-lo porque a sociedade não pode mais aceitar
a situação de injustiça com os aposentados.
O deputado Efraim Filho (DEM/PB) afirmou que há clamor
da sociedade pelo fim do fator previdenciário.
O deputado Fernando Coruja (PPS/SC) observou que a Constituição
Federal destinou recursos para a Previdência e Seguridade,
que foram sendo desviados ao longo dos anos e, por isso,
hoje se diz que ela não pode arcar com compromissos
que também são constitucionais.
"Há uma fúria dos Governos do mundo inteiro
contra os aposentados porque há uma idéia hegemônica
de que eles representam prejuízo para o País",
disse. "Basta devolver à Previdência os
recursos que foram retirados dela", continuou.
Para o deputado Vieira da Cunha (PDT/RS), ao dizer que a
Previdência está ameaçada com as reivindicações
dos aposentados, o ministro da Fazenda, Guido Mantega esquece
as perdas com a corrupção e os desvios das
verbas da Previdência.
O deputado Alexandre Silveira (PPS/MG) disse que os aposentados
não podem pagar a conta do crescimento. Para o deputado
Regis de Oliveira (PSC/SP), o fator previdenciário é uma
injustiça social.
O deputado Gerson Peres (PP/PA) disse que os Governos cometeram
três crueldades contra os aposentados: o fim da paridade
com os trabalhadores da ativa, o fator previdenciário
e a contribuição após a aposentadoria.
Ele afirmou que a Casa pode dar uma resposta ao Poder Executivo
pelo que foi praticado com os aposentados.
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Agência Brasil, 22
de novembro de 2009
Brasileiro lê um livro
por ano, revela pesquisa Retratos da Leitura no Brasil
Levantamento do Instituto Pró-Livro
confirma que o brasileiro lê pouco.
São 77 milhões de não leitores, dos
quais 21 milhões são analfabetos. Já os
leitores, que somam 95 milhões, leem, em média,
1,3 livro por ano. Incluídas as obras didáticas
e pedagógicas, o número sobe para 4,7 - ainda
assim baixo.
Os dados estão na pesquisa Retratos da Leitura
no Brasil, feita com 5.012 pessoas em 311 municípios
de todos os estados em 2007.
"O livro é pouco presente no imaginário
do brasileiro", explica o diretor do Livro, Leitura
e Literatura do Ministério da Cultura, Fabiano dos
Santos.
Nos Estados Unidos, por exemplo, a população
lê, em média, 11 livros por ano. Já os
franceses leem sete livros por ano, enquanto na Colômbia,
a média é de 2,4 livros por ano.
Os dados, de 2005, são da Câmara Brasileira
do Livro (CBL) e do Sindicato Nacional dos Editores de
Livros (Snel), que integram o Instituto Pró-Livro.
Detalhes dos hábitos do brasileiro relacionados
ao livro, revelados na pesquisa, atestam esta afirmação.
O levantamento considera como não leitores aqueles
que declararam não ter lido nenhum livro nos últimos
três meses, ainda que tenha lido ocasionalmente ou
em outros meses do ano.
Entre os leitores, 41% disseram que gostam muito de ler
no tempo livre, enquanto 13% admitiram que não gostam.
Também entre os 95 milhões de leitores brasileiros,
75% disseram que sentem prazer ao ler um livro, mas 22%
sustentaram que leem apenas por obrigação.
Com as estatísticas nas mãos, Fabiano dos
Santos diz que há dois caminhos a percorrer para
fazer do Brasil um país de leitores: ampliar o acesso
ao livro e investir na formação de leitores.
A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil sugere que a
maior influência para a formação do
hábito da leitura vem dos pais, o que explica o
fato de que 63% dos não leitores informaram nunca
terem visto os pais lendo.
Por outro lado, o levantamento sugere que o hábito
de ler é consolidado na escola e quanto maior o
nível de escolaridade, maior o tempo dedicado à leitura.
Entre os entrevistados com ensino superior, há apenas
2% de não leitores e 20% disseram que dedicam entre
quatro e dez horas por semana aos livros. Este índice
cai para 12% entre estudantes do ensino médio.
"É em casa e na escola, que os leitores são
formados. Depois dos pais, os professores são os
maiores incentivadores, mas poucos têm a experiência
da leitura. E, neste caso, fazer do aluno um leitor é uma
mágica", diz o diretor do Livro do Ministério
da Cultura.
O professor de Literatura Dilvanio Albuquerque considera
que o desinteresse do brasileiro pelos livros não
pode ser atribuído apenas à família
e à escola. "O problema é mais amplo.
Não podemos falar que a culpa é da instituição,
seja ela familiar ou escolar, porque, na verdade, o problema é cultural".
Para o professor, até entre os universitários,
o hábito da leitura não é comum, inclusive
nos cursos em que o contato com a escrita é fundamental.
"Normalmente a universidade não oferece um
bom acervo. Moramos em um país em que os livros
são caros e de difícil acesso", disse.
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Agência Brasil, 22
de novembro de 2009
Negros têm o que comemorar,
apesar da desigualdade, diz ministro
O ministro Edson Santos, da Secretaria Especial de Políticas de
Promoção da Igualdade Racial (Seppir), disse ontem (20),
em cadeia nacional de rádio, que a população negra
continua em situação de desigualdade, quando comparada
ao resto da sociedade brasileira, ocupando os postos de trabalho de menor
qualificação e sendo a maior vítima da violência
no campo e na cidade.
Em seguida, já em tom mais otimista, o ministro afirmou que há o
que comemorar neste Dia da Consciência Negra e destacou alguns
aspectos que considera como importantes conquistas, como a assinatura
de 30 novos títulos de propriedade para comunidades quilombolas;
os avanços na tramitação do Estatuto da Igualdade
Racial no Congresso; e a instituição de políticas
de cotas raciais em mais de 60 universidades públicas.
O ministro também destacou a “melhoria do acesso
da população negra à educação”,
atribuindo essa melhora ao Programa Universidade para Todos
(ProUni). Segundo ele, o ProUni destinou metade de suas quase
600 mil bolsas de estudo em universidades particulares para
os alunos negros.
“Outra conquista é a gradual implantação
da lei que torna obrigatório o ensino de história
e cultura da África e dos negros brasileiros em todas
as escolas do país. Uma medida para combater o racismo
em suas raízes, elevar a autoestima da população
negra,e fazer com que todos e todas, de qualquer raça
ou origem, tenham orgulho da sua identidade”, afirmou
o ministro.
Ao falar sobre o período escravagista, o ministro
enfatizou que a celebração da morte do líder
escravo Zumbi dos Palmares (morto e exposto em praça
pública em novembro de 1695) serve para despertar
a consciência sobre a necessidade de os brasileiros
lutarem contra as desigualdades e superarem a discriminação
racial.
“Com cada um fazendo sua parte, é possível
enxergar no futuro um país livre da discriminação
racial, em que as oportunidades sejam iguais para qualquer
brasileiro. Afinal, um país sem desigualdades, é um
país melhor para todos”, disse o ministro.
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Agência Brasil, 22
de novembro de 2009
Ministério das Cidades
libera R$ 1 bilhão para moradias populares
Até a próxima quinta-feira (26), as instituições
financeiras ou os agentes do Sistema Financeiro da Habitação
(SFH) poderão pegar até R$ 1 bilhão para financiarem
a construção de moradias em municípios com até 50
mil habitantes. Os recursos foram liberados pelo Ministério das
Cidades, por meio do programa Minha Casa, Minha Vida.
Portaria conjunta dos Ministérios das Cidades e da Fazenda com
a oferta pública saiu no último dia 19 no Diário
Oficial da União. Os recursos vão beneficiar os municípios
que manifestaram interesse em participar da modalidade, em que instituições
financeiras operam com linhas oficiais de crédito para financiar
a construção das unidades em pequenos municípios.
O prazo para as prefeituras se inscreverem nessa modalidade
de financiamento terminou em outubro. A Região Nordeste
foi a mais beneficiada, com R$ 540,3 milhões. Em seguida,
vêm o Norte (R$ 161,7 milhões), Sudeste (R$
161,1 milhões), Sul (R$ 76,2 milhões) e o Centro-Oeste
(R$ 60,5 milhões).
As instituições interessadas em operar os
recursos do Minha Casa, Minha Vida devem entregar até o
dia 26 ao Ministério das Cidades o formulário
com as informações sobre o corpo técnico
e o estatuto social. Podem participar tanto as instituições
financeiras como os agentes do SFH e cooperativas de crédito.
Após a apresentação dos documentos,
as instituições serão avaliadas pela
Secretaria Nacional de Habitação do Ministério
das Cidades e pelo Banco Central. A lista das instituições
autorizadas a operar os empréstimos do Minha Casa,
Minha Vida será divulgada em 14 de dezembro.
O resultado da oferta pública sairá em 21
de dezembro, quando o ministério apresentará as
propostas aceitas. As instituições poderão
contratar as linhas de crédito até 31 de março
de 2010. Somente então, o dinheiro começará a
ser emprestado.
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Gazeta do Povo, 22 de novembro
de 2009
Terceirizações
Prefeituras pagam taxa de até 22%
para ONGs executarem projetos
Além do dinheiro da prestação
dos serviços em si, municípios repassam a entidades
altos valores para cobrir os custos operacionais dos programas
A delegação de funções típicas
de Estado a entidades do terceiro setor – as organizações
não governamentais (ONGs) – está se
tornando mais comum no poder público paranaense.
De 2007 para 2008, os repasses de prefeituras do Paraná e
do governo estadual para entidades do terceiro setor saltaram
de R$ 655 milhões para R$ 850 milhões – um
aumento de 23%. Mas esse “negócio” cada
vez mais atrativo para as duas partes pode embutir prejuízos
ao interesse coletivo. Em várias parcerias de prefeituras
do estado com ONGs, o poder público tem pago altas
taxas de administração às entidades
pela prestação do serviço público.
Parceria entre a prefeitura de Itaipulândia (Oeste
do estado) e a ONG Adesobras, por exemplo, chegou a ter
uma taxa de administração, fixada em contrato,
de 22,31% sobre o valor dos pagamentos feitos pelo município
para a prestação de serviços nas áreas
de saúde, educação, cultura, esporte,
turismo, desenvolvimento econômico, entre outros.
A justificativa era de que a taxa serve para cobrir os
custos operacionais na execução de projetos.
O convênio, firmado em 2005, começou a ser
executado em 2008. Como o valor total repassado à Adesobras
em 2008 pela prefeitura foi de R$ 7,6 milhões para
a prestação dos serviços, a ONG recebeu
R$ 1,39 milhão apenas para cobrir custos operacionais.
O presidente da Adesobras, Robert Fernezlian afirma que
a taxa não é irregular (embora o Tribunal
de Contas diga o contrário – veja reportagem
abaixo). Segundo ele, a taxa é usada para cobrir
custos que a entidade tem com remuneração
de diretores que atuam nos projetos, pagamento de fornecedores,
gastos com treinamento e qualificação, viagens,
aluguéis, além despesas com estrutura contábil,
jurídica e de recursos humanos.
Para Fernezlian, o porcentual pago pela prefeitura de
Itaipulândia em 2008 não foi alto. “Era
normal. Isso porque a taxa operacional depende do custo
dos projetos”, afirma ele. O presidente da ONG ainda
diz que as atividades da entidade são fiscalizadas
pelo Tribunal de Contas, pelo Ministério da Justiça
e pelos municípios parceiros, não havendo
irregularidades na condução dos projetos.
Porém, com a mudança de prefeito em Itaipulândia,
no início deste ano, a taxa operacional foi reduzida,
após negociação entre o município
e a ONG. O secretário de Finanças de Itaipulândia,
Gilmar Ribeiro, afirma que negociou a redução
da taxa em meados deste ano porque considerou que estava
pagando valores muito altos. “Notificamos a entidade
que, se não conseguíssemos diminuir a taxa,
iríamos rescindir o contrato. No meio do ano, conseguimos
reduzi-la para 11%”, afirma ele. Na avaliação
do procurador do município de Itaipulândia,
Rafael Ghelere, a nova taxa de administração
trouxe o custo operacional para um patamar mais aceitável.
Com a redução da taxa de administração,
o presidente da Adesobras afirma que foi preciso otimizar
custos, limitando, por exemplo, recursos que seriam destinados à capacitação
profissional.
Santa Helena
Outra ONG que atua no Paraná e cobra taxa de administração é o
Instituto Confiancce. Segundo a diretora do instituto,
Cláudia Gali, as taxas cobradas estão entre
7% e 9%. Em 2008, o município de Santa Helena, no
Oeste do estado, por exemplo, fez repasses da ordem de
R$ 10 milhões para a entidade, que executou projetos
nas áreas de saúde, educação
e desenvolvimento social. Segundo a assessoria do Instituto
Confiancce, desse valor, R$ 240 mil foram pagos à entidade
para cobrir custos operacionais.
Cláudia Gali afirma que a taxa operacional não
gera lucros para a entidade e quaisquer valores que sobram
na execução dos projetos são devolvidos
para o município. A prefeitura de Santa Helena
não quis se pronunciar. Segundo assessoria jurídica
da entidade, o procedimento é regular e está embasado
em decisão do TC de 2008.
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Gazeta do Povo, 22 de novembro
de 2009
Terceirizações
Repasse ao 3.º setor já resultou
em condenações
Justiça entendeu que taxa de administração
paga a ONG era elevada e causou prejuízos a município
do Oeste do Paraná. Prefeito foi condenado Fale
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O pagamento de taxas de administração pelas
prefeituras paranaenses a ONGs contratadas para prestar
serviços públicos chamou a atenção
de entidades públicas de controle governamental.
O Tribunal de Contas do Paraná (TC) e o Ministério
Público (MP) vem detectando irregularidades em vários
convênios firmados entre municípios e entidades
do terceiro setor. E, na Justiça, já houve
inclusive algumas condenações devido ao pagamento
da taxa operacional.
O pagamento da taxa foi um dos motivos que levou a Justiça
a condenar, no mês passado, o ex-prefeito Cláudio
Eberhard (PDT), do município de Santa Terezinha
de Itaipu (Oeste do estado), e o Instituto Brasileiro de
Integração e Desenvolvimento Pró-Cidadão
(Ibidec). O Ibidec havia sido contratado para executar
serviços nas áreas jurídica, de saúde,
esporte, cultura, obras e meio ambiente.
No entendimento do juiz Rodrigo Luís Giacomin,
houve ilegalidade nas regras do edital de licitação
para a terceirização do serviço, além
de prejuízos aos cofres públicos em função
de pagamento de taxas de administração, que
foram consideradas abusivas. “Por evidente que o
termo de parceria estudado nos autos culminou com lesão
ao cofre público municipal e isso se deve às
elevadas taxas de administração (comissões)
que o município foi obrigado a pagar à Oscip
(organização da sociedade civil de interesse
público)”, diz o juiz na sentença,
que condenou Eberhhard e a diretora do Ibidec Lilian Lisboa,
ao ressarcimento integral do dano. Lilian foi procurada
pela reportagem, mas não quis se manifestar. Da
decisão, cabe recurso ao Tribunal de Justiça.
Já em Foz do Iguaçu, o prefeito Paulo Mac
Donald Ghisi (PDT) é réu em ação
criminal, acusado de pagamento de taxa de administração
de R$ 940 mil ao Centro Integrado e Apoio Profissicional
(Ciap), contratada para prestar serviços em creches.
Na ação, Ghisi ainda responde por terceirização
ilegal de 1.251 funcionários, entre 2005 e 2006.
O procurador-geral de Foz, Osli Machado, explica que,
quando o prefeito assumiu, havia uma sentença determinando
que fossem abertas duas mil vagas em creches. Ele disse
que, para cumprir a decisão, fez a contratação
dos terceirizados, por meio da ONG, em caráter excepcional.
Já a assessoria do Ciap informou que vai se defender
no momento oportuno, na Justiça.
Outros problemas
A taxa de administração não é o único
problema encontrado nos contrados firmados por prefeituras
com ONGs para a terceirização de serviços.
Em dezembro de 2008, o Tribunal de Contas julgou irregulares
os termos de parcerias realizados por 11 municípios
da região do Lago de Itaipu, no Oeste do Paraná,
em contratos firmados com a ONG Ibidec – que cobrava
taxa de administração em Santa
Terezinha do Itaipu.
A denúncia que levou à declaração
de irregularidades pelo TC partiu do Sindicato dos Empregados
em Empresas de Asseio e Conservação de Foz
do Iguaçu e Região (Siemaco), em virtude
do não recebimento de benefícios trabalhistas
por parte de funcionários terceirizados. Segundo
o diretor do Siemaco, Marlus Campos, outros municípios
da região mantém contratos com ONGs no setor
de limpeza pública.
No acórdão, os conselheiros do TC apresentam
uma série de argumentos condenando a prática,
um deles referente à parceria. Segundo o TC, “o
termo de parceria, bem como os demais instrumentos de natureza
cooperativa, não se presta à delegação
de serviços públicos às Oscips, organizações
sociais e ONGs, cuja atuação é sempre
complementar e não substitui a do próprio
poder público”.
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Gazeta do Povo, 22 de novembro
de 2009
Trabalho
“Pleno emprego” aparece
no radar de 2010
Especialistas apontam que país
atingirá no ano que vem a menor média de desemprego
da atual série histórica
O mercado de trabalho do Brasil mudou estruturalmente
nos últimos anos. Diversificou-se, com o setor de
serviços crescendo e ganhando sofisticação.
Tornou-se mais formal e passou a contratar mais. Neste
ano, a reação à crise com a criação
até outubro de mais de 1 milhão de vagas
formais não deixa dúvidas de que existe uma
tendência consistente de melhora nos indicadores
de emprego. Alguns analistas inclusive preveem que 2010
terá o menor índice médio de desemprego
da série histórica iniciada em 2002 pelo
IBGE.
“Dentro da série histórica, estamos
prevendo nível de desemprego em recorde de baixa
no ano que vem”, diz o economista-chefe do HSBC,
André Lóes. A estimativa para 2010 é de
uma média de 7,7%, com o índice caindo para
menos de 7% em dezembro de 2010 – a média
de 2009 até outubro, foi de 8,3%. Para Lóes,
esses números indicam uma trajetória próxima
do que se convencionou chamar de pleno emprego – uma
espécie de ponto de equilíbrio no qual há a
sensação de que existem postos de trabalho
para todos.
Entre os efeitos esperados quando se cria um mercado de
trabalho mais robusto estão a queda do índice
de desemprego e o aumento dos salários. “Com
mais empregos, podemos esperar uma elevação
da renda média. Isso representa um custo maior para
as empresas, mas tem o efeito de melhorar a qualidade de
vida das pessoas e aumentar o consumo”, destaca o
economista Ricardo Amorim, que também prevê os
menores números de desemprego da série histórica
em 2010. Segundo dados do HSBC, nos últimos quatro
anos a renda real (descontada a inflação)
no Brasil aumentou 13%.
A evolução no mercado de trabalho é resultado
de uma combinação de crescimento nos investimentos,
que geram as vagas, com políticas que embasaram
o aumento da renda e do consumo, como a correção
do salário mínimo. Em conjunto, eles criam
um ciclo virtuoso, segundo o professor de economia do trabalho
da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Luiz Alberto
Esteves. “Também não se pode ignorar
o ganho real que as maiores classes sindicais conquistaram
neste ano”, diz. “Os metalúrgicos, por
exemplo, surpreenderam. Esse movimento dá mais tranquilidade
para os outros setores pleitearem ganhos semelhantes no
próximo ano”, diz.
O professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia
do Trabalho (Cesit) José Dari Krein lembra que,
nos anos 90, prevaleceu a tese de que o governo não
podia elevar o salário mínimo porque iria
piorar os índices de inflação e informalidade. “Essa
tese enfim caiu, as evidências empíricas não
provaram os efeitos perversos previstos. Pelo contrário,
o aumento do mínimo foi essencial à recuperação
do ganho real, fortalecimento das convenções
coletivas e aumento na formalização do mercado
de trabalho”, diz.
Inflação
Apesar de o aumento geral na renda ser um indicador positivo,
ele embute um risco: inflação. Há duas
razões para o temor. O primeiro é que a renda
reforçada faça com que a demanda ultrapasse
a oferta de produtos no mercado, o que pode levar a aumentos
de preços. A segunda é que a escassez de
mão de obra qualificada acelere reajustes que aumentem
demais os custos das empresas. “Se houver sinalização
de inflação, certamente o Banco Central vai
querer esfriar a demanda com o aumento dos juros. Em casos
mais extremos, o próprio reajuste dos sindicatos
passaria a ser monitorado pelo BC”, diz Esteves.
Por enquanto, a tendência inflacionária é afastada
pelos especialistas. “É possível que
se sinta um pouco de pressão sobre os preços
por causa dos aumentos nos salários, mas não
deve ser um problema porque o dólar deve continuar
derretendo. Isso reduz os preços das importações
e permite que a demanda seja atendida sem problemas”,
diz Amorim.
O supervisor do Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos (Dieese) no Paraná,
Cid Cordeiro, também descarta uma aceleração
da inflação. “Não acredito em
reajustes de preços por causa da tendência
de câmbio desvalorizado, o que permite a continuidade
da entrada de produtos estrangeiros. Isso repercute na
manutenção da inflação dentro
da meta”, diz. Além disso, a pressão
criada por aumentos de salários deve ser absorvida
por investimentos na expansão da capacidade produtiva
e pelo ganho de produtividade da economia. “Vai haver
tempo suficiente para que os investimentos amadureçam
e sustentem a nova demanda em médio e longo prazo”,
avalia Cordeiro.
Lóes, do HSBC, ressalta que a confiança
empresarial vem aumentando fortemente e, em agosto, ficou
próxima dos níveis pré-crise, superior à média
histórica medida pela Fundação Getulio
Vargas. Isso reforça a tese de que haverá investimentos
para responder à demanda.
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Folha de S.Paulo, 22 de
novembro de 2009
Debandada de peritos ameaça
travar INSS
Insatisfeitos com condições
de trabalho, profissionais se aposentam ou pedem licença
médica, e filas ressurgem na Previdência
Médicos já deram início
a movimento de resistência, com consultas mais longas
e jornadas menores, afetando o atendimento nos postos
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Peças-chave na redução de despesas
da Previdência com o pagamento de benefícios,
médicos peritos do INSS (Instituto Nacional do Seguro
Social) iniciaram um processo de revoada do órgão.
Insatisfeita com as atuais condições de trabalho
-falta de infraestrutura e de segurança, além
de carga excessiva de atividades-, a categoria multiplicou
nos últimos meses pedidos de aposentadoria, de exoneração
e de licença por motivos de saúde.
O esvaziamento do quadro deverá se aprofundar nos próximos
dois anos. De acordo com dados oficiais, cerca de 2.000 médicos
terão direito a se aposentar até 2012, o que representa
40% do total de 5.066 peritos da Previdência. O salário
inicial da categoria é de R$ 7.500, e o final, R$ 12,5 mil.
De janeiro a outubro, o INSS já contabilizou 366 aposentadorias
e exonerações de peritos. Números da ANMP (Associação
Nacional dos Médicos Peritos) mostram que, no período,
650 médicos deixaram suas funções por conta de
aposentadorias, exonerações e remoções.
No ano passado, foram 456 afastamentos.
O êxodo na carreira já começa a trazer de volta
filas nos postos da Previdência. Hoje, mais da metade dos benefícios
concedidos pelo INSS depende da perícia médica.
" O caos vai se instalar. A pergunta é: o que o governo quer da carreira
de peritos médicos?", afirmou o presidente da ANMP, Luiz Carlos Argolo.
De acordo com a associação, a situação já é crítica
em várias agências da Previdência.
Com a debandada dos peritos, há ainda o risco de elevar os gastos
do governo com auxílio-doença. Em 2005, essas despesas
saíram do controle e atingiram um pico de R$ 1,6 bilhão
por mês. O governo baixou um pacote para conter os gastos, o
que incluiu um novo modelo de perícia médica -fim dos
profissionais terceirizados e concurso para 3.000 peritos. Com as mudanças,
houve uma economia de mais de R$ 5 bilhões.
Explicações para saída
Os motivos para a saída em massa de peritos são vários.
A ANMP argumenta que os médicos peritos trabalham sem condições
de infraestrutura. A falta de segurança da categoria é outro
ponto de atrito com o governo federal.
Os estopins para o levante, porém, foram a jornada de trabalho
e a carga de atividades. Desde fevereiro, os médicos são
obrigados a cumprir jornada de 40 horas -antes eram 30 horas. Segundo
Argolo, os peritos precisam cumprir uma agenda de consultas que chega
a 24 exames por dia (uma perícia a cada 20 minutos).
Em resposta, a ANMP vem orientando os peritos a aderir ao "movimento
pela excelência do ato médico". As consultas devem
durar, no mínimo, 30 minutos, e a jornada diária não
deve exceder seis horas.
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