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Folha de S.Paulo, 24 de novembro de 2009
MEC questiona oferta de vagas no Sistema
S
Indicador criado pelo ministério sugere
que número de vagas gratuitas no Senai e no Senac é
insuficiente em mais da metade dos Estados | Entidades afirmam que
estão cumprindo acordo feito com o MEC, no ano passado, que
leva em conta repasse financeiro da receita
CLAUDIA ROLLI
FÁTIMA FERNANDES
DA REPORTAGEM LOCAL
Indicador criado pelo MEC (Ministério
da Educação) para monitorar acordo feito em 2008 com Senai
e Senac mostra disparidade regional na oferta de vagas gratuitas para
atender alunos de baixa renda no país.
Esse indicador de monitoramento estará disponível a partir
de hoje no site do Sistec (Sistema Nacional de Informações
da Educação Profissional e Tecnológica) e leva
em conta que o Senai teria de oferecer de forma gratuita percentual
de 50% das vagas existentes, e o Senac, 20%. Entidades do chamado Sistema
S, Senai e Senac são mantidos com recursos compulsórios
sobre a folha de pagamento das empresas.
Por esse critério estabelecido pelo ministério, o número
de vagas gratuitas oferecidas pelo Senai está abaixo do previsto
em 12 Estados e no DF. No caso do Senac, o desempenho é insuficiente
em 7 Estados e no DF, segundo relatório técnico do MEC
obtido pela Folha.
Se as duas entidades não concederem vagas gratuitas em todos
os Estados de maneira uniforme, o MEC pode até retomar a discussão
sobre a possibilidade de retirar das entidades do Sistema S a gestão
dos recursos com origem compulsória, segundo a Folha apurou.
Por ano, a receita compulsória total arrecadada por todo o Sistema
S -formado por entidades ligadas à indústria (Sesi e Senai),
ao comércio (Sesc e Senac), ao transporte (Sest e Senat), a micro
e pequenas empresas (Sebrae), à agricultura (Senar) e às
cooperativas (Sescoop)- gira em torno de R$ 7 bilhões. Senai
e Senac, principais instituições da área de formação
profissional, participam com 35% a 40%.
As entidades contestam o indicador criado pelo MEC e informam que os
decretos que alteraram os regimentos do Senai e do Senac no ano passado
preveem que a meta de 50% e 20%, respectivamente, diz respeito às
receitas líquidas compulsórias para criação
de vagas gratuitas, e não ao percentual de vagas. Informam ainda
que estão cumprindo o acordo pelo critério do compromisso
financeiro com as vagas gratuitas.
O MEC não consegue avaliar ainda se as duas entidades estão
ou não aplicando os recursos previstos no acordo feito em 2008.
Isso só será possível quando as duas entidades
divulgarem seus balanços de gestão, no final do ano. Mas
identificou que faltam vagas gratuitas principalmente em regiões
fora do eixo Rio-SP, como revela o indicador que criou.
O relatório técnico do MEC obtido pela Folha aponta "para
a obrigatoriedade de cumprimento de seus termos [vagas gratuitas] por
todas as unidades escolares das referidas instituições"
e constata "a existência de escolas que não possuem
matrículas gratuitas".
Ao menos 64 escolas do Senac em 16 Estados (de um total de cerca de
500) e 23 escolas do Senai em 13 Estados (de um conjunto de 454) não
têm nos registros do Sistec uma matrícula gratuita, segundo
dados do MEC atualizados até o dia 10.
Custos
Além de questionar a distribuição regional de vagas
gratuitas no país, a Folha apurou que o governo federal considera
que o custo de formação de um aluno matriculado em curso
gratuito no Senai e no Senac é elevado, se comparado ao custo
de um estudante formado em cursos técnicos de instituições
públicas e privadas.
Considerando o custo médio da hora-aula informado pelo Departamento
Nacional do Senac, de R$ 11,18, o custo de um aluno que estuda gratuitamente
num curso técnico de 800 horas-aula (carga horária de
um ano letivo) é de R$ 8.944 -custo próximo ao de um estudante
de universidade federal.
No Senai, o custo médio da hora-aula informado é de R$
8,77. Nesse caso, o custo de um aluno (curso de 800 horas-aula) é
de R$ 7.016 ao ano.
Nas Etecs (escolas técnicas gratuitas de nível médio
do governo estadual paulista), o custo de um aluno em um curso técnico
com a mesma carga horária (800 horas aula/ano) é de R$
3.000. Nas Fatecs (Faculdades de Tecnologia), também ligadas
ao governo de São Paulo, o custo anual de um aluno com a mesma
carga horária (800 horas-aula ano) é de R$ 4.500.
Nas escolas técnicas da rede federal, o custo de um aluno é
de R$ 5.000 ao ano.
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Folha de S.Paulo, 24 de
novembro de 2009
Outro lado
Acordo sobre gratuidade está sendo
cumprido, afirmam Senai e Senac
DA REPORTAGEM LOCAL
Os Departamentos Nacionais do
Senai e do Senac informam que o acordo feito com o MEC para aumentar
o número de vagas gratuitas em cursos profissionalizantes está
sendo cumprido e que desconhecem o indicador de monitoramento criado
pelos técnicos do ministério para avaliar o compromisso
firmado no ano passado.
Com o acordo, o governo desistiu de enviar ao Congresso proposta que
direcionava 40% da arrecadação das entidades do Sistema
S a um fundo destinado à manutenção de vagas profissionalizantes
gratuitas.
De janeiro a outubro deste ano, o Senac afirma ter destinado R$ 174,62
milhões -o que equivale a 20% de sua receita compulsória-
para atender alunos em cursos gratuitos, como prevê o decreto
nº 6.633, de novembro de 2008. Nele, está previsto que o
Senac tem de destinar 20% da receita líquida compulsória
neste ano. Esse percentual deve chegar a 66,67% até o ano de
2014.
"Desconhecemos o indicador estabelecido pelo MEC (...) O acordo
feito com o governo estabelece a aplicação de 20%, em
2009, do total da receita compulsória líquida em vagas
gratuitas, ou seja, o número de matrículas é uma
consequência do compromisso financeiro", informa. O Senac
ressalta ainda que, pelo critério estabelecido no acordo, a única
regional que está abaixo da meta é a de Alagoas. Segundo
a entidade, o Senac regional de Alagoas teve "problemas de gestão,
inclusive com a troca de diretor regional" e que "correções
estão sendo feitas" para que a meta de gratuidade seja cumprida.
Em relação às 64 escolas com nenhuma vaga gratuita,
o Senac considera que representam menos de 13% das cerca de 500 unidades
que possui.
O Departamento Nacional do Senai informa ter destinado, de janeiro a
agosto, R$ 449,4 milhões para atender o acordo com o MEC -o que
equivale a 48% de sua receita líquida de contribuição
compulsória- para 192.052 matrículas gratuitas. No ano,
a estimativa é destinar R$ 754 milhões para gratuidade
e chegar a 50% da receita líquida da contribuição,
como prevê o decreto nº 6.635.
"Asseguramos que a meta nacional estabelecida no regimento será
cumprida, e ainda é prematuro concluir sobre o não cumprimento
antes do encerramento do exercício de 2009."
O Senai também não reconhece o indicador de monitoramento
do acordo -que informa que o compromisso de gratuidade é insuficiente
em 12 Estados e no DF. "Não reconhecemos essa metodologia
para monitoramento do acordo. [O acordo] feito com o governo estabelece
a aplicação de 50%, em 2009, do total da receita líquida
da contribuição geral para vagas gratuitas. Ou seja, o
compromisso é financeiro."
Sobre o cumprimento regional do acordo, o Senai diz: "Cada Estado
estabelece estratégias e prioridades de atendimento, alinhadas
às demandas das indústrias locais. Considerando as realidades
econômicas dos Estados, a atuação do Senai também
se dá de forma diferenciada, sempre ajustada à realidade
local." (CR e FF)
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O ESTADO DO PARANÁ,
24 de novembro de 2009 | Economia
No fim de ano, 13º salário
será usado para pagar dívidas
Agência Estado
A primeira parcela do décimo terceiro salário deve aterrissar
na conta dos brasileiros no dia 30 de novembro. Além das compras
de Natal, o recebimento desse dinheiro extra é uma boa oportunidade
para quitar dívidas e fazer uma reserva para as despesas de início
de ano, como tributos e matrículas escolares. Mas há boas
opções para os que querem investir.
O pagamento do décimo
terceiro salário deve injetar R$ 84,6 bilhões na economia
brasileira este ano, segundo cálculos do Departamento Intersindical
de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o equivalente
a 2,8% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e superior aos R$ 78
milhões do ano passado. Mas a predisposição para
poupar é pequena: apenas 1% dos brasileiros devem usar esses
recursos para investir, segundo estudo da Associação Nacional
dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade
(Anefac). A maioria (64%) pretende pagar dívidas com o 13º
salário.
"O dinheiro extra
deve ser utilizado para pagar dívidas, em primeiro lugar",
defende Alcides Leite, professor de economia e finanças da Trevisan
Escola de Negócios. "Em segundo, deve ser colocado na poupança
uma reserva para o pagamento das despesas que chegam em janeiro e fevereiro,
como tributos e matrículas escolares. O que sobrar pode ser investido
na própria poupança, que continua rendendo mais do que
alguns fundos de investimentos, ou no Tesouro Direto, que aceita aplicações
a partir de R$ 100." As informações são do
jornal O Estado de S. Paulo.
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O
ESTADO DO PARANÁ, 24 de novembro de 2009 | Economia
Para BNDES, desafio é crescer com
sustentabilidade
Agência Estado
O diretor de planejamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES), João Carlos Ferraz, espera um crescimento da
economia brasileira de 4% a 5% nos próximos quatro a cinco anos,
mas avalia que "o grande desafio do País é transformar
crescimento em desenvolvimento sustentável".
Em palestra durante evento na Universidade
Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ferraz listou alguns avanços
já ocorridos no Brasil e que, segundo ele, vão ajudar o
País a "ocupar espaço no mundo novo" que se configura
após o fim das turbulências mais fortes que marcaram o mundo
no auge da crise financeira.
São eles, segundo ele, o baixo nível
de endividamento das empresas, maior inclusão econômica
no mercado interno e estabilidade política e institucional. Mas
alerta que, "em termos de competência, o Brasil tem ilhas,
mas não arquipélagos, a educação é
pobre e a infraestrutura é absolutamente insuficiente".
Para Ferraz, ainda que
o Brasil já garanta mais previsibilidade para os investidores,
com continuidade da evolução da política econômica
e social, a capacidade de investimento do Estado "ainda é
insuficiente para os nossos desafios".
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Folha de S.Paulo, 24 de
novembro de 2009
Centrais querem 7,72% para aposentados
Índice de reajuste corresponde à
inflação de 3,64% mais 80% do aumento do PIB de 2008;
proposta será levada ao governo | Planalto havia proposto inflação
mais 50% do PIB, o que daria 6,19%; Cobap diz que sai da negociação
se governo não aceitar os 7,7%
DO "AGORA"
As centrais sindicais, incluindo
a Cobap (Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas),
chegaram ontem a uma proposta única de reajuste para os aposentados
que ganham mais que o salário mínimo. O índice
é de 7,72% para 2010, igual à inflação acumulada
deste ano, prevista em 3,64%, mais 80% do crescimento do PIB de 2008.
O índice é menor do que os 9% que serão aplicados
ao salário mínimo. Os aposentados e parte das centrais
queriam um aumento igual a esse.
As centrais também exigem o fim do fator previdenciário,
inclusive o fim do fator 85/95, que já havia sido aprovado pela
CUT e pela Força Sindical em um acordo feito em agosto.
"O aumento [7,72%] é o máximo que podemos ceder.
Se o governo não aceitar, sairemos da negociação",
diz o presidente da Cobap, Warley Gonçalles.
"Não é a proposta ideal, mas é um índice
factível de ser aprovado. Como todas as centrais estão
apoiando essa proposta, acredito que o governo vai aceitar", disse
Wagner Gomes, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras
do Brasil).
Lula já disse que, se as centrais concordarem com índice
que caiba nas contas, poderá dar um reajuste maior. O governo
havia proposto aumento real de 50% do crescimento do PIB, o que daria
6,19%.
"Foi um recuo em relação à proposta inicial
de reajuste, mas estamos avançando muito em outros pontos. A
extinção do fator previdenciário é fundamental",
disse Ricardo Patah, presidente da UGT.
As centrais também definiram que o cálculo do benefício
deve ser feito pela média longa, que leva em conta as 80% maiores
contribuições pagas pelo segurado desde julho de 1994.
"Não é justo aplicar a média curta, que usa
as últimas 36 contribuições, como prevê o
projeto que está no Congresso", disse Artur Henrique, presidente
da CUT.
As centrais e a Cobap devem se reunir nos próximos dias com o
ministro Luiz Dulci, da Secretaria-Geral da Presidência, para
apresentar a proposta. O governo não comentou.
Para garantir a extinção do fator previdenciário,
sem um novo índice redutor no lugar, o deputado federal Arnaldo
Faria de Sá (PTB-SP) aceita alterar o projeto do fim do índice
que havia sido aprovado no Senado e está pronto para ser votado
na Câmara. "Alterar a regra da média curta para a
longa, como querem as centrais e os aposentados, não é
nenhum problema. O que não pode é o governo querer forçar
uma regra que continue reduzindo o valor das aposentadorias."
Extrato
O ministro da Previdência Social, José Pimentel, disse
ontem que, a partir de janeiro, mais bancos poderão emitir o
extrato com informações sobre os vínculos empregatícios
e o tempo de contribuição dos segurados do INSS.
Atualmente, só o Banco do Brasil tem permissão para emitir
esse tipo de extrato.
"Queremos a partir de janeiro estender esse convênio para
toda a rede bancária do país."
A Caixa está se preparando para emitir o extrato para os correntistas
e também para os segurados que têm o cartão cidadão
-que é utilizado para a consulta do saldo do FGTS. Também
é possível consultar o extrato no site do INSS (www.previdenciasocial.gov.br).
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Gazeta do Povo, 24 de
novembro de 2009
Crédito
21 milhões têm dívida
de mais de R$ 5 mil
Número de pessoas que mantém
essa quantia em empréstimos e financiamentos cresceu mais de
20% durante a crise
Em meio à crise financeira,
3,59 milhões de brasileiros contraíram dívidas
superiores a R$ 5 mil no sistema financeiro. O dado consta de levantamento
do Banco Central (BC) que mostra o comportamento do endividamento
no auge da crise. Entre as operações que mais cresceram
nesse período, estão o crédito consignado e o
financiamento imobiliário, segmentos em que os bancos públicos
passaram, a pedido do governo, a atuar mais fortemente desde o agravamento
da crise.
Dados do Sistema de Informações
de Crédito (SCR) mostram que, no fim de agosto, 20,83 milhões
de pessoas mantinham empréstimo superior a R$ 5 mil nas instituições
financeiras. O universo é 20,8% maior que o registrado 12 meses
antes, em agosto de 2008, exatamente o último mês antes
do agravamento da crise financeira
Esse aumento do número
de pessoas endividadas aconteceu, na avaliação do governo,
“de maneira saudável” porque foram privilegiados
empréstimos para o consumo e aquisição de bens
e imóveis, operações que geram reflexos positivos
na atividade econômica. Não houve explosão nos
empréstimos mais caros e que são a última alternativa
em caso de dificuldade financeira, como o cheque especial e cartão
de crédito.
Passada a crise, o governo
entende que esses 3,5 milhões de brasileiros que contraíram
dívidas para consumir foram, junto com as medidas de desoneração,
algumas das peças das mais importantes no motor que permitiu
ao Brasil reagir rapidamente à crise financeira.
Dados do BC também
mostram que os empréstimos tradicionais para a compra de veículos
(CDC) contratados em agosto de 2009 tiveram, na média, 43,6
meses. Esse prazo médio, que tem crescido ininterruptamente
desde dezembro de 2008, é quase dois meses superior ao visto
12 meses antes, quando estava em 41,8 meses. No leasing para veículos,
o prazo é ainda mais elástico: 51,6 meses. Um ano antes,
o prazo médio era de 50,8 meses. É possível,
contudo, encontrar operações mais longas, de até
80 meses em algumas concessionárias.
Luz amarela
“Isso acende um sinal
de atenção porque um carro começa a ter depreciação
acelerada em cerca de cinco anos, o que compromete a garantia que
ele representa no financiamento”, diz o professor de finanças
do Insper, Ricardo José de Almeida.
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Folha de S.Paulo, 24 de
novembro de 2009
Tribunal suspende ações
sobre poupança
STJ decide que julgamento de contestações
individuais para reaver perdas nas cadernetas deve aguardar desfecho
das coletivas | Há 721 ações coletivas no tribunal;
quando o STJ decidir qual índice deveria ter sido aplicado, as
individuais também serão beneficiadas
LEANDRA PERES
FELIPE SELIGMAN
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
As 694 mil ações
judiciais individuais que discutem a reposição de perdas
causadas a poupadores pelos planos Bresser, Verão, Collor 1 e
Collor 2 estão com sua análise suspensa.
O STJ (Superior Tribunal de Justiça) determinou esse procedimento
sempre que houver uma ação coletiva tratando do assunto.
Apenas quando o tribunal apreciar o mérito e decidir qual o índice
de correção que deveria ter sido aplicado pelos bancos
à época, entre outras questões, é que os
correntistas com ações individuais serão beneficiados.
Não há prazo para que o STJ decida de quanto será
a correção, embora haja dois processos esperando julgamento
que tratam exatamente da legalidade dos planos e se houve ou não
perda para os poupadores.
Há hoje 721 ações coletivas em tramitação,
segundo levantamento da Febraban (Federação Brasileira
de Bancos). Esses processos são impetrados pelos Ministérios
Públicos e defensorias públicas e têm o objetivo
de garantir a reposição das perdas a todos os correntistas,
mesmo àqueles que não recorreram à Justiça.
O ministro Sidinei Beneti, que relatou o processo no STJ, manteve uma
decisão tomada pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande
do Sul. Os juízes gaúchos haviam determinado a paralisação
das ações individuais no Estado por haver ações
coletivas em tramitação.
Além de reafirmar a sentença, o ministro também
defendeu que a Lei de Recursos Repetitivos fosse aplicada ao assunto.
Essa lei permite que o tribunal escolha um recurso como modelo, entre
os milhares que tramitam, cujo resultado serve como orientação
para as decisões em casos idênticos que correm em todo
o Judiciário do país.
Na prática, ele ampliou para todo o país a suspensão
na tramitação das ações individuais até
que o STJ decida sobre o mérito dessas ações.
"A faculdade de suspensão (...) abre-se ao Juízo
em atenção ao interesse público de preservação
da efetividade da Justiça, que se frustra se estrangulada por
processos individuais multitudinários, contendo a mesma e única
lide", disse o ministro em seu voto. Ele foi acompanhado por outros
cinco ministros, com apenas um voto contrário.
O entendimento do STJ não obriga que os tribunais de primeira
ou segunda instância parem de julgar as ações individuais.
Mas uma decisão favorável ao correntista de um desses
tribunais poderá ser levada ao STJ, onde o assunto ficará
paralisado. Ou seja, apesar de não haver uma vinculação,
isso deve ocorrer na prática.
A Justiça tem dado ganho de causa aos poupadores que pedem a
reposição das perdas. Levantamento feito pelo Idec (Instituto
Brasileiro de Defesa do Consumidor) mostra que o STF (Supremo Tribunal
Federal) já decidiu 303 ações sobre os planos econômicos.
No caso do Verão, por exemplo, todas as 152 decisões foram
favoráveis aos contribuintes.
As ações mais comuns envolvem os planos Bresser (1987)
e Verão (1989). Nos dois casos, as mudanças na política
econômica foram feitas no meio do mês e as cadernetas de
poupança com aniversário na primeira quinzena foram corrigidas
de acordo com as novas regras.
O argumento dos correntistas é que o cálculo deveria ter
sido feito segundo as regras anteriores.
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Folha de S.Paulo, 24 de
novembro de 2009
EMPREGO
Pedreiro e pescador poderão receber
certificado de aptidão
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Trabalhadores como pedreiros
e pescadores que não tiverem formação específica
para o seu ofício poderão receber um certificado oficial
atestando sua aptidão para exercer a atividade.
Um programa dos ministérios da Educação e do Trabalho
prevê que os institutos federais de educação, ciência
e tecnologia, que oferecem ensino técnico, avaliem e atestem
o aprendizado não formal.
Para isso, o trabalhador teria que ser aprovado por um exame. A partir
da portaria que foi publicada ontem no "Diário Oficial da
União", deverão ser criados parâmetros nacionais
de avaliação.
Caso o profissional tenha alguma deficiência em sua formação
-se ele for analfabeto, por exemplo-, o governo poderia oferecer a ele
cursos complementares antes de entregar o certificado.
O objetivo do programa é validar a experiência anterior
do profissional e facilitar a sua contratação.
Como muitas vezes trabalhadores de áreas como a construção
civil não têm carteira assinada, eles acabam não
tendo como comprovar as suas habilidades e experiências anteriores
na hora de procurar emprego.
Programa
piloto
Em quatro Estados, a experiência já começou como
um programa piloto em convênio com as prefeituras.
São eles Mato Grosso, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e São
Paulo.
A ideia agora é que, no máximo até o ano que vem,
todos os institutos façam a sua adesão ao programa de
certificação, afirma Luiz Caldas, diretor de políticas
da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica
do Ministério da Educação.
Segundo ele, a ideia é que todas as áreas tecnológicas
que hoje são ensinadas e pesquisadas pelos institutos federais
sejam certificadas.
A princípio, devem ser priorizados os ofícios relacionados
à construção civil, à pesca, ao turismo
e à área metal mecânica (que envolve conhecimentos
de metalurgia e siderurgia).
Futuramente, outras profissões, como a de cozinheiro e costureiro,
também deverão ser contempladas.
O processo de certificação será gratuito e não
deverá haver limite de vagas.
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Gazeta do Povo, 24 de novembro
de 2009
Corrida eleitoral
Serra lidera pesquisa, mas Dilma cresce
CNT/Sensus aponta que apoio de FHC ao governador
de São Paulo tem custado perda de popularidade ao tucano
Brasília - Pesquisa CNT/Sensus
divulgada ontem mostra queda do governador de São Paulo, José
Serra (PSDB), na disputa pelo Palácio do Planalto. Apesar de
o tucano ainda estar em vantagem sobre os demais candidatos
em todos os cenários apresentados
pelo levantamento, a pesquisa indica que ele perdeu pontos.
Na disputa direta com a ministra
da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o deputado Ciro Gomes (PSB) em primeiro
turno, Serra recebeu 31,8% das intenções de voto, seguido
por Dilma, com 21,7%, e por Ciro, com 17,5%.
Segundo o presidente da Confederação
Nacional dos Transportes (CNT), Clésio Andrade, o tucano caiu
em média 15 pontos porcentuais desde o ano passado – quando
a pesquisa chegou a registrar índices acima de 40% de apoio ao
governador paulista na disputa com os demais candidatos.
“Há queda acentuada
do Serra se comparada com listas passadas. Há um ano, ele aparecia
com porcentuais que variavam de 45% a 49%. Houve uma queda de cerca
de 15 pontos porcentuais em um ano. O Serra caiu em função
do apoio do Fernando Henrique, que coloca o governador como candidato
principal do PSDB. Está clara a rejeição ao ex-presidente”,
disse.
Segundo a pesquisa, FHC teve
a rejeição de 49,3% dos eleitores ouvidos pela CNT/Sensus
em novembro – que não votariam em candidatos apoiados pelo
tucano. Somente 17,2% dos entrevistados responderam que votariam em
nomes apoiados pelo ex-presidente tucano.
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, ao contrário, teve índice de rejeição
de apenas 16%, enquanto 51,7% dos entrevistados responderam que poderiam
votar no candidato apoiado pelo petista.
Dilma
Enquanto Serra cai na pesquisa,
o presidente da CNT avalia que Dilma, embora ainda apareça atrás
do tucano, cresceu na disputa. Com forte apoio do presidente Lula, Andrade
diz acreditar que a capacidade de transferência de voto do petista
melhorou o desempenho da ministra na pesquisa. Na sondagem anterior,
realizada em setembro, a petista perdia para Serra e Ciro, enquanto
desta vez aparece à frente do candidato do PSB.
Puro sangue
A população brasileira
aprova uma chapa “puro sangue” do PSDB nas eleições
presidenciais de 2010 de acordo com a pesquisa. O levantamento mostra
que uma chapa integrada pelos governadores José Serra e Aécio
Neves para presidente e vice-presidente da República derrotaria
candidatos governistas em todos os cenários apontados pela sondagem.
Aprovação
Avaliação de Lula continua
em alta
As avaliações
do governo federal e do presidente Lula subiram em novembro, segundo
pesquisa CNT/Sensus divulgada ontem. A aprovação ao governo
do presidente Lula passou de 65,4% em setembro para 70% em novembro.
Já a avaliação positiva do presidente subiu de
76,8% para 78,9%.
Apesar da subida da popularidade
de Lula e do governo, os índices são menores do que os
registrados pelo petista no início deste ano – quando o
presidente bateu recordes de popularidade. Na ocasião, o índice
chegou a 80%.
O retorno à avaliação
positiva do governo ocorre depois do episódio do apagão
que deixou 18 estados do país sem luz. Mas a pesquisa não
questionou a população a respeito do blecaute.
O levantamento pediu aos entrevistados
uma comparação entre o atual governo e o anterior. Para
76%, o governo Lula é melhor que o governo Fernando Henrique
Cardoso.
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O ESTADO DO PARANÁ,
24 de novembro de 2009 | Política
Pesquisa revela que 76% preferem governo
Lula ao de FHC
Agência Estado
A pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT)
com o Instituto Sensus pediu aos entrevistados uma comparação
entre o atual governo e o anterior. Para 76%, o governo Luiz Inácio
Lula da Silva é melhor que o governo Fernando Henrique Cardoso.
A sondagem também revelou
a recuperação do otimismo da população.
Segundo os dados apresentados hoje, em novembro 73,4% dos entrevistados
disseram acreditar que 2010 será melhor do que 2009. No final
de 2008, o porcentual dos que acreditavam que o ano seguinte seria melhor
era de 65,4%.
Com relação a
itens mais específicos, 62,9% das pessoas entrevistadas afirmaram
que a situação do emprego vai melhorar nos próximos
6 meses e outros 61,6% avaliam que sua renda vai aumentar neste mesmo
período.
Com relação
ao que será feito com o 13º salário, 25,6% responderam
que irão pagar dívidas, contra 11,2% que vão comprar
produtos para casa e a para a família, 7,4% que vão fazer
poupança e 3,5% que pretendem viajar.
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CNI, 24 de novembro de 2009
Ministro do TST diz que flexibilização
das relações trabalhistas não é tabu
O Poder Judiciário tem que se adaptar à realidade do mercado.
A manifestação do Ministro do Tribunal Superior do Trabalho
(TST), Vantuil Abdala, refere-se à flexibilização
das relações trabalhistas e às decisões
do Poder Judiciário diante desta dinâmica. Segundo o magistrado,
este recurso legítimo passou a ser tabu, quando nada mais é
do que respeitar-se o interesse de ambas as partes. Mas por conta de
certa desconfiança quanto à representatividade de alguns
sindicados, argumenta, passou-se a discutir a validade de cláusulas
e acordos coletivos. Abdala participou, na última quinta-feira
(19/11), de um painel sobre o tema no Seminário Desafios para
quem Gera Empregos, promovido pela Confederação Nacional
da Indústria (CNI) em seu escritório de São Paulo.
“A terceirização
é um exemplo clássico disso. Tínhamos uma súmula
que tratava da proibição da intermediação
da terceirização de mão-de-obra. Mas a realidade
veio nos mostrar que era inexorável atribuir a terceiros parte
de atividades secundárias à finalidade básica da
empresa. Alteramos então a súmula para admitir a terceirização
em alguns casos”, defendeu Abdala, que é membro do Conselho
Nacional de Justiça (CNJ).
O debate em São Paulo
tinha à mesa outro especialista no assunto. José Pastore,
professor de Relações do Trabalho da Universidade de São
Paulo, lembrou que as instituições devem sim, acompanhar
a dinâmica do trabalho. “Não se pode atuar como há
40 anos, com a complexidade atual do mercado de trabalho”.
Antes de discursos filosóficos,
as abordagens dos especialistas destacaram a flutuação
de um trabalhador durante sua carreira profissional: hora ganha a vida
com trabalho, hora com emprego temporário. “O Brasil precisa
encontrar uma forma de proteção para esse indivíduo
que tenha portabilidade”, conclui ao comparar o mercado de trabalho
a um caleidoscópio, que apresenta a cada movimento combinações
variadas.
O seminário integra a
Semana Global de Empreendedorismo, ação para estimular
este potencial no país. Pelo menos 90 países reforçam
a iniciativa mundial, que em 2008 envolveu mais de 3 milhões
de pessoas. Neste ano a expectativa é mobilizar 5 milhões
de brasileiros em ações por todo o país.
Fonte:
CNI
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
24/11/2009
TST julga recurso sobre funcionamento de
supermercado aos domingos e feriados
Por trabalhar no comércio
de gêneros alimentícios, o supermercado está entre
os estabelecimentos autorizados a exercer atividades em domingos e feriados.
A Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho rejeitou recurso da
União (Procuradoria-Geral da União) que questionava o
funcionamento, nessas datas, de um supermercado de Ponta Grossa, no
Paraná, alegando que há jurisprudência no sentido
de que o direito à abertura nos domingos e feriados não
é líquido e certo, sendo necessária a negociação
coletiva para a permissão.
A ação foi movida
pela União contra o supermercado Tozetto e Cia. Ltda. e, desde
a primeira instância, não tem obtido êxito, o que
se repetiu no julgamento de um recurso ao TST, que não foi conhecido.
Ao analisar a argumentação da União e a legislação
correspondente, o ministro Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira,
relator do recurso de revista, considerou que a União não
tem razão nas suas alegações. O relator, que apresentou
precedentes no mesmo sentido, destaca que o artigo 7º do Decreto
27.048, de 12 de agosto de 1949, estabelece a permissão, em caráter
permanente, para os trabalhos nos dias de repouso, em atividades constantes
de uma relação que inclui os varejistas de peixes, carnes
frescas e caça, de frutas, verduras, de aves e ovos, além
da venda de pão e biscoitos, feiras livres e mercados.
Por sua vez, a Lei 10.101, em
seu artigo 6º, prevê a permissão para o trabalho em
feriados, desde que autorizado em convenção coletiva e
observada a legislação municipal. Acompanhando os fundamentos
do Regional, o relator entende que houve a observância da Lei
10.101/00, “não subsistindo qualquer vedação
ao trabalho em domingos e feriados na legislação do município
ou em convenção coletiva”.
Regional
Ao apreciar o caso, o Tribunal
Regional do Trabalho da 9ª Região (PR) considerou correta
a sentença que permitia ao supermercado funcionar, devido à
inexistência de vedação de trabalho aos domingos
e feriados em norma convencional a que é submetida a empresa
ou em norma municipal referente a regulamentação dos horários
do comércio, prevalecendo, então, a autorização
legal de trabalho naqueles períodos. O Regional ressalvou, inclusive,
que permanecem as obrigações da empresa quanto a conceder
ao trabalhador pelo menos um domingo a cada três semanas.
A União recorreu ao TST,
argumentando que o acórdão regional violou artigos da
Constituição Federal e da Lei 10.101/00. Além disso,
ressalta que existe previsão legal para o funcionamento aos domingos,
e não aos feriados, e que não há autorização
pelo Ministério do Trabalho para isso. Quanto a essa questão,
o ministro Bresciani afirma que não se cogita de permissão
prévia do MTb para o funcionamento do supermercado aos domingos,
diante da permissão do Decreto 27.048. (RR-83002/2006-678-09-00.1)
(Lourdes Tavares)
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24/11/2009
Cópia da internet é
válida para comprovar feriado jurídico
A Seção I Especializada
em Dissídios Individuais do Tribunal Superior do Trabalho (SDI-1)
julgou válida a apresentação de portaria retirada
do site do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (Campinas-SP)
para comprovar a suspensão das atividades jurídicas durante
feriado. Com isso, determinou a aceitação de recurso de
revista da Volkswagen do Brasil Ltda., que havia sido considerado intempestivo
(interposto fora do prazo legal) pelo TRT.
Nesse caso, a SDI-1 alterou
decisão da Sexta Turma do TST no sentido de que o recurso da
empresa não teria atendido à Súmula 385, segundo
a qual “cabe à parte comprovar, quando da interposição
do recurso, a existência de feriado local ou de dia útil
em que não haja expediente forense”. Assim, a comprovação
teria que ser com “documento hábil”, não podendo
ser cópia extraída da internet, sem assinatura e sem que
se possa averiguar a sua autenticidade.
Ao recorrer à SDI-1,
a empresa alegou que a Súmula 385 não cita qual o documento
necessário para demonstrar a existência de feriados e que
a exigência de autenticidade não possui previsão
legal. A ministra Maria de Assis Calsing, relatora do processo na SDI-1,
acatou essa tese por entender que “o documento, porque extraído
do site oficial do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região,
revela-se hábil à comprovação do prazo para
a interposição do recurso de revista.”
Ela citou várias decisões anteriores da SDI-1 nesse mesmo
sentido (precedentes). Por fim, a SDI-1 determinou o retorno do processo
à Sexta Turma para, afastada a “intempestividade”
do recurso de revista da empresa, continuar o julgamento. (E-AIRR-1101/2004-102-15-40.3)
(Augusto Fontenele)
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24/11/2009
TST anula decisão por negativa
de prestação jurisdicional
A Seção I Especializada
em Dissídios Individuais do Tribunal Superior do Trabalho (SDI-1)
negou provimento a um recurso de embargos do Banco Itaú S/A e
manteve decisão da Terceira Turma que concluiu pela nulidade
de acórdão do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª
Região (RJ). Motivo: o TRT, segundo o entendimento prevalecente
no TST, deixou de analisar prova pericial importante que possibilitaria
dar novo rumo ao processo.
Trata-se do caso de uma trabalhadora
que ajuizou ação buscando equiparação salarial
com outra colega. Ao analisar o recurso ordinário, o TRT não
levou em conta a afirmação do perito, segundo a qual existia
diferença superior a dois anos em favor do paradigma. No acórdão,
o Regional afirmou que, com o afastamento da outra empregada da função
de secretária em determinados períodos, não se
completaram dois anos ininterruptos que caracterizariam a sua condição
de paradigma.
A bancária apelou ao
TST, mediante recurso de revista. Insistiu na tese de negativa de prestação
jurisdicional, e apontou a necessidade de o Regional esclarecer a questão
fática (fatos e provas) apontada pelo perito. O entendimento
da Terceira Turma foi pelo provimento do recurso e retorno dos autos
ao TRT, sob o fundamento de que, uma vez evidenciada a veracidade das
alegações da bancária, estaria superado o único
fato levantado pelo Regional como impeditivo do direito à equiparação
salarial.
O Banco Itaú opôs
embargos a essa decisão na SDI-1, no intuito de reformar acórdão
da Terceira Turma. O relator, ministro Vieira de Mello, afirmou: “É
em segunda instância que se define e sacramenta a moldura fática
dos autos, sobre a qual a instância extraordinária repousará
seus olhos, dela não se podendo afastar, sob pena de desrespeitar
os firmes limites fincados pela Súmula nº 126 do TST”.
Para o ministro Vieira de Mello
Filho, o que levou o Regional a indeferir o pedido de equiparação
foi o fato de paradigma e empregada possuírem diferença
de tempo de serviço no emprego, sendo certo que, da prova pericial,
surgiu premissa diversa, sobre a qual o Regional recusou-se a se pronunciar.
“Se da prova pericial se extraía premissa importante, capaz
de dar novos rumos ao processo, e sobre ela não se manifestou
o Tribunal Regional, não obstante tenha sido instado a fazê-lo
mediante interposição dos embargos, tem-se que correto
se apresenta o conhecimento do recurso de revista da autora, pela preliminar
de nulidade da decisão regional”, concluiu. (E-RR-739180/2001.1)
Lourdes Côrtes
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