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Vernelho, 29 de novembro de 2009
Governo eleva previsão
do PIB de 2010 para 5%
O Ministério do Planejamento enviou nesta semana à Comissão
Mista de Orçamento do Congresso Nacional uma "atualização" dos
parâmetros macroeconômicos previstos para o ano de 2010 e,
com isso, elevou a projeção de crescimento do Produto Interno
Bruto (PIB) do ano que vem de 4,5% para 5%.
A alteração já havia sido antecipada pelo ministro
do Planejamento, Paulo Bernardo. No mês passado, ele afirmou que
vários analistas já estavam trabalhando com uma projeção
de crescimento maior para o ano que vem e que, portanto, não teria
dificuldade em elevar a estimativa que consta no orçamento de
2010. A previsão é a mesma dos economistas do mercado financeiro.
Para o salário mínimo, atualmente em R$ 465, a previsão é de
que ele passe para R$ 505,50. O reajuste de 8,72% terá validade
em janeiro do ano que vem, com pagamento no mês seguinte, ou
seja, em fevereiro.
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, informou anteriormente,
porém, que o salário mínimo pode ser "arredondado" para
cima. Mas isso ainda depende de uma decisão do governo federal.
O reajuste deve ter um impacto de cerca de R$ 8 bilhões nas
contas públicas.
A atualização dos dados do orçamento de 2010
também traz uma previsão para o Índice de Preços
ao Consumidor Amplo (IPCA) do ano que vem de 4,42%. Até o momento,
a estimativa estava em 4,33%. Para a taxa de câmbio média
do ano que vem, a estimativa recuou de R$ 2,01 para R$ 1,72 por dólar.
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Gazeta do Povo, 29 de novembro
de 2009
Consumo
Renda no Sul é 14%
maior que média nacional
As classes A e B representam 28% da população
da Região Sul do país. A participação é o
dobro do que estas camadas detêm no Norte e Nordeste,
com 14%. Os dados são de um estudo da LatinPanel em
8,2 mil domicílios brasileiros. De acordo com o levantamento,
a alta concentração das classes A, B e C faz
com que os moradores do Sul tenham uma renda 14% superior à média
nacional, com receita mensal de R$ 1.778.
De acordo com a LatinPanel, define-se como classes A e
B quem ganha acima de dez salários mínimos
(R$ 4.650), como C quem recebe entre quatro (R$ 1.860)
e dez salários mínimos (R$ 4.650) e D e E
até quatro salários mínimos.
O estudo aponta ainda que quem mora no Sul também
compromete menos do que seu orçamento com gastos
essenciais, como alimentos, bebidas, higiene e limpeza.
Esses itens respondem por 22% do orçamento da população
do Sul, contra 32% no Nordeste. Quem mora no Sul, inclusive,
não gasta tudo o que ganha – a despesa média
totaliza R$ 1.685. “Há uma diferença
de 6% em relação à receita”,
diz Patrícia Menezes, gerente de marketing de comunicação
da LatinPanel.
De acordo com ela, o bom padrão de vida do Sul
também pode ser evidenciado pelo maior gasto com
lazer, que chega a 5% do orçamento. Nos estados
do Nordeste, essa proporção é de 3%. “O
Nordeste só agora começa a traçar
o caminho que o Sul já percorreu há anos”,
diz.
No Sul, a classe C tem 44% e as D e E têm 28% de
participação na população.
No Norte e no Nordeste, os mais pobres ainda são
maioria, com 59%. A classe média representa 28%.
O estudo revela algumas peculiaridades do hábito
de consumo de quem mora na região. Em média,
cada morador vai nove vezes ao supermercado por mês – abaixo
da média brasileira, que é de 14 vezes. Mas,
gasta mais: o ticket médio é de R$ 19,13
contra R$ 12,36. Os gastos com transporte pesam mais no
orçamento (15%) do que a média nacional (13%),
assim com os com saúde – 7% contra 6%. Alimentos
e bebidas fora do lar, porém, comprometem 4% do
orçamento das famílias do Sul, contra a média
nacional de 5%. Dentro do lar, a alimentação
também conta menos: 18% contra 20% do Brasil. Os
que moram no Sul também gastam menos da renda com
higiene pessoal, com 3%. No país este índice é de
4%.
O consumo dos mais pobres no Nordeste, no entanto, já supera
o dos mais ricos no Sul do país e no Sudeste. Um
outro estudo da Latin Panel divulgado no início
de novembro mostrava que as classes D e E já consomem
mais alimentos, bebidas, produtos de higiene e limpeza
do que as A e B no Sudeste. As classes D e E representam
49% do consumo de não duráveis no Norte e
no Nordeste, mais que o dobro do que no Sul (23%).
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Folha de S.Paulo, 29 de
novembro de 2009
Preço do gás
no país é dos mais altos do mundo
Valor é inferior apenas
ao da Coreia do Sul; 5 mi de m3 por dia deixam de ser consumidos
Indústria culpa a Petrobras pela
desorganização no mercado de gás e
cobra uma política para o combustível; estatal
não se pronuncia
AGNALDO BRITO
DA REPORTAGEM LOCAL
O gás natural, energético que já movimenta
10,3% da economia brasileira, travou a indústria
nacional e, apesar da crise de demanda, mantém-se
um dos mais caros do mundo. Levantamento da Abrace (Associação
Brasileira dos Grandes Consumidores Industriais de Energia
e de Consumidores Livres) ao qual a Folha teve acesso mostra
que o gás vendido no Brasil custa em média
US$ 12,46 por milhão de BTU, valor inferior apenas
ao da Coreia do Sul mas superior ao de concorrentes importantes,
como México, Chile, Canadá, Estados Unidos
e França.
A distorção do mercado de gás no Brasil não
para por aí. Enquanto o preço se mantém nas alturas,
cerca de 5 milhões de metros cúbicos por dia deixaram
de ser consumidos desde o início deste ano.
A maior parte foi substituída pelo consumo de óleo combustível,
mais barato, porém mais sujo do ponto de vista ambiental. O
cálculo é da Abegás (Associação
Brasileira das Empresas de Distribuição de Gás
Canalizado), que reúne as 27 concessionárias de distribuição
do país.
A indústria culpa a Petrobras pela desorganização
no mercado de gás do país. A Folha procurou a estatal
desde o último dia 19, mas ela disse que não falaria
sobre o assunto.
A Petrobras tem feito leilões com as sobras do gás, o
que reduziu parte do problema do preço e da oferta, mas ainda
assim o país transformou em fumaça, em média,
neste ano, 9,88 milhões de metros cúbicos por dia nas
plataformas, segundo o último relatório de acompanhamento
do Ministério de Minas e Energia. O volume é espantoso
-equivale 86,5% do que diariamente foi fornecido pela Comgás,
a maior distribuidora do país.
A situação que tem levado a uma perigosa instabilidade
no setor industrial é mais grave na comercialização
do gás nacional, que abastece metade da demanda brasileira -a
outra metade vem dos campos bolivianos. A indústria reclama
que paga, desde o início do ano passado, uma parcela fixa que
integra a composição do preço final do gás
natural. Essa é uma conta além do custo da commodity
e do transporte e que alcança US$ 3,05 por milhão de
BTU.
A indústria alega que a Petrobras atribui esse valor à necessidade
de remunerar os investimentos em infraestrutura, exigência do
plano de expansão da oferta de gás. A Abrace (Associação
Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores
Livres) contratou um estudo da Gás Energy a partir do qual questiona
o tamanho dessa "necessidade" de capital, além de
não entender por que tem de pagar por um investimento que ainda
não foi feito. Para a Abrace, a cobrança embutida na
tarifa de gás natural está "superestimada".
Segundo Ricardo Lima, presidente da Abrace, a análise da Gás
Energy deverá embasar uma reclamação formal à SDE
(Secretaria de Direito Econômico). A indústria acha que
o caso deixou de ser uma queda de braço entre consumidores e
Petrobras e passou a ser uma questão que terá de ser
arbitrada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica.
Qual política
A indústria se queixa ainda da falta de uma política
nacional para o desenvolvimento do mercado de gás natural. A
Abividro, grande consumidora de gás, critica a política
pendular da estatal. "No primeiro momento, estimulou o consumo
para justificar os investimentos na Bolívia e agora trata os
mercados industrial, veicular e residencial como questão secundária",
critica Lucien Bernard Mulder Belmonte, superintendente da Abividro.
Segundo ele, vidreiras com consumo de 3 milhões de metros cúbicos
por mês suportam uma redução dos seus resultados
em US$ 7 milhões em decorrência da atual política
de preços do insumo. A Nadir Figueiredo, uma das gigantes do
setor, alega que os ganhos na exportação para 120 países
foram zerados diante da atual política interna de preços.
O Congresso Nacional aprovou a Lei do Gás, mas ainda falta consenso
sobre a regulamentação que poderia versar sobre a política
interna de preços. Para a indústria, a questão
de fundo que conduz à atual desorganização está no
uso de uma política comercial da Petrobras em vez de uma política
governamental para o desenvolvimento do mercado.
" A nossa briga não está no fato de a Petrobras querer ganhar
dinheiro com o gás, mas na falta de uma política nacional de desenvolvimento
do insumo, algo que poderia dar ao país uma política de preços
que não seja a política comercial da Petrobras", critica Armando
Laudorio, presidente da Abegás.
A entidade faz parte do G7, um grupo de associações de
consumidores, distribuidores, agências de regulação
e governos estaduais que tenta reduzir o poder da estatal. O grupo
também quer tirar o governo federal de uma posição
considerada neutra pela indústria.
Procurado, o Ministério de Minas e Energia não se pronunciou
sobre as críticas da indústria. O assunto chegou à Comissão
de Minas e Energia da Câmara na terça-feira, mas sem nenhuma
repercussão.
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Conjur, 29 de novembro
de 2009
Tendência mundial
Banir amianto não
resultará em perdas significativas
Por João Carlos Duarte
Paes
Atualmente, 48 países proíbem a extração,
produção, comercialização e utilização
de todos os tipos de amianto, inclusive o crisotila ou amianto branco,
em função dos males que comprovadamente causam à saúde.
O primeiro país a banir o amianto foi a Islândia, em 1983.
Em 1º de janeiro de 2005, a União Européia determinou
sua exclusão nos países que ainda não haviam adotado
tal providência (Portugal e Grécia). Outros, como Alemanha
e França, já o haviam banido há cerca de dez anos.
Na América Latina, o Chile e a Argentina o proscreveram em 2001,
o Uruguai em 2002 e Honduras em 2004, ao passo que El Salvador o havia
feito quase duas décadas antes. Na Ásia, o Japão
e o Vietnã proibiram-no também em 2004. A Austrália
e a África do Sul haviam adotado a mesma medida um ano antes.
O Brasil, apesar de já ter sucedâneos comprovadamente
eficazes (PVA – Poli Álcool Vinílico,
PP - Polipropileno e PAN - Poliacrilonitrila), ainda não
figura entre esses países. Ainda assim, alguns estados
brasileiros contam com leis que protegem a população
dos males do amianto, como é o caso de São
Paulo. O estado, objetivando prover a proteção
da saúde, no exercício da competência
concorrente que lhe é atribuída no artigo
24, incisos V, VI e XII da Constituição Federal,
editou a Lei 12.684, de 26 de julho de 2007. Esta proíbe
o uso, nos limites do seu território, de produtos,
materiais ou artefatos que contenham quaisquer tipos de
amianto ou asbesto ou outros minerais que, acidentalmente,
tenham fibras de amianto na sua composição.
No entanto, o Projeto de Lei 917, de 2009, de autoria
do deputado Waldir Agnello (PTB-SP) se apresenta com o
objetivo declarado de estabelecer normas de transição
para fins de aplicação da lei paulista. A
simples leitura de seus artigos, no entanto, deixa clara
a intenção não de estabelecer normas
de transição, mas sim, de revogar a lei em
vigor, retirando-lhe a eficácia.
Em 1906, estudos científicos demonstraram que o
amianto causa doenças graves, progressivas e incuráveis,
como asbestose, uma fibrose pulmonar que pode levar ao óbito
por asfixia. Mais tarde, nas décadas de 40 e 50,
as fibras do amianto foram classificadas pela Agência
Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC),
da Organização Mundial de Saúde (OMS),
como cancerígenas para os seres humanos.
As mais sérias entidades que se debruçaram
sobre o tema, como Organização Internacional
do Trabalho, a Organização Mundial da Saúde
(OMS), a Organização Mundial do Comércio
(OMC), há muitos anos, reconhecem que todos os tipos
de amianto, inclusive o crisotila, causam asbestose, mesotelioma
e câncer do pulmão. Não há limite
seguro de exposição ao amianto e seu uso
controlado não é factível, nem nos
países desenvolvidos, muito menos naqueles em desenvolvimento.
Por estas razões, tais entidades, recomendam a substituição
por outros sucedâneos não nocivos à saúde
humana, já disponíveis no Brasil, conforme
mencionado, para substituírem o amianto nos produtos
de fibrocimento.
O Projeto de Lei 917, contrariando a Constituição
Federal, a Convenção OIT 162 e até mesmo
a lei que afirma regulamentar, no lugar de estabelecer
normas de transição para o banimento do crisotila,
busca, na verdade, salvar referido mineral, perenizando,
infinitamente, sua utilização, mediante adoção
de insuficientes medidas de proteção, circunscritas,
diga-se, ao ambiente de trabalho.
A proteção à saúde, à dignidade, à vida
constitui princípio fundamental. E mesmo os argumentos,
meramente econômicos, lançados no PL 917,
não se apresentam corretos. O banimento do uso do
amianto não acarretará em perdas significativas
resultantes da interrupção de sua produção.
A adaptação das linhas produtivas para a
utilização de fibras alternativas é simples
e pode ser realizada em curto período de tempo.
Mais do que isto, parte significativa da indústria
de fibrocimento já domina a tecnologia de produção
com fibras alternativas e possui os ativos necessários
para a adaptação de suas linhas produtivas.
Se a proteção da saúde, que é um
dos elementares requisitos do respeito à dignidade
da pessoa humana, constitui bem jurídico objeto
de evidentes cuidados defensivos na Constituição
e, se existe a possibilidade de eximir as pessoas da exposição
aos riscos decorrentes do uso do amianto, dada a existência,
no país, de sucedâneos hábeis e não
agressivos à saúde, nada mais justifica a
utilização do crisotila, ante as desastrosas
consequências que acarreta para a saúde humana.
São Paulo deve ser exemplo para o Brasil não
retroceder nesta questão.
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Conjur, 29 de novembro
de 2009
Recursos repetitivos
CEF deve dar por quitado
imóvel com resíduo de saldo
A Caixa Econômica Federal deve dar por quitados os imóveis
com resíduo de saldo, de acordo com decisão do Superior
Tribunal de Justiça sob o rito da Lei de Recursos Repetitivos.
A razão: a Caixa recebeu a mensalidade junto com o seguro do fundo
de compensação de variação salarial; o contrato
foi baseado no princípio da boa fé e da dignidade humana;
da segurança jurídica e da inexistência de lei que
impusesse como sanção o dever de pagar o saldo que na prática
representava valor maior que o do próprio imóvel.
Esse foi apenas um dos 21 processos com temas repetitivos,
sob relatoria do ministro Luiz Fux, definidos na última
quarta-feira (25/11). O cálculo é que, na
média, cada decisão dessas dê cabo
de cerca de 1 mil processos. Isso mostra que uma das principais
ferramentas destinadas a acelerar os processos judiciais
e melhorar sua qualidade, a Lei de Recursos Repetitivos,
para casos pacificados pelo STJ, está em pleno vigor.
Nenhum dos temas pacificados poderá voltar ao STJ.
Em outro caso, o ministro derrubou a pretensão
dos supermercados do país de ganhar créditos
tributários de ICMS contra o Estado pelo fato de
manterem em suas dependências padarias e por venderem
produtos congelados. O tribunal estabeleceu que o direito
não existe, já que em nenhuma das hipóteses
há processo de industrialização, na
verdadeira acepção da palavra.
Nos próximos dias, o gabinete do ministro Luiz
Fux deve apresentar uma nova batelada de impedimento de
recursos repetitivos. Cerca de trinta. Dentre eles estará a
questão da prescrição de créditos
tributários objeto de execução fiscal,
cujo processo estão paralisados por culpa da justiça.
Outro envolve o devedor que se antecipa à Fazenda
Pública e oferece bens em garantia, antes mesmo
da propositura de ação pelo fisco. A decisão
poderá permitir que o devedor faça jus a
obtenção de certidão positiva com
efeito de negativa.
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