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PORTAL UAI/ MINAS GERAIS, 04 de janeiro
de 2010 | Economia
Construção civil será
a maior vedete do emprego em 2010
Paula Takahashi - Estado de Minas
Canteiros de obras vão atrair trabalhadores, com chances
para mulheres, agora disputadas no setor
A construção civil será o destaque da geração
de vagas este ano. “Foi um pulo em relação ao
último trimestre de 2009. Passou de 7% de expectativa de emprego
para 46% no começo de 2010, saltando da última para
a primeira colocação entre os oito setores pesquisados”,
afirma Pedro Guimarães, diretor comercial da Manpower, que
pesquisou as intenções de contratações
entre 71 mil empregadores de 35 países. Todos os segmentos
apresentaram expectativas positivas na geração de vagas.
A construção foi seguida por finanças e seguros
imobiliários, serviços, transportes e serviços
públicos, comércio atacadista e varejista, indústria,
administração pública, agricultura e mineração.
Para a consultoria Tendências,
a indústria deve começar o ano como uma das grandes geradoras
de postos de trabalho. “O setor ainda tem muito o que se recuperar
em termos de produção e, como foi o que mais perdeu vagas,
vai precisar de muita gente para reposição”, avalia
Bernardo Wjuniski, economista da Tendências. Para Fernando Sette,
superintendente de Estado de Desenvolvimento Social de Minas Gerais,
o setor de serviços, especializado em preparativos para a Copa
do Mundo de 2014, também se destacará. “Construção
de hotéis, turismo receptivo, tudo isso terá crescimento
não apenas em Belo Horizonte como nas outras cidades mineiras
que serão subsede da Copa”, avalia.
É o que espera Dirce
Mara Pego de Lima, desempregada há mais de três anos, que
retorna agora para o mercado de trabalho. “Estou muito otimista
por tudo que tenho ouvido do governo. Vejo que as oportunidades estão
mais frequentes e gostaria muito de conseguir uma vaga como motorista”,
afirma. O primeiro passo, além de se inscrever no Sistema Nacional
de Emprego (Sine), é procurar uma qualificação.
Investimento que o Sine já está fazendo. “Em 2009,
até novembro, captamos 150 mil vagas e pretendemos bater esse
número em 2010. Outro foco será a qualificação
e treinamento da mão de obra”, afirma Sette.
Glória
Para o diretor da empresa de
recursos humanos Robert Half, Fernando Mantovani, até o final
do ano, o cenário para o mercado de trabalho será semelhante
ao vivenciado nos meses de glória de 2008. “Os setores
que mais chamam a atenção são os de engenharia,
óleo e gás, que viverão anos de sucessivo incremento,
bens de consumo e indústria farmacêutica”, avalia.
“Haverá uma grande recuperação em construção
civil em decorrência dos programas de moradia e pelo fato de ser
ano eleitoral e o governo sempre gastar um pouco mais em obras públicas.
O setor de bens de capital também viverá o ano da virada”,
acrescenta Mantovani.
O momento, porém, ainda
não será de grandes chances de trabalho no mercado externo.
“As oportunidades mais interessantes estarão dentro do
Brasil. Países principalmente da Europa e os próprios
Estados Unidos não experimentarão o mesmo crescimento”,
avalia Mantovani.
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ADMINISTRADORES.COM, 04 de
janeiro de 2010
Internet e construção civil
são promessas de trabalho
Por Letícia Casado
Boas oportunidades esperam por
aqueles que querem uma chance para se mover no mercado de trabalho,
mas o terreno promissor passa pelo endereço de uma página
de internet ou de um imóvel em construção. Jornalismo
online, lojas virtuais e informática são algumas das profissões
que mais vão abrir vagas em 2010, segundo informações
da Catho Online, uma das maiores empresas de recolocação
de profissionais do Brasil.
A construção civil
também vai contratar. Engenheiros, arquitetos, pedreiros, mestres
de obras, comerciantes e fabricantes para lojas de material de construção
serão bastante procurados.
O vice-presidente de política,
relações trabalhistas e recursos humanos do Sinduscon-MG
(Sindicato da Construção Civil de Minas Gerais), Bruno
Vinícius Magalhães, conta que as vagas no setor já
estão sendo ocupadas “em todos os níveis de qualificação
e instrução, desde o servente até o engenheiro”.
Direito empresarial e mercado
financeiro vão precisar de profissionais, avisa a consultora
de recursos humanos da Catho Online, Gláucia Santos. Além
dessas áreas, “todos os níveis hierárquicos
administrativos e comerciais” têm bastante procura, mas
a oferta também é grande.
A crise na economia em 2009
não mudou o nível de contratação da empresa,
que conseguiu encaixar no mercado entre 8% e 9% dos seus assinantes.
Mesmo assim, Gláucia acredita que muita gente deixou de procurar
trabalho e “fez um esforço” para continuar onde estava.
- Os profissionais ficaram preocupados
em garantir o emprego porque o mercado estava abalado e havia risco
de demissões.
Em 2010 vai ser diferente. A
disposição para contratações já está
aumentando.
- O ano vai ser bom para quem
quer mudar de emprego ou conseguir o primeiro trabalho.
Os três primeiros
meses são os mais aconselháveis para tentar essa mudança.
Já há ofertas, mas o período forte de contratações
até março.
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O ESTADO DO PARANÁ,
04 de janeiro de 2010 | Economia
Cresce formalização do trabalho
no Brasil, diz estudo
Agência Estado
Aos poucos, a formalização avança no Brasil e reduz
o universo dos trabalhadores informais que ganham a vida em casa ou
nas ruas. É o que mostram dados da Fundação Getúlio
Vargas (FGV). Segundo o pesquisador Marcelo Neri, do Centro de Pesquisas
Sociais (CPS) da FGV, a parte da população na categoria
empregador aumentou de 3.347.564 (2007) para 4.095.249 (2008). Em parte,
isso ocorre pela pressão dos formalizados sobre os informais.
"Imagine o impacto do McDonald's
na Rocinha na vida do vendedor de churrasquinho. Isso acontece em diferentes
tipos de negócio", analisa Néri. Um dos empurrões
para o crescimento das empresas formais foi a Lei do Microempreendedor
Individual, em vigor desde junho. A previsão era que até
dezembro se chegasse a 100 mil microempresários regularizados.
Mas 2009 deve fechar com 110 mil, segundo previsão do Ministério
do Desenvolvimento e do Serviço Brasileiro de Apoio às
Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). A adesão não foi maior
porque, nos primeiros meses, o site para a regularização
das empresas teve problemas.
Outra peculiaridade de 2009
foi que, pela primeira vez, o número de empreendedores brasileiros
por vocação superou os que procuraram ter o próprio
negócio por necessidade, segundo a pesquisa Global Entrepreneurship
Monitor (GEM), que mede a taxa de empreendedorismo em vários
países, inclusive no Brasil. A relação, que normalmente
era de 50%, passou a ser de dois terços para aqueles com vocação
contra um terço para os abrem um negócio por necessidade.
O estudo é feito pelo Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade
(IBQP), com o apoio do Sebrae.
"Isso tem a ver com
o aumento da escolaridade e com o contexto econômico, que permite
um melhor planejamento dos negócios. Além disso, os brasileiros
estão cada vez mais interessados em adquirir conhecimento antes
de montar um negócio", diz Ricardo Tortorella, superintendente
do Sebrae de São Paulo. As informações são
do jornal O Estado de S. Paulo.
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BLOG DO NOBLAT, 04 de janeiro
de 2010
Deu em O Globo
Um milhão de imóveis em
2010
Associação prevê aumento
de 25% nas unidades financiadas com recursos de FGTS e poupança
De Geralda Doca:
O setor da construção
civil deverá ser um dos motores da economia em 2010, devendo
superar a marca de um milhão de unidades, tanto para famílias
de baixa renda, quanto de classe média.
O número representa um
crescimento de 25% sobre o total de moradias financiadas em 2009.
A projeção
é da Associação Brasileira das Entidades de Crédito
Imobiliário e Poupança (Abecip) e considera as duas principais
fontes de recursos da habitação, que são o FGTS
e a poupança.
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O ESTADO DO PARANÁ,
04 de janeiro de 2010 | Economia
Número de miseráveis cairá
pela metade até 2015
Agência Estado
Nos próximos cinco anos, o Brasil deve reduzir o número
de miseráveis pela metade e aumentar em 50% as classes A e B.
A projeção é de Marcelo Neri, diretor do Centro
de Políticas Sociais, da Fundação Getúlio
Vargas (FGV).
Conforme sua estimativa, no
início de 2015, os pobres serão apenas 8% dos brasileiros,
caindo para quase um quarto da proporção que vigorava
em 1993, de 35%.
Em pouco mais de duas décadas
(1993-2005), um contingente de 51,6 milhões de brasileiros muito
pobres, numa população de 147 milhões, será
reduzido para 16,1 milhões, em 222 milhões - ou seja,
uma queda de quase 70% em termos absolutos, mesmo levando-se em conta
o aumento populacional.
A linha de pobreza utilizada
por Neri corresponde a uma renda per capita familiar de R$ 137 na média
do Brasil (a linha varia de acordo com a região). Nesse conceito,
que representa uma linha de pobreza relativamente baixa (alguns consideram
que seja uma linha de extrema pobreza), os pobres correspondem exatamente
à classe E.
Neri diz que aquele é
um cenário "auspicioso", ou de "otimismo condicionado
à manutenção das políticas razoáveis
aplicadas entre 2003 e 2008". Mas não julga a projeção
nem um pouco improvável. Na verdade, baseia-se na hipótese
de que a fase que ele chama de "era de ouro" dos avanços
sociais no Brasil, de 2003 a 2008 (ou de 2001 a 2008, quando se toma
a desigualdade) prolongue-se por mais cinco anos, depois de um momento
de estagnação em 2009, em função da crise
global.
Entre 2003 e 2008, 32 milhões
de brasileiros ascenderam às classes A, B e C, e 19,3 milhões
saíram da pobreza, provocando uma redução de 43%
na proporção de pobres. O consumo popular cresceu e fortaleceu
o mercado interno.
Simultaneamente, ele supõe
que a queda da desigualdade verificada de 2001 a 2008 prossiga até
2015, levando os índices brasileiros para o nível atual
do Espírito Santo.
Com base na Pnad de 2008, o
índice de Gini da renda familiar per capita do Brasil em 2008
era de 0,5486, comparado a 0,518 do Espírito Santo. Em 2003,
o Gini brasileiro era de 0,583. O Gini é um indicador de desigualdade
que varia de zero a 1, e indica piores distribuições à
medida que vai aumentando.
Classe média
As projeções apontam
uma profunda mudança no perfil social do Brasil, que caminharia
para se tornar um país de classe média. Se à classe
E for acrescentada a classe D, que também está próxima
à pobreza, chega-se a uma proporção da população
de 40% em 2008, que deve cair para 28% no início de 2015.
Já a classe C, correspondente
à classe média popular, cresce de 49% para 56,5%, tornando-a
a maioria absoluta do população. As classes A e B, finalmente,
sobem de 10,5% para 15,7%. Assim, a classe média como um todo,
que hoje já corresponde a pouco mais de 60%, incluindo-se a classe
C, sobe para 72%.
O otimismo de Neri se
apoia em algumas evidências de que a melhora social brasileira
no período 2003-2008 tem fundamentos sólidos. Ele nota
que, nesse período, enquanto a renda média de todas as
fontes cresceu em média 5,26%, a renda do trabalho teve uma expansão
anual de 5,13%.
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BEM PARANÁ, 04 de
janeiro de 2010 | Economia
Tributos
Arrecadação chega a R$ 1,090
trilhão
A arrecadação tributária brasileira deve bater
a marca histórica de R$ 1,090 trilhão até amanhã,
estima o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT).
Caso o número seja confirmado, trata-se de um aumento de 3% sobre
o total arrecado em 2008. Para o ano corrente, as projeções
sobre o crescimento da economia oscilam entre zero e 0,2%.
O IBPT leva em conta o ritmo
de atualização do chamado “Impostômetro”
(painel eletrônico instalado na sede da Associação
Comercial de São Paulo que mostra, em tempo real, o total da
arrecadação no país).
O Impostômetro ultrapassou a marca de R$ 1 trilhão no último
dia 14. Ele foi inaugurado em 2005, e é mantido pela ACSP, sendo
baseado nas estatísticas realizadas pelo IBPT. O painel busca
refletir o total arrecadado pela União, Estado e municípios.
Para 2010, o instituto estima uma arrecadação ainda maior,
na casa de R$ 1,25 trilhão. Economistas projetam um incremento
do PIB (total das riquezas do país) em torno de 5% para o ano
que vem.
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BEM PARANÁ, 04 de
janeiro de 2010 | Economia
IPCA
Estimativa para inflação
oficial em 2010 fica estável em 4,5%
Para o Índice Geral de Preços
de Mercado, neste ano, a projeção caiu de 4,50% para 4,43%
A projeção dos analistas do mercado financeiro para a
inflação medida pelo Índice de Preços ao
Consumidor Amplo (IPCA), em 2010 foi mantida em 4,5%, o centro da meta
para este ano e 2009. Essa meta tem limite inferior de 2,5% e superior
de 6,5%.
A estimativa é do boletim
Focus, publicação semanal do Banco Central (BC), elaborada
com base em projeções dos analistas do mercado financeiro
para os principais indicadores da economia.
Para 2009, os analistas também
não alteraram a estimativa de 4,28%. Cabe ao BC perseguir a meta
de inflação e para isso usa como instrumento a taxa básica
de juros, a Selic, que atualmente está em 8,75% ao ano. Ao final
de 2010, a previsão é que a taxa alcance 10,75% ao ano,
a mesma estimativa do boletim anterior.
Os analistas também fazem
projeções para outros índices de inflação.
A estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor (IPC),
da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe),
foi mantida em 4,50% neste ano e alterada de 3,78% para 3,77% em 2009.
Segundo o boletim, foi reforçada
a expectativa de deflação do Índice Geral de Preços
Disponibilidade Interna (IGP-DI), que passou de -1,30% para -1,32%,
em 2009. Por sua vez, a projeção para esse índice,
neste ano, é de inflação de 4,50%, a mesma estimativa
do boletim anterior.
Para o Índice Geral de
Preços de Mercado (IGP-M), neste ano, a projeção
caiu de 4,50% para 4,43%.
A expectativa para os
preços administrados, neste ano, foi mantida em 3,5% e para 2009
foi ajustada de 4,40% para 4,36%. Os preços administrados são
aqueles cobrados por serviços monitorados, como combustíveis,
energia elétrica, telefonia, medicamentos, água, educação,
saneamento e transporte urbano coletivo.
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ÚLTIMO SEGUNDO, 04
de janeiro de 2010 | Economia
Empresas de construção civil
têm o maior ganho de valor de mercado em 2009
Olívia Alonso, iG São Paulo
As empresas brasileiras do setor
de construção civil com capital aberto apresentaram crescimento
de 367,9% de valor de mercado em 2009, de acordo com pesquisa da consultoria
Economática. No final de 2008, o valor das empresas do setor
totalizava US$ 6,5 bilhões, contra US$ 30,6 bilhões em
28 de dezembro de 2009.
O setor com segundo maior crescimento
no período é o de papel e celulose, com crescimento de
263,2%, para US$ 17,1 bilhões.
A média de crescimento
do mercado brasileiro, representado por 304 empresas, é de 129,6%,
ou US$ 691,3 bilhões. No final de 2008 o valor de mercado do
grupo era de US$ 533,6 bilhões, cifra que subiu para US$ 1,224
trilhões em 28 de dezembro de 2009.
Dos 23 setores analisados, 13
têm crescimento percentual superior a média do País
e dez ficam abaixo da média, sendo o setor de Instituição
de intermediação de crédito (não receptora
de depósitos) o que apresenta o menor crescimento em 2009 com
45,2%, segundo a Economática.
Quatro setores correspondem
a 60% do total
Os setores de bancos, petróleo
e gás, mineração e energia elétrica, juntos,
correspondem a 60,5% do total do valor de mercado das empresas brasileiras
que fazem parte da pesquisa. Representados por 64 empresas, de um total
de 304 companhias contabilizadas, esses quatro setores somavam US$ 741,1
bilhões em 28 de dezembro de 2009.
O setor bancário é o mais representativo, com valor de
mercado de US$ 259,6 bilhões. Em comparação com
o final de 2008, o crescimento das instituições bancárias
foi de 125,9%.
O setor de petróleo
e gás é o segundo de valor mais alto, com US$ 231,8 bilhões.
Em seguida, estão o setor de mineração, com US$
144,8 bilhões, e o de energia elétrica, com US$ 104,9
bilhões.
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Folha de S.Paulo, 4 de janeiro
de 2010
ENTREVISTA - EDISON LOBÃO
Brasil não pode se tornar refém
de ambientalistas
Ministro de Minas e Energia diz que
atraso em liberação de usinas hidrelétricas fará
consumidor pagar mais caro por energia de geração térmica,
mais poluente
VALDO CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva deverá enviar ao Congresso em 2010 um projeto de
lei que prevê a criação de benefícios fiscais
para a implantação de usinas siderúrgicas no país.
O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse à Folha
que o objetivo da medida é reduzir a exportação
de minério de ferro bruto, uma bandeira de Lula e um dos motivos
das desavenças entre o presidente e o comando da mineradora Vale
do Rio Doce no ano passado.
Na entrevista, Lobão também afirma que o Brasil não
pode ficar "refém dos humores" do Meio Ambiente. Caso
contrário, vai enfrentar "dificuldades" no futuro na
área energética.
Segundo Lobão, essas
dificuldades não serão de falta de energia, mas da necessidade
de o consumidor pagar por uma energia "mais cara e poluente"
das termelétricas. Elas terão de ser acionadas se as usinas
hidrelétricas em construção sofrerem grandes atrasos.
O ministro volta a repetir que o apagão ocorrido no país
no início de novembro passado, que afetou 18 Estados mais o Distrito
Federal, deveu-se a "fenômenos atmosféricos adversos"
e afirma: "Eu quase diria que estou torcendo para que haja uma
falha técnica, para que ela possa ser corrigida daqui para a
frente. Mas até agora não apareceu". A seguir, os
principais trechos da entrevista:
FOLHA - Qual lição o apagão deixou? Houve
falha de manutenção?
LOBÃO - Nós não temos nenhuma ideia fixa no sentido
de defender o sistema naquilo em que ele eventualmente não devesse
ser defendido. Mas nosso sistema de transmissão de energia é
considerado um dos melhores do mundo, senão o melhor.
FOLHA - Mas nenhuma
falha foi identificada no apagão?
LOBÃO - Não. Já fizemos vários
estudos, relatórios, e a conclusão é que tinha
havido realmente fenômenos atmosféricos adversos. Bem,
ainda estamos fazendo novas investigações. Se você
me perguntar, eu quase diria que estou torcendo para que haja uma falha
técnica para que ela possa ser corrigida daqui para a frente.
Mas até agora não apareceu.
FOLHA - Segundo as previsões,
o país volta a crescer acima de 5% neste ano. E várias
usinas hidrelétricas em construção estão
enfrentando problemas no seu cronograma de obras. Isso não coloca
em risco o fornecimento de energia?
LOBÃO - Nós não trabalhamos com a possibilidade
de racionamento de energia no Brasil. Além das hidrelétricas
que estamos construindo, ou em fase de licitação e de
recebimento das licenças ambientais, temos a solidez das termelétricas,
que constituem uma energia cara e poluente. Todavia é um estoque
de energia que possuímos, estoque estratégico. Falhando
o sistema hídrico, seja porque não choveu, seja porque
não se conseguiram as licenças a tempo, entrará
em funcionamento o sistema térmico do país.
FOLHA - É a melhor
solução?
LOBÃO - Não, é a pior solução.
Mas é um estoque estratégico que possuímos.
FOLHA - Como o sr. classifica
o embate no governo em torno das licenças ambientais para a construção
de usinas hidrelétricas?
LOBÃO - Não quero qualificar as dificuldades
que temos tido com o Meio Ambiente. Temos tido, sim, tais dificuldades
intensamente cada vez mais. O caso de Belo Monte [no rio Xingu, no Pará]
é um exemplo flagrante. Não se concedeu a licença,
embora o ministro do Meio Ambiente [Carlos Minc] e o presidente do Ibama
[Roberto Messias], numa reunião com o presidente, com a ministra
Dilma [Rousseff], comigo e com outras autoridades, tenham nos garantido
para o mês de novembro [passado] a emissão da licença
ambiental.
FOLHA - Não veio?
LOBÃO - Eu, perguntado pela imprensa, declarei que na
segunda-feira seguinte a licença seria concedida. Isso foi motivo
para que um alto funcionário do Ibama dissesse que não
estava concedendo a licença porque os ministros do Gabinete Civil
e de Minas e Energia haviam marcado data para a concessão da
licença. Ora, a data foi marcada pelo ministro do Meio Ambiente
e pelo presidente do Ibama no Palácio do Planalto. Não
era motivo para que a licença não fosse concedida. O Brasil
não pode ficar refém dos humores do Meio Ambiente. Não
há energia melhor, mais limpa e mais barata do que a hídrica.
Mas, como estamos sujeitos aos humores do Meio Ambiente, poderemos ter
dificuldades no futuro. Dificuldades de que natureza? Falta de energia?
Não, mas seguramente vamos ter que pagar, o consumidor vai ter
que pagar por uma energia mais cara e poluente.
FOLHA - É um
contrassenso?
LOBÃO - Acho um contrassenso. Até porque estamos
tendo todos os cuidados no sentido de que os reservatórios das
hidrelétricas sejam os menores possíveis e estamos até,
já agora, introduzindo um sistema de reflorestamento de toda
devastação feita em volta da construção
de uma hidrelétrica.
FOLHA - Os projetos
do marco regulatório do pré-sal não foram aprovados
no tempo esperado e devem avançar no calendário eleitoral.
Isso compromete os planos do governo de fazer os leilões neste
ano?
LOBÃO - Compromete. Nós imaginávamos que
poderíamos realizar esses leilões ainda no fim de 2009
ou no começo deste ano. Já verificamos que isso não
será possível. As leis não foram votadas.
FOLHA - O que aconteceu?
LOBÃO - Dificuldades de entendimentos entre os próprios
parlamentares, a questão dos royalties [distribuídos a
Estados e municípios] sobretudo.
FOLHA - O sr. acha que
coloca em risco até a aprovação em 2010?
LOBÃO - Não tenho esse receio. Na medida em que
se observa que há essa possibilidade, o presidente Lula pode
solicitar a urgência [para a tramitação dos projetos]
que ele havia retirado no começo [em setembro, dias após
ter enviado os projetos de lei ao Congresso].
FOLHA - E o novo código
de mineração, quando ele será enviado ao Congresso?
Terá aumento dos royalties cobrados das mineradoras ou do imposto
de exportação?
LOBÃO - Ainda não está definido. Queremos
fazer algo que modernize todo o sistema, mas sem embaraços às
empresas exportadoras. É claro que, na medida em que nos convencermos
de que estamos cobrando taxas muito inferiores do que o mundo cobra,
teremos que aumentar um pouco.
FOLHA - O marco regulatório
vai tratar da preocupação do presidente Lula, revelada
no embate com a Vale, de reduzir a exportação de minério
de ferro bruto e aumentar a de produtos acabados?
LOBÃO - Não, não deve constar do novo
código mineral brasileiro. Mas o presidente está disposto
a enviar um outro projeto de lei ao Congresso estabelecendo vantagens
para quem produzir aqui, quem se implantar na transformação
do minério em produtos acabados.
FOLHA - Que benefício?
LOBÃO - Benefícios fiscais. Hoje o benefício
fiscal é o contrário. Consegue benefício quem exporta
o minério bruto. Ou semiacabado ou semielaborado. E cobra dos
produtos acabados. A ideia é inverter. Basta inverter para resolver
o problema.
FOLHA - O empresário
Jorge Gerdau diz que hoje há capacidade ociosa no parque siderúrgico
e diz que construir novas usinas siderúrgicas não é
a solução.
LOBÃO - Olha, o doutor Jorge Gerdau é um dos
maiores empresários brasileiros, um dos maiores do mundo. É
um empresário de grande competência e temos orgulho da
presença dele no setor produtivo nacional. O que não quer
dizer que estejamos absolutamente de acordo com todas as concepções
empresariais dele.
FOLHA - E o botijão
de gás social, vai sair?
LOBÃO - Foi uma ideia do presidente Lula, que solicitou
ao Ministério de Minas e Energia um trabalho nesse sentido. O
presidente quer um abatimento de 20% a 30% no preço do botijão
de gás para as famílias de baixa renda. Estamos trabalhando
nessa direção. Procurando meios e modos de encontrar uma
solução. A primeira que encontramos foi no sentido de
o Tesouro financiar. O Ministério da Fazenda, obviamente, não
gosta dessa solução. Isso importaria num custo da ordem
de R$ 1 bilhão por ano. Estamos procurando outras saídas.
FOLHA - Quem é
o melhor vice do seu partido [o PMDB] para compor a chapa com ministra
Dilma?
LOBÃO - Há muitos nomes bons. Mas eu creio que
o nome do presidente do partido, Michel Temer, por ser exatamente aquele
que, no meu entendimento, mais agrega, mais une o partido, é
o melhor nome.
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Gazeta do Povo, 4 de janeiro
de 2010
Eleições
A economia faz o presidente?
Com bons indicadores previstos para o segundo semestre, tese de que
a situação econômica é a principal determinante
do voto será colocada à prova
A eleição de 2010
colocará à prova a tese de que é o cenário
econômico que faz o sucessor presidencial. O segundo semestre
do ano que vem tende a ter uma combinação praticamente
imbatível: preços sob controle, crescimento econômico
forte, desemprego em baixa e renda em alta. Isso tudo unido a uma estratégia
de programas sociais ampliados, correção real do salário
mínimo e de políticas que afagaram com pequenas benesses
quase todos os setores da economia.
“O que mais influencia
o eleitor é o estômago. Ele quer saber se vai poder comprar
geladeira, se tem fartura em casa. A relação da economia
com a decisão de voto é direta”, diz o cientista
político Gaudêncio Torquato, professor da Universidade
de São Paulo (USP). “O governo será extremamente
beneficiado em fazer seu sucessor.”
A tese de que a economia faz
um presidente foi desenvolvida por especialistas do ramo chamado de
“public choice” (“escolha pública”, em
uma tradução livre do inglês), que aplicam análises
matemáticas para temas políticos. Vários trabalhos
tentam explicar, por exemplo, como um programa de governo precisa equilibrar
temas populares entre os eleitores e outros que ajudam a captar recursos
entre grupos de interesse. Outros pesquisadores tentam achar uma ligação
entre índices de inflação e o humor nas urnas.
“A economia é o
principal determinante do voto. Os eleitores olham principalmente
para a queda do desemprego e para o controle da inflação.
É onde ele mais percebe o desempenho econômico”,
diz o cientista político Malco Braga Camargos, professor da Pontifícia
Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG).
Uma das tentativas de traduzir
essa relação em números é do economista
norte-americano Douglas Hibbs, professor da Universidade
de Gotemburgo, na Suécia. Ele criou o modelo “pão
e paz” e faz previsões para todas as eleições
nos Estados Unidos na qual cruza dados da renda dos americanos e, mais
recentemente, das guerras das quais o país participa. Ele antecipou
a margem ampla conseguida por Barack Obama em 2008, mas errou,
pelo menos parcialmente, ao prever a vitória do democrata Al
Gore, em 2000.
A eleição americana
de 2000, vencida por George W. Bush, é um sinal de que Lula não
pode dar o pleito como vencido. “O Bush vendeu a ideia de que
o crescimento dos anos do presidente Bill Clinton, aliado de Gore, foram
fruto do trabalho dos norte-americanos e não do governo”,
lembra Luciano Dias, cientista político e analista da CAC Consultoria
Política. Pregando a redução do Estado,
com cortes de impostos, Bush ganhou votos preciosos em uma eleição
decidida nos tribunais – Gore, como previu Hibbs, teve a maior
votação, mas perdeu em estados importantes no sistema
eleitoral americano.
Onde criticar?
O desafio para a oposição
no Brasil será encontrar um ponto fraco na economia.
“O crescimento em 2010 será de pelo menos 5%, com uma expansão
da indústria acima de 7%. E o momento de maior dinamismo será
entre o segundo e o terceiro trimestre, perto das eleições”,
prevê Julio Hegedus, economista-chefe da consultoria Lopes Filho
& Associados. Nas contas da LCA Consultoria,
o crescimento pode chegar perto de 6%, com risco muito baixo de aceleração
da inflação. “Não existe razão para
supor que o consumo não vai continuar crescendo, já que
esperamos uma aceleração na geração de empregos”,
diz Fernando Sampaio, economista da LCA.
O desemprego baixo, aliás,
será outro trunfo para o candidato governista. “A taxa
deve fechar 2009 em um nível muito melhor do que o imaginado
mesmo pelos mais otimistas e não deve subir
no ano que vem”, diz Sampaio. É provável, aliás,
que o desemprego, hoje em 7,5%, caia abaixo dos
7% no fim de 2010.
O ponto fraco da economia que
tem mais chances de ser usado pela oposição está
nas contas públicas. Os gastos do governo, mesmo com a crise,
crescem a uma taxa de 20% ao ano, o que força a carga tributária
a ficar em um nível elevado, de 36% do PIB. “A oposição
pode montar o discurso de que vai trabalhar com mais eficiência,
mas não tem como se contrapor à política econômica
em si”, diz Camargos, da PUC-MG.
Mercados
“Terceira via” aumenta
risco
O maior risco político
para a economia em 2010 é o aparecimento de uma terceira candidatura,
fora do eixo PT-PSDB, com um programa de governo contra o modelo atual.
Mantida a polarização entre governo e oposição,
a tendência é que a bolsa de valores e o câmbio sintam
pouco o debate eleitoral. “As principais forças partidárias
avaliam que o desenho da política econômica dá retorno
político, o que reduz as chances de mudanças mais substanciais”,
analisa Fernando Sampaio, Economista da LCA Consultores.
Há, porém, alguns
riscos, ainda que na mesmice. O primeiro está na transição
dentro do Banco Central, com a saída de seu presidente, Henrique
Meirelles. A escolha de um nome politicamente carregado pode ser mal
recebida pelos mercados. Outro risco de longo prazo é a manutenção
de um déficit público elevado, mesmo após a saída
da recessão. (GO)
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Folha de S.Paulo, 4 de janeiro
de 2010
Batalha de números abre ano eleitoral
Petistas e tucanos montam dossiês com
dados, listam suas realizações e trocam farpas sobre verbas
federais e estaduais | Investimentos nas áreas de saneamento
e de habitação devem permear início dos debates
pré-eleitorais entre Dilma Rousseff e José Serra
DA REPORTAGEM LOCAL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Mesmo antes do início
oficial da campanha, os governos federal e paulista e os aliados da
ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) e de José Serra já
preparam levantamentos para a guerra de realizações.
Serra deve priorizar pesquisas de satisfação com programas
do governo paulista, como as AMEs (Ambulatórios Médicos
de Especialidades) ou Poupatempo (rede de serviços).
Na conta de obras do governo federal estarão investimentos em
habitação e saneamento. Pelas estimativas do Executivo,
as duas áreas deverão beneficiar diretamente ao menos
1,5 milhão de famílias.
O Palácio dos Bandeirantes, por sua vez, dirá que o programa
Onda Limpa, de ampliação de coleta de esgoto na Baixada
Santista e no litoral norte paulista, "é uma das maiores
iniciativas de saneamento do país".
Segundo o governo paulista, o índice de coleta de esgoto passará
de 35% para 70% em Caraguatatuba, de 44% para 46% em São Sebastião,
de 28% para 36% em Ubatuba e de 4% para 36% em Ilhabela, todos eles
municípios do litoral norte.
"A diferença é que o governo Serra tem grande capacidade
de executar as verbas em obras de interesse da população
e não em aumento de cargos", afirma o secretário-geral
do PSDB paulista, Cesar Gontijo.
"O governo Serra está sendo beneficiado por recursos federais.
Ele se apropria da política de expansão do presidente
Lula, mas, ainda assim, é incapaz de usar todo o dinheiro destinado
a São Paulo. Há verbas paradas na Sabesp [companhia de
saneamento] e para a canalização do córrego Pirajussara
[na capital]", diz o deputado federal Carlos Zaratini (PT-SP).
Só
o começo
Em outubro, quando liderou uma caravana de ministros e técnicos
para visitar as obras da transposição do São Francisco,
o presidente Lula deixou claro que a fase de inauguração
de obras estava só começando.
A oposição criticou a viagem, acusando o governo de fazer
campanha antecipada.
"Agora desgraçou tudo. Agora os homens estão ficando
nervosos porque estamos inaugurando obras. É a primeira vez na
vida que eu vejo alguém ficar nervoso porque se inaugura obra.
Quando eu fazia oposição, eu ficava nervoso porque não
tinha obra, não tinha nada (...) Só peço calma
porque nós ainda nem começamos a inaugurar o que nós
temos que inaugurar neste país", disse, na época,
o presidente.
Já o governador de São Paulo, José Serra, tornou-se
o único pré-candidato do PSDB à Presidência,
após a desistência, em dezembro, do colega de partido e
governador de Minas Gerais, Aécio Neves, de disputar a indicação
da sigla.
Dizendo ter "nervos de aço na política", Serra
passou 2009 afirmando que era "muito cedo" para discutir a
sucessão presidencial. A estratégia do governador é
postergar o anúncio oficial de sua candidatura, mas aliados articulam
a campanha do tucano e prometem festas em inaugurações.
(FERNANDO BARROS DE MELLO, SIMONE IGLESIAS E JOSÉ ALBERTO BOMBIG)
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