Informativo Eletrônico n.º 1.531   -   Ano 07   -   Curitiba (PR), 04 de janeiro de 2010.

 

PORTAL UAI/ MINAS GERAIS, 04 de janeiro de 2010 | Economia
Construção civil será a maior vedete do emprego em 2010
Paula Takahashi - Estado de Minas


Canteiros de obras vão atrair trabalhadores, com chances para mulheres, agora disputadas no setor

A construção civil será o destaque da geração de vagas este ano. “Foi um pulo em relação ao último trimestre de 2009. Passou de 7% de expectativa de emprego para 46% no começo de 2010, saltando da última para a primeira colocação entre os oito setores pesquisados”, afirma Pedro Guimarães, diretor comercial da Manpower, que pesquisou as intenções de contratações entre 71 mil empregadores de 35 países. Todos os segmentos apresentaram expectativas positivas na geração de vagas. A construção foi seguida por finanças e seguros imobiliários, serviços, transportes e serviços públicos, comércio atacadista e varejista, indústria, administração pública, agricultura e mineração.

Para a consultoria Tendências, a indústria deve começar o ano como uma das grandes geradoras de postos de trabalho. “O setor ainda tem muito o que se recuperar em termos de produção e, como foi o que mais perdeu vagas, vai precisar de muita gente para reposição”, avalia Bernardo Wjuniski, economista da Tendências. Para Fernando Sette, superintendente de Estado de Desenvolvimento Social de Minas Gerais, o setor de serviços, especializado em preparativos para a Copa do Mundo de 2014, também se destacará. “Construção de hotéis, turismo receptivo, tudo isso terá crescimento não apenas em Belo Horizonte como nas outras cidades mineiras que serão subsede da Copa”, avalia.

É o que espera Dirce Mara Pego de Lima, desempregada há mais de três anos, que retorna agora para o mercado de trabalho. “Estou muito otimista por tudo que tenho ouvido do governo. Vejo que as oportunidades estão mais frequentes e gostaria muito de conseguir uma vaga como motorista”, afirma. O primeiro passo, além de se inscrever no Sistema Nacional de Emprego (Sine), é procurar uma qualificação. Investimento que o Sine já está fazendo. “Em 2009, até novembro, captamos 150 mil vagas e pretendemos bater esse número em 2010. Outro foco será a qualificação e treinamento da mão de obra”, afirma Sette.

Glória

Para o diretor da empresa de recursos humanos Robert Half, Fernando Mantovani, até o final do ano, o cenário para o mercado de trabalho será semelhante ao vivenciado nos meses de glória de 2008. “Os setores que mais chamam a atenção são os de engenharia, óleo e gás, que viverão anos de sucessivo incremento, bens de consumo e indústria farmacêutica”, avalia. “Haverá uma grande recuperação em construção civil em decorrência dos programas de moradia e pelo fato de ser ano eleitoral e o governo sempre gastar um pouco mais em obras públicas. O setor de bens de capital também viverá o ano da virada”, acrescenta Mantovani.

O momento, porém, ainda não será de grandes chances de trabalho no mercado externo. “As oportunidades mais interessantes estarão dentro do Brasil. Países principalmente da Europa e os próprios Estados Unidos não experimentarão o mesmo crescimento”, avalia Mantovani.

 

ADMINISTRADORES.COM, 04 de janeiro de 2010
Internet e construção civil são promessas de trabalho
Por Letícia Casado

Boas oportunidades esperam por aqueles que querem uma chance para se mover no mercado de trabalho, mas o terreno promissor passa pelo endereço de uma página de internet ou de um imóvel em construção. Jornalismo online, lojas virtuais e informática são algumas das profissões que mais vão abrir vagas em 2010, segundo informações da Catho Online, uma das maiores empresas de recolocação de profissionais do Brasil.

A construção civil também vai contratar. Engenheiros, arquitetos, pedreiros, mestres de obras, comerciantes e fabricantes para lojas de material de construção serão bastante procurados.

O vice-presidente de política, relações trabalhistas e recursos humanos do Sinduscon-MG (Sindicato da Construção Civil de Minas Gerais), Bruno Vinícius Magalhães, conta que as vagas no setor já estão sendo ocupadas “em todos os níveis de qualificação e instrução, desde o servente até o engenheiro”.

Direito empresarial e mercado financeiro vão precisar de profissionais, avisa a consultora de recursos humanos da Catho Online, Gláucia Santos. Além dessas áreas, “todos os níveis hierárquicos administrativos e comerciais” têm bastante procura, mas a oferta também é grande.

A crise na economia em 2009 não mudou o nível de contratação da empresa, que conseguiu encaixar no mercado entre 8% e 9% dos seus assinantes. Mesmo assim, Gláucia acredita que muita gente deixou de procurar trabalho e “fez um esforço” para continuar onde estava.

- Os profissionais ficaram preocupados em garantir o emprego porque o mercado estava abalado e havia risco de demissões.

Em 2010 vai ser diferente. A disposição para contratações já está aumentando.

- O ano vai ser bom para quem quer mudar de emprego ou conseguir o primeiro trabalho.

Os três primeiros meses são os mais aconselháveis para tentar essa mudança. Já há ofertas, mas o período forte de contratações até março.


O ESTADO DO PARANÁ, 04 de janeiro de 2010 | Economia
Cresce formalização do trabalho no Brasil, diz estudo
Agência Estado

Aos poucos, a formalização avança no Brasil e reduz o universo dos trabalhadores informais que ganham a vida em casa ou nas ruas. É o que mostram dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Segundo o pesquisador Marcelo Neri, do Centro de Pesquisas Sociais (CPS) da FGV, a parte da população na categoria empregador aumentou de 3.347.564 (2007) para 4.095.249 (2008). Em parte, isso ocorre pela pressão dos formalizados sobre os informais.

"Imagine o impacto do McDonald's na Rocinha na vida do vendedor de churrasquinho. Isso acontece em diferentes tipos de negócio", analisa Néri. Um dos empurrões para o crescimento das empresas formais foi a Lei do Microempreendedor Individual, em vigor desde junho. A previsão era que até dezembro se chegasse a 100 mil microempresários regularizados. Mas 2009 deve fechar com 110 mil, segundo previsão do Ministério do Desenvolvimento e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). A adesão não foi maior porque, nos primeiros meses, o site para a regularização das empresas teve problemas.

Outra peculiaridade de 2009 foi que, pela primeira vez, o número de empreendedores brasileiros por vocação superou os que procuraram ter o próprio negócio por necessidade, segundo a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), que mede a taxa de empreendedorismo em vários países, inclusive no Brasil. A relação, que normalmente era de 50%, passou a ser de dois terços para aqueles com vocação contra um terço para os abrem um negócio por necessidade. O estudo é feito pelo Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP), com o apoio do Sebrae.

"Isso tem a ver com o aumento da escolaridade e com o contexto econômico, que permite um melhor planejamento dos negócios. Além disso, os brasileiros estão cada vez mais interessados em adquirir conhecimento antes de montar um negócio", diz Ricardo Tortorella, superintendente do Sebrae de São Paulo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


BLOG DO NOBLAT, 04 de janeiro de 2010
Deu em O Globo
Um milhão de imóveis em 2010
Associação prevê aumento de 25% nas unidades financiadas com recursos de FGTS e poupança

De Geralda Doca:

O setor da construção civil deverá ser um dos motores da economia em 2010, devendo superar a marca de um milhão de unidades, tanto para famílias de baixa renda, quanto de classe média.

O número representa um crescimento de 25% sobre o total de moradias financiadas em 2009.

A projeção é da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) e considera as duas principais fontes de recursos da habitação, que são o FGTS e a poupança.


O ESTADO DO PARANÁ, 04 de janeiro de 2010 | Economia
Número de miseráveis cairá pela metade até 2015
Agência Estado

Nos próximos cinco anos, o Brasil deve reduzir o número de miseráveis pela metade e aumentar em 50% as classes A e B. A projeção é de Marcelo Neri, diretor do Centro de Políticas Sociais, da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Conforme sua estimativa, no início de 2015, os pobres serão apenas 8% dos brasileiros, caindo para quase um quarto da proporção que vigorava em 1993, de 35%.

Em pouco mais de duas décadas (1993-2005), um contingente de 51,6 milhões de brasileiros muito pobres, numa população de 147 milhões, será reduzido para 16,1 milhões, em 222 milhões - ou seja, uma queda de quase 70% em termos absolutos, mesmo levando-se em conta o aumento populacional.

A linha de pobreza utilizada por Neri corresponde a uma renda per capita familiar de R$ 137 na média do Brasil (a linha varia de acordo com a região). Nesse conceito, que representa uma linha de pobreza relativamente baixa (alguns consideram que seja uma linha de extrema pobreza), os pobres correspondem exatamente à classe E.

Neri diz que aquele é um cenário "auspicioso", ou de "otimismo condicionado à manutenção das políticas razoáveis aplicadas entre 2003 e 2008". Mas não julga a projeção nem um pouco improvável. Na verdade, baseia-se na hipótese de que a fase que ele chama de "era de ouro" dos avanços sociais no Brasil, de 2003 a 2008 (ou de 2001 a 2008, quando se toma a desigualdade) prolongue-se por mais cinco anos, depois de um momento de estagnação em 2009, em função da crise global.

Entre 2003 e 2008, 32 milhões de brasileiros ascenderam às classes A, B e C, e 19,3 milhões saíram da pobreza, provocando uma redução de 43% na proporção de pobres. O consumo popular cresceu e fortaleceu o mercado interno.

Simultaneamente, ele supõe que a queda da desigualdade verificada de 2001 a 2008 prossiga até 2015, levando os índices brasileiros para o nível atual do Espírito Santo.

Com base na Pnad de 2008, o índice de Gini da renda familiar per capita do Brasil em 2008 era de 0,5486, comparado a 0,518 do Espírito Santo. Em 2003, o Gini brasileiro era de 0,583. O Gini é um indicador de desigualdade que varia de zero a 1, e indica piores distribuições à medida que vai aumentando.

Classe média

As projeções apontam uma profunda mudança no perfil social do Brasil, que caminharia para se tornar um país de classe média. Se à classe E for acrescentada a classe D, que também está próxima à pobreza, chega-se a uma proporção da população de 40% em 2008, que deve cair para 28% no início de 2015.

Já a classe C, correspondente à classe média popular, cresce de 49% para 56,5%, tornando-a a maioria absoluta do população. As classes A e B, finalmente, sobem de 10,5% para 15,7%. Assim, a classe média como um todo, que hoje já corresponde a pouco mais de 60%, incluindo-se a classe C, sobe para 72%.

O otimismo de Neri se apoia em algumas evidências de que a melhora social brasileira no período 2003-2008 tem fundamentos sólidos. Ele nota que, nesse período, enquanto a renda média de todas as fontes cresceu em média 5,26%, a renda do trabalho teve uma expansão anual de 5,13%.


BEM PARANÁ, 04 de janeiro de 2010 | Economia
Tributos
Arrecadação chega a R$ 1,090 trilhão

A arrecadação tributária brasileira deve bater a marca histórica de R$ 1,090 trilhão até amanhã, estima o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). Caso o número seja confirmado, trata-se de um aumento de 3% sobre o total arrecado em 2008. Para o ano corrente, as projeções sobre o crescimento da economia oscilam entre zero e 0,2%.

O IBPT leva em conta o ritmo de atualização do chamado “Impostômetro” (painel eletrônico instalado na sede da Associação Comercial de São Paulo que mostra, em tempo real, o total da arrecadação no país).

O Impostômetro ultrapassou a marca de R$ 1 trilhão no último dia 14. Ele foi inaugurado em 2005, e é mantido pela ACSP, sendo baseado nas estatísticas realizadas pelo IBPT. O painel busca refletir o total arrecadado pela União, Estado e municípios.

Para 2010, o instituto estima uma arrecadação ainda maior, na casa de R$ 1,25 trilhão. Economistas projetam um incremento do PIB (total das riquezas do país) em torno de 5% para o ano que vem.

 

BEM PARANÁ, 04 de janeiro de 2010 | Economia
IPCA
Estimativa para inflação oficial em 2010 fica estável em 4,5%
Para o Índice Geral de Preços de Mercado, neste ano, a projeção caiu de 4,50% para 4,43%

A projeção dos analistas do mercado financeiro para a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), em 2010 foi mantida em 4,5%, o centro da meta para este ano e 2009. Essa meta tem limite inferior de 2,5% e superior de 6,5%.

A estimativa é do boletim Focus, publicação semanal do Banco Central (BC), elaborada com base em projeções dos analistas do mercado financeiro para os principais indicadores da economia.

Para 2009, os analistas também não alteraram a estimativa de 4,28%. Cabe ao BC perseguir a meta de inflação e para isso usa como instrumento a taxa básica de juros, a Selic, que atualmente está em 8,75% ao ano. Ao final de 2010, a previsão é que a taxa alcance 10,75% ao ano, a mesma estimativa do boletim anterior.

Os analistas também fazem projeções para outros índices de inflação. A estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), foi mantida em 4,50% neste ano e alterada de 3,78% para 3,77% em 2009.

Segundo o boletim, foi reforçada a expectativa de deflação do Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGP-DI), que passou de -1,30% para -1,32%, em 2009. Por sua vez, a projeção para esse índice, neste ano, é de inflação de 4,50%, a mesma estimativa do boletim anterior.

Para o Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M), neste ano, a projeção caiu de 4,50% para 4,43%.

A expectativa para os preços administrados, neste ano, foi mantida em 3,5% e para 2009 foi ajustada de 4,40% para 4,36%. Os preços administrados são aqueles cobrados por serviços monitorados, como combustíveis, energia elétrica, telefonia, medicamentos, água, educação, saneamento e transporte urbano coletivo.


ÚLTIMO SEGUNDO, 04 de janeiro de 2010 | Economia
Empresas de construção civil têm o maior ganho de valor de mercado em 2009
Olívia Alonso, iG São Paulo

As empresas brasileiras do setor de construção civil com capital aberto apresentaram crescimento de 367,9% de valor de mercado em 2009, de acordo com pesquisa da consultoria Economática. No final de 2008, o valor das empresas do setor totalizava US$ 6,5 bilhões, contra US$ 30,6 bilhões em 28 de dezembro de 2009.

O setor com segundo maior crescimento no período é o de papel e celulose, com crescimento de 263,2%, para US$ 17,1 bilhões.

A média de crescimento do mercado brasileiro, representado por 304 empresas, é de 129,6%, ou US$ 691,3 bilhões. No final de 2008 o valor de mercado do grupo era de US$ 533,6 bilhões, cifra que subiu para US$ 1,224 trilhões em 28 de dezembro de 2009.

Dos 23 setores analisados, 13 têm crescimento percentual superior a média do País e dez ficam abaixo da média, sendo o setor de Instituição de intermediação de crédito (não receptora de depósitos) o que apresenta o menor crescimento em 2009 com 45,2%, segundo a Economática.

Quatro setores correspondem a 60% do total

Os setores de bancos, petróleo e gás, mineração e energia elétrica, juntos, correspondem a 60,5% do total do valor de mercado das empresas brasileiras que fazem parte da pesquisa. Representados por 64 empresas, de um total de 304 companhias contabilizadas, esses quatro setores somavam US$ 741,1 bilhões em 28 de dezembro de 2009.

O setor bancário é o mais representativo, com valor de mercado de US$ 259,6 bilhões. Em comparação com o final de 2008, o crescimento das instituições bancárias foi de 125,9%.

O setor de petróleo e gás é o segundo de valor mais alto, com US$ 231,8 bilhões. Em seguida, estão o setor de mineração, com US$ 144,8 bilhões, e o de energia elétrica, com US$ 104,9 bilhões.


Folha de S.Paulo, 4 de janeiro de 2010
ENTREVISTA - EDISON LOBÃO
Brasil não pode se tornar refém de ambientalistas
Ministro de Minas e Energia diz que atraso em liberação de usinas hidrelétricas fará consumidor pagar mais caro por energia de geração térmica, mais poluente
VALDO CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá enviar ao Congresso em 2010 um projeto de lei que prevê a criação de benefícios fiscais para a implantação de usinas siderúrgicas no país. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse à Folha que o objetivo da medida é reduzir a exportação de minério de ferro bruto, uma bandeira de Lula e um dos motivos das desavenças entre o presidente e o comando da mineradora Vale do Rio Doce no ano passado.

Na entrevista, Lobão também afirma que o Brasil não pode ficar "refém dos humores" do Meio Ambiente. Caso contrário, vai enfrentar "dificuldades" no futuro na área energética.

Segundo Lobão, essas dificuldades não serão de falta de energia, mas da necessidade de o consumidor pagar por uma energia "mais cara e poluente" das termelétricas. Elas terão de ser acionadas se as usinas hidrelétricas em construção sofrerem grandes atrasos. O ministro volta a repetir que o apagão ocorrido no país no início de novembro passado, que afetou 18 Estados mais o Distrito Federal, deveu-se a "fenômenos atmosféricos adversos" e afirma: "Eu quase diria que estou torcendo para que haja uma falha técnica, para que ela possa ser corrigida daqui para a frente. Mas até agora não apareceu". A seguir, os principais trechos da entrevista:

FOLHA - Qual lição o apagão deixou? Houve falha de manutenção?
LOBÃO - Nós não temos nenhuma ideia fixa no sentido de defender o sistema naquilo em que ele eventualmente não devesse ser defendido. Mas nosso sistema de transmissão de energia é considerado um dos melhores do mundo, senão o melhor.

FOLHA - Mas nenhuma falha foi identificada no apagão?
LOBÃO - Não. Já fizemos vários estudos, relatórios, e a conclusão é que tinha havido realmente fenômenos atmosféricos adversos. Bem, ainda estamos fazendo novas investigações. Se você me perguntar, eu quase diria que estou torcendo para que haja uma falha técnica para que ela possa ser corrigida daqui para a frente. Mas até agora não apareceu.

FOLHA - Segundo as previsões, o país volta a crescer acima de 5% neste ano. E várias usinas hidrelétricas em construção estão enfrentando problemas no seu cronograma de obras. Isso não coloca em risco o fornecimento de energia?
LOBÃO - Nós não trabalhamos com a possibilidade de racionamento de energia no Brasil. Além das hidrelétricas que estamos construindo, ou em fase de licitação e de recebimento das licenças ambientais, temos a solidez das termelétricas, que constituem uma energia cara e poluente. Todavia é um estoque de energia que possuímos, estoque estratégico. Falhando o sistema hídrico, seja porque não choveu, seja porque não se conseguiram as licenças a tempo, entrará em funcionamento o sistema térmico do país.

FOLHA - É a melhor solução?
LOBÃO - Não, é a pior solução. Mas é um estoque estratégico que possuímos.

FOLHA - Como o sr. classifica o embate no governo em torno das licenças ambientais para a construção de usinas hidrelétricas?
LOBÃO - Não quero qualificar as dificuldades que temos tido com o Meio Ambiente. Temos tido, sim, tais dificuldades intensamente cada vez mais. O caso de Belo Monte [no rio Xingu, no Pará] é um exemplo flagrante. Não se concedeu a licença, embora o ministro do Meio Ambiente [Carlos Minc] e o presidente do Ibama [Roberto Messias], numa reunião com o presidente, com a ministra Dilma [Rousseff], comigo e com outras autoridades, tenham nos garantido para o mês de novembro [passado] a emissão da licença ambiental.

FOLHA - Não veio?
LOBÃO - Eu, perguntado pela imprensa, declarei que na segunda-feira seguinte a licença seria concedida. Isso foi motivo para que um alto funcionário do Ibama dissesse que não estava concedendo a licença porque os ministros do Gabinete Civil e de Minas e Energia haviam marcado data para a concessão da licença. Ora, a data foi marcada pelo ministro do Meio Ambiente e pelo presidente do Ibama no Palácio do Planalto. Não era motivo para que a licença não fosse concedida. O Brasil não pode ficar refém dos humores do Meio Ambiente. Não há energia melhor, mais limpa e mais barata do que a hídrica. Mas, como estamos sujeitos aos humores do Meio Ambiente, poderemos ter dificuldades no futuro. Dificuldades de que natureza? Falta de energia? Não, mas seguramente vamos ter que pagar, o consumidor vai ter que pagar por uma energia mais cara e poluente.

FOLHA - É um contrassenso?
LOBÃO - Acho um contrassenso. Até porque estamos tendo todos os cuidados no sentido de que os reservatórios das hidrelétricas sejam os menores possíveis e estamos até, já agora, introduzindo um sistema de reflorestamento de toda devastação feita em volta da construção de uma hidrelétrica.

FOLHA - Os projetos do marco regulatório do pré-sal não foram aprovados no tempo esperado e devem avançar no calendário eleitoral. Isso compromete os planos do governo de fazer os leilões neste ano?
LOBÃO - Compromete. Nós imaginávamos que poderíamos realizar esses leilões ainda no fim de 2009 ou no começo deste ano. Já verificamos que isso não será possível. As leis não foram votadas.

FOLHA - O que aconteceu?
LOBÃO - Dificuldades de entendimentos entre os próprios parlamentares, a questão dos royalties [distribuídos a Estados e municípios] sobretudo.

FOLHA - O sr. acha que coloca em risco até a aprovação em 2010?
LOBÃO - Não tenho esse receio. Na medida em que se observa que há essa possibilidade, o presidente Lula pode solicitar a urgência [para a tramitação dos projetos] que ele havia retirado no começo [em setembro, dias após ter enviado os projetos de lei ao Congresso].

FOLHA - E o novo código de mineração, quando ele será enviado ao Congresso? Terá aumento dos royalties cobrados das mineradoras ou do imposto de exportação?
LOBÃO - Ainda não está definido. Queremos fazer algo que modernize todo o sistema, mas sem embaraços às empresas exportadoras. É claro que, na medida em que nos convencermos de que estamos cobrando taxas muito inferiores do que o mundo cobra, teremos que aumentar um pouco.

FOLHA - O marco regulatório vai tratar da preocupação do presidente Lula, revelada no embate com a Vale, de reduzir a exportação de minério de ferro bruto e aumentar a de produtos acabados?
LOBÃO - Não, não deve constar do novo código mineral brasileiro. Mas o presidente está disposto a enviar um outro projeto de lei ao Congresso estabelecendo vantagens para quem produzir aqui, quem se implantar na transformação do minério em produtos acabados.

FOLHA - Que benefício?
LOBÃO - Benefícios fiscais. Hoje o benefício fiscal é o contrário. Consegue benefício quem exporta o minério bruto. Ou semiacabado ou semielaborado. E cobra dos produtos acabados. A ideia é inverter. Basta inverter para resolver o problema.

FOLHA - O empresário Jorge Gerdau diz que hoje há capacidade ociosa no parque siderúrgico e diz que construir novas usinas siderúrgicas não é a solução.
LOBÃO - Olha, o doutor Jorge Gerdau é um dos maiores empresários brasileiros, um dos maiores do mundo. É um empresário de grande competência e temos orgulho da presença dele no setor produtivo nacional. O que não quer dizer que estejamos absolutamente de acordo com todas as concepções empresariais dele.

FOLHA - E o botijão de gás social, vai sair?
LOBÃO - Foi uma ideia do presidente Lula, que solicitou ao Ministério de Minas e Energia um trabalho nesse sentido. O presidente quer um abatimento de 20% a 30% no preço do botijão de gás para as famílias de baixa renda. Estamos trabalhando nessa direção. Procurando meios e modos de encontrar uma solução. A primeira que encontramos foi no sentido de o Tesouro financiar. O Ministério da Fazenda, obviamente, não gosta dessa solução. Isso importaria num custo da ordem de R$ 1 bilhão por ano. Estamos procurando outras saídas.

FOLHA - Quem é o melhor vice do seu partido [o PMDB] para compor a chapa com ministra Dilma?
LOBÃO - Há muitos nomes bons. Mas eu creio que o nome do presidente do partido, Michel Temer, por ser exatamente aquele que, no meu entendimento, mais agrega, mais une o partido, é o melhor nome.

Gazeta do Povo, 4 de janeiro de 2010
Eleições
A economia faz o presidente?
Com bons indicadores previstos para o segundo semestre, tese de que a situação econômica é a principal determinante do voto será colocada à prova

A eleição de 2010 colocará à pro­­va a tese de que é o cenário econômico que faz o sucessor presidencial. O segundo semestre do ano que vem tende a ter uma combinação praticamente imbatível: preços sob controle, crescimento econômico forte, desemprego em baixa e renda em alta. Isso tudo unido a uma estratégia de programas sociais ampliados, correção real do salário mínimo e de políticas que afagaram com pequenas benesses quase todos os setores da economia.

“O que mais influencia o eleitor é o estômago. Ele quer saber se vai poder comprar geladeira, se tem fartura em casa. A relação da economia com a decisão de voto é direta”, diz o cientista po­­lítico Gaudêncio Torquato, professor da Universidade de São Paulo (USP). “O governo será ex­­tremamente beneficiado em fa­­zer seu sucessor.”

A tese de que a economia faz um presidente foi desenvolvida por especialistas do ramo chamado de “public choice” (“escolha pública”, em uma tradução livre do inglês), que aplicam análises matemáticas para temas políticos. Vários trabalhos tentam explicar, por exemplo, como um programa de governo precisa equilibrar temas populares entre os eleitores e outros que ajudam a captar recursos entre grupos de interesse. Outros pesquisadores tentam achar uma ligação entre índices de inflação e o humor nas urnas.

“A economia é o principal de­­terminante do voto. Os eleitores olham principalmente para a queda do desemprego e para o controle da inflação. É onde ele mais percebe o desempenho econômico”, diz o cientista político Malco Braga Camargos, professor da Pontifícia Universidade Ca­­­tólica de Minas Gerais (PUC-MG).

Uma das tentativas de traduzir essa relação em números é do economista norte-americano Dou­­glas Hibbs, professor da Uni­­versidade de Gotemburgo, na Suécia. Ele criou o modelo “pão e paz” e faz previsões para todas as eleições nos Estados Unidos na qual cruza dados da renda dos americanos e, mais recentemente, das guerras das quais o país participa. Ele antecipou a margem ampla conseguida por Bara­­ck Obama em 2008, mas errou, pelo menos parcialmente, ao prever a vitória do democrata Al Gore, em 2000.

A eleição americana de 2000, vencida por George W. Bush, é um sinal de que Lula não pode dar o pleito como vencido. “O Bush vendeu a ideia de que o crescimento dos anos do presidente Bill Clinton, aliado de Gore, foram fruto do trabalho dos norte-americanos e não do governo”, lembra Luciano Dias, cientista político e analista da CAC Consultoria Política. Pre­­gando a redução do Estado, com cortes de impostos, Bush ganhou votos preciosos em uma eleição decidida nos tribunais – Gore, como previu Hibbs, teve a maior votação, mas perdeu em estados importantes no sistema eleitoral americano.

Onde criticar?

O desafio para a oposição no Bra­­sil será encontrar um ponto fraco na economia. “O crescimento em 2010 será de pelo menos 5%, com uma expansão da indústria acima de 7%. E o momento de maior dinamismo será entre o segundo e o terceiro trimestre, perto das eleições”, prevê Julio Hegedus, economista-chefe da consultoria Lopes Filho & Asso­ciados. Nas contas da LCA Con­sul­­toria, o crescimento pode chegar perto de 6%, com risco muito baixo de aceleração da inflação. “Não existe razão para supor que o consumo não vai continuar crescendo, já que esperamos uma aceleração na geração de empregos”, diz Fernando Sam­paio, economista da LCA.

O desemprego baixo, aliás, será outro trunfo para o candidato governista. “A taxa deve fechar 2009 em um nível muito melhor do que o imaginado mesmo pe­­los mais otimistas e não deve su­­bir no ano que vem”, diz Sam­paio. É provável, aliás, que o de­­semprego, hoje em 7,5%, caia abai­­xo dos 7% no fim de 2010.

O ponto fraco da economia que tem mais chances de ser usado pela oposição está nas contas públicas. Os gastos do governo, mesmo com a crise, crescem a uma taxa de 20% ao ano, o que força a carga tributária a ficar em um nível elevado, de 36% do PIB. “A oposição pode montar o discurso de que vai trabalhar com mais eficiência, mas não tem como se contrapor à política econômica em si”, diz Camargos, da PUC-MG.

Mercados
“Terceira via” aumenta risco

O maior risco político para a economia em 2010 é o aparecimento de uma terceira candidatura, fora do eixo PT-PSDB, com um programa de governo contra o modelo atual. Mantida a polarização entre governo e oposição, a tendência é que a bolsa de valores e o câmbio sintam pouco o debate eleitoral. “As principais forças partidárias avaliam que o desenho da política econômica dá retorno político, o que reduz as chances de mudanças mais substanciais”, analisa Fernando Sampaio, Economista da LCA Consultores.

Há, porém, alguns riscos, ainda que na mesmice. O primeiro está na transição dentro do Banco Central, com a saída de seu presidente, Henrique Meirelles. A escolha de um nome politicamente carregado pode ser mal recebida pelos mercados. Outro risco de longo prazo é a manutenção de um déficit público elevado, mesmo após a saída da recessão. (GO)


Folha de S.Paulo, 4 de janeiro de 2010
Batalha de números abre ano eleitoral
Petistas e tucanos montam dossiês com dados, listam suas realizações e trocam farpas sobre verbas federais e estaduais | Investimentos nas áreas de saneamento e de habitação devem permear início dos debates pré-eleitorais entre Dilma Rousseff e José Serra
DA REPORTAGEM LOCAL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Mesmo antes do início oficial da campanha, os governos federal e paulista e os aliados da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) e de José Serra já preparam levantamentos para a guerra de realizações.

Serra deve priorizar pesquisas de satisfação com programas do governo paulista, como as AMEs (Ambulatórios Médicos de Especialidades) ou Poupatempo (rede de serviços).

Na conta de obras do governo federal estarão investimentos em habitação e saneamento. Pelas estimativas do Executivo, as duas áreas deverão beneficiar diretamente ao menos 1,5 milhão de famílias.

O Palácio dos Bandeirantes, por sua vez, dirá que o programa Onda Limpa, de ampliação de coleta de esgoto na Baixada Santista e no litoral norte paulista, "é uma das maiores iniciativas de saneamento do país".

Segundo o governo paulista, o índice de coleta de esgoto passará de 35% para 70% em Caraguatatuba, de 44% para 46% em São Sebastião, de 28% para 36% em Ubatuba e de 4% para 36% em Ilhabela, todos eles municípios do litoral norte.

"A diferença é que o governo Serra tem grande capacidade de executar as verbas em obras de interesse da população e não em aumento de cargos", afirma o secretário-geral do PSDB paulista, Cesar Gontijo.

"O governo Serra está sendo beneficiado por recursos federais. Ele se apropria da política de expansão do presidente Lula, mas, ainda assim, é incapaz de usar todo o dinheiro destinado a São Paulo. Há verbas paradas na Sabesp [companhia de saneamento] e para a canalização do córrego Pirajussara [na capital]", diz o deputado federal Carlos Zaratini (PT-SP).

Só o começo

Em outubro, quando liderou uma caravana de ministros e técnicos para visitar as obras da transposição do São Francisco, o presidente Lula deixou claro que a fase de inauguração de obras estava só começando.

A oposição criticou a viagem, acusando o governo de fazer campanha antecipada.

"Agora desgraçou tudo. Agora os homens estão ficando nervosos porque estamos inaugurando obras. É a primeira vez na vida que eu vejo alguém ficar nervoso porque se inaugura obra. Quando eu fazia oposição, eu ficava nervoso porque não tinha obra, não tinha nada (...) Só peço calma porque nós ainda nem começamos a inaugurar o que nós temos que inaugurar neste país", disse, na época, o presidente.

Já o governador de São Paulo, José Serra, tornou-se o único pré-candidato do PSDB à Presidência, após a desistência, em dezembro, do colega de partido e governador de Minas Gerais, Aécio Neves, de disputar a indicação da sigla.

Dizendo ter "nervos de aço na política", Serra passou 2009 afirmando que era "muito cedo" para discutir a sucessão presidencial. A estratégia do governador é postergar o anúncio oficial de sua candidatura, mas aliados articulam a campanha do tucano e prometem festas em inaugurações. (FERNANDO BARROS DE MELLO, SIMONE IGLESIAS E JOSÉ ALBERTO BOMBIG)