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O ESTADO DO PARANÁ, 08 de janeiro
de 2010 | Economia
País criou mais de 1 milhão
de vagas em 2009, diz Lupi
Agência Estado
O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, disse hoje que o Brasil
deve ter criado, em 2009, mais de um milhão de empregos formais.
Até novembro, o País gerou 1,4 milhão de empregos
com carteira assinada.
Levando-se em conta que, em
dezembro, sazonalmente, há uma perda de postos de trabalho em
razão da dispensa dos contratos temporários de final de
ano, o saldo final do ano deve ficar em torno de um milhão de
postos de trabalho.
"Haverá uma perda
de cerca de 300 mil empregos, como sempre ocorre, em dezembro. Mas teremos
um saldo de geração de empregos de mais de um milhão.
Isto, em um mundo que está desempregando, é uma mostra
inequívoca do poder da economia brasileira", disse Lupi,
durante entrevista ao programa Bom Dia Ministro, da Radiobrás,
hoje pela manhã.
Para 2010, Lupi estima a criação de mais de dois milhões
de empregos formais. "Eu prevejo que, em 2010, a gente tenha o
melhor ano do governo Lula para a geração de emprego e
para o crescimento da economia", disse o ministro que, otimista,
projeta ainda uma expansão de 7% da economia neste ano. "Sou
mais otimista (que os analistas de mercado). Acho que economia vai crescer
7% e vamos gerar mais de 2 milhões de empregos (em 2010)",
disse.
O ministro disse ainda que,
hoje, o "grande gargalo" na área do mercado de trabalho
é o profissional qualificado. "Às vezes, você
tem emprego, mas não tem trabalhador qualificado. É sapato
apertado, cobertor curto", disse o ministro, destacando que há
muitos anos não havia no Brasil programas de qualificação
profissional e que, em 2009, cerca de dois milhões de trabalhadores
foram atendidos por estes programas do governo, o que ainda é
pouco na sua avaliação.
"Precisávamos
ter capacidade de qualificar, todo ano, entre três e quatro milhões
de trabalhadores. Mas, isso não acontece de uma hora para outra",
disse, ressaltando a necessidade e a importância das escolas técnicas.
"Ainda estamos aquém do que realmente precisamos",
admitiu.
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O ESTADO DO PARANÁ,
08 de janeiro de 2010 | Economia
Aumento do mínimo deve beneficiar
mais de 40 milhões
Agência Estado
O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, disse que o aumento do
salário mínimo de R$ 465,00 para R$ 510,00, em vigor desde
1º de janeiro, deve beneficiar, direta ou indiretamente, mais de
40 milhões de brasileiros.
Durante entrevista hoje pela
manhã ao programa Bom Dia Ministro, da Radiobrás, Lupi
destacou que o grande ganho do novo mínimo é aumento de
quase 10%, o que significa um ganho real (descontada a inflação
do ano) de cerca de 6%, levando-se em conta que a inflação
de 2009 deve ficar em torno de 4%.
"É um ganho importantíssimo
para a economia. Isso mexe com os que ganham salário mínimo,
os que ganham benefício da aposentadoria, os que têm o
mínimo como referência do salário", disse o
ministro.
Para o ministro, o grande diferencial e avanço do governo Luiz
Inácio Lula da Silva foi o ganho real do salário mínimo.
"Esse é o grande segredo do Brasil para dizer que, quando
o trabalhador ganha bem, melhora para todo mundo", disse Lupi,
lembrando que o aumento da renda acaba expandindo as vendas e, consequentemente,
gerando mais empregos.
Questionado sobre os salários
mínimos regionais, que muitas vezes ultrapassam em grande porcentual
o valor do mínimo nacional, Lupi disse que vê positivamente
este fato.
"O Brasil é um país
com 27 diferentes Estados, com realidades diferentes. Não dá
para comparar a pujança de Estados como Paraná, Rio de
Janeiro, São Paulo com de Estados que recentemente se emanciparam,
que ainda não têm indústria forte, como Acre, Amapá.
Acho positivo (os salários regionais) porque isso puxa a economia.
O salário está no custo do produto que a empresa vende.
A economia ganha, é mais dinheiro circulando, vende mais, gera
mais emprego e produz mais riqueza", disse.
Questionado ainda sobre
o fato de este ano ser eleitoral e se alguns Estados não poderiam
estar se aproveitando disto para dar um aumento ainda maior do mínimo,
Lupi disse: "Ano eleitoral não pode ser impeditivo para
dar um salário mais justo ao trabalhador. Salário é
investimento".
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Agência Brasil, 8
de janeiro de 2010
Lupi: Ano eleitoral não
pode impedir aumento de 9,67% do mínimo
O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, defendeu nesta quinta
o aumento de 9,67% do salário mínimo em ano eleitoral.
A proximidade do pleito, segundo ele, não pode ser um impeditivo
para um valor mais justo.
“Não posso responsabilizar a população. Se
é ano eleitoral, paciência, não podemos parar a
máquina administrativa”, disse. Desde o dia 1 de janeiro,
estão em vigor os reajustes do salário mínimo,
que passou de R$ 465 para R$ 510, e do seguro-desemprego, que agora
está entre R$ 841,89 e R$ 954,21.
Para Lupi, 2010 será
o melhor ano de todo o governo Luiz Inácio Lula da Silva, uma
vez que a expectativa para este ano é de que cerca de 2 milhões
de empregos com carteira assinada sejam criados.
Sobre a geração
de mais de 1,4 milhão de postos de trabalho até novembro
de 2009, Lupi avaliou que o número demonstra que o país
estava preparado para enfrentar a crise financeira internacional. Lembrou
que os EUA chegaram a comemorar a perda de apenas 80 mil empregos no
ano passado. Segundo o ministro, um saldo de mais de 1 milhão
de vagas é uma amostra inequívoca da força da economia
nacional.
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O ESTADO DO PARANÁ,
08 de janeiro de 2010 | Economia
Lupi: FGTS injeta R$ 69,54 bi na economia
em 2009
Agência Estado
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, informou hoje que o Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço (FGTS) injetou na economia R$ 69,54 bilhões
em 2009, ante R$ 67,18 bilhões em 2008. A maior parte desses
recursos foi relativa aos saques das contas vinculadas, que somaram
R$ 47,38 bilhões, ante R$ 42,68 bilhões em 2008. O dado
dos saques em 2009 é parcial porque faltam alguns dias de dezembro,
e, por isso, deve sofrer alterações.
Os desembolsos do FGTS para
obras de habitação, saneamento e infraestrutura urbana
somaram R$ 15,59 bilhões em 2009, ante R$ 12,70 bilhões
em 2008. O crescimento foi basicamente determinado pelo segmento de
habitação, impulsionado pelo programa "Minha Casa,
Minha Vida". As contratações de habitação
com recursos do Fundo cresceram 47,96% em 2009, totalizando R$ 19,625
bilhões. Já na área de saneamento, houve queda
nas contratações, que ficaram em R$ 1,046 bilhão
em 2009, ante R$ 3,749 bilhões em 2008.
Lupi reconheceu o fraco desempenho da área de saneamento e atribuiu
o fato às companhias estaduais, que não conseguem, por
diversos motivos - por exemplo, inadimplência, falta de projetos,
limitada capacidade de endividamento -, tomar recursos junto ao FGTS.
"É um problema a se resolver, é um gargalo a ser
superado", disse o ministro.
Ele lembrou que o governo criou
um programa com recursos do FGTS para melhorar a saúde financeira
das empresas estaduais e também ajudá-las a tomar recursos
para projetos, pois saneamento afeta diretamente a população,
especialmente de baixa renda. Atualmente, há quatro empresas
que pleitearam ajuda e estão em fase adiantada para receber esse
apoio do governo. Com isso, Lupi disse acreditar que esse desempenho
será melhorado em 2010.
O volume de recursos do FGTS
destinado ao Fundo de Investimento do FGTS (FI-FGTS) somou R$ 3,01 bilhões
em 2009, ante R$ 9,30 bilhões em 2008. A explicação
para a queda é que em 2008 uma operação específica
com o BNDES inflou o resultado daquele ano. O ministro informou ainda
que a arrecadação bruta do FGTS cresceu 11,82% em 2009,
para R$ 54,470 bilhões. Os saques, por sua vez, aumentaram 11,02%
em função da alta do desemprego no primeiro semestre.
A arrecadação líquida, que é a diferença
entre a arrecadação bruta e os saques, teve alta de 17,43%,
para R$ 7,086 bilhões.
"Isso ocorreu apesar
da crise, que gerou maior número de desempregados e saques no
FGTS. Isso mostra a saúde financeira do FGTS", declarou
Lupi, afirmando que isso aponta a competência da gestão
do Conselho Curador do Fundo. Lupi informou que o patrimônio do
FGTS está em cerca de R$ 230 bilhões. Informou ainda que
o presidente Lula deve assinar na próxima segunda ou terça-feira
decreto autorizando os saques do FGTS para os moradores de Angra dos
Reis, vitimados pelas chuvas.
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Agência Câmara,
8 de janeiro de 2010
Recursos do FGTS poderão ser usados
em preservação ambiental
Elton Bonfim
O Projeto de Lei 5972/09, do
deputado Antônio Roberto (PV-MG), destina 2% dos recursos do Fundo
de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para ações
de infraestrutura voltadas à proteção do meio ambiente.
Segundo o texto, sempre que possível essas iniciativas deverão
ser integradas aos projetos de infraestrutura urbana.
De acordo com Antônio
Roberto, mesmo as ações de saneamento básico já
realizadas com verbas do FGTS "ainda não incorporaram como
diretriz importante a preocupação com a sustentabilidade
ambiental". Para ele, os recursos devem ser direcionados também
a projetos que envolvam, por exemplo, recuperação de vegetação
de margens de rios e encostas, implantação de coleta seletiva,
despoluição de rios e arborização urbana.
Tramitação
A proposta será analisada em caráter conclusivo pelas
comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável;
de Trabalho, de Administração e Serviço Público;
de Finanças e Tributação; e de Constituição
e Justiça e de Cidadania.
Íntegra da proposta:
§
PL-5972/2009
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Folha de S.Paulo, 8 de janeiro
de 2010
FGTS aplica 13% do previsto em
saneamento
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Apesar de o governo alardear
que está aumentando os investimentos em saneamento, o FGTS, uma
das principais fontes de recursos para o setor, só conseguiu
aplicar, durante todo o ano passado, 13% do dinheiro disponível.
Mesmo com orçamento de R$ 7,6 bilhões, as contratações
no ano passado somaram R$ 1,046 bilhão e foram 72% inferiores
aos R$ 3,749 bilhões registrados em 2008. O governo diz que a
culpa não é dele e transfere a responsabilidade para as
empresas do setor.
"Faltam projetos, desejo, há inadimplência e também
a capacidade de endividamento de algumas empresas é menor porque
elas já tomaram recursos em 2008", justificou o ministro
Carlos Lupi (Trabalho).
Segundo o ministro, a expectativa é aumentar os desembolsos nessa
área porque pelo menos quatro empresas estão com propostas
de investimento em estágio avançado. A ideia é
que o FGTS se torne sócio delas, garantindo recursos para saneá-las
e também para elas tocarem projetos importantes. Lupi não
disse quais são as empresas.
A área de infraestrutura urbana foi outra com desempenho pífio.
Dos R$ 4 bilhões reservados para projetos de transportes, nada
foi desembolsado efetivamente.
Até as aplicações do fundo FI-FGTS, uma das bandeiras
do governo para área de infraestrutura, deixaram a desejar. Foram
R$ 9,3 bilhões aplicados em 2008, valor que caiu para R$ 3 bilhões
em 2009. A avaliação do governo é que, em 2008,
o volume foi influenciado por repasse de R$ 7 bilhões ao BNDES,
que destinou o dinheiro a 44 projetos. Essa demanda não se repetiu
em 2009.
O melhor desempenho do FGTS -que em 2009 arrecadou R$ 7,1 bilhões
a mais do que os saques verificados- foi na área de habitação.
Dos R$ 30,8 bilhões disponíveis, R$ 19,626 bilhões
foram contratados, ou mais 48% em relação a 2008.
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Folha de S.Paulo, 8 de janeiro
de 2010
313 mil empresas têm dívida
de R$ 14 bi com FGTS
DA REPORTAGEM LOCAL
Milhões de trabalhadores
no país não têm o saldo do FGTS atualizado, ou seja,
os depósitos não estão em dia. Isso ocorre porque
313 mil empresas estão devendo R$ 14,08 bilhões ao fundo.
Os dados constam do último balanço da Carteira de Recuperação
de Créditos do FGTS, divulgado pela Caixa Econômica Federal,
referente a 31 de dezembro de 2008 -os números de 2009 devem
sair em março próximo.
Dessas empresas, 10,6 mil estão no que o balanço classifica
como "em recuperação", ou seja, estão
parcelando uma dívida que soma R$ 3,03 bilhões. Outras
302,4 mil empresas devem R$ 11,05 bilhões e estão na classificação
"a recuperar" (estão sendo cobradas pelas vias administrativa
e judicial).
A partir da próxima segunda-feira, dia 11, essas empresas poderão
contar com um sistema que permitirá acompanhar, via internet,
o gerenciamento dessas dívidas. O sistema "FGTS em Atraso"
(www.fgtsematraso.com.br) será lançado por meio de uma
parceria entre o Instituto FGTS Fácil e a Dinâmica Sistemas
Personalizados.
O objetivo é permitir que as empresas com depósitos em
atraso, sob cobrança judicial e com parcelamento possam fazer
a gestão e a operação das suas dívidas,
visando regularizar a situação dos empregados.
Segundo Mario Avelino, presidente do instituto, o sistema permitirá
que as empresas acompanhem a atualização mensal do saldo
devedor do fundo e emitam extratos atualizados para cada um dos seus
funcionários.
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O ESTADO DO PARANÁ,
08 de janeiro de 2010 | Economia
Pagamento do seguro-desemprego em 2009
foi recorde
Agência Estado
Os pagamentos de benefícios do seguro-desemprego atingiram em
2009 o valor recorde de R$ 19,57 bilhões, informou hoje o ministro
do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi.
Também foi histórico
o número de trabalhadores beneficiados pelo sistema, que somou
7,753 milhões de pessoas. Em 2008, o seguro-desemprego teve desembolsos
totais de R$ 14,718 bilhões, beneficiando 7,1 milhões
de trabalhadores.
Esse crescimento, segundo o
ministro, ocorreu por causa do aumento do desemprego e também
do maior valor do salário mínimo no ano passado. Mas Lupi
acredita que neste ano o volume de trabalhadores que receberá
o seguro-desemprego será menor do que em 2009, por causa da estimativa
de geração de 2 milhões de empregos formais em
2010, embora, em volume financeiro, o ministro ressalte que os desembolsos
continuarão crescendo, em função do reajuste do
salário mínimo e da antecipação de seu pagamento
para janeiro.
As despesas com abono salarial
somaram, no ano passado, R$ 7,208 bilhões, também um valor
recorde, e com significativo crescimento em relação aos
R$ 5,975 bilhões verificados no ano anterior.
FAT
O Fundo de Amparo ao Trabalhador
(FAT) teve em 2009 seu primeiro déficit operacional da história,
que ocorre quando as destinações superam as receitas do
Fundo. No ano passado, as receitas do FAT somaram R$ 35,019 bilhões,
com crescimento de 5,2% ante o ano anterior.
Desse total, a arrecadação
do PIS/PASEP somou R$ 24,365 bilhões e as receitas financeiras
totalizaram R$ 10,65 bilhões. As destinações, por
sua vez, somaram R$ 36,830 bilhões em 2009, ante R$ 30,927 bilhões
em 2008.
As destinações
incluem além das despesas, como seguro-desemprego e abono salarial,
empréstimos ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES).
Em 2009, as despesas somaram
R$ 27,204 bilhões, ante R$ 21,412 bilhões em 2008. Esse
crescimento foi motivado pelo nível recorde do desembolso do
seguro-desemprego e do abono salarial. O volume de empréstimos
para o BNDES no ano passado foi de R$ 9,626 bilhões, ante R$
9,514 bilhões em 2008.
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Folha
de S.Paulo, 8 de janeiro de 2010
FAT fecha o ano no vermelho pela 1ª
vez
Gastos com o seguro-desemprego, devido à
crise, e abono salarial fizeram com que o fundo tivesse deficit de R$
1,8 bi em 2009 | Pagamento com o seguro aos desempregados subiu 33%, para
R$ 19,57 bi; gasto com o abono anual cresceu 22% e somou R$ 7,28 bi
SHEILA D'AMORIM
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Os gastos recordes com os pagamentos do seguro-desemprego
e do abono salarial em 2009 levaram o FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador)
a registrar o primeiro deficit da sua história. O rombo de R$
1,8 bilhão consumiu quase todo o ganho de R$ 2,4 bilhões
que havia sido registrado pelo fundo no ano anterior.
Com os efeitos da crise financeira internacional -que provocou uma onda
de demissões a partir do último trimestre de 2008-, a
principal despesa do FAT, que é o pagamento do seguro-desemprego,
subiu 33%, alcançando expressivos R$ 19,571 bilhões. Já
o gasto com o abono salarial aumentou 22% e atingiu R$ 7,280 bilhões.
Enquanto isso, a arrecadação total cresceu apenas 5%.
Formado basicamente por contribuições das empresas e pela
remuneração obtida com aplicações no mercado
financeiro, o FAT não conseguiu neutralizar a alta nos seus gastos.
Desta vez, nem mesmo as receitas financeiras, que vinham ajudando a
equilibrar a contabilidade do fundo nos últimos anos, resolveram
o problema.
A deterioração na saúde financeira do FAT preocupa
porque o fundo é uma das principais fontes de recursos do BNDES
(Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) no financiamento
do setor produtivo. Além disso, é do FAT que sai o dinheiro
para pagar o seguro-desemprego e o abono salarial, despesas que, em
última instância, precisariam sair do caixa do Tesouro.
Em 2009, 7,7 milhões de trabalhadores recorreram ao seguro-desemprego.
Outros 15,3 milhões de empregados com carteira assinada receberam
o abono salarial anual.
Treinamento
A conta só não ficou pior porque o FAT praticamente não
cumpriu suas funções com qualificação profissional
e intermediação de emprego em 2009. Os gastos nessas áreas
despencaram 70% e 66%, respectivamente, ante 2008.
"Houve contingenciamento dos recursos e somente no final do ano
foram liberados quase R$ 200 milhões, que foram empenhados e
serão gastos neste ano", explicou o ministro Carlos Lupi
(Trabalho).
Otimista, o ministro garante que a situação deficitária
do FAT será superada em 2010. Ele diz que não há
risco de o FAT consumir suas reservas técnicas de cerca de R$
15 bilhões com novos resultados deficitários. O governo
usa essas reservas para cobrir eventuais resultados negativos do fundo.
"O crescimento proporcional da arrecadação será
maior do que o das despesas. Teremos em 2010 mais de 2 milhões
de empregos gerados e vamos inverter isso [o deficit]", disse.
Mas explicou: "Essa é a minha avaliação, não
é a dos técnicos. Não quero comprometê-los".
Alta rotatividade
A concretização da aposta pessoal do ministro não
é algo simples. Para reduzir os gastos com o pagamento de seguro-desemprego,
o governo precisa principalmente encontrar uma solução
para a alta rotatividade de mão de obra no país.
Esse fenômeno é o maior responsável pelo crescimento
anual nos gastos com o seguro-desemprego. Além disso, há
o impacto do aumento real do salário mínimo, que eleva
os valores gastos com os benefícios.
No caso do abono salarial, o aumento do mínimo faz ainda com
que mais pessoas tenham acesso ao benefício, já que o
alvo é o empregado formal que ganha o equivalente a até
dois salários mínimos mensais.
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Brasília Confidencial,
8 de janeiro de 2010
Acordo de centrais e MTE prevê
vínculo para terceirizados
Ao fim de mais de um ano de debates, o Ministério do Trabalho
e as seis maiores centrais sindicais concluíram ontem o texto
do anteprojeto que pretende regulamentar os contratos dos trabalhadores
terceirizados, hoje disciplinados por uma súmula do Tribunal
Superior do Trabalho, para oferecer-lhes mais segurança trabalhista
e previdenciária.
Uma das propostas mais importantes prevê que os trabalhadores
terceirizados passarão a ter vínculo de emprego com as
empresas nas quais prestam serviço. A configuração
de vínculo seguirá os requisitos já previstos na
CLT para todos os trabalhadores contratados diretamente.
Outra proposta, que será
submetida à Casa Civil da Presidência antes de ser encaminhada
ao Congresso, proíbe a contratação de serviços
terceirizados na atividade principal da empresa.
Diferentemente da súmula
do TST, o texto acordado estabelece que as empresas “tomadoras
de serviço” responderão solidariamente pelas obrigações
trabalhistas e previdenciárias, entre outras previstas no contrato
de trabalho, inclusive no caso de falência da empresa prestadora
de serviços. Hoje a “tomadora de serviço”
se responsabiliza apenas subsidiariamente pelo trabalhador, ficando
com a prestadora de serviço a responsabilidade principal pelo
cumprimento das obrigações.
O anteprojeto determina que
as empresas onde o serviço é prestado controlem, a cada
mês, o pagamento de salários e o recolhimento do FGTS e
da contribuição previdenciária por parte da empresa
que presta o serviço terceirizado. As “tomadoras”
responderão também por danos causados aos terceirizados
por acidentes de trabalho.
Outra regra proposta garante
ao trabalhador os mesmos direitos conquistados na convenção
ou nos acordos coletivos firmados pelo sindicato da categoria profissional
preponderante da empresa tomadora de serviços, desde que sejam
mais benéficos que os da sua própria categoria. Se o acordo
coletivo prevê, por exemplo, salário para os empregados
da empresa tomadora superior ao do trabalhador terceirizado, essa empresa
terá de pagar abono para complementar o valor.
Segundo a secretária
de Relações do Trabalho da Central Única dos Trabalhadores
(CUT), Denise Motta, o projeto busca corrigir a forma como são
feitas atualmente as terceirizações. “Essas contratações
deveriam ser feitas para trabalhos especializados, e não permanentes,
mas não é isso que acontece hoje. Muitas vezes, trabalhadores
que estão [na empresa] em caráter permanente estão
contratados por prestadoras de serviços com o objetivo de pagar
salários menores, de terem menos direitos garantidos.”
As mudanças propostas
para a terceirização
a) A empresa que contrata
o serviço terceirizado será co-responsável pelo
cumprimento das obrigações trabalhistas, previdenciárias
e outras, durante o período do contrato, mesmo em caso de falência
da prestadora de serviço.
b) Essa empresa também
será responsável solidariamente por danos causados a terceirizados
em acidentes de trabalho.
c) O vínculo de trabalho
entre o terceirizado e a tomadora de serviço estará configurado
em alguns casos. Exemplo: quando o trabalhador realizar função
diferente da descrita no contrato de terceirização.
d) A tomadora de serviço
terá a obrigação de verificar mensalmente se a
empresa que contratou está pagando o salário do trabalhador
e recolhendo o FVGTS e a contribuição previdenciária.
e) O trabalhador terceirizado
terá os mesmos direitos da convenção ou do acordo
coletivo de trabalho da categoria predominante na empresa tomadora de
serviço, se esse acordo ou convenção lhe for mais
favorável do que o conquistado por sua categoria.
f) Caso a convenção
ou acordo coletivo preveja remuneração superior para os
empregados diretos da empresa, está deverá complementar
com abono o salário do terceirizado.
g) Será proibida
a contratação de serviço terceirizado para a atividade
fim da empresa tomadora de serviço.
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