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Monitor Mercantil, 10 de janeiro de 2010
Crise sem fim: "Emergentes" submissos
pagarão conta dos ricos
Países "em desenvolvimento" subservientes poderão
ser chamados a pagar a conta da crise para os ricos. A advertência é do
economista e cientista social Theotonio dos Santos, da Universidade Federal
Fluminense (UFF), ao analisar o relatório do Laboratório
Europeu de Antecipação Política (Leap), divulgado
em meados de dezembro, que trata da questão das dívidas
e dos déficitsdnos países ricos em 2010.
Para Santos, não se pode prever por quanto tempo os ricos conseguirão
manter as taxas de juros baixas e as injeções de liquidez. "Haverá tentativa
de captar recursos onde existe liquidez — a China, mais de US$
2 trilhões em reservas ou Japão, US$ 1 trilhão.
O PC chinês quer restringir compras, enquanto no Japão há uma
resistência muito grande contra as políticas pró-americanas",
diz.
Ele lembra que Rússia e Brasil vêm logo em
seguida no ranking dos detentores de títulos do
Tesouro norte-americano. "Só que o governo
brasileiro já começou a ceder e transferir
recursos, aplicando em títulos dos EUA e fazendo
aporte de US$ 10 bilhões no FMI, em vez de aplicar
no desenvolvimento do país", avalia.
Santos prevê tensões internas nos países
cujo equilíbrio fiscal e de preços está ameaçado: "Eles
não têm condições de pagar juros
altos por causa do volume da dívida. Somente os
loucos brasileiros se dispõem a gastar um terço
do Orçamento com juros", disse, acrescentando
que o aumento de impostos também será rechaçado. "O
mundo que se está configurando é o da captação
de liquidez. Deveríamos estar investindo essa liquidez
no desenvolvimento, mas preferimos aceitar a pressão",
afirma.
A informação é do
Monitor Mercantil
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Gazeta do Povo, 10 de janeiro
de 2010
Imóveis
Mercado imobiliário
da capital vira “show do milhão”
Com valorização
imobiliária de Curitiba, cifra simbólica de
R$ 1 milhão deixou de ser sinônimo de casas
e apartamentos ultraluxuosos
O aquecimento do mercado imobiliário nos últimos
anos fez da cifra de R$ 1 milhão algo bem mais “comum” no
comércio de imóveis em Curitiba do que se
pode imaginar. Ao contrário do que sugere o senso
comum, não se trata de nada extraordinariamente
luxuoso, de mansões de cinema ou apartamentos triplex.
Não é difícil encontrar apartamentos
de 400 metros quadrados em bairros considerados mais nobres
da cidade, como Mossunguê, Batel e Cabral, sendo
vendidos por esse valor – alguns com mais de uma
década. Há cerca de quatro anos, estimam
os especialistas do setor, o prêmio do Big Brother
Brasil comprava dois imóveis desse porte. Hoje,
talvez não compre nem um.
“O mercado está muito aquecido e o segmento
de alto padrão também passou por uma grande
valorização. O preço praticamente
duplicou nos últimos cinco ou seis anos. Então,
o conceito do R$ 1 milhão, que se imaginava para
uma grande mansão, hoje está presente no
alto padrão”, diz o diretor do Grupo Plaenge,
Fernando Fabian. “É claro que R$ 1 milhão é uma
cifra significativa. Mas não é mais sinônimo
de altíssimo padrão, principalmente para
as casas”, confirma o presidente da Associação
dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário
do Paraná (Ademi PR), Gustava Selig.
A própria Plaenge está vendendo um apartamento
nessa faixa de preço no Ecoville com 360 metros
quadrados de área total (quatro quartos, duas suítes
e três garagens). Quer mais espaço? Para ter
as chaves de um outro lançamento, no Cabral, com
550 metros quadrados, é preciso desembolsar algo
perto de R$ 1,5 milhão.
Depois de três anos à procura de um apartamento,
uma advogada que prefere não se identificar acaba
de assinar a compra de um imóvel por R$ 1,2 milhão – cerca
de R$ 200 mil a mais do que imaginava gastar. “A
maioria dos apartamentos está cara demais para o
que oferece. Cheguei a ver um imóvel novo no Batel
Soho com 270 metros quadrados por R$ 1,7 milhão”,
conta.
Usados
A valorização se deu tanto para lançamentos
quanto para imóveis usados, e fez com que a cifra
chegasse também aos anúncios de apartamentos
com até duas décadas – algo que há cinco
anos não acontecia. “As cidades cresceram
muito e as construções novas estão
sendo feitas longe do Centro. Mas as pessoas valorizam
cada vez mais a comodidade de estar em regiões mais
centrais”, diz o diretor da Imobiliária Thá,
José Renato Pallu. Segundo ele, há alguns
anos um imóvel com idade entre 15 e 20 anos era
vendido por cerca de R$ 1 mil o metro quadrado. “Hoje,
dependendo da localização, já passa
de R$ 1,7 mil.”
Em um busca na Rede Imóveis (www.redeimoveis.com.br) é possível
encontrar, por exemplo, um apartamento de três quartos
no Ecoville (com área útil de 285 metros
quadrados) em um empreendimento de dez anos sendo vendido
por R$ 1,05 milhão. No Água Verde, é preciso
desembolsar R$ 1,45 milhão por um apartamento de
241 metros quadrados. No Cabral, são necessários
R$ 1,65 milhão para morar em um imóvel de
cerca de 550 metros quadrados, com 17 anos de uso.
No caso das casas, diz o diretor da Ademi, a cifra do
R$ 1 milhão já aparece em imóveis
mesmo fora das áreas tradicionais (Batel e Jardim
Social), como Mossunguê, Orleans, São Braz
e Campo Cumprido – onde tem crescido a oferta de
condomínios fechados. “Em alguns lugares mais
procurados é difícil achar até opções
mais baratas que R$ 1,5 milhão”, diz a gerente
geral da Imobiliária Senzala, Augusta Coutinho Loch. “A
demanda em alta e a falta de oferta faz com que os preços
se valorizem ainda mais.” Parte dessa valorização,
diz Augusta, também é resultado de um aumento
no preço dos terrenos. Em alguns condomínios,
eles chegam a custar até meio milhão de reais.
Causas
Há poucas semanas, a Senzala vendeu uma cobertura
na Avenida Silva Jardim, no Batel, com 245 metros quadrados
de área útil por cerca de R$ 900 mil – um “achado”,
diz Augusta. “A pessoa comprou muito bem porque os
antigos proprietários tinham interesse em vender
logo. O custo do metro quadrado ficou em torno de R$ 1,6
mil, mas valeria até R$ 2 mil”, diz.
Augusta acredita que esta forte valorização é,
em parte, consequência da entrada de grandes construturas
e incorporadoras de São Paulo no mercado curitibano. “Elas
entraram com preços de São Paulo e as pessoas
aceitaram”, diz. “Mas em alguns casos os preços
estão tão absurdos, que tenho receio de que
o mercado fique estagnado em breve. As pessoas não
terão mais como comprar.”
Para Selig, da Ademi, a forte valorização
dos imóveis é resultado de uma combinação
de três fatores: o aumento da demanda, a recuperação
de preços defasados e, por fim, do próprio
crescimento da cidade. “Estamos ainda chegando perto
da média de preços de imóveis em Porto
Alegre e Belo Horizonte, por exemplo, capitais com características
bem parecidas com Curitiba”, diz.
A tendência, diz o diretor, é que os imóveis
cheguem ao fim deste ano com uma valorização
de cerca de 22% em relação ao preço
atual – em todas as faixas, inclusive para as construções
de alto padrão. “Só nos imóveis
de classe média, entre R$ 200 mil e R$ 400 mil,
a valorização pode ser um pouco menor, porque
há uma grande oferta”, diz.
Financiamento
Crédito deve crescer
20% em 2010
A expectativa de bancos e consultorias é de que
o crédito ao consumidor volte a subir com força
nesta ano, na casa dos 20%. E grande parte desse impulso
deve vir dos financiamentos à habitação – que
respondem hoje a apenas 3% do Produto Interno Bruto (PIB)
brasileiro.
A estimativa de baseia na melhora da economia do país
e na aposta de que o governo deve se esfoçar para
bater as metas do programa Minha Casa, Minha Vida. Os números
devem superar os já positivos resultados de 2009 – o
volume de financiamentos imobiliários contratados
pela Caixa Econômica Federal no Paraná cresceu
88% até 30 de novembro de 2009, na comparação
com o mesmo período de 2008. No Brasil, a alta no
crédito foi de 93% – R$ 39,3 bilhões
em recursos e 756 mil contratos realizados.
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Folha de S.Paulo, 10 de
janeiro de 2010
Desidratado e desfigurado,
Fome Zero chega aos 7 anos
Lançado em Guaribas
(PI) em 2003, programa foi substituído pelo Bolsa
Família
Assessor da prefeitura local diz que
poder aquisitivo na cidade melhorou um pouco, "mas
não houve aquele "boom" que se esperava"
SIMONE IGLESIAS
MARTA SALOMON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Cidade-símbolo do Fome Zero, Guaribas (PI), não
poderá comemorar o 7º aniversário do
programa, lançado como a principal bandeira de Luiz
Inácio Lula da Silva na área social. O asfaltamento
da estrada que daria acesso ao município não
saiu do papel, e a visita de Lula foi cancelada em cima
da hora.
É a segunda vez que os moradores de Guaribas esperam em vão pela
visita de Lula. Em fevereiro de 2003, a viagem do presidente foi desaconselhada
pela segurança do Planalto.
O Fome Zero foi lançado em Guaribas sem Lula e, em sete anos,
já sem a propaganda inicial, viu as doações reduzidas
a 20% dos valores registrados em 2003 -e basicamente à custa
do leilão de bois "piratas", apreendidos em áreas
de desmate ilegal na Amazônia.
Mais importante: ele teve seu desenho original (distribuição
de cupons aos pobres para troca por alimentos) substituído pelo
Bolsa Família, carro-chefe da política social de Lula.
Hoje o Fome Zero já não é o que era: designa uma
estratégia genérica de segurança alimentar.
Boa parte das famílias de Guaribas (818) sobrevive hoje com
o dinheiro do Bolsa Família, de R$ 22 a R$ 200 mensais, dependendo
do número de filhos e do tamanho da pobreza. Localizada no semiárido
do Piauí, a 488 km de Teresina, a cidade-símbolo do Fome
Zero tem 4.814 habitantes e um dos mais baixos IDHs (Índice
de Desenvolvimento Humano) do país. "Há muito preconceito
com o programa, mas o que importa é que estamos acabando com
a fome", disse Patrus Ananias (Desenvolvimento Social), que não
era ministro quando o Fome Zero foi lançado.
Dados do IBGE mostram que a pobreza no país diminuiu. Entre
2003 e 2008, a proporção de pobres entre os brasileiros
caiu de 39,4% para 25,3%. A pobreza extrema caiu de forma mais contundente,
de 17,5% para 8,8% da população. Mas, segundo o Instituto
de Pesquisa Econômica Aplicada, nesse ritmo serão necessários
mais oito anos para reduzir pela metade a pobreza registrada em 2003.
Sete anos
Sete anos de Fome Zero foram pouco tempo para mudar radicalmente a
situação da cidade-símbolo do programa. Muitas
pessoas começaram a produzir milho e feijão para vender
em cidades próximas, mas ainda falta asfaltar a estrada para
escoar a produção. São 52 km que ligam Guaribas à vizinha
Caracol, percorridos em duas horas, em média, por veículos
com tração nas quatro rodas. Quando chove, a viagem fica
difícil. Carros de passeio simples não conseguem passar.
" Depois que o pessoal do governo veio aqui para lançar o programa,
muitas pessoas acham que a vida mudou, que Guaribas virou uma cidade-modelo,
mas isso não aconteceu. Nosso poder aquisitivo até melhorou um
pouco, houve esforço do governo, mas muita coisa não funcionou.
Não houve aquele "boom" que se esperava", avalia Henrique
Gomes, morador de Guaribas e assessor técnico da prefeitura.
Gomes acha que o asfaltamento da rodovia melhoraria a situação.
A obra, orçada em R$ 35 milhões, já foi licitada,
mas os trabalhos ainda não começaram. Na data reservada
para a visita a Guaribas, Lula irá a outras cidades do Piauí,
distantes da cidade símbolo do Fome Zero. E para inaugurar duas
barragens do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
Segundo o governo do Piauí, a visita de Lula a Guaribas poderá acontecer
em junho. Procurado no escritório da FAO (Organização
das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação)
no Chile, onde trabalha atualmente, o ex-ministro extraordinário
de segurança alimentar José Graziano, mentor do Fome
Zero, não se manifestou sobre o programa.
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Folha de S.Paulo, 10 de
janeiro de 2010
País cresce no
mercado de trabalho global
Brasil vive processo semelhante
ao de Irlanda e Espanha, de país exportador de mão
de obra a importador de trabalhadores
Em 1995, brasileiros traziam US$ 37
para cada US$ 1 que estrangeiros remetiam; hoje, essa proporção é de
US$ 2,7 para cada US$ 1
ÁLVARO FAGUNDES
DA REDAÇÃO
A peruana Maria Jesus, 43, natural de Lima e que nos últimos
meses tem trabalhado como babá em São Paulo,
diz que envia, "quando pode", US$ 100 para a
sobrinha-neta no país de origem. E é assim,
com pequenas quantias, que vem se formando um movimento
que bateu recorde no fim de 2009 e que promete fazer barulho
nos próximos anos: o de remessas de trabalhadores
estrangeiros, especialmente sul-americanos.
Para especialistas, o país está passando hoje por um
estágio que Espanha e Irlanda já atravessaram, de transição
entre um país que apenas envia imigrantes para um que também
recebe estrangeiros. Eles calculam que, em dez anos, esse mercado vai
crescer 15 vezes, alcançando US$ 10 bilhões (cerca de
10% do PIB da Bolívia, um dos países que mais recebem
remessas do Brasil).
Reforçada pelo retorno de brasileiros devido à crise
nos países ricos e pela menor quantidade de remessas dos que
ficaram fora, essa mudança já pode ser sentida. Atualmente,
para cada US$ 2,7 que entram no país de remessas de trabalhadores,
US$ 1 sai para o exterior -a menor diferença desde ao menos
1995, quando ela chegou a US$ 37 para cada US$ 1. Ainda em 2004, a
proporção era de US$ 15 entrando para cada US$ 1 que
deixava o país.
Como ocorreu com o restante da economia brasileira, o mercado de remessas
sofreu fortemente os efeitos da crise global nos últimos três
meses de 2008, mas começou o processo de retomada já no
início do ano passado, que culminou com o recorde de US$ 184
milhões entre julho e setembro (dado mais recente disponível)
e confirmou um processo de alta que teve início em 2004, segundo
o Banco Central.
Os dados do Banco Central, no entanto, representam cerca de 40% do
total, já que a maioria dos imigrantes prefere enviar dinheiro
por doleiros, por parentes que viajam para o país ou por carta
-verba que não passa pelas contas oficiais. " Esse mercado
vem crescendo tremendamente. O Brasil está atraindo muita gente,
e o mercado formal está avançando também",
diz Odilon Almeida, presidente da ABMTransf (que reúne as instituições
de transferência de dinheiro).
" O Brasil virou um polo de atração. Com a nossa economia
e a moeda forte, toda essa comunidade da América do Sul e Central está voltando
os seus olhos para cá", afirma Almeida, que diz que é nítido
o avanço no número de transações. Para Gregory Watson,
analista do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), alguns motivos explicam
por que o Brasil se tornou um "ímã" para os vizinhos.
Um deles é que a economia brasileira se saiu da crise melhor que a espanhola
e a norte-americana (os dois principais destinos dos migrantes latino-americanos).
Outros fatores são a proximidade geográfica e a facilidade de atravessar
a fronteira. "Você não precisa pegar um avião, pode
entrar em um ônibus ou em um trem", afirma Watson.
Ele diz que, enquanto a economia estiver bem, não há motivos
que interrompam esse movimento de entrada de estrangeiros, mas que
esse público será formado principalmente por trabalhadores
com baixa qualificação profissional.
Avanço na América
do Sul
Mas não é só na contabilidade brasileira que os
números chamam a atenção; eles também impressionam
do outro lado da fronteira. Na Bolívia, por exemplo, o Brasil
era a 11ª principal origem das remessas em 2007 e avançou
para a quinta colocação no ano passado (levando em conta
os nove primeiros meses de 2009), com um crescimento de 814%.
Outro destaque é o Equador: no início de 2007, o Brasil
era o 27º país na lista dos que mais mandavam dinheiro.
Porém, com um avanço de 324% em relação
a 2007, o país estava na 15ª colocação no
terceiro trimestre de 2009, ultrapassando até países
de língua espanhola como Argentina e Venezuela.
No Paraguai, o país passou da décima posição,
em 2007, para a nona, e os valores enviados até outubro do ano
passado já superaram o total de 2008, que, por sua vez, era
mais que o dobro do ano anterior.
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Conjur, 10 de janeiro de
2010
De volta à sociedade
Relatório mostra
novas formas de ressocializar presos
Por Gláucia Milício
O Ministério da Justiça, por meio do Departamento Penitenciário
Nacional (Depen), fez uma radiografia para identificar as boas práticas
criadas e aplicadas no sistema penitenciário brasileiro. Do Oiapoque
ao Chuí, todas têm como denominador comum a preocupação
com a reintegração social do preso. No Amazonas, por exemplo,
chama atenção o projeto de liberação de créditos
financeiros a egressos do sistema penitenciário. O projeto consiste
na habilitação de egressos e de seus familiares para obter
empréstimo, por meio da Agência de Fomento do Estado do
Amazonas (Afeam). Os créditos variam de R$ 5 mil a R$ 15 mil e
têm como objetivo ajudar na abertura de pequenos negócios.
Segundo dados do relatório do Ministério da Justiça,
não existe, no país, nenhuma outra medida semelhante.
Outra prática aplaudida é a parceria que
a penitenciária feminina da Bahia fez com a Fundação
Dom Avelar Brandão Vilela, que pertence à Arquidiocese
de São Salvador da Bahia. Juntas, uniram forças
para construírem uma creche próxima ao complexo
penitenciário, onde são atendidos 145 filhos
de detentas em regime de internato e semi-internato. As
crianças a partir do sexto mês de idade são
levadas para a creche e passam a encontrar suas mães
em dias de visita.
Em Minas Gerais, o programa da universidade Uniube, de
Uberaba, também merece destaque. Ele é focado
em curso de formação de tecnólogos
na área de sulcroalcooleiro, com período
de duração de três anos. O curso é proporcionado
a partir de uma bolsa dada ao detento e oferecida em várias
unidades penitenciárias do estado.
Em São Paulo, as práticas vão de
ações para aumentar a auto-estima da mulher
presa, como o concurso Plantando Sementes, que escolhe
a detenta mais bonita, a mais simpática e a que
tem a melhor redação, até curso de
línguas e cultivo de horta. A prática mais
voltada para a inserção do preso no mercado
de trabalho está no interior de São Paulo,
em Mococa. Lá no presídio, os presos são
preparados para prestar prestar vestibular. O programa é destinado
aos presos de regime semiaberto. A Penitenciária
II de Sorocaba também tem uma parceria com a Universidade
Paulista (Unip) para novo aprendizado por meio de oficinas,
teatro e laborterapia.
No quesito educação, vale destacar que o
Espírito Santo, estado criticado por manter presos
em contêineres, é o que mais tem presos em
sala de aula. A informação é do Ministério
da Educação. No estado, 21,79% do total de
detentos estudam. O índice capixaba supera o percentual
do país, que é de 17,3%. O estado é seguido
por Pernambuco, com 18%, e Rio de Janeiro, com 16,44%.
O MEC teve como parâmetro dados do Ministério
da Justiça e do Departamento Penitenciário
Nacional (Depen). Atualmente, mais de 1,1 mil internos
do sistema prisional capixaba frequentam as salas de aula,
que funcionam em 16 das 25 unidades prisionais do estado.
O programa educacional Portas Abertas para a Educação,
que leva a educação para as prisões
do estado, foi instituído em junho de 2005. Enquanto
isso, no Rio de Janeiro, três unidades prisionais
(Esmeraldino Bandeira, Serrano Neves e Talavera Bruce)
oferecem cursos pré-vestibular.
Para os detentos do Rio Grande do Norte, trabalho é sinônimo
de renascimento. O estado tem servido de exemplo para o
país na ressocialização de detentos.
Recentemente os apenados do estado ganharam mais uma ferramenta
de integração com a sociedade, o projeto
Reciclar e Renascer, implantado na Penitenciária
Estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta. Os
presos trabalham no remanufaturamento de cartuchos, toners
e tintas.
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Última Instância,
10 de janeiro de 2010
MODELO DO CNJ
Novos modelos de certidões em
vigor no país impedem falsificação
Flávia Albuquerque, da Agência
Brasil
Desde o dia 1º, as certidões de nascimento, de casamento
e de óbito estão sendo emitidas no modelo criado pela Corregedoria
do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). As novas certidões
já estão sendo emitidas com um número de matrícula
para cada cidadão no qual há o número da Declaração
de Nascido Vivo, do cartório, além do livro e da folha
de registro. Com esse novo modelo os documentos serão à prova
de falsificações.
De acordo com Ricardo Cunha Chimenti, da Corregedoria
do CNJ, esse é o primeiro passo para a reorganização
dos trabalhos prestados pelos cartórios de todo
o país. “Não havia em âmbito
nacional um controle que permitisse identificarmos onde
estão e quais são os cartórios de
registro civil existentes. O primeiro passo foi um cadastramento
e hoje temos todos os cartórios do país
devidamente numerados”.
Para ele, o segundo passo foi desenvolver o modelo da
certidão de nascimento para garantir maior transparência,
porque com o padrão que tem o número de
matrícula (que fica na parte superior do documento)
se tem acesso a todos os dados. “Essa matrícula
apresenta o código do próprio cartório,
que serve para localizar onde é o cartório,
o número do livro, folha e qual o termo e no final
o computador gera um dígito verificador para dar
maior segurança a essa certidão”.
Chimenti reforçou que, com o novo modelo das
certidões, o cidadão receberá um
documento muito mais claro, preciso e fácil de
ler e entender, seja qual for o nível de escolaridade
de cada um. “Facilitará também para
os órgãos públicos, porque permitirá a
redução de erros ao digitar os dados que
estarão sempre nos mesmos lugares podendo ser
encontrados objetivamente”.
As pessoas que têm certidões antigas não são
obrigadas a trocá-las, mas podem fazer isso pagando a taxa para
emissão da segunda via. Aqueles considerados reconhecidamente
pobres estão isentos. Mas será preciso ir ao cartório
onde estão os livros de registro, já que ainda não
há um sistema integrado entre os cartórios. “A
ideia é que em um futuro próximo tenhamos condições
de obter esses dados pela internet. Esse sistema está em desenvolvimento”.
O diretor da Arpen-SP (Associação dos
Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São
Paulo), José Emygdio de Carvalho Filho, lembrou
que cada estado tinha um tipo de certidão de nascimento
por exemplo, sem nenhum controle ou verificação
da veracidade do documento. “Com esse novo modelo
que se tornou um padrão nacional, os dados que
constarem em qualquer certidão de qualquer região
serão os mesmos com os dados necessários àquilo
que o cidadão necessita na sua vida civil”.
Além disso, Carvalho Filho explicou que a nova
certidão de nascimento está adequada à legislação
atual, já que o campo 'nome do pai e da mãe'
foi alterado para 'filiação'. Isso foi
feito porque, em inúmeros casos, consta nesse
campo a expressão 'pai desconhecido' ou o campo é inutilizado,
o que acaba, de alguma forma, discriminando o cidadão. “Tentamos
evitar isso para que ele tenha dignidade tanto quanto
os outros", cujo nome do pai figura no registro.
O campo filiação também prevê casos
de adoção nas relações homoafetivas,
em que o registrando seja filho de dois pais ou de duas
mães. “Sempre com a preocupação
com a dignidade da pessoa humana, que é um dos
pontos principais da nossa Constituição”.
As certidões de casamento e de óbito também
foram alteradas e simplificadas.
Nesta semana, o produtor editorial Ricardo Luiz Paes
de Barros, de 47anos, foi a um cartório no bairro
da Liberdade, no centro da capital, para pedir uma nova
certidão de nascimento, já que vai se casar
e foi pedido um documento atualizado. Para ele, o novo
modelo é mais claro e fácil de ler. “Também é mais
seguro porque tem os timbres e isso o torna mais difícil
de falsificar. A que eu trouxe no cartório é apenas
um papel branco”.
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