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O GLOBO, 11 de janeiro de
2010 | Economia
Custo da construção civil
cresceu 3,57% em 2009
Valor Online
SÃO PAULO - O Custo Unitário
Básico (CUB) da construção civil no estado de São
Paulo aumentou 3,57% em 2009, resultado da alta de 7,85% no custo da
mão-de-obra, de 5,62% nos salários dos engenheiros e de
1,03% nos preços dos materiais de construção.
Os dados são calculados
pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil
do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) e pela Fundação
Getulio Vargas (FGV).
Ao analisar apenas o último
mês do ano, verifica-se estabilidade do CUB na comparação
com novembro, uma vez que não houve variação no
custo da mão-de-obra, ao passo que foi registrada ligeira queda
no preço dos materiais de construção, de 0,01%.
Além disso, em dezembro,
o CUB Representativo da construção civil paulista (R8-N)
praticamente repetiu o valor de novembro, de R$ 855,35 por metro quadrado.
(Karin Sato | Valor)
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O ESTADO DO PARANÁ,
11 de janeiro de 2010 | Economia
Produção industrial fraquejou
em novembro
Helio Miguel
Apesar de ter experimentado
taxa praticamente estável (-0,1%), o Paraná esteve entre
os cinco estados ou regiões pesquisados pelo Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE) onde a produção
industrial foi reduzida de outubro para novembro do ano passado.
Na comparação
entre os meses de novembro de 2009 e 2008, o índice foi positivo,
em 4,9%, ligeiramente abaixo da média nacional, de 5,1%. Já
os índices acumulados ficaram em -4,3% de janeiro a novembro
e -4,4% em 12 meses.
As desacelerações
são menores que as médias nacionais, de -9,3% e -9,7%,
respectivamente. Os números foram divulgados ontem pelo órgão
federal. A taxa quase estável de novembro frente a outubro veio
após um avanço de 9,5% naquele mês, frente a setembro.
Já a chamada média
móvel trimestral cresceu 1,4% em novembro, mantendo uma tendência
de alta que já vinha acontecendo desde julho. Nesse período,
a expansão acumulada foi de 7,3%. Já nas comparações
com os mesmos meses de 2008, o aumento detectado na indústria
paranaense em novembro foi o segundo consecutivo.
O avanço de 4,9% em relação
a novembro de 2008 foi garantido por aumentos na produção
em oito dos 14 setores da indústria paranaense pesquisados pelo
IBGE.
Edição e impressão
foi o que exerceu o maior impacto no índice, com uma taxa de
60,9%, puxada pela maior produção de livros, brochuras
ou impressos didáticos e paradidáticos.
Em seguida, veio o segmento
de máquinas e equipamentos, com 11,6%, resultado principalmente
da produção de refrigeradores ou congeladores para uso
doméstico.
A maior fabricação de adubos ou fertilizantes levou o
setor de outros produtos químicos a ter um crescimento de 40,5%
e ser responsável pelo terceiro maior impacto positivo do mês.
Por outro lado, diminuições
nas produções de óleo de soja refinado e caminhões
pesados levaram às principais quedas, que aconteceram respectivamente
nos setores de alimentos (-5,1%) e veículos automotores (-5,2%).
Na queda no índice acumulado
de janeiro a novembro, os índices negativos aconteceram em 10
das 14 atividades. A que teve mais peso no índice geral aconteceu
no setor de veículos automotores, que teve a produção
reduzida em 31,8%, principalmente em caminhões pesados e caminhões-tratores.
As outras duas principais influências
na queda vieram dos segmentos de máquinas e equipamentos (-14,7%)
e alimentos (-5,0%), que reduziram especialmente a produção
de máquinas para colheita e óleo de soja refinado. A maior
influência positiva veio do setor de edição e impressão,
que cresceu 76,7%.
Positivo
Para o pesquisador do Instituto
Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) Fernando
Lima, o resultado de novembro deve ser visto como positivo.
De acordo com ele, mesmo
havendo queda em setores importantes, como alimentos e refino de petróleo
e álcool explicada, segundo ele, por efeitos sazonais, a recuperação
da indústria paranaense não foi afetada, já que
houve crescimento na comparação com novembro de 2008.
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O DIÁRIO DO NORTE DO
PARANÁ/ MARINGÁ, 11 de janeiro de 2010 Cidades | Economia
Construção civil registra
maior alta de empregos
Setor teve crescimento no número de contratações
superior a 16% em Maringá e região metropolitana. Falta
mão de obra na área, que gera boas oportunidades de carreira
A construção civil
foi o setor da economia de Maringá que teve o maior crescimento
no número de contratações em 2009. Dados do Ministério
do Trabalho, por meio do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados
(Caged), mostram que o emprego cresceu 16,73% entre janeiro e novembro
do ano passado na cidade. Na região metropolitana, o aumento
foi de 16,91%.
O emprego nas construções
cresceu três vezes mais do que no setor de serviços e quatro
vezes mais do que nos demais setores da indústria. Em 2010, a
tendência deverá ser a mesma no ritmo de contratação.
De acordo com a Agência
do Trabalhador de Maringá, existem atualmente 66 vagas abertas
para pedreiro e servente, aguardando candidatos. Só no Novo Centro
de Maringá, são 25 edifícios em construção,
além de 16 que foram concluídos desde outubro –
segundo a Secretaria de Controle Urbano e Obras Públicas (Seurb).
Procura-se pedreiro
Com crescimento acima da média
e o grande número de obras em andamento, o setor sofre de carência
de trabalhadores. O grande canteiro de obras, composto pelos 41 arranha-céus
do Novo Centro, é cenário de acontecimentos extraordinários
no mercado de trabalho. Se por um lado nunca foi tão difícil
conseguir efetivo para levantar tantos prédios ao mesmo tempo,
também nunca houve tanta oportunidade para um profissional subir
na hierarquia da construção civil rapidamente.
Hoje é possível
alcançar, em apenas seis meses, o posto de mestre de obras –
com piso salarial de R$ 1.444,20 por mês. O salto na hierarquia
representa aumento de 88,39% no salário, partindo do piso inicial
para servente de pedreiro, que em Maringá é de R$ 766,60
– de acordo com o Sindicato dos Trabalhadores da Construção
Civil e do Mobiliário de Maringá (Sintracom).
A necessidade do setor faz com
que os empregados mais dedicados consigam promoções em
questão de meses. “Estou trabalhando nessa área
há 30 e nunca houve um momento tão bom para se começar
carreira como agora”, diz o mestre de obras Geraldo Capuchinho.
Peneira mensal
Capuchino comanda uma equipe
de 28 trabalhadores, responsáveis pela construção
de um dos maiores edifícios do Novo Centro – mais de 20
mil m2 de área construída, em 21 pavimentos. Ele conta
que os empregadores, na necessidade de atrair empregados, estão
dispostos a formar o trabalhador desde a estaca zero.
“A cada 30 dias, fazemos
uma peneira, selecionando os melhores e dispensando os que não
servem”, comenta. “Só esta semana, abrimos seis vagas”,
acrescenta.
Um dos funcionários dessa
obra, César Portela, 22 anos, começou a trabalhar como
servente em outubro de 2009. Hoje, já atua como meio profissional
e a partir de fevereiro será promovido a profissional, com acréscimo
de 35% no salário.
“Vale a pena trabalhar
na construção civil. Para mim, a carga de trabalho é
tranquila e os benefícios extras fazem o serviço valer
à pena”, comenta Portela, que pretende se aperfeiçoar
no setor e chegar a mestre de obras.
O contra-mestre Jucelande Nascimento
dos Santos, que trabalha há um ano no mesmo edifício,
começou como carpinteiro e galgou posições graças
à escassez de mão de obra no mercado. “Apesar de
ser um serviço árduo, tem muita oportunidade de crescimento
rápido”, analisa Santos.
“Mesmo sem estudo, mas
com boa vontade e humildade, a pessoa cresce nessa profissão”,
acrescenta o contra-mestre, que há 25 deixou o Pernambuco para
buscar melhores oportunidades no Sul.
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O ESTADO DO PARANÁ,
11 de janeiro de 2010 | Economia
Metade das famílias de baixa renda
tem dívida em atraso
Agência Estado
As famílias de menor renda estão mais endividadas. Mais
da metade (53%) das famílias paulistanas que ganham até
três salários mínimos estão com dívidas
em atraso, segundo estudo feito pela Federação do Comércio
do Estado de São Paulo (Fecomércio).
O estudo foi feito com 2,1 mil
consumidores na Grande São Paulo e revela que o número
de famílias de baixa renda com problemas para pagar as dívidas
tem subido nos últimos anos. Há um ano, 41% das famílias
que ganham até três salários mínimos estavam
com dívidas em atraso. Em dezembro de 2007, o número era
menor: 34%.
A pesquisa da Fecomércio
leva em conta vários tipos de dívidas, incluindo cheques
pré-datados, cartões de crédito, carnês de
lojas, empréstimos pessoais, compra de imóvel, prestação
de carros e seguros.
Apesar do aumento do endividamento
e das prestações em atraso, a pesquisa revela um dado
surpreendente. Os consumidores das classes D e E não estão
pagando as prestações em dia, mas acabam se acertando.
Quando se mede o nível de inadimplência final, os indicadores
estão em queda.
Em dezembro passado, 11,1%
das famílias que ganham até três salários
mínimos estavam inadimplentes. Em dezembro de 2008 esse número
era maior: o calote chegava a 16,2% dos consumidores de baixa renda.
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MS NOTÍCIAS, 11 de
janeiro de 2010
MS: Construção civil reune
trabalhadores para discutir salários
Trabalhadores da indústria
da construção civil estão sendo convocados pelo
seu sindicato para discutir reajuste salarial e outros benefícios
para a categoria, negociados com a classe patronal. Samuel da Silva
Freitas, líder sindical, marcou para dia 29 uma assembléia
geral às 18 horas na sede do Sintracom (Sindicato dos Trabalhadores
na Indústria da Construção Civil e do Mobiliário
de Campo Grande), na Rua Maracaju 878.
Trata-se dos itens da Convenção
Coletiva de Trabalho 2010/11, que deverá entrar em vigor a partir
de 1º de março. Segundo Samuel Freitas, nessa assembléia
os trabalhadores vão decidir o percentual que irão reivindicar
na mesa redonda com o patronal. “Não dá para saber
ainda o percentual que iremos reivindicar, mas dá para adiantar
apenas que queremos ganho real, com reajuste bem acima do índice
de inflação acumulado nos 12 meses de vigor da convenção
atual”, afirmou.
O sindicalista disse ainda que
a indústria da construção civil teve um 2009 de
grandes faturamentos, pois esteve o tempo todo bem aquecida. Sem sofrer
sequer as influências da crise internacional que abalou outros
setores da economia. “Como o setor foi bem durante todo ano passado
é justo agora que o trabalhador tenha um ganho real em seus salários,
com percentual acima da inflação”, comentou.
Além de melhoria salarial,
a assembléia geral vai discutir também condições
de trabalho; alimentação para os empregados nas empresas;
programas de alfabetização; programas de qualificação
profissional; atendimento à saúde e habitação.
“Esperamos o comparecimento de todos no dia 29 na casa do trabalhador
da construção civil e do mobiliário de Campo Grande”,
disse o líder sindical Samuel da Silva Freitas.
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Folha de S.Paulo, 11 de
janeiro de 2010
Crédito imobiliário
avança e flerta com derivativo no país
Plano é transformar empréstimos
a mutuários em títulos negociados no mercado para elevar
os recursos disponíveis | Crédito para o setor em relação
ao PIB é inferior ao de outros emergentes; modelo levado ao extremo
detonou a crise de hipotecas nos EUA
TONI SCIARRETTA
DA REPORTAGEM LOCAL
O mercado imobiliário
brasileiro, um dos mais atrasados do mundo em termos de crédito,
se prepara para dar o seu maior salto a partir deste ano. A aposta é
repetir o sucesso das empresas brasileiras que abriram capital e buscar
recursos para o financiamento da compra de imóveis no mercado
de capitais, incluindo o uso de derivativos, como ocorre nas principais
economias do mundo.
Para atrair o dinheiro dos fundos de pensão e de investimento,
os empréstimos têm de passar pelo processo de "empacotamento",
chamado de securitização, em que são convertidos
em título com liquidez no mercado. Nele, uma dívida de
30 anos vira um papel com preço, variando de acordo com um "rating"
(nota) dado por agência de risco, oferta e demanda.
Essa "engenharia", que usa derivativos [contratos que "derivam"
de outro ativo; no caso, de crédito] foi amadurecida nos EUA,
onde papéis de alto risco levaram à crise das hipotecas
de segunda linha ("subprime").
Para os fundos de investimento, os papéis imobiliários
podem se tornar opções de baixo risco de crédito
-a inadimplência gira em 2,5%- com ganho superior ao dos títulos
do governo. Até há pouco tempo, não havia mercado
para esses papéis devido ao baixo retorno. Já os fundos
de pensão têm interesse em papéis com vencimento
daqui 20 anos, quando pagarão mais aposentadorias.
"Todas as condições estão dadas para esse
mercado decolar. E sem os excessos vistos nos EUA", disse Fernando
Brasileiro, presidente da Cibrasec, maior securitizadora do país.
Flexibilizar
a poupança
O caminho de acesso ao mercado de capitais passa pela flexibilização
das regras da poupança, principal fonte de recursos do setor,
que poderia ser melhor aproveitada se os bancos não tivessem
de esperar até a última prestação do imóvel
para retirá-lo do balanço.
Hoje, os bancos precisam manter em carteira empréstimos imobiliários
correspondentes a 65% da captação da poupança,
sob pena de o montante não utilizado ficar retido como compulsório
sem remuneração no Banco Central.
Com um pequeno ajuste na regra, as instituições financeiras
poderiam utilizar os 65% da poupança, e ainda ficar livres para
""empacotar" o empréstimo e vendê-lo no
mercado.
A proposta tem apoio do governo e do Banco Central. A Folha apurou no
BC que a única objeção é que os bancos "reciclem"
recursos baratos da poupança e usem o dinheiro para empréstimos
de retorno maior, ou seja, que não destinem ao crédito
imobiliário.
Entidades do setor defendem que os bancos cumpram os 65% de direcionamento
somente pela originação do empréstimo. Dessa forma,
o banco "recicla" o dinheiro da poupança, embolsa o
lucro total da operação antes do vencimento, e obtém
dinheiro novamente para fazer outro empréstimo utilizando o mesmo
volume de recursos.
"O Sistema Financeiro da Habitação incentiva os bancos
a não fazerem novas concessões para manter o estoque de
crédito. Precisamos reoxigenar esse processo", diz o advogado
Alexandre Assolini, presidente da comissão criada pela BM&F
Bovespa para estudar como destravar o crédito imobiliário.
"Estamos falando em colocar uma rodinha no crédito imobiliário.
Enxergamos 2010 como o ano em que a gente vai ter um novo sistema de
financiamento, com a conjugação dos mercados imobiliário
e financeiro", disse Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP
(sindicato do setor em São Paulo).
A flexibilização da poupança tem potencial para
alavancar o crédito imobiliário, que não passa
de 2,7% do PIB, atrás de México (9%), Chile (17%) e EUA
(65%), entre outros.
Segundo especialistas, o atraso do Brasil no crédito imobiliário
é uma das últimas heranças do período inflacionário.
Só não aconteceu ainda porque o país tinha juros
altos, que impediam financiamentos longos -em seis anos, uma dívida
duplica com juro anual de 12%.
O Brasil é também um dos países com menor participação
do mercado de capitais no financiamento imobiliário. Segundo
a consultoria Accenture, só 2,3% do crédito imobiliário
veio do mercado; nos EUA, chega a 63%, e, no México, a 8%.
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Folha de S.Paulo, 11 de
janeiro de 2010
Financiamento farto eleva preço
de imóveis
DA REPORTAGEM LOCAL
A expansão do crédito
imobiliário deve levar à valorização nos
preços dos imóveis nas principais regiões metropolitanas
do país, especialmente em locais com potencial limitado de construção,
movimento que aconteceu na Europa e nos EUA no fim dos anos 90 e início
da década, segundo analistas.
Isso porque a facilidade no financiamento permite que um número
maior de famílias consiga comprar um imóvel, cuja oferta
pode ser limitada nas regiões mais disputadas.
Prevendo um aumento nos preços dos terrenos, as principais construtoras
do país buscaram recursos no mercado financeiro para prospectar
oportunidades nas principais cidades brasileiras.
Nos últimos três anos, esse aquecimento levou a um aumento
médio de 35% nos preços dos imóveis novos na região
metropolitana de São Paulo, o que fez com que apartamentos em
localidades como Osasco (Grande São Paulo) ficassem hoje com
o preço que um imóvel em Pinheiros (zona Oeste), de mesma
metragem, tinha há três anos, segundo a Embraesp, consultoria
especializada em avaliação de imóveis.
"Há um pouco de exagero em se pensar que Osasco tem o preço
de Pinheiros três anos atrás. São regiões
que passaram por transformações. O metrô chegará
a Pinheiros e isso valoriza os imóveis. Não quer dizer
que daqui a três anos Osasco vai ter o preço atual de Pinheiros",
disse Luiz Paulo Pompeia, economista da Embraesp.
Para o economista, as construtoras tendem a suprir a demanda nas principais
regiões, o que pode conter os preços em caso de excesso
de oferta.
Na avaliação da Embraesp, o programa Minha Casa, Minha
Vida deverá aumentar em 40% os novos empreendimentos lançados
na região metropolitana de São Paulo, local que tem impacto
limitado devido ao valor máximo de R$ 130 mil.
Especialista na avaliação de imóveis, Pompeia não
sabe afirmar qual impacto o programa poderá ter no preço
de residências populares, que poderão até cair se
acontecer um eventual excesso de oferta em algumas localidades. O mesmo
poderá acontecer com imóveis de maior valor, se surgirem
apartamentos populares oferecendo conforto semelhante.
"A valorização dos imóveis novos demora para
chegar nas residências usadas. Quando falamos em imóveis,
temos de lembrar que todos os movimentos são lentos. Nada acontece
da noite para o dia. O que a gente sofreu neste ano permitiu um grande
ajuste no mercado. Nos dois últimos anos antes da crise, a gente
via lançamentos de quatro dormitórios em todo canto. Hoje,
a maior parte das construtoras que estão indo para a Bolsa está
focada na baixa renda. O mercado vai para um caminho mais maduro e mais
consistente", disse.
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Folha de S.Paulo, 11 de
janeiro de 2010
Banco terá de "reinventar"
crédito em 2011
Estudo do banco Credit Suisse prevê migração
de financiamentos de prazos curtos para mais longos
DA REPORTAGEM LOCAL
Após desacelerar em 2009,
o crédito voltará a se expandir com vigor em 2010 até
entrar em um processo de acomodação, com taxas menores
de crescimento, a partir de 2011, segundo o banco Credit Suisse.
O banco suíço projeta um crescimento de 24% nos empréstimos
neste ano, resultado da demanda aquecida, aumento da renda e retomada
da economia. A previsão é que o estoque de empréstimo
ultrapasse, pela primeira vez, a metade do PIB brasileiro e chegue a
51% no final de 2010 -no ano passado, ficou perto de 46% do PIB.
Em 2011, o crédito deve atingir o patamar inédito de 55%
do PIB. Porém, haverá uma desaceleração
no ritmo de crescimento- de 24% para 14%.
Segundo o economista Nilson Teixeira, autor do estudo do Credit Suisse,
no próximo ano as modalidades de crédito que sustentaram
a rápida expansão dos empréstimos desde 2003 -consignado,
financiamento ao consumo, veículos etc.- chegarão próximo
da exaustão e sofrerão um processo gradual de acomodação.
Para voltar a crescer no ritmo anterior, os bancos terão de "reinventar"
o negócio de emprestar dinheiro no Brasil. As instituições
financeiras terão de entrar pesado no financiamento imobiliário
e em outras modalidades ainda pouco exploradas, como empréstimos
para expansão de empresas.
Os valores negociados serão bastante superiores aos atuais e
os financiamentos terão, necessariamente, prazos mais longos
e juros menores.
"Vai ocorrer no Brasil um processo em que vamos saltar de um crédito
de curto e médio prazo para um de prazo mais longo. Mas essa
calibração toma tempo, por isso o crédito vai desacelerar
em 2011. Primeiro vai ter uma acomodação da demanda de
crédito [de curto prazo], acompanhada por uma expansão
da demanda por crédito de longo prazo. No caso da pessoa física,
será para imóveis; pessoa jurídica, será
para investimentos. Ao invés de utilizar exclusivamente recursos
do BNDES, o crédito para as empresas terá uma composição
maior também de mercado de capitais e de crédito privado."
Segundo o economista, ainda é difícil saber em qual velocidade
ocorrerá essa migração de prazos no crédito
brasileiro, como ocorreu em outros países. Ele afirma que isso
dependerá também do custo do dinheiro no país,
redução de gargalos e do controle maior da inadimplência,
com a adoção de instrumentos de análise de risco
como o cadastro positivo.
No estudo, o crédito imobiliário com recursos da poupança
deverá crescer em ritmo acima de 40% em 2010. O programa Minha
Casa, Minha Vida será o principal canal de estímulo para
o setor.
Para o banco, o financiamento do setor imobiliário pelo mercado
de capitais deve se acelerar neste ano, mas a poupança ainda
continuará sendo o principal motor do crédito habitacional.
"A nossa expectativa é que, como ocorreu em outros países,
o financiamento privado passe a ser mais relevante do que o público
no crédito imobiliário na próxima década",
disse Teixeira.
Capitalizado pelo Tesouro Nacional, o BNDES (Bando Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social) terá ainda um papel importante no financiamento
das empresas em 2010, com desembolsos previstos de R$ 140 bilhões,
mas reduzirá sensivelmente sua atuação em 2011.
Segundo os economistas do Credit Suisse, o banco costuma reduzir as
concessões em períodos de transição de comando
interno, independentemente do resultado da eleição presidencial
deste ano.
O Credit espera ainda uma redução gradual dos "spreads"
(diferença entre a taxa de captação e a taxa repassada
ao cliente) nos próximos anos, estimulada pelo aumento da concorrência
dos bancos privados com os bancos públicos.
(TONI SCIARRETTA)
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Folha de S.Paulo, 11 de
janeiro de 2010
BCs temem nova bolha de crédito
e condenam excesso de otimismo
Grupo não consegue definir lista de instituições
mais visadas, que deverão ter regras mais rígidas
LUCIANA COELHO
ENVIADA ESPECIAL A BASILEIA
Mal passou o pior da crise e
os presidentes dos principais bancos centrais já mostram preocupação
com o otimismo exagerado do mercado e o risco de uma bolha de crédito,
como a que causou o colapso de 2008. Outra vez, o perigo vem dos EUA.
E do excesso de dólares.
Trancados na sede do BIS (Banco para Compensações Internacionais,
o BC dos BCs), na Basileia, em uma maratona de reuniões no fim
de semana, os banqueiros concluíram que embora a recuperação
esteja correndo melhor do que o esperado, o sistema continua frágil.
"A situação em geral está melhor do que poderíamos
pensar há algum tempo. Os bancos conseguem levantar capital,
aumentaram a lucratividade bem como sua liquidez", ponderou Mario
Draghi, do BC italiano. "Ao mesmo tempo, há uma fragilidade
substancial."
Como sinais, citou a dependência das medidas de estímulo
ainda em curso, cuja retirada terá de ser cautelosa, e a consequente
necessidade futura de financiamento dos governos. O inchaço dos
deficits orçamentários é uma preocupação
crescente, sobretudo na Europa.
Mas é para os EUA que está voltada a atenção
maior. A combinação de baixos juros e alta liquidez produz
um dejá-vu pré-crise, em que dinheiro barato começa
a alimentar um crescimento insustentável no mercado de ações
e de imóveis.
Segundo outra autoridade presente, o tema foi o mais discutido ontem.
E o risco mais temido é para outros países -sobretudo
emergentes, que atraem dólares enquanto a economia americana
rateia.
A reunião rendeu ainda desconforto a seus convidados ilustres:
os diretores de alguns dos principais bancos privados (não se
divulgou nomes). Uma prioridade dos BCs é criar medidas que reduzam
o estrago causado pela quebra de instituições "sistemicamente
importantes" -e evitar o dominó iniciado em 2008 pela quebra
do banco Lehman Brothers.
O problema é que a lista dessas instituições, sobre
as quais se aplicaria regras mais estritas, deveria estar pronta no
fim de 2009. Até agora, segundo Draghi, não se chegou
nem aos critérios para esboçá-la.
"Se estivéssemos falando só de instituições
grandes, seria fácil definir, mas não é o caso."
Indagado pela Folha se haverá nomes na lista -as instituições
temem o estigma-, ele respondeu que sim. "Mas é cedo. O
importante é definir critérios", completou, dizendo
que isso é esperado para outubro.
Segundo fontes, há oposição no grupo à lista.
As medidas devem ser uma versão mais rígida daquelas definidas
em setembro para melhorar a regulação -exigência
maior de liquidez e limite de alavancagem.
O grupo criou um cronograma de revisões dos membros para avaliar
países e medidas específicas. Assim, espera-se incentivar
instituições fora do grupo a aplicarem essas regras.
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Gazeta do Povo, 11 de janeiro
de 2010
Entrevista
Carga tributária em alta até
na crise
Gilberto Luiz do Amaral, presidente do Instituto
Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT)
Mesmo em ano de crise, a arrecadação
de tributos no Brasil teve crescimento nominal de 3% em 2009, atingindo
R$ 1,1 trilhão. Descontada a inflação, a queda
na receita foi de aproximadamente 0,5%, bem menos do que foi projetado
no início do ano passado, quando imaginava-se redução
de até 10%. Para 2010, a carga continuará exorbitantemente
alta, sem que haja um equivalente retorno para a população
em qualidade de serviços públicos. Essa é a avaliação
de Gilberto Luiz do Amaral, presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento
Tributário (IBPT), entidade com sede em Curitiba. Nesta entrevista
à Gazeta do Povo, ele fala sobre a minirreforma tributária
estadual, as medidas de combate à sonegação implementadas
pela Receita Federal e a provável ausência da carga tributária
como tema de campanha nas eleições presidenciais deste
ano.Veja os principais trechos da conversa:
Com a crise financeira mundial e a
política do governo federal de desoneração de alguns
setores da economia, que avaliação o senhor faz da arrecadação
de impostos no Brasil no último ano?
A arrecadação de 2009 foi surpreendente. Em 2008,
o total da arrecadação da União, estados e municípios
atingiu R$ 1,056 trilhão. Esperava-se no início de 2009
que essa arrecadação tivesse uma queda nominal de até
10%. E vamos fechar 2009 com a arrecadação totalizando
quase R$ 1,1 trilhão. Isso demonstra que o Brasil conseguiu ultrapassar
a crise financeira de maneira muito eficaz. Mesmo o plano do governo
federal de desoneração não trouxe uma queda efetiva
da arrecadação tributária.
Por que a desoneração
não provocou queda? O consumo compensou?
O Brasil tem um sistema tributário peculiar. É
o único país do mundo que tem a tributação
multi-incidente, ou seja, sobre um mesmo fato econômico há
a incidência de vários tributos. Como a principal carga
tributária é aquela que incide sobre o consumo –
os tributos que estão embutidos no preço final das mercadorias
e serviços –, então a queda do imposto de algum
produto, como o IPI nos automóveis, não impacta tão
fortemente na arrecadação tributária. Como houve
um aumento do consumo, isso levou a um crescimento da arrecadação
de PIS e Cofins e até mesmo do IOF, já que a maior parte
da venda de automóveis foi por financiamento.
E para esse ano, qual é a perspectiva?
A carga tributária brasileira, que é a mais alta
de todos os países emergentes, manterá um nível
estratosférico. A expectativa para 2010 é de crescimento
de 1% a 1,5% da arrecadação, fruto do próprio crescimento
econômico e da eficiência da fiscalização.
Numa reunião com exportadores
em dezembro, o presidente Lula disse que “a carga tributária
no país continuará alta em nome do bem-estar social do
povo brasileiro.” Como o senhor analista essa fala do presidente?
Isso é um vício do governante brasileiro, seja
da União, dos estados ou dos municípios: eles querem cada
vez mais infligir à população e ao setor produtivo
uma carga tributária exorbitante, partindo do pressuposto de
que o dinheiro público é bem aplicado. Se tivéssemos
a qualidade do serviço público que se tem em países
desenvolvidos, ou mesmo em países em desenvolvimento –
como o Chile, que tem uma qualidade de serviço publico muito
maior do que a brasileira, com uma carga tributaria bem menor –,
aí sim estaríamos falando de bem-estar social. Essa fala
do presidente Lula não corresponde a uma realidade, já
que o dinheiro público brasileiro é aplicado com muita
deficiência.
A carga tributária pode ser um
tema importante no debate eleitoral deste ano?
Existe uma unanimidade nacional que a carga tributária
é alta. O que falta aos partidos é ter uma política,
quando assumem o governo, de desoneração ou diminuição
da carga. Eu vejo que nem a situação nem a oposição
terão condições de adotar o tema de maneira mais
crítica. Quando o PSDB foi governo o partido foi extremamente
fiscalista, no sentido de ampliação da carga tributária,
e o PT manteve essa política. Como o grande embate vai se dar
entre PT e PSDB, um fica impedido de falar do outro. Então vejo
que esse não vai ser um grande tema.
Mas as desonerações no
último ano tiveram um caráter educativo para a população,
no sentido de mostrar o peso do imposto nos produtos?
O resultado das desonerações, principalmente
do IPI e do IOF, foi demonstrar que o custo da tributação
sobre o consumo é muito elevado. O PT vai usar isso como um instrumento
de propaganda. Vai depender da oposição mostrar que, se
com uma pequena redução já melhorou, imagina se
reduzisse mais. Vai depender muito mais da eficiência do marketing
do que de uma vontade política para tornar a questão um
tema principal de campanha.
No âmbito estadual, já
é possível mensurar o impacto da minirreforma tributária
para o consumidor paranaense?
Foi um experimento interessante, mas não temos uma avaliação
definitiva. Para se ter essa análise, é preciso pelo menos
12 meses. Como ela entrou em vigor em abril passado, só no próximo
mês de abril poderemos fazer uma análise para saber se
a minirreforma trouxe uma modificação favorável
ao consumidor. O ponto positivo da medida foi a diminuição
do ICMS de 18% para 12% em mais de 90 mil itens. O ponto negativo foi
o incremento da tributação sobre a energia elétrica,
telecomunicação e combustíveis, que já representam
um custo enorme – esses são insumos básicos de toda
a linha produtiva e também do próprio consumidor de maneira
direta.
Os modelos da Receita de combate à
sonegação são eficientes?
Combate a sonegação é do interesse do
país. A sonegação distorce uma realidade de mercado,
incentivando uma disputa desleal. E, na verdade, a sonegação
não é traduzida para o preço dos produtos e serviços;
é uma apropriação que o sonegador faz do dinheiro
público. Hoje a inteligência fiscal é superior à
eficiência empresarial. Os fiscos têm elementos muito eficientes
para o combate a sonegação. Hoje o Fisco só não
emite mais autos de infração por falta de auditores fiscais.
Tivemos uma queda da sonegação nos últimos 10 anos
de 33% para 25%, aproximadamente. Nos próximos cinco anos a sonegação
brasileira cairá para 15% e no máximo em sete anos estará
em 10%, que é um nível muito parecido com o dos países
desenvolvidos.
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Vermelho, 11 de janeiro
de 2010
Chávez defende desvalorização
de moeda e ameaça os especuladores
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, convocou neste domingo
(10) seus partidários a impedir que os comerciantes elevem os
preços perante o anúncio de desvalorização
da moeda, que entra em vigor amanhã entre críticas e incertezas
de vários setores. “Alguns burgueses, oligarcas estão
dizendo que pelas medidas anunciadas na sexta-feira eles têm que
aumentar todos os preços. De maneira nenhuma vamos aceitar!”,
disse Chávez em seu programa de rádio e televisão
de domingo, Alô Presidente.
Chávez ameaçou ainda expropriar eventuais especuladores,
após chamar militares e organizações populares
a trabalharem unidos para impedir o aumento dos preços nas lojas.
Neste domingo, muitos venezuelanos correram para comprar temendo um
aumento súbito de valores.
Nos supermercados do leste de
Caracas, não se observava pela manhã grandes filas, como
foi possível ver em lojas de eletrodomésticos e de material
de informática, produtos de importação muito solicitados
em um mercado acostumado a um forte consumismo. No entanto, os clientes
faziam suas compras entre rumores de aumento de preços de até
50%. Funcionários disseram que estavam substituindo rótulos,
embora sem poder determinar com que preço os produtos estariam
na segunda-feira.
Chávez anunciou que a
desvalorização da moeda nacional, até agora em
2,15 bolívares por dólar, regerá a partir desta
segunda-feira com dois tipos oficiais de câmbio: um de 2,6 e outro
de 4,3 bolívares, sempre dentro do controle estatal de divisas.
A cotação de 2,6 bolívares regerá as importações
prioritárias, entre elas as do setor de alimentos, saúde,
maquinarias e equipamentos, ciência e tecnologia e todas as importações
do setor público, assim como remessas familiares ou recursos
de consulados e embaixadas credenciados na Venezuela.
“Para todo o resto”,
ressaltou Chávez na sexta-feira, se utilizará uma paridade
de 4,3 bolívares por dólar, que chamou de “dólar
petroleiro”, e que permitirá especialmente cobrir as necessidades
do setor automotivo, do comércio e das telecomunicações.
Ainda não foi explicado qual das duas cotações
será utilizada em matéria de serviços ou, por exemplo,
na área do turismo.
“Os que queiram aproveitar
os anúncios (sobre a desvalorização) para encher
o povo de medo, se preparem!”, insistiu o presidente, que destacou
que “o povo atuará com a lei na mão”. Como
repetiu nos últimos dias, as medidas tomadas buscam impulsionar
o setor produtivo nacional.
Da Redação, com agências
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O ESTADO DO PARANÁ,
11 de janeiro de 2010 | Política
Serra e Dilma exibem táticas para
corrida presidencial
Agência Estado
O ano eleitoral começa com o governador de São Paulo,
José Serra (PSDB), e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff
(PT), consolidados como os dois principais candidatos à sucessão
presidencial e intensificando a movimentação em busca
de votos. Serra lidera as pesquisas e começa 2010 sem a sombra
da concorrência interna do governador de Minas, Aécio Neves,
que desistiu de se candidatar.
Com isso, ele inicia o ano com sua base de apoio pacificada e tranquilizada
pelo fim da indefinição que atrapalhava a montagem dos
palanques estaduais. Essa situação fez com que o governador
avisasse aos aliados que oficializará sua candidatura no fim
de março.
Dilma também inicia
2010 em ritmo intenso. Ela volta amanhã do período de
duas semanas de férias e deflagrará um amplo processo
de viagens e contatos com as bases eleitorais do PT. Fortalecida nas
pesquisas e recuperada de um linfoma, começa o ano espantando
de vez o fantasma da adoção de planos B. Decidiu também
partir atrás dos votos de Minas, segundo colégio eleitoral
do País e seu Estado de nascimento - mas onde padece de baixa
densidade eleitoral.
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FOLHA DE LONDRINA, 11 de
janeiro de 2010 | Política
Eleições acirram guerra
entre PT e PSDB
São Paulo - O ano eleitoral começa com o governador de
São Paulo, José Serra (PSDB), e a ministra da Casa Civil,
Dilma Rousseff (PT), consolidados como os dois principais candidatos
à sucessão presidencial e intensificando a movimentação
em busca de votos. Serra lidera as pesquisas e começa 2010 sem
a sombra da concorrência interna do governador de Minas, Aécio
Neves, que desistiu de se candidatar.
Com isso, ele inicia o ano com
sua base de apoio pacificada e tranquilizada pelo fim da indefinição
que atrapalhava a montagem dos palanques estaduais. Essa situação
fez com que o governador avisasse aos aliados que oficializará
sua candidatura no fim de março.
Dilma também inicia 2010
em ritmo intenso. Ela volta hoje do período de duas semanas de
férias e deflagrará um amplo processo de viagens e contatos
com as bases eleitorais do PT.
Fortalecida nas pesquisas e
recuperada de um linfoma, começa o ano espantando de vez o fantasma
da adoção de planos B. Decidiu também partir atrás
dos votos de Minas, segundo colégio eleitoral do País
e seu Estado de nascimento - mas onde padece de baixa densidade eleitoral.
Desde 1994, PSDB e PT protagonizam
a eleição presidencial, dividindo oito anos de poder para
cada um. O quinto confronto seguido terá como novidade a ausência
do nome do presidente Lula nas urnas - presente em todas as disputas
presidenciais desde 1989. Mas ele será o maior cabo eleitoral
de Dilma.
A polarização
entre tucanos e petistas é tão grande que influencia até
os outros candidatos. O deputado Ciro Gomes, do PSB, só estará
na disputa se Lula achar conveniente. E a senadora Marina Silva (PV)
entra na eleição como a dissidência mais recente
do PT e flertando com setores tucanos.
Agência Estado
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Congresso em Foco, 11 de
janeiro de 2010
Eleitores podem transferir título
até 5 de maio
Mário Coelho
O Tribunal Superior Eleitoral
(TSE) fixou em 5 de maio a data limite para requisição
do título de eleitor ou para a transferência de domicílio
eleitoral. Quem quiser votar e escolher os próximos presidente
da República, governadores, senadores, deputados estaduais, distritais
e federais tem até esta data também para atualizar os
dados eleitorais. Atualmente estão cadastrados 131.883.788 eleitores
no Brasil.
Segundo o TSE, é possível
adiantar o processo para solicitar o título pela página
da internet do tribunal, na seção "título
net". É preciso, inicialmente, preencher o formulário
virtual, com todas as informações solicitadas. Mas, para
completar o procedimento, é preciso comparecer a um cartório
eleitoral, em até cinco dias, com os originais e as cópias
dos documentos pedidos, além do número de protocolo gerado
pelo pré-atendimento online.
Quem não se apresentar
pessoalmente no cartório, dentro do prazo determinado, terá
o processo cancelado. Os documentos exigidos são: identidade,
comprovante de residência, título anterior (se for o caso)
e, para os cidadãos do sexo masculino, comprovante de quitação
militar.
Eleitores com domicílio
no exterior são obrigados a votar ou justificar o voto nas eleições
para presidente da República. Para votar fora do país,
os cidadãos devem se cadastrar em uma embaixada ou consulado
brasileiro ou em qualquer cartório eleitoral no Brasil. O não
cumprimento da obrigação impede a obtenção
de passaporte ou identidade. O cidadão também fica inabilitado
de requerer qualquer documento perante repartições diplomáticas
no exterior, entre outras restrições.
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CORREIO BRAZILIENSE, 11 de
janeiro de 2010
Filhos e mulheres de operários
mortos em canteiros de obras relatam o sofrimento diário
A maioria das famílias se desestruturou
financeiramente
Juliana Boechat
Basta um passo em falso para o dia de trabalho acabar em tragédia.
Acostumados a trabalhar em andaimes ou dentro de buracos e rodeados
de máquinas, milhares de operários da construção
civil arriscam-se diariamente em troca do salário no fim do mês.
O perigo aumenta quando o equipamento de segurança é deixado
de lado. Ou, ainda, quando a empresa ou o governo não fiscalizam
o canteiro de obras. O resultado: famílias dilaceradas por acidentes
que, na maioria dos casos, poderiam ser evitados. Segundo o Sindicato
dos Trabalhadores da Construção Civil, 58 operários
se acidentaram e 12 perderam a vida em 2008 no Distrito Federal. Em
2009, a quantidade de acidentes foi praticamente a mesma, 57. Mas 15
pessoas morreram, um aumento de 25% em relação ao ano
anterior.
Nestes 10 dias de 2010, são
dois casos de acidentes em obras, um dos quais terminou em morte. O
Correio conversou com filhos e mulheres de trabalhadores que sofreram
acidentes na construção civil. Ainda com o choro engasgado,
famílias tentam reinventar a rotina sem a base financeira da
casa. Sozinhas, as mulheres assumem a responsabilidade de pai e mãe
para manter os filhos. E a saída, para muitos órfãos,
é ajudar no sustento da casa. É o caso de Gilvanei de
Mota, 21 anos, que é paraplégico e entrega à mãe
o salário mínimo que recebe; e ainda de dois filhos de
Raimundo da Costa, 55, morto na última segunda-feira. Os jovens
mantêm a mãe, três irmãos e um sobrinho. A
caixa Kelly Lins, viúva de outro trabalhador, agora arca sozinha
com as despesas da família, reduzida a ela e a duas filhas pequenas.
Segundo o presidente do Sindicato
dos Trabalhadores da Construção Civil, Edgar de Paula
Viana, o principal problema das obras é a falta de fiscalização,
tanto por parte da empresa responsável — que precisa exigir
de seus funcionários o uso dos equipamentos de segurança
— quanto da Superintendência Regional do Trabalho —
que deve vistoriar desde a higiene da cantina dos operários até
os itens de proteção. Viana ressalta que a quantidade
de acidentes está diretamente relacionada ao aumento do número
de obras no DF: “Brasília se transformou em um canteiro
de obras. Há três anos, havia 40 mil operários.
Hoje, são mais de 80 mil. Mas o número de fiscais de obra,
porém, continua pequeno para a quantidade de trabalhadores”.
Elson Póvoa, presidente do Sindicato da Construção
Civil, defendeu mais treinamento para os trabalhadores.
Representantes da superintendência
e da Delegacia Regional do Trabalho foram procurados pela reportagem,
mas, até o fechamento desta edição, não
haviam retornado as ligações.
"Papai está no céu"
Julia de Oliveira, 5 anos,
passa carinhosamente o dedo indicador na foto com o rosto do pai. Com
um sorriso tímido, ela fala com saudade de Josué Afonso
de Oliveira, 28 anos. “Ele me levava no parquinho e brincava de
pique-esconde”, recorda-se. Em 9 de novembro do ano passado, o
mecânico morreu esmagado por uma empilhadeira de 3,5t em um canteiro
de obra no Setor de Armazenagem e Abastecimento Norte (SAAN). E desde
então, Julia, a irmã, Giovana, 3 anos, e a mãe,
Kelly Cristina Silva Lins, 30, (as três na foto) tentam mudar
de rotina para aliviar a dor da morte do parente querido.
Elas se mudaram da casa em que
moravam com Josué, também em Planaltina. Há quase
um mês, vivem em uma quitinete de quarto e sala em cima do comércio
onde Kelly trabalha como caixa, no Jardim Roriz. “As meninas estavam
sofrendo muito. Elas não queriam mais dormir naquela casa, onde
tudo lembrava ele. Além disso, perdemos a maior renda da casa”,
explicou a mãe. Com cuidado, Kelly explica às filhas que
o “papai está no céu”. “Julia sofre
muito. Giovana às vezes grita e chora de saudade pedindo a presença
do pai.”
A maior preocupação
de Kelly agora é criar as filhas sem a presença de Josué.
“Ele era muito presente na nossa vida. Mas sei que tenho que ser
forte por causa das meninas, elas agora dependem de mim para tudo”,
disse. Ela conversou com o marido duas horas antes do acidente. Na ocasião,
mesmo com pressa, disse à mulher: “Só queria dizer
que te amo e que você é um presente em minha vida”.
Eles estavam juntos havia sete anos.
A VÍTIMA
Josué Afonso de Oliveira, 28 anos
Morava no Jardim Roriz, em Planaltina
Trabalhava como mecânico em uma empresa de empilhadeiras em canteiros
de obra
Era casado com Kelly Cristina Silva Lins, 30 anos
Deixou duas filhas, uma de 3 e outra de 5 anos
“Que a segurança
seja prioridade”
Ao contrário da mulher, Maria
Gorete, 46 anos, o pedreiro Raimundo Rodrigues da Costa, 55, não
tinha costume de ir à igreja. Mas, no último domingo,
ele decidiu rezar. E perguntou a Maria: “Agora a gente vai toda
semana, né?”. Ela estranhou a atitude do marido, mas concordou.
Como sempre, a casa da família Rodrigues, em Águas Lindas
(GO), estava cheia. Ninguém imaginaria que logo na segunda-feira
chegaria a notícia triste da morte de Raimundo. Ele sustentava
a mulher, o único neto, de 3 anos, e três filhos desempregados.
Por volta das 19h de 4 de janeiro,
colegas de trabalho avisaram à família sobre o acidente
fatal. “Foi um choque geral”, contou o mais velho dos cinco
filhos, Antônio Francisco, 29 anos (na foto com a família,
segurando o retrato do pai). O pedreiro foi soterrado em um buraco de
4m de profundidade por volta das 16h, em uma obra em uma área
de restaurante na comercial da 115 Sul. Doze operários trabalhavam
na remoção de uma forma de madeira montada para moldar
a parede de concreto do subsolo da construção. No momento
da retirada, a terra molhada cedeu. Os companheiros de Raimundo se salvaram.
O pai da família é
lembrado como um homem brincalhão, alegre e trabalhador. Por
isso, os filhos tentam manter o astral alto. “Vamos ficar ainda
mais unidos para apoiar minha mãe”, garantiu Antônio
ao lado dos irmãos. Todos os dias, Raimundo acordava às
3h, preparava o café e saía para o trabalho por volta
das 5h30. Ele nunca havia sofrido qualquer acidente em obras. “Esperamos
que a segurança seja prioridade nos trabalhos de obras para evitar
que outras famílias passem por isso”, emocionou-se Antônio.
A VÍTIMA
Raimundo Rodrigues da Costa,55 anos
Morava em Águas Lindas de Goiás
Trabalhava havia três anos na M. Gonçalves Investimentos
e Participações Ltda
Era casado com Maria Gorete Teixeira Costa, 46 anos.
Deixou cinco filhos e um neto de 3 anos
“Por
que logo o meu marido?”
A dona de casa Zebina Maria de Jesus, 60 anos (na foto, segurando
o retrato tirado no próprio casamento), chora todos os dias a
morte do marido, Nilo da Mota Henrique, 57. Em 3 de dezembro do ano
passado, ele foi eletrocutado enquanto trabalhava em uma obra em Águas
Claras. Sem dinheiro, a viúva sobrevive com a ajuda de amigos
e parentes. Em uma pequena casa em Samambaia, ela mora com dois filhos
e um sobrinho. Gilvanei de Mota, 21 anos, ficou paraplégico nove
meses antes da morte do pai ao levar um tiro e colabora com o salário
mínimo da aposentadoria por invalidez. Ainda hoje, ele lamenta
o ocorrido. “Meu pai estava em desvio de função,
não era carregador e mandaram ele levar umas cabaças.
O lugar estava cheio de gambiarras de fio e água. Como ele estava
sem luva, sofreu o choque fatal.”
Gil é a maior companhia
da mãe, que passa o dia em casa. “A morte dele desestruturou
a família. É impossível substituir alguém
tão querido”, disse, com a voz firme. Zebina fica nervosa
ao se lembrar do marido. Ao contar a história, engasga com frequência,
e os olhos marejam a todo instante: “Acabou o tempo bom para mim.
Por que logo o meu marido? Uma pessoa tão boa. Foi o único
homem que amei. Agora estou sozinha”. Os dois eram casados desde
1972.
Zebina lembra como se fosse
hoje o dia em que um carro da empresa na qual Nilo trabalhava parou
na frente da casa dela. “Senti que havia acontecido alguma coisa
com o meu marido. Nilo dizia que o maior medo dele era morrer em qualquer
tipo de acidente”, disse. Três semanas antes da tragédia,
todos os filhos de Nilo — de dois casamentos diferentes —
se reuniram para rir e conversar com o pai. “Parecia até
uma despedida”, concluiu Gil.
A VÍTIMA
Nilo da Mota Henrique, 57 anos
Morava em Samambaia
Veio do Piauí para trabalhar com construção em
Brasília
Era casado com Zebina Maria de Jesus, 60 anos.
Deixou 10 irmãos, sete filhos — de dois casamentos —
e muitos netos
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
08/01/2010
União responde por honorários
de perito de trabalhador com benefício da justiça gratuita
Na medida em que a Constituição
Federal atribui ao Estado o dever de prestar assistência jurídica
gratuita aos necessitados (artigo 5º, LXXIV), cabe à União
pagar pelas despesas daí decorrentes, entre elas os honorários
periciais. Esse entendimento foi aplicado pela Primeira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho, em julgamento recente de recurso de revista de
empregado contra a Companhia Siderúrgica de Tubarão –
CST.
O relator, ministro Vieira de
Mello Filho, explicou que o benefício da justiça gratuita
deve ser concedido quando houver declaração de miserabilidade
do trabalhador atestando não poder arcar com as custas processuais
e despesas de advogado sem prejuízo do sustento próprio
ou da família. A gratuidade, portanto, também se aplica
aos honorários periciais, como requerido pela parte, porque esse
encargo não pode ser transferido ao perito, sob pena de desvalorização
do seu trabalho.
O Tribunal do Trabalho da 17ª
Região (ES) tinha negado o pedido de justiça gratuita
feito pelo empregado por entender que, embora houvesse declaração
de miserabilidade jurídica firmada por ele, os benefícios
da assistência judiciária gratuita somente poderiam ser
deferidos se o advogado contratado renunciasse expressamente ao recebimento
de honorários. Além do mais, seria necessário que
o empregado fosse assistido por sindicato de classe.
No entanto, segundo o ministro
Vieira, o empregado tinha direito à assistência judiciária
gratuita, conforme previsto na Lei nº 1.060/50, podendo requerer
o benefício em qualquer tempo ou grau de jurisdição,
desde que, na fase recursal, o requerimento seja formulado no prazo
do recurso (Orientação Jurisprudencial nº 269 da
Subseção I Especializada em Dissídios Individuais
do TST).
Durante o julgamento, a ministra
Kátia Arruda chamou a atenção para o fato de que
a União estava sendo condenada a pagar as despesas periciais
no processo, mesmo não sendo parte da lide nem tendo se manifestado
a respeito.
Mas o ministro Vieira esclareceu
que a Primeira Turma vem aplicando, de imediato, a Resolução
nº 35 de 2007 do Conselho Superior da Justiça do Trabalho
em situações semelhantes, independentemente de a União
integrar a ação. Pela resolução, é
verba orçamentária dos tribunais de origem que permite
o cumprimento dessas obrigações, ou seja, a União
não será intimada para cumprir a condenação.
Para evitar dúvidas quanto
à decisão, o ministro Walmir Oliveira da Costa sugeriu
ao relator acrescentar a expressão “na forma prevista na
Resolução nº 35/2007”, e, assim, ficar claro
que a União não sofrerá execução
e o valor devido será integrado ao Tribunal Regional para efetuar
o pagamento.
Nessas condições,
a Primeira Turma, por unanimidade, deu provimento ao recurso do trabalhador
para isentá-lo do pagamento das custas processuais e determinar
que a União suporte o pagamento dos honorários periciais,
nos termos da Resolução nº 35/2007 do CSJT. (RR-
204/1999-001-17-00.8)
(Lilian Fonseca)
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08/01/2010
Empresa pagará prêmio
de seguro de vida em grupo de trabalhador
A empresa gaúcha Bechtel
do Brasil Construções foi condenada a pagar o prêmio
do seguro de vida em grupo ao espólio de um empregado que faleceu
vítima de um tiro quando estava de aviso prévio. A condenação
foi confirmada pela Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho
que rejeitou o recurso da empresa contra sentença do Tribunal
Regional da 4ª Região.
O empregado trabalhou na empresa
no curto período de maio a agosto de 2005 e estava de aviso prévio,
prestes a receber a rescisão contratual, quando faleceu. Mas
suas contas foram acertadas somente seis dias após o agendado,
porque a empresa desconhecia o infortúnio.
Mais tarde a Bechtel tentou
se desincumbir do ônus de um seguro de vida em grupo, implementado
por meio de acordo coletivo, mas acabou sendo responsabilizada conjuntamente
com a seguradora. O Tribunal Regional entendeu que cabia a ela pagar
o seguro e que ingressasse com ação civil contra a seguradora
para reaver os valores pagos. O prêmio do seguro estipulava o
valor de sete mil e quinhentos reais e duas cestas básicas de
25 kg de alimentos.
A empresa se insurgiu contra
a decisão, sustentando que, segundo o acertado em norma coletiva,
não lhe cabia a responsabilidade pela verba, mas tão somente
a obrigação de contratar o seguro. No entanto, seu recurso
de revista não atendeu os requisitos legais para ser admitido,
de forma que não ultrapassou a fase do conhecimento, e o mérito
da questão não chegou a ser julgado.
O relator na Terceira Turma,
ministro Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira, esclareceu que, para
se decidir contrariamente à decisão Regional, seria necessário
o reexame da questão relativa à limitação
da obrigação de contratar o seguro, defendida pela empresa,
o que não é possível, “em face do óbice
da Súmula 126 do TST”, que não permite o revolvimento
de fatos e provas nesta instância recursal. (RR-1529-2006-202-04-00.1)
(Mário Correia)
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