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Agência Câmara, 12 de janeiro de 2010
Comprador de empresa falida poderá assumir
obrigações trabalhistas
Tramita na Câmara o Projeto de Lei 5945/09, do suplente de deputado
Professor Victorio Galli (PMDB-MT), que transfere para o arrematante
de uma empresa falida as obrigações trabalhistas pendentes
da direção anterior. A proposta altera a Nova Lei de Falências
(11.101/05), que regulamenta a recuperação judicial e extrajudicial
e a falência do empresário.
Segundo a legislação atual, o arrematante não é responsável
pelas obrigações do devedor, inclusive as tributárias
e as decorrentes do contrato de trabalho anterior. O projeto, porém,
passa a classificar as obrigações trabalhistas como exceção à regra.
A Nova Lei de Falências, diz Galli, contradiz a Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT), que protege os contratos de trabalho e os
direitos do trabalhador dos efeitos de mudanças na estrutura societária
de uma empresa." A sucessão [das obrigações
trabalhistas] é um meio de garantir o cumprimento de direitos
trabalhistas. Os trabalhadores são as maiores vítimas quando
o processo de recuperação de empresas não dá certo",
afirma.
Ele lembra que a sua proposta está de acordo com as decisões
da Justiça do Trabalho e com a opinião de 83,9% dos juízes
trabalhistas do País, conforme pesquisa feita pela Universidade
Estadual de Campinas (Unicamp) e pela Associação Nacional
de Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) em 2008.
Tramitação
O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado
pelas comissões de Desenvolvimento Econômico, Indústria
e Comércio; de Finanças e Tributação; e de
Constituição e Justiça e de Cidadania.
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Agência Câmara,
12 de janeiro de 2010
Projeto proíbe
cadastro de quem ajuizou reclamações trabalhistas
A Câmara analisa o Projeto de Lei 5897/09, de autoria do deputado
Lincoln Portela (PR-MG), que proíbe a inclusão do nome
do trabalhador que ajuizou reclamação trabalhista contra
seu empregador em listas cadastrais de entidades de qualquer natureza.
A proposta modifica a Consolidação das Leis do Trabalho
(CLT - Decreto-Lei 5.452/43) para proibir a formação desse
tipo de listagem. Para isso, fica proibido também que os empregadores
forneçam ou requeiram qualquer informação sobre
o ajuizamento de reclamação trabalhista por parte de trabalhador
candidato a emprego.
Indenização
O projeto estabelece que a empresa deverá pagar ao trabalhador
uma indenização equivalente a dez vezes a remuneração
pleiteada sempre que descumprir a futura lei. Segundo o autor, o objetivo
da proposta é acabar com uma prática que caracteriza "violenta
injustiça" contra o cidadão trabalhador: a inclusão
de seu nome em lista suja de autores de reclamação trabalhista
contra seus ex-empregadores.
Lincoln Portela afirma que essa prática vem tomando proporções
alarmantes, apesar de ferir todos os princípios constitucionais
referentes à dignidade da pessoa humana e aos valores sociais
do trabalho, da igualdade perante a lei e da não discriminação
quanto a critérios de contratação para emprego.
Ele lembra que o Tribunal Superior do Trabalho (TST) não permite
mais o acesso a informações processuais a partir do nome
do trabalhador reclamante. A reação das empresas, no entanto,
foi um aumento significativo no pedido de certidões negativas
sem a indicação de sua finalidade.
" Não há, portanto, outro caminho para coibir essa prática
lesiva contra o trabalhador brasileiro a não ser a edição
de uma lei que fixe rigorosa punição contra aqueles que persistirem
nessa prática delituosa", explica.
Tramitação
O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado
pelas comissões de Trabalho, de Administração e
Serviço Público; e de Constituição e Justiça
e de Cidadania.
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Agência Brasil, 12
de janeiro de 2010
Acordo de centrais e
MTE prevê vínculo para terceirizados
Outra proposta, que será submetida à Casa
Civil da Presidência antes de ser encaminhada ao Congresso,
proíbe a contratação de serviços
terceirizados na atividade principal da empresa
Ao fim de mais de um ano de debates, o Ministério do Trabalho
e as seis maiores centrais sindicais concluíram ontem o texto
do anteprojeto que pretende regulamentar os contratos dos trabalhadores
terceirizados, hoje disciplinados por uma súmula do Tribunal Superior
do Trabalho, para oferecer-lhes mais segurança trabalhista e previdenciária.
Uma das propostas mais importantes prevê que os trabalhadores terceirizados
passarão a ter vínculo de emprego com as empresas nas quais
prestam serviço. A configuração de vínculo
seguirá os requisitos já previstos na CLT para todos os
trabalhadores contratados diretamente.
Outra proposta, que será submetida à Casa Civil da Presidência
antes de ser encaminhada ao Congresso, proíbe a contratação
de serviços terceirizados na atividade principal da empresa.
Diferentemente da súmula do TST, o texto acordado estabelece que
as empresas "tomadoras de serviço" responderão
solidariamente pelas obrigações trabalhistas e previdenciárias,
entre outras previstas no contrato de trabalho, inclusive no caso de
falência da empresa prestadora de serviços.
Hoje a "tomadora de serviço" se responsabiliza apenas
subsidiariamente pelo trabalhador, ficando com a prestadora de serviço
a responsabilidade principal pelo cumprimento das obrigações.
O anteprojeto determina que as empresas onde o serviço é prestado
controlem, a cada mês, o pagamento de salários e o recolhimento
do FGTS e da contribuição previdenciária por parte
da empresa que presta o serviço terceirizado. As "tomadoras" responderão
também por danos causados aos terceirizados por acidentes de trabalho.
Outra regra proposta garante ao trabalhador os mesmos direitos conquistados
na convenção ou nos acordos coletivos firmados pelo sindicato
da categoria profissional preponderante da empresa tomadora de serviços,
desde que sejam mais benéficos que os da sua própria categoria.
Se o acordo coletivo prevê, por exemplo, salário para os
empregados da empresa tomadora superior ao do trabalhador terceirizado,
essa empresa terá de pagar abono para complementar o valor. Segundo
a secretária de Relações do Trabalho da Central Única
dos Trabalhadores (CUT), Denise Motta, o projeto busca corrigir a forma
como são feitas atualmente as terceirizações.
" Essas contratações deveriam ser feitas para trabalhos especializados,
e não permanentes, mas não é isso que acontece hoje. Muitas
vezes, trabalhadores que estão [na empresa] em caráter permanente
estão contratados por prestadoras de serviços com o objetivo de
pagar salários menores, de terem menos direitos garantidos".
As mudanças propostas para a
terceirização
1) A empresa que contrata o serviço terceirizado será co-responsável
pelo cumprimento das obrigações trabalhistas, previdenciárias
e outras, durante o período do contrato, mesmo em caso de falência
da prestadora de serviço.
2) Essa empresa também será responsável solidariamente
por danos causados a terceirizados em acidentes de trabalho.
3) O vínculo de trabalho entre o terceirizado e a tomadora de
serviço estará configurado em alguns casos. Exemplo: quando
o trabalhador realizar função diferente da descrita no
contrato de terceirização.
4) A tomadora de serviço terá a obrigação
de verificar mensalmente se a empresa que contratou está pagando
o salário do trabalhador e recolhendo o FVGTS e a contribuição
previdenciária.
5) O trabalhador terceirizado terá os mesmos direitos da convenção
ou do acordo coletivo de trabalho da categoria predominante na empresa
tomadora de serviço, se esse acordo ou convenção
lhe for mais favorável do que o conquistado por sua categoria.
6) Caso a convenção ou acordo coletivo preveja remuneração
superior para os empregados diretos da empresa, está deverá complementar
com abono o salário do terceirizado.
7) Será proibida a contratação de serviço
terceirizado para a atividade fim da empresa tomadora de serviço.
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Correio do Brasil, 12 de
janeiro de 2010
Crise obriga 7 milhões
de operários a depender do seguro-desemprego
Sete milhões de trabalhadores
receberam o seguro-desemprego no ano passado, número recorde,
segundo o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi.
O ministro anunciou, em entrevista coletiva, os dados de 2009 referentes
a operações do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS) e do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), que custeia o seguro-desemprego.
A requisição da concessão do seguro passará a
ser feita pela internet a partir de março, mas só deverá cobrir
todo o país no final do ano, segundo o ministro.
Em entrevista a emissoras de rádio durante o programa Bom Dia,
Ministro, ele disse que a expectativa é reduzir o tempo para concessão
do benefício, que hoje varia de 30 a 45 dias, para 15 dias. Lupi
disse que a greve dos agentes administrativos do ministério, no
final do ano passado, provocou atrasos na concessão do seguro-desemprego.
Saques em série
Devido ao volume de saques, o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) registrou
no ano passado o primeiro déficit operacional (a diferença
entre as receitas, os investimentos e as despesas) desde a sua criação
em 1992. Segundo o ministro Carlos Lupi, no ano passado, o total das
receitas foi de R$ 35,019 bilhões e o de destinações
(investimentos e despesas), de R$ 36,830 bilhões. Em 2008 esses
valores foram R$ 33,279 bilhões e R$ 30,927 bilhões respectivamente.
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Comunique-se, 12 de janeiro
de 2010
Entidades sindicais
entram com três ações contra Boris Casoy
e Band
O Sindicato dos Trabalhadores de Empresa de Prestação de
Serviço de Asseio e Conservação e Limpeza Urbana
de São Paulo (Siemaco) e a Federação Nacional dos
Trabalhadores em Serviços, Asseio e Conservação
Limpeza Urbana, Ambiental e Áreas Verdes (Fenascom) entraram com
três ações contra o jornalista Boris Casoy, sendo
uma delas criminal. Em duas ações, a Band também é citada.
Contra jornalista e emissora, as entidades ingressaram com ações
de reparação civil em nome dos dois garis, Francisco Gabriel
e José Domingos de Melo, que após desejarem feliz ano novo
ao final de uma reportagem, motivaram a declaração de Boris.
A outra ação contra a empresa e o jornalista é de
indenização por danos morais em favor de toda a categoria.
A terceira ação, essa somente contra o apresentador, é por
crime de preconceito. O valor do ressarcimento não foi estipulado
pelo advogado, que deixou a decisão ao juiz que analisará o
caso.
" A Fenascom já entrou com uma ação de indenização
em prol dos mais de 350 mil trabalhadores que foram ofendidos. Agora vamos propor
a ação criminal e de reparação civil aos dois garis",
explicou Francisco Larocca, advogado que cuida do caso. No dia 31 de dezembro,
em um vazamento de áudio durante o jornal, Boris disse que os garis apresentados
em uma reportagem estavam "no mais baixo na escala de trabalho". No
dia seguinte o apresentador pediu desculpas ao vivo, mas o caso ganhou repercussão
nacional.
Sobre a declaração do jornalista, Larocca diz que nunca
viu um fato parecido. "De uma pessoa renomada e conhecida no meio
jornalístico, é a primeira vez que vejo. Essa classe é bem
reconhecida pela sociedade pelo serviço que presta, por isso nunca
vimos uma ofensa assim", declarou.
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Vermelho, 12 de janeiro de
2010
Senador quer Comissão
Especial para consolidar leis sociais
O senador Paulo Paim (PT-RS) defende a criação de uma Comissão
Especial, formada por senadores e deputados, para discutir e votar a
Consolidação das Leis Sociais (CLS). O projeto está sendo
preparado pelo governo federal para ser encaminhado ao Congresso. "Diversos
ministros estão tratando do tema, sob a orientação
do presidente Lula. Pela abrangência e amplitude desta proposta,
ela deve ser analisada por uma Comissão Especial para que seja
aprovada ainda este ano" afirma Paim.
Programas como o Bolsa Família, Prouni e Minha Casa, Minha Vida
já fazem parte da legislação brasileira, mas outros
foram criados por portarias e decretos e devem ser transformados em lei."
É uma ideia brilhante reunir o que há de melhor nesta área
e transformar programas de governo em política de Estado, permanente
e de longo prazo. As leis ficam, independentemente da mudança
dos governantes", explica Paim.
Para o líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), as
políticas sociais contribuíram para manter a qualidade
de vida da população e recompor o nível de atividade
econômica durante a crise internacional e é preciso reafirmar
o papel da inclusão social como um dos eixos do desenvolvimento
brasileiro.
"É hora, enfim, de dar os primeiros passos para consolidar
nossas leis sociais e elevá-las, de maneira segura, à condição
de políticas de Estado", afirma Mercadante.
Para o senador Paim, a Consolidação das Leis Sociais
representa um avanço semelhante à Consolidação
das Leis Trabalhistas (CLT), criada por Getúlio Vargas na década
de 1940 para reunir e sistematizar toda legislação trabalhista
da época.
Papel importante
Segundo o estudo "Brasil em desenvolvimento: Estado, Planejamento
e Políticas Públicas", do Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (Ipea), divulgado em 2009, os programas de
transferências de renda e previdência social tem efeito
imediato no consumo das famílias, na estabilização
da renda de famílias mais vulneráveis ao desemprego e
evita a deterioração da distribuição de
renda.
O levantamento destaca a importância do Bolsa Família
no contexto dos programas sociais brasileiros. Segundo o relatório,
este programa "tem número de beneficiários comparável
ao de grandes políticas, como saúde, educação
e previdência social, que perfazem a espinha dorsal da política
social brasileira.
Pode-se pensar que o Programa Bolsa Família cumpriu importante
papel nesta primeira fase. São conhecidos seus impactos na redução
da pobreza, na diminuição da desigualdade de renda, no
aumento da frequência escolar e na garantia de que as crianças
beneficiárias não se submetam mais ao trabalho infantil".
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IPEA, 12 de janeiro de 2010
Brasil terá índices
de pobreza iguais a de países ricos em 2016
Se mantidas as condições apresentadas nos últimos
anos, o Brasil pode praticamente erradicar a taxa de pobreza absoluta,
segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
O estudo será apresentado nesta terça-feira (12), pelo
presidente da instituição, Marcio Pochmann, na Caixa Econômica
Federal, no Rio de Janeiro.
O Comunicado n° 38 sobre Pobreza, desigualdade e políticas
públicas, avalia a perspectiva para os próximos anos para
a pobreza e a desigualdade no Brasil. O estudo aponta quais as condições
necessárias para que o País alcance índices comparáveis
aos dos países desenvolvidos, além de apresentar um conjunto
de informações referentes à evolução
da pobreza e da desigualdade no mundo.
Apesar da queda em termos absolutos da pobreza no planeta, em várias
regiões houve elevação na quantidade de extremamente
pobres, como o Sul da Ásia e a África Subsaariana. As
maiores reduções ocorreram na Ásia, com importância
fundamental da China.
O estudo está dividido em quatro partes: a primeira voltada
ao registro da evolução da pobreza em diferentes regiões
do mundo; a segunda apresenta as medidas de desigualdades de renda
em países selecionados; a terceira seção trata
da pobreza e da desigualdade no caso brasileiro e as perspectivas para
o País se mantida a atual trajetória; e a quarta é referente
ao avanço das políticas públicas comprometidas
com o combate à pobreza e desigualdade de renda no Brasil.
O Ipea é uma fundação pública, vinculada à Secretaria
de Assuntos Estratégicos, que fornece suporte técnico
e institucional às ações governamentais - possibilitando
a formulação de inúmeras políticas públicas
e programas de desenvolvimento brasileiro - e disponibiliza, para a
sociedade, pesquisas e estudos realizados por seus técnicos.
Fonte: Ipea
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Valor Econômico, 12
de janeiro de 2010
O Plano Brasil 2022
O ministro de Assuntos Estratégicos,
Samuel Pinheiro Guimarães, trabalha em ritmo acelerado
para entregar ao presidente Lula, até 30 de junho,
o plano "Brasil 2022". O tempo é curto,
mas o embaixador está confiante no cumprimento do
prazo. O plano será submetido, por meio de seminário,
a especialistas de quatro grandes áreas (de infraestrutura,
social, econômica e institucional) e debatido com entidades
da sociedade civil.
Por Cristiano Romero*
O ministro já conversou com cada um dos mais de 30 ministros e
criou grupos de trabalho para cada área. Cada grupo de trabalho
tem quatro integrantes: um da SAE - a secretaria de Pinheiro Guimarães
-, um do IPEA, outro do ministério em questão e um da Casa
Civil, a quem cabe coordenar as áreas de governo. Os grupos vão
trabalhar, como informou o ministro a esta coluna, a partir do que já existe
em termos de diagnóstico e mesmo de planejamento estratégico
feito por equipes que o antecederam na SAE. Eles vão identificar
metas e propor áreas estratégicas para cada uma delas.
Haverá, por exemplo, uma meta de renda per capita. Em 2008,
a renda brasileira foi de US$8,6 mil, para um PIB estimado de US$1,9
trilhão. Mencionando previsão publicada pela revista
inglesa "The Economist", segundo a qual, o Brasil terá um
PIB, pelo conceito de paridade do poder de compra (PPP, na sigla em
inglês), de US$5,7 trilhões em 2025, o ministro diz que
a renda de 2022 deve acompanhar essa evolução - como
o IBGE projeta população de 212,4 milhões de pessoas
em 2025, a renda per capita atingiria, nesse caso, US$26,8 mil (o equivalente
hoje a da Eslovênia, segundo o Banco Mundial).
Fixar metas é, sem dúvida, uma novidade. Em geral, os
planos de longo prazo formulados no país são meras cartas
de intenção. Dessa vez, haverá metas setoriais
a serem cumpridas até o não muito distante ano de 2022.
Evidentemente, o plano em questão será uma peça
política para o ano sucessório - no decorrer da campanha,
o governo deixará claro que ele só será executado
se o ganhador do pleito presidencial for a ministra Dilma Rousseff,
a candidata de Lula. De qualquer forma, seja quem for o ganhador da
eleição, encontrará uma proposta de trabalho em
cima da mesa. Mal isso não faz.
É vital que o Brasil planeje ações de longo prazo.
Dotado hoje de estabilidade política e econômica e reconhecidamente
detentor de potencialidades, o país precisa pensar estrategicamente
o futuro. Que país queremos ser? Uma potência exportadora
de commodities agrícolas e minerais ou uma economia industrializada
e inovadora? Pinheiro Guimarães diz que uma visão de
longo prazo tem que contemplar três coisas: uma visão
do mundo em 2022, outra da América do Sul e a terceira, naturalmente,
do Brasil. A pedido desta coluna, ele refletiu sobre o ponto de partida: "o
Brasil de hoje".
"A grande característica do Brasil não é a
pobreza, mas as disparidades", diz o ministro. Disparidades de
todos os tipos: regionais; entre cidade e campo; entre centro e periferia
metropolitanos; de gênero; de origem étnica; de renda
e de riqueza. "A disparidade de renda mencionada muitas vezes
nos estudos, o índice de Gini e essas coisas todas, é baseada
na renda do trabalho. Esquecem a renda dos aluguéis, dos juros
e dos lucros. A disparidade de riqueza, portanto, é extraordinária."
O embaixador diz que, mesmo depois dos avanços dos últimos
anos, o Brasil padece de vulnerabilidades em pelo menos cinco áreas.
A primeira é política. "O Brasil não faz
parte ainda dos principais mecanismos de decisão em nível
internacional. Não faz parte do Conselho de segurança
da ONU, do G-8", pondera. Uma outra vulnerabilidade está na área
de defesa. "O país não tem recursos militares suficientes
para defender seu território do ponto de vista terrestre, marítimo
e aéreo."
A terceira área onde há deficiências é a
tecnológica. Pinheiro Guimarães lembra que, enquanto
os Estados Unidos registram 40 mil patentes por ano, o Brasil inscreve
apenas 500. Outra área em que o país é vulnerável,
afiança o ministro, é no campo da ideologia, "do
ponto de vista das ideias". "Temos conhecimento do mundo
normalmente através dos olhos dos outros." Se quiser ler
um livro sobre os EUA, o brasileiro é obrigado a recorrer a
autores americanos ou ingleses. Se o tema é a Rússia
ou a França, idem. "Raramente encontramos livros de uma
visão brasileira de um tema qualquer. Não nos vemos sob
os olhos dos estrangeiros e damos muito valor a isso. Vemos os temas
mundiais vistos do ângulo de outros interesses, mas não
do ângulo dos interesses brasileiros."
A quinta vulnerabilidade seria de natureza econômica. Uma prova
disso, diz o embaixador, é a necessidade que o país tem
de atrair capitais. A poupança externa tornaria o crescimento
do país vulnerável no médio e longo prazos.
As deficiências do Brasil não se esgotam aí. O
embaixador sustenta, sem receio de polemizar, que o Estado brasileiro é "muito
pequeno" se comparado ao de outros países ("Há 500
municípios sem médicos"); não há coordenação
entre os diferentes níveis de governo nas áreas de saúde
e educação; a Câmara dos Deputados é pequena
e, por isso, pouco representativa ("Há uma campanha permanente
contra o Congresso desde 1822").
Nacionalista e alinhado com as vertentes mais à esquerda do
governo, Pinheiro Guimarães não vê necessidade
de mudança da política econômica. Mas, para ele,
a política econômica de Lula não se restringe ao
tripé macroeconômico (superávit primário
- câmbio flutuante - metas para inflação) vigente
desde 1999. Ela á a combinação de três políticas: "a
política do BC", a política dos bancos estatais
e de empresas públicas como a Petrobras e a política
dos programas sociais, que têm ajudado a criar um grande mercado
de consumo no país.
Concorde-se ou não com as ideias do ministro, que, no novo
cargo, tem evitado falar sobre política externa, sua primeira
especialidade, não é recomendável ignorá-lo.
Com suas ideias, ele influencia uma geração inteira de
diplomatas e burocratas. Tem trânsito livre no PT, onde é muito
admirado. Contendor do tipo incansável, é um inconformado
com a visão de que o Brasil é um país fadado à segunda
divisão das nações. "Dos dez maiores países
do mundo em território, PIB e população, apenas
três reúnem as três condições: EUA,
China e Brasil", argumenta.
* Cristiano Romero é repórter
especial do Valor Econômico
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Gazeta do Povo, 12 de janeiro
de 2010
Habitação
Crédito demora
para chegar à baixa renda
Apesar de mais de 90% do déficit habitacional do país estar
entre famílias com renda mensal de até três salários
mínimos, o programa Minha Casa, Minha Vida ainda está focado
na população com rendimento acima desse valor, segundo
balanço do programa feito pelo Ministério das Cidades e
Caixa Econômica Federal até 24 de dezembro.
Das 24.707 operações de financiamento feitas por pessoas
físicas, 17.330 foram realizadas por brasileiros com renda entre
três e dez salários mínimos. Esse número representa
mais do que o dobro das transações realizadas por famílias
com renda entre zero e três salários, que totalizaram 7.377.
As mais de 24 mil operações, segundo balanço do
governo, envolveram R$ 5,7 bilhões, sendo R$ 1,6 bilhão
em subsídios.
O Minha Casa, Minha Vida começou a funcionar em abril do ano passado
e tem como objetivo construir 1 milhão de casas no país
para famílias com renda de zero a dez salários mínimos.
Por enquanto, o governo está muito distante de atingir essa meta
Foram fechados, até 24 de dezembro, contratos para viabilizar
a entrega de 247.950 unidades.
A expectativa, no entanto, é de que esse número se acelere.
Isso porque existe um elevado número de propostas aguardando avaliação
da Caixa. Apesar de ter recebido 3.066 propostas de empresas para a construção
de 619.036 unidades, foram contratadas apenas 988 para a construção
de 191.957 moradias.
O Ministério das Cidades também pretende acelerar a entrega
de empreendimentos imobiliários que contam com recursos do Fundo
de Arren¬damento Mercantil (FAR) e terrenos cedidos por Estados e
municípios. Esse programa visa pessoas de renda mais baixa.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
12/01/2010
Sucumbência não vincula
honorários advocatícios na Justiça do Trabalho
Por unanimidade, a Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho excluiu
da condenação da Companhia Vale do Rio Doce o pagamento
de honorários advocatícios em processo de ex-empregado
da empresa. Segundo o ministro Horácio Senna Pires, relator
do recurso de revista da Vale e presidente do colegiado, a condenação
em honorários advocatícios na Justiça do Trabalho
prevê o preenchimento dos requisitos da Lei nº 5.584/70.
O Tribunal do Trabalho da 17ª Região (ES) tinha condenado
a Vale ao pagamento dos honorários advocatícios por entender
que eles eram devidos por força do artigo 20 do Código
de Processo Civil, combinado com o artigo 133 da Constituição,
independentemente de o trabalhador estar assistido por seu sindicato
de classe ou se fez declaração de pobreza.
A empresa alegou no TST que o empregado não estava assistido
por entidade sindical de classe e recebia salário superior a
dois mínimos. Argumentou também que, na Justiça
do Trabalho, os honorários advocatícios não advêm
da sucumbência, mas conforme previsto na Lei nº 5.584 de
1970, portanto, ocorrera desrespeito a esses dispositivos.
De acordo com o relator, na Justiça do Trabalho, a condenação
ao pagamento de honorários advocatícios, nunca superiores
a 15%, não é resultado simplesmente da sucumbência. É imprescindível
que a parte esteja assistida por sindicato de sua categoria profissional
e comprove a percepção de salário inferior ao
dobro do mínimo legal ou se encontre em situação
financeira que não lhe permita demandar sem prejuízo
do próprio sustento ou de sua família.
Assim, como no caso o empregado não estava assistido pelo sindicato
da categoria profissional, nem recebeu o benefício da justiça
gratuita, o ministro Horácio concluiu que o pagamento dos honorários
advocatícios era indevido. (RR- 1167/1992-001-17-00.9)
(Lilian Fonseca)
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Diário
do Povo do Piauí, 12 de janeiro de 2010
Piauí: Mais
de 4 mil operários fazem greve e paralisam várias obras
O objetivo é pressionar os empresários
a fecharem o acordo coletivo da categoria
Mais de quatro mil trabalhadores da construção civil em Teresina
cruzaram os braços e pararam várias obras que estão
sendo construídas na cidade. O objetivo é pressionar os empresários
a fecharem o acordo coletivo da categoria cujas negociações
se arrastam há vários meses sem que haja uma definição
por parte do Sindicato Patronal.
Uma das obras que tiveram os trabalhos paralisados foi a do Residencial
Jacinta Andrade, na zona Norte de Teresina. Só lá, onde está sendo
erguido o maior conjunto habitacional de Teresina, pararam cerca de três
mil operários de quatro grandes empreiteiras.
O clima esteve tenso no local e os integrantes do Sindicato dos Trabalhadores
na Indústria da Construção Civil(Sitricom) denunciaram
que algumas construtoras colocaram homens armados para inibir os operários
e fazê-los desistirem de entrar em greve.A Polícia Militar
foi avisada e mandou várias viaturas que passaram a tarde fazendo
a segurança do local.
Enquanto isto outras centenas de trabalhadores se dirigiram para a Superintendência
Regional do Trabalho e Emprego(SRTE) onde aguardaram por mais de três
horas as negociações entre os representantes dos patrões
e dos empregados. Os operários encheram o auditório e se
espalharam pelo chão a espera de uma decisão.
No início da noite o tesoureiro do Sitricom, José Gomes
Marques, um dos que participaram das negociações informou
que as partes não entraram em acordo. Os trabalhadores se dirigiram à sede
do sindicato para fazerem uma assembléia geral e decidirem que
posição tomar. Até o fechamento desta edição
a assembléia ainda não havia terminado.
Segundo informações do presidente do Sitricom, havia a
possibilidade de a categoria entrar em greve por tempo indeterminado
caso o acordo não fosse fechado como pretendiam os trabalhadores.
A proposta dos patrões, que segundo José Gomes era a mesma
de outras negociações, seria apresentada para os trabalhadores
que decidiriam.

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