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FOLHA DE LONDRINA, 13 de janeiro
de 2010 | Economia
Emprego tem maior alta desde 2001
Rio de Janeiro - O nível
de emprego na indústria aumentou 1,1% em novembro, na comparação
com outubro, subindo pelo quinto mês seguido, informou ontem o
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se
do maior crescimento, nessa comparação, desde janeiro
de 2001.
Em relação a igual
período em 2008, o movimento de retração foi mantido.
A queda foi de 4,1%, 12º recuo consecutivo. No acumulado dos últimos
12 meses, a retração é de 5,2%. No acumulado de
janeiro a novembro, houve queda de 5,5% em relação a igual
período em 2008.
O valor da folha de pagamento
dos trabalhadores da indústria, no entanto, teve queda, após
dois meses em alta. E novembro, a retração foi de 0,8%
frente a outubro. No acumulado de janeiro a novembro de 2009, a folha
de pagamento caiu 2,7%, na comparação com igual período
em 2008. No acumulado nos últimos 12 meses terminados em novembro,
houve queda de 2%.
O número de horas pagas
subiu 0,9% em novembro, se comparado a outubro. Em relação
a mês correspondente em 2008, foi observado recuo de 3,6%. No
acumulado de janeiro a novembro, a queda é de 6% sobre igual
período em 2008.
Houve queda em 13 das 14 regiões
pesquisadas, se analisadas de forma comparada a novembro de 2008. As
principais influências vieram de São Paulo (-3,0%), Minas
Gerais (-9,1%), região Norte e Centro-Oeste (-6,5%) e Paraná
(-5,5%).
O emprego industrial apresentou
recuo em 16 dos 18 setores analisados, na comparação com
novembro de 2008. As principais retrações foram notadas
na cadeia de produção de meios de transporte (10,4%),
máquinas e equipamentos (9,0%), produtos de metal (8,4,%) e madeira
(17,6,%).
Cirilo Junior
Folhapress
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O ESTADO DO PARANÁ,
13 de janeiro de 2010 | Economia
País pode ter perdido 300 mil empregos
em dezembro
Agência Estado
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, disse hoje que o saldo entre contratações
e demissões registradas pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados
(Caged) no País, em dezembro, deve ficar negativo em mais de
300 mil empregos.
Com o resultado, o ano de 2009
deve fechar com saldo positivo de 1 milhão de empregos formais,
um pouco menos que a previsão anterior do ministro, de 1,1 milhão
a 1,15 milhão.
"Devemos gerar em 2009
em torno de 1 milhão de empregos, um pouquinho mais, um pouquinho
menos. Como tivemos muita contratação temporária
em outubro e novembro, então há uma grande perda em dezembro,
que será de mais de 300 mil, pelos números preliminares
que eu tenho do mês de dezembro", afirmou, durante encontro
com a diretoria do Conselho Regional de Corretores de Imóveis
de São Paulo (Creci-SP).
Lupi voltou a dizer que o País
deve encerrar o ano de 2010 com a geração de 2 milhões
de postos de trabalho. "Vamos viver o melhor ano do governo Lula
em geração de empregos, um recorde na história
do País", disse.
Programa habitacional
O ministro também descartou
hoje atender às reivindicações apresentadas pelo
Creci-SP, que pediu a inclusão de imóveis usados no programa
habitacional Minha Casa, Minha Vida, do governo federal.
"O financiamento de imóveis
usados com recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço)
já existe, não no Minha Casa, Minha Vida, que é
um programa especial, já amarrado, fechado e que está
sendo executado. Não há como alterar", afirmou.
Mesmo diante da negativa do
ministro, o presidente do Creci-SP, José Augusto Viana, reivindicou
que o governo viabilize para os imóveis usados algumas condições
que o programa Minha Casa, Minha Vida proporciona aos trabalhadores
para a compra de imóveis novos, tais como redução
nas taxas de cartório, juros menores para o financiamento e isenção
de seguro.
Ele citou dados do Ministério
das Cidades mostrando que existem 4,5 milhões de imóveis
vagos no País. O objetivo, segundo ele, é atender a população
com renda entre até 3 salários mínimos, faixa que
tem dificuldades para encontrar imóveis novos que se encaixem
nos critérios do programa.
"Se não conseguimos
resolver o problema habitacional com imóveis novos, não
podemos ficar presos a eles e deixar as pessoas sem imóveis,
principalmente se há recursos para financiamento e imóveis
usados com preços que se encaixam no programa", disse Viana.
O Creci-SP pediu ainda que o
governo estenda a possibilidade de financiamento de imóveis com
recursos do FGTS em municípios a até 120 quilômetros
de distância da cidade em que mora o trabalhador, além
do aumento de R$ 20 mil no limite do valor do imóvel a ser financiado.
Lupi disse que os valores
já foram ampliados na última reunião do conselho
do FGTS. Em relação à reivindicação
sobre a localização do imóvel, o ministro disse
ser favorável. "É uma iniciativa interessante e vou
colocar para o conselho examinar. Se depender de mim, (ele) irá
aprovar."
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Agência Diap, 13 de
janeiro de 2010
Piso necessário: salário
mínimo deveria ser de R$ 1.995,91, aponta Dieese
No mês de dezembro, o brasileiro precisava de um salário
mínimo de R$ 1.995,91 para poder arcar com suas despesas básicas,
de acordo com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos).
O cálculo foi feito com
base no valor do mínimo anterior, de R$ 465, que vigorou de fevereiro
a dezembro do ano passado.
A entidade verificou que são
necessários 4,29 vezes o mínimo para suprir as demandas
básicas do trabalhador.
O salário mínimo
necessário é o que segue o preceito constitucional de
atender às necessidades vitais básicas do cidadão
e de sua família, como moradia, alimentação, educação,
saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência
social, sendo reajustado periodicamente para preservar o poder de compra.
Cesta
x salário
Em julho do ano passado, o piso deveria ser de R$ 2.178,30, o maior
valor já calculado pelo Dieese. Nesta época, o mínimo
vigente era de R$ 415.
Em dezembro, o comprometimento
da renda com os gastos com a cesta alcançava 47,10% do salário
mínimo, ante os 57,18% exigidos no último mês de
2008. (Fonte: Dieese)
Veja o movimento do salário
mínimo vigente e o necessário:
Janeiro: R$ 415; R$ 2.077,15
Fevereiro: R$ 465; R$ 2.075,55
Março: R$ 465; R$ 2.005,57
Abril: R$ 465; R$ 1.972,64
Maio: R$ 465; R$ 2.045,06
Junho: R$ 465; R$ 2.046,99
Julho: R$ 465; R$ 1.994,82
Agosto: R$ 465; R$ 2.005,07
Setembro: R$ 465; R$ 2.065,47
Outubro: R$ 465; R$ 2.085,89
Novembro: R$ 465; R$ 2.139,06
Dezembro: R$ 465; R$ 1.995,91
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O Outro Lado da Notícia,
13 de janeiro de 2010
Ipea: Brasil terá índices
de pobreza iguais a de países ricos em 2016
Se mantidas as condições apresentadas nos últimos
anos, o Brasil pode praticamente erradicar a taxa de pobreza absoluta,
segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
O estudo será apresentado,
hoje pelo presidente da instituição, Marcio Pochmann,
na Caixa Econômica Federal, no Rio de Janeiro.
O Comunicado 38 sobre Pobreza,
desigualdade e políticas públicas, avalia a perspectiva
para os próximos anos para a pobreza e a desigualdade no Brasil.
O estudo aponta quais as condições
necessárias para que o País alcance índices comparáveis
aos dos países desenvolvidos, além de apresentar um conjunto
de informações referentes à evolução
da pobreza e da desigualdade no mundo.
Apesar da queda em termos absolutos
da pobreza no planeta, em várias regiões houve elevação
na quantidade de extremamente pobres, como o Sul da ?sia e a ?frica
Subsaariana. As maiores reduções ocorreram na ?sia, com
importância fundamental da China.
O estudo está dividido
em quatro partes: a primeira voltada ao registro da evolução
da pobreza em diferentes regiões do mundo; a segunda apresenta
as medidas de desigualdades de renda em países selecionados;
a terceira seção trata da pobreza e da desigualdade no
caso brasileiro e as perspectivas para o País se mantida a atual
trajetória; e a quarta é referente ao avanço das
políticas públicas comprometidas com o combate à
pobreza e desigualdade de renda no Brasil.
O Ipea é uma fundação
pública, vinculada à Secretaria de Assuntos Estratégicos,
que fornece suporte técnico e institucional às ações
governamentais - possibilitando a formulação de inúmeras
políticas públicas e programas de desenvolvimento brasileiro
- e disponibiliza, para a sociedade, pesquisas e estudos realizados
por seus técnicos.
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O ESTADO DO PARANÁ,
13 de janeiro de 2010 | Economia
Lula destina R$ 3 bilhões para
programas habitacionais
Agência Estado
Para turbinar os programas habitacionais em ano eleitoral, o governo
federal vai destinar R$ 3 bilhões para alavancar o Programa Minha
Casa, Minha Vida nos municípios com até 50 mil habitantes
e os financiamentos do chamado Pró-Moradia - linha de crédito
para governos estaduais e municipais, com recursos do Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço (FGTS), que faz parte do Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC).
O anúncio foi feito hoje
em solenidade que contou com a presença do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, ministros, governadores e prefeitos de várias
cidades brasileiras.
Dos R$ 3 bilhões, R$
1 bilhão será destinado para a construção
de 74 mil unidades habitacionais em 2.014 municípios, que foram
selecionados em oferta pública para serem beneficiados pelo Programa
Minha Casa, Minha Vida. Esses recursos são do orçamento
da União e têm como objetivo atender famílias com
renda até três salários mínimos.
Para evitar vinculações partidárias, o ministro
das Cidades, Márcio Fortes, explicou que a escolha dos municípios
levou em conta disponibilidade de terrenos pelos governos locais e o
déficit habitacional. Também foram priorizados municípios
em situação de calamidade pública.
Do R$ 1 bilhão
disponibilizado para as cidades com até 50 mil habitantes, R$
540,3 milhões serão direcionados para municípios
da Região Nordeste, R$ 161,7 milhões para a Norte, R$
161,1 milhões para o Sudeste, R$ 76,2 milhões para o Sul
e R$ 60,5 milhões para o Centro-0este.
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Folha de S.Paulo, 13 de
janeiro de 2010
Caixa Econômica Federal dobra crédito
para habitação em 2009
Instituição liberou R$ 45 bilhões
no ano passado, ante R$ 23 bilhões em 2008
Sergio Lima/Folha Imagem
Lula abraça Maria Fernanda Ramos
Coelho, presidente da Caixa
LEILA COIMBRA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A Caixa Econômica Federal
liberou em 2009 cerca de R$ 45 bilhões para contratações
de crédito imobiliário -alta de 95% em relação
ao ano anterior, quando os empréstimos atingiram R$ 23 bilhões.
Os números ainda são preliminares e foram divulgados ontem
pela presidente da instituição, Maria Fernanda Ramos Coelho,
em evento de assinatura de projetos do programa Minha Casa, Minha Vida,
com a presença do presidente Lula.
Segundo a presidente da Caixa, o valor liberado para financiamento de
imóveis em 2009 é oito vezes maior que o total obtido
no início do primeiro mandato do presidente Lula, em 2003, quando
o crédito imobiliário atingiu R$ 5 bilhões.
Durante esse período, os empréstimos da Caixa cresceram
em todas as frentes: tanto com recursos do FGTS (Fundo de Garantia do
Tempo de Serviço) como nas linhas com recursos próprios
do banco. Cerca de 40% dos recursos da Caixa para empréstimos
imobiliários são destinados para famílias com renda
de até cinco salários mínimos. O valor médio
do financiamento é de R$ 69 mil.
A Caixa é responsável por 75% do volume de empréstimos
habitacionais no país. Em número de unidades financiadas,
o banco responde por 84% do total do mercado. Na carteira do banco existem
mais de 2 milhões de contratos ativos, sendo o perfil do credor
relativamente jovem. Cerca de 71% do total tem até 45 anos e
22%, 30 anos de idade. As mulheres são responsáveis por
37% do total da carteira.
Minha
Casa, Minha Vida
O crescimento do setor imobiliário foi impulsionado, também,
pelos financiamentos realizados no programa Minha Casa, Minha Vida,
lançado em abril de 2009. O ministro das Cidades, Marcio Fortes,
disse ontem que já existem cerca de 600 mil propostas de projetos
na carteira do programa.
Para ele, no ritmo em que as contratações vêm ocorrendo,
a meta inicial de atingir 1 milhão de moradias deverá
ser cumprida. Não existe prazo para a conclusão do programa.
Durante o evento em Brasília foram assinados protocolos de 2.042
novas propostas de projetos para o programa. Será liberado R$
1 bilhão em recursos do Orçamento da União. Outras
54 propostas do Pró-Moradia, programa habitacional que integra
o PAC, receberão recursos de R$ 2 bilhões do FGTS.
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MTE, 13 de janeiro de 2010
Abono salarial beneficia mais de
15 milhões de trabalhadores em 2009
Mais de 15 milhões de trabalhadores resgataram o abono salarial
referente ao exercício de 2009/2010 no ano passado.
Entre julho e dezembro foram
pagos R$ 6,98 bilhões, ou 90,51% dos beneficiários no
ano base.
Foram identificadas quase 17
milhões de pessoas com direito a receber o benefício,
com previsão de pagamento de R$ 7,72 bilhões até
30 de junho de 2010.
O abono salarial consiste no
pagamento anual de um salário-mínimo (R$ 510) aos trabalhadores
cadastrados no PIS/Pasep há, no mínimo, cinco anos; que
tenham recebido, em média, até dois salários-mínimos
de remuneração mensal no período trabalhado; e
que tenham trabalhado com carteira assinada pelo menos 30 dias do ano-base.
No período de 2003/04
a 2009/10 o número de abonos identificados dobrou.
No atual exercício, o
valor estimado pelo Ministério do Trabalho ainda a ser pago totaliza
R$ 746.524.950.
Onde
receber
Trabalhadores inscritos no PIS recebem o abono salarial na Caixa Econômica
Federal; os inscritos no Pasep recebem no Banco do Brasil.
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Agência Estado, 13
de janeiro de 2010
Em 10 anos, mão-de-obra
feminina cresce 96% no setor metalúrgico
Segundo levantamento, as mulheres correspondem
a 16,4% da força de trabalho
Quando mais jovem, Mileide Monari
Pedroso ficava fascinada durante as visitas que fazia à fábrica
da Ford, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, onde o pai
trabalhava. Achava aquele mundo "fantástico", como
define, mas não via a linha de montagem como um futuro profissional.
"Não havia mulheres
nem mesmo na área de limpeza", lembra ela. Mileide trabalhou
como recepcionista de hospital e no setor de degustação
de um supermercado. Fez faculdade na área de Recursos Humanos
e há dois anos foi contratada como montadora na Ford, após
ser indicada pelo pai e passar em vários testes. Hoje, aos 27
anos, ela prepara os automóveis para receber as rodas e o freio
de mão.
"No começo, muitos
achavam que nós, mulheres, não daríamos conta do
serviço", lembra ela, cuja maior dificuldade no dia a dia
da fábrica é manter o silêncio. "Eu falo demais
e aqui não pode, pois é preciso concentração
no trabalho." No setor em que trabalha há cerca de 50 homens
e duas mulheres.
Mileide compõe a massa
de quase 350 mil mulheres metalúrgicas identificadas em estudo
do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos
(Dieese), mão de obra que cresceu 96% em uma década. Em
1999, elas eram 176,6 mil no setor Já o número de homens
cresceu 72% no mesmo período, para 1,76 milhão de trabalhadores.
"Muitos empregadores chegaram
à conclusão de que as mulheres são mais caprichosas
e mais produtivas que os homens", diz Clementino Vieira, presidente
da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos
(CNTM), entidade ligada à Força Sindical que encomendou
o estudo.
De acordo com o levantamento,
as mulheres correspondem a 16,4% da força de trabalho metalúrgica.
A atuação delas é maior nos ramos de fabricação
de máquinas, equipamentos, materiais elétricos, veículos
e autopeças.
Nas montadoras, a presença
das mulheres, na maioria dos casos, é mais intensa nas fábricas
mais novas. Na Ford de São Bernardo do Campo, a mais antiga do
grupo, 3% da mão de obra na linha de produção é
composta por mulheres. Na filial da Bahia, inaugurada em 2001, elas
são bem mais: 25% do efetivo.
Na Volkswagen, 3% do efetivo
da fábrica Anchieta, em São Bernardo, é de mulheres,
enquanto na unidade de Taubaté (SP) é de 2% e na fábrica
mais moderna do grupo, no Paraná, inaugurada em 1999, é
de 4%. Já na fábrica de motores em São Carlos (SP)
a participação sobe para 9%.
Também no Paraná,
a fábrica da Renault, aberta em 1998, emprega 10% de mulheres.
No chão de fábrica da PSA Peugeot/Citroën, instalada
em 2001 em Porto Real (RJ), 8,2% da força de trabalho é
composta por mulheres.
"As fábricas novas
são mais automatizadas, o que demanda menos força bruta
no trabalho e mais cuidado na finalização do produto",
afirma Leylah Halima Macluf, gerente sênior da consultoria Deloitte.
Salários
menores
A presença de mulheres, antes um grande tabu nas montadoras,
também ganha força nas fabricantes de caminhões.
Na MAN/Volkswagen em Resende
(RJ), 13,1% de um quadro de 4,6 mil pessoas são do sexo feminino.
Silvana Cristina Mateus Rosa, de 36 anos, trabalha no setor de pintura
há 12 anos.
"Preparo as cabines antes
de irem para a pintura, com vedação de PVC, feita com
uma espécie de pistola, e isolamento com fita crepe", explica
ela, que antes trabalhou como caixa em supermercado, loja de roupas
e como embaladora numa indústria farmacêutica.
Silvana estava noiva quando
foi selecionada para trabalhar na montadora, então recém-inaugurada.
Casou-se mais tarde e hoje tem um filho de nove anos.
"Não tive nenhum
problema no trabalho no período da gravidez", conta ela.
Nas cinco fábricas da General Motors, 8% do efetivo é
formado por mão de obra feminina, incluindo o pessoal administrativo.
Na linha de montagem, porém,
o número de mulheres não é tão significativo.
Na Fiat, líder em vendas no Brasil, não há mulheres
na linha de montagem da fábrica de Betim (MG).
Apesar de ocuparem cada vez
mais espaço nas fábricas, as mulheres ganham em média
27% menos do que os homens metalúrgicos, informa relatório
produzido pela Confederação Nacional dos Metalúrgicos
da CUT.
O Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE) calcula que, na média geral, as mulheres
ganham 70% dos salários dos homens.
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O Outro Lado da Notícia,
13 de janeiro de 2010
Uma década cinzenta: redistribuição
da riqueza social favoreceu os ricos
Por Petros Panayotídis, no Monitor
Mercantil
Foi desfavorável o início
do terceiro milênio há dez anos, em 2000. Um presidente
democrata dos EUA, Bill Clinton, havia trazido do ano anterior a guerra
na Europa pela primeira vez depois de 54 anos.
Utilizando-se do poderio militar
norte-americano e da Organização do Tratado do Atlântico
Norte (Otan) para arrancar com violência Kosovo da Sérvia,
transmitiu uma mensagem de pesadelo: cada país que sente-se militarmente
forte e poderoso - ou possa garantir as alianças militares adequadas
- poderá arrancar territórios de outro país impunemente.
A inviolabilidade das fronteiras,
isto é, o fundamental princípio sobre o qual havia sido
baseada a prolongada paz de mais de meio século no tão
frequente e terrivelmente sangrento Velho Continente, foi abolida "de
facto".
A unilateral proclamação
de independência de Kosovo sinalizou a conclusão da etapa
final de uma época inteira. Pela primeira vez depois da invasão
de Hitler contra a então Tchecoslováquia, Polônia
e outros, legalizou-se, novamente, o uso da força militar para
arrancar territórios de outro Estado.
A indisfarçável
adulteração manipulada no estado norte-americano de Flórida,
por intermédio da qual se apoderaram ilegalmente do poder Bush
Jr. e os neoconservadores "falcões" de extrema direita
que o acompanhavam nas eleições presidenciais de 2000,
sinalizou a existência de seríssimos riscos contra as liberdades
democráticas que trazia na primeira década do século
21, o fortalecimento das tendências totalitárias nos círculos
de liderança dos EUA.
O - de extrema importância
política - ataque contra as Torres Gêmeas e o Pentágono
confirmou, em consequência, os piores temores sobre as pretensões
da liderança de extrema-direita dos EUA.
Escravatura
neoconservadora
As guerras de conquista que os norte-americanos desfecharam contra o
Iraque e o Afeganistão com o pretexto de uma "guerra contra
o terrorismo" ou uma "campanha para exportação
da democracia" revelaram os planos de Washington para travar uma
série de guerras com objetivo de controlar militarmente toda
a região do Grande Oriente Médio e suas reservas petrolíferas,
no âmbito do predomínio mundial dos EUA, que proclamaram
- abertamente - os "falcões" neoconservadores de Bush
Jr.
Felizmente, contudo, a resistência
heróica do povo do Iraque após a escravização
de sua pátria pelos conquistadores norte-americanos deteve as
forças dos invasores e não lhes permitiu atacarem a Síria
e o Irã, conforme se previa nos planos secretos do Pentágono.
O mundo salvou-se da escravatura neoconservadora.
Entretanto, a década
foi iniciada, paralelamente, com a conclusão da gigantesca redistribuição
da riqueza social a favor dos ricos por intermédio da loucura
monetária.
Aquilo que o mundo viveu quando
jogou e perdeu nas bolsas de valores suas poupanças, pensando
ingenuamente que o "patrão ficou louco e está distribuindo
dinheiro" foi apenas parcela de um fenômeno mundial.
Em todos os países a
classe média e até os pobres entregaram suas economias
aos empresários. Tratava-se da maior redistribuição
da riqueza com métodos pacíficos registrada pela história.
Fim
das liberdades
As liberdades foram contraídas em grau de estrangulamento no
mundo desenvolvido durante os anos dessa década cinzenta. Nos
EUA e na Europa foram instalados abomináveis equipamentos para
monitorar e registrar as atividades de centenas de milhões de
cidadãos.
Sequer resquício de atividade
pessoal foi deixado sem ser monitorado pelos monstruosos estados. Nenhuma
ditadura no passado não possuía possibilidades tão
terríveis de monitoramento de todos os seus súditos.
Leis, verdadeiros pesadelos,
têm abolido conquistas democráticas de séculos.
Todas as liberdades pessoais foram solapadas e as reações
dos cidadãos, infelizmente, foram enfraquecidas. Os cidadãos,
sem reação, aceitam tudo. E já sem reclamar mais.
Sociedades de escravos emergem ali onde antes existiam povos e cidadãos.
Encerrou-se como foi iniciada
essa década negra. Com um democrata, novamente, presidente dos
EUA e pela primeira vez na história norte-americana um negro,
o jovem Barack Obama. Só que ele trava não uma, mas duas
guerra de conquista.
As mesmas que iniciou seu antecessor,
Bush Jr., junto com os "falcões" neoconservadores que
o cercavam.
Paralelamente, realiza-se, novamente,
uma gigantesca redistribuição da riqueza social, com os
pobres tornando-se mais pobres ainda - desta vez por intermédio
da crise econômica - e com os ricos tornando-se mais riscos ainda,
graças às medidas de salvação do arcabouço
financeiro e econômico mundial. Os pobres banqueiros agradecem.
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Monitor Mercanril, 13 de
janeiro de 2010
Dólar fraco faz dos EUA
risco a emprego no Brasil
A desvalorização do dólar
pode fazer os EUA mudarem a postura de grandes compradores e se juntarem
à China no grupo de competidores da indústria manufatureira
do Brasil.
O alerta é do economista Adhemar Mineiro, do Dieese, ao comentar
previsão do banco Santander para a taxa de desemprego no Brasil,
que em 2010, segundo o banco, deverá ser a menor da série
histórica do IBGE, podendo cair para 7,5%, superando o recorde
anterior, de 7,9%, apurado em 2008. Simultaneamente, a Organização
Internacional do Trabalho (OIT) divulgou que cerca de 2,2 milhões
de pessoas perderam o emprego na América Latina em 2009 devido
à crise financeira. No total, há 18,1 milhões de
pessoas desempregadas na região.
Segundo o "Panorama Laboral
2009", a taxa de desemprego média na América Latina
e no Caribe será de 8,4%, índice superior ao verificado
em 2008, que registrou desemprego de 7,5%. "O emprego no Brasil
será beneficiado, em 2010, pela retomada da economia e pelo fato
de ser um ano eleitoral", disse Mineiro, acrescentando que as economias
mais dependentes do mercado dos EUA foram as mais atingidas pela crise.
"É o caso do México e outros países da América
Central."
A informação é
do Monitor Mercantil
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O ESTADO DO PARANÁ,
13 de janeiro de 2010 | Política
Lula diz que não adotará
estilo "paz e amor" em 2010
Agência Estado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva transformou a primeira
solenidade de 2010 em palanque para a campanha da ministra Dilma Rousseff
(Casa Civil), candidata do PT a sua sucessão.
Diante de uma plateia de cerca
de mil prefeitos, nove governadores, seis ministros e duas dezenas de
parlamentares, Lula desafiou seus adversários - segundo ele,
"todos muito letrados" - a fazer "um debate de alto nível"
nas eleições deste ano e avisou que não vai adotar
o estilo "Lulinha paz e amor" da campanha de 2002. Disse ainda
que não permitirá "jogo rasteiro" na campanha
eleitoral.
"Estou tão convicto
do que vai acontecer neste País no processo eleitoral que nada,
absolutamente nada, vai fazer com que eu perca um milímetro do
meu bom senso e desviar este País do caminho em que estamos hoje",
disse Lula, na solenidade que liberou R$ 3 bilhões para mais
de duas mil prefeituras. "Na ausência de discurso programático,
vale chutar do peito para cima. O que eles não sabem é
que eu sou capoeirista. E estou muito preparado para não deixar
a coisa perpassar peito para cima", afirmou.
Coube ao presidente do Senado,
José Sarney (PMDB-AP), a defesa mais explícita do nome
de Dilma para suceder Lula. Disse que a ministra é uma mulher
de coragem, decisões e exemplos.
"Isso mostra a ascensão
das mulheres nesses anos todos, o exemplo extraordinário que
ela dá, naturalmente a contribuição que ela tem
dado e vai continuar dando ao nosso País", disse Sarney,
que fez questão de ressaltar o governo "extraordinário"
que Lula vem fazendo.
Ele lembrou que, em 2010, faz 25 anos que assumiu a presidência
da República. "Às vezes acho que é outro País
tal foram as transformações na nossa pátria",
ponderou.
Ao lado de Sarney, Lula fez
um apelo para que os prefeitos mantenham boa relação com
o governo federal neste ano de eleições. "Não
vou permitir que o jogo rasteiro de uma campanha eleitoral estremeça
a grandeza das relações que conseguimos construir",
disse o presidente.
Durante todo o discurso, de
quase meia hora, Lula fez questão de ressaltar a boa relação
com os prefeitos que hoje, segundo ele, não precisam mendigar
dinheiro para o governo federal.
A ministra Dilma foi mais técnica
em seu discurso. Focou sua fala nas realizações do governo
com o projeto Minha Casa Minha Vida e do Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC) .
De olho na aliança
com o PMDB, a ministra fez um agradecimento ao líder do partido
na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), pela emenda parlamentar
que incluiu no Minha Casa Minha Vida os municípios com até
50 mil habitantes.
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BEM PARANÁ, 13 de
janeiro de 2010 | Brasil
Protesto
No aniversário da Caixa, funcionários
reivindicam melhor remuneração
Trabalhadores querem também que o banco
devolva os valores descontados, relativos a greve de 2008
Agência Brasil
Funcionários da Caixa fizeram protesto hoje (12) em frente à
sede do banco em Brasília. Eles escolheram o dia de aniversário
de 149 anos da instituição para reivindicar novo plano
de cargos comissionados. Também estão previstas manifestações
de funcionários em agências da empresa e nas ruas de várias
cidades.
Segundo o Sindicato dos Bancários
de Brasília, os empregados da Caixa reivindicam também
que a empresa devolva os valores descontados, relativos aos dias parados
na greve de 2008. Segundo eles, não houve respeito ao acordo
de compensação.
De acordo com o sindicato, um
acordo aditivo firmado em 2008 previa a implantação do
plano até o fim de 2009. Segundo o diretor da Federação
dos Bancários do Centro-Norte e do Sindicato dos Bancários
de Brasília, Adilson Sousa, a Caixa informou que não tem
autorização dos órgãos controladores do
banco para implantar o plano de cargos comissionados.
“Fazemos esse protesto
neste dia para manifestar o descontentamento dos funcionários”.
Os manifestantes fizeram um bolo de aniversário e a festa tinha
banda musical, fogos de artifício e balões pretos que
foram soltos.
No interior do prédio,
a presidente da instituição, Maria Fernanda Coelho, afirmou
que houve avanços na relação da direção
do banco com os funcionários.
“Talvez seja nesse
setor onde a gente mais expandiu. Como diz o presidente [Luiz Inácio
Lula da Silva], por mais que se faça, a sua demanda sempre será
maior do que tem condições de oferta. Isso é da
dinâmica do movimento, da relação entre a Caixa
e seus empregados. Acredito que neste ano, consolidam as conquistas
que obtivemos e se possível ainda teremos mais avanços”,
disse ela à Agência Brasil, após evento em comemoração
ao aniversário do banco.
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Agência Câmara,
13 de janeiro de 2010
Catador de lixo poderá ser
segurado especial da Previdência
Laycer Tomaz
A Câmara analisa o Projeto de Lei 6039/09, do deputado Rodrigo
Rollemberg (PSB-DF), que inclui o catador de material reciclável
entre os segurados especiais da Previdência Social.
O autor argumenta que a proposta
dá maior eficácia ao princípio da eqüidade,
segundo o qual o Estado e a sociedade devem participar, de forma direta
ou indireta, do financiamento do sistema de seguridade social.
De acordo com a lei vigente,
a pessoa que trabalha com coleta de lixo pertence à categoria
"contribuinte individual" e precisa contribuir com 11% da
renda de seu trabalho, se receber o salário mínimo, ou
20%, se receber valor superior.
Como segurado especial, explica
o autor, o catador será beneficiado porque poderá contribuir
com 2,3% sobre o valor bruto da comercialização de sua
produção.
Categoria
profissional
Segundo o parlamentar, estima-se que mais de 500 mil pessoas trabalhem
com coleta de lixo no País. Um dia de trabalho rende aos catadores
entre R$ 2 e R$ 5, dependendo da quantidade e do tipo de material que
recolhem.
Rollemberg ressaltou que os
catadores já conquistaram reconhecimento como categoria profissional,
oficializada na Classificação Brasileira de Ocupações
(CBO) em 2002. No ano seguinte, o governo federal criou o comitê
de inclusão social de catadores de lixo, com a finalidade de
implementar projetos para garantir condições dignas de
vida e trabalho à categoria.
"Com a aprovação
desta proposição, haverá incentivo para que toda
a classe de catadores passe a contribuir com a Previdência Social,
fortalecendo o sistema, diminuindo o déficit previdenciário
e aumentando a cidadania dessas pessoas", argumenta o autor.
Tramitação
O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado
pelas comissões de Seguridade Social e Família; de Finanças
e Tributação; e de Constituição e Justiça
e de Cidadania.
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TRT/MG, 13 de janeiro de 2010
TRT/MG: trabalhador não
pode rejeitar pagamento de vale-transporte
O empregador só fica desobrigado do fornecimento de vale transporte
se comprovar que o empregado optou por não recebê-lo.
Com esse entendimento, a 1ª
Turma do TRT/MG negou provimento a recurso e manteve a condenação
dos reclamados ao pagamento de indenização substitutiva
do vale transporte.
O desembargador Manuel Cândido
Rodrigues esclareceu que a Lei 7.418/95 assegurou ao trabalhador o benefício
do vale transporte para o deslocamento da residência até
trabalho e vice versa.
O fato gerador do direito é
o deslocamento do empregado, o que se presume, a não ser quando
o trabalho ocorre no domicílio do empregado.
Para o relator, embora a OJ
215, da SDI-1, do TST, estabeleça que é o empregado quem
deve provar que preenche os requisitos para receber o vale transporte,
cabe ao empregador colher do trabalhador, na admissão, declaração
acerca da necessidade ou não do uso do transporte público.
"Portanto, é do
empregador o ônus de provar a existência de causa obstativa
ao direito obreiro", enfatizou.
Como, no caso, não houve
fornecimento de vale transporte e os reclamados não demonstraram
que a reclamante tenha renunciado ao benefício ou que ela mora
próximo ao local de trabalho, a Turma manteve a indenização
concedida na sentença.
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
12/01/2010
Ausência do auxílio-doença
não impede estabilidade provisória de empregada acidentada
A ausência do benefício
auxílio-doença não é motivo para que empregada
acometida de doença profissional perca o direito à estabilidade
provisória. Esse é o entendimento da Quinta Turma do Tribunal
Superior do Trabalho ao julgar recurso de revista da empresa paulista
Construdecor S.A., que defendia a legitimidade da dispensa de trabalhadora
nessas condições.
A empresa alegou no TST que o Tribunal do Trabalho da 2ª Região
(SP), além de ter reconhecido indevidamente a estabilidade da
empregada, a multou por ter insistido na reforma da decisão por
considerar que seus embargos foram protelatórios.
No entanto, segundo o relator, ministro Emmanoel Pereira, o TRT ressaltou
que havia nexo de causalidade entre a moléstia e as tarefas desempenhadas
pela empregada e, ainda, que a doença piorou por causa do trabalho
prestado de forma continuada. Para o relator, portanto, não procedia
a insatisfação da empresa, porque o ocorrido se equiparava
a acidente de trabalho.
O ministro também explicou que, embora a empresa tivesse conhecimento
da doença profissional da trabalhadora, não emitiu o CAT
(comunicação de acidente de trabalho), que lhe possibilitaria
receber o auxílio-doença, uma vez que, constatada a enfermidade,
“a empregada deveria ter sido afastada para fruir do auxílio-doença,
que corresponderia ao auxílio-acidente, porque se trata de moléstia
profissional”.
Para o relator, a Súmula nº
378, II, do TST, garante “ao trabalhador o direito à estabilidade
provisória no emprego, independentemente do afastamento superior
a 15 dias. A decisão foi por unanimidade. (A-RR-655-2000-071-02-00.2)
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12/01/2010
Trabalho em dois turnos gera direito a jornada
especial
O trabalhador que exerce
suas atividades em sistema de alternância de turnos, ainda que
em dois turnos, tem direito à jornada de seis horas prevista
no artigo 7º, XIV, da Constituição Federal. A decisão
é da Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho em julgamento
de recurso de revista de ex-empregado da Volkswagen do Brasil Ltda.
O relator e presidente da Turma,
ministro Horácio Senna Pires, esclareceu que, conforme a Orientação
Jurisprudencial nº 360 da Subseção I Especializada
em Dissídios Individuais, o empregado tem direito às seis
horas de trabalho desde que os dois turnos compreendam, no todo ou em
parte, o horário diurno e noturno, porque há alternância
de horário prejudicial à saúde do trabalhador.
No recurso de revista, o empregado
pediu a reforma da decisão do Tribunal Regional do Trabalho da
2ª Região (SP) contra a concessão da jornada especial.
Alegou que o trabalho em dois turnos já era suficiente para caracterizar
prejuízos para a sua saúde e o convívio social
e familiar. Entretanto, para o TRT, como o empregado não laborava
no período da noite, não sofria danos orgânicos
a justificar a concessão de jornada especial.
Segundo o ministro Horácio,
o Regional confirmou que o empregado cumpria dois turnos de trabalho
(das 6h às 14h55 e das 14h55 às 23h36), e o período
alcançava, ainda que parcialmente, manhã, tarde e noite
– o que contrariava os termos da OJ nº 360 da SDI-1. Por
essa razão, o relator condenou a Volks a pagar como extras as
horas trabalhadas pelo empregado além da sexta diária.
(RR- 87/2003-465-02-00.3)
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