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Vermelho, 17 de dezembro de 2010
Dilma provoca Serra: comparação
entre FHC e Lula incomoda tucanos
Em resposta ao provável candidato do PSDB à Presidência,
governador José Serra, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff
(PT), defendeu nesta sexta-feira (15) a comparação entre
as gestões Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique
Cardoso, dando o tom do que deverá ser seu discurso de candidata. “Quem
não quer discutir o momento Lula é porque se incomoda com
as comparações”, afirmou.
“ Quando você está numa disputa, não quer saber só a
fala, nem o povo brasileiro se conforma só com o que você prometeu.
Então, comparar o governo Lula com qualquer outro período é a
forma de podermos chegar ao povo. Olho no olho, com respeito, e dizer: está aqui
o que fizemos”, afirmou a ministra depois de participar ao lado de Lula
do lançamento da pedra fundamental de uma refinaria da Petrobrás
em Bacabeira, a 60 quilômetros de São Luís, no Maranhão.
Na quinta-feira, Serra disse que, caso venha a ser candidato,
pretende fazer uma campanha apontando “coisas para
o futuro”, fugindo das comparações. Serra é contra
a antecipação do debate eleitoral. Avalia ser
uma armadilha imposta pelo governo federal para pautar a
campanha com comparações entre as gestões
Lula e FHC — até pesquisas encomendadas pelo
PSDB mostram imensa preferência do eleitorado pela
atual administração.
Dilma, no entanto, criticou a tentativa do tucano de evitar
o debate plebiscitário. “Nunca o Brasil, quando
eles governaram, cresceu e distribuiu renda. Então
não há motivo para eu fingir que não
sei disso. Por que vamos vetar essa discussão? A quem
interessa esse veto?”, indagou a ministra.
Enquanto os petistas querem colar em Serra as digitais do
governo FHC, os tucanos pretendem que a discussão
eleitoral seja sobre quem tem mais condição
de dirigir o país no futuro — o “pós-Lula”,
como diz marotamente o governador de Minas, Aécio
Neves.
Para Dilma, no entanto, o pós-Lula está sendo “plantado” agora. “O
pós-Lula está sendo feito pelo Lula. É esse
o grande problema do governo Lula, que incomoda muito, por
isso que é um problema para alguns”, disse.
A ministra deixou explícita qual será sua resposta
para os que lhe perguntarem se seu governo será a
continuidade do de Lula: “Continuar o governo Lula é fazer
tudo igual? Não, para nós do governo continuar
o governo Lula é avançar.”
Dilma fez uma crítica indireta ao PSDB ao citar uma
das principais bandeiras da gestão tucana, o ajuste
fiscal. “Ruim era aquele negócio corta daqui,
corta dali”, argumentou. “Nós estamos
numa outra fase no Brasil. E vamos ter de aprender a lidar
com esse momento. Em vez de ser choque de gestão,
corta investimento, corta consumo, nós estamos em
outra”, completou Dilma, ao citar uma das vitrines
do PSDB, o polêmico “choque de gestão” implementado
por Aécio em Minas.
Química
Em seu discurso, Lula exaltou os investimentos que seu governo
tem feito no Nordeste. Sem citar nomes, criticou os governantes
que só olham para o “umbigo” e não
veem a “totalidade do território”. Disse
também que a “sabedoria do coração”,
de lidar com os mais pobres, “não se aprende
na faculdade”.
“Ninguém ensina a gente a ter sinceridade.
Isso vem da alma da gente. Lamentavelmente não tem
curso para isso. Essa é a química entre a espécie
humana”, afirmou Lula para uma plateia de cerca de
500 pessoas.
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Vermelho, 17 de dezembro
de 2010
Venezuela: Chávez anuncia
aumento de 25% do salário mínimo
Ao apresentar diante ao Parlamento um balanço de sua gestão
em 2009, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou nesta
sexta-feira (15) um aumento de 25% do salário mínimo. O
reajuste será aplicável em dois períodos — o
primeiro de 10% no dia 1º de março, e um segundo de 15% em
1º de setembro próximo.
Segundo Chávez, a medida valerá para funcionários
públicos e privados. "Isso levará o salário
mínimo para quase 1.200 bolívares (US$ 521, pelo câmbio
oficial de 2,6 bolívares por dólar), sem incluir outros
benefícios”, notou o presidente.
Depois de mostrar a evolução gráfica
durante a apresentação das novas medidas, Chávez
destacou que a política do seu governo é para
dar “a maior soma de felicidade possível para
o povo”. Ele observou ainda que a Venezuela tem experimentado
a redução gradual do desemprego e o crescimento
do índice de desenvolvimento humano durante sua gestão.
Desde que assumiu o poder, em 2 de fevereiro de 1999, Chávez
liderou um processo de recuperação do salário
mínimo. Segundo a Agência Bolivariana de Notícias
(ABN), enquanto a inflação do país acumulou
211% em uma década (1999-2008), o mínimo venezuelano
cresceu 867% no mesmo período. Em 20 anos, o valor
do salário mínimo saltou de US$ 139 para US$
450, constituindo-se relativamente no mais alto da América
do Sul.
Chávez anunciou também a fusão dos
ministérios de Economia e de Planejamento, que será assumido
por Jorge Giordani. Antes ministro da Economia, Alí Rodríguez
ocupará o cargo de Energia Elétrica. De acordo
com o presidente, a junção dos dois ministérios
trará mais coerência ao governo.
A Venezuela, quinto maior produtor mundial de petróleo,
enfrenta dificuldades energéticas. O governo atribui
o problema à seca que afeta o país, cuja produção
de energia é de 70% de origem hidrelétrica.
Da Redação, com agências
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Vermelho, 17 de dezembro
de 2010
China descobre 5 cinco bilhões
de toneladas de minério de ferro
O ministério da Terra e de Recursos Naturais da China anunciou
a descoberta de cinco bilhões de toneladas de reservas de minério
de ferro no subsolo do país em 2009. Mais de três bilhões
de toneladas ficam no noroeste do país, na província de
Liaoning.
Também foram localizados depósitos importantes em Hebei
(norte), Shandong e Anhui (leste), além de Sichuan (sudoeste).
De acordo com o ministério, as reservas de Hebei, a pouca profundidade,
são fáceis de explorar.
A notícia foi muito comemorada, já que a China,
maior produtor mundial de aço, é também
o maior importador mundial de minério de ferro, necessário
para a produção de aço. Nos últimos
anos, porém, as siderúrgicas chinesas estavam
cada vez mais dependentes de negociações com
as maiores mineradoras do mundo — Vale do Rio Doce,
BHP Billiton e Rio Tinto.
Também no ano passado, a China deixou a Alemanha
para trás no posto de maior exportador do mundo, com
um total vendido ao exterior de US$ 1,2 trilhão. O
novo status chinês chama a atenção para
sua presença cada vez mais forte no setor industrial
e como comprador de petróleo, minério de ferro
e outras commodities, aumentando seu poder na economia global.
Há outra prova da ascensão do país
asiático. Com a crise mundial, os Estados Unidos perderam
o posto de principal parceiro comercial do Brasil para a
China. A participação chinesa na corrente comercial – a
soma de importações e exportações – com
o Brasil dobrau entre 2005 e 2009.
Somente em 2009, a China comprou US$ 20,2 bilhões
em produtos brasileiros – sua maioria, commodities
como soja e minério de ferro. Isso significou que,
de cada R$ 10 exportados pelo Brasil, R$ 1,30 foi comprado
pelos chineses. Desde março de 2009, a China lidera
a lista de principais destinos das exportações
brasileiras, deixando os Estados Unidos em segundo lugar.
Da Redação, com agências
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Vermelho, 17 de dezembro
de 2010
Centrais sindicais do Brasil
doam R$ 200 mil às vítimas do Haiti
As seis centrais sindicais brasileiras — CTB, CUT, Força
Sindical, Nova Central, CGTB e UGT — decidiram, em reunião
realizada nesta sexta-feira (15) na cidade de São Paulo, destinar
R$ 200 mil às vítimas do terremoto no Haiti. A quantia
será enviada por meio da Cruz Vermelha e deve chegar o mais rápido
possível ao país caribenho.
Na tragédia, o Brasil perdeu a médica Zilda Arns, fundadora
da Pastoral da Criança, e de pelo menos 15 militares envolvidos
na polêmica missão militar da ONU, que tiveram sua morte
confirmada quinta-feira (14) pelo comandante do Exército, Enzo
Peri.
O forte terremoto que sacudiu o país na tarde da última
terça-feira, 12 de janeiro, abalou o mundo. O presidente
da CTB, Wagner Gomes, salientou a importância da solidariedade
internacional. "Não podemos nos abster frente
a tanto sofrimento e destruição. Lamentamos
muito o fato ocorrido e somos solidários a este povo
tão sofrido."
Wagner também assinou uma nota em que a CTB presta
solidariedade ao país caribenho e “manifesta
seu profundo pesar aos familiares desta grande humanista”,
Zilda Arns. Confira abaixo a íntegra da nota.
Solidariedade classista com o povo do
Haiti
O forte terremoto que sacudiu o Haiti na tarde da última
terça-feira, 12 de janeiro, está provocando
uma tragédia humana que comove e desperta solidariedade
em todo o mundo. O premiê do país, Jean Max
Bellerive, estima que o número de mortos pode superar
100 mil, o que equivale a mais de 1% da população.
A capital, Porto Príncipe, está devastada,
o sistema de telecomunicações entrou em colapso,
o aeroporto não funciona e os prejuízos econômicos
ascendem a bilhões de dólares.
O Brasil chora a morte da médica Zilda Arns, fundadora
da Pastoral da Criança, e de pelo menos 11 militares
envolvidos na polêmica missão militar da ONU,
que tiveram sua morte confirmada quarta-feira (13) pelo comandante
do Exército, Enzo Peri. Há oito brasileiros
desaparecidos e nove feridos. São números provisórios,
que podem aumentar na medida em que a verdadeira extensão
da tragédia for descoberta sob os escombros do terremoto.
Com 75 anos, Zilda Arns dedicou sua vida à defesa
das causas humanitárias, com destaque para a proteção
dos direitos das crianças e adolescentes. Chegou a
ser indicada três vezes para o Prêmio Nobel da
Paz, em reconhecimento ao trabalho humanitário que
realizou ao longo da existência.
A CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)
manifesta seu profundo pesar aos familiares desta grande
humanista e dos 11 militares mortos na tragédia e
expressa sua solidariedade a todo o povo do Haiti.
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Congresso em Foco, 17 de
dezembro de 2010
Cerca de 400 pessoas participam
da missa de Zilda Arns
Renata Camargo
Encerrou-se há pouco a missa em memória da médica
fundadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns, que morreu vítima
de um terremoto no Haiti nesta semana. Cerca de 400 pessoas participaram
da cerimônia. Zilda Arns será sepultada às 17h
de hoje (16) no Cemitério Água Verde, em Curitiba.
Em depoimento à Agência Brasil, um dos filhos da médica,
Nelson Arns, disse que Zilda “vivia cada dia como se fosse
o último”. Nelson conta que a mãe sempre dizia
que precisava preparar os filhos, netos e colaboradores para dar
continuidade a seu trabalho. “Ela vivia cada dia como se fosse
o último, estruturando todas as áreas de sua vida de
forma a ter continuidade em sua ausência. Isso é que
dá agora continuidade a tudo”, disse.
Mais cedo no velório de Zilda Arns, que ocorre no Palácio
das Araucárias, sede do governo paranaense, a ministra interina
da Saúde, Márcia Bassit, relembrou o trabalho precursor
de Zilda na área da saúde da família. Segundo
a ministra, o trabalho da Pastoral atende 20% do total de crianças
carentes no Brasil.
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Congresso em Foco, 17 de
dezembro de 2010
Sucessão presidencial à moda
chilena?
"Se o governismo chileno
for vitorioso neste domingo, a ministra Dilma Rousseff poderá ficar
mais confiante. Caso a oposição chilena seja
vitoriosa, será o governador José Serra que
ganhará um importante e animador precedente"
Talvez tenha sido por causa das festas de fim de ano.
Ou devido à preguiça que o calorento mês
de janeiro provoca em todos nós. Mas pouca gente
se deu conta de que se dissiparam as incertezas que até recentemente
cercavam a definição dos futuros presidenciáveis
tucano e petista. Deu a lógica. Os favoritos confirmaram
o seu favoritismo.
No campo oposicionista, a desistência formal do
governador mineiro Aécio Neves em dezembro abriu
caminho para que o governador paulista José Serra
já possa ser considerado como o candidato ao Palácio
do Planalto não apenas do PSDB mas também
de uma aliança de partidos de oposição
ao governo. Os maiores trunfos do governador Serra são
o seu excelente desempenho nas pesquisas de intenção
de voto, o seu elevado patamar nacional de recall, e a
sua excelente avaliação no governo do mais
populoso estado da federação.
Na base aliada do governo, o reconhecido sucesso do tratamento
de saúde a que se submeteu a ministra Dilma Rousseff
igualmente afastou definitivamente do cenário as
especulações sobre a possibilidade de o PT
vir a indicar algum outro presidenciável que não
seja ela. A titular da Casa Civil deverá também
ter o apoio formal da maioria dos partidos da coalizão
governista. A ministra Dilma terá a seu favor a
popularidade do presidente Lula, um cenário econômico
benigno no resto do ano, e a maior fatia do horário
eleitoral gratuito nos meios de comunicação.
Essa configuração específica do tabuleiro
sucessório confirma a aposta que fiz em coluna que
publiquei há cerca de seis meses aqui mesmo no Congresso
em Foco ("Prognósticos para a sucessão
presidencial" - 3 de junho de 2009). Naturalmente,
não tenho nenhuma bola de cristal. Mas a experiência
de analista me ensinou que o processo de escolha dos candidatos
a presidente costuma obedecer a um sistema de "pontos
corridos" (e não de "mata mata")
dentro de cada partido. Ganha quem acumula mais pontos,
em vez de mais vitórias isoladas. Olhando em retrospecto,
até parece ser simples: o governador mais importante
do país contra a principal ministra do governo federal.
Não haverá azarões.
Baseados em décadas de observação
da experiência eleitoral internacional, os manuais
de ciência política costumam dizer que os
candidatos governistas tendem a sair vitoriosos quando
os governantes já são muito populares e/ou
quando a conjuntura econômica favorece o crescimento
e o consumo. O candidato de oposição tende
a ser vitorioso quando essas duas variáveis aparecem
com sinais trocados - como na recente eleição
de Barack Obama nos Estados Unidos. Mas essas relações
não são determinísticas, e as exceções
também são abundantes.
Para aqueles que se interessam em antecipar com maior
grau de precisão para qual lado penderá a
sucessão presidencial brasileira, recomendo fortemente
que acompanhem o segundo turno das eleições
presidenciais chilenas, que será realizado neste
domingo (17). A mesma coalizão partidária
governa o Chile há vários mandatos presidenciais,
e a atual presidente também é bastante popular.
A economia chilena é talvez a mais aberta e estável
de toda a América Latina, e taxas positivas de crescimento
econômico são uma constante. Mas a campanha
eleitoral chilena tornou-se uma das mais emocionantes de
todos os tempos. No primeiro turno, o candidato oposicionista
obteve 44% dos votos, contra apenas 30% do candidato governista.
E agora as pesquisas têm apontado empate técnico,
com chances de vitórias para os dois lados.
Se o governismo chileno for vitorioso no domingo, os manuais ganharão
mais um caso para ilustrar a tendência apontada dois parágrafos
acima. E a campanha da ministra Dilma Rousseff poderá ficar
mais confiante. Entretanto, caso a oposição chilena seja
vitoriosa, será a campanha do governador José Serra que
ganhará um importante e animador precedente. Para quem gosta
do assunto, as eleições chilenas serão um ótimo
programa de domingo!
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Gazeta do Povo, 17 de dezembro
de 2010
Trabalho
Sem mão de obra para
crescer
Setores como a construção
civil e de tecnologia da informação já não
encontram profissionais qualificados. Com o reaquecimento
da economia, problema tende a se espalhar
A empresa curitibana Fbits, que desenvolve softwares para
comércio eletrônico, tem 60 funcionários
e precisa de mais 12 programadores para dar conta das encomendas.
E precisa com urgência – todas as páginas
de seu site exibem em destaque a inscrição “estamos
contratando”, mensagem que é reforçada
a cada instante no blog e no twitter da empresa. Mas nem
assim tem sido fácil encontrar profissionais que
atendam às exigências. “Quatro dessas
vagas estão abertas há uns três meses,
mas a dificuldade para preenchê-las é enorme”,
conta o diretor de operações, Tiago Girelli.
A escassez de mão de obra qualificada é sentida
há vários anos pelas empresas de tecnologia
da informação (TI) – há 8 mil
vagas apenas em Curitiba, segundo Mauro Sorgenfrei,
presidente da Assespro-PR, que representa o setor.
Com o reaquecimento da economia, a tendência é que
o problema se espalhe por vários outros setores.
A construção civil está entre os que
já acusam a dificuldade, que também afeta
pelo menos uma em cada quatro empresas industriais, conforme
levantamento divulgado no fim de 2009 pela Federação
das Indústrias do Paraná (Fiep).
Embora não existam números precisos sobre
a necessidade de profissionais qualificados no país,
algumas pesquisas dão indícios sobre a dimensão
do problema. Sondagem realizada em 2007 pela
Confederação Nacional da Indústria
(CNI) já constatava que 56% das fábricas
sofriam com a falta de mão de obra qualificada,
em especial as de álcool, vestuário, máquinas
e equipamentos e veículos. Apenas 30% das consultadas
diziam encontrar no mercado de trabalho
profissionais com a especialização desejada;
as 70% restantes tinham de capacitar os trabalhadores após
a contratação.
A julgar pelas sondagens anuais da Fiep, o problema persiste.
Aliás, até cresceu. Há dez anos, apenas
10% das empresas apontava “mão de obra não
qualificada” como dificuldade para enfrentar a concorrência;
hoje, o índice é de 25%. No levantamento
mais recente, 39% afirmam também que “faltam
no estado mais e melhores instituições para
a formação de mão de obra especializada”,
o que era apontado por 28% das consultadas em 1999.
Alertas sobre um possível “apagão” de
profissionais capacitados tornaram-se mais frequentes a
partir de meados da década, e chegaram a silenciar
após o estouro da crise global. Nos últimos
meses, no entanto, o assunto voltou à superfície,
puxado por previsões que apontam para uma expansão
econômica de até 6% em 2010 e, principalmente,
pelo ciclo de investimentos esperado para os próximos
anos. Um ciclo que deve ser alimentado por vários
fatores, entre eles o aumento da massa de consumidores
e salários, eventos como a Copa do Mundo e a Olimpíada
e o desenvolvimento dos campos de petróleo do pré-sal.
A questão, advertem especialistas, é que
talvez não haja a quantidade suficiente de bons
profissionais para atender à demanda prevista.
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
(Ipea), ligado ao governo federal, começou a estudar
o assunto há poucos dias. “Os primeiros resultados
devem sair em alguns meses. Por enquanto, ainda não
podemos dizer se faltam ou não profissionais qualificados.
O que temos vistos é que em algumas especialidades,
bem técnicas, é provável que faltem”,
afirma Paulo Meyer Nascimento, técnico de pesquisa
e planejamento do Ipea.
Para o economista Naercio Aquino Menezes Filho, professor
da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto
de Ensino e Pesquisa (Insper), basta recorrer aos dados
sobre o nível de educação da população – nos
quais o Brasil perde feio para seus concorrentes – para
se atestar que a qualificação já é um
gargalo.
Dos jovens entre 25 e 29 anos, diz o economista, apenas
55% concluíram o ensino médio, porcentual
que os Estados Unidos alcançaram há 60 anos.
Em países como a Coreia do Sul – que tinha
características semelhantes às do Brasil
em meados do século passado – o índice
atual chega a 95%. No ensino superior, a discrepância é ainda
maior.
“Os principais determinantes do crescimento estão
na adoção de novas tecnologias, que geram
aumento de produtividade. Para adotá-las, as firmas
precisam de trabalhadores mais qualificados. Conclui-se
que as firmas americanas, coreanas, de Cingapura, de Taiwan
têm muito mais condições de fazer isso
do que as brasileiras”, diz Menezes Filho. “Sem
profissionais qualificados e sem condições
de inovar, os empresários brasileiros continuarão
dependendo de taxa de câmbio e juros. E é natural
que isso acabe por limitar ou impedir o crescimento.”
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Conjur, 17 de dezembro
de 2010
Benefício desvirtuado
FAP é instrumento de
arrecadação predatória
Por Mirela Barboza Cardoso
Poucas empresas se aperceberam até hoje, mas 2010 iniciará com
um provável aumento da carga tributária incidente sobre
a folha de pagamento de cada empresa.
Ocorre que em setembro desse ano foi regulamentado o Fator
Acidentário de Prevenção, conhecido
pela sua sigla FAP. Ele nasceu em 2003, com a Lei 10.666,
com o objetivo de incentivar as empresas a adotarem políticas
eficazes de prevenção a acidentes do trabalho
e doenças ocupacionais, através da concessão
de um beneficio fiscal na ordem de 50% sobre a alíquota
RAT recolhida mensalmente pelas empresas sobre as remunerações
pagas, na ordem de 1%, 2% ou 3%, dependendo do grau de risco
em sua atividade esteja enquadrada.
Nessa mesma lei, também foi inserida a previsão
de que uma alta acidentalidade nas empresas poderia levá-las
a arcar com o dobro dessa alíquota, a qual tem justamente
a finalidade de custear os benefícios de natureza
acidentária concedidas aos segurados pelo INSS.
Muito embora de todo louvável a iniciativa do Poder
Público, eis que a infortunística laboral não é um
peso somente para a Previdência, mas também
para a economia da empresa e da sociedade como um todo, quando
esta foi regulamentada veio absolutamente eivada de vícios
e nulidades que lhe retiram o caráter de benefício
ou punição que o legislador almejava quando
editou a referida lei.
Primeiro, porque com a regulamentação do FAP,
o INSS trouxe de reboque a majoração das alíquotas
RAT, alegando um crescimento na acidentalidade de cada setor
da economia que sofrerá esse aumento sem, contudo,
publicar os critérios que baseiam esse entendimento.
Em segundo, porque era absolutamente previsível o
aumento dos incides de acidentalidade em cada setor, eis
que em 2007 foi criado o Nexo Técnico Epidemiológico
Previdenciário (NTEP), que cria uma presunção
do caráter laboral de determinada doença através
de simples estatística, a qual já foi criticada
inclusive pelo próprio IBGE.
Ademais, criou uma espécie de concurso entre as empresas
para premiar apenas aqueles que dentro de seu setor tiveram
menos acidentes e doenças relacionadas ao trabalho,
tratando de forma igual empresas de todo desiguais, já que
impede a empresa que teve índices zero de infortunística
de ser beneficiada com a redução de 50%, eis
que seu FAP irá levar em conta o desempenho da categoria
nessa relação, punindo as empresas pela negligência
de seus pares em termos de segurança e saúde
do trabalhador.
Todavia, o pior equívoco cometido pela regulamentação é a
falta de transparência na aferição dos
dados, já que não há como se conferir
qual foi o desempenho da categoria que tenha colocado a empresa
nessa ou naquela posição no ranking de prevenção
criado pela Previdência.
Desta forma, temos que uma legislação que
foi pensada para incentivar a prevenção de
acidentalidade no âmbito de cada empresa acabou se
desvirtuando e se tornando apenas mais um instrumento de
arrecadação predatória por parte do
Fisco, trazendo insegurança às empresas e comprometendo
os avanços em termos de medicina e segurança
do trabalho que experimentamos até aqui, o que é lamentável
sob todos os aspectos.
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Conjur, 17 de dezembro de 2010
Mesmo grupo
Reconhecido um contrato entre
trabalhador e empresas
A Seção I Especializada em Dissídios Individuais
do Tribunal Superior do Trabalho (SDI-1) reconheceu apenas um contrato
entre um trabalhador rural e várias empresas pertencentes a
um mesmo grupo. A SDI-1 acompanhou o voto do ministro Lelio Bentes
Corrêa, que interpretou o processo como apenas uma relação
jurídica de emprego existente.
Segundo o ministro, o que houve foi a mudança de localidade,
da área rural para urbana, fato reconhecido pela própria
empresa que confirma haver somente um contrato de trabalho. Isso
fez com que os ministros afastassem a prescrição bienal
no caso e decidissem pela devolução do processo ao
TRT de Campinas (15ª Região).
Em primeira instância, o trabalhador conseguiu alguns direitos,
mas o TRT de Campinas entendeu que existiram dois contratos, um como
trabalhador rural e o outro como urbano. Para o Regional, o empregado
teria dois anos para entrar com a ação trabalhista.
No entanto, ele o fez quase sete anos depois. A 5ª Turma no
TST manteve a decisão do TRT.
De acordo com os autos, o funcionário trabalhou durante 33
anos na parte rural de um grupo de empresas. Foi contratado em 1965.
Em 1966, passou a exercer as funções de motorista,
dirigindo caminhão para transportar cana-de-açúcar
e pessoal para trabalhar nas lavouras. Em janeiro de 1983, foi transferido
para outra empresa e fez opção pelo regime do FGTS.
Ao se aposentar por tempo de serviço em janeiro de 1992, o
empregado continuou prestando serviços para uma companhia
que encampou as outras empresas até março de 1998,
quando foi dispensado, sem justa causa.
Ele entrou com ação na Justiça de Trabalho
para receber suas verbas rescisórias não pagas, pois
fizera apenas um contrato com o grupo durante todos os anos de trabalho.
Com informações da Assessoria de Imprensa do TST.
E-RR-1267/1998-125-15-00.0
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Conjur, 17 de dezembro
de 2010
Estabilidade provisória
Funcionário deve ser readmitido
e indenizado
Empregado que fica doente por conta do trabalho exercido e tem de ser
afastado do emprego ganha estabilidade provisória e não
pode ser demitido. O entendimento foi aplicado pela 7ª Turma do
Tribunal Superior do Trabalho para condenar a Caraíba Metais a
reintegrar funcionário demitido durante licença médica.
A empresa também terá de pagar indenização
por danos morais no valor de R$ 100 mil.
Por unanimidade, a 7ª Turma do TST manteve a decisão
do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região.
O relator, ministro Guilherme Caputo Bastos, explicou que
o TRT tinha analisado os fatos e provas no processo para
chegar à conclusão de que havia nexo de causalidade
entre as atividades desempenhadas pelo trabalhador na empresa
e a doença adquirida. Ainda segundo o ministro, o
TRT constatou que a empresa agiu com negligência e
não tomou os cuidados necessários para impedir
os prejuízos causados à saúde do trabalhador.
No recurso ao TST, a empresa insistiu na tese de que os
problemas de saúde do empregado não tinham
relação com os serviços prestados por
ele. Entretanto, como destacou o relator, ministro Caputo
Bastos, os argumentos levantados pela empresa diziam respeito
aos fatos e provas analisados em instância ordinária,
que não podem ser revistos pelo TST, de acordo com
a Súmula 126 da corte. Com informações
da Assessoria de Imprensa do Tribunal Superior do Trabalho.
AIRR – 404/2005-133-05-40
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