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O ESTADO DO PARANÁ, 18 de janeiro
de 2010 | Política
PR: A polêmica do salário
mínimo regional
Roger Pereira
O anúncio do reajuste do salário mínimo regional,
feito pelo governador Roberto Requião (PMDB) no último
dia 5 desagradou os líderes empresariais, que alegaram não
terem sido consultados e previram impacto negativo à economia
do Paraná por conta do aumento do custo da produção.
A oposição ao
governo também critica o que chama de "cortesia com chapéu
alheio" por parte do governador, uma vez que tais reajustes serão
pagos apenas pela iniciativa privada, enquanto os servidores estaduais
tiveram, no ano passado, apenas a correção da inflação.
Em entrevista a O Estado do
Paraná, Carlos Manuel dos Santos, presidente do Instituto Paranaense
de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), órgão
responsável pelos cálculos do novo mínimo, explica
como o Estado pode dar reajuste de até 21,5% no piso regional
mas não pode fazer o mesmo para o funcionalismo.
O Estado - Num ano em
que a inflação foi inferior a 5% e o salário mínimo
nacional acabou de ser reajustado em 9,6%, como o Ipardes conseguiu
chegar a um aumento de até 21,5% no piso regional
Carlos Manuel dos Santos - A
proposta de reajuste que estamos fazendo para vigir a partir de maio,
pelo menos essa é a intenção, reajusta nossos pisos
de 9,5% a 21,5%.
Então, a primeira faixa,
primeiro grupo que são os trabalhadores da agropecuária,
o piso está sendo reajustado em 9,5%, mantendo uma certa paridade
com o reajuste do salário mínimo nacional. Os outros,
que tiveram uma variação maior, entre 11 e 21,5%, é
porque estamos buscando uma aproximação deste piso com
os preços praticados no mercado.
Hoje, o salário médio
de entrada do terceiro grupo, por exemplo, que é o dos trabalhadores
na indústria, ele já é praticado, na média
de 2009, R$ 684,00 e nós estamos propondo R$ 714,00, o que significa
um reajuste real de 4,29%. Portanto, uma adequação aos
salários que já estão sendo pagos, muito próximos
à inflação.
Claro que se pegarmos os valores
do piso R$ 625,00, para R$ 714,00, o reajuste é de 14,2%. Mas
o próprio mercado não está pagando R$ 625,00, está
pagando R$ 684,00. Uma coisa é o reajuste como base, outra coisa
é um reajuste, como estamos propondo, visando os salários
já recebidos por esse grupo, garantindo um reajuste efetivo.
No entanto, a média de
salário inicial de técnicos em 2009 é de R$ 922,00.
Então, mesmo dando um reajuste de 21%, esse piso é 17%
menor do que o que já se pratica no Estado. E esse piso é
para trabalhadores que não estão resguardados por estrutura
sindical ou por acordos coletivos.
Quem tem um sindicato pode até
ter um valor de salário até um pouco menor que esse que
estamos propondo, mas essas negociações coletivas acabam
incorporando aos salários benefícios complementares, como
alimentação, auxílio creche e plano de saúde.
Esse trabalhador, como não
tem essa defesa, é isso que o Estado faz, assume esse poder de
defesa. O quarto grupo, do nível técnico, a proposta que
estamos fazendo é de R$ 765,00.
OE Que características
tem a economia do Paraná que possibilita ao Estado ter o maior
piso do país, maior que estado com PIB superior ao nosso?
CMS - Não é uma
característica especificamente econômica, é uma
leitura de função de governo, que busca ter uma representação
de populações que precisam de ação governamental.
Foi no que se pensou quando se pensou na aplicação desta
lei do piso no Paraná (e somente quatro estados adotam a lei).
A outra coisa, como é
destinado a trabalhadores que não estão resguardados por
acordos coletivos, a nossa estimativa é que estaríamos
abrangendo entre 300 e 350 mil trabalhadores e que esse reajuste tem
um impacto sobre o PIB de apenas 0,2%, é um impacto muito pequeno
no âmbito do PIB, mas, 50 reais a mais no bolso de um trabalhador
que ganha, R$ 600,00, é um impacto importante.
OE - Vários empresários
criticaram que esses índices são irreais e que colocam
em risco a competitividade da indústria paranaense.
CMS - Há 20, 25 anos,
o salário mínimo era regionalizado, tinha um para São
Paulo, um para o nordeste, um para o Paraná. E no Paraná
ainda era dividido: um para a Região Metropolitana de Curitiba
e um para o interior.
Quando se unificou o salário
mínimo nacional houve essa história de que estados onde
o impacto do salário fosse maior iriam quebrar. E a realidade
mostrou o contrário. Outra resposta para essa pergunta é
a comparação dos salários médios.
Apesar do piso menor, você
acha que os salários praticados em São Paulo são
menores que no Paraná? E a indústria de São Paulo
não está exposta a mais riscos de competitividade que
a paranaense. Hoje a indústria do Paraná está inserida
na dinâmica global. Se nós aproximarmos os pisos aos salários
já praticados, como podemos estar comprometendo a competitividade?
OE - A oposição
ao governo na Assembleia Legislativa também criticou o reajuste,
como já tinha feito no ano passado e diz que o Estado faz cortesia
com o chapéu alheio, pois dá esses reajustes a trabalhadores
que são pagos pela iniciativa privada e não concede os
mesmos índices e nem pratica os mesmos pisos aos servidores públicos.
CMS - Esta é uma argumentação
completamente política e mostra, talvez, um desconhecimento da
oposição em relação aos salários
pagos pelo Poder Executivo para seu quadro próprio.
O salário pago para agente
de apoio (nível fundamental) é de R$ 667,00, já
é um valor superior ao que estamos propondo para o grupo 1 (R$
663,00) e imagino que o governo ainda dará alguma revisão
dos salários aos servidores neste ano.
Mas hoje, com os salários
que estão vigindo, o menor salário do quadro do Estado
já é R$ 4,00 superior ao que estamos propondo com piso
mínimo. Para o cargo de agende de execução (nível
médio ou técnico), o Estado já paga R$ 1.000,65,
portanto, bem acima daquilo que está se propondo para o piso.
E há um procedimento
de que para os rendimentos brutos iguais ou menores do que dois salários
mínimos é dado um adicional de R$ 50,00 a título
de auxílio alimentação. Então hoje o menor
salário do Estado é R$ 667,00 mais R$ 50,00
OE - A oposição
costuma usar o exemplo do policial militar, que tem um salário
base inferior a R$ 400,00.
CMS - Porque o salário
do policial é uma composição que resulta numa composição
bruta de cerca de R$ 1.000,00. Pois, além do salário base,
tem o adicional de periculosidade e vários outros componentes.
Mas eu não sei exatamente quanto ganha um policial militar.
Eu tenho as informações
do quadro do Executivo. Um cargo em comissão no Estado, o salário
base pode ser de R$ 230,00. Mas a remuneração final dele
é R$ 1.641,00.
OE - Mas todos esses
benefícios são considerados na aposentadoria ou em eventuais
indenizações em caso de exoneração?
CMS - Em relação
aos comissionados, se ele não for servidor de carreira, ele não
está abrangido pela Paranaprevidência. Está abrangido
pelo INSS e o recolhimento é pela remuneração total
dele, não pelo salário básico. Estou falando do
funcionário do Executivo, do policial militar, desconheço
a legislação.
OE - Outra crítica
é que se a economia está crescendo a ponto de termos esse
reajuste no piso, a arrecadação do Estado cresce junto.
Por que os servidores não têm o mesmo reajuste, então?
CMS - Porque o reajuste do piso
tem um impacto de 0,2% sobre o PIB. Não é porque deu-se
um reajuste de 14,9% em maio do ano passado, que a arrecadação
cresceu 15%. É uma leitura maniqueísta, até, como
se existisse uma correlação direta.
Um reajuste de 15% para o servidor
seria impraticável para o Estado, porque a receita, com certeza,
não cresceu 15%. Quando estamos tendo esse cuidado de aproximarmos
os pisos aos salários de mercado é para buscar essa equidade
e aproximar quem não tem este resguardo, essa cobertura sindical,
pelo poder do Estado.
OE A oposição
também reclamou da antecipação do anuncio do reajuste,
já que a data de reajuste do mínimo sempre foi maio. Insinuou-se
que o governador queria fazer uso político do novo mínimo
e por isso antecipou o anúncio, já que deve deixar o governo
em abril para disputar as próximas eleições. Por
que, neste ano, o reajuste foi definido em janeiro?
CMS - O Ipardes é um
órgão técnico e recebeu essa demanda do governador.
A oportunidade política não é nossa, é do
governador. Recebemos a demanda e fizemos uma propostas de reajuste.
Também houve uma decisão política de antecipação
do salário mínimo nacional, que, antes reajustava em maio
e agora foi para janeiro.
Nós tomamos o mês
de maio como referência para esses cálculos. O governador
já anunciou que vai enviar esse projeto à Assembleia em
fevereiro e, no projeto ele pode dizer se a lei vai vigir a partir de
primeiro de maio ou a partir da aprovação da lei. É
uma dimensão política que não cabe ao Ipardes fazer
essa consideração.
OE - O reajuste do ano
passado também foi calculado pelo Ipardes? E quando o governador
demandou o instituto?
CMS - Também foi
calculado pelo Ipardes. Fomos demandados em março. Indiferente
se a antecipação da proposta é ou não oportuna
politicamente, o mais importante é que os trabalhadores serão
os maiores beneficiados e é para eles que esta lei de destina.
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FOLHA DE LONDRINA, 18 de
janeiro de 2010 | Economia
Cresce interesse por seguro com proteção
para perda de emprego
Cerca de 30 milhões de brasileiros têm
um ou mais seguros da categoria popular ou massificado; segmento movimenta
R$ 1 bilhão/ano e deve crescer 30% em 2010
São Paulo - Quando a cozinheira Lindalva Silva de Melo, de 32
anos, perdeu o emprego há três meses, ela não precisou
se preocupar com a dívida que tinha com uma rede de supermercados
em que fazia compras todo o mês, pois o seguro em caso de desemprego
no valor de R$ 4 por mês cobriu o débito de R$ 500. ''Foi
vantagem para mim, pois um valor tão pequeno me ajudou muito
na hora que eu mais precisava'', conta ela.
Lindalva é um dos 30
milhões de brasileiros que têm um ou mais seguros da categoria
popular ou massificado, que atendem um grupo de consumidores por pequenos
valores mensais. O mercado desse segmento movimenta anualmente R$ 1
bilhão, é pouco perto dos R$ 60 bilhões do mercado
de seguros geral, mas é promissor e deve crescer 30% neste ano.
Os seguros populares compreendem
desde aqueles de assistência hospitalar, odontológica,
serviços residenciais, prestamista, acidentes, garantia estendida
até o que garante a reposição de objetos de menor
valor.
De acordo com o professor da
Fundação Instituto de Administração (FIA)
e especialista em seguros, Antonio Penteado Mendonça, os mais
contratados são os de garantia estendida, o seguro prestamista
e o de acidentes. ''Por ser de pequeno valor, vale a pena para o consumidor,
pois ele nem sente na conta e pode ser de grande ajuda. Mas ele precisa
ficar atento ao que está contratando para usá-lo em caso
de necessidade. O prestamista pode ser contratado no caso de compra
de um imóvel, por exemplo'', explica.
Os seguros massificados são
vendidos por redes varejistas (lojas de departamento, supermercados,
lojas especializadas) e prestadoras de serviço, como empresas
fornecedoras de energia elétrica e de telefonia. Um seguro contra
furto ou perda de cartão de crédito, por exemplo, pode
ser contratado a partir de R$ 0,95 ao mês.
Por R$ 3,55 ao mês, o
assessor administrativo Ricardo da Trindade Oliveira, 42 anos, morador
de Bauru (SP), tem um seguro incluído na conta de energia elétrica
que garante seu pagamento em caso de desemprego. Contratado em 1997,
o seguro já foi usado. ''Nas duas vezes que fiquei desempregado
tive a conta coberta pelo seguro por quatro meses. E ainda recebi um
vale alimentação. Acho que já recebi mais do que
gastei''.
Entre as novidades que o mercado
deve lançar este ano está a garantia estendida para produtos
usados. ''É uma oportunidade para o mercado, pois assim como
fazemos com os novos, vamos fazer com eletroeletrônicos e eletrodomésticos
usados e movimentar esse mercado. O seguro massificado ainda tem muito
espaço a ser explorado'', afirma Evandro Baptistini, vice-presidente
da Aon Affinity Latin America, que atua na área de seguros populares
e tem 10 milhões de clientes no Brasil.
Outras novidades à vista
são a garantia estendida para tênis e o seguro para relógios
e óculos, que darão cobertura em caso de quebra, riscos
ou mesmo roubo. O produto será lançado pela corretora
Classic, que está no mercado há 16 anos e tem 6 milhões
de clientes no País. ''Há um mercado muito amplo a ser
trabalhado, pois são 60 milhões de possíveis compradores
de seguros populares em todas as classes sociais'', diz Rubens Nogueira
Filho, presidente da Classic.
Luciele Velluto
Agência Estado
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O ESTADO DO PARANÁ,
18 de janeiro de 2010 | Economia
Empresas devem puxar crédito em
2010
Agência Estado
Contrariando uma tendência que prevaleceu em seis dos sete anos
do governo Lula, o crédito às empresas deve crescer mais
do que os empréstimos às pessoas físicas em 2010.
Em primeiro lugar, por causa da onda de investimentos esperada para
os próximos anos. Em segundo, pela normalização
das condições do sistema bancário. Por fim, a base
de comparação na pessoa jurídica é baixa
porque em 2009 a crise drenou grande parte dos financiamentos para as
companhias, principalmente as de pequeno e médio portes.
"Esperamos uma expansão
de 25% para o crédito às empresas e de 20% para as pessoas
físicas neste ano", disse o diretor executivo do Itaú
Unibanco, Silvio de Carvalho, frisando que o grupo de pessoas jurídicas,
na instituição, inclui as de pequeno e médio portes.
"As grandes têm à disposição outras
fontes de financiamento, como os mercados externo e de capitais."
O Santander, terceiro maior banco privado do País, ainda não
fechou as projeções de crescimento do crédito no
ano. Mas Carlos Leibowicz, diretor do banco de atacado do grupo, reforça
a percepção do concorrente. "A taxa de crescimento
dos empréstimos às empresas deve superar a do crédito
às pessoas físicas", afirmou.
A pedido do jornal O Estado
de S. Paulo, o economista Bruno Rocha, da Tendências Consultoria,
calculou o crescimento dos empréstimos a pessoas físicas
e jurídicas entre 2003 e 2009. O único desses sete anos
em que o avanço do crédito às empresas bateu o
das pessoas físicas foi 2008 (31,2% ante 17,2%, descontada a
inflação). "Mas esse resultado foi influenciado pelo
processo de entrada de grandes empresas no mercado bancário,
por causa das restrições impostas pela crise internacional",
observou. Para este ano, ele também avalia que a expansão
do crédito à pessoa jurídica superará a
da pessoa física.
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O
ESTADO DO PARANÁ, 18 de janeiro de 2010 | Economia
Indústria moveleira não se
beneficiou da desoneração
Helio Miguel
Arquivo
Indústria de móveis
reclama do aumento médio de 8,5% nos painéis de madeira,
principal matéria-prima para os produtos, o que teria eliminado
o benefício.
Por mais que promoções
no varejo anunciem móveis com preço reduzido devido à
isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI)
dos itens, os valores não estão diminuindo na maior parte
da cadeia produtiva.
É que, pouco tempo depois que a medida
foi anunciada pelo governo federal, no final de novembro, os fabricantes
tiveram que enfrentar um aumento médio de 8,5% no componente
mais caro dos produtos: os painéis de madeira, que representam
cerca de 60% do valor dos móveis.
Agora, o setor, que vem enfrentando
uma crise aguda, está preocupado com o futuro da medida. O temor
é que, usando como argumento o fato dos preços finais
dos itens não terem baixado, o governo cancele a redução
do imposto antes de seu prazo final, que vence em 31 de março.
A Associação Brasileira
da Indústria do Mobiliário (Abimóvel) afirma que,
apesar de receber pressões para tanto, quer evitar uma guerra
com os fabricantes de painéis. A entidade informa que está
avaliando, inclusive, um pedido para que o Imposto de Importação
das chapas seja reduzido.
Enquanto isso não acontece,
o setor lamenta as possíveis consequências dos reajustes.
"No momento de reativar a economia, de dizer ao consumidor final
que teríamos preços mais baixos, vieram os aumentos. Agora
estamos perdendo uma oportunidade magnífica de recuperação",
afirma o diretor executivo do Sindicato das Indústrias de Móveis
de Arapongas (Sima), Sílvio Luiz Pinetti.
Segundo Pinetti, as indústrias
de móveis da região o polo de Arapongas está entre
os maiores do País estão no meio de uma "briga de
foice", já que os grandes varejistas nacionais, que são
os principais clientes da maioria das indústrias da região,
também pressionam por preços mais baixos, até para
poderem anunciar os benefícios da redução do IPI.
O presidente do Sindicato da
Indústria do Mobiliário e Marcenaria do Estado do Paraná
(Simov-PR), Aurélio Sant'Anna, aponta o mesmo panorama. "Estamos
espremidos entre dois gigantes: de um lado os fabricantes de painéis,
e de outro as gigantes do varejo", observa.
Ele explica que, de um lado,
fabricantes determinam um preço e ameaçam exportar o produto
caso o valor não seja aceito. De outro, os varejistas vão
às compras já determinados a pagar um preço, que
algum moveleiro fatalmente irá aceitar.
De acordo com Sant'Anna, os
preços do varejo até são definidos pela competição
entre as redes de lojas. Porém, no caso dos painéis, ele
demonstra preocupação quanto a uma possível cartelização.
"Existe uma associação
que integra as empresas e determina os valores de mercado", afirma.
Essa queda de braço, segundo ele, coloca principalmente os fabricantes
que atendem às classes C e D em uma situação complicada.
"Estamos na mão de poucas e gigantescas empresas",
diz.
Políticas
As indústrias de painéis
de madeira são mesmo poucas: apenas oito. A Associação
Brasileira da Indústria de Painéis de Madeira (Abipa),
que integra cinco delas (Berneck, Duratex, Eucatex, Fibraplac e Masisa),
nega que interfira ou formule políticas de preços, e lembra
que participou, inclusive, das conversas com o governo que resultaram
na redução do IPI (que também atingiu os próprios
painéis).
Em comunicado ao site Portal
Moveleiro, divulgado na última semana, a superintendente da entidade,
Rosane Dill Donati, afirmou que as políticas de preços
"são posturas individuais das empresas associadas".
Repercussão
Com os aumentos nos painéis,
ficou difícil para o setor moveleiro avaliar a repercussão
da redução do IPI nas vendas, já que, para eles,
pouco mudou nos preços. Antes dos aumentos, o setor trabalhava
com uma possibilidade de aumento de até 5% mensais nas vendas.
"A redução
foi praticamente anulada", calcula Sant'Anna. Para Pinetti, a época
também atrapalha a avaliação, já que tanto
os finais como os inícios de ano são, tradicionalmente,
bons período de vendas. Ele informa, inclusive, que as empresas
da região vêm trabalhando com 100% da capacidade.
Salário
mínimo estadual é nova preocupação
Além dos aumentos nos preços dos painéis de madeira,
outro fator está preocupando o setor moveleiro do Paraná:
o reajuste do salário mínimo regional, anunciado recentemente
pelo governo do Estado.
De acordo com o diretor executivo
do Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas (Sima),
Sílvio Luiz Pinetti, o impacto do reajuste na folha de pagamento
das empresas da região deve ser de aproximadamente 14%.
Segundo ele, a negociação
salarial acontece em maio, mês em que também deve entrar
em vigor o novo mínimo, estabelecido em R$ 714 para a indústria.
Para Pinetti, o custo de fabricar móveis no Paraná está
cada vez maior.
Ele diz que o polo de Arapongas está perdendo concorrência
para outros polos, como o de Ubá (MG), que também é
focado em móveis populares. "Lá o custo é
bem mais baixo. Estamos hoje com uma das mãos-de-obra mais caras
do País", afirma. (HM)
Nuvens
negras estariam sumindo no horizonte
Os números do setor moveleiro não vêm sendo bons
desde a metade de 2008. No entanto, as últimas pesquisas da produção
industrial, divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), vêm apontando uma recente recuperação.
Após uma queda de 21,4%
em setembro, na comparação com o mesmo mês de 2008,
o setor, no Paraná, experimentou dois avanços seguidos:
4,5% em outubro e 8,5% novembro. Mesmo assim, a taxa acumulada entre
janeiro e novembro de 2009 ainda apresenta queda de 21% ante o mesmo
período do ano anterior.
Na indústria em geral,
a queda é bem menor: 4,25%. De acordo com a Associação
Brasileira da Indústria do Mobiliário (Abimóvel),
o faturamento do setor em 2009 também deve ser inferior ao de
2008, que foi de R$ 27 bilhões.
No ano passado, a entidade informa
que o setor amargou uma queda de 10% nos negócios internos. O
motivo apontado é a redução do Imposto sobre Produtos
Industrializados (IPI) de eletrodomésticos e automóveis,
que levou o consumidor a preferir tais produtos sobre os móveis.
Os números ruins refletem também no emprego.
De acordo com os últimos
dados do cadastro de Empregos (Caged), do Ministério do Trabalho
e Emprego, o setor de madeira e mobiliário é o único
do Paraná que apresenta saldo negativo entre janeiro e novembro
de 2009, de 529 postos de trabalho. Não fosse o saldo positivo
obtido em novembro, de 742 vagas, o desemprego no setor poderia ser
ainda mais baixo.
O saldo negativo do ano
passado acontece apesar da mão-de-obra do setor ser considerada
de baixo custo. Segundo o presidente do Sindicato da Indústria
do Mobiliário e Marcenaria do Estado do Paraná, Aurélio
Sant'Anna, estima-se que, com o investimento necessário para
gerar uma vaga no setor automotivo, geram-se 10 empregos no moveleiro.
"Ainda não somos um segmento automatizado, e utilizamos
mão-de-obra local", informa. (HM)
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FOLHA DE LONDRINA, 18 de
janeiro de 2010 | Economia
Empreendedor individual
Ministério espera a formalização
de 1 milhão de trabalhadores
A partir de hoje será disponibilizada
um versão de testes do portal, que entrará em funcionamento
a partir de 8 de fevereiro
Os trabalhadores que quiserem se
formalizar como pequenos empresários vão contar, a partir
do dia 8 de fevereiro, com um novo sistema na internet. Mas a partir
de hoje, uma segunda geração do Portal do Empreendedor
estará disponível para uma fase de testes, segundo as
informações do secretário do Ministério
do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Edson
Lupatini Júnior. Ele acredita que com o novo sistsema, poderá
ser superada a meta de 1 milhão de trabalhadores formalizados
como empreendedores até o final deste ano.
“Estamos confiantes na
superação da meta”, disse o secretário. O
presidente da Federação Nacional das Empresas de Serviços
Contábeis (Fenacon), Valdir Pietrobon, concorda que o novo sistema
facilitará a formalização e afirma: “No momento
em que entrar em operação, teremos um boom”.
Segundo o ministério, a segunda geração do Portal
do Empreendedor terá uma fase de teste a partir de hoje. Depois
disso, a partir de 8 de fevereiro, o sistema estará disponível
em todos os estados. Atualmente, estão inseridos no sistema somente
São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná,
Santa Catarina, Espírito Santo, Ceará e Distrito Federal.
De acordo com Lupatini, o preenchimento
dos dados no sistema ficará mais simplificado e não haverá
necessidade de imprimir e assinar documentos presencialmente nas juntas
comerciais. Com o novo sistema, as informações necessárias
serão: RG, CPF e CEP, nacionalidade, data de nascimento, ponto
de referência do endereço e código da Classificação
Nacional de Atividade Econômica (CNAE). “O sistema foi concebido
para ser simples e ágil”, disse o secretário.
Balanço — O público-alvo do programa
Empreendedor Individual são os cerca de 11 milhões de
trabalhadores informais do país. Até o dia 10 deste mês,
foram registradas mais de 126 mil formalizações e quase
3 milhões de visitas ao portal, que entrou em funcionamento em
julho de 2009.
Lupatini disse que, para o empreendedor,
a principal vantagem da formalização está no direito
à cobertura previdenciária, “como qualquer outro
trabalhador”. Também há preferência para as
micro e pequenas empresas nas licitações do governo de
até R$ 80 mil. Outra vantagem é o acesso facilitado ao
crédito e com taxas de juros menores. O empreendedor formalizado
tem ainda direito à contratação de um funcionário
que receba o salário mínimo ou o piso da categoria.
Pietrobon orienta os trabalhadores informais interessados em se formalizarem
a procurarem empresas contábeis optantes pelo Simples Nacional
na hora da formalização.
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FOLHA DE LONDRINA, 18 de
janeiro de 2010 | Economia
FGTS impulsiona consórcio imobiliário
São Paulo - A aprovação, em dezembro, de novas
regras para a utilização de recursos do Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço (FGTS) em consórcios imobiliários
deve dar um novo impulso a esse instrumento financeiro, de acordo com
especialistas do setor.
Segundo estimativa da Associação
Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac), o número
de consumidores que possuem esse tipo de plano para a aquisição
de imóveis deve fechar 2009 com alta de cerca de 3,6%. Para este
ano, entretanto, a expectativa é de crescimento de 10%.
Antes, só era permitido
usar o FGTS para dar um lance no consórcio e obter a carta de
crédito. Agora, pode-se empregar o dinheiro para pagar parcelas,
amortizar o saldo devedor ou quitar o plano.
O consórcio sempre foi
visto pelos consumidores com um certo preconceito, mas pode ser uma
opção atraente se o interessado em adquirir um imóvel
conhecer bem o produto e analisar se as suas metas e interesses casam
com as características do instrumento.
O ideal é que o interessado
tenha um prazo de médio a longo para comprar sua casa ou seu
apartamento - por exemplo, pensa em casar ou aumentar a família
dali a três ou quatro anos- e também que possua alguma
reserva de recursos, a qual tenha condições de ir engordando
ao longo do tempo, para dar um lance quando estiver mais próximo
do momento em que precisará do imóvel. O segredo para
dar certo é um bom planejamento.
''A vantagem do consórcio
é que o produto une um mecanismo de poupança programada
com o investimento na construção do patrimônio familiar'',
afirma Paulo Roberto Rossi, presidente-executivo da Abac.
Na prática, funciona
como um financiamento habitacional com custos bem pequenos - no caso,
uma taxa de administração de 1% a 1,5% ao ano, enquanto
o crédito convencional para imóveis cobra juros de até
12% ao ano.
''Se algum cliente me diz que
está adquirindo uma cota porque tem sorte e vai ser sorteado
logo, desencorajo. Não é a melhor alternativa, porque
pode decepcionar'', frisa Márcio Murad, gerente geral de seguros
do grupo Apsa.
Outros propósitos
Considerando as propriedades
do consórcio, os consumidores estão lançando mão
do produto para satisfazer desejos que não apenas o de conquistar
a sua primeira residência.
É cada vez maior o número
de pessoas que utiliza tal ferramenta para comprar uma casa de veraneio
na praia ou no campo.
Outra ideia é fazer um
consórcio para adquirir um imóvel como investimento. Quando
a sala comercial ou o apartamento efetivamente se materializar, é
possível utilizar o aluguel que render para abater as prestações
restantes.
Denyse Godoy
Folhapress
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Folha de S.Paulo, 18 de
janeiro de 2010
Nova regra do FGTS deve beneficiar
consórcio
Modalidade para a compra de imóveis é
indicada a quem pode esperar para pegar as chaves e tem capacidade de
poupar | Instrumento também está sendo cada vez mais usado
para a aquisição de imóveis de veraneio ou para
os que servirão para investimento
DENYSE GODOY
DA REPORTAGEM LOCAL
A aprovação, em
dezembro, de novas regras para a utilização de recursos
do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) em consórcios
imobiliários deve dar um novo impulso a esse instrumento financeiro,
de acordo com especialistas do setor.
Segundo estimativa da Abac (Associação Brasileira de Administradoras
de Consórcios), o número de consumidores que possuem esse
tipo de plano para a aquisição de imóveis deve
fechar 2009 com alta de cerca de 3,6%. Para este ano, entretanto, a
expectativa é de crescimento de 10%.
Antes, só era permitido usar o FGTS para dar um lance no consórcio
e obter a carta de crédito. Agora, pode-se empregar o dinheiro
para pagar parcelas, amortizar o saldo devedor ou quitar o plano.
O consórcio sempre foi visto pelos consumidores com um certo
preconceito, mas pode ser uma opção atraente se o interessado
em adquirir um imóvel conhecer bem o produto e analisar se as
suas metas e interesses casam com as características do instrumento.
O ideal é que o interessado tenha um prazo de médio a
longo para comprar sua casa ou seu apartamento -por exemplo, pensa em
casar ou aumentar a família dali a três ou quatro anos-
e também que possua alguma reserva de recursos, a qual tenha
condições de ir engordando ao longo do tempo, para dar
um lance quando estiver mais próximo do momento em que precisará
do imóvel. O segredo para dar certo, portanto, é um bom
planejamento.
"A vantagem do consórcio é que o produto une um mecanismo
de poupança programada com o investimento na construção
do patrimônio familiar", afirma Paulo Roberto Rossi, presidente-executivo
da Abac.
Na prática, funciona como um financiamento habitacional com custos
bem pequenos -no caso, uma taxa de administração de 1%
a 1,5% ao ano, enquanto o crédito convencional para imóveis
cobra juros de até 12% ao ano. O consumidor só precisa
ter certeza de que pode esperar alguns anos para pegar as chaves.
"Se algum cliente me diz que está adquirindo uma cota porque
tem sorte e vai ser sorteado logo, desencorajo. Não é
a melhor alternativa, porque pode decepcionar", frisa Márcio
Murad, gerente geral de seguros do grupo imobiliário Apsa.
Outros
propósitos
Considerando as propriedades do consórcio, os consumidores estão
lançando mão do produto para satisfazer desejos que não
apenas o de conquistar a sua primeira residência.
É cada vez maior o número de pessoas que utiliza tal ferramenta
para comprar uma casa de veraneio na praia ou no campo. Esse é
um objetivo que pode esperar para ser alcançado.
Outra ideia é fazer um consórcio para adquirir um imóvel
como investimento. Quando a sala comercial ou o apartamento efetivamente
se materializar, é possível utilizar o aluguel que render
para abater as prestações restantes.
Essencial, a fim de evitar problemas, é conferir se a instituição
que está vendendo o consórcio está devidamente
registrada no BC -é só consultar o site www.bcb.gov.br.
Além disso, é preciso ler com cuidado o contrato do produto
para saber como é feito o reajuste das parcelas e a organização
do grupo. Não custa, ainda, participar das assembleias para ver
o andamento do plano.
A Abac (www.abac.org.br) coloca os seus advogados à disposição
do consumidor para tirar dúvidas.
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Gazeta do Povo, 18 de janeiro
de 2010
Poupança
FGTS poderá ser aplicado em infraestrutura
em março
Cotistas terão a chance de direcionar
até 30% do saldo para financiar obras como rodovias e saneamento
São Paulo - Investir
em infraestrutura pode ser a saída para quem pretende obter mais
rentabilidade nos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS). A alternativa deve estar disponível para o trabalhador
a partir de março, quando está prevista a regulamentação
do Fundo de Investimento em Cotas (FIC-FGTS) administrado pela Caixa
Econômica Federal.
Por meio do FIC, o trabalhador
vai poder participar do Fundo de Investimento (FI-FGTS), que aplica
recursos do FGTS em energia, rodovias, portos, ferrovias, hidrovias
e saneamento. No ano passado, o FI obteve um rendimento de 9%, bem acima
dos 3,9% obtidos pela remuneração do FGTS.
A aplicação será
limitada a 30% do saldo do trabalhador e terá carência
de um ano para o resgate. Durante esse período, o dinheiro
investido não poderá ser resgatado nem nos casos previstos
nas regras para saque do FGTS, como demissão e compra da casa
própria. O investimento também terá riscos. Se
o fundo der prejuízo, o trabalhador vai arcar com as
perdas, e o pior, não vai poder resgatar o dinheiro antes
do prazo mínimo previsto. Ao contrário do FGTS, que assegura
3% de ganho ao ano, o FIC não terá
rentabilidade garantida.
Mesmo com o risco envolvido
na aplicação, para o presidente do Instituto FGTS Fácil,
Mario Avelino, a aplicação compensa. “Esse instrumento
vai ser uma opção para aumentar o rendimento do fundo
e, na minha opinião, o risco é praticamente nulo”,
diz. Avelino projeta um rendimento de 10% para o FI-FGTS nos próximos
anos, graças ao perfil de investimento do fundo. “O fundo
investe nos projetos mais rentáveis do PAC [Programa de Aceleração
do Crescimento]”, diz.
Embora o governo tenha aberto
a possibilidade de investimento de até 30% do saldo do FGTS,
Avelino diz que dificilmente o trabalhador vai poder fazer a aplicação
máxima. Isso porque o total de investimento dos trabalhadores
no FIC, inicialmente está limitado em R$ 5 bilhões.
Como a procura deve superar esse valor, será feito
um rateio proporcional ao volume de pedidos. Avelino estima que a demanda
pelo FIC vai chegar a R$ 20 bilhões, quatro vezes mais que o
liberado pelo governo. Nesse caso, o máximo que o trabalhador
poderia investir seria 7,5% de seu saldo.
Participação
Dependendo da procura, o governo
também deve autorizar a ampliação da cota dos trabalhadores
no fundo, em pacotes de R$ 5 bilhões. A ampliação
das cotas também deve seguir a procura por investimento em infraestrutura
do país. De acordo com o secretário executivo do Conselho
Curador do FGTS, Paulo Furtado, a necessidade de investimentos
nas áreas em que o FI-FGTS atua é de R$ 31 bilhões.
Atualmente o FI-FGTS administra
um patrimônio de R$ 17,1 bilhões, dos quais R$ 14,5 bilhões
já foram desembolsados em projetos de financiamento de infraestrutura.
De acordo com o vice-presidente de gestão de ativos de terceiros
da Caixa, Bolivar Moura, responsável pela coordenação
do fundo, a maioria dos recursos (80%) está aplicada em renda
fixa, enquanto o restante está em renda variável. “O
fundo também pode adquirir ações de empresas ligadas
à infraestrutura”, afirma.
A entrada em funcionamento do
FIC depende ainda de aprovação da Comissão de Valores
Mobiliários (CVM). Embora a estimativa em setores do governo
seja que o fundo comece a operar em março, a CVM não forneceu
estimativa de quando deve aprovar a regulamentação do
FIC.
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O ESTADO DO PARANÁ,
18 de janeiro de 2010 | Economia
Calote no FGTS atingiu R$ 11 bilhões
em 2009
Agência Estado
O calote das empresas no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS) do trabalhador brasileiro atingiu R$ 10,981 bilhões no
fim de 2009. Segundo a Caixa Econômica Federal, que administra
o fundo, o valor das dívidas classificadas em balanço
como "a recuperar" cresceu R$ 1,243 bilhão em relação
ao estoque verificado em 31 de dezembro de 2008, de R$ 9,738 bilhões.
Desse total, R$ 659,859 milhões
referem-se a notificações de cobrança administrativa,
enquanto outros R$ 868,730 milhões são débitos
inscritos em dívida ativa. A maior parcela da dívida,
no valor de R$ 9,453 bilhões, encontra-se em fase de cobrança
judicial.
"A sonegação
é muito grande", diz o representante da Força Sindical
no Conselho Curador do FGTS, Jair Francisco Mafra. Segundo ele, a fiscalização
melhorou nos últimos dois anos, mas o número de fiscais
do Ministério do Trabalho é limitado e precisaria ser
ampliado. "Precisamos ter mais fiscais de trabalho nas empresas,
não basta ficar só na intimidação."
Os dados da Caixa mostram ainda que o montante das dívidas classificadas
como "em recuperação", cujo pagamento foi parcelado,
somava R$ 2,973 bilhões em 31 de dezembro do ano passado. No
fim de 2008, o valor era maior, de R$ 3 bilhões. "A recuperação
de contribuições, somente no ano passado, foi de R$ 1,2
bilhão", destaca o superintendente nacional do FGTS na Caixa,
Joaquim Lima de Oliveira.
Para Avelino, o trabalhador
é que deve ser o principal fiscal do FGTS. "Ele deve estar
atento; caso o depósito não esteja em dia, ou valor incorreto,
aconselho a fazer denúncia ao Ministério do Trabalho ou
no próprio sindicato da categoria." Os depósitos
mensais devem ser no valor de 8% das remunerações que
são pagas ou devidas. A Caixa envia bimestralmente o extrato
do fundo para o endereço residencial de todos os trabalhadores.
No caso de não receber o documento, deve-se ir até uma
agência da Caixa, levando a carteira de Trabalho e um comprovante
de residência para resolver o problema.
Outra forma de saber se os depósitos
estão sendo feitos regularmente é por meio da internet.
No site da Caixa (www.caixa.gov.br/fgts) é só clicar no
link "Saldo do FGTS". É necessário ter o número
do PIS em mãos.
Quando uma empresa dá
calote no fundo, perde o trabalhador, que fica sem a sua proteção,
e diminui a capacidade do governo de financiar obras em áreas
como saneamento e habitação.
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Folha de S.Paulo, 18 de
janeiro de 2010
Dados do BC e sobre inflação
são destaque na semana
Nos EUA, preços ao produtor e habitação
estão na agenda
DA REPORTAGEM LOCAL
A semana começa em ritmo
mais lento, com o feriado do Dia de Martin Luther King nos Estados Unidos
hoje.
No Brasil, os investidores estarão atentos à apresentação
da pesquisa semanal Focus.
Realizada pelo Banco Central com cerca de cem instituições
financeiras, a pesquisa traz as projeções para tópicos
como inflação, PIB, dólar e juros em 2010 e em
2011. Na semana passada, chamou a atenção o fato de o
Focus ter mostrado, pela primeira vez, a projeção de que
a taxa básica de juros chegará a 11% no fim deste ano.
A Selic está hoje em 8,75% ao ano e o mercado prevê que
ela seja elevada até dezembro.
Além dos juros, os investidores estão atentos às
expectativas para o IPCA, índice de preços que o governo
utiliza para monitorar a meta de inflação.
Na semana passada, a expectativa para o IPCA no ano ficou em 4,5%, em
consonância com a meta oficial. Quanto mais pressionada for a
meta de inflação, maiores as perspectivas de elevação
da taxa de juros.
"Em um ambiente de demanda bastante aquecida como o atual, preocupa
a reação dos agentes de mercado e dos formadores de preços
diante da elevação nos índices de inflação
correntes. Sendo assim, esperamos que as expectativas de mercado para
o IPCA em 2010 e em 2011, que já se encontram na meta (4,5%),
sofram alguma elevação ao longo das próximas semanas,
aumentando ainda mais as pressões por uma elevação
dos juros nos próximos meses", avalia Maristella Ansanelli,
economista-chefe do banco Fibra.
Para complementar as discussões sobre inflação
e juros, na sexta-feira o IBGE vai apresentar os números do IPCA-15.
A expectativa é que o indicador aponte alta de 0,45%. Na medição
anterior, ficou em 0,38%.
O IPCA-15 é uma espécie de prévia do IPCA, o índice
oficial, que baliza a meta de inflação. Dessa forma, é
acompanhado com bastante interesse, por indicar o futuro do principal
índice de preços do país.
Dados
externos
A agenda fica mais intensa no exterior na quarta-feira, quando será
apresentado nos EUA o resultado do PPI (índice de preços
ao produtor) de dezembro. A expectativa é que o índice
tenha ficado estável.
Ainda na quarta, saem nos EUA dados referentes a construções
de residências, a pedidos de licenças de novas construções
e a solicitações de empréstimos hipotecários.
Na quinta-feira, a agenda americana traz dados de pedidos de seguro-desemprego
e dos indicadores antecedentes -importante termômetro para avaliar
o ritmo da economia.
Nesse dia, é provável que o que mais chame a atenção
dos investidores seja a apresentação dos dados de atividade
e inflação na China, referentes ao mês de dezembro.
Cada vez mais os dados econômicos da China têm tido influência
no mercado financeiro internacional, devido ao peso crescente do gigante
asiático no comércio mundial.
Se a China vai bem, o comércio internacional mantém-se
mais aquecido.
A continuidade da divulgação dos balanços de 2009
das companhias norte-americanas promete também ser destaque nos
próximos dias. Na semana passada, a empresa do setor de alumínio
Alcoa abriu a safra de balanços e decepcionou o mercado com números
fracos.
"O foco das atenções continuará sobre os balanços
norte-americanos, que prometem esquentar nos próximos dias. A
agenda macroeconômica é fraca na semana que entra",
afirma José Góes, economista da Wintrade.
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O ESTADO DO PARANÁ,
18 de janeiro de 2010 | Economia
Salário mínimo subirá
a partir de março na Venezuela
Agência Estado
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou na sexta-feira
que a partir de março haverá um aumento de 10% no salário
mínimo nacional. Em setembro, haverá aumento de outros
15%, para que o poder aquisitivo dos trabalhadores se recupere.
Chávez disse que a medida
valerá para funcionários públicos e privados. "Isso
levará o salário mínimo para quase 1.200 bolívares
(US$ 521, pelo câmbio oficial de 2,6 bolívares por dólar),
sem incluir outros benefícios", notou o presidente.
O anúncio ocorreu uma semana depois de o presidente alterar a
taxa de câmbio vigente desde 2005. Chávez estabeleceu as
paridades de 2,6 bolívares por dólar, para transações
consideradas prioritárias, e de 4,3 bolívares por dólares
para atividades consideradas supérfluas.
Para analistas, a desvalorização
implicará aceleração inflacionária e afetará
o poder de compra dos venezuelanos, que sofrerão uma perda de
sua renda real de entre 30% e 40%. Em 2009, a Venezuela teve uma inflação
de 25,1%, a mais alta da região.
As mudanças econômicas
ocorrem oito meses antes das eleições para a Assembleia
Nacional, atualmente dominada pela situação. Oposicionistas
acusam Chávez de anunciar as mudanças para ganhar força
eleitoral. Chávez rebateu as críticas, dizendo que o aumento
de salários busca apenas melhorar as condições
de vida dos mais pobres. As informações são da
Associated Press.
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Blog
Cidadania.com, 18 de janeiro de 2010
Transformismo ideológico:
desde quando o PSDB é de esquerda?
O PSDB anda se proclamando “de esquerda”
e é preciso desmontar essa empulhação. Esquerda não
pode ser privatizante e o PSDB é; esquerda não pode dizer
que programas sociais são “esmola” e o PSDB diz; esquerda
não pode defender “Estado mínimo” e o PSDB defende.
Por Eduardo Guimarães, no blog
Cidadania.com
Claro que os tucanos negam tudo isso. No Brasil, sobretudo depois de Lula,
ninguém quer ser de direita. Contudo, os milhares de textos que
simpatizantes e militantes tucanos escreveram nos últimos sete
anos provam o contrário. Está tudo escrito e será
apresentado como prova do transformismo ideológico desse pessoal.
A eleição
deste ano, pois, deveria ser uma barbada para Dilma Rousseff em razão
dos resultados que o país vem colhendo de políticas diametralmente
diferentes das pregadas pelo PSDB, mas não será. E uma
boa indicação disso é o que está acontecendo
no processo sucessório no Chile.
Michele Bachelet, presidente
chilena, tem uma aprovação tão alta quanto a de
Lula e, ainda assim, seu candidato, apesar de chegar à eleição
deste domingo tecnicamente empatado com o candidato da assustadora direita
chilena, corre o risco de perder uma eleição que deveria
estar ganha.
Como escrevo antes de ser conhecido
o resultado da eleição no Chile, é até possível
que o ex-presidente Eduardo Frei, candidato de Bachelet, vença.
Contudo, ao se dar crédito às pesquisas de intenção
de voto, seria uma vitória por margem extremamente apertada.
Para entender o que acontece
naquele país e que a direita brasileira acha que poderá
acontecer por aqui, basta lançar um olhar sobre os erros cometidos
pela Concertação (aliança de centro-esquerda que
governa o Chile desde que Pinochet largou o osso) diante da tática
da direita de negar ser o que é exatamente como os tucanos estão
fazendo.
No primeiro turno chileno, a
esquerda se dividiu graças a um candidato que se diz “de
esquerda”, Marco Enríquez Ominami. Foi ele quem mais colaborou
para o fortalecimento da candidatura de Sebastián Piñera,
apoiado pela ultradireita pinochetista.
Ominami teve nada mais, nada
menos do que 20% dos votos no primeiro turno da eleição
chilena, no mês passado. Se tivesse apoiado Frei, a eleição
teria sido liquidada em primeiro turno e teria sido eliminado o risco
de volta dos seguidores póstumos de Pinochet.
Em vez disso, vejam a declaração
que o tal candidato “de esquerda” acaba de dar lá
no Chile depois de votar: “Continuo acreditando que os dois candidatos
representam o passado. Não vou negociar nada, não participarei
de nenhum governo, serei opositor de ambos”.
Os eleitores de Ominami, contudo,
não pensam como ele. Frei passou de 36% no primeiro turno para
49% nas pesquisas para o segundo, ou seja, a maioria de seus eleitores
não quer a volta dos pinochetistas ao poder.
Aqui no Brasil, acontece a mesma
coisa. Políticos que se dizem de “esquerda” estão
trabalhando pela candidatura Serra ao dizerem que Lula é “de
direita”.
Ao agirem assim, esses que se
dizem “de esquerda” apoiam, indiretamente, um político
ligado a gente que quer entregar o Pré Sal a empresas petrolíferas
estrangeiras, que prega “Estado mínimo”, que quer
novas privatizações, que chama programas sociais de “esmola”,
que queria que o governo cortasse gastos para combater a crise etc.
Tanto no Chile quanto no Brasil,
portanto, esquerda e direita estão muito bem definidas. Ser de
esquerda é acreditar que um país como este precisa de
um Bolsa Família e de um Estado forte e é repudiar o apoio
de gente que cultua a memória e os métodos de um dos maiores
assassinos que o mundo já conheceu.
Nesse aspecto, o discurso de
Lula e de Dilma procura marcar diferença em relação
a Serra ao martelar que o Estado precisa ser o promotor do desenvolvimento
e o regulador das tensões sociais.
Mas é pouco, penso eu.
É preciso desmascarar essa tentativa dos tucanos e de seu candidato
de ludibriarem a sociedade dizendo-se “de esquerda”. A diferença
entre as propostas do PSDB e do PT é flagrante.
Acho, inclusive, que, conforme
a eleição for ficando mais dura para Serra, ele poderá
adotar o discurso de Lula sobre o papel do Estado, sobre os programas
sociais, etc. Por isso, a melhor vacina contra a empulhação
tucana será resgatar seus discursos nestes anos todos.
Aliás, essas pessoas
que vivem chamando o Bolsa Família de “esmola” precisam
continuar escrevendo e falando. Eu mesmo darei a esse pessoal todo o
espaço que quiser para recitar seus dogmas. Só pedirei
que deixe bem claro em quem pretende votar.
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Vermelho, 18 de janeiro
de 2010
PSOL e PSTU planejam central sindical
conjunta. E o fator Marina?
Depois de marcharem unidos nas eleições
presidenciais de 2006, PSOL e PSTU — dois partidos que nasceram
de rachas do PT — caminhavam para um namoro também no sindicalismo.
O objetivo mais ousado da dupla era promover, em junho deste ano, um
“congresso de unificação”, para reunir suas
tendências sindicais e fundar uma “central unitária”.
Por André Cintra
O editorial de uma edição de novembro do jornal Opinião
Socialista, do PSTU, acusava o governo Lula (pasme-se!) de ter o apoio
dos trabalhadores e das “maiores entidades do movimento sindical,
estudantil e popular, como a CUT e a UNE, além do próprio
MST”. Adiante, admitia o óbvio: “A Conlutas (Coordenação
Nacional de Lutas, ligada ao partido) se reconhece como uma expressão
minoritária”.
Daí a resolução
do Seminário Nacional de Reorganização Sindical,
em novembro, no sentido de criar a sétima central sindical brasileira,
unificando a Conlutas com a Intersindical (coordenada pelo PSOL) e outras
entidades. A favor da iniciativa havia uma resolução do
2º Congresso Nacional do PSOL, em agosto, quando 95% dos delegados
aprovaram a fusão entre as tendências sindicais dos dois
partidos. Pouco depois, em dezembro, uma reunião da direção
da direção nacional do PSTU ratificou a decisão.
Noves fora essa euforia, o maior
estorvo da pré-central já está posto: o possível
apoio do PSOL à candidatura presidencial da senadora Marina Silva
pelo PV. Ainda em novembro, apenas dez dias após a realização
do Seminário, o PSOL formou uma comissão para tratar dos
termos da coligação com a ex-petista.
E o PSTU chiou: disse que a
direção do PSOL estava “na contramão do sentimento
de boa parte de sua própria base”, chamou o PV de “partido
de aluguel” (que, “em inúmeras cidades ou estados”,
faz parte da “base aliada de governos de direita”) e qualificou
como “desastrosa” a atuação da senadora no
Ministério do Meio Ambiente.
“Se a candidatura Marina
não representa uma diferença significativa, nem do ponto
de vista ambiental, tampouco político, qual o interesse do PSOL?”,
questionou o PSTU. “Para disfarçar um claro interesse eleitoral,
a direção do PSOL é obrigada a empreender um verdadeiro
malabarismo teórico, criando categorias e caracterizações
para Marina como ‘candidatura marginal da burguesia’ ou
‘ruptura progressista’ do PT.”
Uma semelhante incoerência
Quando comemorou a possibilidade
de criar uma central esquerdista e anti-Lula, o jornal do PSTU fez uma
ressalva: “Os próximos meses até o congresso de
unificação serão longos e difíceis. Nada
ainda está garantido. Inúmeros obstáculos podem
surgir pelas diferenças que já existem entre as forças
reunidas no seminário”.
Até que se prove o contrário,
o celebrado encontro da unificação já tem tudo
definidíssimo: a data (4, 5 e 6 de junho), o local (Santos) e
até o nome (Congresso da Classe Trabalhadora). Se o PSTU acusa
o PSOL de se aliar ao PV por “interesse eleitoral” —
e se o fator Marina já deixou tão claras as tais “diferenças
que já existem entre as forças” —, o que ainda
põe Conlutas e Intersindical no rumo da unificação?
Talvez algum tipo de “interesse sindical”?
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O ESTADO DO PARANÁ,
18 de janeiro de 2010 | Política
TSE poderá autorizar doações
por cartão e internet
Agência Estado
Quem quiser doar dinheiro para campanhas eleitorais neste ano poderá
ser autorizado a fazê-lo por meio de cartão de crédito
e pela internet. A novidade está prevista numa minuta de resolução
divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Outra minuta tentará
reprimir as doações que não permitem a identificação
dos candidatos beneficiados e que são conhecidas como doações
ocultas. Relator das instruções voltadas para as eleições
de 2010, o ministro Arnaldo Versiani decidiu discutir as minutas em
audiências públicas no início de fevereiro.
Posteriormente, os textos deverão
ser aprovados pelos ministros do TSE. Todas as instruções
têm de ser aprovadas até 5 de março. O primeiro
turno da eleição está marcado para 3 de outubro,
e o segundo, para 31 de outubro.
Na resolução sobre
o uso de cartões de crédito, o TSE deve especificar que
esse tipo de doação só poderá ser feito
por pessoas físicas. Deverão ser proibidas as doações
por meio de cartões de empresas e de órgãos da
administração públicas, além dos cartões
emitidos no exterior. Haverá um limite para o valor que poderá
ser doado: 10% dos rendimentos brutos recebidos pela pessoa no ano anterior
à eleição.
De acordo com a resolução
que tenta impedir as doações ocultas, os partidos deverão
especificar a origem dos recursos repassados aos candidatos. Nas eleições
anteriores, os doadores repassavam valores aos partidos, e não
eram identificados os candidatos que seriam beneficiados. E os partidos
distribuíam o dinheiro sem divulgar a fonte.
Pela resolução,
partidos e candidatos poderão receber recursos de pessoas físicas,
jurídicas, do Fundo Partidário, de outros candidatos,
comitês financeiros ou partidos políticos e dinheiro decorrente
da comercialização de bens ou realização
de eventos. O limite de doação para as pessoas jurídicas
é de 2% do faturamento bruto do ano anterior à eleição.
Quem quiser se candidatar,
mas estiver respondendo a processo criminal na Justiça terá
de apresentar certidões com detalhes atualizados de cada uma
das ações. Pela resolução, os pedidos de
registro de candidaturas devem ser solicitados pelos partidos e coligações
até o dia 5 de julho.
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Folha de S.Paulo, 18 de
janeiro de 2010
Metalúrgicos terão
aulas sobre sindicalismo
Sindicato do ABC arrematou prédio por
R$ 1,2 mi para abrigar curso; presidente nega abordagem eleitoral
CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL
Ponto de partida da trajetória
política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Sindicato
dos Metalúrgicos do ABC arrematou um prédio -por R$ 1,2
milhão- para abrigar um curso de formação e qualificação
dos seus cerca de 100 mil filiados.
Destinado a contar a história das negociações coletivas
desde a década de 80 -quando o sindicato foi presidido por Lula-
o curso terá início, em caráter experimental, na
semana seguinte ao Carnaval.
No último acordo coletivo, com vigência de 2009 a 2011,
as montadoras cederam à reivindicação do sindicato
de liberação do empregado um dia por ano, sem desconto
em folha, para um curso de oito horas. Cabe ao sindicato oferecer aulas
e refeição.
Em 2010, o curso atenderá 120 alunos por semana, num projeto-piloto.
Mas a meta fixada para daqui a cinco anos é reunir 650 trabalhadores
por dia em sala de aula. Antes, o novo prédio, que abrigava um
curso supletivo, deverá ser demolido para uso do terreno de 1.180
metros quadrados.
Apesar da coincidência com o calendário eleitoral, o presidente
do sindicato, Sérgio Nobre, rechaça o risco de exploração
política.
Além de "desmoralizar o programa", a abordagem eleitoral
seria desnecessária.
Segundo Nobre, os metalúrgicos continuariam a adorar Lula "ainda
que seu governo fosse uma bosta".
"Se Lula tem 80% de apoio no Brasil, entre os metalúrgicos
tem 200%. Não precisa pedir nada para ninguém. Se dependesse
dos metalúrgicos, ele seria presidente já em 1989",
argumentou Nobre, alegando que a aprovação da proposta
consumiu seis anos de negociações.
Diretor do departamento de formação do sindicato, Walter
de Souza explica que, inspirado no modelo canadense, o curso nasceu
da constatação de que mais da metade dos metalúrgicos
do ABC tem pouco mais de 30 anos e desconhece a evolução
do processo de negociação com as fábricas.
Segundo Nobre, é preciso que os trabalhadores valorizem as conquistas
e entendam que elas "não vieram de graça". O
curso incluirá uma comparação dos direitos dos
metalúrgicos com os de outras categorias.
"Se for olhar para o Brasil, a maioria, 70% dos brasileiros, ganha
até dois salários mínimos. Uma merreca", disse
Nobre, para quem uma vitória do PSDB seria um retrocesso para
os movimentos sociais.
Doutora em ciências sociais e educação, a professora
Kimi Tomikazi acompanhará o curso para consolidação
de uma base de dados sobre a categoria metalúrgica no ABC. A
pesquisa diz que contará com a participação de
alunos da USP. "Essa formação viria para sensibilizar
os trabalhadores sobre o quanto a negociação, que fica
tão estratosférica, tem a ver com o cotidiano deles e
abrir as portas para que se aproximem do sindicato", diz Kimi.
Segundo Nobre, o sindicato ainda não tem calculado o custo de
todo o programa e poderá pedir empréstimo ao BNDES (Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para a construção
do prédio.
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