 |
Folha de S.Paulo, 19 de janeiro de 2010
Foco
Sindicalistas preparam atos por jornada
menor e lei para terceirizados
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
As centrais sindicais preparam
manifestações e paralisações em empresas
e comércios com jornada de trabalho superior a 40 horas semanais
para pressionar a votação da proposta de emenda constitucional
que reduz a jornada no país. O calendário de protestos
deve ser definido em reunião nesta semana com CUT, Força
Sindical, UGT, CTB, CGTB e Nova Central Sindical.
Também está na pauta o projeto de lei que cria regras
para a terceirização, feito pelo Ministério do
Trabalho com sindicatos. "A ideia é pedir prioridade à
tramitação do projeto", disse Quintino Severo, secretário-geral
da CUT. Os dois temas -diminuição da jornada sem redução
de salário e regras para a terceirização- devem
causar embate entre representantes de patrões e empregados no
Congresso.
O principal argumento das centrais é que a redução
da jornada de 44 horas para 40 horas semanais -com aumento do valor
da hora extra, de 50% para 75% para evitar que empresas compensem o
corte com horas adicionas- criará 2 milhões de vagas no
país.
Já os empresários afirmam que vários países
cortaram a jornada sem conseguir aumento de vagas -a exemplo do que
ocorreu no Brasil em 1998, quando a jornada passou de 48 para 44 horas
semanais. Com a redução da jornada, micro, pequenas e
médias empresas terão de arcar com custos elevados, que
podem comprometer o emprego, segundo entidades empresariais.
|
Agência Diap, 19 de
janeiro de 2010
Uma contribuição
acerca do debate sobre a terceirização no Brasil
Um artigo interessante para entender como
os empresários pensam resolver as questões relativas ao
trabalho terceirizado no Brasil.
Trata-se de texto de um advogado
trabalhista, mas este expressa fielmente a visão do capital sobre
o tema.
O artigo pode ajudar os dirigentes
sindicais no debate com os empresários e seus representantes
em relação ao tema, que promete esquentar quando forem
retomadas as atividades no Congresso.
O Ministério do Trabalho
e as centrais sindicais construíram uma proposta que será
encaminhada para análise da Casa Civil e em seguida será
remetida para discussão na Câmara dos Deputados.
No anteprojeto, propõe-se,
entre outros temas, que os tomadores de serviço terão
responsabilidade solidária diante de eventuais créditos
devidos pela prestadora de serviços a seus empregados.
Este dispositivo da proposta
está tirando o sono dos empresários, que no Brasil não
gostam de correr os riscos inerentes à atividade empresarial.
Ou seja, querem lucro farto e garantido e risco zero. Assim é
fácil!
Leia o artigo:
Terceirização:
risco trabalhista, necessidade empresarial
Alessandro Rangel Veríssimo dos Santos*
A busca pela diminuição
dos custos com atividades periféricas e a ausência de regulamentação
específica a respeito da questão, caracterizaram a terceirização
de serviços como um procedimento arriscado sob o aspecto jurídico,
porém estratégico do ponto de vista econômico e
financeiro às empresas.
De um lado, a omissão
do legislador fez com que a Justiça trabalhista contornasse tal
situação ao editar uma Súmula de Jurisprudência,
a fim de regular as consequências observadas na relação
de trabalho.
Todavia, essa precária
"regulamentação", se é que assim pode-se
chamar, fez com que a terceirização dos serviços,
sob o aspecto trabalhista, flutuasse sobre terreno pantanoso, visto
o subjetivismo com que a questão é encarada pelo Poder
Judiciário, de modo a tornar deveras arriscada a adoção
desse procedimento pelas empresas.
De outro lado, as características
do capitalismo, a necessidade de especialização dos serviços
e a concorrência de mercado serviram como combustível inevitável
à adoção da terceirização dos serviços.
E é nesse cenário
de incertezas jurídicas e necessidades econômicas que os
empregadores se situam, de forma a se verem constantemente pressionados
a terceirizar parte de suas atividades para não sucumbir à
concorrência de mercado.
Como consequência,
acabam por se expor aos riscos decorrentes de análise subjetiva
pelo Poder Judiciário deste procedimento que, embora não
seja ilegal, carece de regulamentação específica.
A solução
mais adequada para a segurança na terceirização
dos serviços é a imediata regulamentação
desse procedimento, visto o capitalismo ser uma realidade imutável
em nossa sociedade.
Por conta dessa insegurança
jurídica e da necessidade econômica das empresas, o Ministério
do Trabalho, em conjunto com algumas centrais sindicais, elaborou uma
proposta de projeto de lei visando regulamentar essa relação.
Contudo, alguns dos dispositivos
contidos nesse projeto de lei, que antes de ser encaminhado ao Congresso
Nacional para votação deverá ser enviado à
Casa Civil, já causam polêmica junto à sociedade.
Entre eles pode-se citar
o dispositivo que prevê a responsabilidade solidária da
tomadora de serviços perante eventuais créditos devidos
pela prestadora de serviços a seus empregados, ou, ainda, aquele
que versa sobre a obrigatoriedade da tomadora de complementar o salário
dos terceirizados por meio de uma "bonificação"
ou "gratificação", a fim de igualá-los
ao piso salarial, previsto na norma coletiva, aplicável aos seus
empregados.
É importante ressaltar
que a polêmica a respeito desses e de outros dispositivos contidos
na mencionada proposta de projeto de lei é salutar para toda
a sociedade, principalmente neste momento embrionário, de forma
a possibilitar alterações e ajustes necessários,
que atendam aos interesses de todos os envolvidos, sejam sindicalistas,
empresários e empregadores.
Porém, enquanto perdurar
essa discussão e a lei não for sancionada, a insegurança
jurídica e a necessidade empresarial persistirão - motivo
pelo qual se mostra de suma importância que o processo de terceirização
empresarial seja precedido de um minucioso trabalho jurídico-preventivo,
a fim de que os riscos existentes sejam minimizados e os interesses
empresariais eficazmente atingidos.
(*) Advogado especializado em Direito
do Trabalho, sócio do escritório Rodrigues Jr. Advogados
e membro da Comissão de Direito Empresarial do Trabalho da OAB
- alessandro.santos@rodriguesjr.com.br Este endereço de e-mail
está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript
para visualizá-lo.
|
Agência Diap, 19 de
janeiro de 2010
Empresários abrem baterias
contra regulamentação da terceirização
Diante da possibilidade de o Ministério
do Trabalho, em parceria com as centrais sindicais, construir um projeto
de lei com o propósito de regulamentar o trabalho terceirizado
no País, os empresários do setor abrem fogo contra essa
possibilidade.
O Cebrasse (Central Brasileira
do Setor de Serviços) por meio de seu presidente, Paulo Lofreta
divulgou matéria em que questiona a gestão do MTE em relação
à elaboração de proposta de texto legal para envio
ao Congresso Nacional, cujo objetivo é resolver esse imbróglio
do trabalho terceirizado no País.
Os empresários do setor
defendem o PL 4.302/98, com substitutivo do deputado Sandro Mabel (PR/GO),
cujo conteúdo é extremamente danoso para o trabalhador.
A posição dos
empresários não contribui com o debate e consequentemente
com a construção de uma solução equilibrada
para o problema dessa modalidade de relação de trabalho,
que nos moldes atuais é o caos para o trabalhador.
Três aspectos demonstram
que é preciso mudar essa situação dos trabalhadores
terceirizados no País, pois no quadro atual, esses têm
dificuldades de se aposentar, os seus salários são aviltados
e os seus direitos sociais são precários.
Leia íntegra
da matéria do Cebrasse contra o anteprojeto de lei em discussão:
"Empresários contra proposta de
regulamentação da terceirização
Recentemente, o ministro
do Trabalho e Emprego Carlos Lupi concluiu projeto de lei assegurando
ao empregado de empresas prestadoras de serviços os direitos
dos trabalhadores das tomadoras.
A medida provoca reações
dos empresários prestadores de serviços em todo o Brasil,
porque o MTE elaborou o projeto em parceria com as centrais sindicais
de trabalhadores, sem qualquer envolvimento de representantes da classe
empresarial.
O projeto prevê que
as tomadoras de serviços passem a ser solidariamente responsáveis
pelas obrigações trabalhistas, previdenciárias
e outras decorrentes do contrato, inclusive no caso de falência
da empresa prestadora de serviços.
Paulo Lofreta, presidente
da Central Brasileira do Setor de Serviços (Cebrasse), condena
a ausência de entidades empresariais numa tomada de decisões
relevantes para as relações de emprego no País.
De acordo com ele, Carlos Lupi mostra completo desprezo pela personalidade
jurídica das prestadoras de serviços.
"Como se um segmento
como o de prestação de serviços, que tem na mão
de obra seu maior insumo, não tivesse a menor importância
em decisões que têm fortes impactos na economia e na empregabilidade".
O empresário questiona se a pasta "é um Ministério
do Trabalho ou um Ministério do Trabalhador?".
O setor de serviços
pontua em 67% na composição do PIB, e o projeto do Ministério
do Trabalho impacta também todos os segmentos na interação
da cadeia produtiva nacional: serviços, comércio e indústria,
lembra Lofreta.
Para ele, quando afirma
que não há vínculo empregatício no processo
de terceirização, Carlos Lupi desconhece os procedimentos
operacionais e legais da modalidade de terceirização de
mão de obra.
Além da Carteira
Profissional assinada, trabalhadores terceirizados têm todos os
direitos de qualquer trabalhador e contam com benefícios como
vale-transporte, assistência médica e seguro de vida e,
em alguns casos, "até colônia de férias".
Outro projeto em tramitação
Há anos, a Cebrasse vem apoiando outro projeto que regulamenta
a terceirização: o de número 4.302/98, do deputado
federal Sandro Mabel (PR/GO).
"Sem dúvida
alguma, é essa melhor e mais rápida alternativa para termos
um marco regulatório para a terceirização, possibilitando
margem satisfatória de negociação entre as partes
envolvidas" esclarece Lofreta. Recorda que o projeto do deputado
goiano já teve dois relatórios aprovados na Câmara
e no Senado.
Laércio Oliveira,
presidente da Federação das Empresas de Asseio e Conservação
(Febrac) assegura que toda a "a artilharia contra a terceirização
tem origem nas bases do Governo".
De acordo com ele, além
do projeto de Carlos Lupi, existem outras dezenas deles, "produzidos
pela tropa de choque na bancada petista xiita, que se entrincheira na
Comissão do Trabalho da Câmara Federal, de onde dispara
os absurdos contra a terceirização".
Em São Paulo, o empresário
João Batista Diniz Junior, do Sindicato das Empresas de Segurança
Privada (Sesvesp), afirma que o projeto de Carlos Lupi é uma
"desconsideração da pessoa jurídica e decreta
o fim da terceirização".
Não haverá
praticamente benefício algum em terceirizar serviços,
quando o ônus da contratação ficar com o tomador
do serviço. Ressalta ainda que a medida vai na contramão
do que acontece em todos os demais países, e contraria preceitos
de liberdade econômica.
Na Bahia, Odair Conceição,
presidente do Sindicato das Empresas de Segurança Privada (Sindesp)
classificou de "aberração" o projeto do Ministério
do Trabalho, que levará o mercado ao total desinteresse pela
terceirização de serviços.
Reforça o argumento
de empresários de que os governos no País usam o pregão
para reduzir gastos nas contratações, "permitindo
assim que alguns empresários inconseqüentes leiloem salários
e direitos trabalhistas".
Consequências para
os trabalhadoresPara Aldo de Avila Junior, presidente do Sindicato das
Empresas de Asseio e Conservação do Estado de São
Paulo (SEAC/SP), os sindicatos laborais devem envolver-se na discussão
do projeto apresentado pelo ministro do Trabalho, "pois deverão
ser tão prejudicados quantos os empresários, já
que os nossos funcionários jamais serão aceitos após
concursos ou exames de seleção".
José Jacobson Neto,
presidente da Associação Brasileira das Empresas de Vigilância
(Abrevis) e demais entidades associadas à Central de empresários
concordam plenamente com a proposta de Avila Junior."
|
Agência Brasil, 19
de janeiro de 2010
Lupi defende criação
de índice internacional do emprego
Indicador tornaria mais claro o efeito das diversas políticas
econômicas sobre geração de postos de trabalho,
mantendo o emprego como o grande foco do debate econômico
O ministro do Trabalho e Emprego,
Carlos Lupi propôs, na última quarta-feira (6), aos governos
do Chile, México e Argentina a criação de um índice
universal para medir a evolução do emprego em todos os
países.
Segundo Lupi, o indicador tornaria
mais claro o efeito das diversas políticas econômicas sobre
geração de postos de trabalho, mantendo o emprego como
o grande foco do debate econômico.
- O emprego é o maior
mecanismo de distribuição de renda, mas continuamos usando
índices que interessam mais ao mercado financeiro, como o controle
da inflação e o produto interno bruto (PIB). Precisamos
de um índice que priorize o ser humano - afirmou Lupi, durante
encontro promovido pela Organização Internacional do Trabalho
(OIT) para a América Latina.
- O emprego deve orientar a
economia, e não o contrário.
O ministro citou como exemplo
o Cadastro Geral de Empregos e Desempregos (Caged) brasileiro, que todos
os meses apresenta um raio-x do mercado de trabalho do Brasil.
- Esses dados têm auxiliado
o Governo a orientar as políticas públicas e, graças
à sua constante divulgação na imprensa, conseguimos
trazer essa questão para o centro do debate.
A sugestão do Governo
Brasileiro foi elogiada pelo ministro do Trabalho Mexicano, Javier Lozano,
que em seguida propôs a adoção de um índice
que relacione o Produto Interno Bruto e a geração de empregos
formais.
- Sem dúvida o emprego
pleno deve ser uma preocupação nacional em toda a América
Latina. Precisamos construir um mecanismo que possa medir isso de forma
homogênea - pontuou.
Em seu discurso, o diretor geral
da OIT, o chileno Juan Somavia, também apoiou a iniciativa, lembrando
que a recuperação dos empregos será mais lenta
que a da economia.
Ele comparou o desempenho econômico
da América Latina a uma "montanha-russa", incapaz de
sustentar longos períodos de crescimento.
- Nosso desafio é mostrar
que o emprego merece tanto investimento como os bancos privados que
estavam ameaçados. Não faz sentido criar ações
apenas para proteger instituições financeiras. A recuperação
da bolsa de valores do Chile, por exemplo, não está tendo
reflexo sobre o mercado de trabalho do país - argumentou.
Durante a reunião foram
debatidos ainda temas como o papel dos bancos centrais no elaboração
de políticas de emprego e o risco de aumento da informalidade
no mercado de trabalho.
Houve consenso entre os ministros
de que é preciso criar melhores condições para
as pequenas e médias empresas, assim como manter a Agenda do
Trabalho Decente proposta pela OIT. (Fonte: Agência Brasil)
|
Folha de S.Paulo, 19 de
janeiro de 2010
Governo beneficia pequenas centrais
Ministério do Trabalho revoga trecho
de portaria que estabelecia critérios para entidades receberem
imposto sindical | Pequenas centrais sindicais com representação
nacional abaixo de 7% do total dos trabalhadores sindicalizados são
favorecidas por medida
JULIANNA SOFIA
EDUARDO RODRIGUES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O Ministério do Trabalho
revogou, discretamente, trecho de uma portaria editada em 2008 que estabelece
critérios para definição das centrais sindicais
que recebem dinheiro do imposto sindical. Com a decisão, entidades
que corriam risco de ficar sem o repasse da contribuição
neste ano deverão manter seus caixas cheios.
De janeiro a julho do ano passado, as centrais embolsaram R$ 74 milhões
provenientes do imposto sindical, e a tendência é que o
montante aumente neste ano com a expansão do mercado de trabalho
formal. Os números fechados de 2009 ainda não foram divulgados.
As centrais hoje reconhecidas são: CUT (Central Única
dos Trabalhadores), Força Sindical, UGT (União Geral dos
Trabalhadores), NCST (Nova Central Sindical dos Trabalhadores), CGTB
(Central Geral dos Trabalhadores do Brasil) e CTB (Central dos Trabalhadores
e Trabalhadoras do Brasil).
Para uma entidade ser alçada a central sindical, precisa comprovar
a filiação de sindicatos que representem, no mínimo,
7% do total de trabalhadores sindicalizados no Brasil.
Esse percentual, de acordo com o trecho revogado da portaria 194 (de
abril de 2008), valeria para os exercícios a partir de 2010.
Para os anos de 2008 e 2009, o limite fixado era de 5%.
Na semana passada, quase dois anos depois da edição da
norma, o ministério chegou à conclusão de que a
portaria extrapola a lei que legalizou as centrais sindicais no país.
A lei prevê que os 5% de representatividade têm vigência
de 24 meses após a publicação do texto sancionado
pelo presidente Lula -o que ocorreu em 31 de março de 2008. Cumprido
o prazo, valem os 7%.
Dessa forma, o limite de 5% deveria valer até março deste
ano. Somente a partir de então, seria aplicado o percentual superior
de 7% e não durante todo o exercício de 2010, como fixou
a portaria 194.
"A portaria deveria esclarecer dúvidas, e não extrapolar
a lei. Ela ignorou que o prazo de 24 meses acabaria no meio de um exercício",
afirma o secretário-adjunto de Relações do Trabalho,
André Grandizoli.
No entanto, com a revogação do dispositivo, o Ministério
do Trabalho passou a fazer uma interpretação polêmica
da lei, o que favorecerá as centrais de menor porte, que dificilmente
atingiriam o limite mínimo de 7% em março deste ano.
Pelo entendimento controverso do ministério, o limite de 5% será
aplicado até o início do ano que vem, e não apenas
até março, quando expira o prazo fixado na lei.
De acordo com a última contagem realizada pelo Ministério
do Trabalho, NCST, CGTB e CTB estavam abaixo de 7%. A UGT alcançou
pouco mais que esse percentual.
Pressão
Embora possam ser classificadas como nanicas, essas quatro centrais
(CTB, NCST, CGTB e a UGT, que estaria no limite da regra), juntas, respondem
por mais de 2.000 sindicatos. A Folha apurou que houve pressão
por parte das entidades junto ao ministro Carlos Lupi (Trabalho) para
a manutenção do status das centrais.
Segundo Grandizoli, a regra no Trabalho é aferir a representatividade
das centrais anualmente com base nas informações de trabalhadores
e sindicatos apuradas em dezembro do ano anterior. A norma é
descrita na própria portaria 194, nos trechos mantidos.
"A aferição é um momento estático.
É feita anualmente. Não posso fazer uma em março
e outra em dezembro. Estamos fazendo agora, com o limite de 5%, porque
não posso ir contra a lei. E isso valerá até o
ano que vem", justificou o secretário-adjunto. O resultado
deverá ser divulgado até o final do próximo mês,
segundo ele.
Em 2008, quando a lei das centrais entrou em vigor, o Ministério
do Trabalho realizou duas aferições: uma em maio, logo
após a publicação da lei, e outra em dezembro.
|
Folha de S.Paulo, 19 de
janeiro de 2010
Central diz que registro é
demorado
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Apesar de ganharem um ano a
mais para atingir os 7% de representatividade, as menores centrais sindicais
alegam que já teriam condições de alcançar
esse percentual neste mês. Mesmo assim, consideraram oportuno
o adiamento da aplicação do novo patamar.
Com a menor representatividade na última aferição,
publicada pelo Ministério do Trabalho em abril de 2009, CGTB
(Central Geral dos Trabalhadores do Brasil) acredita já ter atingido
os 7%, segundo seu secretário-geral, Carlos Alberto Pereira.
"Houve uma adequação do prazo, mas, desde a última
medição, incorporamos 58 novos sindicatos, alguns deles
de grande porte."
Segundo o diretor de comunicação da NCST (Nova Central
Sindical dos Trabalhadores), Sebastião Soares, a entidade, que
tinha apenas 5,47% em abril de 2009, considera a prorrogação
bem-vinda porque o processo de registro das filiações
no ministério é demorado. "Mais de 200 sindicatos
já filiados à NCST ainda não foram registrados",
afirmou.
O presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil),
Wagner Soares, avalia que a decisão ministerial foi acertada.
Para ele, a entidade, que, em meados de 2009 tinha 6,12% dos trabalhadores,
teria hoje 8% de representatividade, com 397 sindicatos filiados. "Nossa
meta é atingir 10% do total de sindicalizados do país
até o fim do ano", disse.
Já o presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores),
Ricardo Patah, argumenta que a correção do equívoco
era necessária, mas não ajudará a entidade, que
desde a contagem de dezembro de 2008 já tinha fatia superior
a 7% dos sindicalizados do país. "Nós nos consolidamos
em terceiro lugar entre as centrais e já devemos estar acima
dos 8%", disse.
Para o secretário-geral da CUT (Central Única do Trabalhadores),
Quintino Severo, mesmo com a alteração dos prazos, as
entidades menos representativas terão dificuldades para atingir
as exigências em 2011.
Para a Força Sindical, a revogação do trecho da
portaria garante o cumprimento da lei. Mas avalia que as entidades de
menor porte teriam dificuldades de cumprir o limite de 7%, caso entrasse
em vigor neste ano.
|
Brasília Confidencial,
19 de janeiro de 2010
Caixa Econômica proporá
acordo para revisão do FGTS
Pelo menos 63 mil trabalhadores aguardam sentença judicial que
lhes garanta revisão, mas a oportunidade de acordo será
estendida a quem não impetrou ação na Justiça
e a herdeiros
A partir do fim de janeiro,
trabalhadores contratados até 22 de setembro de 1971, que permaneceram
mais de três anos no emprego e optaram pelo FGTS, poderão
entrar em acordo com a Caixa Econômica Federal para receber a
revisão do fundo.
Em todo País, pelo menos
63.000 trabalhadores aguardam sentença judicial que lhes garanta
a revisão, mas a oportunidade de acordo será estendida
a quem não impetrou ação na Justiça e a
herdeiros de trabalhadores mortos.
Até o ano passado, a
prática usual da Caixa era contestar as ações e
apresentar recurso quando as decisões judiciais favoreciam os
trabalhadores.
Mas em outubro o Conselho Curador
do FGTS determinou à Caixa que parasse de recorrer. Agora, o
banco prepara as regras que orientarão os acordos.
"Até o fim de janeiro
devem sair as regras. Vamos informar quais documentos serão necessários
e o trabalhador deverá entregá-los em qualquer agência
da Caixa. Se tiver direito, após análise do banco, poderá
sacar", afirmou ontem o superintendente nacional do FGTS, Joaquim
Lima de Oliveira.
O valor extra é devido
a quem teve o fundo corrigido em 3% ao ano - na época, os juros
eram progressivos e chegavam a 6% ao ano após o 11º ano
de trabalho. Após 1971, foi estabelecido e vigora até
o juro de 3% ao ano.
O valor pago vai variar de R$
380 a R$ 17,8 mil, segundo o tempo de permanência no emprego.
O menor valor é para
quem permaneceu por até 10 anos no trabalho; de 11 a 20 anos
sobe para R$ 860; de 31 a 40 anos para R$ 12,2 mil; e com mais de 40
anos vai para R$ 17,8 mil. (Fonte: Brasília Confidencial)
|
O ESTADO DO PARANÁ,
19 de janeiro de 2010 | Economia
Caixa sugere consultar FGTS para ajudar
na fiscalização
Agência Estado
Os trabalhadores devem consultar seus extratos do Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço (FGTS), disponíveis no site www.fgts.gov.br,
e procurar a fiscalização do Ministério do Trabalho
caso seu empregador não esteja fazendo os depósitos devidos,
orientou o vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias da Caixa
Econômica Federal, Wellington Moreira Franco.
No fim do ano passado, o estoque
de dívidas acumuladas das empresas com o FGTS era de R$ 10,981
bilhões, como mostrou reportagem de O Estado de S. Paulo no sábado
passado.
Moreira Franco destacou que
o valor de quase R$ 11 bilhões corresponde ao acúmulo
de dívidas "ao longo de 46 anos" e que "90% disso
está em cobrança judicial".
Apenas R$ 659,859 milhões
do total estão em fase de notificações de cobrança
administrativa. São R$ 868,730 milhões inscritos na dívida
ativa e mais R$ 9,453 bilhões em fase de cobrança judicial.
Segundo o executivo, os resultados
de recuperação de crédito do FGTS no ano passado
foram superiores aos de 2008. Mesmo assim, segundo dados da Caixa mencionados
na reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, mais R$ 1,243 bilhão
se somaram ao estoque de dívidas acumuladas.
Os recursos que as empresas
devem ao FGTS deixam de ser empregados nas diversas finalidades sociais
do fundo, como financiar habitação e saneamento. "O
dinheiro do FGTS é uma poupança do trabalhador. Quando
não repassa o dinheiro do FGTS, a empresa comete crime de apropriação
indébita", disse Moreira Franco.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
19 de janeiro de 2010 | Economia
FMI alerta contra retirada de medidas
de estímulo
Agência Estado
O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, Dominique
Strauss-Kahn, reconheceu que a recuperação econômica
global está mais rápida do que o previsto, mas alertou
os governos contra a retirada antes da hora de medidas contra a crise.
Segundo ele, a demanda do setor
privado "ainda está muito fraca" na maior parte dos
países, enquanto as taxas de desemprego podem aumentar nos Estados
Unidos, Europa e Japão nos próximos meses.
"Se você sair cedo
demais (das medidas de estímulo), você corre o risco de
voltar à recessão", acrescentou. Embora o FMI não
esteja prevendo uma recessão com dois vales - ou uma volta da
recessão depois um período breve de crescimento - Strauss-Kahn
disse que "nunca se sabe. Isso pode ocorrer".
O problema é que muitos
governos e bancos centrais já exauriram muitas ferramentas de
sua caixa de medidas para sustentar o crescimento, disse ele. Se um
fim muito rápido às medidas de estímulo provocar
um novo declínio, "eu não sei o que poderemos fazer",
disse ele.
Embora Strauss-Kahn não
tenha respondido claramente à pergunta sobre o que acha das preocupações
em torno do aperto monetário na China, ele disse que "certamente
precisamos de um rápido crescimento" naquele país.
Segundo ele, a demanda do setor privado e as condições
do emprego, que podem ser os "melhores" indicadores para determinar
os prazos da retirada, estão fracas em muitas economias.
A demanda privada segue dependente
do gasto do governo e "não está em caminho sustentável"
em muitos países, disse ele. "Há um risco de aumento
do desemprego nos próximos meses" nos EUA e na Europa em
relação às suas taxas atuais de 10%, e no Japão,
onde hoje o desemprego está em 5%, disse ele.
Ele também destacou que,
se os bancos centrais mantiverem os mercados inundados em dinheiro por
tempo demais, outros problemas podem surgir, como bolhas de ativos.
A continuação
do gasto orçamentário agressivo pode aumentar a dívida
pública, que já está crescendo em muitas regiões.
Ainda assim, esses riscos são superados pelo risco de um novo
declínio, e "nosso conselho é ter muito cuidado com
a saída cedo demais".
Strauss-Kahn indicou que
o mesmo se aplica ao Japão. Embora o governo do país precise
de um plano para voltar a um "caminho mais sustentável em
termos de política fiscal", "a necessidade de evitar
qualquer risco de um novo declínio ainda está aí".
O nível da dívida pública do Japão é
o mais alto entre os países industrializados, a 180% do PIB.
As informações são da Dow Jones.
|
Folha de S.Paulo, 19 de
janeiro de 2010
CIMENTO
Votorantim disputa Cimpor, diz imprensa
portuguesa
DA REPORTAGEM LOCAL
De acordo com a imprensa portuguesa,
a CMVM (Comissão do Mercado de Valores Mobiliários), órgão
regulador do país, enviou ontem um questionamento ao grupo Votorantim
sobre o seu eventual interesse na Cimpor, após a publicação
de notícias de que a companhia brasileira contratou assessoria
jurídica e financeira para também fazer uma proposta pela
cimenteira.
A Cimpor vem sendo disputada pela CSN (Companhia Siderúrgica
Nacional), a qual anunciou em dezembro uma OPA (Oferta Pública
de Aquisição) a fim de adquirir o seu controle, e pelo
grupo Camargo Corrêa, que na semana passada sugeriu à empresa
uma fusão com a sua divisão de cimentos. Procurada, a
Votorantim não quis comentar o assunto.
No último sábado, a CMVM pediu à Camargo Corrêa
mais detalhes sobre o seu plano ou a retirada do lance, depois de a
CSN ter reclamado que os valores estabelecidos pela rival na transação
-não divulgados, mas estimados pelo mercado- estavam em desacordo
com a legislação portuguesa. Pelas regras, como uma proposta
já havia sido colocada anteriormente, a nova teria que ficar
pelo menos 2% acima. A da CSN era de 5,75 (cerca de R$ 15) por ação,
num total de 3,86 bilhões (R$ 9,8 bilhões).
A resposta saiu ontem, em comunicado: "Em face da posição
da CMVM, à qual responderá no devido tempo e da forma
adequada, a Camargo Corrêa está ponderando as opções
de que dispõe e comunicará oportunamente a decisão
tomada".
Ainda segundo a imprensa portuguesa, o governo do país está
conversando com os principais acionistas da cimenteira -entre os quais
há construtoras, empresários, bancos e fundos de investimento
e pensão- para que eles resistam às investidas brasileiras
de forma a evitar que o controle da sua principal empresa não
financeira passe para as mãos de estrangeiros.
(DENYSE GODOY)
|
Congresso
em Foco, 19 de janeiro de 2010
Um Senado que quase vale por dois
Despesas dos senadores com verba indenizatória
em 2009 dariam para pagar outros 81 senadores por oito meses
Renata Camargo e Edson Sardinha
Os parlamentares brasileiros gastam muito, e quem paga a conta é
o contribuinte. O Senado ressarciu R$ 10,74 milhões de despesas
que os senadores atribuíram ao exercício do mandato apenas
em 2009. Com o valor, seria possível manter outro Senado por quase
um ano. Mais precisamente, pagar oito meses de salário (R$ 16,5
mil) para outros 81 senadores. Trazendo os números para uma realidade
mais próxima do brasileiro, daria para garantir um salário
mínimo (R$ 510) a 21.058 trabalhadores ou, ainda, comprar 102.735
cestas básicas (tomando-se o valor mais alto, de São Paulo,
de R$ 104,54).
O Congresso em Foco apresenta hoje os detalhes de como cada senador foi
reembolsado, mês a mês, por meio da chamada verba indenizatória
no ano passado. Cada gasto, cada detalhamento. Os dados fazem parte de
levantamento feito pelo site no Portal da Transparência, do Senado.
Clique
aqui para ver os gastos dos senadores, por ordem alfabética
O benefício é destinado aos parlamentares para cobrir gastos
com aluguel de imóvel, materiais de escritório, locomoção,
consultoria, alimentação e outras despesas relacionadas
ao exercício do mandato. A verba é utilizada por meio de
ressarcimento, ou seja, os senadores fazem a compra e apresentam a nota
fiscal ao Senado. Cada parlamentar tem direito a gastar até R$
15 mil mensais.
Dos 86 senadores que exerceram o mandato no ano passado, quatro parlamentares
gastaram o limite de R$ 180 mil a que tinham direito para cobrir o total
de suas despesas: Fernando Collor (PTB-AL), Demóstenes Torres (DEM-GO),
Gilvam Borges (PMDB-AP) e João Ribeiro (PR-TO). Apenas dois –
Marco Maciel (DEM-PE) e Pedro Simon (PMDB-RS) – não tocaram
na verba.
Os gastos de 2009 apontam uma ligeira queda (4,6%) em relação
aos R$ 11,2 milhões registrados em 2008. Essa redução
coincide com a maior transparência nos gastos: desde abril do ano
passado, o Senado passou a identificar na internet as empresas contratadas
pelos senadores. Até então, essas informações
eram mantidas no mais absoluto sigilo.
Despesas em alta
Combustíveis, lubrificantes, hospedagem, alimentação
e aluguel de veículos compõem o item mais usado pelos senadores
para pedir ressarcimento ao Senado. Ao todo, R$ 4,2 milhões da
verba indenizatória foram usados para cobrir despesas dos gabinetes
com hotéis, restaurantes e bares, postos de gasolina, aluguel de
carro e táxi aéreo. Dinheiro suficiente para cobrir, por
exemplo, 13 anos de diária no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro
(R$ 840 a diária). Só
o senador Romeu Tuma (PTB-SP), como mostrou na segunda-feira (18) o Congresso
em Foco, gastou R$ 14 mil em três diárias num resort country
de luxo em Barretos (SP), durante a famosa Festa do Peão de
Boiadeiro da cidade.
Somente a despesa dos dez parlamentares que mais gastaram com combustível
nos últimos nove meses de 2009 daria para bancar 291 viagens de
carro (com a gasolina a R$ 2,80) entre as duas capitais mais distantes
do país, Porto Alegre (RS) e Boa Vista (RR), separadas por 5.348
km. Juntos, eles gastaram R$ 436,63 mil para abastecer seus veículos.
Dinheiro
suficiente para rodar 1,5 milhão de quilômetros, ou cruzar
115 vezes a Terra (o diâmetro da Terra é de 13 mil quilômetros)
Veja
os gastos dos senadores com locomoção
Veja
quem mais gastou com combustíveis
O aluguel de escritórios políticos foi o segundo item de
maior despesa no ano passado. Os senadores consumiram R$ 2,58 milhões
para manter as instalações de suas representações
políticas nos estados que representam. O
senador Gilvam Borges, por exemplo, recebeu R$ 300 mil nos últimos
dois anos para ressarcir despesas mensais de R$ 15 mil com o aluguel de
um escritório político em Macapá. No local indicado
pelo senador, funciona uma fábrica de toldos.
Veja
os gastos dos senadores com aluguel
Campanhas turbinadas
O terceiro maior gasto ficou por conta da divulgação da
atividade parlamentar, impulsionada pelos senadores pré-candidatos,
que utilizaram quase 90% dos R$ 1,78 milhão destinados à
publicidade das ações dos parlamentares. Foram R$ 614 mil
gastos a mais, um crescimento de 52% em comparação com o
ano anterior.
Dos 20 senadores que mais utilizaram recursos da chamada verba indenizatória
para dar publicidade às suas ações, apenas dois não
pretendem se candidatar este ano. Somente esses 18 pré-candidatos
receberam R$ 1,24 milhão do Senado para ressarcir gastos com a
divulgação do mandato. Isso equivale a 70% de todo o montante.
Suplente do senador Jayme Campos (DEM-MT), Osvaldo
Sobrinho (PTB-MT) destinou mais de 80% da verba indenizatória no
Senado para divulgar seu mandato em rádios de sua propriedade.
Dos R$ 14.773,22 utilizados por ele em outubro, R$ 12 mil foram para pagar
divulgação de suas atividades em três emissoras do
Grupo Osvaldo Sobrinho.
Quanto
cada senador gastou com a divulgação do mandato
Collor na frente
Apesar de o Senado ter um respeitado e bem remunerado corpo de consultores
legislativos, as despesas com a contratação de consultorias,
assessorias e pesquisas técnicas consumiram R$ 1,57 milhão
de toda a verba indenizatória. O ex-presidente Collor foi quem
mais buscou assessoria fora do Congresso. Ele gastou R$ 128,5 mil com
consultoria. Ou seja, 71% de toda a verba indenizatória que lhe
cabia. A rubrica também foi usada pelo presidente da Casa, José
Sarney (PMDB-AP), destinar R$ 38,6 mil para uma empresa cuidar da manutenção
de seu acervo pessoal de livros, em sua residência oficial, em Brasília.
Veja
os gastos dos senadores com consultoria
Os senadores consumiram ainda R$ 600,18 mil para comprar materiais de
escritório e programa de computador, alugar móveis e cobrir
despesas postais em 2009. Mário Couto (PSDB-PA) foi quem mais usou
a verba para cobrir esse tipo de despesa. Foram R$ 67,5 mil em 2009.
Veja
os gastos dos senadores com materiais
|
FOLHA DE LONDRINA, 19 de
janeiro de 2010 | Opinião
Disputa Eleitoral - Momento é de
estabilidade econômica e política
Pela primeira vez, desde 1985, cenário
está positivo em ano de eleição presidencial
2010. Ano eleitoral no Brasil. É momento de escolher o novo presidente,
além de governadores, senadores, deputados estaduais e federais.
Nesta eleição presidencial, há um fato que chama
a atenção: é a primeira vez, desde a redemocratização,
em 1985, que o cenário é de estabilidade política
e econômica.
Para Antônio Márcio
Buaiain, doutor em economia e professor do Instituto de Economia da
Unicamp, o ambiente estável favorece o governo que, segundo ele,
tem seus méritos. ''Um deles é não ter aplicado
o programa econômico que o PT sempre defendeu'', diz Buaiain que,
nesta entrevista, faz uma avaliação do momento e aponta
as tendências do setor econômico e político no Brasil.
Como o senhor avalia
o atual cenário econômico do Brasil?
O cenário é positivo.
No segundo semestre de 2008, com a eclosão da crise financeira
internacional, a sociedade brasileira sofreu o impacto negativo da forte
freada repentina do nível da atividade econômica.
Em 2009 vivenciamos três
momentos distintos: o primeiro foi de propagação da crise,
com retração em todos os indicadores. No segundo, de acomodação,
esvaiu-se o clima de pânico. No terceiro momento, o pessimismo
é revertido e se transforma em otimismo, o mercado interno se
aquece, comércio e produção se expandem, investimentos
voltam a ser anunciados. Embora a economia não tenha crescido,
2009 fecha em um clima de quase euforia. Claro que os resultados são
muito desiguais.
O País já
se recuperou da crise econômica mundial?
Estamos em fase de recuperação.
Não dá para falar que já se recuperou quando a
economia fechou 2009 com crescimento zero, enquanto a China cresceu
8% e a Índia perto disto. Foi a recessão mais profunda
já registrada pela economia brasileira, mas felizmente a mais
rápida. O pior já passou e as perspectivas são
positivas.
E o que colaborou para
a boa recuperação?
Vários fatores. No plano
internacional, os discursos e as ações coordenadas das
principais lideranças mundiais deram garantias de que os governos
estavam dispostos a fazer tudo que estivesse ao alcance para evitar
o pior. No plano doméstico as ações do governo
também foram decisivas. O grande diferencial foi o crédito,
que cresceu muito no período posterior à crise. O estopim
da crise internacional foi o efeito dominó causado pela inadimplência
no setor imobiliário americano. Quando estoura a crise a reação
dos bancos e financeiras é reduzir o crédito. Aqui no
Brasil, devido à intervenção positiva do governo,
aconteceu o contrário. A redução dos impostos e
a valorização do Real também contribuíram.
Ambos reduziram os preços e as pressões inflacionárias,
estimulando a demanda doméstica.
Qual a tendência
da economia em 2010? Qual a projeção de crescimento do
PIB e como o senhor analisa o desempenho do PIB do ano passado?
Em 2009 o PIB não cresceu
e deve ficar próximo de zero. A forte aceleração
do último trimestre não terá força para
modificar esta situação. As perspectivas para 2010 são
muito positivas, principalmente porque os empresários estão
retomando os projetos de investimentos. Espera-se um crescimento entre
5% e 6% do PIB. As condições gerais da economia brasileira
também são boas, ainda que em 2009 tenhamos observado
a deterioração de vários indicadores importantes.
Mas ainda temos folga e os efeitos deverão se manifestar apenas
em 2011. Neste ano o governo fará o possível para evitar
situações de crise. O orçamento do Governo Federal
para 2010 mostra que a preocupação é com a eleição.
A inflação deve continuar sob controle.
E o contexto político?
O cenário político
é bem mais complicado. De um lado, os partidos, que são
atores centrais do processo democrático, não conseguem
expressar a pluralidade da sociedade; os da base do governo não
têm qualquer identidade própria, e vivem do tradicional
jogo da barganha baixa, da troca de favores, ocupação
de cargos. Os da oposição não conseguiram desempenhar
o papel de oposição efetiva. A enorme popularidade do
presidente inibiu a oposição. Ninguém pode criticar
Lula e sua administração. Isto apequenou o debate. Criou-se
um clima parecido com os anos duros da ditadura militar. Ficou tudo
muito polarizado. O governo sempre se colocando como do lado dos pobres
e excluídos e a oposição, sempre que se manifesta,
é colocada como defensora das tais elites. O debate eleitoral
fica reduzido a nomes, e não a projetos. Além disso, observa-se
um desgaste da própria política: o Congresso nesta situação
vergonhosa, alguns políticos roubando impunemente. A maioria
da sociedade acaba se afastando da política, que aos poucos vai
ficando nas mãos dos que não estão bem preparados.
Pela primeira vez desde
a redemocratização, o País está em um momento
de estabilidade política e econômica em um ano de eleição
presidencial. Qual é a sua avaliação sobre esse
cenário?
De fato as eleições
anteriores foram realizadas em um ambiente de crise econômica
e/ou política. Isto favorece o governo, que tem méritos.
Um deles, talvez o principal, tenha sido não ter aplicado o programa
econômico que o PT sempre defendeu. Na prática o governo
Lula deu continuidade, aprimorando e aprofundando a política
econômica desenhada na administração FHC. Houve
uma apropriação até desonesta das conquistas que
a sociedade tinha alcançado antes da vitória eleitoral
do Lula.
O cenário econômico
pode interferir nas eleições?
É evidente que sim, uma
vez que a candidatura do governo tentará capitalizar os resultados
como se tudo fosse obra do Lula. De qualquer maneira, tanto o candidato
do PSBD, Governador José Serra, como do Partido Verde, a ex-Ministra
Marina Silva, têm condições de elevar o nível
do debate e desmontar o discurso governista.
Qual é o grau
de influência das crises políticas e econômicas na
decisão do eleitor?
Pode ser grande, mas depende
das estratégias dos candidatos. Na reeleição do
presidente Fernando Henrique, o medo do agravamento da crise certamente
afetou a decisão de muitos eleitores, até porque o discurso
que o PT fazia só aprofundava o medo. O eleitor hoje parece mais
um joguete nas mãos dos habilidosos marqueteiros políticos,
o que torna sempre mais difícil antecipar os resultados eleitorais.
Paula Costa Bonini
Reportagem Local
|
Vermelho, 19 de janeiro
de 2010
Aécio diz que chance de
ser candidato a vice é zero
Em sua primeira entrevista depois de abrir mão da pré-candidatura
à Presidência da República, o governador de Minas
Gerais, Aécio Neves (PSDB), reduziu a zero a possibilidade de
ser o candidato a vice-presidente na chapa do PSDB. "Está
finda a era do factóide “vice”, chance zero?",
perguntou-lhe o jornalista Bob Fernandes, editor da revista virtual
Terra Magazine. A resposta de Aécio foi categórica: "Chance
zero".
A importância dessa entrevista para o cenário pré-eleitoral
é que, pela primeira vez, o tucano deixa de lado qualquer reserva
para se posicionar publicamente sobre esse assunto. "Não
existe, nem cogito essa possibilidade de disputar a vice-presidência
da República", asseverou.
Ele foi explícito ao
afirmar que alertou seus companheiros para que não gerassem "expectativa
maior em torno de algo que é muito pouco provável que
aconteça". Acrescentou que não gostaria de dar margem
a uma frustração que dificultasse até a presença
forte de outro nome na chapa. "Existem nomes qualificados, em vários
partidos, que devem a partir de agora ser analisados", arrematou.
De fato, Aécio não
chegou a admitir, nem a interlocutores próximos do partido, a
possibilidade de ser o segundo na chapa presidencial tucana. É
o que asseguram o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE),
e o secretário-geral do partido, deputado Rodrigo de Castro (MG).
Mas essa hipótese vinha sendo trabalhada pelo grupo ligado ao
presidente de honra do PSDB, Fernando Henrique Cardoso, com quem Aécio
almoçou na última segunda-feira em São Paulo.
Problema antecipado
O posicionamento de Aécio
antecipa uma dificuldade que José Serra e seus aliados estavam
tentando adiar para março, mês em que deve anunciar sua
pré-candidatura: a escolha de um vice forte, de reputação
ilibada e com musculatura política para somar votos. De preferência
no Norte e no Nordeste, nichos eleitorais de Lula, onde ele espera transferir
maior número de votos para sua candidata, ministra Dilma Rousseff.
Já circulam especulações
em torno do nome do ex-presidente da República Itamar Franco,
que se filiou ao PPS para disputar um mandato nas eleições
deste ano. Contudo, esses rumores irritaram o comando nacional do DEM,
principal aliado do PSDB na esfera nacional. O presidente do DEM, deputado
Rodrigo Maia (RJ), já declarou que seu partido abriria mão
da vaga de vice na chapa tucana somente se Aécio aceitasse o
posto. Diante da recusa do mineiro, o DEM vai reivindicar a vaga para
um de seus quadros.
A aliança com o DEM virou
um desconforto para o PSDB por causa do escândalo de corrupção
que explodiu em novembro, tendo como protagonista o governador do Distrito
Federal, José Roberto Arruda. Até então, ele era
um dos nomes cogitados para compor a chapa com Serra. Arruda se desfiliou
do DEM, mas o partido saiu chamuscado do episódio. É essa
mancha que incomoda o PSDB e causa um mal estar ainda sem solução.
Agência Estado
|
Agência Câmara,
19 de janeiro de 2010
Projeto cria licença para quem
trabalha na mesma empresa há 5 anos
A Câmara analisa o Projeto de Lei 6138/09, do deputado Iran Barbosa
(PT-SE), que concede ao trabalhador regido pela Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT - Decreto-Lei 5452/43) o direito de se afastar
do serviço por 30 dias, sem prejuízo da remuneração,
a cada cinco anos trabalhados na mesma empresa ou em instituições
que pertençam ao mesmo grupo econômico. É a chamada
licença retribuição.
Segundo o autor, pelas regras
atuais, um empregado, ao final de um mês de 31 dias, recebe salário
referente a apenas 30 dias. No decorrer de cinco anos, são cerca
de 30 dias trabalhados gratuitamente. A proposta, de acordo com Barbosa,
cria uma contraprestação mais justa pelos serviços
executados.
Conversão
em dinheiro
O texto prevê que o empregado poderá optar entre usufruir
a licença retribuição ou solicitar sua conversão
em dinheiro. Já o empregador terá o prazo de um ano, após
concluído o quinquênio trabalhado, para conceder a licença
- caso esta tenha sido a preferência do trabalhador.
Pela proposta, as faltas injustificadas
ao serviço não poderão ser descontadas dos dias
referentes à licença retribuição.
Tramitação
O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado
pelas comissões de Trabalho, de Administração e
Serviço Público; e de Constituição e Justiça
e de Cidadania.
Íntegra
da proposta:
§
PL-6138/2009
|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
18/01/2010
Técnico de enfermagem receberá,
como extra, uma hora de descanso diária não usufruída
Técnico de enfermagem
consegue pagamento, como horas extras, referente a intervalo de uma
hora para repouso e alimentação não usufruído.
A decisão foi da Quarta Turma do Tribunal Superior do Trabalho,
que aceitou recurso do trabalhador contra o acórdão do
Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS), pelo qual
seria devido ao trabalhador apenas o tempo equivalente a quinze minutos
de intervalo – e não uma hora. O fato de o funcionário
estender o trabalho além da sua jornada de seis horas foi o que
possibilitou a reforma de entendimento no TST.
O empregado trabalhou para o Hospital Nossa Senhora da Conceição
de Porto Alegre (RS) tanto em regime de seis horas (das 7h às
19h) como em regime dobrado de doze horas (das 7h às 19h). Depois
de sua dispensa em 2004, o técnico de enfermagem ajuizou ação
para receber o pagamento, com adicional de 50%, das horas trabalhadas
além da jornada de seis horas, e do intervalo, não usufruído,
de uma hora para descanso. Ele se baseou no artigo 71 da CLT, segundo
o qual, para aqueles que trabalham em jornada contínua acima
de seis horas, é obrigatória a concessão de um
intervalo para repouso e alimentação de, no mínimo,
uma hora.
A 26ª Vara do Trabalho de Porto Alegre reconheceu ao trabalhador
as horas extraordinárias além da sexta. No entanto, quanto
ao intervalo intrajornada, deferiu somente 15 minutos, pagos com o adicional
de 50%. O técnico recorreu ao TRT/RS, que, por sua vez, confirmou
a sentença, considerando que se aplicava ao caso o parágrafo
primeiro do artigo 71 da CLT, que estabelece: “Não excedendo
de seis horas o trabalho, será, entretanto, obrigatório
um intervalo de quinze minutos quando a duração ultrapassar
quatro horas”.
O trabalhador buscou reformar essa decisão no TST. O relator
do recurso de revista, ministro Barros Levenhagen, entendeu que, independentemente
de o técnico cumprir jornada legal de seis horas, constatado
que o trabalho prestado ultrapassava esse limite, o intervalo a ser
observado não é o de quinze minutos, mas o de uma hora,
de acordo com o previsto na CLT. Com isso, a Quarta Turma modificou
a decisão do TRT da 4ª Região, e determinou o pagamento
do intervalo intrajornada de uma hora, com o adicional de 50%, mais
reflexos em outros direitos. (RR – 113100-43.2005.5.04.0026/Numeração
antiga: ED-RR - 1131/2005-026-04-00.8)
|
18/01/2010
Registro na CT de salário fixado
em juízo gera indenização por danos morais
A Sexta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho condenou a Júlio Bogoricin Imóveis Minas Gerais
Ltda. a pagar indenização por danos morais, no valor de
vinte mil reais, a ex-empregado, porque a empresa registrara, na Carteira
de Trabalho dele, que o salário tinha sido fixado pela Justiça.
De acordo com o presidente do colegiado e relator do recurso de revista
do empregado, ministro Aloysio Corrêa da Veiga, as anotações
na Carteira de Trabalho devem estar restritas aos comandos do artigo
29, §§ 1º e 2º, da CLT, ou seja, limitadas às
informações sobre tempo de serviço, suspensões
e interrupções do contrato e remuneração.
O relator ainda ressaltou que o § 4º desse mesmo artigo proíbe
o empregador de efetuar anotações desabonadoras à
conduta do empregado. No caso, como a empresa registrou que o salário
do profissional tinha sido fixado pela 11ª Vara do Trabalho de
Belo Horizonte, em Minas Gerais, o empregado tinha direito à
indenização por danos morais, uma vez que essa atitude
lhe causara prejuízos de ordem moral, pessoal e social, afirmou
o ministro Aloysio.
Em primeira instância, a Júlio Bogoricin tinha sido condenada
ao pagamento de indenização, no entanto, o Tribunal do
Trabalho da 3ª Região (MG) entendeu que a empresa não
havia cometido lesão à honra e à dignidade do trabalhador
quando fez a anotação, portanto, não cabia nenhuma
reparação por danos morais.
Durante o julgamento do recurso no TST, o juiz convocado Douglas Alencar
Rodrigues divergiu do entendimento do relator. Mas, por maioria de votos,
venceu a tese do ministro Aloysio Corrêa de que a empresa era
culpada pelo ocorrido, na medida em que fez as anotações
na Carteira com o objetivo de negar novas oportunidades de trabalho
ao empregado, logo deveria ser responsabilizada pelos danos morais daí
advindos. (RR - 61940-31.2008.5.03.0113 - Fase Atual: ED-RR -Numeração
antiga: ED-RR - 619/2008-113-03-40.2)
(Lourdes Côrtes)
|