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O ESTADO DO PARANÁ, 20 de janeiro
de 2010 | Economia
País deve ter fechado 300 mil
vagas em dezembro
Agência Estado
O governo Lula deve fechar 2009 com a criação de um
pouco mais de 1 milhão de empregos formais. Os dados do Cadastro
Geral de Empregados e Desempregados (Caged), referentes a 2009, serão
divulgados hoje pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi, e devem mostrar
que foram fechados pouco mais de 300 mil vagas em dezembro. Como foram
criados 1,4 milhão de postos de trabalho entre janeiro a novembro,
o saldo líquido no ano ficaria próximo de 1,1 milhão
de empregos.
Praticamente todas essas vagas
foram criadas entre julho e novembro. Nesses meses, a quantidade de
contratações ultrapassou a de demissões em 1,11
milhão. No auge da crise, entre julho e dezembro de 2008, foram
criados apenas 90 mil empregos. Lupi disse que a recuperação
mais forte do nível de emprego, entre julho e novembro, refletiu
a retomada da atividade econômica.
Sem cravar números, o
ministro afirmou que o resultado negativo de dezembro deve ficar ligeiramente
acima da média de 300 mil vagas que normalmente são fechadas
no fim de ano. Isso vai acontecer porque o ritmo de contratações
de temporários no segundo semestre ficou bem acima do apurado
em anos anteriores, principalmente no setor de serviços e na
agricultura. Como a contratação de temporários
foi maior, as dispensas de fim de ano seguiram o mesmo movimento.
Mesmo com o resultado
negativo de dezembro, Lupi comemorou o resultado favorável do
ano, que, apesar dos efeitos da crise econômica mundial, ficou
acima das expectativas de muitos analistas. Para 2010, o ministro mantém
o otimismo. Ele projeta a geração de 2 milhões
de postos de trabalho formal, que será sustentada pelo crescimento
de 6% a 7% da economia. As informações são do jornal
O Estado de S. Paulo.
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DIÁRIONET, 20 de
janeiro de 2010
Construção civil bate recorde
de empregos
Da equipe do DiárioNet
A construção civil
brasileira contratou em novembro mais 23,7 mil trabalhadores com carteira
assinada, elevando em 1,02% o nível de emprego no setor. Com
isso, o número de empregados chegou a 2,35 milhões, um
recorde. Os dados são da pesquisa mensal feita pelo SindusCon-SP
com a FGV, informa a entidade representativa do setor.
No acumulado de janeiro a novembro
de 2009, foram contratados 266,3 mil trabalhadores, o que representa
uma elevação de 12,78%. No período de 12 meses
encerrado em novembro, foram 179 mil, aumento de 8,2%. Para o presidente
do SindusCon-SP, Sergio Watanabe, os dados demonstram que o setor continuava
aquecido mesmo em novembro, um mês em que as contratações
costumam declinar. Segundo ele, os números também reforçam
a expectativa de que o PIB da construção cresça
perto de 9% em 2010, com a contratação de mais 180 mil
trabalhadores.
No Estado de São Paulo,
foram contratados no mês 5 mil trabalhadores (+0,78%). No ano,
o setor criou 67 mil novos postos de trabalho (+11,31%). No fim de novembro,
659,4 mil pessoas trabalhavam com carteira assinada na construção
paulista.
No município de São
Paulo, 3,4 mil pessoas foram contratadas em novembro (+1%). No ano,
o total atingiu 37,7 mil (+13,21%). O total de pessoas contratadas pelo
setor na capital paulista atingia 323,2 mil no fim de novembro.
No interior do Estado, o nível
de emprego da construção em novembro cresceu em algumas
regiões como Santos (+1,96% sobre outubro, com a admissão
de 458 trabalhadores) e São José do Rio Preto (+1,55%,
com a contratação de 275 empregados). Outras regiões
sofreram redução, como Presidente Prudente (-3,67%, declínio
de 293 vagas) e Santo André (-1,08%, fechamento de 320 postos
de trabalho). Veja no quadro abaixo:
Em números absolutos,
a região do País que mais contratou em novembro foi a
Nordeste, com 14,1 mil novos empregos (+3,29% em relação
a outubro), seguida da Sudeste, com 4,4 mil (+0,35%) e da Sul, com 4,1
mil (+1,29%), de acordo com informação do SindusCon-SP.
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Blog do Dirceu, 20 de janeiro
de 2010
João Franzin: a unidade sindical
e uma nova Conclat no horizonte
O momento de forte unidade sindical está
ensejando uma série de iniciativas e propostas. Uma ideia que
ganha peso é a realização de uma grande conferência,
nos moldes da Conclat.
Por João Franzin*, no blog do José
Dirceu
O assunto, aliás, foi tema do 2º Congresso da Central dos
Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), em setembro de 2009,
cujo item 4 das resoluções diz: “Para coroar o processo
de unidade que já está em curso, a CTB propõe a
realização de uma nova Conclat — Conferência
Nacional da Classe Trabalhadora, reunindo sindicalistas de todas as
centrais e entidades sindicais, independentemente das posições
políticas e ideológicas. A Conclat vai elevar a um novo
patamar o nível de intervenção e influência
do sindicalismo e da classe trabalhadora na vida nacional”.
Há paralelos entre a
época da Conclat, de 21 a 23 de agosto de 1981, e a conjuntura
atual. Em 1981, havia um crescente movimento sindical, que se aliava
ao conjunto do movimento social na ofensiva contra a ditadura e pela
reconquista da democracia.
Hoje, existe uma efetiva unidade
sindical, em franca ofensiva pela ampliação das conquistas
sindicais e visando impedir a volta ao poder do projeto neoliberal e
antissindical. Naquela época, Lula despontava como forte liderança
do movimento, integrando a Comissão Executiva Nacional da Conclat
pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo.
De lá para cá,
foram muitos os avanços. E aquele representante dos metalúrgicos
de São Bernardo é hoje presidente da República
do País. A questão democrática, que era um grande
anseio da classe trabalhadora, está agora consolidada. A inflação
(ou carestia, como se dizia na época), está domada. Mas
questões como redução da jornada e estabilidade,
por exemplo, continuam na ponta da lista da agenda sindical.
Interessante observar os três
primeiros itens daquele regimento de 29 anos atrás:
Artigo 1º - Discutir amplamente
as condições de vida e salários dos trabalhadores
da cidade e do campo; Artigo 2º - Fixar posições
e as formas de luta dos trabalhadores na defesa de seus interesses;
Artigo 3º - Avançar nas formas de organização
dos trabalhadores, visando adequar o movimento sindical unitário
à nova realidade política, social e econômica.
Um dos objetivos da Conclat
era a formação de uma Central Única dos Trabalhadores,
reunindo o conjunto do movimento sindical, que, por várias razões,
não se concretizou.
* João Franzin é jornalista
da Agência Sindical
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O ESTADO DO PARANÁ,
20 de janeiro de 2010 | Economia
Caixa emprestou R$ 125 bilhões
em 2009
Agência Estado
A Caixa Econômica Federal fechou 2009 com uma oferta de crédito
de R$ 125 bilhões para empresas e pessoas físicas. Os
preliminares do balanço foram apresentados hoje ao ministro da
Fazenda, Guido Mantega, pela presidente do banco, Maria Fernanda Coelho.
Em uma rápida entrevista
após o encontro, a dirigente da Caixa deu alguns detalhes dos
primeiros dados do balanço, que só serão divulgados
em fevereiro. Segundo ela, o crescimento do crédito deverá
fechar 2009 em torno de 56%. Dos R$ 125 bilhões que a Caixa emprestou
no ano passado, R$ 46,9 bilhões foram para o setor de habitação.
A presidente da Caixa destacou que a oferta de crédito do banco
em 2009 é histórica para a instituição.
Foi a primeira vez, segundo ela, que o banco rompeu a barreira de R$
100 bilhões.
Para 2010, Maria Fernanda previu
um crescimento de 30% do crédito. Ela destacou que o crescimento
da oferta de crédito na habitação se deve também
ao desempenho do programa "Minha Casa, Minha Vida".
Amanhã, ela vai
apresentar os dados do programa à ministra-chefe da Casa Civil,
Dilma Rousseff. Para Maria Fernanda, a Caixa soube aproveitar o momento
de crise para expandir o crédito, enquanto os outros bancos se
retraíram.
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Gazeta
do Povo, 20 de janeiro de 2010
Auxílio
Governo cancela 23,5 mil benefícios
do Bolsa Família
O governo federal cancelou neste mês 23,5 mil benefícios
do Bolsa Família por falta de frequência mínima à
escola dos estudantes que participam do programa. Pelo mesmo requisito,
94.640 benefícios foram suspensos por 60 dias e 100 mil foram bloqueados.
Outras 189.202 famílias foram advertidas sobre a baixa frequência
de seus filhos à aula, mas continuam a receber a bolsa. Os dados
se referem ao monitoramento da presença escolar de outubro a novembro
de 2009. Os benefícios a serem pagos entre 18 e 29 de janeiro somam
R$ 1,1 bilhão, distribuídos entre 12,4 milhões de
famílias.
Para receber o auxílio mensal –
que vai de R$ 22 a R$ 200 por família – as crianças
com até 15 anos devem frequentar no mínimo 85% das aulas
e os jovens com idade entre 16 e 17 anos, 75%. As sanções
são gradativas e aqueles que tiveram a bolsa suspensa ou bloqueada
podem voltar a recebê-la se retomarem o nível mínimo
de presença à escola. O auxílio é concedido
a famílias com renda per capita mensal de até R$ 140.
Atualmente, 17,7 milhões de estudantes participam do programa.
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento
Social e Combate à Fome (MDS), que administra o programa, as
famílias são advertidas quando é detectada a baixa
frequência. Se não houver melhora, o benefício é
bloqueado e, posteriormente, suspenso por 60 dias. O pagamento só
é cancelado após cinco descumprimentos consecutivos no
caso de estudantes de até 15 anos e após três descumprimentos
consecutivos no caso de alunos com idades entre 16 e 17 anos.
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Agência Brasil, 20
de janeiro de 2010
Elite não quer imposto sobre
grandes fortunas previsto no PNDH
As manifestações contrárias ao Programa Nacional
de Direitos Humanos (PNDH 3) têm outro motivo além dos
que já foram alardeados pelos militares, ruralistas, religiosos
e outros segmentos conservadores da sociedade. Uma das ações
programáticas do plano é o de regulamentar a taxação
do Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF), previsto há 21 anos
no Artigo 153 da Constituição Federal e nunc aposto em
prática.
A proposta sofre, desde o início, resistência da elite
econômica brasileira, a qual imprime esforços para deslegitimá-la,
assinala o economista Erito Marques de Souza Filho, professor da Universidade
Federal Rural do Rio de Janeiro.
Para Antônio Augusto de
Queiroz, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap),
as chances do Congresso Nacional aprovar o imposto são baixíssimas.
Todos os partidos, com exceção dos de esquerda, têm
líderes parlamentares que são empresários e seriam
afetados diretamente por esta regulamentação. Dificilmente,
mesmo com o interesse do governo, eles se empenharam em criar um tributo
que iria penaliza-los.
Segundo Queiroz, quem defende
a reforma tributária são os parlamentares empresários
ou a serviço de empresários, que não estão
de acordo com essa idéia de progressividade conforme a capacidade
contributiva, pelo contrário, querem desonerar alguns setores.
Concentração de renda
Adriano Biava, professor de
economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade
da Universidade de São Paulo (FEA/USP), considera que o direito
humano é muita vezes impedido pela alta concentração
de renda e que criar o IGF é um imperativo da Constituição,
mas avalia que o potencial de arrecadação não é
muito grande. Não é possível cobrar uma alíquota
muito elevada. Tem que ser baixa porque vai interferir na decisão
do empresário investir. Não deve desestimular a poupança
e o investimento, explica.
De acordo com os especialistas
ouvidos pela Agência Brasil, a tributação é
injusta no país. Quem ganha até dois salários mínimos
paga até 60% dos seus rendimentos mensais com impostos, calcula
Alexandre Ciconello.
Segundo o economista Sérgio
Gobetti, de cada R$10 de impostos pagos no Brasil apenas R$2 são
oriundos da renda ou do patrimônio (IR, IPTU, IPVA, Imposto sobre
Transmissão Causa Mortis e Imposto Territorial Rural). Os outros
R$8 são arrecadados por meio de imposto sobre folha de pagamento
e consumo (como ICMS, IPI, ISS) que são repassados pelas empresas
aos consumidores e pesam mais no bolso de quem tem renda menor.
Primeiras tentativas
A primeira proposta de Imposto
sobre Grandes Fortunas foi elaborada pelo então senador Fernando
Henrique Cardoso (PSDB-SP). O projeto chegou a ser aprovado pelo Senado,
mas foi rejeitado pela Comissão de Tributação e
Orçamento da Câmara dos Deputados em 2000, durante o segundo
mandato de FHC.
A questão também
já foi tratada durante o governo Lula. O governo tentou regulamentar
isso no primeiro ensaio de reforma tributária em 2003, mas a
proposta original foi abandonada, rememora o economista Sérgio
Gobetti, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Segundo
o pesquisador o IGF, assim como o aumento no imposto de renda, o IGF
é uma espécie de tabu.
Alexandre Ciconello, do Fórum
de Entidades Nacionais de Direitos Humanos, lembra que na discussão
de reforma tributária ocorrida no ano passado não se tratou
de IGF. A reforma tributária era para facilitar um pouco a vida
das grandes empresas e simplificar os impostos. Não se moveu
uma palha com relação a um sistema tributário mais
justo, diz ao lembrar que os empresários tentaram eliminar as
contribuições que alimentam a seguridade social (Confins,
PIS/Pasep e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido).
Da sucursal de Brasília
Com Agência Brasil
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Vermelho, 20 de janeiro
de 2010
Brics: Onça, urso, tigre
e panda juntos não combinam
Coloque uma onça, um urso, um tigre e um panda juntos e você
poderá ter um bom espetáculo, mas não terá
uma vida sossegada. Essa é a definição do Financial
Times para a situação dos Brics (Brasil, Rússia,
Índia e China), na série especial preparada pelo jornal
britânico sobre o grupo dos principais "emergentes"
do mundo.
Na avaliação do Financial Times, apesar do avanço
econômico dos últimos anos, esses países ainda não
estão prontos para liderar uma mudança do centro de poder
global, principalmente em razão das fortes diferenças
existentes entre eles. "Uma década de crescimento rápido
não é suficiente para os Brics pegarem o bastão
da liderança econômica global dos Estados Unidos e da Europa
Ocidental", diz o Financial Times.
O grupo pode ter surpreendido
o mundo com o seu progresso nos últimos dez anos, mas será
preciso uma melhora qualitativa, assim como mais crescimento, para consolidar
a mudança de poder, avalia a publicação. Conforme
o Goldman Sachs, que inventou o acrônimo, a China deve se tornar
a maior economia mundial antes de 2030.
Atualmente, o grupo já
tem a maior fatia do comércio. O movimento é reconhecido
pelos investidores: as ações dos Brics encerraram a década
valendo mais que o dobro de 2005, diz o jornal. Há uma década,
apenas um deles tinha grau de investimento, hoje todos têm. Há
12 anos, o calote da Rússia e a crise cambial brasileira balançavam
o mundo, agora esses países acumulam vastas reservas.
O desempenho levanta questionamentos
sobre uma mudança do centro de gravidade da economia e governança
globais. "É este o centro de rotação como
aconteceu na Segunda Guerra Mundial, quando os confiantes e inovadores
Estados Unidos colocaram de lado as fracas e endividadas economias da
Europa e refizeram a arquitetura financeira global?", questiona
o Financial Times.
"A resposta mais provável
é: ainda não." Para o jornal, o grupo é tão
desigual que qualquer generalização é problemática.
Assim como uma boy band, os países podem ter sido escolhidos
mais por suas diferenças do que similaridades, compara o Financial
Times.
A China, membro dominante do
grupo, ainda está baseada em um modelo econômico dependente
da demanda externa. A Índia é conhecida pelo setor de
software e serviços para negócios. O Brasil, apesar de
alguns fabricantes bem-sucedidos, permanece como um dos exportadores
de produtos agrícolas mais eficientes. E a Rússia, após
algumas tentativas de diversificação, continua essencialmente
vendendo apenas petróleo e gás.
A falta de interesses comuns
também impede uma política conjunta, apesar das reuniões
dos Brics a partir de 2008, na tentativa de fechar posição
sobre questões econômicas. Temas como política cambial,
modelo econômico e comércio mostram divergências.
Um exemplo é o câmbio
desvalorizado na China, que contraria os interesses do Brasil. "(Os
Brics) devem reconhecer que, conforme ficam mais ricos e mais poderosos,
se amontoar na bandeira de solidariedade de países em desenvolvimento
não ajudará nem a eles nem à economia mundial",
afirma o editorial do Financial Times, que também trata do tema.
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Vermelho, 20 de janeiro
de 2010
Política monetária:
Banco Central dá as costas para o país
Crescem as pressões do mercado financeiro
para a retomada de um novo ciclo de alta da Selic. Ao mesmo tempo, aparecem
com mais intensidade alertas para os efeitos da crise econômica
global. Essa contradição revela que o país continua
preso às imposições autoritárias do Banco
central (BC), que define a política monetária por meio
de consultas a “especialistas do mercado”.
Por Osvaldo Bertolino
O jornal O Globo informa que esse janeiro não vai ser igual àquele
que passou. Com a confiança tanto dos empresários quanto
dos consumidores em alta, os primeiros indícios do forte aquecimento
da economia começam a aparecer nos indicadores econômicos.
A ponto de os “analistas de mercado” — aquela meia-dúzia
de palpiteiros do mercado financeiro que balizam as decisões
do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco
Central (BC) por meio da pesquisa semanal Focus — já terem
aumentado, pela segunda semana seguida, a expectativa de alta da taxa
de juros Selic.
A economia real vai de vento
em popa. Os indicadores antecedentes, aqueles que mostram em qual velocidade
anda a economia, estão em sua maioria em alta, diz a matéria.
A LCA Consultores, por exemplo, olha para três setores: consumo
de energia (alta de 1,7% frente a dezembro), venda de veículos
(-6%) e importações (5,6%). Todos estão em alta,
com exceção dos veículos. Outro indício
de retomada está no levantamento da Confederação
Nacional do Comércio (CNC), que mostra que há espaço
para as famílias se endividarem, já que apenas 60,2% dos
consumidores estão com dívidas.
A inadimplência começou
a cair e a rede bancária, que vinha ainda “cautelosa”
em financiar o setor produtivo, começa a fornecer crédito,
ao lado do BNDES, que passou boa parte do ano de 2009 como uma das únicas
fontes para as empresas. Prova disso é que a Volks e a Peugeot
Citröen anunciaram a contratação de 1.400 pessoas
somente em suas unidades no Estado do Rio.
Crescimento sem inflação
O indicador de vendas a prazo,
do Serviço Central de Proteção ao Crédito
(SCPC), aponta alta de 5,1% nas vendas da primeira quinzena de janeiro
ante a segunda de dezembro. Na mesma comparação, o SCPC/Cheque,
que mede as vendas à vista, aumentou 8,5%. Os carnês em
atraso caíram 2,6% no período, enquanto os cancelamentos
(dívidas que saíram do registro do SCPC) cresceram 8,2%:
Na avaliação da
CNC, há espaço para se ampliar o consumo — especialmente
de bens duráveis — nos próximos meses. Segundo a
pesquisa da entidade com cerca de 18 mil entrevistados, apenas 9,2%
dos consumidores não terão como pagar suas dívidas
em janeiro. Tudo vai bem. Mas o panorama visto pelo mercado financeiro
é outro.
Os “especialistas”
do mercado financeiro acreditam que a Selic fechará 2010 em 11,25%
anuais, 0,25 ponto percentual a mais do que a projeção
anterior. O movimento de alta começaria em abril. O Ministério
da Fazenda, no entanto, diz que há espaço para crescimento
sem inflação. Segundo os assessores do ministro Guido
Mantega, o atual quadro sinaliza que o PIB tem condições
de crescer entre 5% e 5,5%, sem risco de pressão inflacionária.
A anomalia dos spreads
Outra anomalia da economia ditada
pelo sistema financeiro são os spreads, que continuam altos apesar
da baixa inadimplência. Pelo diagnóstico do chefe do Departamento
de Economia da CNC, Carlos Thadeu de Freitas, o atual patamar dos spreads
não se justifica. Os números "absolutamente não
são preocupantes". Para ele, "somente 9% dos consumidores
dizem não ter condições de pagar dívidas,
ou seja, a expectativa de inadimplência é baixa, o que
mostra que não se justificam os elevados spreads bancários".
A Pesquisa de Endividamento
e Inadimplência do Consumidor (Peic), levantamento inédito
relativo ao mês de janeiro, mostra que 13,5% dos consumidores
disseram estar "muito endividados", sendo que no grupo dos
que recebem até 10 salários mínimos o percentual
sobe para 14,3% e, no conjunto dos que ganham mais de 10 mínimos,
é de 8,3%.
Ainda entre os endividados,
a parcela da renda familiar mensal comprometida com dívidas é,
em média, de 28,4% o que, segundo Thadeu de Freitas, "não
é perigoso". Segundo ele, nos Estados Unidos, antes do início
da crise econômica, a parcela da renda familiar comprometida ultrapassava
100%.
Ociosidade na indústria
Outro indicador que confronta
com a tese da turma do Copom é a inflação no comércio
de São Paulo, que subiu só 0,46% em 2009 — bem menos
que os 4,75% de 2008. O índice, calculado pela Federação
do Comércio de São Paulo (Fecomercio-SP), tira mais um
argumento do lobby por nova escalada dos juros. Em dezembro, os preços
no comércio paulistano recuaram 0,05%, após subirem 0,11%,
em novembro.
Em entrevista ao Monitor Mercantil,
o coordenador do Indicador Ipea de Produção Industrial
Mensal, Leonardo Carvalho, disse que a questão da inflação
envolve outros fatores além dos juros. "Ainda existe ociosidade
na indústria em relação ao patamar do nível
de utilização pré-crise, cujo pico, segundo o indicador
Nível de Utilização da Capacidade da Indústria
(Nuci/CNI), foi em setembro de 2008", lembrou.
Segundo Carvalho, desde o terceiro
trimestre o investimento em bens de capital vem subindo. "Voltamos
a crescer num ciclo no qual os investimentos assumem papel cada vez
mais importante. Desde o terceiro trimestre de 2009, eles voltaram a
crescer, na margem, acima de 5%. Outro fator é o câmbio,
com peso importante nos preços transacionáveis, bastante
influenciados pelos internacionais. Por esse lado, também não
esperamos pressão preocupante. E os IGPs vieram com deflação
em 2009, então, os preços administrados devem vir mais
baixos", resumiu.
Dólar hiperinflacionado
O BC também deveria olhar
com mais atenção para o cenário global antes de
dar ouvidos ao sistema financeiro e ficar atento à necessidade
de preservar o poder da economia interna diante de possíveis
recrudescimentos da crise econômica mundial. O diretor-gerente
do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn,
afirmou que economias “emergentes” como Brasil, China e
Índia "lideram a saída da crise global".
No entanto, Adriano Benayon,
professor da Universidade de Brasília (UnB), que é um
crítico do acúmulo de reservas em dólar, alerta
para a grave situação monetária e fiscal nos países
desenvolvidos e para a possibilidade dos “emergentes” serem
chamados a pagar a conta. "O dólar está hiperinflacionado
e não há como sustentar seu valor. Desde 2008, o colapso
financeiro levou a emissões de US$ 23 trilhões (de moeda
pelo Fed e de títulos e garantias pelo Tesouro dos EUA). Agora,
não falta muito para estourarem novas bolhas", disse.
Benayon calcula que a oferta
potencial de dólares (M1 + M2 + M3) chegue a US$ 15 trilhões,
somente nos EUA. "As reservas em dólares em bancos centrais
(fora o Fed) são estimadas em US$ 6 trilhões. Há,
também, dezenas de trilhões de dólares em contas
de bancos e de fundos em todo o mundo, inclusive paraísos fiscais,
e cerca de US$ 300 trilhões de derivativos", informa Benayon.
Bola inflando
O Prêmio Nobel de Economia
Joseph Stiglitz também alertou que a crise financeira mundial
não está perto do fim e só terminará, pelo
menos, em 2013. "Certamente, o mundo não sairá da
crise nem em 2010, nem em 2011. Talvez nem em 2012 e 2013", disse
Stiglitz a uma publicação sérvia.
Segundo o economista, o país
onde começou a crise, Estados Unidos, lutará durante muito
tempo contra o déficit e pela recuperação da política
monetária. Stiglitz disse que o otimismo em círculos de
negócios é baseado nas previsões de que a recuperação
está perto e que a bolsa se estabilizou, mas que o sistema financeiro
não depende só dos fatores econômicos.
"É normal que em
Wall Street se fale do crescimento global da economia, porque isso vende
ações. Os economistas com que falei e com os quais estou
de acordo não pensam assim. Pelo contrário: afirmam que
o sistema financeiro neste momento é muito mais frágil
que antes da crise e representa um risco para uma estabilidade duradoura",
afirmou. "A única pergunta que seria preciso fazer é:
quando isso tudo se repetirá?", questionou.
Stiglitz se disse decepcionado
com o fato de o momento não ter sido aproveitado para reformar
o sistema financeiro global. "É horrível ver que
a bola está inflando e não fazer nada, embora esteja claro
que explodirá. E não se fez nada nem depois da explosão,
principalmente nos Estados Unidos", disse.
Cortes largos
Entre as propostas feitas por
Stiglitz, estão a prevenção de uma nova crise e
a criação de um organismo com mais competências
e representação que os existentes, porque "a crise
global requer uma resposta global". Outra reforma proposta por
Stiglitz é um novo sistema global de reservas, com uma moeda
única, porque é necessário um sistema multilateral
que não dependa da moeda de nenhum país concreto.
Alguns economistas (entre eles,
Nouriel Roubini) advertem que a atual recuperação despencará
numa forte recessão a ser revertida mais adiante. É o
que, segundo eles, desenhará nos gráficos a linha em formato
de W, que provocaria, como diz hoje no jornal O Estado de S. Paulo Celso
Ming, um montão de mortos e feridos antes que a última
perna do W se pusesse novamente de pé.
Oferecer condições
para solidificar a resistência do país aos efeitos da crise,
operando cortes largos na gastança com a especulação
financeira, deveria ser a prioridade do BC. O enfrentamento desse problema
é responsabilidade do governo no período que resta de
seu mandato. Das soluções que puder encontrar, não
há dúvida, dependerá grandemente o futuro político
da frente que se formou em 2002 para eleger o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva.
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Valor Econômico, 20
de janeiro de 2010
Entrevista: Brasil consome no presente
e esquece longo prazo
O grande perigo da economia brasileira não
é crescer a taxas próximas a 6% ao ano, mas sustentar
este crescimento numa sociedade de curto prazo, que consome no presente
e desconsidera o longo prazo.
Por João Villaverde, no jornal Valor
Econômico
Esta é a avaliação de Márcio Holland, professor
da Fundação Getulio Vargas de São Paulo (FGV-SP),
que considera o ano de 2010 como a grande oportunidade para se realizar
um debate acerca dos rumos da economia. Desde a década de 1980,
diz Holland, que as condições econômicas não
são tão favoráveis. “Nossa inflação
está controlada, temos uma sociedade democrática, boa
capacidade de diálogo interno e uma situação em
que, independentemente de quem ganhar as eleições, a política
econômica será parecida com a praticada hoje. São
essas condições que nos dão tranquilidade para
discutir sobre nossos rumos e escolhas.”
Doutor pela Unicamp, com pós-doutorado
em Economia pela Universidade da Califórnia (Berkeley, EUA),
Holland critica a “primarização” da pauta
exportadora, mais concentrada em produtos primários que em bens
industriais de média e alta tecnologia. Para ele, os manufaturados
de maior valor agregado perdem espaço também no mercado
interno. “Não consumimos praticamente nada de tecnologia
nacional. Pen drives, celulares, quase tudo já chega pronto,
restando apenas ser montado”.
O economista avalia positivamente
o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deixa
o Palácio do Planalto no fim do ano. Mas defende um debate sobre
os rumos do crescimento sustentado no consumo das famílias e
na diminuição do saldo comercial.
Abaixo, os principais trechos da
entrevista:
Valor: Um crescimento forte
em 2010, próximo a 6%, o preocupa?
Márcio Holland: É
perfeitamente possível que a economia brasileira cresça
a taxas superiores a 5% ou 5,5% ao ano nos próximos três
ou quatro anos sem gerar pressões inflacionárias. Podemos
crescer mesmo com déficit em conta corrente aumentando, com juros
altos, câmbio valorizado, com grande carga tributária,
aumento da dívida pública e dos gastos correntes e alguma
melhora nos investimentos. Quer dizer, podemos manter este modelo de
crescimento, com sucesso, no curto e médio prazos sem causar
problemas de inflação, até porque os juros são
altos e serão elevados, se for preciso. O problema não
é crescer fortemente.
Valor: Qual é o problema
então?
Holland: A questão está
em crescer por muito tempo com este modelo. Temos de nos perguntar:
que tipo de economia nós queremos ser? Se pegarmos dados do FMI,
veremos que na década de 1950 nossas exportações
representavam 2% do total exportado no mundo. Atualmente, estamos com
1%. Se for isso que queremos manter, então não há
problema, basta tocar o jogo como está e continuaremos com a
ilusão de que somos uma grande potência industrial.
Valor: Mas antes da crise
o Brasil não alcançava recordes de exportações,
em volume e quantidade?
Holland: Nossas exportações
estão cada vez mais baseadas em produtos primários. No
passado, 40 anos atrás, os bens primários e as manufaturas
intensivas em produtos primários, como suco de laranja, por exemplo,
respondiam por 75% de nossa pauta exportadora. Depois do PND II [Plano
Nacional de Desenvolvimento II], na segunda metade dos anos 1970, começamos
a alterar esse modelo.
Os primários chegaram
a representar 44% de nossas exportações totais, em 2005,
mas desde então eles têm aumentado sua participação.
Hoje, representam cerca de 54% e estão crescendo. Nossa situação
é até boa quando comparada com os outros países
da América Latina, onde os primários respondem por quase
80% das exportações.
Valor: Mas parte das exportações
de manufaturados não têm sido desviada para o mercado doméstico
em expansão?
Holland: Sem dúvida.
A direção do comércio exterior brasileiro mudou.
Em 1990, pouco mais de 24% de nossas vendas externas eram para os Estados
Unidos, onde a demanda é predominantemente por bens manufaturados.
Em 2009, as exportações para os EUA bateram em 12%. No
mesmo período, passamos de 1,98% exportado à China para
12,5% no ano passado. O grande problema está aí: 85% do
que vendemos para os chineses são produtos primários,
com pouquíssimo valor agregado. Estamos reposicionando nossas
exportações para a China e para nosso mercado doméstico.
Valor: O mercado doméstico
não garante o crescimento do setor industrial?
Holland: Mesmo para o mercado
interno, boa parte das manufaturas é importada, fazemos apenas
o trabalho de acabamento. Não consumimos praticamente nada de
tecnologia nacional. Pen drives, celulares, quase tudo já chega
pronto, restando apenas ser montado. Claro, os ganhos de qualidade industrial
nos últimos anos é indiscutível. Mas quando se
olha perante o resto do mundo, percebemos que estamos aquém do
que poderíamos fazer.
Valor: Este é o nosso
modelo de crescimento?
Holland: Vivemos o aumento da
classe C brasileira, que durante a era Lula passou a constituir a maior
parcela da população. Temos uma nova classe média,
ganhando mais e consumindo mais, com carteira assinada e maior acesso
à crédito. É uma sociedade acostumada com reajustes
crescentes do salário mínimo, que cresceu 75% de 1990
até o ano passado. Uma classe que está pronta para consumir
agora, no presente, daí essa explosão do consumo varejista.
Nosso crescimento elevado é sustentado por essa nova classe média.
Valor: O crescimento forte
do PIB, baseado no consumo das famílias, se sustenta?
Holland: Trata-se de uma sociedade
de curto prazo, o que é um perigo para o longo prazo. Fazemos
um discurso de grande potência internacional, de líder
do G-20, mas estamos exportamos menos produtos manufaturados intensivos
em tecnologia. Nos últimos dez anos, segundo dados do IBGE, os
investimentos da indústria de média e alta intensidade
tecnológica aumentaram 22%.
Já os investimentos em
manufaturas minerais e agrícolas, de baixo valor agregado, cresceram
490%. As pessoas falam que os produtos naturais podem carregar tecnologia,
e é verdade. Mas é possível comparar a tecnologia
de uma máquina que corta cana a de uma câmera fotográfica
ou de um chip de computador? É incomparável. E é
este o padrão de sociedade que se perpetua, do Brasil virando
uma grande fazenda, onde nosso exemplo de país é a Austrália.
Valor: Qual país
poderíamos usar como exemplo, então?
Holland: Sou cético quanto
a elegermos um paradigma. Não se repetem experiências como
a China, que cresce fortemente há anos. A questão do câmbio,
por exemplo, muito criticada como empecilho, não pode ser central
no debate macroeconômico brasileiro.
Valor: Mas a moeda não
está muito valorizada?
Holland: O câmbio não
é o único fator a ser resolvido. A apreciação
do real é um problema, sem dúvida. Mas o câmbio
não resolve sozinho um problema estrutural, de modelo de crescimento.
Entre 2005 e 2008, o real foi a moeda que mais se valorizou no mundo,
tendo se apreciado 25% em relação ao dólar. Na
outra ponta, África do Sul e Japão, tiveram, no mesmo
período, as maiores desvalorizações, de 22% e 20%
respectivamente. E o Brasil cresceu mais do que eles no período.
Quer dizer, dentro deste modelo,
que privilegia o consumo interno, é plenamente possível
crescer com câmbio valorizado. Talvez o que essa sociedade queira
do câmbio valorizado sejam os produtos do exterior baratos. Não
importa o custo do crédito ou quanto vale a taxa de juros básica
da economia, porque ninguém se preocupa com isso. Tivemos uma
demanda reprimida por mais de 20 anos sem crescimento, entre 1980 e
o começo da década de 2000. Quando a sociedade passa a
dispor dessa oportunidade de consumo, não vai abrir mão.
Nenhum candidato à presidência fará discurso contra
isso.
Valor: Como alterar a rota?
Holland: Não será
por meio de políticas intervencionistas ou choques, como ocorria
no passado. É preciso um plano estratégico que agregue
diferentes setores da sociedade para pensar o médio e longo prazos.
Politicamente, isso implica mobilizar o Congresso, as assembleias e
câmaras para uma reforma política, o que obviamente vai
exigir uma discussão popular. Não podemos perpetuar um
modelo de crescimento que desconsidera o futuro. Para isso, precisamos
de políticos esclarecidos, especialmente em tempos de mudanças
climáticas e novas demandas sociais.
Valor: O aumento do déficit
em conta corrente, que em proporção do PIB deve dobrar
neste ano, alcançando 3%, o preocupa?
Holland: O déficit é
financiável, esse que é o problema. Qual investidor, independentemente
de sua natureza, não quer um mercado como o nosso? Teremos mais
investimentos estrangeiros diretos com certeza. Mas esse tipo de investimento
tem impacto negativo na conta corrente, uma vez que ele implica insumos
importados e aumento nas remessas de lucros e dividendos no futuro.
É amor e ódio, porque amplia nosso crescimento, mas também
nosso déficit com o exterior.
Valor: Os EUA dos anos 1990,
que cresceram com elevados déficits em conta corrente, moeda
valorizada e forte consumo doméstico, poderiam ser nosso exemplo?
Holland: Os Estados Unidos cresceram
dessa forma como sociedade desenvolvida. E o que ocorreu décadas
mais tarde? Não vai dar certo. Se não deu certo com os
ricos, não tem como dar certo com os pobres.
Valor: As eleições
deste ano poderão ser um começo?
Holland: Vivemos o grande momento.
Desde os anos 1980 não tivemos uma oportunidade para se refletir
a economia brasileira como temos agora. Nossa inflação
está controlada, temos uma sociedade democrática, boa
capacidade de diálogo interno e uma situação em
que, independentemente de quem ganhe as eleições, a política
econômica será parecida com a praticada hoje. São
essas condições que nos dão tranquilidade para
discutir sobre nossos rumos e escolhas.
Valor: O que o sr. proporia
como primeira pauta de debate eleitoral?
Holland: Não podemos
perpetuar essa discussão centrada em Copom, metas de inflação
e taxas de juros. Isso é algo errado e já deveríamos
ter superado. Precisamos discutir se queremos continuar crescendo como
uma economia primária exportadora.
Valor: Que saldo você
faz do governo Lula?
Holland: Analisando com responsabilidade
histórica, o saldo do governo é extremamente positivo.
Imaginávamos, em 2002, uma nova Venezuela, que romperia contratos.
Mas houve muita responsabilidade política. Tivemos grandes avanços
na microestrutura, com melhora na distribuição de renda,
formalização da mão de obra, aumento do emprego.
Amadurecemos como sociedade. Estamos no ponto necessário para
fazer uma grande discussão, sobre se vamos perpetuar o crescimento
como está ocorrendo ou se mudaremos de rumo.
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Terra Magazine, 20 de janeiro de 2010
Análise: É preciso
intensificar financiamento de longo prazo
É cada vez mais evidente a limitação
de fontes de financiamento do investimento na economia brasileira.
Por Julio Gomes de Almeida* na Terra Magazine
Na segunda metade de 2008 e
em boa parte de 2009, em função da crise internacional,
as fontes externas de financiamento sofreram um forte revés e
o desenvolvimento que vinha sendo observado no mercado de capitais brasileiro
retrocedeu em razão do menor atrativo de aplicações
em ações e da fuga de recursos de origem externa. Com
a fase de menor incerteza que vive a economia mundial e a recuperação
da economia brasileira, esses fatores começaram a ser revertidos.
Como a necessidade de financiamento
do investimento público e privado no país manteve-se em
grande parte intacta mesmo no período mais adverso da crise internacional,
a restrição de fontes de financiamento alternativas levou
o BNDES a ampliar extraordinariamente suas operações,
o que, por seu turno, teve que contar com recursos do Tesouro obtidos
mediante aumento da dívida pública. Trata-se de um padrão
de financiamento que não é de todo adequado, sendo, no
entanto, o possível diante das circunstâncias.
Mesmo em uma situação
de maior normalidade das conjunturas externa e interna, o Brasil não
conta com fontes que outros países desenvolvidos e que economias
emergentes têm à sua disposição. Por exemplo,
não dispõe de crédito de longo prazo do sistema
bancário doméstico. No caso do mercado de capitais, mesmo
este tendo experimentado um avanço expressivo nos dois anos que
antecederam a crise internacional, nunca formou como parte relevante
do financiamento das empresas do país, salvo para determinados
segmentos. Além da geração própria de recursos,
resta a fonte externa e os fundos dos órgãos oficiais
de crédito, destacadamente, o BNDES.
São conhecidas as limitações
de acesso à fonte externa e os perigos que a excessiva dependência
de recursos do exterior pode acarretar para a economia. Por outro lado,
depender da fonte oficial é uma "via de escape", que
pode mostrar-se capaz de amparar financeiramente um ciclo de investimentos,
como estamos observando presentemente, porém com ônus para
o setor público. Em outras palavras, o governo e o BNDES agiram
corretamente ao não paralisarem os seus esforços para
o financiamento dos investimentos em curso no país, mas disso
não se deduz que a economia brasileira não tenha lacunas
muito sérias em seu financiamento de longo prazo.
Estão ficando maduras
as condições no Brasil para que os detentores de riqueza
financeira e os intermediários financeiros aceitem destinar parcela
mais expressiva dos seus recursos para operações mais
longas e para operações típicas de risco. Uma dessas
condições é dada pela redução da
taxa básica de juros. Seu nível atual embora seja ainda
elevado para padrões internacionais e restrinja o atrativo de
operações de longo prazo e as apostas mais arriscadas,
já anima investidas nessas áreas.
Porém, o percurso para
que o país venha a ter fontes efetivamente adequadas para o financiamento
pode ser muito longo. Alguns segmentos talvez partam na frente devido
a certas características próprias e dessa forma obtenham
uma capacidade maior de financiamento com base em fontes voluntárias.
É o caso, por exemplo, do financiamento imobiliário que
deve receber um aporte significativo de recursos externos e internos
já no corrente ano de 2010. O financiamento a outras modalidades
de investimento, como as inversões em projetos industriais e
de infra-estrutura, poderá demorar um período prolongado.
Um objetivo de política
econômica desse final de governo seria identificar ações
e incentivos que possibilitem abreviar e intensificar o desenvolvimento
de fontes de financiamentos de longo prazo nas áreas do crédito
bancário e mercado de capitais. Tais desenvolvimentos viriam
complementar a fonte externa de financiamento assim como a fonte oficial,
desta forma, desafogando o "congestionamento" do crédito
de longo prazo no BNDES e em mecanismos de direcionamento de recursos
(como o sistema de poupança).
O objetivo pode ser concebido
também como sendo construir o mais rapidamente possível
um modelo de financiamento do investimento realmente adequado ao país.
Neste modelo terão papel destacado as fontes voluntárias
já referidas, especialmente no que diz respeito ao crédito
privado de longo prazo, mercado de ações e mercado de
títulos corporativos. Embora com menor preponderância no
financiamento global, restará amplo e decisivo espaço
para os mecanismos públicos de financiamento e para o direcionamento
do crédito - que por seu papel estratégico na promoção
do desenvolvimento e como instrumento anti-cíclico não
devem ser removidos.
Júlio Gomes de Almeida é
professor da Unicamp e ex-secretário de Política Econômica
do Ministério da Fazenda.
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Gazeta
do Povo, 20 de janeiro de 2010
Contas públicas
Rombo da Previdência pode aumentar
em 2010
Em 2009, despesas com benefícios superaram
em R$ 43,6 bilhões a arrecadação. Reajustes acima
da inflação tendem a alargar essa diferença
O rombo da Previdência Social, que em
2008 havia recuado significativamente, voltou a crescer com força
no ano passado, sob o impacto da crise econômica e do reajuste
real (acima da inflação) do salário mínimo.
E o déficit pode aumentar ainda mais em 2010. O governo não
fechou suas estimativas, mas já há economista apostando
em recorde negativo neste ano. A percepção é que
o crescimento esperado para a arrecadação previdenciária,
que deve ser beneficiada pela expansão da economia, pode não
ser suficiente para compensar os reajustes já anunciados para
pensões e aposentadorias.
Em 2009, a Previdência arrecadou R$ 182
bilhões em termos nominais, ou R$ 184,6 bilhões em termos
reais (valor corrigido pela inflação), o que representa
alta real de 6,1% em relação a 2008 – um crescimento
digno de nota em tempos de crise econômica. Só que o pagamento
de benefícios avançou mais ainda: aposentados e pensionistas
receberam um total de R$ 224,9 bilhões (R$ 228,2 bilhões
em termos reais), volume 7,3% superior ao de 2008.
Com despesas subindo mais rápido que
receitas, o buraco das contas cresceu 12,7% no ano, para R$ 43,6 bilhões
em termos reais (R$ 42,9 bilhões nominais). Quem banca essa diferença
– e garante que aposentados e pensionistas recebam em dia –
é a União, ou, em última instância, todos
os contribuintes.
Ontem, ao divulgar o balanço anual, o
secretário da Previdência Social, Helmut Schwarzer, atribuiu
o resultado aos impactos da crise econômica sobre o mercado de
trabalho, particularmente no primeiro semestre. Por outro lado, disse
Schwarzer, a arrecadação voltou a crescer com velocidade
no segundo semestre, em especial nos últimos meses do ano. E,
de fato, o déficit poderia ter sido pior. O próprio Schwarzer
havia apontado, em julho de 2009, que o saldo negativo ficaria próximo
de R$ 45 bilhões.
“O resultado só não
foi pior porque a receita da Previdência cresceu acima do esperado.
Comparada com a situação dos impostos e contribuições,
a arrecadação previdenciária foi um mar de rosas”,
diz a economista Fernanda Feil, da consultoria Rosenberg & Associados.
Ela lembra que, enquanto a Previdência teve crescimento real de
mais de 6%, o recolhimento de tributos pela Receita Federal diminuiu
quase 4% em 2009, conforme o dado mais recente, de novembro.
“Enquanto a arrecadação
tributária refletiu mais a atividade econômica, as receitas
previdenciárias refletiram o desempenho da massa de salários,
que continuou crescendo apesar da crise”, aponta o economista
Felipe Salto, da Tendências Consultoria.
Repetição
Há quem acredite que o reaquecimento
da economia pode fazer com que o comportamento da Previdência
em 2010 repita o de 2008. Há dois anos, a expansão do
Produto Interno Bruto (PIB) e o bom desempenho da arrecadação
previdenciária fizeram o déficit cair pela primeira vez
em mais de uma década. O próprio secretário de
Previdência Social, no entanto, se mostrou reticente ao comentar
essa possibilidade, lembrando que, pelo lado das despesas, vão
pesar os reajustes reais anunciados para o salário mínimo
e também para os benefícios de quem ganha acima disso.
Somados, esses aumentos terão impacto
de aproximadamente R$ 11 bilhões nas contas da Previdência.
Além disso, pode haver um gasto extra de R$ 2 bilhões,
em razão de reajustes dos benefícios incluídos
na Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS), concedidos
a idosos e pessoas deficientes de baixa renda.
Insustentável
“O movimento de 2008 foi atípico.
O aumento da receita tem um limite, ao passo que o crescimento da despesa
parece não ter um teto”, diz Fernanda Feil, da Rosenberg.
Ela acrescenta que o “fator previdenciário” –
que desestimula a aposentadoria precoce e, assim, limita o déficit
do sistema – corre o risco de ser eliminado, o que pode aumentar
o problema.
Para Felipe Salto, da Tendências, o resultado
de 2009 apenas reforçou padrões “insustentáveis”
observados desde a década passada. “Ao elevar o benefício
para aposentados e pensionistas, no curto prazo você realmente
impulsiona o consumo e eventualmente a poupança. O que é
bom. Mas essa dinâmica não pode continuar indefinidamente,
pois o orçamento tem restrições”, adverte.
“Em nome de aumentar o benefício dos aposentados de hoje,
limita-se o investimento público, além de ameaçar
o benefício da próxima geração de aposentados.”

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Folha de S.Paulo, 20 de janeiro de 2010
Cimento
Votorantim admite interesse na Cimpor
Após ser questionada, a Votorantim enviou ontem comunicado à
CVM (Comissão do Mercado de Valores Mobiliários), órgão
regulador do governo português, dizendo que desde 2008 acompanha
a situação da Cimpor. Ressalta, porém, que até
agora não tomou nenhuma decisão quanto a fazer uma oferta
pelo controle da empresa nem a uma eventual compra de ações
da cimenteira. Também não sugeriu uma fusão com
ela.
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Agência Senado, 20 de janeiro de 2010
ESPECIAL / Eleições
Brasil realiza em 2010 sua 30ª eleição
para presidente e renova dois terços do Senado

Os brasileiros vão ter,
em outubro deste ano, sua 30ª eleição para presidente
da República, elegendo também governadores, senadores
e deputados federais, estaduais e distritais. O primeiro turno das eleições
está marcado para o dia 3 de outubro (domingo) e o segundo turno
- realizado caso nenhum candidato a presidente ou governador obtenha
a maioria absoluta dos votos válidos - ocorrerá no dia
31 de outubro (domingo), conforme o calendário
divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No caso do Senado,
haverá renovação de dois terços da Casa
(54 do total de 81 senadores).
O relator do calendário,
bem como de todas as instruções das eleições
de 2010, é o ministro Arnaldo Versiani. As convenções
para a escolha dos candidatos serão realizadas de 10 a 30 de
junho, e os partidos políticos deverão apresentar o registro
de seus candidatos até o dia 5 de julho.
A propaganda eleitoral será
permitida, segundo o TSE, a partir de 6 de julho, e será estendida
até o dia 2 de outubro, incluindo a distribuição
de material de propaganda política, realização
de carreatas e passeatas. Já a propaganda paga na imprensa escrita
só poderá ser divulgada até o dia 1º de outubro.
Os debates e a propaganda em páginas institucionais na internet
poderão ocorrer até o dia 30 de setembro.
No dia 17 de agosto - 47 dias
antes das eleições - começa a ser veiculada a propaganda
eleitoral gratuita no rádio e na televisão, a qual encerrará
no dia 30 de setembro - três dias antes do primeiro turno.
Onde houver segundo turno, os
candidatos poderão fazer propaganda eleitoral a partir de 5 de
outubro. Já a propaganda eleitoral gratuita no rádio e
na televisão deverá começar até 15 dias
antes do segundo turno da eleição, ou seja, 16 de outubro,
e será exibida somente até 29 de outubro - dois dias antes
das eleições do segundo turno.
O TSE avisa ainda que os eleitores
deverão ficar atentos ao calendário: quem ainda não
tem título de eleitor tem até o dia 5 de maio para requerer
a inscrição. Esse também é o último
dia para solicitar transferência de domicílio e para o
eleitor com necessidades especiais pedir sua transferência para
seção eleitoral especial. Quem perder o título
poderá requerer a segunda via do documento até o dia 23
de setembro.
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O Globo, 20 de janeiro de
2010
Eleições 2010: Aécio
Neves elogia Serra e diz querer disputar Senado
Por Cássio Bruno, na Agência
O Globo
O governador de Minas Gerais,
Aécio Neves (PSDB) disse, nesta segunda-feira (18), após
encontro com o presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia, no
Rio, que não pretende voltar atrás na decisão de
não concorrer à sucessão presidencial, e confirmou
que vai disputar o Senado.
O tucano avaliou como muito
boa a iniciativa do governador de São Paulo, José Serra
(PSDB), pré-candidato à Presidência, de assumir
uma postura mais ativa nas articulações para fortalecer
sua candidatura contra a ministra Dilma Rousseff (PT).
- Muito bom, eu estimulo isso.
Estou à disposição
dele (Serra).
No momento em que abro mão
da disputa presidencial, faço um gesto de convergência.
Um gesto que tem que ser visto
como de desprendimento, em torno daquilo que é mais importante,
a construção de nossa unidade. Esse é o mais vigoroso
instrumento que temos para chegar à vitória - disse Aécio.
Mesmo ressaltando que seu caminho
é o Senado, o mineiro não considerou irreversível
sua decisão de não concorrer à indicação
do PSDB para disputar a sucessão do presidente Lula: - Irreversível
é a morte. Não há nada além disso. Mas eu
tenho uma decisão muito racional.
Posso trazer uma contribuição
maior à vitória do nosso candidato. Estou cada vez mais
convencido de que vencer em Minas é muito importante para o nosso
candidato à Presidência.
Devo centrar o meu esforço
em Minas. Então, essa decisão de uma candidatura ao Senado
não é uma decisão impensada.
Indagado sobre a chapa puro
sangue do PSDB, Aécio disse que não houve avanço
sobre o assunto, e que tem mais condições de ajudar a
candidatura de Serra atuando em Minas. Ele confirmou que não
participará hoje da agenda de Lula e Dilma: - Estou retornando
para Minas, onde tenho outros compromissos.
Expliquei isso ao presidente,
e ele compreendeu.
Aécio almoçou
no apartamento de Rodrigo Maia, em São Conrado. Ao sair, destacou
que a prioridade são as costuras regionais: - Aproveitamos para
fazer uma análise mais detalhada das coligações
e da realidade eleitoral nos vários estados. Chegamos ao momento
de começarmos a definir algumas delas.
Em relação ao
Rio, onde o pré-candidato é o deputado Fernando Gabeira
(PV), Aécio criticou o presidente estadual do PV no Rio, vereador
Alfredo Sirkis.
Um dos principais entraves para
a coligação é a resistência de Sirkis ao
nome do ex-prefeito Cesar Maia (DEM), que pretende concorrer ao Senado:
- Quando se busca o entendimento, você não pode iniciá-lo
por resistência. Você tem que ver dentro do projeto maior
o que mais interessa aos partidos. Questões de ordem pessoal
são secundárias.
Segundo Rodrigo Maia, a aliança
em torno das pré-candidaturas de Gabeira e Cesar Maia garantiria
palanques no estado do Rio para Serra e para a senadora Marina da Silva
(PV/AC), que também é pré-candidata à Presidência.
- Gabeira faz campanha para
Marina e, Cesar, para Serra - explicou o parlamentar.
Ontem, uma reunião da
executiva estadual do PV no Rio confirmou Gabeira como pré-candidato
ao governo do Rio e a vereadora Aspásia Camargo para o Senado.
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Folha de S.Paulo, 20 de
janeiro de 2010
PMDB quer acelerar aliança eleitoral
com PT
Para peemedebistas, quanto mais o tempo passar,
mais o partido corre risco de perder valor na união e chance
da vice com Temer | Cúpula da sigla, que se reúne hoje
em jantar, acredita que, se Dilma se fortalecer, o PT pode acabar relativizando
o apoio formal do PMDB
FERNANDO RODRIGUES
MARIA CLARA CABRAL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Preocupado com o fortalecimento
da pré-candidatura de Dilma Rousseff pelo PT a presidente da
República, o PMDB deseja acelerar o projeto de estar unido aos
petistas nas disputas eleitorais de 2010.
O assunto será discutido hoje à noite, em Brasília,
num jantar da cúpula do PMDB. Devem estar presentes os presidentes
da Câmara, Michel Temer (SP), do Senado, José Sarney (AP),
os líderes do partido no Congresso e alguns interessados diretos
na disputa deste ano, como o ministro da Integração Nacional,
Geddel Vieira Lima (pré-candidato ao governo da Bahia), e o presidente
do Banco Central, Henrique Meirelles (filiado no ano passado).
A avaliação entre dirigentes do PMDB é que, quanto
mais o tempo passar, mais o partido corre o risco de perder valor na
pretendida coalizão com o PT visando a eleição
presidencial em outubro. Dilma, numa hipótese otimista para o
PT, ficaria forte a ponto de relativizar a necessidade de apoio formal
dos peemedebistas.
Essa desvalorização do PMDB ainda não ocorreu,
pois Dilma continua 14 pontos percentuais atrás do tucano José
Serra -segundo os cenários mais prováveis apurados na
pesquisa Datafolha de dezembro. Ou seja, o melhor no momento é
vender o apoio para o PT, enquanto a adesão peemedebista está
em alta.
O presidente nacional peemedebista, Michel Temer, vocaliza o espírito
do jantar de hoje: "O PMDB deseja transformar o pré-acordo
com o PT em acordo definitivo". Temer é o nome mais cotado
para ser indicado como candidato a vice-presidente de Dilma.
Ocorre que o presidente Lula sugeriu no ano passado que o PMDB deveria
preparar uma lista tríplice com opções de candidatos
a vice. A proposta causou desconforto na cúpula peemedebista.
"O candidato a vice-presidente do PMDB é Michel Temer. Não
tem outro. Isso ficará claro na reeleição dele
como presidente do partido, em março, quando deverá ter
perto de 85% de apoio na nossa convenção nacional",
diz o líder peemedebista na Câmara, Henrique Alves (RN),
que estará presente no jantar.
A partir de março, no entender de Henrique Alves, "não
se segura mais" o anúncio da chapa Dilma-Temer para o Planalto.
"Mas antes é necessário acertarmos as situações
nos Estados, onde há ainda divergências entre o PT e o
PMDB."
A reeleição de Temer para comandar o partido é
parte da estratégia para tornar irreversível sua indicação
como candidato a vice-presidente.
"A ideia inicial era que eu me candidatasse [para a presidência
do PMDB], mas combinamos que ele [Temer] deve continuar, até
para fortalecê-lo na vice. A unidade neste momento é a
coisa mais importante", afirmou o deputado Eunício Oliveira
(PMDB-CE), um dos dirigentes da legenda.
O ponto "número um" da pauta do jantar a respeito de
alianças eleitorais nos Estados é Minas Gerais, diz Henrique
Alves. Neste Estado, o PMDB quer lançar candidato ao governo
o ministro das Comunicações, Hélio Costa.
O PT tem também dois pré-candidatos: o ministro do Desenvolvimento
Social, Patrus Ananias, e o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel.
"Nossa proposta é que seja feita uma pesquisa, e o mais
viável seja o candidato com o apoio dos dois partidos",
diz Alves.
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Folha de S.Paulo, 20 de
janeiro de 2010
Dilma politiza discurso e diz que PSDB
quer o fim do PAC
Em Minas, ministra chora ao lembrar que nasceu
no Estado e elogia o "parceiro" Aécio | Pré-candidata
petista ao Planalto diz, ao inaugurar barragem, que "vira e mexe"
a oposição "quer acabar com programas do governo
Lula"
FERNANDO BARROS DE MELLO
ENVIADO ESPECIAL A ARAÇUAÍ (MG)
BRENO COSTA
DA AGÊNCIA FOLHA, EM JENIPAPO DE MINAS
Ao lado do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), pré-candidata
do PT ao Planalto, apontou ontem risco de "retrocesso" caso
a oposição vença a eleição deste
ano e disse que o PSDB quer acabar com o PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento). Em resposta, os tucanos acusaram a ministra de "propagar
mentiras".
A estratégia do PT é espalhar o possível fim de
políticas sociais de Lula em caso de derrota. O PSDB fez o mesmo
na campanha de 2002, advertindo que uma vitória de Lula poderia
trazer de volta a inflação.
No palanque em Araçuaí (MG), no Vale do Jequitinhonha,
Dilma discursou para cerca de 500 pessoas na inauguração
de uma escola técnica. Ela afirmou que era "importante estar
atento para não permitir que haja qualquer tentativa de acabar
com alguns programas".
Ela se referia a uma entrevista recente à revista "Veja",
na qual o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, criticou
o PAC: "As estradas estão esburacadas, os aeroportos estão
na iminência de outro apagão, a infraestrutura de transportes,
como os portos, foi entregue a políticos e a grupos de pressão.
Isso é o PAC na realidade, e nós vamos acabar com ele".
Dilma repetiu o mesmo discurso em Jenipapo de Minas, para 3.000 pessoas:
"Vira e mexe eles quiseram acabar com alguns programas do governo
Lula. Em 2006, era o Bolsa Família. Agora, em 2010, o objetivo
é acabar com obras como essa, que hoje nós estamos aqui
inaugurando. E isso nós não vamos deixar". O discurso
de Dilma revoltou os tucanos, que não defenderam o fim do Bolsa
Família em 2006.
Em Araçuaí, Dilma criticou o governo FHC: "Foi feito
um decreto, antes do nosso governo, proibindo o governo federal de investir
em escola técnica". E acrescentou que o atual governo irá
"fazer mais escolas técnicas do que foi feito ao longo de
toda a história do nosso país" -repetindo o bordão
de Lula.
No discurso, feito num local coberto de poeira, a ministra engasgou
quatro vezes. Faixas pediam a pavimentação de trechos
da BR-367, e coube a Dilma anunciar que Lula autorizou a inclusão
da obra no PAC.
Em Jenipapo de Minas, Dilma inaugurou a barragem do rio Setúbal,
incluída no PAC e construída em parceria com o governo
de Minas, ao custo de R$ 204 milhões. Ela dedicou dois minutos
do discurso para explicar que é mineira. Ao final, chorou ao
dizer que "a gente pode sair do Estado em que a gente nasce, mas
ele não sai da nossa alma e do nosso coração".
O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), não
esteve no palanque, mas Dilma o elogiou, dizendo que ele tem sido "parceiro
exemplar, republicano, do governo federal, e tem conosco enfrentado
esse desafio que é mudar o Brasil".
Mas outro Aécio foi à festa, o prefeito de Araçuaí,
Aécio Jardim (PDT), ex-tucano. Ele foi vaiado em vários
momentos. Lula pediu o fim das vaias: "A minha preocupação
é que, ao invés de a imprensa enaltecer a inauguração
da escola, vai enaltecer a vaia no prefeito".
O presidente repetiu que fará o sucessor: "Que me desculpem
os adversários, mas nós vamos ganhar para poder ter continuidade
nessas coisas". Mas reclamou de que as pessoas ficaram muito tempo
sob o sol em Araçuaí: "Como temos mais cem escolas
para inaugurar, é importante que a gente não cometa mais
esses equívocos".
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O ESTADO DO PARANÁ,
20 de janeiro de 2010 | Política
Lula é o terceiro com maior aprovação
na América
Agência Estado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o terceiro presidente
das Américas com a melhor avaliação dos eleitores,
segundo um ranking divulgado pela Consulta Mitofsky, empresa mexicana
de pesquisas de opinião pública. Lula aparece com 83%
de aprovação e perde apenas para Ricardo Martinelli, do
Panamá, primeiro colocado da lista, com 91% de aprovação,
e para Mauricio Funes, de El Salvador, com 88%.
O ranking classifica os líderes
das Américas de acordo com o nível de aprovação
que recebem da população de seus países. O nível
mais alto da classificação engloba presidentes com mais
de 75% de aprovação. Lula é destacado pela Consulta
Mitofsky por ser "um presidente que há muito tempo está
no nível sobressalente, com o grande mérito de estar há
mais de sete anos no poder".
Michelle Bachelet, que não
conseguiu eleger seu sucessor no governo do Chile na votação
realizada no último domingo, também está no nível
mais alto de classificação da Consulta Mitofsky, com 81%.
Com aprovação entre 55% e 75%, estão Álvaro
Uribe, presidente da Colômbia (64%); Tabaré Vazquez, do
Uruguai (61%); Evo Morales, da Bolívia (60%), e Felipe Calderón,
do México (55%).
O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, aparece na classificação
média, com 50%, mesmo nível em que se encontra o presidente
dos EUA, Barack Obama, com 48% de aprovação. Álvaro
Colom, com 46%, também integra o grupo de líderes com
aprovação entre 45% e 55%.
Oscar Arias, da Costa Rica,
com 44%, e Rafael Correa, do Equador, com 42%, aparecem no nível
de aprovação considerado baixo, entre 35% e 45%. No último
nível de classificação, abaixo de 35%, aparecem
Stephen Harper, do Canadá (32%); Alan García, do Peru
(29%), e Daniel Ortega, da Nicarágua (25%).
A presidente da Argentina,
Cristina Kirchner, tem a pior avaliação na pesquisa, com
apenas 19% de aprovação de seus eleitores.
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Agência Câmara,
20 de janeiro de 2010
Na Câmara, limite de gastos, estabilidade
do dirigente e taxa assistencial
Projetos de lei de interesse do movimento sindical aprovados no Senado,
na última semana de atividades do Congresso, já estão
numerados na Câmara.
O projeto que limita gastos
com pessoal tramitará na Casa revisora como PLP
549/09, no Senado PLS 611/07 (complementar).
O que trata da estabilidade
do dirigente sindical recebeu o número de PL
6.706/09 (PLS 177/07).
E o que regulamenta a cobrança
da taxa assistencial vai ser debatido como PL
6.708/09 (PLS 248/06).
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Vermelho,
20 de janeiro de 2010
PM invade ato do Sindicato dos Jornalistas
pelos Direitos Humanos
Quatro policiais militares invadiram, fardados e armados, as dependências
do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo, na última
quinta-feira (14), durante ato em defesa do 3º Plano Nacional de
Direitos Humanos, no auditório Vladimir Herzog. Cerca de 200 pessoas
estavam reunidas.
A entidade solicitou audiência com o secretário de Segurança
Pública do Estado, Antonio Ferreira Pinto, para obter esclarecimentos
dos motivos da invasão. Também foram enviados ofícios
para dar conhecimento dos fatos à Ouvidoria da Polícia Militar
paulista, à Secretaria Especial de Direitos Humanos, às
presidências do Senado, da Câmara Federal e da Assembleia
Legislativa paulista.
Segundo nota assinada pelo presidente do sindicato,
José Augusto de Oliveira, a presença dos policiais militares
nas dependências da entidade, sem terem sido solicitados, tinha
a nítida tentativa de intimidar os participantes. “O sindicato
exige que as autoridades da Segurança Pública no Estado
de São Paulo deem uma resposta a este abuso de autoridade que
nos lembra os velhos costumes da ditadura, que não podemos aceitar
de maneira alguma.”
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
20/01/2010
Empregado aposentado, que sofreu acidente
de trabalho, tem direito à estabilidade provisória
A Segunda Turma do Tribunal
Superior do Trabalho concluiu que empregado aposentado, em atividade,
que sofre acidente de trabalho, tem direito à estabilidade provisória.
Por unanimidade, o colegiado acompanhou voto do ministro Renato de Lacerda
Paiva, relator de recurso de revista de trabalhador contra a Madef S.A.
- Indústria e Comércio.
O relator esclareceu que, para
a concessão da estabilidade provisória (garantia mínima
de doze meses de emprego, prevista na Lei nº 8.213/91), é
necessário que o empregado fique afastado do serviço por
prazo superior a quinze dias e receba o auxílio-doença
acidentário. No caso, o empregado ficou afastado por mais de
quinze dias, mas não ganhou o benefício, porque já
recebia aposentadoria, e a lei não permite o recebimento, ao
mesmo tempo, de aposentadoria com auxílio-doença.
De qualquer modo, explicou o
relator, o empregado não perde o direito à estabilidade
provisória pelo fato de receber aposentadoria. Afinal a garantia
de emprego mínima de um ano tem por objetivo proporcionar a readaptação
do trabalhador às funções desempenhadas antes do
acidente ou em outra compatível com seu estado de saúde.
Portanto, na opinião
do ministro, a estabilidade provisória deve ser estendida ao
empregado que, embora não tenha recebido auxílio-doença,
atende aos pressupostos para o recebimento do benefício, ou seja,
sofreu acidente de trabalho e teve que se afastar por prazo superior
a quinze dias. Ainda segundo o ministro Renato, o TST tem julgado dessa
forma, levando em consideração os princípios do
Direito do Trabalho e a finalidade da norma.
O empregado trabalhava na função
de soldador na Madef quando, em março de 2000, sofreu o acidente.
Após um período de afastamento superior a quinze dias,
ele foi dispensado, em julho de 2000. Como acreditava estar no período
de estabilidade, o trabalhador recorreu à Justiça.
A 2ª Vara do Trabalho de
Canoas, no Rio Grande do Sul, condenou a empresa ao pagamento de indenização
relativo ao período de estabilidade provisória. No entanto,
o Tribunal gaúcho reformou essa decisão e negou o pedido
do trabalhador. Agora com o entendimento do TST sobre o caso, o empregado
teve reconhecido o seu direito à estabilidade e receberá
a indenização correspondente, como determinado pela sentença
de origem. (RR-85.444/2003-900-04-00.0)
(Alexandre Caxito)
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19/01/2010
Empresa é responsabilizada
por assistência médica de dependentes de trabalhador
A Multibrás S.A. Eletrodomésticos
é obrigada a arcar com as despesas de assistência médica
e de compra de medicamentos para filhos e ascendentes de um de seus
empregados. A empresa não conseguiu convencer a Segunda Turma
do Tribunal Superior do Trabalho de que essa decisão regional
era inconstitucional. Por unanimidade, o colegiado seguiu voto relatado
pelo ministro Renato de Lacerda Paiva e rejeitou agravo de instrumento
em recurso de revista da empresa catarinense.
O Tribunal do Trabalho da 12ª
Região reformou a sentença de primeiro grau que julgara
prescrito o direito de requerer os benefícios e restabeleceu
as vantagens, suprimidas ilegalmente, ao empregado, filhos e ascendentes.
Com esse entendimento, a empresa tentou rediscutir a questão
no TST em recurso de revista, mas o TRT trancou o apelo. O agravo de
instrumento apresentado na Segunda Turma foi mais uma tentativa por
parte da empresa de debater a matéria no TST, porém, sem
sucesso.
O relator, ministro Renato de
Lacerda Paiva, esclareceu que a Multibrás não conseguira
demonstrar que a decisão regional violara preceito constitucional,
como exige a Súmula nº 266 do TST e o artigo 896, §
2º, da CLT, para se admitir recurso de revista contra acórdão
proferido em agravo de petição. (AIRR-3255-2007-016-12-40.3)
(Mário Correia)
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19/01/2010
Sete anos entre conhecimento do fato
e punição é considerado perdão tácito
A demora - foram mais de sete
anos - entre conhecimento e punição da falta e a manutenção
do trabalhador no exercício de cargo de confiança de gerente
de agência fizeram a Justiça do Trabalho declarar a existência
de perdão tácito no caso de funcionário da Empresa
Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) investigado devido
ao desaparecimento de R$ 5 mil sob sua responsabilidade. A Sexta Turma
do Tribunal Superior do Trabalho rejeitou (não conheceu) recurso
da ECT, mantendo, assim, na prática, o que foi definido na sentença.
A ECT instaurou processo administrativo
em setembro de 1999 para apurar o desaparecimento de R$ 5 mil reais
no transporte entre as agências de Arraias e Paranã, no
Tocantins. A empresa alegou irresponsabilidade do trabalhador em não
conferir a integridade física dos malotes que continham os valores,
bem como tê-los deixado fora do cofre por uma noite. O procedimento
foi concluído somente em 2004, quatro anos e sete meses depois
de iniciada a investigação, e a dívida começou
a ser descontada na folha de pagamento do funcionário somente
em fevereiro de 2007, após o débito ter sido dividido
em 28 parcelas.
A sentença de primeiro
grau e o Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (GO)
reconheceram a existência de perdão tácito da empresa,
ante a demora na apuração do processo administrativo,
isentando o trabalhador de culpa. Insatisfeita, a ECT recorreu ao TST,
negando ter havido o perdão, uma vez que, se tinha o interesse
em apurar os fatos, deveria ser aplicado ao ocorrido não o princípio
da imediatidade, mas sim da proporcionalidade e razoabilidade. Alega
ainda que, por ser empresa pública, deveria ser regida pelas
regras do direito administrativo.
Após comparação
com procedimentos de empresas privadas de grande porte em rescisões
por justa causa, que gastam quatro meses para apuração
de irregularidades, casos em que não ocorre perdão tácito,
o relator da revista, ministro Aloysio Corrêa da Veiga, verificou
a impossibilidade de conhecimento do recurso devido à inespecifidade
dos argumentos da empresa.
O relator ressaltou, ainda,
que a falta da imediatidade entre o conhecimento do fato e a aplicação
da punição e a circunstância de o empregado ter
permanecido na empresa no mesmo cargo de confiança, como chefe
e gerente de agência, até agosto de 2007, após a
notificação para o pagamento da dívida, constituíram
perdão tácito por parte da ECT. (Processo: RR - 189400-48.2007.5.18.0006/Numeração
antiga: RR - 1894/2007-006-18-00.0)
(Alexandre Caxito)
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