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Em Questão, 24 de janeiro de 2010
Mais de 11 milhões de
empregos foram criados no Brasil em 7 anos
Entre 2003 e 2009 o Brasil gerou 11.752.763
novos postos de trabalho, entre vagas celetistas e estatutárias,
calculados com base nos dados da Relação Anual de Informações
Sociais (Rais) e no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
Em 2003, o número de trabalhadores no País era de 29.544.927,
passando para 40.437.076, um aumento de 36,86%. Considerando apenas
os trabalhadores com carteira assinada, calculados pelo Caged, nesse
período foram gerados 8.716.082 postos de trabalho. O número
de trabalhadores com carteira assinada no Brasil nesses sete anos
teve uma elevação de 32%, passando de 24,9 milhões
para 32,9 milhões de pessoas.
O número de admitidos desde 2003 foi
de 93,3 milhões e de desligados 84,5 milhões. Nesses
sete anos, o saldo de empregos gerados durante o ano só ficou
abaixo de um milhão de vagas em duas ocasiões: 2003
e 2009.
Em 2009, foram gerados no Brasil 995.110 novos
empregos formais. “O Brasil é o País que mais
gerou empregos em 2009 entre os integrantes do G-20, o que nos dá
certeza de termos acertado nas políticas públicas de
combate à crise econômica mundial. Estados Unidos e Europa
estão apresentando saldos negativos, e os países da
América Latina estão nos procurando para aprender como
fizemos para escapar da crise que afetou o mundo todo”, afirmou
o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi.
A previsão do ministro para janeiro
é que sejam criados cerca de 100 mil empregos formais. Para
2010, Lupi mantém a previsão de geração
de 2 milhões de novos postos de trabalho.
Apesar de ter registrado perda de 415.192
postos de trabalho, o número de admissões de dezembro
de 2009, que chegou a 1.068.481, foi o maior para o mês em toda
a série histórica do Caged. “Apesar da crise,
a Indústria da Transformação fechou o ano de
2009 com saldo positivo, e este setor será um grande gerador
de empregos em 2010, ao lado de Serviços. Teremos o melhor
ano da história em número de empregos gerados, uma prova
do sucesso das políticas públicas econômicas e
sociais”, afirmou o ministro.
Região Norte gerou 37.241 postos de
trabalho formal em 2009
Rondônia gerou 24.875, empregos formais,
equivalente à expansão de 14,88% de assalariados com
carteira assinada de dezembro de 2008. O resultado é o melhor
da Região Norte e da série histórica do Cadastro
Geral de Empregados e Desempregados para o período, em números
absolutos e relativos. Em termos relativos, o resultado é o
melhor do país em 2009. Em Rondônia, Entre 2003 e 2009
foram geradas 57.577 vagas formais de trabalho em Rondônia.
O estado do Pará também apresentou
expansão no nível de emprego no ano de 2009: 1,34% em
relação ao número de assalariados com carteira
assinada de dezembro de 2008, ou mais 7.380 empregos gerados. Em números
absolutos e relativos o resultado foi o segundo melhor da Região
Norte. No período de 2003 a 2009 foram gerados 133.386 postos
de trabalho formal.
No Acre, a expansão de assalariados
com carteira assinada foi de 3.54% com a criação de
1.969 empregos com registro em carteira, em relação
aos assalariados de dezembro de 2008. Em números relativos
e absolutos esse resultado foi o segundo melhor da história
do Caged para o período. Entre 2003 e 2009 foram gerados 6.555
empregos no Acre.
O Amapá criou em 2009, 191 empregos
formais, expansão de 0,35% em relação a dezembro
de 2008. De 2003 a 2009 foram criados 9.234.
Roraima e Tocantins geraram, respectivamente,
1.189 e 3.045 empregos celetistas, equivalente à expansão
de 3,76% no primeiro e 2,84%% no segundo, em relação
a dezembro de 2008. Em números absolutos e relativos o resultado
apresentado por Roraima foi o terceiro melhor da série histórica
do Caged, para o período. Em termos absolutos, o resultado
apresentado pelo Tocantins foi o terceiro melhor da série histórica
do Caged, também para o período. Ente 2003 e 2009, os
estados de Roraima e do Tocantins geraram, respectivamente, 6.397
e 22.823 postos de trabalho formal.
Apenas o estado do Amazonas fechou postos
de emprego formal em 2009: 1.408, equivalente à redução
de 0,40% no número de assalariados com carteira assinada de
dezembro de 2008, devido principalmente ao desempenho negativo da
Indústria de Transformação no estado (-6.464
postos). No período de 2003 a 2009 foram criados 95.723 postos
de trabalho formal no estado do Amazonas.
Considerando-se apenas o mês de dezembro,
fatores sazonais como a entressafra agrícola, férias
escolares, as chuvas do período e a diminuição
natural do consumo nessa época do ano, foram os responsáveis
pelo declínio do nível de emprego amazonense: 2,23%
ou menos 7.982 postos de trabalho.
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FOLHA DE LONDRINA, 24 de
janeiro de 2009 | Economia
Haverá empregos para todos em 2010?
Apesar da abertura de novas vagas, especialistas
alertam para a ocorrência de um 'apagão' devido à
carência de profissionais qualificados
Depois da tempestade provocada pela crise mundial, os indicadores macroeconômicos
sustentam que o Brasil deverá voar em céu de brigadeiro
em 2010, turbinado pelo crescimento esperado de 5,2% do Produto Interno
Bruto (PIB). Esse panorama alimenta as melhores expectativas em relação
ao mercado de trabalho e o próprio governo federal injetou ainda
mais gasolina ao estimar que neste ano deverão ser criados 2
milhões de postos de trabalho. Mas em meio a tanta euforia algumas
vozes especializadas alertam que o país Poderá ter um
''apagão'' por causa da carência de gente qualificada e
avisam que a garantia de emprego com carteira assinada não abrange
todos os desempregados.
Neste início de janeiro, as 252 agências
do Trabalhador em todo o Estado bateram o recorde histórico
ao atingirem a marca de quase 16 mil vagas ofertadas em um só
dia, comemora a coordenadora de intermediação de mão
de obra da Secretaria de Estado de Trabalho, Emprego e Promoção
Social (SETP), Ângela Carstens. E esse patamar tem se mantido
acima de 15 mil desde então. Só que há um porém:
a média de preenchimento varia entre 48% e 52%. ''Ocorre que
muitas vagas exigem qualificação mais alta e específica
e algumas outras têm salários pouco atrativos'', comenta.
Carstens confirma que o mercado de trabalho
está superaquecido e que, se o crescimento econômico
se confirmar no patamar anunciado pelo governo, inclusive a mão
de obra jovem terá mais garantias de ser absorvida. Ela indica
que os setores mais atrativos são a indústria e a agroindústria,
construção civil, comércio e serviços.
Mas a coordenadora adverte que quem tem baixa escolaridade e pouca
qualificação técnica deve encontrar dificuldades
para conquistar uma vaga.
''Creio que o mercado vai sofrer uma espécie
de apagão de gente boa, talentosa, preparada. Cada vez mais,
percebemos um contingente de gente sem trabalho mas com baixa qualificação
e não falta só preparo técnico mas carência
de postura, de jeito de ser, de compromissos e atitudes'', analisa
o diretor da Capital Humano, José Carlos Silva Damasceno. O
resultado é que para cada vaga aberta em sua agência
pelo menos dez candidatos são entrevistados. ''O profissional
com qualificações técnicas e comportamentais
ganha mais. Os demais ficam na média baixa e com risco de perder
o emprego se surgir alguém mais qualificado'', complementa.
A docente do Departamento de Administração
da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ana Paula Mussi Cherobim,
avalia que crescimento econômico pode até elevar a oferta
de vagas mas isso não tem relação direta com
mais vagas de emprego. Ela lembra que a crise extinguiu milhares de
postos de trabalho e que agora, mesmo diante da recuperação
da economia, não serão disponibilizadas novamente em
sua totalidade. ''Muitos dos empregos perdidos no final de 2008 não
foram e não serão retomados. Os índices de crescimento
são considerados em função do mês anterior
mas o segundo semestre do ano passado foi muito ruim. Por isso, o
segundo semestre de 2009 fica bonito na projeção'',
argumenta. Ela frisa que é preciso considerar também
que há diferenças regionais, com algumas regiões
crescendo mais que outras.
Mesmo assim, Ana Paula vislumbra que 2010
tem tudo para ser o ano da retomada do emprego e aposta no setor de
serviços como um dos grandes captadores de mão de obra.
As áreas de call center e toda a rede de turismo, segundo ela,
devem concentrar boa parte das oportunidades.
Luciano Augusto
Reportagem Local
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Blog do Nassif, 24 de janeiro de 2010
Brasil 5ª economia mudial.
Mas, quando?
O Brasil parece predestinado a ser o 5º.
Já ocupa o 5º maior território (atrás de
Rússia, Canadá, China e EUA) e tem a 5ª maior população
(atrás de China, Índia, EUA, Indonésia.) Território
é um indicativo da presença de recursos (terras aráveis,
minérios, fontes de energia, petróleo...) e população,
se capacitada e educada para o trabalho, é um indicativo de
capital humano. Logo, o Brasil ter a 5ª economia é apenas
uma conseqüência lógica e natural de suas dimensões.
Por Gunter
no Blog do Nassif
Basta ser mediano em desenvolvimento, dispor de mecanismos que permitam
ao capital financeiro fluir e algum empenho do estado para corrigir
as distorções que os mercados podem provocar.
Não tem muita importância isso
de 5º, posto que nossa renda per capita ainda será uns
20/25% da verificada nos países desenvolvidos e nossos indicadores
sociais (componentes do IDH) ainda estão 15% aquém do
desejável. E não será em poucas décadas
que a expectativa de vida será mediterrânea ou a educação
será escandinava. No nosso entorno latino-americano, Chile,
Uruguai, Venezuela, Argentina e México ainda são mais
desenvolvidos em vários aspectos. Se em horizonte próximo
alcançarmos nossos hermanos, o filme já será
bom.
Mas vamos ao nosso exercício de “porque
me ufano de meu país” :-)
As projeções de PIB que são
frequentemente apresentadas por consultorias, jornais ou mesmo CIA,
deveriam vir acompanhadas das premissas consideradas. Raramente o
fazem, não se sabe o porquê, até porque as variáveis
envolvidas macro são relativamente estáveis (*) e interdependentes.
Então, mesmo que haja pouca chance de se acertar nos números
absolutos, o risco de se errar nas distâncias relativas entre
países é pequeno. (* Situações como a
da crise mundial de 2008-2010 são inusuais.)
Cada um pode fazer seus cenários, as
bases históricas de longo prazo para todas as economias do
mundo e para o período 1960-2008 (PNB) ou 1980-2007 (indic.
sociais) estão disponíveis nos sítios : http://hdr.undp.org/en/
e/ou http://www.worldbank.org/
Mas o básico necessário para
começar está na edição “O Mundo
em 2010”, disponível em bancas.
Simplificações e premissas adotadas
nesta projeção:
- Oscilações por crises esporádicas
ou localizadas tidas como compensáveis no longo prazo (por
aproveitamento de capacidade ociosa, por ex.) Surgimento constante
de novas tecnologias, ecossustentáveis, de modo a garantir
taxas históricas de crescimento mundial da renda por habitante
(modelo não-malthusiano)
- Países menos desenvolvidos tendem
a apresentar maior crescimento de renda que o de países já
desenvolvidos (por população e/ou oportunidades para
o capital): OCDE acima de US$ 20 mil/ano/hab. : 2% a.a. / Em desenvolvimento
mais ricos que o Brasil : 4 % / Brasil : 5 % / Em desenvolvimento
mais pobres que o Brasil : 6 % [Ponto de partida: previsões
da The Economist para 2010.]
- Ajustes pontuais por país, em função
de histórico recente (1980-2010), são considerados (para
incorporar modelos político-econômico-sociais diferentes.
Ex.: para a China é suposto 8% a.a. até 2020.) Zona
do Euro ainda é considerada por nação
- Inflação em US$ constante
de 2% a.a. (dado real para o período 1991-2000 = 2,4%, 2001-2010
= 2,3%)
- Países tendem a apresentar valorização
cambial à medida em que suas rendas se aproximam às
dos países desenvolvidos [Ponto de partida: Paridade do Poder
de Compra (PPC) para 2008, Banco Mundial] Limite: convergência
aos preços praticados nos EEUU no longo prazo para países
com renda atualmente a partir de US$ 10 mil/ano/hab.
- Especificamente para o Brasil: manutenção
da valorização cambial atual, ainda que a mais elevada
da América Latina. Sustenta-se em que não haja atrasos
na exploração do Pré-sal, que o agronegócio
continue dinâmico e que retorne a tendência de longo prazo
de valorização de matérias-primas e de seu aumento
de demanda no comércio internacional. Evidentemente há
riscos nesse cenário, particularmente o de crescer menos que
5% a.a. (As premissas sobre câmbio não se refletem neste
primeiro gráfico, que é em termos de Paridade do Poder
de Compra)
Resultados :
(No gráfico é apresentado, propositadamente, também
o período 1980-2010, cobrindo portanto, 51 anos. A intenção
é mostrar que são poucos os casos de alteração
de posições relativas e que as simplificações
adotadas não destoam significativamente da história
real.)
Pelo critério de Paridade do Poder
de Compra, em 2010 o Brasil já deve ser a 9ª maior economia
(A Itália foi ultrapassada em 2008). Sucede aos seguintes países
(entre colchetes o provável ano de ultrapassagem) : EEUU, China,
Japão, Índia, Alemanha [2020], Reino Unido [2012], França
[2012], Rússia [2011]. Assim, no Bicentenário, seremos
mesmo a 5ª. economia em termos reais. Mas por volta da Copa e
das Olimpíadas somente seremos a 6ª.
Curiosidade 1 : daqui a dois ou 3 anos o México,
que passou Espanha e Canadá no período 1998-2000, deve
ultrapassar a Itália. Daí até 2030 haverá
poucas mudanças relativas e as 10 maiores economias serão
as mesmas. Curiosidade 2 : O Brasil chegou a ser a 8ª maior economia
em 1980, último ano do “milagre”. A ultrapassagem
pela China deu-se em 1987 e pela Índia em 1992, mantendo-se,
portanto, em 10º lugar pela maior parte dos anos até 2007,
mas durante a recessão russa de 1995-2002 ocupou temporariamente
a 9ª posição.)
Não faz muita diferença, agora,
as diferenças cambias. Um cenário alternativo, de desvalorização
cambial real, traria as seguintes conseqüências: o ano
em que o Brasil alcançaria o 5º lugar em termos de PPC
seria mais próximo (2018 ou 2019), com maior taxa de crescimento
real.
Os anos em que o Brasil alcançaria
o 6º e 5º lugares, em termos de US$ correntes continuariam,
no entanto, posteriores e dependentes da cotação do
Euro. Há picos de longo prazo para a cotação
do dólar, moeda a qual o Real mais acompanha. Os últimos
picos de valorização foram 1985 e 2000, aproximadamente.
Somente se o US$ voltar a valorizar até 2016 em relação
ao Euro (um novo pico, portanto, agora um tanto improvável)
e se o Real acompanhar essa valorização, é que
seria possível ser a 5ª. economia em algum critério
durante a Rio-2016. É que neste caso, mesmo sendo ainda a 6ª.
economia em termos reais, a Índia continuaria com a moeda desvalorizada
e pela ordem as maiores economias seriam EEUU, China, Japão,
Alemanha e Brasil.
Hoje, as economias do G-20 estão entre
as 26 maiores do mundo. A menor delas é África do Sul
(US$ 0,5 tri.) As 7 grandes economias fora do G-20 hoje são
Espanha, Irã, Tailândia, Holanda, Polônia, Turquia
e Egito. Não deve haver nenhuma modificação significativa
no clube. Em 2030, em virtude tanto de inflação como
de crescimento apenas 5 países poderão se aproximar
da África do Sul : Paquistão, Nigéria, Colômbia,
Filipinas e Malásia. Todas as demais economias serão
de países pouco populosos ou de baixa renda. A constituição
atual do G-20, portanto, manterá perfeitamente sua representatividade.
Antes de 2030, em função de
crescimento populacional e dinamismo da economia, o distanciamento
em relação a economias européias estará
consolidado. A partir de então o crescimento populacional provavelmente
diminuirá e o próprio dinamismo da economia brasileira
também (o país já estará mais desenvolvido).
Países asiáticos e africanos (Paquistão, Bangladesh,
Nigéria) ultrapassarão a população brasileira,
mas ainda estarão com renda baixa. Assim, a única alteração
previsível entre as primeiras posições por décadas
seria o Brasil ultrapassar o Japão (em meados da década
de 30). Nesse momento, o Brasil deverá ser a 4ª. economia,
porém 8ª população.
Não podemos esquecer que “tudo
que é sólido desmancha no ar”. Até 1986
o PNB do Brasil era maior que o da China, por exemplo. Mas era metade
do da Rússia… (Esses são os casos mais “dramáticos”
de mudanças de posição nos últimos 30
anos.) Por outro lado, tratando-se de economias maduras, oscilações
são pequenas. Em 1980, a economia da França era a metade
da do Japão. Já em 2010, a economia da França
é em relação a do Japão, a metade…
E, muito importante, sempre lembrando que
relevantes mesmos seriam os indicadores relativos de renda per capita,
IDH (saúde, educação), concentração
de renda e segurança civil e institucional. A pesquisar…
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IPS, 24 de janeiro de
2010
FSM é oportunidade para
Brasil dizer que potência quer ser
Berço do primeiro Fórum Social
Mundial (FSM), que nasceu como uma alternativa ao debate neoliberal,
o Brasil está a caminho de se converter em uma potência
econômica, segundo previsões dos analistas. A pergunta
é que tipo de modelo seguirá para não trilhar
o mesmo caminho tão criticado.
Por Fabiana Frayssinet, da IPS
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva costuma repetir em seus
discursos no país e no exterior. Contudo, cabe aos seus ministros
de todas as áreas expressar com programas e metas, inclusive
o de Turismo, Luiz Barretto.
“O Brasil se perfila para 2016 como
a quinta economia do mundo”, disse o ministro ao lançar
o plano estratégico turístico para a próxima
década. “Este excelente momento econômico que
o país vive, sendo o último a entrar e o primeiro
a sair da crise financeira mundial, o coloca definitivamente como
uma nação que terá grande importância
no cenário internacional na próxima década”,
afirmou Barretto.
Francisco Barone, economista da Fundação Getúlio
Vargas, confirma com dados. A potencialidade de um país se
mede com o produto interno bruto. “Segundo o PIB brasileiro,
o país se enquadra entre as dez maiores economias do mundo”,
disse o economista. E a perspectiva é de crescimento, a caminho
para ser um dos “líderes” do BRIC (Brasil, China,
Índia, Rússia) em menos de cinco anos, previu. Uma
perspectiva que Barone atribui ao grande mercado interno, de 190
milhões de habitantes, que consome grande parte do que é
produzido.
Porém, também atribui a outras potencialidades do
Brasil, como sua enorme matriz energética (incrementada após
a recente descoberta de novas jazidas de petróleo), sua diversidade
cultural, estabilidade econômica e capacidade de exportação.
Desde produtos derivados do agronegócio até aviões
da Embraer. Cândido Grzybowski, diretor do Instituto Brasileiro
de Estudos Sociais e Econômicos (Ibase), uma das entidades
que impulsionam o FSM desde o início, acredita que assim
como “outro mundo é possível” (lema do
Fórum) também é possível ser outro tipo
de potência.
Entrevistado pela IPS antes do começo da décima edição
do FSM, que começará segunda-feira, Grzybowski disse
ambicionar um modelo de “potência” que, antes
de tudo, supere suas próprias dívidas, como a enorme
desigualdade social. Nos últimos anos, o Brasil teve alguns
avanços nesse sentido, segundo Barone. Avanços destacados
por estudos oficiais, como os do Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea).
O Ipea revelou que, de 2003 a 2008, cerca de 19,5 milhões
de pessoas saíram da pobreza, e que a renda de 10% dos mais
pobres cresceu em ritmo maior do que os 10% dos mais ricos, “indicando
também redução da desigualdade social no país”.
Entretanto, ainda há muito a ser feito, segundo Barone. A
dívida histórica da fome ainda não foi superada.
Existem 15 milhões de pessoas em estado de insegurança
alimentar.
“Para ser uma potência econômica, os desafios
passam pela redução da desigualdade social”,
por razões humanitárias, mas também pragmáticas,
explicou. “Esses milhões de excluídos sociais
transformados em consumidores exigirão mais da indústria
nacional, a indústria produz mais, emprega mais e isso gera
um círculo vicioso de crescimento”. Grzybowski se referiu
a outros desafios da desigualdade brasileira, como a vinculada “ao
direito à distribuição de todos os bens comuns
desta terra que é muito rica”.
No Brasil, “parece normal ter propriedades de três mil,
200 mil, 500 mil hectares”. Um país onde os latifundiários,
que “não chegam a 1% dos proprietários de terra,
têm grande poder de veto no Congresso. Alguma coisa desta
potência está errada”, afirmou. O diretor do
Ibase (uma das organizações do comitê internacional
do FSM) busca outro tipo de potência que, por exemplo, “não
reproduza o modelo imperialista”, tantas vezes criticado no
Fórum, que este ano acontecerá de maneira descentralizada
em pelo menos 27 regiões de todo o mundo. Uma potência
“positiva”, com uma agenda internacional “equilibrada”,
afirmou ao se referir a casos como o da expansão da Petrobras
em países vizinhos como a Bolívia, ou as negociações
sobre Itaipu, hidrelétrica que o Brasil compartilha com o
Paraguai.
Para o diretor do Ibase, é preciso fortalecer “ainda
mais” a atitude de respeito a essas nações,
reconhecendo que “há total assimetria nessa relação.
Não podemos continuar fazendo o que o planeta fez com eles,
como potência dominante. Temos de inverter essa relação”,
disse, acrescentando que teme que o país comece a “tirar
proveito da pobreza dos outros. Gostaria de ver um Brasil solidário,
não um Brasil que disputa ser sócio do grupo exclusivo
do G8 ou do G20, mas um país que promova a igualdade entre
os povos, que aceite que é administrador de um grande patrimônio
natural e que tem uma responsabilidade mundial”, disse Grzybowski.
No mesmo contexto, o diretor do Ibase deseja que seu país
seja mais “radical na agenda de direitos humanos. Não
podemos ficar fazendo acordos para conquistar mercados, ignorando
as violações sistemáticas dos países
com quem os fazemos”, disse ao se referir às nações
africanas com ditaduras com as quais Brasília negocia. Grzybowski
disse estar preocupado, por exemplo, “com o que a China faz
na África”, e espera que o Brasil não se inspire
no modelo dessa outra potência emergente. “É
tirar partido da agenda do atraso em função do chamado
interesse nacional chinês”, afirmou. “É
esse o modelo que desejamos?”, perguntou.
O diretor do Ibase disse, ainda, que o FSM também poderia
dar sua contribuição nesse sentido, incentivando por
meio de suas organizações sociais uma agenda “progressista,
democrática, igualitária, com justiça social.
Uma agenda que redefina o modelo de desenvolvimento, que considere
a justiça social associada à justiça ambiental,
pode surgir apenas da sociedade civil”, afirmou.
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O ESTADO DO PARANÁ,
24 de janeiro de 2010 | Política
Eleitor pobre quer redução
de impostos, aponta pesquisa
Agência Estado
A elevada carga tributária
é apontada pelo eleitor de baixa renda como o maior empecilho
para a geração de emprego e o aumento do consumo no País.
Sete em cada dez brasileiros defendem a redução dos impostos,
e não dos juros, como forma de gerar empregos - 65% aceitam menos
programas sociais, como o Bolsa-Família, se a contrapartida for
reduzir tributos para derrubar os preços.
Pesquisas do Instituto Análise mostram
que 67% das pessoas com renda familiar de até R$ 465 dizem
preferir um presidente que reduza os impostos dos alimentos para que
se compre comida mais barata a um que aumente o Bolsa-Família
- opção de 32% dos entrevistados.
"As pessoas sabem que poderiam consumir
mais, mas não conseguem por causa dos impostos", afirmou
o cientista político Alberto Carlos Almeida, do Instituto Análise.
Realizadas em 2009, as pesquisas ouviram mil pessoas por mês.
"São 70 cidades no País, incluindo as nove regiões
metropolitanas e locais do interior", disse ele.
A diminuição da carga tributária, portanto, teria
reflexos em outro tema caro ao eleitor: o aumento do consumo. Puxado
pelo crescimento real do salário mínimo e do crédito,
o consumo das famílias cresceu nos últimos anos - e
o governo estima que aumentará 6,1% em 2010.
Nas pesquisa, 67% concordam que o "melhor
para a população pobre é que o governo reduza
impostos e tenha menos funcionários, com isso o preço
dos produtos cai". Já 28% preferem "mais impostos
e que com o dinheiro dos impostos o governo faça mais programas
sociais".
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ESTADO DO PARANÁ,
24 de janeiro de 2010 | Política
Oposição descarta propor
'invenções' na eleição de 2010
Agência Estado
Na disputa pela sucessão
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a oposição
prevê que não haverá espaço para fazer "invenções
e experimentos" nas propostas a apresentar ao eleitor. Segundo
alguns de seus integrantes, a ideia é fazer o básico,
mas mirando alvos onde o atual governo teria deixado a desejar na sua
atuação. Esses focos serão infraestrutura, saúde,
juventude e segurança, a partir de um projeto articulado de desenvolvimento.
Outro ponto básico será também o conceito da capacidade
de gestão. Na visão da oposição, o PT aparelhou
o Estado e descuidou de sua eficiência.
"O PT inchou a máquina, mas ela
não funciona. O problema central não é nem o
número de funcionários públicos. O que não
pode é ter cada vez mais gente e eles não serem eficientes",
diz o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ).
A primeira transformação imediata que os aliados do
governador e candidato tucano à Presidência, José
Serra, se propõem a fazer é a "reforma de hábitos
e costumes" na relação com o Legislativo e o Judiciário.
O que a oposição não
esperava é que a disputa entre os dois lados se transformasse
numa espécie de vale-tudo, depois que o presidente do PSDB,
senador Sérgio Guerra (PE), fez críticas ao atual governo
numa entrevista à revista Veja, afirmando que o Programa de
Aceleração de Crescimento (PAC) não existia e
tinha cunho eleitoral. O próprio Lula acabou ajudando a subir
o tom da discussão, chamando Guerra de "babaca",
durante reunião ministerial na quinta-feira.
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Gazeta do Povo, 24 de janeiro
de 2010
Assembleia Legislativa
Mês menor, GASTO MAIOR
Publicação das verbas de ressarcimento
no Portal da Transparência mostra em que os deputados aplicaram
os recursos públicos. O último mês do ano registrou
o maior valor, apesar do recesso
A divulgação das despesas feitas
pelos deputados estaduais em dezembro de 2009 reservou a última
surpresa do ano na Assembleia Legislativa. De acordo com os dados
publicados no Portal da Transparência na semana passada, os
parlamentares gastaram 31,76% a mais do que vinham gastando nos meses
anteriores.
O que chama mais a atenção,
porém, é que essas despesas se referem a um mês
que teve apenas 17 dias de trabalho, já que o recesso parlamentar
começou em 18 de dezembro. Levando-se em conta os dias úteis,
foram apenas 13.
Entre agosto – mês em que o site
entrou no ar – e novembro, o gasto médio somando-se as
despesas dos 54 deputados ficou em R$ 745.742. Em dezembro, no entanto,
essa quantia subiu para R$ 982.631,71. Todos esses valores dizem respeito
à verba mensal de R$ 15 mil que os parlamentares utilizam para
cobrir despesas referentes ao mandato, como combustível, alimentação,
material de escritório, entre outras. Os valores gastos são
ressarcidos mediante apresentação de notas fiscais,
que passam por checagem na Comissão de Tomada de Contas da
Assembleia antes da devolução do dinheiro aos deputados.
A campeã de gastos em dezembro foi
Cida Borghetti (PP), com R$ 49.443,30 ressarcidos. O valor corresponde
a quase 66% do total que a deputada tinha disponível para gastar
ao longo dos últimos cinco meses do ano. Em vez de pedir mensalmente
o ressarcimento de R$ 15 mil a que tem direito, ela concentrou as
despesas em dezembro, chegando a declarar, por exemplo, despesas de
apenas R$ 1.240 durante todo o mês de setembro.
A deputada conta que a concentração
dos gastos em dezembro foi por opção própria.
Segundo ela, o grande volume de recursos gastos no mês se deveu
à divulgação da campanha do Dia de Luta contra
o Câncer de Mama, que é comemorado em 27 de novembro
e foi instituído por uma lei de autoria dela. “Foi também
uma opção minha. Tenho outras rendas com as quais posso
me manter e, na medida do possível, mando as notas para a Assembleia.”
Em segundo lugar no ranking das maiores despesas
de dezembro aparece o deputado Luiz Carlos Martins (PDT). No total,
o parlamentar gastou R$ 37.868,39, o que corresponde a 50,5% de toda
a verba indenizatória de agosto até o fim do ano. A
maior parte desse valor – R$ 22,8 mil – foi paga aos Correios,
no item que engloba “Serviços de Correio e Postagens”.
Procurado pela reportagem por meio do celular e na rádio da
qual é proprietário, Martins não foi encontrado
para comentar o assunto.
Logo em seguida, com R$ 30.599,75 gastos em
dezembro, está o deputado Pedro Ivo (PT). Segundo o parlamentar,
cujas despesas do último mês do ano representaram 40,74%
dos R$ 75 mil disponíveis desde agosto, ele concentra suas
atividades fora da Assembleia nesse período, uma vez que a
Casa está em recesso. “Em dezembro e janeiro tenho mais
tempo para circular e andar pelo interior, ir a eventos. A partir
de fevereiro, os gastos já voltam ao normal”, justifica.
“Esse é o momento em que você acaba gastando mais.
Nessas andanças, não tem como não gastar.”
O petista argumenta ainda que, em dezembro,
elevou as despesas por meio da compra de espaços em veículos
de comunicação. “Publicamos em rádios e
jornais um material sobre os projetos de lei que apresentamos, numa
espécie de balanço do ano”.
Sem comparação
Para o cientista político Leonardo
Barreto, da Universidade de Brasília (UnB), é difícil
avaliar o motivo do aumento nos gastos dos deputados em dezembro,
sobretudo porque não há informação das
despesas feitas em anos anteriores, para que se possa fazer uma comparação.
Uma hipótese, segundo ele, é
que nas festas de fim de ano os parlamentares tentam fazer algum tipo
de agrado aos eleitores. “Não sei se isso funciona para
deputado estadual. Mas para federal funciona muito bem”, afirmou.
“Em virtude das festas, os parlamentares fazem material promocional,
compram brindes. É um apelo para fazer um agrado
aos eleitores.”
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ESTADO DO PARANÁ,
24 de janeiro de 2010 | Política
Fórum Social Mundial vê
crise global dos partidos
Agência Estado
Dez anos depois da sua criação,
o Fórum Social Mundial (FSM), que começa amanhã
em Porto Alegre, discutirá alternativas à crise dos partidos
tradicionais em todo o mundo. Ao mesmo tempo receberá, amistosamente,
alguns astros da "grande política" brasileira. Em ano
de sucessão presidencial, o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva e as pré-candidatas à Presidência pelo
PT, ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e pelo PV, senadora
Marina Silva (AC), participarão de eventos no encontro.
Neste ano, um dos pontos em discussão
no evento será a possibilidade de constituição
de agremiações partidárias globais, devido ao
caráter internacional de muitas questões ali tratadas.
Mas o fórum continuará longe de virar partido.
A reunião no Rio Grande do Sul será
um dos 27 encontros regionais programados pela organização
do fórum para este ano. O grande evento internacional, que
agora só acontece de dois em dois anos, está marcado
para janeiro de 2011, em Dacar, no Senegal.
A edição de Porto Alegre, onde o fórum começou,
dez anos atrás, se estenderá para municípios
da região metropolitana da capital. São esperadas cerca
de 20 mil pessoas. "O fórum não é um partido
mundial, é um fórum", diz Cândido Grzybowski,
do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas
(Ibase), um dos veteranos do movimento iniciado em 2001. "A crise
dos partidos preocupa quem está no fórum, mas não
é o fórum que vai resolver isso."
Outro fundador, Sérgio Haddad, afirma
que a relação entre fórum e partidos é
tranquila. "Os partidos não propõem atividades",
explica. "Há um diálogo com eles, porque quem viabiliza
propostas são governos, e os governos são produto dos
partidos."
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Folha de S.Paulo, 24 de
janeiro de 2010
HAITI EM RUÍNAS
Brasil quer "Plano Lula" para
reerguer país
Amorim sugere que governo brasileiro lidere
reconstrução haitiana e anuncia que ajuda de Brasília
dobrará para US$ 30 milhões | Chanceler diz que presença
brasileira é de longo prazo enquanto que a americana é
passageira, e que liderança regional não é preocupação
LUIS KAWAGUTI
EM PORTO PRÍNCIPE
O chanceler Celso Amorim sugeriu ontem, durante
visita a Porto Príncipe, que o governo brasileiro lidere os
esforços internacionais para reconstruir o Haiti, devastado
por um terremoto ocorrido há doze dias.
Amorim fez a oferta depois de ser questionado por um jornalista sobre
a possibilidade, apresentada pelo FMI, de se adotar para o Haiti um
novo plano Marshall, o programa pilotado pelos EUA que norteou e financiou
a reconstrução de países europeus devastados
pela Segunda Guerra Mundial.
"Por que tem que ser um plano Marshall? Pode ser plano Lula.
Não é só quem dá mais dinheiro, é
quem está mais empenhado", disse o ministro em entrevista
coletiva na base das tropas brasileiras que comandam desde 2004 a
Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização
do Haiti).
Horas antes da entrevista coletiva, o chanceler anunciara, ao desembarcar
no Haiti, que o Brasil dobrará a ajuda humanitária de
emergência para uma primeira etapa da reconstrução
do país caribenho. O montante passaria de US$ 15 milhões
para US$ 30 milhões.
Amorim, que não foi recebido pelo presidente René Préval
mas pelo premiê Jean Max Bellerive, disse ainda que os brasileiros
ajudarão na formação de novos funcionários
para o governo do Haiti, para substituir os que morreram na tragédia.
O ministro afirmou que se tudo o que o Brasil está fazendo
fosse contabilizado -como a instalação de um hospital
de campanha, a ponte aérea de voos com água e alimentos
e as ações de distribuição de comida da
tropa brasileira- as doações somariam "algumas
centenas de milhões de dólares".
A viagem de Amorim ao Haiti antecede a sua participação
em encontro amanhã em Montreal, Canadá, que visa preparar
uma grande conferencia de países doadores para o Haiti, que
deve acontecer em data e local ainda indefinidos.
"A melhor maneira de fazer é dar o exemplo. O Brasil,
que não e um pais rico, desde o primeiro momento fez uma oferta
significativa. Nós estamos dando o bom exemplo e as doações
estão aumentando", disse, em tom de cobrança às
potências.
Amorim procurou minimizar as divergências com os EUA acerca
dos esforços de ajuda ao Haiti. O ministro e o general Floriano
Peixoto, comandante militar da Minustah, alegaram que existe "harmonia"
entre as tropas dos dois países. Segundo Peixoto, os EUA são
responsáveis pela ajuda humanitária e o Brasil, pela
segurança.
O chanceler deixou clara sua visão sobre os respectivos papeis
de Brasília e Washington no Haiti. "A nossa presença
aqui é de longo prazo, e a das forças americanas é
passageira", disse Amorim.
Um dia após o Brasil ter promovido um grande evento midiático
de distribuição de alimentos para os haitianos desabrigados,
ele disse que Brasil "não está preocupado com a
liderança regional, mas sim em ajudar o Haiti, com respeito
aos mandatos internacionais e com respeito ao governo do Haiti".
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Agência Senado,
24 de janeiro de 2010
ESPECIAL
Licença-maternidade de seis meses
já pode ser concedida; Patrícia Saboya quer campanha
de esclarecimento
A senadora Patrícia Saboya (PDT-CE) disse nesta sexta-feira
(22) que vai pedir ao governo que realize uma campanha, pelo rádio
e pela televisão, para informar às trabalhadoras que
a partir desta segunda-feira (25) elas podem reivindicar dois meses
adicionais de licença-maternidade, além dos quatro a
que já têm direito. A Receita Federal publicou nesta
sexta (22) Instrução Normativa detalhando como as empresas
devem agir para que o benefício seja concedido. A senadora
é a autora do projeto, transformado em lei (lei 11.770/08),
que possibilita os dois meses adicionais de licença-maternidade.
Para que as trabalhadoras tenham acesso
aos seis meses completos de licença-maternidade a empresa
deve aderir, pela internet, ao programa "Empresa Cidadã",
da Receita Federal. O valor gasto pela companhia neste pagamento
adicional poderá ser descontado do imposto de renda devido.
A adesão da empresa não é obrigatória.
Os primeiros quatro meses de licença-maternidade são
pagos pelo empregador, que é reembolsado pela Previdência
Social.
Só terão direito ao benefício
trabalhadoras de empresas que fazem opção pela declaração
de imposto de renda pelo lucro real, o que exclui empresas que pagam
pelo chamado lucro presumido ou optantes do Simples federal. Cerca
de 150 mil empresas declaram pelo lucro real, o que abrange quase
metade dos trabalhadores da iniciativa privada. No geral, os governos
e as prefeituras adotaram a licença de seis meses para suas
servidoras. Detalhe: o projeto que saiu do Congresso previa o benefício
para trabalhadoras de qualquer empresa, mas o presidente da República
vetou sua concessão às firmas que pagam IR pelo lucro
presumido.
O projeto da senadora Patrícia Saboya
(PLS 281/05) foi aprovado pelo Senado em outubro de 2007, sendo
enviado ao exame dos deputados, onde foi votado em setembro de 2008.
O presidente da República sancionou a proposta uma semana
depois, mas sua regulamentação, por decreto presidencial,
demorou cerca de 15 meses para sair, o que ocorreu no dia 23 de
dezembro último (decreto 7.053/09). A senadora atribui o
atraso à Receita Federal, que "obviamente não
quer perder arrecadação, especialmente em um ano de
dificuldades financeiras, como foi 2009".
A lei e sua regulamentação
também garantem licença remunerada de 60 dias à
trabalhadora que adotar ou obtiver a guarda judicial para fins de
adoção de criança, desde que ela tenha até
um ano de idade. Se for criança de um a quatro anos, a licença
será de 30 dias, período que é reduzido para
15 dias quando se tratar de criança entre quatro anos e oito
anos de idade.
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NCST, 24 de janeiro de 2010
O adeus a Luiz Tenório
de Lima, o Tenorinho
O Brasil se despede de um dos maiores líderes sindicais da
história deste país, Luis Tenório de Lima. Tenorinho,
como era conhecido, faleceu na tarde de hoje, 23 de janeiro, na cidade
de São Paulo. Ele tinha 87 anos.
Apresentador do programa “Bom dia, companheiro”, na rádio
Imprensa, e vice-presidente da Nova Central Sindical dos Trabalhadores,
Tenorinho foi líder sindical da cúpula da CGT, membro
do Partido Comunista e fundador do DIEESE. Saiba mais sobre a vida
desse grande sindicalista acessando o link.abaixo:http://memoria.dieese.org.br/museu/indexProjeto.do?idProjeto=1&pagina=minha_historia.jsp&idPessoa=3
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Folha de S.Paulo, 24 de
janeiro de 2010
Lei que dá direitos às
domésticas emperra
Pressão política e falta de conclusão
de estudos interrompem elaboração de PEC que beneficiaria
6,8 milhões de trabalhadores | Para especialistas, aumento dos
custos de contratação e encargos poderiam ter o efeito
colateral de elevar a informalidade no setor
FÁTIMA FERNANDES
DA REPORTAGEM LOCAL
Pressão política e falta de
conclusão de estudos interromperam a elaboração
de uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) do governo federal
para igualar os direitos dos empregados domésticos aos das
demais categorias.
Cinco ministérios -Trabalho, Previdência Social, Casa
Civil, Fazenda e Planejamento- chegaram a discutir em 2008 mudanças
na legislação da maior categoria profissional do Brasil,
formada por 6,8 milhões de trabalhadores. A intenção
era encaminhar uma PEC ao Congresso até o final de 2008, o
que não aconteceu.
O empregado doméstico, como estabelece a Constituição
Federal de 1988, não tem direito a jornada de trabalho estabelecida
em lei, hora extra, adicional noturno, salário-família,
FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) obrigatório,
seguro-desemprego e benefício por acidente de trabalho.
Em 2008, a ministra Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de
Políticas para as Mulheres (SPM), subordinada à Presidência,
disse que, com a PEC, "o governo queria apagar a mancha de discriminação
que estava presente na Constituição" em relação
à categoria.
"Não se conseguiu fechar os estudos, que são complexos.
E a elaboração da PEC não depende apenas da secretaria.
Não é fácil, pois há implicação
financeira, custos", afirma Eunice Léa de Moraes, gerente
de projetos da subsecretaria de Articulação Institucional
da SPM.
A SPM solicitou aos ministérios envolvidos na elaboração
da PEC a formação de um novo grupo de estudos, mais
enxuto, para reiniciar a discussão. "A ideia é
extinguir o parágrafo único do artigo 7º da Constituição
Federal", diz Moraes.
Esse parágrafo limita os direitos das domésticas. A
Constituição estabelece 34 direitos para os trabalhadores
em geral e nove para os domésticos.
"As discussões sobre a legislação para as
domésticas não avançaram. É preciso entender
que os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário são
feitos por patrões. Não podemos nos iludir e achar que
vai ser fácil aprovar mudança na legislação
das domésticas. Isso não depende só do presidente
Lula. Depende de ministros, senadores, deputados e sociedade civil",
afirma Creuza Maria Oliveira, presidente da Federação
Nacional das Trabalhadoras Domésticas, com 35 sindicatos filiados
e ligada à CUT (Central Única dos Trabalhadores).
O governo voltou atrás nas discussões para ampliar os
direitos das domésticas porque ficou em dúvida se era
o caso de agradar à maior categoria profissional do país
e desagradar à classe média, que é quem paga
as domésticas, na avaliação do advogado Luis
Carlos Moro.
"O governo foi hesitante em relação à matéria
e não conseguiu conciliar as diferenças internas. Quem
vai se habilitar a ser pai das domésticas e padrasto da classe
média? Nenhum político quer assumir esse ônus,
especialmente neste ano de eleição", diz Moro.
Cerca de 73% dos trabalhadores domésticos (4,89 milhões
de pessoas) trabalham na informalidade -não têm carteira
assinada. "É justo o trabalhador doméstico ter
os mesmos direitos de outros empregados. Só que haverá
elevação de custo para os empregadores, o que poderá
resultar em elevação da informalidade", diz o consultor
Mario Avelino, fundador do site Doméstica Legal.
Tiro no pé
Se os direitos dos trabalhadores forem estendidos às domésticas,
quem paga um salário mínimo de R$ 510 por mês,
por exemplo, teria de desembolsar mensalmente mais 8% de FGTS (R$
40,8), sem contar horas extras, se a jornada de 44 horas semanais
for excedida, além de férias e 13º.
O empregador teria ainda de pagar mais R$ 61,20 de contribuição
ao INSS, que hoje é de 12%, e 40% de multa sobre o total do
saldo depositado no FGTS, se a empregada for demitida sem justa causa.
"A equiparação de direitos pode significar um tiro
no pé do emprego doméstico."
Para Avelino, o governo deveria ter iniciativas para reduzir os encargos,
como diminuir as alíquotas para contribuição
previdenciária do empregador e da empregada e possibilidade
de descontar gastos com doméstica do Imposto de Renda. Projetos
que defendem essas políticas já estão no Congresso.
Para Luiz Salvador, presidente da Abrat (Associação
Brasileira dos Advogados Trabalhistas), a sociedade não quer
mudanças na lei das domésticas. Paulo Pereira da Silva,
presidente da Força Sindical, diz que parte do Congresso não
quer "arrumar encrenca com a classe média". "O
ideal seria a união de 10 ou 12 deputados para fazer um projeto
de lei. Nesse caso, entendo que Lula não vetaria o projeto."
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Folha de S.Paulo, 24 de
janeiro de 2010
Convenção da OIT
abordará tema pela 1ª vez
DA REPORTAGEM LOCAL
A possibilidade de a OIT (Organização
Internacional do Trabalho) ter uma convenção internacional
ainda neste ano para trabalhadores domésticos deverá
forçar o Brasil a avançar nas discussões sobre
a categoria.
A avaliação é de Creuza Maria Oliveira, presidente
da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas,
ligada à CUT. Neste ano, segundo ela, pela primeira vez a OIT
organizará, em julho, em Genebra, uma convenção
de direitos das domésticas.
"Se for feita a convenção internacional, como esperamos,
o Brasil será forçado a caminhar mais rapidamente para
ampliar direitos para a categoria dos trabalhadores domésticos,
que faz parte da classe operária brasileira", diz.
A presidente da federação diz que as domésticas
ficaram desapontadas com a falta de avanço nas discussões
e nos estudos para elaboração de uma PEC pelo governo
federal.
"Mas já obtivemos algumas conquistas, como a do direito
à estabilidade à gestante e férias de 30 dias.
As patroas também não podem mais descontar o que dão
para as empregadas. Mas a categoria precisa de mais. Vamos lutar para
que as domésticas se mobilizem cada vez mais. Agora, acredito
que será muito difícil, neste ano de eleição,
o governo encaminhar PEC para melhorar a situação das
domésticas. Vamos contar com a convenção da OIT."
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