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Agência Sindical, 26 de janeiro
de 2010
OCDE: crise interrompe 6 anos
de crescimento na América Latina
A crise econômica interrompeu
"cerca de seis anos de crescimento vigoroso" na América
Latina e no Caribe, disse nesta segunda-feira o secretário-geral
da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento
Econômico (OCDE), Ángel Gurría.
Embora a região tenha
enfrentado a situação com uma "posição
mais sólida" que outras, "a crise afetou fortemente
a América Latina", disse Gurría no II Fórum
Econômico Internacional da América Latina e do Caribe
que é celebrado hoje em Paris.
Como exemplo, o dirigente
da OCDE afirmou que esse golpe concretizou-se em uma queda das exportações
de cerca de 24% e também no retrocesso dos fluxos de investimentos
diretos estrangeiros e das remessas dos imigrantes.
Como resultado global, acrescentou,
"a região perdeu cerca de 2,2 milhões de postos
de trabalho durante o último ano" e "em alguns países
a pobreza está voltando a aumentar".
Gurría reiterou, no
entanto, que os avanços que muitos países tinham registrado
nas últimas décadas em matéria de democratização,
abertura e fortalecimento macroeconômico permitiram enfrentar
a situação de uma posição mais sólida
e amenizar seu impacto social.
"Esperamos que o Produto
Interno Bruto (PIB) médio da América Latina e do Caribe
recuperará seu dinamismo em 2010" mas, na opinião
de Gurría, é preciso olhar mais a longo prazo e aprender
com as lições dos dois últimos anos.
A experiência dos países
que se desenvolveram com sucesso, prosseguiu, demonstra que "a
melhora das condições de vida não é sustentável
quando não vem acompanhada por um crescimento da produtividade".
Neste sentido, Gurría
ressaltou que, infelizmente, "na maioria do continente, incluindo
os países que mais progrediram nos últimos anos, a produtividade
não aumentou significativamente".
De fato, a diferença
dos níveis de produtividade entre a América Latina e
as economias mais avançadas "apenas aumentou nesses últimos
anos de boom econômico". Para enfrentar esta situação,
a OCDE defende que a receita é "inovar mais e melhor,
investindo de maneira mais ativa e decidida em uma economia baseada
no conhecimento".
"O talento e a inovação
são fatores que tem de sobra na América Latina e no
Caribe. Devemos transformá-los em desenvolvimento, investindo
em uma educação de qualidade", acrescentou o secretário-geral.
Com agências
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Gazeta do Povo, 26 de
janeiro de 2010
Projeção
Emprego na indústria deve reagir
em 2010
Após queda acumulada de 5,5% até
novembro do ano passado, perspectiva é de alta nas contratações
O ano de 2009 apresentou o pior quadro para o emprego industrial apurado
pelo IBGE desde o início da série histórica da
Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário na Indústria
(Pimes), cujos dados anuais são calculados desde 2002. Mas,
segundo analistas, a perspectiva é de aceleração
no ritmo de contratações em 2010. Com uma queda acumulada
de 5,5% até novembro, o emprego no setor fechará o ano
com um quadro muito pior do que o mais baixo resultado da série,
de 2003 (-0,57%). Os dados finais do ano passado serão apresentados
no dia 9 de fevereiro.
Com a forte recuperação
do setor industrial projetada para este ano – segundo o boletim
Focus, a produção aumentará 8,3% –, a expectativa
é que o emprego mostre resultados mais fortes, que já
começaram a surgir em novembro do ano passado. Segundo os últimos
dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI),
a ocupação no setor aumentou 0,8% em novembro do ano
passado ante outubro, no melhor resultado ante mês anterior
desde março de 2004.
Análise
O ministro do Trabalho, Carlos
Lupi, prevê a geração de dois milhões de
empregos formais no Brasil em 2010. Mais comedido, o Ministério
da Fazenda projeta 1,6 milhão de novas vagas com carteira assinada.
De qualquer forma, o volume de postos de trabalho no mercado formal
não vai ser suficiente para absorver o crescimento da ordem
de 2,6 milhões de pessoas na População Economicamente
Ativa (PEA), que estarão ingressando no mercado de trabalho
à busca do seu primeiro emprego este ano.
A diferença –
que pode ser de 600 mil a um milhão em relação
as projeções de Lupi e a do Ministério da Fazenda
– será absorvida pelo mercado informal ou simplesmente
engrossará o grupo dos sem emprego, na avaliação
de analistas que não confirmam as previsões otimistas
do governo. Para o especialista em mercado de trabalho e professor
da Universidade de São Paulo, José Pastore, dois fatores
são essenciais para alavancar a geração de empregos
formais, especialmente os de melhor qualidade: a ampliação
dos investimentos em setores de maior tecnologia e a melhoria na qualificação
de mão de obra.
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Folha de S.Paulo, 26 de
janeiro de 2010
Crédito acelera consumo
e eleva pressão por alta no juro
Mercado já prevê que inflação
feche 2010 acima do centro da meta; Copom decide Selic amanhã,
mas a taxa atual deve ser mantida
SHEILA D'AMORIM
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A retomada do crédito,
aliada à expectativa de alta da renda e do emprego, será
mais lenha para o fogo do consumo em 2010 e se tornará o grande
desafio para o Banco Central, que terá que conter as pressões
inflacionárias decorrentes do maior crescimento econômico.
Mesmo caro, o crédito promete voltar com força total.
As expectativas de crescimento do volume de empréstimos do
BC e do mercado financeiro variam de 20% a 25%, valor ainda inferior
aos 30% registrados antes da crise do final de 2008, mas suficientemente
forte para impulsionar a demanda.
Durante reunião ministerial na semana passada, o ministro Guido
Mantega (Fazenda) deixou claro que o consumo interno, puxado pelo
crédito, será o pilar do crescimento de 5,2% neste ano,
depois de um desempenho da economia próximo a zero em 2009.
No cenário de Mantega, isso está em harmonia com preços
sob controle. No entanto, a combinação de estímulos
já fez acender a luz amarela no BC.
A pesquisa feita semanalmente pelo BC no mercado financeiro (Focus)
e divulgada ontem mostra que as expectativas de inflação
dos analistas de mercado para 2010 passaram, pela primeira vez, o
centro da meta, de 4,5%, e estão em 4,6%.
Por isso, já há uma corrente no BC defendendo que os
alertas para uma alta sejam dados agora de forma mais enfática.
Amanhã, o Copom (Comitê de Política Monetária
do BC) se reúne pela primeira vez neste ano para avaliar essas
questões. A expectativa é que a taxa Selic seja mantida
nos atuais 8,75% ao ano. O mercado aguarda com ansiedade a sinalização
que o BC dará no comunicado que será emitido depois.
Normalmente, antes de subir os juros, o BC costuma endurecer o discurso,
sinalizando alta futura. Isso faz com que o mercado coloque nos seus
preços a possibilidade de elevação lá
na frente, encarecendo o custo dos empréstimos já no
curto prazo.
Parte da equipe econômica, por outro lado, acredita que juros
não são a única alternativa e defende medidas
clássicas, como incentivos à importação.
No entanto, há dúvidas sobre o efeito dessa medida.
O aumento de importações pode, inicialmente, conter
alguma pressão de preços ou até puxar para baixo
o valor de produtos nacionais. No momento seguinte, porém,
ajuda a aumentar a renda disponível, incentivando ainda mais
o consumo.
Mantega também já sinalizou com a retirada dos incentivos,
que baratearam produtos como automóveis, móveis e eletroeletrônicos.
A questão é saber se esse arsenal será suficiente
para fazer frente à agressividade no crédito prometida
pelos bancos.
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FOLHA DE LONDRINA, 26
de janeiro de 2010 | Economia
Mercado projeta inflação
em 4,6% para este ano
Índice está acima da meta
prevista para este ano; pesquisa do BC também aponta taxa
Selic em 11,25% ao final de 2010
São Paulo - A estimativa
para a inflação apresentou alta na pesquisa semanal
Focus divulgada ontem pelo Banco Central (BC). No levantamento realizado
junto a instituições financeiras, a previsão
para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)
em 2010 subiu de 4,50% para 4,60%. Assim, a previsão dos
analistas ficou acima da meta de inflação para este
ano, que é de 4,50%. Na mesma pesquisa, a estimativa para
o IPCA em 2011 permaneceu em 4,50%.
A estimativa para a inflação
de janeiro também subiu. Para este mês, a previsão
para o IPCA passou de 0,55% para 0,62%. O dado do IPCA de janeiro
deve ser divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) no dia 5 de fevereiro. Para fevereiro, a estimativa de IPCA
subiu de 0,53% para 0,60%. A pesquisa Focus manteve a previsão
de que a taxa básica de juros da economia (Selic) deve terminar
2010 em 11,25% ao ano. Para o fim de 2011, foi mantida a projeção
de que a taxa Selic fique em 11% ao ano.
PIB e dólar
A estimativa para o desempenho
da economia brasileira em 2010 apresentou estabilidade. A previsão
para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano ficou em 5,30%. Para
2011, a previsão para o PIB foi mantida em um crescimento
de 4,50%. No levantamento, a estimativa para a produção
industrial em 2010 subiu 8% para 8,30%. Para 2011, houve alta de
4,70% para 4,80%.
Os analistas mantiveram
a previsão para o patamar do dólar no fim do ano.
O nível da moeda norte-americana no fim de 2010 ficou em
R$ 1,75. Para o fim de 2011, foi mantida a expectativa de que a
cotação da moeda norte-americana fique em R$ 1,83.
A previsão de câmbio médio no decorrer de 2010
manteve-se em R$ 1,75. O mercado financeiro alterou as previsões
para o deficit nas contas externas em 2010. A previsão para
o déficit em conta corrente neste ano subiu de US$ 45,5 bilhões
para US$ 47,5 bilhões. Para 2011, a previsão de deficit
em conta corrente do balanço de pagamentos subiu de US$ 55
bilhões para US$ 59,47 bilhões.
Superavit
A previsão de superavit
comercial em 2010 caiu de US$ 10,75 bilhões para US$ 10 bilhões.
Para 2011, a estimativa para o saldo da balança comercial
caiu de US$ 4,5 bilhões para US$ 2,8 bilhões. Os analistas
aumentaram ainda a estimativa de ingresso de Investimento Estrangeiro
Direto (IED) em 2010, de US$ 37 bilhões para US$ 38 bilhões.
Para 2011, a estimativa para o IED subiu de US$ 39,2 bilhões
para US$ 40 bilhões.
Fernando Nakagawa
Agência Estado
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Folha Online, 26 de janeiro
de 2010
CLS: Governo Federal unifica
leis sociais e criará metas de cumprimento
Por Simone Iglesias, Angela Pinho e Larissa
Guimarães
Na Folha de S.Paulo
Concebida pelo Governo Lula
para ser sua herança na área social e alavancar a imagem
da candidata Dilma Rousseff no setor, a CLS (Consolidação
das Leis Sociais) reunirá programas de todos os ministérios,
unificando as leis que já existem, e institucionalizando ações
em andamento por força de decreto ou portaria.
Além disso, será
criada uma Lei de Responsabilidade Social, com metas de cumprimento
e punições para União, estados e municípios.
Mas ainda não há parâmetros tão definidos,
como no caso dos programas a serem unificados na CLS.
É o caso do reajuste
do Bolsa Família, que, desde que foi criado, é definido
por decreto presidencial. Com a CLS, o aumento se tornará anual
e corrigido pela inflação.
Outros programas que se tornarão
permanentes são Atenção Integral à Família,
distribuição de leite, Restaurantes Populares e construção
de cisternas no Nordeste.
Na área educacional,
a principal vitrine do governo, o ProUni, já está prevista
em lei. Mas, com a CLS, serão incluídas na legislação
as outras ações previstas no chamado PAC do setor lançado
em 2007.
Na saúde, entrarão
na CLS programas como o Brasil Sorridente, de atendimento odontológico,
e Farmácia Popular, de distribuição de medicamentos.
Na área de segurança
pública, o Pronasci, principal bandeira do Ministério
da Justiça, também será incorporado.
O projeto da CLS definirá
ainda as regras gerais para avaliação dos programas,
como metas e perfil dos beneficiados.
Já a Lei de Responsabilidade
Social definirá as obrigações de União,
estados e municípios para o setor, como serão feitos
repasses e como funcionarão parcerias. Ela deverá estabelecer
punições para quando for descumprida, como ocorre na
Lei de Responsabilidade Fiscal.
A CLS é inspirada claramente
na CLT de Getúlio Vargas, e similar à Lei de Responsabilidade
Fiscal de Fernando Henrique Cardoso. Da primeira, emprestou a ideia
de unificar várias iniciativas de uma área; da segunda,
a ideia de gerar um legado permanente e deixar claras as atribuições
de cada esfera de governo.
O presidente Lula reunirá
os ministros da área social nesta semana para fechar o pacote
de projetos de leis e enviá-lo ao Congresso.
Segundo o ministro Patrus
Ananias (Desenvolvimento Social), a Consolidação das
Leis Sociais dará fundamentação jurídica
aos programas, transformando-os em políticas públicas.
O ministro tem restrições à fixação
de metas na lei, como defendem setores do governo.
"É importante
normatizar, mas há o risco de engessar. O Brasil é um
país diferenciado do ponto de vista geográfico, regional
e social", afirmou.
Segundo Patrus, o fato de
este ano ser eleitoral e os projetos terem que passar pelo Congresso
não serão obstáculo para o governo emplacar as
leis sociais. Segundo ele, a oposição será "sensível".
Para o economista Marcelo
Néri, da FGV, a consolidação pode ser positiva
para evitar que os programas sociais sejam afetados por períodos
eleitorais. Por outro lado, ele vê pouco risco de descontinuidade
na área assistencial e educacional com a eventual vitória
de um candidato do PT ou do PSDB.
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Valor Econômico,
26 de janeiro de 2010
BC deve manter juro da taxa Selic
congelada em 8,75%, mas sinaliza aperto
Por Luiz Sérgio Guimarães,
no Valor Econômico
Formalmente, o Copom do Banco
Central deverá manter a Selic congelada em 8,75% em sua primeira
reunião do ano, marcada para esta quarta-feira (27). Mas, na
prática, já vai sancionar, segundo consenso do mercado,
um aperto monetário ao deixar claro na sua nota emitida depois
da reunião que pretende subir o juro em março ou abril.
Quando o BC indica de alguma
forma codificada - supressão de palavras-chave, adição
de expressões significativas no texto já conhecido ou,
ainda, a construção de placares divergentes, caso em
que parte minoritária da diretoria já vota por uma alta
do juro -, a intenção de elevar a Selic torna o aperto
imediato ao chancelar as taxas praticadas no DI futuro.
Ele pode discordar da magnitude
do ciclo de elevação implícito na estrutura a
termo da taxa de juros. Mas é inevitável que o alerta
de alta tem o efeito de ratificar as expectativas. A ata da reunião
tratará de afiná-las.
Mas até lá irá
valer a curva futura. E esta já inclinou-se positivamente de
forma acentuada desde a última reunião do Copom. De
9 dezembro para cá, a taxa do swap de 360 dias - mais do que
a Selic é este o juro tomado como referência para o custo
básico do dinheiro para um ano - avançou de 10,33% para
10,51%.
Entre um Copom e outro, o
juro real projetado para 12 meses subiu de 5,68% para 5,78%. Ou seja,
a alta da taxa nominal não está amparada em piora semelhante
ocorrida na expectativa de IPCA. O juro subiu muito mais do que a
projeção de inflação do Focus, de 4,40%
para 4,47%. Para o mercado, tanto o Focus quanto o BC estão
"atrás da curva de juros".
Contaminadas pela deterioração
corrente dos índices de inflação - o IPCA-15
acusou variação de 0,52%, para previsões de 0,48%,
com núcleos pressionados que devem manter o índice cheio
em degrau desconfortável durante todo o primeiro trimestre
-, os economistas consideram inescapável uma piora nas expectativas
de inflação futura. E o BC irá apressar seu passo
monetário.
Uma parte do mercado considera
que se o BC quiser indicar uma alta da Selic já na reunião
seguinte à da próxima quarta-feira, o procedimento mais
eficaz era o escore rachado. Dos oito membros, dois ou três
podiam optar por uma elevação imediata. A vantagem desse
método em relação à mudança de
discurso é de já fornecer o possível tamanho
da elevação que será feita em 17 de março.
Os diretores divergentes poderão
escolher entre avanço de 0,25 ponto ou de 0,50 ponto. No primeiro
caso, o sinal será de que o Copom não tem pressa. A
inflação sobe, a demanda se aquece, a ociosidade da
indústria diminui e o hiato do produto fecha mas não
é nada grave ou urgente. A segunda hipótese transmite
melhor a sensação de urgência.
A intensidade do aperto pode
ser robusta e se concentrar mais nestes meses pré-eleições,
durante os quais o país estará mais preocupado com o
desempenho da seleção na África do Sul do que
com o pleito presidencial.
Mas se o BC estiver em dúvida
quanto ao momento em que deveria subir a taxa - não descartando
a reunião de abril, mas tornando mais provável o encontro
de junho ou julho - as indicações ficarão mesmo
para o comunicado pós-Copom.
No que foi expedido ao fim
do encontro de dezembro, já foram introduzidas duas alterações
sutis, ambas sinalizando a intenção de apertar a política
monetária em algum momento de 2010.
Esta é a parte relevante
do texto: "Levando em conta, por um lado, a flexibilização
da política monetária implementada desde janeiro e,
por outro, a margem de ociosidade remanescente dos fatores produtivos,
entre outros fatores, o Comitê avalia neste momento que esse
patamar de taxa básica de juros é consistente com um
cenário inflacionário benigno, contribuindo para assegurar
a manutenção da inflação na trajetória
de metas ao longo do horizonte relevante e para a recuperação
não inflacionária da atividade econômica".
As mudanças foram os
acréscimos da palavra "remanescente" e da expressão
"neste momento".
A economista-chefe do Banco
Fibra, Maristella Ansanelli, espera uma alteração no
tom do comunicado e da ata, já deixando as portas abertas para
uma possível elevação dos juros na reunião
de março ou abril.
A economista projeta ciclo
de alta de 2,5 pontos na Selic ao longo do ano, com início
em abril, mas ressalta que "os riscos são assimétricos
na direção de uma antecipação do movimento
de alta e/ou uma maior magnitude do ciclo de aperto".
Enquanto o nível de
utilização da capacidade instalada avançará
para patamares historicamente elevados ainda no primeiro semestre
deste ano, a inflação tem surpreendido negativamente,
com pressões acima do esperado no grupo dos alimentos.
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Valor Econômico, 26
de janeiro de 2010
Ciclo de alta dos juros é
considerado inevitável por boa parte dos analistas
Por Sergio Lamucci, no Valor Econômico
Com o forte crescimento da economia
esperado para este ano, um ciclo de alta dos juros é considerado
inevitável por boa parte dos analistas. Há, porém,
instrumentos de política econômica que poderiam diminuir
a magnitude do aumento da taxa Selic - a elevação muito
forte dos juros prejudicaria afetar investimento e consumo.
Economistas ortodoxos, como
Edward Amadeo, da Gávea Investimentos, sugerem uma política
fiscal mais apertada, com o fim das desonerações tributárias
e redução de gastos, além de uma atuação
menos agressiva dos bancos públicos no crédito.
No cenário atual, o controle
da inflação não deverá contar com a ajuda
do câmbio valorizado, que em 2009 contribuiu para segurar os preços.
Nos últimos dias, o dólar mostrou tendência de alta.
Não há, porém,
consenso sobre essa questão. Economistas heterodoxos acham que
a alta dos juros não é inexorável. O professor
José Luiz Oreiro, da Universidade de Brasília (UnB), acha
que a elevação de impostos, como o fim das desonerações
tributárias para bens duráveis, e medidas para conter
o crédito ao consumo podem tornar desnecessário o aumento
dos juros. Paulo Gala, da FGV-SP, não vê aquecimento excessivo
da atividade, criticando a "fobia da inflação"
do mercado.
Com o forte crescimento da atividade
econômica neste ano, um ciclo de alta dos juros é considerado
inevitável por boa parte dos analistas, para evitar o descompasso
entre oferta e demanda e, com isso, o surgimento de pressões
inflacionárias.
Há, contudo, instrumentos
que podem ao menos diminuir a magnitude do aumento da Selic, como uma
política fiscal mais apertada e uma ação menos
agressiva dos bancos públicos no crédito.
Medidas para restringir financiamentos
ao consumo também são sugeridas por alguns economistas,
num cenário em que o controle da inflação não
deverá contar com a ajuda do câmbio valorizado como em
2009. Nas últimas semanas, o dólar mostrou tendência
de alta, superando R$ 1,80.
Analistas ortodoxos veem um
forte aquecimento da atividade, recomendando medidas de contenção
da demanda. Algumas estimativas apontam para uma alta do PIB superior
a 6% neste ano. O ex-ministro Edward Amadeo, sócio da Gávea
Investimentos, chama a atenção para a força do
mercado de trabalho, marcado pela geração significativa
de empregos formais e uma baixa taxa de desemprego.
Ele observa que há uma
profusão de estímulos na economia - monetários,
fiscais e creditícios - que precisam ser revertidos. De janeiro
a novembro de 2009, as vendas do varejo ampliado, que incluem veículos
e material de construção, cresceram 6% sobre o mesmo período
do ano anterior.
Amadeo vê o ciclo de alta
da Selic como inevitável, mas diz que a intensidade do movimento
pode ser limitada, a depender da orientação que o governo
der às contas públicas e aos bancos oficiais. "A
política fiscal e a política oficial de crédito,
que em 2009 foram corretamente anticíclicas para combater a crise,
são hoje pró-cíclicas, o que não faz mais
sentido."
Para 2010, a meta de superávit
do setor público é de 3,3% do PIB, acima dos cerca de
1,8% a 2% do PIB estimados para 2009. O mercado, porém, aposta
que o esforço para pagar os juros da dívida ficará
na casa de 2,5% do PIB neste ano.
Amadeo diz que o superávit
primário dependerá muito do nível de arrecadação,
pois há muitos gastos correntes já contratados e o governo
tentará acelerar os investimentos. Controlar as despesas de custeio,
colocar um ponto final nas desonerações tributárias
para bens de consumo e poupar qualquer excesso de receita são
medidas importantes, que podem reduzir a extensão do ciclo de
aumento dos juros, avalia.
Para o economista Carlos Eduardo
Gonçalves, da Faculdade de Economia, Administração
e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), "será
difícil passar sem um aumento dos juros neste ano", dado
o ritmo atual de crescimento. Como Amadeo, ele diz que uma política
fiscal mais apertada tiraria parte do peso da política monetária,
abrindo mais espaço para o crescimento do consumo e do investimento
privados.
Gonçalves, contudo, não
vê necessidade de um aperto monetário dos mais fortes,
mesmo se não houver grandes mudanças fiscais. Para ele,
um aumento de 1,5 ponto percentual da taxa Selic, hoje em 8,75% ao ano,
tenderia a ser suficiente.
"Não há necessidade
de promover uma queda expressiva da inflação, como em
2003, quando ela estava em 12%. Hoje, ela ainda está abaixo do
centro da meta [de 4,5%]", afirma ele, para quem a alta do juro
poderia ser ainda menor caso houvesse uma política fiscal mais
restritiva. Ele acredita, no entanto que o Banco Central será
mais duro e elevará a taxa 3 pontos percentuais até o
começo de 2011.
O ex-presidente do BC Gustavo
Loyola, sócio da Tendências Consultoria Integrada, diz
que uma contração fiscal pode ajudar a impedir uma alta
mais expressiva dos juros, mas não deverá evitá-la
totalmente. Ele espera uma alta da Selic no segundo semestre, provavelmente
em setembro.
Analistas heterodoxos têm
uma visão diferente. O professor José Luiz Oreiro, da
Universidade de Brasília (UnB), acha que a economia de fato cresce
a um ritmo forte, com rápida redução da ociosidade.
O nível de utilização
de capacidade instalada na indústria de transformação,
que atingiu 83,8% em dezembro, na série com ajuste sazonal da
Fundação Getúlio Vargas (FGV), é um sinal
disso. Em fevereiro e março, quando atingiu o nível mais
baixo durante a crise, o número ficou em 77,9%.
Para Oreiro, porém, a
alta da Selic não é inexorável. Ele diz que seria
desejável um aperto fiscal por meio de redução
da alta de gastos, mas considera ingênuo apostar nisso num ano
eleitoral. O que pode se feito em relação às contas
públicas é elevar impostos, como o fim das desonerações
tributárias para bens de consumo, avalia.
Oreiro tambem defende a contenção
do crédito ao consumo por meio da "instituição
de um compulsório específico para esse tipo de ativo".
É uma atuação seletiva, que não afetaria
os empréstimos para a construção civil ou capital
de giro, por exemplo. Com essas ações, a alta de juros
poderia ser evitada, ou no mínimo atenuada.
Já o professor Paulo
Gala, da Escola da Economia de São Paulo (EESP) da FGV, acredita
que o crescimento da atividade não é tão forte.
Ele vê capacidade ociosa na economia e diz que o nível
de produção na indústria segue bem abaixo do que
vigorava antes da crise.
Gala acha que seria bastante
importante um aumento expressivo do superávit primário,
para facilitar a tarefa do país de ter um câmbio mais competitivo
e juros mais baixos, combinação favorável à
expansão das exportações e do investimento.
Mesmo que isso não ocorra,
porém, ele não vê necessidade de elevar os juros.
"O que me incomoda é que o mercado tem uma fobia quanto
à inflação, mas não há preocupação
quanto ao aumento do déficit em conta corrente e o câmbio
valorizado".
Medidas como o aperto da política
fiscal podem ser importantes para ajudar no controle da inflação
também porque o câmbio não deverá mais ajudar
nessa tarefa. Com as incertezas no cenário externo, o aumento
do déficit em conta corrente e a perspectiva de alguma volatilidade
provocada pelas eleições, começa a ganhar força
a aposta de que os tempos de valorização do real ficaram
para trás.
Gonçalves acredita que
a moeda ficará de R$ 1,80 para cima, podendo se tornar um fator
de risco inflacionário em 2010, ainda que ressalte as dificuldades
para se projetar o câmbio. Loyola vê um dólar entre
R$ 1,75 e R$ 1,80 neste ano, que pode chegar a R$ 1,90 e depois voltar.
Para ele, a moeda vai parar
de contribuir para segurar os preços, mas não vai provocar
pressões inflacionárias graves. Oreiro também não
vê inflação mais relevante causada pelo câmbio,
a não ser que a moeda supere R$ 1,95.
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O ESTADO DO PARANÁ,
26 de janeiro de 2010 | Economia
SDE investiga prática de cartel
no mercado de cimento
Agência Estado
A Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério
da Justiça informou, por meio de nota à imprensa, que
está investigando a existência de prática de cartel
no mercado de cimento do Brasil.
Na sexta-feira passada, a
SDE pediu informações às empresas Cimentos de
Portugal (Cimpor), Votorantim, Camargo Corrêa e Companhia Siderúrgica
Nacional (CSN).
"Suspeita-se que as companhias
estejam atuando para impedir a entrada de concorrentes no mercado",
diz a nota da secretaria, lembrando que o controle acionário
do grupo português Cimpor está sendo disputado pela CSN,
Camargo Corrêa e Votorantim.
"A SDE tem preocupação
em garantir condições iguais de entrada a todos os agentes
econômicos de modo a incrementar a concorrência no setor
de cimento no Brasil", disse, na nota, a secretária de
Direito Econômico, Mariana Tavares.
A SDE diz que sua preocupação
se justifica pelo fato de que empresas do setor de cimento já
foram condenadas pela prática de cartel no País. A Secretaria
acrescenta que já há uma investigação
em curso na SDE sobre "suposta cartelização na
área", mas os detalhes estão sendo mantidos em
segredo.
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Congresso em Foco, 26
de janeiro de 2010
Estará Ciro na tática
do coelho?
“Na corrida eleitoral, Ciro Gomes passa
a impressão de que, na verdade, pertence à mesma equipe
de Dilma Rousseff, e que compete para fazê-la ganhar”
É uma estratégia
comum em corridas de longa distância. É usada também
em provas de ciclismo, e mesmo no automobilismo em corridas tipo 24
Horas de Le Mans. Entre os competidores de uma mesma equipe, elege-se
um para assumir um ritmo muito forte no início, acima do recomendável.
É o chamado “coelho”. O objetivo é fazer
com que os adversários o sigam, na disparada que ele dá.
Passado um tempo de corrida, nem ele nem os adversários que
caírem na artimanha vão aguentar o ritmo: vão
cansar (ou, no caso das corridas de automóvel, vão quebrar),
abrindo espaço para o integrante da equipe que estava mesmo
destinado a vencer a prova, e que vinha atrás, num ritmo mais
adequado.
O comportamento errático
que o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) apresenta na corrida presidencial
muitas vezes me dá a sensação de que, nessa disputa,
ele na verdade pertença à mesma equipe de Dilma Rousseff,
e que compete para fazê-la ganhar. Guardadas as diferenças
que essa corrida tem para as corridas esportivas, Ciro parece fazer
esse papel de coelho. Sua tarefa ali parece ser apenas embaralhar
o jogo, confundir as coisas, aumentando as dúvidas que fariam
com que os adversários demorassem a definir quem escalariam
– se José Serra ou Aécio Neves - para enfrentar
o candidato de Lula, pelas dúvidas sobre quais variáveis
teriam que enfrentar.
Se assim não fosse,
como explicar Ciro? Como explicar que um candidato de fato se permitisse
ir caindo nas pesquisas sem reação? Como explicar que
alguém que de fato tivesse a pretensão de disputar a
Presidência da República aceitasse antes a hipótese
de transferir seu título eleitoral para São Paulo, onde
nasceu mas nunca teve vida política, se a negociação
dessa alternativa já não acontecesse desde o início?
Onde está Ciro? Que fatos ele está produzindo? Que declarações
tem dado? Agora, definido pela oposição que o candidato
será mesmo o governador de São Paulo, José Serra,
noticia-se que o governo iniciará uma ofensiva para tirar Ciro
do páreo eleitoral. Foi o governo que o botou no páreo.
Agora, será o governo quem vai tirá-lo.
Risco de papel subalterno
Levo a minha tese no PSB a
um dos maiores partidários da candidatura de Ciro, o senador
Renato Casagrande (ES). Ele garante que Ciro está no páreo
presidencial para valer. “Se o Ciro se expõe muito, é
criticado. Se não se expõe, é criticado também.
É difícil achar um meio termo”, reclama. De acordo
com Casagrande, tirar Ciro do páreo agora seria muito mais
um desejo de Lula e do Palácio do Planalto.
“Lula sempre quis Ciro
fora do páreo eleitoral. Ele sempre quis tornar 2010 uma eleição
plebiscitária. E, creio que mesmo sem Ciro na disputa, ele
já não conseguirá isso, porque Marina vai disputar
e, na minha opinião, leva o páreo para o segundo turno”,
avalia Casagrande.
No final do ano passado, Lula
já levou ao PSB sua defesa da retirada de Ciro. Na ocasião,
não conseguiu, segundo Casagrande, demovê-lo. Agora,
ele voltará a conversar sobre o tema com o governador de Pernambuco
e presidente do PSB, Eduardo Campos. “Não creio que será,
como o governo ventila, uma conversa definitiva. Acho que será
mais uma conversa de avaliação”, diz Casagrande.
O que pesa, segundo ele, é
que o governo ainda não apresentou de fato qualquer compensação
realmente valiosa para fazer Ciro desistir da disputa presidencial.
A hipótese de concorrer ao governo de São Paulo parece
algo muito arriscado. Compensações nos estados –
como retirada de candidaturas petistas para apoiar nomes socialistas
– não foram admitidas. “O que é que nós
vamos fazer numa aliança entre o PT e o PMDB que só
nos reserva um papel subalterno?”, questiona Casagrande. Essa,
para ele, é a grande questão.
Mas, de qualquer modo, a não
ser que Ciro comece a aparecer no páreo com mais visibilidade
e com maiores demonstrações reais de vontade de disputá-lo,
parece ficar uma segunda pergunta: o que fará o PSB numa eleição
presidencial em que ao seu candidato só se reserve um papel
subalterno? Se era apenas para ser o coelho ou o sparring de Dilma
para eventualmente bater em José Serra, valerá a pena?
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G1, 26 de janeiro de
2010
Para Jucá, Temer representa
o PMDB e deve ser vice de Dilma
O líder do governo
no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), defendeu nesta segunda-feira
(25) o nome do presidente da Câmara e presidente licenciado
do PMDB, Michel Temer (SP), para candidato a vice em uma chapa para
a presidência encabeçada pela ministra-chefe da Casa
Civil, Dilma Rousseff (PT). Jucá faz parte da articulação
que visa dar a Temer um novo mandato como presidente do partido.
“O partido está
unido e o Michel Temer mais do que qualquer pessoa representa a
instituição. O PMDB tem um nome que representa o partido,
que é o Michel. Não outro nome colocado para ser vice.
Nós não vamos lançar o vice antes de ter a
candidata a presidente, mas teremos força no momento que
o PMDB se sentir representado, que o prefeito, o líder do
partido lá no interior se sinta representado na chapa presidencial”,
disse Jucá.
A declaração
de Jucá é mais uma contra a proposta de listra tríplice
que chegou a ser apresentada pelo presidente Luiz Inácio
Lula da Silva para a escolha do vice de Dilma. Ele destaca que nenhum
partido pode se envolver em questões internas do outro. “O
presidente nunca conversou isso de lista tríplice com a gente.
Não há imposição nenhuma. Nós
vamos definir o PMDB e o PT vai definir o PT. Vão haver conversas,
mas não há veto”.
O líder do governo
aproveitou também para defender a retirada da candidatura
de Ciro Gomes (PSB-CE) para a presidência da República.
Jucá ressaltou que a definição sobre a candidatura
de Ciro cabe ao PSB, mas defendeu a união da base já
no primeiro turno. "O PSB tem legitimidade para ter candidato,
mas o importante é unir a base e vencer no primeiro turno".
A união entre o grupo
de deputados e dos senadores é um fato novo dentro do PMDB.
Os dois grupos chegaram a um acordo para a eleição
da direção do partido em fevereiro e vão apoiar
a recondução de Temer à presidência da
legenda. O vice na chapa deverá ser um senador do PMDB e
Jucá é um dos mais cotados. Caso se confirme a aliança,
o mais provável é que Temer se licencie novamente
da presidência da legenda e o senador que ficar com a vice
comande a legenda durante a eleição.
Fonte: G1
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O ESTADO DO PARANÁ, 26 de janeiro
de 2010 | Política
Oposição diz que falta
'espírito democrático' a Dilma
Agência Estado
A oposição criticou a "falta de espírito
democrático" da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff,
pré-candidata do PT à Presidência. Hoje no Rio,
Dilma afirmou que a demora do Congresso em aprovar o projeto de capitalização
da Petrobras atrapalha a conclusão dos planos de investimento
da estatal.
"A ministra tem falta de compreensão
acerca do regime democrático", rebateu o deputado do PSDB,
Arnaldo Madeira (SP). "Uma afirmação dessa não
poderia vir de uma pessoa que se apresenta como candidata à
Presidência. Será que a ministra Dilma prefere o regime
do Chávez?", ironizou o tucano, numa referência
ao presidente venezuelano Hugo Chávez.
Madeira ressaltou que projetos como o que
trata da capitalização da estatal exigem debates estruturados
e não podem ser votados sem a devida análise por parte
de deputados e senadores.
"Não faz tanto tempo assim que
o projeto da Petrobras está no Congresso. Uma matéria
com complexidade não pode ser votada sem que ocorra uma discussão
profunda", disse o deputado tucano.
Líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), também
reagiu com indignação à acusação
de Dilma. Para ele, nem a ministra nem o governo podem fazer tal afirmação.
"Qual é a autoridade moral que
um governo que não consegue sequer executar 20% de seu principal
projeto (o Programa de Aceleração do Crescimento - PAC)
tem para cobrar agilidade do Congresso?", questionou Agripino.
Para o senador, o Congresso tem dado apoio
a todos os importantes projetos do governo. Ele citou como exemplo
o programa Minha Casa Minha Vida. "Não estamos deixando
de discutir nada, mas não podemos votar de forma irresponsável",
afirmou.
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Vermelho, 26 de janeiro
de 2010
Projeto de lei quer criar licença
retribuição para trabalhador
O trabalhador regido pela
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) terá
o direito de se afastar do serviço por 30 dias, sem prejuízo
da remuneração, a cada cinco anos na mesma empresa ou
em instituições que pertençam ao mesmo grupo
econômico. A proposta é do deputado Iran Barbosa (PT-SE),
que apresentou projeto de lei da chamada licença retribuição.
Segundo Iran, pelas regras
atuais, um trabalhador, ao final de um mês de 31 dias, recebe
salário referente apenas a 30 dias. “No decorrer de cinco
anos, são cerca de 30 dias trabalhados gratuitamente”,
disse.
A licença remuneração
foi a forma encontrada por Iran para compensar os dias a mais que
os trabalhadores da iniciativa privada trabalham todos os anos, sem
ganhar um tostão por isto.
“O projeto de lei cria
uma contraprestação mais justa pelos serviços
executados”, afirmou o deputado. O texto prevê que o trabalhador
poderá optar entre usufruir a licença retribuição
ou solicitar sua conversão em dinheiro.
Já o patrão
terá o prazo de um ano, após concluído o quinquênio
trabalhado, para conceder a licença - caso esta tenha sido
a preferência do trabalhador.
Pela proposta, as faltas injustificadas
ao serviço não poderão ser descontadas dos dias
referentes à licença retribuição.
O deputado destaca que a proposta
foi destaque, esta semana, na imprensa nacional. “Além
da divulgação pela imprensa nacional, recebemos dezenas
de mensagens de apoio à nossa proposta”, disse. A proposta
tramita atualmente na Comissão de Trabalho da Câmara
e tem o deputado Vicentinho (PT-SP) como relator.
Com agências
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BEM PARANÁ, 26 de
janeiro de 2010 | Economia
Maternidade
Empresas podem ampliar licença-maternidade
A concessão do benefício é
uma opção da empresa, que poderá abater o valor
gasto do Imposto de Renda
Da redação
A partir de hoje as empresas poderão aderir ao programa que
permite a ampliação da licença-maternidade de
4 para 6 meses. Pelo sistema, o governo paga o valor por quatro meses
e a empresa, por dois meses. A concessão do benefício
é uma opção da empresa, que poderá abater
o valor gasto do Imposto de Renda. Segundo a Receita, a medida representará
redução de R$ 414 milhões na arrecadação
em 2010.
Depois da adesão, a funcionária tem um prazo de 30 dias
após o nascimento da criança para requerer a ampliação.
Ela tem direito ao salário integral. A medida também
vale para casos de adoção. O objetivo é garantir
o aleitamento e o bom desenvolvimento do bebê.
A regulamentação do benefício foi publicada ontem
no Diário Oficial da União, mais de um ano após
o Congresso aprovar a lei que criou o programa Empresa Cidadã,
ampliando o prazo para seis meses. As vantagens fiscais, no entanto,
estão limitadas às empresas que fazem a declaração
do Imposto de Renda pelo sistema de lucro real, o que reduz o alcance
da medida.
No Brasil, cerca de 150 mil empresas se enquadram nessa categoria,
a maioria é grande corporação. Segundo o coordenador
de cobrança da Receita, João Paulo Martins, elas empregam
cerca de 40% da mão de obra feminina do País. As empresas
incluídas no Simples ou no sistema de lucro presumido não
têm como abater a despesa.
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Folha
de S.Paulo, 26 de janeiro de 2010
Justiça dá liminar
contra regra trabalhista
Empresas desaprovam as novas regras do governo
que buscam punir quem não investe em segurança no trabalho
| Multiplicador a ser aplicado em contribuição de seguro
contra acidente de trabalho elevará arrecadação em
R$ 5 bilhões, estima a CNI
FÁTIMA FERNANDES
DA REPORTAGEM LOCAL
Empresas e entidades de setores patronais, como
o Sinditêxtil (sindicato paulista da indústria têxtil),
começam a obter liminares da Justiça para escapar das
novas regras para o cálculo da contribuição ao
RAT (Riscos Ambientais do Trabalho) -antigo Seguro Acidentes do Trabalho-,
que passaram a vigorar a partir deste mês.
Essa contribuição incide sobre a folha de pagamento e
é cobrada de cerca de 1 milhão de empresas em todo o país.
Estimativa do Ministério da Previdência é de uma
arrecadação de R$ 8,1 bilhões com essa contribuição
no ano passado e de uma despesa de R$ 14,2 bilhões.
Com o objetivo de premiar as empresas que investem na segurança
do trabalho e de punir as menos preocupadas com prevenção
de acidentes e doenças ocupacionais, o Conselho Nacional de Previdência
Social criou o FAP (Fator Acidentário de Prevenção),
um multiplicador, que varia de 0,5 a 2, para ser aplicado sobre alíquotas
de 1%, 2% e 3% da contribuição ao RAT incidente sobre
a folha de salários das empresas.
Essas alíquotas de 1%, 2% e 3% são estabelecidas a setores,
considerando o risco que oferecem aos trabalhadores. E o FAP -criado
pela lei 10.666 de 2003 e regulamentado por decretos, portarias e resoluções-
é determinado a cada empresa e varia de acordo com os registros
de doenças, acidentes e mortes no ambiente de trabalho.
Projel Engenharia Especializada Ltda, Fresenius Hemocare Brasil Ltda
(produtos médicos e hospitalares), Coats Corrente Ltda (têxtil)
e Caliendo Metalurgia e Gravações Ltda. são exemplos
de empresas que obtiveram liminares da Justiça para não
adotar o FAP.
O Sinditêxtil obteve liminar em favor de 108 empresas associadas
durante plantão judiciário em dezembro e espera a confirmação.
A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de
São Paulo) também entrou com pedido de liminar na Justiça
e aguarda decisão.
Para empresas e entidades que foram à Justiça, não
ficou transparente como o ministério definiu os setores que pagam
1%, 2% e 3% de contribuição ao RAT e como estabeleceu
o multiplicador a ser aplicado a cada empresa. O ministério não
teria divulgado o ranking de setores que oferecem mais e menos riscos
aos empregados, o que, para elas, é outra falha.
"Essas novas regras têm problemas. A maioria das entidades
passou a pagar alíquota maior sem saber a razão. A Fiesp
pagava alíquota de 1% e agora pagará 3%. A federação
já recorreu à Justiça contra o RAT e o FAP",
diz Hélcio Honda, diretor titular do Departamento Jurídico
da Fiesp.
A liminar favorável à Projel foi concedida pelo juiz federal
José Henrique Prescendo, da 22ª Vara Federal de São
Paulo.
"A alíquota determinada para o setor da Projel é
de 3%, e o FAP, de 1,64, o que significa que a contribuição
da empresa, que era de 3%, passou para quase 5% sobre a folha de pagamento.
A empresa, no entanto, só registrou dois afastamentos por doença
de trabalho e nenhum acidente no período considerado (abril de
2007 a dezembro de 2008). A ideia do FAP é boa, só que
ninguém sabe como são feitos os cálculos",
diz Juliano Di Pietro, advogado da Projel.
A liminar favorável à Fresenius Hemocare foi concedida
pelo juiz federal substituto Douglas Camarinha Gonzales, da 7ª
Vara Federal de São Paulo; a da Coats, pelo juiz federal João
Batista Gonçalves, da 6ª Vara Federal de São Paulo.
Emerson Casali, gerente executivo de Relações do Trabalho
da CNI (Confederação Nacional da Indústria), diz
que a confederação é favorável à
filosofia de premiar quem investe em saúde e segurança
no trabalho e de onerar quem não investe.
"Só que, na prática, as novas regras não foram
nessa direção. O RAT aumentou para dois terços
dos setores, até para as empresas que não têm registro
de acidente de trabalho. Foi criada uma fórmula para reduzir
o desconto para quem não registrou acidente", afirma.
A CNI estima aumento de R$ 5 bilhões na arrecadação
com a contribuição ao seguro acidente neste ano com as
novas regras. "A arrecadação deve chegar a R$ 13
bilhões neste ano, sendo que o governo disse que não iria
elevar encargos das empresas com as mudanças."
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Folha de S.Paulo, 26 de
janeiro de 2010
Governo cita alta em acidentes
e decide recorrer
DA REPORTAGEM LOCAL
O Ministério da Previdência
informa que vai recorrer à Justiça por meio da Advocacia-Geral
da União, da PGNF (Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional) e
de seu departamento jurídico para anular eventuais liminares
favoráveis às empresas que discordam das novas regras
para cobrança da contribuição ao RAT (Riscos Ambientais
do Trabalho).
"Estamos preparados para nos defender. O uso do multiplicador [o
FAP, Fator Acidentário de Prevenção] era para ter
se iniciado em 2003, o que não aconteceu por conta de discussões
sobre metodologia, agora concluídas. É óbvio que
as empresas com muitos acidentes de trabalho vão reclamar das
novas regras", afirma Remigio Todeschini, diretor do Departamento
de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional do
Ministério da Previdência.
O multiplicador, segundo ele, fará com que as empresas prestem
mais atenção no ambiente de trabalho, já que a
contribuição ao RAT será menor para aquelas que
registram menos acidentes e mortes e maior para aquelas que têm
mais acidentes.
"Só uma pequena parte das empresas pagará mais. Isso
quer dizer que essas empresas precisam investir mais em saúde
e segurança no trabalho", afirma Todeschini.
Saldo
Nos cálculos do ministério, cerca de 880 mil empresas
serão beneficiadas com o FAP e cerca de 73 mil pagarão
mais de contribuição. Esse quase 1 milhão de empresas
está dividido em 1.301 setores e contribui ao RAT com alíquota
menor (1%) ou maior (3%), dependendo dos riscos que oferece aos seus
trabalhadores.
Levantamento do ministério, baseado em informações
das próprias empresas, mostra que o número de acidentes
no trabalho cresceu nos últimos anos no país. Em 2006,
foram registrados 512 mil acidentes; em 2007, 659 mil, e, em 2008, 747
mil.
O setor de comércio e reparação de veículos
liderou em 2008, segundo o ministério, o ranking de acidentes
de trabalho por ramo de atividade -foram 99.571 acidentes. Em seguida
estão os setores de alimentação e bebidas (69.660),
saúde e serviços (52.559), transporte e armazenagem (50.281),
construção (49.191), prestação de serviços
(49.025) e produtos têxteis (30.462).
Todos os setores que não recolhem tributos pelo sistema simplificado,
o Simples Nacional, devem recolher a contribuição ao RAT,
o que inclui entidades patronais e de trabalhadores, como sindicatos
e federações.
"As alíquotas são baseadas nas informações
sobre mortalidade, invalidez e acidente de trabalho e de trajeto dadas
pelas próprias empresas. Quando cai um avião com representantes
de empresas, por exemplo, essas mortes são contabilizadas e também
interferem na alíquota de contribuição. O Brasil
está atrasado 30 anos na cobrança individual da contribuição
ao seguro de trabalho."
No exterior
A cobrança dessa contribuição em países
como França, Itália, Argentina, Colômbia, Espanha,
México, Canadá e Chile é, em média, de acordo
com Todeschini, quatro vezes maior do que a do Brasil.
"Na tarifa coletiva, o teto máximo da alíquota nesses
países é de 11,9%, em média. No Brasil é
de 3%", diz.
Segundo Todeschini, o deficit da Previdência na conta de benefícios
acidentários pagos decorrentes de aposentadoria é de R$
30,3 bilhões.
"Queremos cobrar mais das empresas com maior número de acidentes,
o que é justo", afirma. (FF)
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