 |
AGêNCIA DIAP, 29 de janeiro de 2010
Editorial*: Três desafios do movimento
sindical em 2010
Votar a agenda pendente no Governo Lula; eleger um aliado dos assalariados
para sucessão presidencial; e também uma grande bancada
de deputados e senadores compromissada com a classe trabalhadora
O movimento sindical terá três
grandes desafios em 2010, que irão exigir unidade política
e de ação.
O primeiro será votar a agenda pendente
no Governo Lula. O segundo está relacionado à eleição
de um aliado dos assalariados para a sucessão presidencial. O
terceiro será eleger uma grande bancada de deputados e senadores
compromissada com a classe trabalhadora.
O primeiro desafio, que também é
o mais urgente, consistirá em criar as condições
para a votação conclusiva de cinco pontos da agenda sindical
até julho, período útil de atuação
do Congresso neste ano eleitoral, para que sejam transformados em lei
ainda durante o Governo Lula.
Os projetos tratam da regulamentação
da terceirização, que será enviado ao Congresso
entre fevereiro e março; da estabilidade do dirigente sindical,
já aprovado no Senado e sob exame da Câmara; da redução
da jornada, que aguarda inclusão em pauta para votação
no plenário da Câmara; do custeio das entidades sindicais,
mediante a contribuição assistencial também já
aprovado no Senado e aguardando manifestação da Câmara;
e do fim ou da flexibilização do fator previdenciário,
em debate na Câmara.
A urgência da votação dessas
matérias se justifica pelo fato que o futuro presidente - seja
ele ou ela quem for - não terá o mesmo conhecimento e
sensibilidade do presidente Lula com o movimento sindical e os trabalhadores.
Além disso, as condições
serão favoráveis, tanto do ponto de vista político,
pela unidade das centrais e o apoio do Governo, quanto sob a ótica
econômica, já que o País terá um crescimento
superior a 5% este ano.
O segundo desafio, o mais estratégico
de todos, será apoiar e contribuir para eleger para a Presidência
da República alguém identificado com as bandeiras dos
trabalhadores, a partir do compromisso com uma plataforma comum do movimento,
já que dificilmente terá alguém oriundo do movimento
sindical com chances de eleição e com o mesmo nível
de comprometimento do presidente Lula.
Pelo fato de ser a candidata de Lula e representar
a continuidade da linha programática do Governo, a ministra Dilma
tende a ser o nome natural, embora o movimento sindical saiba que num
eventual Governo dela não terá o mesmo nível de
interlocução e prestígio que possui com o atual
presidente da República.
O terceiro desafio, extremamente importante,
é eleger aliados dos trabalhadores para a Câmara e o Senado,
seja para apoiar as propostas de um eventual Governo identificado com
a pauta dos trabalhadores, seja para fazer oposição quantitativa
e qualitativa a um eventual presidente refratário à agenda
trabalhista e sindical.
A presença de sindicalistas no Congresso,
tanto na Câmara quanto no Senado, vem diminuindo nas últimas
eleições.
A sorte dos trabalhadores é que durante
os governos Lula, especialmente nesta última legislatura, contou
com lideranças comprometidas e de expressão no exercício
do mandato parlamentar, como o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT/SP)
e o senador Paulo Paim (PT/RS), para liderar a resistências às
investidas neoliberais da bancada empresarial.
Os desafios, portanto, são múltiplos
e complexos. Transformá-los em realidade exigirá muita
mobilização e unidade das lideranças sindicais,
especialmente das centrais sindicais.
A oportunidade é agora.
A Diretoria
|
FOLHA DE SÃO PAULO,
29 de janeiro de 2010 | Dinheiro
VINICIUS TORRES FREIRE
As boas notícias do emprego
--------------------------------------------------------------------------------
No ano em que o ritmo do PIB foi de 6% a zero, crescem a renda, o trabalho
formal e o número de empregados
--------------------------------------------------------------------------------
NO FIM das contas, a economia brasileira padeceu uma recessão
brutal em 2009: passou de um crescimento anual da casa de 6%, no final
de 2008, para cerca de zero, no final do ano passado.
No "meio das contas", porém, foi uma estranha recessão
essa a de 2009.
O desemprego de alguns meios de produção, a ociosidade
das fábricas, por exemplo, cresceu e, a depender da medida e
do setor, recuou para níveis de 2007, em parte devido ao aumento
da capacidade produtiva decorrente da conclusão de investimentos
programados nos bons anos de 2007 e 2008.
No caso da oferta de trabalho e da qualidade dos empregos, ocorreram
na verdade melhorias. Mais lentas que nos anos de crescimento a 5%,
6%, decerto, mas ainda assim notáveis num ano em que o produto
global, o PIB, não cresceu nada.
Continuou a aumentar a proporção de trabalhadores "formais",
somado o número dos celetistas, empregadores e funcionários
públicos, segundo os dados divulgados ontem pelo IBGE, referentes
a seis regiões metropolitanas. Eram 61,6% em dezembro (medida
pela média dos últimos 12 meses encerrados naquele mês),
0,8 percentual acima de dezembro de 2009.
De 2008 para 2009, o crescimento havia sido de 1,6 ponto percentual,
mas o resultado do ano ameaçador de 2009 foi idêntico ao
do bom ano de 2007. A proporção dos trabalhadores ocupados
contribuintes de instituto de previdência superou a de 2009, chegando
a 66,8% na média do ano. Trata-se de um indicador tanto de formalização
do trabalho como de melhoria da renda.
A população ocupada cresceu 1,4% em 2009, quase a mesma
taxa de 2007 (1,5%), embora inferior à de 2008 (2,3%). Na média
do ano passado, o rendimento real médio cresceu 3,2%, ante 3,4%
em 2008. O número relativo das pessoas que haviam perdido o emprego
nos 365 dias anteriores à pesquisa subiu, de novo, sobre 2008,
mas, de novo, foi semelhante ao de 2007 (trata-se de uma medida de rotatividade
no emprego, é claro). A massa salarial (total de salários)
cresceu, embora à metade do ritmo do ano passado.
Note-se que as melhorias no mercado de trabalho ocorrem depois de um
período já bem longo de aumentos reais do salário
mínimo (quase 15 anos). Economistas padrão argumentam
que o tabelamento do salário mínimo prejudica a formalização
da mão de obra, por exemplo, e/ou mesmo limita o crescimento
do emprego.
Obviamente tal coisa não ocorreu. Pode-se argumentar que a formalização
teria sido maior em regime de salários básicos ainda mais
baixos, mas os adeptos da teoria terão de fazer malabarismos
contrafactuais complicados para sustentar a tese. Mais provável
é que o mínimo tenha é fornecido mais molas para
o colchão amortecedor de crises (ao lado dos benefícios
do INSS).
O aspecto menos positivo desse cenário é que em breve
a economia estará rodando a plena carga, com desemprego baixo,
gasto público elevado e, agora, com real mais desvalorizado,
sem que a inflação e/ou a taxa básica de juros
tenha descido a níveis de crise. Ou seja, estamos voltando à
situação de meados de 2008, mas com mais gasto público
contratado e deficit externo muito maior. Assim como os juros que virão.
vinit@uol.com.br
|
FOLHA DE SÃO PAULO,
29 de janeiro de 2010 | Dinheiro
Desemprego tem ligeira alta em 2009
Taxa fica em 8,1%; impacto da crise no
mercado de trabalho é limitado pelo vigor do consumo doméstico
PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO
O mercado de trabalho nas principais
metrópoles do país não sucumbiu à crise
em 2009, embora também não tenha ficado inume: a taxa
de desemprego subiu pouco -de 7,9% em 2008 para 8,1%- e a renda avançou
no mesmo ritmo de 2008. O número de empregos criados, porém,
perdeu fôlego.
Em dezembro, a taxa de desemprego chegou a 6,8%, marca que iguala à
de dezembro de 2008, a menor da série do IBGE, iniciada em 2002.
Nos sete primeiros anos do governo do presidente Lula, a taxa de desemprego
média ficou em 9,8%. Para o governo do ex-presidente Fernando
Henrique Cardoso, só existem dados de 2002 (março a dezembro),
quando a taxa foi de 11,7% -impulsionada pela crise pré-eleitoral.
Em 2003, primeiro ano de Lula, a taxa foi de 12,3%.
Em 2009, apesar da expansão de só 0,7% no contingente
total de pessoas ocupadas (menor do que o crescimento da população),
a taxa de desemprego se manteve próxima à estabilidade
por causa do maior desalento, segundo analistas.
Ou seja, sem perspectivas de arrumar um novo trabalho, pessoas de menor
qualificação simplesmente deixaram de procurar uma vaga.
Assim, não pressionaram a taxa de desemprego, que, para o IBGE,
só considera as pessoas que procuram trabalho ativamente.
Indústria
O retrato do mercado de trabalho em 2009, extraído da Pesquisa
Mensal de Emprego, completa-se com o fraco desempenho do emprego industrial,
combalido pela crise.
"Não é possível dizer que a crise não
teve impacto porque houve um enxugamento na ocupação,
mas, ao mesmo tempo, o emprego melhorou de qualidade em 2009. Já
em dezembro não se notavam mais sinais da crise", disse
Cimar Azeredo Pereira, gerente da pesquisa do IBGE.
Fábio Romão, economista da LCA, discorda, porém,
que foram gerados postos de melhor qualidade. A única boa notícia,
diz, foi o avanço do emprego formal. O economista afirma que
a taxa de desemprego só não subiu com mais força
por causa do crescimento do desalento -tendência que já
se reverteu em dezembro.
Com menor procura por trabalho, o fraco crescimento do contingente de
ocupados não alterou a tendência da taxa de desemprego.
Na média mensal de 2009, o IBGE contou 1,9 milhão de desocupados
-3,3% a mais do que em 2008.
Para Carlos Henrique Corseuil, do Ipea, o mercado de trabalho já
vive uma "fase de retomada", com a geração mais
forte de postos de trabalho em dezembro. Mas, diz, a taxa de desemprego
tende a subir nos primeiros meses do ano com uma maior procura por trabalho.
A indústria foi o setor que mais acusou o golpe da crise em 2009.
Tanto que a ocupação cresceu menos ou caiu nas regiões
industrializadas de São Paulo (0,6%), Porto Alegre (-0,8%), Belo
Horizonte (1,1%) e Rio de Janeiro (0,2%). E avançou com mais
força em Salvador (3,1%) e Recife (2,3%), mais voltadas aos serviços.
Renda
Sob impacto da inflação mais baixo e do reajuste real
do salário mínimo, o rendimento médio do trabalhador
cresceu 3,2% em 2009, no mesmo ritmo registrado em 2008.
Estimada em R$ 1.350, a renda enfim voltou aos níveis de 2002
e se recuperou integralmente da recessão que antecedeu as eleições
de 2002 e se prolongou até o início de 2004. Em dezembro,
a renda média caiu 0,9% ante novembro.
Segundo Cimar Azeredo Pereira, a saída do mercado de trabalho
de trabalhadores menos qualificados e informais em decorrência
da crise ajudou a puxar a renda média para cima. O aumento do
emprego formal também favoreceu a expansão da renda.
|
O
ESTADO DO PARANÁ, 29 de janeiro de 2009 | Economia
IBGE: não houve degradação
na qualidade do emprego
A crise econômica provocou um enxugamento de vagas e desaceleração
no mercado de trabalho metropolitano em 2009, mas não houve degradação
na qualidade do emprego e, em dezembro, os indicadores já retornaram
ao patamar de 2008, segundo o gerente da pesquisa mensal de emprego do
IBGE, Cimar Azeredo.
Como exemplo da manutenção da
qualidade no mercado de trabalho, ele destacou que, na média
do ano passado, o rendimento médio real dos trabalhadores aumentou
3,2% ante o ano anterior, variação próxima à
ocorrida em 2008 ante 2007, de 3,4%. "O rendimento não foi
afetado pela crise", disse ele. Na Região Metropolitana
de São Paulo, que responde por cerca de 40% dos ocupados, o rendimento
médio real, ante ano anterior, aumentou mais em 2009 (3,2%) do
que havia subido em 2008 (2,4%).
Azeredo destacou também que houve continuidade
no aumento da ocupação com carteira de trabalho assinada
no ano passado. A população ocupada nas seis regiões
registrou, em 2009, aumento de 0,8% ante o ano anterior.
Porém, o nível de ocupação
(porcentual de ocupados no total da população em idade
ativa) recuou de 2008 (52,5%) para 2009 (52,1%). "A queda no nível
de ocupação é significativa e reflete a desaceleração
que ocorreu no mercado de trabalho em 2009 por causa da crise",
disse, salientando porém que "não houve degradação
do mercado de trabalho, em termos de qualidade, no ano passado".
|
FOLHA DE SÃO PAULO,
29 de janeiro de 2010 | Dinheiro
CONJUNTURA
Indústria cresce, mas não
recupera patamar pré-crise
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A recuperação
econômica no segundo semestre de 2009 não foi suficiente
para que a indústria retomasse o patamar pré-crise global.
Sondagem divulgada ontem pela CNI (Confederação Nacional
da Indústria) aponta que os níveis de produção
e emprego, embora tenham superado no quarto trimestre do ano passado
os patamares de 2008, ainda estão abaixo do verificado no mesmo
período de 2007.
Mesmo com o avanço da utilização da capacidade
instalada nos últimos meses, a indústria brasileira operou
em média quatro pontos percentuais abaixo dos 80% de uso do parque
fabril registrados há dois anos.
A sondagem também mostra que os estoques excessivos já
foram eliminados e, pela primeira vez desde o fim de 2007, voltaram
para níveis abaixo do projetado pelos empresários. De
acordo com a pesquisa, o número de postos de trabalho no setor
também cresceu no quarto trimestre, mas a recuperação
não chegou ainda às pequenas empresas, o que deve ocorrer
ao longo do ano, à medida que as maiores companhias voltarem
a fazer mais encomendas aos menores fornecedores.
Também a Fiesp (Federação das Indústrias
do Estado de São Paulo) divulgou a quarta alta seguida nos níveis
de atividade da indústria em dezembro, o que foi insuficiente
para voltar ao patamar de julho de 2008, quando foi registrado nível
recorde. No ano passado como um todo, a atividade industrial caiu 8,5%
em São Paulo.
Com PAULO DE ARAUJO, colaboração
para a Folha
|
FOLHA
DE SÃO PAULO, 29 de janeiro de 2010 | Dinheiro
Com recuperação da economia,
inflação se acelera no mês
Índice da FGV, utilizado para corrigir
aluguéis, confirma tendência de alta de preços durante
ano
VERENA FORNETTI
DA REDAÇÃO
MARIANA SALLOWICZ
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA ONLINE
Impulsionados pela recuperação
da economia, os preços aos consumidores e os valores cobrados
no atacado começaram a se acelerar. Segundo o IGP-M (Índice
Geral de Preços - Mercado), medido pela Fundação
Getulio Vargas, a inflação em janeiro foi de 0,63%. Em
dezembro, o índice havia registrado queda de 0,26%.
Houve aumento de 0,51% dos preços no atacado e de 1% da inflação
ao consumidor, medida em sete capitais. Nessas cidades, o incremento
dos custos da construção civil foi de 0,52%.
Ontem, a Abras (Associação Brasileira de Supermercados),
que divulgou seu balanço de 2009, disse que já sentiu
pressão inflacionária no atacado. Apesar disso, representantes
afirmaram que os preços podem não subir para o consumidor,
pois há indústrias que ainda têm capacidade ociosa
e há condições de elevar a produção.
Nesta e na semana passada, outros índices de inflação
também mostraram a tendência de alta. O IPCA-15, prévia
do indicador usado na definição das metas oficiais de
inflação, avançou e, em 12 meses, indicou elevação
de 4,31%, percentual muito próximo à meta estabelecida
pelo governo, de 4,5%. A inflação próxima ao centro
da meta pressiona o governo a aumentar a taxa de juros.
Segundo a FGV, a aceleração da inflação
está ligada à reacomodação do nível
de preços na indústria, que caíram bastante durante
a crise, ao início da recuperação das cotações
dos fertilizantes e à correção de preços
administrados ou sazonais, como as tarifas de ônibus urbano e
as mensalidades escolares.
Salomão Quadros, coordenador de Análises Econômicas
da FGV, afirma que a inflação de janeiro sinaliza que
o período de queda de preços ficou para trás, mas
ressalta que o número não indica um novo padrão
para a inflação mensal neste ano.
"Certamente, a inflação será maior do que
foi no ano passado, mas não será tão alta como
vimos em 2008." Segundo ele, a tendência é que os
índices se mantenham altos até que os preços se
recuperem. A valorização do dólar no início
deste ano é outro fator que acentua esse processo. Feita a correção,
disse, os índices mensais devem ceder e se ajustar ao ritmo de
crescimento da economia.
Em 12 meses, a variação do IGP-M continua negativa, a
exemplo do que ocorreu no final do ano passado. Até este mês,
a retração foi de 0,67%. O IGP-M é usado para corrigir
contratos, como os de aluguel.
|
FOLHA
DE SÃO PAULO, 29 de janeiro de 2010 | Dinheiro
Alta no crédito do BNDES não
chega a pequenas empresas
Apesar de crescimento, fatia dos empréstimos
destinada a esse segmento caiu de 23% para 18%
SAMANTHA LIMA
DA SUCURSAL DO RIO
O crescimento recorde de 49% nos financiamentos
do BNDES em 2009 chegou de forma mais fraca a pequenos e médios
empresários. No ano em que o banco se esforçou para suprir
o crédito escasso devido à crise, o total destinado a
essas empresas cresceu apenas 9%, atingindo R$ 23,9 bilhões -embora
o número de operações tenha dobrado.
A fatia representa 18% dos R$ 137,4 bilhões que o banco concedeu
no ano passado. No ano anterior, micro, pequenas e médias empresas
levaram 23,6% dos empréstimos.
Já o volume de recursos para as grandes empresas cresceu 63%
no ano passado, atingindo R$ 112,4 bilhões. Os dados constam
do boletim de desempenho do banco em 2009.
Só a Petrobras, que obteve R$ 25 bilhões do BNDES em julho,
levou mais dinheiro do que os pequenos empresários. A Oi, que
obteve uma linha de R$ 4,4 bi, amealhou o equivalente a 88% dos R$ 5
bilhões que as pessoas físicas conseguiram levantar no
banco.
Se os recursos cresceram menos, o número de operações
com empresas menores deu um salto. Cresceu de 180 mil para 367 mil empréstimos,
variação de 104%.
O cartão do BNDES, que oferece linha de crédito pré-aprovada
para pequenos empresários comprarem equipamentos, financiou R$
2,47 bilhões, ou 193% a mais do que em 2008. O número
de operações avançou 189%.
Empregos
Sem os R$ 137,4 bilhões que o BNDES emprestou em 2009, o país
teria fechado o ano com 3,5 milhões de empregos a menos do que
em 2008 diz o presidente do banco, Luciano Coutinho.
Segundo ele, o montante permitiu criar ou manter 4,5 milhões
de vagas no período, que compreende o auge da crise. O cálculo
é feito anualmente "segundo uma metodologia própria
do banco".
Em 2008, o banco teria ajudado a criar ou manter 2,8 milhões
de vagas.
Dos R$ 137,4 bilhões financiados, R$ 8 bilhões foram destinados
a linhas de capital de giro, criadas para aliviar as empresas no momento
mais crítico da crise. Esse tipo de crédito não
costuma ser concedido pelo BNDES.
O BNDES já tem R$ 126 bilhões garantidow para os financiamentos
deste ano, diz Coutinho. O economista reiterou que não tem pretensão
de superar o recorde em financiamentos do ano passado e disse que o
papel de fornecedor de crédito deve ser assumido pelo mercado
de capitais.
|
O
ESTADO DO PARANÁ, 29 de janeiro de 2009 | Economia
Inadimplência cresceu nas classes
A, B e C em 2009
Aumentou em 2009, ano marcado pela crise financeira e econômica
mundial, a inadimplência entre os consumidores brasileiros com renda
mensal acima de R$ 2 mil, integrantes das classes A, B e C. De acordo
com dados divulgados hoje pela TeleCheque, pessoas com esse perfil representam
52,71% dos inadimplentes. Em 2008, o porcentual de participação
da classe alta era de 43,1%.
A inadimplência entre os consumidores
que ganham menos de R$ 2 mil por mês caiu 23,96% em relação
a 2008. A participação deles entre os inadimplentes em
2009 ficou em 28,81%. Outros 18,48% dos consumidores com contas em atraso
não têm rendimentos ou não informaram.
O vice-presidente da TeleCheque, José Antônio Praxedes
Neto, explica que os consumidores de alta renda eram os que mais usavam
crédito e que, com a crise no ano passado, passaram a enfrentar
a alta na taxa de juros e a redução dos prazos de empréstimo,
além de abalos na renda. "Nesse cenário, muitos não
conseguiram cumprir as obrigações assumidas", disse
Praxedes Neto.
De uma forma geral, a inadimplência foi
menor do que o previsto no início de 2009, afirmou Praxedes Neto.
O índice ficou em 2,63% em 2009, ante 3,65% em 2008 - queda de
27,9%.
A pesquisa considera inadimplentes consumidores
que não quitaram dívidas feitas com cheques em até
15 dias. O levantamento foi feito com base em 7.340 entrevistas, realizadas
em 800 municípios brasileiros.
A TeleCheque analisou ainda o perfil dos inadimplentes.
A maioria deles são mulheres (55,27%), casadas (47,36%), com
idade entre 31 e 40 anos (31,04%) e com graduação concluída
ou em curso (33,91%).
Os ramos do comércio mais afetados
pela inadimplência foram vestuário (13,92%), supermercados
(10,37%), telecomunicações e eletricidade (9,71%) e magazines
e lojas de departamento (7,86%).
|
AGÊNCIA
DIAP, 29 de janeiro de 2009
Eleições 2010: PDT dá mais um passo para apoiar candidatura
de Dilma
Por Fernando Exman, na agência
Reuters
Defendendo uma eleição presidencial
plebiscitária, a cúpula do PDT anunciou, nesta quinta-feira
(28), à ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) o apoio à
sua futura candidatura à Presidência da República.
A Executiva Nacional do PDT tomou essa decisão
na semana passada, definição que ainda terá de
passar pelo Diretório Nacional da legenda em março e pela
convenção da sigla em junho. É a primeira Executiva
Nacional de um partido da base aliada ao Governo a tomar essa resolução.
Para o presidente licenciado do PDT e ministro
do Trabalho, Carlos Lupi, a chance de a decisão não ser
homologada "é praticamente nula".
Governo Lula: quem é
contra, que é a favor
"Temos que fazer dessa eleição um plebiscito. Temos
que saber quem é contra e quem é a favor da continuidade
do Governo Lula", disse Lupi a jornalistas antes de participar
de almoço com a ministra. "A nossa candidata é a
Dilma".
Lupi destacou que a decisão da direção
do partido já é "praticamente uma formalização"
da aliança em âmbito nacional.
Pré-candidata do PT ao Palácio
do Planalto, Dilma também estava presente na entrevista coletiva.
Ela disse estar feliz por ter o PDT ao seu lado, já que já
fez parte dos quadros do partido.
Quando ouviu de Lupi que seu eventual governo
deveria representar a continuidade da administração do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva mas com melhoras, a ministra
logo pontuou: "Continuidade, para nós, é avançar".
O ministro das Relações Institucionais,
Alexandre Padilha, comemorou o movimento do partido aliado.
"Essa decisão do PDT é fundamental
não só do ponto de vista partidário pelos prefeitos
que o PDT tem, os deputados e governadores, mas também pela presença
do PDT no movimento sindical e social", destacou o coordenador
político do governo após o encontro.
Demandas pedetistas
O PDT, entretanto, também fez demandas. Uma delas é dar
início às negociações para uma pacificação
dos dois partidos nos estados. PT e PDT têm pendências em
Estados como Maranhão, Paraná, Rio de Janeiro e Rio Grande
do Sul.
"Começamos a discutir os palanques
estaduais e na semana que vem vamos ter uma sequência", explicou
Lupi. "Onde teremos dificuldades, por exemplo no Maranhão,
teremos dois palanques".
O líder do PDT na Câmara, deputado
Dagoberto (MS), disse à Reuters que o partido também quer
ter um representante na coordenação da campanha de Dilma.
Segundo o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), o pleito
deve ser atendido.
"Todos os partidos que apoiarem a Dilma
vão integrar a coordenação de campanha. O PDT já
vai ser chamado para conversar com a gente sobre programa de governo
e coordenação de campanha", afirmou Berzoini à
Reuters.
De acordo com o presidente em exercício
do PDT, deputado Vieira da Cunha (RS), a sigla quer incluir no programa
de governo da ministra itens como o ensino em turno integral, o avanço
dos direitos trabalhistas e a redução da jornada de trabalho.
Segundo participantes da reunião, não
foi tratada a participação do PDT num eventual governo
presidido por Dilma.
"Não adianta a gente pedir nada
para ela, até porque depois não dá para ela cumprir.
Nós acreditamos que dependerá da nossa força eleitoral.
Se tivermos uma eleição de uma boa bancada, logicamente
que nós vamos poder exigir alguma coisa. Se nós não
tivermos, não adianta querer exigir", justificou o líder
da sigla na Câmara.
PSB
Dilma contou também aos jornalistas como foi o encontro entre
o presidente Lula e o presidente do PSB, o governador de Pernambuco,
Eduardo Campos, na véspera.
Na reunião, da qual Dilma também
participou, o tema também foi a disposição do Governo
de transformar a eleição presidencial num plebiscito.
O deputado Ciro Gomes (CE) insiste em disputar a Presidência pelo
PSB. Mas Lula tenta convencê-lo de concorrer ao governo de São
Paulo a fim de abrir caminho para a candidatura de Dilma.
"As discussões foram no sentido
de que se acompanhasse o desenvolvimento da situação e
voltar-se-ia a conversar em março, como estava já previsto",
contou a ministra.
Perguntada se foi conversado objetivamente sobre
o destino político de Ciro Gomes, Dilma disse que as conversas
foram mais teóricas.
"A oposição é
mais una quanto mais candidatos ela tem. Os governos geralmente são
mais unos e demonstram mais unidade quanto mais unificam suas candidaturas",
exemplificou.
|
O
ESTADO DO PARANÁ, 29 de janeiro de 2009 | Política
CUT e Força unificam agenda e reforçam
apoio a Dilma
As duas maiores centrais sindicais do País, a Central Única
dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical, resolveram juntar forças
em 2010, ano eleitoral e de provável crescimento econômico,
para tentar avançar em antigas reivindicações trabalhistas,
como a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas
semanais. A agenda comum também servirá para reforçar
a posição favorável à candidatura da chefe
da Casa Civil, Dilma Rousseff.
"É a primeira vez que estaremos
juntos", disse o presidente da Força e do Diretório
Estadual do PDT de São Paulo, deputado Paulo Pereira da Silva
(PDT-SP), o Paulinho. Aliadas de primeira hora do governo do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, as centrais funcionarão como
uma linha auxiliar da eleição plebiscitária pretendida
pelo presidente.
De acordo com Paulinho, não haverá
uma posição oficial das centrais a respeito das candidaturas,
mas o apoio a Dilma será majoritário. "Não
posso dizer que todo mundo vai apoiar a Dilma; a grande maioria vai.
Tem sindicato na Força que é ligado ao DEM, o meu vice-presidente
é do PSDB", disse ele, referindo-se a Melquíades
Araújo, filiado ao partido do governador José Serra (PSDB),
provável candidato da legenda à Presidência.
Mais enfático, o secretário nacional
de Saúde do Trabalhador da CUT, Manoel Messias Nascimento, avisa
que não haverá espaço para dissidência. "A
candidatura Serra não contempla a continuidade dos projetos de
distribuição de renda. O PSDB não tem uma plataforma
desse tipo. Eles defendem a política de redução
de direitos."
Vigília
O início da agenda sindical será
na terça-feira, quando CUT, Força e mais quatro entidades
farão uma vigília dentro do Congresso para exigir que
os parlamentares votem a Proposta de Emenda à Constituição
(PEC) 231/95, que reduz a carga de trabalho semanal de 44 para 40 horas.
A PEC, que tramita desde 1995 e está pronta para votação,
recebeu um adendo que remunera as horas extras em 75% a mais que as
normais. Não há acordo, contudo, para que o plenário
aprecie a proposta.
Os compromissos comuns das centrais culminarão
com a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), em
1º de junho, quando o movimento sindical deve elaborar um documento
a ser entregue aos candidatos a presidente da República, cuja
definição ocorrerá, obrigatoriamente, até
junho. O evento será realizado em São Paulo e pretende
reunir milhares de dirigentes e militantes de sindicatos no Estádio
Municipal Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu, na zona oeste da capital
paulista.
Lista mais 'pesada'
Segundo Nascimento, por causa do ano eleitoral
e da expectativa de desenvolvimento econômico no País,
a lista de reivindicações estará mais "pesada"
e as centrais, mais duras nas negociações. "É
sempre mais fácil mobilizar as categorias em épocas de
crescimento econômico. As pessoas ficam menos ameaçadas
pela possibilidade de desemprego", explica.
Paulinho diz que a redução da
jornada será o principal assunto do ano para as centrais. No
programa partidário gratuito que a sigla apresentará no
dia 11 em rede nacional de rádio e televisão, Paulinho
falará, exclusivamente, sobre o assunto. Outros pontos que constarão
da pauta das centrais são a mudança dos Índices
de Propriedade da Terra e a PEC do Trabalho Escravo.
Em nota publicada na página da
CUT na internet, o presidente da central, Arthur Henrique, enfatizou
que a convenção de junho "será um instrumento
de mobilização que contribuirá no processo eleitoral,
demarcando campo com a direita".
|
O ESTADO DO PARANÁ,
29 de janeiro de 2009 | Economia
Profissional motivado é sinônimo
de empresa desenvolvida
Aumento salarial, benefícios ou um ambiente de trabalho agradável?
Antigamente pensava-se que apenas o retorno financeiro pudesse trazer
felicidade e satisfação ao profissional. No entanto, é
cada vez mais freqüente que muitos trabalhadores optem por qualidade
de vida, e entendem que de nada adianta ter um bom salário se
o relacionamento na empresa não for agradável, ou se o
trabalho e a vida pessoal não estiverem em equilíbrio.
A motivação é
o primeiro passo para o sucesso da organização. Funcionários
satisfeitos com seu trabalho e que se sentem respeitados e reconhecidos
por aquilo que desenvolvem tornam-se parceiros de negócio, fazem
muito além do que as suas obrigações e se preocupam
com o andamento da empresa. Todos precisam estar motivados, mas para
que isso aconteça, a própria organização
deve se preocupar com o bem estar de seus colaboradores e oferecer condições
favoráveis de trabalho.
Segundo o diretor executivo
de uma empresa de gestão de desempenho humano, Carlos Alberto
Simões Barreiro, o fundamental é ter uma gestão
competente de pessoas e um bom relacionamento dentro da empresa. "Se
você me perguntar por que as pessoas saem da empresa hoje em dia,
90% é por causa de mau relacionamento com o chefe. Não
é por conta do salário, não é por falta
de beneficio, e não é por nada relacionado a isso. Então
a grande motivação dos funcionários, atualmente,
é uma liderança extremamente preparada e desenvolvida,
pois isso sim os retêm na empresa Eu tenho que ter uma empresa
que mostre segurança, que seja forte", explica Carlos.
O diretor ainda acrescenta que
ter um bom ambiente de trabalho e ser importante na organização
são fatores importantes também, mas são coisas
básicas, que não motivam ninguém realmente. "O
que realmente motiva é ter uma liderança que faz com que
as pessoas pensem e participem realmente, ter colaboradores com objetivos
claros, desde o operacional até o presidente da empresa, impor
objetivos individuais, porém alcançáveis e atraentes,
ou seja, fazer com que a pessoa mude o patamar de desempenho. As pessoas
devem ser reconhecidas por aquilo que fazem, não materialmente.
Um elogio do chefe, seguido por um novo desafio, isso motiva realmente".
Por outro lado, Fernando Montero
da Costa, diretor de operações de uma empresa de desenvolvimento
profissional, acredita que existem diversos fatores que podem aumentar
a satisfação do trabalhador. No entanto, para ele, a remuneração
continua sendo o maior fator motivacional. "O profissional que
trabalha em uma organização com uma boa política
de recursos humanos, em aspecto de motivação e respeito,
se sente mais integrado e tem um rendimento maior. Mas, quando você
coloca o fator da remuneração variável, esse aspecto
motivacional comportamental acaba se diluindo no todo da compensação
financeira", explica. "Por incrível que pareça,
existem empresas que não se preocupam com condições
higiênicas, ambiente de trabalho e bem estar dos funcionários,
mas não aceitam quando ocorre uma diminuição da
Participação nos Lucros e nos Resultados (PLR). É
um caso prático que mostra que num país capitalista como
o Brasil isso conta bastante" completa.
Cada profissional possui
expectativas e valores diferentes, por isso fica difícil agradar
a todos quando o assunto é motivação. O fato é
que ter uma boa liderança faz com a empresa evolua e consiga
incentivar grande parte de seus colaboradores. Para professora especialista
em Consultoria Interna de RH Elizenda Orlickas, todos devem se preocupar
com essas mudanças nas organizações. "Todos
são responsáveis pelos resultados, mas é claro
que as lideranças estratégicas têm uma presença
mais forte junto à alta direção. Tenho visto nas
empresas uma grande preocupação com os resultados em detrimento
às pessoas, porém vejo outras organizações
investindo arduamente em pesquisas de satisfação. Acho
que o mercado está em fase de mudança também neste
ponto, felizmente", comenta.
|
CONGRESSO EM FOCO, 29 de
janeiro de 2010
Número de escravos resgatados diminuiu
Renata Camargo
O número de trabalhadores
resgatados em condições análogas ao trabalho escravo
no ano passado foi menor do que nos dois anos anteriores. Dados do Ministério
do Trabalho e Emprego (MTE), mostram que, em 2009, 3.571 trabalhadores
foram retirados da escravidão. No ano anterior, o grupo móvel
de combate ao trabalho escravo resgatou 5.016 trabalhadores, enquanto
em 2007, foram retiradas das fazendas 5.999 trabalhadores em condições
degradantes.
O número menor de trabalhadores
resgatados no ano passado, no entanto, não representa a diminuição
do trabalho escravo no Brasil. O coordenador da ONG Repórter
Brasil, que desde 2001 acompanha o trabalho de erradicação
da escravidão no país, Leonardo Sakamoto, afirma que a
análise comparativa sobre a redução do trabalho
escravo depende de outros fatores.
“É complicado comparar,
porque há outras variáveis. Às vezes, de um ano
para o outro, a fiscalização ocorreu, por exemplo, em
locais mais difíceis, ou os produtores estão maquiando
melhor o trabalho escravo, ou o foco de trabalho escravo está
migrando. É necessário ter mais dados. Não dá
para falar se aumentou ou diminuiu o trabalho escravo no Brasil”,
explica Sakamoto. O grupo móvel de combate ao trabalho começou
a atuar no Brasil em 1995. Naquele ano, foram resgatados 84 trabalhadores.
Veja
o quadro de fiscalização ano a ano do trabalho escravo
Estados
O Sudeste lidera o ranking de
estados com trabalhadores resgatados em condições análogas
à escravidão, segundo balanço divulgado pelo Ministério
Público do Trabalho (MPT) nesta semana. Essa é a primeira
vez que a região fica à frente do Norte e Nordeste, que
ao longo dos anos configuram em primeiro lugar na escravidão.
O peso maior é do estado
do Rio de Janeiro, onde foram resgatados 521 trabalhadores em apenas
cinco fazendas. Segundo o coordenador nacional de erradicação
do trabalho escravo do MPT, Sebastião Caixeta, a maior parte
dos casos identificados foi encontrada na empresa Agrisul, que pertence
ao grupo J.Pessoa. Somente em uma usina do grupo, no município
de Campos dos Goytacazes (RJ), foram resgatados 280 trabalhadores.
O estado de Pernambuco foi o
segundo no ranking com 419 trabalhadores resgatados em 10 fazendas,
seguida de Minas Gerais, com 364 resgatados em 12 propriedades rurais.
Em Minas, apenas na Destilaria Vale do Paracatu (MG) foram resgatados
170 trabalhadores.
“A ideia de que o trabalho
escravo só ocorre em regiões distantes não é
mais verdadeira. Acho que os casos de trabalho escravo têm crescido
na região Sudeste porque causa da expansão de culturas
agrícolas como a cana-de-açúcar, que usa mão-de-obra
intensiva”, disse ao site o procurador do Trabalho Aloísio
Alves, coordenador regional do combate ao trabalho escravo em Minas.
O
ranking do trabalho escravo nos estados
Cana-de-açúcar
Segundo o MPT, a maioria dos
trabalhadores resgatados foi retirada do setor sucroalcooleiro, que
produz derivados da cana-de-açúcar, como o açúcar
e o etanol. A pecuária, no entanto, continua a ser a campeã
em número de propriedades com incidência de trabalho escravo.
De acordo com dados preliminares da Comissão Pastoral da Terra,
no ano passado, o setor sucroalcooleiro respondeu por quase metade (45%)
do número de trabalhadores libertados, enquanto a pecuária
respondeu por 16%. Do total de propriedades com incidência de
trabalho escravo, no entanto, 46% eram do setor pecuário e apenas
8% dos casos eram em áreas de cultivo de cana-de-açúcar.
“A cana é
bastante relevante nessa configuração, mas em número
de propriedades com trabalho escravo a pecuária ainda é
a campeã. A questão é que o cultivo de cana-de-açúcar
precisa geralmente de mais mão-de-obra do que a pecuária”,
explica Sakamoto. “Na pecuária, tende a ser mais violento
o trabalho. Mas, na cana, o gritante é que o combustível
produzido, o álcool, é dito como verde”, alertou.
|
Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
29/01/2010
Norma coletiva que prevê hora noturna
reduzida é considerada válida
Acordo coletivo firmado entre sindicato profissional
e empresa que prevê a eliminação da hora noturna
reduzida em troca do recebimento de um adicional de 40% sobre o valor
do salário-hora é válido. Esse entendimento foi
adotado à unanimidade pelos ministros da Quarta Turma do Tribunal
Superior do Trabalho em julgamento recente de recurso de revista da
Companhia Vale do Rio Doce contra empregado da empresa.
Como esclareceu o relator, ministro Fernando
Eizo Ono, a discussão do processo era quanto à possibilidade
ou não de acordo que desconsidere a hora noturna reduzida em
troca do pagamento de vantagem pecuniária. Na opinião
do ministro, isso é possível, uma vez que o artigo 7º,
XXVI, da Constituição Federal prevê o reconhecimento
dos acordos e convenções coletivas como direito do trabalhador.
A empresa firmou acordo coletivo com o Sindicato
profissional estabelecendo a eliminação da hora noturna
em troca do recebimento de um adicional de 40% sobre o valor hora normal.
O artigo 73, § 1°, da CLT dispõe que o trabalho noturno
terá remuneração superior ao trabalho diurno. A
hora noturna, computada como de 52 minutos e 30 segundos, teria um acréscimo
de pelo menos 20% sobre a hora diurna.
A Cláusula estipulou o seguinte: o empregado
sujeito ao horário noturno receberia, sobre o valor hora normal
de 60 minutos de cada serviço prestado à noite, um percentual
de 60%, sendo 20% pelo trabalho noturno (52 minutos e 30 segundos) e
40% para o pagamento da diferença de 7 minutos e 30 segundos
de cada período de 60 minutos.
O Tribunal Regional da 3ª Região
(MG) condenou a Vale ao pagamento de horas extras noturnas ao empregado,
com o argumento de que não seria possível flexibilizar
normas de proteção e saúde do trabalhador, como
a hora noturna reduzida, por meio de acordo coletivo. Segundo o TRT,
a redução da hora noturna por meio de negociação
coletiva implicaria, na prática, serviço efetivo superior
a 44 horas semanais, na medida em que suprime o pagamento do tempo extraordinário.
No TST, a Vale insistiu na validade do acordo.
O relator, ministro Fernando Eizo Ono, concordou com a tese, por entender
que não se poderia negar validade ao acordo celebrado entre empresa
e empregados sob pena de violação do dispositivo constitucional
que garante o reconhecimento das negociações coletivas.
Assim, o relator deu provimento ao recurso de revista da empresa para
excluir da condenação as horas extras noturnas. (RR-1916/2003-099-03-40.9)
(Alexandre Caxito)
|
29/01/2010
CEF pode descontar horas extras de
gratificação paga a bancário
A Seção I Especializada em Dissídios
Individuais do Tribunal Superior do Trabalho autorizou a Caixa Econômica
Federal a descontar a diferença entre a gratificação
paga a empregado pelo exercício de jornada de trabalho de oito
horas diárias e o valor das horas extras além da sexta
diária a que ele teria direito como bancário.
Segundo a relatora dos embargos, ministra Maria
de Assis Calsing, o caso dizia respeito à opção
do empregado pela jornada de oito horas, mas não envolvia a exceção
do artigo 224 da CLT, uma vez que os empregados que aderiram a essa
jornada de trabalho recebiam em contrapartida uma determinada gratificação,
sem que houvesse maior grau de responsabilidade (como estabelece a norma
celetista).
No recurso de revista da Caixa, a Sexta Turma
do TST manteve a condenação da empresa no pagamento de
horas extras excedentes à sexta diária, conforme determinado
pelo Tribunal do Trabalho da 2ª Região (SP). Para a Turma,
o empregado não podia trabalhar oito horas, apesar do recebimento
de gratificação prevista no Plano de Cargos Comissionados,
porque os direitos trabalhistas eram irrenunciáveis, e a legislação
prevê jornada de seis horas para o bancário.
Nos Embargos à SDI-1, a Caixa sustentou
que era legítimo o Plano de Cargos que facultara ao trabalhador
o exercício de cargo comissionado com jornada de oito horas.
Nessas condições, não cabia pagamento de sétima
e oitava horas extras. Além do mais, não houve coação,
pois a jornada de oito horas fora de livre escolha do empregado.
De acordo com a relatora, ministra Maria de
Assis Calsing, a gratificação prevista no Plano teve como
objetivo apenas justificar o aumento da jornada especial do bancário
de seis horas diárias, e a SDI-1 já decidira pela nulidade
do Plano com base nos artigos 9º e 444 da CLT, por entender que
ocorrera ofensa aos princípios da irrenunciabilidade dos direitos
trabalhistas e da primazia do contrato realidade.
Entretanto, a ministra observou que ainda existe
a discussão em torno da possibilidade de compensação
das horas extras trabalhadas além da sexta diária com
a gratificação paga pelo exercício da jornada de
oito horas. Tendo em vista o princípio da boa-fé, a relatora
defendeu a dedução como forma de alcançar uma decisão
justa para ambas as partes e foi acompanhada, à unanimidade,
pelos ministros da SDI-1. Os ministros João Oreste Dalazen, vice-presidente
do TST, Rosa Weber e Vieira de Mello Filho apresentaram ressalva de
entendimento. (E-RR- 1536/2004-003-06-00.0)
(Lilian Fonseca)
|
29/01/2010
Bancário do Itaú foi
condenado a pagar diferença de caixa
A Sexta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho manteve sentença que responsabilizou um bancário
em uma agência do banco Itaú em São Paulo pelos
valores que faltaram no caixa em que operava e autorizou a empresa a
descontar o prejuízo no salário do bancário. O
empregado havia recorrido contra decisão do Tribunal Regional
da 2ª Região que ratificou a condenação imposta
na primeira instância.
Não há o que retocar
na decisão – informou o relator do recurso na Sexta Turma,
ministro Maurício Godinho Delgado, explicando que o desconto
é lícito e está previsto no § 1º do artigo
462 da CLT. A lei exige apenas que ele conste expressamente no contrato
de trabalho e que, em compensação, seja pago ao empregado
uma verba mensal específica, a título de gratificação
de caixa, como processada naquele caso.
O relator observou que não
se trata de transferir ao empregado “os riscos do empreendimento
econômico”, pois quando assumiu aquela função,
ele sabia das suas implicações e das suas responsabilidades,
uma vez que a principal atribuição da função
de caixa é o ajuste perfeito entre os valores recebidos e pagos,
sendo que para isso ele recebe uma gratificação específica.
Para o ministro, assim como
não é razoável isentar o empregado da responsabilidade
por dano causado por ele mesmo, também “não se pode
desconhecer a presença do risco maior inerente a essa atividade
laborativa, risco que também é do empregador”, de
forma que a gratificação de caixa constitui-se no contraponto
que gera o equilíbrio jurídico da proporcionalidade e
autoriza o desconto. É o que estabelece o referido artigo 462
da CLT. (RR-12054-2002-900-02-00.0)
(Mário Correia)
|