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Vermelho, 3 de fevereiro de
2010
Luta pela redução
da jornada leva 1.500 sindicalistas a Brasília
Na agenda das centrais, que
começou com uma 'recepção' aos parlamentares no
aeroporto de Brasília, nesta terça-feira (2), consta também
corpo-a-corpo na Câmara, que continua 4ª
Aproveitando o início
das atividades no Congresso Nacional e para mostrar aos parlamentares
e ao Governo Federal que a classe trabalhadora não está
"dormindo no ponto", as seis centrais sindicais - CTB, CUT,
Força Sindical, UGT, NCST e CGTB - realizaram, na manhã
desta terça-feira (2), em Brasília uma manifestação
unificada pela redução da jornada de trabalho, sem redução
de salários.
A mobilização
foi decidida durante a última reunião do Fórum
das Centrais Sindicais (composto pelas seis centrais), ocorrida no ultimo
dia 21 de janeiro e foi grande a adesão de sindicalistas de todo
o Brasil.
Cerca de 1.500 trabalhadores
e lideranças sindicais começaram logo na manhã
desta terça-feira o contato com parlamentares para a aprovação
da proposta de emenda à Constituição (PEC), dos
senadores Paulo Paim (PT/RS) e Inácio Arruda (PCdoB/CE), que
reduz a jornada máxima de trabalho para 40 horas semanais e aumenta
dos atuais 50% para 75% a remuneração da hora-extra.
Segundo o secretário-geral
da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna,
a intenção é fazer uma vigília, "e
até dormir no Congresso se preciso", para conseguir que
a PEC entre na agenda de votação ainda neste semestre.
"Tudo isso que estamos
fazendo hoje é muito importante para manter a militância
aguerrida e mostrar para o Congresso que nós não vamos
desistir das nossas bandeiras só porque é ano eleitoral.
Ao contrário", disse o secretário geral da CUT, Quintino
Severo.
Antes da ida ao Congresso, os
sindicalistas fizeram também uma "recepção"
aos parlamentares no aeroporto de Brasília. A atividade foi marcada
pelo bom humor e pelo alto astral.
Das 8 às 10 horas, deputados
e senadores que desembarcavam eram recebidos por dezenas de dirigentes
sindicais, aos brados de "Reduz pra 40 que o Brasil aumenta e o
empresariado aguenta" e outras palavras de ordem como "Primeiro
o pré-sal, o Carnaval e depois as 40 horas".
Aumento
da produtividade
A proposta já recebeu parecer favorável da comissão
especial constituída na Câmara para debater o tema. Trata-se
de uma bandeira histórica da classe trabalhadora, que tem uma
importância estratégica para o movimento sindical.
De acordo com Clemente Ganz
Lúcio, diretor técnico do Departamento Intersindical de
Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), "reduções
de jornada vêm acompanhadas de aumento de produtividade".
Além disso, a redução de 4 horas da jornada semanal
pode gerar 2 milhões de empregos, estima o economista.
Ele aponta o atual cenário
de crescimento econômico como ideal para que a proposta seja absorvida
economicamente. Além disso, "as empresas passaram nos últimos
anos por processos de reestruturação produtiva e estão
ajustadas".
O diretor técnico do
departamento sindical avalia que a redução da jornada
é justa porque "tem efeito distributivo dos ganhos de produtividade
de 1988, quando a jornada de trabalho semanal caiu de 48 horas para
44 horas".
Ao efeito redistributivo, Ganz
Lúcio acrescenta que desde quando houve a redução
da jornada, os trabalhadores passaram a gastar mais tempo para se deslocar
até o trabalho e que a atual necessidade de reciclagem permanente
para o trabalho exige que os assalariados tenham maior disponibilidade
de tempo para fazer novos cursos de formação e atualização.
De acordo com o Instituto de
Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a jornada de trabalho semanal
no Brasil poderia ser de 37 horas. A eventual redução
da jornada alcançará, no entanto, apenas a metade da mão-de-obra
empregada, que tem carteira assinada e vínculo formal.
Reunião
com o PCdoB
Após as atividades em plenário e nos corredores do Congresso,
as seis centrais sindicais que se uniram na defesa da redução
da jornada se reuniram com os líderes partidários. Uma
das reuniões ocorreu na liderança do PCdoB.
Segundo Gilda Almeida, da Central
dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), "os trabalhadores
têm claro o compromisso do PCdoB na defesa da redução
da jornada, mas é importante que o partido se junte ao esforço
coletivo das centrais e dos líderes da base para que o projeto
entre na pauta".
Artur Henrique, da Central Única
dos Trabalhadores (CUT), destacou que a influência do PCdoB no
Congresso torna o partido um aliado especial dos trabalhadores.
Canindé Pegado, da União
Geral dos Trabalhadores (UGT) lembrou que os comunistas foram fundamentais
na conquista das 44 horas na Constituinte de 88.
Já o deputado Paulo Pereira
da Silva (PDT/SP), Paulinho da Força destacou que as centrais
e os partidos comprometidos com a defesa dos trabalhadores devem realizar
uma série de ações conjuntas para garantir a aprovação
da redução ainda neste semestre.
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O ESTADO DO PARANÁ,
03 de fevereiro de 2010 | Economia
Centrais se mobilizam em Brasília
para redução de jornada
Representantes das seis centrais sindicais que estão em Brasília
desde hoje cedo em campanha pela redução da jornada de
trabalho devem se reunir ainda nesta tarde com o presidente da Câmara,
deputado Michel Temer (PMDB-SP), para tentar marcar uma data para a
votação da Proposta de Emenda à Constituição
(PEC) 231/95, que diminuiu a jornada semanal de 44 para 40 horas.
A conversa com Temer precede
a reunião de líderes na Câmara, amanhã, às
10 horas, em que as centrais pretendem colocar a votação
da PEC em pauta. "Vamos tentar", disse o deputado federal
e presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva (PDT-SP).
Segundo ele, cerca de 500 sindicalistas deverão fazer uma vigília
nesta noite na Câmara. "Queremos pressionar para chegar à
reunião de líderes com mais força amanhã",
disse.
Hoje de manhã, primeiro
dia do ano legislativo, Força Sindical, Central Única
dos Trabalhadores (CUT) e outras centrais recepcionaram deputados e
senadores no Aeroporto Juscelino Kubitschek, em Brasília. Os
parlamentares foram recebidos com palavras de ordem como "Reduz
pra 40 que o Brasil aumenta e o empresariado aguenta". Houve também
panfletagem junto aos passageiros que circulavam pelo terminal, que
receberam folhetos a respeito da redução da jornada.
Em junho do ano passado,
a Comissão Especial que analisa a redução de jornada
aprovou o relatório apresentado pelo deputado Vicentinho (PT-SP),
que trata da PEC 231/95. A medida também aumenta o valor da hora
extra de 50% do valor normal para 75%.
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Congresso em Foco, 3 de
fevereiro de 2010
Fábricas podem parar como
pressão para reduzir jornada
Na reabertura do Congresso, trabalhadores ameaçam
greve por 40 horas semanais
Renata Camargo
Primeiro, foram os policiais
militares e os bombeiros. Agora, nova ameaça de greve no primeiro
dia da sessão legislativa no Congresso. Centrais sindicais e
trabalhadores ameaçam entrar em greve caso o Congresso não
aprove neste semestre o projeto de lei que reduz a jornada de trabalho
para 40 horas semanais. Neste primeiro dia de atividade legislativa
após o recesso, cerca de mil dirigentes sindicalistas ocupam
o salão verde da Câmara e prometem fazer uma vigília
até amanhã (2) para pressionar os parlamentares pela aprovação
do PL.
Segundo o presidente da Força
Sindical e representante dos trabalhadores no Congresso, deputado Paulinho
da Força (PDT-SP), o presidente da Câmara, Michel Temer
(PMDB-SP), deve receber representantes do movimento para uma reunião
na tarde de hoje. Caso não haja evolução nas negociações,
os manifestantes vão continuar ocupando a Casa.
“Se não tiver votação,
nós vamos para a greve. Achamos que é hora de fazer isso.
O Brasil voltou a crescer e é hora dos trabalhadores reivindicarem”,
disse Paulinho, concordando que a proposta tem o tom de ameaça.
“Ninguém está pondo a faca no pescoço, dizendo
que é 40 horas ou nada. Queremos fazer acordo. Estamos dispostos
a negociar”, disse.
Além de pressionar o
Congresso, os trabalhadores pretendem paralisar os serviços nas
fábricas. Paulinho afirma que a greve ainda não tem data
para acontecer, mas que a partir do carnaval os dirigentes sindicais
começam um processo de negociações e poderão
haver paralisação nas fábricas.
“Acredito que serão
greves rápidas. Na medida em que a empresa para, ela tem que
saber que, para voltar ao trabalho, terá que atender as reivindicações.
Portanto haverá uma negociação”, disse Paulinho.
“Isso tudo pode ser evitado desde que a Casa aqui vote as 40 horas
semanais e resolva através da lei”.
Segundo o presidente da Força,
alguns partidos também ameaçam obstruir os trabalhos na
Câmara caso a proposta não seja prioridade de votação.
Paulinho explica que a estratégia de obstrução
deve esperar a votação das propostas do pré-sal
– que também são de interesse dos trabalhadores
– antes de ser radicalizada.
“Ano eleitoral é
ano bom, porque o político fica mais sensível. É
nesse período que a gente consegue nossos direitos. A ideia não
é de obstrução total. Assim que forem votados os
projetos de interesse, a gente obstrui totalmente”, avisou Paulinho
da Força.
De acordo com o parlamentar,
a redução da jornada de trabalho significa um aumento
de 2% de gastos para as empresas. Em contrapartida, seriam criados dois
milhões de novos empregos. A Confederação Nacional
da Indústria (CNI) é contrária à proposta.
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Gazeta
do Povo, 3 de fevereiro de 2010
Produção
Indústria tem pior resultado em 19
anos, mas se recupera
Setor teve queda de 7,4% em 2009, a pior retração
desde o início do governo Collor. Lado bom da pesquisa: os investimentos
dão sinais de forte recuperação
A produção industrial brasileira
recuou 7,4% em 2009, afetada pela crise, que fechou as portas para as
exportações, secou as fontes de crédito e deteriorou
a confiança dos empresários. Foi a maior queda desde 1990,
ano do confisco promovido pelo governo Collor.
Se o resultado daquele ano, porém, foi
seguido por mais dois de encolhimento da indústria, 2009 terminou
com sinais de recuperação.
A gerente de análise e estatísticas
do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Isabella
Nunes, destaca que o setor de bens de capital apresentou em dezembro
o nono crescimento consecutivo sobre o mês anterior, de 0,3%.
Na comparação entre o quarto e o terceiro trimestres do
ano, a expansão foi ainda maior, de 13,3%, contra uma média
de 3,6% da indústria como um todo. “Isso aponta para a
retomada dos investimentos”, diz.
A recuperação desse segmento a
partir de abril, porém, foi insuficiente para neutralizar as
perdas registradas nos meses anteriores – no fechamento do ano,
a produção de máquinas e equipamentos ainda estava
17,4% abaixo da acumulada em 2008.
“A recuperação está
ocorrendo de forma gradual e poderia ser mais intensa se 2010 não
fosse ano eleitoral. Mas, com as incertezas políticas, pode ser
que o investidor aguarde um pouco mais para investir”, avalia
o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale.
O segundo maior recuo, de 8,8%, foi verificado
na produção dos bens intermediários, usados na
fabricação de outros produtos. A produção
de bens duráveis teve uma recuperação mais forte
e encerrou 2009 apenas 6,4% abaixo da acumulada em 2008, ano bastante
positivo para o setor até o agravamento da crise, em setembro.
Pesaram para isso os incentivos do governo, que reduziu o IPI de automóveis
e eletrodomésticos da linha branca.
Já a categoria menos afetada foi a dos
bens de consumo semiduráveis e não duráveis, que
não tem tanta relação com a disponibilidade do
crédito, e sim com a renda do trabalhador. Nesse caso, a queda
ante 2008 foi de apenas 1,6%.
Segmentos em alta
Dos quatro segmentos que apresentaram alta ante
2008, três deles são voltados para o mercado interno: o
farmacêutico (7,9%), de bebidas (7,1%) e de perfumaria (4,7%).
Os outros 23 encerraram o ano em patamar inferior ao de 2008.
Os dados divulgados pelo IBGE, no entanto, indicam
uma recuperação mais generalizada ao longo de 2010. Dos
27 setores, 22 já produziram mais em dezembro de 2009 do que
em dezembro de 2008. A produção industrial acumulada no
último trimestre de 2009 também foi 5,8% superior à
do fim de 2008. Foi a primeira taxa positiva após quatro trimestres
de queda.
A economista Thais Marzola Zara, da Rosenberg
Consultores Associados, projeta para 2010 um crescimento acima de 8%
para a indústria. Sérgio Vale, da MB Associados, estima
uma taxa ainda maior, de 9,6%.
Base muito baixa
A magnitude dos números está relacionada
à base de comparação baixa. Em dezembro, a produção
da indústria foi 18,9% superior à do mesmo mês de
2008, o pior desde o agravamento da crise.
Já em relação a novembro
de 2009 houve queda de 0,3%, a segunda consecutiva nesse tipo de comparação.
O resultado foi puxado pelo recuo de 4,9% na produção
de bens duráveis.
Para Zara, da Rosenberg, o resultado está
relacionado ao fim da política de desoneração do
governo. “Houve uma readequação ao cenário
de 2010, que não contará com incentivos fiscais”,
diz. Segundo ela, a produção de automóveis e eletrodomésticos
continuará a crescer neste ano, mas em ritmo mais fraco.
Já o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento
Industrial (Iedi) destaca que a antecipação das compras
causada pela desoneração poderá “cobrar seu
preço” em 2010. “Antecipar o consumo de geladeiras
em 2009, para dar um exemplo, poderá deprimir o crescimento do
consumo desse bem em algum momento no futuro”, avaliou a entidade.
De acordo com a análise do instituto,
para compensar esse efeito será necessária a adoção
de medidas alternativas, como o incentivo ao crédito.

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Gazeta do Povo, 3 de fevereiro
de 2010
Imposto
Consumo e emprego seguram arrecadação
Carga tributária brasileira em 2009 seguiu
na proporção de 35% do valor do PIB, segundo pesquisa
Nem o cenário de crise
nem a desoneração de impostos trouxeram alívio
à carga tributária brasileira em 2009. Levantamento
do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) mostra
que a arrecadação de impostos no ano passado correspondeu
a 35,02% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços
produzidos no país), com uma queda de apenas 0,14 ponto porcentual
frente a 2008, quando a carga chegou a 35,16%. A manutenção
da demanda interna e do nível emprego é apontada como
o principal motivo para o peso dos impostos em relação
ao PIB manter a proporção do ano anterior.
Mesmo com a queda, o IBPT ressalta
que houve crescimento nominal da arrecadação de R$ 36,01
bilhões, ou 3,41% de aumento. No total, entre tributos e contribuições
federais, estaduais e municipais, foram arrecadados em 2009 no Brasil
R$ 1,09 trilhão, contra R$ 1,05 trilhão do ano anterior.
“Foi uma queda muito aquém
das nossas projeções, que variavam entre 1% e 1,5%”,
disse o presidente do IBPT, João Eloi Olenike. Por outro lado,
a carga tributária tende a acompanhar o crescimento da economia.
Como a projeção de crescimento para 2009 é próxima
de zero, a queda na arrecadação também pode ser
interpretada como maior do que se imaginava.
Aumento
Os tributos federais tiveram
aumento nominal de 2,73%, ou R$ 20,19 bilhões. Já os estaduais
cresceram 4,67%, ou R$ 12,61 bilhões, e os municipais, 6,84%,
ou R$ 3,21 bilhões. Entre os impostos que mais cresceram estão
os do INSS, que arrecadou R$ 20,26 bilhões, ou 11,23%, seguido
do FGTS, com R$ 7,42 bilhões, ou 15,66%, por causa da geração
de empregos.
Já os tributos que tiveram
maior perda de arrecadação foram o IPI, com R$ 8,71 bilhões,
e o Cofins, com R$ 2,91 bilhões, devido às desonerações.
Na divisão por regiões, a Sudeste é campeã,
com 64,13% da arrecadação do país, seguida pelo
Sul, com 13,47%. Entre estados, São Paulo ficou em primeiro lugar,
com 39,73% do total, seguido pelo Rio de Janeiro, com 15,29%. No levantamento
per capita, o brasiliense foi o que mais pagou impostos, R$ 26.028,74,
seguindo pelo paulista, que recolheu R$ 10.496,83, e o carioca, que
desembolsou R$ 10.433,04.
Consumo
Segundo o diretor técnico
do IBPT Gilberto Luiz do Amaral, 65% dos tributos arrecadados em 2009
vieram do consumo. Por isso, mesmo que a desoneração do
IPI no setor automobilístico e na linha branca tenha aumentado
as vendas, o imposto é um dos que menos pesa na carga tributária,
ao contrário do PIS e Cofins.
“Se uma única medida
teve efeito benéfico na economia, imagine se houvesse uma política
de redução gradual de impostos. Mas, por enquanto, a carga
tributária altíssima continua a pesar no bolso do brasileiro”,
afirmou.
Citando o Impostômetro
da Associação Comercial de São Paulo, que já
registrava até ontem R$ 115 bilhões em arrecadação,
Amaral disse não ter dúvida de que haverá crescimento
da carga tributária em 2010.
“O Brasil é o único
país onde um imposto incide sobre o outro e gera uma cadeia ascendente
de tributação. Voltaremos a falar em recordes de arrecadação
este ano, com aumento de pelo menos 1 ponto percentual, puxados pelo
Refis da Crise (programa do governo para parcelamento e quitação
de impostos federais, implantado no ano passado)”, projetou.
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GAZETA DO POVO, 03 de fevereiro
de 2010 | Imóveis
Construção civil
Mercado qualifica para garantir mão
de obra
Cursos oferecidos por várias entidades
intensificam a capacitação para a construção
civil que mantém a demanda em alta
Em ano de mercado aquecido para
a construção civil, uma das principais preocupações
dos construtores é garantir mão de obra capacitada.
As vagas no setor vêm aumentando desde o fim do ano
passado no Paraná, de acordo com dados da Secretaria de
Estado do Trabalho, Emprego e Promoção Social
(Setp). Em 1.º de fevereiro, havia 1.100 vagas para
os diversos cargos da construção civil em todo o estado,
mais da metade na capital.
“Os lançamentos
em todo o estado confirmam o bom momento do setor, mas também
revelam que será preciso um grande esforço para
capacitar a mão de obra. Não acreditamos em um apagão,
mas é preciso ampliar a qualificação”,
analisa o vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção
Civil no Estado do Paraná, Normando Baú.
A entidade, em parceria com
o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), iniciará
na próxima semana a oferta de cursos gratuitos nas mais diversas
áreas da construção. “Não falta apenas
um tipo de mão de obra, será preciso realizar treinamentos
em todas as áreas. As novas tecnologias de construção
exigem pessoas com mais conhecimento. Construir não
é mais uma atividade artesanal”, ressalta Baú.
O primeiro curso da parceria
é o de Leitura e Interpretação de Projetos, que
está com inscrições abertas e terá início
na próxima segunda-feira. As aulas serão noturnas
na sede do Senai Construção Civil, no bairro Parolin,
em Curitiba. Serão 40 horas de curso, em turmas de 20 alunos.
“O foco são os trabalhadores que atuam na construção
civil. É muito importante que os empresários
incentivem seus funcionários a participar deste curso, que divulguem
em suas obras para que todos possam se inscrever”, destaca a coordenadora
do Serviço Social do Sindicato da Indústria
da Construção Civil no Estado do Paraná
(Seconci-PR), Lia Márcia Batista.
Ela explica que este curso era
um dos principais pedidos dos empresários, por ser básico
e importante para o bom andamento da obra. “O conteúdo
passa pelo entendimento dos tipos de planta, focando na terminologia
usada nos projetos”, diz.
Serão oferecidos gratuitamente
também, mas ainda sem data definida, os cursos de Auxiliar
de Manutenção Predial e Serviços Elétricos,
Oficinas de Matemática nas Obras, Educação Orçamentária
e Inglês Básico.
Haverá ainda dois cursos
que incluirão a participação da família
dos trabalhadores: Inclusão Digital e Cozinha Brasil, que incentiva
e orienta a alimentação saudável.
No ano passado, a parceria Sinduscon/Senai
capacitou 400 pessoas nos cursos gratuitos. De acordo com Baú,
este ano a intenção é treinar pelo menos
600 pessoas.
O Senai é responsável
ainda pela qualificação profissional por meio do Plano
Setorial de Qualificação e Inserção Profissional
para os Beneficiários do Programa Bolsa Família
(Planseq), que desde o ano passado oferece cursos para pintor, armador
e montador, carpinteiro, azulejista, encanador, mestre de obras, auxiliar
de escritório, eletricista, pedreiro, reparador, almoxarife,
gesseiro, desenhista, projetista e operador de trator. Segundo o Senai,
a meta é treinar ao menos 2 mil beneficiários paranaenses
este ano.
Investimento
Quem pretende investir em um
curso para entrar no mercado da construção civil pode
procurar o Senai que, a partir do próximo mês, terá
os cursos de carpinteiro, instalador de drywall, instalador hidráulico
e operador de elevador de obras. O valor dos cursos variam de R$ 100
a R$ 500.
A qualificação
tem reflexo no salário. O piso da categoria vai de R$ 793 para
serventes a R$ 1.482 para mestres de obra, conforme dados do Sindicato
dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção
Civil de Curitiba e Região Metropolitana
(Sintracon). Profissionais como pedreiro, carpinteiro, encanador,
eletricista e azulejista ganham no mínimo R$ 1.053, mas podem
chegar a R$ 2.000, dependendo do conhecimento do profissional, explica
o presidente do Sintracon, Domingos de Oliveira
Davide.
O Serviço Brasileiro
de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/PR) tem
uma área voltada para pequenos empresários e profissionais
autônomos da construção civil.
O consultor desta área no Sebrae/PR,
Pedro Cesar Rychov, informa que os profissionais como
instaladores elétricos, hidráulicos
e montadores de gesso poderão se inscrever em cursos em parceria
com a Universidade Tecnológica Federal do Paraná
(UTFPR), a partir de março. Os valores não estão
definidos e a expectativa é treinar ao menos 300 profissionais
este ano.
Serviço:
Cursos Sinduscon/Senai –
telefone (41) 3051-4300 ou email seconci@sindusconpr.com.br
Cursos Senai – telefone
(41) 3271-7777 ou no site www.pr.senai.br
Cursos Sebrae –
telefone (41) 3330-5739 ou no site www.sebraepr.com.br
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Gazeta
do Povo, 3 de fevereiro de 2010
Indenização
Caixa paga correção dos juros
do FGTS
A Caixa Econômica Federal (CEF) começa a pagar no próximo
dia 12 os juros devidos aos trabalhadores que optaram pelo Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço (FGTS) antes de setembro de 1971 e que não
tiveram as correções referentes ao período.
A Caixa estima que tenham direito ao benefício
cerca de 70 mil trabalhadores em todo o país – dos quais
60 mil já buscam a compensação pela via judicial.
No Paraná, de acordo com levantamento do banco, são aproximadamente
500 trabalhadores – dos quais 384 possuem ações
na Justiça –, número que representa apenas 0,7%
do total de beneficiários, apesar de o estado concentrar aproximadamente
5% da população nacional.
Segundo o gerente do setor de administração
do FGTS no Paraná da CEF, Paulo César Sartor, isso ocorre
por conta das características econômicas do estado. “Não
existe [no Paraná] um grande número de empresas tão
antigas e de funcionários que trabalharam por tanto tempo com
o mesmo vínculo empregatício”.
Têm direito à correção
dos juros progressivos todos os trabalhadores com vínculo empregatício
firmado sob regime da Consolidação das Leis do Trabalho
(CLT) até o dia 22/09/1971 e que fizeram a opção
pelo FGTS com efeito retroativo anterior à 23/09/1971. Outra
condição é ter permanecido no mesmo emprego –
relativo ao período de aplicação da taxa progressiva
– por pelo menos dois anos, sem que já tenha sido beneficiado
com os créditos por determinação judicial ou administrativa.
Além disso, o saque do saldo da conta vinculada, alvo de aplicação
da progressão, não pode ter ocorrido em data igual ou
posterior a 12 de novembro de 1979.
“É preciso deixar bem claro que
este é um público bastante restrito – hoje, formado
em sua maioria por aposentados ou mesmo por pessoas já falecidas
–, que se encaixaram em uma situação muito específica
que aconteceu há muitos anos atrás”, pondera o gerente
da Caixa.
Os interessados podem verificar se têm
direito à correção, preencher o termo de habilitação
e conferir a documentação necessária no site www.caixa.gov.br
– opção download no menu superior – ou no
www.fgts.gov.br. O formulário do termo de habilitação
também estará disponível nas agências da
CEF.
Acordo
Para receber a quantia, o beneficiário
deverá assinar um documento formalizando o acordo e abrindo mão
de possíveis contestações judiciais. Os valores
a serem restituídos variam em função do tempo do
vínculo empregatício e vão de R$ 380, para quem
permaneceu no mesmo emprego entre 2 e 10 anos, à R$ 17.800, para
quem trabalhou por mais de 40 anos no mesmo emprego. Após a entrada
do pedido em qualquer agência, a Caixa tem 60 dias para analisar
a documentação e emitir um parecer sobre o caso.

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BEM PARANÁ, 03 de
fevereiro de 2010 | Economia
Inflação e PIB: Economista
elevam previsão
Economistas consultados pelo Banco Central elevaram
a estimativa de inflação deste ano para 4,62%. De acordo
com a pesquisa Focus
Economistas consultados pelo Banco Central elevaram a estimativa de
inflação deste ano para 4,62%. De acordo com a pesquisa
Focus, feita na semana passada e divulgada nesta segunda-feira, é
a segunda vez consecutiva que a previsão é que o IPCA
(Índice de Preços ao Consumidor Amplo), encerre o ano
acima da meta estabelecida pelo governo para o ano que é de 4,5%.
Na semana passada, a previsão
era que a inflação ficasse em 4,6%. Até a semana
anterior, o mercado vinha prevendo que a inflação terminasse
o ano exatamente na meta. Para 2011, a estimativa é de IPCA em
4,5%.
O mercado aumentou também
sua estimativa para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de
2010 de 5,3% para 5,35%. Para o ano que vem, a estimativa é de
crescimento de 4,5%.
Os economistas mantiveram suas
previsões para a taxa básica de juros (Selic) para 11,25%
no fim do ano. A taxa está atualmente em 8,75% - na semana passada,
o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC manteve
a taxa nesse patamar pela quarta reunião seguida. Os analistas
consultados acreditam que os juros subirão a partir de abril,
ou seja, que o Copom manterá essa mesma taxa em mais uma reunião
em março.
Mais inflação
— O mercado também elevou as estimativas para outros índices
de inflação. A previsão do mercado para o IGP-DI
(Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna) para
2010 passou para 4,6%, contra 4,55%, na terceira semana de alta. Para
o IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado), subiu para
4,8%, contra previsão de 4,59% da semana anterior.
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Gazeta
do Povo, 3 de fevereiro de 2010
Selic
Mantega tenta barrar aumento dos juros
O debate em torno do tema econômico preferido
do governo Lula – crescimento versus juros – voltou mais forte
no início de ano e tem alimentado uma nova queda de braço
nos bastidores da equipe econômica.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, aumentou
a pressão junto ao Banco Central (BC) na tentativa de administrar
as expectativas e evitar que seja iniciado um novo ciclo de alta da
taxa Selic já em março deste ano.
A avaliação na equipe de Mantega,
segundo fontes, é de que antes de mexer na taxa Selic o BC deve
primeiro apertar os depósitos compulsórios. A lógica
da Fazenda é a seguinte: durante a crise financeira o BC mexeu
primeiro nos compulsórios (liberando R$ 100 bilhões) para
só depois reduzir a Selic e, agora, deveria seguir o mesmo caminho.
O Banco Central afirma que já vem reduzindo o direcionamento
do compulsório, mas não confirma a possibilidade de um
aumento das alíquotas.
A questão foi levada por Mantega ao presidente
Luiz Inácio Lula da Silva. Com números indicando que o
ritmo da atividade econômica não seria tão acelerado
como apontam os analistas do mercado financeiro, o ministro procurou
mostrar ao presidente de que não há necessidade de aumento
da Selic, porque a inflação está sob controle e
o crescimento previsto é sustentável.
O BC, porém, vê com mais cautela
o movimento de retomada da economia e avalia que pressões inflacionárias
devem ser combatidas no nascedouro para evitar que o próprio
crescimento seja prejudicado. Para o BC, não há incompatibilidade
entre a política monetária e a expansão da economia,
já que preservar a estabilidade é uma condição
necessária ao crescimento.
Mantega e sua equipe cobram do presidente do
BC, Henrique Meirelles, uma ação ainda mais coordenada
do que a feita no ápice da crise financeira para, agora, garantir
um crescimento superior a 5% e um ambiente favorável ao investimento.
Internamente, a Fazenda imputa ao BC a conta de um Produto
Interno Bruto (PIB) menor em 2009 devido ao atraso do Copom em reduzir
a taxa Selic depois que a crise se alastrou na economia mundial em 2008.
Enquanto a crise estourou em 15 de setembro, com o quebra do Lehman
Brothers, o BC só começou a reduzir os juros no final
de janeiro.
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Folha de S.Paulo, 3 de fevereiro
de 2010
Mantega propõe "blindar"
país para eleição
Ministro reforça compromisso com "responsabilidade"
fiscal e pede a empresários que não aceitem "provocações"
em ano eleitoral | Ao lado de Meirelles, Mantega afirma que Banco Central
não hesitará em subir juro se houver pressão inflacionária
TONI SCIARRETTA
DA REPORTAGEM LOCAL
O ministro da Fazenda, Guido
Mantega, propôs ontem a líderes empresariais um pacto para
"blindar" a economia durante a eleição presidencial,
que, segundo ele, costumava trazer instabilidade quando a economia era
mais frágil.
Do lado do governo, Mantega reafirmou aos empresários o compromisso
com a manutenção do que chamou de "responsabilidade"
nas áreas fiscal e monetária, mesmo com a disputa eleitoral.
Aos empresários pediu que sigam trabalhando normalmente, não
aceitem "provocações" e não caiam no
"canto da sereia" daqueles que veem riscos que não
existem.
Ao lado do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, a quem chamou
de "guardião da moeda", Mantega afirmou que, se houver
pressão inflacionária, o BC não vai hesitar em
subir os juros.
"O governo não vai mudar a sua conduta e não vai
mudar o seu comportamento porque é um ano eleitoral. Vamos cumprir
as metas e fazer o que temos feito: responsabilidade fiscal e monetária.
Isso significa, como fizemos em 2006, que, se tiver problema de inflação,
o BC vai subir a taxa de juros; tomara que não faça, não
é Meirelles? Sabemos que o guardião da moeda estará
atento."
E acrescentou: "Para este ano, está prevista inflação
em torno de 4,5%. Não acredito que fique mais alta do que isso,
mesmo com a economia crescendo de 5% a 5,5%... Acho que não há
essa necessidade [de elevar juros]. A economia brasileira cresce solidamente
e não está produzindo inflação".
Citado para ser o "vice" da ministra Dilma Rousseff pelo PMDB,
partido em que entrou no ano passado, Meirelles repetiu aos empresários
sua explanação sobre os fatores e medidas tomadas para
que o país atravessasse a crise mundial.
Questionado sobre a eventual candidatura, Meirelles desconversou e disse
que só decide em março. "Até lá, 100%
de foco no Banco Central", disse.
Para Mantega, os empresários devem exigir dos candidatos a presidente
o compromisso com a "manutenção das políticas
bem-sucedidas". "Cada governo sempre pode melhorar as coisas
do governo anterior. O Brasil está bem, mas continua com muitos
problemas e não faltarão desafios. O novo governo deve
focar naquilo que vai fazer de melhor em relação ao que
já foi feito e não ficar ameaçando ou conturbando
aquilo que está dando certo", disse.
Já empresários presentes ao evento, que incluíam
Abilio Diniz (Grupo Pão de Açúcar) e Ivan Zurita
(Nestlé), pediram redução da carga tributária.
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FolhaPress, 3 de fevereiro
de 2010
Número de falências
no País cai ao menor nível desde 2005, diz Serasa
O número de falências
decretadas no Brasil em 2009 foi o mais baixo desde a promulgação
da Nova Lei de Falências, em junho de 2005. Foram 908 decretos
em todo o país, de acordo com levantamento da Serasa Experian.
A entidade apontou a recuperação
econômica, iniciada em março de 2009, e o crescimento da
economia brasileira a partir do último trimestre do ano como
as contribuição para a redução.
As falências decretadas
de microempresas em 2009 totalizaram 831 ocorrências, representando
91,5% do total de todos os portes - o mais baixo percentual desde 2005
-, mostrandoque menos microempresas faliram em 2009. Em 2008, esta relação
era de 92,2% e em 2007 de 95,5%. Já em 2006 correspondeu a 95,2%
e em 2005 a 97,7%.
Já as falências
decretadas das médias e grandes empresas, num total de 77, cresceram
em 2009, na comparação com 2008.
Quanto às médias
empresas - 58 delas - houve uma evolução maior no número
de falências decretadas, seis a mais que em 2008.
Para os economistas da Serasa
Experian, isso evidencia que as empresas desse porte sofreram mais com
a crise, em razão da recessão nos mercados internacionais
e da valorização do real.
Quanto aos pedidos de falência,
houve crescimento ao longo dos 12 meses de 2009. Foram 2.371 requerimentos
- sendo 1.512 de micro e pequenas empresas -, contra 2.243 em 2008.
"Os requerimentos de falência
foram muito utilizados em 2009, ora como instrumento de cobrança,
ora como consequência das dificuldades que as empresas passaram
com o crédito restrito, em decorrência das incertezas em
relação à crise financeira global", afirmam
analistas.
As recuperações
judiciais requeridas, por sua vez, mais do que dobraram. Em 2009 foram
670 pedidos de recuperação judicial, sendo 365 de micro
e pequenas empresas. Em 2008, houve 312 requerimentos.
"O instrumento foi uma
alternativa utilizada em 2009 pelas empresas em dificuldade, para evitar
a falência", lembram os economistas. As recuperações
judiciais deferidas e concedidas, etapas seguintes do processo, seguiram
na mesma direção, informa a Serasa.
A perspectiva apontada pelos
especialistas da Serasa Experian é de que as falências
e recuperações caiam em 2010, seguindo o maior crescimento
da economia, a recuperação do crédito para empresas
e suas melhores condições - prazos e custos. (Fonte: Folhapress)
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Folha de S.Paulo, 3 de fevereiro
de 2010
G20 quer enterrar de vez o G7 como instância
global
Previsão de transição final
neste ano é do presidente da Coreia do Sul e do G20 | Mudança
beneficia o Brasil, que tem papel de destaque nas discussões
do grupo, mas enfrenta resistência de países ricos como
o Japão
CLÓVIS ROSSI
ENVIADO ESPECIAL A DAVOS
Palavra de Lee Myung-bak, presidente da Coreia do Sul e, neste ano,
presidente também do G20, o clube das 21 maiores economias do
planeta mais a União Europeia.
É uma boa notícia para o Brasil: o G20 é, por enquanto,
a única instituição em que o país pode desfilar
na comissão de frente dos grandes do mundo.
Na verdade, os próprios líderes do G20 já o haviam
definido como "a principal instância para o debate da economia",
durante a cúpula mais recente, realizada em Pittsburgh (EUA).
Mas o G7, o grupo dos sete países mais ricos do mundo, resiste
ao enterro. O governo japonês, por exemplo, não acha interessante
trocar o exclusivo G7, no qual é o único país asiático,
por um grupo maior e no qual participa a rival China.
O Canadá, o menor e menos ruidoso dos países do G7, está
mais ou menos na mesma situação: se já é
o menor no G7, quase desaparece no G20.
Por mera coincidência ou intencionalmente, o governo canadense,
presidente de turno do G7/G8 (este inclui também a Rússia),
fará, no meio do ano, duas cúpulas, em cidades diferentes.
Primeiro, a do G8; depois, a do G20.
Pode dar-se o que já aconteceu em reuniões do G8 anteriores:
os ricos se reuniam, discutiam o que tinham que discutir, soltavam o
comunicado final e só depois chamavam os cinco países
que passaram a ser convidados ao chamado G8 ampliado, entre eles o Brasil.
O presidente sul-coreano admite que "houve muita discussão
sobre o alinhamento de interesses entre os países do G7 e os
do G20", mas dá como certo que prevalecerá o clube
maior. "Todos os países do G8 são também membros
do G20, pelo que terão em mente, quando se reunirem, a posição
que defenderão depois no G20, para não haver conflito
de agenda", diz.
A agenda desse G20 consolidado é rica o suficiente para que Myung-bak
diga que será um teste para "a moldura de cooperação
internacional", que é a essência do grupo até
agora.
A crise global, sincronizada, funcionou como cimento para a unidade
do grupo, mas a tentação de cada país seguir seu
caminho passa a ser forte, agora que a recuperação da
economia se dá "em múltiplas velocidades", diz
Dominique Strauss-Kahn, diretor-gerente do FMI.
Tome-se, por exemplo, o tema da reforma do sistema financeiro, que estará
com toda a certeza na agenda das duas cúpulas do G20 neste ano.
Os EUA saíram na frente com um a proposta ousada e polêmica.
Strauss-Kahn apoia o pacote, mas diz que faltou coordenação
com os demais países do G20.
Myung-bak, ao contrário, afirma que não acredita "em
modelo tamanho único" porque cada país tem situações
diferentes em seus bancos.
Outro item obrigatório da agenda é o que o jargão
batiza de "estratégias de saída", ou seja, a
retirada dos colossais pacotes de estímulo governamental à
economia, responsáveis em grande medida pela recuperação
em curso.
O Brasil, pela voz de Henrique Meirelles (BC), considera desnecessário
manter os estímulos e defende que a economia volte a ter "voo
normal" -sem as muletas dos pacotes.
Mas, nos demais países, não há segurança
a respeito de qual é o risco maior, se sair já ou retardar
a saída. Strauss-Kahn, que participa do G20 em nome do FMI, reconhece
que há problemas em qualquer uma das duas decisões, mas
prefere correr o risco de retardar a retirada, no que é acompanhado
por Christine Lagarde, a ministra francesa da Economia.
Há mais temas complexos na agenda, suficientes para prever que
as cúpulas em 2010 do G20 não serão nem plácidas,
como foram, na maioria, as do G7/G8, nem fortemente solidárias
como as de 2008/09.
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Folha de S.Paulo, 3 de fevereiro
de 2010
CIMENTO
Votorantim deve fechar acordo com a Cimpor
DA REDAÇÃO
A Votorantim está prestes
a fechar um acordo para comprar participação na cimenteira
portuguesa Cimpor, segundo o "Jornal de Negócios".
Dirigentes da companhia brasileira estariam em Lisboa para realizar
a compra dos 17,3% da Cimpor que hoje pertencem à francesa Lafarge.
Ela também teria acordo com a Caixa Geral de Depósitos,
que também é acionista da Cimpor, alvo do interesse de
CSN e Camargo Corrêa.
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Gazeta
do Povo, 3 de fevereiro de 2010
Início do ano legislativo
Dilma rouba a cena na abertura do Congresso
Ministra levou mensagem do presidente, que teceu
elogios aos parlamentares e a seu governo. Mas ela chegou atrasada na
solenidade de abertura dos trabalhos
Dilma Rousseff era uma das convidadas mais esperadas
para a abertura dos trabalhos no Congresso e foi muito assediada, distribuindo
sorrisos e beijos em parlamentares.
Brasília - Impecável num terninho
preto de gola alta e conjunto de pérolas, a ministra da Casa
Civil, Dilma Rousseff, atropelou o protocolo na solenidade de abertura
da 53.ª Legislatura do Congresso Nacional. Uma das convidadas mais
esperadas, por portar a mensagem do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva aos parlamentares, a pré-candidata do PT à Presidência
adentrou o plenário com mais de 15 minutos de atraso, quando
o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), já dava
prosseguimento à sessão solene.
Sentada na Mesa ao lado do presidente da Câmara,
Michel Temer (PMDB-SP), possível candidato a vice em sua chapa,
Dilma não discursou. A leitura da mensagem presidencial –
que destacou a importância do Congresso na superação
da crise econômica e falou sobre o PAC, que tem ligação
direta com a ministra – foi realizada pelo primeiro-secretário,
deputado Rafael Guerra (PSDB-MG).
Da Mesa, Dilma ora acenava com sorrisos e tchauzinhos
para aliados no plenário, ora esticava o rosto para dar e receber
beijinhos de parlamentares da base que fizeram fila para assediá-la.
Superação da crise
Na mensagem enviada ao Congresso,
o presidente destacou o sucesso do Brasil no enfrentamento da crise
econômica mundial e realçou o bom desempenho do Programa
de Aceleração do Crescimento (PAC) e do programa
habitacional Minha Casa, Minha Vida no período. No texto, Lula
disse que o Brasil seguiu gerando empregos, renda
e reduzindo o abismo social, enquanto o desemprego assolava o restante
dos países.
Segundo Lula, “o governo agiu de forma
rápida e firme” para acabar com os problemas de liquidez
na economia. O presidente ainda fez questão de elogiar o apoio
dos parlamentares nesse período de dificuldades.
Ao falar dos dois principais programas do governo,
o texto de Lula informa que, mesmo em ano de crise, o PAC aumentou em
“58% o valor dos pagamentos em relação ao ano anterior”
e que o programa Minha Casa, Minha Vida já contratou 248 mil
moradias em nove meses. Além disso, cita as descobertas do pré-sal.
A mensagem ainda diz que, “de forma responsável”,
o Brasil continua a manter o ciclo de desenvolvimento econômico
verificado nos últimos anos.
No texto, o presidente destaca também
a importância dos parlamentares na discussão e aprovação
de medidas para impulsionar a economia no período. “O papel
dos parlamentares foi fundamental para responder à crise.”
Lula pede ainda que o Congresso trabalhe
em conjunto com o Executivo em seu último ano de mandato para
fortalecer as condições econômicas e sociais do
país. “Nosso principal desafio em 2010 é trabalhar
em conjunto para fortalecer condições econômicas
e sociais que nos permitiram enfrentar turbulências recentes no
cenário internacional, e fundamentais para que o ciclo de desenvolvimento
dos últimos anos seja duradouro e sustentável.”
Alencar
O mais festejado da solenidade de abertura do
Congresso, o vice-presidente, José de Alencar, foi aplaudido
de pé por duas vezes. Na primeira, a homenagem foi puxada pelo
presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), que assiste a uma
guerra travada por seu partido para viabilizá-lo como vice na
chapa da ministra Dilma Rousseff. Sem querer, entretanto, Alencar acabou
provocando um certo constrangimento ao dizer, em seu discurso de agradecimento,
que ninguém vota em vice.
“Agradeço ao presidente Lula todos
os dias por ter me dado um mandato de oito anos. Graças a ele
ganhei esse mandato, porque ninguém vota no vice. O voto é
para o candidato a presidente.”
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Brasília Confidencial,
3 de fevereiro de 2010
SP: Palocci sai. PT e aliados querem Ciro
ou Mercadante contra tucanos
A base do Governo Lula em São
Paulo, formada por nove partidos, decidiu ontem aumentar a pressão
sobre o deputado federal Ciro Gomes (PSB/CE), para que desista da eleição
presidencial e seja o candidato ao governo de São Paulo. Os líderes
querem se reunir com ele no dia 11.
"Não queremos pressionar
Ciro, mas precisamos agilizar a campanha no estado. Há um consenso
de que essa indefinição não pode se prolongar,
porque começa a prejudicar a ministra Dilma no estado",
afirmou o presidente do PT, Edinho Silva.
Caso Ciro resista, a opção
paulista será a candidatura do senador Aloízio Mercadante.
Na manhã passada o deputado federal Antônio Palocci comunicou
ao comando estadual petista que não disputará o governo
e que, a pedido do presidente Lula, participará da coordenação
da campanha presidencial da ministra Dilma Rousseff.
Mercadante tem dito que deseja
concorrer à reeleição para o Senado. No PT, contudo,
a avaliação generalizada é de que ele não
se recusará a atender um pedido do presidente.
"Há um sentimento
grande no PT pela liderança de Mercadante. Ele tem ratificado
seu desejo de se reeleger para o Senado, mas se ele quiser, há
um espaço muito grande para que dispute o governo de São
Paulo, caso Ciro não aceite a proposta de toda a base",
disse Edinho Silva.
PDT
faz coro com o PT
"Vamos reunir as bancadas e lideranças de todos os partidos
da base com Ciro, provavelmente no próximo dia 11. Será
uma solitação nossa para que ele aceite o pedido de Lula
e se candidate em São Paulo. Se ele não aceitar, a nossa
opção é a do PT, que provavelmente sairá
com Mercadante", afirmou José Gaspar Ferraz de Campos, da
Executiva estadual pedetista.
Reunidos na sede do PSB paulista,
os líderes dos partidos que apoiam o governo federal nem chegaram
a discutir a hipótese de apoiar a candidatura de Paulo Skaf,
já lançada pelos socialistas. Avaliaram que, sem Ciro,
o PT deve apresentar um nome.
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Folha de S.Paulo, 3 de fevereiro
de 2010
PMDB escala direção
para pressionar PT
Partido vai eleger para a Executiva líderes
que devem disputar cargos contra petistas | Grupo que se opõe
a Temer sabe que não terá vagas na cúpula do partido
e articula entrar com ação no STF para adiar convenção
de sábado
MARIA CLARA CABRAL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O PMDB quer usar uma nova estratégia
na sua convenção nacional, no sábado, para pressionar
o PT e o presidente Lula a resolverem as alianças locais: colocar
em postos da nova Executiva peemedebistas que estão enfrentando
problemas com aliados, principalmente o PT.
Assim, a convenção não servirá só
para passar o recado que o partido está unido em torno de Michel
Temer (PMDB-SP) para ser vice na chapa da ministra Dilma Rousseff (Casa
Civil).
"Estamos apaziguando tudo. A eleição interna fortalece
o partido, dá mais unidade e gera um círculo virtuoso,
traz mais grãos [para a eleição de outubro], é
um processo construtivo", disse o líder do PMDB no Senado,
Romero Jucá (RR).
No total, 17 cargos na Executiva Nacional do PMDB serão definidos
na convenção. O diretório de Minas Gerais deve
ficar com a secretaria-geral: o ministro Hélio Costa (Comunicações)
ou seu aliado Mauro Lopes podem ficar com o cargo. Em Minas, Costa disputa
com os petistas Fernando Pimentel e Patrus Ananias a indicação
para disputar o governo.
Já o deputado Eunício Oliveira, do Ceará, deve
ficar na tesouraria do PMDB. Eunício quer ser o único
governista a concorrer ao Senado pelo Estado. O petista José
Pimentel também pleiteia o cargo.
A briga acontece também no Pará. Jader Barbalho (PMDB)
e Ana Júlia Carepa (PT) pretendem sair candidatos ao governo.
E, para mostrar que Jader tem força, ele deve ser eleito vogal
(cargo com menos força, mas mesmo poder de voto) na Executiva
do partido. O ministro Geddel Vieira Lima (Integração
Nacional), da Bahia, também deve ser vogal.
Uma vez na cúpula decisória do PMDB, os novos membros
da Executiva pretendem, no mínimo, evitar que o presidente Lula
e a ministra Dilma subam só no palanque do PT.
A estratégia de fortalecer os nomes regionalmente segue a linha
adotada por Temer para se capitalizar: deve ser eleito presidente, mostrando
assim força para ser indicado vice de Dilma. Já Jucá
deve ficar com a vice-presidência da legenda.
Liderada pelo ex-governador paulista Orestes Quércia, a ala contrária
a Temer estuda entrar até amanhã com uma liminar no Supremo
Tribunal Federal para adiar a convenção
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Gazeta do Povo, 3 de fevereiro
de 2010
Comunicação interna
A reação ao uso exagerado
da web no trabalho
Empresas adotam medidas para aproveitar –
e evitar – a concentração de tarefas realizadas
através do computador
Com o computador centralizando
cada vez mais as tarefas no ambiente de trabalho, empresas paranaenses
estão adotando uma série de ações para aumentar
a produtividade e a interação entre seus funcionários.
A empresa O Boticário,
por exemplo, estabeleceu uma política em que os funcionários
são proibidos de trocar e-mails entre si todas as quartas-feiras.
A ideia é que eles circulem internamente e conheçam outros
departamentos.
Já na Viapar, concessionária
que administra quase 550 quilômetros de rodovias nas regiões
Norte, Noroeste e Oeste do Paraná, uma opção escolhida
para diminuir o tempo gasto na leitura de comunicados em e-mails e painéis
é a rádio interna da empresa, sediada em Maringá.
Segundo Bruna Ribeiro, uma das responsáveis pelo serviço,
a rádio nasceu em 2006 para melhorar a comunicação
com os cerca de 600 funcionários. “Temos a programação
musical, mas também divulgamos o conteúdo informativo,
como boletins de segurança do trabalho, dicas de etiqueta corporativa,
comentários dos diretores da empresa sobre dúvidas dos
colaboradores, enfim, aumentamos a interatividade. Agora, não
dá para fugir totalmente das informações repassadas
pelo computador. Um trabalho complementa o outro”.
Uma empresa que resolveu aproveitar
a sua própria mídia como ferramenta de comunicação
foi a Paraná Clínicas, de Curitiba, especializada em planos
de saúde empresariais. Semanalmente, todos os computadores
da empresa apresentam um novo papel de parede que busca informar e motivar.
“Nosso principal objetivo é colocar os colaboradores em
destaque. Por isso, apresentamos informações direcionadas,
cenas descontraídas ou a lista de aniversariantes, por exemplo.
Além disso, reforçamos questões como os princípios
e a filosofia da empresa, tudo por meio do desktop do computador”,
explica Luciana Piva, superintendente de Pessoas e Processos de Gestão.
Outro exemplo vem da Herbarium
Laboratório Botânico, empresa com sede em Colombo, na Região
Metropolitana de Curitiba. Lá, existe uma ação
chamada “Dia do Profissional”. No dia do farmacêutico,
por exemplo, eles preparam um e-mail personalizado com a foto do colaborador
e com uma explicação sobre o trabalho e importância
desta pessoa na empresa. Além disso, o conteúdo ainda
é colocado no portal da Herbarium na internet. “Realizamos
essa atividade com todas as profissões dos nossos colaboradores.
É uma forma de motivar as pessoas e manter contato com nossa
equipe espalhada pelo Brasil”, explica Joanita Plombon, supervisora
de RH da Herbarium.
Redes sociais
Muitas empresas apontam weblogs,
fotologs e sites de relacionamento como vilões, por tirar a atenção
do funcionário. Mas para o professor Wesley Romão, da
Universidade Estadual de Maringá (UEM), as redes sociais não
devem ser reprimidas, mas sim adaptadas. “É uma questão
cultural. As redes sociais fazem parte da vida dos jovens que estão
entrando no mercado de trabalho. Não tem como a empresa ficar
isolada, alienada a essa realidade. É preciso absorver a cultura,
adaptá-la a sua área de atuação e torná-la
útil ”, explica ele, que coordena um curso de especialização
em desenvolvimento de sistemas para a web.
Romão defende que a adoção
de redes sociais dentro das empresas também depende da conscientização
dos funcionários, que precisam entender os limites. Segundo o
professor, o ambiente das redes sociais facilita o surgimento da diversidade
de perspectivas e opiniões, colaborando para a inovação
das empresas. “Nas redes sociais ocorre a quebra da barreira da
hierarquia, onde todos têm acesso a todos. Você tem a oportunidade
de mostrar quem você é, podendo expressar suas opiniões
e crenças”, afirma ele.
Segurança
Quando o assunto é computador e internet no meio empresarial,
um tema sempre “batido na tecla” é a segurança
das informações. Dependendo do tipo de negócio,
a segurança é tão importante que o acesso à
internet pode ser bloqueado. Veja algumas dicas de como se proteger:
Sistema
Se possível, utilize
um sistema operacional não convencional, que seja robusto.
Antivírus
Se tiver que utilizar um sistema
operacional comum, todos os computadores da empresa devem possuir um
antivírus atualizado.
Firewall
A empresa também deve
contar com um firewall adequado.
Treinamento
Defina normas internas de segurança
da informação na empresa e treine todos os colaboradores
na execução destas normas.
Criptografia
Em alguns casos, deve-se utilizar
criptografia para proteção das informações.
Planejamento
Inclua a segurança como
parte do projeto de TI.
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Gazeta do Povo, 3 de fevereiro
de 2010
Trabalho
Bancos contornam greve dos vigilantes
Paralisação chega hoje ao terceiro
dia e agências atravessam risco da falta de cédulas. Em
algumas instituições, pelo menos um caixa automático
é abastecido pelos próprios funcionários
Vigilantes e empresários
do setor de transporte de valores do Paraná ainda não
entraram em acordo sobre o reajuste salarial, mantendo a greve dos trabalhadores
em todo o estado. Ontem representantes das partes se reuniram no Tribunal
Regional do Trabalho (TRT), e nova audiência está marcada
para as dez horas de hoje. A greve alcança seu terceiro dia útil
com carros-forte parados e falta de abastecimento dos caixas automáticos
nos bancos.
Diferentemente do ano passado,
nesta campanha apenas os profissionais do transporte de valores entraram
em greve, o que ameniza os efeitos da paralisação para
os clientes bancários. A categoria de segurança patrimonial
aceitou o reajuste de 8% proposto pelo sindicato patronal e trabalha
normalmente, o que garante a abertura das agências. Em 2009, as
duas categorias entraram em greve simultaneamente por cinco dias, paralisando
o atendimento em 65% da rede bancária de Curitiba e região
metropolitana.
Dia de pagamento
Ainda que os bancos estejam
abertos, o que está em jogo nesta semana é a reposição
de dinheiro nos caixas automáticos que dependem do serviço
terceirizado, especialmente na sexta-feira, dia de pagamento de boa
parte dos assalariados. Com a evolução da greve, os bancos
podem alterar os sistemas de saque dos terminais de auto-atendimento
para racionar cédulas e atender – com restrições
– mais clientes. No fim da tarde de ontem, no entanto, as assessorias
do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal informaram que
não havia relatos de desabastecimento nas agências.
Cada banco, no entanto, tem
sistemas próprios para manter as operações. No
caso do Banco do Brasil, que realiza o pagamento dos funcionários
do estado, cada gerente tem autonomia para restringir o volume de saques
por cliente de acordo com a sua avaliação de necessidade.
Além disso, cada agência tem um porcentual mínimo
de caixas automáticos abastecidos pelos próprios funcionários,
e portanto independe do serviço dos vigilantes.
Correspondentes
Já na Caixa, que paga
os benefícios sociais do governo federal, o abastecimento das
máquinas é feito diretamente pelos funcionários.
O que pode ser comprometido é o abastecimento de lotéricas
e outros correspondentes bancários, ainda que estes estabelecimentos
tenham liberdade para girar o dinheiro que circula internamente em suas
atividades.
Na audiência com a desembargadora
Rosemarie Diedrichs Pimpão, do TRT, o sindicato empresarial ofereceu
reajuste de 4,59%, vale alimentação de R$ 14,70 e piso
salarial para empregados administrativos de R$ 680. Os empregados consideraram
a proposta insuficiente. Também estão sendo negociados
frente ao tribunal o prazo de compensação do banco de
horas e o pagamento dos dias parados durante a greve.
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
03/02/2010
Empresa que muda razão social deve
informar no processo
Quando uma empresa altera a
denominação, deve comprovar a mudança na razão
social ao entrar com recurso na Justiça do Trabalho, do contrário
pode configurar ilegitimidade de parte. Em julgamento recente, a Subseção
I Especializada em Dissídios Individuais do Tribunal Superior
do Trabalho rejeitou (não conheceu) recurso de embargos do Banco
Mercantil de São Paulo pelo fato de a empresa ter mudado a nomenclatura,
sem comunicar à Justiça.
Como observou o relator, ministro João Batista Brito Pereira,
a hipótese dos autos era semelhante a outros casos julgados no
tribunal em que ocorreu alteração na razão social,
não houve comunicação no processo e a procuração
está com o nome novo, não coincidindo com o que constava
nos autos. Desse modo, afirmou o relator, se a procuração
juntada aos autos traz como outorgante o nome da nova denominação
e não há prova da modificação efetuada,
o recurso deve ser considerado inexistente por irregularidade de representação.
A Primeira Turma do TST tinha negado provimento ao agravo de instrumento
do banco e barrado o exame do seu recurso de revista pelas mesmas razões.
Nos embargos à SDI-1, o banco argumentou que ocorreu apenas mudança
da nomenclatura, o CNPJ e o endereço da empresa eram os mesmos
e, portanto, qualquer documento que informasse a alteração
da razão social seria desnecessário para o processo. Disse
também que houve violação do direito constitucional
de ampla defesa e contraditório (artigo 5º, LV).
No entanto, o relator, ministro Brito Pereira, não concordou
com as alegações do banco. O ministro explicou que, durante
a relação jurídico-processual, a parte deve observar
todos os pressupostos de formação e desenvolvimento do
processo. Se houver qualquer alteração da denominação
social, como ocorreu no caso, deve ser informado ao juízo com
os documentos comprobatórios da mudança. Essa interpretação
foi seguida, à unanimidade, pelos integrantes da SDI-1. (E-A-AIRR-
57.089/2002-900-02-00.9)
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03/02/2010
TST extingue ação de trabalhador
discriminado por opção sexual
Ao aplicar a prescrição
trabalhista de dois anos, a Seção Especializada em Dissídios
Individuais I (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho extinguiu ação
movida por um empregado da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). O guarda-freios
pretendia receber indenização por danos morais, alegando
ter sido preterido diversas vezes em promoções devido
a sua opção sexual, após ter sido aprovado em concurso
público e ter trabalhado em diversas localidades como auxiliar
de maquinista.
A SDI-1 aplica, para julgar
indenização de danos morais decorrentes de relação
de trabalho, uma regra de transição levando em conta os
prazos da prescrição civil e da prescrição
trabalhista, considerando a alteração de competência
ocorrida com a Emenda Constitucional 45/2004, da Justiça Comum
para a JT. No entanto, essa regra leva em consideração
a origem do dano e vale só para casos em que o dano moral foi
em consequência de acidente de trabalho, situação
que não se aplica ao empregado da CVRD – a circunstância,
aqui, segundo a SDI-1, é da prescrição trabalhista
de dois anos.
O guarda-freios foi empregado
da Vale do Rio Doce de 1974 a 1997, quando foi dispensado. No entanto,
somente ajuizou a reclamação em novembro de 2003. Logo
na primeira instância, a 2ª Vara da Justiça do Trabalho
de Vitória (ES) declarou extinto seu pedido de indenização,
devido à prescrição trabalhista. A prescrição
é a perda do prazo para exercer o direito de ação,
que, na Justiça do Trabalho, é de dois anos após
o término do contrato de trabalho, conforme o artigo 7º,
inciso XXIX, da Constituição Federal.
Inconformado, o trabalhador
recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região
(ES), alegando que deveria ser considerada a prescrição
de 20 anos, norma do Código Civil de 1917. Porém, segundo
o TRT/ES, que manteve a sentença, se a competência é
da Justiça do Trabalho, incide o prazo prescricional do artigo
7º da Constituição. De acordo com o Regional, ao
ser reconhecido o dano moral como um crédito decorrente da relação
de emprego, seria “injustificável o afastamento das regras
gerais da prescrição trabalhista”.
Com mais um recurso, desta vez
ao TST, o guarda-freios buscou reverter o resultado. A Primeira Turma,
então, reformou o entendimento, afastando a prescrição
total declarada anteriormente, por entender se aplicar ao caso o prazo
prescricional de 20 anos. Assim, determinou o retorno à primeira
instância para julgamento da pretensão do trabalhador.
Segundo o acórdão
da Primeira Turma, não há obstáculo para a JT aplicar
prazos prescricionais diversos dos previstos nas leis trabalhistas,
e ela pode valer-se das normas do Código Civil. Acrescentou,
ainda, que a reparação pecuniária de dano moral
ou material ocorrido durante relação de trabalho “não
se trata de parcela ou contraprestação garantida legalmente
aos empregados e que se encontre elencada em lei trabalhista”.
Contra essa decisão,
a empresa recorreu com embargos. A relatora, ministra Maria Cristina
Peduzzi, considerou ser aplicável a prescrição
trabalhista devido a recente jurisprudência. A SDI-1, então,
por maioria, restabeleceu o acórdão regional, declarando
a prescrição total da pretensão do guarda-freios,
com a extinção da ação com resolução
do mérito. Ficaram vencidos os ministros João Oreste Dalazen,
Rosa Maria Weber e Augusto César Leite de Carvalho, que não
conheciam dos embargos. (RR - 67000-76.2004.5.17.0002 - Fase Atual:
E-ED - Numeração antiga: E-ED-RR - 670/2004-002-17-00.8)
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03/02/2010
Na sucessão trabalhista, seja por
concessão ou arrendamento, direitos do empregado devem ser assegurados
Alterações na
estrutura jurídica da empresa ou a mudança na sua propriedade
não têm o condão de prejudicar o trabalhador. Sob
esse enfoque, a Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho rejeitou
o recurso da ALL- América Latina Logística do Brasil S.A.,
concessionária num processo de sucessão trabalhista, que
não queria assumir nenhuma responsabilidade pelos pagamentos
devidos a um empregado. A Turma seguiu entendimento do Tribunal Regional
do Trabalho da 4.ª Região (Rio Grande do Sul).
A empresa afirmou não
ter ocorrido sucessão de empregadores, tampouco mudança
de propriedade ou alteração de estrutura jurídica
quando da concessão para exploração do serviço
público de transporte ferroviário.
O relator, ministro Vieira de Mello Filho, ressaltou o entendimento
do Regional quanto aos aspectos que configuram a sucessão no
âmbito trabalhista serem diferentes daqueles verificados à
luz do direito comum. Quando a concessionária assumiu a operação
de parte da malha ferroviária, antes executada pelo antigo empregador,
não houve mudança do empreendimento econômico, ainda
que com parcial transferência de bens de uma empresa para outra,
e o trabalhador continuou exercendo suas atividades, pois ainda existia
um contrato de trabalho. Nesse caso, afirmou o Regional, prevalece a
proteção aos direitos do trabalhador, e essa responsabilidade
é, indistintamente, do antigo e do novo empregador. A matéria
já está pacificada na jurisprudência do TST, consoante
a Orientação Jurisprudencial 225 da SDI-1, o que afasta
as apontadas violações dos arts. 10 e 448 da CLT.
A Primeira Turma do TST, acompanhando
a análise do relator do processo, ministro Vieira de Mello, manteve
a decisão do TRT da 4.ª Região e rejeitou (não
conheceu) o recurso de revista da empresa. (RR 727661-62.2001.5.04.5555/Numeração
antiga: RR 727661/2001.3)
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