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BEM PARANÁ, 04 de fevereiro de 2010
| Economia
Desenvolvimento
Índices de renda e emprego melhoram
Com base no Índice Ipardes de Desempenho Municipal (IPDM),
que acompanha a evolução da situação econômica
e social dos municípios paranaenses, verificou-se que o emprego
e a renda foram importantes vetores de desenvolvimento dos municípios
paranaenses, crescendo a taxas superiores àquelas apresentadas
pela economia, como o Produto Interno Bruto.
O IPDM considera três
eixos principais: saúde, educação, e trabalho e
renda. Ele avalia o desempenho dos municípios como menor, regular,
médio e maior. Em cinco anos, houve mais de 70% de evolução
nos municípios do estado. Em 2002, o Paraná detinha 198
municípios, ou seja, 50%, agrupados nos indicadores de menor
desempenho. Em 2007, 14% que corresponde a 56 municípios encontravam-se
nesta situação.
Analisando apenas as dimensões
salário médio, emprego formal e renda agropecuária,
verificou-se que o crescimento dos salários foi o que mais pesou
no componente emprego e renda. Considerando-se apenas os rendimentos
vindos do trabalho, segundo dados da PNAD, entre 2002 e 2007, a massa
de rendimentos cresceu 34,6% em termos reais (descontada a inflação),
contra um crescimento do PIB da ordem de 21,8% no mesmo período.
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Agência Câmara,
4 de fevereiro de 2010
PDT obstruirá Plenário
para forçar votação da PEC das 40 horas
Edson Santos
A bancada do PDT decidiu, nesta quarta-feira, que após o Carnaval
vai obstruir as deliberações do Plenário até
o presidente da Câmara, Michel Temer, marcar a data de votação
da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 231/95,
que reduz a carga de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas semanais.
A decisão foi tomada
na mesma reunião que reconduziu o deputado Dagoberto (MS) à
liderança do partido. Ele deverá ficar nesse posto até
junho, quando assumirá o deputado Brizola Neto (RJ). No ano passado,
os dois parlamentares também dividiram a liderança pedetista.
Segundo Dagoberto, a obstrução
da pauta “é uma forma que encontramos para pressionar a
presidência da Câmara e os demais líderes”.
O líder do PDT vai conversar com os outros partidos que apoiam
a proposta para reforçar a medida.
A PEC das 40 horas foi apresentada
pelo ex-deputado e atual senador Inácio Arruda (PCdoB-CE). A
proposta foi aprovada em junho de 2009 por uma comissão especial
e desde então aguarda inclusão na pauta do Plenário.
A Agência Câmara
está produzindo entrevistas com os novos líderes partidários.
Leia a entrevista concedida por Dagoberto.
Agência Câmara
— Por que o partido decidiu obstruir as votações
do Plenário?
Dagoberto — É uma forma que encontramos para pressionar
a presidência da Câmara e os demais líderes. Procuramos
alguns partidos para que, a partir do Carnaval, comecemos a obstruir
a pauta até que se coloque em votação essa PEC.
O projeto das 40 horas surgiu das centrais sindicais de comum acordo.
Pela primeira vez na história, elas tiveram unidade em seu pleito.
Agência Câmara
- O senhor tratou do assunto com o presidente Michel Temer?
Dagoberto - O presidente da Câmara assumiu um compromisso dizendo
que na próxima semana conversará com líderes do
meio empresarial sobre o assunto e, logo em seguida, falará conosco.
Logicamente, haverá alguma exigência do setor empresarial
e, se for possível atender, vamos fazê-lo, para que possamos
entrar em votação de comum acordo.
Agência Câmara
- Uma posição contrária do empresariado não
pode dificultar a votação na Câmara?
Dagoberto - Vejo isso com muita tranquilidade. Quando a carga de trabalho
diminuiu para as 44 horas semanais, foi a mesma briga: ninguém
queria, mas hoje é pacífico. Mais de 30% das indústrias
do País já adotam as 40 horas. Os países de primeiro
mundo, inclusive, têm cargas inferiores a 40 horas semanais. O
trabalhador precisa de mais tempo para se reciclar, ter um convívio
melhor com a família. Com isso, ele vai render muito mais para
o próprio empresariado. E os empresários têm que
se acostumar com essa modernidade.
Agência Câmara
- Quantos partidos já aderiram à PEC 231/95?
Dagoberto - Temos conhecimento do PT, do PSB e do PCdoB. Temos também
apoio de setores do PTB, que está discutindo para ver se entra
nessa frente. Aí, seriam cinco partidos fazendo obstrução.
Se os partidos da situação começarem a obstruir,
ninguém votará nada.
Agência Câmara
- Qual a posição do Poder Executivo nesse debate?
Dagoberto - Não temos manifestação por parte do
governo, mas a maioria dos partidos da base aliada ao governo apoia
a proposta.
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O ESTADO DO PARANÁ,
04 de fevereiro de 2010 | Economia
Lula: PAC 2 será grande reforma
em centros urbanos
Em sua primeira viagem a trabalho após sua crise de hipertensão
na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez
hoje um discurso bem humorado, em que brincou com o próprio mal-estar,
com seu time e com os outros participantes do evento, como a ministra
chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o presidente da Petrobras, José
Sérgio Gabrielli. Sem fazer ataques diretos aos governantes passados
ou a adversários políticos, o presidente destacou que
o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 2 será
lançado para promover uma "grande reforma nos grandes centros
urbanos, como o Rio de Janeiro e São Paulo".
"Precisamos dar um jeito
nas favelas e nas enchentes", disse Lula, frisando várias
vezes que o primeiro PAC foi apenas de "reparação".
"É a reparação da irresponsabilidade daqueles
que governaram 20 ou 30 anos atrás e não estamos apenas
falando de governos de direita, mas os de centro, e de esquerda também,
governos irresponsáveis, que permitiram a ocupação
de áreas em beira de morro, de encosta, perto de esgoto e coisa
e tal. O prefeito tem que ter a responsabilidade de ir lá e impedir
a ocupação de uma área. Vimos o que está
acontecendo em decorrência disso. Estamos reparando o acúmulo
de desmandos dos últimos anos", disse Lula.
Especificamente sobre a obra
que inaugurou hoje, o gasoduto Cabiúnas-Reduc III (Gasduc III),
em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, o presidente destacou que
o País tem a intenção de ser autossuficiente em
gás natural, principalmente por conta da segurança da
geração de energia elétrica. "A prioridade
número um da geração e do transporte de gás
no Brasil é a energia elétrica do gás. É
importante todo mundo saber disso: quem tiver indústria, carro
ou piscina movida a gás, é bom saber que na primeira crise
energética será cortado o gás para gerar energia",
disse o presidente.
Ele também afirmou que,
mesmo quando o Brasil conquistar a autossuficiência, não
deverá deixar de importar o gás boliviano. "O papel
de uma nação do tamanho enorme como é o Brasil
é o de ajudar países menores", disse.
Ao fazer uma breve menção
ao mal-estar que exigiu cuidados médicos na semana passada, Lula
disse que se "orgulha de sua pressão". "Foi um
problema que aconteceu, mas aqueles que imaginavam que eu ia parar de
viajar, podem tirar seu cavalinho da chuva. Nós vamos inaugurar
muita obra este ano. Pena que a Dilma não vai poder ir junto.
Mas eu e você Gabrielli, só este mês já temos
três obras para inaugurar. Eles (adversários) vão
ficar loucos", brincou.
Dirigindo-se a José Sérgio
Gabrielli, Lula disse: "A Petrobras está tão mão-de-vaca
que eu vou denunciar você, Gabrielli, para o Tribunal de Contas
da União", disse arrancando gargalhadas dos presentes, ao
reclamar da falta de ventiladores e de água no evento, aludindo
também às constantes investigações do TCU
sobre as contas da estatal. Bastante suado, o presidente também
brincou com a própria condição: "Eu deveria
estar aqui parecendo um presidente e estou mais parecido com um pintinho
que caiu dentro de uma caixa d'água", disse durante a cerimônia
de inauguração do gasoduto da Petrobras na Baixada Fluminense.
Sobre a ministra Dilma,
Lula relembrou os tempos em que ela ainda detinha a pasta de Minas e
Energia, e sua dedicação para reformular o setor de energia.
"Parecia que ela e a Graça (diretora de Gás e Energia
da Petrobras) tinham brigado com seus maridos e namorados, porque varavam
noites discutindo a reformulação do setor de energia no
ministério", disse o presidente também levando o
público a dar risadas.
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Gazeta do Povo, 4 de fevereiro
de 2010
Meio circulante
Cédulas do real ganham formato
e desenho novos
Notas de R$ 50 e R$ 100 vão entrar em
circulação até maio. Remodelação
serve para combater a falsificação do dinheiro brasileiro
Após quase 16 anos de
circulação, o real ganhará a partir do fim de abril
uma nova família de cédulas, que foram redesenhadas para
dificultar a falsificação e facilitar o reconhecimento
das notas pela população, incluindo os deficientes visuais.
Não será necessário correr aos bancos para fazer
a troca do papel moeda, pois a substituição será
feita à medida que as cédulas atuais se desgastarem.
Com mais itens de segurança,
as cédulas também serão impressas em tamanhos variados,
de acordo com o valor. Ou seja, a nota de R$ 2 será menor que
a de R$ 5, e assim por diante. Apenas a nova nota de R$ 10 terá
o mesmo tamanho de hoje.
A estreia será feita
com as notas de R$ 50 e R$ 100, cédulas que concentram cerca
de 95% das falsificações do dinheiro brasileiro. Em no
máximo dois anos, todas as notas terão suas novas versões
na rua e a expectativa é que 100% do dinheiro em circulação
já seja da nova família em 2013 ou 2014.
Custo maior
Por serem de tamanhos diferentes
e com novos elementos de segurança, a impressão dessas
cédulas custa, na média, 28% mais que o valor atual. Segundo
o chefe do Departamento de Meio Circulante do Banco Central, João
Sidney de Figueiredo, o BC paga R$ 168 para imprimir mil notas atuais.
Agora, passará a pagar cerca de R$ 200 para imprimir o mesmo
número de cédulas.
Ele acredita, porém,
que o custo maior será compensado com o tempo, uma vez que as
cédulas novas terão uma vida útil 30% maior. Atualmente,
notas de maior valor – R$ 20, R$ 50 e R$ 100 – circulam
entre 2,5 e 3 anos. As de menor valor – de R$ 2 e R$ 5 –
têm vida de até 1 ano, geralmente.
As novas cédulas do real
também servirão para combater um dos principais problemas
do dinheiro no Brasil: a falsificação. Dados do BC mostram
que, atualmente, existem 143 notas falsas para cada 1 milhão
de cédulas em circulação. A taxa de dinheiro ilegal
no Brasil é cerca de três vezes superior à observada
na Europa, já que a média da região do euro é
ter 53 cédulas falsas a cada milhão.
Segundo o ministro da Fazenda,
Guido Mantega, a renovação da moeda vem em um momento
no qual a atividade econômica em expansão necessita de
mais meio circulante. Ele afirmou que o novo dinheiro será emitido
dentro de padrões tecnológicos compatíveis com
os usados na fabricação das cédulas de euro.
Para a fabricação
da nova família, a Casa da Moeda investiu cerca de R$ 400 milhões
nos últimos anos, dos quais R$ 260 milhões foram gastos
com a compra de máquinas de impressão. Assim, a estatal
também poderá atender às exigências para
a impressão de dinheiro de outros países, algo que não
é feito desde meados da década de 1980.
“Forte demais”
Mantega também afirmou
que o real é uma moeda forte porque o Brasil é uma economia
forte. “Às vezes alguns empresários reclamam que
a moeda é forte demais, mais isso é da vida, infelizmente
a vida é assim”, disse o ministro na solenidade de apresentação
da nova família de cédulas do real.

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Folha de S.Paulo, 4 de fevereiro
de 2010
CIMENTO
Votorantim adquire 17% do capital da
portuguesa Cimpor
DA REDAÇÃO
Última a entrar publicamente
na disputa, a Votorantim saiu na frente das rivais CSN e Camargo Corrêa
ao adquirir, do grupo francês Lafarge, 17,3% do capital da cimenteira
portuguesa Cimpor. Também fechou acordo com o banco CGD, que
também é acionista da Cimpor, em que se comprometem a
não elevar substancialmente a participação na empresa.
Para fechar o negócio, a Votorantim disse que a francesa, a maior
cimenteira mundial, vai receber ativos seus no Brasil, sem revelar quais.
Segundo a Lafarge, isso depende de alguns fatores, como a valorização
das ações da Cimpor por causa da oferta pública
feita pela CSN.
A CSN, assim como a Camargo Corrêa, disse que continua interessada
na Cimpor -o conselho da empresa portuguesa recomendou que os acionistas
não aceitem a proposta da CSN.
Com o acordo feito com o CGD, a Votorantim e o bancos detêm juntos
aproximadamente 27% do capital da Cimpor, o que os torna os principais
acionistas da companhia. Elas disseram que não "podem ir
além dos 32%", o que as obrigaria a fazer uma oferta pública.
O CGD disse que um dos motivos do acordo é a manutenção
da "independência empresarial" da Cimpor.
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Folha de S.Paulo, 4 de fevereiro
de 2010
INTERNET
Governo quer forçar queda de 70%
no preço da banda larga
DA REPORTAGEM LOCAL
O governo federal concorrerá
com as operadoras que vendem banda larga para forçar a queda
do preço do serviço em 70% e levar o acesso a 68% dos
domicílios até 2014. Hoje, somente 19% estão conectados.
É o que afirmou o assessor especial da Presidência da República,
Cezar Alvarez, durante um encontro com representantes da sociedade civil,
no Palácio do Planalto, há dois dias.
Os participantes do encontro dizem também que Alvarez mencionou
três ofertas da nova estatal aos consumidores. O plano seria vender
pacotes mensais de R$ 15 (para velocidade de 256 Kbps), R$ 25 (512 Kbps)
e R$ 35 (1 Mbps).
Ainda segundo eles, para atingir as metas, o governo disse que investirá
entre R$ 3 bilhões e R$ 15 bilhões. Essa diferença
leva em conta a possibilidade de parcerias entre o governo e empresas,
Estados e municípios. Muitos deles já têm rede de
fibras óticas que poderia ser usada para massificar a internet.
O objetivo é mais que dobrar a atual rede de cabos e de fibras
óticas pertencentes às estatais Eletrobrás e Eletronet,
que proverão o serviço no país por meio da Telebrás.
Essa rede terá 31 mil km de fibras óticas, passando por
4.278 municípios e atingindo 68% dos domicílios. Pelos
cálculos do governo, esse índice seria de 33% em 2014,
caso mantidas a atual configuração e a taxa de crescimento
do mercado.
Nos bastidores, as operadoras fixas já planejam entrar na Justiça
contra o plano do governo, alegando que ele representa a quebra do modelo
de privatização. (JW)
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Folha
de S.Paulo, 4 de fevereiro de 2010
Editoriais Folha: Eleições
2010 - Pela pluralidade
É bom para a democracia que Ciro Gomes
e Marina Silva se lancem como opções e incomodem petistas
e tucanos
PODE-SE GOSTAR ou não
de Ciro Gomes. Pode-se considerá-lo um político com muitas
ideias e perfil arrojado, alguém com capacidade de formulação
e liderança incomuns no cenário público brasileiro.
Pode-se também pensar que o deputado federal pelo PSB é
figura de perfil autoritário e tendências voluntaristas,
personalidade irascível, que se destempera com facilidade -alguém,
além do mais, que pulou de sigla em sigla ao longo da sua trajetória
política.
Goste-se ou não de Ciro Gomes e do que ele representa politicamente,
de uma coisa é difícil discordar: com sua presença,
a campanha presidencial tende a ser mais rica em discussões,
propostas, confrontos de ideias.
Não se trata aqui de defender uma candidatura, qualquer que fosse,
mas o salutar valor da pluralidade. Ciro Gomes reapareceu em público
anteontem, depois de um período de férias, reiterando
a sua disposição de disputar a Presidência. Disse
que pretende se apresentar como "opção" ao eleitor,
que não ficaria obrigado a "votar por negação"
-o que, segundo ele, aconteceria numa eleição plebiscitária
entre José Serra, pelos tucanos, e Dilma Rousseff, pelo PT.
O mesmo argumento vale para Marina Silva, ex-ministra de Lula, senadora
pelo PV. Sua postulação à Presidência tem
o mérito de incorporar ao debate temas emergentes na agenda global,
relacionados à preservação do ambiente e ao chamado
desenvolvimento sustentável, que sem ela provavelmente teriam
presença mais discreta e lateral na dinâmica da campanha.
Mais do que isso, porém, tanto a participação de
Marina como a de Ciro fazem bem ao processo eleitoral porque desafiam
a lógica plebiscitária. Tal lógica interessa a
PT e PSDB, embora os argumentos de cada um possam variar. Para o eleitor,
no entanto, a escolha de tipo plebiscitário só faz sentido
no segundo turno. Antes disso, parece ser apenas uma limitação
artificial e precoce do processo democrático.
Ninguém desconhece o fato histórico de que PSDB e PT disputam
a hegemonia política do país já há quatro
eleições consecutivas. Os partidos se constituíram
a partir do Plano Real e da eleição de Fernando Henrique
Cardoso, em 1994, como polos do poder, no que foi batizado de "concertação
brasileira" -uma alusão livre ao arranjo institucional da
política chilena.
Ninguém ignora tampouco a grande probabilidade de essa polarização
(em parte, diga-se, forjada por antigos interesses da política
paulista) repetir-se no pleito deste ano, conforme já sugerem
as pesquisas eleitorais. E essa é mais uma razão para
que se veja com bons olhos a ampliação do debate no primeiro
turno.
Ciro Gomes disse anteontem que a aliança entre PT e PMDB parece
um "roçado de escândalos". Não faz muito,
havia dito de José Serra que era "mais feio por dentro do
que por fora". Pode-se discordar de uma ou outra coisa. Pode-se
discordar inclusive desse estilo. Mas é saudável para
a democracia que Ciro e Marina existam como opções e possam
incomodar petistas e tucanos.
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Valor Econômico, 4
de fevereiro de 2010
Ciro garante que continua candidato
e que só PSB pode tirá-lo da disputa
Por Raquel Ulhôa,
Durante viagem à Europa,
durante o recesso parlamentar, o deputado Ciro Gomes (PSB/CE) foi informado
pela assessoria de que estava sendo procurado pelo ex-ministro José
Dirceu, que tem negociado alianças estaduais pelo PT.
"Mandei dizer que estava
muito ocupado, de férias", relata Ciro, que não quer
conversa com Dirceu. Diz discordar dos "cálculos políticos"
e da articulação feita pelo ex-ministro. "Essa coisa
é golpista", criticou.
A declaração do
deputado reflete irritação e impaciência com as
pressões do PT para que desista de concorrer à Presidência
da República e dispute o governo de São Paulo. Ciro pretende
manter sua candidatura à sucessão do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva até "onde puder, ou seja, outubro".
Diz que apenas o PSB pode tirá-lo
da disputa. E, se isso acontecer, prefere ficar fora das eleições
de 2010. "Saio da vida pública. Paro um pouco. Para mim,
a política não é meio de vida", declara.
A favor de sua candidatura a
presidente, Ciro diz que seu partido está eleitoralmente mais
forte que o PT no país. Cita, como prova, o fato de o PT estar
buscando no PSB um candidato ao governo de São Paulo.
Diz ainda que o PSB tem três
governadores bem avaliados (Pernambuco, Ceará e Rio Grande do
Norte), o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, candidatos competitivos
e alianças eleitorais na maioria dos Estados. Só enfrenta
dificuldade em Sergipe e no Rio Grande do Norte.
"Nunca tive tanta força
quanto agora para disputar a Presidência", afirma Ciro, que
concorreu ao cargo em 1998 e 2002. Afirma ter base política no
país inteiro. Contabiliza a seu favor sua amizade com o governador
de Minas, Aécio Neves (PSDB).
Para o deputado, Lula "está
errado" ao tentar aglutinar todos os partidos aliados em torno
de Dilma.
"PSDB e PT querem que eu
retire minha candidatura a presidente. A única pessoa que está
certa em querer retirar minha candidatura é o José Serra
(governador de São Paulo, pré-candidato tucano à
Presidência). Significa que o Lula está errado. O santo
Lula, nesse assunto, está errado", afirma Ciro.
O deputado defende sua candidatura
a presidente como "opção" ao eleitor, que "não
será obrigado a votar por negação" - o que
aconteceria numa eleição plebiscitária entre Dilma
e Serra.
Por suas "circunstâncias
políticas", como antigo aliado de Lula hoje fora do governo,
Ciro acha que é o único em condições de
manter os avanços da gestão do petista e fazer "a
justa transição com a necessária e indispensável
dose de renovação".
Voltou a atacar a "moral
frouxa" da coalizão PT-PMDB, que, na sua opinião,
está deixando um "roçado de escândalos semeado".
O deputado admite que sua candidatura
a presidente está numa "fase solitária", sem
apoio de outros partidos. Diz que irá em busca de aliados. "Vou
trabalhar. Só penso naquilo 24 horas por dia", diz.
A tese de Ciro e da direção
do PSB é que a participação de dois candidatos
governistas evita uma vitória de Serra no primeiro turno.
Ciro nega que o PSB esteja abandonando
o projeto da candidatura própria. Segundo ele, até agora
todos os passos foram combinados. Nega que Lula mande recados para que
desista.
"Não converso com
Lula pelos jornais. Não recebo recado. Converso claramente. Digo
que ele está errado", diz. E continua: "Não
trato Lula como mito, trato como líder político".
Em conversa com o presidente,
foi fixado prazo até março para a decisão sobre
a candidatura a presidente ser tomada. A pedido de Lula, o deputado
transferiu o domicílio eleitoral para São Paulo, para
abrir a possibilidade da disputa ao governo estadual - opção
que descarta.
O deputado minimiza as pesquisas
de intenção de voto, que apontam sua queda e crescimento
de Dilma. Avalia ter um percentual mínimo de votos entre 12 e
13% de votos no país e Dilma, como candidata de Lula, um piso
de 25%. A partir daí, o desempenho depende dos "atributos"
exibidos na campanha.
Ciro não deixa claro
o que tem contra José Dirceu. Mas lembra que, quando presidente
do PT, o ex-ministro abriu inquérito no partido para apurar relações
de Lula com o compadre Roberto Teixeira. "Era um trabalho para
liquidar Lula", diz.
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Valor Econômico, 4
de fevereiro de 2010
Eleições 2010: Aécio
Neves retoma críticas ao PSDB por falta de prévias
Por Cristiane Agostine,
O governador de Minas Gerais,
Aécio Neves (PSDB), retomou as críticas ao seu partido
por não realizar prévias para a escolha do candidato à
Presidência, um dia depois da divulgação de pesquisa
eleitoral CNT/Sensus na qual a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff,
aparece em empate técnico com o governador de São Paulo,
José Serra, em um dos cenários.
Aécio mudou o tom do
discurso ao ser questionado sobre a possibilidade de retornar à
disputa pela Presidência e disse que a decisão depende
mais do "destino" do que de sua vontade.
O resultado da pesquisa CNT/Sensus
divulgada na segunda-feira foi visto com cautela por setores do PSDB
e Aécio voltou a ser cotado por tucanos como opção
no caso de o governador José Serra preferir disputar um novo
mandato em São Paulo.
A sondagem indica o crescimento
das intenções de voto da ministra Dilma e o empate técnico
com Serra em um cenário eleitoral com o deputado Ciro Gomes (PSB).
Ontem, Aécio reiterou
que sua pré-candidatura à Presidência apresentava
uma "alternativa mais agregadora" e disse que não saiu
da disputa eleitoral "esperando um retorno", mas afirmou que
irá "aguardar que as coisas caminhem naturalmente".
"Apresentei uma alternativa
com um olhar muito mais no futuro do que numa disputa de vaidades, entre
quem fez mais e quem fez menos. O meu partido optou por uma outra direção,
não criou um fórum para essa decisão", afirmou
Aécio.
"O Brasil precisa olhar
para frente. Acho perigosa essa eleição plebiscitária
que querem fazer. Quem foi melhor, A ou B. O momento é outro.
Os desafios são outros. Cada um fez ao seu tempo o que podia
fazer".
Sem a perspectiva de realização
de prévias dentro do PSDB, o governador mineiro anunciou no fim
de dezembro que não concorreria à sucessão presidencial
e indicou sua preferência por concorrer a uma vaga no Senado.
Ontem, ao ser questionado sobre
o eventual retorno à disputa pela Presidência, Aécio
sinalizou que seu destino eleitoral poderá tomar outro rumo.
"Nós que fazemos política não somos donos
do nosso destino", disse.
"O resto, como dizia o
Dr. Tancredo, depende muito mais do destino do que da nossa vontade".
O governador participou da inauguração de obras em Araxá
(MG) e da inauguração do aeroporto e do campus da Universidade
Estadual de Minas Gerais em Frutal.
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UOL NOTÍCIAS, 04
de fevereiro de 2010 | Internacional
A greve de funcionários da fabricante
de cigarros turca, símbolo da luta contra as privatizações
Guillaume Perrier
Enviado especial a Ancara (Turquia)O acampamento improvisado dos operários
da Tekel, antigo monopólio turco do tabaco, criou raízes
nas ruas geladas do centro de Ancara. Sardinhas e castanhas grelhando
sobre as churrasqueiras, e caixas de garrafas de raki circulam nas alamedas
lotadas.
Envolvidos em cobertas, quase
2 mil trabalhadores, demitidos ou ameaçados de demissão
em razão da privatização de sua empresa, fazem
greve há 50 dias, instalados diante da sede da central sindical
Türk-Is. Sentados em torno de fogareiros, sob lonas plásticas,
os “Tekel” estão bem decididos a não arredar
pé de seu acampamento, enquanto não for feito um acordo
com o governo.

Funcionários da Tekel protestam pelas ruas de Ancara contra
a privatização da empresa
Cerca de 12 mil funcionários
são diretamente afetados pela dissolução do grupo,
vendido em 2008 à gigante British American Tobacco (BAT) por
1,72 bilhão de euros (cerca de R$ 4,4 bilhões) . Para
compensar a perda de seus empregos, após o fechamento de uma
centena de unidades por todo o país, o Estado propôs aos
empregados postos temporários na administração.
“O governo está
tentando fazer com que trabalhemos em condições indignas”,
protesta Mustafa Türkel, presidente do sindicato Tek Gida-Is. “Os
operários perderiam seu status de funcionário público,
sem nenhuma segurança de emprego. Nós somos contra as
privatizações da forma como estão sendo conduzidas
por esse governo”.
Esse conflito social, que começou
em dezembro de 2009, constrange ao extremo o primeiro-ministro, Recep
Tayyip Erdogan, cuja política econômica é contestada
pelos funcionários públicos e pelas classes populares.
Ignorados durante mais de um
mês pelo governo, os grevistas voltaram a esperar por um resultado
positivo. Mas, após diversos encontros, as negociações
entre os sindicatos e o governo permaneceram em um impasse, na terça-feira
(2). “É uma luta por nossa honra. Continuaremos a brigar
de todas as formas”, diz Binali Ildan, um ex-operário da
usina de Istambul.
Há 50 dias os “Tekel”
vêm expandindo as manifestações nas ruas da capital,
às vezes reprimidas de forma brutal pela polícia, e durante
vários dias chegaram a fazer uma greve de fome que levou três
deles ao hospital. “Nós estamos sendo muito afetados pela
desumanidade do governo”, queixa-se um deles, Ibrahim Kiraç.
“Estamos sob a pressão do FMI (Fundo Monetário Internacional)
e do capitalismo internacional”.
Uma
empresa rentável
Inflexível, Recep Tayyip Erdogan denunciou, na terça-feira,
“uma campanha ideológica contra o governo” e uma
“instrumentalização” dos trabalhadores. Em
Ancara, entretanto, inúmeros passantes continuavam a dar apoio
ao movimento. “Sem o apoio dos cidadãos, não teríamos
conseguido aguentar todo esse tempo”, confessa um operário.
Mas se o governo mantiver sua
posição, o conflito pode se radicalizar. Os “Tekel”
planejavam recomeçar sua greve de fome na quarta-feira. As seis
principais centrais sindicais que representam funcionários públicos
e empregados do setor privado convocaram uma jornada de greve para quinta-feira.
Uma grande manifestação está prevista para Ancara.
Desde 2002, centenas de empresas
públicas foram privatizadas pelo partido islâmico conservador
que está no poder. A loteria nacional, as centrais elétricas
ou as usinas de açúcar estão entre as próximas
da lista. O plano foi supervisionado pelo FMI, com o qual a Turquia
negocia um acordo há mais de um ano. De todas essas empresas,
a Tekel era uma das mais rentáveis.
Nascida em 1925 da nacionalização
da Régie Intéressée des Tabacs de l’Empire
Ottoman, uma empresa francesa, ela já havia cedido seu setor
de bebidas alcoólicas em 2003. O partido de Erdogan, reeleito
em 2007 por seus bons resultados econômicos, é acusado
pela oposição de conduzir uma política ultraliberal
e há meses vem enfrentando uma série de movimentos sociais
nos serviços públicos.
Tradução: Lana Lim
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Folha de S.Paulo, 4 de fevereiro
de 2010
TENDÊNCIAS/DEBATES
Bônus para investir em saúde
do trabalhador
ARTUR HENRIQUE e MANOEL MESSIAS MELO
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Entre 2003 e 2008, tivemos 3,4
milhões de acidentes de trabalho no país, o que resultou
em 16.700 mortes e 499 mil casos de doenças
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SEGUNDO OS registros oficiais da Previdência Social, entre 2003
e 2008 tivemos 3,4 milhões de acidentes de trabalho no país,
o que resultou em 16.700 mortes e 499 mil casos de doenças. Além
disso, 71.300 pessoas em plena idade produtiva foram aposentadas por
invalidez, ou seja, foram excluídas definitivamente do mercado
de trabalho.
No mesmo período, o custo da Previdência Social para cobrir
gastos com benefícios acidentários e aposentadorias insalubres
e penosas foi de R$ 72,7 bilhões. Desse total, as empresas pagaram
tão somente R$ 41,9 bilhões, gerando um rombo de R$ 30,8
bilhões para as contas públicas, advindo de um problema
a respeito do qual os empregadores têm toda a responsabilidade,
segundo definido pela nossa Constituição Federal e como
admitido em todo o mundo.
Para além das perdas econômicas, esse quadro remete a dimensões
éticas e sociais que revelam, antes de tudo, o profundo descaso
de parte dos empregadores com a vida e a saúde humanas, diuturnamente
negligenciadas por condições de trabalho que impõem
sofrimento físico e psíquico muito além dos limites
suportáveis.
A partir de 2006, esse quadro passou a ter mais visibilidade, quando
acertadamente o governo, após pressão do movimento sindical
e a partir de um processo negocial que incluiu os empregadores, adotou
o critério epidemiológico para o reconhecimento da relação
de causalidade entre o trabalho e o acidente -nele também compreendidas
as doenças- por meio do cruzamento entre o CID (Código
Internacional de Doenças) e o Cnae (Código Nacional de
Atividade Econômica). Com o cruzamento, tornou-se muito mais fácil
identificar a relação entre o tipo de atividade de cada
setor e a incidência de doenças ou acidentes de trabalho.
Em setembro de 2009, a sociedade conseguiu novo avanço: o chamado
FAP (fator acidentário de prevenção), que, na prática,
estabelece a cobrança individual por empresa do seguro acidente.
A mudança foi estabelecida a partir do decreto 6.957, da Previdência
Social, que finalmente regulamenta a lei 10.666/03.
Por causa do FAP, as empresas que apresentarem maior número de
acidentes, doenças, mortes e invalidez deverão pagar alíquotas
maiores do seguro acidente, e as que mais bem protegem a saúde
dos trabalhadores, investindo em saúde e proteção,
pagarão menos.
Premia-se, portanto, as boas práticas para com a saúde
do trabalhador.
Pois agora vem a CNI (Confederação Nacional da Indústria)
tentar ludibriar a sociedade brasileira, declarando que as empresas,
de uma forma geral, serão submetidas a um seguro acidente mais
caro. Pior: ao combater a mudança, está somente defendendo
as empresas que matam, invalidam e fazem os trabalhadores adoecer.
Deixam de perceber que essas representam um número pequeno se
comparadas aos milhares de empresas que serão beneficiadas ao
cumprir suas tarefas em matéria de saúde do trabalhador.
É uma atitude condenável, que procura ocultar da sociedade
essa triste história de acidentes, mortes e invalidez nos locais
de trabalho.
É preciso destacar a estranheza da reação da CNI,
que participou de todo o processo de negociação e elaboração
entre as centrais sindicais e os representantes patronais, aprovado
pelo Conselho Nacional de Previdência Social. Como empregadora
e como partícipe da elaboração do projeto, a CNI
quer se eximir duas vezes.
A CUT, desde o seu nascimento, em 1983, ao lado das demais centrais
sindicais, vem cobrando o aperfeiçoamento da legislação
previdenciária.
Denunciamos insistentemente a subnotificação dos acidentes
de trabalho, o não reconhecimento constante das doenças
profissionais e os entraves desse reconhecimento pelo INSS. Conseguimos
uma mudança profunda, que é o NTEP (Nexo Técnico
Epidemiológico), em dezembro de 2006, que, independentemente
das comunicações de acidentes de trabalho feitas pelos
patrões, garante reconhecimento de diversas doenças profissionais
e do trabalho.
Com esse conjunto de mudanças, complementares entre si, os patrões
não poderão fugir dessa responsabilidade, escondendo-se
na faixa de contribuições de 1% a 3% lineares para todos
os setores econômicos, quando em diversos países já
existe a cobrança individual por empresa.
Implementar as medidas necessárias para cumprir as novas regras
vai estabelecer normas e procedimentos mais modernos em nossas empresas,
o que evidentemente não aumentará o custo Brasil -ao contrário.
Mais importante, porém, é combater as mortes, adoecimentos
e acidentes de trabalho.
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ARTUR HENRIQUE é presidente nacional da CUT (Central Única
dos Trabalhadores).
MANOEL MESSIAS MELO é secretário nacional de Saúde
do Trabalhador da CUT.
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Agência Diap, 4 de
fevereiro de 2010
Estabilidade do dirigente e regulamentação
da assistencial, no Trabalho
Os projetos de lei que tratam, respectivamente, da regulamentação
da taxa assistencial (PL 6.708/09), e da estabilidade do dirigente sindical
(PL 6.706/09) já estão na Comissão de Trabalho,
onde aguardam distribuição. Ambos são de autoria
do senador petista Paulo Paim (RS).
Essa distribuição
só será feita depois que o colegiado eleger a nova mesa
diretora. Essa eleição está prevista para o final
de fevereiro, início de março.
O PL 6.706/09 foi anexado a
vários projetos de lei que tratam de organização
sindical - PL 5.401/09, PL 5.684/09, PL 5.622/2009, PL 5.996/09, PL
4.430/08, PL 5.193/09.
É importante que as entidades
atuem para que os relatores desses projetos sejam aliados, pois desse
modo sua tramitação poderá ser mais célere
e atender aos interesses do movimento sindical.
Veja o conteúdo do PL
6.708/09 e também do PL
6.706/09
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
04/02/2010
Após ganhar ação contra
empregador, terceirizado entra com outra contra o tomador de serviço
O Banco do Brasil foi inocentado
da acusação de responsável subsidiário pelos
créditos trabalhistas pedidos por um empregado terceirizado em
uma ação anterior da qual o banco não foi parte
no processo. Decisão em contrário ofenderia o direito
de defesa da instituição, afirmou a Seção
I Especializada em Dissídios Individuais do Tribunal Superior
do Trabalho, ao rejeitar o recurso do empregado que havia prestado serviços
em uma agência no Paraná.
O empregado entrou com duas reclamações. A primeira foi
contra seu real empregador – a empresa Ambiental Vigilância
Ltda. –, quando conquistou o direito de receber as verbas pedidas.
Quando a sentença, transitado em julgado, estava na fase de apuração
do valor, ele entrou com a outra ação, na qual pediu a
responsabilidade subsidiária do banco. Ao final do julgamento
nas instâncias ordinárias, o Tribunal Regional da 9ª
Região confirmou a inocência do banco, sentenciada pelo
juiz, e extinguiu o processo sem resolução do mérito,
por falta de interesse processual.
Com o recurso rejeitado na Quinta Turma do TST, o empregado embargou
a decisão, sustentando que se tratava de nova reclamação,
e não de coisa julgada. O recurso foi analisado na SDI-1 pela
ministra Maria Cristina Peduzzi, que manteve a sentença turmária
inocentando a instituição, ao entendimento de que a condenação,
por meio do pedido de uma ação autônoma, atentaria
contra o seu direito de defesa e à coisa julgada, que somente
pode ser modificada mediante ação rescisória.
A relatora fez questão de ressaltar que votava assim em atenção
ao entendimento majoritário da SDI, mas que pessoalmente interpretava
o caso de outra maneira. Para ela, “inexistindo pedido de responsabilidade
subsidiária na primeira ação, não viola
a coisa julgada sua articulação em ação
posterior, porque dela não haveria possibilidade de resultar
comando judicial contraditório”. O empregado entrou com
embargos declaratórios, mas também não obteve êxito.
(E-RR-249-2006-011-09-00.3)
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04/02/2010
Trabalhando na atividade-fim para
empresa telefônica, terceirizado tem vínculo reconhecido
Empregado contratado por uma
empresa prestadora de serviços obteve o reconhecimento de vínculo
com uma companhia telefônica, para quem efetivamente trabalhava.
A decisão foi da Oitava Turma do Tribunal Superior do Trabalho,
que concluiu aplicar-se ao caso a Súmula nº 331 da Corte,
considerando, em consequência, estar caracterizada, no caso, a
ilicitude da terceirização, o que gera vínculo
de emprego com o tomador de serviços quando comprovado que o
empregado ocupava-se de serviços ligados à atividade-fim
da empresa – no caso, a Vivo S/A.
O trabalhador requereu o reconhecimento
do vínculo de emprego diretamente com a Vivo S/A – ou sua
responsabilidade solidária –, com o consequente pagamento
das parcelas rescisórias, como diferenças salariais e
vantagens previstas em normas coletivas da categoria. O juiz de primeiro
grau considerou lícita a terceirização e indeferiu
o pedido de reconhecimento de vínculo diretamente com a Vivo,
reconhecendo apenas sua responsabilidade subsidiária pelo pagamento
de eventuais verbas trabalhistas.
Esse mesmo entendimento foi
mantido pelo Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso do Sul (24ª
Região), para o qual é irrelevante a discussão
a respeito de o empregado exercer ou não função
correlata aos fins sociais da empresa, uma vez que, de acordo com o
artigo 94, II, da Lei nº 9.472/97 é permitido à concessionária
contratar com terceiros o desenvolvimento de atividades inerentes, acessórias
ou complementares ao serviço. Assim, manteve os fundamentos da
sentença, que rejeitou o pedido de vínculo diretamente
com a Vivo.
Diante dessa situação,
o trabalhador recorreu ao TST, mediante recurso de revista, com o intuito
de reverter o julgamento. Ao analisar o processo, a ministra Maria Cristina
Peduzzi, relatora na Turma, considerou que, na hipótese de o
empregado trabalhar em serviços vinculados à atividade-fim
da empresa, impõe-se a caracterização da ilicitude
da terceirização, devendo ser reconhecido o vínculo
de emprego diretamente com o tomador de serviços.
A ministra Peduzzi esclareceu
que não se pode conferir a aplicação dos artigos
25 da Lei nº 8.987/95 e 94 da Lei nº 9.472/97 à abrangência
do Regional em seu acórdão, porque, embora tais dispositivos
permitam a terceirização, sem que isso configure qualquer
tipo de irregularidade no cumprimento do contrato administrativo celebrado,
essa permissão não impede que se analise a ocorrência
de fraude trabalhista da terceirização ilegal, na forma
do artigo 9º da CLT (serão nulos de pleno direito os atos
praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação
dos preceitos contidos na presente Consolidação).
A Vivo recorreu por meio
de embargos e o empregado já ofereceu contestação.
(RR-601/2007-007-24-00.0)
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JORNAL O DIA, 04 de fevereiro de 2010 | Geral
Piauí
Operários da ponte Estaiada ameaçam
entrar em greve
Foto: Thiago Amaral

Operários ameaçam grevar na
próxima sexta-feira
Após paralisarem os trabalhos
ontem, os operários que trabalham na construção
da Ponte do Sesquicentenário ameaçam entrar em greve na
próxima sexta-feira (05), caso não haja um reajuste salarial
até esta data.
De acordo com Raimundo Ibiapiana,
presidente do Sindicato da Construção Civil de Teresina
(Sitricon), desde novembro os funcionários não recebem
o reajuste salarial, mesmo com o elevado crescimento do setor registrado
no estado. Como o sindicato patronal das construções civis
pesadas, referentes a barragens e pontes, tem sede no Rio de Janeiro,
foi pedido aos funcionários do Piauí uma trégua
até o meio dia de sexta-feira para que os sindicalistas do Rio
pudessem realizar uma reunião e acertar o reajuste.
Atualmente o menor salário
pago é R$ 510, correspondende ao salário mínimo
e o maior é R$ 635. Após a reforma salarial, o menor pagamento
deve subir para R$ 600, o intermediárop para R$ 700 e o maior
para R$ 800.
"Caso não haja um
acordo, vamos ter que entrar em contato com o sindicato das cidades
do interior do Piauí e todos os operários irão
paralisar, o que vai afetar inúmeras obras como os Tabuleiros
Litorâneos o porto de Luís Correia e vários outros",
afirma Raimundo Ibiapina, ressaltando que por conta disso inúmeras
obras do Piauí terão suas datas de inauguração
alteradas.
A ponte do Sesquicentenário
está prevista para ser inaugurada em meados de março e,
para isso, o prefeito Silvio Mendes tenta agendar a presença
do presidente Lula na capital.
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