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Folha de S.Paulo, 5 de fevereiro de 2010
PAC concluiu só 40% das obras
previstas em 3 anos
Em recursos liberados, índice foi de
63,3%, segundo balanço feito por Dilma | Para cumprir o planejado
no lançamento do programa, em 2007, o governo Lula terá
que aplicar, até o final deste ano, R$ 235 bilhões
LEILA COIMBRA
RANIER BRAGON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Três anos depois do seu
lançamento, o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)
teve 63,3% de seus recursos liberados, um total de R$ 403,8 bilhões,
segundo dados divulgados ontem pelo governo.
Segundo o governo, 40,3% das ações previstas foram concluídas,
mas levantamento do site Contas Abertas aponta que, quando se leva em
conta o número de obras prontas -dado que não consta do
balanço-, o índice de conclusão chega a 10% dos
cerca de 1.230 empreendimentos.
O balanço de três anos do programa -criado em 2007 e provavelmente
o último apresentado pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff,
pré-candidata à Presidência da República-
mostra um avanço em relação à divulgação
anterior, em outubro, que apontava o cumprimento de apenas 32,9% do
planejado, com investimento de R$ 208,9 bilhões.
Apesar do avanço, para cumprir o planejado o governo terá
que chegar até o final do ano com um investimento no PAC de R$
638 bilhões -R$ 235 bilhões, ou 36,7% do total, teriam
que ser aplicados nos próximos 11 meses. Significa um desembolso
74% maior do que foi realizado, em média, nos primeiros três
anos do programa.
No início deste ano, de eleições presidenciais,
os investimentos aceleraram: números do Orçamento da União
mostram que em janeiro o ritmo do chamado PAC "orçamentário"
-o programa também inclui recursos privados- foi bem mais forte
do que no mesmo período do ano passado.
Nos primeiros 31 dias de 2010, o governo federal desembolsou quase R$
1,2 bilhão em empreendimentos do programa, duas vezes mais do
que o mesmo período de 2009.
Ontem, Dilma adotou um tom de realizações, voltou a rebater
as críticas da oposição e disse que o governo Lula
deixará com o PAC um "legado", um "horizonte para
o futuro".
A ministra disse que estava satisfeita com o andamento das obras, mas
evitou prever em quantos anos o governo atingirá 100%. Nas áreas
de habitação e saneamento, disse Dilma, o total de investimentos
liberados superou a programação.
Do volume total aplicado em todo o programa, R$ 126,3 bilhões
foram investimentos do governo e R$ 88,8 bilhões, do setor privado.
O setor mais adiantado é o de habitação e saneamento,
com obras concluídas que representam 66,4% dos recursos previstos.
Para a área de logística e de energia, esse índice
foi de apenas 27,6%.
O governo espera lançar a segunda fase do programa no final de
março. Na prática, o PAC 2 será um pacote que vai
amarrar projetos novos e velhos. Terá foco em grandes cidades.
Prática
antiga
O balanço divulgado ontem mantém a prática dos
anúncios anteriores de incluir no PAC obras que já estavam
em fase avançada ou quase concluídas quando o programa
foi lançado, em 2007. Além disso, recorre a uma antiga
maquiagem (a prorrogação dos cronogramas) para colocar
obras atrasadas na categoria das que estão no prazo.
A construção do trem de alta velocidade entre Campinas
(SP) e Rio, por exemplo, tinha leilão previsto em fevereiro de
2009 de acordo com o balanço do início de 2008. Ontem,
o leilão estava previsto para o segundo trimestre deste ano.
Dilma disse que o trem-bala está garantido para as Olimpíadas
de 2016, mas que pode ter apenas trechos concluídos na Copa de
2014. "Seguramente [estará pronto] para a Olimpíada.
Para a Copa, depende de quem ganhar a licitação. Os asiáticos
têm uma prática, uma cultura de fazer em tempo menor. Então,
depende de quem ganhar", afirmou a ministra.
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Agência Diap, 5 de
fevereiro de 2010
Paulino, do Datafolha, diz que
Lula é a peça chave da eleição
"Comprovadamente Lula já está transferindo muitos
votos para Dilma", diz coordenador do instituto. CNT/Sensus mostra
empate técnico entre Dilma e Serra
Sociólogo de formação,
Mauro Paulino, há mais de 20 anos vasculha e divulga anseios
e intenções do eleitorado brasileiro. No instituto de
pesquisa Datafolha, coordena a realização de pesquisas
eleitorais desde 1988.
Em entrevista ao site Terra
Magazine, ele fala do "tabuleiro de xadrez" em que estão
a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), e o governador de São
Paulo José Serra (PSDB) no pleito presidencial de outubro.
"Comprovadamente Lula já
está transferindo muitos votos para Dilma", diz.
Ela é a "mulher
forte do governo" e "já está em campanha".
Serra é "um administrador muito bem avaliado" e "conhecido
nacionalmente". Mas, para Paulino, a "peça chave"
desse tabuleiro é o presidente Lula.
"Os dois candidatos estarão
com os olhos voltados para ele e o eleitorado, por sua vez, também",
acrescenta.
"Do ponto de vista da ministra,
Lula pode ser a peça chave para o bem e para o mal. Meu bem,
meu mal (risos). (...) O contraste entre o carisma de Dilma e Lula pode
fazer com que o eleitor não vote nela". (Fonte: Terra Magazine,
no Vermelho)
Leia a íntegra da entrevista:
Terra Magazine - Algumas
pessoas questionam a legitimidade das pesquisas eleitorais. Como o Datafolha
faz para evitar esse tipo de questionamento?
Mauro Paulino - A pesquisa sempre é questionada, principalmente
por quem se sente prejudicado, ou por quem não estava à
frente, ou quem se vê ameaçado por uma candidatura ascendente.
Mas a legitimidade das pesquisas se comprova pelo histórico do
desempenho dos institutos, que é a base da credibilidade adquirida
por cada um deles. Então, há os mais e menos questionados.
Outro fator é o uso abundante de pesquisas pelos partidos políticos.
Ou seja, se pesquisas não ajudassem e não fossem um instrumento
eficaz, os partidos não gastariam tanto dinheiro comprando pesquisa.
O senhor acredita que
as pessoas já tomaram conhecimento de que a ministra Dilma seja
a candidata do presidente Lula?
Já há um conhecimento para lá de razoável
da candidatura de Dilma. O Datafolha publicou um artigo no final do
ano passado mostrando que ainda há 15% de eleitores afirmando
que votariam em um candidato indicado por Lula, mas dizem não
saber quem é esse candidato ainda. Então, isso dá
uma dimensão do desconhecimento dela e do potencial de crescimento
que tem a candidatura Dilma.
Qual o principal motivo
do crescimento dela nas pesquisas? Isso é referente ao conhecimento
que as pessoas têm dela ou ao fato de já saberem que ela
dará continuidade ao trabalho de Lula? É uma questão
mais política ou personalista?
São vários fatores ocorrendo simultaneamente. As pessoas
vêm tomando conhecimento. O processo eleitoral hoje ainda é
restrito às pessoas com mais informações, restrito
às pessoas com taxa de escolaridade mais alta e pertencentes
a um segmento menor da população. Na medida em que as
pessoas com menos acesso à informação, com uma
renda mais baixa - que formam a maior parte do eleitorado de Lula -
forem tomando conhecimento da candidata Dilma e que Lula não
pode ser candidato - porque ainda 20% vota nele na pesquisa espontânea
-, teremos um panorama mais claro do potencial de votos dela. Porque
quando essas pessoas tomarem conhecimento de Dilma como candidata de
Lula, darão o apoio e a transferência de votos. Contudo,
ela pode sofrer com a comparação com Lula.
Como assim?
O contraste entre o carisma de Dilma e Lula pode fazer com que o eleitor
não vote nela. As pesquisas não têm como avaliar
isso, mas acompanhar.
Sobre o carisma e a
transferência de voto, o senhor acredita na transferência
de votos de Lula para Dilma?
Lula tem uma penetração muito forte nos segmentos que
relacionam os benefícios sociais à ação
do governo federal. E também tem algo que é incomparável:
o poder de comunicação, essa facilidade que ele tem de
conquistar a simpatia desse segmento da população. Hoje
ele é aprovado por maioria absoluta em todos os segmentos da
sociedade, não só nessa camada. Isto nos permite afirmar
que há potencial de crescimento em Dilma, mas que depende das
comparações que o eleitor fará: Dilma e Serra,
Dilma e Lula.
Apesar de registrar
índice inédito de aprovação, a presidente
do Chile, Michelle Bachelet, não elegeu um sucessor de sua legenda
para o cargo. O Chile pode ser usado como um exemplo para o caso brasileiro?
São realidades muito diferentes. O quadro brasileiro é
bem diferente do chileno.
O senhor acredita que
o fato de os dois candidatos serem um pouco menos carismáticos,
como o presidente eleito do PT, José Eduardo Dutra, já
destacou, do que os antecessores tucano (FHC) e petista (Lula) no Planalto
seja um fator que colabore para politizar a campanha?
O brasileiro está naturalmente refletindo mais sobre política
em consequência do desenvolvimento da sua própria cultura
nessa área. E ter uma eleição a cada dois anos
ajuda muito. O eleitor vai se habituando ao voto e às consequências
dele. Então, hoje, o eleitor pensa mais sobre seu voto, elabora
melhor esse voto, de uma forma muito mais racional do que na primeira
eleição a presidente em 1989, após a redemocratização.
Ali, valia muito mais a paixão, a novidade... Nessa época,
o marketing tinha um peso muito grande. Hoje, acho que o marketing político
tem um peso menor e o eleitor toma suas decisões de forma mais
pensada e mais autônoma, independente do carisma, que pesa, claro,
mas a capacidade de administração tem sido muito valorizada.
A conta que o eleitor faz é: "quem tem mais condições
de resolver os nossos problemas imediatos".
O fato de a ministra
Dilma nunca ter disputado uma eleição é melhor
ou pior, tendo em vista que a política tem sido vista de maneira
desconfiada após sucessivos escândalos de corrupção?
Mais do que não ter participado, o que beneficia Dilma é
o fato de ela não estar no cenário político quando
do Mensalão. Quando surgiram todas aquelas acusações
de Mensalão, Dilma praticamente não existia para a maioria
da população. Então, ela entrou em cena para substituir
aquele que foi considerado o grande culpado, José Dirceu. E,
a partir daí, a economia começou a melhorar também,
ela passou a ser a figura mais forte do governo - afinal Lula sempre
fez questão de deixar isso muito claro -, o país passou
por uma crise mundial e saiu bem... Isso tudo é muito valorizado
e anula a inexperiência. É claro que ela tem um caminho
muito mais longo do que Serra para se tornar conhecida, mas isso é
facilmente superado porque a coalizão do governo tem muito mais
tempo de propaganda na televisão. E acho que o fato de ela nunca
ter disputado um pleito acaba não pesando muito.
Observamos um crescimento
da ministra e estabilidade do governador nas pesquisas. A que se deve
essa estabilidade?
Serra tem uma ótima avaliação como governador de
São Paulo, teve uma ótima avaliação como
ministro, tem a imagem de ser um administrador competente e de quem
resolve os problemas da saúde, que é hoje o principal
problema do país apontado pelos eleitores. Então, ele
tem todas essas vantagens e sai na frente por conta disso, também
por ter disputado eleições anteriores e estar na lembrança
do eleitorado como alguém com porte de candidato a presidente.
Isto justifica a permanência dele na liderança das pesquisas.
Mas o que tem sido mostrado é que há uma candidata em
ascensão, Dilma, há um candidato com estabilidade, Serra,
e Ciro Gomes (PSB) caindo.
O fator Ciro tem enfraquecido
Dilma ou Serra?
As pesquisas mostram que, com Ciro na disputa, a diferença entre
Serra e Dilma diminui. Sem ele, aumenta e Serra tem mais vantagens.
Então, há uma boa parte que vota em Ciro aparentemente
por não querer votar num candidato do PT.
Nas eleições
de 1998, 2002 e 2006, quem liderava as pesquisas um ano antes acabou
por vencer as eleições. O cenário de 2010 é
previsível?
Essa eleição é muito mais imprevisível do
que as quatro anteriores. É a primeira vez que não temos
Lula como candidato, é primeira vez que há um cabo eleitoral
com esse apoio popular que Lula tem. Estes fatores já tornam
essa eleição diferente de todas as outras. Não
se sabe como o eleitor vai reagir. Na verdade a peça chave dessa
eleição é o próprio Lula e não sabemos
como o eleitor vai lidar com esse fato. Lula não pode ser candidato
e Dilma é a candidata dele contra Serra, que é comprovadamente
um bom administrador. Como essa equação será resolvida
pelo eleitorado? Não temos como prever.
O senhor disse que a
peça chave dessa eleição é Lula...
Os dois candidatos estarão com os olhos voltados para Lula e
o eleitorado, por sua vez, também. Ele tem um governo com uma
taxa de aprovação inédita e o peso que isso terá
nesse pleito já está sendo demonstrado. Comprovadamente
ele já está transferindo muitos votos para Dilma. Agora,
qual é o teto disso e até que ponto isso tira votos de
Serra? Não sabemos. Mas a eleição vai girar em
torno de Lula, por isso que ele é a peça chave. Do ponto
de vista de Dilma, pode ser a peça chave para o bem e para o
mal. Meu bem, meu mal (risos).
Como o senhor avalia
a tática petista de polarização? Uns defendem que
ela é boa para Dilma, outros, para Serra, e há aqueles
que afirmam não ser bom para o eleitorado...
A polarização é inevitável, não tem
como fugir. A meu ver, para o bem da democracia, é bom que haja
muitos pontos de vista sendo discutidos. O segundo turno existe para
que haja essa polarização, mas, no primeiro, quanto mais
candidatos expuserem suas ideias, melhor para o desenvolvimento da cultura
política do brasileiro.
E o que o senhor acha
da comparação entre Lula e FHC?
É inevitável também. Não consigo imaginar
a campanha sem essa comparação. O marketing político
vive dessas comparações, de tentar jogar o bem contra
o mal. Não tem como fugir disso, mas espero que não fique
só nisso. É saudável que existam candidatos como
Marina Silva, por exemplo, que traz o tema do meio ambiente. Seria importante
que houvesse mais candidatos trazendo outros temas para que o debate
fosse mais rico.
Voltando à temática
da polarização, alguns tucanos defendem que Serra ganha
com ela por ter mais experiência em processos eleitorais.
A campanha começa de fato para o total do eleitorado a partir
de março, abril, quando as candidaturas estão oficializadas
e começam as entrevistas. Aí, o desempenho de cada um
pesará e pode ser, então, que a experiência de Serra
seja decisiva. Mas não dá para saber como será
o desempenho de Dilma, que ainda não foi vista em debate, ou
em uma entrevista mais incisiva.
O fato de o PSDB não
ter determinado seu candidato influencia em que medida o desempenho
de José Serra nas pesquisas?
A consequência disso é só existir uma pessoa fazendo
campanha abertamente: Dilma Rousseff.
Mas Serra é muito
bem avaliado em São Paulo e Dilma corre a passos largos em direção
à liderança nas campanhas eleitorais... Equação
complexa...
Mas esse é o grande dilema do PSDB e do Serra. Não será
uma eleição presidencial fácil e isso já
está mais do que comprovado. Além disto, o tempo na televisão
é muito importante e o PT fez alianças que dão
a ele quase o dobro do tempo que tem o PSDB. Por outro lado, se Serra
desistir, deixa praticamente entregue a eleição para o
PT. Por quanto tempo mais o PT vai permanecer no poder? Porque, em 2014,
Lula volta como candidato. Serra é o candidato mais forte do
PSDB, pelo menos é o que tem o caminho mais curto. Aécio
Neves (governador de Minas Gerais) teria que conquistar São Paulo
e isso não é tarefa fácil. Enquanto Serra já
é figura nacional por já ter participado de eleições
presidenciais e por ter sido ministro da Saúde. É um tabuleiro
de xadrez.
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Vermelho com The Economist,
5 de fevereiro de 2010
The Economist adverte Serra: tem
que entrar em campanha
Depois dos políticos oposicionistas e da mídia dominante
anti-Lula, a revista inglesa The Economist também acha que o
governador José Serra está muito devagar para quem aspira
vencer a eleição presidencial de outubro pelo PSDB. "Serra
precisa ir à luta e começar a se promover agora, se não
quiser ser lembrado como o melhor presidente do Brasil nunca teve",
diz a bíblia liberal em sua edição desta semana.
A revista não esconde
sua simpatia pelo candidato tucano. Acusa-o de "'desenvolvimentista',
como os brasileiros chamam os social-democratas que mantêm a fé
em um governo ativo", mas diz que Serra "parece mais propenso
a impulsionar as reformas fundamentais". The Economist entende
que ele é a melhor alternativa, em um país onde "os
economistas liberais são tão escassos como os flocos de
neve" (O último comentário é de dois números
atrás, numa evidência de que a revista incluiu o Brasil
em sua pauta de prioridades).
A revista descreve o governador
de São Paulo, José Serra (PSDB), como um político
que "fez um trabalho decente no governo do maior Estado do Brasil",
lembrando que São Paulo tem uma população maior
que a do Canadá e igual à da Argentina. Elogia-o por governar
"sem desperdícios nas finanças públicas"
e "enfrentando a oposição dos sindicatos de professores".
Diz que "Serra é com certeza um candidato forte". Mas
adverte que ele está perdendo terreno nas pesquisas e "se
quiser manter a liderança ele tem que entrar em campanha".
O título também
é um puxão de orelha: Serra espera pela Presidência,
um pouco pacientemente demais. A revista soma-se assim ao coro, cada
vez mais forte desde o fim do ano passado, dos conservadores que se
desapontam com a relutância do seu agora único presidenciável
em assumir a candidatura.
A reportagem também registra
as "muitas críticas recentes" e "acusações"
de que o governo de São Paulo "falhou na prevenção
das enchentes" que já custaram 70 mortes. E não resiste
a descrever o governador como "um caráter curioso"
e citar um amigo que diz que Serra "com apenas 17 anos anunciou
que iria ser presidente do Brasil".
A esperança do autor
(o texto não é assinado, conforme o hábito da Ecobnomist)
é que "os índices de Serra voltem a crescer uma vez
que ele comece a campanha". Porém as palavras finais soam
como uma advertência com uma ponta de alarme: "O tumultuoso
sistema multipartidário do Brasil, em que os candidatos precisam
reunir habilmente amplas coligações, é duro para
com quem se atrasa. Serra precisa ir à luta e começar
a se promover agora, se não quiser ser lembrado como o melhor
presidente do Brasil nunca teve."
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Congresso em Foco, 5 de fevereiro
de 2010
Terá Marina que chutar a
canela de Dilma?
“Sem ser governo e sem
ter obras para inaugurar, Marina terá que descobrir uma estratégia
para entrar no noticiário. Tem que se aproveitar dos fatos para
mostrar no que ela é diferente de Lula, Dilma, Serra, Ciro, etc”
A ex-ministra do Meio Ambiente
e pré-candidata do PV à Presidência da República,
senadora Marina Silva, está sumida do noticiário. Enquanto
a escolhida do PT, ministra Dilma Rousseff, e o pré-candidato
do PSDB, o governador de São Paulo, José Serra, estão
a todo momento na mídia online, a candidata do meio ambiente
não tem suscitado o mesmo interesse da imprensa.
Marina tem características
peculiares que, talvez, expliquem esse fenômeno. Dizem colegas
de partido que a ex-ministra prefere não burlar as leis eleitorais,
que preveem campanha somente a partir de julho, após a realização
das convenções partidárias, responsáveis
por efetivar as candidaturas.
“A Marina não aceita
fazer qualquer jogo político. Ela sempre se questiona se a ida
a determinado lugar vai parecer que é campanha antecipada. E,
na verdade, ela não está preocupada com a Justiça
Eleitoral, mas com a justiça dela, com a consciência dela”,
disse um colega de partido, que admite que a pré-candidatura
segue sem muita visibilidade.
Mas, se esse é o jogo,
talvez não reste a Marina alternativa se não diminuir
a rigidez da sua consciência moral e admitir aos poucos ser ‘influenciada
pelos maus exemplos’. Na semana passada, a ex-ministra reconheceu
que sua participação na Campus Party – encontro
mundial de comunidades e redes sociais da internet, realizado em São
Paulo – pode ser considerada como campanha antecipada. Marina
justificou sua investida:
“Eles anteciparam a campanha.
Infelizmente, anteciparam. Agora, não dá para você
antecipar o jogo e dizer aos demais jogadores: ‘Não joguem’.
Aí, fica injusto”, disse Marina.
A senadora explicou que, como
vai usar a internet durante sua campanha, nada melhor do que ir a um
encontro mundial para prestar seu reconhecimento a essa ferramenta tão
importante. A ex-ministra acrescentou em suas justificativas (divulgadas
pela imprensa) que “nunca” vai dizer “qualquer coisa
que seja falsa ou mentirosa sobre Serra, Dilma ou Ciro” (Gomes).
Os articuladores da campanha
de Marina apostam na internet, mas entendem que, no Brasil, ainda é
a TV a responsável pelo ibope dos presidenciáveis. Segundo
o IBGE, 94% dos domicílios brasileiros têm pelo menos um
aparelho de televisão, o que atinge cerca de 171 milhões
de pessoas. Já a internet, de acordo com o IBGE, está
apenas em 23,8% dos domicílios brasileiros, que têm computador
com acesso à rede. Pouco mais de 45 milhões de brasileiros
navegam na internet. A diferença de alcance é imensa.
Só com os internautas, Marina não ganha eleição.
Nos próximos dias, segundo
o coordenador da pré-campanha de Marina, o vereador carioca Alfredo
Sirkis, a senadora deverá lançar o Blog da Marina e o
perfil da pré-candidata no twitter (será o perfil oficial,
pois há vários perfis falsos de Marina no twitter). Mas
a grande aposta da equipe de pré-campanha de Marina será
o programa nacional do PV, que vai ao ar nesta quinta-feira (4) em cadeia
nacional de televisão às 20h30 (horário de Brasília).
Marina será a protagonista
do programa do partido. Na TV, em programa dirigido pelo badalado Fernando
Meirelles (de Cidade de Deus e Ensaio sobre a Cegueira), a pré-candidata
deverá se mostrar como uma alternativa para as eleições
presidenciais, polarizada na dobradinha PT e PSDB. Segundo Sirkis, o
programa tratará sobre educação. “Não
tem jeito, não tem mistério. A arma mais poderosa é
a TV. Ninguém sabe ainda o alcance da internet aqui”, admite
Sirkis.
Se a TV ainda é a arma
mais poderosa de uma eleição no Brasil, Marina terá
que descobrir uma estratégia para entrar no noticiário,
se quiser ter alguma chance de disputar um segundo turno. É verdadeira
a ideia de que a mídia é pautada pela notícia ruim.
Escândalos, ainda mais na política, têm muito espaço
e apelo nos jornais, site, revistas, telejornais, blogs, rádios
e demais canais de notícias.
Na mídia, Marina já
está em desvantagem em relação a Serra e à
Dilma pelo fato de ela não ser governo. A ministra Dilma –
“que não está em campanha antecipada” –
aparece nos jornais, com destaque, em inauguração de obras
ao lado do presidente Lula. Enquanto isso, Serra, governador do estado
mais rico do país, é notícia em sanção
de lei ambiental e inauguração de estação
de metrô. Marina não tem obras pra inaugurar e não
é chegada num escândalo.
O fato é que a pré-campanha
de Marina Silva está tímida. Certo que essa timidez não
vem apenas da inexperiência do partido em grandes campanhas eleitorais,
ou mesmo dos poucos recursos que o PV dispõe. A timidez vem também
de uma exposição ínfima de Marina na mídia.
E, quanto a isso, de um lado o coordenador da pré-campanha culpa
o “sufocamento por parte de uma cultura de mídia que só
consegue cobrir governo”. E, de outro, jornalistas culpam a falta
de tato da assessoria de Marina de pautá-la na imprensa.
Marina “não entra
no jogo da campanha furiosa”, como diz Sirkis. Sim, a senadora
tem classe e uma postura diferenciada se comparada a vários outros
colegas de profissão política. Mas, como uma pessoa “que
tem uma outra visão do Brasil”, está na hora de
Marina escancarar essa sua visão diferenciada e entrar com ‘agressividade’
no noticiário. Não é caso de criar factoides, e
sim de não perder as oportunidades de se posicionar e dar a cara
a tapa. Se aproveitar dos fatos para se posicionar e mostrar no que
ela é diferente de Lula, Dilma, Serra, Ciro, etc”
“Se não é
governo, aparentemente a forma de chamar atenção é
‘chutar’ a canela de alguém poderoso. Se ela chutar,
vai ser notícia”, diz Sirkis.
Então, Marina, a solução
é 'chutar' (entre aspas) a canela de Dilma, de Serra, de Ciro,
de Lula e de quem for. Mas não chutar por chutar, sem classe,
sem elegância. O negócio é dar chutes certeiros,
bem calculados, para que o ‘efeito Marina’ nesse jogo sucessório
não se limite apenas a inserir o ambiental em discursos vazios.
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Agência Senado, 5
de fevereiro de 2010
Maioria dos internautas é
favorável ao pagamento integral, pelo empregador, do benefício
do vale-transporte
Encerrou-se na última
sexta-feira (29) a enquete da Agência Senado e da Secretaria de
Pesquisa e Opinião Pública (Sepop) sobre o projeto de
lei do Senado (PLS 228/09) que determina o custeio integral do benefício
do vale-transporte pelo empregador, seja pessoa física ou jurídica.
Dos 9.241 leitores que participaram da enquete, 4.745 (51,35%) manifestaram-se
favoráveis ao projeto. Votaram contra a proposta 4.496 (48,65%)
pessoas.
De acordo com a legislação
atual, os trabalhadores têm descontado de seus salários
o montante de 6% sobre o valor recebido a título de vale-transporte.
A proposta prevê a extinção dessa obrigação
de co-participação. O projeto é de autoria do senador
Paulo Paim (PT-RS) e recebeu parecer favorável da Comissão
de Assuntos Sociais (CAS). A relatoria ficou a cargo do senador Cristovam
Buarque (PDT-DF), que argumenta que tal medida contribuirá para
a preservação do meio ambiente, ao estimular a utilização
do transporte público.
Da Redação / Agência
Senado
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Agência Diap, 5 de fevereiro de 2010
PLS 23: trabalhador poderá
faltar um dia por ano sem redução de salário
A Comissão de
Assuntos Econômicos do Senado Federal aprovou e está em
análise na Comissão de Assuntos Sociais uma proposta que
permite ao trabalhador faltar um dia de serviço ao ano sem que
haja redução de salário.
Trata-se do PLS 23/03, do senador
Paulo Paim (PT/RS), que atende a uma antiga e legítima reivindicação
da classe trabalhadora - o direito de tratar de assuntos pessoais sem
a necessidade de se justificar perante seu chefe ou qualquer outra pessoa.
O direito de faltar a um dia
de serviço, no prazo de doze meses, poderá ser estendido
para o acompanhamento de atividade escolar de seu dependente. Nos dois
casos, os termos e as condições para a ausência
ao serviço serão fixados por acordo ou convenção
coletiva de trabalho.
De antemão, o projeto
estabelece que a falta ao trabalho para participar de atividade escolar
dos dependentes matriculados no ensino fundamental ou médio deverá
ser atestada a presença pela administração escolar
e ser requerida com, pelo menos, 30 dias de antecedência.
Acordo coletivo ou convenção
de trabalho poderá ampliar o período de ausência
ao trabalho para tratamento de assuntos pessoais. Os críticos
de plantão podem alegar o aumento dos custos econômicos
para a dispensa do trabalhador.
No entanto, os benefícios
sociais do projeto superam o custo financeiro já que as medidas
terão um impacto maior no bem-estar do trabalhador, que exercerá
suas funções com maior motivação, e no de
seus filhos, que terão um maior incentivo para o aprendizado.
Na Comissão de Assuntos
Sociais a relatora é a senadora Ideli Salvati (PT/SC).
Clique aqui
e acesse a íntegra do projeto; e aqui
para conhecer o parecer da CAE.
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Agência Senado, 5
de fevereiro de 2010
Direito à alimentação
e piso salarial de agentes de saúde passam a constar da Constituição
O Congresso Nacional iniciou o ano legislativo de 2010 com a promulgação
de duas emendas à Constituição federal de relevante
alcance social. Em sessão solene nesta quinta-feira (4), foram
promulgadas as emendas constitucionais (EC) que tratam da inclusão
da alimentação no rol dos direitos sociais estabelecidos
pela Constituição e da regulamentação do
piso salarial e do plano de carreira do Agente Comunitário de
Saúde (ACS) e do Agente de Combate às Endemias (ACE).
À frente da sessão,
o presidente do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP), comentou
que, ao falar em solenidade das Nações Unidas, há
20 anos, já alertava para a questão da fome como um dos
maiores dramas mundiais. Lembrou ainda ter defendido na convocação
da Assembléia Nacional Constituinte, como presidente da República,
a necessidade de se avançar no texto constitucional na garantia
dos direitos civis, individuais e sociais.
- Hoje temos a satisfação
de ter uma Constituição com um dos melhores capítulos
de direitos sociais no mundo - comemorou.
O presidente da Câmara
dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), também manifestou sua
satisfação em iniciar os trabalhos legislativos de 2010
com a promulgação dessas emendas constitucionais.
- Há muito o Congresso
não fazia, no primeiro dia de seus trabalhos, votação
de tamanha significação - afirmou.
A Emenda 64 partiu da PEC 21/01,
de iniciativa do senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), que
torna a alimentação um direito social previsto pela Constituição,
ao lado da educação, saúde, trabalho, moradia,
lazer, segurança, previdência social, proteção
à maternidade e à infância e assistência aos
desamparados. No Senado, a matéria foi relatada pelo então
senador Sebastião Rocha, hoje deputado federal.
Já a Emenda 63
se originou de proposta de emenda à Constituição
(PEC 54/09) que atribuía à União competência
para, por meio de lei federal, estabelecer o regime jurídico,
o piso salarial profissional nacional, as diretrizes para os planos
de carreira e a regulamentação das atividades de ACS e
ACE. Essa proposta foi apresentada pelo deputado federal Raimundo Gomes
de Matos (PSDB-CE) e, no Senado, teve como relatora a senadora Patrícia
Saboya (PDT-CE).
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Gazeta do Povo, 5 de fevereiro
de 2010
Justiça
Conciliação prévia
pode ser obrigatória
Comissão sugere que cerca de 1,2 mil
artigos do atual Código de Processo Civil sejam extintos. Proposta
deve ser encaminhada ao Senado até junho
Brasília - A reforma
do Código de Processo Civil incluirá a obrigatoriedade
de realização de uma audiência de conciliação
prévia em todas as ações de Direito Civil.
Essa e outras propostas foram apresentadas ontem ao presidente do Supremo
Tribunal Federal, Gilmar Mendes, pelo presidente da comissão
de juristas que discute as mudanças no código, Luiz Fux.
O trabalho será finalizado com a redação de um
anteprojeto de lei, que deve ser encaminhado ao Senado até junho.
“Sob o ângulo psicológico,
é muito mais fácil conciliar as duas partes antes do que
durante um processo em que ambos os lados colocam todas as suas baterias
em choque”, defendeu Fux. O instrumento da conciliação
já está previsto em lei para vários casos, mas
a ideia é expandi-lo a todas as ações civis –
aquelas que determinam normas de convívio social e abrangem regras
referentes à pessoa (física ou jurídica), à
família, aos bens, à herança e aos contratos entre
duas partes.
Ministro do Superior Tribunal
de Justiça, Fux destaca que estimular a conciliação
é uma maneira de evitar o desgaste do Poder Judiciário.
“Essa é a melhor forma de solução
de um litígio porque otimiza o relacionamento social quando o
processo termina sem vencedores e sem vencidos.” Segundo ele,
nova lei também tentará promover a conciliação
em instâncias superiores.
Outro ponto de destaque da reforma
do código é a tentativa de racionalização
e redução dos cerca de 1,2 mil artigos do texto atual,
elaborado em 1973 e que já passou por 64 alterações.
Além disso, serão criados instrumentos para limitar os
recursos judiciais. “Sem violação do direito à
ampla defesa, vamos extinguir uma série de incidentes. Vamos
impedir o uso de recursos protelatórios durante o processo e
deixar os questionamentos para depois da decisão do juiz”,
explica Fux.
Por último, o novo Código
de Processo Civil valorizará a jurisprudência e o uso de
súmulas vinculantes. O objetivo é fazer com que milhares
de ações sobre o mesmo tema sejam norteadas a partir de
um julgamento modelo. A mudança agilizaria, por exemplo,
o andamento de ações comuns como o ressarcimento de tarifas
cobradas indevidamente por companhias telefônicas.
De acordo com Fux, a ideia não
é fragilizar as instâncias judiciais inferiores, mas determinar
um critério de isonomia. “Se todos são iguais perante
a lei, então todos também precisam ser iguais perante
a Justiça.” Sem esse critério, diz ele, é
impossível dar mais celeridade à Justiça brasileira.
A visita de Fux a Mendes foi
o último passo da comissão antes de começar a redigir
o novo código, a partir do dia 23. A proposta do ministro
é que o STF faça uma análise prévia de constitucionalidade
dos temas em discussão, o que agilizaria a elaboração
e posterior aprovação do anteprojeto no Congresso. Além
disso, ele anunciou que a comissão antecipará
a realização de audiências públicas a partir
de março. A meta é levar o debate a oito capitais,
incluindo Curitiba.
Reforma
Entenda o que está em discussão nas mudanças sugeridas
para o Código de Processo Civil:
Modelo atual
O atual código é de 1973 e já sofreu 64 alterações.
Possui 1,2 mil artigos que formam uma “colcha de retalhos”,
o que contribui para a morosidade da Justiça brasileira.
Comissão
Para encontrar uma proposta de consenso sobre as mudanças
no código, uma comissão de 11 juristas foi formada em
outubro de 2009. O resultado foi apresentado ontem.
Principais propostas
- Menos recursos – criação
de um número máximo de recursos judiciais (atualmente
não há limite).
- Simplificação
– redução do número de artigos em aproximadamente
um terço e reorganização do código em seis
livros.
- Conciliação
– estímulo das ações de conciliação
entre as partes.
- Jurisprudência –
uso massivo de soluções anteriores, como súmulas
judiciais, como filtro para novas demandas.
- Coletivização
– criação de instrumentos que evitem “litígios
em massa”. A ideia é que ações com a mesma
tese jurídica esperem pelo julgamento de uma que sirva de modelo
para as demais.
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
05/02/2010
Afronta à dignidade do empregado gera
dano moral
A Terceira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho acolheu, unanimemente, o recurso de uma empregada
que só podia ir ao toalete mediante autorização
da empresa. Tal prática, confirmada pelo Tribunal Regional da
18.ª Região (Goiás), resultou, no TST, em condenação
da empregadora ao pagamento de indenização por danos morais,
no valor de dez mil reais.
Segundo o Regional, a empregadora
– Teleperformance CRM S.A. – limitava a uma vez a ida dos
trabalhadores aos toaletes. Também o tempo destinado às
necessidades fisiológicas era estabelecido: cinco minutos. Além
dessas determinações, outras idas ao banheiro precisavam
ser justificadas.
Embora reconheça a necessidade
de a empresa estabelecer normas de segurança, a empregada, em
suas razões, reclama o direito de movimentar-se livremente no
ambiente de trabalho, e, por isso, contestou a imposição
do controle, a seu ver, ilegal, constrangedor, vexatório e humilhante.
A relatora do processo na Terceira Turma, ministra Rosa Maria Weber,
ressalta, da conduta do empregador, o descumprimento dos deveres decorrentes
da boa-fé e consequente desatenção com o dever
de zelar pela segurança e bem-estar do empregado. O fato de a
empresa, em conduta abusiva de poder, estender a todos os seus trabalhadores
o cumprimento de normas de controle, simulando o respeito ao princípio
da igualdade, “não descaracteriza a violação
dos direitos de personalidade, à honra, à imagem, à
própria dignidade da pessoa humana, constitucionalmente consagrada
(art. 1.º, III)”, salienta a ministra Rosa Weber.
A relatora alegou violação dos artigos 1.º, III,
da Constituição da República e 2.º da CLT
e determinou como acréscimo à condenação
da empregadora o pagamento de indenização por danos morais
no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais). (RR-167500-63.2008.5.18.0009
– Fase Atual)
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05/02/2010
Empregado que cumpriu pena de prisão
não pode sofrer justa causa pela condenação criminal
O trabalhador condenado criminalmente
não pode ser demitido por justa causa por esse motivo, se já
houver cumprido a pena de prisão quando da sua dispensa pela
empresa. Com esse entendimento, a Sexta Turma do Tribunal Superior do
Trabalho decidiu, por maioria, não conhecer recurso da Petrobras
e, na prática, manteve a decisão do Tribunal Regional
do Trabalho da Quinta Região (BA) nesse sentido.
No caso, o trabalhador foi condenado
a um ano de prisão por ocultação de cadáver,
após passar três anos preso sob a acusação
de matar a esposa grávida de oito meses. Depois do julgamento,
a Petrobras o demitiu por justa causa, com base no artigo 482 da CLT
(alínea “d”) que coloca a condenação
criminal como motivo para a demissão por justa causa.
No entanto, como ressaltam as
decisões da Vara do Trabalho de Santo Amaro (BA) e do TRT da
Bahia, nesse artigo consta também que a demissão por justa
causa só pode acontecer quando não houver a suspensão
da pena com a liberdade condicional ou com sursis. Como a condenação
de um ano foi cumprida pelo autor do processo, pois ele ficou três
anos preso, o juiz de execução penal não poderia
ter lhe concedido o benefício da suspensão.
De acordo com a decisão
da Vara do Trabalho, “da interpretação literal da
lei vislumbra-se uma condicionante para a autorização
da ruptura do pacto, qual seja, a ausência de suspensão
da execução punitiva”. Pela “finalidade da
lei”, a continuidade do contrato de trabalho ficaria impedida
“com o recolhimento do empregado condenado para o cumprimento
da pena”.
O ministro Maurício Godinho
Delgado, relator do processo na Sexta Turma, ressaltou que em razão
do trabalhador já ter cumprido a pena de um ano de prisão
no momento da sua dispensa, “faz-se necessário reconhecer
que não se tornou inviável, por culpa sua, o cumprimento
da prestação de serviço”. Isso, “por
consequência”, leva-se à conclusão da não
incidência de justa causa. (RR-1020100-44.2002.5.05.900)
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