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Agência Sindical, 6 de fevereiro de 2010
Votação
da PEC das 40 horas pode ser definida na próxima terça
(9)
Temer disse também
que vai intensificar a conversa com parlamentares da bancada
empresarial, para aparar arestas e abrir caminho para a aprovação
negociada da proposta
As centrais sindicais voltam a se encontrar com as lideranças
partidárias da Câmara dos Deputados, na próxima
terça-feira (9), para tentar definir uma data para
a votação da emenda constitucional que reduz
a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, sem
redução de salários.
O presidente da Casa, Michel Temer (PMDB/SP), assumiu
o compromisso de marcar a audiência na quarta-feira
(3), após consulta aos líderes.
O presidente da CUT, Artur Henrique, cobrou mais empenho
das lideranças partidárias na definição
de uma data de votação em plenário
da emenda, argumentando que, sem uma definição
de quando a matéria irá a plenário,
os empresários continuarão "empurrando
com a barriga" sem negociar seriamente.
Temer disse também que vai intensificar a conversa
com parlamentares da bancada empresarial, para aparar arestas
e abrir caminho para a aprovação negociada
da proposta.
O deputado sinalizou que pode defender que a redução
da jornada ocorra gradualmente, para superar as resistências
do empresariado.
O novo líder do Governo, Cândido Vaccarezza
(PT/SP), também apontou a necessidade de negociar
com os empresários uma forma escalonada de implementar
a redução da jornada.
Obstrução
Segundo o líder do PDT, Dagoberto Nogueira Filho (MS), os empresários
têm que se acostumar com a carga semanal de 40 horas.
A bancada do PDT decidiu que após o carnaval vai
obstruir as deliberações do plenário,
até o presidente da Câmara marcar a data de
votação da emenda.
Ele disse que a obstrução da pauta "é uma
forma que encontramos para pressionar a presidência
da Câmara e os demais líderes".
O líder do PDT prometeu ainda conversar com os
outros partidos que apoiam a proposta para reforçar
a medida.
"O projeto das 40 horas surgiu das Centrais Sindicais
de comum acordo. Pela primeira vez, elas tiveram unidade
em seu pleito", ressaltou.
Benefícios
Além de reduzir a jornada, a emenda vai remunerar as horas extras
em 75% a mais que as comuns.
Estimativas do Dieese apontam que a medida tem potencial
para gerar mais de dois milhões de novos empregos.
A PEC precisa obter ao menos 308 votos favoráveis
em plenário.
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Agência Câmara,
6 de fevereiro de 2010
Deputados querem reajuste
maior para aposentadorias acima do mínimo
A medida provisória
(MP 475/09) que estabeleceu o reajuste de 6,24% para quem
ganha acima do salário mínimo, além
das emendas, estão na pauta de votações
da Câmara
O presidente da Força Sindical, deputado Paulo
Pereira da Silva (Paulinho) (PDT/SP), apresentou à Câmara
dos Deputados, na última quarta-feira (3), uma emenda
estabelecendo que o reajuste dos aposentados deve corresponder à inflação
do período mais 80% do PIB (Produto Interno Bruto)
- e não 50%, como fixa a medida provisória
do Governo.
A medida provisória (MP 475/09) que estabeleceu
o reajuste de 6,24% para quem ganha acima do salário
mínimo, além das emendas, estão na
pauta de votações da Câmara.
Reajuste
O deputado Fernando Coruja (SC), reconduzido à liderança
do PPS, também defendeu um reajuste maior para os aposentados.
"O PPS ainda discute entre os deputados da bancada
quais serão as prioridades (de 2010). Já existem,
porém, alguns assuntos de consenso, como o reajuste
dos aposentados", explicou.
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Blog O Outro Lado da Notícia,
6 de fevereiro de 2010
Centrais sindicais assinam
declaração em favor das cotas para negros
Representantes das principais instituições sindicais do
país estiveram reunidos na última terça-feira (2)
com o ministro da Igualdade Racial, Edson Santos.
O encontro objetivou a apresentação de uma
declaração de apoio ao sistema de cotas raciais
na educação.
Segundo o ministro, a assinatura da declaração
caracteriza o início de uma importante parceria
que visa avanços significativos nessa luta.
"A questão das cotas não é só um
problema dos negros, é uma questão de políticas
afirmativas para o País", afirmou.
O documento foi assinado por presidentes de sete centrais
sindicais do Brasil:
- Central Única dos Trabalhadores (CUT), União
Geral dos Trabalhadores (UGT), Central Geral dos Trabalhadores
do Brasil (CGTB), Força Sindical, Central dos Trabalhadores
e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Nova Central Sindical
dos Trabalhadores e Instituto Sindical Interamericano pela
Igualdade Racial (Inspir).
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Correio Braziliense, 6
de fevereiro de 2010
Eleições
2010: vice Alencar perto do “sim” à corrida
por Minas Gerais
Começam a ganhar corpo as articulações em torno
da pré-candidatura do vice presidente José Alencar (PR)
ao governo de Minas Gerais.
Nesta quinta-feira (4), o vice-presidente admitiu que
pode disputar o Palácio da Liberdade desde que haja
consenso da base aliada do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva em torno de seu nome.
Também condicionou sua candidatura ao resultado
de exames médicos que deverão sair em março,
mas adiantou que seu estado de saúde é excelente
e que o câncer que ele enfrenta há mais de
uma década regrediu 90%.
Segundo relataram representantes do PT e do PCdoB que
estiveram ontem em Brasília com Alencar, a única
exigência feita por ele é que haja um "palanque
limpo".
"Por limpo ele entende um palanque sem divergência
com a base aliada", contou o deputado estadual Carlin
Moura (PCdoB), que se encontrou duas vezes com o vice-presidente.
Pela manhã, ele esteve com Alencar ao lado de representantes
do PT. À tarde, acompanhou a direção
nacional da legenda em outra audiência com o vice-presidente.
"Ele nos contou inclusive que a ministra Dilma Rousseff
(Casa Civil) já manifestou apreço pela sua
candidatura, até porque seria a única maneira
de unir a base aliada de Lula no estado", comentou
Moura.
Dilma, que é pré-candidata do PT à Presidência
da República, tem interesse em um palanque forte
em Minas, segundo maior colégio eleitoral do País.
O ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome,
Patrus Ananias, e o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando
Pimentel, travam uma disputa ferrenha no PT mineiro para
concorrer à sucessão do governador Aécio
Neves (PSDB).
Segunda-feira a ministra estará em Belo Horizonte
para participar da entrega do título de militante
honorário do PT ao vice-presidente.
O deputado estadual Padre João (PT), que também
participou da audiência com Alencar, disse que durante
o encontro o vice-presidente ligou para a ministra e combinou
de agendar um encontro para tratar da sucessão em
Minas Gerais.
"Saímos dessa audiência muito animados.
Já tínhamos a clareza de que a solução
para um palanque unificado e forte em Minas passa pelo
vice-presidente e com essa conversa ficamos mais certos,
pois ele mostrou convicção e prontidão
para disputar o cargo de governador", comentou Padre
João.
O grupo que esteve com Alencar defende a indicação
de Patrus para vice-governador, caso a candidatura do vice-presidente
seja viabilizada.
Unidade
O ex-deputado estadual Rogério Correia (PT), delegado em Minas
do Ministério do Desenvolvimento Agrário, confirmou a
disposição do vice em disputar o governo do estado.
"Mas ele ressaltou que não vai ser candidato
dele mesmo e que só aceita se houver consenso na
base aliada de Lula", destacou. Nos bastidores, aliados
de Patrus e de Pimentel já admitem a possibilidade
de Alencar ser candidato.
Quem também está animado com o crescimento
das articulações em torno da candidatura
do vice-presidente é o presidente do PR em Minas,
Rogério Colombini. "Nosso sonho há oito
anos era Alencar no Palácio da Liberdade.
Agora, se ele concordar em ser o candidato da unidade,
vamos fazer uma grande e bonita campanha em Minas Gerais",
afirmou.
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Valor Econômico,
6 de fevereiro de 2010
Consolidação
das Leis Sociais chegará ao Congresso em duas etapas
Por Paulo de Tarso Lyra,
No Valor Econômico
A Consolidação das Leis Sociais, uma das
principais bandeiras do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva para garantir a manutenção de seus
programas sociais no futuro e alavancar a candidatura presidencial
da chefe da Casa Civil, ministra Dilma Rousseff, será feita
em dois momentos para incorporar programas governamentais
que não têm, ainda, status de lei, segundo
apurou o Valor.
Na primeira etapa, no início de março, será encaminhado
ao Congresso Nacional um anteprojeto com os programas sociais
criados por meio de portarias ou decretos, como Territórios
da Cidadania, Programa de Aquisição de Alimentos
ou Farmácia Popular, para que eles se tornem lei
federal.
Assim que esses programas forem transformados em lei pelo
Congresso, virá a segunda etapa: o Governo reunirá,
em uma única Lei, nos moldes da Consolidação
das Leis Trabalhistas de Getúlio Vargas, toda a
legislação social e os programas do Executivo
criados a partir de 2003, inclusive o principal deles,
o Bolsa Família.
"Queremos consolidar os programas sociais de reconhecido êxito,
que já são patrimônio da sociedade",
disse o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência,
Luiz Dulci, escolhido para coordenar a tarefa.
"É fundamental que se transformem em lei tornando-se
política de Estado, ganhando com isso maior estabilidade"
Para ele, a transformação dos programas
sociais em lei única não significa que não
possam ser extintos ou aperfeiçoados a qualquer
tempo. A única diferença é que a mudança
impedirá que sejam abolidos simplesmente por vias
administrativas.
Dificilmente a votação da CLS no Congresso
será concluída em 2010. A segunda etapa,
por exemplo, só deve começar depois de outubro. "Não
importa se a CLS não for aprovada esse ano",
disse um ministro que integra o núcleo central do
Governo.
"Já teremos um discurso político para
enfrentar a oposição". Se a oposição
barrar a tramitação no Congresso, diz o ministro,
o Governo a acusará de ser contrária à continuação
das conquistas sociais do Governo Lula.
Pelas estimativas do grupo interministerial, existem mais
de cem programas sociais em execução no âmbito
do Governo Federal.
Muitos deles, no entanto, ainda são projetos-piloto,
estão em fase experimental ou ainda não têm
uma avaliação precisa sobre os resultados.
Estes ficam de fora dessa primeira etapa da Consolidação.
Para tentar diminuir o mal estar que a iniciativa poderá causar
no Congresso, auxiliares do presidente lembram que, ao
propor a transformação dos programas em lei,
o Governo inclui o Congresso Nacional no debate.
Pessoas próximas a Lula, contudo, alimentam a disputa
eleitoral, desafiando a oposição a mostrar-se
contrária aos programas sociais em pleno ano eleitoral.
O temor maior desse grupo é a mobilização
de políticos da base na tentativa de mais coisas
além do "limite razoável" para
um discurso pronto junto ao eleitorado.
Apesar de a CLS ser a etapa mais visível do trabalho
a ser realizado pelo grupo interministerial coordenado
por Dulci, esta não será a única missão.
Os ministros também querem transformar em lei os
mecanismos de participação social na elaboração
de políticas públicas - Conselhos, Conferências
e Ouvidorias - e criar metas e indicadores sociais para
o país.
A realização de conferências sociais é uma
das principais marcas da era Lula. Muitas delas geraram
polêmica, como o documento final com as teses aprovadas
nas Conferências da Saúde, das Mulheres e
dos Direitos Humanos.
Após uma crise entre os ministros dos Direitos
Humanos, Paulo Vanucchi e da Defesa, Nelson Jobim, o presidente
Lula teve de suprimir a expressão "repressão
política" no texto que afirmava que a "Comissão
da Verdade será composta de forma plural e suprapartidária,
com mandato e prazo definidos, para examinar as violações
de direitos humanos" praticadas no período
que abrange a Lei de Anistia.
Mesmo assim, foram mantidos temas delicados, como a discussão
sobre a legalização do aborto, a possibilidade
de cerceamento da imprensa e a obrigação
de negociação prévia nos casos de
conflitos agrários.
Outro encontro que gerou críticas ao Governo foi
a Conferência Nacional de Comunicação.
Os empresários ligados à Associação
Nacional dos Jornais (ANJ) e Associação Brasileira
das Emissoras de Rádio e Televisão (Abert)
retiraram-se da Conferência reclamando que a condução
dos debates favorecia o cerceamento da liberdade de imprensa.
Para Dulci, a realização de Conferências
e Conselhos está amplamente apoiada na Constituição
Federal de 1988 e é um hábito que precede
o Governo do PT, embora tenha ganho status maior durante
o mandato de Lula.
"Elas são importantes para ouvirmos as demandas
da sociedade, mas não são impositivas e não
substituem a tarefa do Executivo de elaborar as políticas
públicas".
Embora não haja uma definição ainda,
a ideia é que as conferências passem a acontecer
regularmente, com intervalos que podem ser, por exemplo,
de dois em dois anos. Os conselhos já têm
hoje um prazo menor entre uma reunião e outra -
normalmente elas acontecem mensalmente ou a cada dois meses.
A terceira e última missão do grupo coordenado
por Dulci é estabelecer metas e indicadores sociais
a serem perseguidos pelos governos em todos os níveis
da administração pública - federal,
estadual ou municipal.
De todos os outros objetivos, esse ponto é o que
está em um estágio mais embrionário
e não há um consenso interno no Governo sobre
como ele poderá ser concretizado.
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Folha Online, 6 de fevereiro
de 2010
Pochmann: Brasil requer
novos métodos de combate à pobreza
O Brasil requer inovadores
métodos de combate às diferentes formas de
pobreza, sobretudo na desigual repartição da
renda
Por Marcio Pochmann*, no jornal Folha
de S. Paulo
" Miséria é miséria em qualquer canto/ Riquezas são
diferentes"
("Miséria", Titãs)
Assim como as sociedades se transformam, as condições
de produção e reprodução da
pobreza alteram-se com o passar do tempo. Ainda no século
19, por exemplo, David Ricardo e Thomas Malthus difundiram
a percepção acerca do processo de naturalização
da pobreza por identificar que a reprodução
humana ocorria em ritmo superior à capacidade econômica
de produzir alimentos e renda para todos.
Os críticos da concepção da pobreza
natural, como Alexis de Tocqueville e Karl Marx, explicitaram
que os pobres não resultavam do maior aumento populacional
em relação à produção,
mas da incapacidade de o capitalismo redistribuir adequadamente
o excedente econômico gerado. A riqueza crescia simultaneamente à elevação
ou manutenção de enormes contingentes de
pobres nas economias mais avançadas.
No final do século 19, pesquisadores como Benjamin
Rowntree e Charles Booth avançaram em métodos
científicos originais para medir a pobreza, que
passou a ser identificada por critérios de insuficiência
de renda necessária ao padrão de vida.
A pobreza extrema (severa) explicitaria o mero acesso
ao consumo mínimo correspondente à sobrevivência,
enquanto a pobreza absoluta indicaria o acesso necessário
ao consumo básico para a reprodução
humana. O prévio estabelecimento de uma cesta de
necessidades mínimas ou básicas a ser atendida
mensalmente corresponderia ao custo monetário de
aquisição no mercado de bens e serviços.
Diante das condições gerais de insuficiência
de renda para o acesso ao padrão de vida mínimo
ou básico, que permitia identificar e dimensionar
as diferentes manifestações da pobreza, houve
o desenvolvimento de um conjunto de políticas públicas
de oferta de bens (alimentos, terras, empregos) e serviços
(educação, saúde, assistência
social) e, ainda, das transferências diretas de renda
para o enfrentamento do sofrimento humano.
O avanço das políticas públicas de
caráter distributivo permitiu, em consequência,
reduzir e até superar a pobreza extrema, quando
não a absoluta, mesmo sem contemplar medidas contra
a concentração da renda e riqueza. Só com
o aparecimento das políticas redistributivas é que
se tornou possível combater, de fato, a má repartição
do excedente econômico.
Até então, o Estado compunha o fundo público
por meio de impostos, taxas e contribuições
para repassá-los, posteriormente, à sociedade
na forma de serviços, bens e transferência
direta de renda, sem considerar o desigual ônus arrecadatório
sobre os distintos segmentos sociais.
Se os pobres pagam mais tributos proporcionalmente à renda
que os ricos, as políticas distributivas podem reduzir
a pobreza sem, contudo, diminuir decisivamente a concentração
da renda e da riqueza. Por conta disso, a antiga medida
de pobreza assentada no conceito de insuficiência
de renda para atender determinado padrão de consumo
mínimo ou básico passou a ser substituída
pela medida de pobreza relativa.
Ou seja, a pobreza que considera as condições
de vida alcançada pelos ricos (concentração
da renda), não somente o limite mínimo da
sobrevivência ou da reprodução humana.
Foi nesse contexto que as políticas públicas distributivas
(saúde, educação, transferência direta de
renda) foram combinadas com as políticas redistributivas, o
que tornou o sistema tributário comprometido com a justiça
social.
A progressão tributária sobre a distribuição
da renda, acompanhada por políticas distributivas,
possibilitou combater efetivamente as diferentes formas
de pobreza. Essa é a fase em que o Brasil se encontra
atualmente, e precisa urgentemente avançar. Em 2008,
o país registrou 28% da população
na condição de pobreza absoluta e 10,5% na
pobreza extrema. Para o ano de 2016, as projeções
do Ipea indicam a superação da pobreza extrema
e apenas 4% da população na pobreza absoluta.
Como em 2008 a pobreza relativa alcançou 54% dos
brasileiros (quase duas vezes mais que o contingente medido
pela pobreza absoluta e 5,1 vezes a pobreza extrema), percebe-se
que o rumo brasileiro certo requer, ainda, inovadores métodos
de combate às diferentes formas de pobreza, sobretudo
na desigual repartição da renda e da riqueza.
*Economista, presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada) e professor licenciado do Instituto
de Economia e do Centro de Estudos Sindicais e de Economia
do Trabalho da Unicamp. Foi secretário do Desenvolvimento,
Trabalho e Solidariedade da Prefeitura de São Paulo
(gestão Marta Suplicy).
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Congresso e Foco, 6 de
fevereiro de 2010
Revistas: Dilma toma
votos de Ciro Gomes
Revista Época
Do aliado para a escolhida
Na tarde da segunda-feira, uma reunião do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva com a ministra da Casa
Civil, Dilma Rousseff, foi interrompida pela entrada de
Franklin Martins, ministro da Comunicação
Social, na sala. Animado, Franklin exibia uma cópia
da pesquisa Sensus que acabara de sair. Os números
mostravam um sensível crescimento das intenções
de voto em Dilma. Lula e Franklin demonstraram empolgação.
Dilma se mostrou feliz, mas manteve a sobriedade. Lula
e Dilma concordaram no diagnóstico do resultado:
seu crescimento se dera à custa do aliado Ciro Gomes,
pré--candidato à Presidência pelo PSB. “Ele
está desidratado”, disseram.
A pesquisa da semana passada mostra que as intenções
de voto em Dilma cresceram de 21,7% para 27,8% entre novembro
e janeiro. Seu principal concorrente, o governador de São
Paulo, José Serra (PSDB), cresceu menos, de 31,8%
para 33,2%. Em uma pesquisa com margem de erro de 3 pontos
porcentuais, isso pode indicar um empate técnico.
De acordo com o levantamento, o diagnóstico de Dilma
e Lula está correto. Ela chegou perto de Serra tomando
eleitores de Ciro, que caíram de 17,5% para 11,9%
dos entrevistados.
“O crescimento da Dilma se deu entre os eleitores
do Ciro que tinham uma simpatia pelo governo Lula – principalmente
na Região Nordeste”, afirma o cientista político
Antonio Lavareda, ligado ao PSDB. Segundo o presidente
do Sensus, Ricardo Guedes, Ciro não está conseguindo
se viabilizar como uma possível terceira via em
uma eleição polarizada entre o PT e o PSDB. “A
tendência é de polarização entre
Dilma e Serra, e de migração dos votos de
Ciro para Dilma”, diz Guedes.
Na quinta-feira, apesar da pesquisa, Ciro estava de bom
humor e mostrava a disposição de manter a
candidatura à Presidência e resistir aos planos
do presidente Lula de uma disputa pelo governo de São
Paulo com o apoio do PT. “A única força
capaz de fazer com que eu não seja candidato a presidente é meu
partido”, diz. Na semana passada, Ciro reuniu-se
com o líder do PSB na Câmara, Rodrigo Rollemberg,
e com o presidente do partido em São Paulo, deputado
Marcio França, para tratar da negociação
com Lula e o PT.
Os três querem insistir na tese de que a candidatura
de Ciro pode render 20 milhões de votos ao PSB e
ampliar a área de influência do partido. “Seremos
eleitores da Dilma no segundo turno”, diz Rollemberg. “Mas
a candidatura própria é importante para tentar
eleger de 45 a 50 deputados e pelo menos quatro governadores.”
Para conseguir a candidatura presidencial, Ciro terá de
superar resistências internas no PSB e o boicote
de Lula e do PT. Na semana passada, Ciro acusou o ex-ministro
José Dirceu de patrocinar manobras de natureza “golpista” contra
sua candidatura. Era uma referência a viagens feitas
por Dirceu pelos Estados que teriam o objetivo de torpedear
sua candidatura. Outro problema de Ciro para tornar viável
a candidatura é a pequena estrutura do PSB. O partido
dispõe de apenas três minutos no horário
eleitoral gratuito. Sem a sustentação de
outras legendas que dão apoio ao governo Lula, Ciro
terá grandes dificuldades para empinar uma candidatura
presidencial.
Na atual fase de pré-campanha, Ciro tem sido também
o menos aquinhoado no jogo da exposição pública,
fundamental num momento em que o eleitor ainda sabe pouco
sobre a eleição. Marina Silva, do PV, ganhou
evidência por ser uma novidade. Mesmo sem se declarar
candidato, José Serra, por ser governador de São
Paulo e o líder nas pesquisas de intenção
de voto, obtém sua cota de exposição.
Graças a seu cargo, que a coloca todos os dias em
inaugurações de obras e solenidades, Dilma,
com o presidente Lula a tiracolo, está percorrendo
o país em ritmo acelerado de campanha. Recentemente
Dilma chegou a aparecer no programa de variedades Superpop,
da apresentadora de TV Luciana Gimenez, fazendo uma omelete.
Nessa maratona de viagens pelos Estados, Dilma não
perde oportunidades para dar estocadas na oposição
e em Serra. Na inauguração de um gasoduto
em Jacutinga, no sul de Minas Gerais, onde foi recebida
com um coro de “Dilma, presidente!”, ela falou
sobre chuvas – justamente no momento em que o Estado
de São Paulo enfrenta graves problemas provocados
por enchentes. “Não é possível
nos conformarmos com a existência de calamidade.
Temos de tomar medidas preventivas”, disse. Quando
foi perguntada sobre eleição, porém,
foi cuidadosa. “Eu acho que o presidente tem de ter
um sucessor à altura do governo dele. Eu gostaria
muito que me escolhessem como essa sucessora. Não
sou hoje.”
Manifestações como essa fizeram a oposição
protocolar diversas ações no Tribunal Superior
Eleitoral (TSE). Elas pedem punição a Lula
e Dilma por campanha antecipada e uso da máquina
pública. Mas as ações não prosperam. É óbvio
que a exposição no evento é benéfica
para a futura candidata, mas o TSE considera que Dilma
estava no evento como ministra e não pediu votos. “O
fato de haver uma futura campanha não impede o governante
de administrar. Se não há um pedido de voto,
não há crime”, afirma o advogado Fernando
Neves, ex-ministro do TSE.
A encruzilhada está em Minas
O folclore político brasileiro estabelece que os
políticos de Minas Gerais são craques da
dissimulação, verdadeiras esfinges, hábeis
em ocultar suas intenções e dar nós
nos adversários. Uma história atribuída
a Tancredo Neves e José Maria Alkmin, dois mestres
nessa arte, ilustra bem o que seria o modo mineiro de fazer
política. Adversários nas disputas internas
no PSD, partido a que pertenciam, os dois teriam se encontrado
no aeroporto de Belo Horizonte, no início dos anos
60. Trataram-se com cortesia, e Tancredo perguntou para
onde Alkmin viajaria. Alkmin respondeu que iria para o
Rio de Janeiro. Quando os dois se separaram, Tancredo disse
a um assessor o que pensava da conversa: “Se o Alkmin
disse que vai para o Rio, quer que eu pense que ele vai
para São Paulo. Isso significa que ele vai para
o Rio mesmo”.
Um jogo com intenções ocultas e muitos despistes,
como o de Tancredo e Alkmin, está sendo disputado
atualmente em Minas. O governador Aécio Neves (PSDB),
o vice-presidente José Alencar (PRB), o ex-presidente
Itamar Franco (PPS), o ministro das Comunicações,
Hélio Costa (PMDB), o ministro do Desenvolvimento
Social, Patrus Ananias (PT), e o ex-prefeito Fernando Pimentel
(PT) conversam com aliados e adversários, articulam
e também dissimulam muito sobre suas possíveis
candidaturas nas eleições deste ano.
Aécio pode ser candidato a senador ou a vice na
chapa de José Serra (PSDB). Se a saúde permitir,
José Alencar pode tentar o Senado ou o governo do
Estado. Hélio Costa lidera as pesquisas para o governo,
mas pode ser candidato ao Senado ou à Vice-Presidência
na chapa de Dilma Rousseff (PT). Patrus Ananias e Fernando
Pimentel disputam o direito de ser candidatos do PT ao
governo, mas podem ser candidatos a senador e deputado,
respectivamente. E Itamar quer ser candidato ao Senado.
Mas, em seu caso, nunca se sabe. Em Minas está hoje
o maior nó da política brasileira, capaz
de determinar os rumos da campanha presidencial.
A peça mais importante desse jogo é o neto
de Tancredo, Aécio Neves. Um dos governadores mais
bem avaliados do país, Aécio tem uma eleição
praticamente garantida ao Senado. Há um mês,
quando anunciou oficialmente que desistia de concorrer à Presidência
da República, Aécio afirmou que o Senado
seria seu caminho. Mas disse também que “irreversível é a
morte”. Nas últimas semanas, ele tem sido
pressionado pelos tucanos a aceitar a vaga de vice de Serra.
A operação para convencer Aécio inclui
ainda membros do Democratas, partido aliado do PSDB, e
até amigos de fora da política. “Vou
de joelhos a Belo Horizonte pedir para ele aceitar”,
disse o deputado Raul Jungmann (PPS-PE).
Um tiro no pé?
O escândalo de corrupção em Brasília
revelado pela Operação Caixa de Pandora,
da Polícia Federal (PF), continua a produzir cenas
rocambolescas. A última delas ocorreu às
9 horas da quinta--feira passada, meia hora antes do horário
marcado para o depoimento à Polícia Federal
do jornalista Edmilson Edson dos Santos, o Sombra. Sombra é parceiro
do ex--delegado Durval Barbosa na delação
do esquema de propina que seria comandado pelo governador
José Roberto Arruda. Antes de se apresentar à PF,
Sombra foi até uma confeitaria, num bairro nobre
de Brasília, para um encontro com o funcionário
público aposentado Antonio Bento. Bento saiu do
encontro preso em flagrante pela PF depois de entregar
a Sombra uma sacola com R$ 200 mil em dinheiro vivo.
O encontro foi gravado em vídeo pela polícia.
A cena capturada pela PF mostra Edson Sombra assinando
um papel, que é entregue a Bento. Na sequência,
Sombra recebe uma pequena sacola. O papel era uma carta
em que Sombra afirmava que os vídeos do escândalo
que chocaram o país, como o de Arruda recebendo
um maço de dinheiro, teriam sido montados e seriam,
portanto, uma fraude. A carta e as promessas de
Sombra de prestar um depoimento contra Durval haviam sido estimuladas
pela polícia e por procuradores da República para servir
como iscas.
Um dia antes da prisão em flagrante, Bento, dizendo
representar Arruda, fizera um acerto com Sombra. Em troca
da carta – e de um depoimento à PF nos mesmos
termos –, o jornalista receberia R$ 1 milhão
e mais uma publicidade mensal de cerca de R$ 250 mil para
seus negócios de mídia. Depois de preso,
Antonio Bento disse, em depoimento, que recebera os R$
200 mil de Rodrigo Arantes, sobrinho e secretário
do governador. Rodrigo já havia aparecido no vídeo
em que Arruda recebe de Durval um maço com cerca
de R$ 50 mil.
Em dois depoimentos à PF, Sombra disse que, antes
da abordagem da semana passada, já fora assediado
por um aliado de Arruda: o deputado distrital Geraldo Naves
(DEM). Segundo Sombra, Naves, em nome de Arruda, lhe teria
oferecido R$ 2 milhões para desqualificar as denúncias
de Durval. Sombra pediu, então, uma prova de que
a oferta seria mesmo de Arruda. Em outro encontro, Naves
apresentou um bilhete escrito pelo governador. O original
foi entregue à PF.
Naves diz que Arruda escreveu o bilhete para demonstrar
que nada tinha contra Sombra. “Não tentei
comprar um falso testemunho de Sombra”, afirma Naves.
Arruda diz que a tentativa de suborno seria uma armação
e que Antonio Bento teria participado da farsa por ser
empregado de Edson Sombra. Bento trabalha no jornal de
Sombra, mas também é membro do Conselho de
Administração do Metrô de Brasília
desde o início do governo Arruda. Segundo investigadores,
ele teria sido escolhido como intermediário por
ter a confiança dos dois lados. Auxiliares de Arruda
disseram a ÉPOCA que o governador planejava usar
a carta de Sombra em uma entrevista para afirmar que estava
sendo vítima de uma armação política.
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Congresso e Foco, 6 de
fevereiro de 2010
Paraná: Racha
tucano
O PSDB é o fiel da balança nas eleições
do Paraná. Mas, a exemplo do que aconteceu no cenário
nacional, os tucanos têm dois pré-candidatos,
ambos com bastante peso. O prefeito de Curitiba, Beto Richa,
seria o candidato natural. Seu governo tem 84% de aprovação,
a maior entre os prefeitos do País, e ele aparece
em primeiro lugar nas pesquisas. Mas o senador tucano Álvaro
Dias – que governou o Estado na década de 80
e se destaca na oposição ao governo Lula no
Congresso – também se lançou na disputa.
Com o impasse, o residente nacional do PSDB, senador Sérgio
Guerra (PE), foi convocado às pressas a Curitiba
para encontrar uma solução. O favorito da
direção do partido é Richa. “Não
escondo de ninguém que tenho vontade de ser governador.
Venci na Executiva e terei mais de 40 votos (total de 45)
no diretório. E a maioria dos partidos aliados está comigo”,
disse Richa à ISTOÉ. “Essa reunião
não tem validade. Se o Beto insistir, ele vai dar
um palanque para Dilma Rousseff”, devolve Dias. A
ameaça do tucano tem motivos. Seu irmão,
Osmar, também senador e pré-candidato do
PDT ao governo, aparece encostado em Richa nas pesquisas.
Como no Paraná o PT está isolado, o presidente
Lula aproveitou a divisão tucana para oferecer a
Osmar uma aliança com os petistas.
Ligou para Osmar e o convidou para uma reunião
com Dilma Rousseff. Em meio à conversa, Osmar sugeriu
o nome da presidente do PT no Paraná, Gleisi Hoffmann,
para vice em sua chapa e ouviu de Dilma que Gleisi preferia
ser candidata ao Senado. Dilma citou o nome do diretor
de Itaipu, Jorge Samek. Osmar ficou de pensar, mas a aliança
está quase pronta. Só depende da decisão
do PSDB sobre Álvaro. Se ele for o escolhido, Osmar
não sairá candidato contra o irmão.
“Ele é mais velho e desde que eu nasci temos
um acordo: irmão não disputa com irmão”,
diz o pedetista. O imbróglio paranaense surgiu por
conta de um racha entre antigos aliados. Em 2006, Richa
apoiou Osmar para o governo do Paraná e Álvaro
para o Senado. Osmar perdeu por 0,018% para o governador
Roberto Requião. Em 2008, Osmar e Álvaro
apoiaram Richa paraa Prefeitura de Curitiba. Para este
ano, a ideia da família Dias era que Richa continuasse
na prefeitura, Álvaro no Senado e Osmar voltasse
a disputar o governo com o apoio de todos. O que, por decisão
de Richa, não vai acontecer.
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Agência Diap, 6 de
fevereiro de 2010
Renovação
tende a ser baixa na eleição no Congresso
"Apesar de decepção
com os deputados e senadores, acusados diariamente de corrupção,
a tendência de renovação da Câmara
e do Senado ficará abaixo da média histórica"
Antônio Augusto de Queiroz*
Apesar da decepção e da desilusão
de parcela do eleitorado com os deputados e senadores,
acusados diariamente de prática de corrupção,
a tendência de renovação da Câmara
e do Senado ficará abaixo da média histórica,
por diversas razões.
Na Câmara, estarão em disputa a totalidade
das vagas (513) e no Senado, dois terços do total
(54 das 81 vagas).
Câmara dos Deputados
A média de renovação na Câmara,
nos cinco últimos pleitos, tem sido da ordem de
50%, com 62% na eleição de 1990, a maior,
e de 43% em 1998, a menor, conforme tabela abaixo, que
traz um quadro com dados sobre os pleitos de 1990 a 2006.
Resultado de eleições para a Câmara
no período de 1990 a 2006:
|
Ano
da Eleição
|
Composição
da Câmara no ano da eleição
|
Nº de
candidatos à reeleição
|
Índice
de re-candidatura
|
Nº de
reeleitos
|
Índice
de reeleição
|
Índice
de renovação
|
|
1990
|
495*
|
368
|
74,34%
|
189
|
51,35%
|
62%
|
|
1994
|
503**
|
397
|
78,92%
|
230
|
57,93%
|
54%
|
|
1998
|
513
|
443
|
86,35%
|
288
|
65,01%
|
43%
|
|
2002
|
513
|
416
|
81,09%
|
283
|
68,02%
|
46%
|
|
2006
|
513
|
442
|
86,16%
|
267
|
52,04%
|
47%
|
*A composição
da Câmara para a legislatura 1991/1995 passou de
495 para 503 deputados em razão da transformação
dos territórios do Amapá e Roraima em estado,
que aumentaram suas bancadas de quatro para oito deputados.
** Lei Complementar aumentou a bancada
de São Paulo de 60 para 70 deputados. A composição
da Câmara para a legislatura 1995/1999 passou de
503 para 513 deputados.
A tabela acima permite três conclusões importantes:
1) quanto maior o índice de candidatos à reeleição,
menor é o índice de renovação;
2) o índice médio de reeleição é superior
a 50%; e
3) o índice médio de re-candidatura é da ordem
de 80%.
A tendência de baixo índice de renovação,
tendo como parâmetro as últimas cinco eleições,
possui duplo significado.
O primeiro tem a ver com as enormes chances dos candidatos à reeleição;
e o segundo se relaciona com a grande circulação
no poder, com políticos trocando de cargos.
Sobre o primeiro aspecto, constata-se que os deputados
que concorrem à reeleição possuem
pelos menos oito grandes vantagens comparativas em relação
aos que disputam fora do mandato, entre as quais:
1) nome e número conhecidos,
2) serviços prestados,
3) bases eleitorais consolidadas,
4) cabos eleitorais fidelizados,
5) dobradinhas amarradas,
6) financiadores de campanha certos,
7) acesso fácil aos veículos de comunicação,
8) estrutura de campanha, com gabinete e pessoal à disposição,
em Brasília e no estado.
Além das grandes chances dos candidatos à reeleição,
são poucos os nomes que estão fora da política
que se dispõem a concorrer a mandato eletivo, particularmente
para a Câmara. Os custos de campanha e, principalmente,
de imagem são enormes.
Nenhuma campanha para a Câmara custará menos
de R$ 500 mil em 2010 e muitos nomes com real chance de
eleição são desaconselhados por amigos,
familiares, colegas de trabalho e vizinhos a disputar por
razões morais, porque estariam se juntando “àquela
gente”, forma pejorativa com que muitos se referem
aos parlamentares.
O segundo aspecto, de circulação no poder,
ratifica o duplo sentido da baixa renovação.
As vagas não preenchidas por reeleição,
em sua maioria, são ocupadas por ex-parlamentares,
que retornam à Câmara, ou por políticos
que estavam exercendo outros mandatos, como ex-governador,
ex-prefeito, ex-senador, ex-deputado estadual ou ex-vereador,
ou por ocupantes de cargos políticos, como ex-ministro,
ex-secretário, ex-presidente de estatal etc.
A renovação real, com nomes sem experiência
política anterior, portanto, é sempre muito
baixa. A maioria dos eleitos ou estavam no mandato ou já ocuparam
algum outro posto na administração pública.
Senado Federal
A tendência de renovação no Senado,
que possui dois terços de suas vagas em disputa
em 2010, será muito grande, porém não
será superior à média das duas últimas
eleições em que 54 dos 81 senadores encerravam
seus mandatos - respectivamente, 1994 e 2002.
A média de renovação desses pleitos
foi da ordem de 78,70% em relação às
vagas em disputa e de 52,24% em relação à composição
total da Casa
No primeiro pleito, de 1994, das 54 vagas em disputas,
somente 20 senadores tentaram renovar seus mandatos. Destes
apenas nove foram reeleitos, numa renovação
de 83,34% em relação às vagas em disputa
e de 55,55% em relação ao total de senadores.
Na segunda eleição, em 2002, dos 54 senadores
com mandato vencendo, 33 tentaram a reeleição
e apenas 14 tiveram sucesso, numa renovação
de 74,07%, em relação aos dois terços
das vagas em disputa e de 49,38%, em relação à composição
total da Casa, 81 senadores.
No pleito de 2010, apesar do desgaste dos senadores em
razão das sucessivas crises na Casa, e do fato de
um grande número de senadores terem feito oposição
intransigente durante os dois mandatos do presidente Lula,
um dos mais populares da história do Brasil, a renovação
não será superior à de 1994, por exemplo.
A expectativa para 2010, portanto, é de que a mudança
aconteça nos hábitos, os métodos e
na forma de fazer política, já que a renovação
real, com sangue novo, será pequena em relação
aos pleitos anteriores.
(*) Jornalista, analista político
e diretor de documentação do Diap.
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Gazeta do Povo, 6 de fevereiro de 2010
Setor produtivo
Indústria do PR fecha 2009
em ritmo acelerado
Produção caiu 2,1%
no acumulado do ano, a primeira baixa desde 2006. Mas o último
trimestre foi de forte recuperação, com direito
a recorde em dezembro
Com retração em 10 dos 14 segmentos avaliados,
a produção industrial do Paraná sofreu
em 2009 sua primeira queda em três anos, recuando 2,1%
em relação a 2008. Embora negativo, esse desempenho
foi bem superior ao registrado pelo conjunto da indústria
brasileira – que despencou 7,4% – e, na comparação
com os outros 12 estados pesquisados pelo Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE), ficou atrás
apenas dos resultados de Goiás, cuja indústria
terminou o ano com variação zero, ou seja, “empatou” com
2008.
Mas, para os paranaenses, os melhores números do relatório
publicado ontem foram os relativos ao quarto trimestre do ano,
que indicaram forte aceleração da atividade industrial.
A produção média dos últimos três
meses de 2009 foi 8,8% maior que a do trimestre anterior e
9,7% superior à de igual período de 2008.
O movimento de alta da produção – retomado
em outubro, após uma prolongada estagnação
no segundo e terceiro trimestres – alcançou seu ápice
em dezembro, mês em que as fábricas do estado
atingiram o maior nível de produção da
série histórica (com ajuste sazonal) do IBGE,
iniciada em 1991. Na comparação de novembro,
houve alta de 5,9%, a mais forte do país. Em relação
a dezembro do ano anterior, quando os estragos da crise já eram
evidentes, o crescimento foi de 28,2% – avanço
alimentado principalmente pelas indústrias de veículos
automotores (+110,1%), edição e impressão
(+99,7%) e máquinas e equipamentos (+45%).
Impulsionado pela demanda por livros didáticos, o segmento
de edição e impressão (indústria
gráfica) foi o destaque do ano, ao crescer quase 80%
no acumulado de janeiro a dezembro. As fábricas de veículos
e máquinas, por sua vez, só se recuperaram nos últimos
meses – e nem isso foi suficiente para impedir quedas
acumuladas de 27,3% e 11,1%, respectivamente. Ao lado da indústria
madeireira, cuja produção desabou pelo quinto
ano consecutivo, elas foram as principais responsáveis
pela retração estadual.
Além da indústria gráfica, apenas outros
três segmentos cresceram em 2009. A indústria
química, que no Paraná é representada
principalmente por fabricantes de adubo, se recuperou da forte
baixa de 2008 e cresceu 20,5%. A fabricação de
bebidas avançou 3,4% e a de minerais não metálicos,
liderada pelas cimenteiras da região metropolitana de
Curitiba, fechou o ano com expansão de 2,4%.
“De modo geral, os segmentos que atendem mais ao mercado
interno se saíram melhor em 2009. Por outro lado, os
mais prejudicados foram justamente aqueles ligados ao comércio
exterior, que foi abalado pela crise”, diz Fernando de
Lima, pesquisador do Instituto Paranaense de Desenvolvimento
Econômico e Social (Ipardes).
Exemplo dessa discrepância entre os mercados interno
e externo é o parque automotivo paranaense, diz o economista
Roberto Zürcher, do departamento econômico da Fiep. “Ele
foi construído com o objetivo de ser uma plataforma
de exportação, destinando boa parte de sua produção
ao mercado externo”, lembra Zürcher, referindo-se
ao fato de que, habitualmente, 35% da produção
das fábricas de veículos da Grande Curitiba era
exportada. “Com a queda da demanda internacional, ele
foi bastante prejudicado, embora os incentivos fiscais do governo
brasileiro tenham impulsionado a produção no
fim do ano e evitado uma queda maior.”
Perspectiva é de expansão
em 2010
Juntas, as fábricas de veículos e máquinas
respondem por aproximadamente 18% da produção
industrial paranaense. Elas têm representatividade inferior à dos
segmentos de alimentos e bebidas (22%) e refino de petróleo
e álcool (21%), mas costumam ter papel decisivo no desempenho
conjunto da indústria paranaense. Foram as principais
responsáveis pela expansão da produção
estadual no período 1998-2008, e também as vilãs
da última retração anual, em 2006.
Matéria publicada pela Gazeta do Povo em fevereiro
do ano passado apontava que, em razão do cenário
ruim para veículos e máquinas, havia grande possibilidade
de que a indústria paranaense regredisse em 2009, como
de fato ocorreu. Se a tendência de protagonismo desses
dois segmentos persistir em 2010, é provável
que a produção estadual volte a crescer – é o
que sugere o movimento de recuperação demonstrado
por ambos nos últimos meses.
Ainda que o mercado internacional continue nebuloso, a perspectiva
de expansão da economia brasileira tende a dar embalo
ao segmento de veículos (que reúne carros, caminhões, ônibus
e máquinas agrícolas). A produção
de caminhões, em especial, deve ser beneficiada pelo
otimismo do empresariado.
Esse mesmo estado de ânimo pode se refletir na produção
de máquinas e equipamentos, que depende muito da disposição
das companhias em investir. E, segundo sondagem da Fiep, 88%
dos industriais paranaenses têm expectativas favoráveis
para 2010 – nível de confiança igual ao
exibido no início de 2008, ano que terminou com expansão
de quase 9% na produção da indústria estadual.
Também ajuda a expectativa de um ótimo ano para
o agronegócio. A estimativa da Expedição
Safra RPC é de produção recorde de soja,
acima de 13,5 milhões de toneladas, e de uma grande
colheita de milho, calculada em 7 milhões de toneladas,
a segunda maior da história. “As previsões
para o agronegócio são boas, e quando ele vai
bem, a indústria do Paraná costuma ir junto”,
diz o economista Roberto Zürcher, da Fiep. No ano passado,
a queda de 25% na safra de soja e milho esteve entre os culpados
pela queda na produção de caminhões, tratores
e colheitadeiras e também pela retração
da fabricação de alimentos, que caiu 4,5%, segundo
o IBGE.
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Gazeta do Povo, 6 de fevereiro
de 2010
Eletricidade
Consumo de energia subiu
12% em janeiro
O consumo nacional de energia fechou janeiro em 56.031
megawatts (MW) médios, recorde histórico
para o mês. O volume representa alta de 12,1% com
relação a janeiro de 2009, quando a demanda
estava reprimida por causa da crise econômica. Com
relação a dezembro, a alta é de 2,6%.
Para o Operador Nacional do Sistema (ONS), além
da base de comparação deprimida, o calor
e a retomada econômica contribuíram para o
crescimento.
Nesta semana, houve quatro recordes seguidos de demanda,
o que aponta para um mês de fevereiro também
com dados históricos. Na quinta-feira, a demanda
de pico chegou a 70.654 MW às 14h49 – na média
do dia, foi de 61.631 MW médios. No Boletim de Carga
Especial divulgado ontem, o ONS
diz que o desempenho foi provocado pelas altas temperaturas,
que chegaram a 36ºC no Sudeste, 35ºC no Sul,
34ºC no Nordeste.
Calor
O calor também é explicação
para o recorde observado na média de consumo
de janeiro, diz o Boletim de Carga Mensal, também
divulgado ontem. O documento ressalta que as temperaturas
máximas do mês estiveram acima das médias
históricas e, com o crescimento das vendas de aparelhos
de ar condicionado e geladeiras, ajudaram a impulsionar
o consumo.
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Gazeta do Povo, 6 de fevereiro
de 2010
Trabalho
Lupi aponta recorde
no emprego
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, antecipou ontem
no Rio o fechamento do Cadastro Geral de Empregados
e Desempregados (Cagec) para o mês de janeiro e, mesmo
sem dar detalhes dos número, revelou que houve novo
recorde na geração de empregos.
O recorde anterior era de 142 mil postos de trabalho em janeiro de 2007. “Este
início de ano está bombando. Certamente vai superar
os 100 mil. No ano passado, na mesma época, tinham sido cem mil
negativos”, comentou. Ele também fez uma projeção
de que em 2010 serão gerados 2 milhões de empregos, ou
400 mil a mais do que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, havia previsto. “Eu
sempre ganho as minhas apostas com ele. No ano passado ele disse que
não chegaria a meio milhão e chegamos a 1 milhão.”
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Gazeta do Povo, 6 de fevereiro
de 2010
Custo de vida
Inflação
tem maior alta desde maio de 2008
Em janeiro, o IPCA foi de 0,75%,
puxado pelos preços dos alimentos, que subiram por causa
do clima chuvoso, e dos transportes
O avanço dos preços dos alimentos e dos transportes,
duas das principais fontes de despesas das famílias
brasileiras, pressionou a inflação medida pelo Índice
Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em janeiro.
Depois de registrar 0,37% em dezembro, o índice oficial
de inflação passou para 0,75%. Foi a maior
taxa mensal desde maio de 2008.
O acumulado em 12 meses também subiu, para 4,59%,
superando o centro da meta estipulada pelo governo, de 4,5%.
Instituído em 1999, o regime de metas de inflação
serve como diretriz para as decisões da política
monetária, com margem de erro de dois pontos para
mais ou para menos. Na ata de sua última reunião,
o Comitê da Política Monetária (Copom),
do Banco Central, sinalizou que poderá aumentar a
taxa básica de juros devido ao risco de elevação
da inflação.
De acordo com a economista Eulina dos Santos, do IBGE, o
aumento de preços em janeiro ocorreu de forma mais
generalizada do que em 2009. Com maior peso no orçamento
das famílias, os alimentos, que no ano passado tiveram
pouco impacto sobre a inflação, responderam
por um terço da taxa mensal. “As chuvas prejudicaram
tanto a fase da semeadura, no ano passado, quanto a da colheita.”
Segundo ela, a valorização recente do dólar
também já afeta produtos importados como o
bacalhau (5,41%) e o alho (3,21%). A elevação
dos preços das commodities no mercado internacional é outro
fator de preocupação – as carnes, que
em 2009 caíram 5,33%, em janeiro tiveram alta de 1,67%.
Outro produto que impactou o IPCA foi o açúcar,
nas versões cristal (10,27%) e refinado (6,25%). Além
da chuva que prejudicou a colheita da cana, pesou também
a escassez do produto no mercado global.
Com os usineiros destinando maior parte da produção
de cana para a exportação, o fenômeno
levou ao aumento do álcool combustível, que
teve alta de 11,09% e causou reflexos também sobre
a gasolina (1,33%), ao qual é adicionado. Outro gasto
relacionado ao transporte que teve elevação
foi a tarifa de ônibus urbano, reajustada em 17,40%
em São Paulo e em 4,18% em Salvador, o que causou
uma variação de 3,90% na média do país.
Para a economista-chefe da corretora Icap, Inês Filipa,
o resultado de janeiro deixa incertezas à vista, mas “não
aumenta o nível de estresse”. Segundo ela, é necessário
aguardar para ver se a alta dos alimentos é ou não
sazonal, bem como para ter uma avaliação mais
precisa do efeito da aversão ao risco nos mercados
internacionais, que pode mexer com o câmbio e o preço
das commodities.
Sazonal
Fevereiro deve ter índice
alto
A pressão de alta no IPCA neste início
de ano é temporária e deverá ser revertida
ao longo de 2010, sem comprometer o alcance da meta de
4,5% para o ano. A avaliação foi feita pelo
secretário de Política Econômica do
Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa. Segundo ele,
a alta de 0,75% no índice oficial de inflação
em janeiro ficou exatamente dentro do esperado pela Fazenda
e refletiu fatores sazonais e pontuais. Para Barbosa, o
IPCA de fevereiro também deve vir salgado, acima
de 0,50%, ainda refletindo fatores sazonais, como a alta
dos materiais escolares, que, por questões metodológicas é capturada
pelo índice só em fevereiro. Na média,
o mercado trabalha com uma inflação de 0,59%
neste mês.
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Folha de S.Paulo, 6 de
fevereiro de 2010
TENDÊNCIAS/DEBATES
É positiva a proposta
do Ministério do Trabalho que regulariza a terceirização
da mão de obra?
SIM
Contra a precarização do trabalho
LUCIANO ATHAYDE CHAVES
NÃO É de hoje que se discute a necessidade
de um novo marco regulatório para a terceirização
de mão de obra no Brasil. Atualmente, a legislação é restritiva
a atividades não finalísticas das empresas,
em especial conservação, limpeza e vigilância,
posicionando-se a jurisprudência dominante da Justiça
do Trabalho contra a expansão desse fenômeno.
É certo, porém, que a complexidade da vida socioeconômica
exige maior clareza e balizamento nesse tipo de contratação, o
que não significa caminhar para a precarização ou pulverização
da força de trabalho na forma de um feixe de vínculos terceirizados.
Por isso, é saudável a iniciativa do Ministério
do Trabalho de apresentar uma proposta de regulamentação
para o trabalho terceirizado, máxime quando, já no artigo
2º, reafirma a restrição desse tipo de contratação
a atividades que não se enquadrem nos serviços típicos
da organização empresarial. Exemplo: um supermercado
não pode contratar mão de obra terceirizada para atuar
nos caixas, pois a atividade de registro das vendas de varejo é típica
e essencial para esse tipo de empresa.
Assim, como diz o próprio texto do anteprojeto, "considera-se
atividade fim da empresa tomadora de serviços as funções
e tarefas empresariais e laborais que compõem a sua essência
e que definem o seu posicionamento e classificação no
contexto empresarial e econômico".
E não me parece que haja, como sustentam alguns críticos,
insegurança jurídica quanto a esse conceito de atividade
fim. Por certo, como todo fenômeno social, as situações
concretas serão objeto de interpretação, mas o
princípio que encerra aquele preceito legal -aliás, já presente
na súmula 331 do TST (Tribunal Superior do Trabalho)- é de
razoável operacionalidade no meio produtivo.
Recentemente, o TST reconheceu que certas atividades de telefonia não
podem ser terceirizadas, pois a ligação ou o desligamento
de terminais constitui a própria finalidade de uma companhia
telefônica. Logo, estabelecer um marco regulatório nessa
direção é fundamental para situar os atores do
processo produtivo de bens e serviços e as formas adequadas
de organização de suas atividades laborais.
Outro ponto importante do projeto diz respeito à necessária
participação do sindicato no processo de terceirização
da mão de obra. Trata-se de uma medida que oferece um controle
social sobre esse tipo de contratação, com potencial
para reduzir fraudes e demandas na Justiça do Trabalho.
Também merecem destaque os artigos 6º e 7º da proposta,
que estabelecem a responsabilidade solidária da empresa tomadora
de serviços em relação às obrigações
trabalhistas não honradas pela prestadora, inclusive quanto
a obrigações decorrentes de eventual acidente de trabalho.
Cuida-se de importante avanço em relação ao quadro
atual. A mencionada súmula 331 do TST admite que essa responsabilidade
hoje é subsidiária, o que implica dizer que, somente
após o esforço de cobrar da prestadora -normalmente uma
empresa de pouco ou nenhum patrimônio- é que se pode exigir
o pagamento pela empresa tomadora dos serviços. Isso resulta,
não raro, retardo na satisfação dos créditos
trabalhistas devidos aos empregados terceirizados.
A propósito, essa foi uma das sugestões encaminhadas
pela Associação Nacional dos Magistrados da Justiça
do Trabalho (Anamatra) ao Ministério do Trabalho durante o período
de elaboração da proposta.
Por fim, avança -e muito- o artigo 9º da proposta ao assegurar
aos trabalhadores terceirizados os mesmos benefícios obtidos
pela categoria profissional preponderante da empresa contratante, desde
que mais benéficos aos trabalhadores, o que é regra entre
nós.
Essa medida, além de concretizar o princípio constitucional
da isonomia, revela um mecanismo com grande potencial de reduzir as
contratações precarizantes, pois, do ponto de vista meramente
econômico, pode não ser mais vantajoso terceirizar atividades.
Cabe ao Estado e à sociedade preservar a dignidade da pessoa
humana no trabalho, dando efeitos concretos ao direito fundamental
da valorização do trabalho, rejeitando formas não
isonômicas e precárias de labor.
Esse é um objetivo a ser perseguido por todos nós.
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LUCIANO ATHAYDE CHAVES, 38, juiz do Trabalho no Rio Grande do Norte, é presidente
da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça
do Trabalho (Anamatra).
Os artigos publicados com assinatura
não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação
obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas
brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências
do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br
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