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O Estado de S.Paulo, 7 de fevereiro de 2010
Plano de banda larga
propõe volta da Telebrás, estatal das comunicações
A minuta de decreto presidencial com as regras para a criação
do Plano Nacional de Banda Larga, em discussão no governo, prevê a
reativação da Telebrás e papel de destaque da estatal
na prestação dos serviços.
De acordo com o texto obtido pela Agência Estado,
a Telebrás atuaria tanto no atacado, fornecendo
capacidade de transmissão de dados a outras empresas,
quanto no varejo, ofertando serviços de internet
rápida ao consumidor final.
A minuta é uma das propostas que estão sendo
discutidas no governo e ainda poderá sofrer mudanças
até a reunião marcada para a próxima
quarta-feira (10) entre o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva e os ministros envolvidos na discussão.
Se for confirmado o texto do decreto que circula na Esplanada
dos Ministérios, será a volta do Governo
ao setor de telecomunicações, restituindo
parte dos poderes da Telebrás, extintos em 1998
com a privatização.
A estatal, de acordo com a minuta, vai operar em municípios
onde ainda não há oferta de serviços
de banda larga ou onde o preço médio de mercado
for 50% mais alto que o valor médio cobrado na capital
de estado mais próxima.
Os defensores da presença do Estado na banda larga
argumentam que o principal objetivo é forçar
a queda do preço dos serviços.
A tendência estatizante da proposta de decreto se
contrapõe ao plano de expansão da banda larga
apresentado pelo ministro das Comunicações,
Hélio Costa, que prevê uma parceria com as
empresas privadas e não menciona a Telebrás.
A meta do ministério é ter 90 milhões
de acessos à banda larga em 2014, o que exigiria
investimentos de R$ 75 bilhões.
A minuta de decreto, por sua vez, não relaciona
metas de acessos à banda larga nem o volume de recursos
e fontes de financiamento.
Diz apenas que caberá ao Comitê Gestor do
Programa de Inclusão Digital, vinculado à Presidência
da República, fixar as ações do plano
de banda larga e acompanhar a sua implantação.
A falta de detalhes sobre as metas no decreto já vem
gerando críticas dentro do próprio governo.
Alguns técnicos afirmam que é preciso trabalhar
melhor o texto para dizer onde e de que forma será feita
a massificação da banda larga.
"O decreto cria o plano, mas não diz qual é o
plano. Parece que está sendo editado só para
ativar a Telebrás", disse uma fonte do Executivo.
Revitalizada, a Telebrás teria a finalidade de
prestação direta dos serviços de telecomunicações,
com a possibilidade até de criar subsidiárias.
O texto, no entanto, se restringe à banda larga
e não trata de outros serviços.
A estatal também seria responsável pela
implantação da intranet do governo federal
e pelo atendimento a pontos públicos, como universidades,
centros de pesquisas, escolas e hospitais.
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Portal Terra, 7 de fevereiro
de 2010
Dilma: crise financeira
mostrou que só o mercado não pode mais reinar
Por Roger Pereira,
No Invertia (Terra)
A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata
do PT à Presidência da República, não
poupou críticas aos governos anteriores em sua passagem
por Curitiba, onde participou de reunião sobre o
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)
com os prefeitos do Paraná.
Comparando a postura sobre a crise financeira que assolou
o mercado internacional em 2009, ela valorizou a posição
do Estado e afirmou que "só o mercado não
pode mais reinar".
À noite, Dilma é convidada de honra da festa
de posse do novo presidente estadual do PT, deputado Enio
Verri.
A comparação entre o Governo Lula e o Governo
de Fernando Henrique Cardoso já foi declarada pelo
PT como uma das principais estratégias da campanha
de Dilma. Ao comentar a prioridade do PT pelo fortalecimento
do Estado, Dilma criticou os que defendem que o mercado
se resolve sozinho, e disse que foi o Estado forte que
fez o Brasil sofrer menos com a crise econômica mundial.
"Uma das coisas que ficaram muito claras da crise,
que quase causou uma catástrofe no sistema financeiro
internacional foi que não é possível
mais aquele fundamentalismo de que o Estado acabou e que
agora reina tranquilamente só o mercado. A forma
como governo Lula enfrentou essa crise é o melhor
exemplo disso, com os bancos públicos e o BNDES
resolvendo o problema da falta de crédito internacional",
disse.
Ao responder sobre o pedido dos prefeitos paranaense para
a inclusão de obras de reconstrução
das cidades atingidas por enchentes no PAC 2, Dilma culpou
a falta de política habitacional nos governos anteriores
pelo grande número de desabrigados por conta das
chuvas.
"As obras emergenciais serão contempladas
com medidas provisórias. O PAC é para obras
estruturais. Para a prevenção de catástrofes,
estão programadas obras de drenagem e o Minha Casa,
Minha Vida, porque ninguém foi morar em área
de risco porque quis, e sim porque nunca houve política
habitacional nesse País", disse.
"No passado, quando havia crise, o governo cruzava
os braços. E o que acontecia, o empresário
passava por enormes dificuldades, o trabalhador passava
por enormes dificuldades, o País passava por enormes
dificuldades. Porque o Estado ao invés de ser uma
alavanca para sair da crise, ao invés de ser uma
parte da solução, era uma parte do problema,
porque o Estado quebrava", afirmou.
Dilma não quis comentar sobre a vitória
de Michel Temer na convenção do PMDB e sua
possível indicação como candidato
a vice-presidente na chapa encabeçada pela ministra.
"Eu não ponho a carroça na frente dos
bois. Essa questão terá de ser discutida
nos partidos. Eu não posso sair discutindo sobre
vice, por respeito ao PT. Só depois que o PT realizar
seu congresso, tirar seu pré-candidato é que
poderemos avançar um pouquinho nisso, mas nem tanto
como alguns estão querendo", disse.
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EFE, 7 de fevereiro de
2010
G7 nega divergência,
mas não acorda reforma no sistema financeiro
Os países-membros do G7 encerraram neste sábado a reunião
no Canadá sem acordo sobre o conteúdo das reformas do sistema
financeiro global, embora tenham deixado claro que não há divergências
sobre a prevenção de futuras crises.
Os ministros de Economia de Estados Unidos, Canadá, Alemanha,
França, Reino Unido, Itália e Japão concordaram
que os organismos internacionais têm de cancelar a dívida
externa do Haiti para facilitar a reconstrução do país
após o terremoto.
Durante a reunião, realizada na cidade de Iqaluit,
também foi tratada em profundidade a situação
na zona do euro, onde existe preocupação sobre
a dívida de vários países.
"Os representantes da zona do euro deixam claro que
a situação na Grécia é grave
e que os problemas têm que ser solucionados",
disse Jean-Claude Juncker, presidente do Eurogrupo, fórum
informal que reúne os ministros das Finanças
da área de moeda única.
Mas a reforma do sistema financeiro mundial foi um dos aspectos
mais conflituosos da reunião, que também teve
a presença dos presidentes dos bancos centrais dos
países-membros assim como dos chefes do FMI (Fundo
Monetário Internacional), Dominique Strauss-Kahn;
e do Banco Mundial, Robert Zoellick.
"Acho que todos estamos profundamente comprometidos
em avançar e alcançar um acordo sobre um conjunto
de reformas financeiras fortes e globais, no período
que todos nos comprometemos em setembro", afirmou o
secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner,
durante a entrevista coletiva final.
O americano reiterou que no final do ano haverá um
acordo sobre novos "requisitos de capital para grandes
instituições mundiais". "[Os EUA]
estão muito comprometidos em assegurar que trabalhamos
para iniciar [um conjunto] forte, multilateral, justo, para
todas estas instituições e mercados globais",
afirmou.
Geithner reconheceu que o sistema final será diferente
em cada país.
"Todos temos diferentes sistemas e esses padrões
comuns que iniciemos vão ter de ser complementados
por planejamentos ligeiramente diferentes a nível
nacional", comentou.
No entanto, a ministra das Finanças francesa, Christine
Lagarde, foi mais vaga ao falar sobre a forma final que terá um
futuro acordo sobre a reforma financeira mundial.
"Houve um forte consenso em manter o impulso, para
trabalhar de forma conjunta e com toda a cooperação
possível, ter presente o imperativo da imparcialidade
e considerar que, embora todos queiramos ter uma base tão
consistente quanto possível, haverá algumas
particularidades relacionadas com cada país",
afirmou.
Lagarde também insinuou que a prioridade do G7 não é a
reforma financeira, mas a recuperação econômica.
"Mas todos estamos preocupados com o fato de que o
que é inicial não deveria prevenir uma recuperação
sustentada e contínua", explicou.
O anfitrião da reunião, o ministro das Finanças
canadense, Jim Flaherty, disse que "a situação
econômica global melhorou e está melhorando",
embora tenha frisado que a situação "não
está firme". Por isso, o ministro disse que o
G7 considera ser necessário manter os pacotes de estímulo.
Sobre a questão do Haiti, Flaherty disse, no fechamento
da reunião, que os ministros dos países do
grupo estão "comprometidos com o perdão
da dívida". "Toda a dívida bilateral
com o Haiti foi perdoada pelos membros do G7", afirmou.
"A dívida com instituições multilaterais
deveria ser perdoada e vamos trabalhar com essas instituições
e outros parceiros para que isso aconteça o mais rapidamente
possível", acrescentou Flaherty.
Segundo o FMI, a dívida total do Haiti chega a US$
1,3 bilhão e o maior credor é o Banco Interamericano
de Desenvolvimento (BID), com um total de US$ 447 milhões.
O maior credor (país) do Haiti era a Venezuela, mas
em 25 de janeiro seu presidente, Hugo Chávez, anunciou
o perdão da dívida, em grande parte derivada
da compra de combustível.
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Congresso em Foco, 7 de
fevereiro de 2010
Estrelas do PMDB exaltam
Temer como vice de Dilma
Rodolfo Torres
Numa resposta ao PT, que resiste à ideia, estrelas
do PMDB exaltaram neste sábado, durante a convenção
do partido, o nome do presidente da Câmara, Michel
Temer (SP), como candidato a vice-presidente da República
na chapa encabeçada pela ministra da Casa Civil,
Dilma Rousseff (PT).
“Nós estamos inteiros no projeto do PMDB
nacional: Dilma presidente e Michel Temer vice”,
resumiu o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes.
“ Nós todos indicamos o seu nome para ser o nosso futuro vice-presidente
da República”, reforçou o ministro das Comunicações,
Hélio costa.
O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral,
lembrou que Temer preside a Câmara pelo terceiro
mandato e representa o estágio de “unidade” do
partido.
“Eu sei que o discurso da candidatura própria
nos anima. Mas é preciso análise e avaliação
do processo. Neste momento, não há por que
explicar ao povo como abrir mão de um projeto que
incluiu 40 milhões de brasileiros na classe média”,
afirmou Temer em referência ao governo Lula.
O encontro peemedebista deste sábado (6) definirá a
Executiva Nacional. Temer, que é presidente licenciado
da legenda, deve ser reeleito. Contudo, o governo petista
não simpatiza com o nome do parlamentar paulista.
O presidente Lula chegou a pedir que o PMDB enviasse uma
lista tríplice para o PT escolher o nome do vice
de Dilma.
Também prestaram apoio a Temer os governadores
Paulo Hartung (Espírito Santo), Eduardo Braga (Amazonas),
e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.
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Gazeta do Povo, 7 de fevereiro
de 2010
desenvolvimento
O PIB traz felicidade?
Em seu modelo atual, principal
indicador da economia deixa brechas na avaliação
do desenvolvimento do país
Se houvesse uma eleição para número
mais importante da economia, o Produto Interno Bruto (PIB)
provavelmente venceria no primeiro turno. Cortejado por
economistas, que tentam decifrar suas nuances e tendências,
e por políticos, cuja sorte muitas vezes depende
de uma expansão forte para mostrar ao eleitorado,
o PIB é uma espécie de síntese da
trajetória de um país. Mas sua escolha não
seria sem oposição: cada vez mais economistas
pedem uma alternativa viável para medir desenvolvimento
sem as falhas que traz a simplicidade do PIB.
A principal crítica ao uso do PIB como determinante
de políticas públicas é que ele não
mede o bem-estar das pessoas. Há também outros
buracos, como o fato de ele não englobar atividades
que estão fora dos mercados (como o trabalho doméstico
não remunerado), a ineficiente incorporação
de serviços prestados pelo Estado (como atendimento
de saúde) e sua omissão sobre os impactos
ambientais das atividades produtivas.
No ano passado, uma comissão liderada por dois
vencedores do Nobel de economia – Joseph Stiglitz
e Amartya Sen – entregou um relatório sobre
o assunto encomendado pelo presidente da França,
Nicolas Sarkozy. O objetivo era apresentar um caminho para
desenvolver uma alternativa ao PIB. A recomendação
dos especialistas é que o novo indicador foque na
economia dos domicílios, o que levaria em conta
o rendimento real das famílias, e não a média
da economia dada pelo PIB per capita. Com isso, seria corrigida
uma distorção importante na medição
do produto: o aumento na riqueza de uma camada pequena
da população pode elevar o PIB per capita
sem melhorar a qualidade de vida da maioria da população.
Outra recomendação é que o novo indicador
vá além da medição numérica
da renda, para englobar o sentimento de bem-estar. É certo
que a qualidade de vida aumenta com acesso a educação,
saúde e bons empregos, algo que geralmente é melhor
em países de maior renda. Mas o time dos notáveis
contratado por Sarkozy propõe algo mais subjetivo,
a medição da satisfação das
pessoas com suas vidas. Diversas pesquisas têm se
debruçado em descobrir o grau de felicidade da população
e isso agora poderia completar a medida do desenvolvimento
econômico. As pessoas podem, por exemplo, ficar mais
ricas, mas sem tempo para o lazer, ou com problemas de
saúde causados pelo estresse.
O relatório também prega a adoção
de indicadores de sustentabilidade. No modelo atual de
medição do PIB, não é levado
em conta que a próxima geração contará com
menos recursos naturais, terá o ar mais poluído,
ou máquinas e prédios velhos e degradados.
O ponto mais importante nessa crítica é o
ambiental. A medição normal do produto considera
a extração de um minério, por exemplo,
como um aumento da produção, sem levar em
conta a redução no estoque disponível.
Desenvolvimento
“O PIB não é a soma das riquezas,
como dizem, é a uma medida da atividade, da demanda
agregada em um período. Ele independe do produto
ser usado para o bem ou para o mal. E é uma forma
indireta de medir emprego”, define o economista Carlos
Young, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ) e especialista na área de recursos naturais.
O indicador, segundo o professor, é limitado por
não mostrar como ocorre a produção – se
de forma sustentável ou não – e não
deve ser usado como medida de desenvolvimento de longo
prazo.
Para Young, porém, os defeitos do PIB não
são razão para que ele seja completamente
descartado. “Ele continuará a ser usado, mas
precisa ser aperfeiçoado”, diz. Uma das mudanças
seria uma medição mais acurada da nova economia – serviços
prestados pela internet, por exemplo, e que escapam da
medição oficial. Além disso, ele sugere
que seja criado um componente de sustentabilidade que possa
ser associado ao PIB para que se registre o impacto da
produção sobre os recursos naturais. Para
isso, seria necessário coletar dados, criar indicadores
e depois fazer a relação com a atividade
econômica.
Economistas mais críticos do PIB preferem uma abordagem
nova, como propõe a dupla Stiglitz-Sen. “A
ideia do relatório de medir a renda dos domicílios
ao invés da produção das fábricas é boa
porque dá uma visão mais realista da qualidade
de vida das pessoas”, diz o economista Ladislau Dowbor,
professor da PUC-SP. “Fazemos uma conta errada, que
não apresenta os resultados da economia. A produção
de um carro a mais é apresentada como crescimento,
mas não se leva em conta o tempo perdido em congestionamentos”,
comenta. A gasolina gasta no trânsito parado, aliás,
também integra o PIB.
A tentativa mais bem-sucedida de complementar o conceito
de PIB foi o Índice de Desenvolvimento
Humano (IDH), criado pela Organização das
Nações Unidas (ONU) e que leva em conta,
além do PIB per capita, indicadores de educação
e saúde. “O IDH foi um passo adiante para
guiar políticas públicas, mas mesmo ele é bastante
limitado. Uma elevada esperança de vida aumenta
o IDH, mas não sabemos se a vida das pessoas tem
qualidade. Quando as crianças estão matriculadas
na escola, ele também sobe, mas não sabemos
se elas estão aprendendo”, pondera Geraldo
Biasoto Jr., diretor da Fundação de Desenvolvimento
Administrativo de São Paulo (Fundap), e que em 2004
participou da elaboração do Índice
DNA Brasil, uma tentativa de agregar indicadores complexos
sobre a qualidade de vida no país. “Hoje temos
muito dados além do PIB para guiar as políticas
públicas. Talvez não seja o caso de buscarmos
algo muito sintético, mas de aproveitar melhor informações
segmentadas.”
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Gazeta do Povo, 7 de fevereiro de 2010
Entenda as questões do PIB
Contradições
Indicador tem distorções
Quando um economista diz que o PIB vai crescer 5%, como se tem projetado
para o desempenho do Brasil em 2010, significa que haverá mais
produção, mas não é possível dizer
a que custo porque a conta guarda dezenas de contradições.
Um exemplo bastante usado é o dos acidentes de trânsito.
Quando há uma colisão, o PIB aumenta, pois há demanda
por serviços de oficinas e peças. Em casos mais graves,
são exigidos serviços e materiais médicos. O
PIB esconde que, no fundo, há um desperdício.
“Quando você bebe água mineral, contribui mais
para o PIB do que tomando água da torneira. Mas não
se leva em conta que o impacto ambiental de uma garrafa de plástico
e do transporte em caminhões é exponencialmente maior
do que abrir a torneira”, compara o economista Ladislau Dowbor,
professor da PUC-SP. Assim, o PIB se torna um guia distorcido para
políticas públicas, dando mais espaço para a
quantidade do que para a qualidade.
Outra contradição é que o PIB é pouco útil
para se medir a herança das gerações futuras. “Ele
diz bem o que a economia produz agora, mas não indica se isso é sustentável”,
diz o economista Carlos Young, professor da UFRJ. Assim, a exploração
de recursos naturais aparece nas estatísticas como crescimento
do PIB, sem indicar se essa atividade deixará como herança
maior qualidade de vida. (GO)
Renda é um fator de satisfação
O uso do PIB como medida para guiar políticas públicas
tem muito a ver com sua simplicidade e com o fato de ele ser uma avaliação
aproximada da direção para onde vai a renda e o emprego.
Para as alternativas de medição o que vale são
os resultados da atividade econômica. Na tentativa de mostrar
o tamanho da lacuna no PIB, uma equipe da ONG Redifining Progress calculou
a evolução da economia dos Estados Unidos usando um novo
método, o Indicador de Progresso Genuíno (IPG). Ele retira
do PIB os custos com acidentes de trânsito, degradação
do meio ambiente, de deslocamento nas grandes cidades, entre outros.
A conclusão foi que, de 1950 a 2004, o IPG dos EUA cresceu a
uma taxa anual de 4%, enquanto o PIB subiu 9% ao ano – a qualidade
de vida, portanto, melhorou menos do que dizem os números do
PIB.
Outra metodologia alternativa é o índice de Felicidade
Interna Bruta (FIB). A ideia apareceu no Butão em 1972 – pequeno
país da região do Himalaia – e ganhou adeptos
entre economistas que estudam a relação entre riqueza
e felicidade. O FIB engloba sete variáveis de qualidade de
vida, inclusive uma econômica. Quase 30 anos depois, o FIB
inspirou uma série de estudos sobre bem-estar e felicidade.
“Aumentos de renda tendem a elevar a satisfação
das pessoas com suas vidas nas camadas mais pobres. A partir do ponto
em que a renda ultrapassa um certo nível, em torno de US$
10 mil por ano, a relação entre dinheiro e felicidade
passa a ser mais tênue”, comenta o economista Ladislau
Dowbor, professor da PUC-SP. Isso significa que após deixarem
a condição de pobreza, as pessoas passam a dar mais
valor para a qualidade de vida e não tanto para a renda.
Os estudos mostram, porém, que os países mais ricos
tendem a ter populações mais felizes. O pesquisador
Adrian White, da Universidade de Leicester, na Inglaterra, fez um índice
de satisfação com a vida que foi liderado pela Dinamarca,
em companhia de outros países pequenos e ricos, como Suíça
e Áustria. Em outro índice, chamado de World Happiness
Database e que reúne dados de centenas de pesquisas, a Dinamarca
aparece em segundo lugar, atrás da Costa Rica – uma
das nações mais estáveis (na economia e na política)
da América Latina.
Os diferentes rankings de satisfação com a vida trazem
no fim da lista as nações mais pobres do planeta, quase
todas na África. Países de renda intermediária,
como o Brasil, se destacam em alguns estudos, principalmente aqueles
que dão maior peso para pesquisas de opinião. Estão
na frente nações menores, com sociedades mais homogêneas,
desigualdade pequena, boa renda per capita (e não necessariamente
a maior renda), serviços públicos de qualidade e que
prezam a conservação do meio ambiente. Ser mais rico
ajuda a elevar a felicidade da população, mas não é a única
condição para isso. (GO)
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Gazeta do Povo, 7 de fevereiro
de 2010
Relações Internacionais
China x EUA, a nova
polarização do poder
Bom desempenho na saída
da crise tornou Pequim mais confiante para falar alto também
em questões diplomáticas
A ameaça do Google de sair da China após
ataques a seus sistemas pode se revelar um episódio
comparável ao assassinato do arquiduque Francisco
Ferdinando da Áustria, em 1914, estopim da
Primeira Guerra Mundial. A afirmação, do
editor da revista americana Fortune Adam Lashinsky,
soa exagerada, mas dá uma ideia da preocupação
trazida pela nova reação chinesa às
costumeiras críticas ocidentais.
Aparentemente, EUA e China trarão cada vez mais
suas diferenças políticas para a arena econômica.
O atrito pela venda de armas “made in USA” a
Taiwan, a briga cambial e a ojeriza chinesa ao encontro
de um presidente americano com o dalai-lama são
fatos recorrentes na História.
O que mudou é que agora a China mostra
estar disposta a ameaçar acordos comerciais – ainda
que benéficos a ela – para defender o status
quo de seu regime autoritário, as execuções
e prisões de opositores, a censura explícita,
entre outros detalhes espinhosos que permeiam a identidade
chinesa desde a revolução de 1949.
Após a resposta da China à crise econômica,
muito mais rápida que a americana, o país
está mais confiante para também erguer a
voz na diplomacia.
“A questão é maior do que uma disputa
de câmbio ou um caso de espionagem comercial. É sobre
uma China confiante que cada vez mais quer confrontar,
reagir e desafiar os EUA, que por sua vez parece
cada vez mais fraco e inseguro”, diz Lashinsky.
Por outro lado, a China se parece cada vez mais
com os EUA. As inéditas retaliações
comerciais ameaçadas por Pequim como resposta ao
negócio de US$ 6,4 bilhões em venda
de armas americanas a Taiwan mimetizam hábitos
ocidentais. E, assim como os EUA jogam para a plateia no
caso do câmbio, a China agrada sua população
ao desafiar os padrões ocidentais de pensamento.
Essas ideias são tratadas no livro que
está para ser lançado The End of the Free
Market: Who Wins the War between States and Corporations?
(O fim do livre mercado: quem ganha a guerra entre Estados
e companhias, em tradução livre), de Ian
Bremmer, consultor da Erasia Group.
Batalha cambial
Talvez o problema mais sério na relação
do mundo com a China, ainda que não novo, seja a
desvalorização artificial do yuan (estimada
entre 25% a 40%) como estratégia competitiva
de exportação. Analistas temem que o endurecimento
de Washington pela correção cambial resulte
numa recusa ainda mais teimosa. “Há a possibilidade
plausível de que a China reconheça que precisa
permitir que sua moeda reflita o mercado. Mas, se houver
pressão explícita muito forte,
fica mais difícil tomar esse passo”, afirma
Roy.
As rusgas parecem desnecessárias quando se observa
a interdependência das duas economias. “Hoje
não tem como falar em China sem Estados Unidos nem
o contrário, no campo econômico ou no estratégico”,
diz a professora de relações internacionais
da Universidade do Estado de São Paulo (Unesp) Cristina
Pecequilo.
Mas, como ela frisa, a forte pressão exercida sobre
o governo americano por grupos defensores dos direitos
humanos pesa muito na popularidade de Barack Obama. Para
eles, o país que é o paladino da
democracia no mundo não pode negociar livremente
com outro em que a oposição ao governo é sufocada.
Futuro
Ainda que diferente de todas as outras, a atual crise
aberta dentro do “G2” (como é chamada
a dobradinha dos gigantes) é considerada
passageira. “Os chineses estão reagindo mais
firmemente, mas não de uma forma que ameace a relação
entre os países”, acredita o professor Stapleton
Roy, diretor do Instituto Kissinger para a China e os EUA
do Woodrow Wilson Center.
Em opinião publicada sobre o tema, a revista Economist
sugere que o ideal seria aproveitar a pressão do
momento para cobrar da China uma postura diante dos grandes
problemas globais, como o clima, condizente com seu tamanho
e com resultados de longo-prazo.
G2 abalado
As rusgas diplomáticas
entre Estados Unidos e China se multiplicaram nas últimas
semanas:
Google
Em janeiro, o Google ameaçou encerrar suas operações
na China em decorrência do crescente ataque de hackers
a seu serviço de buscas, e acabou colocando a questão
delicada da censura chinesa à internet na jogada.
A secretária de Estado americana, Hillary Clinton,
criticou a falta de liberdade, o que foi rechaçado
por Pequim.
Armas para Taiwan
Há uma semana o Pentágono enviou ao Congresso
uma proposta de venda de armas para Taiwan no valor de
US$ 6,4 bilhões.
Para a China, que considera a ilha de Formosa uma “província
rebelde” apesar da separação entre
os Estados em 1949, o negócio representa interferência
em questões internas.
Dalai-lama
Nesta semana, a Casa Branca confirmou um encontro entre
o presidente Obama e o líder espiritual do Tibete
para fevereiro. A China reagiu, já que considera
o religioso exilado uma ameça desde a anexação
do Tibete, em 1959, e das revoltas decorrentes.
Apoio ao Irã
Os EUA insistem para que Pequim use sua força na Ásia
e pressione os aiatolás para encerrar o programa
nuclear.
A China prefere o diálogo a impor mais sanções.
Yuan artificial
Obama pressiona a China para que permita que sua moeda
flutue, acusando o país de comprar dólares
para valorizá-lo, consequentemente desvalorizando
o yuan.
Fonte: Da Redação
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Folha de S.Paulo, 7 de
fevereiro de 2010
Pós-governo,
Lula planeja militância internacional
DA REPORTAGEM LOCAL
A maior inquietação daqueles que hoje completam
três décadas dentro do PT parece ser qual
papel o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principal
referência da sigla, terá nas instâncias
partidárias ao término de seu segundo mandato. É Lula
quem traçará o próprio rumo, repetem
dez de cada dez petistas. Porém, os que conhecem
o presidente na intimidade e o acompanham desde a fundação
do PT não têm dúvida: ele não
almeja o posto de oráculo do partido nem deverá se
propor a ser a sombra de um eventual governo de Dilma Rousseff,
caso vença a eleição.
As homenagens e os títulos internacionais recém-concedidos
a Lula, sobretudo o de estadista global no Fórum Econômico
Mundial em Davos, Suíça, o coloca num patamar que os
petistas definem hoje como o de "militante internacional". " Não
cabe a um ex-presidente agir como chefe de partido, e Lula tem dito
que quer colaborar em atuações fora do Brasil",
confidenciou um petista próximo ao presidente.
Para o governador de Sergipe, Marcelo Déda, companheiro histórico
do presidente, Lula terá que decidir se fará "uma
militância mais ampla que o PT ou uma militância partidária".
E o próprio Déda responde: "Lula é hoje um
estadista que não é do "mainstream", mas com
o pé no Terceiro Mundo. Abre-se aí um novo campo de atuação.
O acúmulo que terá como chefe de Estado o coloca numa
situação em que não poderemos ser egoístas
a ponto de querermos reduzi-lo ao PT".
A integrantes do primeiro escalão de seu entorno, Lula revelou
que além de uma atuação internacional pretende
também retomar viagens pelo interior do Brasil. Faria isso por
pelo menos seis meses. O que poderia ser entendido como uma nova versão
da Caravana da Cidadania -promovida no Brasil por Lula em 1993-, parece
ser a intenção de fazer caravanas por uma nova cidadania,
definem interlocutores do presidente.
Na visão de Lula, seu governo promoveu uma enorme mobilidade
social, e essa nova massa de cidadãos lentamente incorporada
ao sistema social e ao mercado de consumo permanece alijada das esferas
políticas. Segundo um ministro, Lula quer ir ao encontro dessas
pessoas para discutir política, "mas não deve fazer
isso a partir nem por dentro do PT". "O presidente deverá fazer
essas viagens sem corte partidário", arriscou outro auxiliar
de Lula.
Lula diz que voltará a São Bernardo do Campo assim que
deixar a Presidência. Mas a vida do fundador do PT, 30 anos depois,
não cabe mais no reduto sindicalista do ABC.
(MALU DELGADO)
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Conjur, 7 de fevereiro
de 2010
Entre concorrentes
Entidade de classe não
pode trocar informações estratégicas
Por Leonor Cordovil e Mauro
Grinberg
A Secretaria de Direito Econômico, do Ministério da Justiça,
editou, em 2009, uma cartilha denominada “Combate a Cartéis
em Sindicatos e Associações”. Existem algumas acusações
de práticas de cartel formuladas contra entidades de classe e
que tramitam pelo Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência.
Enfim, a matéria é controversa e merece atenção.
O artigo 15 da Lei 8.884, de 1994 (Lei Concorrencial),
dispõe que ela é aplicável às
pessoas físicas ou jurídicas de direito público
ou privado, bem como a associações de entidades
ou pessoas, constituídas de fato ou de direito,
ainda que temporariamente, com ou sem personalidade jurídica.
Já o inciso II do artigo 21 da mesma lei prevê,
como infração contra a ordem econômica, “obter
ou influenciar conduta econômica uniforme ou concertada
entre concorrentes”.
Tais fragmentos deixam muito claro que, ao contrário
do que muitos empresários pensam, as entidades de
classe não constituem ambientes seguros para trocas
de informações, inexistindo dúvida
de que a própria entidade – além de
seus filiados – pode ser investigada. Documentos,
atas, pautas, dados guardados nas instalações
das entidades podem ser objeto de ações de
busca e apreensão – e já o foram – em
decorrência do disposto no artigo 35-A da Lei Concorrencial.
O artigo 23 da Lei Concorrencial, que dispõe sobre
as penas a serem aplicadas aos infratores dos termos da
mesma lei, determina que a multa será de 6 mil a
6 milhões de UFIRs no caso de penalidades aplicadas às
entidades ou pessoas constituídas de fato ou de
direito que não exerçam atividade empresarial.
Além disso, os administradores das entidades podem
ser condenados, civil e criminalmente, nos termos do artigo
16 da Lei Concorrencial.
Limites das entidades de classe
As entidades de classe desempenham papel fundamental na
legítima representação de seus filiados.
O artigo 5º, inciso XVII, da Constituição
Federal dispõe que é plena a liberdade de
associação para fins lícitos, vedada
a de caráter paramilitar. Mas a linha entre o que é lícito
e o que é ilícito é tênue, e
aqui já se focaliza o direito da concorrência:
do que podem tratar, em suas reuniões ou outros
eventos, os filiados de uma entidade de classe?
Uma entidade de classe tem por objetivo defender e proteger
os interesses legítimos e comuns de um mercado ou
setor específico da economia. Na maioria dos casos,
seus membros são integrantes do mesmo setor, o que
significa que muitas vezes são concorrentes diretos.
Assim, suas reuniões ou eventos não podem,
sob pena de serem considerados infrações
contra a ordem econômica, ser local de troca de informações
entre concorrentes.
Os riscos dessas trocas de informações são
evidentes: acusações de prática de
cartel, que constitui a colusão entre empresas que
devem competir entre si e que, desta forma, eliminam total
ou parcialmente a concorrência, em detrimento dos
adquirentes dos produtos ou serviços dessas empresas.
Sabe-se que cartéis podem ser feitos por meio de
fixação de preços, delimitação
dos territórios de ação dos concorrentes,
acertos de condições em concorrências
públicas ou privadas, etc. Entre as várias
práticas cartelizadoras está a troca de informações
estratégicas, que elimina total ou parcialmente
a concorrência.
As entidades de classe devem observar vários cuidados,
entre eles a natureza de reuniões e eventos, as
informações e os dados discutidos, o seu
potencial de eliminar total ou parcialmente a concorrência.
A partir destas observações, as entidades
de classe podem e devem ter os cuidados necessários
para que suas atividades conduzem à realização
de seus objetivos legítimos e lícitos.
A natureza das reuniões
Reuniões são lícitas até prova
em contrário. O que se pode discutir basicamente é o
que afeta o setor como um todo, como, por exemplo, matéria
tributária (ex.: mudança de determinada alíquota),
campanhas institucionais de promoções gerais
(ex.: estímulo à ingestão de determinada
fruta), representação do setor perante autoridades
(ex.: dificuldade de importação de determinado
insumo utilizado por todos), etc.
O que não se pode discutir é bem mais claro,
a começar pelos preços praticados e sua composição.
Tudo o que for informação estratégica
(ex.: nível de estoque, capacidade produtiva, preços
pagos pelos insumos, etc.) deve ser motivo de suspeita.
Ao se percorrer a lista do artigo 21 da Lei Concorrencial,
pode-se ter uma idéia (ainda que limitada, pois
a lista não é taxativa) do que é proibido.
Aliás, a mera troca de informações
já permite que as empresas alterem seus comportamentos
no mercado, deixando de efetivamente competir pois já conhecem
as reações dos concorrentes, o que vale para
todos. Quando já se sabe o que o outro fará ou
poderá fazer, a concorrência é prejudicada
e os adquirentes pagam mais e/ou obtém produtos
ou serviços piores.
Podemos agora passar a ter algumas idéias
mais claras que bem ilustram tudo o que vai acima exposto:
a) Ao verificar se deve ou não
participar de uma entidade de classe, a empresa deve verificar
se o estatuto da entidade prevê atividades que podem
ser consideradas contrárias à livre concorrência
(ex: representar os filiados em negociações
comerciais). Ante qualquer item considerado problemático, é aconselhável
não ingressar na entidade, ou, sendo condição
necessária para participar de um determinado setor,
ingressar mas não participar das atividades.
b) Antes de participar de qualquer reunião,
a primeira providência é o exame da pauta
para constatar se os itens a serem discutidos podem sê-lo. É preciso
cuidado extremo com o quase onipresente item “outros
assuntos de interesse geral”, que normalmente esconde
problemas que devem ser evitados. O ideal é não
tê-lo na pauta.
c) Ao participar de uma reunião
de entidade de classe e se algum assunto fora de pauta
for tratado, e se esse assunto puder constituir infração
contra a ordem econômica, é preciso alertar
os demais participantes e, se a discussão continuar, é preciso
deixar imediatamente o local, pedindo para que esta saída
conste de ata e, mais do que isso, enviar mensagem à entidade
esclarecendo o motivo da saída (isso pode constituir
prova futura em caso de acusação de prática
contrária à ordem econômica).
d) Ao receber a ata, ainda que não
tenha ocorrido qualquer incidente, deve-se verificar com
grande cuidado os seus termos, para evitar que alguma conclusão
seja tirada equivocadamente. Se tiver ocorrido saída
nos termos da letra anterior, e se essa saída não
tiver sido convenientemente noticiada na ata, é muito
importante que seja passada mensagem a todos os participantes
da reunião, também nos termos da letra anterior.
Exemplos úteis
A instituição de “listas negras”,
privando determinadas pessoas de participarem de negócios
com os filiados da entidade, só tem legitimidade
quando estas lista contempla a inadimplência de parceiros
de negócios, sendo que isto pode ser considerado
mecanismo de proteção.
As informações sobre os mercados só podem
ser fornecidas quando agregadas e históricas. Informações
agregadas são aquelas que não esclarecem
os nomes das empresas; ex.: tal produto contemplou vendas
de tantas unidades, não se podendo esclarecer os
números de unidades vendidos por cada empresa (evidentemente
se se tratar de duopólio isso não vale).
Informações históricas são
as que são tomadas no passado, em geral com um certo
número de meses de distanciamento.
A instituição dos chamados “selos
de qualidade” por entidades de classe só é legítima
quando não é discriminatória, ou seja,
quando não tem em vista a exclusão de determinadas
empresas da concorrência (ex.: definição
de determinado produto que, assim classificado, passa a
ser viável apenas para uma ou poucas empresas).
A atividade das entidades de classe é meritória,
legítima e interessante para a economia e para os
consumidores. Mas cuidados são necessários
para que tal atividade não caracterize qualquer
tipo de infração contra a ordem econômica,
eliminando a concorrência
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