 |
O ESTADO DO PARANÁ, 03 de março
de 2010 | Economia
Atividade na indústria ficou
estável em janeiro
A sondagem industrial da Confederação Nacional da Indústria
(CNI) revelou que a produção em janeiro ficou praticamente
no mesmo patamar que dezembro. A estabilidade foi medida pelo índice
que reflete a percepção dos industriais em relação
à produção naquele mês. No caso, o de janeiro
ficou em 49,2 pontos. De acordo com os critérios da sondagem,
o indicador vai de zero a cem, sendo que números inferiores
a 50 denotam queda e acima, aumento da produção. "O
número de 49,2 ficou muito perto da margem de 50 pontos, dizemos
que houve estabilidade", comentou o gerente da unidade de pesquisa
da CNI, Renato da Fonseca. Essa é a primeira vez que a sondagem
industrial é apurada mensalmente. Até o final de 2009,
a CNI realizava a pesquisa trimestralmente.
A sondagem verificou que em
janeiro o uso da capacidade instalada da indústria ficou abaixo
do usual para meses de janeiro. O índice relativo a essa pergunta
ficou em 48,3 pontos. Os estoques também estão abaixo
do esperado, com índice de 48,5. "Janeiro é um mês
fraco para a indústria. O fato de não ter havido evolução
ante dezembro não é tão ruim. Foi até um
bom resultado", comentou Fonseca.
Já a expectativa
dos empresários para os meses futuros é positiva, com
todos os índices acima de 50: o relativo à demanda ficou
em 66,2; o que mede o futuro das exportações ficou em
53,5; e o que trata da percepção quanto à compra
de matérias-primas ficou em 63,4. A pesquisa CNI foi feita entre
os dias 1º e 24 fevereiro junto a 1.211 indústrias.
|
Valor Econômico, 3 de
março de 2010
Acordos salariais mais fáceis
e com ganho real maior
Reajustes acima da inflação -
obtidos por categorias com data-base em janeiro e fevereiro - variam
de 0,8% a quase 4%; acordos fechados com até um mês e meio
de antecedência em relação a 2009
Por Samantha Maia, Júlia Pitthan, Sérgio
Bueno e Marli Lima,
No Valor Econômico
O ano de 2010 começou
com perspectivas melhores para os trabalhadores. A combinação
de baixa inflação e expectativa de crescimento da economia
está resultando em campanhas salariais vitoriosas, com negociações
mais rápidas, sem greves, e com aumentos reais superiores aos
negociados em 2009.
Os reajustes acima da inflação
- obtidos por categorias com data-base em janeiro e fevereiro - variam
de 0,8% a quase 4%, e os acordos estão sendo fechados com até
um mês e meio de antecedência em relação a
2009.
Outro
ambiente
"Os sindicatos estão encontrando outro ambiente para negociar,
bem diferente do ano passado quando as incertezas da crise econômica
preocupavam o empresariado", diz o diretor técnico do Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
(Dieese), Clemente Ganz Lúcio.
Também contribui a menor
inflação. Nos 12 meses terminados em dezembro ou janeiro,
ela ficou entre 4,11% e 4,36%, bem abaixo da inflação
superior a 6% de igual período do ano passado.
Para Lúcio, a tendência
para 2010 é que as greves ocorram para buscar mais benefícios,
e não para impedir perdas. "Trabalhamos com perspectiva
de crescimento econômico de 5% a 6% neste ano, e isso eleva a
disputa por mão de obra, pressionando os salários",
diz.
Dessa forma, é possível
que o número de categorias a conseguirem ganhos reais fique acima
dos 77% do ano passado (primeiro semestre).
BA:
construção civil
Na Bahia, os trabalhadores da construção conseguiram o
maior índice de reajuste entre os setores levantados pelo Valor,
de 8%, considerando uma inflação de 4,11% no período.
Para o piso, o reajuste foi de 10%. No ano passado, o aumento foi de
9,68%, mas como a inflação foi maior, o ganho real ficou
abaixo do de 2010.
Segundo Raimundo Brito, presidente
do Sintracon-BA, entidade que representa a categoria, o crescimento
do mercado mobiliário foi determinante para o resultado. "As
empresas não tinham como negar o crescimento e, como há
muitos imóveis sendo entregues, uma greve ia complicar muito
a situação", diz.
Os empregados chegaram a indicar
uma greve para o dia 22 de fevereiro, mas conseguiram fechar acordo
três dias antes. No ano passado, o acordo foi fechado só
em 25 de março. Além do reajuste real, a categoria conquistou
plano de saúde e aumento da cesta básica de R$ 45 para
R$ 70.
CE:
comerciários
No Ceará, os comerciários conseguiram aumento de 7,75%
e reajuste do piso salarial de R$ 465 para R$ 560. Em Franca, no interior
de São Paulo, as negociações estão travadas
por conta de um problema jurídico. Há dois sindicatos
representando os trabalhadores, e enquanto não ficar definido
qual entidade ficará à frente da negociação,
as empresas vão dar apenas a reposição da inflação.
O reajuste de 5,5% foi considerado
importante pelos trabalhadores do segmento de artefatos de couro de
Franca (SP) por garantir ganho real, mas a categoria esperava mais num
ano de crescimento do setor. Segundo Carmem Silva, presidente do sindicato
dos funcionários, a reivindicação inicial era de
alta de 12%.
"Tínhamos uma expectativa
melhor, porque, pelo que acompanhamos, as empresas estão bem
e contratando." O acordo foi fechado um mês e meio antes
da data de assinatura de 2009, o que mostra uma maior disposição
de negociação das partes.
Construção
civil
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de
Cerâmica, Construção Civil e Fibrocimentos de Criciúma
e Região, os 4,9 mil funcionários da categoria vão
receber aumento de 6,11% - 2% de ganho real somados aos 4,11% de reposição
da inflação pelo INPC. "As indústrias estão
em boa fase e conseguimos um aumento razoável", opina Itaci
Sá, presidente da entidade.
O presidente do Sindicato das
Indústrias de Cerâmica Para Construção e
de Olaria de Criciúma (Sindiceram), Ottmar Müller, explica
que "o cenário econômico está bem mais claro
do que no ano passado, por isso, proporcionalmente, o aumento real foi
maior". Em 2009, os trabalhadores da categoria receberam 7,9% -
1,6% de aumento real e 6,2% do INPC.
Este ano, o maior ganho foi
no salário de admissão da categoria, que subiu 12% e atingiu
R$ 680. Ele vale por 120 dias. Depois, o trabalhador passará
a receber R$ 865, de acordo com o novo acordo.
Têxteis
Os trabalhadores têxteis de Joinville, que fecharam acordo em
fevereiro, tiveram aumento de 5,16% - 4,36% de INPC no período
e 0,8% de ganho real. Em 2009, o reajuste foi de 7%: 6,46% de INPC e
0,57% de ganho real. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores
da categoria, Livino Steffens, o maior ganho incidiu sobre o piso de
experiência, válido por 90 dias no momento da contratação
do trabalho.
Ele passou de R$ 534,60 para
R$ 618, 20, equiparando-se ao piso de contratação definitiva.
Segundo Livino, a aprovação do mínimo regional
- que começou a valer em janeiro e estabeleceu o piso de R$ 616
para a categoria - influenciou no aumento.
Os 18 mil metalúrgicos
de Jaraguá do Sul (SC) e região vão receber 6%
de reajuste em 2010. O acordo fechado em janeiro concedeu 4,11% de INPC
e 1,89% de ganho real. Em janeiro do ano passado, o acordo foi fechado
em 8% - 1,67% de ganho real e 6,33% de inflação.
PR:
vigilantes
A primeira negociação salarial fechada em 2010 em Curitiba
também resultou em ganho real. Os vigilantes patrimoniais nem
precisaram fazer greve para conseguir reajuste de 4,6% no piso da categoria,
39% de aumento no adicional de risco e 9% na ajuda para alimentação,
que resultou num ganho total de 7,42%, acima da inflação
de 4,36%, acumulada de fevereiro de 2009 a janeiro de 2010.
Sandro Silva, economista do
Dieese, explica que muitas categorias não têm adicional
de risco e alimentação previstos na convenção
coletiva, como no caso dos vigilantes, mas mesmo assim são esperados
bons resultados nas negociações que virão pela
frente.
"A expectativa que temos
é de aumento de patamar de ganho real", diz ele, citando
a recuperação da economia como fator que deve favorecer
os trabalhadores.
Calçadistas
Com data-base em 1º de fevereiro, os trabalhadores nas indústrias
de calçados de Sapiranga, no Rio Grande do Sul, aceitaram na
semana passada a proposta de aumento real de 1,72% apresentada pelas
empresas do setor.
O ganho é o maior das
três últimas negociações (ela havia sido
de 0,98% em 2009 e de 1,29% em 2008), mas o índice total caiu
em relação ao ano passado, devido à desaceleração
do INPC no acumulado dos últimos 12 meses, para 4,36%.
Conforme o assessor da diretoria
do Sindicato dos Sapateiros da cidade, Adelino Frank, o reajuste somou
6,15%, ante 7,41% no ano passado, quando o INPC alcançou 6,43%.
O acordo foi fechado após três reuniões com o Sindicato
das Indústrias de Calçados de Sapiranga e vale também
para os municípios de Nova Hartz e Araricá. As calçadistas
da região empregam cerca de 20 mil pessoas.
No início das negociações,
os trabalhadores pediram um reajuste total de 10%, mas as empresas ofereceram
4,75%. Segundo o diretor do Sindicato dos Sapateiros, Hermes Tavares
dos Santos, apesar do cenário mais favorável no mercado
interno, as indústrias ainda alegavam perdas nas exportações
para justificar a oferta modesta.
Funcionários de algumas
empresas chegaram a realizar paralisações de cinco minutos
a um dia para pressionar por um aumento maior, disse o sindicalista.
Santos admite que em 2009 houve
"mais demissões do que contratações"
no setor na cidade, mas no fim do ano a situação começou
a melhorar. Segundo ele, nos dois últimos meses as empresas recorreram
a carros de som, cartazes em bares e anúncios em rádios
locais para buscar mão de obra.
Após atingir pico de
743 em agosto, o número de rescisões homologadas pelo
sindicato começou a cair em setembro e em janeiro atingiu o menor
patamar em 11 meses, com 95 demissões, ante 189 em igual período
de 2009.
Os empregados do setor moveleiro
de Bento Gonçalves, também com data-base em fevereiro,
assinam hoje o acordo com as empresas. De acordo com o presidente do
Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção
e do Mobiliário, Ivo Vailatti, a categoria terá reajuste
total de 5,75%. O índice representa ganho real de 1,33%, ante
0,82% em 2009, mas ainda abaixo do 1,56% obtido em 2008.
"O setor está mais
aquecido e a por isso conseguimos um acordo melhor do que o do ano passado",
explicou Vailatti. Segundo ele, o piso da categoria, para jornada mensal
de 220 horas, teve aumento real de 2,5%, ante 2% em 2009. Com o reajuste
total de 7%, a menor remuneração subiu para R$ 665, válida
para funcionários contratados há até dois meses.
De dois a seis meses de contrato, o piso subiu para R$ 700 e, acima
disso, para R$ 780. (Intertítulos do Diap)
|
O ESTADO DO PARANÁ,
03 de março de 2010 | Economia
Sindicatos pressionam por redução
da jornada
As centrais sindicais vão aproveitar o clima eleitoral para pressionar
o Congresso a aprovar no primeiro semestre a Proposta de Emenda à
Constituição (PEC) que reduz a jornada de trabalho das
atuais 44 horas para 40 horas semanais. "Se for à votação
este ano, a proposta será aprovada", afirmou o presidente
da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique. "Temos
de aproveitar o momento e tentar incluir o tema prioritário para
votação ainda no primeiro semestre."
A mesma certeza tem o secretário-geral
da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna.
"Na votação, ficará claro quem é o
parlamentar que defende o trabalhador. E isso conta bastante, porque
daqui a alguns meses os parlamentares serão julgados nas urnas."
Os sindicalistas atuam em duas frentes na batalha pela redução
da jornada. Ao mesmo tempo em que pressionam os parlamentares, buscam
abrir negociações com empresas e setores de atividade,
tendo como instrumento de pressão a ameaça de greves.
A proposta de redução
da jornada incendiou as discussões tanto entre empresários
e centrais sindicais quanto entre os seus representantes no Congresso.
O presidente da CUT argumenta que a última vez que houve redução
de jornada no País, de 48 para 44 horas, foi na Constituinte
de 1988. Ele frisa que desde então a produtividade do trabalho
na indústria de transformação saltou 84%, segundo
o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). "Esses
ganhos não foram repassados aos trabalhadores."
"É um discurso
eleitoreiro e oportunista, já que em todos os países onde
a jornada foi reduzida por lei ou negociação ninguém
conseguiu provar que ela resultou em aumento do emprego", rebate
o professor da Faculdade de Economia e Administração da
Universidade de São Paulo (USP) Hélio Zylberstajn. O presidente
da Confederação Nacional da Indústria (CNI), deputado
Armando Monteiro Neto (PTB-PE), afirma: "A proposta é demagógica,
porque não gera empregos como as centrais anunciam". As
informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
03 de março de 2010 | Política
Temer articula votação de
redução da jornada de trabalho
O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), assumiu o papel
de patrocinador de um acordo para votar ainda neste ano a proposta de
emenda constitucional que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40
horas semanais. A proposta, no entanto, enfrenta grande resistência
dos líderes partidários, temerosos de enfrentar uma questão
como essa, que mexe com trabalhadores de um lado e com empresários,
do outro, em um ano eleitoral.
Em mais uma rodada de negociação,
Temer recebeu hoje representantes da federações comerciais,
contrários à votação do projeto. O presidente
da Confederação das Associações Comerciais
do Brasil (CACB), José Paulo Cairoli, classifica a votação
da emenda neste ano de "precipitada e eleitoreira". Ao contrário
das centrais sindicais de trabalhadores, a confederação
considera que a redução da jornada não será
capaz de gerar novos empregos e aponta a dificuldade para as micro e
pequenas empresas que atuam no comércio, caso a proposta se transforme
em lei.
Apesar do empenho de Temer em
buscar um acordo, a questão não tem consenso entre os
partidos políticos. "Projetos desse tipo não são
adequados para deliberação em ano de eleição",
afirmou o líder do PSDB, João Almeida (BA). O líder
do PMDB Henrique Eduardo Alves (RN), constata que o tema é polêmico
e a discussão central é sobre a oportunidade ou não
de se tratar do tema em ano eleitoral.
A votação
do projeto tem o apoio do PPS. A Executiva do partido divulgou nota
pública defendendo a aprovação da proposta. "Esta
é uma bandeira do partido desde 1982, quando ainda era PCB (Partido
Comunista Brasileiro)", diz a nota.
|
FOLHA DE LONDRINA, 03 de
março de 2010 | Economia
Temer patrocina acordo para 40 horas semanais
Brasília - O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP),
assumiu o papel de patrocinador de um acordo para votar ainda neste
ano a proposta de emenda constitucional que reduz a jornada de trabalho
de 44 para 40 horas semanais. A proposta, no entanto, enfrenta grande
resistência dos líderes partidários, temerosos de
enfrentar uma questão como essa, que mexe com trabalhadores de
um lado e com empresários, do outro, em um ano eleitoral.
Em mais uma rodada de negociação,
Temer recebeu ontem representantes da federações comerciais,
contrários à votação do projeto. O presidente
da Confederação das Associações Comerciais
do Brasil (CACB), José Paulo Cairoli, classifica a votação
da emenda neste ano de ''precipitada e eleitoreira''. Ao contrário
das centrais sindicais de trabalhadores, a confederação
considera que a redução da jornada não será
capaz de gerar novos empregos e aponta a dificuldade para as micro e
pequenas empresas que atuam no comércio, caso a proposta se transforme
em lei.
Apesar do empenho de Temer em
buscar um acordo, a questão não tem consenso entre os
partidos políticos. ''Projetos desse tipo não são
adequados para deliberação em ano de eleição.
Michel vem desenvolvendo um trabalho para ver se chega a um entendimento
para propor um dia para votação da proposta'', afirmou
o líder do PSDB, João Almeida (BA). O líder do
PMDB, maior partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), constata
que o tema é polêmico e a discussão central é
sobre a oportunidade ou não de se tratar de um tema sensível
como a redução da jornada de trabalho em um ano eleitoral.
O líder do PMDB, mesmo
partido de Temer, pretende reunir a bancada para tomar uma posição.
''Há quem queira votar neste ano e há os que não
querem. A questão é o momento. A votação
de uma emenda dessa neste ano vai levar à radicalização,
a um extremo. O trabalho é procurar um consenso, mesmo assim,
é difícil votar neste ano'', afirmou Henrique Alves.
A votação do projeto
tem o apoio do PPS. A Executiva do partido divulgou, ontem, nota pública
defendendo a aprovação da proposta. ''Esta é uma
bandeira do partido desde 1982, quando ainda era PCB (Partido Comunista
Brasileiro)'', diz a nota.
Denise MadueÀo
Agência Estado
|
Vermelho, 3 de março
de 2010
Temer admite que redução
da jornada de trabalho seria aprovada
O presidente da Câmara dos
Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), disse nesta segunda-feira (1o), em
São Paulo, que, se for à votação este ano,
a proposta de emenda constitucional que reduz a jornada de trabalho
de 44 horas para 40 horas semanais será aprovada. "Eu não
tenho dúvida disso", afirmou, em palestra a empresários
na zona oeste da capital paulista.
Os parlamentares que aprovaram por unanimidade a proposta na Comissão
Especial, no ano passado, também acreditam nisso. E lutam, junto
com as centrais sindicais, para que a matéria seja pautada para
votação em plenário.
Os empresários também
sabem que perderiam na votação e pressionam o Presidente
da Câmara para que adie a votação. Na semana passada,
o presidente da Confederação das Associações
Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), José Paulo Cairoli,
esteve com Temer para pedir o adiamento da votação do
projeto que trata da redução da jornada de trabalho.
Cairoli alegou que “o
ano é inadequado para este debate político, podendo se
tornar um debate eleitoreiro”. Essa é a mesma justificativa
apresentada pelo deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força
(PDT-SP) para que a matéria vá a votação
ainda este ano. Ele diz que na votação da matéria
ficará claro quem é o parlamentar que defende o trabalhador
e quem é contra.
Contemporizar
Temer acena com uma proposta
intermediária. Ele defende uma redução gradativa:
em 2011, a jornada passaria para 43 horas; e, em 2012, para 42 horas
semanais. E não haveria aumento no valor da hora extra.
A PEC de 1995, de autoria do
então deputado e hoje senador Inácio Arruda (PCdoB-CE)
prevê a redução da jornada para 40 horas e o aumento
do adicional por hora extra de 50% para 75%. A proposta já foi
aprovada por uma comissão especial da Câmara e precisa
ser votada em dois turnos pelo plenário.
Além do peso do ano eleitoral,
Temer destacou a pressão das entidades sindicais para a aprovação
do projeto. "As centrais sindicais têm uma capacidade de
mobilização extraordinária. Eles fazem passeatas
e depois vão 200 líderes sindicais na minha sala numa
pressão pessoal, quase física."
De acordo com o Presidente da
Casa, "temperança é a marca da minha gestão.
A função de quem está na vida pública não
é radicalizar a favor de um ou outro, mas contemporizar, encontrar
uma solução intermediária que possa satisfazer
a todos."
Para o representante patronal,
José Paulo Cairoli, “esta não é uma posição
que nos agrada e que possamos trabalhar neste momento”, e anunciou
que a CACB está “tomando as providencias necessárias
para evitar este tipo de votação, trabalhando numa agenda
com as Federações das Associações Comerciais
e, dependendo da resposta do Temer, dando início já na
semana que vem a um movimento na base”.
Da sucursal de Brasília
Com agências
|
Folha de S.Paulo, 3 de março
de 2010
INVESTIMENTOS
Cresce número de poupanças
com mais de R$ 1 mi
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A quantidade de pessoas com
mais de R$ 1 milhão depositados na caderneta de poupança
cresceu 30% em 2009 e chegou a 4.980. A alta ocorreu no ano em que o
governo tentou taxar aplicações com mais de R$ 50 mil,
proposta engavetada, e a rentabilidade dessa aplicação
caiu, com a queda das taxas de juros.
Esses grandes aplicadores possuem, em média, R$ 4 milhões
cada um. No total, respondem por 6% dos depósitos nesse tipo
de investimento, segundo dados do FGC (Fundo Garantidor de Crédito)
divulgados pelo Banco Central.
No mesmo período, caiu a quantidade de clientes e o total de
contas com até R$ 500 -embora essas aplicações
ainda respondam por quase 60% do total aplicado. No geral, o volume
de recursos na poupança cresceu quase 18%, enquanto o número
de poupadores avançou 1%.
|
Gazeta do Povo, 3 de março
de 2010
Pré-sal
Capitalização da Petrobras
pode autorizar uso do FGTS
O plenário da Câmara aprovou ontem o texto básico
do projeto que permite a capitalização da Petrobras, uma
das propostas do marco regulatório do pré-sal. A votação
foi simbólica, sem o registro no painel eletrônico e não
houve obstrução. Apenas o DEM e o PSDB votaram contra.
No entanto, o embate para manter o texto, como pretende o governo, foi
transferido para a sessão de hoje, quando estará em votação
o destaque com a emenda que permite o uso do saldo do Fundo de Garantia
por Tempo de Serviço (FGTS) na compra de novas ações
da estatal que serão lançadas. O líder do governo
na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), admite a
derrota hoje. Ele considera que será muito difícil a base
votar com o governo nessa questão que envolve os trabalhadores.
Vaccarezza tenta, no entanto, um acordo. As alternativas estudas são
a do uso integral do FGTS e as que limitam o uso a 50% ou 30% do saldo.
Vaccarezza está acenando com um acordo que permitiria o uso de
20%
Outro ponto que desagrada o
governo e será votado na sessão de hoje foi apresentado
pelo PSDB. O partido tem uma emenda para restabelecer a chamada participação
especial relativa à parte da União no novo petróleo
para a distribuição entre todos os estados e municípios.
Vaccarezza adotou a estratégia
de votar o projeto para evitar novos atrasos na conclusão da
aprovação do marco regulatório do pré-sal.
A preocupação do governo é concluir a votação
do marco regulatório do pré-sal na Câmara até
a próxima semana, não se importando se, para isso, houver
eventuais derrotas. “Não vou atrasar a votação
por causa de uma questão secundária”, afirmou Vaccarezza.
No calendário do governo, os quatro projetos devem estar com
a votação concluída na Câmara e no Senado
até junho, antes de disparar a campanha eleitoral com a formalização
dos candidatos nas convenções partidárias.
|
Folha de S.Paulo, 3 de março
de 2010
Dilma tem 40% entre quem tem Bolsa Família;
Serra, 25%
Resultado é o oposto do total dos eleitores,
onde o tucano lidera por 32% a 28% | Já entre os beneficiados
pelo Minha Casa, Minha Vida, outro programa em que o governo aposta
na eleição, Serra vence por 35% a 28%
MARTA SALOMON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A pré-candidata do PT
Dilma Rousseff lidera a disputa pelo Planalto entre os eleitores beneficiados
pelo Bolsa Família, mostra pesquisa Datafolha. Mas, a oito meses
das eleições, a vantagem da petista não se mantém
entre os contemplados por financiamentos de habitação
popular do programa Minha Casa, Minha Vida.
Dilma alcança 40% dos votos entre os inscritos no Bolsa Família,
contra 25% de Serra e 10% de Ciro Gomes (PSB). Marina Silva (PV) tem
8% nesse universo. A liderança da petista chega a 46% dos votos
entre os inscritos no Bolsa Família no cenário sem Serra
nem Ciro.
No domingo, o Datafolha revelou que a diferença entre José
Serra (PSDB) e a pré-candidata petista caiu de 14 para 4 pontos
desde dezembro. O tucano tem 32% contra 28% de Dilma no principal cenário.
Entre os entrevistados que afirmam receber benefícios do Bolsa
Família, no entanto, Dilma Rousseff passa a liderar a pesquisa,
que identificou 10% dos eleitores como beneficiários do principal
programa de transferência do governo.
O Bolsa Família paga entre R$ 22 e R$ 200 por mês a cerca
de 11 milhões de famílias com renda mensal de até
R$ 140 por pessoa, dependendo do grau de pobreza e do número
de filhos com até 17 anos. O número de beneficiários
deve chegar perto dos 13 milhões de famílias até
o final do ano, planeja o Ministério do Desenvolvimento Social.
O Datafolha entrevistou 2.623 brasileiros de 16 anos ou mais em 144
municípios nos dias 24 e 25 de fevereiro. A margem de erro da
pesquisa é de dois pontos percentuais.
A vantagem para Dilma não se sustenta entre os entrevistados
que não recebem o benefício do governo, mas afirmam conhecer
alguém cadastrado no programa.
Minha
Casa, Minha Vida
O efeito eleitoral do Bolsa Família não é acompanhado
pelo programa de financiamento de habitação Minha Casa,
Minha Vida, lançado no ano passado e uma das apostas do governo
na campanha.
A meta do programa é fechar contratos de financiamento de 1 milhão
de moradias até o final de 2010 para famílias com renda
mensal de até R$ 4.900. Isso significa triplicar o número
de moradias em relação ao desempenho do programa em 2009.
Entre os participantes do programa habitacional do governo, Serra lidera
com 35%, contra 28% obtidos por Dilma, isso no cenário com Ciro.
Sem o candidato do PSB, Serra amplia a diferença em relação
à pré-candidata petista. A pesquisa identificou 4% dos
eleitores brasileiros entre participantes do principal programa habitacional
do governo Lula.
Futuro
dos programas
O Datafolha também investigou a expectativa de continuidade dos
dois programas sociais. A expectativa varia, dependendo de quem sucederá
Luiz Inácio Lula da Silva, e é maior no caso de vitória
de Dilma Rousseff (73%) contra pouco mais da metade dos eleitores se
José Serra ou Ciro Gomes virem a ser eleitos. Os percentuais
variam de 53% e 57% dos entrevistados, dependendo do programa governamental.
Moradores do Nordeste são mais pessimistas sobre as chances de
manutenção tanto do Bolsa Família como do Minha
Casa, Minha Vida. O pessimismo é reforçado entre simpatizantes
do PT, mas o mesmo não acontece entre os simpatizantes do PSDB.
Na primeira avaliação do impacto eleitoral do Bolsa Família,
um estudo feito pela FGV (Fundação Getulio Vargas) afirmou
que o programa foi responsável por um aumento de três pontos
percentuais na votação de Lula no segundo turno das eleições
de 2006.
|
Carta Maior, 3 de março
de 2010
Grande mídia organiza campanha
contra candidatura de Dilma
O fantasma do esquerdismo ronda o País.
Empresários montam palco para exorcizar possibilidade de vitória
de Dilma. Eles creditam que se candidata de Lula for eleita o stalinismo
será implantado no Brasil. O debate era para ser sobre democracia
e liberdade de expressão
Por Bia Barbosa,
Na Carta Maior
Em seminário promovido
pelo Instituto Millenium, representantes da grande mídia afirmaram
que o PT é um partido contrário à liberdade de
expressão e à democracia. Eles acreditam que se Dilma
for eleita o stalinismo será implantado no Brasil. "Então
tem que haver um trabalho a priori contra isso, uma atitude de precaução
dos meios de comunicação. Temos que ser ofensivos e agressivos,
não adianta reclamar depois", sentenciou Arnaldo Jabor.
Se algum estudante ou profissional
de comunicação desavisado pagou os R$ 500 que custavam
a inscrição do 1º Fórum Democracia e Liberdade
de Expressão, organizado pelo Instituto Millenium, acreditando
que os debates no evento girariam em torno das reais ameaças
a esses direitos fundamentais, pode ter se surpreendido com a verdadeira
aula sobre como organizar uma campanha política que foi dada
pelos representantes dos grandes veículos de comunicação
nesta segunda-feira, em São Paulo.
Promovido por um instituto defensor
de valores como a economia de mercado e o direito à propriedade,
e que tem entre seus conselheiros nomes como João Roberto Marinho,
Roberto Civita, Eurípedes Alcântara e Pedro Bial, o fórum
contou com o apoio de entidades como a Abert (Associação
Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), Aner (Associação
Nacional de Editores de Revista), ANJ (Associação Nacional
de Jornais) e Abap (Associação Brasileira de Agências
de Publicidade). E dedicou boa parte das suas discussões ao que
os palestrantes consideram um risco para a democracia brasileira: a
eleição de Dilma Rousseff.
A explicação foi
inicialmente dada pelo sociólogo Demétrio Magnoli, que
passou os últimos anos combatendo, nos noticiários e páginas
dos grandes veículos, políticas de ação
afirmativa como as cotas para negros nas universidades. Segundo ele,
no início de sua história, o PT abrangia em sua composição
uma diversidade maior de correntes, incluindo a presença de lideranças
social-democratas.
Hoje, para Magnoli, o partido
é um aparato controlado por sindicalistas e castristas, que têm
respondido a suas bases pela retomada e restauração de
um programa político reminiscente dos antigos partidos comunistas.
"Ao longo das quatro candidaturas
de Lula, o PT realizou uma mudança muito importante em relação
à economia. Mas ao mesmo tempo em que o governo adota um programa
econômico ortodoxo e princípios da economia de mercado,
o PT dá marcha ré em todos os assuntos que se referem
à democracia. Como contraponto à adesão à
economia de mercado, retoma as antigas idéias de partido dirigente
e de democracia burguesa, cruciais num ideário antidemocrático,
e consolida um aparato partidário muito forte que reduz brutalmente
a diversidade política no PT. E este movimento é reforçado
hoje pelo cenário de emergência do chavismo e pela aliança
entre Venezuela e Cuba", acredita.
"O PT se tornou o maior
partido do Brasil como fruto da democracia, mas é ambivalente
em relação a esta democracia. Ele celebra a Venezuela
de Chávez, aplaude o regime castrista em seus documentos oficiais
e congressos, e solta uma nota oficial em apoio ao fechamento da RCTV",
diz.
A RCTV é a emissora de
TV venezuelana que não teve sua concessão em canal aberto
renovada por descumprir as leis do país e articular o golpe de
2000 contra o presidente Hugo Chávez, cujo presidente foi convidado
de honra do evento do Instituto Millenium. Hoje, a RCTV opera apenas
no cabo e segue enfrentando o governo por se recusar a cumprir a legislação
nacional. Por esta atitude, Marcel Granier é considerado pelos
organizadores do Fórum um símbolo mundial da luta pela
liberdade de expressão - um direito a que, acreditam, o PT também
é contra.
"O PT é um partido
contra a liberdade de expressão. Não há dúvidas
em relação a isso. Mas no Brasil vivemos um debate democrático
e o PT, por intermédio do cerceamento da liberdade de imprensa,
propõe subverter a democracia pelos processos democráticos",
declarou o filósofo Denis Rosenfield.
"A ideia de controle social
da mídia é oficial nos programas do PT. O partido poderia
ter se tornado social-democrata, mas decidiu que seu caminho seria de
restauração stalinista. E não por acaso o centro
desta restauração stalinista é o ataque verbal
à liberdade de imprensa e expressão", completou Magnoli.
O tal
ataque
Para os pensadores da mídia de direita, o cerco à liberdade
de expressão não é novidade no Brasil. E tal cerceamento
não nasce da brutal concentração da propriedade
dos meios de comunicação característica do Brasil,
mas vem se manifestando há anos em iniciativas do governo Lula,
em projetos com o da Ancinav, que pretendia criar uma agência
de regulação do setor audiovisual, considerado "autoritário,
burocratizante, concentracionista e estatizante" pelos palestrantes
do Fórum, e do Conselho Federal de Jornalistas, que tinha como
prerrogativa fiscalizar o exercício da profissão no país.
"Se o CFJ tivesse vingado,
o governo deteria o controle absoluto de uma atividade cuja liberdade
está garantida na Constituição Federal. O veneno
antidemocrático era forte demais. Mas o governo não desiste.
Tanto que em novembro, o Diretório Nacional do PT aprovou propostas
para a Conferência Nacional de Comunicação defendendo
mecanismos de controle público e sanções à
imprensa", avalia o articulista do Estadão e conhecido membro
da Opus Dei, Carlos Alberto Di Franco.
"Tínhamos um partido
que passou 20 anos fazendo guerra de valores, sabotando tentativas,
atrapalhadas ou não, de estabilização, e que chegou
em 2002 com chances de vencer as eleições. E todos os
setores acreditaram que eles não queriam fazer o socialismo.
Eles nos ofereceram estabilidade e por isso aceitamos tudo", lamenta
Reinaldo Azevedo, colunista da revista Veja, que faz questão
de assumir que Fernando Henrique Cardoso está à sua esquerda
e para quem o DEM não defende os verdadeiros valores de direita.
"A guerra da democracia do lado de cá esta sendo perdida",
disse, num momento de desespero.
O deputado petista Antonio Palocci,
convidado do evento, até tentou tranquilizar os participantes,
dizendo que não vê no horizonte nenhum risco à liberdade
de expressão no Brasil e que o presidente Lula respeita e defende
a liberdade de imprensa.
O ministro Hélio Costa,
velho amigo e conhecido dos donos da mídia, também. "Durante
os procedimentos que levaram à Conferência de Comunicação,
o governo foi unânime ao dizer que em hipótese alguma aceitaria
uma discussão sobre o controle social da mídia. Isso não
será permitido discutir, do ponto de vista governamental, porque
consideramos absolutamente intocável", garantiu.
Mas não adiantou. Nesta
análise criteriosa sobre o Partido dos Trabalhadores, houve quem
teorizasse até sobre os malefícios da militância
partidária. Roberto Romano, convidado para falar em uma mesa
sobre Estado Democrático de Direito, foi categórico ao
atacar a prática política e apresentar elementos para
a teoria da conspiração que ali se construía, defendendo
a necessidade de surgimento de um partido de direita no país
para quebrar o monopólio progressivo da esquerda.
"O partido de militantes
é um partido de corrosão de caráter. Você
não tem mais, por exemplo, juiz ou jornalista; tem um militante
que responde ao seu dirigente partidário (...) Há uma
cultura da militância por baixo, que faz com que essas pessoas
militem nos órgãos públicos. E a escolha do militante
vai até a morte. (...) Você tem grupos políticos
nas redações que se dão ao direito de fazer censura.
Não é por acaso que o PT tem uma massa de pessoas que
considera toda a imprensa burguesa como criminosa e mentirosa",
explica.
O "risco
Dilma"
Convictos da imposição pelo presente governo de uma visão
de mundo hegemônica e de um único conjunto de valores,
que estaria lentamente sedimentando-se no país pelas ações
do presidente Lula, os debatedores do Fórum Democracia e Liberdade
de Expressão apresentaram aos cerca de 180 presentes e aos internautas
que acompanharam o evento pela rede mundial de computadores os riscos
de uma eventual eleição de Dilma Rousseff.
A análise é simples:
ao contrário de Lula, que possui uma "autonomia bonapartista"
em relação ao PT, a sustentação de Dilma
depende fundamentalmente do Partido dos Trabalhadores. E isso, por si
só, já representa um perigo para a democracia e a liberdade
de expressão no Brasil.
"O que está na cabeça
de quem pode assumir em definitivo o poder no país é um
patrimonialismo de Estado. Lula, com seu temperamento conciliador, teve
o mérito real de manter os bolcheviques e jacobinos fora do poder.
Mas conheço a cabeça de comunistas, fui do PC, e isso
não muda, é feito pedra. O perigo é que a cabeça
deste novo patrimonialismo de estado acha que a sociedade não
merece confiança. Se sentem realmente superiores a nós,
donos de uma linha justa, com direito de dominar e corrigir a sociedade
segundo seus direitos ideológicos", afirma o cineasta e
comentarista da Rede Globo, Arnaldo Jabor.
"Minha preocupação
é que se o próximo governo for da Dilma, será uma
infiltração infinitas de formigas neste país. Quem
vai mandar no país é o Zé Dirceu e o Vaccarezza.
A questão é como impedir politicamente o pensamento de
uma velha esquerda que não deveria mais existir no mundo",
alerta Jabor.
Para Denis Rosenfield, ao contrário
de Lula, que ganhou as eleições fazendo um movimento para
o centro do espectro político, Dilma e o PT radicalizaram o discurso
por intermédio do debate de ideias em torno do Programa Nacional
de Direitos Humanos 3, lançado pelo governo no final do ano passado.
"Observamos no Brasil tendências
cada vez maiores de cerceamento da liberdade de expressão. Além
do CFJ e da Ancinav, tem a Conferência Nacional de Comunicação,
o PNDH-3 e a Conferência de Cultura. Então o projeto é
claro. Só não vê coerência quem não
quer", afirma. "Se muitas das intenções do PT
não foram realizadas não foi por ausência de vontades,
mas por ausência de condições, sobretudo porque
a mídia é atuante", admite.
Hora
de reagir
E foi essa atuação consistente que o Instituto Millenium
cobrou da imprensa brasileira. Sair da abstração literária
e partir para o ataque. "Se o Serra ganhasse, faríamos uma
festa em termos das liberdades. Seria ruim para os fumantes, mas mudaria
muito em relação à liberdade de expressão.
Mas a perspectiva é que a Dilma vença", alertou Demétrio
Magnoli.
"Então o perigo
maior que nos ronda é ficar abstratos enquanto os outros são
objetivos e obstinados, furando nossa resistência. A classe, o
grupo e as pessoas ligadas à imprensa têm que ter uma atitude
ofensiva e não defensiva. Temos que combater os indícios,
que estão todos aí. O mundo hoje é de muita liberdade
de expressão, inclusive tecnológica, e isso provoca revolta
nos velhos esquerdistas. Por isso tem que haver um trabalho a priori
contra isso, uma atitude de precaução. Senão isso
se esvai. Nossa atitude tem que ser agressiva", disse Jabor, convocando
os presentes para a guerra ideológica.
"Na hora em que a imprensa
decidir e passar a defender os valores que são da democracia,
da economia de mercado e do individualismo, e que não se vai
dar trela para quem quer a solapar, começaremos a mudar uma certa
cultura", prevê Reinaldo Azevedo.
Um último conselho foi
dado aos veículos de imprensa: assumam publicamente a candidatura
que vão apoiar. Espera-se que ao menos esta recomendação
seja seguida, para que a posição da grande mídia
não seja conhecida apenas por aqueles que puderam pagar R$ 500
pela oficina de campanha eleitoral dada nesta segunda-feira (1º).
|
O ESTADO DO PARANÁ,
03 de março de 2010 | Política
Adicional ao Bolsa-Família gera
debate no Senado
Principal programa social do governo, o Bolsa-Família, virou
centro de um debate entre petistas e a oposição hoje no
Senado. Com um voto contrário da líder do governo no Congresso,
senadora Ideli Salvatti (PT-SC), os tucanos aprovaram na Comissão
de Educação da Casa um projeto que cria um benefício
adicional ao programa para os alunos que tiverem bom desempenho escolar.
Irritada, Ideli acusou a oposição
de fazer uso político do programa em ano eleitoral. "É
uma disputa político-partidária. Mas fazer isso em cima
de crianças é inadmissível. Se colocar a responsabilidade
em crianças é melhoria de um programa, os tucanos perderam
o rumo das suas propostas", disse a senadora.
Para Ideli, o projeto dos tucanos,
de autoria do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), vai recolocar em cima
das crianças a responsabilidade de obter boas notas em troca
do adicional do benefício. "O objetivo do Bolsa-Família
era reduzir o trabalho infantil, retirando das crianças a responsabilidade
de trazer dinheiro para casa. A criança que não tiver
bom rendimento não vai sofrer pressão da família?
Volta a responsabilidade da criança de trazer dinheiro para casa",
disse.
Tasso negou uso eleitoral e
lembrou que o programa foi, inclusive, criado no governo do ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso. "Eles é que têm todo o
viés político nas suas ações. Não
tem nada que façam que não tenha coisa eleitoral por trás",
rebateu.
O projeto aprovado hoje prevê
o pagamento de um novo benefício para as famílias cadastradas
no Bolsa-Família voltado especificamente para as crianças
que alcançarem boas notas. Entre as famílias cadastradas
para receber o benefício, aquelas cujos filhos tiverem os melhores
rendimentos na escola vão receber um valor a mais integrado ao
benefício.
O valor do adicional não
ficou definido pelo projeto, nem mesmo como se dará a forma de
avaliação escolar das crianças. A regulamentação
do projeto, com a definição das regras de pagamento, será
definida pelo Executivo.
Como o projeto tem caráter
terminativo, deve seguir diretamente para votação na Câmara
dos Deputados, sem passar pelo plenário do Senado. O PT, porém,
anunciou que vai recorrer para votar a matéria no plenário
da Casa para ampliar a discussão em torno do projeto.
|
FOLHA DE LONDRINA, 03 de
março de 2010 | Política
Serra e Dilma antecipam debate
econômico
Sorocaba e São Paulo - Lado a lado dois dias após a divulgação
da pesquisa Datafolha, o governador de São Paulo, José
Serra (PSDB), e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), criaram
ontem um ambiente de debate eleitoral antecipado e, pela primeira vez,
explicitaram divergências sobre a economia ao compararem gestões
e políticas públicas.
O embate entre os dois pré-candidatos
à Presidência ocorreu durante os respectivos discursos
na inauguração do complexo industrial da Case New Holland
(máquinas agrícolas), em Sorocaba. Último a falar,
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enalteceu seu governo,
antes elogiado por Dilma, e deixou Serra sem direito a tréplica.
A petista destacou que os dois
elementos essenciais para o crescimento dos últimos anos foram
o consumo e o crédito. ''O mérito do governo do presidente
Lula é ter percebido que esse mercado consumidor era talvez uma
das nossas maiores riquezas'', disse. A ''pujança do Brasil'',
acrescentou, se explica pelo volume de crédito hoje disponível:
R$ 1,4 trilhão.
O tucano, por sua vez, fez uma
ressalva: ''É importante que a indústria se desenvolva
também exportando, não apenas atendendo (...) o mercado
interno''. Para ele, são falaciosas as teses de que o Brasil
deve permanecer exportador de produtos primários ou focar a economia
de serviços.
Em uma resposta indireta a Dilma,
que falou do recorde de empregos na gestão Lula, o governador
disse que ''grande parte da força de trabalho está subempregada''.
Dilma citou o programa Minha
Casa, Minha Vida, como exemplo da visão de Lula sobre economia.
Ele destacou o plano de modernização da indústria
automobilística quando era titular do Planejamento de FHC.
Lula respondeu a Serra ora direta,
ora veladamente. Disse que o Brasil vive um ''momento ímpar''
e é preciso lembrar ''os últimos 30 anos para a gente
saber de onde nós partimos e onde nós pretendemos chegar''.
Em nova cutucada ao tucano,
Lula disse que foram os bancos públicos que salvaram o país
na crise. Na gestão de Serra foi concretizada a venda do Nossa
Caixa ao Banco do Brasil. ''Se tivesse mais banco para vender, Serra,
eu ia comprar (...) para financiar o crédito.''
Folhapress
|
Congresso em Foco, 3 de
março de 2010
O arriscado pôquer do PSDB
“A dupla Serra e Aécio teria hoje
um straight flush. Uma mão excelente. Mas, e se Dilma tiver um
royal street flush? A razão da hesitação, assim,
fica clara: ou a dupla corre da aposta ou paga para ver o jogo de Dilma”
Nessa altura do campeonato,
até mesmo a cúpula do DEM já sabe que não
agrega nada à candidatura de José Serra um candidato a
vice filiado ao partido. O pessoal do Democratas já definiu como
estratégia que desembarcará em peso em Belo Horizonte
na quinta-feira (4), nas comemorações do centenário
de nascimento de Tancredo Neves, para convencer o governador de Minas
Gerais, Aécio Neves, a aceitar ser o vice de Serra.
Numa matemática pura,
a definição pela chapa Serra/Aécio parece óbvia.
Enrolado até a raiz dos cabelos, o DEM hoje só funciona
pela sua capilaridade, como cabo eleitoral, especialmente no Nordeste.
Ninguém do partido acrescentaria. Ultimamente, chegou-se a cogitar
o nome de Marco Maciel. Seria tudo o que Lula deseja. O presidente abriria
uma garrafa de champanhe: é doido para tornar a eleição
presidencial um plebiscito sobre seu governo em contraposição
ao de Fernando Henrique; trazer de volta o mesmo candidato a vice só
vai ajudar a reforçar essa comparação.
Em contrapartida, Serra e Aécio
são governadores bem avaliados em seus estados, com excelentes
índices de popularidades. Juntos, eles governam os dois maiores
colégios eleitorais do país. Ali, estão nada menos
que 33% dos eleitores brasileiros (o Nordeste inteiro tem 27% do eleitorado).
Chapa fortíssima, ninguém discute. Ao contrário
de qualquer nome do PMDB com relação a Dilma Rousseff,
Aécio agregaria sem dúvida votos à chapa. Se Serra
ainda é o líder nas pesquisas, com Aécio ao lado
só tenderia a crescer. Se tudo isso é verdade, então
por que tanto Serra quanto Aécio hesitam em colocar seus blocos
na rua? Por que um e outro vacilam tanto em entrar na campanha e enfrentar
logo Dilma?
A resposta é simples:
eles sabem o tamanho que têm, mas ainda não conseguiram
saber que tamanho tem Dilma. Se a eleição fosse um jogo
de pôquer, a dupla Serra e Aécio teria hoje um straight
flush. Uma mão excelente. Mas, e se Dilma tiver um royal straight
flush? Eis o drama.
Nesse momento do jogo, eles
poderiam desistir e recolher as suas apostas, ainda baixas. Com o cacife
que têm, iriam Serra para uma reeleição aparentemente
fácil em São Paulo e Aécio para uma barbada: a
eleição para o Senado em Minas. Ou acreditariam no seu
jogo e dobrariam a aposta presidencial. Nesse segundo caso, se tudo
der certo, se elegeriam presidente e vice, quebrariam a sequência
petista e levariam o PSDB de volta ao poder. Serra ou ficaria quatro
anos e entregaria a presidência a Aécio ou ficaria mesmo
oito anos (Aécio é jovem, trabalha para se eleger em seguida).
Agora, se tudo der errado, os dois maiores nomes do PSDB ficarão
sem mandato. Por pelo menos dois anos (se toparem o passo atrás
de virar novamente prefeitos), vão ficar completamente fora do
jogo do poder. A razão da hesitação, assim, fica
clara: agora, o PSDB está diante de uma situação
em que pode, com a sua jogada, ou quebrar a banca ou ir à bancarrota.
Ou desistem ou pagam para ver o jogo de Dilma.
Entre os tucanos e a turma do Democratas, porém, há hoje
um palpite de que Serra e Aécio aceitarão o jogo de risco.
Por uma razão: a opção mais cômoda só
é possível para um ou outro. Se Serra porventura desistir
de ser candidato, Aécio, por mais que isso o desgoste, terá
que assumir a tarefa. Uma desistência dupla entregaria a eleição
no colo de Dilma. Ninguém aceitaria isso: nem o PSDB, nem o DEM,
e é provável que também não aceitassem também
os eleitores de Serra e Aécio em seus estados. Aos olhos de todos
os que têm os dois como opção eleitoral, seria um
inaceitável ato de covardia mútua.
Assim, se um dos dois vai ter
que se arriscar, que se arrisquem os dois. Esse é o argumento
que as cúpulas do DEM e do PSDB pretendem levar para Serra e
Aécio. Que joguem suas fichas. O jogo começou.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
03 de março de 2010 | Política
Lula defende fim de 'terrorismo' em eleições
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que as eleições
não podem mais gerar terrorismo no Brasil. Para o presidente,
não existe a possibilidade de quem quer que seja o próximo
presidente "estragar o que já foi feito". "Isso
vai ficar claro para a sociedade brasileira. Não haverá
mais terrorismo eleitoral neste País. Eu sei porque fui vítima
disso", afirmou durante almoço promovido pela Associação
Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
O presidente aproveitou a oportunidade
para fazer uma comparação da situação do
País quando tomou posse no primeiro mandato em 2003 com o quadro
atual. Lula defendeu que a concessão de crédito foi o
motor da economia do País nos anos de seu governo. Ele relembrou
que em 2003 havia R$ 371 bilhões disponíveis para crédito
no País e hoje existem R$ 1,41 trilhão. "Precisou
um torneiro mecânico que se dizia socialista para entender que
um regime capitalista precisa de capital. Nós éramos como
a velha União Soviética, a economia estava atrofiada."
No almoço da Anfavea, o presidente Lula parabenizou os fabricantes
de veículos pelo bom desempenho nas vendas em 2009, que teve
um crescimento de 11,35% em relação a 2008, e disse que
isso foi possível porque governo e indústria partilharam
do mesmo pensamento. Ele voltou a dizer que medidas como a redução
do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) e o alongamento do
prazo de pagamento, além de juros menores, foram fatores que
fizeram as vendas crescerem mesmo durante o pior período da crise.
"Nós fizemos o óbvio."
Lula, que estava ao lado
da ministra-chefe da Casa Civil e pré-candidata à Presidência,
Dilma Rousseff, além de outros ministros, disse aos empresários
que o Brasil não pode voltar ao passado. "Não podemos
permitir a volta ao passado. Daqui para a frente é garantir os
investimentos", afirmou.
|
TSE, 3 de março de
2010
TSE mantém inalterado o número
de deputados federais e estaduais
Na sessão administrativa desta terça-feira (2), o Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) aprovou a resolução que preserva,
nas Eleições 2010, o número atual de representantes
de cada estado na Câmara dos Deputados e de integrantes das assembleias
legislativas e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.
Em razão da complexidade do tema, que abrange dispositivos da
Constituição (artigo 45 e parágrafo 1º), do
Ato das Disposições Constitucionais Transitórias
(ADCT) (artigo 4º, parágrafo 2º) e da Lei Complementar
78/93, os ministros da Corte decidiram preservar o mesmo texto da resolução
do TSE sobre a composição da Câmara dos Deputados
e das assembléias legislativas que vigorou nas eleições
de 2006.
Relator da minuta de resolução,
o ministro Arnaldo Versiani afirmou que o tema de redefinição
do número de cadeiras por estado na Câmara dos Deputados
esbarra na interpretação de artigo do Ato das Disposições
Transitórias da Constituição de 1988 que assegura
a irredutibilidade da atual representação dos estados
e do Distrito Federal.
Versiani lembrou que a última
modificação em representação de estado na
Câmara ocorreu em 1994 quando a bancada de São Paulo aumentou
de 60 para 70 parlamentares devido à aprovação
da Lei Complementar 78/93, que elevou o número de deputados federais
de 503 para 513.
"Talvez numa próxima
oportunidade, nas eleições de 2014, possamos debater melhor
esse tema", disse o relator.
O presidente do TSE, ministro
Ayres Britto, reafirmou que o assunto é complexo e que exige
análise detalhada. Segundo ele, alguns dispositivos da Lei Complementar
78/93 são de difícil operacionalização.
O ministro Ricardo Lewandowski
ponderou que o artigo 1º da Lei Complementar 78/93 exige que o
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) envie
ao TSE, no ano anterior às eleições, a atualização
estatística demográfica, enquanto as informações
repassadas pelo Instituto em janeiro deste ano sobre a proporção
da população brasileira por estado representam uma estimativa,
uma projeção de 1º de julho de 2009.
"Só o censo [que
é feito de dez em dez anos] é que concretamente vai ver
se as estimativas se confirmam com a realidade", disse Lewandowski.
Além disso, os ministros
recordaram também que o artigo 45 da Constituição
pede que os ajustes necessários na representação
na Câmara ocorram no ano anterior às eleições.
Inicialmente, o ministro Arnaldo
Versiani havia proposto minuta de instrução que alteraria
as bancadas de alguns estados já nestas eleições,
com base na projeção populacional de 1º de julho
de 2009. Houve manifestações contrárias por parte
de parlamentares de estados que teriam a representação
reduzida e manifestações favoráveis de estados
que aumentariam a sua bancada.
Prestação de contas
e cartões
Ainda nesta terça-feira,
o TSE aprovou, por unanimidade, a resolução que define
novas regras para a arrecadação de recursos para a campanha
eleitoral e também para a prestação de contas de
partidos políticos, candidatos e comitês financeiros.
Uma das principais mudanças
é a exigência de abertura de conta bancária específica
do partido político para arrecadação de recursos
eleitorais. Até hoje, a exigência de conta bancária
específica com esse fim era somente em relação
ao comitê financeiro e ao candidato.
Outra novidade é que
os partidos terão de, 30 dias depois das eleições,
informar à Justiça Eleitoral os recursos doados a candidatos
e comitês financeiros, comunicando a origem de cada um deles.
De acordo com o ministro Arnaldo
Versiani, relator das resoluções para as eleições
2010, o objetivo é exercer um controle maior e poder fiscalizar
os gastos e a arrecadação de recursos durante a campanha
eleitoral. Isso porque as contribuições de campanha recebidas
por partidos políticos serão submetidas aos mesmos requisitos
das contribuições para as campanhas das eleições,
ou seja, observância dos percentuais máximos de contribuição
de pessoas físicas e jurídicas; e também a impossibilidade
de o partido receber recursos de fontes vedadas a candidatos e comitês
financeiros.
"O que se procurou aqui
é uniformizar esse recebimento de contribuições
para as campanhas e também, em contrapartida, obrigar os partidos
políticos a que façam a prestação de contas",
disse o ministro Versiani. Ele destacou ainda que o tema foi discutido
em audiência pública e acredita que todos tenham entendido
que a resolução tem a intenção de tornar
ainda mais transparente todas as contribuições recebidas
em campanha e exigir que os partidos prestem contas desses recursos.
Também foi aprovada uma
resolução que atende à Lei 12.034/09 especificamente
no ponto que prevê doação para campanha eleitoral
por meio de cartão bancário. O ministro Versiani afirmou
que as contribuições recebidas por cartões de crédito
e de débito devem observar os mesmos requisitos das demais contribuições.
De acordo com a resolução,
as doações por meio do cartão de crédito
e débito poderão ser feitas até o dia da eleição
- inclusive na hipótese de segundo turno. No dia seguinte ao
pleito, o mecanismo disponibilizado para arrecadação na
internet deve ser tirado do ar.
O TSE já pediu à
Associação Brasileira das Empresas de Cartões de
Crédito e Serviços (Abecs) que estabeleça uma taxa
única e a mais baixa possível a ser cobrada nas doações
feitas a partidos e candidatos por meio de cartão de crédito.
O tribunal também solicitou que os recursos doados sejam disponibilizados
aos partidos em prazo menor que o convencional, uma vez que seria prejudicial
esperar de 30 a 45 dias para que as operadoras creditem os valores doados.
A resolução deixa
claro que só podem utilizar esse sistema as pessoas físicas
e estabelece que não podem ser usados cartões corporativos
(de empresas ou órgãos da administração
pública) ou emitidos no exterior. Outro ponto especificado no
texto reafirma o limite de doação, que é de 10%
dos rendimentos brutos recebidos pelo doador no ano anterior à
eleição. Os partidos e candidatos devem emitir recibo
eleitoral das doações, contendo o nome e o número
de CPF do doador, entre outras informações.
Fonte: TSE
|
Gazeta do Povo, 3 de março
de 2010
Violência
PR: Em 10 anos, 16 políticos mortos
Assassinato do prefeito de Rio Branco do Sul
é mais um de uma lista que engloba, quase sempre, lideranças
de pequenas cidades
O assassinato do prefeito de
Rio Branco do Sul, Adel Rutz, na noite de segunda-feira, é mais
um episódio de um vasto histórico de crimes cometidos
contra políticos no Paraná. Nos últimos dez anos,
pelo menos 16 políticos – entre prefeitos, vereadores,
militantes e um deputado estadual – foram mortos no estado. A
maioria dos crimes (dez) tem suspeita de motivação política.
E grande parte deles ainda não tem a autoria esclarecida.
O “caso Miguel Donha”,
de Almirante Tamandaré, foi um dos que mais chamou a atenção.
E completou dez anos, em janeiro, sem solução. O então
pré-candidato a prefeito pelo PPS foi sequestrado e morreu depois
de uma hemorragia causada por um tiro que levou na perna. O acusado,
na época, relatou que foi contratado apenas para dar “um
susto” em Donha, mas até agora ninguém foi preso.
O presidente estadual do PPS,
Rubens Bueno, e o deputado federal André Vargas (PT) chegaram
a pedir maior agilidade nos processos em que militantes dos partidos
figuram como vítimas. Bueno repete o pedido ano a ano, desde
o assassinato de Miguel Donha, em 2000. “Em janeiro houve uma
nova manifestação com a família, em Almirante Tamandaré,
e fomos novamente à Procuradoria da República. Mas o processo
continua parado. Em cinco anos, nada de relevante aconteceu”,
ressalta Bueno. “É mais um crime político sem solução
no Paraná.”
Entre as causas apontadas para
a demora na definição do caso, Bueno aponta a constante
troca de delegados, juízes e promotores. “Não há
estrutura permanente que permita desenvolvimento do processo”,
aponta.
Solucionado, em parte
Em outros casos – como
o do assassinato do prefeito de Fênix, Manoel Custódio
Ramos (PMDB) – a Justiça já definiu o caso, ao menos
em parte. Aquele que seria o executor do crime, Luís Pereira
de Souza Júnior, já foi condenado a 21 anos de prisão.
Valdenes Macedo Lopes, que teria sugerido a contratação
do assassino, será julgado em 7 de maio.
Outros três suspeitos
de envolvimento, entre eles o então vice-prefeito Aristóteles
Dias dos Santos Filho – acusado de ser o mandante do crime –
foram indiciados e estão com o processo em andamento. O prefeito
foi morto em fevereiro de 2006 com cinco tiros.
Outro caso de crime político
foi o assassinato do presidente do PCdoB de Reserva, Nelson Wosniak,
em 2005. “Quem matou era o presidente da Câmara
(o vereador Flávio Hornung Neto, do PMDB)”,
lembra o deputado André Vargas.
Mas nem todos os crimes se confirmaram
como políticos. Em Barbosa Ferraz, por exemplo, a principal linha
de investigação dá conta de que o crime contra
o ex-prefeito Mário César Lopes de Carvalho (PMDB) teria
sido passional. Segundo a Polícia Civil, as suspeitas recaíram
sobre um homem com ciúmes da namorada do prefeito assassinado.
O cientista político
Ricardo Costa de Oliveira, professor da UFPR, descarta a possibilidade
de o estado sofrer uma escalada de crimes contra políticos. “Não
há cultura da violência política no Paraná”,
assegura ele.
Para Oliveira, a violência
política é mais associada às regiões
mais periféricas do estado, o que é demonstrado pelo mapa
dos assassinatos contra mandatários e militantes. “É
algo encontrado em determinados grotões, mais
distantes, onde as disputas são quase pessoais. Não é
um fenômeno encontrado nas principais lideranças nem nos
principais partidos”, afirma o cientista político. “Nossa
grande violência é mesmo a urbana.”
O Ministério Público,
procurado pela reportagem, informou não ter um levantamento do
número de crimes considerados “políticos”.
Segundo o órgão, a atuação se restringe
a descobrir os executores dos crimes, tornando impossível relacionar
os casos conforme o perfil das vítimas.
|
BEM PARANÁ, 03 de
março de 2010 | Economia
Leão
Senado aprova isenção de
Imposto de renda para idosos
O Senado aprovou ontem a isenção da cobrança de
Imposto de Renda para aposentados com mais de 60 anos que recebem benefício
da Previdência Social. O projeto foi aprovado em caráter
terminativo pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE),
ou seja, não precisará ser apreciado em plenário,
mas seguirá ainda para a Câmara dos Deputados.
Atualmente, a regra já
vale para quem tem mais de 65 anos. Pelo novo projeto, a isenção
só será aplicada a quem ganha até R$ 1.434,59 e
abrange rendimentos de aposentadorias e pensões.
O projeto foi aprovado com duas emendas —uma alterando a redação
e outra aumentando o limite de isenção, que originalmente
era de R$ 1.058.
|
Agência Câmara,
3 de março de 2010
Jornada de mulher grávida
poderá ser reduzida em duas horas
Tramita na Câmara o Projeto de Lei 6273/09, do deputado Jovair
Arantes (PTB-GO), que reduz em duas horas a carga horária diária
de trabalho da mulher grávida, a partir do sétimo mês
de gestação. Se aprovada, a medida será incluída
na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT - Decreto-Lei
5.452/43), na parte que trata da proteção à maternidade.
Jovair Arantes afirma que o
projeto significa um investimento social de longo alcance, beneficiando
a mulher e o bebê. A mulher, diz, terá melhores condições
de trabalho nas últimas semanas e poderá aproveitar o
tempo livre para se programar para a chegada da criança.
"Nas últimas 16
semanas de gravidez, as gestantes costumam ter ganho importante de peso,
quando o feto dobra de tamanho e elas carregam uma barriga de pelo menos
5 quilos, incluindo a placenta. É inquestionável o sacrifício
físico a que elas se veem submetidas", observa o deputado.
Mudança
no comportamento
A medida, diz ainda Arantes, junta-se a outras que também beneficiam
a maternidade, como a ampliação da licença de quatro
para seis meses, mediante incentivo fiscal às empresas (Lei 11.770/08),
e a extensão do direito à licença e ao salário-maternidade
à mãe adotiva (Lei 10.421/02).
"Temos verificado uma mudança
no comportamento da sociedade brasileira em relação às
gestantes. Se antes os benefícios concedidos podiam ser vistos
como 'mordomias', hoje as pessoas já os veem como direitos importantes
para preservar a integridade do feto", afirma o parlamentar.
Tramitação
O projeto tramita em conjunto com os PLs 3610/08 e 4653/94 e outras
25 propostas que tratam de jornada de trabalho. Os textos serão
analisados de forma conclusivaRito de tramitação pelo
qual o projeto não precisa ser votado pelo Plenário, apenas
pelas comissões designadas para analisá-lo. O projeto
perderá esse caráter em duas situações:
- se houver parecer divergente entre as comissões (rejeição
por uma, aprovação por outra); - se, depois de aprovado
pelas comissões, houver recurso contra esse rito assinado por
51 deputados (10% do total). Nos dois casos, o projeto precisará
ser votado pelo Plenário. pelas comissões de Desenvolvimento
Econômico, Indústria e Comércio; de Trabalho, de
Administração e Serviço Público; e de Constituição
e Justiça e de Cidadania.
|
Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
03/03/2010
Banco pagará por promoções
e horas extras não quitadas a trabalhadora que aderiu a PDV
A adesão de trabalhador
a plano de demissão voluntária não impede o reconhecimento
de eventuais direitos, como promoções e horas extras,
não quitados pelo empregador. Por essa razão, a Sexta
Turma do Tribunal Superior do Trabalho deu provimento a recurso de revista
de ex-empregada do Banco Baneb.
O colegiado acompanhou voto
relatado pelo ministro Maurício Godinho Delgado. Para o relator,
a não concessão de promoções previstas no
regulamento interno da empresa, como alegado pela empregada, ocasiona
lesão que se renova mês a mês, sempre que se tornar
exigível a obrigação.
Assim, segundo o ministro, como
essa inadimplência não configura alteração
do pactuado, e sim descumprimento de norma interna da empresa, a prescrição,
no caso, será sempre parcial e só alcançará
as verbas vencidas há mais de cinco anos do ajuizamento da reclamação
trabalhista, portanto, não incide, na hipótese, a Súmula
nº 294 do TST.
O Juízo de primeiro grau
e o Tribunal do Trabalho da Bahia (5ª Região) tinham declarado
a prescrição total do pedido de diferenças salariais
relativas às promoções previstas no regulamento
empresarial com base na Súmula nº 294 do TST, segundo a
qual, “tratando-se de ação que envolva pedido de
prestações sucessivas decorrente de alteração
do pactuado, a prescrição é total, exceto quando
o direito à parcela esteja também assegurado por preceito
de lei”.
Em relação às
horas extras requeridas pela trabalhadora, o TRT reformou a sentença,
pois reconhecera a eficácia liberatória da transação
(PDV) havida entre as partes, confirmando a quitação das
parcelas relativas à jornada de trabalho. O Regional aplicou
ao caso a Súmula nº 330 do TST, que trata da quitação
de verbas rescisórias.
Também nesse ponto o
ministro Godinho concluiu diferente do Regional. Na opinião do
relator, a rescisão do contrato de trabalho, por meio de adesão
de empregado a plano de desligamento voluntário, autoriza a quitação
exclusivamente das parcelas e dos valores constantes do recibo –
é o que diz, inclusive, a atual redação da Súmula
nº 330/TST. O ministro ainda esclareceu que essa interpretação
está de acordo com a Orientação Jurisprudencial
nº 270 da Seção I Especializada em Dissídios
Individuais do TST.
Assim, conforme entendimento
unânime da Turma, o processo será remetido ao Tribunal
baiano para análise do mérito dos pedidos formulados pela
trabalhadora quanto ao recebimento de diferenças relativas a
promoções e horas extras. (RR- 63400-0.2000.5.05.0015)
|
03/03/2010
Norma coletiva pode estabelecer formas de
pagamento de participação nos lucros
O entendimento majoritário
do Tribunal Superior do Trabalho é de que o pagamento de participação
nos lucros ou resultados da empresa não tem natureza salarial,
e sim indenizatória. Por esse motivo é válida norma
coletiva que prevê o parcelamento dos valores devidos pelo empregador
ao empregado.
Apesar de ter opinião
diferente, o ministro Aloysio Corrêa da Veiga, presidente da Sexta
Turma do TST e relator de recurso de revista da Volkswagen do Brasil
em defesa da legalidade de parcelamento efetuado, assegurou a natureza
indenizatória da parcela paga ao trabalhador pela empresa.
Como consequência desse
julgamento unânime, os ministros da Sexta Turma excluíram
da condenação a integração da parcela paga
a título de “participação em lucros e resultados”
na remuneração do trabalhador e respectiva incidência
nas verbas reflexas.
A discussão dos autos
dizia respeito à natureza jurídica da parcela intitulada
participação nos lucros, quando paga em desacordo com
a norma legal que impede o pagamento antecipado em periodicidade inferior
a seis meses, na medida em que existe acordo coletivo prevendo pagamento
mensal. No caso, os valores pagos a título de antecipação
da participação nos resultados de janeiro/1999 a abril/2000,
foram parcelados à base de 1/12 por mês.
Para o Tribunal do Trabalho
paulista (2ª Região), os valores devidos possuíam
natureza salarial, porque a norma coletiva não poderia contrariar
a Lei nº 10.101/2000, que proíbe o pagamento de qualquer
antecipação a este título em periodicidade inferior
a um semestre civil ou mais de duas vezes no mesmo ano civil.
No entanto, a interpretação
da maioria dos integrantes da Seção I Especializada em
Dissídios Individuais do TST é no sentido de reconhecer
a validade da norma coletiva que estabelece periodicidade de pagamento
de participação nos lucros inferior à semestral
– apesar da vedação legal.
Segundo os ministros,
é preciso prestigiar o pactuado entre empregados e empregadores
por meio de negociações coletivas, caso contrário
haveria desrespeito ao artigo 7º, inciso XXVI, da Constituição,
que garante o reconhecimento das convenções e acordos
coletivos de trabalho. (RR – 36100-71.2005.5.02.0462)
|