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Agência Diap 4 de março de
2010
Terrorismo é o argumento
dos empresários contra redução da jornada
Vale tudo para não permitir a aprovação
da PEC da redução da jornada de trabalho. Os empresários
não respeitam nem a inteligência dos trabalhadores.
Como faltam argumentos palpáveis,
sólidos e consistentes, então dos donos do capital apelam
para o terrorismo. Agora andam a dizer que se a jornada for reduzida,
o comércio não poderá abrir aos domingos.
Veja, em matéria abaixo
o que diz o presidente da Confederação das Associações
Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), José Paulo Cairoli.
"O assunto é polêmico,
ameaça as empresas, vai trazer desemprego e não pode ser
discutido no calor de um ano eleitoral".
A redução da jornada
"(...) vai impedir o comércio de bens e serviço de
abrir aos domingos em função dos custos trabalhistas".
Leia a íntegra da matéria:
"Redução
da jornada de trabalho ameaça abertura do comércio aos
domingos
Além de colocar em risco
a sobrevivência das micro e pequenas empresas e incentivar a informalidade,
a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas e
o pagamento de 75% sobre a hora extra trabalhada, vai impedir o comércio
de bens e serviço de abrir aos domingos em função
dos custos trabalhistas.
O alerta foi feito em tom de
preocupação ao presidente da Câmara dos Deputados,
Michel Temer (PMDB/SP), pelo presidente da Confederação
das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB),
José Paulo Cairoli.
Acompanhado por presidentes
de Federações e de Associações Comerciais
de todo País, Cairoli solicitou, mais uma vez a Temer, a urgência
da decisão de tirar da pauta de discussões neste ano a
PEC 231/95. "O assunto é polêmico, ameaça as
empresas, vai trazer desemprego e não pode ser discutido no calor
de um ano eleitoral", enfatizou Cairoli.
Mais de 50 líderes empresariais
de todo o Brasil, presidentes de entidades de classe, engrossaram a
comitiva liderada por Cairoli mostrando a preocupação
e a necessidade de retirar da pauta de discussões a PEC 231/95.
"As grandes e médias
empresas que também serão prejudicadas ainda terão
como alternativa substituir a mão de obra por máquinas,
mas os micro e pequenos empresários, que têm pouca capacidade
de investir, serão forçados a reduzir o número
de seus empregados", enfatiza Cairoli.
A PEC das 40 horas é
um tema muito importante para o País, e a CACB defende a tese
de que, por ser um ano eleitoral, ela não pode ser votada agora,
para não contaminar a discussão. José Paulo Cairoli
lembra que não há consenso sobre a proposta e levá-la
ao plenário neste ano é uma decisão precipitada
e eleitoreira.
A CACB, ao contrário
do que dizem os sindicalistas, sabe que a redução da jornada
não será capaz de gerar novos empregos. Além disso,
o aumento para 75% no valor da hora extra inviabiliza a atuação
das micro e pequenas empresas, especialmente as que atuam nos setores
do comércio e serviços."
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O ESTADO DO PARANÁ,
04 de março de 2010 | Economia
Estado de SP criou 51 mil empregos em
janeiro
Foram criados em janeiro no Estado de São Paulo 51.159 vagas
formais de trabalho, mostra o Observatório do Emprego, estudo
da Secretaria Estadual do Trabalho divulgado hoje. O número corresponde
a 28% dos 181.419 postos abertos no País. O saldo positivo foi
puxado pela indústria e construção civil, setores
responsáveis por 85% das novas vagas.
O salário médio
dos trabalhadores contratados teve alta de 5,5% em relação
a dezembro de 2009. A indústria de transformação
deu origem a 29 mil empregos em janeiro. Esse setor havia sido o que
mais perdeu postos em janeiro de 2009 (19,8 mil), como consequência
da crise econômica mundial. Também melhorou o desempenho
dos setores de construção (14.589 postos) e de atividades
administrativas e serviços complementares (8.935 postos).
Dentro da tendência de
alta na indústria e na construção, as ocupações
com maior saldo de vagas em janeiro foram ajudante de obras (6.100 vagas),
alimentador de linhas de produção (5.619 vagas) e trabalhador
nos serviços de manutenção de edificações
(3.084 vagas). Junto com escriturários, agentes, assistentes
e auxiliares administrativos (8.520 vagas), essas ocupações
respondem por 46% do crescimento do emprego formal no Estado.
Registraram perda de vagas os
setores de agricultura, pecuária, produção florestal,
pesca e aquicultura (11.809) e administração pública,
defesa e seguridade social (1.313). O salário médio dos
trabalhadores contratados em janeiro foi de 968 reais, valor 5,5% maior
do que em dezembro de 2009 e 2,3% acima do de janeiro de 2009.
Das 15 regiões administrativas
do Estado, 11 registraram alta nos salários, com destaque para
São José dos Campos (12,5%), a 97 quilômetros da
capital paulista. O maior salário médio no Estado está
na região metropolitana de São Paulo (R$ 1.076) e o menor,
na de Barretos (R$ 140), no norte do Estado.
A pressão salarial -
diferença entre o salário dos trabalhadores contratados
e dos demitidos - ficou em 0,99 no Estado. Isso indica que a remuneração
dos contratados foi praticamente igual à dos que saíram
do emprego. Uma pressão superior a 1 aponta que os admitidos
foram contratados por salários maiores. O maior índice
foi registrado nas regiões Central (1,06), Franca e Marília
(ambas com 1,05), esta última no centro-oeste paulista. A menor
pressão salarial ocorreu na região de São José
do Rio Preto (0,97), no noroeste do Estado.
Das 15 regiões
administrativas que compõem o território paulista, quatro
registraram saldo negativo de vagas: Barretos (-2.713), Central (-2.207),
Presidente Prudente (-1.032) e Marília (-104). As com melhor
desempenho foram a região metropolitana de São Paulo (+30.788),
Campinas (+8.294), Ribeirão Preto (+4.802) e Sorocaba (+4.243),
as três últimas no interior do Estado.
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CORREIO BRAZILIENSE, 04
de março de 2010
Construção civil incorporou
10% mais trabalhadores no segundo semestre do ano passado
Agência Brasil
São Paulo – O setor da construção civil incorporou
no segundo semestre do ano passado 103 mil pessoas, representando um
crescimento de 10,2% em relação ao mesmo período
de 2008. Foi o que revelou pesquisa do Departamento Intersindical de
Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Na análise do Dieese,
medidas do governo como o aumento do crédito por parte de bancos
públicos e isenções fiscais direcionadas a determinados
setores, somadas a investimentos em infraestrutura e em habitação
popular contribuíram para que o nível ocupacional subisse
em 2009.
A pesquisa apontou também
que aumentou a formalização no setor, ou seja, mais empregadores
assinaram a carteira de seus funcionários.
Os salários, porém,
não se comportaram da mesma maneira. Em Belo Horizonte, os rendimentos
caíram 13,7%, em Recife caíram 8,9%, em Salvador, 6,2%
e no Distrito Federal, 1,1%. Apenas em São Paulo e em Porto Alegre
observou-se uma relativa elevação nos rendimentos dos
trabalhadores: 11,1% na capital paulista e 8% na capital gaúcha.
Nas seis regiões pesquisadas
pelo Dieese, registrou-se diferença no tempo da jornada de trabalho.
Em São Paulo, houve redução na jornada de 44 horas,
em 2008, para 43 horas no segundo semestre do ano passado. Já
em Recife, a jornada aumentou. Lá, os assalariados trabalharam
48 horas por semana no período pesquisado e, em 2008, foram 46
semanais de trabalho.
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CORREIO BRAZILIENSE, 04
de março de 2010
DF: Setor da Construção
Civil fechou 2009 com 16,7% mais contratações do que em
2008
Isso, apesar da crise econômica global
e de uma pequena retração na média salarial
Mariana Branco
A construção civil, o mais forte segmento da economia
do Distrito Federal, conseguiu encerrar 2009 com desempenho positivo
apesar da turbulência causada pela crise econômica global,
que estourou em setembro de 2008. De acordo com os dados do Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
(Dieese) sobre o mercado de trabalho do setor, entre o primeiro e o
segundo semestres do ano passado o setor contratou 6 mil trabalhadores
no DF, elevando em 10,5% o contingente de ocupados, que passou de 57
mil para 63 mil. Comparado ao mesmo período de 2008, quando 54
mil pessoas estavam empregadas, o crescimento do emprego foi de 16,7%.
Além do aumento
no número de ocupados — incluídos os trabalhadores
autônomos e sem carteira assinada —, o Distrito Federal
também contratou mais empregados com carteira assinada no segundo
semestre do ano passado, em relação ao mesmo período
do ano anterior. O número de celetistas cresceu 19,2%, em um
ritmo maior do que o de ocupados, o que sugere um avanço na formalização
no setor da construção civil.
A pesquisa do Dieese levou em
conta mais cinco regiões metropolitanas, além do Distrito
Federal — Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador e São
Paulo — nas quais também foi verificado crescimento na
quantidade de ocupados, entre eles celetistas, na construção
civil.
Surpresa
Na avaliação da entidade, o setor surpreendeu em um ano
em que o Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas do país)
teve um crescimento próximo de zero. A entidade atribuiu os resultados
a medidas de estímulo adotadas pelo governo após a eclosão
da crise internacional, por meio da expansão dos programas de
transferência de renda para sustentar a demanda e do fomento ao
crédito. As ações foram adotadas a partir do segundo
trimestre do ano passado. De acordo com o Dieese, o aumento da massa
salarial de trabalhadores de outro setores também contribuiu
para a abertura de vagas na construção civil. Ou seja,
a maior demanda por imóveis acabou impulsionando o segmento.
O DF foi a segunda região
metropolitana dentre as pesquisadas com a maior alta de emprego se comparados
o segundo semestre do ano passado e o mesmo período de 2008.
A capital federal ficou atrás apenas do Recife, onde o número
de ocupados cresceu 34,4%. O segundo semestre de 2009, em relação
a igual intervalo imediatamente anterior, registrou alta na oferta de
emprego no Recife (de 17,8%), e em Belo Horizonte (15,7%), deixando
o DF em terceiro lugar no ranking nacional.
A boa maré de contratações
detectada pelo Dieese beneficiou pessoas como o servente de obras Osmani
Moreira dos Santos, 29 anos. Ele mudou-se da Bahia para o DF em busca
de emprego. Na terra natal, Osmani trabalhava como garçom e conseguiu
ser efetivado, há um ano, na Brookfield Incorporações,
por indicação de um parente empregado na empresa. “Brasília
está crescendo e, por isso, a construção tem oportunidades”,
diz .
Se as ofertas de emprego cresceram,
a renda média do trabalhador da construção civil
no DF caiu entre o primeiro e o segundo semestres de 2009. O recuo foi
de 1,1%, fazendo com que o valor médio do salário passasse
de R$ 874 para R$ 869. Entre 2008 e 2009, no entanto, a renda ficou
quase estável, com leve decréscimo de 0,6%.
Segundo Luiz Carlos Botelho,
vice-presidente do Sindicato das Indústrias da Construção
Civil no DF (Sinduscon-DF) e proprietário da empresa LDN Construções,
a crise iniciada em 2008 amorteceu o crescimento previsto para o segmento,
mas não trouxe prejuízos. “A crise segurou um grande
incremento que ocorreria. Mesmo assim, o mercado ficou estável
quanto à rentabilidade”, afirmou. Para ele, as medidas
anticíclicas adotadas pelo governo, como a liberação
maciça de financiamentos para construir, foram fundamentais para
o resultado. “Foram ações efetivas, que mantiveram
2009, que poderia ser um ano de retração, no patamar de
2008”.
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O ESTADO DO PARANÁ,
04 de março de 2010 | Economia
CBIC apresenta propostas para corrigir
erros do PAC
O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção
(CBIC), Paulo Safady Simão, disse hoje que apresentou, na reunião
do Grupo de Acompanhamento do Crescimento (GAC), algumas propostas para
corrigir erros do Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC) e do programa Minha Casa, Minha Vida. Segundo ele, houve atrasos
de obras por falta de planejamento e de projetos e em razão de
licitações malfeitas.
A proposta da CBIC, segundo
ele, é que as obras selecionadas sigam alguns critérios
para evitar esses problemas, como, por exemplo, a inclusão da
obra no Plano Plurianual do município ou Estado, que tenha projetos
básicos e o custo benefício social bem definido. Ele também
defendeu a necessidade de ampliação dos agentes financeiros
para o programa Minha Casa, Minha Vida. Além disso, o presidente
da CBIC disse que é preciso ter uma preocupação
maior com o planejamento urbano e não apenas atender a habitação
individual.
Já o presidente da Confederação
Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, disse que
apresentou, durante a reunião, uma agenda para reduzir a burocracia,
desonerar e melhorar as condições de financiamento das
exportações. Ele disse que a agenda é antiga, mas
que, num cenário pós-crise, é preciso acelerar
essas definições. Ele lembrou que o governo já
trabalha em medidas para o setor exportador. "Nós estamos
na direção correta. O problema agora é 'time' (em
inglês)", disse, ao deixar a reunião do GAC, que ainda
tem prosseguimento no Ministério da Fazenda.
Monteiro Neto voltou a
reclamar do acúmulo de créditos tributários. "Precisamos
trabalhar num conjunto de desonerações para o setor exportador.
Quem acumula crédito carrega custos", disse. Ele também
alertou para o fato de haver um aumento grande das importações,
o que, segundo ele, desloca a produção nacional e prejudica
o emprego no País.
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Agência
Diap, 4 de março de 2010
Eros Grau: é constitucional
destinar contribuição às centrais
O ministro não vê como negar às centrais legitimidade
para participar dos espaços de diálogo e deliberação
em que estejam em jogo questões de interesse geral da classe trabalhadora.
Faltam votar 4 ministros
A votação da Adin do DEM agora
está empatada. São três votos favoráveis
à Adin, portanto contra as centrais, e três votos contrários
à ação. No final da sessão plenária
do Supremo Tribunal Federal (STF), desta quarta-feira (3), o ministro
Eros Grau proferiu seu voto-vista na Ação Direta de Inconstitucionalidade
(Adin) 4067, que discute a legalidade da destinação da
contribuição sindical para as centrais sindicais.
Para Eros Grau, apesar de não poderem
substituir entidades de classe, as centrais podem participar de negociações
e fóruns em favor dos trabalhadores, e podem também ser
destinatárias da contribuição.
Em seu voto, o ministro afirmou que não
vê como negar às centrais sindicais legitimidade para participar
dos espaços de diálogo e deliberação em
que estejam em jogo questões de interesse geral da classe trabalhadora.
Para o ministro, as centrais cumprem função
ideológica e política, voltada para os interesses do trabalho,
além dos particularismos. Neste ponto o ministro Eros Grau acompanhou
o relator do processo, ministro Joaquim Barbosa.
Quanto à destinação da
contribuição, o ministro decidiu acompanhar a divergência
aberta pelo ministro Marco Aurélio, que reconheceu a legalidade
desta destinação.
Em seu voto, Eros afirma seu entendimento no
sentido de que o sujeito passivo da "contribuição
sindical" não é o sindicalizado, mas qualquer empregado,
trabalhador autônomo, profissional liberal ou empregador, conforme
prevê a Consolidação das Leis Trabalhistas, em seu
artigo 580.
"Ela [a contribuição] hoje
se presta, nos termos do que dispõe o artigo 149 da Constituição
do Brasil define, a prover o interesse de ‘categorias profissionais
ou econômicas'. Inclusive a permitir que trabalhadores se organizem
em entidades associativas, não necessariamente sindicais",
concluiu o ministro.
Após o voto-vista do ministro Eros Grau,
o julgamento foi suspenso, devendo ser retomado numa próxima
sessão, ainda não definida.
Quem falta votar
Para concluir o processo, faltam votar ainda os ministros Gilmar Mendes
(presidente), Ellen Gracie, Carlos Britto e Celso de Mello. O ministro
José Antonio Dias Toffoli está impedido de votar, pois
se posicionou contrário à Adin quando era advogado-geral
da União.
Com exceção de Carlos Britto,
os outros três ministros, por sua postura conservadora tendem
a votar a favor da Adin. Assim, convém fazer incursões
para evitar o pior. Caso prevaleça essa tendência, o repasse
dos recursos da contribuição sindical às centrais
está com os dias contados.
Clique aqui
e leia a íntegra do voto do ministro Eros Grau
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Folha de S.Paulo, 4 de março
de 2010
STF
Centrais sindicais obtêm apoio a
repasse de verba
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
As centrais sindicais conseguiram equilibrar o placar no julgamento
pelo STF (Supremo Tribunal Federal) da ação que questiona
o repasse do imposto sindical às entidades.
O julgamento, no entanto, foi suspenso e pode ser retomado hoje. Três
ministros da corte já se posicionaram a favor do repasse do imposto
sindical para as centrais. A contribuição equivale a um
dia de salário do trabalhador.
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BEM PARANÁ, 04 de
março de 2010 | Política
Atraso
PR: Com audiências, votação
do piso regional fica para abril
O cronograma definido pela Assembleia frustra
os planos de Requião, que queria ver o reajuste votado e aprovado
antes de deixar o cargo
Ivan Santos
A Assembleia Legislativa definiu ontem as datas iniciais das audiências
públicas para a discussão do reajuste do piso salarial
mínimo regional. Serão ao todo seis reuniões, começando
por Foz do Iguaçu (12/3), Maringá (19/3 ), Londrina (19/3),
Guarapuava (26/3) e Ponta Grossa (26/3). Ficou faltando apenas decidir
a data da última audiência, que será em Curitiba,
e deve acontecer logo em seguida.
O cronograma definido pela Assembleia
frustra os planos do governador Roberto Requião (PMDB), que queria
ver o reajuste votado e aprovado antes de deixar o cargo. Requião
terá que sair do governo até 2 de abril, para disputar
uma cadeira no Senado, e queria sancionar o novo piso como forma de
capitalizar eleitoralmente o aumento.
A reação das entidades
empresariais, que criticam o índice definido pelo governo, porém,
fez a liderança governista da Assembleia recuar, e aceitar a
realização das audiências antes da votação
do projeto. Pela proposta de Requião, o piso – que beneficia
os trabalhadores da iniciativa privada cujas categorias não tem
convenções coletivas – passaria dos atuais R$ 605,52
e R$ 629,45 para valores que variam entre R$ 663,00 e R$ 765,00, divididos
em quatro faixas conforme a categoria profissional, um reajuste de até
21%. Os empresários alegam que o índice está fora
da realidade da economia do Estado e do País, já que é
muito superior ao índice de inflação do período,
de 4,5%.
Inicialmente, a liderança
do governo pretendia concluir a votação até o próximo
dia 15, para garantir que Requião pudesse sancioná-lo
antes de deixar o governo. Com o cronograma de audiências definido
ontem, porém, o projeto só deve entrar em votação
no plenário da Assembleia no início de abril, quando o
peemedebista já terá renunciado ao mandato. (IS)
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Agência
Câmara, 4 de março de 2010
Câmara aprova capitalização
da Petrobras com uso do FGTS
Janine Moraes
O Plenário concluiu nesta quarta-feira
a análise do Projeto de Lei 5941/09, do Executivo. Na principal
votação de destaquesMecanismo pelo qual os deputados podem
retirar (destacar) parte da proposição a ser votada para
ir a voto depois da aprovação do texto principal. A parte
destacada (artigo, inciso, alínea) só volta a integrar a
proposição se for aprovada nessa votação posterior.
Nesse caso, os interessados em manter o trecho destacado é que
devem obter o quorum necessário à sua reinclusão
no texto. Podem requerê-lo 10% dos deputados (51) ou líderes
que representem esse número. Nesse caso, é chamado destaque
de bancada. do dia, os deputados aprovaram de forma simbólicaVotação
em que não há registro individual de votos. O presidente
da sessão pede aos parlamentares favoráveis à matéria
que permaneçam como se encontram, cabendo aos contrários
manifestarem-se. Expediente geralmente usado para votação
de projetos sobre os quais há acordo. a emenda que permite, aos
atuais acionistas minoritários da Petrobras, usarem até
30% dos recursos das suas contas individuais do Fundo de Garantia por
Tempo de Serviço (FGTS) na subscrição de ações
da empresa. A matéria segue para o Senado.
Na subscrição, apenas os atuais
acionistas podem comprar novas ações, na proporção
que lhes couber. O texto-base do projeto, aprovado na terça-feira
(2) na forma de substitutivo do deputado João Maia (PR-RN), não
permitia o uso de recursos do FGTS nesse processo de capitalização
da Petrobras.
Segundo o deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP),
autor da emenda que deu origem ao texto aprovado, o uso do FGTS beneficiará
os "trabalhadores que acreditaram na Petrobras e contribuíram
para o crescimento da empresa". De acordo com Jardim, o texto beneficia
248 mil pequenos acionistas, que possuem 2% do capital da Petrobras.
Ele lembrou que, quando as ações
puderam ser compradas pela primeira vez com o uso do FGTS, 248 mil trabalhadores
optaram por esse investimento. A emenda original de Jardim previa o
uso de até 50% do FGTS nessa subscrição.
Outra emenda aprovada especifica que essas aplicações
serão feitas por meio dos Fundos Mútuos de Privatização
e serão impenhoráveis e indisponíveis por seus
titulares. Depois de doze meses, o trabalhador poderá optar pelo
retorno do dinheiro investido à sua conta de FGTS. Essas regras
já valem para as aplicações iniciais, feitas depois
da abertura de capital da Petrobras.
Rendimentos
Quem investiu R$ 1 mil na Petrobras em 2000 teve um rendimento de 797,91%
até fevereiro deste ano, chegando a R$ 8.979,10. Já quem
manteve R$ 1 mil no FGTS teve um rendimento de apenas 62,12% no período,
o que resultou em R$ 1.621,60.
Isso acontece porque o fundo é corrigido
mensalmente pela variação da Taxa Referencial (TR), cujo
resultado tem sido zero.
Debates
O acordo que permitiu o uso do FGTS na capitalização da
Petrobras foi saudado por todos os partidos. O líder do DEM,
deputado Paulo Bornhausen (SC), afirmou que foi uma “vitória
do bom senso, do trabalhador e da oposição, que defendeu
o uso do FGTS desde o início”.
O 1º vice-líder do PDT, deputado
Brizola Neto (RJ), apoiou o texto com a ressalva de que o governo não
deve perder de vista a ampliação da participação
do capital estatal na Petrobras.
Pré-sal
O projeto também permite que a União venda à Petrobras,
sem licitação, o direito de explorar até 5 bilhões
de barris de petróleo e gás natural em áreas ainda
não concedidas do pré-salO termo pré-sal refere-se
a um conjunto de rochas no fundo do mar com potencial para a geração
e acúmulo de petróleo localizadas abaixo de uma extensa
camada de sal. Os reservatórios brasileiros nessa camada estão
a aproximadamente 7 mil metros de profundidade, em uma faixa que se
estende por cerca de 800 km entre o Espírito Santo e Santa Catarina..
O pagamento do petróleo pela Petrobras e o aumento de capital
por parte da União serão feitos com títulos da
dívida pública.
O Plenário aprovou também duas
emendas que já tinham parecer favorável do relator. De
autoria dos deputados Daniel Almeida (PCdoB-BA) e Betinho Rosado (DEM-RN),
elas têm igual teor e permitem que a Petrobras pague parte dos
5 bilhões de barris de petróleo com campos terrestres
de exploração já "madura", assim considerados
por apresentarem produção decrescente.
O pagamento feito dessa forma poderá
ocorrer no montante equivalente ao valor de mercado de até 100
milhões de barris de óleo ou gás. Os campos deverão
ser avaliados por entidades certificadoras.
Os campos serão direcionados a uma nova
licitação, a ser feita pela Agência Nacional do
Petróleo (ANP), da qual poderão participar empresas independentes
de pequeno e médio porte.
Contrato de cessão
Como a União é a proprietária dos campos de petróleo,
a exploração do equivalente a 5 bilhões de barris
será feita por meio de um contrato de cessão. Ele deverá
especificar a delimitação geográfica das áreas
cedidas, o valor e as condições de pagamento e quando
poderá ser feita a revisão dos seus termos, principalmente
por causa dos preços de mercado do petróleo.
Outra emenda aprovada pelo Plenário determina
que o Ministério da Fazenda encaminhe anualmente, ao Congresso,
um relatório sobre as operações realizadas com
base nas regras do projeto.
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Agência Câmara,
4 de março de 2010
Ministro diz que uso do FGTS será
barrado no Senado
O acordo na Câmara entre a base aliada e a oposição
permitindo que, no processo de capitalização da Petrobras,
o trabalhador que já aplicou recursos do Fundo de Garantia do
Tempo de Serviço (FGTS) em ações da estatal invista
novamente dinheiro do fundo na empresa de petróleo pode naufragar.
Pouco antes do anúncio em Plenário do acordo para que
esses trabalhadores possam aplicar na Petrobras até 30% do saldo
que têm no FGTS, o ministro de Relações Institucionais,
Alexandre Padilha, declarou que, se aprovada, a medida seria barrada
no Senado.
Após a aprovação
da emenda ao Projeto de Lei 5941/09, do Executivo, nesta quarta-feira,
o deputado José Genoíno (PT-SP) reconheceu que não
há como garantir que o governo aceite esse dispositivo. "Nós
estamos fazendo um acordo no âmbito da Câmara; isso não
significa que o governo vá vetar ou não. A oposição
quer o nosso compromisso de que o governo não vetará,
mas nós não podemos assumir esse compromisso."
Mais otimista, o deputado Arnaldo
Jardim (PPS-SP) disse que o acordo vai permitir que 248 mil cotistas
comprem ações da empresa, o que vai evitar a diluição
da participação acionária desses trabalhadores
que em 2000 acreditaram no potencial da Petrobras. E não se arrependeram,
já que, segundo o parlamentar, quem aplicou R$ 1 mil tem hoje
R$ 9 mil. Os mesmos R$ 1 mil mantidos no FGTS somam hoje R$ 1.300.
O líder do DEM na Câmara,
deputado Paulo Bornhausen (SC), comemorou o acordo, já que, na
comissão especial que analisou o projeto de capitalização
da Petrobras, a proposta aprovada não permitia uso de recursos
do FGTS. No entanto, ele estimula que outros brasileiros que não
investiram recursos do fundo na empresa há dez anos recorram
à Justiça para poder investir hoje. "Eu estimularia
o cidadão brasileiro que tem essa condição a pedir
a isonomia. Nós fizemos um acordo aqui para abrir essa porta,
abrir a porta da justiça. E a justiça qual é? Trabalhador
brasileiro tem direito a participar da capitalização da
Petrobras", ressaltou.
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Gazeta do Povo, 4 de março
de 2010
Investimento
Rendimento do FGTS é historicamente
baixo
Nas duas ocasiões em que foi permitido o uso de parte do saldo
do FGTS para investimento em empresas do governo, quem realizou a operação
acabou lucrando. Levantamento do Instituto FGTS Fácil (IFF) aponta
que os papéis da Petrobras tiveram valorização
de 798% desde agosto de 2000, época da oferta, enquanto o Fundo
rendeu apenas 62% no mesmo período. A diferença para as
ações da Vale é ainda maior, com valorização
de 1.023% contra 50% do FGTS.
Ainda que a atual operação
não garanta que os papéis vão repetir o rendimento
apresentado nos últimos dez anos, é provável que
a compra seja um bom investimento de qualquer forma – especialmente
considerando que a correção pura do Fundo de Garantia
é historicamente a pior entre todos os investimentos. A avaliação
é do presidente do IFF, Mario Avelino. “Hoje o FGTS não
consegue nem acompanhar a inflação; o dinheiro do trabalhador
está constantemente sendo desvalorizado nesse fundo”, diz.
O rendimento aproximado do FGTS hoje é de 3% ao ano, enquanto
os índices de inflação estão acima de 4%.
Questionado sobre a garantia
de retorno do projeto do pré-sal, ele afirma que o petróleo
ainda será a grande potência energética durante
muitos anos. “Mesmo com a pesquisa de novas fontes de energia
renovável, os países não estão prontos para
abrir mão do petróleo. Ele ainda ficará bastante
tempo em voga na economia internacional”, avalia. O que é
perigoso do ponto de vista do pré-sal como investimento, segundo
ele, é a demora do governo em avançar na prospecção
dos novos campos, a fim de adiantar sua posição de exportador.
Ressalvas
Um problema da regra para a
compra de ações da maneira em que foi aprovada ontem é
que ela só irá beneficiar os cerca de 95 mil trabalhadores
que já têm ações da estatal, deixando de
fora os outros 30 milhões de brasileiros. No aporte do ano 2000,
317 mil pessoas com FGTS aderiram à oferta, número que
foi caindo com a valorização da empresa e consequente
venda dos papéis. “Hoje, com maior conhecimento e maturidade
do mercado de investimentos, certamente seria muito maior”, diz
Avelino.

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Folha de S.Paulo, 4 de março
de 2010
FGTS-Petrobras renderá mais, diz
analista
Pequeno rendimento do fundo e preço baixo
das ações da estatal em razão de incertezas sobre
projeto do pré-sal são atrativos | Maioria dos investimentos
ganha em longo prazo dos 3% de rendimento do FGTS, que perde ano após
ano para os índices de inflação
TONI SCIARRETTA
DA REPORTAGEM LOCAL
Investir em Petrobras é
um negócio arriscado em curto prazo, dada uma série de
incertezas que ainda rondam a capitalização da estatal,
além de dúvidas quanto ao modelo de partilha de petróleo,
dificuldades de exploração no pré-sal, ingerência
política e desrespeito ao acionista minoritário.
Por outro lado, é uma excelente oportunidade em longo prazo por
conta da posição privilegiada da estatal -virtualmente
sem concorrência- na exploração de uma das últimas
reservas de petróleo do mundo.
Para o acionista minoritário, o investimento ganha um apelo maior
porque as ações foram abatidas por essas incertezas e
pela crise global.
Nos últimos 365 dias, enquanto o Ibovespa avançou 85,49%,
os papéis ON (com direito a voto) da Petrobras subiram apenas
32,72%. Ontem, as ações ON subiram 0,33%.
Para finalizar, praticamente qualquer investimento hoje é melhor
do que os 3% mais TR do FGTS, que perde ano após ano da inflação
e do qual o investidor tem as mãos atadas para sacar e escolher
a política de investimento. No ano passado, o fundo rendeu só
3,9%, o menor retorno da história, enquanto o IPCA subiu 4,31%.
Segundo analistas, mesmo que a capitalização e a gestão
da estatal sejam um desastre, dificilmente a perda, em longo prazo,
será maior que a "corrosão" do FGTS.
Para Daniel Doll, analista da corretora Socopa, as ações
da Petrobras hoje já refletem todas as críticas apontadas
pelo mercado. "Conforme os detalhes vão saindo, a tendência
é diminuir as incertezas e reduzir esse desconto. A Petrobras
é a maior interessada e já apontou que respeitará
o interesse dos minoritários", disse.
"O papel da Petrobras foi sofrendo desde que começaram as
discussões de capitalização. Mas a Petrobras tem
uma posição única para se beneficiar da exploração
do pré-sal. Para isso, é fundamental que seja capitalizada",
disse Nelson Mattos, analista do Bradesco BBI.
Para ele, não é certo que todos os investidores minoritários,
especialmente os grandes fundos de investimento, "acompanhem"
o aumento de capital da Petrobras. Nesse caso, ele crê que o governo
exercerá seu direito de preferência para comprar as novas
ações e elevar sua participação. "Ainda
há muitas dúvidas sobre a capitalização,
especialmente sobre o valor do barril de petróleo."
Além do trabalhador, o uso do FGTS também interessa aos
bancos, que deverão gerir os fundos. Na visão do mercado,
só o governo perderá com a medida porque reduzirá
os recursos disponíveis para financiar projetos de cunho social.
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Vermelho, 4 de março
de 2010
Governo grego anuncia novo pacote contra
os trabalhadores
Por Umberto Martins
Atolado na crise da dívida
externa e sob forte pressão dos bancos credores e da cúpula
da União Europeia, o primeiro-ministro da Grécia, George
Papandreou, anunciou nesta quarta-feira (3) um novo e doloroso pacote
econômico. As medidas, que incluem redução de salários
no setor público e aumento do Imposto sobre o Valor Agregado
(IVA), devem motivar uma nova onda de protestos no país.
O objetivo do governo é economizar 4,8 bilhões de euros
(6,5 bilhões de dólares) para garantir o pagamento dos
juros da dívida externa (de 300 bilhões de dólares)
e evitar a moratória. O porta-voz do governo, Giorgos Petalotis,
prevê uma alta de pelo menos 2% no IVA, além da elevação
da carga tributária incidente sobre combustíveis, cigarros,
bebidas alcoólicas e produtos de luxo.
Arrocho salarial
O 13º salário dos
funcionários públicos será reduzido em 30%, enquanto
o 14º salário sofrerá um corte de 60%, a pedido dos
ministros da União Europeia. O valor das pensões será
congelado. A Alemanha, principal credora da Grécia, saudou as
novas medidas antipopulares, que o movimento sindical e as forças
progressistas receberam como uma verdadeira declaração
de guerra.
O maior sindicato de servidores
públicos do país, Adedy, presidido por Spiros Papaspiros,
já avisou ao governo que vai reagir. No dia 24 de fevereiro a
Grécia foi paralisada por uma greve geral que contou com a adesão
de pelo menos 80% da classe trabalhadora. O alvo do protesto foi o primeiro
pacote do governo, que além de cortes nos salários incluiu
a elevação da idade mínima para aposentadoria.
A temperatura da luta de classes vai aumentar ainda mais com as novas
medidas.
A Grécia vive uma autêntica
crise da dívida externa, que em muitos aspectos se assemelha
àquela que o Brasil viveu nos anos 1980 e que resultou em duas
décadas perdidas, com estagnação da renda per capita
e forte redução da participação dos salários
no PIB. Se o povo não conseguir reverter tais medidas, impostas
por uma União Europeia imperialista a serviço dos credores,
o país que foi berço da civilização ocidental
tende a mergulhar num longo período de estagnação.
A crise também está
revelando as fragilidades do padrão euro.
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Vermelho, 4 de março
de 2010
El País: ascensão de Dilma
é "balde de água fria" na oposição
O jornal espanhol El País publicou, nesta terça-feira
(2) em seu site um artigo em que ressalta o crescimento nas últimas
pesquisas da ministra-chefe da Casa Civil e pré-candidata do
PT à presidência, Dilma Rousseff. O jornal espanhol afirma
que crescimento eleitoral da ministra foi um “balde de água
fria” para a oposição. A publicação
ressalta que o PSDB “se vê obrigado a forçar”
o governador de São Paulo, José Serra, “a tomar
uma decisão” sobre sua candidatura.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva “tinha razão”
quando afirmou que a ministra cresceria nas pesquisas após a
oficialização de sua candidatura, observa o jornal. O
artigo lembra que a ministra ganhou cinco pontos percentuais desde o
anúncio de sua candidatura, no dia 20 de fevereiro. Neste momento,
está a apenas quatro pontos de distância do pré-candidato
tucano.
Segundo o El País, a
ascensão da ministra está levando o PT a “começar
a acreditar que vai voltar a ganhar as eleições”.
O artigo afirma que Serra estaria indeciso quanto a concorrer pela segunda
vez à Presidência, pois, com uma nova derrota para o PT
na corrida à presidência, o tucano também perderia
a oportunidade de tentar se reeleger ao governo do Estado.
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Folha de S.Paulo, 4 de março
de 2010
Serra diz que é candidato
e convida Aécio para ser vice
Governador avisa ao partido que disputará
Presidência e tenta convencer mineiro | Em jantar, Aécio
repete que tentará Senado; em discurso em Brasília, paulista
sai em defesa de legado de FHC e afirma ser preciso fazer mais
CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL
VALDO CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em conversas desde a noite de
terça-feira, o governador de São Paulo, José Serra,
admitiu à cúpula do PSDB que é candidato à
Presidência da República. Serra -que até já
discute a data para o anúncio oficial da candidatura- deixou
clara sua disposição de concorrer num jantar na noite
de anteontem com o governador de Minas e vice de seus sonhos, Aécio
Neves.
No encontro, Serra agiu como candidato ao convidar pela primeira vez
de forma direta Aécio para ser companheiro de chapa. Mais uma
vez, o mineiro disse não, mas o paulista não desistiu
de convencê-lo.
Aécio afirmou ontem a interlocutores que não tem mais
dúvida da candidatura Serra. "Pode esquecer. O Serra é
o candidato", comentou, depois da sessão solene do Senado
em homenagem ao centenário de seu avô, Tancredo Neves.
Na conversa, que invadiu a madrugada de ontem e contou com a presença
do presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), Aécio desencorajou
Serra a insistir em seu nome para a vice. Alegando que poderia contribuir
mais para o partido concorrendo ao Senado, argumentou que seria prejudicial
à campanha criar falsa expectativa.
Aécio se comprometeu ainda a obter a vitória do PSDB em
Minas e defendeu o nome de Tasso Jereissatti (CE) para vice. Horas depois,
numa conversa com os senadores do partido, repetiu seus argumentos.
E apelou: "Por favor, não insistam no meu nome para a vice".
Serra também demonstrou a intenção de concorrer
em diferentes conversas ontem, durante sua passagem por Brasília.
Sentado a seu lado, um senador lhe disse que a bancada do PSDB está
à espera de sua definição. "Sou candidato.
Só espero a data ideal para o anúncio", respondeu
Serra, segundo esse senador.
Em outra conversa, o tucano reconheceu a hipótese de lançar
sua candidatura antes do prazo fatal para o anúncio, 2 de abril.
Como a data-limite de desincompatibilização coincide com
a Semana Santa, a decisão não teria impacto se formalizada
em pleno feriado. Até lá, ele se valerá da exposição
como governador de São Paulo.
Sinais
e discurso
O roteiro cumprido em Brasília atende a pedido de PSDB, DEM e
PPS para que Serra dê sinais claros de que será candidato,
ainda que não anuncie.
Aliados do governador admitem que o espaço para um eventual recuo
é pequeno, mas ressalvam que ele pode reavaliar a candidatura
caso não consiga ter Aécio na vice ou se Dilma Rousseff
(PT) ultrapassá-lo em pesquisas antes do prazo de desincompatibilização.
Além das conversas internas, o discurso público do governador
de São Paulo já toca explicitamente num dos temas centrais
da campanha: a comparação entre os governos do PT e do
PSDB. Em seu pronunciamento na sessão de homenagem a Tancredo,
ele criticou o rótulo de "herança maldita" usado
pelo PT para rechaçar um possível retorno tucano ao Palácio
do Planalto.
"O PT acabou por ser, por paradoxal que pareça, um dos principais
beneficiários da eleição do primeiro presidente
civil e das conquistas sociais e culturais da Constituição
e soube, posteriormente, colher bons frutos de mudanças institucionais
e práticas, como o Plano Real, o Proer [programa de ajuda a bancos
de FHC] e a Lei de Responsabilidade Fiscal", disse, repetindo trechos
de artigo seu na revista "Veja".
Ele enalteceu conquistas do governo FHC sem, no entanto, fazer críticas
à gestão de Lula. Disse que não se deve negar o
passado, e sim "superá-lo, a fim de fazer mais e melhor".
Na volta a São Paulo, ainda que demonstrando certa impaciência
e desconforto diante da avalanche de perguntas sobre quando definirá
se será candidato, Serra deu uma rara declaração:
"Eu nunca afastei a possibilidade de vir a ser candidato, coisa
que declarei há mais tempo. Existe a possibilidade de eu ser
candidato? Existe sim. Ela não foi afastada", disse, após
participar de inauguração na unidade neonatal do hospital
de Sapopemba (zona leste).
Colaboraram a Sucursal de
Brasília e a Reportagem Local
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O ESTADO DO PARANÁ,
04 de março de 2010 | Política
Lula pede 'juízo' em decisões
tomadas em ano eleitoral
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez hoje um apelo aos
parlamentares para que, em um ano eleitoral, não sejam tomadas
decisões apenas com intuito de ganhar votos. "Aproveito
o momento para fazer um apelo aos deputados e senadores que não
é porque estamos em época eleitoral que vai se praticar
a farra do boi. Não é banalizando decisões que
se vai ganhar votos. É preciso ter juízo em ano eleitoral.
Não se pode prometer mundos e fundos. A sociedade brasileira
sabe que as conquistas foram resultado de um trabalho sério.
Se dermos sinais de que a farra do boi vai começar, vamos perder
a imagem de país sério."
As declarações foram dadas pelo presidente em rápida
entrevista realizada após o lançamento do Portal Brasil
(www.brasil.gov.br), ao comentar a decisão da Câmara dos
Deputados de incluir uma emenda no projeto que cria o Fundo Social do
pré-sal, que permite a utilização de parte do fundo
para o reajuste de aposentadorias de valor superior a um salário
mínimo. Questionado se vetaria a emenda, caso ela fosse confirmada
pelo Senado, Lula disse: "Vamos esperar chegar (a medida para sanção).
O presidente só se pronuncia quando o assunto chega as suas mãos."
O governo federal lançou
hoje o Portal Brasil, que reúne todas as informações
dos sites de governo em apenas um site. Durante a solenidade de lançamento,
o presidente Lula chamou o site de "Google nacional, totalmente
brasileiro". "Qualquer brasileiro poderá ter informação,
não existirá mais segredo das coisas que estamos fazendo.
Não é portal do presidente Lula ou deste governo. É
um portal do Brasil para o Brasil", definiu.
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O ESTADO DO PARANÁ,
04 de março de 2010 | Política
Partidos reclamam de resolução
do TSE sobre doações
Lideranças dos quatro maiores partidos políticos - PMDB,
PT, PSDB e DEM - reclamaram hoje da resolução do Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) que restringiu, nas eleições
de outubro, as chamadas doações ocultas, manobra utilizada
por empresas para destinar dinheiro a candidatos sem ter o nome associado
diretamente a eles. Já o pré-candidato à presidência
pelo PSB, o deputado Ciro Gomes (CE), criticou a resolução
do Tribunal que obriga os candidatos a apresentarem certidão
criminal digitalizada ao pedirem o registro de suas candidaturas.
"É a rendição
da Justiça ao modo lusitano de ser", ironizou Ciro Gomes.
"Eu não tenho problema nenhum. Mas vou ter de ir não
sei onde para ter esse papel", completou. Ele defendeu que a Justiça
seja mais ágil no julgamento dos casos. "Um adversário
meu pode entrar com uma ação contra mim e ela nunca ser
julgada", observou o deputado. Ele fez questão, no entanto,
de ressaltar que não é alvo de processo.
Os partidos ficaram especialmente
preocupados com a decisão do TSE que vai obrigá-los a
discriminar a origem e o destino dos recursos repassados a candidatos
e comitês financeiros durante a campanha deste ano. Na prática,
isso dificulta as doações ocultas. A avaliação
é que o montante de doações de campanha será
reduzido nas próximas eleições, com um aumento
das doações para caixa 2.
"Acho essa resolução
uma incoerência com a própria decisão do TSE que
fortaleceu os partidos políticos, ao dizer que o mandato é
do partido. Agora o Tribunal está fortalecendo a estrutura pessoal
e diminuindo o volume de financiamento da campanha", disse o presidente
nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ).
"Sou contrário a
qualquer tipo de restrição à doação
legal porque isso sempre facilita a doação ilegal",
observou o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra
(PE). Para ele, a resolução do TSE é "um tiro
n'água". "Ouvi muitas queixas", comentou o presidente
do PMDB e da Câmara, deputado Michel Temer (SP), ao alegar que
ainda precisa estudar melhor as medidas adotadas pelo Tribunal.
Relator da lei eleitoral na
Câmara, o deputado Flávio Dino (PC do B-MA) elogiou a resolução
do Tribunal. "Vai permitir o rastreamento da doação,
fazendo a ligação entre os doadores e os destinatários",
disse.
"Essa resolução
é uma restrição desnecessária porque os
partidos são pessoas jurídicas de direito público.
Há muitos analistas que acham que a consequência não
intencional da decisão serão as contribuições
não escrituradas de empresas", afirmou o deputado Maurício
Rands (PT-PE).
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Gazeta
do Povo, 4 de março de 2010
Regras eleitorais
TSE divulgará ficha criminal de candidatos
Tribunal publicará, na eleição,
quem são os concorrentes que respondem a ações. Casos
de improbidade foram excluídos
Brasília - Os candidatos que respondem
a processos na Justiça terão suas fichas criminais publicadas
na internet durante a campanha eleitoral deste ano. O Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) decidiu divulgar a certidão criminal de todos
os políticos que participarem da disputa. A informação
estará no sistema de divulgação de candidaturas
do tribunal (www.tse.gov.br), junto com dados como a escolaridade e
declaração de bens dos inscritos para a eleição.
A novidade, porém, será restrita
a crimes comuns e exclui casos de improbidade administrativa, que ocorrem
quando o agente público comete irregularidades no exercício
da função. É o caso do desvio de verba pública,
falta de prestação de contas, ilegalidades em licitações
ou superfaturamento de obras.
“É uma pena essa exclusão
(da improbidade administrativa), porque se trata do problema mais comum
entre os políticos. Tornaria a fiscalização mais
ampla”, lamenta o advogado Nicolau Dino, especialista em Direito
Eleitoral e professor da Universidade de Brasília.
Sobre a exclusão dos processos por improbidade
administrativa na certidão dos candidatos, os ministros do TSE
alegaram que a novidade seria impossível por motivos
técnicos. O tema levantou polêmica
durante a sessão da última terça-feira, mas eles
entenderam que a situação não é aplicável
porque a Lei de Improbidade Administrativa, em vigor desde
1992, é anterior à Lei das Eleições, de
1997.
A decisão de publicar na internet a ficha
criminal dos candidatos mas não os processos de improbidade fez
parte de um conjunto de resoluções aprovadas pelo TSE
na noite de anteontem que definiu as novas regras para as eleições
de 2010.
Inovação
Na prática, todos os candidatos já
eram obrigados a entregar à Justiça Eleitoral certidões
criminais expedidas pelas Justiças Estadual e Federal. A inovação
será a divulgação dos documentos e o detalhamento
dos problemas.
O partido do candidato que enfrenta processos
criminais deverá apresentar dados oficiais sobre o andamento
específico de cada ação. O prazo para que isso
ocorra será de 72 horas após o pedido de registro da candidatura.
Em caso de descumprimento, ele terá a candidatura negada por
falta de documentação obrigatória.
De acordo com o presidente do TSE, Carlos Ayres
Britto, a novidade não implica na imposição da
vida pregressa como condição de elegibilidade. Segundo
ele, trata-se de uma questão de transparência. “O
eleitor tem o direito de saber da vida pregressa do seu candidato e
a Justiça Eleitoral tem o dever de facilitar esse conhecimento.”
A possibilidade de impedir a candidatura de
pessoas com condenação sem trânsito em julgado foi
rejeitada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2008. Por nove votos
a dois, os ministros entenderam que a tese violaria o princípio
constitucional de presunção da inocência –
diferentemente do que ocorre em outros países (veja gráfico
ao lado). A autora da ação foi a Associação
de Magistrados do Brasil (AMB), mesma entidade que requereu ao TSE a
divulgação da certidão criminal dos candidatos.
“A decisão de publicar as
informações é uma vitória. Uma democracia
não pode prescindir de informação”, comemora
o presidente da AMB, Mozart Valadares. Segundo ele, a
resolução aprovada pelo TSE também servirá
como um mecanismo de pressão para que o Congresso Nacional aprove
a proposta que proíbe a candidatura de políticos com condenação
por crimes graves em qualquer instância.

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Valor Econômico, 4
de março de 2010
Banido, amianto continua em uso
em SP; liminares na Justiça garantem
Por Luiza de Carvalho,
No Valor Econômico
Quase dois anos após
o Supremo Tribunal Federal ter confirmado a lei paulista que proíbe
o uso do amianto no Estado, a disputa entre empresas do setor e o Ministério
Público do Trabalho continua acirrada no Judiciário. Duas
indústrias do setor de fibrocimento - a Infibra, de Leme, e a
Confibra, de Hortolândia - obtiveram liminares em novembro e fevereiro
para manter a fabricação de telhas e caixas d"água
com o produto, que foi banido em pelo menos quatro Estados.
Quase dois anos após
o Supremo Tribunal Federal (STF) ter assegurado a validade da lei paulista
que proíbe o uso do amianto, apenas duas fabricantes de produtos
em fibrocimento - a Infibra, de Leme, e a Confibra, de Hortolândia
- resistem, amparadas por liminares. Um total de 170 indústrias
utilizava o produto no estado, de acordo com o Ministério do
Trabalho e Emprego. O amianto, utilizado na fabricação
de telhas e caixas d"água, foi banido em pelo menos quatro
Estados brasileiros.
A discussão sobre os
malefícios do amianto começou a partir do ajuizamento
de inúmeras ações de trabalhadores que desenvolveram
doenças pulmonares - especialmente a asbestose - geralmente cerca
de 20 a 30 anos após o primeiro contato com a fibra.
O amianto já foi banido
da maioria dos países da Europa e nos Estados Unidos. No entanto,
o amianto europeu e mericano é do tipo anfibólio - que
seria mais nocivo - e não crisotila, que é extraído
em jazidas brasileiras. O Brasil autoriza o uso controlado do amianto
crisotila, também conhecido como amianto branco.
As empresas que trabalham com
amianto argumentam que hoje não há mais riscos de contaminação
no ambiente de trabalho. De acordo com Élio A. Martins, presidente
da Eternit, maior empresa do segmento - com cinco fábricas no
país e dona de uma jazida de amianto - as contaminações
dos trabalhadores ocorreram entre as décadas de 40 e 70, época
em que o risco do produto era desconhecido e ocorria a importação
do amianto anfibólio.
"As condições
de trabalho melhoraram muito e não se teve mais nenhum caso de
disfunção respiratória gerada pelo trabalho com
amianto a partir dos anos 80", afirma Martins. Segundo ele, a Eternit
chegou a responder a 220 ações judiciais de trabalhadores
e hoje tem menos de cem. "A maioria das ações foi
julgada improcedente por não se comprovar que a doença
tinha relação com o amianto."
A decisão liminar do
Supremo pela constitucionalidade da Lei paulista 12.684, de 2007 - que
proíbe o uso do amianto no Estado - foi a primeira análise
dos ministros sobre o tema. Tramitam na Corte ações diretas
de inconstitucionalidade (Adins) contra leis dos Estados do Rio de Janeiro,
Pernambuco e Rio Grande do Sul, que vedam a comercialização
do amianto.
No Pará, uma lei para
proibir o amianto foi vetada pelo governo. A palavra final do Supremo,
no entanto, será dada no julgamento da Adin 4.066, proposta pela
Associação Nacional dos Magistrados da Justiça
do Trabalho (Anamatra) e pela Associação Nacional dos
Procuradores do Trabalho (ANTP). As entidades questionam a Lei Federal
9.005, de 1995, que autoriza o uso controlado do amianto branco.
Enquanto não há
uma definição, empresas e Ministério Público
do Trabalho (MPT) continuam a brigar no Judiciário. De acordo
com dados da fiscalização trabalhista, apenas duas empresas
continuaram a explorar o amianto em São Paulo: a Infibra e a
Confibra.
"Não faz sentido
manter os 500 empregos de duas empresas sob o risco de sacrificar 17
mil empregos de empresas que investiram altas somas para trocar de tecnologia",
afirma Fernanda Giannasi, auditora fiscal do Ministério do Trabalho,
que há mais de 20 anos atua na causa dos trabalhadores expostos
ao amianto. Ela colaborou com a fundação da Associação
Brasileira dos Expostos ao Amianto (Abrea).
Em dezembro, a Vigilância
Sanitária e a fiscalização trabalhista interditaram
a Confibra. A empresa obteve, no entanto, uma liminar na Vara do Trabalho
de Hortolândia para manter suas atividades por mais 90 dias, período
que a juíza Fernanda Cristina de Moraes Fonseca entendeu ser
suficiente para que se busque alternativas de substituição
ao amianto.
De acordo com a decisão,
embora a lei paulista que proíbe o amianto signifique um avanço
ao trazer melhores condições de trabalho, a interdição
abrupta do estabelecimento em nada contribuiria para solucionar o problema.
A magistrada considerou que a empresa provou ter um rigoroso controle
sobre o processo produtivo e que os maiores prejudicados com um eventual
encerramento das atividades seriam os trabalhadores.
De acordo com Alberto Martins
Neto, diretor da Confibra, que possui 220 trabalhadores na fábrica
de Hortolândia, a empresa tem feito um grande esforço para
se adaptar a outra tecnologia para as telhas. No entanto, diz, as fibras
sintéticas não apresentam a mesma qualidade.
A empresa entrou com um pedido
de prorrogação da liminar por um ano, alegando a dificuldade
de adaptação. "Esperamos que o Supremo derrube a
lei paulista", diz Neto. Na opinião dele, caso seja mantido
o banimento em São Paulo, as 20 mil lojas de material de construção
do Estado continuarão a comprar material com amianto de outras
regiões.
Já a Infibra, a outra
empresa do setor de fibrocimento que mantém o uso do amianto,
obteve uma liminar em novembro, na Vara de Trabalho de Leme, que garante
a continuidade de suas atividades. O juiz Valdevir Roberto Zanardi considerou
que, se mantidas as condições de produção
da empresa, não há perigo para os empregados. Procurada
pelo Valor, a Infibra preferiu não comentar o assunto.
Além do setor de telhas
e caixas d'água, a fiscalização do Ministério
Público do Trabalho em São Paulo tem acompanhado o setor
de isolamento térmico - produtos feitos a partir do amianto que
são utilizados em equipamentos de fábricas, como caldeiras.
De acordo com Fernanda Giannasi,
80 pequenas empresas do setor em São Paulo foram multadas por
importar o produto da China e estão sendo interditadas pela fiscalização.
No momento, as empresas que
comercializam produtos com amianto em São Paulo mantêm
a expectativa de aprovação do projeto de lei estadual
917, de 2009, que confere às companhias um prazo de dez anos
para deixarem de usar o produto.
Conforme a justificativa do
projeto, as empresas de fibrocimento do interior paulista vendem mais
de 60% de sua produção no próprio Estado, e uma
proibição imediata do uso de amianto causaria inevitavelmente
o fechamento dessas empresas, o que acarretaria no desemprego de 600
trabalhadores diretos e 2.500 indiretos.
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O POVO/ FORTALEZA, 04 dee
março de 2010
Computadores
Operários da construção
civil ganham concurso
Para muitas pessoas, ter contato com o computador é um hábito.
Trabalhos digitados são pedidos pelos professores há muito
tempo e não ter e-mail pode ser considerado estranho. Porém,
o acesso ao computador e à Internet ainda não é
tão amplo.
Até pouco tempo, essa
era a realidade do pedreiro Josué Barros dos Santos, 42. Mas,
ao lado do colega de profissão Manuel Leonardo Neto, 46, Josué
desenvolveu a planta de uma casa durante a oficina Construção
Virtual, oferecida através do Programa Qualidade de Vida na Construção
(PQNV). O programa, criado em 2003 pelo Sindicato da Indústria
da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE) em
parceria com o Serviço Social da Indústria (Sesi), oferece
diversas oficinas para os operários. Nessa edição
50 operários participaram.
Na manhã de ontem, Manuel
e Josué tiveram o trabalho reconhecido. O projeto criado pelos
dois foi considerado o melhor pelos facilitadores da oficina e, por
isso, cada um recebeu um notebook. Um prêmio para aproximar operários
do mundo virtual. ``Nunca tinha pego em computador. Agora quero aprender
ainda mais``, diz.
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BEM PARANÁ, 04 de
março de 2010 | Paraná
Invasão
Agricultores da Contag invadem usina e
fazenda no Paraná
Um dos líderes do movimento, Celso Damasceno,
disse que a ocupação foi feita em "solidariedade"
a cortadores de cana
Agência Estado
Pessoas ligadas à Confederação Nacional dos Trabalhadores
na Agricultura (Contag) promoveram, ontem, invasões na usina
de açúcar e álcool da Cooperativa Agroindustrial
Cofercatu e em uma fazenda pertencente ao presidente da cooperativa,
José Otaviano Ribeiro, ambas em Florestópolis, a cerca
de 450 quilômetros de Curitiba, no norte do Paraná. A usina
não está tendo prejuízo com a invasão porque
os equipamentos estão parados para manutenção,
aproveitando-se a entressafra. Ribeiro, que não foi encontrado
ontem, já entrou com pedido de reintegração de
posse.
Um dos líderes do movimento,
Celso Damasceno, disse que a ocupação foi feita em "solidariedade"
a cortadores de cana que prestam serviço à Cofercatu que
estariam com os salários atrasados há quatro meses. "Estamos
dando uma mão para que eles possam receber os direitos",
disse Damasceno. "A direção da usina já fez
várias promessas nesse período, mas até agora não
pagou nada." Segundo ele, a última promessa é de
que o pagamento sairá amanhã (05). "Se não
der resultado vamos montar acampamento", afirmou.
A Contag está com cerca
de 500 pessoas nas dependências da usina e outras 300 na fazenda.
Damasceno disse que nada foi destruído. Na fazenda, há
plantação de cana e de soja. "A polícia esteve
aqui, conversou com a gente e viu que está tudo em ordem",
ressaltou. De acordo com ele, cerca de 4 mil pessoas trabalham no corte
de cana. Desses, 1,3 mil foram dispensados em fevereiro após
entrarem em greve, mas até agora não teriam recebido o
que lhes é devido. "Tem família que não consegue
pagar aluguel e já está indo para a rua", disse.
Damasceno destacou que
eles também estão pedindo que o Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária (Incra) tenha mais
rapidez na reforma agrária. Segundo ele, na região de
Londrina há 2,5 mil pessoas cadastradas aguardando um pedaço
de terra.
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JORNAL DE SANTA CATARINA,
04 de março de 2010
NEGOCIAÇÃO DO PISO
SC: Sindicatos negociam com base no salário
mínimo regional
BLUMENAU - Sindicatos patronais
e de trabalhadores estão negociando, em convenções
coletivas, pisos salariais de acordo com a lei que estabelece os mínimos
regionais para cada profissão, aprovada em 2009. Apesar de não
serem obrigados a oferecer o piso regional a lei é válida
para categorias que não têm convenção coletiva
, os sindicatos seguem recomendação do Ministério
Público do Trabalho, publicada em dezembro, que orienta a não-negociação
de salários abaixo dos valores estabelecidos na lei estadual.
Em Blumenau, alguns profissionais já recebem de acordo com o
piso regional.
Conforme o Sindicato dos Trabalhadores
nas Indústrias Gráficas de Blumenau, uma convenção
ano passado definiu salário de R$ 680 para a categoria a partir
de janeiro deste ano. É R$ 1 maior do que o piso regional. O
Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Vestuário
também negociou valor maior que os R$ 616 estabelecidos em lei.
O piso da categoria foi acordado em R$ 629,20.
É o correto, não
é justo uma categoria organizada receber menos do que uma não-organizada
opina o presidente do sindicato, Júlio José Rodrigues.
E mais negociações
vêm por aí. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores
nas Indústrias de Vidros, Cristais e Espelhos, Cerâmica
de Louças e Porcelana, Papel e Papelão, José de
Andrade, trabalhadores da categoria ainda aguardam aumento:
Nossa data-base é maio.
Hoje, o piso está em R$ 550, mas vamos negociar para conseguir
o mínimo regional de R$ 679 diz.
Quem trabalha nas indústrias
de papel e papelão já está recebendo R$ 616.
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Gazeta do Povo, 4 de março
de 2010
Acidente
Curitiba: Homem morre soterrado em obra
Um homem de 40 anos morreu soterrado na tarde de ontem em Curitiba quando
trabalhava em uma obra na Rua Brigadeiro Artur Carlos Peralta, perto
do cruzamento com a Rua Ari Barroso, no bairro Boa Vista, em Curitiba.
Segundo o Corpo de Bombeiros, a vítima prestava serviços
para uma empreiteira contratada pela Companhia de Saneamento do Paraná
(Sanepar) e o acidente de trabalho ocorreu por volta das 16 horas. O
músico Rubens Mateus Cabreira mora na região e disse que
os trabalhadores estavam abrindo um buraco durante a tarde. “O
homem estava dentro do buraco quando parte do material que tinha sido
retirado caiu em cima dele”, afirmou. Duas viaturas dos Bombeiros
foram enviadas para o local. O corpo dele será encaminhado para
o Instituto Médico-Legal (IML) da capital. O nome da vítima
não foi confirmado pelas autoridades. A assessoria da Sanepar
informou que uma galeria pluvial estava sendo aberta e que a obra era
de responsabilidade da prefeitura de Curitiba. Já a assessoria
da prefeitura afirmou, por volta das 18h15 de ontem, que não
havia registro de obras dessa natureza naquela região.
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
04/03/2010
SDI-2 julga prescrição de ação
de indenização de doença profissional
Por unanimidade, a Seção
II Especializada em Dissídios Individuais do Tribunal Superior
do Trabalho negou provimento a recurso ordinário em ação
rescisória de ex-empregados da Termomecânica São
Paulo que pretendiam reformar decisão que decretara a prescrição
para pleitear indenização por danos provenientes de infortúnio
do trabalho.
Como ressaltou o relator, ministro
Barros Levenhagen, os empregados indicaram como violados apenas os artigos
177 do Código Civil de 1916 e 2.028 do Código de 2002,
que tratam, respectivamente, da prescrição vintenária
para ações pessoais e da regra de transição
para propor ações após a entrada em vigor do novo
Código.
No entanto, continuou o relator,
a decisão do Tribunal do Trabalho da 2ª Região (SP)
de extinguir o processo foi com base na interpretação
de que a prescrição aplicável ao caso era a prevista
no artigo 7º, inciso XXIX, da Constituição (prazo
prescricional de cinco anos para trabalhadores urbanos e rurais, até
o limite de dois anos após a extinção do contrato
de trabalho). O TRT observou que o final do contrato datava de abril/1990
e a ação tinha sido ajuizada somente em maio/1998, ou
seja, depois da prescrição bienal.
Portanto, segundo o ministro
Levenhagen, o Regional não negou vigência ou eficácia
aos dispositivos do Código Civil mencionados pelos trabalhadores,
mas apenas registrou que a indenização por dano decorrente
de doença profissional adquirida pelo empregado se caracteriza
como direito trabalhista, sendo aplicável a prescrição
constitucional.
Assim, a interpretação
da legislação aplicável à hipótese
feita pelo TRT não enseja, por si só, o corte rescisório,
na medida em que a violação literal de dispositivo de
lei somente se configura quando adotado entendimento claramente em desacordo
com as disposições da norma tida como vulnerada. (ROAR-
1265100-75.2007.5.02.0000)
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04/03/2010
Servidora aposentada conseguiu reverter decisão
que a impedia de continuar no emprego
Servidor público que
continua trabalhando após aposentadoria espontânea não
precisa fazer novo concurso, uma vez que a aposentadoria não
extingue o contrato de trabalho. Assim entendeu a Primeira Turma do
Tribunal Superior do Trabalho, ao julgar o recurso de uma empregada
da Fundação Estadual do Bem Estar do Menor de São
Paulo, que foi dispensada pela falta de um segundo concurso público.
Sua demissão e a dos
demais servidores que se encontravam na mesma situação
foi motivada por um termo de ajustamento de conduta celebrado no Ministério
Público do Trabalho, sob a justificativa de que havia a necessidade
de aprovação em novo concurso público para continuar
no emprego. Foi essa a decisão do Tribunal Regional da 2ª
Região, ao confirmar a sentença do primeiro grau negando
a reintegração da aposentada.
Mas ao analisar o recurso da
servidora ao TST, o ministro Lelio Bentes Corrêa modificou a sentença,
sob o fundamento de que “não se encontra na legislação
em vigor dispositivo que autorize concluir pela extinção
do contrato de emprego em decorrência da aposentadoria espontânea”.
Ele mencionou o fato de que, devido a reiteradas manifestações
da Suprema Corte a respeito dessa matéria, o TST editou a Orientação
Jurisprudencial nº 361, dispondo que a aposentadoria espontânea
não pode ser causa de extinção do contrato de trabalho.
Explicou o relator que a aposentadoria
deve ser tratada sob a ótica do Direito Previdenciário,
e não do Direito do Trabalho, porque não se confunde com
o contrato de emprego – “são institutos jurídicos
independentes entre si”. O empregado que satisfaz os requisitos
para se aposentar espontaneamente tem o direito de requerer esse benefício
e ainda poder continuar no emprego, tal como dispõe o artigo
49 da Lei 8.213/91, afirmou.
O relator concluiu determinando
a devolução do processo à Vara de origem, para
que se dê seguimento ao julgamento, desta vez “afastando
a premissa de que aposentadoria espontânea constitui causa extintiva
do contrato de emprego”. (RR-57100-26.2006.5.02.0064)
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